O Primeiro Vigilante fecha a Loja. Por quê?

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Esse é um costume herdado da Maçonaria de Ofício (Operativa), ancestral da Moderna Maçonaria (Especulativa).

Na época dos Canteiros Medievais (guildas dos construtores) não existiam graus especulativos, porém classes de ofício. Eram apenas duas classes, a dos Aprendizes Admitidos e dos Companheiros do Ofício. Às Guildas do século X e XI deve-se o uso da palavra “loja” na Maçonaria.

Sistematicamente uma guilda de construtores era dirigida por um Companheiro escolhido entre os mais experientes. Esse dirigente levava o nome de Mestre da Obra e nada tinha a ver com o grau especulativo de Mestre Maçom como o que hoje conhecemos. O grau de Mestre especulativo só viria nascer na Moderna Maçonaria já no século XVIII (1725), enquanto que o Mestre da Obra do período operativo já era mencionado nos séculos X e XI.

Explicações à parte, a Moderna Maçonaria – especulativa por excelência – herdou muitos costumes dos nossos ancestrais. Assim, cabe, despido de fantasias e lendas, a seguinte explicação superficial:

Simbolicamente a Moderna Maçonaria trabalha alegoricamente num canteiro de obras estilizado e decorado conforme o rito, evidenciando as práticas operativas na transformação e aperfeiçoamento – do passado, onde a matéria prima era literalmente a pedra calcária, ao presente especulativo onde a pedra simboliza o próprio homem como matéria primitiva e passível ao aprimoramento.

Antes, quando os construtores se reuniam para efetivamente construir uma obra (igrejas, catedrais, abadias, etc.), os canteiros de obras eram abertos seguindo as regras e planos do ofício contratado (geralmente os ditados pela igreja-estado).

Assim, depois das conferências, averiguações e afins pertinentes ao ofício para o início dos trabalhos, em estando tudo “justo e perfeito”, isto é, nos conformes com a exigência, o Mestre da Obra então mandava que se iniciassem os trabalhos intrínsecos àquela etapa da construção.

O canteiro de obra do passado – hoje especulativamente representado pela Loja – geralmente se distribuía por um imenso espaço cercado por cordas e paliçadas. Comumente de formato retangular, o canteiro tinha uma entrada principal que se divisava por dois postes mais altas e trazia junto ao poste da esquerda da entrada um depósito para guardar as ferramentas (almoxarifado). Denominava-se “lugar seguro”. Nesse local é que ficava o primeiro auxiliar do Mestre da Obra e era conhecido então como 1º Warden (zelador). Como primeiro auxiliar, ele também era o responsável por pagar os obreiros ao final da jornada antes de despedi-los contentes e satisfeitos, recomendado sua volta para o início da outra etapa (após o Inverno que se avizinhava). O título warden ficaria mais tarde conhecido como Vigilante.

Junto ao outro poste, o da direita da entrada, ficava o 2º Warden, ou o segundo auxiliar do Mestre da Obra. Era da sua responsabilidade receber e instruir os recém-admitidos no Ofício, assim como dispensá-los para a recreação e fazê-los retornar ao trabalho. Auxiliava também o 1º Warden na administração da construção – ambos verificavam o nivelamento e as aprumadas dos cantos. O 2º Warden, mais tarde ficaria conhecido como Segundo Vigilante (segundo auxiliar), destacando que o Mestre da Obra, especulativamente ficaria conhecido como Venerável Mestre – imemorial, espontâneo e universalmente aceito, esse é um verdadeiro Landmark da Ordem, o de uma Loja ser dirigida por três Luzes.

Em comparação aos costumes do passado é que em muitos ritos maçônicos, relembrando o período operativo, colocam o 1º Vigilante para fechar a Loja. É o caso, por exemplo do REAA quando revive inclusive as aprumadas e nivelamentos pela alegoria da transmissão da Palavra e faz com que ritualisticamente seja do 1º Vigilante o ofício de fechar a Loja no final da jornada de trabalho (especulativamente os trabalhos se encerram à Meia-Noite).

Por fim, nesse contexto, outras explicações aparecem, tal como o Segundo Vigilante instruindo os recém-iniciados (Aprendizes), a declaração para abrir e fechar condicionada ao jargão “justo e perfeito”, as joias dos Vigilantes como instrumentos imprescindíveis para uma construção perfeita e durável (nivelada e aprumada) e a impropriedade do inverno para o trabalho (a Terra viúva do Sol). Tenho dito, nada está colocado na liturgia maçônica por acaso. Sem licenciosidade, para tudo há uma explicação racional.

Autor: Pedro Juk

Fonte: Blog do Pedro Juk

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG e da Academia Mineira Maçônica de Letras. Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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