O Simbolismo da Roda – Capítulo 2 (2ª Parte)

Outras Modalidades do Símbolo da Roda

Com nossa ótica cultural contemporânea, estamos acostumados a visualizar o espaço e o tempo como homogêneos, sem fissuras. A antiguidade não pensava o mesmo. E estabelecia em distintos lugares geográficos, especialmente escolhidos, e em datas calendáricas precisas, seus espaços e tempos rituais. E esses são precisamente, na trama invisível da vida, os pontos de junção (ensamble, nós ou ligaduras), ou de interconexão com outros planos ou mundos[15].

Nesse sentido, é interessante destacar a simbologia dos povos peregrinos, que em uma viagem através dos anos (tempo) e dos distintos lugares (espaço), encontram seu ser ao se solidificarem, concentrarem ou cristalizarem como um povo, ou nação, em determinada circunstância temporal e espacial[16]. Ressaltada esta circunstância pelos sacerdotes, os sábios e os chefes, o povo se assenta nessa paragem e nesse tempo, e cria dessa maneira uma cultura. A vida nova de um grupo. Um plano, ou meio que, por irradiação de um centro, como no modelo da roda cósmica, tem que estruturar as concepções, emoções, sentimentos, de uma comunidade. Ou o que é o mesmo, sua razão de ser como tal.

Assistimos a uma RE-criação do mundo, à instauração de uma cosmogonia, que faz possível a vida desse grupo, e que o mesmo povo conforma ao atuá-la. Essa “cosmificação” de um ponto espaço-temporal da circunferência – ou periferia da roda – seria um raio da roda, um reflexo da unidade central, e um verdadeiro centro para os adstritos a ela [cultura]. Nesse sentido, devemos recordar uma vez mais, que à energia centrífuga ou de expansão, corresponde a energia centrípeta ou de contração. E que ambas conjuntamente realizam o rito da vida e da morte, dessa ou de qualquer outra comunidade, assim como de qualquer coisa criada, que está sujeita a determinante causa-efeito, como tudo o [que está] incluído no mundo manifestado. Assim, ao instaurar um espaço e um tempo significativo, na massa do amorfo e indeterminado[17], este é sacralizado[18] e realçado por sua qualidade intrínseca, em detrimento do menos significativo ou profano, nitidamente vinculado com o relativo, com o o múltiplo e com o artificial.

Desta maneira, mediante este rito, nasce um povo que começa a contar seu tempo, sua história, desse momento em diante. Sendo suas origens, desta perspectiva, míticas ou não temporais. Igualmente toma consciência de si, de seu ser, e se visualiza como protagonista, “centro do mundo”, ou “povo eleito”. O que é o mesmo que dizer que tem um nome[19].

Esse mesmo nome, ou cor, ou número, ou particularização químico-genética, ou impressão digital, é absolutamente pessoal. E se expressa mediante uma marca ou signo, que outorga ao ser sua individualidade dentro de um conjunto de seres. E que –paradoxalmente – é ao mesmo tempo o anúncio de sua própria morte, na limitação (causa-efeito) de qualquer plano de existência. Já que é claro que aquilo que nos dá a vida, por esse mesmo expediente, está nos assinalando com a morte.

Vimos então, como o nascimento de um ser – por exemplo, uma cultura – cria simultaneamente um novo espaço e um novo tempo, onde se desenvolve esse ser; e que tal desenvolvimento não é senão esse próprio ser. Ou dito de outra maneira: que toda criação renova as possibilidades espaço-temporais, arquetípicas, da criação original, e não é mais que uma modalidade dessa mesma criação, ao atualizar as possibilidades daquilo que no universo manifestado deu lugar às coordenadas espaço-temporais. Para uma civilização tradicional, as festas sagradas são pontos significativos na circunferência do ciclo calendárico, que garantem a comunicação com a energia invisível do centro, reflexo da verticalidade[20]. O mesmo acontece com o vasto espaço que, como o ano, apresenta pontos e situações de junção, de comunicação de energia através de distintos planos ou níveis[21]. Elas estão dadas em circunstâncias geográficas precisas, nos lugares onde se estabelecem as cidades, fundam-se os templos, ou se instala a casa habitação[22].

Estes pontos significativos (sagrados), estão claramente hierarquizados com relação aos insignificantes (profanos), embora intimamente relacionados com eles, já que não poderiam existir uns sem os outros[23].

Nesta perspectiva, o centro do modelo simbólico da roda corresponderia à origem. E seu desdobramento manifestado ao samsara (para empregar um termo hinduísta-budista), do qual, e graças a uma concentração de energias, retornar-se-ia à unidade nirvânica simultânea dos seres e das coisas, da qual estes não saíram jamais, senão em forma ilusória e sucessiva, de acordo com os padrões dialéticos da mente dual. Por outra parte, terá que se destacar que esta divisão hierárquica entre o nirvânico e o samsárico, e deste modo entre o sagrado e o profano, o simultâneo e o sucessivo, é por certo relativa. E válida só do ponto de vista do samsárico, do profano e do sucessivo. Quer dizer, do discursivo, que trata de expressar um só fato e uma só realidade, que em si mesma compreende a gama indefinida de todas as possibilidades de manifestação, sejam estas o que forem. Da periferia ao centro se estabelecem essas hierarquias, sendo o centro mesmo a máxima hierarquização, como símbolo no plano da unidade original vertical, que produz por graus todas as coisas, e à qual necessariamente elas retornam de forma sucessiva. Se uma gota d’água cai em um lago, forma um campo de irradiação que chega a seus próprios limites. Do ponto de vista de um ser situado nesse limite, e portanto, um ser sucessivo, o retorno a sua fonte original se realizaria através da ruptura dos diversos círculos concêntricos, que lhe apresentariam como imagens de mundos ou estados espaço-temporais diferentes, como escalonados, os quais impedem deste modo sua fusão com o centro. Ou envolvem e ocultam essa gota original, essa semente primitiva, que se vislumbra como anterior no tempo.

A figura simbólica de um círculo[24] que contém outros círculos internos, considerada do ponto de vista de sua expansão (ad-extra), é a sucessão de degraus intermédios que tornam possível a existência de qualquer criação[25]. Tomada do ponto de vista da periferia, é a viagem hierarquizada (ad-intra), ou a escala sucessiva que se percorre ao se pretender a fusão com o centro primitivo[26]. Assim, no modelo de uma cidade tradicional (ou civilização), os limites da mesma emolduram um espaço significativo. Fora desta ordem, tudo é incerteza, confusão, barbárie ou selvageria. Mas esta cidade se acha hierarquizada. Em sua periferia vive a grande massa[27]. Um grau adentro (ou mais alto), acha-se um número menor de pessoas que se dedicam a atividades mais específicas. Outro grau ou passo mais adentro ou acima, encontra-se um grupo ainda menor, a nobreza, e acima dela, sozinho, o imperador, como encarnação do poder real e, sobretudo, do conhecimento ou sabedoria sacerdotal[28]. Esta é a verdadeira ideia de aristocracia, sempre ligada à hierarquia espiritual, e ao conhecimento que ela entranha, sem ponto em comum com as versões às quais estamos geralmente habituados – degradação e inversão – próprias “deste mundo”.

No simbolismo construtivo, a arquitetura do templo se levanta do plano quadrangular da base (terra), até a semiesfera da cúpula (céu), escalonada hierarquicamente em planos ou níveis sobrepostos. Este templo, em sua planta, ou plano horizontal, reproduzirá as mesmas Hierarquias verticais de sua estrutura, e a passagem árdua e hierarquizada através delas. A rua representaria o mundo do confuso e do aleatório. A ela se abre a porta (símbolo de passagem de um espaço a outro espaço, ou de um estado a outro estado) do templo, que estabelece propriamente o limite entre o sagrado e o profano. Ao transpô-la, e em seguida da passagem pela área onde se acha a pia batismal (símbolo da regeneração pela água, ou novo nascimento), penetra-se no recinto propriamente dito: e se percorre o caminho[29] que leva ao centro do templo[30]  onde se encontra o altar, como projeção, no plano, da verticalidade da cúpula. E sobre a pedra de sacrifício, relacionada com o fogo, o sacrário[31], um recinto ou recipiente vazio capaz de recolher os eflúvios celestes, que se derramam sobre este ponto como emanações, e que bem poderia ser chamado o “coração” do templo.

Dali em diante, as hierarquias são verticais, e para as perceber terá que morrer novamente, e ressuscitar ou regenerar-se no fogo. Enquanto as águas batismais estão relacionadas com os nascidos de ventre de mãe (embora façam jejuns, penitências, sejam ascetas, ou pratiquem a castidade como João Batista), o batismo de fogo está relacionado com a pedra de sacrifício, o sangue e o vinho cerimonial; com Cristo, e os que já virtualmente não têm nenhum condicionamento humano, nem mesmo o impreciso sinal da determinação do nascimento, por isso não se encontram identificados com sua pessoa, nem inclusive com seus mesmos atos relativos. Quer dizer, os que já conhecem por intuição direta os estados supra-individuais do ser, dos quais se diz já não perceberem exclusivamente pelos sentidos, e se acham em condições de empreender então uma nova viagem, desta vez vertical. Esta mesma significação (dos círculos contidos uns nos outros, hierarquizados com respeito a sua aproximação a um centro ou eixo) dão-na os hebreus, quando dizem que Sião é a terra escolhida, que dentro dela se acha a cidade sagrada de Jerusalém, no interior desta, seu templo, e oculto no coração deste último, o Sancto Sanctorum.

Se o templo for um modelo do cosmos, os eflúvios divinos têm que se encontrar de forma imanente no mais oculto dele mesmo. Se o corpo humano for também um templo e um modelo, ou miniatura do cosmos, estes eflúvios também se têm que encontrar em forma virtual, ou em potência, no fundo do coração. No modelo cósmico da roda se achará o ponto central (invisível), que articula suas irradiações ou vibrações graduais de energia, até chegar a seus próprios limites, ou suas formas superficiais. Mas: a) o templo não é a soma de seus tijolos, nem o inventário quantitativo que se poderia fazer em qualquer direção de seu conjunto, ou de suas partes; b) deste modo o homem não é a soma de suas células, nem o catálogo de seus inumeráveis componentes; e, c) por outra parte, no modelo simbólico que estamos estudando: “trinta raios convergem para o cubo da roda, mas é o vazio do centro o que faz útil à roda”[32]. Na realidade, o que verdadeiramente interessa, é o espaço interno e suas qualidades diferentes, significativas, sagradas, e não a sucessão quantitativa de janelas e colunas do templo, ou músculos e poros do homem, ou lugares indefinidos por onde passa, tenha passado ou passará a roda. Na verdade, esse lugar interno, é a morada do silêncio, ou do mistério. O coração é a clave (chave) do ser. Pois nele se acha a possibilidade da ascensão vertical. A salvação messiânica, ou a saída definitiva do samsara ao nirvana, ou estado de “iluminação”[33].

Esta liberação, obtém-se através de um caminho gradual, por estações, que no caso da tradição extremo oriental, enumeram-se da periferia ao centro, como Tao do homem, Tao da terra, Tao do céu, e o Tao de Taos, ou Tao abstrato. Na tradição judaica (e também da periferia ao centro), como Olam ha’asiyah, ou mundo da realidade materializada, Olam hayetsirah, ou mundo das formações cósmicas, Olam haberiyah, ou plano da criação e Olam ha’atsiluth, mundo das emanações. Este caminho espiral ascendente, que vai do mais baixo ao mais alto[34], do mais grosso ao mais sutil, do múltiplo ao sintético, e vincula vários planos entre si, de maneira sucessiva, é o que descreve Dante na Divina Comédia. E é bem sabido que essa via é chamada de iniciação nos mistérios. O que equivale à transmutação da consciência do aprendiz ou aluno, a ampliação de todas suas possibilidades latentes ou adormecidas, o qual [o aprendiz], através de um processo arquetípico, realiza uma “viagem”, ou caminho sucessivo; a aventura do conhecimento, que finalmente termina na obtenção do buscado. Este achado é chamado licor de imortalidade, elixir de longa vida, paraíso, tesouro, vida eterna, ou Santo Graal.

No centro arquetípico, ou no eixo vertical, está esse lugar que todos os seres desejam, até sem sabê-lo. E ali é onde o encontram os homens da ciência, ou filósofos, ou artistas, como se denomina os alquimistas medievais. É por outra parte, nesse lugar invisível, apenas virtual, onde os sábios de todos os povos e de todas as tradições o acharam unanimemente. Pois conhecem que o que é maior em um sentido, é menor em outro, e vice-versa. Assim, o que é maior em uma ordem elevada (céu), é quase imperceptível em uma ordem baixa (terra). E o que é maior em uma ordem baixa (terra), é menor em uma ordem alta (céu). Estes personagens procuram então o pequeno, o imperceptível, o invisível, o sutil, porque sabem que ali se acha em potência toda a possibilidade do poder. E não o buscam para em seguida utilizá-lo com ânimo prático. Nem tampouco manipulam este conhecimento como uma “fórmula” literal. Mas sim, experimentando em si mesmos, reconhecem ou encarnam a verdade destas asserções, nitidamente invertidas com relação à educação ilusória recebida no mundo profano, que faz do quantitativo e do maior o mais poderoso, quando a realidade é precisamente o contrário, pois qualquer ato está incluído em sua potência.

Em todo caso, esse “caminho”, ou “viagem”, é análogo ao da criação de um mundo ou cosmos. É também a reintegração da alma a seus planos superiores, tanto depois da morte física, como da morte iniciática. E em ambos os casos, a alma que detém seu andar na “viagem” divina do ser, deve necessariamente descer e reencarnar novamente, se se tratar da morte física, e de limitar-se a um nível do caminho fixado por suas próprias convicções ou condicionamentos, se nos referirmos à iniciação. Não terá conseguido, então, ser reabsorvida na sua origem, e se verá impelida a errar, uma vez mais, através de inumeráveis estados do ser universal, tendo perdido a oportunidade que representava o estado humano, sem que isto implique a condenação definitiva[35], senão a dificuldade da realização espiritual, e as “provas” necessárias para o “polimento da pedra”, ou seja: a infeliz passagem de um estado a outro estado (morte-ressurreição, desatar-atar), até a imobilidade do princípio sempre presente.

Neste sentido, devemos anotar que o homem “progressista”, “vitorioso” e “de ciência”, conforme é concebido pela sociedade moderna contemporânea – quer dizer, por nós ao sermos filhos da programação condicionada que nos coube –, não chegou ainda, aos olhos de uma sociedade tradicional, a ser homem. Segundo esta concepção, existimos ordinariamente em um estado infra-humano, e devemos atualizar, mediante um intenso trabalho, nossas potencialidades latentes ou adormecidas, até chegar ao estado edênico, virginal ou primordial[36], que em nosso modelo da roda é o ponto central, original, o tabernáculo do templo, o coração do ser, espaço vazio no qual podemos ser fecundados pelo espírito. Dar-se-ia, então, a possibilidade do nascimento do Cristo interno – anunciado por João e Elias[37] – que, por sua vez, através de sua paixão e morte, pudesse finalmente identificar-se com o Pai, em forma direta, o que lhe permite a ressurreição e a vida eterna. Neste último caso, chegar-se-ia à fusão com a deidade – sem confusão –, à união no eixo vertical representado pela árvore da cruz. Quer dizer, aos estados supra-humanos, ou supra cósmicos, e à possibilidade da transcendência absoluta, que nenhuma linguagem ou código poderá jamais expressar, mas que pode ser vivenciada pelo verdadeiro homem, em seu caráter intermediário.

Autor: Federico González
Tradução: Igor Silva

Notas

[15] – A série numérica e a escala musical são dois códigos descontínuos, e seus componentes não são homogêneos. Daí vem os paradoxos aritméticos e os semitons musicais.

[16] – No caso dos astecas, logo depois de uma peregrinação de um número preciso (mágico) de anos, estes acham seu momento ou a maturação necessária ou a cisão temporal adequada, que se corresponde com um fato espacial: o descobrimento de uma ilha entre as águas, símbolo tradicional do centro; e de uma pedra, miniatura da montanha, que junto com a árvore –neste caso um nopal– é emblema do eixo.

[17] – Por exemplo, o esquema circular ou quadrangular de uma cidade (ou civilização), em meio da confusão das selvas ou dos campos selvagens. Por outra parte, os templos ou locais de culto de forma circular são próprios dos povos nômades, enquanto que os de base quadrangular correspondem aos sedentários.

[18] – O sagrado não tem relação com o “religioso” tal qual hoje é entendido vulgarmente.

[19] – Recordar a potestade criativa e intermediária que possui o homem, outorgada a Adão no paraíso: a de nomear todas as coisas. Por outra parte, os nomes não são senão as formas simbólicas do inominável. E já se sabe que o nome expressa a essência da “coisa”.

[20] – Ou raios, no modelo da roda do cosmos. Estes “raios”, cuja relação com o celeste resulta óbvia, são emissários que unem a terra com o céu. No caso do círculo são os “raios” que vinculam o centro à circunferência.

[21] – Como já se indicou, cada um dos indefinidos pontos da periferia constitui uma “individualização” e uma imagem refletida do ponto arquetípico; desta forma, esta [individualização] corresponderá a uma sociedade ou a um ser humano.

[22] – Estes termos são equivalentes e intercambiáveis. O altar da casa é o lar, opater familias é o sacerdote. Nos povos nômades se leva um poste ritual, símbolo do eixo, que se assenta no lugar onde deve acampar esse povo. Outros peregrinos levam esse mesmo centro dentro de si.

[23] – Na vida (ciclo) de um homem, esses pontos significativos, nos quais se estabelece comunicação direta ou vertical, com outros tempos ou espaços, ou melhor, onde se atualizam outras leituras ou vivências, das coordenadas espaço-temporais nas quais estamos enquadrados (crucificados), podem ser visualizados como estados especiais da consciência e muitos deles se recordam como significativos ou como evocações ou “recordações”, no sentido que Platão atribuía a esse termo.

[24] – Ou seu equivalente quadrangular.

[25] – Jacó, andando pelo deserto, deita-se em um lugar determinado e com uma pedra, símbolo do eixo (miniatura da montanha), como travesseiro, “sonha” com “anjos”, que “descem” e “sobem” por uma escada, do céu à terra e da terra ao céu. Esta irrupção do vertical no horizontal, é equivalente à irradiação do centro ou ao raio de uma roda, que comunica o movimento à periferia, como já vimos.

[26] – Assim, Dionisio Areopagita, falando das linhas retas que convergem ao centro, diz-nos que na medida em que elas estão mais próximas deste, a união é mais íntima. E, pelo contrário, quanto mais afastadas estão dele, maior é a separação.

[27] – O que poderíamos dizer, a base, se damos tridimensionalidade ou relevo a este modelo plano da cidade. De fato, círculos ou quadrados sucessivos, uns dentro dos outros, dão-nos a ideia, no plano, do que é a pirâmide ou o zigurat, no espaço. Que vai da base numerosa, à culminação do ponto único final.

[28] – Observe-se que a série expansiva (ad-extra) poderia ser expressa assim: 1 + 2 + 3 + 4 = 10 (número de totalidade). Enquanto a série contrativa (ad-intra) seria: 10 = 4 + 3 + 2 + 1, conforme a conhecida tetraktys pitagórica.

[29] – Neste percurso se encontra o “labirinto” (como em Chartres e em outras catedrais e templos), símbolo da peregrinação na busca do conhecimento e do perigo de “perder-se”, do qual se terá que encontrar, arduamente, a saída, para a própria salvação.

[30] – Em algumas igrejas, em especial nas catedrais góticas, este centro não se acha no “meio” da forma arquitetônica, mas sim no centro da cruz, que é o esquema do plano construtivo. Como se sabe, a cruz cristã não tem os braços iguais.

[31] – O santuário ou arca da aliança é, por sua vez, outra miniatura do cosmos.

[32] – Lao Tsé: Tao Te King 11.

[33] – É curioso destacar que muitas pessoas pensam que a iluminação é algo que se produz com coros sentimentais de violinos e harpas ou com uma música grave e solene, em um mundo cinematográfico autocompassivo e pomposo. Outros acreditam que chega de casualidade ou como algo fulminante. Em ambas as versões, deve notar-se que esta “iluminação” vem de fora e ilumina o sujeito em questão. Ou seja, que há um sujeito que ilumina e um objeto iluminado. Bem pelo contrário, a iluminação se refere a um estado de consciência, onde as coisas e nós somos uma só identidade, sem confusão de nenhuma espécie. E onde uma iluminação distinta abrange todos os objetos, que simultaneamente brilham à nova luz de um estado, que se acaba de descobrir, e que se traduz nesse conhecimento.

[34] – Apesar de que suas primeiras e longas etapas sejam descritas, muitas vezes, como um descida aos infernos, uma viagem ao inframundo, ao interior da terra.

[35] – Por um ato de arrependimento do presente, ou seja, uma reatualização, apagam-se os “pecados” do passado. O eixo da roda se mantém imutável, enquanto é próprio da mobilidade a mudança permanente.

[36] – Saber que não somos nada, que nada devemos saber, destituirmos o vão orgulho da ignorância oficializada e nossa falsa segurança.

[37] –  Este seria, propriamente, o estado humano. E corresponderia, então, à função mediadora do homem entre céu e terra. A título adicional, diremos que é bem conhecida a identificação entre Adão e Cristo. Esta situação central é chamada tifereth na cabala hebraica e corresponde ao centro de onde o sol extrai sua energia, que manifesta, repitamo-lo, através de seus raios ou os raios da roda.

Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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