A palavra semestral na Ordem do dia

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A Palavra Semestral da tradição maçônica é sempre renovada na passagem dos solstícios e destina-se a comprovar a regularidade do maçom em visita a outras Lojas e serve para reforçar a segurança da cobertura. O Maçom que desconhece a palavra do semestre em curso e nem a do anterior não frequenta Loja há pelo menos seis meses, podendo ser considerado irregular.

As Grandes Lojas, por intermédio da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB), definem e encaminham de forma criptografada aos Veneráveis Mestres, que devem decifrá-las e repassá-las, em Cadeia de União, exclusivamente aos obreiros de suas respectivas Lojas.

O costume remonta à instalação de Felipe de Orleans, duque de Chartres, como Grão-Mestre do Grande Oriente da França, em 28 de outubro de 1773. O motivo da criação da Palavra Semestral se deveu à necessidade de impedir a presença de maçons não filiados às reuniões do GOF, então criado como dissidência da Grande Loja da França, limitando o livre direito de visitação até então vigente. Posteriormente foi adotada por outras Potências. O Grande Oriente do Brasil adotou a Palavra Semestral na sua reinstalação em 1831.

Segundo Boucher (1979), originalmente eram duas palavras e ambas começavam pela mesma letra, sendo pronunciadas, a primeira da esquerda para a direita e a outra da direita para a esquerda do ouvido, durante a Cadeia de União, e deveriam voltar ao Venerável que as comunicou, “justas e perfeitas”. Constatado algum erro na volta, o procedimento se repetia.

A eficácia das Palavras era aferida na visitação, no sistema de senha e contrassenha, quando o irmão daria uma palavra ao Cobridor e receberia a outra palavra, ficando dessa forma estabelecida a regularidade de ambos, tanto a do visitante quanto a da Loja.

Entre os maçons operativos, a “Palavra Secreta” (daí a curiosidade e o desejo de descobri-la) era o meio de reconhecimento e de comunicação que somente era ensinada e usada pelos Companheiros, Membros da Fraternidade (Carvalho, 1990). A posse da Palavra do Maçom indicava a qualificação para trabalhar junto a outros maçons.

Foi por ouvir falar dela que os forasteiros descobriram pela primeira vez que os maçons tinham segredos.” (Stevenson, 2009).

Por sua vez, o cowan, termo originário da Escócia, designava o operativo admitido para executar serviço temporário a respeito do qual não era exigida habilidade equivalente a um Maçom regular e que poderia ser dispensado logo após o término do trabalho. Considerado “Maçom sem a Palavra de Trabalho”, o equivalente à Palavra Semestral da atualidade, a referência já constava dos Estatutos de Shaw, em 1598, com a proibição aos Mestres de contratá-lo, a não ser para suprir a falta de um Maçom capacitado. O cowan, mais tarde associado à figura de um bisbilhoteiro, intruso ou espião, interessado em obter a “Palavra do Maçom”, criou a necessidade do Cobridor Externo (Tyler) e deu origem ao termo “Goteira”.

Dessa forma, considerando-se hoje a existência de uma só Palavra Semestral, e dada a profusão de Potências irregulares e Lojas espúrias, vislumbra-se a premente necessidade de revisão do critério de sua elaboração por parte de nossas autoridades litúrgicas, de forma a restabelecer o formato original de duas palavras, mantendo a tradição e visando ao fortalecimento dos mecanismos de segurança, inclusive envolvendo GOB e COMAB. Seria possível tal consenso? Uma “Palavra de Convivência” que chegou a prosperar em Minas Gerais, fruto da Carta de Uberlândia de junho de 1998 (Guimarães, 2014[1]), não é atualizada desde 2012. O tema precisa retornar à Ordem do Dia para, pelo menos, ser reavaliado.

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da Academia Mineira Maçônica de Letras, e para nossa alegria, também um colaborador do blog.

Nota

[1] – Em seu livro Grande Loja Maçônica de Minas Gerais – História, Fundamentos e Formação, o irmão José Maurício Guimarães transcreve os desdobramentos da Carta de Uberlândia, de junho de 1998 (pg. 427 e seguintes), bem como o Tratado de Mútuo Socorro, Fraternal Convivência, Recíproca Amizade e Estreita Colaboração, entre as Potências de Minas Gerais, que contem, dentre outros avanços, a adoção de uma Palavra Semestral de Convivência.

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Referências bibliográficas

BOUCHER, Jules. A Simbólica Maçônica. São Paulo: Pensamento, 2015;

CARVALHO, Assis. Símbolos Maçônicos e Suas Origens. Londrina: Editora Maçônica “A Trolha”, 1990;

GUIMARÃES, José Maurício. Grande Loja Maçônica de Minas Gerais – História, Fundamentos e Formação. Belo Horizonte: GLMMG, 2014;

STEVENSON, David. As Origens da Maçonaria: o século da Escócia. São Paulo: Madras, 2009.

Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG e da Academia Mineira Maçônica de Letras. Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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