Perspectivas para a maçonaria pós-pandemia

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“Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe.” (Popular)

Em 2020, navegamos por mares turbulentos e aprendemos, na prática, o que é uma virose se transformar em pandemia, com reflexos em todos os setores da atividade humana. O cotidiano não foi mais o mesmo. Sem os merecidos rituais de despedida, entes queridos se foram. Vimos empresas e empregos sendo extintos da noite para o dia. Relações pessoais interrompidas, famílias divididas, lazer suspenso, países e cidades em isolamento, em frenéticas rotinas de abre e fecha. Tudo acompanhado com perplexidade, inquietação, insegurança e medo.

O espaço físico doméstico foi fortemente impactado ao enfrentar novas formas de organização, de suprimento e de conciliação entre atividades domésticas, escolares e profissionais. Isso sem falar no noticiário ameaçador, autoridades em conflito e no ambiente cada dia mais tóxico das redes sociais, contaminando mentes com as infindáveis fake news. No mesmo sentido, arroubos retóricos semeando a desinformação, abalando relações afetivas, provocando confrontos ideológicos, gerando intolerância e cizânia. Fortes emoções, porém com algumas conquistas, aprendizado e desafios superados. Sobrevivemos ao quase fim do mundo, a um custo muito alto.

Agora, já em meados de 2021, quando parecia que a “normalidade” estava retornando aos poucos, com a boa notícia da vacina, veio o revertério, com o recrudescimento da pandemia da Covid-19, frente a um sensível declínio dos afetados nos meses anteriores e agora apontando o aumento do número de infecções e óbitos, com a insegurança voltando a tomar conta de todos nós, mesmo com um grande número de pessoas vacinadas. Novos ataques, inclusive de novas variantes do coronavírus e outras pestes, que passam a ser prospectadas no radar, ressuscitando o fantasma de antigas profecias de sinais apocalípticos. Realmente, tempos difíceis!

Em meio às turbulências ora vivenciadas com a pandemia da Covid-19, conjecturar sobre o futuro é sempre tendencioso, certamente podendo descambar para exageros, mas é inevitável não especular a respeito de possíveis cenários. Muitas indagações e poucas afirmações, até então. Teremos nossas vidas de volta como anteriormente? O que se pode afirmar é que teremos que mudar para garantir nossa sobrevivência e segurança. De todos, sem exceção.

Por outro lado, com os gigantes Google, Facebook, Zoom e assemelhados no comando, as tecnologias disruptivas irão de fato alterar as medidas de segurança e estabelecer maiores controles sociais em um cenário orweliano. A realidade será mesmo virtual? Crises demandam mudanças e adiantam o futuro. Fica a dúvida, é só isso mesmo, ou vem mais por aí?

O consenso é de que nada será como antes e enfrentaremos, com certeza, novos paradigmas de comportamento individual e coletivo. Estaremos mais conectados e ao mesmo tempo mais isolados? Esse cenário será o mesmo para as demais atividades, onde nossas residências assumirão definitivamente a condição de extensão de escritórios, salas de aula e outras rotinas, de forma híbrida, para equilibrar trabalho remoto e presencial? Em principio, imagina-se que toda atividade que possa ser realizada sem a presença física será incentivada. Aquelas ora realizadas em ambientes propícios a transmitir algum tipo de vírus serão revistas ou minimizadas. A preocupação com a saúde passará a ser prioridade.

O que parecia ser especulação para um futuro distante, a pandemia encurtou os caminhos. Várias áreas sentem os efeitos e novos hábitos estão sendo rapidamente incorporados. O sistema de ensino, que dava passos largos no ensino a distância (EAD), estuda meios híbridos com incorporação de tecnologia envolvendo instrumentos de conteúdo presencial e digital. No mundo empresarial, o trabalho remoto é uma realidade e começa a ser incentivado por uma série de razões práticas expostas pela pandemia. Todos os ramos de atividades hoje trabalham com cenários alternativos. O porvir será vivido por trás de uma tela, é o que parece, pelo menos no que podemos especular por ora. A Covid-19 é uma realidade e a ciência ainda não tem uma resposta definitiva para os inúmeros desdobramentos possíveis.

No meio maçônico, é fato que, logo após a confirmação da pandemia, a Grande Loja Maçônica de Minas Gerais divulgou a Circular Nº 076, em 16.03.2020, comunicando a suspenção das atividades maçônicas presenciais, bem como “uma série de iniciativas tanto de interesse exclusivo da relação entre suas Lojas e Irmãos, quanto, de alcance e interesse da sociedade”.

Nesse mesmo diapasão, as atividades ritualísticas na Maçonaria foram suspensas mundo afora, conforme fartamente publicado nos meios de comunicação das Potências Regulares (vide Blogs Forthright Space e York), tendo como consequência a adaptação apressada desde então verificada, com o incentivo às reuniões virtuais. E a maçonaria passou, assim, a experimentar novos tempos e novas formas de reunião à distância, ensejando uma troca de experiências e de compartilhamento da cultura maçônica numa abrangência até então jamais imaginada.

Do que vimos até agora, não restam dúvidas de que essa solução “provisória” veio para ficar e se ressente de uma regulamentação via revisão de protocolos ritualísticos, que certamente ganharão novos contornos e regras de comportamento. Não podemos cultivar falsas ilusões. Caso isso não seja a linha mestra de atuação, o colapso da estrutura de sustentação da Ordem poderá ser entrevisto em cenário mais pessimista, o que não pode deixar de ser avaliado. A adaptação a novos hábitos deverá fazer parte do plano de gestão de cada uma das nossas Lojas, consideradas as particularidades. E já se sabe que gestão é a solução.

No cenário ainda de muitas incertezas, as tendências para o pós-pandemia indicam que a tecnologia será um forte aliado na preservação das tradições e fortalecimento da união entre os obreiros, dado que o retorno “normal” das atividades como era o costume encontrará fortes obstáculos, pois nossa Ordem continuará muito afetada com a necessidade do distanciamento social imposto pelas autoridades de saúde e até agora acatado por nossas lideranças.

O retorno às atividades normais após a cessação das medidas restritivas de reuniões enseja preocupações antes não vislumbradas, considerando-se que nosso grupo caminha para ser, majoritariamente, de obreiros com mais de 60 anos, com as vulnerabilidades impostas pela vida. A pesquisa “Maçonaria no Século XXI”, formulada pelo irmão Kennyo Ismail (2018, p. 5-6), demonstra que 37% da amostra participante da pesquisa são de maçons com mais de 60 anos, na categoria de idosos pela legislação vigente, “e, em apenas 5 anos, a maioria dos respondentes, aproximadamente 51%, será idosa”. Sem sombra de dúvidas, a maçonaria brasileira está envelhecendo e as baixas por causas naturais são inevitáveis.

Considerando a possibilidade de reuniões híbridas, presenciais e/ou por videoconferência, as Potências regulares terão o desafio de implantar plataformas específicas para as reuniões virtuais, com vistas a integrar bancos de dados para garantia da segurança e regularidade dos participantes, tanto os do quadro quanto dos visitantes, inclusive com nova cartilha de etiqueta e revisão de protocolos.

Na nova “Ordem do Dia”, essas e outras dúvidas começam a demandar um posicionamento mais efetivo de nossas lideranças, mas as resistências ainda são significativas, mesmo diante das evidências dos fatos. O pressuposto do diálogo em busca de soluções implica aceitação de que alguma medida precisa ser adotada com foco, inovação, resiliência e adaptabilidade. Sem isso não há chance de superação das dificuldades. John Maynard Keynes (1883-1946), economista britânico cujas ideias mudaram fundamentalmente a teoria e prática da macroeconomia, perguntava: “Quando os fatos mudam, eu mudo de opinião. E o senhor, o que faz?”.

Ainda parece-nos que as reuniões presenciais na maçonaria, mesmo a partir do segundo semestre de 2021, estão seriamente ameaçadas. Os obreiros mais pessimistas apostam que um dos legados da pandemia do coronavírus será a adoção das videoconferências como solução perene para o impasse entre as restrições impostas pelas autoridades de saúde quanto às aglomerações que envolvam pessoas pertencentes aos grupos de risco.

O questionamento que nos provoca é por que o impacto na maçonaria seria diferente quando comparada às demais atividades? Afinal, estamos em guerra contra um inimigo invisível que não escolhe vítimas e é mutante. Gostemos ou não, a dura realidade está determinando uma nova forma de viver, que definitivamente não será mais a mesma. Os números mais recentes demonstram que o número de baixas por morte em nossas fileiras é expressivo. Também a evasão maçônica, que fazia parte de nossos embates, ganha novos contornos. Esse cenário precisa ser avaliado, notadamente quanto à recomposição dos quadros de obreiros. E, o mais importante, por ora, é reter talentos e engajar equipes.

Nesse sentido, o recrutamento deve ser orientado na busca de um perfil adequado aos princípios da Maçonaria e objetivos da Loja, que devem ser bem claros para os padrinhos que se empenharem nessa missão. E esses novos iniciados devem ser explorados em todo o seu potencial de conhecimentos e habilidades, cabendo às Lojas ter um diagnóstico dos anseios e inquietudes notadamente da geração mais nova, no caso a “Z”, que enseja os valores modernos caracterizados pelo empreendedorismo, gosto por desafios, vontade de mostrar resultados práticos e de se sentirem prestigiados (Novaes, 2016), e que precisam, portanto, se identificarem com a Ordem.

Voltando ao problema da moda, que tudo isso passará, não restam dúvidas. Mas, a que preço? Talvez em 2022 as coisas melhorem, mas e agora? A pergunta que não quer calar é: tudo será como dantes? Correremos o risco de novas ondas e necessidade de repetidos isolamentos? No nosso caso, continuaremos a reunirmo-nos em Templos apertados e sem circulação de ar natural, para evitar os olhares indiscretos e quebra dos quesitos de segurança? Irmãos mais novos em idade correm menos risco, mas podem se tornar vetores de contaminação em futuras recaídas da espécie. Muito receio entre maçons com idade provecta e seus respectivos familiares, que vêm externando mensagens de preocupação com o retorno das reuniões presenciais pós-pandemia.

O ganho até agora, em termos de compartilhamento da cultura maçônica promovido pelas reuniões virtuais, é de um valor incalculável, porém, segundo estimativas, conta com a participação de algo em torno de apenas 1% dos maçons ativos no Brasil. Mas o barulho que fazem está sendo ouvido em nossas Lojas e além-fronteiras. De concreto, a conquista representada pela fundação de duas Lojas Virtuais: ARLS Virtual Lux In Tenebris nº 47, em 25.09.2020, ligada à GLOMARON, e ARLS Luz e Conhecimento nº 103, em 05.11.2020, da GLEPA, com sucesso de participantes e de temas cativantes, com debates envolvendo irmãos de todo o Brasil e de vários que vivem no exterior, assim como de outras nacionalidades, de uma forma até então impensável.

De outra parte, se podemos falar em benefício das crises, foram inúmeras as oportunidades abertas pelos convites de Lojas que abriram suas reuniões virtuais à participação para todos os maçons regulares, com a ampliação dos contatos entre irmãos de vários Orientes, novas amizades e a realização de proveitosos e inesquecíveis ágapes culturais. A perspectiva de fundação de novas Lojas Virtuais é promissora e uma consistente alternativa a ser avaliada com muito carinho e sem prejulgamentos, dependendo exclusivamente do empenho das lideranças das nossas Potências.

Ocorre que não houve unanimidade nas participações em reuniões por videoconferência, por parte de expressivo número de irmãos, com fortes resistências, haja vista que muitos não estão familiarizados com os recursos ora proporcionados pelas redes sociais. Outros, por questões de ponto de vista, mantiveram-se distanciados, por não aceitarem de bom grado os avanços tecnológicos e mudanças de comportamentos. Dentre esses, identificam-se aqueles mesmos que não são assíduos em Loja ou desaparecem ou se isolam sem declarar os motivos.

Porém, nosso tempo merece ser mais bem aproveitado. A força da maçonaria está no aprendizado constante. Os conhecimentos e experiências precisam ser compartilhados e precisamos, portanto, refletir sobre a realidade desses irmãos que resistem em participar das reuniões em videoconferência. Evidente que não podemos abrir mão das Sessões Magnas e outras que demandam a presença física, pelo menos, com a participação daqueles obreiros não pertencentes a grupos de risco.

Desnecessário tecer maiores reflexões sobre a importância de participar, marcar presença, ou daquela expressão de quem não é visto não é lembrado, mesmo em reuniões virtuais. O que se sabe é que a inação desmobiliza o engajamento, afasta. Cabe, sobremaneira aos dirigentes de nossas Lojas, zelar por manter acesa a chama e não deixar ao relento a ovelha desgarrada ou que, no caso vertente, ainda não tenha sido seduzida pela malha tecnológica, carecendo apenas de uma ajuda dos universitários. E essa união, hoje, independe de presença física se levarmos em consideração as várias alternativas de materialização de ideias.

Mudanças regulamentares começam a ser reclamadas, em face do novo normal que se nos apresenta. Queiramos ou não, a “hora h” chegou. Precisamos vencer as resistências, abandonar a inércia e fazer deste momento a alavanca para a revisão de nossas Constituições, Regulamentos Gerais, Landmarks, Protocolos Ritualísticos e construir uma visão de futuro e não apenas pensar no ano em curso, num eventual pós-pandemia imediato e incerto. Neste momento, a única certeza é a dúvida se a Maçonaria terá efetivamente a resiliência para desdenhar os efeitos da atual crise, sem sequelas e/ou perdas em suas fileiras. Encontramo-nos perante um desafio de vida ou morte. Vamos pagar para ver ou correremos conscientemente o risco de sermos referenciados no futuro como os “coveiros” da Maçonaria?

Enfim, enquanto privados dos encontros presenciais, podemos incentivar e incrementar nossas videoconferências com discussões dessa temática, agora enriquecida com um número cada vez maior de visitantes de diferentes Lojas, Ritos, Orientes e Potências, sem falar que estamos, com isso, participando de mais reuniões dentro do conforto de nossos lares e com interação virtual calorosa, antes impensável. Para encerrar, quem ainda não leu em nossos grupos de WhatsApp irmãos perguntando: onde tem live maçônica hoje? Novos tempos, novos desafios!

O que fazemos para nós mesmos morre conosco. O que fazemos pelos outros e pelo mundo, permanece e é imortal.” (Albert Pike)

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da Loja Maçônica Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida e da Academia Mineira Maçônica de Letras.

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Referências

Forthright Space, em https://forthright.space/2020/03/13/freemasonry-covid-19-updates-march-13-2020/. Acesso em 09.01.2021;

ISMAIL, Kennyo. CMI – Maçonaria no Século XXI. 2018. Disponível em: https://www.noesquadro.com.br/wp-content/uploads/2018/04/RELATÓRIO-CMI.pdf.  Acesso em 10.01.2021;

NOVAES, Tiago et al. Geração Z: Uma Análise sobre o Relacionamento com o Trabalho. 2016. Disponível em: http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/mostraucsppga/xvimostrappga/paper/viewFile/4869/1569. Acesso em 08.01.2021;

Site da GLMMG: http://www.glmmg.org.br/novo/Covid-19;

York Blog, em https://york.blog.br/2020/03/16/maconaria-e-covid-19/. Acesso em 09.01.2021.

Sobre Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D'Almeida - GLMMG e da Academia Mineira Maçônica de Letras. Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com
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Uma resposta para Perspectivas para a maçonaria pós-pandemia

  1. Sou M.I. assíduo, 61 anos de idade, 30 de Ordem e Técnico em Informática com ênfase em desenvolvimento de sistemas.
    O que vi, nas sessões virtuais, foi um academicismo exagerado e uma perda inexplicável de foco.
    Sou absolutamente contra as palestras macônicas virtuais pois elas estão virando o fluxo original de informações proposto pela Maçonaria, abdicando do conhecimento, inspiração e regramentos sociais por ela conservados e transmitidos por – pelo menos – 600 anos.
    Vi Aprendizes procurando Maçonaria em Platão, Schopenhauer e até mesmo (sic) Marx, para justificarem as suas (do Aprendiz) convicções, ao invés de ler e procurar entender as ricas e extraordinárias instruções do Ritual do seu grau.
    Vi Mentores respeitáveis sendo ridicularizados por não concordarem com os conteúdos e forma sem critério como estavam sendo divulgados.
    Vi um avanço ultra cosmopolita sobre os conceitos e a forma de SER das pequenas lojas do interior (uso e costume).
    E vi, também, que as Obediências e Potências ignorarem que, inevitavelmente, a migração para o mundo virtual vai levar obreiros novos e antigos a procurarem abrigo nas Potências mais estáveis, tradicionais e antigas.
    Por quê ser obreiro (virtual) de uma Obediência incipiente com parcos 100 anos de existência e inúmeras querelas sempre presentes, se você pode ser membro virtual da United Great Lodge of England?
    Think about, please!
    😎

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