A Geometria e a Trindade

A verdadeira viagem de descoberta não consiste em procurar
novas paisagens, mas em ver com novos olhos.
Marcel Proust

Apresentação

Este artigo é resultado de uma interessante conversa virtual surgida no Círculo Hermético[1], mais especificamente com o irmão Bearzoti, a respeito das possíveis abordagens da questão da tríada e suas ramificações místicas.

Note-se que o objetivo não é, sob nenhuma hipótese, questionar ou ferir conceitos religiosos de qualquer espécie, nem de dar a última palavra sobre um assunto que já foi tema de estudo de filósofos e teólogos dentre os mais eruditos da história, e de estudiosos dos mais diversos campos de conhecimento. De todo modo, e é isso que motivou sua elaboração, até onde podemos perceber, é uma matéria que permanece inesgotada e inconclusa.

Esperamos, portanto, que esta visão venha acrescentar algo, por pouco que seja, a este debate secular.

Tales e Pitágoras

Os gregos, portadores e divulgadores dos conhecimentos geométricos para o mundo ocidental, adquiriram este saber dos egípcios e dos povos mesopotâmicos, entre outros.

O estudo aprofundado dos números na cultura grega tem início com Tales de Mileto, pensador e filósofo que teria vivido entre 624 e 543 a.C. e que, segundo Diógenes Laércio[2], foi o primeiro dos Sete Sábios da Grécia antiga. Em uma viagem ao Egito – que deve ter ocorrido entre os reinados de Psamtek I e Psamtek II – teria sido iniciado sacerdote numa religião de mistérios (possivelmente de Ptah, deus da construção em pedra e dos artesãos em geral[3]). Interessado em desvendar os enigmas que cercavam a criação de edificações, passou a estudar como a sombra das pirâmides se projetava nas areias em torno delas e quais as relações que as sombras guardavam com as pirâmides reais. Estabeleceu, desta forma, os fundamentos matemáticos da semelhança de triângulos e, segundo conta a história, com base neles teria calculado a altura da pirâmide de Quéops a pedido do faraó. Com isso, deu início à área de conhecimento que hoje chamamos de geometria plana. Elaborou o teorema que leva seu nome, definindo relações lógicas entre proporções geométricas. Atribui-se também a ele o uso, pela primeira vez, do raciocínio dedutivo aplicado à geometria, no que poderia ser considerado o primeiro indício da Arte Real. Tales viveu cerca de 81 anos e teria aproximadamente 54 anos quando Pitágoras nasceu.

Pitágoras (571 – 497 a.C.) viveu numa época em que a cultura grega estava dando início ao seu período áureo e foi um de seus precursores. Dizem que, a exemplo de Tales, também foi iniciado nos mistérios egípcios[4] e que teria viajado para se instruir com os mesopotâmicos e, talvez, com os indianos. O fato é que, concluídas as suas viagens de estudos e de volta ao seu país, possivelmente inspirado nos mistérios a que teve acesso, fundou em Crotona uma escola esotérica, dedicando-se ao ensino da geometria, ao que tudo indica com base no método de raciocínio dedutivo de Tales. Concebeu uma sofisticada teologia que incluía astronomia, música, técnicas de autoconhecimento, regras alimentares e higiênicas, conceitos espiritualistas, como a crença na reencarnação das almas e, especialmente, – que é a que mais interessa para a finalidade deste artigo – a composição matemática do universo. Suas teorias e idealizações foram de tal modo importantes, que acabaram por influenciar tudo o que daí em diante se fez no mundo ocidental em termos de ciência e religião. A exemplo de outros homens sábios de sua época, durante muito tempo foi cultuado como uma divindade.

Pitágoras dividia seus discípulos em dois grupos: matemáticos e acusmáticos. Os matemáticos – a palavra matemática se origina do grego μαθηματικά (máthēmatika), “o que se aprende” que, por sua vez, provém do grego antigo μάθημα (máthema), que quer dizer “campo de estudo ou instrução” – eram os discípulos iniciados nos mistérios, que obrigavam-se a um estilo de vida monástico e tinham acesso ao conhecimento esotérico de seu mestre. Já os acusmáticos – do grego ακουσμα (akousma), “som imaginário ou do qual se desconhece a causa” – eram praticantes comuns dos preceitos pitagóricos e, como tais, tinham apenas acesso à porção exotérica da doutrina.

O ensinamento pitagórico aos matemáticos consistia em instruí-los no uso da razão e no desenvolvimento da ciência dos números, para que, dominados estes fundamentos, os aplicassem aos demais campos de conhecimento.

O estudo dos números tinha como base a geometria[5], e tudo leva a crer que foi inspirado nas figuras geométricas que Pitágoras enunciou a sua teologia. Numa cultura como a grega, imersa em lendas, mitos e fábulas de todos os tipos, imagine-se o impacto, na mente de seus discípulos, da constatação de que as relações geométricas eram governadas por uma “inteligência intrínseca” – a lógica. Quanto mais mergulhavam neste novo saber, mais ficava evidente que ele poderia ser estendido a tudo. Se, portanto, essa inteligência existia, seu possuidor seria, possivelmente, e até onde a compreensão poderia alcançar, o deus criador de todas as coisas[6]. Tendo isso como pano de fundo, os alunos de Pitágoras entregavam-se ao estudo da geometria como se estivessem decifrando a maneira de pensar deste deus.

Não obstante dezenas de pitagóricos tenham escrito sobre seu mestre, o próprio Pitágoras não deixou nada de próprio punho ou, pelo menos, nada do que ele possa ter escrito chegou aos dias de hoje. O que efetivamente conhecemos dele nos foi transmitido através da obra de terceiros, nenhum dos quais chegou a conhecê-lo. Embora Platão o mencione, a primeira fonte sobre Pitágoras à qual pode ser atribuído caráter histórico é Aristóteles, mas mesmo este nasceu mais de um século depois de sua morte. Assim sendo, é provável que muitos dos seus ensinamentos originais tenham se perdido.

Não obstante, é possível, inspirando-nos nos escritos de seus seguidores e munidos de um esquadro, um compasso e de uma dose de criatividade, tentar empreender a viagem intelectual trilhada por seus discípulos, buscando, através do exercício geométrico, entender o que o mestre grego concluiu e ensinou.

Estudando o simbolismo geométrico

Tudo no universo evolui do mais simples para o mais complexo. Na geometria não poderia ser diferente. Assim, ao estudá-Ia, nada mais natural do que começarmos pelo ponto.

Um ponto é um elemento apenas conceitual, uma abstração. Não possui largura, altura, área, comprimento ou qualquer outro atributo mensurável. É adimensional. Pode ser definido como uma esfera perfeita de tamanho zero. Pode estar localizado em qualquer lugar do espaço e geometricamente só passa a fazer sentido quando o determinamos. Para facilitar, representamos o ponto como um pequeno círculo. Assim:

Mônada

O ponto contém, em potência, todas as figuras geométricas. Quem quer que se interesse por física perceberá a incrível semelhança entre o ponto geométrico e o ponto inicial do big bang, onde não há tempo, matéria ou espaço. Onde tudo e nada coexistem. Pode-se, sem medo de errar, dizer que são o mesmo ponto.

Por estas características, os pitagóricos viam o ponto como o arquétipo por excelência. Como o mundo é composto de formas e todas as formas potencialmente emanam do ponto, então talvez essa fosse uma representação adequada – um símbolo – do deus criador. Estava, pois, conceituada a mônada[7], Consequentemente, associou-se ao ponto um número capaz de representar o arquétipo e que, como tal, guarda em si todos os demais números: o Um, o Alfa grego.

As noções geratrizes associadas ao ponto e, por consequência, à mônada e ao Um, embora possam estar expressas em termos diferentes, estão presentes em todas as religiões monoteístas e são geralmente chamadas de onipotêncla[8].

O círculo é uma manifestação espontânea do ponto. É do ponto que o círculo extrai sua forma, através do cordel ou do compasso. Toda criação geométrica é possível dentro do círculo e, portanto, pode-se dizer que um círculo define o “campo de influência ou manifestação” do ponto, seu universo.

A metáfora do ponto ou centro da circunferência como unidade primordial, da qual provêm todas as coisas, é talvez a mais bela imagem simbólico-religiosa que a mente humana já produziu[9], Dela derivam inesgotáveis possibilidades arquetípicas, exploradas com diferentes matizes por grande parte das tradições esotéricas do mundo, sempre trazendo luz à nossa tênue visão da Divindade.

Numa etapa seguinte, o ponto original, no limite de sua “energia”, produz outro ponto, réplica idêntica e, portanto, indistinta, de si mesmo; um outro centro que, como o primeiro, manifesta uma circunferência e que também contém em si todas as possibilidades geométricas. No campo das simbologias podemos comparar este processo a um parto, uma delivrança, cujo resultado é o afastamento máximo da mônada resultante dentro do mesmo campo de manifestação (o círculo), porém com uma possibilidade potencial de reversão, ou seja, o ponto de origem existe também como o único eventual ponto de retorno. O representamos assim:

Díada

Às duas mônadas dá-se o nome de díada[10], que numericamente é expressa pelo Dois ou pela letra grega Beta.

As duas mônadas nada criam entre si a não ser uma “força linear” de atração/repulsão virtualmente instável, que em geometria pode ser expressa por um segmento de reta. O deus criador agora dispõe de uma imagem de si que, por sua vez, também é um deus criador. A mútua percepção lhes confere a faculdade da consciência. E, tendo-se em conta que cada um contém em si todas as possibilidades, ao perceberem-se reciprocamente adquirirão a onisciência[11].

Em busca da estabilidade, as duas mônadas se confrontam e, como resultado da força de ambas, surge uma terceira mônada idêntica, equidistante e indistinguível das duas primeiras, que opera o fantástico e maravilhoso evento que é trazer à existência a primeira e mais fundamental figura geométrica: o triângulo. A partir dela tudo passa a ter dimensão, o potencial que jazia latente vira realidade, um número infinito de possibilidades é inaugurado e tudo se torna materialmente passível de ser criado. O todo não é mais um imenso vazio.

Ao conjunto das três mônadas denomina-se tríada que, numericamente, é expressa pelo número Três ou pela letra grega Gama. Geometricamente pode ser assim representada:

Tríada

Segundo Jâmblico[12], “Pitágoras diz que os homens oferecem três libações aos deuses e que Apolo profetiza em seu trípode porque o número surge, pela primeira vez, com o três.” E acrescenta que a tríada ” … é a primeira a tornar reais as potencialidades da Mônada.”

Carl Jung diz: “… toda tensão entre opostos culmina em liberação, da qual surge o “terceiro”. No terceiro, a tensão é resolvida e a unidade perdida é restaurada.”

O Tao Te Ching, obra inspiradora do taoísmo, também afirma que “O Tao deu à luz o Um, o Um deu à luz o Dois, o Dois deu à luz o Três, o Três deu à luz as inúmeras coisas.”

O triângulo, primeira criação ou criatura geométrica, prescinde, portanto, de três mônadas ou deuses criadores para existir. Só com o concurso dos três é que se torna possível a suprema manifestação que está no cerne de tudo que existiu, existe e existirá.

Ao meditar-se sobre a tríada, uma das considerações possíveis é que os três pontos ou mônadas que a originam são “desdobramentos” do mesmo deus criador, ou seja, em essência são todas um só deus. Portanto, é desnecessário – embora não incida em erro – atribuir a elas qualquer nome ou identificação, a menos que isso tenha algum significado geométrico, mesmo porque – insistimos – elas são indistintas. Talvez por isso à tríada também se aplique a máxima hermética: “O que está embaixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está embaixo; por tais coisas se fazem os milagres de uma coisa só.”

Conclusão

Haveria muito mais a se falar e meditar a respeito do universo geométrico. Como dissemos, o início do desenvolvimento da ciência ocidental foi fruto de observações e estudos de geômetras-construtores como Tales e Pitágoras, iniciados nas religiões de mistério. Não só a matemática, mas a física, a química, a filosofia e, por consequência, os demais ramos de conhecimento que regem o mundo atual, são herdeiros da fabulosa capacidade criativa dos sábios gregos, de seus antecessores e de seus discípulos e seguidores.

Não precisamos nos ater a dogmas para perceber que há uma lógica subjacente a todas as coisas do universo. O fato de haverem escrito inúmeros tratados e compêndios acerca da trindade, não deveria a priori ser visto como resultado de sua complexidade intrínseca – já que ela é simples – mas sim como decorrente do fato de que muitos pensadores preferiram vê-la como um conceito inexpugnável e inacessível, e na tentativa de justificar o que não puderam enxergar, lançaram mais escuridão sobre o tema. Nem por isso a tríade e os pontos e circunferências que a compõem deixam de ter, na sua simplicidade, um conteúdo esotérico imenso, dando ensejo a que possamos nos aprofundar cada vez mais no nosso templo interior, para ali, e somente ali, partilhar dos desígnios do Grande Arquiteto do Universo.

Feita esta constatação, e voltando mais uma vez ao ponto geométrico primordial, talvez possamos então afirmar, para concluir, que ele também é a fonte de todo o conhecimento científico da humanidade.

Exagero? Delírio? Coincidência? Quem poderá responder?

Parodiando Agostinho de Hipona, podemos dizer: “Falamos de Deus. Por que te admiras se não o compreendes? Na realidade, se não o compreendes é porque foste procurá-lo fora de ti.”[13] [14]

Resta-nos, portanto – a nós, aspirantes a livres-pensadores – meditar e prosseguir na infinita busca, sabendo que mesmo que a cada passo estejamos menos distantes de alcançar o que procuramos, jamais estaremos mais próximos de consegui-lo.

Autor: Sérgio K. Jerez

Fonte: Revista Symbolos

Notas

[1] – Grupo de discussões formado por mestres maçons e dedicado ao estudo e análise de temas ligados à Ordem. Seu endereço virtual é www.circulohermetico.com.br

[2] – Historiador e biógrafo dos filósofos gregos da antiguidade. De sua vida nada se sabe. Supõe-se apenas que tenha vivido no séc. III d.C.

[3] – O Sumo Sacerdote de Ptah era chamado de Maior dos Mestres dos Artífices. A sede do culto a Ptah era Menfis e até a 6a dinastia dois sumo-sacerdotes eram responsáveis por ele, a partir da qual passou a haver um só.

[4] – Como já tive oportunidade de dizer em outro artigo, penso que o nome Pitágoras seria uma homenagem do sábio grego ao deus Ptah e não, como quer a maioria dos autores, uma reverência a Pítia, sacerdotisa do templo de Apolo, em Delfos.

[5] – O célebre Teorema de Pitágoras não foi criação do mestre grego, pois há indícios de seu uso, na Babilônia, pelo menos mil anos antes de seu nascimento. O teorema teria levado seu nome porque foi ele que concebeu a primeira demonstração que comprova a lógica da relação entre os lados dos triângulos retângulos.

[6] – Este é um dos atributos de Ptah.

[7] – Gottfried Leibniz a define como átomo inextenso com atividade espiritual, componente básico de toda e qualquer realidade física ou anímica, e que apresenta as características de imaterialidade, indivisibilidade e eternidade.

[8] – Do latim omni=tudo e potentia=poder. Qualidade daquele que pode tudo ou que contém em si a capacidade de realizar tudo.

[9] – O círculo está associado ao número 9, que é o número atribuído às coisas cíclicas.

[10] – A díada tem algumas propriedades geométricas interessantes, mas que não são o alvo deste trabalho. Do ponto de vista construtivo é significativo que a intersecção das duas circunferências crie a figura da vesica pisces, fonte inspiradora dos arcos utilizados pela arquitetura gótica.

[11] – La díada tiene algunas propiedades geométricas interesantes, pero que no son el objetivo de este trabajo. Desde el punto de vista constructivo, es significativo que la intersección de las dos circunferencias cree la figura de la vesica piscis, fuente inspiradora de los arcos utilizados en la arquitectura gótica.

[12] – Do latim omni=tudo e scies, entis=que sabe. Conhecimento infinito sobre todas as coisas.

[13] – Filósofo e teólogo sírio que viveu entre 245 e 325 d.e. e que escreveu Vida de Pitágoras.

[14] – O Sermão 117,5 de Agostinho, diz, numa tradução livre: “Falamos de Deus. Por que te admiras se não o compreendes? Na realidade, se o compreendes não é Deus.” Ainda que se concorde com ele, um questionamento é possível: não seriam os resultados da ciência um vislumbre, ainda que pálido e fugaz, da vontade Divina?

Bibliografia

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CLELAND, J. R., The Pythagorean Tradition in Freemasonry.

CUNHA, M. P. S., Introdução à Trindade em Santo Agostinho: Imagens e Conceitos, Dissertação de mestrado apresentada ao Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciência Humanas da UNICAMP.

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GONZALEZ, F., Cosmogonia Perene: O Simbolismo da Roda, Revista SYMBOLOS.

HAGENSICK, C. L., The Origin of the Trinity: From Paganism to Constantine.

JUNG, C., Interpretação Psicológica do Dogma da Trindade, Editora Vozes, Petrópolis, 1979.

KRESS, R., Raízes do Cristianismo, Revista Consciência.net, 2006.

MÜLLER, G. F., La Doctrina de los Tres Dioses de Numenio, Revista Archai – Revista de Estudos sobre as Origens do Pensamento Ocidental, N° 5, julho/2010.

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SNODGRASS, A., EI Simbolismo del Centro, Antología de Textos Herméticos.

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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