A Tradição Hermética e a Maçonaria (Parte I)

Resultado de imagem para tradição hermética e maçonaria

No antigo manuscrito maçônico Cooke, (cerca de 1.400) da Biblioteca Britânica, lê-se nos parágrafos 281-326 que toda a sabedoria antediluviana foi escrita em duas grandes colunas. Depois do dilúvio de Noé, uma delas foi descoberta por Pitágoras, a outra por Hermes, o Filósofo, que se dedicaram a ensinar os textos ali gravados. Isto se encontra em perfeita concordância com o testemunhado por uma lenda egípcia, da qual já dava conta Manethon, segundo o mesmo Cooke, vinculada também com Hermes.

É óbvio que essas colunas, ou obeliscos, semelhantes aos pilares J. e B., são as que sustentam o templo maçônico e, ao mesmo tempo, permitem o acesso ao mesmo e configuram os dois grandes afluentes sapienciais que nutrirão a Ordem: o hermetismo, que assegurará o amparo do deus através da Filosofia, quer dizer do Conhecimento, e o pitagorismo, que dará os elementos aritméticos e geométricos necessários, que reclama o simbolismo construtivo; deve-se considerar que ambas as correntes são direta ou indiretamente de origem egípcia. Igualmente que essas duas colunas, são as pernas da Mãe loja, pelas quais é parido o Neófito, quer dizer pela sabedoria de Hermes, o grande iniciador, e por Pitágoras, o instrutor gnóstico.

De fato, na mais antiga Constituição Maçônica editada, a de Roberts publicada na Inglaterra em 1722 (portanto anterior à de Anderson), mas que não é mais que a codificação de antigos usos e costumes operativos que derivam da Idade Média, e que serão desenvolvidos posteriormente na Maçonaria especulativa, menciona-se especificamente a Hermes, na parte chamada “História dos Franco-maçons”. Efetivamente, ali aparece na genealogia maçônica com esse nome e também com o de Grande Hermarmes, filho de Sem e neto de Noé, que depois do dilúvio encontrou as já mencionadas colunas de pedra onde se achava inscrita a sabedoria antediluviana (atlântica) e lê (decifra) numa delas o que em seguida ensinará aos homens. O outro pilar, como se mencionou, foi interpretado por Pitágoras enquanto pai da Aritmética e da Geometria, elementos essenciais na estrutura da loja, e portanto ambos os personagens formam, como vimos, a “alma mater” da Ordem, em particular em seu aspecto operativo, ligado às Artes liberais.

No manuscrito Grand Lodge nº 1 (1583) só subsiste a coluna de Hermes, reencontrada pelo “Grande Hermarines” (a quem se faz descendente de Sem) “que foi chamado mais tarde Hermes, o pai da sabedoria”. Note-se que Pitágoras não figura já como o intérprete da outra coluna. No manuscrito Dumfries nº 4 (C. 1710) também aparece, como “o grande Hermorian”, “que foi chamado ‘o pai da sabedoria’ “, mas, neste caso, retificou-se sua origem de acordo com o texto bíblico que o faz descendente de Cam e não de Sem, por intermédio de Kush; como diz J.-F. Var em La franc-maçonnerie: documents fondateurs, Ed. L’Herne, P. 207, N. 33: “Agora, na Gênese (10, 6-8), Kush é o filho de Cam e não de Sem. O redator do Dumfries retificou consequentemente a filiação. Ao mesmo tempo, esta filiação resulta em ser a que a Escritura dá com relação a Nemrod. Daqui a assimilação de Hermes com Nemrod, contrariamente a outras versões que fazem deles dois personagens distintos.”

Assim o destaca também o manuscrito chamado Regius, descoberto por Haliwell, no Museu Britânico em 1840, ao qual reproduz J. G. Findel na História Geral da Franco-maçonaria (1861), em sua extensa primeira parte que trata das origens até 1717, embora nele não se inclua Pitágoras como o hermeneuta que, junto com Hermes, decifra os mistérios que serão herdados pelos maçons, senão a Euclides, a quem se faz filho de Abraão; a este respeito, deve se recordar que o teorema do triângulo retângulo de Pitágoras foi enunciado na proposição quarenta e sete de Euclides.

O mesmo Findel, referindo-se à quantidade de elementos gnósticos e operativos que constituem a Maçonaria, e concretamente ocupando-se dos canteiros alemães, afirma: “Se a conformidade que resulta entre o organismo social, os usos e os ensinos da franco-maçonaria e os das companhias de maçons da Idade Média já indica a existência de relações históricas entre estas diversas instituições, os resultados das investigações feitas nos arcanos da história e o concurso de uma multidão de circunstâncias irrecusáveis estabelecem de modo positivo que a Sociedade dos Franco-maçons descende, direta e imediatamente, daquelas companhias de maçons da Idade Média.” E adiciona: “a história da franco-maçonaria e da Sociedade dos Maçons está por isso mesmo intimamente unida à das corporações de maçons e à história da arte de construir na Idade Média; é, pois, indispensável dirigir um rápido olhar sobre esta história para chegar a que nos ocupa.”

O interessante destas referências provenientes da Alemanha é que sua História Geral… é considerada como a primeira história (no sentido moderno do termo) da Maçonaria, e desde o começo o autor estabelece que: “a história da Franco-maçonaria, assim como a história do mundo, tem sua base na tradição”[1]. Desta forma resulta óbvio que os Antigos Usos e Costumes, os símbolos e os ritos e os segredos do ofício, transmitiram-se sem solução de continuidade desde datas muito remotas e certamente nas corporações medievais, e a passagem do operativo ao especulativo não foi senão a adaptação de verdades transcendentes a novas circunstâncias cíclicas, fazendo notar que o termo operativo não só se refere ao trabalho físico ou de construção, projeção ou planejamento material e profissional das obras, mas também à possibilidade de que a Maçonaria opere no iniciado o Conhecimento, por meio das ferramentas proporcionadas pela Ciência Sagrada, seus símbolos e ritos. Precisamente isto é o que procura a Maçonaria como Organização Iniciática, e o confirma na continuidade da passagem tradicional, que faz com que, igualmente, seja encontrada na Maçonaria especulativa, de modo reflexo, a virtude operativa e a comunicação com a loja maçônica Celeste, quer dizer, a recepção de seus eflúvios que são os que garantem qualquer iniciação verdadeira, principalmente quando os ensinos são emanados do deus Hermes e do sábio Pitágoras[2]. De todas as maneiras, tanto uma quanto outra são os ramos de um tronco comum que tem os Old Charges (Antigos Deveres) como modelo; destes se encontraram numerosos fragmentos e manuscritos em forma de cilindro do século XIV em diversas bibliotecas[3].

Quanto a Hermes, não mencionado nas Constituições de Anderson, em particular o Hermes Trismegisto grego (o Thot egípcio), é uma figura tão familiar à Maçonaria dos mais distintos ritos e obediências como o poderia ser para os alquimistas, forjadores da imensa literatura posta sob seu patrocínio. Não só o Hermetismo é o tema de abundantes pranchas e livros maçônicos, e inumeráveis lojas maçônicas se chamam Hermes, mas também existem ritos e graus que levam seu nome. Assim, há um Rito chamado os discípulos de Hermes; outro o Rito Hermético da loja Mãe Escocesa de Avignon (que não é a de Dom Pernety), Filósofo de Hermes é o título de um Grau cujo catecismo se encontra nos arquivos da “loja dos amigos reunidos de São Luis”, Hermes Trismegisto é outro grau arcaico do qual nos dá conta Ragón, Cavaleiro Hermético é uma hierarquia contida em um manuscrito atribuído ao irmão Peuvret onde também se fala de outro denominado Tesouro Hermético, que corresponde ao grau 148 da nomenclatura chamada da Universidade, onde existem outros como Filósofo Aprendiz Hermético, Intérprete Hermético, Grande Chanceler Hermético, Grande Teósofo Hermético(correspondente ao grau 140), O Grande Hermes, etc. Igualmente no Rito do Memphis o grau 40 da série Filosófica se chama Sublime Filósofo Hermético, e o grau 77 (9ª série) do Capítulo Metropolitano é nomeado Maçom Hermético.

Não faltam tampouco na atualidade, em revistas e dicionários maçônicos, referências diretas à Filosofia Hermética e ao Corpus Hermeticum[4], onde esta se encontra fixada, senão que incluem analogias com a terminologia alquímica; eis aqui um só exemplo tirado do Dictionnaire de la franc-maçonnerie de D. Ligou (pág. 571): “Citaremos uma interpretação hermética de alguns termos utilizados no vocabulário maçônico: Enxofre (Venerável), Mercúrio (1.º Vigilante), Sal (2.º Vigilante), Fogo (Orador), Ar (Secretário), Água (Hospitaleiro), Terra (Tesoureiro). Encontram-se aqui os três princípios e os quatro elementos dos alquimistas.”

Por isso que Hermes e o Hermetismo são referências habituais na Maçonaria, como o são também Pitágoras e a geometria. Por outra parte ambas as correntes históricas de pensamento derivam através da Grécia, Roma e Alexandria, do Egito mais remoto e por seu intermédio da Atlântida e da Hiperbórea, como em última instância acontece com toda Organização Iniciática, capaz de religar o homem com sua Origem. E naturalmente que esta impressionante genealogia na qual estão compreendidos os deuses, os sábios (sacerdotes) e os reis (tanto de Tiro e Israel, quanto da Escócia: a realeza não desdenhava a construção e o rei era mais um mestre operativo) forma um âmbito sagrado, um espaço interior construído de silêncio, lugar onde se efetivam todas as virtualidades e, assim, pode refletir o Ser Universal de modo especular. A loja maçônica, como se sabe, é uma imagem visível da loja Invisível, como o Logos é o desenvolvimento da Triunidade dos Princípios.

A influência do deus Hermes, e as ideias do sábio Pitágoras não desapareceram totalmente deste mundo crepuscular que habitamos, de fato é tudo o que resta dele; não esqueçamos que os alquimistas equiparam Jesus com o Mercúrio Solar, no Ocidente pelo menos. Por outra parte, talvez sequer pudera ser o mundo sem eles, tanto no aspecto das energias perpetuamente regeneradoras atribuídas a Hermes e sua Filosofia, como o das ideias-força pitagóricas, sem cuja ordem numérica (e geométrica) hoje não seria possível a menor operação.

A deidade é imanente em cada ser, e os Filhos da Viúva, os filhos da luz, reconhecem-na no interior de sua própria loja maçônica, feita à imagem e semelhança do Cosmo. A raiz H. R. M. é comum aos nomes Hermes e Hiram, e este último forma com Salomão um paredro onde se unem a sabedoria e a possibilidade (a doutrina e o método), destacando-se à Tradição (Cabala) hebraica, em que nasceu Jesus, como a veiculadora desta revelação sapiencial, real, e artística (artesanal), que constitui a Ciência Sagrada, que é aprendida e ensinada por símbolos e ritos na loja maçônica, “livro” cifrado que os Mestres decodificam hoje, tal qual o fizeram seus antepassados no tempo mítico, posto que a Maçonaria não outorga o Conhecimento em si, mas mostra os símbolos e indica as vias para aceder a ele, com a bênção dos ritos ancestrais, que atuam como transmissores mediáticos desse Conhecimento[5].

Ou seja, que a atualização da possibilidade, quer dizer, o Ser, a comprovação de que tudo está vivo, de que o Presente é Eterno, a simultaneidade do Tempo, a ideia da Triunidade do Único e Só, formam um Conhecimento ao qual os maçons conduzem pela própria experiência, que proporciona um aprendizado gradual e hierarquizado.

O Mestre Construtor leva sua loja maçônica interior a todas partes, ele mesmo é isso, uma miniatura do Cosmo, desenhada pelo Grande Arquiteto do Universo. Mas a obra está inacabada, necessita-se polir (com Ciência e Arte) sua pedra bruta tal como cinzelou o Criador sua Obra. Os números e as figuras geométricas simbolizam conceitos metafísicos e ontológicos, que também representam realidades humanas concretas e imediatas, tão necessárias como as atividades fisiológicas e, daí por diante, quaisquer outras. O número estabelece ideia de escala, de proporção, e relação; também de ritmo, medida e harmonia, já que são eles os canais que tende a Unidade para a indefinidade numérica, até os quatro pontos do horizonte matemático e da multiplicidade.

É óbvio que Pitágoras, ou Tales de Mileto, não “inventou” nada, mas sim reconheceu na série decimal, que retorna a sua Origem (10 = 1 + 0 = 1), uma escala natural, uma ascese, que permitisse ao ser humano completar a Obra e transmutar assim no Homem Verdadeiro, paradigma de todo Iniciado, localizado na Câmara do Meio, entre o esquadro e o compasso[6]. Não houve Tradição que não tenha desenvolvido um sistema numérico que lhe servisse como método de conhecimento, em perfeita correspondência com as pautas criacionais. Recordemos que o teto da loja está decorado pelos astros, os Regentes, que governam as esferas celestes e estabelecem os intervalos e as medidas da Harmonia Universal.

Entretanto os maçons não deixaram nunca de reconhecer a frase evangélica: “Na casa de meu Pai há muitas moradas” (João, 14, 2), pois embora saibam que eles têm uma senda aberta diante de si que os conduzirá a seu Pai, não negam outros caminhos nem se opõem a nenhuma via, já que pensam que as estruturas invisíveis são as mesmas, protótipos válidos para todo tempo e lugar, apesar da adaptação constante de distintas formas aptas para diferentes individualidades, a maior parte das vezes determinadas pelos ciclos temporais tal qual poderia ser exemplificado por qualquer organismo vivo, entre eles o ser humano e suas modificações e adaptações ao longo dos anos, ciclos aos quais tampouco a Maçonaria é alheia, como se comprova em sua paulatina transformação concretizada finalmente no século XVIII. E é por essa mesma compreensão de suas possibilidades metafísicas e iniciáticas que a Maçonaria reconhece outras Tradições, e também deixa em aberto o exercício de qualquer crença religiosa, ou pseudo-religiosa, entre seus membros, muitos dos quais conciliam seu processo de Conhecimento, leia-se Iniciação, com a prática de preceitos e cerimônias religiosas exotéricas e legais, que pensam poderem enriquecer sua passagem e o de outros por este mundo. Não há portanto conflito entre Maçonaria e Religião, sempre que não tratem de misturar os conceitos, ou se pretenda, como já aconteceu, que determinados fundamentalistas (religiosos ou não) tentem monopolizar as lojas maçônicas para seu proveito pessoal. De fato, numerosos hermetistas, pitagóricos e maçons foram, e são, perfeitos cristãos, ou grandes cabalistas, e todos eles tiveram os símbolos como seus mestres. A Igreja Católica jamais condenou o Hermetismo, nem Euclides, herdeiro da ciência geométrica pitagórica, e mestre dos maçons, mas teve problemas com a Maçonaria do século XVIII a ponto de condená-la e excomungar seus membros. Entretanto foi sendo produzida nos últimos tempos uma paulatina aproximação entre ambas as instituições, salpicada aqui e acolá por incompreensões e interferências, muitas vezes interessadas. Segundo José A. Ferrer Benimelli, S. J., a revista a Civilittà Cattolica de Roma, publicada desde 1852, e que deu seguimento ao tema da Maçonaria até nossos dias, marca em sua evolução este processo de aproximação, ou ao menos de respeito mútuo. Efetivamente os primeiros artigos são violentos e condenatórios, há um período de transição, e os dos últimos anos, bastante conciliatórios e abertos ao diálogo[7].

São numerosos os maçons católicos, muitos deles franceses, que tentam há anos conciliar ambas as instituições e suspender a excomunhão; entretanto há muitos outros autores maçônicos que se integram completamente à Tradição Hermética, com sua Ordem, sem necessidade de um exoterismo religioso, tal o caso de Oswald Wirth, diretor durante muitos anos da revista Le Symbolisme, e reconhecido maçom que tem escrito sobre os Símbolos da Tradição Hermética e os símbolos maçônicos, El Simbolismo Hermético en sus relaciones con la Alquimia y la Masonería, Saros, Bs. As. 1958 (ver aqui pág. XXX), mostrando muitos aspectos de sua identidade de Origem; quanto a maçons que publicaram nos últimos anos, tanto sobre os distintos graus como acerca dos Números, desejaríamos citar em primeiro lugar a Raoul Berteaux, dentro de um nutrido grupo que tratou amplamente a Aritmosofia, de base pitagórica[8].

Hermes, a quem se lhe adjudica o ensino de todas as ciências, gozou de supremo prestígio ao longo de distintos períodos da história da cultura do Ocidente. Isto foi assim entre os alquimistas e os chamados filósofos herméticos, e estas mesmas ideias se manifestaram na Ordem dos Irmãos Rosacruzes, influências todas que recolheu a Maçonaria a tal ponto que se lhe pode considerar como um depósito da sabedoria pitagórica e sua transmissora nos últimos séculos, assim como uma receptora dos Princípios Alquímicos, e também das ideias Rosacruzes[9], o que é evidente quando à simples vista comprovamos que um dos mais altos graus no Rito Escocês Antigo e Aceito, o 18, denomina-se precisamente Príncipe Rosacruz. Igualmente analogias e conexões com as Ordens de Cavalaria são reclamadas por alguns maçons, concretamente com a Ordem do Templo. Há muitos indícios históricos que mostrariam estas sementes, também tradições e ritos, especialmente uma das palavras de passe no grau 33, mas ficam bastante diminuídos quando se recorda que os Templários eram ao mesmo tempo monges e soldados (embora grandes construtores medievais), o que não guarda relação aparente com a Maçonaria, onde, por outra parte, há destaque para uma influência bem clara do hebraico que já assinalamos no caso de Salomão e da Construção do Templo, e se vê confirmada pela simples comprovação de que quase todas as palavras de passe e grau, segredos sagrados, pronunciam-se em hebraico[10].

Brasão do Capítulo dos Rosacruzes
de Heredom de Kilwinning, Paris 1776

No Diccionario Enciclopédico de la Masonería (Ed. del Valle de México, México D. F.), talvez o mais conhecido em castelhano, sob o título “Hermes” encontramos o verbete correspondente, onde pode apreciar a importância atribuída ao Corpus Hermeticum que, em algumas lojas maçônicas sul-americanas, ocupa o lugar da Bíblia como livro sagrado. É conhecida a relação de Hermes com o silêncio, e é costume chamar-se hermético àquilo que se encontra perfeitamente fechado, ou selado. O silêncio deste modo é próprio da Maçonaria e também dos pitagóricos que passavam cinco anos cultivando-o.

Continua…

Autor: Federico Gonzalez
Tradução: Igor Silva

Notas

[1] – O mesmo Findel no Anexo de sua História publica o primeiro documento de que dispomos, datado em 1419, sobre os trabalhadores de canteiros alemães.

[2] – “Parece-nos indiscutível que ambos os aspectos, operativo e especulativo, estiveram sempre reunidos nas corporações da Idade Média, que empregavam, por outra parte, expressões tão nitidamente herméticas como a de ‘Grande Obra’, com aplicações diversas, mas sempre Analogicamente correspondentes entre elas.” R. Guénon, Etudes sur la Franc-Maçonnerie et le Compagnonnage T. II, cap. “A propos des signes corporatives et de leur sens originel”. Ed. Traditionnelles, Paris 1986.

[3] – Enciclopédia Britânica. Artigo ‘Freemasonry‘, edic. 1947.

[4] – Ver Claude Tannery “Le Corpus Hermeticum (Introduction, pour des dévéloppements ultérieurs, à l’hermétisme et la maçonnerie)”; nº 12 revista Villard de Honnecourt, Paris 1986. as referências a Hermes e à Tradição hermético-alquímica na literatura maçônica são muito abundantes como já dissemos; não há o que dizer de Pitágoras, tema que é tratado em outro estudo deste mesmo nº do V. do Ir.: Thomas Efthymiou, “Pythagore et sa présence dans la Franc-maçonnerie”.

[5] – Ver E. Mazet “Eléments de mystique juïve et chrétienne dans la franc-maçonnerie de transition (VIe-VIIe s.)”; nº 16, 2ª série, igualmente da revista Travaux de la loge nationale de recherches Villard de Honnecourt. O autor publicou nesta, que edita os trabalhos da loja maçônica de estudos do mesmo nome, adscrita à Grande Loge Nationale Française, outras colaborações igualmente interessantes sobre aspectos documentais da Maçonaria. Na verdade, esta revista junto com a Ars Quatuor Coronatorum, também órgão difusor de uma loja maçônica de estudos homônima, (Quatuor Coronati Lodge) e que desde 1886 tem já mais de 80 volumes publicados na Inglaterra, são as melhores fontes que se podem achar para o estudo integral da Maçonaria.

[6] – É conhecida a importância da Tetraktys pitagórica em qualquer tipo de conhecimento metafísico e cosmogônico. Por outra parte, a relação das harmonias musicais em relação aos números, em particular com a escala dos sete primeiros, é também um tema pitagórico que a Maçonaria e o Corpus Hermeticum recolhem em forma de graus e toques de reconhecimento ligados com as esferas planetárias e os Regentes que as governam. Há que se adicionar os distintos teoremas geométricos pitagóricos, conhecendo-se a importância que para a Maçonaria e para a ciência e arte de construir possuem; só bastaria assinalar entre eles o do triângulo retângulo, posteriormente enunciado por Euclides, outro dos ancestrais maçônicos, como já mencionamos. Em 1570 John Dee, conhecido mago elisabetano e notável matemático que exercera um papel tão importante no Hermetismo inglês e no europeu publicou um famoso prólogo aos “Elementos de Geometria” de Euclides. Como é sabido, os ensinos de Dee foram retomados por Robert Fludd, que editou em 1619 seu Utriusque Cosmi Historia e por seu intermédio, concatenadamente, fizeram-no os futuros integrantes da maçonaria especulativa.

[7] – J. A. Ferrer Benimelli, “Bibliografía de la Masonería” – Fundación Universitaria Española – Madrid – 1978, pág. 112. Este sacerdote jesuíta que deu impulso aos estudos maçônicos em língua castelhana –a ponto de que alguns autores sobre maçonaria, como J. A. Vaca de Osma (La Masonería y el Poder), chegam a se perguntarem se verdadeiramente não é membro da Ordem– tem, entretanto, uma ideia escassa sobre ela, tomando-a como uma sociedade filantrópica e espiritualista, não lhe outorgando nenhuma categoria iniciática, termo que jamais emprega e que parece inclusive desconhecer em sua verdadeira dimensão.

[8]La Symbolique au Grade d’Apprenti, La Symbolique au Grade de Compagnon, La Symbolique au Grade de Maître, Edimaf, París 1986, íd, y 1990; La Symbolique des Nombres, íd. 1984. Também queremos destacar aqui os livros amplamente conhecidos em castelhano assinados por Magister (Aldo Lavagnini): Manual del Aprendiz, del Compañero, del Maestro, del Gran Elegido, etc. De fato, todos os manuais maçônicos têm menções aritmético-geométricas.

[9] – Desde 1824, Thomas de Quincey destacava em um periódico londrino a conjunção da Maçonaria com o rosacrucianismo como um tema conhecido.

[10] – A genealogia maçônica é também bíblica, embora se combine com a Egípcia. Deve se recordar a relação de Israel com o Egito na época de Moisés e ainda o simbolismo do Egito nos evangelhos cristãos. Segundo o livro I dos Reis, 3-1, há uma filiação direta entre o Rei Salomão e o Egito, já que aquele era genro do Faraó, seu vizinho.

Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG e da Academia Mineira Maçônica de Letras. Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
Esse post foi publicado em A Tradição Hermética e a Maçonaria e marcado , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.