A que viemos?

O Ponto Dentro do Círculo

Resultado de imagem para maçom

Quantas vezes ficamos a esperar que as outras pessoas façam por nós, aquilo que podemos e devemos fazer em prol de nosso próprio crescimento e das coletividades onde estamos inseridos?

Quantas vezes cobramos das outras pessoas, atitudes que deveriam partir de nós mesmos e que, em função da falta de atitude e da omissão, acabamos que levados ao ostracismo?

O Iniciado, mais do que qualquer outro homem maçom, por princípios fundamentados em um juramento solene e sagrado – revivamos a nossa Iniciação, precisa envolver-se em todas as questões que impactam na vida da sociedade e na de sua família. Precisa também compreender que a Iniciação é um processo que lhe abre a oportunidades de se tornar um Maçom, mas que para tal, precisará de dedicação, estudo, trabalho e, sobretudo, sublimação e discernimento. Fica então uma pergunta: A que viemos?

Como sublimar diante de uma história humana repleta de desencontros?…

Ver o post original 774 mais palavras

Anúncios
Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Magistra vitae

luzdomundo

Antes de tratarmos especificamente do tema escolhido para esse ano, “Papel da maçonaria na sociedade atual. O que estamos fazendo/o que podemos.”, me permitam abordar alguns fatos que, acredito eu, nos ajudarão a encontrar respostas para a questão apresentada.

O historiador Leandro Vilar, em um artigo de 2014, nos conta que:

“No século I a.C, Marco Túlio Cícero (106-43 a.C) proeminente político, advogado, orador, filósofo e escritor romano em seu livro Da Oratoria, obra dedicada a abordar a prática da oratória, algo bastante importante para o ofício de político, advogado e filósofo os quais Cícero exercera, nesse livro, ele falara em alguns momentos que a História seria a magistra vitae, ou seja, a “mestra da vida”. Cícero quisera dizer que a função da História era ser um repositório, um manual, uma professora, que através dos exempla (exemplos, experiências) teria lições a ensinar as pessoas. Para ele, conhecer a História, era se deparar com as ações de várias pessoas, ações essas que repercutiram em êxito ou fracasso, em vitória ou derrota; na prática, a História teria uma função pedagógica, de instruir o individuo a pensar acerca de seu presente e planejar seu futuro tendo como base o passado.”

Surgido no séc. I a.C., esse conceito sobre para que serve a História perdurou até o séc. XIX, quando então alguns historiadores alemães abriram um debate sobre qual seria a verdadeira utilidade da História e como deveríamos olhar para ela.

Em 1598, William Shaw publicou os seus “estatutos”, sendo esses uma série de regras que visavam regulamentar as atividades e ações dos maçons operativos na Escócia do fim do século XVI. Escreveu ele:

“…os maçons devem ser sinceros uns com os outros e viver juntos caridosamente como convém a irmãos e companheiros jurados do Ofício.”

Já no séc. XVII, a Inglaterra passava por uma terrível guerra civil entre monarquistas e parlamentaristas, que culminou com Carlos I tendo sua cabeça cortada. Em 1660, doze membros de um grupo que ficou conhecido como Colégio Invisível, fundaram uma sociedade científica que recebeu o nome de Royal Society. Em 1667, Thomas Sprat, historiador daquela instituição escreveu:

“No que diz respeito aos próprios membros que devem formar a Sociedade, é preciso destacar que eles aceitaram livremente homens de diferentes religiões, países e profissões de vida. Eles foram obrigados a fazê-lo senão teriam se afastado rapidamente da amplitude de visão de suas próprias Declarações. Eles professavam abertamente não estabelecer os fundamentos de uma filosofia inglesa, escocesa, irlandesa, papista ou protestante, mas uma Filosofia da Humanidade.”

São os integrantes da Royal Society que, a partir de 1719, com a eleição de Jean Théophile Désaguliers como Grão-Mestre da Grande Loja de Londres e Westminster, irão fazer parte da nascente maçonaria moderna, levando consigo os princípios citados por Sprat.

Desde então muitos são os fatos ocorridos na história da Humanidade, por exemplo, a Revolução Francesa no fim do séc. XVIII e, pelos nossos lados, a Inconfidência Mineira, independência do Brasil, a abolição da escravatura, a Questão Religiosa, proclamação da República, o governo Vargas, 1964, Diretas Já, impeachments (2 em 7), entre outros acontecimentos relevantes.

Vários desses episódios são invariavelmente relacionados à maçonaria, como se existisse apenas UMA maçonaria, com pensamento unificado, diretrizes únicos, formada por pessoas com objetivos, aspirações, desejos, vontades ideias, ideais, posições, ideologias , todas unas.

Aqueles que assim pensam se esquecem de que havia maçons dos dois lados: Bonifácio x Ledo por exemplo.

Pergunto meus irmãos: Como pode então A MAÇONARIA ser considerada como realizadora de tais feitos?

O que ouvimos muitas vezes em nossas lojas ou em conversas durante ágapes ou grupos de whatsapp é que a maçonaria está acabada; nada mais faz; perdeu sua essência; a maçonaria está acomodada; a maçonaria não toma atitude; apontam-se os “grandes feitos da Sublime Ordem no passado” (muitos daqueles que foram há pouco citados) e critica-se a ausência de liderança no presente.

Novamente questiono meus irmãos: Quem é a maçonaria? Se ela nada faz, quem não faz nada? Quem é que está a lamentar o presente e a enaltecer os “feitos do passado”?

Nelson de Carvalho, em seu artigo intitulado Como é sua maçonaria? Como é sua Loja? Faz a seguinte pergunta: Onde começa a Maçonaria? Para em seguida responder:

“Na Loja. Pois na Loja existe o ingrediente mais importante e basilar da Instituição: o maçom, o ser humano, o pensante, o agente.”

E ele continua:

“Se quisermos saber sobre a Maçonaria, olhemos às nossas Lojas. Quais suas preocupações, quais seus planejamentos de curto, médio e longo prazo (ou sequer tem planejamento?). Tem feito diferença em sua área de ação e atuação junto á comunidade?”

O Grão-Mestre ad vitam da GLMMG Leonel Ricardo de Andrade, no artigo A que viemos? Levanta as seguintes questões:

“Quantas vezes ficamos a esperar que as outras pessoas façam por nós, aquilo que podemos e devemos fazer em prol de nosso próprio crescimento e das coletividades onde estamos inseridos? Quantas vezes cobramos das outras pessoas atitudes que deveriam partir de nós mesmos e que, em função da falta de atitude e da omissão, acabamos que levados ao ostracismo?”

Lembremo-nos agora dos princípios defendidos por aqueles homens que, na segunda metade do séc. XVII fundaram uma sociedade de estudos e pesquisas em Londres. Naquela sociedade tinham como premissa o respeito às diferenças em prol da busca da verdade para o bem da humanidade.

Não tratamos aqui de “olhar para o passado para não repetir os erros no presente ou no futuro”, até porque a ideia da história como magistra vitae já que, como vimos, essa foi há muito superada. O objetivo é procurarmos entender o que perdemos de lá para cá, e porque presenciamos tantos exemplos de intolerância e desrespeito entre membros de nossa Sublime Ordem.

Mais uma vez recorro às palavras escritas pelo Grão-Mestre Leonel Ricardo de Andrade:

“…nós Maçons somos parte de uma humanidade que ainda engatinha sob o ponto de vista do respeito a tudo que a cerca. O ser humano, e muitos de nós Maçons, infelizmente é caprichoso e tende a ver no seu semelhante o mal que não consegue enxergar em si mesmo. Por isso julga e transporta para o outro tudo que é próprio de sua forma de ser e agir, ou seja, atribui para os demais, os vícios e defeitos que em verdade são marcantes em sua personalidade – como é fácil e cômodo se sentir injustiçado e atribuir à outrem as suas mazelas íntimas e particulares.”

Outro ilustre irmão, nosso querido Márcio dos Santos Gomes, membro da Academia Mineira Maçônica de Letras, disse certa vez que “nós, maçons, vivemos sentados sobre um tesouro, mas muitos são os de nossa Ordem que, por desinteresse, morrem na mais absoluta miséria.”.

A falta de instrução, conscientização e do que verdadeiramente vem a ser a maçonaria e qual seu propósito, provoca noções equivocadas dos objetivos a serem perseguidos por seus membros. Muitas são as lojas que se vangloriam das doações realizadas, mas se esquecem de trabalhar o aprimoramento dos seus membros. Dedicam-se ao assistencialismo, tornando-se muitas vezes clubes de serviço ou associações beneficentes, e não reservam o tempo necessário para as instruções que têm por fim a capacitação dos irmãos para a busca da verdade, para formação de líderes e homens que serão exemplos a serem seguidos na sociedade em que a loja está inserida e aí fazerem a diferença.

Vemos no artigo A que viemos?, nosso irmão Leonel indicar qual pode ser o Papel da maçonaria na sociedade atual. O que estamos fazendo/o que podemos:

“Sejamos conscientes de nossos deveres e compromissados com o Progresso e a Evolução da Humanidade, buscando a reforma interior e a responsabilidade solidária de nosso livre arbítrio, tão bem fortalecidos pela vivência plena no Seio da Maçonaria. Contudo, nobres Iniciados na Arte Real, é necessário que tenhamos vontade, posicionamentos, envolvimento, fé e, mais do que tudo, disposição, liderança e capacidade de planejamento, buscando a construção e a implementação de projetos voltados para o desenvolvimento humano.”

É nosso dever termos com aqueles a que chamamos de irmãos ações condizentes com a prática das virtudes que tanto nos são caras em nossas lojas e que muitas vezes passam a ser totalmente ignoradas ao nos encontramos fora do templo ou em postagens nas redes sociais.

O que estamos fazendo? Estamos sendo o exemplo de comportamento em nossa sociedade? Somos o farol que ilumina o caminho nas trevas da ignorância? Vivemos juntos caridosamente como convém a irmãos e companheiros jurados do Ofício? Aceitamos livremente homens de diferentes religiões, países, profissões de vida, pensamento político? Estamos respeitando as diferenças? Somos virtuosos? (lembrando que a virtude é um hábito e que vem da alma)

O que podemos? Podemos procurar nos capacitar mais, criticar menos, agir melhor, pensar mais e incentivar que o outro pense. Podemos trabalhar tendo como objetivo

“Tornar feliz a humanidade pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela tolerância, pela igualdade, pelo respeito à autoridade e à religião de cada um, combatendo a tirania, a ignorância, os preconceitos e os erros; glorificando o Direito, a Justiça e a Verdade, sempre tendo em vista o bem-estar da Pátria e da Humanidade.”

Podemos enfim, queridos irmãos, sermos maçons, pois a maçonaria, com tudo que ela nos oferece, é uma verdadeira magistra vitae.

Autor: Luiz Marcelo Viegas

Palestra ministrada em 17 de agosto de 2019 na Augusta e Respeitável Loja Simbólica Deus, Pátria e Família, nº 154, oriente de Corinto, como parte das comemorações relativas à Semana Maçônica organizada pela União das Lojas Maçônicas do Centro-Norte de Minas Gerais.

Publicado em Maçonaria | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

Sócrates, Platão, Aristóteles, Descartes e Rousseau

Resultado de imagem para Sócrates, Platão, Aristóteles, Descartes e Rousseau

Essa animação é uma ótima contribuição da UNIVESP TV.

Excelente oportunidade para entender um pouco sobre da vida e obra desses grandes homens.

Assista que vale o tempo investido!

Publicado em Vídeos | Marcado com , , , , , | Deixe um comentário

A Ética e o Valor Moral na Maçonaria

O Ponto Dentro do Círculo

A Ética, denominada de Filosofia Moral ou Ciência Moral, trata da análise e a reflexão sobre as condutas humanas, tanto individuais, quanto coletivas, e as normas morais como princípios dos comportamentos. Sua finalidade é fazer com que o desenvolvimento humano atinja a plenitude, respeitando as diferenças individuais.

Segundo Aristóteles, “a Ética estabelece o que se deve ou se pode fazer, e o que não se deve ou não se pode fazer”.

É evidente que quando se estuda o procedimento do homem no meio social, deve-se levar em conta que o homem é um ser moral, justamente por ser ele um se político. É um ser político porque a isso o obriga a sua natureza humana.

Mais do que nunca o homem tem que se adaptar à vida em comunidade, mormente nos tempos de globalização, quando o mundo virou uma “aldeota”, onde a aviação e os meios de comunicação acabaram com as…

Ver o post original 1.014 mais palavras

Publicado em Sem categoria | 1 Comentário

A Revista Bibliot3ca festeja 3.700 seguidores e 2.100.000 cliques!

O nosso caro José Filardo, e seu trabalho à frente da Revista Bibliot3ca, são exemplos a serem seguidos!

via A Revista Bibliot3ca festeja 3.700 seguidores e 2.100.000 cliques!

Citação | Publicado em por | Marcado com | 1 Comentário

1.000.000 de visualizações!!!

Resultado de imagem para 1000000 de views

Chegamos nesse fim de semana à marca de 1.000.000 de visualizações.

Agradecemos aos nossos seguidores por fazerem do blog O Ponto Dentro do Círculo um dos sites maçônicos mais respeitados do Brasil, com milhares de leitores aqui e no exterior.

Procuramos oferecer um canal confiável para o estudo e pesquisa sobre temas que são caros aos membros da Sublime Ordem e essa será sempre nossa meta: compartilhar textos de qualidade, que venham a contribuir para nosso crescimento e aprimoramento, nos auxiliando a “tornar feliz a humanidade pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela tolerância, pela igualdade, pelo respeito à autoridade e à religião de cada um, combatendo os preconceitos e os erros, levantando templos à virtude e masmorras ao vício”.

Obrigado a todos vocês, queridos leitores!

Fraternalmente,

Luiz Marcelo Viegas

Publicado em História | Marcado com | 5 Comentários

A Simbologia da Franco-­Maçonaria (Parte II)

O Ponto Dentro do Círculo

Imagem relacionada

Chegamos assim à primeira metade do século XVII, onde assistimos ao surgimento do movimento hermético-cristão ao qual se convencionou chamar de “iluminismo rosa-cruz”. Esse movimento, que concedia uma importância especial à invocação dos nomes divinos hebreus e cristãos, assim como às analogias e correspondências entre os três mundos ou planos da manifestação universal-corporal, anímico e espiritual – viria a ser decisivo para a gestação da Maçonaria especulativa. Os rosacrucianos, dentre os quais se encontravam autênticos homens de conhecimento do porte de Robert Fludd, Michel Maier e Juan Valentín Andreae (autor de As Bodas Químicas de Christian Rosenkreutz), eram, por assim dizer, o braço exterior e visível da enigmática “Ordem da Rosa-Cruz”, da qual tomaram o nome. Esta sociedade hermética era composta por doze membros (número primordial) que permaneceram sempre no mais completo anonimato, justificado pelas condições, cada mais vez mais adversas, provocadas pelo poder exercido de forma autoritária pela…

Ver o post original 2.180 mais palavras

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

Uma Breve História das Refeições Festivas

O Ponto Dentro do Círculo

Resultado de imagem para maçonaria mestre de banquete

Irmãos, este ensaio é subintitulado ” … e, portanto, beber tragos e comer petiscos“. Trata sobre as origens dos costumes observados em nossas refeições festivas. Na sua preparação, consultei várias fontes às quais sou muito .agradecido. Em particular, eu gostaria de mencionar os trabalhos dos Veneráveis Irmãos Bemard Jones, Harry Carr, John Hamill e Washizu Yoshio, inclusive, as atas (transactions) publicadas pela Loja de Pesquisas Quatuor Coronati (Quatuor Coronati Lodge of Research). No entanto, quaisquer erros, omissões ou suposições erradas são de minha própria responsabilidade.

Uma refeição, no contexto de uma “refeição festiva”, é uma mesa bem familiar, com alimentos. Os primeiros relatos sobre refeições festivas maçônicas foram feitos por maçons operativos no século XIV, especialmente, para celebrar festas religiosas, embora podem ter sido marcadas para os encontros puramente maçônicos, referidos nas Antigas Obrigações (Old Charges). Nesses dias especiais, maçons operativos se reuniam em edifícios em construção ou, em…

Ver o post original 2.971 mais palavras

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

A Simbologia da Franco-­Maçonaria (Parte I)

O Ponto Dentro do Círculo

Neste trabalho dedicado à simbologia universal, não poderiam faltar algumas reflexões sobre o importante simbolismo da Maçonaria, que representa, junto à tradição Hermética–Alquímica, a única via iniciática não religiosa que sobrevive ainda na Europa e sua área de influência cultural. E isto é assim embora, na atualidade, muitos maçons não conheçam – ou conheçam de forma muito limitada – o caráter simbólico e iniciático de sua Ordem. Alguns chegam inclusive a negar esse aspecto essencial da maçonaria, crendo que esta só persegue fins sociais e filantrópicos. Há outros, inclusive, que só vêm na riqueza simbólica da Maçonaria uma fonte inesgotável onde alimentar suas próprias fantasias “ocultistas”, tão em moda hoje em dia. Sem dúvida, esta suplantação dos verdadeiros fins da Maçonaria e, por conseguinte, a infiltração das “ideias” profanas, só podia acontecer numa época que, como a nossa, vive imersa na mais profunda obscuridade intelectual e espiritual.

Devemos esclarecer que…

Ver o post original 4.946 mais palavras

Publicado em Sem categoria | Deixe um comentário

O símbolo perdido: o ponto dentro do círculo

Introdução

A Maçonaria anglo-saxônica adota um símbolo esquecido pela Maçonaria Brasileira. Trata-se do símbolo que os Maçons de língua inglesa denominam “O ponto dentro de um círculo”, e que é visto nos painéis das lojas.

Muitos estudantes consideram este símbolo como pertencente exclusivamente ao terceiro grau. Mas, se recorrermos a antigos catecismos maçônicos ou até a instruções mais recentes, encontramos este símbolo na explicação do primeiro painel. Ele figura em muitos dos antigos painéis do primeiro grau e as instruções dizem-nos que “em toda Loja regular e legalmente constituída há um ponto dentro de um círculo, cujos limites (a Virtude e o Amor ao Próximo) o Maçom não deve ultrapassar”.

Em muitos rituais do Primeiro Grau, editados no Brasil, existe o desenho de um Painel de Aprendiz, no qual são vistas as três colunas arquitetônicas, o Sol, a Lua, a Estrela Flamejante no alto da escada de Jacó e embaixo desta, um altar quadrado repousando sobre um pavimento mosaico. No meio deste altar nota-se um círculo. Comparando-se, entretanto este desenho com a pintura original, observam-se várias diferenças. O desenho original mostra o símbolo completo. O Círculo tem um ponto central e duas linhas verticais paralelas tangenciando a circunferência.

Sendo limitado ao Norte e ao Sul por duas linhas paralelas e perpendiculares, que representam Moisés e Salomão[1], este símbolo indica, dentre outras coisas, que o Maçom deve pautar as suas ações segundo as virtudes que estes dois grandes iniciados representam. O Círculo é também tangenciado no seu topo pelo Livro da Lei, indicando que a via ascensional para o G∴A∴D∴U∴ só existe pela obediência à sua vontade e aos misteriosos desígnios da sua sagrada palavra.

O Símbolo

O Círculo com um ponto central é, inegavelmente, um símbolo místico e remonta à mais alta antiguidade. Ele faz parte até das cerimônias e ritos de adoração ao Sol predominante entre os antigos. Este símbolo foi interpretado de várias maneiras. Simbolizou o Sol, o Universo, Deus e o Todo, a Unidade e o zero, o princípio (o ponto) no centro da eternidade (o círculo linha sem início e fim), porém sempre relacionados a Deus e à criação.

Figura 1 – O Símbolo Maçônico do Ponto dentro do Círculo. Em algumas versões deste símbolo o L∴ da L∴ figura acima do círculo.

Os corpos celestes foram a base sobre a qual se inspiraram os sábios da Antiguidade para definir as primeiras formas geométricas. Nos primórdios da Humanidade, o Ser Supremo, o Criador, não tinha nome nem símbolo algum que o representasse. O mesmo não acontecia em relação à sua obra, à criação, o Universo, cujo símbolo já era então o Círculo com o Ponto Central.

O Zohar, o Livro do Resplendor, ensina que o Ponto Original e Indivisível se dilatou e, por meio de um movimento constante, expandiu-se e deu vida e forma ao Universo. A Divindade expande-se de maneira ilimitada, e enche continuamente o Universo com as suas obras.

Meus Irmãos, chama-nos a atenção tal afirmativa, feita tantos séculos atrás pois, das modernas teorias sobre a origem do Universo, uma das mais aceitas pela comunidade científica é a do popularmente conhecido “Big Bang” onde, de um ponto de dimensões infinitamente pequenas (uma singularidade), toda a matéria e energia surgiu numa fantástica expansão. Esta ocorrência cósmica criou não só matéria e energia, mas o próprio tempo e toda a geometria do espaço. Não é por acaso que vemos o ponto dentro do círculo tangenciado também pelo Livro da Lei (o verbo)… “E no princípio era o verbo” (Bíblia Sagrada). Não só a intuição religiosa, mas também o formalismo matemático e as inferências experimentais da cosmologia moderna levam-nos a ideia de que, antes do “sopro inicial criador”, não existia nem espaço nem o tempo[2]. É surpreendente como, nos limites da ignorância humana, ciência e espiritualidade parecem tocar-se.

Na década de 20, observações realizadas por Edwin Hubble, no telescópio do Monte Wilson, revelaram que, quanto mais longe as galáxias estão do nosso planeta maior é a velocidade de afastamento. Isto diz-nos que o Universo está a expandir-se de forma acelerada. Se as galáxias se estão a afastar agora, significa que devem ter estado mais próximas umas das outras no passado. Há cerca de 15 bilhões de anos todas teriam estado “umas sobre as outras”, e a densidade teria sido enorme. Este estado foi denominado Átomo primordial pelo sacerdote católico Georges Lemaître, o primeiro a investigar a origem do universo que agora chamamos de  “Big Bang”.

Na Índia, os Vedas ensinam que Deus é um Círculo, cujo centro está em toda a parte e cuja circunferência não está em parte alguma. Outra interessante semelhança entre o pensamento antigo e moderno pois, voltando a falar da geometria do espaço-tempo e da expansão universal, não se concebe esta expansão de forma regular, melhor dizendo, não há, atualmente, um centro determinado desta expansão.

Meus queridos Irmãos, para visualizarmos a situação acima descrita, ainda que de forma rudimentar, imaginemos todas as galáxias do universo espalhadas sobre a superfície de uma gigantesca (e hipotética) “bexiga” de borracha. Se enchemos a bexiga, todas as galáxias se afastam umas das outras mas não há um centro determinado, pelo menos no plano físico. O Ponto no centro do círculo é o Criador dos Mundos, e organizador desta maravilhosa dança cósmica, desde o mais humilde átomo de carbono nos fios das barbas de Aarão até os fantásticos quasares[3] que fulgem dos confins do universo.

O Círculo com o Ponto no Centro também pode ser relacionado com a fórmula alquímica VITRIOL. Nesta acepção, retificar significa corrigir os erros inerentes à natureza humana. Com a descida ao interior da Terra e a morte do profano, o iniciado, pela meditação e auto-análise, busca as cristalinas fontes do Amor e da Sabedoria que o levarão à posse da Pedra Polida, a almejada Pedra Filosofal.

O Círculo

O Círculo, sem começo nem final, é um símbolo da divindade e eternidade e, portanto, o Compasso deve ser tomado como o meio pelo qual esta figura perfeita pode ser traçada. Em toda a parte e em todas as épocas, atribuiu-se ao Círculo propriedades mágicas e, particularmente, o poder de proteção contra o mal exterior de tudo que estivesse nele circunscrito. O folclore traz-nos inúmeros exemplos de pessoas, casas, lugares etc. sendo protegidos pelo simples traçado de um círculo em volta deles. As virtudes do Círculo foram também atribuídas aos anéis, braceletes tornozeleiras e colares usados desde épocas primitivas, não só como ornamentos, mas como meio de proteção contra influências malignas.

O Ponto dentro do Círculo foi herdado, conscientemente ou não, dos mais antigos ritos pagãos, nos quais ele representava os princípios masculino e feminino e tornou-se, como passar do tempo, o símbolo do Sol e do Universo. A adoração do falo, como símbolo de fertilidade, foi lugar comum em todo mundo antigo. Povos simples foram inocentemente levados a adotá-lo como base das suas religiões sob a veste de um grande mistério ou princípio gerador.

L.M Child declarou :

A reverência pelo mistério da organização da vida levou ao reconhecimento de um princípio masculino e feminino em todas as coisas espirituais ou materiais: a exemplo, o vento (ativo) era masculino, a atmosfera, passiva e inerte, era feminina”.

Podemos citar outras diversas leituras para este emblema, quais sejam:

  • Um antigo esquema do universo, o ponto representa o individuo, ou contemplador, e o círculo o horizonte;
  • A trajetória da Terra em volta do Sol e as linhas paralelas como os solstícios de inverso e Verão;
  • Um diagrama astrológico ou astronômico com as linhas verticais representando os Trópicos de Câncer e de Capricórnio.

Gostaria, no entanto de finalizar esta explanação com a sua interpretação geométrica, a qual tem íntima ligação com alguns dos mais bem guardados segredos dos antigos Maçons Operativos: a obtenção de um ângulo recto a partir do traçado do círculo.

Figura 2 – Construção de um ângulo recto com o auxílio do ponto e do círculo

A técnica consiste em traçar uma linha partindo de um ponto qualquer da circunferência (no nosso exemplo, ponto A da figura 2) passando pelo centro e interceptando-a novamente (figura 2, ponto B). Depois, traça-se uma outra linha partindo do mesmo ponto inicial e interceptando a circunferência num outro ponto qualquer (figura 2, ponto C). Agora ligamos este ponto com o ponto B. Obtemos, então, de acordo com o Teorema 12, do Livro III, do “Elementos de Geometria” de Euclides, um triângulo retângulo. Este teorema diz que “Um ângulo inscrito num semicírculo é um ângulo recto” (vide figura 3).

Figura 3 – Para qualquer ponto “C” escolhido teremos sempre um ângulo reto

Naturalmente, como um ofício secreto, esta técnica deve ter tido um extremo valor para os Antigos Maçons Operativos, e deve ter sido utilizada, dentre outras coisas, para verificar o trabalho dos obreiros e certificar que os mesmos estavam perfeitos. Outras operações gráficas podem ser executadas com base nesta rica figura. Até mesmo o Segmento Áureo[4] (F) pode dela ser obtido. Aos Irmãos que desejarem aprofundar o estudo geométrico do símbolo, sugiro a leitura do artigo citado na primeira referência bibliográfica deste texto.

Conclusão

Meditemos, meus caros Irmãos, sobre a profundidade e riqueza deste elemento “mágico” da nossa simbologia. Mais que isso, sobre a sua antiguidade e sobre o significado que ele nos traz de eras passadas. Quantos joelhos não se curvaram perante o símbolo do Eterno, do Criador, do Sol? Quantas expectativas não foram neste símbolo depositadas? Quantas magníficas obras arquitetônicas não se ergueram em direção aos céus com o auxílio deste magnífico emblema? Se este é o símbolo perdido não podemos reencontrá-lo? Se, atualmente, os nossos rituais não fazem jus à carga espiritual e histórica deste símbolo será que não nos cabe rendermos homenagem aos nossos ancestrais que observaram os limites do círculo e renderam graças ao “Ponto Primordial”?

Que o G∴A∴D∴U∴ nos ilumine na nossa jornada!

Autor: Mario Cristino Bandim Vasconcelos

Notas

[1] – Os nossos Irmãos do Rito de York dizem que “em toda Loja bem dirigida existe a representação de um certo ponto dentro de um círculo, e que representa um Irmão, individualmente; o Círculo, a linha divisória da sua conduta, além da qual ele nunca sofrerá danos ou paixões que o traiam”. Acrescentam ainda que “este círculo é limitado por duas linhas perpendiculares paralelas, que representam São João Batista e São João Evangelista, e no topo estão as Sagradas Escrituras” (um livro aberto). “Ao circundar esse círculo”, dizem eles, “tocamos, necessariamente, essas duas linhas, assim como as Sagradas Escrituras; e enquanto um Maçom se mantém circunscrito aos seus preceitos, torna-se impossível que possa errar”.

[2] – A “nova” teoria do espaço-tempo curvo foi denominada relatividade geral, para distinguir-se da teoria original que não falava sobre gravidade. Ela foi confirmada espetacularmente em 1919, quando uma expedição britânica à África Ocidental observou uma pequena deflexão da luz ao passar perto do sol, durante um eclipse. Foi uma evidencia direta de que o espaço e o tempo são deformáveis.

[3] – Os “quasares” – abreviatura de quase stelars objectus (objetos quase estelares) – são buracos negros de massa bilhões de vezes maiores que a do Sol. A voracidade com que devoram matéria é impressionante. A aceleração desta matéria “tragada” para o seu interior produz fortes emissões de ondas de rádio e uma colossal luminosidade tornando-os os objetos mais brilhantes do universo.

[4] – Segmento Áureo – também chamado “Número de Ouro” ou “Divina Proporção”, consiste em uma relação particular tal que a parte menor esteja em relação à maior assim como a maior em relação ao todo. Isso é o que a geometria clássica chama de divisão de uma recta em média e extrema razão. Esta relação é frequentemente encontrada da natureza: proporções do corpo humano, desenho de flores, traçado das conchas de muitos moluscos oceânicos e, por isso, muitas Lojas a observam na construção do quadrado oblongo dos seus Templos.

Referências

BURKE, Bro. William Steve, 32°. The point within a circle – More Than Just an Allusion? : Construction of a Right Triangle Using The “Point Within s Circle”. Sciotto Lodje Nº 6, Chillicote, Ohio. Disponível em: http://www.freemasons-freemasonry.com/point_within_circle.html

FADISTA, Antônio – O ponto dentro do círculo – Pesquisa: Ir:. Jaime Balbino – Disponível em: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br/trabalhos/O%20Ponto%20Dentro%20do%20C%C3%ADrculo.pdf

HAWKING, Stephen – O Universo numa casca de noz– São Paulo, Arx, 2001, 3ª edição.

PIKE, Albert – Moral e Dogma – Graus Simbólicos – Livraria Maçônica Paulo Fuchs.

WATERMAN, S.L – A point within a circle – G.L of Sakatchewan – 1974. Disponível em: http://www.themasonictrowel.com/Articles/degrees/degree_1st_files/a_point_within_a_circle.htm

Publicado em Simbolismo e Símbolos | Marcado com , , , , | Deixe um comentário