Equinócio da Primavera

Primavera - Guia Estudo

Solstícios e Equinócios marcam o início das estações do ano e estão relacionados à incidência dos raios solares e à inclinação da Terra. A estação da primavera é marcada por uma maior incidência de floração com o desabrochar das flores. Também na primavera os animais que hibernaram no inverno saem de suas tocas e as abelhas, bem como as borboletas, ficam mais ativas.

A vida também é marcada em ciclos. O rei Salomão chegou a relacionar a juventude com a primavera da vida e podemos pensar que o processo de envelhecimento nos leva a passar pelo verão com a maturidade, pelo outono com relativa baixa no vigor físico e pelo inverno com o embranquecimento dos cabelos, com a perda de apetite e, por fim, com o romper do fio de prata. Mas assim como as estações se repetem ano após ano, vários ciclos são abertos e fechados no curso da vida.

Segundo Freud, somos seres marcados pela repetição e a organização da vida em ritos, rotas e rotinas é um bom exemplo disso. Infelizmente, a maior parte das pessoas demora muito tempo para aprender que não há coincidências na vida, nem mesmo nas circunstâncias do nascimento ou da morte. A grande questão é se teremos um papel ativo ou passivo nos diversos ciclos da vida.

No dicionário os termos expectativa e perspectiva são sinônimos, mas do ponto de vista da vida psíquica são posições subjetivas antagônicas. A expectativa equivale a uma posição subjetiva passiva, uma posição na qual o expectador da vida torce ou reza para que a vida melhore, mas ele ficará passivamente esperando e deixando a vida o levar. A perspectiva equivale a uma posição subjetiva ativa na qual o sujeito muda o seu ponto de vista, muda o seu jeito de olhar e assim passa a ver algo que antes não se via na outra posição.

Muitos vivem de expectativas e não percebem que a grande virada na vida é assumir o risco de uma nova perspectiva.

Não é porque se encara algumas situações na vida como tragédias que elas sejam, de fato. Quando se escolhe encarar as tragédias como oportunidades de crescimento descobre-se que elas são também desafios necessários para que haja mudança e novos ciclos na vida

Seja lá quantas primaveras já se tenha vivido, ao se olhar para trás, não para os dias belos, claros e coloridos de primaveras e verões, mas para aqueles dias mais difíceis, cinzas, em vários ciclos de outono e inverno que se experimentam na vida, é possível perceber que são justamente estes dias mais difíceis que fazem tornar-se a pessoa que se é hoje.

Os ciclos vêm e vão, portanto, nenhuma doçura será eterna e nenhum amargor será perene. Os dias coloridos da primavera fazem valer os dias cinzas do inverno. Quando a
abelha produz o mel vale o tempo que ela não voou. É preciso aprender a receber, aceitar e viver com intensidade os variados ciclos. A primavera traz a oportunidade do descobrir e do gostar, o verão abre as portas do aventurar, no outono vem a possibilidade de melhor se conhecer e o inverno é a época de se proteger. Todo dia, seja de qual ciclo for, é dia de viver para ser tudo o que puder ser, seja lá o que for.

A vida não nos apresenta garantias, mas riscos. É como o desbastar de uma Pedra Bruta: Você pode se lascar ou sair polido. Como então podemos melhorar a perspectiva sobre a vida?

Voltando a Freud, o desejo fundamental das pessoas é sentir-se amado. Tudo o que se deseja ou teme é porque anseia-se por amor, tem-se a expectativa de ter mais tempo para sentir-se amado e teme-se a morte e o fim do sentir-se amado. Podemos, então, medir a vida observando o amor, o tempo e a morte.

Quer se sentir amado? Mude de atitude, comece a viver! O amor está em tudo e dentro de todos.

O amor está na luz e na escuridão, na bonança e na tempestade, no sorriso e na dor.

Quer goste ou não disso, não tente viver sem amor. Não se pode escolher a quem se ama e nem quem fará sentir-se amado, mas não se deve abrir mão do desejo de amar-se a si mesmo. Excelente obra almeja quem ama o seu próximo, nem por isso deve deixar de amar a si mesmo. O desejo de sentir-se amado pode começar a ser realizado tornando-se amado.

Segundo Einstein, o criador da teoria da relatividade, o tempo é uma ilusão, embora teimosamente persistente. O tempo não vai do meio dia à meia noite, nem de janeiro a dezembro. Essas são percepções limitadas e por isso muitos reclamam que não têm tempo suficiente, que a vida é curta, que os cabelos estão ficando brancos ou caindo. O tempo é abundante, é um presente! O tempo transforma o cinza das dores do inverno em cores na primavera, mas ele também transforma as cores em cinzas. Talvez o tempo seja outro nome para o que chamamos de vida…

Por fim, a morte. Ela causa dor, inspira medo, enfim, é implacável, mas também é simbólica e representa o fim de ciclos que podem ser trágicos ou transformadores, a depender da perspectiva. A morte da larva também é a transformação da borboleta. As pessoas são como larvas em casulos de borboletas. O casulo é o que se vê no espelho e quando este casulo sofre algum dano físico ou psíquico, pode-se ver uma tragédia, mas poder-se-á também ver a libertação da borboleta.

As pessoas que vivem vida plena, que experimentam o amor e aproveitam o tempo, jamais terão medo da morte. A morte pode ser a maior realização que nos aguarda, destarte, se deseja viver bem a vida, pense na morte. Não se preocupe com a morte, mas com as escolhas que faz na vida. Se cuidar hoje do abrir e fechar ciclos na vida, então ter-se-á uma experiência incrivelmente feliz no momento da morte. Parafraseando Freud, pouco valerá saber se não experimentar o que se sabe.

Eis que chega mais um Equinócio da Primavera. Finda-se um ciclo de inverno em que muitos perderam, vários choraram e alguns se perderam. Com a primavera boas novas andam pelos campos e pelas ruas. O que vai brotar, crescer e colorir a vida é o que se semeia também nos dias cinzas, nos dias difíceis. Quem tem o ideal de tornar feliz a humanidade deve aproveitar os ventos da tempestade para semear amor e usar o tempo para inventar algo que venha trazer a luz da primavera.

Faço votos de que neste ciclo da primavera você possa trazer à memória aquilo que dá esperança, não se esquecendo das folhas tristes do outono e das noites frias do inverno, para apreciar o perfume das flores e fazer brotar as lições sobre a vida que já se sabe de cor, mas que resta aprender!!!

Autor: Júlio César Mendes Pereira

*Júlio César é Mestre Maçom da ARLS Águia das Alterosas, Nº 197 – GLMMG, oriente de Belo Horizonte.

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG e da Academia Mineira Maçônica de Letras. Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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