Egrégoras: Um Falso Culto

Circulam em Lojas Maçônicas dezenas de trabalhos sobre as chamadas “egrégoras”. Na internet, repleta de cultura e, também, com muito lixo, talvez, milhares de mensagens sobre egrégoras. Em meus tempos de Aprendiz e de Companheiro Maçom citei várias vezes as “egrégoras” em meus “Trabalhos de Arquitetura” aquela forma de energia maravilhosa de que todos falavam e enalteciam os seus efeitos sobrenaturais.

Chegando ao Mestrado Maçônico decidi não somente mencionar as egrégoras como uma Graça, uma dádiva do Grande Arquiteto, mais sim, também, de apresentar um trabalho completo aos meus Irmãos, fundamentado em pesquisas e opiniões coletadas em obras de escritores e pesquisadores maçônicos fidedignos. As fontes das pesquisas, se aqui relacionadas, preencheriam uma página inteira. Para minha grande surpresa, não encontrei absolutamente nada que explicasse as tais das egrégoras. Não satisfeito direcionei minhas investigações para Livros Sagrados: a Bíblia Sagrada em suas versões Presbiteriana, Pentencostal, Católica Pastoral; o Bhagavad-Gita e Alcorão em suas versões em português… Nada,… Nada, … Nada. Daquele dia em diante calei-me em respeito à crença de meus Irmãos devotos e defensores da existência das chamadas “egrégoras”.

Hoje, os absurdos que vejo aumentar a cada dia que passa, com Maçons em tentativas de transformar a Maçonaria em uma Instituição ocultista, enxertando na ritualística práticas supersticiosas, fazem-me, em defesa da Ordem e da razão, um crítico obstinado que não transige com superstições e não entrega seu destino, sua vontade e sua fé a inventados fantasmas; crenças em entidades que são rejeitadas, inclusive, pelas nossas tradicionais e respeitadas Instituições Cristãs.

Quando surgem discussões sobre as tais egrégoras, sempre me pergunto: vale a pena “entrar na briga” declarando textualmente que as chamadas egrégoras são uma invenção criada por fantasistas e que nada tem a ver com a Maçonaria? … Assim o digo.

Alguns defensores das egrégoras querem a sua presença em todas as Sociedades Místicas independentemente de seus dogmas, suas doutrinas e sua fé. E, diga-se de passagem, é claro, na Maçonaria. O vocábulo egrégora não consta em nenhum dicionário vernacular. Como qualquer palavra a imaginação de cada um pode pela morfologia construir sua etimologia a seu bel prazer, sem precisar provar nada – o papel, ou a net, aceita tudo. Por exemplo, podemos dizer que egrégora vem de Grego, de Igreja, de gregário, de egrégio, de egresso, de graal, de egolatria e por aí vai. Egrégora, além de não constar em nenhum dicionário idiomático, não consta também em nenhum Ritual de instituição mística séria, como a Cristã, a Judaica, a Islâmica, a Budista, a Hindu e outras não menos respeitáveis.

Podemos constatar que o conceito geral que fazem os defensores das chamadas egrégoras é de uma entidade engendrada e plasmada pela força da mente de seus devotos e que adquire individualidade, vontade própria e, boa ou má, interfere na vida e no destino das pessoas.

Avaliem, os respeitáveis Irmãos a questão: consta nos Rituais da Maçonaria, Simbólica ou Filosófica (Altos Graus), de qualquer Potência, de qualquer país ou idioma algo sobre as egrégoras? Alguma vez participastes de sessões maçônicas voltadas para práticas, técnicas e articulações místicas na intenção de desenvolver ou alimentar as chamadas egrégoras? Se isso não ocorreu, como podem ser devotos de algo que sequer sabem o que é? A conclusão salta aos olhos: pretendem, os defensores das egrégoras, que foi ALHEIO A SUA VONTADE. Como podem então, permitirem e crerem que a energia que emana de vossos corpos vá alimentar uma suposta entidade que não se sabe como atua, onde atua e quais os resultados de sua atuação? Queres crer em algo só porque te disseram que deves crer? Isso é o que se designa como Auto-engano – a crença em algo obviamente falso, que só se explica pela interferência de elementos superficiais ou subjetivos como o desejo, a paixão e o temor. O auto-engano é a mente do homem ludibriando a si mesma.

Muitos Maçons, Construtores Sociais que são e praticantes da Arte Real, já descobriram a verdade, mas, compreensivelmente se omitem, sabem que se manifestarem suas opiniões a desafeição com certeza se apresentará por aqueles, que embora bons Maçons, bons amigos e bons Irmãos, elegeram as chamadas egrégoras em dogma maçônico, esquecendo-se que em Maçonaria só existe uma invocação e esta e feita ao GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO QUE É DEUS. Invocar forças sobrenaturais em Loja Aberta é heresia maçônica.

Apesar de tudo, a fé de nossos Irmãos deve ser respeitada, assim promove a Maçonaria. Quem quiser crer e praticar as egrégoras, magias e “mancias” faça-o. A Maçonaria diz: “Cultiva a tua religião ininterruptamente, segue as inspirações de tua consciência; a Maçonaria não é uma religião, não professa um culto; quer a instrução leiga; sua doutrina se condensa toda nesta máxima – Ama o teu próximo” Todavia, devemos lembrar que o Templo maçônico não é local para invocações ou práticas estranhas a Maçonaria. Existem na doutrina maçônica elementos de algumas ciências ocultas, mas apenas como referências; como suporte indicativo para algum ensinamento moral ou social. Na Maçonaria estuda-se arte e ciência, e, dentre outras, fazem parte a Astrologia, a Numerologia e a Magia. Isto, porque “A Maçonaria não impõe nenhum limite à livre investigação da verdade”.

Todavia, devemos considerar que entre o estudo e a prática existem grandes distâncias doutrinárias. A Maçonaria não é uma escola ocultista, embora, muitos Maçons se esforcem para em tal transformá-la, pois, é mais fácil demonstrarem suas mestrias por conceitos sobrenaturais que não precisam ser explicados, a ter que estudar ler, pesquisar; fundamentar suas interpretações na verdade histórica, na razão, na racionalidade.

Não me queiram mal por pensar diferente. Não sigo uma linha religiosa rígida, mas sou religioso. Um dia ajoelhado em um Templo Maçônico alguém me perguntou “Senhor, nos extremos lances de vossa vida, em que depositais confiança? – respondi – EM DEUS”. E, não nas egrégoras.

Creio no Grande Arquiteto do Universo que é Deus; creio na sinergia vitalizadora que promove a fraternidade na Maçonaria e contempla nosso ser com a afetividade das virtudes maçônicas no abraço, no beijo e no sincero olhar amigo. Em fim, pelo meu lado religioso não permitirei que forças desconhecidas utilizem minha inteligência para supostamente criar entidades com vontade própria e com pretensos supremos poderes.

Os Ritos Maçônicos não são ocultistas e os Obreiros das Oficinas Maçônicas não são dependentes de forças ocultas, sejam elas originadas de respeitáveis instituições místicas ou das chamadas egrégoras sustentadas com a força motivadora da superstição. A egrégora é uma falsa entidade psíquica, um falso culto, um falso ídolo criado pela devoção errada do desconhecido, um falso censo de controle sobre nossos temores.

Muitas vezes confiamos em superstições para nos sentirmos mais seguros, isto, é contrário a razão e as idéias que devemos fazer de Deus. Não devemos entregar nossas vidas à supostas forças que desconhecemos, e as vãs promessas de felicidade e proteção, pois, isto é um desprezo à lógica e a razão, base do conhecimento natural ensinado em nossos Rituais. Como Maçons – Construtores Sociais – devemos ser investigadores da verdade e não nos entregarmos as superstições.

A manutenção da lenda do terceiro grau é um Landmark, justamente pelo maior ensinamento que prodigaliza: nunca procurarmos evoluir por métodos fáceis, sem o trabalho incessante e a prática da virtude.

Autor: Paulo Roberto Marinho
ARLS Vetúrio Gomes dos Santos Nº 132
REAA GLMERJ – RJ

Fonte: Revista Universo Maçônico – Edição de 11 de junho de 2010

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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5 respostas para Egrégoras: Um Falso Culto

  1. Jorge Alfredo Félix Buttrós disse:

    Muito bem! Egrégora não existe. Confundem “harmonia” com egrégora.

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  2. Discordo do autor do texto, especialmente por que ele cita que a egregora é um entidade que e cultuada na maçonaria? ENTIDADE?
    E cita que foi ensinado na sua religião a cultuar um do Deus que seria o GADU, e que jurou crer somente nele quando na sua iniciação.
    Entidade sabemos que não é, e sim, temos q crer no principio criador.Mas vejo que o autor se apegou a doutrina cristã, quando passou a trata da egregora como entidade. Faço minha as palavras do meu irmão e mestre Antonio José: “Ressalto que creio piamente na Egrégora como a combinação das energias emanadas pelos irmãos .Segundo Einstein massa e energia são a mesma coisa em estados distintos .Percebo claramente está força emanada por cada irmão e também a falta da mesma em um corpo morto .
    Continuo acreditando e cultura do a mesma .Vou apresentar um trabalho sobre o tema , mas como a crença é algo de foro íntimo cabe a cada um meditar e crer no que ele sente .

    Índico o livro Esoterismo na maçonaria para os interessados .”

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  3. Marcello disse:

    Também não concordo com este (des)trabalho. Egrégora vem no sentido de idéia, pensamento coletivo. Não uma entidade espiritual, manifestada que é adorada ou cultuada nas sessões de trabalho maçônico. No próprio ambiente familiar sadio, forma-se uma egrégora. O autor não encontrou ligações concretas nas suas referências e nunca encontrará, pois egrégora e magnetismo mental são termos e conceitos abstratos, associados a psicologia, e misticamente tem suas bases no hermetismo.

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  4. No meu entendimento o autor não nega em momento algum a existência da energia emanada por todos nós, ele nega sim que essa energia (que é real) “vá alimentar uma suposta entidade que não se sabe como atua, onde atua e quais os resultados de sua atuação”, e nesse ponto estou de acordo com o seu pensamento.

    É certo que em um templo maçônico são emanadas as energias de todos que ali se encontram, como também pode ocorrer em uma igreja cristã, em um templo judaico, muçulmano ou hindu. Essa energia também pode ser sentida na sala de reuniões da sua empresa, no quarto de sua casa, etc (alguém já ouviu ou se utilizou da expressão “o clima aqui está pesado” ou “sinto energias positivas”?).

    A questão é querer transformar a energia que sabemos que existe em algo sobrenatural, algo que é parte de um misticismo que não é compartilhado por todos, como são as tão faladas egrégoras.

    Por fim, apenas para esclarecer, a definição de que a egrégora é uma entidade não parte do autor do texto, ele apenas refuta o que dizem muitos de nossos irmãos, que a tratam como tal. Alguns desses irmãos são escritores conhecidos como Rizzardo da Camino, que além de afirmar que a Maçonaria aceita a existência da egrégora (?!) a define como:
    “um SER ESPIRITUAL”, com semelhança ao ser humano, com características angélicas, envolto em nuvens diáfanas; que cresce e cobre a todos os presentes, permanecendo em flutuação, tenuamente visível, sem perturbar pelo seu mistério.” É “um corpo espiritual” que se forma; seus componentes são retirados da aura de cada um dos IIr.·. presentes. A Egrégora é um ser real, que permanece enquanto o Livro Sagrado permanecer aberto.(O Aprendizado Maçônico)

    A ordem nos ensina a tolerância com o livre pensamento, e o repeito a opiniões diversas daquelas que temos, mas por outro lado devemos ter cuidado ao repassá-las, principalmente aos nossos aprendizes, como sendo essas a expressão única da verdade.

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  5. O texto do Irmão Paulo Roberto Marinho, muito bem elaborado do ponto e vista gramatical, chega a confundir aos mais despreparados quanto à existência da egregora. Referido Irmão chega a conclusão de que ela, a egrégora inexiste. Discordo em gênero, número e grau. Entendo como a egrégora alardeada no meio maçônico, como sendo um sentimento pessoal que todo ser humano possui, também conhecido como livre arbítrio, que nos conduz vida afora e conosco permanece por toda a eternidade. E a chamada razão, raciocínio, ponto de vista, inteligência que nos é dado pelo GADU, variando de pessôa para pessôa de acordo com o tempo de vida espiritual acumulada através dos tempos. Na nossa ordem, utiliza-se do termo como sinônimo de equilibrio pessoal durante às reuniões maçõnica. Raul Soares de Queiroz. Loja Fé e Esperança. Belo Horizonte.

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