A Missão do Templo Maçônico

Quando estudamos o Ritual do Aprendiz, assim que ultrapassamos os “Princípios Fundamentais” que definem, em síntese, a base de toda sua filosofia maçônica, encontramos a descrição física e simbólica do Templo onde realizamos nossos trabalhos, repletos de detalhes, onde se esmiúça cada item de forma objetiva e simples.

Há, no entanto, todo um Conhecimento oculto revestido de profunda significação que envolve cada símbolo, cada paramento ou ato praticado, e cabe a todos o dever de conhecê-lo, de acordo com seu grau, para alcançar uma prática justa e perfeita, concretizando suas finalidades transcendentais e precípuas.

Todos admitimos que, até certo ponto, um ambiente não usual pode dar causa a diferentes sentimentos. Ao cruzarmos com paisagens ou determinados edifícios com características próprias de suas funções, aflora-nos sensações diversas, desde sombrias e alegres, até as devocionais. Assim, diferente é o sentimento espontâneo que surge ao observador atento ao cruzar por um cemitério, por um templo religioso, por uma prisão, ou mesmo um parque florido.

Um estudo sobre as forças sutis da natureza mostrar-nos-á que não somente um ser vivo irradia um complexo de influências definidas sobre tudo que o rodeia, como também o fazem as coisas inanimadas, ainda que em menor escala e de modo mais simples. É sabido, por exemplo, que a madeira, o ferro e a pedra, emitem suas irradiações próprias, porém, nos ensinam os tratados esotéricos que esses elementos são capazes de absorver a influência humana, e depois retransmiti-la.

Todos os elementos que compõe uma estrutura física, seja um uma igreja, uma prisão, ou mesmo um Templo Maçônico, além das próprias vibrações naturais, são capazes de absorver as vibrações de seus frequentadores e, depois, retransmiti-las. É fácil deduzir, portanto, que ao entrarmos em uma catedral centenária, onde, por anos a fio, ali homens se reuniram para realizar seu culto e orações, o sentimento de religiosidade e devoção será marcante e envolvente. Da mesma forma, sentimentos negativos de medo e rancor, ódio e vingança, vividos intensamente por aqueles que permaneceram em determinado ambiente, podem ser registrados em edifícios utilizados por longo tempo como presídio ou similares.

Portanto, fica evidente que as vibrações de uma coletividade, intensa e repetidamente vividas, criam uma atmosfera vibratória psíquica específica, que impregna todos os elementos materiais que o circundam, e estes devolvem ao ambiente aquilo que absorveram.

Acresce-se a este campo energético, os símbolos, instrumentos ou objetos representativos de correntes vibratórias poderosas, que funcionam como conectores ou geradores de pensamentos propositadamente direcionados.

A união dos pensamentos com um objetivo comum, a força oculta dos símbolos e o ritual praticado com respeito e periodicidade, criam um campo vibratório psíquico, denominada por algumas escolas espiritualistas de “aura do ambiente”, e que, nós os maçons, o denominamos de “Egrégora”.

Os maçons se reúnem para reverenciar o GADU, trabalhar na sua reforma íntima, ou VITRIOL, em uma convivência respeitosa de ajuda recíproca, ou Fraternidade. Vivem, por algumas horas, em um ambiente onde cada toque de pincel no colorido de sua abóbada, cada instrumento de seus Obreiros, cada coluna ou ação, é uma homenagem ao Criador. Assim, o Templo Maçônico em si, está impregnado por uma atmosfera de veneração e de amor que, com certeza, reverte essas qualidades sobre seus frequentadores.

O τ (Iod) no triângulo, o Sol e a Lua, o “Olho que tudo vê”, a régua, o compasso, enfim, todos os símbolos trazem consigo um esplendor vibratório que não pertence totalmente ao mundo físico, pois hábeis ocultistas os transmitiram aos seus adeptos como verdadeiros “talismãs”, a inspirar a conexão com os Planos Maiores da Vida. Não nos esqueçamos de que o poder comunicado por cada objeto ou símbolo, tem sido perpetuamente revigorado pelo culto de sucessivas gerações de iniciados.

Ao nosso ritual acresce-se outra ação, pois não somente influencia o interior de seus frequentadores, com o despertar da mente e do coração, senão também no exterior etéreo, cuidando que as influências elevadas e purificadoras lhes cheguem constantemente aos diferentes corpos (físico, astral e mental).

Nosso Templo não é apenas um local de reunião ou da realização de um ritual, mas representa, também, um centro de magnetismo através do qual, forças espirituais passam a se difundir pelas áreas circunvizinhas, renovando e arejando ambientes psíquicos perniciosos e danosos à coletividade. Os ocultistas ensinam que o Homem, à semelhança do universo, apresenta uma constituição Setenária, cujo corpo físico é a sua expressão mais grosseira.

Didaticamente, compondo o Ego encarnado, temos os quatro primeiros corpos: o Corpo Físico, o Corpo Etérico (ou Duplo Etérico), o Corpo Emocional (ou Astral) e o Corpo Mental (ou Causal). Os três Corpos restantes estão situados em planos mais elevados, e seu estudo foge ao escopo deste ensaio. O Corpo Físico e Etérico são considerados materiais, com matéria em planos ou dimensões diferentes. O Corpo Astral e Mental são os espirituais. Estes quatro juntos compõem a chamada Alma.

Segundo os esotéricos, o GADU expande seus poderes em todos os níveis espirituais, porém, na sua grande maioria, nos planos superiores, onde grande parte da população humana ainda não tem acesso devido sua evolução iniciante.

Tal é a tarefa maçônica: alcançar esses níveis superiores e canalizar estas energias para os planos mais inferiores de forma assimilável, beneficiando não somente seus membros, mas toda uma coletividade circunvizinha ao Templo, que venha a receber seus eflúvios espirituais.

A composição dos cargos não é aleatória, e cada oficial tem uma função importante, pois que também correspondem à composição Setenária universal, conectando-se, cada um, com o plano correspondente à sua função.

O Cobridor Externo de um Templo corresponde ao Corpo Físico do Homem. Como é, habitualmente, o único visto, deve permanecer no lado de fora do Templo, e será a única parte visível do Ritual para os profanos. O Guarda do Templo, ou Cobridor Interno, representa o Corpo Etérico; o Segundo Diácono representa o Corpo Astral, assim como o Primeiro Diácono o Corpo Metal Inferior. As Luzes, ou o Venerável Mestre, o Primeiro Vigilante e o Segundo Vigilante, possuem a representação das energias que fluem para os Corpos Superiores, expressando a Vontade, o Amor e a Inteligência Divinos, as três energias básicas que se originam do Um, do GADU.

Pode-se deduzir, portanto, que os oficiais citados, compõem a “Alma” da Loja, correspondendo, cada um, a um dos planos espirituais que também constituem o Homem.

Segundo C. W. Leadbeater, Irmão Grande Instrutor da Ordem e grande clarividente que teve oportunidade de estudar de forma transcendental o nosso ritual, quando este se processa, cada oficial em sua fala está invocando uma proteção superior, a ser representada por uma entidade espiritual responsável pelo plano de sua representação.

Esta teria sido a disposição inicial dos oficiais de um Templo egípcio em tempos remotos que sofreu algumas modificações no correr dos séculos, sem perder, no entanto, sua representação simbólica e espiritualmente efetiva.

Com este admirável maquinismo maçônico, podemos invocar o auxílio de entidades espirituais que responderão às falas de cada oficial, que correspondem a verdadeiros mantras invocativos, entidades estas que trabalharão em conjunto com todos os elementos da Loja, na dispersão da Luz aos planos inferiores que vivemos.

Por essa razão, entendemos que o Templo Maçônico, e seus rituais, não devem ser utilizados com finalidades outras que não o da religiosidade e do respeito. A Maçonaria não é religião, porém, o objeto de seu culto – o Criador – deve ser reverenciado com um sentimento de profunda religiosidade, pois trabalhamos com energias cósmicas, movimentando-as em nosso favor e da coletividade, realidade que não deve e nem pode ser vivenciada com descaso e puerilidade.

Nosso ritual atua, não somente no interior de seus frequentadores, com o despertar da mente e do coração, senão também no seu exterior etéreo, cuidando que as influências elevadas e purificadoras lhes cheguem constantemente aos diferentes corpos (físico, astral e mental). Quando os Irmãos se concentram na abertura dos trabalhos, no momento mágico da invocação ao GADU, unem-se, todos, a uma força transcendental superior que, pela somatória de suas forças, humanas e espirituais, transcendem suas paredes e se irradiam a grandes distâncias, transformando-se em um grande estímulo intuicional de renovação e melhoria a todos os seres que recebem suas influência, indistintamente.

Pela lógica da dedução, quando centenas de Templos em atividade, no mesmo horário e com os mesmos objetivos, qual não deverá ser a potência vibratória positiva e benéfica dessa Egrégora, a se irradiar sobre a sociedade em que vivemos? Quando o Venerável Mestre solicita a assistência dos Irmãos para a abertura do ritual, este ato tem uma representação transcendental muito maior do que parece. A abertura dos trabalhos é, em si, uma importante e belíssima cerimônia, e o êxito dos trabalhos depende que os mesmos sejas bem e plenamente feitos. Estaremos, durante o tempo necessário para sua execução, invocando forças espirituais superiores e auxiliando a difusão da Luz pelo Mundo material em que residimos.

O Homem evolui em cinco dos sete planos da natureza e possui envoltórios corpóreos correspondentes a cada plano. Por essa razão, necessitamos de forças representativas de cada plano, e cada oficial, além de seus deveres no plano físico, tem a importante função de representar cada um desses planos e servir de centralizador e dispersor destas energias, razão pela qual cada oficial, durante o exercício de suas funções, deve portar-se de forma respeitosa e grave, fechando seu coração e mente a todo pensamento que não corresponda ao objetivo do momento. Estamos, durante os trabalhos ritualísticos, participando do principal objetivo da Maçonaria, a acumulação e distribuição de forças espirituais puras e elevadas, provenientes de planos mais elevados, em comunhão com seres espirituais dedicados a este mister. Trabalhamos com energias cósmicas, movimentando-as em nosso favor e da coletividade, realidade que não deve e nem pode ser vivenciada com descaso e puerilidade, pois, nos permite, ainda que por alguns momentos, participarmos da Obra Universal do Bem.

Autor: Alfredo Roberto Netto 
MM da ARLS União e Solidariedade Nº 387 – GLESP – SP 
Autor do livro “Um estudo Sobre a Fisiologia da Alma”

Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG e da Academia Mineira Maçônica de Letras. Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
Esse post foi publicado em Simbolismo e Símbolos e marcado , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.