A Bem da Verdade

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As pessoas não querem ouvir a verdade porque não desejam que suas ilusões sejam destruídas.”  (Nietzsche)

Compulsando várias fontes de consulta, é pacífico o entendimento de que a Filosofia, no seu sentido literal, significa o amor à sabedoria, e tem seu campo de estudo voltado para problemas relacionados à existência, aos valores morais e éticos, à linguagem e à mente, ao conhecimento e, sobretudo, à Verdade, este um tema assaz sensível e controverso na saga da humanidade.

Afinal, o que vem a ser essa Verdade que provoca discussões acaloradas, dúvidas e questionamentos de toda ordem, gerando incômodos, atritos e conflitos, sedições, estudos e escaramuças para acobertá-la ou contradizê-la quando se manifesta cristalina?

Estudiosos, filósofos, intelectuais, estrategistas, profissionais e curiosos, de todos os matizes, ao longo da história, vêm se debruçando sobre evidências que possam desvendá-la e conduzir a respostas objetivas sobre atos e fatos que caracterizam a realidade nua e crua.

Portanto, todos os que se posicionam no sentido dessas descobertas estão exercitando o amor ao conhecimento e à essência da sabedoria, haja vista que a capacidade de pensar, investigar, especular e refletir sobre a temática não é restrito a um grupo com uma denominação específica ou a uma área notória do saber.

À míngua de expertise sobre o assunto e por fugir ao escopo desta Prancha, não pretendemos nos aprofundar em definições e explanar sobre as várias formas e espécies de verdades objeto de exame pela Filosofia, em suas várias escolas. Porém vale o registro de que a Verdade se situa numa relação de conformidade entre o conhecimento e as coisas consideradas, entre o que o espírito julga e o que de fato é.

O filósofo existencialista Jean-Paul Sartre dizia que o julgamento do fato trata sobre o que é; o julgamento do valor trata sobre o que deve ser. Recomendava sempre “pensar contra si próprio”, no sentido de desconfiar de nossas certezas, questionando-a antes de chegar a uma conclusão (citação de Jean-Bertrand Pontalis – Entrevista  Revista VEJA, Edição 2302, Nº 1, de 02.01.13). Por sua vez, Nietzsche advertia que “não existem fatos eternos, assim como não existem verdades absolutas”. Isso pode ficar entendido partindo-se da premissa da impossibilidade de uma fundamentação do conhecimento humano que é parcial, inacabado e imperfeito.

Segundo o escritor francês Eliphas Levi, pseudônimo de Alphonse Louis Constant (1810 – 1875), em seu livro “A Chave dos Grandes Mistérios” (Ed. Pensamento, 1975, pág. 93), “Para ter a ciência da realidade é preciso ter consciência da verdade. Para ter a consciência da verdade é preciso ter uma noção exata do ser. O ser, a verdade, a razão e a justiça são os objetos comuns das investigações da ciência e das aspirações da fé (…). A ciência procura a verdade em todas as coisas, a fé relaciona todas as coisas com uma verdade universal e absoluta”.

Na mesma obra, numa sequência de perguntas e respostas em torno de problemas filosóficos (pág. 97/98), afirma que “pela analogia e proporção, acima da verdade conhecida está a verdade desconhecida (…). Um homem que age conforme a verdade, a realidade, a razão e a justiça é um ‘homem moral’. E, se pela justiça sacrifica suas tendências é um ‘homem de honra’. E, se para imitar a grandeza e a bondade da Providência, faz mais que o seu dever e sacrifica seu direito ao bem do outro, é um herói. O princípio do verdadeiro heroísmo é a fé”. Na Carta aos Hebreus (11;1), atribuída a São Paulo, “a fé é a certeza de cousas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem”. Portanto, a fé é o exercício da vontade de querer, de acreditar e de confiar.

Conforme citado por Eduardo Carvalho Monteiro em seu livro “O Templo Maçônico e as Moradas do Sagrado” (Editora Maçônica “A Trolha” Ltda., Londrina, 1996, pág.87), diz a ciência hermética do “Caibalion” que “tudo é duplo; tudo tem seu par de opostos; o semelhante e o dessemelhante são uma só coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias-verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados” (grifo nosso).

Em princípio, acreditamos em algo a que chamamos de realidade. Pensamos o que conhecemos pela experiência, que avaliamos com o nosso sentido da visão e a inteligência, orientadas por paradigmas ou idiossincrasias, crenças e verdades que relacionamos entre si. Em algumas circunstâncias isso funciona como um par de óculos desfocados, gerando modelos mentais que inibem a aceitação de novas possibilidades. Porém, essa realidade é por vezes também construída ou fruto de um mito e cada um a percebe de um modo diferenciado.

Essas distorções que comprometem nosso entendimento são muito bem representadas na conhecida “Alegoria da Caverna” ou “Mito da Caverna”, uma passagem de “A República” (Livro VII, Volume II, Clássicos Garnier – Difusão Européia do Livro, São Paulo, 1973 – págs. 105/143), do filósofo grego Platão (400 a.C). A narrativa fala sobre pessoas que viviam presas e acorrentadas desde o nascimento em uma caverna. Lá passavam todo o tempo olhando para uma parede do fundo, de costas para a entrada, que era iluminada por uma fogueira.  Nesta parede podiam ver sombras projetadas de objetos, animais e de outros homens que estavam fora e mantinham a fogueira. Ouviam-se também sons que provocavam a imaginação dos prisioneiros, que associavam às sombras e atribuíam a elas as falas, julgando-as reais. Da mesma forma, davam nomes às sombras e analisavam a situação que se apresentava.

Em seguida, a narrativa cria uma situação em que um dos prisioneiros consegue se libertar e sair da caverna, descobrindo como as sombras eram feitas e a realidade do mundo e da natureza. Segundo Platão, caso o fugitivo decidisse voltar e contar aos companheiros a situação enganosa em que se encontravam, poderia ser ignorado, considerado louco, um inventor de mentiras e absurdos e arriscar-se a ser morto, pois somente acreditam no que enxergam na parede iluminada da caverna.

Como se vê, a linguagem simbólica é um meio privilegiado para induzir à reflexão e transmitir algumas idéias. Com essa alegoria, a caverna simboliza o mundo em que vivemos e Platão provoca nossa imaginação a concluir que temos uma visão distorcida dos fatos, ao acreditarmos apenas em imagens criadas pelas informações que recebemos ao longo da vida, moldadas pela cultura e conceitos apreendidos. O prisioneiro que fugiu é a pessoa que tem a oportunidade de adquirir novos conhecimentos, vislumbrar novas possibilidades, descobrir a verdade e se libertar da sua ignorância, de seu comodismo ou medo, ou de continuar vivendo alienada ou amparada pelas idéias dos outros, em face do livre-arbítrio.

Para termos consciência do contexto em que vivemos, precisamos nos libertar de influências culturais e sociais, caracterizadas por falsas crenças, valores impostos como forma de dominação, alienação e preconceitos que turvam nossa visão e nos mantêm acorrentados a uma situação do tipo “sempre foi assim” ou “em time que está ganhando não se mexe”. Essa situação condiciona a vida ao ambiente à nossa volta e nos priva de conceitos mais evoluídos e novas possibilidades de ver a verdade dos fatos.

Aos menos atentos, é pacífico o entendimento de que a história é povoada de lembranças inventadas representadas por narrativas baseadas em fatos reais e adornados ou preenchidos por fantasias e crenças pessoais ou influências de época, com fronteiras muito tênues entre um lado e outro, restando à verdade dos fatos apenas uma abstração superficial, que pode estar eivada de vícios de interpretação ou servir a propósitos inconfessáveis. Contextos podem ser idealizados e reduzidos a termo em função da trama infinita que as palavras permitem criar, às vezes com desprezo por razão e lógica. De fato, não se pode medir o alcance da imaginação.

Mesmo obras de referência ao tratarem de fatos presentes ou passados não estão isentas de informações resultantes de preenchimento de lacunas com frutos de imaginações criativas ou para dar caráter de verdade irretorquível, mas que na realidade enseja manifestação de fé ou ideologia que o relator coloca em sua obra. Sempre nos deparamos com verdades absolutas, que têm sua utilidade em determinado período e cultura, mas que frente a fatos não se sustentam.

No início da humanidade, as mensagens e registros eram feitos em pedras pelos escribas e encantavam as pessoas comuns, uma vez que essa habilidade era privilégio de poucos que sabiam “fazer a pedra falar” e eram considerados detentoras de grande poder mágico. Vale destacar que à época o analfabetismo era a regra nas comunidades e o conhecimento fruto da tradição oral. Muitos desses escritos se constituíam em mistura de fatos precisos, fragmentos de memórias culturais e mitos enriquecidos e que ganhavam vida própria e chegaram aos tempos modernos com muito poder de convencimento. Muitos considerados autênticos e reveladores.

A comunidade científica também não fica fora de uma avaliação crítica mais acurada. Não se pode olvidar que pesquisas e observações foram reveladas em congressos e viraram manuais. Muitas permitiram a produção de bens, serviços e soluções, formando novos paradigmas que passaram a ser adotados e seguidos como modelos acabados até serem desacreditados e/ou sobrevir uma ruptura provocada por diferentes experimentos, originando versões que substituíram as anteriores.

Com o título “um terço dos cientistas mente”, a Revista SUPERinteressante na sua Edição 309 (setembro/2012, pág.49), apresenta o resultado de uma pesquisa realizada pela Revista Nature em 2005, envolvendo 3247 cientistas, onde “33% confessaram (anonimamente) que fizeram pelo menos uma coisa antiética ao elaborar seus estudos. Por exemplo: 1,5% cometeu plágio, 15,5% adulteraram o método ou os resultados do estudo, e 12,5% usaram dados que sabidamente não eram confiáveis…”.

Nos dias atuais, temos informações em tempo real sobre tudo e quase todos na rede virtual de informações, assim como em revistas, jornais, rádio e televisão, em ritmo alucinante, com imensas possibilidades de escolhas, porém com conhecimentos e verdades restritas. Saber filtrar o que é importante e com credibilidade é um processo que demanda cuidados e atenção redobrados.  O alerta que precisamos manter sempre ligado é para não cair na situação de perigo representado pelo que os ouvidos ouvem o os olhos veem, que levam a mente a acreditar, podendo ser apenas uma ilusão. Podemos estar seguros de que a credibilidade das imagens é relativa.

Assim, a descoberta da Verdade implica sair do mito e procurar entender os fenômenos sociais que nos cercam, objetivando entender o que se passa, tirar as próprias conclusões, formar espírito crítico e reativo. Isso para não dizer que a verdade muita das vezes está na cara, mas não se impõe e, sobretudo, se encolhe, prevalecendo sofismas ou versões manipuladas para atender a objetivos não revelados que passamos a compactuar pela nossa incapacidade de reflexão ou receio de reagir. Não se pode olvidar que muitos, deliberadamente, se colocam em uma situação de cegueira diante dos fatos.

No caso do nosso País, tivemos uma oportunidade recente para exercitar a habilidade de avaliar com clareza os fatos, no campo da prática jurídica, uma situação de repercussão internacional. Com informações disponíveis em tempo real e uma superexposição midiática, assistimos ao emblemático julgamento pelo Supremo Tribunal Federal do caso do “Mensalão”, que se constituiu em uma novela de pouco mais de 50 capítulos, repercutido com comentários de juristas, jornalistas, intelectuais e população em geral.

A perspectiva se abriu a uma maior possibilidade de compreensão pela população brasileira sobre a forma e o conteúdo de um julgamento cercado por discussões entre ministros e analistas especializados acerca dos conflitos de aplicação das leis vigentes, com o recurso da retórica manejado na sua plenitude. O caráter pedagógico das discussões aumentou a conscientização do povo quanto a condutas que deterioram os valores, geram intolerância à corrupção e criam demanda por maiores controles, fiscalização e transparências dos agentes públicos.

script de sempre nos tem demonstrado que na vida social, familiar ou no trabalho, no mercado, como na política, a versão tem mais vitrine do que o fato. Em determinadas situações, aqueles que se sentem prejudicados se tornam porta-vozes de versões que corroem a credibilidade dos fatos. Nesses casos, uma situação passa a ser aquela que um poder maior diz que é a verdade. Povos e governos dotados de maior poder de destruição sempre se consideram senhores da verdade histórica.

O exemplo em política é cartesiano. O que importa são as opiniões abalizadas. Uma opinião, tantas vezes repetida, é aceita sem contestação. É atribuída a Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Adolf Hitler, a afirmativa de que basta contar uma mentira por um tempo suficiente, e ela se torna uma verdade.

A história é testemunha de que, em política, quem expõe a realidade passa a ser considerado de oposição. Aqueles meios de comunicação, como a própria imprensa, perdem o acesso a gordas verbas publicitárias quando adotam tal prática e divulgam textos críticos envolvendo governantes.

A dura realidade sempre demonstrou e é farta de exemplos de campanhas difamatórias orquestradas, interesses privados patrocinados por grupos políticos no poder, excessos praticados, abusos de poder cometidos, direitos individuais cerceados, discursos aperfeiçoados e simulacros passados como se fossem verdades. Tudo isso mostrando que a vontade da sociedade pode ser manipulada por fortes empresários e políticos com o objetivo de aumentar lucros e riquezas, sendo a mídia, pela penetração e credibilidade, um instrumento poderoso de convencimento e difusão de ideias, de forma a transformar mentiras oficiais em verdades acreditadas.

No aspecto religioso, uma área bastante sensível e rica em exemplos, fundamentalistas de todos os matizes se arvoram em deter o domínio da verdade. E essa convicção pode conduzir a fronteiras inimagináveis, movendo multidões de despreparados ou inocentes. Em nome de uma crença, a história narra perseguições, torturas, mortes, às vezes de forma obsessiva. Mas, é inegável o legado daqueles que resistiram e investiram no conhecimento e no saber. Segundo Buda, “o conflito não é entre o bem e o mal, mas entre o conhecimento e a ignorância”.

Veja a alegoria do profeta que possuía um anel, ao qual atribuía o dom da profecia. Seus três filhos, reservadamente, pediram-lhe o anel, cada um com uma argumentação muito particular e nobre. O profeta para atender o pleito, mandou confeccionar três anéis iguais ao seu e lançou o original ao mar. Discretamente, entregou cada uma das cópias aos três filhos, dizendo que aquele era o legítimo. Os filhos acreditaram no ato do pai e se fizeram profetas nas suas comunidades e convenceram a todos que tinham tal poder.

 Não podemos refutar que a convicção de cada um era sincera e acreditavam naquilo que profetizavam, demonstrando que a história dos homens gira em torno de suas crenças. Ademais, se essa atitude do profeta se agiganta na imaginação, se inflama na retórica, desperta emoções e impõe regras e influencia comportamentos, temos uma nova corrente religiosa ou filosófica. Se o respeito e a tolerância não se fizerem presentes como valores indiscutíveis e as paixões se reverberarem, o conflito de instaura.

Outra área bastante emblemática em nossos tempos é aquela representada pelos documentários cinematográficos produzidos em profusão, onde é inegável a incidência de mentiras e simulações, para que tudo pareça real. No mesmo sentido, ainda que se diga que um filme é baseado em fatos reais passados, a linguagem utilizada, combinada a sons e imagens, leva o espectador a se iludir e acreditar que está diante de uma situação real, mexendo com os sentimentos. É a força da sétima arte.

Em áreas de grande apelo popular, como o esporte, temos relatos de vários casos de farsas que muitas vezes surpreendem o mundo quando os fatos vêm à tona. São conhecidos os casos de atletas de competição que apresentam rendimentos inacreditáveis e sustentam uma imagem bem distante dos demais mortais. Muitos mitos são criados nessa seara e se tornam verdades históricas.

Na economia, como em tudo na vida, contra fatos não há argumentos. A inflação no nosso bolso é sempre mais alta do que aquela “oficial” divulgada pelo noticiário. Os índices divulgados não revelam uma alta tão forte como a que percebemos em nossos gastos com produtos e serviços. Segundo discursos especializados, não podemos individualizar os índices com base em nossas cestas de consumo. E ainda temos que acreditar com fervor que é isso mesmo. Essa é a verdade!

Portanto, à luz do que foi acima comentado e a bem da verdade, não é de todo descabido acreditar que nem tudo é como se mostra. Mas, estaremos prontos para encarar a dura verdade e arriscarmos a ter nossas ilusões destruídas, como questiona Nietzsche, conforme citação de abertura desta Prancha?

A propósito, vale destacar um texto de autor desconhecido que circula pela rede, intitulado “A maneira de dizer as coisas”, que narra uma sábia e conhecida lenda árabe sobre um sultão que sonhou ter perdido todos os dentes. Ao despertar, mandou chamar um adivinho para que interpretasse o sonho. O adivinho disse que era o presságio de uma desgraça, pois cada dente caído representava a perda de um parente do Sultão. Este, ao ouvir aquelas palavras, gritou chamando o intérprete de insolente e expulsou-o dos aposentos, ordenando aos guardas que aplicassem cem açoites no pobre adivinho. Mandou, em seguida, que trouxessem outro adivinho e lhe contou sobre o sonho. Este, após ouvir o sultão com atenção, disse-lhe que grande felicidade lhe estava reservada, pois o sonho significava que o Sultão haveria de sobreviver a todos os seus parentes. A fisionomia do sultão iluminou-se num sorriso e mandou dar cem moedas de ouro ao segundo adivinho. Quando este saía do palácio, um dos cortesões aproximou-se e lhe disse admirado que se tratava da mesma interpretação e não entendia porque o primeiro recebera cem açoites e a ele foram pagas cem moedas de ouro.  Respondeu-lhe o adivinho que tudo depende da maneira de dizer.

Conclui o relato que um dos grandes desafios da humanidade é aprender a arte de se comunicar. Da comunicação depende, muitas vezes, a felicidade ou a desgraça, a paz ou a guerra. Que a verdade deve ser dita em qualquer situação, não há duvida. Porém, a forma como ela é comunicada tem provocado, em alguns casos, sérios problemas. A verdade pode ser comparada a uma pedra preciosa. Se a lançarmos no rosto de alguém pode ferir, provocando dor e revolta. Mas se a envolvemos em delicada embalagem e a oferecemos com ternura, certamente, será aceita com facilidade. A embalagem, nesse caso, é a indulgência, o carinho, a compreensão e, acima de tudo, a vontade sincera de ajudar a pessoa a quem nos dirigimos.  Ademais, será sábio de nossa parte, antes de dizer aos outro o que julgamos ser uma verdade, dizer a nós mesmos diante do espelho. E, conforme seja a nossa reação, podemos seguir em frente ou deixar de lado o nosso intento. Importante mesmo é ter sempre em mente que o que fará diferença é a maneira de dizer as coisas…, encerra o citado texto, que convida a uma reflexão.

Portanto, não se pode afirmar que a Verdade pura não exista, mas na realidade se apresenta em diferentes versões, restando-nos o empenho de buscá-la, ou pelo menos aproximarmo-nos dela. Indiscutível é que será sempre o conceito ou o argumento de quem conta a outro que a ouve, envolta no conflito de acreditar nas palavras que se ouvem ou naquelas que a contradizem.

Refletir sobre a verdade é por demais palpitante e exemplos de situações contraditórias são inesgotáveis, chegando a prática de se faltar com a mesma a desenvolver o seu lado cômico, como é o notório 1º de abril, que em culturas ocidentais é consagrado ao dia da mentira. Famosos clássicos infantis, como “Pinóquio” e o “Menino Maluquinho”, exploram essa vertente. A propósito, poucos sabem que 3 de abril é o “Dia da Verdade”.

Para os interessados em aprofundar nos atoleiros envolvendo a temática, e não correr o risco de ter que se salvar puxando seu próprio cabelo, caso ainda os tenha, sugerimos uma busca na Internet do termo “Trilema de Münchhausen ou de Agripa”, cunhado pela filosofia e usado em teoria do conhecimento sobre a impossibilidade de provar verdades com certezas absolutas, inclusive no campo da lógica e matemática.

É nessa perspectiva da especulação, ou no que podemos considerar uma característica bem humorada da cultura mineira, desconfiando sempre com respeito, é que o Maçom escolhe e desenvolve o seu caminho evolutivo. Isso se realiza de forma individual, sem nenhuma interferência da Ordem, não se evidenciando uma investigação dirigida da Verdade, por ferir princípio da liberdade de pensamento e do livre arbítrio.

O Maçom, como livre pensador, tem compromisso com a livre investigação da Verdade e, nesse contexto, movido por questionamentos e inquietações, reflete sobre assuntos de vital importância para a compreensão da história.

Para cumprir o seu desiderato, o Maçom não pode fingir que está tudo bem ou mal e que não tem nada com isso que está por aí. Para tanto, precisa estar sempre atento e dizer não à alienação, à omissão, à mediocridade, ao desinteresse, ser consciente dos direitos e deveres como cidadão. Além de tudo, deve ser um observador qualificado e consciente das realidades que nos cercam de modo a ter uma visão clara dos fatos.

Para o Maçom, esse empenho investigativo é diuturno e é também interior, representado por descobertas decorrentes do pensar, de embates contra inimigos poderosos como as paixões, hipocrisias, fanatismos, ambições, para que a Verdade, enfim, triunfe sobre o erro.

Enfim, sabendo que a evolução é uma constante que independe de nossa vontade, essa busca consciente e isenta dos fatos vem ao encontro do desejo da Ordem de servir à humanidade e torná-la mais esclarecida. O papel da Maçonaria nesse contexto visa a estimular o caráter de seus membros e a promover reflexões sobre a espiritualidade e elevação do nível de consciência e convivência irrestrita e fraternal.

Essa luta transformadora enseja levar seus membros a aprimorarem a capacidade de raciocínio e a se capacitarem como construtores sociais aptos para influenciar a opinião pública e provocar mudanças qualitativas nas atitudes das pessoas, despertando a lucidez e mostrando a realidade.

Jesus disse: “E conhecereis a Verdade, e ela te libertará. (João 8:32)

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Maçom da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da Academia Mineira Maçônica de Letras, e para nossa alegria, também um colaborador do blog.

Nota do Blog

A busca da Verdade, a procura do conhecimento, e o trabalho para o constante aprimoramento intelectual e espiritual devem ser sempre uma meta de todos, em especial dos irmãos maçons,

O pior cego é o que não quer enxergar; mas os iniciados “viram a Luz”, e cabe agora a eles iluminar o caminho da humanidade.

Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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