René Guénon e a Maçonaria (Parte I)

Um dos temas de investigação sem dúvida apaixonantes entre os muitos que oferece a obra de René Guénon é, precisamente, o que nos toca desenvolver nestes parágrafos: a influência de dita obra na Maçonaria, sabendo de antemão que não podemos abordar, por razões óbvias, tudo o que Guénon disse a respeito, que foi muito e muito importante. Isto nos obriga a sermos necessariamente sintéticos em nossa exposição, e a assinalar tão só uma série de pontos que, parece-nos, pudessem oferecer uma visão global do que a mensagem guenoniana representa para a Maçonaria, uma das poucas vias iniciáticas que ainda sobrevive no Ocidente.

E quando falamos dessa influência, o fazemos sabendo que a obra legada por Guénon, em seu conjunto, constitui não a exposição de uma forma tradicional qualquer, senão que se trata da adaptação à nossa época da doutrina metafísica e da cosmogonia perene, cuja depositária não é outra senão a Tradição primordial, também chamada Tradição unânime e universal, pois sua origem é não-humana, ou melhor ainda, supra-humana, por ser a expressão própria da Verdade e da Sabedoria eternas[1]. Para Guénon, todas as formas tradicionais (incluídas as que têm dentro de si um componente religioso ou esotérico) derivam dessa Tradição primigênia, e dela extraem sua legitimidade enquanto tais formas. Isto inclui, naturalmente, a tradição Maçônica, segundo confirmam as diferentes lendas aonde se relatam suas origens míticas, bem como seus códigos simbólicos e seus ritos iniciáticos, os quais constituem suas senhas de identidade e sua razão própria de ser. Quiçá foi a sobrevivência desses códigos a razão principal do interesse mostrado sempre por Guénon pela Maçonaria, interesse que, ademais, estava plenamente justificado pelo fato de que esta, longe de encontrar-se em pleno vigor, achava-se submergida numa profunda decadência que a conduzia de maneira inexorável à beira de seu desaparecimento como organização iniciática e, portanto, de ser completamente absorvida pelo mundo profano.

Com efeito, a princípios do século XX, quando Guénon começa a escrever seus primeiros artigos na revista “A Gnose” (precisamente na época em que recebe a iniciação islâmica, a taoísta e a Maçônica), a Maçonaria estava sofrendo da mesma sorte que antanho correram outras organizações iniciáticas e tradicionais de Ocidente, como foi o caso da Ordem do Templo e a Ordem Rosa-Cruz, às que mais adiante nos referiremos. A incompreensão de que eram objeto os símbolos e os ritos pela maioria de seus membros era a causa principal dessa decadência, que para Guénon já começa quando a princípios do século XVIII a Maçonaria perde grande parte de seu antigo caráter operativo (herdado dos construtores e confrarias artesanais da Idade Média) ao fazer-se predominante nela o “especulativo”, que longe de constituir, como assinala o próprio Guénon, “um progresso, implica, não um desvio propriamente dito, senão uma degeneração no sentido de um apequenamento, que consiste na negligência e no esquecimento de tudo o que é realização, porque é isto o verdadeiramente ‘operativo'”[2].

Esse esquecimento seria então a verdadeira origem do “especulativo” dentro da Maçonaria (ou da preponderância deste em detrimento do operativo, pois ambos não têm por que se excluir, como não se excluíram na antiga Maçonaria, aonde o especulativo se correspondia com a iniciação virtual e o operativo com a realização efetiva), o que não quer dizer que esta tenha tomado definitivamente uma forma “especulativa”, pois isto significaria afirmar que seus símbolos são só “teoria”, e não contivessem, como aliás contêm, os elementos necessários para a realização espiritual. Como antes dissemos, o “especulativo” é só um ponto de vista, por outro lado insuficiente, por seu caráter mental e reflexo, para efetuar o passo da “potência ao ato”, do virtual ao efetivo, ou como se diz em linguagem maçônica, para ir das “trevas à luz”. Isto tem de ficar bem claro em se querendo compreender o que para Guénon significava realmente a Maçonaria, pois além do estado de degeneração em que, pelas circunstâncias que sejam, encontra-se uma organização iniciática, isto “não muda nada de sua natureza essencial, e assim mesmo a continuidade da transmissão é suficiente para que, se circunstâncias mais favoráveis se apresentarem, uma restauração seja sempre possível, devendo ser necessariamente concebida esta restauração como uma volta ao estado ‘operativo'”[3]. Por isso ele insistiu, quase cada vez que abordava o tema maçônico, em assinalar as diferenças existentes entre o “operativo” e o “especulativo”, pois é esta uma questão de capital importância que deve ser entendida claramente quando se deseja compreender a verdadeira natureza da iniciação Maçônica, ou melhor ainda, da iniciação considerada nela mesma, à margem da forma tradicional através da qual se expresse. Para Guénon o “operativo” não é sinônimo de trabalho manual, nem também de “prática”, senão melhor de trabalho interior, no sentido alquímico do termo, ou seja do que o ser possa fazer consigo mesmo, em vistas ao cumprimento de sua própria realização espiritual, que é o que realmente importa, não sendo o trabalho manual senão um suporte como outro qualquer para efetuar dita realização. Não é então, por casualidade, que tanto a Maçonaria, como a tradição Hermética, também se denomine a “Arte Real”, idêntico à “Grande Obra” da transmutação alquímica. As “ferramentas” desse trabalho interior não são outras que os ritos e os códigos simbólicos, sua prática, estudo e meditação, pois eles veiculam as ideias de ordem cosmogônica e metafísica, cujo conhecimento efetivo determinará o grau do desenvolvimento do ser e a vinculação com seu Princípio uno e eterno.

No entanto, se os símbolos e os ritos, ou a energia espiritual que veiculam e da que são o suporte, não são “vivificados” pelo Espírito, isto é, se não atualizam e promovem a busca do Conhecimento, que é em definitivo do que se trata, a iniciação Maçônica será tão só “virtual”, e então sim que poderá chamar-se “especulativa”, mas não nela mesma, senão com respeito a quem assim a considere. É bastante provável que para a maioria de maçons de hoje em dia sua Ordem não seja senão isso: “especulativa”, ou teórica, sem relação alguma, ou em qualquer caso reduzida ao mínimo, com qualquer tipo de realização interior, que inclui o desenvolvimento das possibilidades de ordem universal e transcendente inerentes à natureza humana. Mas a obra guenoniana vai dirigida, sobretudo, àqueles maçons que realmente se entregam à busca do Conhecimento, esperando encontrar nos símbolos e ritos maçônicos os ensinos e os métodos necessários para fazer efetiva sua iniciação, ou seja, aos que se sentem a si mesmos herdeiros de seu legado tradicional, e se mostram receptivos a sua mensagem, considerando que está vivo e que é atuante (e não uma relíquia do passado tresnoitada e anacrônica) e, ademais, sabendo com certeza, e isto é essencial, que dito legado faz parte da “corrente áurea” ou Philosophia Perennis diretamente emanada da Tradição primordial.

Por conseguinte, é partindo de uma tomada de consciência da verdadeira universalidade dos símbolos e dos ritos maçônicos, que se pode acometer qualquer labor encaminhado a recuperar, na medida do possível, os elementos doutrinais que se perderam, ou foram alterados, com o passo do operativo ao especulativo. E é neste ponto preciso onde a obra de Guénon adquire sua verdadeira função com respeito à Ordem Maçônica, oferecendo-lhe a esses maçons vinculados com o Espírito de sua tradição as “linhas mestras” a partir das quais realizar esse trabalho restaurador. Se a obra que nos legou foi considerada como “providencial” para a Ordem Maçônica é por uma razão fundamental: porque restitui o sentido original de seus símbolos e seus ritos, que constituem a doutrina e o método maçônico respectivamente, integrando-os dentro da Cosmogonia Perene, afim a todas as formas tradicionais. Daí também que qualquer tentativa que se faça para recuperar a “operatividade” da simbólica Maçônica tenha de passar necessariamente por um conhecimento prévio daquela obra, na qual se encontrará todo o imprescindível para que dita tentativa dê seus frutos e se faça realidade, o que inclui, naturalmente, o conhecimento de outras tradições diferentes da Maçonaria, mas idênticas a ela no essencial. Isto é perfeitamente normal e inclusive necessário, pois admitindo a universalidade e sacralidade dos códigos simbólicos de todas as tradições, ainda vivas ou já desaparecidas, o conhecimento de ditos códigos é de uma ajuda inestimável para compreender a própria simbólica Maçônica. A mesma obra de Guénon é um exemplo, e inclusive um modelo, do que dizemos, pois nela constantemente se faz referência às relações, reciprocidade e correspondência entre as diversas doutrinas tradicionais, em sua identidade através de seus símbolos, ritos e mitos, fazendo-nos ver que todas essas doutrinas derivam, graças precisamente a essa identidade, de uma só e única Doutrina ou Tradição. Essa obra não é a de uma individualidade (em todo caso esta foi tão só o suporte), senão a de uma função tradicional, que Guénon “encarnou” por razões que nunca saberemos (nem também não importam demasiado), pois como se diz nas Escrituras “o Espírito sopra onde quer”, como e a quem quer. E também que “os caminhos do Senhor são inescrutáveis”. No que concerne à doutrina puramente metafísica e aos símbolos fundamentais da cosmogonia, Guénon foi um fiel intérprete da Tradição, o mais importante de nosso século, e suas limitações neste caso eram as que lhe impunham a própria linguagem humana, que como tantas vezes ele mesmo disse, mostra-se incapaz, por sua forma analítica e discursiva, de expressar em toda sua amplitude as verdades universais, que são de ordem supra-humano, e que só podem ser presas mediante a “intuição intelectual”, a cujo acordar contribui principalmente o símbolo e o que ele revela. Guénon não se cansou de repetir que a mensagem tradicional não é sistemático, ou seja que não se presta a nenhum tipo de classificação racional e mental, pois o próprio objeto dessa mensagem é o mundo das ideias e dos arquétipos, ou seja das possibilidades de concepção verdadeiramente ilimitadas, que naturalmente estão por cima de qualquer sistema ou forma, que sempre tende à limitação mais ou menos estreita.

Por tal motivo, Guénon considerava muito importante a criação de lojas centradas na investigação dos símbolos e dos rituais, para o qual é imprescindível que os integrantes dessas lojas possuam conhecimentos doutrinários o suficientemente amplos e profundos para dito labor dos frutos apetecidos, e permita que o que estava “disperso” seja de novo “reunido”, o que seria conforme a um dos princípios básicos da Maçonaria, que consiste em “difundir a luz e reunir o disperso”. Podemos dizer que a obra de Guénon, na medida em que ela é a expressão dos princípios e ideias universais, pode ver-se como essa “luz” clarificadora que a Maçonaria precisa como guia para remontar a curva descendente em que se encontra na atualidade. E aqui queremos recordar aquela expressão hermética que afirma que “quando tudo parece perdido é quando tudo será salvo”. E ainda que esta expressão se refira a um determinado momento do próprio processo da iniciação, também se pode extrapolar ao conjunto inteiro de uma tradição, neste caso de uma organização que precisamente é iniciática, que ainda que no essencial ela siga sendo tão virginal como em suas origens (o que faz possível que, apesar de tudo, continue transmitindo a influência espiritual a quem esteja capacitado para recebê-la), no entanto, enquanto instituição, está inevitavelmente sumida no devir do tempo e sua decadência cíclica. Em certo modo, o próprio do homem, peregrino num país estrangeiro, é “errar” pela “roda do mundo”, enquanto a Tradição (o que ela revela) mantém-se inalterável no centro dessa mesma roda, à que dá vida e sentido.

Por conseguinte, o papel que pudessem desempenhar essas lojas seria fundamental para devolver aos símbolos e ritos maçônicos sua “operatividade”, sabendo de antemão que isto será assim para um número muito reduzido de maçons, suficientes, por outro lado, para que a Maçonaria recobre novamente sua “força e vigor”, por empregar uma expressão Maçônica habitual. Este é um dos casos em que a qualidade importa infinitamente mais do que a quantidade. Mas, para que dita operatividade seja efetiva, esses estudos, longe de se limitarem ao plano puramente teórico (isto é, “especulativo”), têm de ser considerados por quem os realizam como um suporte e fazendo parte integrante de seu próprio trabalho interno, condição esta que é indispensável para que os resultados que se pretendem atingir estejam apoiados numa base o suficientemente sólida e forte, nascida do íntimo convencimento de que a “intenção” que os move está em conformidade com a herança recebida da Tradição.

É evidente que dita “intenção”, ou vontade, tem de se tomar aqui em seu sentido etimológico preciso, isto é, como um “tender para” (de in tendere), ou “tendência” para a qual se dirige ou “orienta” todo o ser, o que equivale a seguir uma ordem na direção ascendente que assinala o “Eixo do Mundo”, comunicando a esse ser com seu Princípio, que na Maçonaria recebe o nome de Grande Arquiteto do Universo. Aliás, a palavra iniciação, do latim in ire, não quer dizer senão ‘entrada’ ou ‘começo’, e está unida à ideia de empreender um caminho: o caminho do Conhecimento. No “Rei do Mundo”, Guénon aclara a representação simbólica dessa intenção ou orientação ritual: “esta, em efeito, é propriamente a direção para um centro espiritual, que, qualquer que seja, é sempre uma imagem do verdadeiro Centro do Mundo”. Poderiam aplicar-se aqui estas palavras do Evangelho, que, ademais, fazem parte de certos rituais maçônicos: “Procurai e encontrareis; pedi e recebereis; chamai e se vos abrirá”. Tem de existir então um verdadeiro “compromisso” adquirido com o Espírito da Ordem Maçônica para que o “virtual” passe a ser efetivo e se converta numa realidade permanente; que o potencial, em fim, atualize-se, e permita que o homem se encontre e se conheça a si mesmo no cumprimento de seu verdadeiro destino. Dito compromisso o constitui o “laço” iniciático, mediante o qual o ser, ligando-se à Tradição, assume, ou vai assumindo gradualmente (daqui a ideia de graus), que ela e ele são uma só coisa, ou seja que a mensagem pela Tradição veiculada se identifica com aquele que a recebe, e vice-versa. Só então a Maçonaria, sua mensagem ou transmissão[4], poderá ir revelando seu conteúdo e promover a efetiva realização interior, justificando assim o sentido de sua própria existência como organização iniciática.

Esta ideia aparece com freqüência em Guénon, sobretudo em seus dois livros que tratam especificamente sobre a iniciação: Aperçus sul l’Initiation eInitiation et Réalisation Spirituelle. Estes volumes têm um valor inapreciável para conhecer a verdadeira natureza da iniciação, pois neles se expõem os princípios fundamentais que estruturam seu processo, e para os maçons em particular constituem sem dúvida uma guia doutrinal que lhes permite recuperar um ensino que fazia parte integrante da antiga Maçonaria operativa. As ideias que ali se desenvolvem são um complemento perfeito aos estudos dos símbolos e um meio efetivo para compreender em profundidade o sentido dos ritos e suas práticas, veículos e suportes, voltamos a repetir, da influência espiritual[5].

Para Guénon, o laço iniciático não é outra coisa que a recepção dessa influência, que sendo de ordem estritamente espiritual e metafísica é sempre idêntica a si mesma, imutável e eterna, quaisquer sejam os veículos simbólicos e as formas tradicionais através dos quais se manifeste. Dito laço se refere, empregando um termo indiano, ao sûtrâtmâ, ou “fio de Âtmâ”, o hálito do Espírito que une entre si aos múltiplos estados do ser, e a todos eles com seu Princípio, que é sua identidade mais profunda e real. Neste sentido, devemos recordar que alguns dos antigos manuais maçônicos começavam com a seguinte série de perguntas e respostas:

– Que laço nos une?

– Um segredo.

– Qual é este segredo?

– A Maçonaria.

Isto quer dizer, entre outras coisas, que a Maçonaria é ela mesma um “segredo”, ou um “mistério”, conservado em seu núcleo mais íntimo por cima da forma específica que necessariamente adquire uma organização tradicional, e que dito segredo é inviolável por sua própria natureza espiritual, não tendo nada que ver com o “secretismo” propiciado pelas seitas ocultistas, pseudo-iniciáticas e similares. Segredo ou mistério que unicamente pode ser conhecido por quem se entregam a ele, pois como se diz no Zohar, “a Sabedoria só se revela a quem a ama”.

Continua…

Autor: Francisco Ariza
Tradução: Igor Silva

Notas

[1] – É o Sanâtana Dharma da tradição indiana, equivalente ao “Evangelho Eterno”. A este poderiam aplicar-se as palavras de Cristo: “Os céus e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão jamais”.

[2] – Aperçus sul L’Initiation, cap. XXIX, “Operativo e especulativo”.

[3] – Ibid. Guénon fornece também outros dados que contribuem sem dúvida a entender as razões do nascimento da Maçonaria especulativa, como o fato de que os membros (Anderson à cabeça) que integravam as quatro lojas inglesas que em 1717 fundaram a Grande Loja de Inglaterra, não tinham “recebido a totalidade dos graus ‘operativos’, o que explica a existência, ao começo da Maçonaria ‘moderna’, de certas lagoas, às quais foi necessário cobrir seguidamente, o que não pôde fazer-se mais do que pela intervenção dos sobreviventes da Maçonaria ‘antiga’, muito mais numerosos ainda no século XVIII do que creem geralmente os historiadores”. Em outro lugar (“Heredom”, em Etudes sul a Franc-Maçonnerie et lhe Compagnonnage t. II) Guénon assinala que esses maçons só tinham atingido o grau de companheiro, com o que estavam privados de um conhecimento pleno da iniciação Maçônica, unicamente outorgado mediante o acesso ao grau de mestre. Faltavam-lhes, por conseguinte, a legitimidade necessária para adaptar os rituais maçônicos às novas condições cíclicas que se estavam produzindo naquela época, adaptação que só era possível realizar partindo do respeito aos antigos usos e costumes, não de seu esquecimento, ou em qualquer caso de sua manipulação, em benefício de uma concepção da Maçonaria mais moralizada e comprometida com os acontecimentos exteriores do mundo profano que verdadeiramente iniciática e tradicional. Guénon faz assim mesmo notar como Anderson destruiu sistematicamente todos quantos documentos da antiga Maçonaria caíram em suas mãos, especialmente aqueles em que se evidenciava a filiação Maçônica ao esoterismo hermético-cristão, no que era sumamente importante o simbolismo da Santa Trindade, o que evidentemente não se enquadrava na mentalidade de um pastor protestante como era Anderson (ver a este respeito  “A propósito dos signos corporativos”, ibid.). Por isso mesmo, as “lagoas” de que fala Guénon se deram, sobretudo, nos graus superiores da Maçonaria operativa, incluído o grau de mestre, que naturalmente, estava ausente entre os que fundaram a Grande Loja de Inglaterra. E foram esses graus os que deveram restituir, na medida do possível, os “sobreviventes” que permaneceram fiéis a sua herança tradicional.

[4] – Tradição e transmissão procedem ambas as do latim tradere, pelo que equivalem exatamente ao mesmo.

[5] – Na Maçonaria, por sua própria constituição herdada de uma tradição artesanal e de ofício, o trabalho coletivo desempenha um papel fundamental como suporte para a realização do Conhecimento. Neste sentido, e para saber o que Guénon pensava ao respeito recomendamos o estudo dos capítulos X e XXIII de Initiation et Réalisation Spirituelle, chamados respectivamente “Sobre a ‘glorificação do trabalho'” e “Trabalho iniciático coletivo e ‘presença’ espiritual”. Neles se dão todas as indicações pertinentes sobre a verdadeira natureza da influência espiritual que inspira e guia o trabalho coletivo tal qual se pratica, ou deveria praticar-se, na Maçonaria.

Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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Uma resposta para René Guénon e a Maçonaria (Parte I)

  1. Paulo Gonçalves esteves disse:

    Muito interessante.

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