Platão e o Ritual Maçônico – Capítulo IV

Liderança – A conexão da Maçonaria com Platão

Em cada casa, em cada país e continente do nosso pequeno planeta, todos nós nos recordamos de assistir em nossas telas de televisão, dois aviões da United Airlines realizarem uma rota de colisão muito consciente e direta contra as Torres Norte e Sul do World Trade Center. Em todo o mundo, assistimos em total incredulidade.

Isso ocorreu em uma manhã memorável, em setembro de 2001.

Olhando para trás, para aquele dia, como as torres desabaram parecia simbolizar uma transição na história humana. O evento, pareceu traçar uma linha entre eventos da história humana que tenham ocorrido antes daquele dia e eventos ocorridos na história humana depois daquele dia. Nos poucos anos que se passaram desde aquele dia trágico, esse entendimento foi capturado em nossa linguagem cotidiana. Referimo-nos aos acontecimentos através da expressão que é totalmente um americanismo – a saber – pré ou pós 11/9.

Então nesta era pós-11/09, estamos indiscutivelmente mais empenhados que em qualquer outro momento na história humana em querer ver uma verdadeira liderança devidamente demonstrada. Poluição, guerra, genocídio, terrorismo, aquecimento global – bem como a proliferação e armas nucleares nos afetaram a todos.

Eles nos fizeram sentir menos confortáveis sobre nossa sobrevivência em médio e longo prazo como raça humana, sem o benefício do correto exercício da liderança disciplinada.

A nossa é uma era essencialmente trágica, por isso nos recusamos a aceitá-la tragicamente. O cataclismo aconteceu; estamos entre as ruínas; começamos a construir novos pequenos habitats pouco a pouco, e a ter novas poucas esperanças.

Com estas palavras, D.H. Lawrence descreveu a percepção sombria de que não só o modo de vida (mas o modo de pensar que tinha existido há muito tempo) tinha desaparecido entre as ruínas da Grande Guerra.

Estas palavras são igualmente adequadas para nós, hoje.

Então, agora, estamos mais exigentes com os que nos lideram tanto em nível local quanto em nível global.

Nós queremos ver nossos políticos, nossos líderes religiosos, nossos CEOs demonstrar ética na maneira como conduzem suas vidas e ilustrar a humanidade na forma como eles lidam com as complexidades crescentes da vida humana. Ferver e reduzir tudo isso a um princípio – esperamos que nossos líderes desempenhem; exibam um calibre de pensamento e comportamento que suporte o seu direito de servir. Servir é uma palavra antiga que está ganhando terreno rapidamente, uma vez mais como um termo que descreve a atitude que um líder forte demonstra em sua vida quando seu principal princípio motivador na vida é estar a serviço de outros.

Sobre este ponto, Platão foi excepcionalmente claro. Ele foi enfático. Quando a bússola, a mente do líder, aponta para o serviço… estar a serviço dos outros, é nesse momento que vemos a diferença entre um verdadeiro líder e um falso líder. Aqui está o que Platão escreveu sobre o assunto:

“Ninguém jamais será um mestre recomendável, sem ter sido primeiro um servo. Deve-se estar orgulhoso, não tanto de governar bem, mas de servir bem.”

E uma vez mais:

“Ser um servo de Deus é a medida exata da servidão; o excesso consiste em ser o servo dos homens.”

Você e eu entendemos que o verdadeiro problema é que as falhas de liderança nem sempre são fáceis de detectar imediatamente. As deficiências podem se disfarçar para trás de palavras e chavões vencedores. Embora estas deficiências de liderança geralmente sejam descobertas e tratadas ao longo do tempo, às vezes, essas deficiências podem ter catastróficas – mesmo efeitos fatais – se não for identificada a tempo.

Platão entendeu isso. Se alguma vez houve um momento em sua vida em que ele poderia marcar como o momento em que se tornou a única paixão permanente em sua vida a ser tratado, foi exatamente quando o sol nasceu sobre Atenas em uma manhã de 399 a.C. Naquele momento, seu amigo e mentor Sócrates foi executado por ordem das leis de Atenas.

O Último Dia de Sócrates

Um funcionário da prisão trouxera-lhe uma taça cheia de cicuta venenosa. Uma vez que Sócrates tinha bebido a cicuta, ele se deitou.

O penúltimo gesto dos 70 anos de sua vida foi cobrir o rosto com seu manto.

A este sinal o carcereiro começou a apertar seus pés, perguntando se ele conseguia sentir qualquer sensação.

Quando Sócrates respondeu que não podia, o guarda continuou beliscando as pernas de Sócrates e movendo-se para cima sobre seu corpo. O objetivo deste estranho exercício era (conforme Platão o descreveu) verificar o avanço da cicuta, que Platão explicou – era caracterizado pela sensação de dormência se espalhando através de seu sistema. Quando a dormência chegou à sua cintura, Sócrates afastou a capa de seu rosto e falou suas últimas palavras:

“Críton, devemos um galo a Esculápio; faça esta oferta a ele; não se esqueça.”

A última instrução de Sócrates a seu amigo Críton foi oferecer um sacrifício de ação de graças a Esculápio, o deus da medicina para libertá-lo desta vida mortal para uma vida eterna.

Embora o último dia de Sócrates (conforme descrito por Platão) fosse cheio de uma ternura dramática, filosófica e nobre, ele também deixou uma impressão duradoura sobre a vida de Platão. Platão não foi capaz de reconciliar a morte de Sócrates com um sistema justo de governo – especialmente – com um sistema justo de liderança.

A partir desse dia, até ao final de sua vida, Platão pensou sobre, discutiu, e tentou colocar em prática um método de treinamento de um homem ou uma mulher para se tornar um verdadeiro líder, para que as circunstâncias que levaram ao veredito de culpabilidade contra Sócrates jamais voltasse a se repetir.

Uma das coisas mais importantes que aconteceram como resultado de tudo isso foi a escrita de um livro que nos é conhecida como República de Platão.

Antes de investigar a República, daremos um breve olhar sobre a vida de Platão, para que possamos entender por que ele pensava e sentia da maneira como ele fez. Compreendendo isso, teremos uma base sólida para avaliar como as suas palavras e sentimentos ressoam em todo o nosso ritual.

Continua…

Autor: Stephen Michalak
Tradução: José Filardo

Fonte: REVISTA BIBLIOT3CA

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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