O augusto quadro, em particular

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“Mea culpa, mea maxima culpa” (Confiteor).

A maçonaria precisa se reinventar, começando por nossas Lojas. 300 anos de sucesso não é garantia de outro período de igual grandeza pela frente. Criticar o Grão-Mestrado, a Ordem em geral e não o augusto quadro, em particular, é muito cômodo. Do que adianta preocuparmo-nos com a distante floresta e deixarmos a árvore à frente de nossa casa secar-se.

Basta observarmos com mais cuidado. O irmão chega cumprimenta a todos os presentes e muitos mal se dão ao trabalho de retribuir o carinho, respondendo friamente e às vezes sem tirar a atenção do celular, o espírito obsessor do mundo moderno.

Outros fazem um meio termo, cumprimentam um, mas já se dirigindo ao irmão que está ao lado, sem pelo menos uma troca de olhar. Outros, sentados permanecem, apenas estendem a mão automaticamente, mantendo-se distraídos em supostos afazeres. Corpo presente e pensamento alhures. Empatia zero. Algo que destoa do que deveria ser uma fraternidade.

Há aqueles que chegam discretamente, ancoram-se em um irmão ou no seu canto e, ao final, saem sem trocar nenhuma palavra com os demais. Desaparecem, como num passe de mágica. Pelo menos apõem o ne varietur na folha de presença, o que já é um grande feito. Já mereceriam uma medalha ou diploma de reconhecimento. O direito de ser de cada um deve ser respeitado. O destino é feito de escolhas.

Por essas e outras, nos cansamos com frequência. Não apenas de irmos às nossas Lojas, mas de procurar uma justificativa para ali estarmos. Mais parece uma fadiga de inspiração. O grupo de WhatsApp da Loja costuma ser mais estimulante, mas nem todos participam e tem a turma do entra e sai quanto sente desconforto com os temas postados, classificados pela intelectualidade raivosa como: fascistas, comunistas, conservadores ou progressistas, primos, piadistas, sem graças juramentados etc.. Haja paciência!

Os legalistas defendem que o principal é o rigor com a ritualística dos trabalhos. Isso para não falar que em muitas oportunidades as sessões resvalam para um ritualismo vazio. Ok, ok, mas precisamos nos sentir bem no recinto, perceber que valeu a pena deslocar de nossas residências para estar ali presente, concluir ao término que saímos encantados ou com a sensação de que estamos melhores do que quando entramos.

Na maioria das Lojas não há espaço nas sessões para os Aprendizes e Companheiros se manifestarem naturalmente e tirarem suas dúvidas, aprender com as respostas e exemplos dos Mestres, que gozam do benefício vitalício da Plenitude Maçônica. (ver artigo https://opontodentrodocirculo.wordpress.com/2018/12/13/plenitude-maconica/).

Na realidade, encontramos com certa constância pessoas mal humoradas, que se fecham em copas, apáticas, cansadas ou cansativas, que servem apenas de antimodelo. Onde está o acolhimento? Onde está o debate sobre os valores maçônicos? A Ordem do Dia é rica e instigante? O quarto de horas de estudos é sempre preenchido com trabalhos ou instruções?

Olhamos para o Oriente e não vemos senão mais escuridão e nenhuma inspiração. Onde está a provocação sadia de iniciar um debate, com a palavra circulando quantas vezes forem o necessário para discussão de temas tão palpitantes da atualidade? O mundo se acabando lá fora e apenas o som do malhete repercutindo dentro das Oficinas? Será o receio de enfrentar opiniões divergentes tão saudáveis para formação de espírito crítico? Receio de que o ódio das redes sociais contaminem nossas Oficinas? E a tolerância? Só vale para os “outros”?

Enfim, como toda regra tem exceção e para nossa esperança, há aqueles que persistem na Ordem e respeitam o legado dos irmãos que nos antecederam e protegem esses valores e veem nesses exemplos nefastos um caminho a ser evitado, um desafio a ser vencido. São os abnegados, visionários, que veem a urgente necessidade de uma Coluna do Norte repleta de bons obreiros, que mostram aos iniciantes o caminho a ser trilhado, dando a sensação de que vale a penas investir na Maçonaria, de garimpar o seu tesouro oculto (ver artigo em: https://opontodentrocirculo.com/2019/08/22/o-tesouro-oculto-da-maconaria/).

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da Academia Mineira Maçônica de Letras, e para nossa alegria, também um colaborador do blog.

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG e da Academia Mineira Maçônica de Letras. Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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Uma resposta para O augusto quadro, em particular

  1. Nelson André Hofer de Carvalho disse:

    Este texto é maravilhoso.
    Expressa a realidade. Triste realidade.

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