O Rito da Circunvolução

O rito da circunvolução é um símbolo ritualístico que vem em apoio da identidade da Francomaçonaria com as cerimônias religiosas e místicas dos antigos.
 
“Circunvolução” é o nome que os antigos estudantes da arqueologia sagrada davam ao rito religioso praticado nas antigas iniciações, o qual consistia em fazer uma procissão em redor do altar ou de outro objeto consagrado e santo.
 
Este rito parece ter sido praticado universalmente pelos antigos, e a princípio fazia alusão ao curso aparente do sol no firmamento, que vai do oriente para o ocidente, pelo sul.
 
Na antiga Grécia os sacerdotes e o povo giravam ao redor do altar cantanto hinos e odes sagradas enquanto realizavam os ritos de sacrifício. Somente os sacerdotes podiam dar três voltas em torno do mesmo, circulando pela direita e pulverizando-o com água e colocando alimentos.
 
Ao fazer a circunvolução era necessário que se iniciasse pelo lado direito do altar, e por conseguinte que a procissão se movesse do Oriente para o Sul e do Sul para o Ocidente e para o Norte até chegar novamente ao Este. Dessa maneira se representava aparentemente o curso do Sol.
 
Os gregos diziam que essa cerimônia se dirigia da direita para a esquerda, pois esta era a direção do movimento do sol, e os romanos chamavam esse movimento de dextrovorsum ou dextrorsum, que significam a mesma coisa,[1] Por exemplo: “Plauto teria dito a Palinuro, personagem de sua comédia Curculio: “se queres reverenciar aos deuses, deem voltas a seu altar, a fim de que possam proteger suas mãos da pedra e da argamassa.”[2]…
 
O importante é enxergarmos o Sol como enxergavam os antigos, ou seja como divindade e como vida e não somente como um astro, ou como o astro-rei.
 
Todos sabemos que os altares ou Aras foram e ainda são símbolos das religiões. Nos primórdios neles eram realizados sacrifícios de oferendas vivas aos seres sagrados. Um desses episódios bíblicos é o que se refere ao sacrifício proposto a Abraão do seu primogênito. No mitraísmo o touro era sacrificado com muita violência e dor ao Deus Invictus, representado pelo Sol.
 
O Círculo é o símbolo da Criação, do Universo e do espaço/tempo que são infinitos.
 
A figura geométrica do círculo liga o profano ao Divino. Seja Parâmartha = o desconhecido – para os Hindus, onde se sobressai SHIVA, o deus da libertação; seja o Absoluto, o Altíssimo, para os Cristãos; seja o oniabarcante (local para onde retornaremos) – para os babilônios e os astecas; seja os sublimes valores dos nativos do continente americano. O Círculo representa o Sol, associado ao princípio da Vida e de todas as coisas e portanto, A GERAÇÃO, conservação e sustentação da Vida e esotericamente o próprio ESPÍRITO.
 
A Circunvolução é observada, em várias religiões. Conservamos assim, os atos correspondentes praticados, nos antigos mistérios, egípcios, hindus, gregos, romanos, celtas, indo-iraniano e outras religiões. O número de evoluções, os textos, as orações, os hinos, os cantos exclamados, variavam de acordo com o emprego e a origem desses inúmeros Ritos. Na Índia por exemplo, em reverência a um morto nobre a Circunvolução é cumprida com grande exatidão e respeito.
 
Pela disposição bem ordenada de todos os trabalhos, a fim de que cada um dos participantes possa tirar todo o proveito da Força, da Beleza e da Sabedoria da Maçonaria; pelo nosso sentimento de dedicação absoluta de um Irmão para com outro; pela nossa franqueza e pela nossa sinceridade; pela conformidade com o direito e pela virtude de se dar a cada um aquilo que desejamos para nós mesmo, ou pelo menos aquilo que já se possui, vamos respeitar as prescrições, praticar com mais cuidado, afeição e pertinácia o Ritual da Circunvolução em Loja.
 
O Templo é um local sagrado, dínamo vivo de energias infindáveis e é por isso que devemos cuidar bem dele no macro e no microcosmo. Da mesma forma que cuidamos da construção física devemos cuidar da construção espiritual.
 
Nossas vibrações procedem da nossa mente que em harmonia também é uma fonte de energia. Quando estamos nessas condições atraímos coisas boas, produzimos sentimentos bons e, consequentemente, inundamos nossos templos individuais de energias positivas e com elas poderíamos transformar o mundo.
 
 
A CIRCUNVOLUÇÃO EM LOJA
 
Antes de questionar como devemos circular em loja, temos que precisar bem os termos usados.
 
O movimento do ponteiro do relógio é sinistrorsum, ou seja, vai da esquerda para a direita. O sentido inverso é o dextrorsum, realiza-se da direita para a esquerda.
 
Para melhor esclarecer, diremos que o sentido dextrocêntrico se faz quando nos voltarmos tendo constantemente a direita voltada para o interior e a esquerda para o exterior do círculo, e o sinistrocêntrico quando nossa esquerda ficar voltada para o interior do círculo, e a direita para o exterior.
 
De um modo geral, a direita é considerada benéfica e a esquerda maléfica nas figurações estáticas, (entre os áugures romanos, o que “ficava á esquerda” era desfavorável e de “mau agouro”, daí veio o significado da palavra sinistro).
 
Com efeito, as circum-ambulações sinistrocêntricas estão ligadas, na maioria das vezes, a operações nefastas.
 
René Guenón chama estes movimentos de polar e solar. Em seus primórdios, a Maçonaria Operativa adotava a circulação polar ou sinistrógira (no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio), e de acordo com este ritual, o “Trono de Salomão” era colocado no Ocidente, e não no Oriente, a fim de permitir que seu ocupante “contemplasse o sol ao nascer”. Atualmente, a Maçonaria Especulativa adota em seus rituais a circulação solar ou dextrógira (sentido dos ponteiros do relógio). Em sânscrito, o sentido dextrocêntrico chama-se pradakschina, e que está e um uso, particularmente nas tradições hindus e tibetanas, enquanto que o sentido sinistrocêntrico encontra-se notadamente na tradição islâmica.
 
É interessante notar que o sentido das circum-ambulações corresponde igualmente á direção da escrita nas línguas sagradas dos respectivos povos.
 
A rotação real do sistema solar é sinistrocêntrica. Por conseqüência, como a Loja representa o Universo, e os Oficiais, os Planetas, parece lógico fazer com que estes circulem no sentido real. Mas neste caso entramos em choque com a tradição, que considera todo movimento sinistrocêntrico maléfico. De qualquer modo, é necessário e imprescindível que se adote um sentido “ritual” de circulação, e inadmissível que se faça indiferentemente num sentido ou no outro. No R E A A , adotamos o sentido dextrocêntrico
 
 
Pesquisa feita por José Roberto Cardoso
Mestre Maçom – GLMDF
 
 
BIBLIOGRAFIA
 
 
– Arbert Mackey. El Simbolismo Fracmasónico – pag. 124 – Capítulo XXI – EL RITO DE LA CIRCUVALACIÓN .[4]
– Portal Maçom – Ir.´. Tibério Sá Maia
Jules Boucher – A Simbólica Maçônica – Ed. Pensamento
Portal da Maçonaria – https://sites.google.com/site/portaldemaconaria/trabalhos-e-pesquisas/licoes-de-aprendiz/o-rito-da-circunvolucaoi – Irmão José Courinho Neto.
[1] Dextro = direita
[2] Tito Mácio Plauto (em latim Titus Maccius Plautus; Sarsina, cerca de 230 a.C. – 180 a.C.) foi um dramaturgo romano, que viveu durante o período republicano
[3] ablução
s. f.1. Lavagem; purificação por lavagem.2. Vinho e água com que o celebrante lava os dedos e o cálice, na missa.3. A parte da missa em que essa cerimónia é praticada
[4] Albert Gallatin Mackey (12 de Março de 1807 – 20 de Junho de 1881), foi um médico americano, e é mais conhecido por ter sido autor de vários livros e artigos sobre a Maçonaria, sobretudo, nas Landmarks da Maçonaria. Ele serviu como Grande professor e Grande Secretário da Grande Loja de Carolina do Sul; e Secretário-geral do Conselho Supremo do Antigo e Aceito Rito da Jurisdição Sul dos Estados Unidos

Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG e da Academia Mineira Maçônica de Letras. Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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Uma resposta para O Rito da Circunvolução

  1. Na versão traduzida para o português do livro de Mackey, O Simbolismo da Maçonaria, esse movimento é chamado de Circumambulação, apenas por curiosidade.

    O leitor mais atendo deve ter observado que o movimento aparente do Sol do leste para o oeste, passando pelo sul, não corresponde à nossa realidade. Mas aí devemos lembrar que tanto a Maçonaria quantos os Antigos Mistérios tiveram sua origem na Europa, ou em outras regiões do hemisfério norte, e lá sim o Sol faz seu caminho pelo sul.

    Por esse motivo também (o Sol fazer seu percurso pelo sul) é que o Aprendiz se senta ao norte, onde simbolicamente não há luz.

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