Estes não são os únicos segredos da Maçonaria

Maçonaria em tempos de pandemia - GAZETA 369

Estamos vivendo um tempo de auto conhecimento Maçônico através de centenas de palestras de excelente conteúdo em sua imensa maioria. Sabemos que estes tempos nos deixam apenas o aprendizado mental como possível. Algumas reuniões tem sido realizadas na verdade de forma presencial, mas são poucas devido a preocupação com nossos irmãos e nossa saúde física.

Infelizmente, conhecimento e sabedoria são coisas diferentes, e estamos perdendo há muitos meses a possibilidade da prática dos costumes, da possibilidade da ressonância da caixa energética que é nosso templo. O pior é que não sabemos até quando é que nossa ordem continuará transformada em uma EAD ou seja uma Instituição de Ensino à Distância. Vemos que muitos atuais Veneráveis não passaram pelo Ritual de Instalação e estão dirigindo Lojas sem receber as Luzes para assim exercer a verdadeira sabedoria. Também muitos irmãos não estão recebendo a oportunidade de receber aumento de salários, isto nos preocupa.

Os esoteristas como eu, sentem falta do encontro pessoal, da troca energética, da capacidade da caixa de Ressonância transformar toda esta grandeza presencial em Energia que recarrega nossas baterias. O Grande Arquiteto do Universo está conosco sempre que nos sintonizamos, mas em grupo a força é muito maior.

Os nossos segredos, na verdade, acontecem quando estamos dentro do templo e criando uma unidade, ou seja, “juntos somos um”. Assim somos mais, como diz a lei da Sinergia: “um mais um é maior que dois”. Peço ao Grande Arquiteto que estes tempos sejam breves pois, nós que acreditamos que os verdadeiros segredos se comunicam pessoalmente, sentimos um vazio da verdade comunicada pelos Cinco sentidos.

Os grandes segredos, dos quais a Maçonaria é um receptáculo dos grandes conhecimentos da humanidade, não estão sendo transmitidos em termos de presença, apoio e esoterismo. Os Cavaleiros Templários, um dos principais pilares da Maçonaria presentes nos Graus superiores do Rito Escocês e também do Rito de York, nos ensinam a perseverar sempre. Aqueles que ainda não tiveram esta oportunidade irão perceber quando lá aprenderem.

Por enquanto seguimos no aprendizado mental, que é o que nos resta e é muito importante. cabe a cada um de nós recorrer aos Mestres para interpretar os símbolos mentais que nos passam nosso importantes palestrantes pois a mente precisa se ligar ao coração para transformar o Conhecimento em Sabedoria!

Autor: Antônio José da Silva

Antônio José é Mestre Instalado e fundador da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, vice-presidente da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, membro da Loja de Pesquisas Quatuor Coronati Pedro Campos de Miranda, e também um grande incentivador do blog.

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O desenvolvimento da arquitetura gótica a partir da filosofia escolástica – Parte II

O estilo gótico | M4
Catedral Basílica de Saint Denis

IV.1. A influência da filosofia escolástica sobre a arquitetura gótica

Nos anos 50 do século XX o pesquisador Erwin Panofsky expôs uma tese que estabeleceu uma inusitada ligação entre a filosofia escolástica e a arquitetura gótica. É sabido que ambas surgiram paralelamente no mesmo espaço geográfico, no caso o norte de Paris, e no mesmo período de tempo, aproximadamente entre os séculos XII e XIII. Panofsky vê nesta coincidência temporal e espacial dos dois eventos mais do que uma simples casualidade e defende a existência de uma relação mais concreta que a simples sincronia no tempo e no espaço. Aponta, entre outros fatores, uma provável influência de conselheiros escolásticos sobre os artistas e mestres [23] góticos.

No entanto, o autor vai além e chega a uma conclusão mais profunda, defendendo a hipótese de que esta influência, muito mais do que de forma direta e individual, se deu genericamente, através do que ele chama de “hábito mental”. Este conceito é entendido por Panofsky como “um princípio que rege a ação” e o autor sustenta seu pensamento com a simples constatação histórica de que “a escolástica detinha o monopólio da formação intelectual naquele âmbito restrito”.[24]

Em geral, a educação espiritual deslocou-se das escolas monásticas para instituições mais urbanas que rurais, de caráter antes cosmopolita que regionalista e, por assim dizer, apenas semi-eclesiásticas, a saber: as escolas catedrais, as universidades e as studia das novas ordens mendicantes que surgiram quase todas no século XIII e cujos membros desempenharam papel de crescente importância mesmo nas universidades.[25]

Isto é, a educação e a produção de conhecimento não estavam mais restritas à clausura dos mosteiros. Deixava de existir o isolamento natural das práticas intelectuais que passaram então a acontecer também nas cidades.

Podemos imaginar em qual clima psicológico e intelectual passou a existir a arquitetura gótica: dentro da cidade, envolta pela fé e pela razão, com a missão de substituir uma arquitetura que não satisfazia mais à religiosidade católica, que agora contava com um complexo sistema filosófico como respaldo teológico e intelectual. Neste sentido, devemos atentar para as observações de Maria Gozzoli:

[…] a escolástica – que enquadrava harmoniosamente todo o saber do tempo e afirmava a possibilidade de ascender a Deus não só pela fé, como pela razão. Chegava-se a Deus por um esforço de pensamento, complexo mas requintado, rigidamente formal mas rico de sutilezas: esses mesmos conceitos que, em arquitetura, inspiraram as catedrais góticas, a sua ascensão para Deus através de construções complexas mas requintadas, formalmente rigorosas, mas de igual modo ricas de pormenores.[26]

Aqui, as palavras-chave são: harmonia e ascensão; fé e razão; complexidade e requinte; formalidade e sutileza. São palavras que podem ser usadas tanto para caracterizar a escolástica quanto o gótico. Mais uma vez nos parece evidente a relação entre os dois fenômenos.

E sobre este contato, entre os mestres-construtores e os clérigos com os quais tinham que trabalhar, todos mergulhados em uma nova ambientação intelectual, Panofsky diz:

É pouco provável que os arquitetos do gótico tenham lido Gilberto de la Porrèe ou Tomás de Aquino no original. Mas entraram em contato com o ideário escolástico por inúmeros outros, sem perceber que, por força de sua atividade, tinham de trabalhar com quem esboçava os programas litúrgicos e iconográficos. Haviam frequentado a escola, tinham ouvido sermões e podiam acompanhar as disputationes de quolibet que tratavam de todas as questões imagináveis da atualidade e que se haviam transformado em eventos sociais, comparáveis a nossas óperas, concertos e conferências públicas.[27]

É feita uma ressalva: os mestres provavelmente não manusearam os livros que continham toda a essência do pensamento escolástico. Mas teriam sido fortemente influenciados por esta aura escolástica que dominava todo o ambiente. A escolástica estava no ar e os arquitetos do gótico estavam inseridos neste contexto.

IV.2. Completude, ordenamento e clareza

Existem três exigências mínimas e fundamentais para que se cumpra aquilo que é denominado pelos estudiosos de esquematismo ou de formalismo escolástico. A clareza é algo buscado incessantemente nos textos escolásticos e para se atingi-la de modo satisfatório deve-se utilizar: a completude, que é a enumeração suficiente – nem mais, nem menos – das questões a serem abordadas; o ordenamento seguindo o esquema de “partes das partes”, como forma de bem estruturar a exposição; e, obviamente, a clareza e força probatória, entendidas aqui como uma relação suficiente de reciprocidade entre o que se mostra e o que se comprova a partir disso. Como complemento a estes pré-requisitos para a correta exposição escolástica há ainda as similitudines de Tomás de Aquino, ou seja, uma espécie de analogia, com o uso de palavras adequadas, visando à melhor compreensão dos conceitos expostos.

É nesse sentido que, ao observarmos a estrutura de uma catedral gótica, podemos aplicar o conceito escolástico de completude, pois não há nada sobrando, nem nada que falte. Elementos como a cripta, as galerias, e as torres, com exceção daquelas frontais, foram eliminados, em nome da clareza e da síntese exata de todo o conhecimento cristão, seja no aspecto teológico, como também no natural, histórico e moral.

Da mesma forma é facilmente observado um “princípio de divisibilidade progressiva”, que consiste em uma homologia entre as partes que constituem uma construção gótica, demonstrando assim que todas as partes que compõem a estrutura situam-se dentro de um mesmo nível lógico. O exemplo mais claro dessa divisão progressiva, que pode sem dúvida ser associada à esmerada divisão e subdivisão de um tratado escolástico bem estruturado, está nos

[…] suportes [que] eram divididos em pilar principal, colunas adossadas, colunas adossadas secundárias e colunetas novamente subordinadas a estas últimas; a caixilharia das janelas, os trifórios e as arcadas cegas eram divididas em suportes e perfis de primeira, segunda ou terceira ordem; nervuras e arcos eram subdivididos numa série de perfis.[28]

Desta forma, assim como estamos habituados a fazer divisões sucessivas em um trabalho acadêmico, de forma a deixá-lo claro e organizado, os construtores, por influência da escolástica, aplicaram o mesmo princípio às suas catedrais.

IV.3. Manifestatio e concordantia

Em relação às duas premissas básicas da escolástica, aplicadas à arquitetura das catedrais góticas em seu apogeu, Panofsky diz:

Enquanto o primeiro, a manifestatio, nos ajuda a entender a imagem fenomênica da arquitetura clássica do apogeu gótico, o segundo, a concordantia, ajuda a compreender a gênese do apogeu gótico clássico.[29]

Ou seja, a manifestatio, compreendida como a maneira clara de explicitar os conteúdos relacionados à fé cristã à luz da razão, determinou a mesma clareza de linhas e divisão dos elementos constitutivos de uma obra arquitetônica gótica. Como exemplo, Panofsky cita o portal central da fachada ocidental da catedral de Notre-Dame em Paris, com os doze apóstolos representados em divisões simétricas de dois grupos no tímpano da catedral. A simetria, sem dúvida alguma, era algo caro aos escolásticos e manifestou-se também na arquitetura gótica.

Já a concordantia, em se tratando da necessidade de conciliação de “possibilidades contraditórias” presente na filosofia escolástica, expressa em sua forma mais completa através do método de Abelardo de Sic et Non[30] até chegar-se a uma síntese, uma solução, parece ter sido outro fator a influenciar a arquitetura gótica. Resumidamente, este método consistia em aceitar as possíveis contradições dos textos de autoria de filósofos, dos padres da Igreja e até mesmo das escrituras sagradas. No entanto, como passo posterior à aceitação da existência destas contradições, passava-se então a tentativa de conciliá-las, que se dava através do método de arrolamento de uma série de autoridades (autorictates) em uma espécie de conjunto (videtur quod) que era colocado em oposição a outro rol de autoridades (sed contra). Como resultado deste confronto entre duas autoridades com comentários opostos, conflitantes, a respeito de um tema, era produzida como solução a respondeo dicendium.

Um fato notório que demonstra de maneira bastante convincente esta relação, levando-se em consideração que as construções românicas do passado aqui funcionavam como auctoritas, é a solução definitiva que os mestres-construtores encontraram para alguns problemas típicos da origem da arquitetura gótica. São três quaestiones cruciais, que, ao serem resolvidas definitivamente, caracterizaram e diferenciaram de vez esta nova forma de arquitetura em relação às construções românicas de antes. As quaestiones que tiveram então o seu respondeo dicendium dado pelos arquitetos góticos foram: a rosácea na fachada ocidental, ao substituir a janela que sempre existiu por uma estrutura circular que era estranha ao gosto gótico; a estrutura da parede debaixo do clerestório, com a criação do trifório que conjugou o Sic românico de Caen com o Non gótico de Amiens; e a conformação dos pilares da nave central, que deixaram de ser somente associados a formas angulares e passaram a utilizar o núcleo cilíndrico[31]. É importante destacar que Panofsky defende que todas essas mudanças ocorreram – ainda que sendo sabida a importância do hábito mental criado pela filosofia escolástica – de forma consciente, sendo aplicadas de forma racional pelos mestres-construtores.

De acordo com Panofsky [32], a influência do princípio da concordantia sobre as obras do apogeu do gótico é tão grande que “a dialética escolástica desenvolveu o pensamento arquitetônico a um ponto em que ele quase deixa de ser arquitetônico”. É quase como afirmar que os construtores das catedrais não estavam construindo igrejas, mas fazendo filosofia em pedra e vidro.

Continua…

Autor: Eduardo Pacheco Freitas

Fonte: Revista Nuntius Antiquus

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Notas

[23] – Mestre era o nome que se dava ao arquiteto neste período.

[24] – Cf. Panofsky op. cit., p. 14-15.

[25] – Cf. Panofsky op. cit., p. 15.

[26] – Cf. Gozzoli, op. cit., p. 8-9.

[27] – Cf. Panofsky op. cit., p. 15.

[28] – Cf. Panofsky op. cit., p. 34.

[29] – Cf. Panofsky op. cit., p. 46.

[30] – Famoso tratado onde Abelardo arrola 158 itens importantes, desde suicídio até concubinato, que são confrontados, em uma relação dialética, a partir de visões conflitantes das autoridades e conciliados por fim. Entre outras, a importância deste texto está em demonstrar claramente a visão dos escolásticos e que a fé poderia buscar apoio na razão.

[31] – Para um maior aprofundamento no tema, recomendamos a leitura do capítulo V de Arquitetura gótica e escolástica, onde Panofsky examina detalhadamente todas estas
novas características da arquitetura gótica, comparando-as com os valores da arquitetura românica e demonstrando a relação da filosofia escolástica com a resolução destes problemas.

[32] – Cf. Panofsky op. cit., p. 62.

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Quem foi André Michel de Ramsay?

O Ponto Dentro do Círculo

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“André Michel de Ramsay, escocês de Ayr, plebeu com fumaças de aristocracia, aportou na França depois de alijado da Maçonaria de sua pátria, por insistir em criar graus cavalheirescos. Na França, satisfez a sua ânsia de nobreza, ao ser recebido como cavaleiro da Ordem de São Lázaro (Chévalier de Saint Lazare). E tão agradecido ficou que produziu em 1737, um discurso onde pretendia aristocratizar a Maçonaria, ligando-a aos nobres das Cruzadas, o que é pura lenda. Ele foi proibido de pronunciar o discurso, por ordem do cardeal Fleury (Andre Hercule de Fleury), ministro de Luis XV e dono do poder da época na França, como ocorreu com outros cardeais (Richelieu, Mazzarino): mas o texto acabou sendo publicado no ano seguinte e influenciaria as tentativas posteriores de criação de Altos Graus. Para alguns autores, o discurso foi de tendência a uma profunda reforma institucional na Maçonaria, o ponto de partida para…

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Quem foi Hipólito da Costa?

O Ponto Dentro do Círculo

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Filho do militar alferes Félix José da Costa Furtado de Mendonça e de Ana Josefa Pereira, Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça nasceu no dia 13 de agosto de 1774, em Colônia do Sacramento. Na época, o povoado estava sob o domínio da Coroa Portuguesa mas, tempos depois, passou a pertencer à Espanha e atualmente é uma cidade do Uruguai.

Hipólito era o primogênito da família e teve dois irmãos: Felício Joaquim, um padre brilhante, e José Saturnino, senador do império. Passou a infância entre criadores e lavradores nos campos do sul, onde teve seus primeiros ensinamentos, inclusive noções de latim ensinadas pelo tio, o Padre Pedro Pereira Fernandes de Mesquita.

Sempre consciente da importância do estudo na vida do filho, Félix José enviou Hipólito para estudar em Portugal onde o jovem se inscreveu em três cursos superiores na Universidade de Coimbra. Ele se formou em Filosofia aos…

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O Quadrado Duplo

O Ponto Dentro do Círculo

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No templo de Salomão, é o Hekal ou Sanctum que representava um quadrado duplo, ou seja, um retângulo de proporção um por dois. O Hekal era o lugar da adoração ou seja, o lugar do encontro, da comunhão do homem com Deus. E, de fato, o um, a figura de Deus se mistura ali com o cinco, a figura do homem através da mediação da proporção áurea.

Assim, vamos traçar dois quadrados superpostos para obter o quadrado duplo: eles são, ambos, Beta ou Beth, que significa casa, templo ou matriz no sistema simbólico dos alfabetos da Antiguidade. Agora vamos traçar o círculo central com diâmetro correspondente ao lado comum aos dois quadrados: Deus, o um, é o ponto totalmente central e círculo ao mesmo tempo. Deus em seu templo é assim ilustrado pelo círculo centrado no quadrado duplo.

Vamos, em seguida, apontar o ponto fixo do compasso para a parte…

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Novos apoiadores do blog em setembro

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Estimados leitores,

No mês de setembro fizemos 23 postagens, abrangendo diversos temas relacionados com os estudos maçônicos, alcançando público em 67 países.


Prosseguimos com a campanha no APOIA.SE, sendo a participação de cada um dos apoiadores essencial para a continuidade de nosso trabalho. A seguir, listamos os novos colaboradores que também dão seu apoio para a manutenção desse que é um dos blogs maçônicos mais conceituados do Brasil.

  • Geraldo Eustáquio Coelho de Freitas
  • Moisés Moriah
  • Paulo Luiz da Cunha
  • Paulo Tamiazo
  • Ubirajara Lopes da Silva

Como fazemos todos os meses, publicamos um texto exclusivo para os nossos apoiadores.

Realizamos o 3º Sorteio Literário do blog. Essa iniciativa tem como objetivo recompensar os colaboradores de nossa campanha no Apoia.se .

Entre os Apaixonados pelo blog o premiado foi o apoiador José Luiz Ribeiro de Melo. Ele recebeu em sua casa o livro “Sabedoria eterna: escritos sobre maçonaria, pitagorismo e magia”, de Arturo Reghini.

Já entre os Fanáticos pelo blog o premiado foi o apoiador Davidson Dionísio de Oliveira. Ele recebeu em sua casa os livros “Notre Dame: a história de uma catedral”, escrito por Ken Follett, e “História do Cristianismo”, de Bruce Shelley.


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A proclamação maçônica de Fé

Oração para aumentar a fé: renove a sua crença - WeMystic Brasil

Em 1722, James Anderson, um ministro presbiteriano e maçom foi contratado pela nova grande loja de reescrever a sua constituição. Ele fez um movimento dramático e corajoso, a fim de perseguir a ideia de uma fraternidade universal. As duas primeiras obrigações em sua nova constituição foram pontos de partida radicalmente inovadores de conceitos previamente existentes e que permitiriam à Fraternidade alcançar homens de todas as fés. Sua primeira Obrigação, lidando com Deus e da religião causaria mais comentário e má interpretação do que qualquer outra nos últimos 285 anos, onde se lê:

“Um Maçom é obrigado em sua ação, a obedecer à lei moral, e se ele compreende corretamente a Arte, nunca será um ateu estúpido nem um libertino sem religião. Mas, embora em tempos antigos os maçons fossem obrigado em cada País a ter a Religião daquele país ou nação, qualquer que fosse ela, ainda assim pensa-se ser agora mais conveniente obrigá-los a ter apenas aquela religião na qual todos os homens concordam, deixando suas opiniões particulares para si ; isto é, serem homens bons e verdadeiros, ou Homens de Honra e Honestidade, quaisquer que sejam as Denominações ou Obediências que os possa distinguir; dessa forma a Maçonaria se torna o centro da União, e os meios de conciliar a verdadeira amizade entre pessoas que de outra forma permaneceriam perpetuamente separados.” [1]

Anderson começa reafirmando a obrigação de um Maçom de cumprir a lei moral. Para cada religião daqueles dias isso incorpora o conceito de não fazer aos outros aquilo que não se faria a si mesmo. Um Maçom que entende a arte da Maçonaria nunca poderia duvidar da existência da divindade ou ser um libertino moralmente desenfreado, deixando de lado a moral, a ética e a existência de um poder superior operando o universo. Tendo aberto totalmente a porta, ele rejeita o argumento de que em um país cristão, um maçom tinha que ser cristão e afirma que uma vez afirmada a existência de um Ser Supremo e concordando-se em cumprir a lei moral, suas crenças religiosas são de foro íntimo.

Não está na natureza dos homens aceitar nem mesmo as melhores leis, sem tentar mudá-las para sua própria vantagem. Um pouco mais de 30 anos se passariam até que uma nova Grande Loja escrevesse uma outra Constituição, desta vez por um autor católico, Laurence Dermott que tentou devolver a Maçonaria ao reino do cristianismo.

“Um maçom é obrigado pelo seu Mandato a observar a lei moral como um verdadeiro NOACHITA; e se ele compreende corretamente a Arte, nunca será um ateu estúpido nem um libertino irreligioso, nem agirá contra a Consciência.

Em tempos antigos, os maçons cristãos eram acusados ​​em agir em conformidade com os usos cristãos de cada país em que eles viajavam ou trabalhavam; sendo encontrados em todas as Nações, inclusive de diversas religiões.

Eles eram geralmente obrigados a aderir àquela religião na qual todos os homens concordam (deixando a cada irmão a sua própria opinião particular); isto é, para ser homens bons e verdadeiros, Homens de honra e honestidade, não importando os nomes, religiões ou convicções pelos quais eles possam ser distinguidos, pois todos eles concordam em três grandes artigos de Noé, suficientes para preservar o Cimento da Loja. Assim, a Maçonaria é o Centro de sua União, e os Meios felizes de conciliar Pessoas que, caso contrário teriam permanecido em um perpétua Distância.” [2]

Esta Constituição exige que os maçons devem crer firmemente, não só verdadeiramente adorar o Deus eterno da Igreja Católica, mas também nos registros sagrados, que os dignitários e os pais da Igreja cumpriram e publicaram para o uso de todos os homens de bem. E em relação aos ateus, os não-cristãos não precisavam solicitar o ingresso. Sessenta e seis anos depois, o pêndulo balançaria de volta. A Constituição Maçônica da Grande Loja Unida da Inglaterra, formada em 1813 pela fusão de Modernos e Antigos abriu a porta para homens de todos os credos e introduziu o conceito de Deus como o Grande Arquiteto do Universo.

“Um Maçom é obrigado em sua ação, a obedecer à lei moral, e se ele compreende corretamente a Arte, nunca será um ateu estúpido nem um libertino sem religião. Ele, entre todos os homens, deve entender melhor que Deus não vê como o homem vê, pois o homem olha para a aparência externa, mas Deus olha para o coração. Um maçom é, portanto, particularmente obrigado a nunca agir contra os ditames de sua consciência. Deixe que a religião de um homem ou modo de adoração seja qual for, ele não é excluído da ordem, desde que ele acredite no glorioso arquiteto do céu e da terra, e pratique os sagrados deveres de moralidade. Maçons se unem aos virtuosos de toda religião no firme e agradável vínculo de amor fraterno; eles são ensinados a ver os erros da humanidade com compaixão, e esforçar-se, pela pureza de sua própria conduta para demonstrar a excelência superior da fé que eles possam professar. Assim, a maçonaria está no centro de união entre os homens bons e verdadeiros, e os meios felizes de conciliar amizade entre aqueles que de outra forma, manter-se-iam em distância perpétua.” [3]

O conceito de Deus em relação à filosofia maçônica continuaria pelos próximos 200 anos, conforme ilustrado no seguinte diálogo entre Albert Pike e Henry Leeson.

Em 1861, Henry B. Leeson do Supremo Conselho da Inglaterra escreve:

“Foi um privilégio coletar e preservar os disjecta membra do Rito Antigo espalhados neste e em outros países, os quais atestam a antiga base cristã da Ordem.” [4]

No entanto, o sistema de 33 graus do Rito Escocês de graus traça as suas raízes somente até a Grande Constituição de 1785, supostamente sob a autoridade de Frederico II. Portanto, qualquer referência a uma antiga base cristã precisaria referir-se à Maçonaria em geral e não ao Rito Escocês, em particular.

Em resposta a esta carta, o Soberano Grande Comendador da REAA SJ, Albert Pike, escreve:

“Eu não concordo com o Ilmo. Irmão Leeson, que a base antiga da Ordem era cristã. Se assim fosse, a Maçonaria prussiana teria estado certa ao excluir judeus da admissão às suas Lojas. Se assim fosse, seria uma fraude afirmar que a Maçonaria é universal. Nesse caso, como poderiam existir Lojas de hebreus e muçulmanos? E em relação ao Rito Antigo e Aceito, se ele tivesse uma base cristã, como é que a maioria daqueles que tiveram sua posse neste país de 1763 a 1800 eram hebreus?” [5]

Dez anos depois, o irmão Lindsay Mackersy 33°, o Delegado Escocês ao Congresso de Lausanne de 1875 iria protagonizar a maior jogada de desorientação da História Maçônica ao usar o conceito maçônico de crença em um Ser Supremo para anular e cancelar de forma cuidadosamente orquestrada os planos dos Supremos Conselhos Inglês e Francês, enquanto ao mesmo tempo, dava início a uma troca de tiros que ainda grassa nos dias atuais. John Mandelburg escreve:

“Embora Pike desejasse ver o REAA como tão “Universal” quanto o Craft, ele sempre sustentou rigidamente o que era proclamado por todos os corpos maçônicos regulares desde tempos imemoriais, uma profissão de fé por cada candidato no Grande Arquiteto do Universo como um Ser pessoal, cuja vontade revelada está contida em qualquer Volume da Lei Sagrada reverenciado pelo Iniciado. Que o Conselho Supremo Inglês foi ainda mais longe na exigência dos irmãos sob sua jurisdição de uma crença explícita na fé trinitária cristã, reforçada, ao invés de removida dessa posição. Nem Pike, nem, na verdade, qualquer membro dos três Supremos Conselhos britânicos, poderia conceber uma Maçonaria regular, que não fosse baseada em uma crença em uma divindade pessoal. [6]

No entanto, os persas acreditavam na existência de um Deus invisível. Eles acreditavam que há uma guerra contínua entre as forças do bem (forças da luz) e as forças do mal (forças das trevas). As forças do bem ganharão se as pessoas fizerem boas ações, tiverem bons pensamentos e falar bem. Deus era representado em seus templos através do fogo. Pike devia ter uma crença semelhante, porque ele cita o seu catecismo em sua palestra sobre o grau 28:

“Nós acreditamos em um só Deus, e não acreditamos em qualquer um além D’Ele; que criou os céus, a terra, os anjos. . . Nosso Deus não tem nem rosto, nem forma, nem cor, nem formato, nem lugar fixo. Não há outro como ele, nem pode a nossa mente compreendê-Lo.” [7]

Por que então Pike contradiz-se após o Congresso de Lausanne de 1875?

Autor: Jack Buta

Tradução: José Filardo

Fonte: REVISTA BIBLIOT3CA

Extrato do Artigo “A CONSPIRAÇÃO DE DEUS”
Publicado em: Review of Freemasonry Pietre-Stones

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O processo iniciático maçônico

ARLS Pier Campadello: Processo iniciático: Alegoria da Caverna

Os maçons não discutem Religião em Loja. No entanto, na Maçonaria Regular, apenas são admitidos maçons homens livres e de bons costumes, sendo um desses, obrigatoriamente, a crença num Criador.

Para a Maçonaria e para os maçons, é absolutamente indiferente que nome cada um dá à Divindade em que crê: Deus, Jeovah, Alá (aliás, consabidamente, três nomes para a mesma Entidade), Brahma ou Tao. O que importa é a real existência da crença, porquanto só a partir dela e com ela se pode percorrer o caminho esotérico que leva ao aperfeiçoamento espiritual individual, segundo o método maçónico de confrontação, percepção e estudo dos símbolos e utilização da sua compreensão como bases ou patamares sucessivos para a compreensão de realidades e conceitos sucessivamente mais complexos, na busca da Luz, ou seja, a compreensão do Divino e, assim, do significado da Vida e da Morte física, do nosso papel no Mundo e na Criação, da nossa relação com o Criador.

O processo iniciático maçónico aglutina, assim, a Crença e a Razão, o Conhecimento Empírico e a Experimentação, a Observação e a Especulação, e é um processo sempre individualmente realizado, pelos caminhos e pela forma de cada um, segundo as suas capacidades, necessidades e disponibilidade, mas também sempre com o auxílio, a força, a cumplicidade, a disponibilidade do grupo em que se insere, a Loja.

Trata-se, assim, de um processo simultaneamente baseado na Crença e na Razão, no individual e no coletivo, que conduz ao aperfeiçoamento espiritual e, por via dele, ao aperfeiçoamento moral e social.

Pela sua natureza e pela complexidade dos conceitos a intuir, muitas vezes mais do que compreender, é um processo demorado e, sobretudo, em que não é realmente possível queimar etapas. Cada passo é essencial para pisar terreno que permita o passo seguinte. Pretender saltar ou efetuar acrobacias, ainda que vistosas, só tem como resultado a queda no abismo do Erro, conducente ao vale da Ignorância.

Em Maçonaria nada se diz, nada se ensina, tudo se sugere, tudo se simboliza, assim tudo se aprende, cada um segundo a sua real necessidade e através das suas capacidades. E assim cada um segue o seu caminho, este intuindo isto, aquele algo de diverso, como peregrinos que vão fazendo cada um o seu caminho, embora todos desejando chegar ao mesmo santuário. O grupo, a Loja, fornece a cada um a escolha dos meios de transporte, aponta a direção, ajuda a organizar a jornada, mas é exclusivamente a cada um que cabe escolher o seu caminho – se é que porventura não será o Caminho que se abre a cada um…

Cada um estará no seu estágio de aperfeiçoamento e seguirá no seu ritmo. Simbolicamente (cá está, em Maçonaria o símbolo é – quase – tudo!), cada um se situa em graus de evolução diferentes, uns ainda Aprendizes, outros Companheiros, outros já Mestres. Os Aprendizes ainda dependem, quase totalmente, do apoio e suporte da Loja, pois ainda estão a procurar reconhecer o mapa, a procurar descobrir a direção, a aprender a ler os sinais indicadores e a reconhecer os enganos. Os Companheiros já sabem para onde querem ir, que direção seguir, mas dependem do auxílio dos mais experientes para decidir quais os percursos que mais lhes convêm e como os percorrer. Os Mestres, esses, já conseguem saber, por si, como e quando e por onde devem prosseguir sua caminhada, já conseguirão corrigir erro na determinação da via e têm capacidade para retomar sua orientação. Mas sempre verão com satisfação o auxílio de seus Irmãos na busca que realizam, ao mesmo tempo que cumprem seu dever de auxiliar e orientar todos os seus Irmãos, qualquer que seja o seu Grau ou Qualidade.

Não nos enganemos, porém: o grau “administrativo” que cada Loja atribui a cada um de seus Obreiros é apenas simbólico, ilustrativo.

Por se ser Mestre de uma Loja, não se quer dizer que se seja realmente Mestre no Caminho Iniciático Maçônico. E alguns Aprendizes ou Companheiros de Loja sinto que percorrem bem mais seguramente seu caminho do que alguns Mestres como tal definidos na Loja…

Grande erro seria confundir o Grau que ao maçom é “administrativamente” atribuído em Loja (afinal dependendo do decurso do tempo, temperado com alguma assiduidade e a execução de alguns trabalhos não demasiadamente exigentes…) com o grau de evolução que realmente esse maçom apresenta: afinal seria cometer o erro mais básico que o mais jovem Aprendiz pode cometer (e que, naturalmente, é normal e expectável que cometa), o de confundir o Símbolo com a Realidade que esse símbolo simultaneamente oculta e revela!

Resumindo: ser maçom não é só reunir em Loja, usar avental e luvas brancas, ter preocupações sociais e tratar os demais como e por Irmãos; é, claro, também tudo isso, mas é muito mais do que isso, é percorrer o tal caminho, buscar, pelo seu modo e a seu jeito, a sua Luz, assim, a pouco e pouco, se reconciliando com a Vida e, sobretudo, com a inevitabilidade da Morte física. Não será exatamente, como escreveu Camões, se ir “das leis da Morte libertando”, mas talvez esse percurso permita, em paz conosco e com tudo o que nos rodeia, libertarmo-nos do medo da dita.

A cada um que foi iniciado maçom foi reconhecido por uma Loja maçónica a capacidade, a virtualidade, a potencialidade, para seguir esta via iniciática, através do método maçónico.

Se o fará ou não, é com cada um. Se o quiser fazer, quando o fará, ainda é com cada qual. Uma Loja maçónica é, antes do mais, um espaço de liberdade (“um Maçom livre, numa Loja livre” é um inalienável princípio básico na Maçonaria) e apenas disponibiliza o seu auxílio, nada impõe, a ninguém critica.

Mas, pelo menos, vai sempre lembrando, para que cada um possa ouvir quando quiser ouvir, entender quando puder entender, aceitar quando lhe apetecer aceitar, que (sempre!) o Caminho faz-se caminhando.

Autor: Rui Bandeira

Fonte: A Partir da Pedra

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Virtudes maçônicas: Tolerância

NOVO MOVIMENTO DEMOCRÁTICO : Popper, o paradoxo da tolerância, o ovo da  serpente e o ovo de galinha

A tolerância sendo uma virtude é, portanto, um valor. Valores, como é sabido, não podem ser definidos, entretanto, podem ser descritos e analisados de acordo com comportamento dos integrantes de uma sociedade.

A ideia de tolerância somente pode ser analisada, com certa precisão, se estiver interada socialmente, pois está indissoluvelmente atrelada ao agir das pessoas nesta mesma sociedade.

Para abordar esse tema tão subjetivo por se tratar de uma virtude e também, sendo um dos valores da nossa Ordem, deixo duas perguntas para a nossa reflexão: “Julgar que há coisas intoleráveis é dar provas de intolerância?” Ou, de outra forma: “Ser tolerante é tolerar tudo?” Em ambos os casos a resposta, evidentemente é não, pelo menos se queremos que a tolerância seja uma virtude.

Partindo da afirmação que Filosofar é pensar sem provas, somente espero não ter indo longe demais nas minhas divagações filosóficas.

No opúsculo O que é Maçonaria, temos a seguinte frase:

“A Maçonaria é eminentemente tolerante e exige dos seus membros a mais ampla tolerância. Respeita as opiniões políticas e crenças religiosas de todos os homens, reconhecendo que todas as religiões e ideais políticos são igualmente respeitáveis e rechaça toda pretensão de outorgar situações de privilégio a qualquer uma delas em particular”.

A definição acima aborda a tolerância maçônica no seu aspecto religioso e político que, sendo um valor é muito mais abrangente, discutível e contestável do que os apresentados.

Quem tolera a violação, a tortura, o assassinato deveria ser considerado virtuoso? Quem admite o ilícito com tolerância tem um comportamento louvável? Mas se a resposta não pode ser negativa, a argumentação não deixa de levantar um certo número de problemas, que são definições e limitações. Nem tão pouco podemos deixar de considerar às questões sobre o sentido da vida, a existência do Grande Arquiteto do Universo e o valor dos nossos valores.

Tolerar é aceitar aquilo que se poderia condenar, é deixar fazer o que se poderia impedir ou combater? É, portanto, renunciar a uma parte do nosso poder, desejo e força! Mas só há virtude na medida em que a chamamos para nós e que ultrapassamos os nossos interesses e a nossa impaciência. A tolerância vale apenas contra si e a favor de outrem. Não existe tolerância quando nada temos a perder e menos ainda quando temos tudo a ganhar, suportando e nada fazendo. Tolerar o sofrimento dos outros, a injustiça de que não somos vítimas, o horror que nos poupa não é tolerância, mas sim egoísmo e indiferença. Tolerar Hitler é tornar-se cúmplice dele, pelo menos por omissão, por abandono e esta tolerância já é colaboração. Antes o ódio, a fúria, a violência, do que esta passividade diante do horror e a aceitação vergonhosa do pior.

É o que Karl Popper denomina como “o paradoxo da tolerância”:

“Se formos de uma tolerância absoluta, mesmo com os intolerantes e não defendermos a sociedade tolerante contra os seus assaltos, os tolerantes serão aniquilados e com eles a tolerância.”

Uma virtude não pode ocultar-se atrás de posturas condenáveis e contestáveis: aquele que só com os justos é justo, só com os generosos é generoso, só com os misericordiosos é misericordioso, não é nem justo, nem generoso e nem misericordioso. Tão pouco é tolerante aquele que o é apenas com os tolerantes. Se a tolerância é uma virtude, como creio e de um modo geral, ela vale, portanto por si mesma, inclusive para os que não a praticam. É verdade que os intolerantes não poderiam queixar-se, se fôssemos intolerantes com eles. O justo deve ser guiado “pelos princípios da justiça e não pelo fato de o injusto poder queixar-se”. Assim como o tolerante, pelos princípios da tolerância.

O que deve determinar a tolerabilidade deste ou daquele indivíduo, grupo ou comportamento, não é a tolerância de que dão provas, mas o perigo efetivo que implicam: uma ação intolerante, um grupo intolerante, etc., devem ser interditos se, e só se, ameaçam efetivamente a liberdade ou, em geral, as condições de possibilidade da tolerância.

Numa República forte e estável, uma manifestação contra a democracia, contra a tolerância ou contra a liberdade não basta para a pôr em perigo: não há, portanto, motivos para a proibir e faltar com tolerância. Mas se as instituições se encontram fragilizadas, se uma guerra civil ameaça, se grupos pretendem tomar o poder, a mesma manifestação pode tornar-se um perigo: pode então vir a ser necessário proibi-la ou impedi-la, mesmo à força e seria uma falta de prudência recusar-se a considerar esta possibilidade.

Estando diante de mais um paradoxo sobre a tolerância, para entende-la entramos por um caminho não muito claro e como não poderia deixar de ser exato, Karl Popper acrescenta:

“Não quero com isto dizer que seja sempre necessário impedir a expressão de teorias intolerantes. Enquanto for possível contrariá-las à força de argumentos lógicos e contê-las com a ajuda da opinião pública, seria um erro proibi-las. Mas é necessário reivindicar o direito de fazê-lo, mesmo à força, caso se torne necessário, porque pode muito bem acontecer que os defensores destas teorias se recusem a qualquer discussão lógica e respondam aos argumentos pela violência. Haveria então de considerar que, ao fazê-lo, eles se colocam fora da lei e que a incitação à intolerância é tão criminosa como, por exemplo, a incitação ao assassínio. Democracia não é fraqueza. Tolerância não é passividade.”

Moral e politicamente condenáveis, a tolerância universal não seria, nem virtuosa e nem viável. Ou por outras palavras: existe, de fato, coisas intoleráveis, mesmo para o tolerante! Moralmente condenado é o sofrimento de outrem, a injustiça, a opressão, quando poderiam ser impedidos ou combatidos por um mal menor. Politicamente é tudo o que ameaça efetivamente a liberdade, a paz ou a sobrevivência de uma sociedade.

Como vimos, o problema da tolerância só se põe em questões de opinião. Ora, o que vem a ser uma opinião senão uma crença incerta. O católico bem pode estar subjetivamente certo da verdade do catolicismo. Mas, se for intelectualmente honesto (se amar mais a verdade do que a certeza), deverá reconhecer que é incapaz de convencer um protestante, ateu ou muçulmano, mesmo cultos, inteligentes e de boa-fé. Por mais convencido que possa estar de ter razão, cada qual deve, pois, admitir que não pode prová-lo, permanecendo assim no mesmo plano que os seus adversários, tão convencidos como ele e igualmente incapazes de convencê-lo. A tolerância, como virtude, fundamenta-se na nossa fraqueza teórica, ou seja, na incapacidade de atingir o absoluto. “Devemos tolerar-nos mutuamente, porque somos todos fracos, inconsequentes, sujeitos à variação e ao erro. Humildade e misericórdia andam juntas e levam à tolerância”.

Um outro ponto a ser considerado prende-se mais com a conduta política do que com a moral, mais com os limites do Estado do que com os do conhecimento. Ainda que tivesse acesso ao absoluto, o soberano seria incapaz de impô-lo a quem quer que fosse, porque não se pode forçar um indivíduo a pensar de maneira diferente daquela como pensa, nem a acreditar que é verdadeiro o que lhe parece falso. Pode impedir-se um indivíduo de exprimir aquilo em que acredita, mas não de pensar.

Para quem reconhece que valor e verdade constituem duas ordens diferentes, existe, pelo contrário, nesta disjunção uma razão suplementar para ser tolerante: ainda que tivéssemos acesso a uma verdade absoluta, isso não obrigaria a todos a respeitar os mesmos valores, ou a viverem da mesma maneira. A verdade impõe-se a todos, mas não impõe coisa alguma. A verdade é a mesma para todos, mas não o desejo e a vontade. Esta convergência dos desejos, das vontades e da aproximação das civilizações, não resulta de um conhecimento: é um fato da história e do desejo dessas civilizações.

Podemos perguntar, finalmente, se a palavra tolerância é, de fato, a que convém. Tolerar as opiniões dos outros não é considerá-las como inferiores ou faltosas? Temos então um outro paradoxo da tolerância, que parece invalidar tudo que vimos anteriormente. Se as liberdades de crença, de opinião, de expressão e de culto são liberdades de direito, então não precisam ser toleradas, mas simplesmente respeitadas, protegidas e celebradas.

A palavra tolerância implica muitas vezes, na nossa língua, na ideia de polidez, de piedade ou ainda de indiferença. Em rigor, não se pode tolerar senão o que se tem o direito de impedir, de condenar e de proibir. Mas acontece que este direito que não possuímos nos inspira no sentimento de possuí-lo.

Não temos razão de pensar o que pensamos? E, se temos razão, os outros não estariam errados? E como poderia a verdade aceitar – senão, de fato, por tolerância – a existência ou a continuação do erro? Por isso damos o nome de tolerância àquilo que, se fôssemos mais lúcidos, mais generosos, mais justos, deveria chamar-se de respeito, simpatia ou de amor. Se, contudo, a palavra tolerância se impôs, foi certamente porque nos sentimos muito pouco capazes de amar ou de respeitar quando se tratam dos nossos adversários.

Enquanto não desponta o belo dia em que a tolerância se tornará amável”, conclui Jankélévitch, “diremos que a tolerância, a prosaica tolerância é o que de melhor podemos fazer! A tolerância é, pois uma solução sofrível; até que os homens possam amar, ou simplesmente conhecer-se e compreender-se, podemos dar-nos por felizes por começarem a suportar-se.”

A tolerância, portanto, é um momento provisório. Que este provisório está para durar, é bem claro e, se cessasse, seria de temer que lhe sucedesse a barbárie e não o amor! É apenas um começo, mas já é algum. Sem contar que é por vezes necessário tolerar o que não queremos nem respeitar e nem amar. Existem, como vimos, coisas intoleráveis que temos de combater. Mas também coisas toleráveis que são, no entanto, desprezíveis e detestáveis. A tolerância diz tudo isto, ou pelo menos autoriza.

Assim como a simplicidade é a virtude dos sábios e a sabedoria a dos santos, a tolerância é sabedoria e virtude para aqueles – todos nós – que não são nem uma nem outra coisa.

Autor: Roberto Donato

Fonte: Além do Último Grau

Referências bibliográficas

Opúsculo – O que é a Maçonaria

A Tolerância e a Ordem Normativa – Ir.’. Luciano Ferreira Leite

Sponville, André – Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. Lisboa: Ed. Presença, 1995

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Zodíaco no REAA – Entenda as razões das colunas zodiacais no templo

Filhos do Arquiteto Brasil — O ZODÍACO E A MAÇONARIA: Era o 117° rito...

O Zodíaco apareceu nos rituais do REAA como herança da Lojas Mães Escocesas. Dentre outros, essas Lojas organizavam na França os trabalhos concernentes ao simbolismo do Rito. Destaque-se que é dessa época, mais precisamente no ano de 1804 na França, o aparecimento do primeiro ritual do REAA e que seria publicado oficialmente em 1821 (estima-se) no “Guide des Maçons Écossais”. É bom que se diga que nesta época o simbolismo do REAA enfrentava nos seus primórdios de existência a sua consolidação e aperfeiçoamento. 

Até 1815 existiu dentro do Grande Oriente da França, junto com o Segundo Supremo Conselho, uma Loja Geral Escocesa com o fito de organizar o simbolismo. Essa Loja Geral viria se extinguir por volta de 1815.

Muitos símbolos e costumes pertinentes às primeiras lojas simbólicas do REAA são frutos hauridos das Lojas Mães Escocesas (Marselha, Paris e Avinhão, por exemplo).

Em linhas gerais, as quatro principais contribuições das Lojas Mães para com o aprimoramento do ritual simbólico do escocesismo nos seus primeiros anos de existência foram: primeiro, a disposição das Colunas Vestibulares B e J tal como a usada pela Maçonaria anglo-saxônica (B à esquerda e J à direita de quem entra); segundo, a aclamação Huzzé; terceiro as constelações do zodíaco fixadas na base da abóbada; quarto, a consolidação da cor vermelha para o Rito.

Outras fontes principais que influenciaram esse primeiro ritual, além daqueles hauridos das Lojas Mães, foram o “Régulateur du Maçom” e os rituais ingleses da Grande Loja dos Antigos (divulgados pela exposição “The Three Distinct Knocks”, de 1760).

Em relação às colunas zodiacais e as constelações do zodíaco dispostas tais como se apresentam hoje, o que se pode dizer é que as doze colunas primitivamente não eram utilizadas, aparecendo nos primeiros tempos apenas as constelações zodiacais, ou os símbolos correspondentes ao zodíaco, cujos quais iam fixados ao alto na base da abóbada – seis no setentrião e seis no meridião. Destaque-se que essa decoração, apenas com constelações (ou os símbolos do zodíaco) ainda é empregada no lugar das colunas zodiacais em muitos templos do REAA atualmente.

Assim, as colunas zodiacais foram utilizadas para marcar a posição das constelações zodiacais, já que muitas abóbadas não seguiam essa decoração, isto é, omitiam nela o zodíaco. Provavelmente foi dado a isso que se passou a utilizar meias-colunas verticais – como que encravadas nas paredes – para projetar as constelações ausentes na base da abóbada (marcavam essa existência).

Deste modo, as colunas zodiacais, então colocadas para suprir a falta das constelações, acabariam se tornando elementos obrigatórios segundo muitos rituais do simbolismo do REAA. 

Com as suas presenças como símbolos do zodíaco, as colunas então trazem nos seus capiteis, ao invés da constelação fixada na abóbada, pantáculos (símbolos que possuem significado de natureza esotérica) relativos à cada um dos signos do zodíaco.

Atinente ao porquê do simbolismo iniciático dessas colunas no REAA, elas correspondem a faixa no mapa celeste que as doze constelações ocupam. Desta forma, o zodíaco, em Maçonaria, nada tem a ver com prognósticos acerca de uma pessoa em relação aos astros no dia do seu nascimento. 

No REAA o zodíaco é utilizado apenas como alegoria iniciática. Nesse sentido, os alinhamentos correspondentes à Terra, o Sol e as respectivas constelações zodiacais,
agrupados sequencialmente de três em três, representam a primavera, o verão, o outono e o inverno – nascimento, vida e morte na Natureza adequada ao hemisfério Norte do nosso Planeta.

Sob a óptica iniciática maçônica, esses ciclos são representados no templo pelas colunas zodiacais a partir de 21 de março (constelação de Áries) que é o início da primavera no Norte. Dessa forma, a vida simbólica do Iniciado acompanha a sequência desses ciclos naturais (primavera, verão, outono e inverno).

Emblematicamente se relacionando às etapas da existência humana – a infância, a adolescência, a juventude e a maturidade – essas fases se comparam à primavera, ao verão, ao outono e ao inverno, respectivamente. 

Com isso, a jornada iniciática dos três graus universais da Maçonaria seguem as estações representadas pelas colunas zodiacais a partir de Áries (primavera no Norte). É sob esse formato que as colunas vão dispostas, seis ao Norte e seis ao Sul. Divididas em quatro grupos de três, elas marcam os ciclos naturais e indicam o caminho que o Iniciado deve seguir, rompendo o seu percurso ao nascer na primavera para simbolicamente fenecer no inverno e, em seguida, tal como a Natureza revivida, reviver na Luz.

O Iniciado, ao percorrer a senda demarcada pelas colunas zodiacais simula seu aprimoramento como Aprendiz (infância-adolescência) nas seis primeiras colunas, de Áries até Virgem (Norte); o Companheiro (juventude) em Libra ao Sul e o Mestre prossegue nas colunas restantes em direção ao solstício de inverno quando a Natureza se prepara para ficar viúva do Sol (vide cultos solares da Antiguidade).

Assim, esse foi um breve relato sobre o significado da presença das colunas zodiacais nos templos do REAA. Evidentemente que esse é um percurso simbólico, contudo de conteúdo altamente significativo no que concerne à transformação e o aprimoramento – uma das doutrinas do Rito.

Por fim, toda essa proposição simbólica demonstrada busca explicar a importância emblemática dos solstícios e equinócios na liturgia maçônica. Não à toa que Câncer aparece no templo sempre ao Norte e Capricórnio ao Sul. Não menos importante ainda é lembrar que os solstícios de verão e de inverno ao Norte (onde nasceu a Maçonaria), correspondem respectivamente às datas comemorativas de João, o Batista e João, o Evangelista (as Lojas de São João). Ainda nesse contexto é bom lembrar que as Colunas B e J, também conhecidas como “pilares solsticiais”, marcam a passagem dos trópicos de Câncer e Capricórnio no templo – o Sol não ultrapassa os Trópicos e o Iniciado percorre os “ciclos”. O resto é estudar e compreender, destacando que o conhecimento esotérico é reservado apenas aos Iniciados. Eis aí os subsídios.

Autor: Pedro Juk

Fonte: Blog do Pedro Juk

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