Os Grandes Ensinamentos da Maçonaria – Capítulo I

O Ponto Dentro do Círculo

O que é isso tudo? 

Essa foi uma pergunta que eu me fiz muitas vezes durante minha iniciação. É uma pergunta que você, sem dúvida, também fez a si mesmo, e por ela todos somos moldados até o fim do Terceiro Grau. A linguagem do ritual, imponente e bonito como ele geralmente é, é para a maioria de nós um discurso “misterioso”; e as instruções e a ritualística são igualmente confusas para o neófito. Por isso é que fazemos a pergunta, “O que é isso tudo?”.

Depois de nos tornarmos familiarizados com o ritual e ter aprendido alguma coisa de seu significado, descobrimos que a própria Fraternidade, como um todo, e não apenas uma parte ou detalhe mais misterioso, é algo quase demasiado complexo para se entender. Com o passar do tempo o maçom fica tão acostumado com o ambiente da Loja que ele se esquece de sua primeira sensação…

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Revista Triponto – Nº 2

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Revista Triponto – Nº 1

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A vontade da vida, segundo Schopenhauer

O Ponto Dentro do Círculo

Schopenhauer e a vontade como essência de todas as coisas – (En)Cena – A  Saúde Mental em Movimento

A vontade é o elemento fundamental a fim de trazer o sentido das coisas e do mundo. É essa união entre o corpo e o sentimento, segundo o filósofo, que proporciona a essência metafísica elementar: a vontade da vida.

Podemos dizer que o filósofo Arthur Schopenhauer, nascido em Dantzig (em 1788) e falecido em Frankfurt (em 1860), marcou a História da Filosofia no Ocidente, principalmente por ter valorizado um elemento novo nas discussões filosóficas: a noção de corpo. Nos tempos em que Schopenhauer viveu, as filosofias de Hegel e de Schelling predominavam e se apoiavam somente no aspecto racional do homem[1]. Para Schopenhauer, em vez de a razão definir o homem e “decifrar o enigma do mundo”, são o corpo e o sentimento, o que ele chama de vontade, que permitem alcançar e dizer o sentido das coisas. A vontade é o que há de mais essencial no…

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A função dos Diáconos

Pedro Juk: BASTÕES, VARAS, HASTES - INSTRUMENTOS DE TRABALHO NA LITURGIA  MAÇÔNICA

A palavra diácono surgiu a partir do grego diákonos, que significa “atendente” ou “servente”. De acordo com a doutrina da Igreja, o diácono católico é o “servo de Deus”, espalhando a sua palavra e ajudando a construir o reino de Deus junto aos fiéis na terra.

Na Igreja católica existem três hierarquias ou graus, sendo os bispos, sacerdotes propriamente ditos e os diáconos. A função destes na hierarquia católica é mais administrativa, como porteiros e vigias no momento em que são realizadas as missas.

Nas igrejas protestantes, os diáconos são considerados auxiliares dos pastores na administração da igreja.

No cristianismo primitivo, os Diáconos eram escolhidos pelos apóstolos para servirem aos pobres, tendo como função distribuir esmolas, preparar as refeições ou ágapes, e dar eucaristia aos membros  de sua comunidade.

Em Atos dos Apóstolos (6:1,6), vemos uma clara referência a eles. Diferente dos padres, que são obrigatoriamente solteiros, os diáconos podem ser homens casados, solteiros ou viúvos.

A origem dos diáconos na Maçonaria remonta à Maçonaria Operativa, quando existiam os chamados Oficiais de Chão. Quando do início e, posteriormente, o encerramento do trabalhos operativos, havia uma inspeção geral, realizada pelos zeladores, conhecidos como wardens (guardas), depois conhecidos como Vigilantes. Estes, através dos Oficiais de Chão, vendo que os trabalhos estavam justos e  perfeitos, faziam essa comunicação ao Mestre.

Outros estudiosos, afirmam que este cargo originou-se na Inglaterra, com as atribuições de mensageiros, já que na Maçonaria  Escocesa, esta denominação era dada ao Oficial Chefe, ou seja ao Venerável Mestre. Assim era  na Loja de Kilwining até 1735.

Este Oficiais de Chão, por influência da Igreja Católica, passaram a se chamar Diáconos.

De acordo com estudiosos maçônicos não existe menção aos Diáconos antes dos anos de 1740.

O Rito Escocês Antigo e Aceito, para reavivar essa tradição, criou o cargo de Diácono, que tem como função precípua, a transmissão da palavra sagrada, do Venerável Mestre aos Vigilantes, e dar ordens das Luzes aos demais irmãos. Tal fato, para alguns autores é um equívoco pois, no REAA, já existe a figura do Mestre de Cerimônias, tendo ele a função de conduzir os irmãos para dentro e fora da Loja, e seria ele também o responsável por desempenhar outras funções, como levar recomendações de um irmão a outro durante a realização da sessão.

No entanto, devido as inúmeras alterações na ritualística, a figura do Diácono passou a ser utilizada nos trabalhos em Loja.

O Primeiro Diácono, que na Loja, se senta à direita do Venerável Mestre e abaixo do sólio, que significa trono ou assento real, cumpre a sua função transmitindo e executando às ordens deste ao Primeiro Vigilante e a todos Dignitários e Oficiais, bem como tem a incumbência de abrir e fechar o Painel da Loja.

O Segundo Diácono, que se coloca perto e à direita do Primeiro Vigilante, transmite e executa às ordens do Primeiro Vigilante, e cuida para que os Maçons sentados no Ocidente se conservem nas colunas com respeito, disciplina e ordem.

O Diácono tem, como joia, uma pomba com um ramo de folhas no bico, significando sua qualidade de mensageiro

Esse símbolo, deve estar na ponta dos bastões que os Diáconos transportam, sendo que o bastão do Primeiro tem na ponta, uma pomba inscrita em um triângulo e a do Segundo uma pomba em voo livre. Cabe esclarecer que a origem dos bastões remonta a férula (designação comum às plantas do gênero. Ferula) que na mitologia grega significa o bastão oco em que o titã Prometeu escondeu o fogo furtado dos deuses, quando passeava pelos céus no carro do sol.

Já a figura da pomba nos faz reportar ao início de nossa civilização, que nos é dada pela Bíblia, onde afirma que á época de Noé, no dia 17 do sétimo mês do dilúvio, a arca pousou sobre os montes de Ararat, sendo que  Noé abriu a janela da arca em que estava, e soltou uma pomba para verificar se as águas que haviam provocado o dilúvio, havia secado.

Mas a pomba enviada por ele, não achando onde pousar, voltou para a arca. Passado algum tempo, soltou novamente a pomba, e pela tardinha ela voltou trazendo uma folha de oliveira que tinha arrancado com o bico. Desta maneira, Noé ficou sabendo que as águas tinham abaixado sobre a terra. Esperou então mais sete dias, e soltou a pomba novamente, que desta vez não voltou. Daí o simbolismo e o nascimento da pomba com o significado de mensageira.

Lembremos que a pomba, tem até hoje, o significado de mensageira, lembrando que além do exemplo de Noé, temos também que na antiguidade as pombas levavam mensagens de um a outro lugar.

Vale a pena mencionar, que existem ritos em que os Diáconos trabalham como oficiais experientes e atuam principalmente nas cerimônias ritualísticas de Passagem e Elevação, como é o caso do Rito de York, tanto é que, neste Rito, a responsabilidade pelo acendimento das velas e a abertura do L.L. é do Primeiro Diácono.

No Rito de York, existem também dois diáconos, o primeiro e o segundo, não existindo na ritualística a figura do Mestre de Cerimônias, sendo essa função exercida por um irmão somente no caso de Iniciações. Cabe ao Primeiro Diácono neste rito acender as três velas do altar, bem como abrir o Livro da Lei, assim como cabe a ele requerer a apresentação dos Irmãos visitantes. Quanto ao Segundo Diácono, cabe a ele verificar se o Templo está a coberto (função esta do Guarda do Templo no REAA), com o Cobridor Externo, que está fora do Templo, fazendo o Segundo Diácono a função do Guarda do Templo/Cobridor Interno.

A Maçonaria anglo-saxônica não se faz valer de Expertos, como a francesa o faz, sendo que nas Iniciações, Passagem e Elevação, os Diáconos é que atuam nesse ofício.

Compilado por Dermivaldo Collinetti

Dermivaldo é Mestre Maçom da ARLS Rui Barbosa, Nº 46 – GLMMG – Oriente de São Lourenço e, para nossa alegria, um colaborador do blog.

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Referências

Cargos em Loja – Assis Carvalho

Liturgia e Ritualística – José Castellani

Ritual do Primeiro Grau – Aprendiz

Blog do Pedro Juk

Fonte: JB News – Informativo nº. 0954, Perugia – domingo, 14 de abril de 2013

Ritual de Aprendiz Maçom – Rito de York

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O Juramento e o poder das instituições

Juramento e compromisso maçónicos - Freemason.pt

O Juramento

Ato realizado pelo profano após as três viagens, onde o profano após realizá-las passa a ser chamado de Neófito. Em vez de Profano ou seja “fora do templo “se diz daquele ainda não iniciado nos nosso augustos mistérios. Profanar é levar para fora segredos que a Maçonaria, ou outro Culto, ou Doutrina prega exclusivamente em seus templos.

O Juramento se faz com o profano ajoelhado sobre o joelho direito, com a mão direita sobre o livro da lei e a mão esquerda sobre o coração com o Compasso ou seja do lado esquerdo do peito.

O Juramento se faz perante Deus, denominado pelos maçons Grande Arquiteto do Universo e a promessa é feita aos irmãos da Loja por isso o “Eu juro e prometo …”.

A primeira parte do Juramento se refere ao SEGREDO sobre os Mistérios da Maçonaria que forem confiados.

A segunda parte do Juramento se refere a Fraternidade e Responsabilidade junto aos irmãos esparsos pelo Mundo.

A terceira parte é um Juramento de HONRA onde se pede que seja sempre Cidadão honesto e digno.

A quarta parte diz respeito a LEALDADE a Potência, Leis Regulamentos e Obediência. Estar em aperfeiçoamento contínuo e repelir o que prive o Homem de seus direitos e deveres de cidadão.

Toda Orcem Iniciática e esotérica pede que se faça um Juramento para o ingresso e a Maçonaria não é diferente.

Após o Juramento, o Profano se torna Neófito ou seja “Planta Nova”. O novo nascimento na Maçonaria gera uma nova oportunidade de vida na qual a visão da Luz Divina nos traz o discernimento para o caminho da retidão que será trilhado através da dedicação, significado dos três passos da Maçonaria .

O poder das instituições

Embora não pareça, as Instituições são mais importantes que as pessoas. Em nosso país os cidadãos, em sua grande maioria, não se preocupam com os objetivos dos partidos mas, com as pessoas que os compõe. Os partidos devem defender interesses que tem sintonia com aqueles que nós temos afinidade mas, a grande maioria não pensa assim. Em nossa ordem, também, a importância pessoal é em muitas vezes maior que a as instituições, sejam elas a Grande Loja Maçônica, a loja como Instituição ou grupo de ação. As pessoas se sentem vaidosas e até batem no peito dizendo vou a esta loja porque gosto deste irmão, ou não vou aquela porque não gosto de outro irmão; ou ainda, estou nesta loja por causa do irmão que gosto e se ele sair eu saio, ou se este irmão for Venerável eu saio ou não vou frequentar. Os valores da Ordem são muito maiores que estes, e nossos ensinamentos devem ser praticados em sua essência .

Que assim Deus nos ajude !!!

Autor: Antônio José da Silva

Antônio José é Mestre Instalado e fundador da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, vice-presidente da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, membro da Loja de Pesquisas Quatuor Coronati Pedro Campos de Miranda, e também um grande incentivador do blog.

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Rito de York vs. Rito Inglês

O Ponto Dentro do Círculo

Tem sido afirmado que “um Rito na Maçonaria é uma coleção de graduações ou graus sempre fundados nos três primeiros graus.” Esta definição é totalmente enganosa, e constitui um grave erro chamar de “Rito Americano”, o “Rito de York” conferido nos Estados Unidos.

Com a finalidade de adicionar “mais luz” ao assunto, podemos afirmar que nos Estados Unidos existem dois Ritos Maçônicos conhecidos como Rito de York e Rito Escocês Antigo e Aceito.

Ambos são nomes equivocados, se o nome do Rito destina-se a indicar seu parentesco ou lugar de nascimento. O Rito de York não nasceu na antiga cidade de York, nem o Rito Escocês Antigo e Aceito foi gerado na Escócia.

O chamado Rito de York é o resultado de uma evolução na Inglaterra do Craft Operativo de um Grau de 1717, para um sistema de seis ou mais graus, conforme é praticado atualmente nos Estados Unidos, Canadá…

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Protegido: O Quadro de Loja de Companheiro no REAA – História e Simbólica (para ter acesso ao texto digite a p∴ s∴ de Comp∴)

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Conatus

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1. Abstrato

Avaliação da possibilidade do maçom frear o motor do desejo que o movimenta ao erro e submissão, sem matar o Conatus, sua iniciativa de persistir e evoluir independente.

2. Origem

Diversos filósofos aplicam o conceito Conatus na explicação da origem da violência que tira a liberdade do homem: aquela que o impede de andar com as forças de sua própria iniciativa, escravizando-o através de paixões e desejos.

Trata-se de um verbo latino que dá tratamento filosófico à compreensão e determinação necessárias para tornar-se livre, continuar a existência e aprimorar-se na linha de tempo reservada para a vida: a base da vivência maçônica.

Tem aspectos positivos e negativos que são interessantes de serem analisados, pois exercita uma dicotomia que auxilia no entendimento do ser.

Sem que muitos o percebam, é parte das grandes provocações que a Maçonaria faz a seus adeptos, já desde o primeiro psicodrama do simbolismo: a cerimônia da iniciação; ocasião em que o iniciando é instado se deseja persistir mesmo em presença da luta interna contra rejeição, desejo e paixão.

3. Baruch Espinoza

Para Baruch Espinoza o conceito Conatus é:

  • O desejo de viver, existir;
  • Esforço que se manifesta na consciência em direção da auto perseverança para continuar existindo;
  • A vida repleta de desejos dos quais depende o usufruto da vida;
  • Onde o homem é essencialmente composto de desejos;
  • A potência de agir e resistir;
  • A essência da humanidade que varia de acordo com a intensidade da autopreservação onde não ter desejos é suicidar-se: é morte!

Como viver sem submeter-se a desejos que escravizam à existência?

Como perseverar na vida com qualidade debaixo do princípio de autoconservação natural que pode levar à escravidão?

O conceito Conatus tem diversas significações em resultado do instinto e livre-arbítrio naturais contrapondo-se ao exercício consciente da liberdade.

4. Desejo

Desejo é potência, capacidade de realizar, força que leva à ação.

Tudo que resulta em ação é resultado de desejos.

É nisso que se baseiam os oportunistas para exaurir a força da maioria dos humanos: exploram os outros através de seus próprios desejos. Os abusadores deduziram que o homem está construído mais para desejar que para raciocinar.

Pensar é atividade cansativa, para alguns até dolorosa.

Poucos pensam!

A absoluta maioria da massa humana prefere receber o produto de outros pensadores e levar a vida apenas nutrindo seus apetites e desejos primários: são aqueles que estacionam na base da Pirâmide das Necessidades de Maslow, ao nível das necessidades fisiológicas, e dificilmente alcançam ao estágio da autorrealização.

O homem exibe em primeiro plano os resultados de seus desejos e não o resultado de sua capacidade racional.

Os desejos e paixões não deveriam ser a raiz de todo mal, perversidades e perturbações, mas, em resultado da preguiça, são!

Por indolência ou por perversidade, as paixões e desejos escravizam o homem. E o pior, é o próprio escravo que assim o deseja, preferindo a prisão no recôndito de suas paixões que ser livre com responsabilidade.

Daí ser o maçom instado em combater o bom combate para vencer suas paixões escravizantes e praticar as boas paixões para servir e trazer felicidade para si mesmo e aos conviventes.

Mas como matar o motor do desejo que movimenta o homem ao erro e submissão sem matar o Conatus, sua iniciativa de persistir em evoluir independente?

Usando deste elemento motor para desenvolver, pela racionalidade, apenas o lado bom e livre desta potência natural.

Na Maçonaria é oferecida a oportunidade de desenvolver a capacidade de iluminação, o desejo de andar com as próprias forças, sem auxílio ou tutela de outros, nutrindo os próprios desejos naturais sem submeter-se ao desejo de terceiros em virtude de preguiça para evoluir utilizando dos recursos de seu próprio discernimento.

5. Fraternidade

A convivência fraterna, e sem necessidade de escudos hipócritas, têm potencial para libertar o homem.

A fraternidade existe para proporcionar experiências alegres e agradáveis que levam ao desenvolvimento de forças de ataque e defesa para derrubar desejos que degradam.

A iluminação maçônica tem a pretensão, não a certeza, de propiciar o meio onde a potência para existir com qualidade seja aumentada. Tudo depende de como cada um reage diante da provocação da Maçonaria que, pela fraternidade, induz às experiências alegres de convivência, afastando os adeptos de situações dolorosas e tristes causadas pela tirania, opressão e prepotência de minorias sobre maiorias.

Os encontros efetuados em loja, com sua ritualística e atividades cognitivas cultas, levam a desfrutar da vida com alegria e utiliza a ação Conatus em seu sentido positivo, presta-se a induzir perseverança para continuar na autoconstrução. A loja é semelhante a uma família e ao mesmo tempo uma escola de conhecimentos. Os mestres têm a obrigação de promover atividades e eventos que alimentem o Conatus dos demais associados de tal forma a aumentar sua potência e desejo para a vida fraterna. Não se trata exclusivamente de festividades sociais, mas de reuniões alegres que promovam o bem, o culto, o erudito. Os banquetes maçônicos são culturais. De um lado apreendem-se conhecimentos e de outro, estes mesmos saberes são servidos e distribuídos aos conviventes. É um sistema de trocas que funciona por indução: impossível de representar em linguagem oral ou escrita porque afluem forças que são sentidas, mas ainda impossíveis de serem verbalizadas.

Desta forma são construídas personalidades fortes que agem na sociedade em todas as suas dimensões.

Desenvolvem-se líderes e não títeres.

Despertam potencialidades que levam ao desenvolvimento de gestores dos próprios destinos e transformadores da sociedade para desfrutar daquilo que a natureza oferece.

O objetivo é lúdico e ao mesmo tempo de árduo trabalho na autoconstrução.

O centro é o homem maçom.

É uma experiência espiritual.

A mudança, de forma agradável, é centrada no maçom, no adepto, e não nos homens da sociedade. A sociedade é afetada por consequências das ações dos maçons.

É o homem forjado nas oficinas da ordem maçônica que vai fazer a diferença na sociedade onde tem a potencialidade de conduzir seu destino e ajudar outros a desenvolverem-se de igual forma.

6. Teoria da Afetividade

O conceito Conatus é central dentro da teoria da afetividade.

O operador dinâmico é o maçom e sua afetividade enquanto ser concebido como tendo uma natureza comum.

A amizade é estratégica no procedimento de elevar a capacidade de perseverança, de Conatus, para o desenvolvimento ao bem.

O sucesso da atividade maçonicamente orientada depende e é inseparável dos laços que se formam entre os irmãos. O próprio tratamento como irmandade já implica na exigência de camaradagem na atividade lúdica e cultural.

A ação Conatus é um esforço que não possui objeto, mas é estratégica: é uma potência de agir dentro da fraternidade, seguindo a teoria da afetividade, com fortes possibilidades de conservação do desejo de fazer o bem para a humanidade. Assim, o maçom produz os frutos resultantes da própria produtividade dos dons afetivos que a natureza disponibilizou dentro dele.

Os aspectos positivos do conceito Conatus são as decisões internas que, necessariamente, passam pela vontade de viver em sociedade com outros seres vivos;

“O homem é, por natureza, um ser social” (Karl Marx).

7. Thomas Hobbes

Segundo Thomas Hobbes, o conceito Conatus é indispensável na análise da concepção da natureza humana, em:

  • Tudo aquilo que, de alguma forma, propicia a vida em resultado do desejo e da vontade individual;
  • Um fogo interno que move o homem a dirigir-se àquilo que lhe traz prazer e o afasta do que o desagrada;
  • Ação sem imposição externa: resultante do esforço em perseverar;
  • Capacidade natural de auto-conservação: característica racional humana em resultado da consciência de preservação da vida;
  • Preservar a essência interna do homem livre;
  • Manter um estado natural de vida do homem em sociedade.

Por outro lado, a característica natural do conceito Conatus é observada também em aspectos negativos, caracterizado por:

  • Egoísmo do homem que, desassossegado, deseja poder sempre mais que os outros, tendência que o acompanha até a morte;
  • Inclinação que move o homem a vencer sempre;
  • Luta no acumulo de recursos para além da necessidade;
  • Guerra de todos contra todos na vida social;
  • Homem governado por suas paixões, que acha possuir o direito natural de apoderar-se do que bem entender;
  • Aquilo que impulsiona o homem a ultrapassar ao outro na vida social, de onde afloram sentimentos de perdedor e vencedor;
  • Disposição que torna os homens iguais em força quando o fisicamente mais fraco adquire a capacidade de matar o fisicamente mais forte ao usar de estratagemas mais espertos.

Subjugar o outro é característica natural do homem enquanto selvagem ou enquanto não vence a si mesmo. Sua tendência natural é de sempre subjugar os da própria espécie, explorando e exaurindo a força de produção do outro, dando o mínimo ou nada em troca.

Segue a máxima: “estamos aqui para comer uns aos outros”.

Esta disposição mental violenta e agressiva pode ser moderada quando cada indivíduo ingressa de forma responsável na vida social: uma das fortes propostas da Maçonaria: pela igualdade, mesmo em presença das diferenças.

O estudo dos contrates do conceito Conatus proporciona o entendimento de como funciona a violência humana decorrentes do despotismo, da arrogância e da prepotência de indivíduos, pessoas e grupos.

Ao maçom, a dicotomia do conceito Conatus aponta caminhos para:

  • Tornar-se bem sucedido e evitar ser presa daqueles que se acham com mais direitos.
  • Fomentar relacionamentos onde todos levam vantagens, não necessariamente igualitárias, mas justas.
  • Ajudar no entendimento das razões da existência da violência, traduzindo-a como característica natural do livre-arbítrio que pode ser superada pela transformação consciente.

8. Liberdade e Livre-arbítrio

A ação humana é livre na proporção em que o ator entende como funciona sua determinação, seu exercício de Conatus. O pensamento correto de liberdade advém da análise das possibilidades, onde liberdade e possibilidade são ideias independentes. A liberdade consta de possibilidades de ações e ideias independentes.

Aprende-se na Maçonaria que o homem só pode considerar-se livre se, em sua caminhada pelo mundo, tiver a seu dispor a possibilidade de escolher racionalmente entre alternativas. É a razão da pugna da ordem maçônica em oferecer liberdade para toda a sociedade humana. Assim, ela desenvolve homens com conhecimento da liberdade que se manifesta àqueles que obtêm consciência da autodeterminação: do Conatus.

O maçom constata esta liberdade quando descobre que nada existe fora dele mesmo que lhe imponha uma direção: é o exercício do Conatus voltado ao esforço de atender a tendência de ser livre para persistir em existir e evoluir continuamente.

Com este entendimento, não se confunde liberdade com livre-arbítrio:

  • Liberdade – Livre-arbítrio;
  • Autodeterminação: a decisão vem do depois de pensado e avaliado. – Agir sem motivos ou finalidades: em resultado de impulso natural e instintivo;
  • Limitada e racional. – Ilimitado: manifesta-se sem razão ou objetivo;
  • Racional; artificial, dissimulada. – Emocional, instintivo, natural, franco.

O autoconhecimento livra o homem do obscurantismo assim como a autodeterminação leva o homem a desfrutar da liberdade com coerência.

Gostar de alguma coisa, considerando que possa ser resultado de imposição de modismos ou propaganda da mídia, não implica em falta de liberdade, desde que a ação, ou gosto, seja resultado de desejo interno, particular. É liberdade desde que o gosto pertença à pessoa em resultado de sua autodeterminação.

Já o livre-arbítrio não passa de uma ilusão da imaginação, espécie de conhecimento inicial. Livre-arbítrio, na ótica de Baruch Espinoza, é um preconceito primordial, fonte de todos os outros preconceitos.

9. Conceito e Ação Conatus

Em diversas oportunidades da jornada, o adepto maçom é levado explorar e reforçar sua inclinação latente e congênita de existir com qualidade e de aprimorar-se como pessoa humana na ação Conatus que lhe é inerente.

A melhoria pessoal ocorre na mente, no espírito, na psique e na matéria. Mudança que acontece em todas as dimensões humanas com vistas a produzir um ser humano melhorado em condições de persistir, de aplicar Conatus em sua jornada.

A exploração do conceito Conatus, em seus aspectos positivos, evita a vaidade congênita que tende ao desejo de querer ser mais importante que o outro, daí constar na divisa da Maçonaria: a igualdade. Não existe igualdade sem fraternidade e liberdade. Assim sendo, a ação Conatus impulsiona ao equilíbrio: ocorre aporte de determinação e persistência quando se exercitam igualmente igualdade, liberdade e fraternidade.

Ao frequentar as sessões maçônicas, lentamente, em resultado de fraterna convivência, o maçom se modifica e domina a inclinação de reinar sobre os demais, considera-se igual e, com isso, propicia a liberdade de si mesmo. Entender isso é iniciar-se em espírito: abraçar uma vibração energética que fica acima da realidade perceptível aos sentidos. Ao vencer a vaidade e a soberba torna-se irmão, inicia-se maçom: é reconhecido maçom. Assim, a sua regularidade como maçom vai muito além dos sinais, toques e palavras. Demonstra que entendeu a mensagem da cerimônia de iniciação: a dramatização da iluminação maçônica. Entendeu que está no Universo para servir seus irmãos e à sociedade: “a Maçonaria está nele!” —, dizem sem falsa retórica os mais adiantados.

Aprendeu bem e responde favoravelmente às provocações da Maçonaria em seus rituais: faz o bem e se modifica em resultado da prática do bem. Para um homem assim, os diplomas, as medalhas, os aventais, os colares e outros penduricalhos traduzem expressões de vaidades! Encontrou o poder e a riqueza que edifica seu próprio templo vivo nas virtudes que estão no espírito! Desta forma a ação do Conatus faz o homem persistir em evoluir constantemente.

A jornada modificadora interna do maçom segue em ascendência por uma senda que é semelhante a uma escada dupla que sobe de um lado e desce pelo outro. De um lado, enquanto o maçom sobe, ele é servido por seus irmãos de conhecimentos e ciências, e de outro, enquanto desce pela escada, baseado em virtudes, ele serve seus irmãos. É um exercício de humildade sem precedentes, haja vista a característica natural negativa do conceito Conatus aplicada ao ser humano leva o homem a sentir-se naturalmente mais importante que o outro. Servir sem esperar nada em troca é o altruísmo mais elevado que o maçom pode alcançar! Com isso ele serve qual construtor de templos vivos numa sociedade perdida, pervertida e alienada a um sistema terrível de usura e escravatura.

Livre da escravidão ao sistema, florescem qualidades internas que edificam o caráter. O ritual maçônico instiga ao hábito das coisas a serem desenvolvidas no dia-a-dia em todos os lugares.

E do hábito amadurecem grandes maçons que vencem o teste do tempo!

Sem confundir liberdade com livre-arbítrio e longe de se afetar com a perda de liberdade com a evolução científica, o maçom iniciado no espírito — que vive uma experiência espiritual — usa dos conhecimentos e criações científicas para servir a si e aos seus irmãos.

O conceito Conatus é entendido e utilizado em suas dimensões positivas e de construção do desejo e da paixão para o bem: é essencial na manutenção da perseverança para realizar a caminhada da modificação em sentido lato do ser para o bem.

O maçom iniciado no espírito — naquele onde a Maçonaria penetrou em resultado das reiteradas provocações — é o mestre servidor de seus irmãos. Sua alma purificada pelo serviço prestado aos irmãos faz seu corpo resplandecer! Este brilho, esta luz é resultado positivo da ação Conatus, do ensino e do apoio dado aos irmãos porque é com isto que se dá honra e glória ao Grande Arquiteto do Universo!

Autor: Charles Evaldo Boller

Fonte: Segredo Maçônico

Referências

PAES LEME, André, Spinoza: o Conatus e a Liberdade Humana.

LIMONGI, Maria Isabel, Hobbes e o Conatus: da Física à Teoria das Paixões.

PEREIRA, Rafael Rodrigues, o Conatus de Spinoza, Autoconservação ou Liberdade.

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5º Sorteio literário do blog

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