O que aconteceu na maçonaria brasileira em 1927?

Jesus Full Time: Os Dois Caminhos

A Grande Cisão de 1927, ou a criação das Grandes Lojas

Enquanto o ambiente político nacional estava agitado, no início da década de 20, diante da nova eleição presidencial e dos episódios que, supostamente, envolviam o candidato Arthur Bernardes, a situação do Grande Oriente do Brasil também não era tranquila, pois iniciava a década com uma nova cisão, provocada por uma eleição fraudulenta.

Com a morte, a 28 de janeiro de 1921, do Grão-Mestre Adjunto Irmão Luiz Soares Horta Barbosa, realizaram-se novas eleições, a 25 de abril daquele ano, para o preenchimento do cargo vago, quando se apresentaram duas candidaturas: a de Mário Marinho de Carvalho Behring e a do general José Maria Moreira Guimarães. Com o apoio de São Paulo, o general Moreira Guimarães obteve a maioria dos votos (2.770 contra 2.124 dados a Behring). Manipulando, todavia, os dados, a junta apuradora anulou votos de ambos os lados, mas principalmente os do general, de tal maneira que Mário Behring acabaria sendo eleito com 1.410 votos.

Isso acabaria provocando a reação do Grande Oriente de São Paulo, dirigido, desde 1920, pelo jurista e político José Adriano Marrey Júnior. No dia 29 de julho de 1921 atendendo uma convocação do Grão-Mestre Irmão Marrey Júnior, representantes de 51 (cinquenta e uma) Lojas participaram de uma reunião, na qual se tratou do desligamento desse Grande Oriente do Poder Central, sob a alegação de não terem sido computados os votos de São Paulo nas eleições suplementares para Grão-Mestre Adjunto do Gr.’. Or.’. do Brasil.

Dos cinquenta e um representantes, somente o Venerável da Loja “Piratininga” votou contra e justificou o seu voto, por não se ter recorrido primeiro ás leis existentes para esse fim. Em Sessão da Loja, a 1º. de agosto, o Venerável Mestre expôs a ocorrência e recebeu a aprovação unânime dos obreiros tendo, tal resolução sido ratificada em Sessão especial realizada no dia 15 de agosto. O Grande Oriente do Brasil, reagindo a essa brusca separação, declara extinto o Grande Oriente Estadual de São Paulo, pelo decreto no. 694, de 27 de outubro de 1921, criando, posteriormente, a Grande Loja Simbólica de São Paulo. Esses acontecimentos iriam acabar matando um ideal que surgira, em 1921, com a fundação da Respeitável Loja de Perfeição “Segredo”, no Oriente do Poder Central, no Rio de Janeiro, por Maçons da estirpe de um Everardo Dias (da Loja “Ordem e Progresso”, de São Paulo). e de um Otaviano Bastos. A Loja foi Instalada com o fim exclusivo de difundir, em todas as Lojas da Federação, através de uma doutrinação continuada e persistente, os conhecimentos indispensáveis a cada Maçom, tais como regularidade, Ritos, usos e costumes, jurisprudência, simbologia e liturgia, alicerces e princípios imutáveis para se forjar um Maçom integral. Foi a iniciativa pioneira no terreno cultural, mas seus trabalhos foram impedidos pelas dissensões surgidas, tendo, Otaviano Bastos, estratificado o programa da Loja em sua obra “Pequena Enciclopédia Maçônica”.

Ao final da gestão do Grão-Mestre Irmão General Thomaz Cavalcanti, Nilo Peçanha – que já fora Grão-Mestre, de 1917 a 1919 – era indicado, mais uma vez, para o cargo. Os acontecimentos políticos do país, nesse agitado período, todavia, acabariam por tornar inoportuna a sua candidatura – ele fora, inclusive, ilegalmente preso, apesar de suas imunidades como senador da República – fazendo com que elementos ambiciosos saíssem da sombra, iniciando o trabalho de intriga, visando galgar os altos postos do Grande Oriente. Isso já fizera com que o Grão-Mestre entrasse em licença, afastando-se, desgostoso com as ingratidões e com a oposição encarniçada que lhe moviam na Soberana Assembleia.

Os elementos que ambicionavam o Grão-Mestrado, estavam ligados ao Ministério da Justiça, então ocupado pelo Maçom, Irmão João Luiz Alves, partidário da soma de forças maçônicas, pelo menos aparentemente, em torno do novo Presidente da República, cujo governo se iniciava. Numa antiga biografia do Maçom Irmão Everardo Dias – jornalista, escritor e líder de movimentos operários em São Paulo, nas décadas de 10 e 20 – o autor (desconhecido) e testemunha da História, afirma:

“Foi, então, elevado ao Grão-Mestrado Geral da Ordem, o Irmão, Mário Behring, figura medíocre na Ordem, mas insinuante em conquistar posições, substituindo o general Cavalcante: Sendo amanuense da Biblioteca Nacional, conseguiu com o ministro João Luiz Alves, a aposentadoria do diretor da Biblioteca e sua nomeação, pelo presidente, para esse cargo importante e bem remunerado, prejudicando outros funcionários mais antigos e capacitados”.

A 20 de maio de 1922, Mário Behring seria eleito Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, sendo empossado a 28 de junho e tendo, como Adjunto, o Irmão Bernardino de Almeida Senna Campos. Logo no início de seu mandato, a 22 de dezembro de 1922, pelo decreto n° 746, seria criado um imposto individual, denominado “taxa de capitação”, ou, simplesmente, “capitação”, a ser cobrada de todos os Maçons. As taxas, que, anteriormente, atingiam apenas as Lojas, passaram a ser cobradas “per capita”, ou seja, por cabeça.

Tendo ocorrido, nesse mesmo ano, o centenário do Grande Oriente do Brasil, precedendo, de pouco, o centenário da independência, não houve, estranhamente, nenhuma festividade – houve, apenas, cunhagem de medalhas – embora já tivesse sido nomeada, em 1916, uma “comissão de festejos” do centenário e embora, para esse fim, tivesse sido aumentada a capacidade do Templo Nobre do Lavradio, com a construção de duas galerias laterais, que proporcionavam lugar a mais cento e vinte pessoas.

No início de 1923, é criada a Grande Loja Simbólica de São Paulo e, pelo decreto N° 753, de 24 de abril do mesmo ano, é marcada a sua regularização para o dia 30 de maio; a partir de então, todas as Lojas paulistas obedientes ao Grande Oriente do Brasil – cerca de vinte – ficariam subordinadas a essa Grande Loja que seria instalada no prédio da Loja “Piratininga”, na Rua Marechal Deodoro, N° 10.

No ano de 1924, o Grão-Mestre Irmão Mário Behring comprometia o patrimônio do Grande Oriente do Brasil, ao hipotecar o Palácio do Lavradio, para obter um empréstimo de 300:000$000 (trezentos contos de réis), com que pretendia construir um orfanato Maçônico em terreno no Méier, no Rio de Janeiro, pertencente à Associação Mantenedora do Asilo Henrique Valadares, constituída a 9 de janeiro de 1904, sob os auspícios do Grande Oriente e aprovada pela Assembleia Geral do GOB, a 22 de setembro de 1904. Embora o Grande Oriente do Brasil não fosse dono do terreno, o Grão-Mestre lançou a pedra fundamental do orfanato a 16 de março do 1924; por desentendimentos com o construtor, com a obra quase pronta, em junho de 1925, o projeto inicial acabou sendo abandonado e o edifício teve diversas destinações, principalmente não maçônicas, convertendo-se numa dor de cabeça constante – pela irregularidade inicial – a qual duraria muitos anos, até à sua desapropriação, cerca de cinquenta anos depois de construído. Inicialmente, contudo, o imóvel abrigou as Oficinas Gráficas da Escola Profissional Maçônica José Bonifácio, que, além de ensinar a arte gráfica aos meninos interessados em aprendê-la, executava qualquer trabalho tipográfico, com preços módicos para os Maçons e as Lojas.

A 17 de junho de 1925, quase no fim da gestão, pelo Decreto N° 814, era extinta a Grande Loja Simbólica do Estado de São Paulo e criada uma Delegacia do Grande Oriente do Brasil no Estado. Behring estava licenciado desde 21 de maio, mas reassumiu a 21 de junho, diante da celeuma provocada em torno da eleição para o Grão-Mestrado, ocorrida a 20 de maio. Ocorre que Behring venceu Pedro Cunha, mas houve fraude, pois, das 315 Lojas, só 176 participaram da eleição e só 16 mostraram mapas eleitorais corretos assim, a Assembleia Geral, em Sessão extraordinária de 5 de junho admitia a vitória de Pedro Cunha. Diante do impasse, em nova Sessão, no dia 8 de junho, os três candidatos propõem, à Soberana Assembleia, a anulação do ato e a convocação de nova eleição. Behring, vendo sua reeleição em perigo, retornou, então, no dia 23, dissolvendo o Cons.’. Geral da Ordem. No dia 13 de julho, perante a Soberana Assembleia, ele renunciava ao cargo, diante das provas contundentes de manipulação da eleição. Assumiria, então, como Grão-Mestre Interino, o Adjunto Irmão Bernardino de Almeida Senna Campos, amigo e seguidor de Behring.

Em Sessão especial da Assembleia Geral, a 21 de dezembro de 1925, para apuração da nova eleição das Grandes Dignidades, realizada de 31 de agosto e 6 de setembro, nos termos do decreto nº° 815, de 9 de junho, eram proclamados e reconhecidos os mais votados Irmãos Vicente Saraiva de Carvalho Neiva, para o cargo de Grão-Mestre e João Severiano da Fonseca Hermes para o cargo de Adjunto. O Irmão Carvalho Neiva recebera 3.179 votos, enquanto o Irmão Behring recebia apenas 117, num real julgamento plebiscitário. Apesar de renunciar ao cargo de Grão-Mestre, Behring manteve o de Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho, contrariando o disposto na lei maior do Grande Oriente, o qual previa a ocupação dos dois cargos pelo Grão-Mestre, já que a Obediência era mista fato que fora totalmente aceita nos Congressos Internacionais de 1907, 1912 e 1922, sem implicar qualquer dúvida em torno da regularidade de Grande Oriente do Brasil. Isso foi feito com a total conivência de Senna Campos.

Nessa ocasião, Behring já começava a tramar a cisão que viria a ocorrer em 1927, pois tratara, a 11 de novembro de 1925, de registrar os estatutos do Supremo Conselho embora já houvesse um registro do Grande Oriente – como Obediência mista – englobando o Supremo Conselho, feito por ocasião da promulgação da Constituição de 1907. Esse registro de 1925, portanto, era totalmente nulo, mas serviria, posteriormente aos desígnios de Behring.

A 18 de fevereiro de 1926, falecia o Grão-Mestre Irmão Vicente Neiva, assumindo o Adjunto Irmão Fonseca Hermes, com quem Behring assinaria um tratado, a 17 de junho de 1926, estabelecendo que no Rito Escocês Antigo e Aceito, os Graus Simbólicos ficariam com o Grande Oriente, enquanto os Altos Graus ficariam com o Supremo Conselho. A assinatura do tratado, por parte do Irmão Fonseca Hermes fora arbitrária, pois usara poderes que a Assembleia Geral concedera ao Irmão Vicente Neiva. Por isso, a Assembleia revogou o tratado e insistiu com o Irmão Fonseca Hermes, no sentido de que este o anulasse. Não concordando com a exigência e não suportando as pressões, o Irmão Hermes licenciou-se do cargo, a 6 de junho de 1927, assumindo, então, o Adjunto, Irmão Octavio Kelly, que fora eleito para o cargo e empossado a 21 de março do mesmo ano. Ainda durante a sua gestão, o Irmão Hermes, pelo decreto nº 848, de 30 de setembro de 1926, anuindo a inúmeros pedidos de Lojas do Estado de São Paulo, havia restabelecido, ali, o Grande Oriente Estadual, que fora extinto em 1921. A primeira iniciativa do Irmão Octavio Kelly, no sentido de sanar a irregularidade, aconteceu através do decreto nº 859, de 21 de junho de 1927, que revogava, para todos os efeitos, o decreto nº 858, que o Irmão Fonseca Hermes assinara a 23 de fevereiro, no sentido de transformar a Assembleia Geral em Constituinte, a ser Instalada a 24 de junho, para colocar a Constituição do Grande Oriente do Brasil de acordo com o tratado celebrado com o Supremo Conselho O Irmão Behring, todavia, sabendo, antecipadamente, o que iria ocorrer, promoveu, no dia 17 de junho de 1927, fora do Lavradio – e, portanto, às escondidas – na Rua da Quitanda, nº 32, uma reunião extraordinária do Supremo Conselho, que contou com a presença de apenas treze membros efetivos e declarou a sua separação do Grande Oriente, sem ter esquecido, antes, de subtrair todos os papéis e documentos dos arquivos do Supremo Conselho, no Lavradio, transportando-os para a Rua da Constituição, nº 38, num flagrante delito maçônico, pois os papéis não lhe pertenciam.

Graças a isso, não foi tranquila a reunião do Conselho Geral da Ordem, no dia 20 de junho, quando o Irmão Behring e os seus seguidores desligaram-se do GOB. Nessa Sessão, os seguidores do Irmão Behring foram renunciando a seus cargos: Irmãos Amaro Albuquerque, ao de Grande Secretário Geral do Grande Oriente; Moreira Sampaio, ao de Grande Tesoureiro do Grande Oriente; Hugo Martins, ao de 2º. Grande Vigilante do Conselho; Monteiro Chaves, ao de membro efetivo do Conselho; Senna Campos, ao de membro efetivo do Conselho. Defendendo a posição do Grão-Mestre, o Irmão Mário Bulhões diz que a situação era corolário de tudo o que vinha se passando desde 1921 e, principalmente, a partir de 1925, quando o Irmão Behring renunciou ao Grão-Mestrado, mas permaneceu como Grande Comendador, a despeito da Constituição, em seu artigo 25, parágrafo 2°, dispor que o Grão-Mestre era o Soberano Grande Comendador. Outros Conselheiros também defenderam a integridade do Grande Oriente, porém, sem sucesso pois a coisa já estava consumada.  

O Irmão Behring, pedindo a palavra, refere-se ás eleições procedidas no Supremo Conselho desde 1921 e que se tornou necessário votar o tratado entre o Supremo Conselho e o Grande Oriente; e, considerando que vinha pedindo a reforma da Constituição, sem êxito, o Supremo Conselho deliberara, por unanimidade – unanimidade de apenas 13 dos 33 membros? – denunciar, à Confederação Internacional do Rito, a situação, e, consequentemente, o tratado de 1926. E termina por anunciar que se desliga do Conselho Geral.

O Irmão Senna Campos, sempre manobrado pelo Irmão Behring, declara segui-lo, não, porém, com um adeus ao Grande Oriente mas, sim, com um até amanhã, pois, no dia da união, da Maçonaria brasileira, voltará. Palavras bonitas! Mas que se usam apenas em solenidades, da boca para fora, sem qualquer convicção. Por seu lado, o Grão-Mestre em exercício, dirigindo a Sessão, ainda elogiou o Irmão Behring e apelou por uma união bem próxima, sem saber que o golpe mortal sobre o Grande Oriente já havia sido, veladamente, desferido. Na realidade, as palavras do Grão-Mestre dão a entender que ele previa apenas uma separação entre as duas Obediências – tornando independente o Supremo Conselho – e que julgava que ela seria efémera, terminando assim que a Constituição do Grande Oriente fosse revista, não prevendo uma cisão que envolvesse o corpo simbólico. O Irmão Behring, entretanto, já havia programado essa cisão, criando um substrato simbólico para o seu Supremo Conselho na figura de Grandes Lojas Estaduais. A primeira delas, a da Bahia, já havia sido fundada a 22 de maio de 1927, recebendo, do Supremo Conselho a Carta Constitutiva nº 21; outras duas, fundadas logo depois de declarada a cisão, foram: a do Rio de Janeiro e a de São Paulo. Esta, fundada a 18 de junho de 1927 (carta N° 3 do Conselho) e que se transformaria na maior delas, foi formada, inicialmente, por 23 Lojas, das quais só uma, a “Prudente de Moraes”, lhe permaneceria fiel.

Em sessão de 24 de junho, da Assembleia Geral, o Grão-Mestre Irmão Fonseca Hermes, que se licenciara do cargo, a 6 de junho, renuncia a ele, entregando o comando, definitivamente, ao Irmão Octavio Kelly. Este, numa inflamada mensagem, aplaudida, longamente, expunha a sua posição e a situação em que os dissidentes haviam deixado o Grande Oriente do Brasil. Por ser um documento histórico, que mostra os motivos da crise, ele merece uma transcrição integral:

“Digníssimos llrm.’. Representantes do Povo Maçônico na Sob.’. Assembleia Geral.

Em obediência ao exposto no art. 39, nº 12 da Constituição em vigor, cumpro o dever de dar-vos noticia, em breve relato, da minha curta gestão administrativa e dos assuntos que, durante ela, merecem exame e atenção.

Não o farei, porém, sem precede-la das homenagens que desejo fiquem assinaladas pela feliz escolha dos vossos nomes para a composição do Legislativo Maçônico e das afirmações da minha segura esperança de que novos horizontes se hão de abrir às atividades da nossa Ordem, sob o influxo das vossas luzes e experiências e ao calor do entusiasmo de acendrado amor à finalidade dos ideais de tolerância, justiça e liberdade.

Eleito, pelo sufrágio do povo maçônico, Grão-Mestre Adjunto da Ordem, quis o destino que a precariedade do estado de saúde do nosso venerando chefe me levasse a substituí-lo em suas pequenas interinidades, na última das quais ainda me encontro. Aos primeiros contatos com os velhos companheiros, de cujo convívio me desabituara pelo afastamento em que me mantive do vosso meio e da vossa atuação, senti, desde logo, que a força das nossas instituições, posto que vigorosa e promissora de vastas conquistas e de solidares realizações, sofria os efeitos de perturbações merecedoras de pronta e decisiva terapêutica e que a política de adiamento e de contemporizações se me afigurava de todo imprópria para resolvê-las.

O germe da dissociação minava, fundo, o nosso organismo, de norte a sul e, mesmo no Poder Central, graves divergências mantinham em hostilidade e suspeita figuras de brilhante representação na Ordem, esquecidas dos nossos mais próximos interesses, na hora em que as paixões lhes acerbavam os espíritos. A difícil situação financeira, agravada pelo enfraquecimento das rendas do Grande Oriente, dia a dia ferido na sua grandeza de outrora, pela separação de Oficinas que adotavam os exageros de estranha e errônea concepção de um radicalismo impenitente, ou se insurgiam contra as exigências de sua aplicação imoderada e áspera, comprometida pelos fortes encargos que pesam sobre o nosso quase falido patrimônio, esgotado e sujeito a obrigações que sobem de trezentos e cinquenta contos de réis (se referia ao débito contraído por Behring com a aventura do Orfanato Maçônico), favorecera se não estimulara, a criação de dissídios a que, de começo, me referi, para conjugar-se numa marcha macabra, com aspectos dissolventes da nossa antiga unidade e dos nossos velhos propósitos de harmonia e solidariedade, de progresso e de paz.

Ao lado de tão grandes desditas, senti, após ligeiros estudos da situação jurídica, em que nos encontrávamos, que há muito carecia de atenção e observância da lei constitucional. Espírito formado num ambiente de respeito às normas adotadas para o governo dos povos, experimentei desde logo, os estremecimentos de que pisávamos em terreno incerto, em seguida a um golpe de vista sobre os atos maçônicos de alguns anos atrás. Não compreendo que, fora da lei medrem organizações de completa estrutura como se me afigura a do Grande Oriente, e que, postergados os seus princípios, possam ter projeção os raios de sua visão encantadora. Daí a minha resolução, sincera e franca, de buscar, na restauração do império da Constituição, a primeira alavanca para suportar a derrocada, que se desenhava aos meus olhos, e conter a dissolução para a qual concorriam o capricho de uns e o desalento de outros.

Expondo aos que me inquiriam das providencias inadiáveis e medindo a extensão da minha responsabilidade, entendi, então, deveria francamente responder-lhes com a bandeira do respeito à Constituição. Se, dentro dela, a ordem não poderia alcançar sua finalidade e seus altos desígnios, a solução seria não lhe desobedecer, mas corrigi-la, infiltrando-lhe nos textos os meios de remover as dificuldades prementes. Enquanto tal se não fizesse, o dever elementar de todos os corpos, sujeitos à superintendência da sua autoridade e dos seus poderes .expressos, seria o de segui-la sob a fé dos seus juramentos e a de respeitá-la, para honra de seus compromissos.

Nesse impasse tormentoso, de queda em queda, como se um cataclismo pudesse envolver-nos a nós todos, o ambiente exigiu do espirito altamente conciliador do nosso II.’. e Pod.’. Gr.’. Mestre uma solução provisória da contenção ao movimento inicial que tinha por alvo o reconhecimento da independência do Supremo Conselho do Rito Escocês e, com o vosso referendum, firmou-se o tratado de 22 de outubro de 1926 – convenção de que não cogita a Constituição de 1907 – e que com esta colidia, subtraindo esse Alto Corpo Litúrgico aos deveres de subordinação administrativa ao Grande Oriente do Brasil

Não discuto a conveniência da inovação, em face das Constituições do Rito, mas conheço a sua inoportunidade e inoperância diante da nossa Constituição escrita. Por isso lancei mão de esforços que visassem reintegrar os poderes e corpos da Ordem na posição que lhes asseguram os nossos estatutos. E volvendo o olhar para a possibilidade de emendar a Magna Lei, verifiquei que para isso havíeis sido convocados como constituintes na Assembleia que, hoje, se instala. Os meus zelos e responsabilidades profissionais no mundo profano, que, para mim, não merecem mais que os da vida maçônica, impuseram-me averiguar, desde logo, a irregularidade dessa convocação, dada a falta de um projeto adotado previamente pelo Corpo Legislativo ordinário e sujeito ao exame e sugestões das oficinas, com o prazo de seis meses (Const.’. art. 75). E aí, o Decr.’. 859, de 21 do corrente mês, revogando o de n° 853, de 23 de fevereiro último, e a esperança que tenho de que, durante os nossos trabalhos, seja examinada essa aspiração da corrente revisionista existente em nossa Maçonaria, em ordem a melhor consultar as tendencias de maior autonomia das LLoj.’. e os anseios legítimos de uma influência mais decisiva na solução das necessidades e questões regionais. Devo, ainda, informar-vos que, em Sessão de 20 do corrente mês, tendo alguns PPod.’. membros do Supr.’. Cons.’. do Rito Esc.’., também componentes do Cons.’. Ger.’. da Ord.’. declarado que aquele Alto Corpo Litúrgico deixava de pertencer à Confederação Maçônica que tinha como órgão diretor o Gr.’. Or.’. do Brasil, e, por isso, renunciado a seus cargos, nomeei, usando da atribuição conferida pelo art. 53 do Reg.’. Ger.’. da Ord.’., para substituí-los, os PPod.’. e incansáveis Obreiros Drs. Francisco Prado e Agenor Augusto da Silva Moreira, para exercerem, interinamente, os cargos de Gr.’. Sec.’. e Gr.’. Tes.’. da Ord.’., e os dedicados IIrm.’. Drs. Pedro da Cunha, Didono Agapito Fernandes da Veiga, Abel Waldeck, Carlos Castrioro Pinheiro e Anibal Medina Coeli Ribeiro, para completarem as vagas deixadas no Cons.’. Ger.’. pelos resignatários.

A esse tempo já havia preenchido, em comissão e sem vencimentos, o cargo de Diretor Geral da Grande Secretaria, vago pelo pedido de demissão do Il.’. Irm.’. Dr. Velho Monteiro, recaindo a escolha no prezado Irm.’. Dr. Luís Augusto Drummond Alves, de cuja inteligência e tenacidade muito deve esperar a nossa instituição.

Nesse propósito e para cumprir as leis maçônicas, aqui me encontrareis, IIrm.’. RRepres.’., sem tibieza nem tergiversações, sereno e decidido, disposto a dar à Ordem o máximo das minhas energias e a mais abundante messe dos meus esforços. No relatório apresentado pelo nosso prezado amigo e Pod.’. Irm.’.

Grão-Mestre efetivo encontrareis os dados complementares da exposição que ora vos faço.

Unamo-nos todos, numa frente comum, pelo reerguimento da Maçonaria, não para guardar-lhe somente os despojos de suas glórias passadas, mas, e principalmente, para empunhar as bandeiras que ainda teremos de desfraldar nas grandes campanhas de solidariedade humana.

Transpondo uma idade em que as ilusões falharam, não deixei, todavia, murchassem as esperanças que nutro no destino dos povos, que tem a enfibratura dos cruzados e sabem segui-los e imitá-los na constância e no desprendimento, no amor e no sacrifício, pelos ideais comuns.

Sois dessa têmpera e, por isso, confio nas vossas luzes, na lealdade de vossas oficinas, no vosso concurso eficiente, no honesto empenho de ajudar-me nesse empreendimento, para que o Gr.’. Or.’. do Brasil continue a ser o pálio a cuja sombra terão que viver todos os Ritos da Maçonaria Universal, conjugados, fundidos e irmanados no desejo sincero de cultuar a Virtude ao serviço da Família, da Pátria e da Humanidade.

Octávio Kelly 33.’.

Gr.’. Mestr.’. em exercício.

A 2 de julho, pelo decreto nº 860, Kelly, considerando que, para a prática dos atos lesivos ao Grande Oriente, se invocava a autorização concedida pela Soberana Assembleia, a 22 de dezembro de 1925, revogava os poderes contidos no letra “d” da resolução, tornando, assim, nulos todos os atos praticados em virtude da aludida autorização. No mesmo dia, pelo decreto nº 861, era revogado o decreto nº 851, de 27 de outubro de 1926 e, consequentemente, o tratado assinado entre o Grande Oriente e o Supremo Conselho. E, finalmente, o decreto nº 862, também de 2 de julho, restituía, às Lojas escocesas da Federação, a plenitude de sua eficácia, já que os seus direitos haviam sido postergados pelo mesmo decreto de 27 de outubro de 1926, que sancionara o tratado.

Sem os documentas básicos do Supremo Conselho, subtraídos por Behring, só a muito custo Octávio Kelly conseguiu reerguê-lo, no início de agosto de 1927. Para isso, a 18 de julho, pelo decreto nº 866 A, isentava do pagamento dos metais devida os Obreiros que eram Elevados ao 33° Grau, para a reconstituição do Supremo Conselho, diante das defecções havidas; isentava, também, os que fossem eleitos para funções que exigissem a colação nos mais Altos Graus dos diversos Ritos. No mesmo dia 18 de julho, ocorria uma Assembleia Ordinária do Supremo Conselho, com a presença dos Membros Efetivos Dr. Octavio Kelly, Dr. Virgílio Antonino de Carvalho, Dr. João Severiano da Fonseca Hermes, General Ticiano Corregio Doemon, Coronel Cantidiano Gomes da Rosa e o Emérito João de Sousa Laurindo; nessa ocasião, Octavio Kelly explica o motivo da reunião: a reconstituição do Supremo Conselho. A presença desses membros efetivos mostra que não houve defecção unânime e que, portanto, o legitimo Supremo Conselho permaneceu, nas pessoas desses membros. A 1º. de agosto, com a eleição de novos membros efetivos, para os lugares deixados vagos pelos dissidentes, era reconstituído o Supremo Conselho.

Todavia, em 1929, Mario Behring se adiantaria e conseguiria que a 4ª. Conferência Internacional de Supremos Conselhos, em Paris, impusesse, internacionalmente, a regularidade de seu Supremo Conselho dissidente.

A 3 de agosto, o Supremo Conselho de Behring lançava um Manifesto às Oficinas Escocesas do Brasil e o Decreto n°7 – que se tornaria famoso pela inusitada pretensão – que declarava, oficialmente, o Grande Oriente do Brasil como Potência irregular no seio da Maçonaria Universal. O inusitado, no caso, é uma Obediência de Altos Graus de um Rito declarar irregular uma Obediência Simbólica. Apesar disso, Behring e seus seguidores não deixaram de cortejar a Grande Loja Unida da Inglaterra, no sentido de obter, dela, o reconhecimento para as suas Grandes Lojas, vendo, todavia, frustrados os seus intentos, em 1935, quando a Potência-Mater assinou tratado de Aliança Fraternal com o Grande Oriente do Brasil, o que é, na Maçonaria atual, o maior atestado de regularidade, pois afirma representar “uma intima e indissolúvel aliança entre as duas Potencias.” O termo empregado é mesmo “INDISSOLUBLE”, que quer dizer: não separável, que existe sempre junto com outro.

A 6 de agosto de 1927, o Grão-Mestre Kelly, considerando que uma parte das Lojas de São Paulo, subordinadas ao Grande Oriente Estadual, entendeu de se desligar do Grande Oriente do Brasil e constituir uma Grande Loja Simbólica, revogava, pelo decreto nº 869, o decreto nº 848, de 30 de setembro de 1926, que restabelecera o Grande Oriente Estadual, determinando, ao mesmo tempo, que as Lojas fiéis ao Grande Oriente do Brasil passassem a se corresponder com a Grande Secretaria Geral através da Delegacia do Grão-Mestrado no Estado. Diante disso, em setembro, as Lojas paulistas recebiam uma circular, comunicando que fora criado o Grande Oriente e Supremo Conselho Paulista Independente, o qual não se desenvolveu por falta de apoio das Lojas. Finalmente, por ato de nº 864, de 13 de agosto de 1927, o Grão-Mestre suspendia os direitos maçônicos de Mário Behring, Amaro Arthur Albuquerque e Amélio Dias de Moraes”.

Há dois detalhes que impressionam, nesse episódio da cisão: a cisão do Supremo Conselho, operado por Mário Behring, se deu no dia 17 de junho. Não foi, porém, realizado em SESSÃO regular no edifício do Lavradio e sim em uma REUNIÃO extraordinária, diz a ATA, realizada fora da sede do Lavradio, num escritório particular, presentes, com Mário Behring, 13 (treze!) Soberanos Grandes Inspetores Gerais (é bom lembrar que um Supremo Conselho se compõe de 33 membros). Outro detalhe: na sessão de 03 de agosto, os mesmos treze e na sessão de eleição para os cargos do Sacro Colégio e Comissões, em 01 de setembro, Mário Behring só reuniu, contando com ele, 15 (quinze) membros. Sempre um grupo reduzido. Assim, o que houve, de fato, em 17 de junho de 1927, foi uma cisão do tradicional Conselho do Rito Escocês fundado por Montezuma em 1832, que funcionava no Palácio Maçônico do Lavradio desde 1842 (quando o Grande Oriente inaugurou o imóvel) e que formalizara em 1864 uma união com a Potência Simbólica, criando-se uma Potência Mista, como ocorria então em vários países.

Operada a cisão desse Supremo Conselho em 1927, o caso, conforme as leis do Rito, tinha que ir, OBRIGATORIAMENTE, ao Tribunal do Escocismo. Realmente.

O art. 8º. Das Resoluções do Congresso de Lausanne de 1875 determina EXPRESSAMENTE que, no caso de cisão de um Supremo Conselho, em que cada um pretende ser o Supremo Conselho preexistente ou seu sucessor legítimo, a questão é levada à decisão inicial de um Tribunal de Membros ativos de cinco Supremos Conselhos Confederados e, depois, ao plenário da Confederação, na próxima assembleia. No IV Congresso de Paris, em 1929, de Supremos Conselhos, a recusa de plano em receber a Delegação do Lavradio feriu frontalmente a Lei e a Justiça, porque no Lavradio permaneceu a fração do legítimo Supremo Conselho, em sua sede centenária, enquanto Mário Behring e seus companheiros de dissidência completaram seu Colégio de Grandes Inspetores Gerais em um sobrado do Carmo.

Quando o Irão Raymond René, presidente do IV Congresso, disse, de plano, a Moreira Guimarães, que chefiava a Delegação do Lavradio: ”Vous êtes les dissidents”, falava com a verdade pelo avesso, porque os que dissentiram foram os que saíram do Lavradio. Ao mesmo tempo, porém, Raymond reconhecia a cisão e, por isso, tinha que obedecer a lei escocesa (art. 8º. das Resoluções de 1875) e jamais agasalhar no próprio plenário do Congresso a representação adversa.

Hoje no Brasil, consequente à injusta decisão de Paris, de 1929, há dois Supremos Conselhos: o Supremo Conselho de Mansur, que é o dissidente, detém a legalidade – mas o Supremo Conselho de Vulcano, que é o preexistente, tem a legitimidade, isto é, a autenticidade”. (AP)

Aos poucos, o Grande Oriente voltava à sua normalidade administrativa. A 19 de outubro de 1927, por exemplo, o Grão-Mestre em exercício, pelo decreto 878, criava o Grande Oriente do Estado do Paraná. A 3 de novembro, pelo decreto 881, o Grão-Mestre ficava autorizado, pela Soberana Assembleia, a assinar a escritura de novação da hipoteca que gravava o edifício do Grande Oriente do Brasil, à rua do Lavradio n° 97. Essa novação consistia na prorrogação de prazo por mais dez anos e era, ainda, eco da aventura de Mário Behring, com o fracassado Orfanato Maçônico. A 26 de junho de 1928, o Grão-Mestre interino, Octavio Kelly, era eleito Grão-Mestre, tendo, como Adjunto, Pedro Cunha, que havia sido empossado a 26 de junho de 1927, depois de Kelly ter assumido, interinamente, o Grão-Mestrado. Em novembro de 1928, é feito um acordo entre o Grande Oriente do Brasil, representado por Octavio Kelly, e o Grande Oriente de São Pauto, representado por Marrey Junior, referente à fusão. A 11 de maio de 1929, o Grande Oriente de São Paulo era reincorporado ao Grande Oriente do Brasil e, pelo decreto nº 963, de setembro de 1930, era extinta a Delegacia do GOB em São Paulo, passando, as Lojas, a se corresponderem com o Poder Central através do Grande Oriente Estadual”.

A Maçonaria Paulista hoje se encontra muito mais coesa e fortalecida pelo Tratado de Garante de Amizade, entre o Grande Oriente do Brasil e as Grandes Lojas Maçônicas do Estado de São Paulo, assinado em 15 de outubro de 1999 pelos respectivos Grão-mestres, Irmãos Francisco Murilo Pinto e Salim Zugaib.

A Maçonaria, como nos ensina Álvaro Palmeira, é universal.

“A Maçonaria por seus genéricos sustentáculos ideológicos, não é yankee em Washington, inglesa em Londres, prussiana em Berlim, francesa em Paris, turca em Istambul, brasileira no Rio de Janeiro. No mundo maçônico não há antagonismo ou desvinculação e, sim, meios comuns de reconhecimento. A universalidade maçônica assenta em fundamentos gerais, observado por toda Potência Maçônica. Esse denominador comum é o geral caráter substantivo da Instituição, mas cada Potência tem, em seu País, uma atuação e uma projeção, que a individualizam e distinguem entre as coirmãs; é o caráter adjetivo de cada Corpo. No mundo maçônico a base é comum, mas a ação exterior das Potências é diversificada. É a velha distinção escolástica entre substância e acidente, entre fundo e forma”.

A Maçonaria não pode ficar parada no tempo, nem nas Constituições nem nos Rituais de Heredom. Há que coaptar a Tradição com a Evolução, para ser a companheira da Humanidade. A Maçonaria não se pode manter no status quo, alheia à dinâmica do tempo e defasada no relógio da História. A Maçonaria tem que ser, simultaneamente, contemplativa (Tradição) e afirmativa (Evolução).

Há urgência de se abrir o IV Período da História Maçônica. A Maçonaria tem que ser ambígena, para não ficar alienada no tempo, à margem da Vida. Para o Maçom, o tempo presente e o tempo passado são ambos tempo futuro.

É evidente que a Maçonaria não sai à rua, de bandeira desfraldada, para combater o bom combate: são os Maçons, que ela conscientizou dentro dos Templos, sobre os problemas do Homem e do Mundo, são eles que atuam, onde quer que estejam, semeando a boa semente, no serviço do Bem e da Justiça.

Essa é a Maçonaria “Novae Sed Antiquae”, que é a Maçonaria latina e é o lema sesquicentenário do Grande Oriente do Brasil, “antiga, porém nova”. Absolutamente não é aquela Maçonaria circunscrita em Anderson ou estacionária em Heredom, há dois séculos e meio, imobilizada, “sem acrescentar uma virgula, nem tão pouco tirar”. Renovar, sem inovar.

Autor: Heitor Genta

Fonte: Bibliot3ca Fernando Pessoa

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Nota

O Grande Oriente do Brasil foi fundado no Rito Adoniramita em 17.06.1822, admitiu o Rito Moderno em 1831 e o Rito Escocês Antigo e Aceito em 1832. Adiante reconheceu os Ritos Schroeder ou Rosa-Cruz Retificado em 1864, o York em 1872 e o Brasileiro em 1914, pois o Especial Rito Brasileiro de 1878, fundado em Pernambuco não procurou reconhecimento e extinguiu-se.

Referências

  • Artigos e Obras do Ir.’. José Castellani.
  • A universalidade da Maçonaria e o Caráter Nacional  de cada Povo – Álvaro Palmeira.
  • O Tratado de 1935 – Como se instituiu o Tratado entre a Grande Loja Unida da Inglaterra e o Grande Oriente do Brasil.
  • A Maçonaria – Capitão Salvador de Moya – Doctos. Loj.’. América. -Tratado entre o GOB e a GLESP celebrado em 15/10/1999.
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Discussões bíblicas: Booz ou Boaz?

O Ponto Dentro do Círculo

Boaz Ruete

As discussões bíblicas sempre ocuparam um lugar de destaque nas minhas elocubrações intelectuais. Possuo a Bíblia em mais de 15 línguas, do hebraico ao coreano, passando pelo esperanto e pelo afrikaner. Há uns 10 anos, depois de velho, comecei a estudar hebraico para tentar ler no original o Antigo Testamento.

Sempre me intrigou a divergência sobre a palavra Booz ou Boaz, citada várias vezes em inúmeros livros da Bíblia: 25 no Antigo Testamento e 2 no Novo Testamento. Pela minha Concordância Bíblica (Sociedade Bíblica do Brasil, Brasília: 1975, pg. 107) são 21 citações em Rute, uma em 1 Reis, 2 em Primeiro Crônicas, 1 em Segundo Crônicas, 1 em Mateus e 1 em Lucas. Para efeitos de simplificação vou considerar somente Rute (Rt 2,1) e o nome de um par de colunas que se encontrava na frente do templo de Salomão (1 Rs 7,21).

O livro de Rute tem…

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Maravilhas dos símbolos e o ócio criativo

O Ponto Dentro do Círculo

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Considerando o equipamento de comunicação, sensibilidade e habilidade de que o homem é provido, só isto já o faz reinar soberano nesta biosfera. Sua superioridade é aumentada quando coloca em prática a sua capacidade de sonhar e principalmente de pensar com lógica e clareza. Mesmo que sua construção emocional o equipe com instintos que podem ser usados para bem e para o mal, ele desenvolve processos de interiorização que o defendem e o transformam de besta cruel e sanguinária em criatura dócil e amorosa. E é neste desenvolvimento que a Maçonaria atua no maçom que realmente deseja ser pessoa de bem em sentido lato. Ao incentivar o pensamento com ilustrações e especulações racionais, ensina ao homem a favorecer-se de sua capacidade racional e lógica. O maçom aprende a pensar.

Pensar como fruto do próprio esforço e iniciativa é uma característica que a poucos seres humanos é dado fazer. Não que…

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Os fins justificam os meios

O Ponto Dentro do Círculo

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Continuo a falar de ­Maquiavel. Ele nunca disse que os fins justificam os meios. Afirmou, sim, em sua obra mais célebre, O Príncipe, que devemos agir segundo a moral sempre que possível, infringindo-a somente quando for isso necessário. A regra é o bem, mas o mal pode ter seu uso. Isso, porém, não significa fazer o mal ao bel-prazer, menos ainda ser mau. O default, o padrão deve ser a bondade. Mas o mal tem suas condições de serventia. É como se não devêssemos nunca “ser” maus; no limite, aliás, o príncipe de Maquiavel nunca deveria “ser”; ele sempre representaria. O famoso conselho atribuído a Tancredo Neves – o político nunca deve ter um amigo com quem não possa romper, um inimigo com quem não possa se reconciliar – vale aqui. Ele seria, melhor dizendo – para aproveitar a riqueza única de nossa língua e do espanhol, idiomas que…

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Destino, Liberdade e Ética

O Ponto Dentro do Círculo

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        “O confronto entre a Razão e o Destino é prova decisiva da reflexão filosófica” Henrique Claudio de Lima Vaz

Provavelmente, em algum momento de extrema angústia, perplexo, você ergueu os olhos aos céus e, munido da mais aguda e desperta ratio, empreendeu uma luta hercúlea, buscando explicação lógica para uma pequena ou portentosa tragédia pessoal.

Os tragediógrafos gregos, Ésquilo, Sófocles e Eurípides, versaram sobre as atemporais mazelas da vida. Esses premiados literatos registraram de forma magistral o inexorável peso do Destino e dos caprichos Fortuna (Tyché) sobre o Homem.

Do alinhavar da predestinação implacável à paulatina descoberta do Homem enquanto portador de uma alma (psyche) em relação com os demais, a tragédia grega assinala a aurora do Ethos – hábito, conduta – que culmina em nosso ‘habitat’.

Será então, embalada por esse avanço (ainda que tímido) na…

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A importância da Sindicância bem feita

Seis conselhos para escrever bem – Gestão por Processos e Projetos

O trabalho se fundamenta no importante processo da escolha do candidato com o desígnio de ingressar na Ordem Maçônica.

A MAÇONARIA – Também chamada de Franco-maçonaria, por seus adeptos, auto classificada como uma “sociedade fechada ou secreta”, agrega em sua longa existência uma coleção de definições:

É um belo sistema de moralidade velado em alegorias e ilustrado por símbolos.

É um sistema regular de moralidade, concebido em uma tensão de interessantes alegorias, que desdobra suas belezas ao requerente sincero e trabalhador[1]

Em seu sentido mais amplo e abrangente, é um sistema de moralidade e ética social, é uma filosofia de vida, de caráter simples e fundamental, incorporando um humanitarismo amplo e, embora tratando a vida como uma experiência prática, subordina o material ao espiritual; é moral, mas não farisaica; exige sanidade em vez de santidade; é tolerante, mas não indiferente; busca a verdade, mas não define a verdade; incentiva seus adeptos a pensar, mas não diz a eles o que pensar […][2]

É, pois, um systema e uma escola, não só de moral como de Philosophia social e espiritual, reveladas por alegorias e ensinadas por symbolos, guiando seus adeptos à prática e ao aperfeiçoamento dos mais elevados deveres do homem-cidadão, patriota e soldado.[3]

Etc.

Segundo o Pequeno Dicionário Enciclopédico Koogan Larousse (RJ): sindicância (s. f. Inquérito, investigação). Sequenciando temos o sindicante (adj. Que faz sindicância; encarregado de sindicar, ou seja, o que coleta informações).

Sindicância ainda pode ser um conjunto de atos por meio dos quais são reunidas informações, inquirições, investigações, em cumprimento aos dispositivos legais.

Na maçonaria, a citada palavra impregna status essenciais à estrutura organizacional de uma Loja Maçônica. Proporciona a sindicância como privilégio de ser o caminho legal para que “alguém” venha ser um maçom.

Partindo dessa premissa, a tríade de irmãos indicados pelo Venerável Mestre deve ter bastante “experiências”, para sindicar um candidato – assumem uma grande e real, responsabilidade quando sindicante -, até por perceber “que pode ser ELE seu irmão”.

Nesta fase os irmãos devem investigar o candidato levando em conta as normas e instruções definidas pela Loja Maçônica e sua Potência. É prudente que no diálogo com o mesmo procurem avaliar predicados outros tais como: vivencia em grupo social, comportamento em família e outros mais.

Concluindo o ciclo da sindicância sempre devemos ter em mente de que “ELA” deve ser bem feita – pois contrariando esses raciocínios: da não excelência do pleito supra referendado – teremos sérios perigos para a célula Loja Maçônica e a maçonaria no geral.

INICIAÇÃO (evento) – de um candidato na execução em curso de sua evolução, principia a certeza de que está internalizando a emoção de um momento único – transluzindo para aos demais irmãos momentos de alegrias e satisfações.

Logo, centrado neste evento, o clima da reunião necessita de uma execução exemplar, atentando-se, contudo, para a não existência dos excessos.

Pondo fim, com a iniciação conclusa: colocamos na Ordem Maçônica um Aprendiz Maçom (novato) … cheio de perspectivas e ao mesmo tempo com insegurança do proceder.

Sobrepondo cabe-me alertar: que neste estágio o Aprendiz Maçom torna-se vulnerável, por ser considerado presa fácil aos chamados goteiras e irmãos irregulares que surgem do nada, sem que percebamos.

São fatos preocupantes que ameaçam a nossa maçonaria. Mesmo compreendendo que muitos não oferecem nenhum risco aos nossos mistérios, devemos ter uma atenção cuidadosa, pois correm sérios riscos de serem divulgados vulgarmente por alguém ou mesmo por sua família, que participava conosco das atividades maçônicas.

Como exemplo: podemos citar Cunhadas e Sobrinhos, a quem nunca foram dadas explicações, porque o seu “Marido / Pai”, foi excluído da Maçonaria e passaram a ter verdadeira aversão, que acaba sendo gratuita, pela maçonaria. Essa célere ameaça, acontece porque praticaram algo contra os princípios da Ordem Maçônica ou (contra aos seus próprios), ou porque apenas, certificaram-se de que aqui não é o ambiente que pensavam ser e foram desligados ou placetados.

Se foram excluídos por questões de ordem moral, ou de desrespeito às Leis da maçonaria e são inconformados com a decisão da Loja Maçônica, muito embora tenham o amplo direito, assegurado por lei, de defesa e não o fizeram,  trazem grandes imponderações para a Ordem Maçônica; se a exclusão aconteceu, apenas por fatos simples, como sendo de indolência a inadimplência, esses são inócuo.

Atualmente, há outros que realmente não são confiáveis no aspecto de informações, de divulgação dos nossos mistérios, da falta de respeito para conosco, para com nossas cunhadas, enfim, para com a família maçônica geralmente trata-se de ser imoral, de vida profissional e particular duvidosas. São relatos que não só preocupa, como deve ser vigiado, ainda mais quando estiver ingerindo bebidas alcoólicas.

O interessante: se é que podemos assim dizer, é que, muitas vezes, quem mais usufrui, quem mais tira proveito é esse a quem chamamos de “Mau Maçom” (termo que nem deveria existir entre nós), porque está sempre envolvido em problemas e sempre que recorre à maçonaria é prontamente atendido. Resolvido seu problema, retorna a vida de antes, sem ligar para a ajuda recebida.

Portanto, focado no relato acima delineado descrevo dois tópicos essenciais sobre sindicância.

1 – A conjuntura desagradável de anormalidade de diversos irmãos, que, por motivo ignorado, encontram-se ausentes dos quadros das Lojas Maçônicas.

Necessitamos afinal, estagnar e trabalhar as condições que causa aos irmãos ativos embaraço, quando não sabemos explicar, convicentemente, para os recém chegados os motivos que ocasionaram esses obreiros estarem irregulares, se de fato lhes instruímos que só existe …

“Um culto de amor ao próximo, uma constante prática de fraternidade, toda Loja deve ser um reino de harmonia, devemos ter confiança cega e absoluta no irmão, o modelo de um futuro mundo de paz, justiça e igualdade universal”.

Nesta complexidade: a luz do conhecimento, reporto a três perguntas que se faz necessário conhecer:

  • Saber dos irmãos irregulares: o que dizem da maçonaria, ou dos irmãos que as dirigem?
  • Como reportam suas opiniões em público, com relação a maçonaria?
  • Aferem serem injustiçados pela maçonaria ou por irmãos que a compõem.

São, pois, indagações que inquietam, que preocupam. Um comentário inconveniente e tendencioso de um Maçom, sobre a maçonaria em público, causa prejuízos irreparáveis e irremediáveis.

Então partimos para a grande pergunta:

Como atingir os princípios morais e os objetivos da maçonaria, se os integrantes não são suficientemente escolhidos para tal?

Logo, ficamos entre o dever de indicar e indicar bem, sob pena de vermos a Ordem Maçônica em decadência. É fato que em alguns casos, nem os nossos irmãos consanguíneos servem para ser nossos irmãos maçons! 

 2 – O ponto ideal para evitar o processo de irregularidades, germina da excelência da “sindicância” com rigor.

Questões simples, no entanto, partem da importância de sermos criteriosos e voluntários. Apropriando-se de minúcias corretamente, a curto prazo, teremos corrigido as desistências crescentes e / ou da admissão de candidatos que nada têm a ver com a Ordem Maçônica em seus princípios, ou que vieram, apenas, matar a curiosidade.

Embora, carecemos entender que para averiguar bem, não é necessário passar longo período com a sindicância em nossas mãos, recorrendo de tempo para vigiar o suposto candidato. O coerente é aproximarmo-nos, conversarmos com o mesmo em família, em seu trabalho, buscando informações dos seus superiores, com seus amigos, vizinhos e possíveis inimigos, SPC, cartórios de protestos de letras, etc.

Aliás, para tudo isto prover eficácia, é preciso que tenha o seu padrinho feito uma pré-sindicância detalhando os seus vícios, virtudes, defeitos, generosidade, atividades (sombrio e embriagado, caso tome bebidas alcoólicas), personalidade (se arrogante, nervoso e irascível), do seu apego com valores materiais, da sua coerência e hostilidade etc.

Aconselha-se que se faça um trabalho consciente, com responsabilidade, honestidade e, sobretudo com hombridade, deixando o julgamento para a Loja Maçônica.

Devemos sempre visualizar e fixar em nossas mentes de que estamos buscando um “cidadão”, que após ser iniciado (tornado maçom) será nosso irmão e de outros milhares espalhados pela superfície da Terra.

Conclusão

É importante que conheçamos atentamente os “candidatos” que ora propomos iniciar em nossa Ordem Maçônica. Precisamos que sejamos fortes e conscientes na decisão da escolha de um suposto profano, ainda mais, se um dentre esses for um parente ou amigo (próximo) e que em sua sã consciência de sindicante, reconheça que o escolhido, não satisfatoriamente, preencham os quesitos que a Ordem Maçônica nos determina.

Percebe-se que em determinados processos (propostas) de indicação de candidatos levedados as Lojas Maçônicas pelos “padrinhos” sofrem uma abissal incoerência -, quando o sindicante o procura para um diálogo, consegue captar o desconhecimento parcial do sindicado ao atinar que “ele”: nem sabe o porquê realmente deseja ser aceito na Ordem Maçônica. Carecemos de desenvolver um sistema melhorado para realização das sindicâncias na maçonaria. Então, delibero aqui afirmar que se sofismarmos aos parâmetros supra mencionados estaremos decidindo pelo lado emocional, deixando o fundamental. E, pondo certamente em risco a Maçonaria Universal, sujeitando-se ainda, a trazer para o seu meio uma “Ovelha Negra”.

Autor: José Amâncio de Lima

Amâncio é Mestre Instalado da ARLS Estrela de Davi II – 242 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Academia Mineira Maçônica de Letras, delegado da 1ª Inspetoria Litúrgica do REAA de Minas Gerais e, para nossa alegria, também um colaborador do blog.

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Notas


[1] PRESTON, William. Illustration of Masonry. New York: Masonic Publishing and Manufacturing Co., 1867. P.37

[2] Coil’s Masonic Encyclopedia (COIL, Henry Wilson; BROWN, William Moseley. New York: Ed. Macoy 1961 p. 159

[3] BEHRING, Mário. Ritual do Gráo de Aprendiz-Maçom. RJ: Typographia DELTA, 1928, p.9.

Referências

FORATO, Denílson [Arquivo de Palestra – Sindicância “Joio / Trigo”]

KENNYO, Ismail. Ordem sobre o caos. Editora no Esquadro. Brasília. 2020.páginas 300

HOUAIS, Antônio. Pequeno Dicionário Enciclopédico Koogan Larousse. RJ. Páginas 1635

Revistas Maçônicas “A TROLHA”. Materiais outros do Autor

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Incenso e Altar dos Perfumes no REAA

O Ponto Dentro do Círculo

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Um irmão escreveu a Pedro Juk a seguinte questão:

Estimado Pedro Juk, surgiu-me uma dúvida quando estava lendo o Informativo JB News de número 1359, onde outro irmão pergunta sobre o uso do incenso em Loja. O Irmão respondeu que não está previsto o uso do incenso no REAA, sendo portanto proibido. Foi ai que surgiu a minha dúvida. Para que serviria o Altar dos Perfumes que fica no Oriente? Ao meu entender seria para colocar uns incensos, umas essências para perfumar a Loja. Não fazer uma cerimônia de incensação, mas apenas deixar um incenso perfumando a Loja. Pode por gentileza sanar essa minha dúvida.

Considerações

Pois é meu Irmão, esse Altar no simbolismo do Rito não serve realmente para nada. Existem três possibilidades de o mesmo ter permanecido no Oriente da Loja sem qualquer utilidade.

A primeira possibilidade talvez tenha sido quando das já extintas Lojas Capitulares, cujas particularidades do mobiliário…

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O abrasivo que afia o cinzel

O Ponto Dentro do Círculo

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A gigantesca e verdadeira obra da Maçonaria é propiciar ao seu iniciado um lugar adequado para a modificação da personalidade, a moderação de paixões e desejos e o desenvolvimento de virtudes; numa escalada que inicia numa operação denominada: desbastar a pedra bruta.

Esta atividade consiste no trabalho, básico e rústico, de arrancar da pedra, arestas, deformidades e protuberâncias, de modo que ela possa vir a adaptar-se ao seu lugar reservado numa importante construção.

Traduzindo, significa: o aprendiz recebe instrução, é dotado de ferramentas, de conhecimentos elementares, é assistido por método e simbologia próprios que, manipulados por seu intelecto, culminam em desenvolver suas capacidades racionais, intelectuais, lógicas e filosóficas nos assuntos da Maçonaria.

E estas, por sua vez, o auxiliam a subir uma escada que parte de um ambiente onde domina a matéria, e o eleva até um estágio onde ocorre a predominância do espírito sobre a matéria.

O interessante é…

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Procura-se

O Ponto Dentro do Círculo

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Procura-se um homem que luta para preservar e desenvolver os valores de seu templo interior. Esse homem é acusado de ser livre e de ter bons costumes, de gostar de aparar as arestas da imperfeição, de ser um incansável pesquisador da verdade. De procurar respeitar a humanidade, tolerando suas crenças diversas, mas sempre obstinado em palmilhar a senda espiritual que conduz à luz maior que é Deus, o Grande Arquiteto do Universo.

Esse homem é apontado como elemento que incomoda aos que não dão aos outros o direito de pensar e que não permitem a ninguém tentar encontrar explicações inteligentes sobre o início da vida do homem, sobre a criação e o funcionamento desse universo fantástico, sobre como os homens devem amar-se uns aos outros, independentemente de raças, de posições sociais, etc. Tal homem combate ininterruptamente o ódio que ainda hoje provoca matanças de irmãos criados pelo mesmo Pai.

Outra…

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La Caverna Iniciática

O Ponto Dentro do Círculo

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Quiero referirme a un tema que es unánime entre los símbolos de todas las tradiciones y que se halla tan íntimamente asociado con nuestra Orden que todos los masones lo conocemos y hemos pasado por la experiencia de su ritualización. Estamos hablando del símbolo cósmico y universal de la caverna iniciática, lugar sagrado donde se produce el comienzo del despertar a la auténtica realidad del mundo y de la vida que se efectuará simbólicamente como un paso del oscuro interior de la tierra, de lo infrahumano, a la claridad ordenada de lo verdaderamente humano, de las tinieblas a la luz.

Es inevitable este paso por las tinieblas del submundo de la ignorancia de lo nocturno, para poder nacer nuevamente en el mundo de lo diurno, del conocimiento. Todo nacimiento está sujeto a estas coordenadas como puede apreciarse tanto en el proceso de gestación de una planta, donde la semilla comienza…

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