A Royal Society e a Grande Loja de Londres de 1717 – Parte II

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Mas, quem eram exatamente esses homens que fundaram a Royal Society? Bem, seu fator comum mais importante é que todos eles eram participantes regulares das palestras públicas no Gresham, algo que eles compartilham conosco esta noite. Então, comentarei sobre cada um deles, começando com o homem que assumiu a presidência na primeira reunião da Royal Society, John Wilkins.

Rev. John Wilkins – Parlamentar

Wilkins nasceu em 1610 em Fawsley, Northamptonshire. Ele era filho de um ourives de Oxford e neto de vigário da região, John Dodd. Ele passou a ser ele mesmo um clérigo bem sucedido. No momento em que morreu, em 1672, ele era bispo de Chester.

Durante a Guerra Civil, Wilkins foi um grande defensor do Parlamento. Ele teve sua recompensa. Em 12 de abril de 1648, (após a rendição de Charles I aos escoceses em Newark), foi feito Diretor do Wadham College, Oxford. O cargo estava vago porque o Parlamento demitiu o diretor anterior, por ter simpatias monárquicas. Onze anos mais tarde, Wilkins procurou com sucesso uma decisão especial do Lord Protetor, Oliver Cromwell, para que ele fosse “dispensado da proibição contra o casamento”, que era uma exigência do cargo. Assim que esta foi concedida, ele se casou em 1656 com a irmã de Cromwell, Robina.

Seja qual for o motivo de Wilkins para se casar, o casamento ajudou em sua carreira. Um dos últimos atos de Cromwell antes de morrer foi ordenar ao Parlamento que o nomeasse Mestre do Trinity College, em Cambridge. Isto foi confirmado pelo sobrinho de Robina, Richard Cromwell, que se tornou por pouco tempo o Protetor após a morte de seu pai.

O plano de Wilkins para preferência rápida se desfez, no entanto, quando Charles II retornou ao trono. Ele foi deposto como Mestre do Trinity College e o uma vez favorecido cunhado de Cromwell foi reduzido à pregação por vinténs. Ele estava lutando para viver, apertado no alojamento miserável de outro clérigo deposto e reduzido a atuar como capelão para os advogados mesquinhos de Gray Inn. Wilkins era a personificação de um espetáculo tão triste que estava começando a atrair voyeurs à igreja Temple, apenas para se maravilhar até onde a família do falecido Lord Protetor podia ser humilhada.

Assim, quando Wilkins presidiu aquele fatídico encontro na quarta-feira 28 novembro de 1660, ele estava em circunstâncias terríveis. Ele era objeto de curiosidade para os homens mais letrados de Londres; ele tinha perdido seu Mestrado; ele era um sem-teto; e ele tinha sido expulso de seu novo trabalho em Cambridge. Reduzido a partilhar os alojamentos de Seth Ward, Wilkins deve ter sido duramente pressionado a encontrar a subscrição substancial necessária para aderir à nova Sociedade.

Visconde William Brouncker – Monarquista

Brouncker era um monarquista que tinha mantido a cabeça baixa durante o governo de Cromwell. Ele passou seu tempo traduzindo as teorias de Descartes sobre música para o inglês. Ele também era um matemático competente. Brouncker havia estudado com John Wallis, o professor Savilian de Geometria em Oxford, que era amigo de John Wilkins. Como signatário da Declaração de 1660, Brouncker tinha desempenhado seu papel na Restauração, quando ele foi restabelecido como Deputado por Westbury no Parlamento da Convenção.

Brouncker queria ter certeza de que o Rei recém-restaurado sabia de sua lealdade, então ele deu de presente a Charles uma pequena embarcação de recreio, a que deu o nome de The Greyhound. Ele a havia projetado em novas linhas radicais, e deu ao Rei este presente ‘para marcar sua restauração ao trono da Inglaterra’. Ele estava do lado oposto da cerca política a John Willkins e suas sortes estavam se movendo na direção oposta. Brouncker tinha acabado de recuperar o poder político, enquanto Wilkins estava desacreditado, para baixo e para fora.

O Honorável Robert Boyle – Parlamentar

Robert Boyle tinha trinta e três anos de idade e tinha passado a maior parte da Guerra Civil escrevendo tratados teológicos nas profundezas de Dorset. Durante a primeira parte do Protetorado, ele se mudou para a Irlanda, mas em 1653, John Wilkins escreveu a ele convidando-o para o Wadham College, para continuar seus estudos da natureza e da ciência. Boyle mudou-se para Oxford em 1654. Ele provou ser um físico extremamente competente e deu seu nome à lei que relaciona a pressão e o volume de um gás. Ele permaneceu em Oxford até 1668, quando se mudou para Londres. Se ele era um participante regular das palestras nas tardes das quartas-feiras no Gresham College, ele também deve ter sido um viajante regular. O Gresham College, então em Bishopsgate Street, estava 120 milhas de sua casa, ida e volta, perto da taverna Three Tuns em Oxford. Com mais de um dia a cada viagem, ele teria pouco tempo para qualquer outra coisa, por isso, parece seguro afirmar que Robert Boyle não tornou seu costume usual assistir às palestras nas tardes de quarta-feira. Mas ele, por vezes, veio a Londres para ficar com sua irmã em Chelsea, quando John Evelyn o visitou ali em 7 de setembro 1660. No entanto, a palestra a ser proferida por Christopher Wren deve tê-lo atraído o suficiente para fazer a viagem e alguém pode tê-lo incentivado a vir. Quem poderia ter sido? Como seu ex-tutor, talvez fosse John Wilkins.

Alexander Bruce, Segundo Conde de Kincardine – Monarquista

Bruce era um escocês e o irmão mais novo de Edward, o primeiro Conde de Kincardine. Edward Bruce tinha sido feito Conde por Charles I em 1647. A família de Bruce apoiou os Stuarts durante a Guerra Civil. Após a tentativa frustrada de Charles II de expulsar Cromwell em 1650, Alexandre foi forçado a fugir para o exílio em Breman. Ali ele permaneceu até 1660, quando foi para Haia para se juntar a Charles II para o seu retorno a Londres. Ele viajou de volta a Londres com a comitiva de Charles, e montou casa em Charing Cross.

A saúde de Bruce era ruim após seu retorno do exílio, e ele permaneceu em Londres recuperando-se até 1662. Naquele ano, ele sucedeu ao título de seu irmão e voltou a viver em Culross, Escócia. Uma série de palestras de quarta-feira à tarde sobre ciência soa exatamente como o tipo de coisa para animá-lo durante a sua convalescença, então ele pode ter sido ‘participante regular’, pelo menos após a Restauração. Ou ele foi convidado por seu próximo e longo tempo de amizade pessoal com Sir Robert Moray?

Dr. Jonathan Goddard – Parlamentar

Goddard era um médico que havia obtido seu doutorado de medicina em Cambridge em 1643, com a idade de 26 anos. Ele tinha sido nomeado Professor de Física no Gresham College em 1655, mas tinha sido Diretor do Merton College em Oxford. Goddard teve o melhor dos dois mundos. Talvez lhe tenha sido concedida tal licença porque era o médico pessoal de Oliver Cromwell. Ele manteve sua nomeação de Gresham in absentia e continuou a viver em Oxford, e ganhar o salário de diretor, até que Charles II o demitisse sumariamente. Goddard era amigo de Wilkins, enquanto este estava em Oxford. Mas quando Charles purgou Oxford de Parlamentares, Goddard decidiu que era hora de voltar à sua cátedra em Gresham, e voltou a viver em seus alojamentos da faculdade. Muitas das primeiras reuniões da Sociedade foram realizadas em seus aposentos no Gresham. O colégio foi importante quando a Royal Society estava sendo formada e eu não poderia deixar de me perguntar por que tantos professores do Gresham vieram a apoiar a ‘Royal’ Society, logo após serem expulsos pelo Rei recém-restaurado dos cargos mais bem remunerados da Universidade.

Sir Paul Neile – Monarquista

Neile nasceu em 1613 e tinha sido um cortesão de Charles I. Por seu serviço como um porteiro da Câmara Particular ele havia sido nomeado cavaleiro em 1633. Em 1640, foi eleito deputado por Ripon durante o Parlamento Curto, mas durante o governo de Cromwell, Neile sabiamente viveu tranquilamente perto de Maidenhead, mantendo-se discreto. Ele permaneceu quase invisível até que os livros de atas da Royal Society começaram a relatar algumas de suas atividades. É claro que ele era muito mais um cientista amador, cuja habilidade especial era a moagem de vidros ópticos para uso em telescópios. Foi esse interesse privado na produção de elementos ópticos de alta qualidade, que reuniu pela primeira vez, o então desonrado cortesão e o poderoso Diretor do Wadham College. Na verdade, Neile tinha tanta habilidade em moagem de lentes que John Wilkins preferia passar sua lua de mel com Sir Paul, falando sobre o processo de moagem, em vez de com sua nova noiva. Talvez isso tenha sido uma medida acertada, considerando a idade avançada de Robina Cromwell (ela era uma viúva de 46 anos de idade na época do seu casamento).

Dr. William Petty – Parlamentar

Petty inventou o ofício de estatístico. Ele desenvolveu técnicas de registro e análise dos detalhes de acontecimentos políticos envolvendo grande número de pessoas, e lançou as bases para o moderno Escritório de Estatísticas do Governo. Nascido em 1623, ele atuou como grumete antes de entrar para a Marinha Real. Ele manteve um interesse em navios e navegação pelo resto de sua vida. Quando a Guerra Civil começou, Petty deixou a Inglaterra. Ele foi para Paris estudar medicina e química e, enquanto estava lá ele conheceu Thomas Hobbes e Descartes. Ele voltou a Londres após a derrota do Rei, e foi bem colocado quando o Parlamento removeu muitos dos titulares de altos cargos nas Universidades, e os substituiu por os seus próprios apoiadores. Ele se tornou um Fellow do Brasenose College em Oxford, e obteve um MD. Em 1650, ele ocupou a Cadeira de Anatomia em Brasenose, e também foi nomeado Professor de Música no Gresham College. Seu verdadeiro sucesso, no entanto, veio quando ele tirou dois anos de licença de suas posições acadêmicas para ir para a Irlanda como médico-chefe do exército de Cromwell. Lá, ele ganhou uma boa reputação como médico militar. Uma vez que o exército de Cromwell subjugou a Irlanda, as terras confiscadas tiveram de ser redistribuídas e novos títulos de propriedade criados. Em dezembro de 1654 ele ofereceu-se para concluir um novo levantamento de toda a Irlanda dentro de 13 meses. Ele conseguiu de forma brilhante e seu ‘Levantamento Down’ ainda é a base de registro legal de títulos para uma grande parte das propriedades de terras da Irlanda.

Durante seu tempo na Irlanda, Petty conheceu Robert Boyle, que se tornou seu paciente e amigo. Através de Petty, Boyle encontrou o ‘Grupo Parlamentar de Mesa Alta” (incluindo Wilkins). Esses eram acadêmicos que tinham substituído monarquistas e agora ocupavam todos os cargos importantes em Oxford. Petty se tornou rico independentemente de seu levantamento bem sucedido da Irlanda. No entanto, ele ainda mantinha seus compromissos de Oxford e no Gresham College “in absentia” e ganhava ambos os salários. No final dos anos cinquenta, Petty começou a ter um interesse prático em projetos de embarcações à vela eficientes. Ele começou a trabalhar em projetos para casco duplo (navios do tipo catamarã), que tinham o potencial para ultrapassar grandemente os navios contemporâneos.

Ele tinha sido um partidário tão forte do Parlamento durante o período da comunidade, que no final de 1660 foi destituído da Vice-presidência do Brasenose College em Oxford. Ele foi morar em Gresham, mantendo a cabeça baixa com os outros refugiados. A Cadeira de Música no Gresham College era o único posto acadêmico que ele conseguiu manter. Talvez seja dificilmente surpreendente que ele tenha se encontrado com seus antigos colegas, que também tinham sido expulsos de seus acolhedores postos universitários pelo Rei recém-retornado. Enquanto estava residindo no Gresham College, sua participação na palestra de Wren em 28 de novembro de 1660 não me surpreendeu, mas por que ele queria ajudar a fundar uma Royal Society era um quebra-cabeça. Ele não tinha nenhum motivo para gostar do Rei ou a esperança por patrocínio do monarca.

Sr. William Ball – Monarquista

Ball era um cientista amador e um monarquista. Charles II o escolheu para ser o primeiro tesoureiro da Royal Society. Antes da reunião de 28 de novembro, Ball tinha estado cooperando com John Wallis para estudar os anéis do planeta Saturno. Entre 1656 e 1659, Wallis escreveu uma série de cartas ao astrônomo holandês e matemático, Christiaan Huygens. Nessas cartas, ele relatou os resultados de observações de Ball.  Huygens chegou a citar o trabalho de Ball na sua própria teoria sobre a natureza de Saturno e seus satélites. Huygens visitou a casa de Ball em Londres em 1 de Maio de 1661. Na noite dessa visita, o Sr. Ball realizou um jantar para comemorar o primeiro aniversário da leitura do Parlamento da Declaração de Breda de Charles II. A aceitação dessa declaração pelo Parlamento abriu o caminho para a volta do Rei, de Haia em Maio de 1660. Sir Robert Moray, que havia passado alguns anos na Holanda também foi convidado para o jantar.

Sr. Laurence Rooke – Parlamentar

Laurence Rooke foi o anfitrião da reunião de 28 de Novembro. Na época, ele era Professor de Geometria no Gresham College e tinha 38 anos. Ele havia ganhado seu diploma do Kings College em Cambridge em 1643, e então afastou-se por três anos para se viver no campo. Ele parece nunca ter gozava de boa saúde. Na verdade, ele nem mesmo estava em condição de se formar. Seu título foi concedido “in absentia”, pois ele não estava forte o suficiente para participar da cerimônia. Ele foi viver em Kent depois de completar a sua licenciatura. Esse retiro para o campo pareceu fortalecê-lo, e em 1650 mudou-se para o Wadham College, para estudar com John Wilkins e Seth Ward. Ele também conheceu e trabalhou com Robert Boyle. O fato de que ele era aceitável em Oxford confirma que era um partidário parlamentar, pois todos os monarquistas foram expulsos das universidades. Depois de dois anos trabalhando em Oxford, foi-lhe oferecido o cargo de Professor de Astronomia no Gresham College, cargo que ocupou por cinco anos, até que ele se tornou Professor de Geometria no Gresham em 1657.

A principal área de interesse de Rooke era a medição da longitude. Suas primeiras ideias eram de usar avistamentos da lua ou os movimentos das luas de Júpiter. Ele escreveu artigos sobre métodos para a observação de eclipses lunares com “o objetivo de determinar a longitude geográfica terrestre”. Rooke sabia que o movimento de sombras na superfície da lua podiam ser usados como um relógio preciso. Os picos irregulares das montanhas da lua atuavam como um ponteiro sobre um relógio de sol, e ele achou que as várias crateras e fendas poderiam tornar-se a escala deste relógio celestial. Como a lua era visível em todos os lugares na superfície da Terra, o momento do contato da sombra acontecia ao mesmo tempo para todos os observadores. Rooke reconheceu a lua como um relógio de sol gigante pendurado em plena vista de todo o mundo. Tudo o que era necessário para conhecer a sua longitude era medir a altura de uma estrela de primeira magnitude e compará-la com a sua altitude, na mesma hora para o ponto de origem.

Charles II ficou tão impressionado com a ideia que pediu uma demonstração desse efeito. Suas instruções, enviadas via Sir Robert Moray, pediam que fosse construído um modelo de globo grande, na escala da lua “representando não só os pontos e diferentes graus de brancura sobre a superfície, mas as colinas, eminências e cavidades moldadas na obra sólida.” O modelo foi construído por Christopher Wren e presenteado ao museu privado do rei. Ele foi criado em um suporte giratório para que pudesse ser iluminado e girava para revelar todas as fases da lua “com a variedade de aparências que aconteciam a partir das sombras das montanhas e vales.”

A ideia é genial e funciona bem, se o céu estiver claro o suficiente para permitir uma visão detalhada da lua e o marinheiro for um astrônomo experiente, familiarizado com as características da superfície da lua. Além disso, o marinheiro precisaria de uma tabela de efemérides mostrando as posições das principais estrelas.

Rooke era um homem intensamente prático, capaz de pensamentos originais. Sua praticidade, no entanto, não se estendia a cuidar de sua própria saúde. Ele pegou um resfriado enquanto caminhava para casa sem o casaco, depois de uma visita à casa de seu patrono, o Marquês de Dorchester, e morreu em 26 de junho 1662.

Sir Christopher Wren – Parlamentar

Christopher Wren nasceu em 20 de outubro de 1632 em uma pequena vila a cerca de dezesseis milhas de Salisbury. Sua mãe morreu quando ele tinha apenas dois anos de idade e no ano seguinte, seu pai, também chamado Christopher, foi nomeado Deão de Windsor e Secretário da Ordem da Jarreteira. As primeiras memórias de jovem Christopher teriam sido aquelas de viver dentro do castelo de Windsor e misturando-se aos seus ocupantes reais. A Instalação de Charles II, um menino pouco mais velho do que ele, como o Príncipe de Gales e Cavaleiro da Ordem da Jarreteira deve tê-lo impressionado. Como Dean de Windsor, seu pai participou da cerimônia em 12 de Maio de 1638.

O Príncipe Charles Louis, o exilado Eleitor Palatino também estava hospedado no Decanato de Windsor. O Eleitor tinha como seu capelão pessoal um jovem clérigo que já apareceu nessa história, John Wilkins. Nesta fase da vida de Wren, tanto ele quanto o Rev. Wilkins estavam claramente no campo monarquista.

Algo aconteceu em 1642, que fez Wilkins decidir que ele iria se sair melhor no lado do Parlamento, enquanto o jovem Christopher estava comemorando seu décimo aniversário. Uma tropa de soldados Roundhead liderada pelo capitão Fogg tomou o Decanato de Windsor e o saqueou. A família de Wren fugiu primeiro para Bristol e depois para Bicester, perto de Oxford. (Wilkins fugiu para Londres. Ele não se alinhou com os monarquistas novamente até depois da reunião de 28 de Novembro e a Restauração o forçou a isso.)

O pai de Christopher Wren manteve-se um firme partidário do Rei. Primeiro em Bristol, e em seguida, depois de Bristol ter caído diante de Lord Fairfax, em Oxford. (Charles havia mudado seu Parlamento para Oxford naquela época.) Em uma tentativa de manter seu filho fora das hostilidades, o velho Wren enviou Christopher para a escola em Londres, onde ele se encontrou com John Wilkins, agora um partidário do Parlamento e Diretor do Wadham College de Oxford. Em 1650, aos 18 anos, Christopher foi para o Wadham College estudar. Wilkins tornou-se protetor de Wren, algo que ele certamente precisava naqueles tempos difíceis, pois seu pai havia enfrentado sérias acusações dos puristas Roundhead. Eles disseram que o trabalho de gesso decorativo que ele havia criado na sua Igreja em East Knoyle, era ornamentado demais e papista! O pai de Wren foi severamente censurado e perdeu sua renda, enquanto Wren júnior prosperava em Oxford sob a proteção de Wilkins.

Em 1657, Christopher Wren foi nomeado para a Cadeira de Astronomia de Gresham. Para marcar sua preferência, Sir Paul Neile, um velho amigo da família Wren de seus dias em Windsor, deu a Christopher um novo telescópio. Wren o usou com bons resultados durante os quatro anos em que ficou em Gresham. Wren deixou Gresham em 1661, para assumir o cargo de Professor Saviliano de Astronomia na Universidade de Oxford. Este foi o posto de onde Seth Ward havia sido ejetado por Charles II apenas doze meses antes.

Sr. Abraham Hill – Sem compromisso

Hill parece uma escolha muito estranha para um dos fundadores da Royal Society. Sua principal virtude era que ele era rico. Ele tinha só vinte e cinco anos, mas no início de 1660 seus pais morreram deixando-lhe uma fortuna moderada. Ele não tinha necessidade de trabalhar para se manter e, como ele não tinha se beneficiado de uma formação universitária, decidiu aproveitar as palestras públicas oferecidas pelo Gresham College.

Ele era um ouvinte regular para palestras de Gresham e assim, talvez, foi natural para ele ser convidado para as discussões posteriores. Ele estava certamente interessado nos processos experimentais iniciais da nova Sociedade, servindo em muitos comitês e ajudando os membros mais eruditos em vários experimentos

Sir Robert Moray – Covenanter / Espião Francês / Monarquista

Sir Robert Moray também era escocês. Ele nasceu em 10 de março de 1609 e foi educado na Universidade de St. Andrews antes de servir com os Scots Guards de Louis XIII em 1633. No fim da vida do Cardeal Richelieu, Moray tornou-se seu favorito e, em seguida, atuou como espião para ele. Em 1638 a Assembleia Geral dos Covenanters na Escócia estava se rebelando contra Charles I.  Richelieu deu a Moray uma comissão, promovendo-o a tenente-coronel dos Scots Guards de elite de Louis, e o despachou para a Escócia. Aparentemente ele deveria recrutar mais soldados escoceses, mas ele também admitiu que tivesse o objetivo de auxiliar seus compatriotas em sua disputa com Charles, causando problemas para a Inglaterra.

Moray foi nomeado intendente-geral do exército dos Covenanters em 1640. Ele foi responsável por desenhar acampamentos e fortificações, onde seu conhecimento de matemática e agrimensura teria sido extremamente importante. Ele marchou para o sul com o Exército Escocês em direção a Tyne e desempenhou o seu papel na derrota dos Exército inglês alistado do Conde Stafford, em Newcastle. Em 20 de maio de 1641, Moray foi iniciado na Maçonaria enquanto estava em Newcastle; os oficiais maçons que o iniciaram eram o General Alexander Hamilton, comandante do Exército dos Coventanters em Newcastle e John Mylne, Mestre Construtor do rei Charles I.

Por volta de 1643 ele estava atuando como um agente de ligação entre o Exército dos Covenanters e Charles I em sua corte em Oxford. Em 10 de janeiro de 1643, Charles o sagrou cavaleiro. Logo depois, Sir Robert retornou à França e foi promovido a coronel dos Guardas Escoceses. Ele foi capturado pelo Duque de Bavária enquanto liderava seu regimento na batalha em 24 novembro de 1643 e ficou preso por 18 meses. Ele foi libertado em 28 de abril de 1645, quando os franceses decidiram pagar um resgate de 16.500 libras por ele.

Após a execução de Charles I, e, a pedido do Conde de Lauderdale, Moray abriu negociações que levaram a Charles II ir para a Escócia para ser coroado rei da Escócia, em Scoon em 1650. A campanha de Charles, com um exército escocês, para recuperar a Inglaterra de Cromwell falhou na batalha de Dunbar e, depois de se esconder por um tempo em um carvalho, Charles fugiu para a França. Moray permaneceu na Escócia.

Logo após a fuga de Charles, Moray se casou com Sophia Lindsey, a irmã do Conde de Balcarres. Em julho de 1652 os recém-casados ​​Morays voltaram para Edimburgo para o nascimento de seu primeiro filho, e também para ajudar a organizar um levante para restaurar Charles ao trono da Inglaterra, mas nenhuma das duas coisas aconteceu. Sophia sofreu um trabalho de parto prolongado e agonizante antes de finalmente morrer em 02 de janeiro de 1653, com um natimorto.

Os escoceses foram derrotados por Cromwell na batalha de Loch Garry em julho de 1654. Moray foi acusado de trair o rei, mas foi liberado depois de escrever diretamente a ele e apelar por sua inocência. Moray retornou à França, e nunca se casou novamente.

Em 1655, Moray estava de volta a Paris. Aos 46 anos, ele estava ficando velho demais para os Guardas Escoceses. Ele renunciou à sua patente e, depois de passar um ano em Bruges foi para Maastricht, onde passou seu tempo estudando ciências e mantendo correspondência duradoura com Alexander Bruce. Em setembro de 1659 foi a Paris para se encontrar com Charles, e passou a tomar parte nas negociações com o general Monck para ter Charles restaurado ao trono da Inglaterra.

Quando o rei voltou à Inglaterra, no final de junho 1660, Moray permaneceu em Paris por alguns meses. Quando ele viajou para Londres, em agosto, os contemporâneos relataram que o rei o cumprimentou calorosamente. ‘Sua Majestade recebeu Robert Moray esmagando e chacoalhando sua mão.’ Charles encontrou para ele imediatamente uma casa de graça dentro do recinto do Palácio de Whitehall. Um desenho de Whitehall em 1680, mantido pela Sociedade Topográfica de Londres, mostra que os alojamentos de Sir Robert eram uma pequena casa situada dentro do Horse Guards Gate e com vista para o jardim privado. O local dessa casa era exatamente oposto ao lugar onde fica agora Dover House no atual Whitehall.

Foi desta casa que Sir Robert partiu para o Gresham College em 28 de novembro. Ele estava morando em Londres há três meses, depois de ter passado os últimos 10 anos no exílio. Ele dificilmente poderia ter sido um participante regular das reuniões de Gresham durante essa época. Eu estava muito interessado em tentar descobrir por que ele decidiu comparecer ao Gresham College para a palestra de Wren. Mas eu também queria saber apenas como é que um espião francês chegou a conhecer o cunhado de Oliver Cromwell? Muito menos ser convidado para uma reunião com tantos Parlamentaristas insatisfeitos, que como história nos diz, elegeram por unanimidade o cunhado de Cromwell para presidi-las.

Os fundadores originais da Royal Society dividiram-se em dois grandes grupos. Cerca de metade era de monarquistas que se mantiveram fora da vida pública durante o governo de Cromwell e retornaram a Londres em busca de avanço na corte do Rei Carlos II; enquanto a outra metade era de acadêmicos parlamentaristas que haviam assumido o controle das Universidades sob Cromwell, mas que tinham sido expulsos de praticamente todos os lugares, exceto do Gresham College, quando Charles retornou. Adicione-se a esta mistura um jovem rico e independente que estava seguindo um curso voluntário em autoeducação, novamente em Gresham, e você tem uma imagem bastante clara dos fundadores. Agora vamos olhar para o papel de Robert Moray em reuni-los.

Continua…

Autor: Dr. Robert Lomas

Tradução: José Filardo

Fonte: REVISTA BIBLIOT3CA

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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Uma resposta para A Royal Society e a Grande Loja de Londres de 1717 – Parte II

  1. Carlos Eifler disse:

    The Nation have a necessary Nation-king the History have a the true that !

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