A música na Maçonaria

Música e Maçonaria – A Harmonia em loja às ressonâncias secretas da  Maçonaria – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

A música é uma das sete artes liberais. Procede do vocábulo do grego “musa” que significa inspiração, poesia, harmonia e encanto. A música tem o Dom de preparar o ambiente, para meditação, para o culto espiritual; não só acalma, ameniza, conforta como pode curar certos tipos nervosos e ajudar na cura de processos orgânicos. Esotericamente, os sons penetram de tal forma no intimo dos seres humanos que lhe dão harmonia e paz. 

Todo o universo é som, que por sua vez é matéria e espírito. Os vegetais e os animais sentem influência da música e deleitam-se em ouvi-la. Em todas as civilizações, a música era cultivada por meio do cântico e de instrumentos; inicialmente de percussão, depois de sopro e, mais tarde, de cordas; hoje, com a eletrônica, obtêm-se os sons mais variados que possam surgir. 

Religião e música mantiveram-se inseparavelmente ligadas nos antigos tempos da humanidade. A música é um fenômeno universal. É a linguagem que todos entendem. É o traço de união entre os povos.

Pitágoras considerava a música e a dieta os dois principais meios de limpar a alma e o corpo e manter a harmonia e a saúde de todo o organismo. 

A vida é som. Continuamente estamos cercados de sons e ruídos oriundos da natureza e das varias formas de vida que ela produz. A própria natureza é que nos dá a música; o que dela fazemos varia, conforme o temperamento, a educação, o povo, raça e a época. 
Grande foi a influência da música sobre a mente humana. O homem primitivo dispõe apenas de poucas palavras. Quase somente o que ele vê é que tem nome. Para exprimir os sentimentos, serve-se de sons e cria a música que o ajuda a exteriorizar o Júbilo, a tristeza, o amor, os instintos belicosos, a crença nos poderes supremos e a vontade de dançar. 

Para ele é parte da vida a música, desde o acalante até a alegria fúnebre, desde a dança ritual até a cura do doente pela melodia e pelo ritmo. O efeito música sobre o homem diminui no decorrer dos milênios; apesar disso, podem ser encontrados nos tempos históricos e até na atualidade interessantes exemplos do seu poder. 

Davi toca harpa para afugentar os maus pensamentos do rei Saul; Farinelli, com o auxilio da música, cura a terrível melancolia de Felipe V.; Timóteo provoca, por meio de certa melodia, a fúria de Alexandre, o grande, e acalma-o por meio de outra. 

Os sacerdotes celtas educam o povo com música; somente eles conseguiram abrandar os costumes selvagens. Santo Agostinho conta que um pastor foi, em virtude das suas melodias, eleito imperador. 

Na literatura moderna, vemos numerosas obras de psicologia profunda em que as mais fortes excitações sentimentais são provocadas pela influência da música. 

A música é, nas mãos dos homens, um feitiço o seu efeito se estende desde o despertar dos mais nobres sentimentos até o desencadeamento dos mais baixos instintos, desde a concentração devotada até a perda da consciência que parece embriaguez, desde a veneração religiosa até a mais brutal sensualidade. 

Na verdade, muita coisa está envolvida na escolha da música para cada situação, pôr exemplo: Uma música relaxante tranquiliza e propicia a meditação. O estimulo musical é aprendido e assimilado em nível celular. O relaxamento ocorre tanto em nível fisiológico quanto psicológico. O corpo, até onde podemos verificar, parece adquirir aptidão para expressar sua própria natureza e harmonia interna. Um dos meus ditados favoritos sobre a vida harmoniosa comenta Estevem, é “som Saúde” e começo em casa. 

Relaxamento, considerado por muitas autoridades médicas como condição essencial para conseguir e manter a saúde pode ser facilmente aprendido e praticado em casa. Se você teve um dia de ruído estressante no trabalho, merece o prazer de música agradável e relaxante, escolha o que parecer melhor para você para fins de relaxamento. Ouça especialmente música tranquilizadora na qual a própria música relaxa o sistema nervoso, em lugar de deixá-lo mais nervoso ainda. Desse modo, o corpo maneja o fluxo de energia numa maior eficácia do que com a música com forte padrão rítmico. 

Algumas pessoas conseguem aliviar dores de cabeça devidas às tensões sem tomar remédios, apenas se concentrado totalmente na música. 

Na medicina do som, grande parte da cura de que se fala hoje é na verdade uma auto cura. Realmente, muitos médicos admitem que eles não fazem a cura, apenas ajudam o organismo a se libertar de um problema que impede que o corpo se cure por si mesmo.. “Em toda história” escreve o Dr. David E. Bresler, a “música tem sido incorporada em muitos rituais de cura. 

Estudos científicos recentes demonstraram que a música equilibra o metabolismo do corpo, a atividade muscular e a respiração influenciam também à velocidade do pulso e a pressão sangüínea, além de minimizar os efeitos da fadiga. “Outros estudos sugerem que a música pode até mesmo diminuir o colesterol na corrente sanguínea” e outras tantas deficiências do organismo como também para mentes conturbadas. 

Mostrou a investigação diz David Tame que a música influi na digestão nas secreções internas, na circulação, na nutrição e na respiração. Verificou-se que a rede nervosa do cérebro são sensíveis aos princípios harmônicos. O Corpo é afetado de acordo com a natureza da música cujas vibrações incidem sobre ele. 

Certamente não há dúvidas de que a música transmite estados emocionais muito reais e, às vezes, muito específicos do músico ou do compositor ao ouvinte. Eis porque, de tempos a tempos, os pensadores têm afirmado que a música é uma forma de linguagem.

Já, na Maçonaria, a música é um preceito ritual. Os Rituais recomendam que aja música durante a realização das sessões maçônicas, para que o espírito fique mais apto a captar a atmosfera esotérica das reuniões.

O Maçonólogo Dangler Travassos Guimarães orienta que o fundo musical, deve ser ouvido desde o inicio quando na sala dos passos perdidos, com melodias que elevem os presentes aos mais altos paramos*, preparando-os para o inicio dos trabalhos.

No Átrio, onde se deve entrar já paramentado e com as insígnias, a melodia pode ser religiosa por ser um local onde todos se limpam mental e espiritualmente para a entrada no Templo, por que nenhuma reunião de elevação espiritual deve ter início com pessoas despreparadas, sob pena de ser até prejudicial e sentida a baixa vibração e consequentemente, nada de positivo ser aproveitado.

É no Átrio, que o maçom faz sua preparação espiritual para os trabalhos, deixando para trás, as coisas do mundo profano, fazendo sua introspecção. O Mestre de cerimônias ao comandar para abrir a porta do Templo todos já conscientes preparados (limpos espiritualmente) para entrar no Templo sagrado, deve o Mestre de harmonia, nesse momento  colocar o fundo musical de uma melodia suave.

Na abertura da bíblia, que seja executada uma melodia de “Câmara” e nos giros do mestre de cerimônia e do irmão hospitaleiro a melodia deve ser suave, convidativa a uma meditação porque é o momento em que os irmãos se conscientizam do que estão praticando.

Terminados os trabalhos com o fechamento do Livro da Lei, as melodias podem ser alegres e assim por diante. O ideal desejável é que todas as lojas dispusessem de vasto repertório de músicas maçônicas, isto é, músicas compostas exclusivamente para Ritualística Maçônica que, através de discos, fitas, o mesmo de partituras seriam executadas durante as sessões, a realidade, infelizmente está muito longe desse ideal. 
Se, por um lado, são pouquíssimas as lojas que tem uma coluna de harmonia bem estruturada, por outro, são pouquíssimas, na literatura musical, as músicas rotuladas “maçônicas”. 

Encontramos lojas que o Mestre de Harmonia coloca músicas cantadas ou músicas outras que acha bonita. Pensa que está contribuindo para a harmonia da sessão, a Egrégora, mas não. Ele sugere músicas maçônicas como Mozart, Beethoven, Amadeus e outras mais atuais, que não cantadas, mas que tenham um sentido suave e que leve a todos os presentes à meditação ou a tranquilidade de espírito. 

O Mestre de harmonia deverá entender a psicologia da harmonia na maçonaria. Se colocar uma música gregoriana, estará induzindo a sentimentos cristãos. Se for hino evangélico a sentimento de sua religião. 

Por isso que as músicas não poderão ter cunho sectário, para não desviar a Egrégora Maçônica a um sentimento religioso ou de culpa. Ou outro tipo de melodia que leve o irmão a fazer imagens mentais que o tire da Egrégora pelo efeito dos sons daquele ritmo. Por esse motivo as músicas devem ser neutras. 

A melodia maçônica deve ser aquela que induza ao irmão a entrar dentro de Si, se elevando á uma reflexão de seu EU. E não a uma música que faça com que seu pensamento saia de si para ir ao ambiente da qual, costumeiramente é tocada. A música mexe no comportamento do SER. Uma melodia romântica faz com que fiquemos pensativos e até nos faz chorar. Depende da sensibilidade de cada um. Já um samba, faz o corpo balançar automaticamente, e assim por diante. Portanto, em loja o Mestre de Harmonia deve ser sensível ao conhecimento da harmonia a ser executada. Pois, a Egrégora depende muito do conjunto das músicas executadas durante uma sessão. 

Assim perguntou um aluno a seu professor:

– Mas, o que é música?

E o mestre respondeu-lhe: 

– “A música é um fenômeno acústico para o prosaico. Um problema de melodia, harmonia e ritmo para o teórico; e o desdobramento das asas da alma, o despertar e a realização de todos os sonhos e anseios de quem verdadeiramente a ama”.

Autor: Carlos M. Pantanali

Fonte: JB News

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Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG e da Academia Mineira Maçônica de Letras. Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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3 respostas para A música na Maçonaria

  1. brunoblg disse:

    Lindo artigo, Luiz. Parabéns!!
    Teria alguma sugestão de músicas maçônicas para a ritualística?

    Curtido por 1 pessoa

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