A abelha na Maçonaria

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Provavelmente a grande maioria dos maçons brasileiros jamais tomou conhecimento da relação da Apis mellifera com a Maçonaria. Realmente este símbolo juntamente com a colmeia só foi incorporado aos “verbetes maçônicos” anos depois da transformação da Maçonaria Operativa em Maçonaria Especulativa. 

Lógico! Afinal fumegadores e melgueiras não são instrumentos de lavradores de pedra (tiller stones), mas o universo apícola é um campo muito fértil para os tiller symbols. E foram justamente eles que deslumbraram toda a mítica das abelhas, colmeias e trabalho cooperativo. 

Com a briga entre os “Modernos” e os “Antigos”, ficaram esquecidas durante muitos anos no Velho Continente, de maneira oposta, no Novo Continente seu simbolismo foi conservado e exaltado.

Visitando o museu maçônico da Grande Loja Unida da Inglaterra, os Irmãos encontrarão abelhas e colmeias ilustrando diplomas, páginas de rituais, objetos de decoração maçônica e até aventais, comprovando a admiração que nós maçons devemos ter por esta criatura de Deus que sabe o valor de edificar uma casa. 

Mais do que uma casa, um Lar e compreendendo que em um espaço físico onde convivem harmoniosamente seus habitantes, podemos dizer que ali é um “espaço sacro”, um Templo. 

Talvez algum Irmão tenha esboçado um sorriso enquanto pensava: – Imagina! Uma colmeia sendo um Templo Maçônico! 

E porque não! Será que apenas o homem com sua pseudo racionalidade, tem em seu DNA os registros de ser criado a semelhança do Criador? Além do mais na “Colmeia Templo” temos três classes, a Venerada Rainha, os Eminentes Zangões e as Irmãs Operarias. 

Nosso Irmão Albert Gallatin Mackey (1807-1881), foi um dos mais proeminentes maçons de seu tempo, foi Instrutor e Grande Secretário da Grande Loja da Carolina do Sul e Secretário Geral do Supremo Grande Conselho do REAA da Jurisdição Sul dos USA. Além dos Landmarks copilados e de vários livros maçônicos deixados para as futuras gerações de maçons, ele escreveu sobre as abelhas: 

“Devemos (nós maçons) observar as abelhas e aprender como são laboriosas e que notável trabalho elas produzem, prevalecendo os valores da sabedoria, apesar de serem frágeis e pequenas” 

Mas foi um Irmão do Rito de York que mais valorizou o comprometimento das abelhas em seu labor. Thomas Smith Webb que em 1797 publicou um pequeno livro que teve várias reedições (século XVII e XIX !!!) intitulado “Monitor do Maçom” que até hoje é estudado e adotado por muitas Grandes Lojas dos USA (Monitor de Webb).

Ensina o Irmão Thomas:

“A Colmeia é um emblema de indústria e operosidade. Ela nos ensina a prática dessas virtudes a todos os homens. Viemos ao mundo como seres racionais e inteligentes. Como tais, devemos sempre ser trabalhadores, jamais nos entregando à preguiça quando nossos companheiros necessitarem, se estiver em nosso poder auxiliá-los. Aquele que não buscar trazer conhecimentos e entendimento ao todo, merece ser tratado como um membro inútil da sociedade, indigno de nossa proteção como Maçons.”

E ao descobrirmos que uma abelha operária vive no máximo dois meses, devemos refletir que a vida realmente é muito curta. E não devemos contar os dias como sendo como o despertar das manhãs, mas sim o labor das tardes.

A abelha operária também tem sua graduação: Seu primeiro estágio ou grau, é o básico, executa pequenos trabalhos de ir e vir, cuidando principalmente da faxina, seu número é o três, afinal a partir do quarto dia, ela é elevada a outras obrigações.

Agora acompanham e abrilhantam os trabalhos das irmãs mais experientes. Seu titulo é de nutrizes. Recebem as substâncias (instruções) das outras, fazendo dentro de si uma mistura de pólen, mel e água e regurgitam nos alvéolos em que existam larvas (candidatas???) e também cuidam da Venerada Rainha.

Mas chega a hora em que adquirindo instruções superiores elas são promovidas a “Mestres de Obra” e vão trabalhar construindo os favos e as paredes da colmeia. Com níveis, esquadros e prumos divinos executam seus trabalhos com fervor e zelo. 

Ao final do terceiro ciclo de sete dias, elas se desinstalam da colmeia e passam a trabalhar no campo. Recolhem água, pólen, própolis e néctares, tudo para a manutenção e sobrevivência das futuras gerações. 

Estas são as abelhas que admiramos, as que vemos voar de flor em flor, preocupada apenas com o labor. Esta abelha é chamada de “Campeira” e como bom seria se tivéssemos um número cada vez maior de “Maçons Campeiros”. 

Aquele Irmão que saí a campo, procurando conhecimento e entendimento, visando apenas compartilhar o que colheu com seus Irmãos em Loja. Assim realmente se torna um elemento útil a nossa sociedade e digno de nossa admiração e proteção.

Autor: Sérgio Quirino Guimarães  

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Autor: Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Academia Mineira Maçônica de Letras. Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com

Uma consideração sobre “A abelha na Maçonaria”

  1. Todos deveriam agir mais de forma campeira. Esta forma torna o mundo mais agradável, mais solidário, mais humano.
    “De flor em flor” aproveitando e cultivando as belezas da vida…
    #SejamosTodosAbelhas
    #OrgulhoDeFazerParteDaColmeia

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