Grande Loja dos Antigos – Do Cisma à União

De todos os capítulos na longa e variada história da nossa Arte nenhum é mais interessante ou mais importante que aquele que relata como uma concorrente cresceu junto com a primeira Grande Loja da Inglaterra, como as duas se tornaram rivais, e como finalmente uma união aconteceu. Daí o leitor pode aprender como certas mudanças aconteceram na Ordem que ainda o confundem, e também, em certa medida, por que as cerimônias maçônicas na América diferem daquelas praticadas na Inglaterra, e também entre os diferentes estados americanos. Necessariamente, apenas um resumo rápido de muitos eventos pode ser tentado aqui; aqueles que buscam mais detalhes são encaminhados aos livros listados no final deste artigo e, especialmente a Masonic Facts and Fictions de Henry Sadler, o clássico neste campo.

I. CAUSAS QUE LEVARAM À DISPUTA

É absolutamente impossível elaborar uma história conectada e detalhada de todas as causas que levaram finalmente à formação de uma nova Grande Loja, e pelas mesmas razões é impossível colocar o dedo sobre certo ano ou lugar e dizer: aqui é onde tudo começou. A coisa se deu gradativamente e a partir de muitas forças em operação. Um dos principais resultados da formação da primeira Grande Loja estabelecida em Londres em 1717 foi que a Maçonaria Especulativa afastara completamente a Maçonaria Operativa. Essa mudança radical na natureza íntima da Arte não podia deixar de suscitar oposição. Supõe-­se, por exemplo, que as dificuldades em que caiu Anthony Sayer depois que ele serviu como o primeiro Grão Mestre, podem ter sido devido à sua aversão ao novo regime, já que ele era um velho Maçom Operativo. Quantos problemas a grande mudança provocou, ou quanto tempo durou, é agora impossível determinar, mas parece evidente que um ressentimento contra a nova ordem de coisas durou muito tempo em alguns setores, e que lojas inteiras recusaram-­se por muitos anos a consentir um abandono tão completo dos antigos usos.

Outra causa de problemas nos primeiros anos da primeira Grande Loja foi a adoção do “Parágrafo Relativo a Deus e à Religião “nas Constituições de Anderson. Antes de 1717, as bases dos Maçons tinha sido de religião cristã e a própria Arte, a julgar por suas próprias Constituições, tinha sido francamente Cristã Trinitária. As novas Constituições, agora associadas ao nome de Anderson, mudaram tudo isso; de acordo com sua formulação um pouco ambígua, um Maçom era obrigado a ser apenas daquela religião “na qual todos os homens de bem estão de acordo”. Isso não agradou aqueles que desejavam ver a Maçonaria permanecer especificamente cristã e, consequentemente, eles tinham problemas com isso.

A partir dos registros da primeira Grande Loja em si, é evidente que nem tudo foi fácil.

Havia reclamação constante de “iniciações irregulares”, mas pouco foi feito para afastar aquele mal; também parece que os assuntos da Grande Loja eram tratados com desleixo, se não totalmente com simples descaso. Um bom exemplo disso é fornecido no caso de Lord Byron, que foi eleito Grão­-Mestre em 30 de abril de 1747. Este cavalheiro, conhecido como “o maléfico Lord Byron”, apareceu diante de seus irmãos, apenas cinco vezes em cinco anos, e parece ter dado pouca atenção às suas responsabilidades. O descuido despertou tantos sentimentos que “era a opinião de muitos maçons velhos ser preciso uma consulta sobre a eleição de um novo e mais ativo Grão Mestre”; eles “se reuniram para aquela finalidade” e o teriam feito se não fosse pela intervenção do irmão Thomas Manningham, M.D.

A partir desse e de outros casos semelhantes que poderiam ser citados, pode-­se julgar que a Grande Loja não mantinha um controle muito grande das rédeas, um fato que ajudará a explicar o que veio depois.

II. INOVAÇÕES TINHAM SIDO FEITAS

A pior coisa, “pior”, isto é, do ponto de vista dos irmãos conservadores da época era que a primeira Grande Loja deliberadamente fez algumas drásticas “inovações” nas formas antigas, algo que aconteceu da seguinte forma, assim se acredita: após a Maçonaria tornar­-se mais ou menos popular em Londres, inúmeros homens desejosos de se achar seu caminho até as lojas sem o custo problemático de uma iniciação. Para atender às suas necessidades certas, assim chamadas, “exposições” foram publicadas, a mais notável das quais foi Masonry Dissected, por certo Samuel Prichard, descrito como um “falecido membro de uma Loja constituída”. Diante disso, o “clandestinismo” tornou tão comum que finalmente a Grand Loja, em defesa própria, determinou que mudanças fossem realizadas no trabalho esotérico, que permitiria às lojas regulares detectar as fraudes. Agora, é quase impossível saber com certeza exatamente quais alterações foram estas, mas de acordo com os inimigos da Grande Loja de 1717 e referências dispersas em registros da Grande Loja foram mais ou menos o que se segue: A cerimônia de instalação do Venerável Mestre foi suprimida ou passou a ser automática; o Terceiro Grau foi remodelado; o simbolismo da preparação de um candidato foi alterado; um dos segredos mais importantes do Primeiro Grau foi transferido para o segundo, e vice-­versa, alguns dos antigos “segredos geométricos” há muito praticados entre os “antigos maçons operativos” ou foram totalmente omitidos ou então mudaram para uma forma irreconhecível, etc. Como prova de que tais acusações de inovações não eram sem fundamento na verdade é um dos itens na edição de 1784 das Constituições da Grande Loja de 1717, que diz: “Algumas variações foram feitas na forma estabelecida”, e continua para explicar que essas mudanças foram feitas,“mais eficazmente para afastá-los [isto é, os clandestinos] e aos seus cúmplices das Lojas”.

Ainda outra causa que contribuiu para os novos desenvolvimentos tem a ver com o Arco Real, um assunto particularmente difícil de tratar, especialmente no papel e, além disso, em curto espaço. Laurence Dermott, o gênio criativo da nova Grande Loja (sobre a qual falarei mais em instantes), uma vez escreveu estas palavras:

“Um Maçom Moderno e membro de uma loja sob a Grande Loja de 1717 pode comunicar com segurança todos os seus segredos a um Maçom Antigo, membro de uma Loja sob as Constituições da Grande Loja iniciada em 1751, mas um Maçom Antigo não pode com segurança comunicar todos os seus segredos para um Maçom Moderno sem qualquer cerimônia.”

Depois de citar estas palavras, e algumas outras que não preciso incluir aqui, o Irmão. Fred J.W. Crowe, em sua revisão da História Concisa de Gould, à página 256, observa que, “Há pouca dúvida de que essas diferenças consistem em mudanças no Terceiro Grau e a introdução do Arco Real”.

III. O ARCO REAL SE TORNOU UM PROBLEMA

A teoria aqui é que, na sua reorganização do Ritual, Desaguliers e seus companheiros nos primeiros dias da Grande Loja de 1717 deixaram o Terceiro Grau sem a sua conclusão lógica, de modo que certo segredo vital foi perdido, mas não foi encontrado; e que muitos dos irmãos, a fim de completar o simbolismo, ou adaptaram ou criaram uma cerimônia de complementar a reparar o prejuízo. Ao fazê-­lo, eles correram contra as práticas da Grande Loja de 1717 e, assim, tornaram-se estigmatizados como “irregulares”. Firmes em sua convicção de que tinham razão e que a Grande Loja estava errada, eles persistiram em seu curso até que finalmente fundaram uma Grande Loja própria. Isto, conforme dito acima, é uma “teoria”, mas há fatos para suportá-la, e é razoável diante das coisas.

Sejam os fatos o que forem, é certo que após a nova Grande Loja ter­-se formado, ela fez uso da cerimônia conhecida como Arco Real e a praticava como uma parte legítima da Maçonaria antiga. Os resultados disso foram sucintamente descritos por W.J. Hughan em uma comunicação citada na página 1185, da História Revista da Maçonaria de Mackey, pelo irmão Robert I. Clegg:

“O Grau do Real Arco não foi iniciado por esses “Antigos” [quando a nova Grande Loja veio a ser criada], mas apenas adaptado por eles como uma cerimônia autorizada. Em autodefesa, os “Modernos” [como a Grande Loja de 1717 foi apelidada], que o tinham trabalhado antes da origem dos “Maçons Atholl” [outro nome para a nova Grande Loja], mas não oficialmente, aos poucos lhe deram mais proeminência. Em 1767, eles formaram um Grande Capítulo do Arco Real, e emitiram Cartas Constitutivas de Capítulos, empurrando o grau mais ainda que o ‘Antigos’, embora não reconhecido por sua Grande Loja; assim, quando da União das duas Grandes Lojas, em dezembro de 1813, o caminho estava preparado para a inauguração do ‘Grande Capítulo Unido” em 1817, a cerimônia sendo adotada como a conclusão da cerimônia do Mestre Maçom, não como um grau separado e independente.”

A mais importante de todas as teorias sobre a origem da nova Grande Loja é aquela desenvolvida por Henry Sadler, embora a palavra “teoria”, em vista dos muitos fatos reunidos em seu Masonic Facts and Fictions, é muito fraca para sugerir a força e poder de seu raciocínio. Devo me contentar com dar um breve resumo dos resultados a que chegou neste livro notável.

O resultado mais importante do trabalho de Sadler foi abolir a antiga noção de que a Grande Loja “Antiga” resultou de um “cisma”, ou “secessão” da Grande Loja mais antiga. A teoria “cismática” foi divulgada pela Grande Loja mais antiga, e veio a ser geralmente aceita entre seus apoiantes e defensores; mesmo Gould, que normalmente era tão independente em sua teorização, teimosamente agarrou­-se a ela muito tempo após os outros terem se convencido do ponto de vista de Sadler, razão pela qual foi considerado prudente fazer uma revisão de sua História Concisa. Sadler deixou claro que a Grande Loja “Antiga” cresceu não de uma cisão da Grande Loja de 1717, mas devido a causas independentes, e que, em uma época antes da doutrina da competência exclusiva ter sido adotada não havia ilegalidade em tal medida.

O próximo resultado mais importante de suas pesquisas foi que a principal inspiração para a fundação da Grande Loja “Antiga” veio dos maçons irlandeses que haviam se estabelecido em Londres, e que não haviam sido reconhecidos pela Grande Loja de 1717. Sadler mostra que a maioria dos membros da primeira loja autorizada pelos “Antigos” eram irlandeses, e que eles copiaram os usos e costumes da Grande Loja da Irlanda, e que, nas conversas da época eles eram devidamente apelidados de “maçons irlandeses”. A maioria destes homens era de classes “baixas”, pintores, alfaiates, mecânicos, operários, e assim por diante, estando, assim, em nítido contraste com os membros das lojas que trabalhavam sob a Grande Loja de 1717.

IV. OS “ANTIGOS” ESTAVAM MAIS PRÓXIMOS DA G.L. DA IRLANDA

Os “Antigos” diferiam muito em suas práticas da Grande loja mais antiga e, ao mesmo tempo, e diferenciando-se, ficaram próximos aos costumes da Grande Loja da Irlanda: O próprio resumo isso por Sadler pode ser dado:

“É suficiente, sem dúvida, que eu apenas mencione os pontos principais remanescentes de conexão e da mesma forma, sem maiores comentários: O Livro das Constituições e os Estatutos para lojas privadas; Cartas Constitutivas reconhecendo o grau do Arco Real; Selos da Grande Loja, bem como o método de afixa-­los com as mesmas coloridas [as mesmas, isto é, como as da Grande Loja da Irlanda], que tanto quanto sei não eram utilizadas por qualquer outra Grande Loja; Certificados em Latim e Inglês; Constituição de uma loja somente para os Grandes Oficiais, e os nomes dos membros inseridos na frente do cadastro; Sistema de registro nos livros da Grande Loja; o fato de que os “Antigos” eram designados “maçons irlandeses”, suas lojas “Lojas irlandesas”, e suas cartas constitutivas ‘cartas constitutivas irlandesas “por escritores independentes e não oficiais em diferentes períodos, de cerca de quinze anos após a sua organização em 1751 até o final do século passado” [isto é, do século XVIII].

Depois que a nova Grande Loja estava sendo organizada e depois que ela tinha começado a entrar em conflito com o corpo mais antigo, é claro, os defensores dos “Antigos” começaram a criar argumentos para defender suas próprias posições; em grande parte, tais argumentos eram apenas um apelo especial, e não para serem agora levados muito a sério. Isso, a título de exemplo, era o argumento de Dermott de que a primeira Grande Loja tinha sido constituída de forma ilegal. Em seu Ahiman Rezon, edição de 1778, ele diz que “para formar uma Grande Loja são necessários Mestres e Vigilantes de cinco Lojas regulares”, e afirma que “isto é tão bem conhecido de todos os homens familiarizados com as antigas leis, usos, costumes e cerimônias de Mestres Maçons, que é desnecessário dizer mais.” Dermott devia saber na época que tal declaração era infundada; nunca houve tal lei. Conforme o tempo passou, este argumento foi substituído por outro no sentido de que os “Antigos” tinham montado uma loja para si, porque a Grande Loja mais antiga era culpada de inovações, que, embora fosse, sem dúvida, verdade, não poderia muito bem se sustentar porque os próprios “Antigos” eram culpados de muitas inovações próprias; porque eles tinham trazido para o sistema um grau maçônico inteiramente novo, uma inovação de primeira linha, seria de se supor.

V. FORMAÇÃO DA GRANDE LOJA “ANTIGA”

Chegou a hora de dar um relato de como surgiu a Grande Loja “Antiga”. Antes, porém, direi uma palavra sobre Laurence Dermott, que apareceu muito em tudo o que aconteceu, recomendando ao leitor desde já que folheie as Notes de W.M. Bywater sobre Laurence Dermott e Sua Obra, publicado em Londres em 1884.

Dermott nasceu na Irlanda em 1720, vinte e dois anos antes do nascimento de William Preston, que primeiro viu a luz do dia em Edimburgo, em 28 de julho de 1742, e que é o único de todos os luminares da Maçonaria daquela geração a compartilhar com Dermott uma fama igual. Dermott foi iniciado na Irlanda em 1740, e passou pelas cadeiras da Loja n º 26, na Irlanda, onde ele foi instalado Venerável Mestre em 24 de junho de 1746. Parece que ele foi muito bem educado para aqueles dias, e Gould é de opinião que ele provavelmente conhecia um pouco de hebraico, que seria responsável pelo carinho que ele tinha por cobrir seus trabalhos com caracteres hebraicos, aquele idioma antigo e difícil! Ele mudou-­se para Londres, provavelmente quando jovem, com pouco dinheiro no bolso, mas muitos esquemas fervendo em sua cabeça; ele era incansável, alerta, inteligente, sarcástico e muitas vezes um pouco sem escrúpulos na guerra contra seus inimigos, que ele tinha aos montes. Parece que ele se engajou como pintor jornaleiro (Preston tornou-­se um impressor jornaleiro, será lembrado), e que ele prosperou de forma que nos anos seguintes, ele gastou muito dinheiro em caridade e em suas atividades maçônicas. Em registros tardios ele era descrito como um comerciante de vinhos, e parece que sofria de gota. Uma vez iniciado ele nunca descansou, mas dedicou­-se a ela como se fosse uma amante, com sinceridade apaixonada, não se permitindo desanimar, e sempre na linha de frente da batalha. Além de sua genialidade em colocar uma Grande Loja em curso, sua maior conquista foi a composição de sua Ahiman Rezon (que significa “Digno Irmão Secretário”), as Constituições da nova Grande Loja, e depois adotada por muitas outras Grandes Lojas, a nossa própria em Pensilvânia, Maryland e Carolina do Sul entre elas.

VI. A “GRANDE COMISSÃO” É FORMADA

Já chega de Dermott. A extensão das “iniciações irregulares” tantas vezes denunciadas nos registros da Grande Loja de 1717 pode ser demonstrada pelo fato de que devido a isso, a Grande Loja apagou de sua lista pelo menos quarenta e cinco lojas entre 1742 e 1752. Irmãos lidavam com isso, junto com muitos freelances e também alguns independentes, ou “Lojas de São João” (sobre as quais muitas coisas interessantes podem ser escritas) se reuniram e formaram uma “Grande Comissão” da “Antiga e Honorável Fraternidade de Maçons Livres e Aceitos”; esta Comissão transformou-­se na “Grande Loja da Inglaterra, de acordo as Antigas Constituições”, Grande Loja esta posteriormente chamada de Grande Loja “Antiga”, em oposição à “Moderna”, como a Grande Loja mais antiga ficou apelidada. O registro mais antigo da Grande Comissão é datado de 17 de julho de 1751; naquele dia, as Lojas Nº. “2, 3, 4, 5, 6 e 7 foram autorizadas a conceder Dispensas e Cartas Constitutivas e agir como Grão-Mestre.”

O cargo de Grão-­Mestre foi deixado vago até que um “irmão nobre” pudesse ser encontrado para aceitar o cargo; e local da Loja Nº 1 foi deixado para ser ocupado pela Loja do Grão-­Mestre, uma coisa sem dúvida sugerida pelo Grande Loja da Irlanda que tinha feito a mesma coisa. John Morgan foi eleito Grande Secretário em 1751, mas parece que ele foi negligente em seus deveres, portanto, Laurence Dermott foi eleito para ocupar o seu lugar em 5 de fevereiro de 1752, após o que os mais amargos inimigos do Grande Secretário não puderam reclamar de qualquer negligência, porque Dermott assumiu o espírito de liderança em tudo os que se seguiu, e foi ao seu gênio que um grupo de descontentes, originários daquilo que naquele tempo eram as classes mais baixas ou a classe média, foram capazes de avançar e crescer mais rapidamente, considerando o tempo que levou, que sua Grande Loja rival.

Um dos expedientes empregados por Dermott foi conceder cartas constitutivas a lojas militares, algo que não havia sido feito antes, e que foi responsável pelo rápido crescimento da Maçonaria Antiga nas colônias americanas, graças à concessão de cartas constitutivas a lojas do exército nas forças britânicas que se tornaram missionários maçônicos neste continente. A Grande Loja Moderna depois seguiu este exemplo. Outro expediente foi franco e aberto incentivo ao Grau do Arco Real; é fácil entender que um sistema oferecendo quatro graus teria mais apelo em geral que outro oferecendo somente três. Também os Antigos foram capazes de assegurar os apoios formais das Grandes Lojas da Irlanda e da Escócia, e além disso certa quantidade de um apoio ativo daqueles corpos influentes.

Em uma lista dos Grandes Secretários da Grande Loja Antiga nota­-se que Dermott serviu por dezoito anos:

1751, John Morgan. 1752-­70, Laurence Dermott. 1771­-76, William Dickey. 1777-­78, James Jones. 1779­-82, Charles Bearblock. 1783-­84, Robert Leslie. 1785­-89, John McCormick. 1790-­1813, Robert Leslie.

Ainda mais instrutiva é a lista dos Grãos-Mestres eleitos:

1753, Robert Turner. 1754-56, Edward Vaughan. 1756­-59, Earl of Blesington. 1760­-66, Earl of Kelly. 1766-70, Hon. Thomas Mathew. 1771-­74, John, terceiro Duque de Atholl (também grafado Athol, Athole). 1775-­81, John, quarto Duque de Atholl. 1783­-91, Earl of Antrim. 1791­-1813, John, quarto Duque de Atholl. 1813, Duke of Kent.

Pode-­se observar que dos sessenta anos durante os quais os Antigos tiveram um Grão­-Mestre, um duque de Atholl ocupou o trono durante 31 anos; por esta razão que os Antigos eram frequentemente chamados de “Maçons de Atholl”, e por uma razão correspondente que os Modernos eram, por vezes chamados de “Maçons do Príncipe de Gales”.

VII. ELES CRESCERAM RAPIDAMENTE

O zelo e a energia dos líderes Antigos, além da atratividade superior do seu sistema de graus, são demonstrados pela rapidez com que a nova Grande Loja progrediu. Em 1753, uma dúzia ou mais de lojas estavam na lista; durante os próximos quatro anos, e em grande parte devido à atividade de Dermott, vinte e quatro foram adicionadas; entre 1760 e 1766, enquanto o Conde de Kelly era nominalmente o Grão­-Mestre, sessenta e quatro mais foram assumidas.

Até 1813, quando a União foi efetuada, os Antigos reivindicavam um total de 359 lojas, mas é certo que em muitos casos, os nomes de lojas extintas ainda apareciam.

Os Antigos adotaram como seu Livro das Constituições o Ahiman Rezon, em grande parte o trabalho de Dermott, embora ele seguisse de perto as principais linhas das Constituições da Grande Loja da Irlanda e, ao mesmo tempo, emprestasse com liberdade as Constituições de Anderson usadas pelos Modernos, publicada pela primeira vez em 1723; a primeira edição do Ahiman Rezon apareceu em 1756. Ao acompanhar de perto as Constituições já em uso, Dermott foi capaz de evitar um afastamento demasiado grande da Maçonaria como já era praticada, e ao mesmo tempo, embora involuntariamente, preparou o caminho para a União que veio depois, um fato de feliz presságio para a Maçonaria em geral.

A existência de duas Grandes Lojas, ambas com sede em Londres, naturalmente, causou uma grande confusão e desentendimento entre os maçons comuns. Em muitos casos, tais irmãos não defendiam qualquer uma das partes, de modo que, em alguns casos, é de se registrar que havia lojas que seguiam ambas as constituições; mas na maioria das vezes havia uma boa dose de amargura entre os partidários, embora se deva dizer que os Antigos eram mais ávidos de controvérsia que os Modernos, e que, em quase todos os casos, quando todos os ramos de oliveira eram estendidos, era sempre do campo desses últimos. Um exemplo da atitude conciliatória dos Modernos é oferecido por Preston, que diz que em 1801 quando acusações eram proferidas contra irmãos sob os Modernos por suas atividades em lojas Antigas, o assunto era abandonado.

Em 1797, um movimento foi feito com vistas à união, mas o projeto fracassou. Dois anos depois, porém, os dois Grão-­Mestres, o Conde de Moira pelos Modernos e o Duque de Atholl pelos Antigos, agiram em conjunto para que a Maçonaria fosse isentada da Lei de Prevenção de Sociedades Secretas na Inglaterra. Além disso, como outra etapa que abriu caminho para uma fusão, a Grande Loja Moderna conseguiu garantir os endossos das Grandes Lojas da Irlanda e da Escócia de forma a colocar os Antigos em uma posição um pouco duvidosa, algo que reverteu completamente a situação original, até onde esses dois Grandes Corpos estavam envolvidos.

VIII. A UNIÃO ACONTECE

Já em 1809, comissões se reuniram para considerar a “propriedade e praticidade da união”. Em 26 de outubro daquele ano, o Conde de Moira (pelos Modernos) concedeu carta a uma loja especial para servir como um meio para se chegar a uma fusão; esta loja realizou sua primeira sessão em 21 de novembro e, em seguida, resolveu chamar­-se “Loja Especial de Promulgação”. Em 10 “de abril do ano seguinte o Conde de Moira informou sua Grande Loja que, tanto ele quanto o Grão Mestre dos Antigos”, eram ambos totalmente de opinião que seria um evento verdadeiramente desejável consolidar, sob um só chefe, as duas Sociedades de Maçons que existiam neste país”. Estes resultados foram transmitidos à Grande Loja dos Antigos, onde esta confissão franca de um desejo de união foi recebida com cordialidade sincera, de modo que, após concessões terem sido feitas por ambos os lados, embora mais calorosamente pelos Modernos, acordou-­se por todo lado que as diferenças devessem ser resolvidas, e uma união ser feita. “A Grande Assembleia de Maçons para a União das Duas Grandes Lojas da Inglaterra”, foi realizada em 27 de dezembro de 1813. Com as devidas cerimônias solenes, a tão desejada fusão foi consumada, todos os Grandes Oficiais demonstrando, quase sem exceção, um espírito fino e estadista. Durante o mês anterior, o Duque de Atholl tinha renunciado Grão Mestrado dos Antigos em favor do Duque de Kent, este último sendo instalado em 01 de dezembro; na época da União, este último nomeou o Duque de Sussex como “Grão-­Mestre da Grande Loja Unida de dos Maçons Antigos da Inglaterra” e ele foi eleito por unanimidade.

Cada uma das duas Grandes Lojas participantes nomeou uma comissão de nove Mestres Maçons ou Ex-Veneráveis especialistas e estes formaram uma Loja de Promulgação, cujo objetivo era elaborar uma espécie de ritual aceitável por todos. Este alojamento continuou o seu trabalho de 1813 até 1816, muitas vezes contra a oposição; mas embora seu trabalho fosse consequente e oficial, a fusão real entre os dois sistemas continuou de acordo com as circunstâncias nas lojas privadas, de modo que a influência da Loja de Reconciliação era mais acadêmica que real.

O trabalho de preparação de um novo Código de Regulamentos para a Grande Loja Unida foi encaminhado a uma Câmara de Finalidade Geral; o seu trabalho foi aprovado pela Grande Loja Especial em 23 de agosto de 1815. Neste meio tempo, e para estabelecer relações mais próximas possíveis entre a nova Grande Loja Unida e as Grandes Lojas da Escócia e da Irlanda, uma Comissão Internacional foi criada que começou suas deliberações em 27 de junho de 1814, continuando até 2 de Julho do ano seguinte. Como resultado, foi declarado que “as três Grandes Lojas estavam perfeitamente em uníssono em todos os grandes pontos essenciais do Mistério e da Arte, de acordo com as tradições imemoriais e uso ininterrupto dos Maçons Antigos”; oito resoluções, o chamado Pacto Internacional, foi adotado.

IX. À GUISA DE CONCLUSÃO

O efeito de toda essa reorganização sobre o ritual foi muito bem resumida pelo irmão W.B. Hextall que citarei seu parágrafo integralmente de Ars Quatuor Coronatorum, vol. XXIII, página 304: (o leitor deve consultar aquele volume inteiro).

“A conclusão a que eu, pessoalmente, chego é que por muitos anos após a União – falando aproximadamente, até por volta de 1825, uma grande quantidade de dar e receber relacionada com o ritual ocorreu não oficialmente em Londres, assim como nas províncias, e que nossas Cerimônias do Ofício, conforme praticadas a partir de 1830, e anteriormente, se desviaram consideravelmente daquelas que foram acordadas na Loja de Promulgação entre 1809­ e 1811; trabalhadas na Loja da Reconciliação, 1813­1816, e aprovadas pela Grande Loja em 05 de junho de 1816. O material de onde temos de fazer inferências é ligeiro, mas ao mesmo tempo convincente; e quando (para citar apenas alguns pontos) encontramos deveres originalmente atribuídos ao Primeiro Diácono transferido para o segundo; confiar os meios de prova satisfatória levando à pratica do segundo grau de outra forma; e a admissão de um membro ou visitante ‘por meio de prova de ele ter se identificado nos termos do grau em que a loja está aberto em uma inspeção pelas três grandes luzes na entrada’ (atas da Loja de Promulgação, 05 de janeiro de 1810) caídos em completo desuso; é difícil evitar perceber que, em grande medida, o assunto do trabalho da Maçonaria deve ter sido colocado no cadinho, e que independentemente do meio de instrução disponibilizados oficialmente em 1813.”

A fim de ajudar os irmãos a encontrar seu caminho para sair desta confusão, as Lojas de Instrução surgiram, algumas das quais chegaram a ser instituições permanentes; e foi como resultado da influência destas que os diferentes “trabalhos” entram em uso na Inglaterra “Emulação”, “Estabilidade”, “Oxford”, etc.

Se se assume uma visão suficientemente ampla da história da maçonaria Inglesa de 1717 até que a União tivesse sido aceita em todos os lugares, ver­-se-­á que todo o período assume o caráter de uma grande transição, e que nesta perspectiva, os meros detalhes e mecanismos do Grande Corte, juntamente com o ato oficial subsequente da União caem para segundo plano como eventos, grandes em importância, mas da natureza de incidentes. A mudança de Maçonaria Operativa para Maçonaria Especulativa oficialmente feita em 1717 foi profunda, além da nossa compreensão habitual da mesma; e tal mudança só pode ser realizada completamente após muitos anos, muita experimentação e uma longa evolução. Nessa visão, o grande resultado da União é que ela trouxe, finalmente, a completa cristalização e solidificação da Maçonaria Especulativa, fixou seu caráter para as gerações vindouras, estabeleceu no Reino Unido, o princípio da Jurisdição Territorial Exclusiva, e tornou possível o estabelecimento dentro da Maçonaria daqueles Poderes e Autoridades que hoje impedem a dispersão de suas energias e a divisão de suas forças. Mesmo até agora aquela influência está atuando; e vai continuar a atuar, por conta de sua lógica inevitável, uma maneira será encontrada para unir e unificar a Maçonaria em todo o mundo, cuja consumação todos nós podemos dizer sinceramente:

Assim Seja!

Autor: H.L. Haywood
Tradução: José Filardo

LIVROS CONSULTADOS NA PREPARAÇÃO DESTE ARTIGO

Ahiman Rezon, all eds., Laurence Dermott. Ars Quatuor Coronatorum, V, 166; VI, 44, 65; VIII, 233; XI, 190, 202; XXIII, 37, 162, 215; XXIV, 268. Atholl Lodges, R.F. Gould. Book of Constitutions, edtd. by Entick. Book of Constitutions, edtd. by Noorthouck. Builders, The, Joseph Fort Newton. Century of Masonic Working, F.W. Golby. Concise History, R.F. Gould. Grand Lodge of England, A.F. Calvert. History of Freemasonry, Findel. History of Freemasonry, R.F. Gould. History of the Lodge of Edinburgh, Murray Lyon. Illustrated History of the Lodge of Improvement, Henry Sadler. Illustrations of Masonry, Wm. Preston. Mackey’s Revised History of Freemasonry, R.I. Clegg. Masonic Facts and Fictions, Henry Sadler. Memorials of the Masonic Union, W.J. Hughan. Military Lodges, R.F. Gould. Minutes of the Grand Lodge of England, W.J. Songhurst, Ed. Notes on Lau. Dermott, W.M. Bywater. Origin of the English Rite, W.J. Hughan. Short Masonic History, Fred Armitage. Story of the Craft, Lionel Vibert. Capitulos De Histórias Maçônicas – PARTE XI

REFERÊNCIAS SUPLEMENTARES

Mackey’s Encyclopedia – (Revised Edition): Ahiman Rezon, 37; Ancient, or Antient, or Atholl Masons, 55; Antiquity, Lodge of, 65; Book of Constitutions, 112; Christianization of Freemasonry, 148; Dermott, Laurence, 206; Grand Lodge, 306; Grand Master, 307; Innovations, 353; Ireland, 357; Lectures, History of the, 430; Preston, William, 579; Prichard, Samuel, 583; Ramsay, A. M., 607; Reconciliation. Lodge of, 611; Royal Arch Degree, 643; Schisms, 668; SymbolicDegrees, 752; United Grand Lodge of England, 815; York Grand Lodge, 867.

Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG e da Academia Mineira Maçônica de Letras. Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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