Seis Séculos de Ritual Maçônico – Última Parte

Mais Provas da França

Os ingleses plantaram a Maçonaria na França em 1725, e ela tornou-se um passatempo elegante para a nobreza e a aristocracia. O Duque Fulano de Tal realizaria uma loja em sua casa, onde ele era o Mestre para sempre, e a qualquer momento, ele convidava alguns amigos de sua roda, eles abririam uma loja e ele iniciaria mais alguns Maçons. Foi assim que começou, e levou cerca de dez ou doze anos antes que a Maçonaria começasse a se infiltrar na base da pirâmide, através dos níveis mais baixos. A essa altura, as lojas estavam começando a se reunir em restaurantes e tavernas, mas por volta de 1736, as coisas foram se tornando difíceis na França e temia-se que as lojas estivessem sendo usadas ​​para tramas e conspirações contra o governo.

Em Paris, em particular, precauções foram tomadas. Um edital foi emitido por René Herault, chefe geral da polícia, informando que os taberneiros e donos de restaurante não deviam dar guarida às lojas maçônicas, sob pena de ter o estabelecimento fechado por seis meses e uma multa de 3.000 libras. Temos dois registros, ambos em 1736-1737, de restaurantes bem conhecidos que foram fechados pela polícia por esse motivo. Não deu certo, e a razão era muito simples: a Maçonaria tinha começado em casas particulares. No momento em que a polícia começou a reprimir as reuniões em tavernas e restaurantes, ela voltou para casas particulares; ela passou à clandestinidade por assim dizer, e a Polícia ficou inerme.

Eventualmente, Herault decidiu que ele poderia fazer muito mais danos à Maçonaria se pudesse torná-la alvo de chacota. Se ele pudesse fazê-la parecer ridícula, ele tinha certeza de que poderia colocá-la fora de ação para sempre, e ele decidiu tentar. Ele entrou em contato com uma de suas amigas, uma certa Madame Carton. Agora, Irmãos, eu sei que o que eu vou dizer a vocês soa como o nosso English News of the World (jornal de noticias populares inglês), mas o que eu estou lhes dando está gravado na história, e é uma história muito importante. Então, ele entrou em contato com Madame Carton, que é sempre descrita como uma dançarina da Ópera de Paris. A verdade é que ela seguia uma profissão muito antiga. A melhor descrição que dá uma ideia de seu status e de suas qualidades é que ela dormia nas melhores camas da Europa. Ela tinha uma clientela muito especial. Agora ela não era jovem; tinha 55 anos na época e tinha uma filha que também estava na mesma linha interessante de negócio. E eu tenho que ser muito cuidadoso com o que eu digo, pois se acreditava que um de nossos próprios Grãos-Mestres estava enredado com uma delas ou com ambas. Tudo isso estava nos jornais da época.

De qualquer forma, Herault entrou em contato com Madame Carton e pediu-lhe para obter uma cópia do ritual maçônico de um de seus clientes. Ele tinha a intenção de publicá-lo, e expondo os maçons ao ridículo, ele ia colocá-los fora do negócio. Bem! Ela o fez, e ele o fez. Em outras palavras, ela conseguiu sua cópia do ritual e passou-a a ele. Ela foi publicada pela primeira vez na França em 1737, sob o título “Reption d’un Frey-Maçon”. Dentro de um mês, ela foi traduzida em três jornais de Londres, mas não conseguiu diminuir o zelo francês pela Maçonaria e não teve qualquer efeito na Inglaterra.

O texto, em forma de narrativa, descrevia apenas uma única cerimônia de dois pilares, lidando principalmente com o trabalho em loja e apenas fragmentos do ritual. O candidato era privado de metais, joelho direito nu, sapato esquerdo usado “como um chinelo” e trancado em um quarto sozinho na escuridão total, para colocá-lo no estado de espírito certo para a cerimônia. Seus olhos estavam vendados e seu padrinho batia três vezes na porta da Loja. Depois de várias perguntas, ele era apresentado e admitido sob os cuidados de um Guarda (Vigilante). Ainda com os olhos vendados, ele era levado três vezes em volta do desenho do pavimento no centro da Loja, e havia “brilhos de resina”. Era costume nas lojas francesas naqueles dias ter uma panela de brasas vivas dentro da porta da loja e no momento em que o candidato era trazido, eles polvilhavam resina em pó sobre as brasas, para fazer um enorme clarão, que assustaria o candidato, mesmo que ele estivesse com os olhos vendados. (Em muitos casos eles não os vendavam até que chegasse à Obrigação.) Então, no meio de um círculo de espadas, temos a postura para a Obrigação das três formas de penalidade, e detalhes dos aventais e luvas. Isto é seguido pelos sinais, toques e palavras relativas a dois pilares. A cerimônia continha várias características desconhecidas na prática inglesa, e algumas partes da história parecem ter sido contadas na sequência errada, de modo que, ao lê-lo, de repente percebemos que o cavalheiro que estava ditando teve sua mente mais ligada a assuntos muito mais mundanos. Então, Irmãos, esta foi a primeira exposição da França, não muito boa, mas foi o primeiro de um fluxo realmente maravilhoso de documentos. Como antes, discutirei apenas os mais importantes.

Meu próximo é Le Secret des Francs-Maçons (O Segredo dos Maçons), 1742, publicado pelo Abade Perau, que era Prior na Sorbonne, a Universidade de Paris. Um belo primeiro grau, tudo em forma de narrativa, e cada palavra a favor da Maçonaria. Suas palavras para o AM e CM estavam na ordem inversa (e isso se tornou uma prática comum na Europa), mas ele disse praticamente nada sobre o segundo grau. Ele descreveu o beber e brindar maçônico em grande extensão, com uma descrição maravilhosa do ‘Fogo Maçônico’. Ele mencionou que o grau de Mestre era “um grande lamento cerimonial sobre a morte de Hiram”, mas ele nada sabia sobre o terceiro grau, e disse que os Mestres Maçons apenas têm um novo sinal e isso foi tudo.

Nosso próximo trabalho é Le Catéchisme des Francs-Maçons (O Catecismo dos Franco-Maçons), publicado em 1744 por Louis Travenol, um jornalista francês famoso. Ele dedica seu livro “Ao Belo Sexo”, que ele adora, dizendo que ele está deliberadamente publicando essa exposição em benefício delas, porque os Maçons as excluíram, e seu tom é ligeiramente antimaçônico. Ele continua com uma nota “Ao Leitor”, criticando vários itens na obra de Perau, mas concordando que Le Secret está, de maneira geral, correto. Por essa razão (e Perau era irremediavelmente ignorante do terceiro grau), ele limita sua exposição ao nível de MM. Mas isso é seguido por um catecismo que é um composto para todos os três graus, sem divisões, embora seja fácil ver quais perguntas pertencem ao Mestre Maçom.

Le Catéchisme também contém duas excelentes gravuras dos Painéis de Loja ou Desenho do Pavimento, um chamado “Plano da Loja para o Aprendiz-Companheiro” combinado, e outro para “A Loja de Mestre”.

Travenol começa seu terceiro grau com ‘A História de Adoniram, Arquiteto do Templo de Salomão’. Os textos em francês costumam dizer Adoniram em vez de Hiram, e a história é uma versão esplêndida da Lenda de Hiram. Na melhor das versões em francês, a palavra do Mestre (Jeová) não foi perdida; os nove Mestres que foram enviados por Salomão para procurá-lo, decidiram adotar uma palavra substituta por medo de que os três assassinos tivessem obrigado Adoniran a divulgá-la.

Isto é seguido por um capítulo à parte que descreve o lay-out de uma Loja de Mestre, incluindo o “Desenho do Pavimento”, e a mais antiga cerimônia de abertura de uma Loja de Mestres. Contém um curioso “sinal de Mestre” que começa com uma mão ao lado da fronte e termina com o polegar na boca do estômago. E agora, Irmãos, temos uma descrição magnífica do desenho do pavimento do terceiro grau, toda a cerimônia, tão bem descrita e em tais detalhes, que qualquer Preceptor poderia reconstruí-la do começo ao fim – e cada palavra de todo este capítulo é material novo que nunca tinha aparecido antes.

É claro que há muitos itens que diferem das práticas que conhecemos, mas agora vocês podem ver porque eu estou animado com esses documentos franceses. Eles dão detalhes maravilhosos, numa época em que não temos o material correspondente na Inglaterra. Mas antes que eu saia de Le Catechisme, devo dizer algumas palavras sobre a sua figura do Painel de Loja ou Desenho do Pavimento do terceiro grau que ele contém, como seu tema central, um desenho de um ∴, cercado por gotas de lágrimas, as lágrimas que nossos irmãos antigos derramam com a morte de nosso Mestre Adoniram.

Sobre o ∴ está um ramo de ∴ e a palavra “JEHOVA”, “ancien mot du Maitre”, (antiga palavra de um Mestre), mas no grau francês ela não foi perdida. Ela era o Nome Inefável, que nunca devia ser pronunciado, e aqui, pela primeira vez, a palavra Jeová está no ∴. O diagrama, em pontos, mostra como ∴ passos em ∴ sobre o ∴ devem ser dados pelo candidato ao avançar do ∴ para o ∴, e muitos outros detalhes interessantes, numerosos demais para mencionar.

O catecismo, que é o último item principal do livro, está baseado (como todos os primeiros catecismos franceses) diretamente sobre a Maçonaria Dissecada, de Prichard, mas ele contém uma série de expansões e explicações simbólicas, resultado da influência especulativa.

E assim chegamos à última das exposições francesas que eu quero abordar hoje, L’Ordre des Francs-Maçons Trahi (A Ordem dos Maçons Traída) publicada em 1745 por um escritor anônimo, um ladrão! Não havia nenhuma lei de direitos autorais naqueles dias e este homem sabia reconhecer uma coisa de valor quando ele a via. Ele levou o melhor material que pôde encontrar, registrado em um livro, e acrescentou algumas notas de sua autoria. Então, ele roubou o livro de Perau, 102 páginas, inteirinho, e o imprimiu como seu próprio primeiro grau. Ele disse muito pouco sobre o segundo grau (o segundo grau sempre foi um pouco órfão). Ele roubou o adorável terceiro grau de Travenol, e acrescentou algumas notas, incluindo algumas linhas dizendo que antes da admissão do candidato, o MM mais recente na Loja deita-se no ∴, com o rosto coberto com um pano manchado de sangue, de modo que o candidato o verá levantado pelo Mestre, antes que ele avance para a sua própria parte na cerimônia.

De seu próprio material, não há muito; capítulos sobre a Cifra Maçônica, sobre os Sinais, Toques e Palavras, e sobre costumes maçônicos. Ele também incluía dois desenhos melhorados do Pavimento e duas gravuras excelentes ilustrando os primeiro e o terceiro graus em progresso. Seu catecismo seguia a versão de Travenol de muito perto, mas ele acrescentou quatro perguntas e respostas (aparentemente uma contribuição menor), mas elas são de grande importância em nosso estudo do ritual:

P. – Quando um Maçom encontra-se em perigo, o que ele deve dizer e fazer para chamar os irmãos em seu auxílio?

R. – Ele deve colocar suas mãos postas sobre a testa, os ∴, e dizer: “A mim os filhos da viúva”.

Irmãos, eu não sei se “∴” eram utilizados nos EUA ou no Canadá; só vou dizer que eles eram bem conhecidos em várias jurisdições europeias, e “Filhos da Viúva” aparece na maioria das versões da lenda de Hiram.

Mais três novas perguntas são:

  1. Qual é a Palavra de um Aprendiz? Resp: T∴
  2. A de um companheiro? Resp: S∴
  3. E a de um Mestre? Resp: G∴

Esta foi a primeira aparição de senhas impressas, mas o autor acrescentou uma nota explicativa:

Estas três senhas são pouco utilizadas, exceto na França e em Frankfurt am Main. Elas têm a natureza de palavras de passe, introduzido como uma salvaguarda mais segura (quando se lida) com irmãos que não as conhecem.”

As senhas nunca tinham sido ouvidas antes desta data, 1745, e elas aparecem pela primeira vez na França. Vocês devem ter notado, Irmãos, que algumas delas parecem estar na ordem errada, e, por causa da lacuna de 30 anos, não sabemos se elas estavam sendo usadas ​​na Inglaterra naquele momento ou se eram uma invenção francesa. Neste enigma temos uma curiosa peça de evidência indireta, e devo divagar por um momento.

No ano de 1730, a Grande Loja da Inglaterra foi grandemente perturbada pelas exposições que estavam sendo publicadas, especialmente a Maçonaria Dissecada de Prichard, que foi oficialmente condenada na Grande Loja. Mais tarde, como medida de precaução, certas palavras nos dois primeiros graus foram trocadas, um movimento que deu motivo, no devido tempo ao surgimento de uma Grande Loja rival. Le Secret, 1742, Le Catéchisme, 1744 e o Trahi, 1745, todos dão essas palavras na nova ordem, e em 1745, quando as senhas fizeram sua primeira aparição na França, elas também aparecem em ordem inversa. Sabendo quão regularmente a França adotou – e melhorou – práticas rituais inglesas, parece haver uma forte probabilidade de que as senhas já estivessem em uso na Inglaterra (talvez na ordem inversa), mas não há um único documento inglês para apoiar essa teoria.

Então, Irmãos, até 1745 a maior parte dos principais elementos nos graus da Maçonaria já existiam, e quando o novo fluxo de rituais ingleses começou a aparecer na década de 1760, o melhor daquele material tinha sido incorporado em nossa prática inglesa. Mas ainda estava muito crua e uma grande quantidade de polimento precisava ser feita.

O polimento começou em 1769 por três escritores – Wellins Calcutt e William Hutchinson, em 1769, e William Preston, em 1772, mas Preston superou os outros. Ele foi o grande expositor da Maçonaria e de seu simbolismo, um professor nato, constantemente escrevendo e melhorando seu trabalho. Por volta de 1800, o ritual e as Palestras (que eram os catecismos originais, agora se expandiram e explicavam em belos detalhes) estavam todos em seu melhor resplendor. E então, com um descuido típico inglês, nós estragamos tudo.

Vocês sabem, Irmãos, que a partir de 1751 até 1813, tivemos duas Grandes Lojas rivais na Inglaterra (a original, fundada em 1717, e a Grande Loja rival, conhecida como os “Antigos”, fundada em 1751) e eles se odiavam com zelo verdadeiramente maçônico. Suas diferenças eram principalmente em questões menores de ritual e em seus pontos de vista sobre a Instalação e o Arco Real. A amargura continuou até 1809, quando os primeiros passos foram dados no sentido de uma reconciliação e uma união muito desejada das rivais.

Em 1809, a Grande Loja original, os ‘Modernos’, ordenou as revisões necessárias, e a Loja de Promulgação foi formada para aprovar o ritual e trazê-lo a uma forma que pudesse ser considerada satisfatória para ambos os lados. Isso tinha que ser feito, ou ainda teríamos duas Grandes Lojas até nossos dias! Eles fizeram um excelente trabalho, e muitas mudanças foram feitas em assuntos de rituais e procedimentos; mas uma grande quantidade de material foi descartada, e que poderia ser justo dizer que eles jogaram fora o bebê com a água do banho. A Colmeia, a Ampulheta, o Alfanje, o Pote de Incenso, etc. que estavam em nossos Painéis de Loja no início do século XIX desapareceram. Nós temos que ser gratos de fato pelo material esplêndido que eles deixaram para trás.

Uma Nota para Irmãos nos EUA

Devo acrescentar aqui uma nota para Irmãos nos EUA. Vocês perceberão que até as alterações que acabo de descrever, eu venho falando sobre o seu ritual, bem como o nosso na Inglaterra. Depois da Guerra da Independência, os Estados rapidamente começaram a criar as suas próprias Grandes Lojas, mas o seu ritual, principalmente de origem inglesa – seja dos Antigos ou dos Modernos – ainda era basicamente inglês. Suas grandes mudanças começaram por volta de 1796, quando Thomas Smith Webb, de Albany, NY, uniu-se a um maçom inglês, John Hanmer, que era bem versado no sistema de palestras de Preston.

Em 1797, Webb publicou seu Monitor do Maçom ou Ilustrações da Maçonaria, em grande parte baseados nas Ilustrações de Preston. O Monitor de Webb, adaptado do nosso ritual quando, como eu disse, ele estava em seu melhor brilho, tornou-se tão popular que as Grandes Lojas americanas, principalmente nos estados do leste naquela época, fizeram tudo que puderam para preservá-lo em sua forma original; eventualmente, com a nomeação de Grandes Conferencistas, cujo dever era (e é) garantir que as formas adotadas oficialmente permaneçam inalteradas.

Eu não posso entrar em detalhes agora, mas a partir dos Rituais e Monitores que estudei e as Cerimônias e Demonstrações que vi, não há dúvida de que o seu ritual é muito mais completo que o nosso, dando ao candidato muito mais explicação, interpretação e simbolismo, do que normalmente é dado na Inglaterra.

Com efeito, devido às mudanças que fizemos no nosso trabalho entre 1809 e 1813, é justo dizer que em muitos aspectos, o seu ritual é mais antigo que o nosso e melhor do que o nosso.

Finis

Autor: Harry Carr
Tradução: José Filardo

Fonte: REVISTA BIBLIOT3CA

Notas

Harry Carr foi Past Master e Secretário por muito tempo da Quatuor Coronati Lodge No. 2076, CE, que é conhecida como a “Primeira Loja de Pesquisas Maçônicas”.

Para ler todos os artigos da série clique AQUI

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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2 respostas para Seis Séculos de Ritual Maçônico – Última Parte

  1. Ernesto P Neto disse:

    Ótimo texto para estudo, parabens.

    Curtido por 1 pessoa

  2. British Lord disse:

    Realmente uma excelente pr.’. de eest.’.!!! De suma relevância para a apreciação de Maçons de todos os Graus, assim como de pessoas que mantenham o interesse pela Augusta Maçonaria!!! Grato pela publicação!!!

    Curtido por 1 pessoa

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