A Interpretação e o Entendimento dos Símbolos – 1ª Parte

O-Templo-e-os-Símbolos.-Louça-Roanne

A Simbologia das ordens Herméticas, sejam elas secretas ou meramente fechadas – como é o caso da Maçonaria (a qual irei voltar as explicações), é de extrema importância para o entendimento de sua senda e para o Irmão que adentra neste caminho, nesta nova vida, nesta grande escola iniciática de mistérios. Seus ensinamentos e seu entendimento são de fundamental importância para aquele que almeja cada vez mais ascender em seu rito, de acordo com seu merecimento. Trata-se de uma alegoria tão rica em beleza, significados e conhecimentos, que são indispensáveis àquele frater que busca o seu aprimoramento e sua evolução espiritual dentro da Ordem, e seu entendimento, sua aprendizagem a respeito de tal simbologia é digna somente, e tão somente, daquele que a entender integralmente, apenas para si e para o seu eu interior, não podendo ser divulgada, apenas partilhada entre os irmãos que do mesmo merecimento possuírem, pois tal simbologia trata não somente de pura alegoria, mas também de grandes e fortes significados espirituais.

Baseado na análise de um texto escrito pelo português Fernando Pessoa, o presente trabalho realiza uma estudo sobre as cinco condições ou qualidades para o perfeito entendimento e interpretação dos símbolos. Estas condições seriam a Simpatia, a Intuição, a Inteligência, a Compreensão e a Graça ou Revelação. Seu conteúdo pode ser aplicado aos símbolos das mais diversas origens, tanto maçônicas, religiosas ou profanas.

1 – Introdução

A Ordem Maçônica baseia os seus muitos princípios e os seus diversos ensinamentos em símbolos e rituais. Podemos afirmar que uma das principais características da Maçonaria, seja justamente aquela de procurar velar e proteger os seus muitos segredos dos olhos daqueles que ainda sejam considerados profanos. A maneira encontrada pela Ordem Maçônica para ministrar os seus muitos segredos e ensinamentos aos seus Iniciados, é procurar sempre faze-lo utilizando-se de símbolos e metáforas (CAMPANHA, 2003, p.38). Esta Simbologia Maçônica, sua interpretação e o seu entendimento são as ferramentas utilizadas pelos maçons para os seu constante escavar de masmorras ao vício e no seu permanente edificar e levantar de templos às virtudes:

Para tornar sua doutrina mais facilmente assimilável, como também para inspirar conceitos mais amplos, a Maçonaria transmite seus ensinamentos por meio de símbolos. Cada maçom vê nestes símbolos conforme o seu grau de evolução, sem contudo afastar-se dos fundamentos da doutrina (…)” (GRANDE LOJA DO PARANÁ, 2000, p.3).

Em seu “Dicionário de Maçonaria”, uma obra que consideramos fundamental, Joaquim Gervásio de Figueiredo, nos coloca uma interessante definição da Ordem Maçônica, em que procura destacar a importância da utilização de símbolos para a difusão dos princípios maçônicos:

A Maçonaria é um sistema sacramental que, como todo sacramento, tem um aspecto externo visível, consistente em seu cerimonial, doutrinas e símbolos, e acessível somente ao maçom que haja aprendido a usar sua imaginação espiritual e seja capaz de apreciar a realidade velada pelo símbolo externo (…)” (FIGUEIREDO, 1998, p.231).

Na Maçonaria a maior parte dos símbolos e metáforas que são utilizados, provêm da antiga atividade profissional e corporativa dos pedreiros medievais. Construtores que eram, principalmente de Igrejas, grandiosas Catedrais, sólidos castelos e fortalezas, os pedreiros medievais organizados em uma Corporação, constituíam a Maçonaria Operativa que evoluiu para as Organizações Maçônicas Simbólicas e Especulativas contemporâneas.

Podemos, com base no trabalho desenvolvido pelos pedreiros medievais, concluir que existiam três diferentes grupos de instrumentos operativos. Cada um destes instrumentos estava ligado a uma das fases da construção. Cada fase exigia do construtor um nível diferente de conhecimento para a sua execução e finalização:

  • A medição ou especificação do tamanho e do formato das pedras;
  • O desbaste, adequação das formas e o polimento para dar o acabamento adequado às pedras;
  • A aplicação e o assentamento das pedras na construção.

Estes conjuntos de instrumentos necessários a execução de cada etapa da obra, indicam na Ordem Maçônica, simbolicamente os diversos Graus que nela existem. Cada Grau, representa, dentro da organização de cada Rito Maçônico, todo um conjunto de conhecimentos que são considerados necessários ao aperfeiçoamento e ao crescimento moral e ético dos Maçons.

Uma das muitas certezas que a vida em sociedade e a evolução do conhecimento humano nos deram, foi a de que nem todos os homens assimilam de maneira semelhante as mensagens da Simbologia Maçônica. Como se coloca em alguns rituais: devemos pensar mais do que falamos. A reflexão e a consequente meditação são essenciais à compreensão da linguagem maçônica. O avanço pelos diversos graus, portanto, não deve ser considerado pelo tempo que esta sendo empregado, não devem ser conduzidos pela pressa. o que deve ser levado em conta é o esforço individual e o desprendimento pessoal de cada Maçom, conforme o seu potencial e capacidades para poder galgar com segurança e sabedoria os degraus da Escada de Jacó.

A linguagem simbólica ou metafórica é característica das sociedades iniciáticas, pois exige-se do interprete dos símbolos, na maioria das vezes, um conhecimento que somente será possível existir se este já for um iniciado naqueles mistérios, cujos símbolos se pretende analisar. Este contato possibilita uma maior familiaridade e um convívio mais profundo e significativo. E este é, ao nosso ver, o caso da Maçonaria.

Herdeira espiritual das Sociedades Iniciáticas da Antiguidade, a Maçonaria perpetua o tradicional método iniciático na ensinança de suas doutrinas. Por este sistema que se funda no simbolismo, isto é, na interpretação intuitiva dos símbolos, o ensino maçônico torna-se muito pessoal e praticamente autodidático. É com efeito, como tão bem explicou o eminente escritor maçom J. Cornelup: ‘O próprio de um símbolo é de poder ser entendido de várias maneiras, segundo o ângulo sob o qual ele é considerado’, de modo que ‘um símbolo admitindo apenas uma única interpretação não será verdadeiro símbolo’ (…)”. (ASLAN, 2000, p.5).

Procuramos considerar neste trabalho, que a Maçonaria seja acima de tudo e antes de qualquer outra consideração a seu respeito, apresentada como uma sociedade iniciática. O indivíduo, que é denominado simplesmente de profano, somente consegue adentrar a Maçonaria através de um cerimonial próprio de iniciação. A cerimônia de Iniciação, somente encontra paralelos quando é comparada a um “Rito de Passagem”, evento comum a muitas culturas e mesmo civilizações ao longo da história.

“(…) os ritos de passagem se associam às grandes mudanças na condição do indivíduo. As principais transições marcadas por estes ritos são o nascimento, a entrada na vida adulta, o casamento e a morte.

Tais ritos costumam simbolizar uma Iniciação. O nascimento é a iniciação na vida, enquanto a morte é a iniciação em uma nova condição no reino dos mortos, ou na vida eterna.

De uma forma ou de outra, todas as sociedades tem ritos de passagem, mesmo aquelas em que a religião não desempenha nenhum papel na vida pública. Em geral, é grande a importância deles nas culturas agrárias, nas religiões primais. Nestas, os ritos de passagem estão claramente ligados às noções de tabu. Tabu é uma palavra polinésia adotada pelos historiadores da religião para indicar uma severa proibição, restrição ou exclusão, e se aplica a algo que é considerado perigoso ou impuro (…)” (HELLERN, 2000. p.28)

Partindo deste pressuposto, podemos colocar que a ocasião representada pela Iniciação Maçônica, pode ser concebida como um novo nascimento, ou ainda mais claramente, trata-se de um nascimento maçônico, onde o neófito é submetido a diversas provas ritualísticas, que irão demonstrar a sua coragem, força de espirito e determinação em adentrar a ordem:

(…) O iniciado é pois um homem que se libertou de paixões, de constrangimentos e de superstições, pode avançar no desconhecido, nas trevas da ignorância, apoiado no conhecimento que ganhou sobre si próprio e sobre a Natureza, e depois partilhar com outros este estado de elevação da sua consciência.

O iniciado é pois alguém que atingiu a Luz, a compreensão de si, dos outros e da Natureza, e assim goza, com discrição, do saber e o poder adquiridos, antecipa o futuro, trabalha o presente, e recorda-se do passado. O verdadeiro iniciado não se abate, não desiste, não se rende aos homens sem espiritualidade (…) A iniciação maçônica é típica das sociedades secretas, em especial das corporações de mesteres da idade média (…)” (CARVALHO, 2002, passim)

Continua…

Autor: Roberto Bondarik
ARLS Cavaleiros da Luz Nº 60 – GLP
Oriente de Cornélio Procópio-PR

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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Uma resposta para A Interpretação e o Entendimento dos Símbolos – 1ª Parte

  1. Luis Henrique ivanovski disse:

    Saudações fraternais.
    Texto fantástico e enriquecedor..

    Curtido por 1 pessoa

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