Maçonaria e Geração “Z” Pós-Pandemia

O gestor da geração Z | Mundo Carreira

A moderna Maçonaria se identificou nos últimos 300 anos com causas nobres, lutas sociais e movimentos cívicos, revolucionários e libertários, que a fizeram prosperar até nossos dias, continuamente combatendo a intolerância, os preconceitos, os privilégios e defendendo novas ideias. Por isso angariou a antipatia de poderosos e de pessoas que simplesmente ignoram como ela funciona de fato.

Não obstante os percalços enfrentados até então, aliados ao respeito que a sua história inspira e é sobejamente decantada pelos seus obreiros mais dedicados e orgulhosos do status conferido pelo sentimento de pertencimento, a Maçonaria ainda é desconhecida por significativa parte da população brasileira e é vista por muitos com certo grau de desconfiança, apesar de todo o capital intelectual e consciência de sua importância para as transformações necessárias à promoção da justiça social.

Entre seus pontos fortes, cabe destacar o desenvolvimento de uma resiliência conferida pelo empenho na valorização do seu papel perante a sociedade, fazendo-se reconhecer como Oficina do saber, onde ideias e opiniões circulam sem nenhuma restrição, com estímulo ao livre debate, não deixando de exaltar suas características de acolhimento e sociabilidade.

No trabalho denominado “Evasão Maçônica: Análise da situação da GLMMG” (Silva, 2018, p.2) é enfatizado que

“toda organização necessita estar se reavaliando constantemente com a finalidade de conhecer suas potencialidades e suas fraquezas, de forma a continuar se mantendo perante a sociedade e, principalmente, a cumprir com os objetivos a que se propõe”.

Com a Maçonaria não poderia ser diferente.

Cabe, portanto, aos atuais membros ativos da Ordem honrar o legado recebido dos irmãos do passado e concentrar o foco nos enormes desafios que ela enfrenta na atualidade, notadamente em relação aos reflexos da pandemia do coronavírus, e que deverão balizar suas ações para o futuro, com vistas a reter seus atuais colaboradores e tornar-se atraente para o cidadão educado e com amplo acesso às informações, em função dos crescentes avanços tecnológicos.

O momento atual enseja uma sociedade e um tempo onde tudo é volátil e adaptável, denominados por Bauman (2001) de “modernidade líquida”, contrapondo-se a um recente período no qual imperava a modernidade sólida, que se apresentava ordenada, coesa, estável e previsível.

“Essa transição afetou os mais variados aspectos de nossa vida”.

Segundo ele,

“o advento do telefone celular serve bem como ‘golpe de misericórdia’ simbólica na dependência em relação ao espaço: o próprio acesso a um ponto telefônico não é mais necessário para que uma ordem seja dada e cumprida. Não importa mais onde está quem dá a ordem – a diferença entre ‘próximo’ e ‘distante’, ou entre o espaço selvagem e o civilizado e ordenado, está a ponto de desaparecer” (p.19).

Testemunhamos uma crescente

“elite dos residentes do ciberespaço que prosperam na incerteza e na instabilidade de todas as coisas mundanas…” (p.194).

Bauman afirma:

“vivemos em tempos líquidos, de conceitos e instituições instáveis e cambiantes”.

Isso fica demonstrado com o advento das redes sociais e os avanços científicos e tecnológicos que determinam novos feitios de interação, como o uso e abuso no tempo presente das videoconferências e do trabalho remoto, com o destaque para a atuação das gigantes Google, Facebook, Zoom e assemelhados, que aceleram a destruição de formas tradicionais de emprego, de comercialização de produtos, serviços, formas de ensino e aprendizagem, acelerando a obsolescência de hábitos, valores, dogmas, instituições e o surgimento de novos paradigmas. Nessa “era da informação”, a única certeza é a de que inovações hoje consideradas promissoras certamente desaparecerão antes de atingirem o potencial a que se propõem.

O protagonismo desse cenário cabe à Geração Z[1], compreendendo pessoas nascidas a partir de meados dos anos de 1990, considerada totalmente digital, e que demonstra valores profundamente diferentes, com demandas sociais e ambientais específicas e maior capacidade de reinventar a forma como trabalhar e solucionar problemas, comunicar-se e reunir-se, impondo diferentes hábitos de vida e de consumo, com apoio a modelos econômicos alternativos e desenvolvimento sustentável.

Esses nativos digitais não conhecem o mundo sem os meios de comunicação atuais e o veem de uma forma pequena e sem fronteiras, exigindo agilidade e praticidade em tudo na vida, como relacionamentos, educação e relações de trabalho. Na área da educação, demonstram maior conhecimento quando comparado às gerações anteriores. Concordando ou não com essa realidade, não se enxerga possibilidade de retorno. Para a professora e neurocientista britânica Susan Greenfield (apud Novaes, 2016), “estamos diante de uma mudança mental global”.

Citando matéria da Revista Exame (2006), a pesquisa de Novaes (2016) confirma que pelo lado profissional a Geração Z é multitarefa, ou seja, consegue fazer e entender várias coisas simultaneamente, habilidade essa que nenhuma geração anterior demonstrou, realizando tarefas online ou não, sem perder a atenção. Outra característica importante é que essa geração é caracterizada pelo imediatismo e chega ao mercado procurando empresas que valorizem a conectividade, a abertura ao diálogo, a velocidade e a globalidade. 

Não restam dúvidas de que é nessa safra de novas cabeças que a Maçonaria deverá depositar suas esperanças e garimpar seus futuros obreiros, cabendo aos dirigentes atuais ter em mente que esses jovens encaram a diversidade de uma forma natural e essencial na sociedade e enxergam além do que parece ditar o momento, ensejando, em certas situações, ausência de orientação ideológica clara. Têm o perfil flexível, adaptável e criatividade como habilidade principal, aliando tecnologia e aprendizado. A questão é:

Estamos preparados para recrutá-los e recebê-los em nossas Oficinas?

Nessa toada, a perspectiva futura da Maçonaria demanda um novo olhar e contínua inquietação do pensamento, em busca dos progressos necessários, envolvendo todo um universo que espera ser explorado. Precisamos efetivamente valorizar um ponto forte que a Maçonaria aprimorou ao longo da sua caminhada e contempla em seus fundamentos, que é o do protagonismo dos indivíduos, do papel do Maçom junto à sociedade e que se consubstancia nos novos tempos como tendência das organizações do século XXI, que para manterem-se competitivas investem em programas de ajuda aos profissionais para o desenvolvimento das habilidades de liderança embasadas na busca da autoconsciência e da reflexão. Isso é uma realidade e não podemos ficar indiferentes a esse valor da Ordem, que se vislumbra como um fortíssimo apelo para encantar a Geração Z.

A proposta cativante de trabalho da Maçonaria para atrair e engajar essa nova geração deverá demonstrar uma série de desafios e oportunidades de crescimento pessoal, voltados para a formação de lideranças, da ampliação de conhecimentos, de educação cidadã e de desenvolvimento de capacidades que expandam o poder de visão, análise e discernimento, que lhes permitirão lidar com situações da vida cotidiana e conscientização acerca de ações decisivas e transformadoras para que façam a efetiva diferença no seu meio social, em benefício da Família, da Pátria e da Humanidade. Despiciendo ressaltar nosso conceito de fraternidade, que é cartão de visita e marca indissolúvel da Maçonaria, conforme demonstramos no trabalho denominado “O Capital Social da Maçonaria”, que pode ser consultado clicando AQUI .

Por outro lado, um ponto fraco da Maçonaria, merecedor de profunda atenção, é a forma como muitas Lojas são geridas, sem dar a devida importância ao aperfeiçoamento de seus obreiros, descurando na formação de lideranças que apontem caminhos, deixando de explorar toda a base de conhecimentos e instruções disponíveis, contribuindo para o desinteresse, o desencanto e eventuais deserções, resultantes do descompromisso para com os propósitos da Maçonaria.

Na análise dos dados que apontaram as cinco maiores causas de abandono da Ordem, apurados por Silva (2018, p. 20-21), destacam-se a falta de um objetivo definido para a Ordem e que seja obrigatório o seu cumprimento por todos os Maçons e Lojas, a vaidade e o orgulho de alguns irmãos, além de motivos profissionais (transferência/incompatibilidade de horários, etc.) e a existência de discussões inúteis e sem objetivos práticos. Será essa uma barreira intransponível?

Não é segredo maçônico que em algumas Lojas dirigentes com deficiência na habilidade de gestão não permitem que obreiros se destaquem, principalmente os mais jovens, esses da tal Geração Z.

Alguns veteranos, não especificamente mais adiantados em idade, contaminados pela síndrome do “esse cara sou eu”, ensejando uma pompa sabichona, têm dificuldades em continuar a aprender e sair da zona de conforto, pois fazem o que fazem da mesma maneira há anos e continuam a gozar de relativo sucesso entre os pares. Precisam de uma Loja para chamar de sua. E são felizes nesse autoengano, em especial quando ouvem que são repositórios de incomensurável saber maçônico e festejados exemplos a serem seguidos. Possuindo um fraco por elogios, e por vezes protagonizando momentos de fofura, adoram afagos e sempre esboçam um sorriso brejeiro e uma falsa expressão de encabulamento.

Pesquisas no mundo corporativo revelam que o fator idade não é determinante para indicar competência ou a sua falta. Quando bem administrado, o choque de gerações pode ser positivo, notadamente pelo intercâmbio de conhecimentos. Ademais, não existe uma geração melhor que outra, sabendo-se que atitudes, mentalidades abertas e flexíveis compõem os requisitos para superação de adversidades. O importante é não se acomodar e ficar atento às inovações.

No âmbito da Maçonaria, a ampla pesquisa “Maçonaria no Século XXI”, formulada pelo irmão Kennyo Ismail (2018, p.26) evidencia no item 4.3

“a teoria de duas grandes gerações distintas no meio maçônico brasileiro, sendo a mais jovem, de até 46 anos de idade, de aproximadamente 1/3 dos maçons brasileiros atuais”.

Esse segmento, segundo a pesquisa,

“incentiva o questionamento, o exercício da antítese, o que parece ser, de certa forma, mal visto pela geração mais velha. A geração mais jovem também apresenta características mais críticas, tem uma média maior de nível de escolaridade e de hábito de leitura…”.

No grupo mais velho, o estudo verificou que há

“uma preocupação extremamente maior com uma melhor seleção de membros do que o observado na geração mais jovem, atualmente minoritária, o que pode ser um indício da preocupação com o fim da hegemonia”.

O trabalho apresenta uma série de contribuições que deveriam ser avaliadas com carinho pelas nossas Lojas.

Não são raras as situações em que alguns veteranos quando questionados por um Aprendiz ou Companheiro da Geração Z, sobre alguma questão específica, respondem com ar triunfalista que não chegou a hora do consulente saber. Na realidade não sabem exatamente como responder, criando um clima de constrangimento e desânimo daqueles que se mostram inicialmente entusiasmados e ávidos pelo saber maçônico. Tal situação encontra amparo na pesquisa elaborada pelo irmão Kennyo Ismail (2018, p.23), onde ele registra que

“menos de 5% dos maçons brasileiros sabem o que é a Maçonaria”,

com o agravante de que esses desconhecedores “são os mesmos que convidam, sindicam, escrutinam, iniciam e instruem novos membros na Ordem…” (p. 24).

Em nossa realidade dinâmica, temos a concorrência de Lojas que atraem bons obreiros por estarem acima da média e não se contentarem com pouco, sabendo aproveitar as oportunidades na divulgação de suas atividades, como a recente onda de convites e mais convites para reuniões em videoconferências, com uma variedade de temas em discussão. Isso ocorre porque são bem geridas, disciplinadas, ricas nas atividades e observam o cumprimento das regras. Como as notícias correm, e impedidos de chegar ao ótimo individual, muitos iniciados recentes, em especial da Geração Z, munidos de coragem e em busca de desafios, quando possível, procuram outras Oficinas, como acontece frequentemente no mercado de trabalho. O pior é quando, desiludidos, abandonam a Ordem, pois uma eventual propaganda negativa desmotiva a captação de candidatos potenciais.

É reiteradamente repercutida a situação de novos irmãos que demandam mudanças e recebem críticas por sonharem com melhorias e sofrem do descrédito daqueles que apenas desejam uma Loja tranquila, com sessões rápidas, sem muitos desafios e, de preferência, que elimine aqueles que de uma forma ou de outra incomodam com suas presenças ou não sejam lá muito simpáticos, por serem visionários e portadores de um espírito crítico mais aguçado. Tudo muito bem articulado e reverberado na cabeça do Venerável por um restrito grupo dominante, que tenta sob todas as formas manter o nível de influência e controle dos destinos da Loja. Nesse grupo temos aqueles que ameaçam frequentemente deixar a Loja, mas não escondem a carência de bajulação. Esse grupo é incansável e sempre recebe novos adeptos, para desespero do Venerável da vez que começa logo a sonhar com o término de sua gestão.

Mas a história não termina aqui. Como toda moeda tem dois lados, não poderíamos deixar de registrar a situação daqueles irmãos que não conseguem acompanhar o ritmo das Lojas de alto desempenho e logo saem à procura de uma Loja tradicional, amiga, sossegada, que não exige trabalhos e estudos, para se acomodarem à sombra das colunas e apenas curtir o lado social da Maçonaria, o companheirismo. Não raras vezes irmãos com esse perfil costumam levar junto outros que já deram o que tinham que dar ou perderam o prestígio, restringindo-se a decantar feitos do passado, e não se sentem à vontade junto às novas gerações que entram com toda força e vigor. Sem preconceitos e com todo o respeito, que sejam ambos felizes, pois continuamos irmãos!

A prática da Maçonaria Especulativa ensina que o debate é essencial, tanto em Loja quanto nas redes sociais ou círculos de estudos presenciais ou online.

Instruções ministradas burocraticamente, apenas para cumprir tabela e textos lidos eventualmente em nossas reuniões não agregam valor se não são sucedidos de reflexões. Ao não incrementar ou valorizar os temas para estudos e debates, restringimo-nos à perenidade da ritualística e expectativa do ágape que vem após as reuniões presenciais, deixando de explorar toda a base de conhecimentos e instruções disponíveis, que representam um riquíssimo tesouro colocado à disposição de todos.

Pensando na força da Geração Z que dará continuidade aos ossos trabalhos, o Quarto de Horas de Estudos em Loja e as Instruções Maçônicas merecem atenção mais disciplinada por parte dos atuais gestores, dado o alcance e a importância no sentido de preparar o quadro de obreiros, vez que disponibilizam todo um sistema onde se permite explorar variados assuntos, mediante promoção de debates sobre questões sociais de relevo, por meio de ensinamentos que levem ao aprendizado e ao progresso por meio da troca de experiência, que variam de acordo com as competências individuais e em face das vivências e descobertas proporcionadas pelos trabalhos apresentados.

Com as novas facilidades proporcionadas pelos recursos das videoconferências, com alcance inédito, e respeitadas as regras de segurança e o sigilo no que couber, os resultados positivos serão incomensuráveis. Sobre o alcance das instruções, permitimo-nos sugerir a leitura do artigo ‘A instrução maçônica” clicando AQUI .

Inúmeros temas que são caros à Geração Z e inundam o noticiário nacional poderiam ser discutidos sem a necessidade de encontros presenciais, cabendo aos Mestres no exercício da tão propalada Plenitude[2] empenharem-se para enriquecer a Ordem do Dia e tornar os trabalhos mais dinâmicos e atrativos. O escritor Yuval Noah Harari, em sua obra “21 Lições para o Século 21” (2018), apresenta uma resenha de problemas globais e temas palpitantes quando aborda a rapidez das mudanças que se divisam para os próximos anos, a ansiedade geral com relação ao compartilhamento de experiências e informações, novas oportunidades, com a tecnologia transformando vidas e seus riscos potenciais e a forma de trabalhar, os desafios políticos, o desafio de educação das crianças, como reagir e entender o volume de informações produzidas diariamente, com ênfase para a propagação dos discursos de ódio, os avanços e ameaças da inteligência artificial, a disrupção tecnológica e guerras cibernéticas, o colapso ecológico e mudanças climáticas, o conceito de liberdade, o crescimento das desigualdades e a situação de vulnerabilidade econômica de quem já sofre com a pobreza, o isolamento nacionalista, secularismo, e as disputas entre crenças, verdade e pós-verdade.

Harari dá realce às provações difíceis que a humanidade terá que enfrentar com relação às revoluções gêmeas na tecnologia da informação e na biotecnologia, que poderão excluir bilhões de humanos do mercado de trabalho, criando

“uma nova e enorme classe sem utilidade, levando a convulsões sociais e políticas com as quais nenhuma ideologia existente está preparada para lidar” (p.38-39).

Para ele, teremos de explorar novos modelos de sociedade pós-trabalho, de economias pós-trabalhos e de política pós-trabalho [e podemos hoje acrescentar o cenário pós-pandemia], pois os modelos sociais, econômicos e políticos que herdamos do passado são inadequados para lidar com tal desafio (p.59). Para apimentar um pouco mais, acrescenta:

“ou a democracia se reinventa com sucesso numa forma radicalmente nova, ou os homens acabarão vivendo em ‘ditaduras digitais” (p.95).

Não podemos deixar de destacar também a recaída do populismo e formas de governos autoritários que se insinuam. Isso afeta a Maçonaria de alguma forma? É assunto para ser discutido em Loja? Podemos agendar uma “live” para repercutir essas ideias? Isso é viajar na maionese ou passa longe dos nossos interesses quanto a tornar feliz a humanidade? Precisamos estar antenados. É um caso a pensar…..

Outro assunto de suma importância no mundo real e que causa arrepio no meio maçônico é a questão Política. Esse tema pode ser, ao contrário do que se pensa, agregador e cativar a Geração Z, se bem estruturado e conduzido com sabedoria. Conforme abordamos recentemente em artigo apresentado junto à GLMMG, no bojo do “Programa Cultural – Filosofando sobre a Ordem”, cujos resultados serão brevemente publicados, a Maçonaria, como instituição, não pode continuar na velha cantilena de que não deve envolver-se diretamente em temas políticos e nas decisões de interesse do Brasil, candidamente delegando aos Maçons que o façam individualmente, pois um regramento de 1723, editado em outro momento histórico, impede ações mais decisivas em pleno século XXI.

O cuidado é não envolver-se no círculo vicioso da politicagem tradicional e sim na Política com “P” maiúsculo.

O escritor maçônico Raimundo Rodrigues, no seu livro “Sutilezas da Arte Real” (2003), faz uma provocação corajosa ao afirmar:

“Precisamos, isso sim, de algumas mudanças, uma vez que estamos no século XXI e certos Landmarques não mais se coadunam com as nossas necessidades atuais”.

E continua:

“Precisamos, nós, os Maçons, envidar esforços para evitar o marasmo, evitar o dolce far niente” (p.145).

Não podemos olvidar que até a própria Igreja Católica está avaliando mudanças de rumo para não perder fiéis.

A postura de somente caprichar na retórica e bradar que alguém tem que tomar uma providência é muito confortável. Esse comodismo e o obsequioso silêncio político da Maçonaria do Brasil precisam ser quebrados. Afinal, sabemos ou não dialogar? Temos medo de expor nossas ideias e vê-las contestadas? Se sim, então tudo é um faz de conta. Falta o básico, a essência.

Aqueles gestores que são lentos, míopes ou orgulhosos demais para enfrentar a realidade e adaptarem-se aos novos tempos certamente serão responsabilizados pelas sequelas que deixarão como herança.

Sem sofisma, equivoco ou reserva mental que possam criar obstáculos à revisão de conceitos, é chegada a hora de a Maçonaria repensar sua atuação, decretar a sua independência e de agir com responsabilidade, assumindo o papel que já foi sua marca registrada e encantou a juventude no seu passado glorioso: revolucionária, decisiva, incomodativa, marginal em outros momentos.

Defender que a Maçonaria seja apenas uma escola de pensamento recheada de sábios, onde se cultive exclusivamente moral e ética e acalente o sonho de que seus princípios e valores sejam amplamente conhecidos e que forças do além inspirem os tomadores de decisão, sem se envolver diretamente, apenas divulgando moções de censura ou de apoio, e ficando na torcida para que a justiça e os bons costumes prevaleçam, é mais do mesmo. Como se diz no popular: é continuar a encher linguiça e fartar-se em banquetes ritualísticos. Bauman (2001, p.167) faz uma provocação:

A mais pungente e menos respondível das questões dos nossos tempos de modernidade líquida não é “o que fazer?” (para tornar o mundo melhor ou mais feliz), mas “quem vai fazê-lo?”.

Portanto, para atrairmos a atenção das novas gerações impõe-se fixar nossas esperanças e expectativas no potencial dos nossos quadros de obreiros, que representam a força da qual dispomos neste momento e que precisam ser mantidos, reforçados e motivados constantemente, para fazerem o trabalho de recrutamento junto a essa força jovem que viceja em nossa sociedade e enfrentarem as provocações que teremos pela frente.

No trabalho sobre “Maçonaria do Futuro: Gestão Maçônica” (Silva et al., 2019, p. 18), os autores reproduzem a opinião de um entrevistado que remete à questão da motivação:

“A Maçonaria, ao contrário do que muitos acreditam, é uma instituição voluntária e depende da participação ativa de seus integrantes para poder cumprir com seus objetivos. Para uma entidade desta natureza, o grande desafio é ser atraente para captar talentos e capaz de manter o nível de motivação para retê-los, compreendendo que não é um ato, mas um processo continuado”.

Então, em frente!

Vale sublinhar no referido estudo uma afirmação que nos serve de alento e também de preocupação:

“é muito improvável que ela [a Maçonaria] possa vir a deixar de existir, mas seus valores e fraternidade não podem ser negligenciados, sob pena de comprometer os pilares de sustentação que a mantém durante séculos, e ela se tornar obsoleta tanto para os Maçons, quanto para a sociedade, aproximando-se das atividades de um clube de serviço” (p. 44).

Por oportuno, contrariando expectativas e os críticos de plantão, o Mestre Raimundo Rodrigues (2003), do alto de sua sapiência, faz um alerta:

“Atenção, Críticos! é preciso que os erros sejam vistos, mas é necessário também que as virtudes sejam colocadas em relevo” (p.146).

E com a sua indiscutível autoridade afirma:

“Não temos dúvida de que a Maçonaria cresce em número de Lojas, em número de membros, sobretudo, isto é inegável, cresce em qualidade cultural dos Maçons brasileiros, haja vista o número de obras publicadas nos últimos 20 anos” (p. 133).

Confirmando esse sucesso, o Site da CMSB (https://cmsb.org.br) registra que as 27 Grandes Lojas já contam com mais de 3.000 Lojas Regulares e número superior a 120.000 membros ativos.

Reforçando seu argumento, Mestre Raimundo Rodrigues enfatiza uma realidade animadora:

“Um outro ponto que nos mostra a pujança da Maçonaria brasileira é o interesse que as Lojas de vários recantos do Brasil mostram pelo aprimoramento cultural de seus Obreiros. Seminários, cursos, palestras são realizados por toda a parte e já é expressivo o número de palestrantes que viajam de um lado para o outro do Brasil, atendendo ao chamado que lhes é feito por Potências e por Lojas” (p.134).

Ou seja, temos trabalho sério e competente sendo realizado e agora, pela experiência dos novos tempos, nem é mais necessário o deslocamento de um Oriente a outro, nem mesmo entre Lojas, tendo em vista as facilidades dos alegres e prestigiados encontros virtuais.

Como fartamente reconhecido na literatura maçônica e nos discursos de autoridades do meio, indispensável investir nas entidades paramaçônicas, incorporar nossas famílias, incrementar a convivência dentro e foras das Lojas, compartilhar atividades sociais, incentivar a participação de maçons em organizações de relevo social, realizar seminários e debates públicos sobre temas de interesse da sociedade civil, promover e apoiar campanhas filantrópicas, publicar manifestos, levar os princípios da Maçonaria junto ao ninho da Geração Z, os centros acadêmicos, torná-la visível e atrair candidatos potenciais, idôneos, de reputações ilibadas e tementes a Deus, já que não dispomos de um guichê de inscrições, sabendo-se que a juventude simboliza futuro e esperança.

Assim, cabe a cada um de nós avaliarmos erros e acertos do passado e meditar a respeito da real Maçonaria que pretendemos legar às futuras gerações, que certamente colherão os frutos que hoje plantarmos, caso ela sobreviva, se e somente se superarmos os obstáculos atuais.

É uma questão de atitude, pois o momento de que dispomos para agir é o agora, pois a nossa geração pode ser a última a ter a oportunidade de fazer as mudanças necessárias. Não podemos nos dar ao luxo de pedir ao mundo que espere ou pouco, pois nós os maçons ainda estamos decidindo. Shakespeare (1564-1616) já dizia:

“um dia você aprende….a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão….”

Apenas para reforçar o sentido da urgência que se nos afigura, permitimo-nos agregar mais uma metáfora muito bem colocada por Bauman (2001, p.70), sobre uma fala da Rainha Vermelha em Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol:

“Agora, aqui, veja, é preciso correr o máximo que você puder para permanecer no mesmo lugar. Se quiser ir a algum outro lugar, deve correr pelo menos duas vezes mais depressa do que isso!”

Sabe-se que tempo é o nosso recurso mais escasso.

Considerando a afirmação do físico dinamarquês Niels Borh de que “fazer previsões é difícil, especialmente sobre o futuro”, sendo certo que um dia ele chega,

não podemos arregar e permitir que nossas Lojas se engessem e criem resistência a mudanças e permaneçamos aferrados a uma forma de pensar, de olhos fechados à evidência dos fatos e de que viveremos felizes para sempre, manipulando e sendo manipulados, permanecendo sorrateiramente “à ordem” no aguardo de reconhecimentos e glórias, certificados, homenagens, fotos bacanas em revistas e poses vitoriosas no Facebook, exibindo nossas alfaias coruscantes, e comprometendo seriamente a dinâmica das Lojas e o futuro da Maçonaria.

Evidentemente, não podemos descurar das tradições, do legado recebido e a entregar às próximas gerações.

Reiterando reflexão contida no artigo acima citado, dentro do “Programa Cultural – Filosofando sobre a Ordem”, da GLMMG, evidencia-se imprescindível termos consciência de que as instituições hoje não agem solitárias. A estratégia são as parcerias, habilidades e talentos se associando e potencializando esforços. Depreende-se crucial a aproximação entre as Potencias Regulares para desenvolverem um plano conjunto, não penas com foco em resultados de curto prazo, mas de construir uma Maçonaria vibrante e um país melhor para a ávida geração de brasileiros que aumenta dia a dia, com demandas inéditas.

Para isso precisamos sair da nossa caverna confortável e aquecida e mostrar a cara, pois

“ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama. Ele a coloca no candeeiro, a fim de que todos os que entram vejam a luz” (Lc 8, 16).

Levemos, portanto, nossa luz ao mundo. Enfim, está em nossas mãos pavimentar o caminho que será trilhado pelos futuros obreiros. Portanto, para que sejam superadas as barreiras que hoje se apresentam para a efetiva melhoria de desempenho, mantendo a credibilidade até então conquistada e valorizar ainda mais a Maçonaria, permitimo-nos sugerir, como dever de casa e ponto de partida, o acolhimento e discussão sobre o diagnóstico e as propostas para minimizar eventuais deficiências, conforme o excelente trabalho “Maçonaria do Futuro: Gestão Maçônica” (Silva et al., 2019 – disponível no Site da CMSB – cmsb.org.br), que certamente ensejarão melhores perspectivas na longa e desafiadora jornada que teremos pela frente.

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da Loja Maçônica Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida e da Academia Mineira Maçônica de Letras.

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Notas

[1] Geração X: nascidos após o baby boom, pós-Segunda Guerra Mundial, a partir dos anos 1960 até o final dos anos 1970; Geração Y: nascidos após o início da década de 1980 e até 1995, igualmente conhecida como geração do milênio. (Fonte Wikipédia)

[2]Sugestão de leitura do artigo “Plenitude Maçônica”, em: https://opontodentrodocirculo.wordpress.com/2018/12/13/plenitude-maconica/

Referências Bibliográficas

A BÍBLIA SAGRADA. Edição Pastoral: São Paulo: Paulus, 1990;

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. RJ: Zahar, 2001;

GLMMG. Ritual Grau 1 – R ∴E ∴A ∴A ∴ Belo Horizonte: 2017;

GOMES, Márcio dos Santos. O Capital Social da Maçonaria. 2015. Disponível em: https://opontodentrodocirculo.wordpress.com/2015/09/04/o-capital-social-da-maconaria/. Acesso em 13.01.2020;

______________________________ A Instrução Maçônica. 2016. Disponível em: https://opontodentrodocirculo.wordpress.com/2016/02/23/a-instrucao-maconica. Acesso em 13.01.2020;

HARARI. Yuval Noah. 21 Lições para o Século 21. São Paulo: Companhia das Letras, 2018;

ISMAIL, Kennyo. CMI – Maçonaria no Século XXI. 2018. Disponível em: https://www.noesquadro.com.br/wp-content/uploads/2018/04/RELATÓRIO-CMI.pdf.  Acesso em 12.01.2020;

NOVAES, Tiago et al. Geração Z: Uma Análise sobre o Relacionamento com o Trabalho. 2016. Disponível em:

http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/mostraucsppga/xvimostrappga/paper/viewFile/4869/1569. Acesso em 16.01.2020;

RODRIGUES, Raimundo. Sutilezas da Arte Real. Londrina: Ed. Maçônica “A Trolha”, 2003;

SILVA, José Eduardo. Evasão Maçônica: Análise da situação da GLMMG. 2018. Disponível em: http://www.glmmg.org.br/Gestao.Macons/assets/files/Pesquisa-evasao-GLMMG.pdf. Acesso em 12.01.2020;

SILVA, José Eduardo et al. Maçonaria do Futuro: Gestão Maçônica. 2019. Disponível em: http://www.glmmg.org.br/Gestao.Macons/assets/files/Gestao_Maconica_final.pdf. Acesso em 12.01.2020. Disponível na Biblioteca da CMSB em: https://cmsb.org.br/biblioteca/.

Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG e da Academia Mineira Maçônica de Letras. Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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6 respostas para Maçonaria e Geração “Z” Pós-Pandemia

  1. vfreitasjunior disse:

    Boa tarde meu irmão, tudo bem? Passando apenas para cumprimentar o irmão pelo artigo “Maçonaria e geração Z”. Simplesmente sensacional. Tenho 40 anos, Iniciei com 32 e sinto desde a minha iniciação esta desconexão da ordem com o momento que vivemos. Acredito devemos ter em mente que as necessidades dos irmãos de hoje são diferentes daquelas dos irmãos do passado e que devemos estar sempre atentos às experiências que estamos proporcionando aos nossos recém iniciados. Este movimento não significa abrir mão das tradições, muito antes o contrário, é manter uma ordem forte, pujante e capaz de se adaptar ao tempo presente, tendo, assim, cada vez mais irmãos para quem transmitir estas tradições. A pandemia acelerou este debate tão importante e o artigo do irmão caiu como uma luva, trazendo luz sobre um tema tão controverso. Só tenho a agradecer. Receba meu TFA.

    Curtido por 1 pessoa

  2. ALCEU ANDRÉ HUBBE PACHECO disse:

    Sincero reconhecimento ao Ir.’. Márcio dos Santos Gomes pelo texto.
    Certamente o Ir.’. contemplou, em suas palavras, o que muitos dizem e não são ouvidos, escrevem e podem ser lidos mas não compreendidos, além daqueles que se calam.
    Verdade, meu Ir.’.!
    A Maçonaria foi instituída para fazer contraponto ao que o mundo profano praticava de errado.
    Mas infelizmente a Sublime Ordem se deixou invadir e dominar por muitas profanidades.
    A Maçonaria precisa evoluir, iniciando pela volta às suas origens, e novamente praticar, na íntegra, seus landmarks, princípios e sábias leis.
    Evolução e tradição podem coexistir harmoniosamente.
    Que estejamos unidos no resgate da verdadeira Maçonaria.

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  3. Moyses Tomaz de Oliveira disse:

    Uma incógnita… … …

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  4. Carlinhos de Brito disse:

    O irmão Márcio dos Santos Gomes foi feliz em seu artigo, mas ao mesmo tempo preocupante, urgi modernizar nossa Instituição, como? Bem, devemos avaliar os atos respeitando a ritualística.

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  5. Pedro Trautmann disse:

    De boas intenções o inferno está cheio, rsrsrs… Vejo com inquietude esta tendência da Maçonaria em “academizar-se”. O francesismo exagerado de alguns ritos tem conseguido construir uma visão bastante política da instituição, começando pela forma como são captados os “voluntários” da maçonaria Brasileira. Aliás, falar em “Maçonaria Brasileira” é como falar em “samba coreano”, ou seja, não chega nem perto da realidade por falta de hereditariedade com experiências reais.
    Tenho estudado muito as divergências entre a Maçonaria Anglo-Saxônica e as correntes da Maçonaria Francesa e vejo com tristeza que, enquanto a GLUI se mantém fiel às origens de intenção da Ordem (transformar homens BONS em homens MELHORES), focando a missão das Lojas como elemento de inspiração à ação comunitária, cívico e patriótica dos HOMENS que a compõe, as correntes francesas (e aqui entra uma intenção dolosa dos autores quando empregam o termo FRANCO MAÇONARIA, possibilitando o entendimento de que seja MAÇONARIA FRANCESA ao invés de PEDREIROS LIVRES, literalmente) que apregoam a necessidade de uma ação institucional, transformando a Ordem, que nasceu com o lema FRATERNIDADE, ALIVIO E VERDADE, em um movimento perseguidor da utopia social da LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE apregoada pela Revolução Francesa e nunca alcançada em suas mínimas possibilidades.
    A Ordem INSPIRA e o maçom TRANSPIRA.
    A Ordem dá as ferramentas, mas o trabalho é exclusivo de cada maçom, individualmente.
    Benditos os que conseguem agrupar-se voluntariamente em torno de um ideal. Mas não é esta a missão da instituição. Aspirar este “andar coletivo” é perseguir a utopia do ideal e, infelizmente,
    sempre será frustrante.
    Neologismos, visões estreitas, ritos excludentes, menosprezo ritualístico em detrimento de debates metafísicos e filosóficos nos graus simbólicos… tudo isto ainda me leva a crer que o encantamento da Ordem continua sendo o fato de ser VELHA – ANTIGA E ACEITA.
    O contraste de encontrar uma profundidade simples no “saber antigo” foi o que encantou nobres e reis e os levou a serem os ACEITOS na Ordem dos Operativos.
    Retirar de elementos simples, de ferramentas cotidianas utilizadas na CONSTRUÇÃO sólida dos edifícios uma sabedoria milenar sobre a missão do homem sobre a terra é reconstruir a esperança de que o simples, o óbvio, o alcançável sejam, de fato, o segredo para uma vida plena.
    A menor coletividade é o indivíduo e ninguém, com capacidade mental suficiente para entrar na Ordem, tem crises de “pertencimento” (sic) de si mesmo.
    Esta tentativa de “globalização nacional”, visto que as expectativas normalmente se restringem à Maçonaria Brasileira, inserindo anseios do contexto universitário, laboral, político e religioso na maçonaria, deve ser visto e recebido como algo temerário, capaz de provocar uma mudança tão radical que, em pouco tempo, nada de maçônico reste numa instituição totalmente adaptada aos clamores do mundo profano.
    Por excelência, somos EXPORTADORES de exemplos e não importadores de “problematizações”.
    Forçar uma adaptação da Ordem aos clamores de uma geração específica é como negar a legitimidade dos valores, conceitos, interpretações e missão que tem acompanhado a Maçonaria muito antes destes 300 e poucos anos da era Especulativa que, a propósito, consolidou-se em 1717 mas inciou quase dois séculos antes, obedecendo a velocidade dos fatos que a época permitia.
    No último congresso de Jovens Maçons (YFM) realizado em Cardif/UK, ano passado, foi unânime a resposta de que “jovens se sentem atraídos por valores, realizações e sabedoria antiga”, e quando perguntados sobre a necessidade de alterar a linguagem dos rituais para um inglês mais contemporâneo, a recusa foi unânime. A maioria dos JOVENS MAÇONS confessou que a grande magia que os mantinha nas Lojas era o sentimento de pertencer a uma instituição antiga e que, frente a tantas mudanças, guerras e contendas ideológicas, conseguira manter-se viva e fiel ao seus preceitos, linguagem, símbolos e tradições originais.
    Os maçons brasileiros e latino-americanos geralmente tem uma visão deturpada quando se fala em raiz anglo-saxonica da Maçonaria, estendendo sua territorialidade apenas ao Reino Unido.
    Já é tempo e hora dos maçons brasileiros entenderem que a hegemonia dos Ritos Franceses, especialmente o Escocês Antigo e Aceito, é exclusiva da América Latina.
    Inglaterra, Irlanda, Escócia (ironicamente), País de Gales, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Gibraltar, Ilha de Malta, Africa do Sul, Índia, Japão, Áustria, Alemanha, Polônia, Suiça, Suécia, Holanda, China, Russia, Grécia, Egito e uma miríade de pequenos países e principados europeus e asiáticos utilizam o sistema inglês onde as Lojas têm sequências de rituais que preservam os pontos de regularidade da Maçonaria, ao invés de um sofisticado sistema de Rito que não consegue ser executados com máxima semelhança por duas Lojas sequer.
    Só isto já deveria bastar para abandonarmos a perseguição da “pureza do rito”, qualquer que seja.
    E é para isto que o academicismo acabará nos levando: a supressão do homem “capaz” das Lojas, em detrimento do homem “letrado”.
    Cultura geral é bom, e todo o debate é saudável, sem dúvida, mas será este o melhor caminho para conseguirmos permitir que “homens bons se transformem (a si próprios) em homens melhores?
    Ou será apenas mais uma armadilha de mudanças impostas (bem ao estilo republicano) da qual a Maçonaria precisa esquivar-se caso pretenda sobreviver em terras tupiniquins.
    Meus respeitos aos pesquisadores, mas ainda defendo que “qualquer ponto de vista discutido em Loja ou entre irmãos, precisa ter como base – exclusivamente – o teor, a experiência, a história, a tradição e a vivência maçônica”. Nada, em tempo algum, nem Lei, nem estudo, nem tendência pode tentar sobrepor-se aos Landmarks ou às Velhas Obrigações.
    Fazer isto é negar nossa origem e nossa missão.
    Fazer isto é profanar o aspecto mais sagrado da nossa Sublime Instituição.
    T.´.F.´.A.´.

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  6. Edson Silva disse:

    O texto apresenta questões importantes sobre a reconhecida necessidade de “modernização” e adequações da Maçonaria aos novos tempos, todavia tenho muitas dúvidas sobre o que realmente deseja essa chamada “geração Z”!…
    Dessa forma qual seria mesmo a contribuição/participação da chamada “geração z” para a Maçonaria?!
    Na minha pouca experiência e observando essa juventude, vejo-a como fútil, descompromissada politicamente, ególatra…
    Tenho pensado que se trata de uma situação como muitas semelhanças, guardando as devidas proporções obviamente, a geração “hippie”.
    Que também não tinha um projeto político de futuro, apenas críticas, e como muitas razões, ao que estava posto.
    Será que droga atual da juventude se chama “mídias sociais”?!
    Um TFA
    Ir.’. Edson Silva
    Professor Titular de História/UFPE
    http://www.indiosnonordeste.com.br

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