Virtudes e Vícios

O Ponto Dentro do Círculo

The Choice of a Boy between Virtue and Vice – Paolo Veronese (1528–1588)

“Vencer minhas paixões
levantando Templos à Virtude e
cavando masmorras ao vício,
eis o que viemos aqui fazer.”
Do Caos à Ordem; Da Obscuridade à Luz”

Seria tarefa simples falar de virtude e vício em sentido literal, bastaria para isso dar o sentido filológico; mas falar de virtude e vício em sentido filosófico e maçônico já se torna uma tarefa nada fácil.

A Maçonaria não é uma religião, nem um partido, nem uma igreja; todavia ela põe no caminho, ela desperta. Não oferece a nós, membros, uma verdade definitiva, imutável, dogmática, fazendo representar o livre exercício da tolerância. Assim, aprendemos a nos interrogar, recolocarmo-nos em questão. Graças a esse fator de progresso descobrimos não só o caminho do conhecimento, mas também da ordem que deve reinar, tanto no domínio material como espiritual, facilitando assim, com que o homem…

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Os ritos perdidos da Era das Luzes

Iluminismo - Idade Moderna Século XVII - XVIII

Em meu livro A Gênesis da Maçonaria (The Genesis of Freemasonry), propus como o filósofo natural e maçom Dr. Jean Theophilus Desaguliers foi responsável pela criação do terceiro grau em meados da década de 1720. Antes disso, havia duas “partes” sendo executadas; o Aprendiz e o Companheiro, e temos poucas evidências de como eram[1]. No entanto, sabemos que essas duas ‘partes’ eram frequentemente realizadas na mesma reunião da Loja, com evidências das primeiras atas da Loja Old York indicando como uma loja poderia ser aberta em outra cidade, especialmente para admitir um grande número de candidatos, como em Scarborough em 1705 quando uma loja foi aberta para admitir seis homens na Fraternidade, e em Bradford em 1713, onde 18 homens foram registrados como sendo admitidos[2].

De fato, para apoiar ainda mais o fato de que havia apenas duas ‘partes’ na Maçonaria nesta época, afirma nas Antigas Obrigações exibidas nas Constituições de Anderson de 1723 que ‘Nenhum irmão pode ser Vigilante até que tenha passado pelo papel de um Companheiro do Ofício’, indicando que a parte do Companheiro era o ‘grau’ sênior que permitia ao Maçom participar de um Ofício, se desejasse. Na edição de 1738 das Constituições, a redação deste encargo particular foi alterado para “Os Vigilantes são escolhidos entre os Mestres Maçons”, sugerindo que o terceiro grau de Mestre Maçom já havia sido introduzido e as Constituições deveriam ser atualizadas. Em 1730, a publicação da exposição de Samuel Pritchard, Maçonaria Dissecada, revelou o ritual de três graus, e parecia que este novo sistema tinha se tornado muito popular de fato.[3].

O novo ritual no estilo de três graus logo se espalhou, mesmo sendo referido pelo Dr. Francis Drake em sua agora famosa Oração, feita no Dia de São João, 27 de dezembro de 1726 no Merchant Adventurer’s Hall em York, onde ele afirmou que ‘três partes em quatro de toda a Terra pode então ser dividido em e: p: f: c & m: m.’ [4]. Os temas do terceiro grau exploraram profundamente a busca pelo conhecimento perdido; o grau que retrata a busca pela palavra perdida de Deus que estava escondida na arquitetura do Templo de Salomão. Com a morte simbólica de Hiram Abiff, esse conhecimento foi perdido[5]. Parecia que os maçons logo quiseram explorar caminhos mais profundos dentro da Maçonaria, levando ao desenvolvimento de novas ideias. Ramsey era um maçom jacobita que fora à França para dar aulas aos filhos de aristocratas e, em seu discurso maçônico em 1737, descreveu a famosa Maçonaria que estava ligada aos cruzados e às ordens cavalheirescas. Seu discurso afirmava que, depois de preservada nas Ilhas Britânicas, foi transportada para a França e, embora não haja evidências de que a Maçonaria tenha sido associada de alguma forma aos Cruzados ou Cavalaria, mostra que neste momento havia um interesse crescente em Ordens de Cavalaria em relação à Maçonaria. Embora Ramsey não tenha estabelecido planos para novas Ordens Maçônicas Cavalheiras em seu “discurso”, ele certamente ajudou a inspirá-las[6].

Em 1733, parece ter havido uma reunião da Loja de Maçons Escoceses (Scotts Masons Lodge) na Taverna do Diabo (Devil Tavern) em Londres, com um Mestre Escocês (Scotch Master) sendo feito em Bath, no sudoeste da Inglaterra em 1746[7]. De acordo com o historiador maçônico John Belton, os “graus” escoceses pareciam incluir a descoberta, em um cofre, da palavra há muito perdida, e os cruzados escoceses trabalhando com uma espada em uma mão e uma espátula na outra, mas na época de Zorobabel, e não das Cruzadas[8]. Este tema de ‘Mestres Escoceses’ será discutido mais tarde, pois foi uma ideia que se infiltrou em alguns dos Ritos que ocorreram no Continente.

Outro enigmático ‘grau’ inicial foi o de ‘Harodim’, que foi mencionado pelo irmão Joseph Laycock em um discurso, publicado em Newcastle em 1736. O trabalho dos Harodim eram conectados à antiga Loja Swalwell em Durham[9]. As possíveis primeiras sugestões de um misterioso ritual que lembra o nosso moderno Arco Real surgiram em 1740, embora a autenticidade da própria fonte possa ser debatida; o Rito Antigo de Bouillon (Rite Ancien de Bouillon) faz menção precoce a uma placa de ouro e se refere a um símbolo que consistia em um triângulo duplo dentro de um círculo e o tetragrama no centro[10]. Em 1746, o maçom John Coustos publicou um relato de sua tortura pela Inquisição, por meio do qual ele admitiu suas atividades maçônicas e descreveu uma parte do ritual que era notavelmente semelhante ao Arco Real, ou seja, a descoberta de uma tábua de bronze entre as ruínas do Templo[11]. Coustos fora iniciado maçom em Londres mas partiu para Portugal em 1743, onde continuou a ser um maçom ativo. Ele foi posteriormente preso e torturado e, em seu sofrimento foi revelando os fragmentos de um antigo ritual secreto. Hoje, no ritual do Arco Real na Inglaterra, o há muito tempo perdido nome de Deus, é descoberto na placa de ouro dentro das ruínas do primeiro Templo, algo que foi aludido no ritual do Arco Real de Richard Carlile, que foi compilado de várias fontes no início século XIX.

Existem outras menções ao Arco Real neste momento: um relatório no Jornal de Dublin de Faulkner dá detalhes de uma procissão no Dia de São João em 1743 em Youghal, na Irlanda, referindo-se ao “Arco Real carregado por dois Excelentes Maçons“. No ano seguinte, Fifield Dassigny, estabelecido em Dublin, escreveu em seu Inquérito de forma séria e imparcial sobre a causa da atual decadência da Maçonaria no Reino da Irlanda, sobre como

“um certo propagador de um falso sistema, há alguns anos nesta cidade, se impôs a vários homens muito dignos sob a pretensão de ser um Mestre do Arco Real, que ele afirmou ter trazido com ele da cidade de York … “

Dassigny continua a nos fornecer um vislumbre por trás do véu, escrevendo que o Arco Real foi “um corpo organizado de homens que passaram pela cadeira e deram provas inegáveis ​​de sua habilidade”, acrescentando que alguns irmãos não gostavam de “tal cerimônia secreta a qual era impedida daqueles que haviam feito os graus usuais”. Isso parece implicar que o ritual do Arco Real era relativamente novo e era, de fato, um outro grau a ser experimentado por certos maçons; um caminho para uns poucos selecionados[12].

Os rituais Maçônicos nesta época estavam longe de ser padronizados e isso criou liberdade para explorar novas histórias, para criar sequências para a lenda Hirâmica e a construção do Templo. Tudo isso estava acontecendo durante uma época em que a Maçonaria inglesa se dividiu e discutia como o Arco Real deveria se encaixar no sistema. Isso não quer dizer que os maçons ingleses não estivessem interessados ​​em outros graus, pelo contrário, foi durante esse período fértil que o grau de Cavaleiros Templários estava sendo praticado e, no final do século XVIII, o Grau da Marca estava firmemente capturando a mente maçônica inglesa. Como veremos mais tarde, houve ritos e caminhos ritualísticos que se estabeleceram e se desenvolveram na Inglaterra. Havia três Grandes Lojas operando na Inglaterra durante a segunda metade do século XVIII; os Modernos, os Antigos e a Grande Loja de toda a Inglaterra, com sede em York, e todos as três tinham um estilo diferente de administração e um sistema diferente de ritual. Os Modernos pareciam desconfortáveis ​​com o Arco Real, enquanto os Antigos o abraçavam como um grau adicional. A Grande Loja de York foi ainda mais longe e, na década de 1770, praticava cinco graus; os três graus Simbólicos, o Arco Real como um quarto e o Cavaleiro Templário como um quinto. Parecia que alguns maçons queriam mais[13].

O escritor maçônico Arthur Edward Waite discute uma série de ritos obscuros que possivelmente se desenvolveram durante o início do século XVIII em sua Nova Enciclopédia da Maçonaria. Ritos que têm um elemento de mistério em torno deles, onde, em alguns casos, há alguma dúvida de quando eles realmente foram fundados ou quando deixaram de ser praticados. Havia ritos como a Ordem do Paládio, que Waite menciona, fundado em Paris em 1737[14], a Ordem das Amazonas, que permitia ambos os sexos como membros e foi fundada na América do Sul em 1740[15] e a Ordem dos Xerofagistas, que Waite afirma ser fundada na Itália em 1748[16]. Havia a Ordem dos Arquitetos Africanos que Waite apresenta como “extremamente duvidosa” por ter sido fundada em 1756, mas provavelmente foi fundada mais tarde em 1765 e terminou em 1806[17]. O Rito dos Sublimes Eleitos da Verdade tem uma data de fundação um tanto duvidosa de 1776, o mesmo ano sendo dado para a fundação do Rito Escocês Filosófico (Rite Ecossais Philosophique)[18]. Outros ritos obscuros incluem o Rito da Águia Negra[19], o Rito Persa[20], e a Ordem de Jerusalém[21].

A Ordem de Jerusalém, segundo Waite, foi fundada na América do Norte em 1791 e tinha oito graus. Era uma associação de alquimistas e tinha uma conexão com o Rito de Chastanier, tendo se espalhado pela Alemanha, Inglaterra, Holanda e Rússia, embora Waite sugira que ‘toda a história é duvidosa’[22]. O Rito Persa é outro rito com uma história obscura; Waite sugere que pode ter sido estabelecido em Erzurum na Turquia em 1818, mas apareceu em Paris um ano depois e trabalhou sete graus que continham três classes. A primeira classe consistia em três graus que, em essência, eram semelhantes à maçonaria – Aprendiz de Escuta, Companheiro Adepto e Mestre; a segunda classe consistia no quarto grau intitulado Arquiteto de Todos os Ritos e um quinto grau, denominado Cavaleiro do Ecletismo e da Verdade; a terceira classe concluiu o Rito e incluiu um sexto grau intitulado Mestre Bom Pastor e um sétimo e último grau chamado Venerável Grande Eleito. No entanto, Waite conclui que, apesar de ser capaz de nomear seu sistema de graus, não há nenhuma evidência de que o rito tenha existido[23].

O Rito de Adonhiramita (às vezes referido como Adoniramita) é outro rito menos conhecido do século XVIII que tinha doze graus e com sua criação sendo atribuída pelo autor maçônico francês do século XIX Jean Baptists Marie Ragon ao Barão de Tschoudy[24]. No entanto, de acordo com o erudito maçônico e especialista em rituais Arturo de Hoyos, o sistema ainda é trabalhado no Brasil, então tecnicamente não está perdido[25]. A Rosa Cruz aparece aqui como em muitos desses Ritos, o imaginário cristão e o simbolismo formando uma conclusão mística para uma coleção de rituais que são semelhantes a outros ritos que exploram o grau de Mestre Escocês, que é apresentado aqui como o décimo grau. Houve uma série de ritos que eram menos obscuros e passaram a influenciar outros ritos e graus, alguns evoluindo e inspirando Ordens posteriores, e são esses ritos que examinaremos a seguir.

Temas Jacobitas e Templários dos primeiros ritos

O século XVIII foi certamente um terreno fértil para o ritual maçônico, à medida que novas ideias evoluíam e se expandiam para criar muitos ritos bizarros. De fato, durante esta era fértil de iluminação, ritos cada vez mais exóticos começaram a ser criados em um ritmo excepcional, especialmente no continente europeu. Um desses primeiros “ritos”, de acordo com John Yarker escrevendo em suas Escolas Arcanas, foi chamado de Vielle Bru, ou Escoceses de Fé (Faithful Scots), baseado em Toulouse, em Montpelier e em Marselha, constituído por Sir Samuel Lockhart entre 1743-1751. Yarker descreve que o rito “inspirou-se nas lendas das antigas Guildas operativas e não prosseguiu em sua instrução além do 2º templo”. Foi construído em nove graus, o último dos quais foi curiosamente denominado Menatzchim ou Perfeito. Um rito semelhante logo emergiu em Paris em 1751, chamado de Cavaleiros do Oriente, e como o Vielle Bru, Yarker disse ter explorado temas escoceses semelhantes que talvez refletissem o interesse pelas ideias jacobitas[26] Outro ‘rito’ inicial foi o Capítulo de Clermont, que apresentava seis graus e foi fundado na França em 1754 por Chevalier de Bonneville[27]. Apesar de durar apenas cerca de quatro anos, foi uma das primeiras tentativas de explorar graus superiores que tinham um tema templário[28]. Diz-se que o Capítulo incluía os três primeiros graus da maçonaria, o quarto sendo chamado Maitre Ecossais (Mestre Escocês), o quinto sendo Maitre Eleu (Mestre Eleito ou Cavaleiro da Águia), o sexto grau Maitre Illustre (Ilustre Mestre ou Cavaleiro do Santo Sepulcro), e o sétimo e último grau sendo nomeado Maitre Sublime (Sublime Mestre e Cavaleiro de Deus). Yarker comenta sobre como os graus mais elevados do Capítulo transmitiam a ‘vingança de Salomão’ sobre os assassinos de Hiram, a joia do grau Maitre Illustre sendo uma adaga enfiada em um crânio[29].

Havia de fato um forte desejo de estender os temas explorados nos rituais, e havia muitos personagens carismáticos ansiosos por criar ou promover novas Ordens e graus a partir da continuação dos temas para a busca do conhecimento perdido.

Baron von Hund e o Rito da Estrita Observância

Um desses indivíduos carismáticos foi o Barão Karl Gotthelf von Hund, que por volta de 1754 fundou o Rito da Estrita Observância na Alemanha[30]. O Barão von Hund afirmou que tinha sido iniciado em uma misteriosa Ordem Maçônica do Templo em Paris em 1742 e que seu conhecimento secreto havia sido obtido de “superiores desconhecidos”[31]. O Rito da Estrita Observância tornou-se um rito bastante popular, espalhando-se por muitos outros países europeus, como Suíça, Holanda, Dinamarca e Rússia, e incluía tentadores sete graus, oferecendo a filosofia de progressão para maçons dispostos que desejavam mais[32]. Esses sete graus, de acordo com a transcrição dos rituais de Schröder[33] por Alain Bernheim e Arturo de Hoyos, incluíam os primeiros graus: Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom, seguidos por Mestre Escocês, Noviço Secular, Cavaleiro e, finalmente, Irmão Leigo[34]. O três rituais são reconhecíveis por qualquer maçom, mas, no entanto, têm diferenças marcantes, como no grau de Mestre Maçom, que apresenta um ‘ramo de Cássia’ em vez do ramo de Acácia que conhecemos hoje[35]. Uma coleção de catecismos que é apresentada parece bastante incomum em certos contextos, e parece que os rituais evoluíram por um caminho muito diferente, embora ainda retivessem a essência dos três primeiros graus. O rito, que foi orientado para os templários, seu conteúdo cavalheiresco e o mistério que cerca sua suposta origem jacobita, ainda divide os historiadores maçônicos hoje. As traduções de Bernheim e de Hoyos, ao discutir os “Extratos da História da Ordem”, apresentam a história de como vários templários fugiram da perseguição na França em 1311 e chegaram à Escócia vestidos de maçons. De acordo com a história, uma vez na Escócia, a Ordem continuou com os ‘usos da Maçonaria … escolhidos para preservar a memória …’ e que ‘ninguém foi admitido como Mestre Escocês, exceto um filho da Ordem …’[36]. O Rito na celebração à Escócia e sua herança templária secreta parece ecoar as ideias cavalheirescas apresentadas no ‘discurso’ de Ramsey, algo que também foi espelhado na sugestão de Von Hund de uma misteriosa fonte jacobita para o sistema[37]. Na verdade, a ruína do Barão von Hund foram as origens misteriosas do rito e, sendo incapaz de apresentar qualquer prova tangível de seus “superiores desconhecidos”, sua história se tornou insustentável e sua reputação danificada. Ele morreu em 1776 em circunstâncias muito reduzidas. No convento de Wilhelmsbad em 1782, o rito de Von Hund rapidamente se desfez quando uma coleção de delegados renunciou às origens templárias não comprovadas. Eles descartaram o mito e uma reformulação completa do ritual ocorreu, encerrando a prática do Rito de Estrita Observância de Von Hund. Alguns escritores maçônicos, como Waite, fizeram referência às supostas origens jacobitas do rito de Von Hund; em Paris, Von Hund acreditava ter entrado em contato com um certo Cavaleiro da Pena Vermelha, cuja identidade nunca foi revelada, mas Von Hund acreditava que não era outro senão o Jovem Pretendente, Charles Edward Stuart. Waite era da opinião de que Von Hund estava enganado, mas de qualquer forma, o Barão manteve sua história até sua morte e o Rito de Estrita Observância foi, por um curto período, um dos ritos mais progressistas da Europa durante o século XVIII[38]. Apesar do fim da prática do Rito de Estrita Observância de Von Hund, sua reestruturação por Jean-Baptiste Willermoz levou ao nascimento do Rito Escocês Retificado, que será discutido com mais profundidade posteriormente. O Rito da Estrita Observância também influenciou a formação do Rito dos Filaletes[39], e do Rito Sueco, que ainda hoje é praticado na Suécia.

Jean-Marc Nattier, Portrait de Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais (1755)

O Rito de Filaletes (Philalethes)

O Rito de Filaletes, como Waite mais filosoficamente coloca, estava “entre os vários pretendentes a uma reforma geral da Maçonaria[40]. Foi fundado em 1773 por, entre outros, o proeminente maçom francês Charles Pierre-Paul Savalette de Langes, e era uma mistura eclética de graus, sendo influenciada pelo Rito da Estrita Observância e pelo Rito dos Elus Coens (Rito do Sacerdócio Eleito). Ganhou uma afiliação distinta e foi fundamental na organização da famosa Convenção de Paris em 1784, que discutiu fervorosamente “a verdadeira natureza da ciência maçônica”. Apesar de ter uma filiação ilustre e ser de natureza bastante progressista, o rito parece ter entrado em colapso após a morte de Savalette de Langes em 1797 e, portanto, teve vida relativamente curta. Seus doze graus incluíam os três graus simbólicos de Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom, seguidos por Eleito, Mestre Escocês, Cavaleiro do Oriente, Rosa Cruz, Cavaleiro do Templo, Filósofo Desconhecido, Filósofo Sublime, Iniciado e, finalmente, Filaletes[41]. O desenvolvimento deste estilo de altos graus da maçonaria tornou-se entrelaçado com os egos dos místicos, cavalheiros carismáticos e as modas da maçonaria no continente, para não mencionar a política da época, e parece que cada rito que foi estabelecido estava apresentando o que eles acreditavam ser a forma correta da Maçonaria.

Martines de Pasquelly e o Rito dos Elus Coens (Sacerdócio Eleito)

Martines de Pasqually estabeleceu seu Rito de Elus Coens (ou o Rito do Sacerdócio Eleito) em Toulouse em 1760. Embora haja alguma confusão sobre a estrutura exata dos graus, de acordo com Waite, o rito teria possivelmente nove graus, divididos em três divisões; estes incluíam o Pórtico, que eram basicamente os três graus simbólicos que incluíam Aprendiz, Companheiro e Mestre Particular; o Templo, que consistia em graus “sacerdotais” que incluíam o Grande Mestre Eleito, Sacerdote Aprendiz, Sacerdote Companheiro; e o Santuário, que se tornou mais mágico, com Mestre Sacerdote, Grande Mestre Arquiteto e, de acordo com J.M. Ragon o grau final era o Cavaleiro Comandante, o qual Papus depois identificou como o grau Rosa Cruz[42].

John Yarker, em suas Escolas Arcanas, menciona uma curiosa carta ou patente emitida por ninguém menos que Charles Stuart em 20 de maio de 1738, que deu ao pai de Martines de Pasqually permissão para criar lojas para o Rito de Elus Coens. Existem dificuldades óbvias com um documento como este. Yarker menciona que Charles Stuart – o Bonnie Prince Charlie da história – é descrito no documento como Rei da Escócia, Irlanda e Inglaterra e Grão-Mestre de todas as lojas na face da terra[43]. Na época em que o documento foi supostamente escrito, o Bonnie Prince tinha apenas 17 anos e foi seu pai – o Velho Pretendente, James III – que reivindicou as três coroas naquele momento. No entanto, não é a autenticidade do documento que é importante aqui, é o poder que tal documento dá aos grupos Elus Coen que existem hoje[44]. A carta sem dúvida lembra os “superiores desconhecidos” do Barão von Hund e como Bonnie Príncipe era associado ao Cavaleiro da Pena Vermelha. Certamente havia uma moda para cartas maçônicas em nome do Príncipe Bonnie durante esse tempo; Yarker também se refere a um certo Lord de Berkley que, em 14 de fevereiro de 1747, concedeu uma licença para a Rosa Cruz para a Loja ‘Jacobite Scots’ em Arras na França. Yarker indica que não há cópia autenticada da carta e o Príncipe Charles Edward é, às vezes, referido no documento como o ‘Rei Pretendente’ ou ‘GM substituto’, dependendo de quem estava escrevendo[45]. Curiosamente, Yarker também comenta sobre como as mulheres não tiveram sua admissão recusada ao Rito de Elus Coens, que também nos lembra de como homens e mulheres podem fazer parte do Rito Egípcio de Cagliostro.

Pasqually fundiu doutrinas esotéricas baseadas no Gnosticismo e na Cabala, em suma, sua versão da Maçonaria misturada com magia para formar um tipo único de rito. Nesse sentido, os ensinamentos do Rito de Elus Coens capacitaram os membros selecionados a aprender um aspecto da magia que visava colocar o adepto em comunhão com seres sobrenaturais. Pasqually foi particularmente influente para Jean-Baptist Willermoz e Louis Claude de Saint-Martin, ambos levando seus ensinamentos em direções diferentes. Em 1772, Pasqually deixou a França para o Caribe para coletar uma herança e morreu lá em 1774. A Ordem se desintegrou após sua morte, e elementos do rito foram absorvidos no Rito da Estrita Observância reestruturado por Willermoz, criando o Rito Escocês Retificado. Saint-Martin levou seus ensinamentos em outra direção, ensinamentos que mais tarde influenciaram o Martinismo.

O Rito Swedenborgian

Nunca foi provado que Emanuel Swedenborg tenha sido um maçom. Ele foi, no entanto, um místico, teólogo, filósofo, cientista e inventor, cujos ensinamentos e trabalhos inspiraram o Rito de Swedenborg.

Emanuel Swedenborg nasceu em Estocolmo em 1688, seu pai era professor de teologia na Universidade de Uppsala e mais tarde bispo de Skara. Swedenborg era um homem culto; inventando máquinas voadoras, pesquisando anatomia e empreendendo muitos estudos diferentes em vários aspectos do aprendizado, sendo um propagador na busca dos mistérios ocultos da natureza e da ciência. Foi mais tarde que Swedenborg teve uma espécie de despertar espiritual que testemunhou a transição de um homem de ciência para um místico; um homem que podia falar com anjos, espíritos e demônios, e que afirmava ter recebido uma nova revelação de Jesus Cristo, seus ensinamentos revelando a segunda vinda de Cristo e o julgamento final. Swedenborg morreu em Londres em 1772 e inspirou eminentes artistas e escritores como William Blake e Thomas De Quincy[46], bem como homens místicos como Louis Claude de Saint-Martin. A Igreja Swedenborgiana, que foi inspirada nos escritos de Swedenborg, foi fundada na Inglaterra em 1787 e o movimento da Nova Igreja como também era conhecido, crescendo rapidamente. A Igreja ainda sobrevive hoje. Foi depois de sua morte que o rito “Swedenborgian” foi desenvolvido por um conde polonês e entusiasta de Swedenborg chamado Thaddeus Leszczy Grabianka e um certo Dom Antoine Joseph Pernety, fundindo os ensinamentos místicos de Swedenborg com as ideias maçônicas[47].

Dom Antoine Joseph Pernety havia deixado a Ordem Beneditina e, após se estabelecer em Avignon, perseguiu seus interesses na alquimia. Ele então se mudou para Berlim, tornando-se bibliotecário do maçom Frederico, o Grande, e enquanto estava lá, traduziu as obras de Swedenborg para o francês. Foi em Berlim que Pernety conheceu o conde polonês Thaddeus Leszczy Grabianka, e depois que Pernety voltou para Avignon, Grabianka juntou-se a ele e juntos fundaram a Société des Illuminés d’Avignon em 1786. Este primeiro rito “Swedenborgiano” teve vida relativamente curta, e um fim na esteira do caos trazido pela Revolução Francesa. No entanto, atraíram dois Swedenborgians ingleses de renome: William Bryan e John Wright, que, em 1789 “foram iniciados nos mistérios de sua ordem” e foram apresentados à ‘presença real e pessoal do Senhor‘, que foi transmitido por um “jovem majestoso… em vestes roxas, sentado em um trono situado em uma câmara interna, decorada com emblemas celestiais[48]. Isso sugere que o rito refletia as filosofias milenaristas de Swedenborg, mas como era o resto do ritual, só podemos especular. Outro Rito Swedenborgiano surgiu com o renascimento do ocultismo do final do século XIX, novamente contendo elementos do milenismo místico de Swedenborg[49].

A obscuridade da versão inicial do rito levou a uma série de apresentações diferentes de sua história e foi dito que a mencionada Société des Illuminés d’Avignon não tinha nenhuma conexão com o Rito Swedenborgiano posterior que se desenvolveu nos EUA, “contendo muito de Ritual da Loja Simbólica Americana[50]. Em uma edição da Collectanea que discute o rito, uma referência remonta a Londres c.1784 onde um certo Bento Chastanier é mencionado a respeito de uma Ordem baseada nos Teosofistas Iluminados, que foi fundada por ele em 1767[51]. A edição descreve como o rito foi revivido na América em 1859 por membros da Nova Igreja de Swedenborgian e, embora esta data de fundação seja sugerida como problemática, o rito certamente existia lá em 1869, quando um livro foi escrito sobre a Ordem por Samuel Beswick. O maçom e ocultista John Yarker também esteve envolvido no rito revivido, sendo listado como Grande Mestre Supremo[52]. Seis graus são apresentados como sendo trabalhados pelo rito revivido; os três primeiros sendo os graus simbólicos, o quarto era intitulado Maçom Iluminado, o quinto Maçom Sublime e o sexto e último Grau de Maçom Perfeito[53]. No Grau final, o nome de Deus é revelado e a jornada maçônica é declarada como completa[54].

Yarker menciona o Rito Swedenborgiano em suas Escolas Arcanas, afirmando que “ele consiste em três cerimônias elaboradas e belas para as quais a Maçonaria é exigida[55]. Embora tenha sido afirmado que não tem nada a ver com a anterior Société des Illuminés d’Avignon, o Rito Swedenborgiano do século XIX, é um exemplo das dificuldades que surgem em avaliar se um rito particular foi realmente revivido ou não. Sem certa continuidade e evidência completa dos rituais que foram usados, um renascimento ou mesmo uma alegada continuação de um determinado rito sempre será discutível.

O Rito de Zinnendorf

Este rito em particular foi criado por Johann Wilhelm Ellenberger von Zinnendorf, nascido em Halle em 1731. Zinnendorf foi uma figura proeminente na Maçonaria, e em 1773 ele fechou um acordo com a Grande Loja da Inglaterra para que todas as lojas na Alemanha, com exceção da Grande Loja Provincial em Frankfurt fossem colocadas sob seu comando, com Zinnendorf tornando-se efetivamente Grão-Mestre, posição que ocupou até sua morte em 1782. O próprio rito, de acordo com Waite, foi considerado uma mistura das “visões de Swedenborg” e os “vestígios do iluminismo hermético de Pernety”, embora ele mencione que não havia evidências disso. Na verdade, o arranjo do rito reflete uma certa influência do Rito da Estrita Observância: a primeira parte era composta pela Maçonaria Simbólica ou Maçonaria Azul com o grau de Aprendiz, seguido pelo Companheiro, depois Mestre. A segunda parte foi o que Waite denominou de Maçonaria Vermelha, com o Aprendiz e Companheiro Escocês (Écossais Apprentice and Companion), seguido de Mestre Escocês (Master Écossais), a terceira e última parte foi intitulada Maçonaria Capitular, com um grau denominado Favorito de São João, seguido de Capítulo dos Maçons Eleitos[56].

O Rito de Zinnendorf com suas aspirações Écossais (escocesas), portanto, parece ter uma influência do Rito da Estrita Observância. Zinnendorf tinha realmente sido um membro da Estrita Observância: ele havia sido “nomeado cavaleiro” por von Hund em 1764, Zinnendorf tornando-se Mestre da Loja dos Três Globos em Berlim no ano seguinte. Von Hund constituiu os Três Globos como uma “Loja Escocesa ou Diretora” em 1766, dando-lhe o poder de criar lojas de Estrita Observância. No entanto, a harmonia foi quebrada quando, em novembro, Zinnendorf “notificou formalmente a Von Hund de sua renúncia à Estrita Observância” e, em maio de 1767, renunciou aos Três Globos. Isso deu a Zinnendorf a liberdade de criar seu próprio rito e forjar suas ambições que acabaram levando às negociações com a Grande Loja da Inglaterra[57]. O rito tem uma semelhança marcante com o Rito Sueco, com algumas variações menores, mas igualmente significativas.

O Rito Egípcio de Cagliostro

De todos os ritos maçônicos que existiram no continente durante o século XVIII, o Rito Egípcio do Conde Alessandro Cagliostro é talvez um dos ritos mais intrigantes e fascinantes. O próprio Cagliostro era um homem misterioso, de ego e criatividade; o exótico teatro da Maçonaria sendo o pano de fundo para retratar sua própria mistura única de alquimia, sexo e magia, uma mistura que certamente atraiu a elite social parisiense da época. Cagliostro se tornou o tema romântico de escritores como Johann Wolfgang von Goethe e Alexandre Dumas[58], e o romance em torno de sua vida parece se confundir entre fantasia e realidade, criando um personagem maçônico quase mítico. Por exemplo, Cagliostro supostamente conheceu personalidades ilustres do século XVIII, como o Conde de Saint-Germain e Casanova, e o passado de Cagliostro era tão misterioso quanto essas duas figuras, o mágico enigmático sendo identificado como Giuseppe Balsamo, um falsificador e trapaceiro italiano, em um francês jornal publicado em Londres chamado Courrier de l’Europe em setembro de 1786. Ele foi novamente identificado como Balsamo em uma publicação em 1791 pela Câmara Apostólica de Roma, descrevendo o julgamento de Cagliostro, intitulado Vie de Joseph Balsamo[59]. O problema parecia acompanhar Cagliostro onde quer que ele fosse; enquanto na França na década de 1780, Cagliostro tinha sido implicado no caso do colar de diamantes, que envolveu diretamente Maria Antonieta em uma teia emaranhada de intriga sombria, e depois de passar um tempo na Bastilha, ele foi solto e partiu para a Inglaterra, indo mais tarde para Roma, onde foi preso por ser Maçom em 1789. Depois de tentar escapar do Castel Saint’Angelo, Cagliostro foi transferido para a Fortaleza de San Leo, onde morreu logo depois.

Cagliostro se tornou uma figura tão importante na Maçonaria na época que foi convidado para a Convenção de Paris em 1784 para explicar seu sistema, uma Convenção que o Rito dos Filaletes tinha sido fundamental para organizar. Suas reivindicações incluíam que ele poderia renovar a juventude, ele poderia conjurar as aparições dos mortos, ele poderia conferir beleza àqueles que se submetessem ao seu sistema de medicina hermética e que ele poderia fazer ouro. Em suma, seu rito revelaria os verdadeiros mistérios ocultos da natureza e da ciência e, à medida que se tornava aberto às mulheres, ele começou a atrair várias senhoras de alta posição[60]. O próprio rito consistia em três graus semelhantes à Maçonaria Simbólica: Aprendiz, Companheiro e Mestre, mas esses graus consistiam em algum material muito interessante. John Yarker em suas Escolas Arcanas, acreditava que o ritual de Cagliostro pode ter sido influenciado por Pasqually[61], e os dois ritos realmente compartilhavam aspectos mágicos mais profundos, como exploraremos em capítulos posteriores. Cagliostro continua atraindo o interesse de escritores, talvez devido à natureza extravagante de sua vida e seu estilo mais mágico de Maçonaria.

O Rito Melissino

Pyotr Ivanovich Melissino (1726-1797) foi um General da Artilharia do Império Russo, de origem grega e o fundador do Rito Melissino, que estava ativo em São Petersburgo na Rússia em 1765. Melissino foi um membro proeminente da sociedade de São Petersburgo, que também era um centro da moda e cultural para o Iluminismo sob Catarina, a Grande. Melissino tornou-se familiarizado com gente como Casanova, um homem de alta posição social que também estava ligado à Maçonaria[62]. O Rito de Melissino compreendia sete graus e como Melissino estava profundamente interessado em referências alquímicas, Rosacruzes e Cabalísticas infiltradas no Rito, tornando esta forma de Maçonaria muito atraente para a elite social da época[63]. Melissino também foi dito ter sido um dos “seguidores mais fiéis” de Cagliostro, e como veremos em um capítulo posterior, há semelhanças em certas partes dos rituais[64].

Os sete graus do Rito incluíam os primeiros três graus da Maçonaria Simbólica com Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom, continuou a lenda Hirâmica com um quarto grau chamado de Cofre Escuro (Dark Vault), com uma narrativa da busca pelo túmulo de Hiram e como nove Mestres Maçons foram selecionados para a busca. O quinto grau de Mestre Escocês é uma reminiscência do grau de Mestre Escocês do Rito da Estrita Observância, o grau sendo de natureza cavalheiresca, apresentando como um grupo de Mestres Maçons carregou o corpo de Hiram e o tesouro do Templo para a Escócia, onde fundaram várias lojas. Esta lenda templária escocesa também pode ser encontrada no Rito Egípcio de Cagliostro, onde no primeiro grau ele propõe que “um dos templários, que se refugiou na Escócia, segue os maçons até o número de 13, depois 33 … [65]. O sexto grau de Filósofo (Philosopher) se concentra em examinar se o iniciado foi “suficientemente instruído nos segredos da Câmara da Sabedoria” e se foi, ele pode avançar para descobrir os “hieróglifos“, o iniciado renasce e está qualificado para ajudar no objetivo da Maçonaria na restauração da Idade de Ouro[66]. O sétimo grau final do Grande Sacerdote do Templo (Grand Priest of the Temple) ou Cavaleiro Espiritual (Spiritual Knight) é uma conclusão dramática para o rito, com o grau sendo preenchido com referências de alquimia que propõem que o iniciado está finalmente alcançando os segredos dos antigos filósofos, os segredos da magia divina transmitidos por “três alunos de Pitágoras e Zenão…[67]. Este grau final foi descrito pelo historiador Robert Collis como a expressão mais profunda do Iluminismo[68], e realmente apresenta um espetáculo conclusivo que apresenta ao candidato o conhecimento perdido dos antigos. Em 1782, as sociedades secretas foram proibidas na Rússia e, embora a Maçonaria não tenha sido afetada, Melissino parece ter se aposentado e se retirado da Ordem, e suas lojas acabaram fechando.

O Rito dos Construtores Africanos ou Arquitetos

Esse rito tem um início obscuro de acordo com Waite; pode ter sido fundado por volta de 1766 e certamente há algum mistério em torno de sua organização. J.W.B. von Hymmen foi mencionado por Waite como sendo associado ao Rito dos Construtores ou Arquitetos Africanos, juntamente com C.F. Köppen, que foi o fundador. Como o Rito da Estrita Observância, os rituais eram realizados em latim, e Waite diz que Hymmen, que era um juiz prussiano, era membro da Estrita Observância. Há algum debate quanto à natureza maçônica de seus graus, embora Waite presuma que um membro tinha que ser um Mestre Maçom antes de ingressar. Existem dois relatos diferentes apresentados por Waite dos graus reais que eles praticavam; o primeiro deles inclui os Graus Inferiores de Aprendiz de Segredos Egípcios, Iniciação em Segredos Egípcios, Cosmopolita ou Cidadão do Mundo, Filósofo Cristão, Aletófilos ou Amante da Verdade e Altos Graus de Esquire, Soldado e finalmente Cavaleiro. O segundo relato contêm graus como Cavaleiro ou Aprendiz, Irmão ou Companheiro, Soldado ou Mestre, Cavaleiro ou Cavalheiro, Novato, Construtor e, finalmente, Tribuno ou Cavaleiro do Silêncio Eterno[69].

Olhando para o primeiro relato do sistema de graus, o rito parecia se concentrar nos segredos e mistérios egípcios, dando um sabor interessante e exótico aos graus, lembrando o Rito Egípcio de Cagliostro. Certamente atraiu os literatos da época e foi estabelecido com o propósito de “cultura literária e estudos intelectuais”, sendo uma Ordem que apelava para a intelectualidade, e por um curto período de tempo “Lojas” estavam operando em Worms, Colônia e Paris. No entanto, o rito teve vida curta e, de acordo com Gould em sua História da Maçonaria, acabou com a morte de Köppen em 1797[70]. Apesar de sua vida relativamente curta, o rito certamente atraiu a atenção de escritores maçônicos como Gould e Waite , que parecia considerá-lo um exemplo intrigante de um rito perdido.

Rito dos Sacerdotes Egípcios

A Maçonaria de estilo egípcio certamente floresceu durante o final do século XVIII, com o já mencionado Rito Egípcio de Cagliostro e o Rito dos Construtores Africanos. No entanto, um outro exemplo bastante obscuro é o Rito dos Sacerdotes Egípcios, que é mais um rito que explora uma forma esotérica de iniciação com um arcano como pano de fundo egípcio. Nick Farrell apresenta uma tradução deste rito paramaçônico dos Sacerdotes Egípcios, derivado de uma obra alemã intitulada Crata Repoa datada de 1770, uma tradução que foi anteriormente conduzida por Ragon no século XIX[71]. O rito continha sete graus; o primeiro chamado Pastophoris ou Aprendiz, o segundo Neocoris, o terceiro grau é A Porta da Morte (The Door of Death), o quarto é A Batalha com as Sombras (The Battle with Shadows), o quinto Balahate, o sexto é intitulado Astrônomo antes do Portal dos Deuses (Astronomus before the Gateway of the Gods), e o sétimo e último grau é Propheta ou melhor, Saphenath Pancah, aquele que conhece os segredos (Propheta or rather Saphenath Pancha, he who knows secrets). Os sete graus de aprendiz a “Profeta” refletem outros ritos do período, como o Rito de Filaletes, que proporcionam a jornada de um noviço a um profeta que finalmente tem o conhecimento perdido dos antigos que lhe é revelado[72].

Com um óbvio tema egípcio percorrendo o rito, um cenário egípcio domina a execução das notas; a Esfinge e múmias são mencionadas e, no grau de A Porta da Morte, uma sala é revelada com “vários tipos de corpos embalsamados e caixões[73]. A morte de deuses egípcios e gregos como Tífon, que é morto no quinto grau por Orus (Horus), também é retratada conforme o candidato progride em sua jornada[74]. O rito é de fato um tanto misterioso, e como Farrell escreve na introdução da obra, “historicamente, suas alegações são falsas ou improváveis, mas foram mantidas por grupos que as usaram como modelo, incluindo os Grupos de Maçons Esotéricos Europeus” e que o rito é uma “obra pequena e amplamente esquecida” que “influenciou o desenvolvimento da Tradição de Mistérios Ocidental. Estes, por sua vez, influenciaram as Ordens Rosacruzes de língua inglesa, incluindo Golden Dawn, OTO, AMORC, Builders of the Adytum e Dion Fortune”[75]. Assim, de acordo com Farrell, este rito relativamente pequeno e esquecido torna-se significativo quando se olha como o renascimento ocultista do final do século XIX se desenvolveu e como o avivamento foi influenciado pelos primeiros ritos esotéricos do século XVIII.

Os Illuminatis da Baviera

Outra sociedade que certamente atrai a atenção hoje são os Illuminati; uma sociedade que era originalmente não maçônica e foi fundada na Alemanha em 1776 por Adam Weishaupt. Weishaupt, um professor de direito canônico na Universidade de Ingolstadt, originalmente concebeu o conceito de uma sociedade secreta formada por seus alunos mais esclarecidos. Com a Coruja de Minerva empoleirada em um livro aberto como seu símbolo, os Illuminati, que foram projetados para apoiar as ideias do Iluminismo, eventualmente trabalharam em uma série de graus que expandiram as ideias de Weishaupt. A ideia por trás do nome Illuminati ecoava a luta dos membros contra as trevas, mas originalmente Weishaupt iria chamar a sociedade de Ordem das Abelhas, e seus membros eram chamados de Perfeccionista. A Ordem que lutava pela melhoria da natureza humana e da sociedade. Weishaupt se juntou a uma loja sob o Rito da Estrita Observância em 1777, e depois de ser apresentado aos três primeiros graus da Maçonaria, decidiu formar sua própria Loja de membros Illuminati, fundindo os dois.

O trabalho recente sobre os Illuminati da Baviera, A Escola Secreta de Sabedoria (The Secret School of Widsom), fornece uma excelente apresentação da formação dos graus e como os elementos maçônicos foram adicionados ao sistema dos Illuminati. Isso foi feito com a ajuda do Barão Adolph von Knigge, que se desencantou com a Estrita Observância e seus indescritíveis superiores desconhecidos, e abraçou os Illuminati de todo o coração. Algumas das ideias de Knigge incluíam uma Loja de Mesa e um sabor cristão geral que culminou com a ideia de que Hiram era na verdade Jesus, sendo a Maçonaria uma forma de propagar seus ensinamentos secretos. Knigge também estava ciente do mencionado Rito dos Sacerdotes Egípcios por meio da exposição Crata Repoa, cujo quarto grau é chamado de A Batalha das Sombras. Este grau certamente ressoa no grau Minerva dos Illuminati, especialmente com a ocorrência do adepto em A Batalha das Sombras recebendo um escudo chamado ‘Minerva’ e então premiado com uma medalha que revela Minerva como uma coruja[76].

Os graus, de acordo com Waite, tornaram-se uma mistura de temas políticos, intelectuais e maçônicos, com Waite apresentando várias partes de seu sistema. A Parte A incluiu os graus preparatórios de Iniciante e ProfessorAcademia de Iluminismo ou Grau Minerva, seguido por Illuminatus Menor e o grau final de Illuminatus Maior ou Magistrado da Igreja Minerval. A Parte B seguiu com o grau intermediário de Cavaleiro Escocês do Iluminismo, que parece ter sido inspirado na moda popular dos graus escoceses. A progressão continuou com a Parte C, que Waite chamou de Classe dos Mistérios Menores e incluiu Epopt ou Sacerdote do Iluminismo, e esse grau sacerdotal foi seguido pelo Regente ou Principatus Illuminatus, ao qual Waite se refere como um grau mais político. A Parte D é dada como o estágio final e foi intitulada Classe dos Mistérios Maiores, que incluía Magus ou Filósofo e finalmente Homem-Rei.

O sistema certamente refletiu a jornada de ‘Novato‘ a ‘Filósofo‘ que tantos outros ritos conduziram. Os graus podem ter sido diferentes, mas eles compartilhavam temas semelhantes. Os Illuminati da Baviera foram finalmente suprimidos por um decreto eleitoral em 1784, e a visão de Weishaupt da perfectibilidade humana chegou ao fim[77].

O nome dos Illuminati é talvez mais conhecido hoje por ter sido adotado por autores especulativos e teóricos da conspiração como um termo guarda-chuva para uma ampla gama de sociedades secretas coletivas, mas a verdadeira história da Ordem é muito mais interessante e atraente, especialmente porque o ethos original da sociedade era trazer luz na forma de manter as ideias do Iluminismo. Existem vários grupos hoje que trabalham os graus dos Illuminati da Baviera, embora estes sejam avivamentos mais recentes e não tenham continuidade com a Sociedade original de Weishaupt.

Rito Retificado de Fessler

Com tantos ritos sendo praticados durante o século XVIII, houve tentativas de reformá-los, de reter certos elementos atraentes e descartar as partes que não o faziam. O Rito Retificado de Fessler foi uma tentativa de reformar os vários graus maçônicos do período, mas ao contrário do Rito Escocês Retificado de Willermoz, o rito de Fessler foi um pouco menos bem-sucedido, para dizer o mínimo.

Ignaz Aurelius Fessler era um húngaro que recebeu as ordens sacras, tornando-se noviço em um mosteiro aos dezessete anos em 1773. Ele se tornou insatisfeito com a vida monástica e, em 1783, tornou-se maçom em Lemberg, e logo desenvolveu o desejo de reformar a Maçonaria. Fessler era um membro da Loja Royal York of Friendship, eventualmente formando uma nova constituição e estabelecendo-a como uma Grande Loja em 1798, também estendendo um aspecto educacional ao projeto ao criar uma União Científica Maçônica que foi dedicada ao estudo histórico da ciência maçônica .

O próprio rito foi adaptado de várias fontes, como o Rito Francês, a Estrita Observância, o Capítulo de Clermont, o Rito Sueco e a Ordo Roseæ et Aureæ Crucis, com Fessler aparentemente juntando um equilíbrio dos graus maçônicos, esotéricos e cavalheirescos. Waite, portanto, apresenta o sistema de graduação de Fessler: os três primeiros graus da Arte seguidos por um Capítulo de Conhecimento Superior que incluía o Santo dos Santos, a Justificação, a Celebração, a Verdadeira Luz, a Pátria e, finalmente, a Perfeição. O rito foi abandonado em 1800, e o próprio Fessler “renunciou a todas as honras e cargos” dois anos depois, embora de acordo com a História Pitoresca da Francomaçonaria (Histoire Pittoresque de la Franc-Maçonnerie) de Clavel, algumas lojas prussianas ainda praticavam o rito por volta de 1840[78].

O Rito de Perfeição e a Ordem do Segredo Real

Agora sabemos que o Rito de Perfeição consistia na primeira parte de 14 graus, enquanto os 25 graus do rito (incluindo os primeiros três graus da Loja Azul) eram coletivamente conhecidos como a Ordem do Segredo Real[79]. O sistema parece ter sido compilado pelo comerciante francês Estienne Morin. Morin esteve envolvido na Maçonaria de altos graus desde a década de 1740, seu comércio com as Índias Ocidentais permitiu-lhe estabelecer a Ordem na Jamaica e na América do Norte. Morin foi ajudado por Henry Andrew Francken, outro cidadão francês de ascendência holandesa que Morin nomeou como Grande Inspetor Geral Adjunto. Foi Francken que viajou para Nova York e estabeleceu o rito lá em 1767, e de lá, a Ordem foi fundada na Carolina do Sul, o que levou ao estabelecimento do Rito Escocês lá em 1801, se tornando um dos ritos mais conhecidos e duradouros que ainda hoje é amplamente praticado. Francken trabalhou com Morin no rito e escreveu vários manuscritos que deram detalhes dos graus. O que é referido como o terceiro desses manuscritos acabou caindo nas mãos de um certo Michael Alexander Gage no noroeste da Inglaterra.

Michael Alexander Gage e o Manuscrito Francken

Michael Alexander Gage foi um dos arquitetos que presidiram a rebelião maçônica de Liverpool de 1823, que reativou a Grande Loja dos Antigos (Antient Grand Lodge). A rebelião foi uma reação contra as mudanças ritualísticas e administrativas introduzidas pela união de 1813 entre os Modernos e os Antigos. A questão do Arco Real era muito controversa, com os Antigos praticando o ritual como um grau separado e os Modernos oficialmente reconhecendo o Arco Real como a conclusão do terceiro grau.

Gage nasceu em Kings Lynn em Norfolk em 1788 e se juntou a uma loja lá, tornando-se o Venerável Mestre da loja em 1810. Ele então se mudou para Glasgow no ano seguinte, onde também se juntou a uma loja, finalmente estabelecendo-se em Liverpool em 1812, onde tornou-se um membro proeminente de uma loja antiga chamada Loja nº 20[80]. Gage era um homem explosivo; suas demandas por mudanças no regulamento e sua carta, dirigida ao Grão-Mestre, o duque de Sussex, revelaram sua forte paixão por questionar a união. Mas Gage também estava profundamente interessado em rituais e era o proprietário de uma rara cópia do Manuscrito Francken.

Este terceiro MS Francken, como ficou conhecido, é de fato um documento notável. Gage escreve no início do documento que foi “recebido de John Caird, Edimburgo – Jas. Caird, Liverpool, 30 de agosto de 1815”, e ainda estava em sua posse cinquenta anos depois[81]. O manuscrito fornece uma descrição de 25 graus da Ordem do Segredo Real, o precursor do Rito Escocês, e certamente era de interesse de Gage, que guardou o manuscrito muito depois de deixar a Grande Loja rebelde.

O sonho de Gage de um relançamento e expansão da Grande Loja dos Antigos começou a se desintegrar apenas alguns anos após sua concepção, quando as divergências internas fizeram que a Grande Loja se mudasse permanentemente para Wigan e se tornar mais local em sua perspectiva. Esta ‘Grande Loja Wigan’ tinha um pequeno número de lojas operando no noroeste industrial da Inglaterra durante a década de 1840, com duas lojas operando em Wigan, uma em Warrington, uma em Liverpool, uma loja em Ashton-in-Makerfield e uma hospedada em Ashton-under-Lyne e, como os Antigos, praticavam o Arco Real como um grau separado[82].

Em sua carta de renúncia à Grande Loja Wigan em 1842, Gage destacou que não frequentava uma loja por quinze anos e recusou um pedido para escrever um panfleto sobre a rebelião. Parecia que Gage estava há muito desencantado com a rota que os rebeldes haviam tomado e estava muito preocupado com a “grande irregularidade na numeração e concessão de novas Cartas Constitutivas” para as lojas, ficando chateado por não ter a oportunidade de inspecionar os novos mandados antes de serem emitidos[83].

Então, Gage queria outra direção para a Grande Loja? E essa direção incluiu a prática dos 25 graus apresentados no Manuscrito Francken? O fato de ainda possuir o documento em 1865, muito depois de ter renunciado e ainda mais tempo desde que frequentou uma loja, certamente revela um profundo interesse pelo rito. No entanto, podemos apenas especular sobre seu grande projeto final. Sabemos, no entanto, que a Maçonaria no norte da Inglaterra teve floreios independentes, como com a Grande Loja York, que operou em períodos intermitentes durante o século XVIII, e, claro, a já mencionada Rebelião Maçônica de Liverpool e a subsequente Grande Loja Wigan.

Conclusão

A maioria desses ritos incluía uma estrutura semelhante: eles começavam com os três Graus Simbólicos, em seguida, desenvolveram-se explorando os Graus de Escocês ou Mestre Escocês, como o Rito de Estrita Observância, Rito Philalethes e Rito de Melissino. O iniciado então passava a experimentar graus de Cavalaria até que, finalmente, como nos Ritos Philalethes e Melissino, um grau de Filósofo abria caminho para o iniciado atingir uma compreensão espiritual plena com a descoberta do conhecimento perdido dos antigos. Este estilo de altos graus da maçonaria era certamente popular no continente, especialmente na França e na Alemanha e, além de oferecer um caminho adicional para o Maçom explorar os segredos arcanos oferecidos, eram administrados por cavalheiros carismáticos e populares como Von Hund, Melissino e Pasqually, que também seria uma atração para cavalheiros em busca de orientação em suas investigações. O apelo adicional de ter acesso aos ensinamentos de alquimia, magia e Cabala que eram oferecidos em certos ritos, como o Rito Egípcio de Cagliostro e o Rito de Melissino, fornecia um aspecto atraente adicional para a busca pelo conhecimento perdido dos antigos e homens atraídos (e mulheres) para se juntarem e socializar na órbita de seu líder carismático.

Muitos dos homens por trás dos ritos perdidos discutidos aqui foram claramente mal compreendidos. O Conde Cagliostro, por exemplo, permanecerá para sempre uma figura histórica enigmática e confusa, seu passado misterioso e morte dramática criando deliberação entre os historiadores. O Barão von Hund também irá persistentemente atrair o debate se ele realmente conheceu ou não os misteriosos Superiores Desconhecidos, se ele foi enganado por vigaristas ou se ele realmente se encontrou com o Cavaleiro da Pena Vermelha. Outros, como Zinnendorf, claramente tinham ambições próprias e se tornaram figuras importantes na Maçonaria.

Apesar da popularidade e do zelo dos ritos de Altos Graus que surgiram durante o século XVIII no continente, houve uma reação no esforço de trazer a Maçonaria de volta ao significado dos graus Simbólicos. Esta reação ao que era visto como a pretensão da Maçonaria de Altos Graus é melhor exemplificada com a Grande Loja da União Eclética, que começou por volta de 1783 e, de acordo com Waite, pode muito bem ainda ter se reunido em Frankfort-on-the-Main até 1914. Waite observou que haviam 21 lojas sob seu domínio com 3.000 membros. Parece que nem todos os maçons estavam muito interessados ​​em explorar novos caminhos[84].

Muitos desses ritos não sobreviveram após a morte de seu fundador: o rito de Cagliostro desapareceu após sua morte e o Rito da Estrita Observância também deixou de funcionar em sua forma original após a morte de Von Hund. O Rito da Estrita Observância, no entanto, foi reformado e reestruturado por Willermoz, que também absorveu elementos do Rito dos Elus Coens na nova estrutura, criando o Rito Escocês Retificado, também conhecido como Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa (Chevalier Bienfaisant de la Cité Sainte), um rito que ainda existe hoje. Este rito evoluiu do convento de 1778 em Lyon e finalmente tomou forma após o convento de Wilhelmsbad de 1782, liderado pelo próprio Willermoz, que combinou os temas templários da Estrita Observância com os temas religiosos dos Elus Coens. Willermoz teve um envolvimento proeminente em ambos os ritos, e o Rito Escocês Retificado é certamente um exemplo de um rito que emergiu da combinação de diferentes ideias maçônicas. As ideias parecem ter sido compartilhadas, e certos paralelos existem entre outros ritos, especialmente ao examinar aspectos do conteúdo dos rituais de Cagliostro e Melissino. A Ordem do Segredo Real se transformou no Rito Escocês na Carolina do Sul durante o início do século XIX, o rito se desenvolvendo de 25 graus para um total de 33 graus, nos lembrando que alguns ritos podem evoluir e se transformar.

Autores: David Harrison
Traduzido por: Rodrigo de Oliveira Menezes

Fonte: Ritos & Rituais

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Notas

[1] – O Manuscrito Register House (1696), fornece um texto inicial para a cerimônia de Aprendiz e Companheiro. Veja também David Harrison, A Gênesis da Maçonaria (The Genesis of Freemasonry), (Hersham: Lewis Masonic, 2009), pp.120-1.

[2] – Veja David Harrison, A Grande Loja de York (The York Grand Lodge), (Bury St. Edmunds: Arima Publishing, 2014), p.33. Na verdade, vários candidatos ainda são comuns em certas práticas maçônicas na Escócia, especialmente no Grau da Marca, e não é incomum para algumas lojas do Craft na Inglaterra admitirem vários candidatos administráveis, a diferença hoje é que os graus são realizados separadamente em diferentes reuniões.

[3] – Harrison, A Genesis da Maçonaria (The Genesis of Freemasonry), pp. 116-19.

[4] – Anônimo, As Antigas Constituições dos Maçons Livres e Aceitos (The Ancient Constitutions of the Free and Accepted Masons), com um discurso proferido na Grande Loja de York, (Londres: B. Creake, 1731), p. 15. Veja também Harrison, A Grande Loja de York, p. 23.

[5] – Veja Harrison, A Genesis da Maçonaria (The Genesis of Freemasonry), pp. 88-106.

[6] – David Harrison, A Transformação da Maçonaria (The Transformation of Freemasonry), (Bury St. Edmunds: Arima Publishing, 2010), p. 148

[7] – Henry Sadler, Uma Grande Loja não Registrada (An Unrecorded Grand Lodge), AQC, Vol. 18, (1905, pp. 69-90, na p. 71.

[8] – Veja John Belton, Apenas mais um Grau meu Irmão (Brother Just One More Degree), SRJ, (Março/Abril 2013), pp. 7-9, na p. 7.

[9] – Veja John Yarker, As Escolas Arcanas (The Arcane Schools), (Belfast: William Tait, 1909), pp. 439-40.

[10] – O Rito Antigo de Bouillon (Rite Ancien de Bouillon) tem origens um tanto misteriosas; George Oliver afirmou que tinha ligações com o Chevalier Ramsay, possivelmente por ele ter boas relações com uma família nobre que fingia ser descendente do Cruzado Godfrey de Bouillon. Ver George Oliver, A Origem da Ordem da Maçonaria do Real Arco (The Origin of the Royal Arch Order of Masonry), (Londres: Irm. Richard Spencer, 1867), p.31. Para uma discussão sobre o Rito por Oliver, veja Harrison, Transformação da Maçonaria (Transformation of Freemasonry), pp.147-151. Uma visão cética do Rito Ancien de Bouillon é apresentada por Arturo de Hoyos em “O Mistério da Palavra do Arco Real (The Mystery of the Royal Arch Word)”, Heredom, Vol. 2, (1993), pp.7-34.

[11] – John Coustos havia sido iniciado na Maçonaria em Londres em 1730 e era membro da Loja nº 75, realizada no Rainbow Coffee House, em Londres. Ver John Coustos, Os Sofrimentos de John Coustos pela Maçonaria e Por Sua Recusa em Tornar-se Católico Romano na Inquisição em Lisboa (The Sufferings of John Coustos for Free-Masonry And For His Refusing to Turn Roman Catholic in the Inquisition at Lisbon ), (Londres: W. Strahan, 1746), e também ver John Coustos: Confissão de 21 de março de 1743, em S. Vatcher, ‘John Coustos e a Inquisição Portuguesa’, AQC, Vol. 81, (1968), páginas 50-51.

[12] – Aubrey J.B. Thomas, Uma Breve História do Arco Real na Inglaterra (A Brief History of the Royal Arch in England), AQC, Vol. 85, (1972), pp.349-358. Ver também Robert T. Bashford, Aspectos Históricos da Maçonaria na Irlanda (Aspects of the History of Freemasonry in Ireland, AQC, Vol. 129, (2016), em que Bashford discute o início do Arco Real na Irlanda e o livro de Dassigny.

[13] – Veja John Belton, Apenas mais um Grau meu Irmão (Brother Just One More Degree), SRJ, pp.7-9, em que Belton discute o desejo de graus extras, um desejo que remonta ao início da história da Maçonaria na Grã-Bretanha.

[14] – Arthur Edward Waite, Uma Nova Enciclopédia da Maçonaria (A New Encyclopedia of Freemasonry), Vol. 2, (Nova York: Wings Books, 1996), p. 54.

[15] – Idem, p. 56.

[16] – Idem, p. 59.

[17] – Idem, p. 61 & p.75.

[18] – Idem, p. 67.

[19] – Idem, p. 345

[20] – Idem, p. 275

[21] – Idem, p. 72.

[22] – Idem.

[23] – Idem, p. 275-6.

[24] – Jean Baptiste Marie Ragon (1781-1862), foi um maçom francês, membro da Ordem Real da Escócia e um autor prolífico na época de rituais maçônicos esotéricos. Seu trabalho Maçonaria Oculta de Iniciação Hermética (Masonerie ocultă şi iniţiere hermetică) foi uma publicação notável em 1853. Para obter mais informações sobre Ragon, consulte John Songhurst, ‘Ragon’, AQC, Vol. 18, (1905), pp.97-103.

[25] – Ver Arturo de Hoyos e Brent Morris, (Trans. & Eds.), Os Mistérios Mais Secretos dos Altos Graus da Maçonaria revelados (The Most Secret Mysteries of the High Degrees of Masonry Unveiled ), (Washington, DC: SRRS, 2011).

[26] – Yarker, Escolas Arcanas (Arcane Schools), p.474.

[27] – Ver Arturo de Hoyos, ‘A‘ Cocktail ’from the Schröder Ritualsammlung: The Clermont System plus Additional Degrees’, Collectanea, Vol. 16, Parte 2, (Impressão privada por GCR dos EUA: 1997).

[28] – Yarker, Escolas Arcanas (Arcane Schools), p.474.

[29] – Idem, p. 475.

[30] – Ver Alain Bernheim e Arturo de Hoyos, Introdução aos Rituais do Rito da Estrita Observância (Introduction to the Rituals of the Rite of Strict Observance), Heredom, Vol. 14, (2006), pp.47-104. Aqui, Bernheim e de Hoyos discutem o desenvolvimento histórico do Rito e apresentam uma tradução dos três primeiros graus.

[31] – Waite, Nova Enciclopédia da Maçonaria (New Encyclopaedia of Freemasonry), Vol. 2, pp.352-3.

[32] – Idem, pp.64-6.

[33] – Friedrich Ludwig Schröder (1744-1816) foi um ator alemão e um proeminente Maçom da época.

[34] – Alain Bernheim e Arturo de Hoyos, (ed.), O Rito da Estrita Observância (The Rite of Strict Observance), Collectanea, Vol. 21, (Impressão privada por GCR dos EUA: 2010), pp.1-106.

[35] – Idem, P.37.

[36] – Idem, P.85-6.

[37] – Para uma discussão sobre os temas cavalheirescos e jacobitas examinados aqui, ver J. Webb, O Rito Escocês Retificado (The Scottish Rectified Rite), AQC, Vol 100, (1988), pp.1-4.

[38] – Waite, Nova Enciclopedia, Vol. 2, p. 353.

[39] – Idem, p. 355.

[40] – Idem, p. 351.

[41] – Idem.

[42] – Arthur Edward Waite, Saint-Martin e a Mística Francesa e a História do Martinismo Moderno (Saint-Martin the French Mystic and the Story of Modern Martinism), (Londres: William Rider & Son, 1922), p.27.

[43] – Yarker, Escolas Arcanas (Arcane Schools), p.470.

[44] – Uma fotografia de uma cópia desta carta pode ser vista no livro.

[45] – Yarker, Escolas Arcanas (Arcane Schools), p.477.

[46] – David Harrison, ‘Thomas De Quincy: The Opium Eater and the Masonic Text’, AQC, Vol. 129, (2016), pp.276-281.

[47] – R.A. Gilbert, Caos fora de Ordem: O Levante e Queda do Rito Swedenborgian (‘Chaos out of Order: The Rise and Fall of the Swedenborgian Rite’), AQC, Vol. 108, (1996), pp.122-149. Veja também Hamill e Gilbert, World Freemasonry An Illustrated History, p.69.

[48] – Gilbert, Caos fora de Ordem: O Levante e Queda do Rito Swedenborgian (‘Chaos out of Order: The Rise and Fall of the Swedenborgian Rite’), AQC, p.123.

[49] – Idem

[50] – Arturo de Hoyos, (ed.), “O Rito Swedenborgian”, Coletânea (‘The Swedenborgian Rite’, Collectanea), Vol. 1, No. 1, (Impressão privada por GCR dos EUA: 1962), p.18.

[51] – Idem, P.17.

[52] – Idem, P.19.

[53] – Idem, P.23.

[54] – Idem, P. 104.

[55] – Yarker, Escolas Arcanas (Arcane Schools), p. 490.

[56] – Waite, Nova Enciclopedia (New Encyclopaedia), Vol. 2, p. 363.

[57] – R. F. Gould, História da Maçonaria (History of Freemasonry), Vol III, (Edinburgh: T. C. Jack, 1887), p. 244.

[58] – Veja Johann Wolfgang von Goethe, Jornada Italiana (Italian Journey), (1816-17) e Alexandre Dumas, Mémoires D’Un Medecin. Joseph Balsamo, (1846), ambos os quais se referem a Cagliostro.

[59] – Evans, Cagliostro e seu Rito Egípcio, pp.5-6, embora Evans pareça duvidar que Cagliostro fosse Balsamo. Faulks e Cooper também rejeitam essa teoria, mas dão pouca luz sobre suas origens misteriosas, consulte Philippa Faulks e Robert L.D. Cooper, O Mágico Maçônico: A Vida e Morte do Conde Cagliostro e seu Rito Egípcio (The Masonic Magician: The Life and Death of Count Cagliostro and his Egyptian Rite), (London: Watkins, 2008), p.1 e p.15.

[60] – Waite, Nova Enciclopedia (New Encyclopaedia), Vol. 1, p. 89-99

[61] – Yarker, Escolas Arcanas (Arcane Schools), p. 471.

[62] – Veja Robert Collis, O Iluminismo na Era de Minerva (Illuminism in the Age of Minerva: Pyotr Ivanovich Melissino) (1726-1796) e High-Degree Freemasonry in Catherine the Great’s Russia, 1762-1782′, Collegium, Estudos Pelas Disciplinas Humanas e Ciências Sociais, 16 (Studies Across Disciplines in the Humanities and Social Sciences), (Helsinki: Helsinki Collegium for Advanced Studies), pp.128-168.

[63] – Idem, pp. 143-4. Veja também de Hoyos, (ed.) O Sistema Melissino da Maçonaria (The Melissino System of Freemasonry), pp. 3-4.

[64] – de Hoyos, (ed.) O Sistema Melissino da Maçonaria (The Melissino System of Freemasonry), Coletânea, p. 4.

[65] – Evans, Cagliostro e seu Sistema Egípcio (Cagliostro and his Egptian Rite), p. 24.

[66] – Collis, Iluminismo na Era de Minerva (Illuminismo in the Age of Minerva), Collegium, p. 143.

[67] – Idem, p. 147.

[68] – Idem, p. 142.

[69] – Waite, Nova Enciclopédia (New Encyclopaedia), Vol 1., pp 9-12

[70] – R. F. Gould, História da Franco-Maçonaria (History of Freemasonry), Vol. III, (Edimburgo: T.C. Jack, 1887), pag. 244

[71] – Songhurst, “Ragon”, AQC, p. 103. Uma tradução da Crata Repoa por um Maçom americano no início do século dezenove também é apresentada por Arturo de Hoyos e S. Brent Morris no seu trabalho Comprometido com as Chamas (Committed to the Flames), (Hersham: Lewis Masonic, 2008)

[72] – Veja Nick Farrel, Crata Repoa, (Roma, 2009)

[73] – Idem, p. 10

[74] – Idem, p. 14

[75] – Idem, p. 5

[76] – Waite, Nova Enciclopédia (New Encyclopaedia), Vol 2., pp 271-6

[79] – Veja de Hoyos, ‘Ritos e Sistemas Maçônicos’ (Masonic Rits and SystemsHandbook of Freemasonry), pp. 367-8. Veja também Arturo de Hoyos ‘Abuso Anti-Maçônico da Literatura do Rito Escocês’ (Anti-Masonic Abuse of Scottish Literature), em Arturo de Hoyos (ed.) e S. Brent Morris (ed.), Francomaçonaria em Contexto: História, Ritual, Controvérsia (Freemasonry in Context: History, Ritual, Controversy) (Oxford: Lexington Books, 2004), pp. 259-272, na p. 260

[80] – Harrison, A Rebelião Maçônica de Liverpool e a Grande Loja Wigan (Liverpool Masonic Rebellion and the Wigan Grand Lodge), pp. 32-3

[81] – J. M. Hamill, “O Terceiro Manuscrito Francken do Rito de Perfeição” (A Third Francken MS of the Rite of Perfection), AQC, Vol. 97, (1984), pp. 200-2.

[82] – Harrison, A Rebelião Maçônica de Liverpool e a Grande Loja Wigan (Liverpool Masonic Rebellion and the Wigan Grand Lodge), pp. 55-8 e 68-9

[83] – Eustace B. Beesley, A História da Grande Loja Wigan (The History of The Wigan Grand Lodge), (Manchester: MAMR, 1920), pp. 83-6

[84] – Waite, Nova Enciclopédia (New Encyclopaedia), Vol 1, pp 207-8

A Mudança

O Ponto Dentro do Círculo

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Na sequência da Prancha apresentada por um  Irmão, intitulada “Sobre a Impermanência”, pareceu-me ser consistente escrever sobre a mudança e os processos que lhe estão associados, já que está subjacente à impermanência.

Deixem-me começar por transcrever algumas frases soltas que creio poderem servir para enquadrar o tema:

  • “Quando sentimos a necessidade de uma mudança profunda, normalmente vemo-la como algo que deve ocorrer, mas não em nós. Nas funções em que exercemos autoridade, sejamos pais, professores, chefes, ou outra coisa qualquer, somos particularmente atentos à necessidade de mudar dos outros. Esses esforços falham frequentemente e é comum que respondamos aumentando a pressão. Esta luta raramente traz consigo mudança ou excelência.” – Robert E. Quinn
  • “Se nos conseguíssemos mudar a nós próprios, então as tendências do mundo também mudariam. Conforme a nossa mudança, assim muda também a atitude do mundo perante nós… não precisamos de esperar que os outros mudem

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O segredo da felicidade

UFSJ | Universidade Federal de São João del-Rei

Mais uma historieta que me foi enviada e que aqui deixo para reflexão de fim de semana. Como habitualmente, desconheço o autor do texto, que editei para publicação aqui.

Dona Maria era uma senhora de 92 anos, elegante, bem-vestida e penteada. Estava de mudança para uma casa de repouso pois o marido, com quem vivera 70 anos, havia morrido e ela ficara só…


Depois de esperar pacientemente durante duas horas na sala de entrada do lar, ela deu um lindo sorriso para a empregada que lhe veio dizer que o seu quarto estava pronto.

A caminho da sua nova morada, a empregada ia descrevendo o minúsculo quartinho, inclusive as cortinas de chita floridas que enfeitavam a janela.

– Ah, eu adoro essas cortinas – disse ela com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de receber um cachorrinho.

– Mas a senhora ainda nem viu o seu quarto…


– Nem preciso ver – respondeu ela. – Felicidade é algo que se decide por princípio. E eu já decidi que vou adorar! É uma decisão que tomo todos os dias quando acordo. Sabe, eu tenho duas escolhas: posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem; ou posso levantar-me da cama, agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem. Cada dia é um presente. E enquanto os meus olhos abrirem, vou focalizá-los no novo dia e também nas boas lembranças que eu guardei para esta época da vida. Portanto, aconselho sempre todos a depositar um monte de alegria e felicidade na sua Conta de Lembranças. A velhice é como uma conta bancária: só se retira aquilo que se guardou. E como vê, eu ainda continuo a depositar…

É mais uma variante da imagem do copo meio cheio ou meio vazio…

Mas a postura ilustrada por esta historieta ajuda, efetivamente, a retirar da vida o melhor que dela pode e deve, em cada momento, ser retirado. Claro que a todos surgem problemas. Diariamente, todos nós temos problemas a resolver, uns maiores, outros de menor dimensão, uns inesperados, outros corriqueiros, uns de resolução rápida, outros exigindo maiores esforços. Não é boa ideia resignarmo-nos perante os problemas que nos surgem, refugiarmo-nos em pretensa incapacidade de com eles lidar, enfiar a cabeça na areia, na vã esperança de que os problemas e dificuldades desapareçam, como que por magia ou graças a feliz acaso. Aliás, se pensarmos bem, a vida sem problemas, seria porventura serena – mas rapidamente se tornaria numa insuportável monotonia…

São os nossos esforços para nos superarmos e superarmos os problemas que surgem diante de nós que nos fazem crescer e evoluir e ser melhores e mais capazes e mais fortes. Tenhamos isso sempre presente, particularmente em tempos que se dizem de crise – e bem basta a crise que objetivamente parece que existe, sem necessidade que a ampliemos dentro das nossas próprias cabeças. Os tempos vão duros? A solução não é carpir mágoas pela dureza, é trabalhar, lutar e ir avante, para se chegar a águas mais bonançosas. Se decidirmos gostar do nosso quartinho com rendas de chita, não perderemos tempo a lamentar-nos e poderemos esforçar-nos por vir a conseguir um quarto maior e com cortinados de veludo.

Meus caros: este escriba tem tantas dificuldades quantos os demais. Também por estas bandas a crise bate à porta, as receitas escasseiam, os encargos aumentam e os esforços para conseguir cumprir os compromissos têm de ser maiores e mais cuidados. Mas nenhuma solução eu obteria com o lamento, a desistência, a impotência. O meu testemunho é que os maus momentos são para serem vividos, de forma a mais bem apreciarmos os bons; são para serem ultrapassados, de forma a que mereçamos gozar os bons; são para serem recordados, não como infortúnios, mas como vitórias, vitórias que sobre eles conseguimos, sobretudo vitórias sobre nós próprios. E assim aumentamos o nosso saldo na nossa Conta de Lembranças…

Vivamos os maus momentos como simples meios e passagens para os bons momentos; desfrutemos destes merecidamente, não por nos terem caído no colo por acaso ou fortuna.

Autor: Rui Bandeira

Fonte: Blog A Partir Pedra

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Sobre a impermanência

O Ponto Dentro do Círculo

25 formas para mejorar tu vida – Reconoce que la vida es impermanente – El  Arte de Vivir España

Alinhando e desalinhando estes parágrafos, maldizendo, (apenas um pouco), a minha incontida verborreia que me fez falar em impermanência numa sessão onde, e muito bem, foi apresentada a prancha “A Existência Humana”, um ensaio no qual Drucker (19NOV1909 a *11NOV2005) faz uma análise do pensamento de Kierkegaard (05MAI1813 a *11NOV1855), com os olhos postos nas mudanças de pensamento, principalmente o político e social, que ocorriam no fim da 1.ª metade do século XX.

Segundo Kierkegaard, o homem terá que renunciar a si mesmo para superar as limitações que a realidade lhe impõe, e assim poder aceder ao transcendente, aceder a Deus e à verdadeira individualidade; neste sentido, realçou “o existir concreto do homem” (o existencialismo) que anseia pela transcendência, focando em consequência disso, os sentimentos de angústia e desespero inerentes a tal condição.

Ora, em minha modesta opinião, na vida onde tudo é transitório, tanto os…

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E os obreiros estão satisfeitos? Uma reflexão sobre a Maçonaria e a pandemia

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Queridos irmãos e irmãs, em seus graus e qualidades.

Agradeço mais uma vez a este grupo de Irmãos que apoiam a Academia V Império pela sua resiliência e, claro, ao Muito Venerável Irmão Belmiro Sousa, pela perseverança perante aquela equipe, que ano após ano, nos permite participar neste fórum, e já se passaram nove anos.

Mais uma vez, estou feliz por estar novamente com vocês, queridos irmãos e irmãs, lamentando as perdas que tivemos durante toda esta pandemia de COVID.19, que manteve confinados tantos seres humanos, que também custou milhares de vidas; portanto, minhas condolências a todos aqueles que perderam um ente querido, e em especial quero oferecer minhas condolências à fraternidade maçônica por todas as suas perdas, e as situações tão graves pelas quais passamos e estamos passando.

Introdução

Situados no tema proposto, indicar que no ano passado, nessas mesmas épocas, refletíamos sobre que tipo de Maçonaria que deveríamos buscar durante um período de pandemia.

Nesta ocasião apresentei uma exposição sobre uma possível práxis: a filosofia maçônica como meio de combate para tempos difíceis, com o qual pensava que poderíamos enfrentar os desafios que apresentava a referida pandemia.

Não sei se a minha reflexão foi acertada em termos da análise e das propostas finais, eu acho que sim, mas devem ser vocês, queridos irmãos e irmãs, que devem julgar a perspectiva que apresentei na mesa em novembro de 2020. A verdade é que nunca teremos melhor oportunidade de analisar objetivamente o que foi escrito e levantado nesses fóruns, como foi o meu caso, portanto, acredito que é uma boa instrução maçônica analisar tais exposições, para comprovar sua funcionalidade se é que a teve, e poder analisar de passagem se damos a esses trabalhos a devida importância, além de serem lidos e escutados.

Exposição

Já se passaram dois anos desde que esta pandemia nos desnaturou enquanto sociedade, com especial impacto sobre nossa fraternidade maçônica singular, uma vez que nos deixou presos nas salas dos passos perdidos de nossas lojas, sem que tenhamos recebido muita ajuda, além das indicações das obediências e das lojas em relação às situações que surgiam durante a pandemia e suas restrições, embora seja verdade que em face de toda esta situação pandêmica, enquanto membros desta fraternidade desenvolvemos, cada um nas suas qualidades e possibilidades, um conjunto importante de ações, amplas e diversas, e às vezes muito imaginativas, mesmo em meio a um ambiente muito individualista e de desconfiança do outro, até mesmo como maçons agiu-se dando ênfase ao bem-estar comum e determinou-se lançar as bases para o surgimento de uma cidadania ressocializante.

Como fraternidade, enfrentamos um terrível esforço para sair indenes desta situação com o conhecimento da angústia produzida pela finitude das coisas. Estivemos em muitas frentes, tanto sociais quanto assistenciais; nos envolvemos no debate político sobre a redução e corte de direitos e liberdades que, como sociedade conquistamos, que às vezes nos colocam no fio da navalha, e que remete aos debates do Irmão Almeida dos Santos nas diferentes conexões , entre outros, embora seja verdade e deva ser dito alto e em bom som, que nem todas a estruturas maçônicas perceberam isso, nem debateram, lutaram e se envolveram da mesma forma, nem estiveram à altura das circunstâncias. Essa será uma reflexão que cada um deverá enfrentar.

Houve posições para todos os gostos, cores e orientações, o que revelou as desigualdades, convergências e divergências existentes, que deixou claro que mesmo ainda exista um longo caminho a percorrer para alcançar a fraternidade universal de homens e mulheres mulheres que perseguimos como tais maçons.

Análise

É possível afirmar à luz do que se viu até agora que

“o discurso das instituições internacionais, governo e mídia, consistiu em um alerta de pandemia que causou medo, e cuja função foi gerar um proteção biologicamente, e uma resposta saudável em relação às emoções. O que também parece claro é que, entre as medidas tomadas, como o confinamento – com diferenças entre os diferentes países – seguiu-se um discurso único, uma diretriz que, além de razões de saúde também envolveram razões políticas”[1]

O que nos deveria convidar todos, mas especialmente os maçons, para uma reflexão crítica sobre o que aconteceu.

Nesse sentido sabemos que o esforço realizado foi intenso, embora em tom maçônico pelo menos e temos certeza de que a resposta ampla e importante, embora também se revelou manifesta a incapacidade de muitas organizações (sociais, políticas e maçônicas) de responder e proteger a ampla gama de necessidades de seus respectivos membros, ficando demonstrado o quão fracos podemos ser enquanto sociedade.

Além disso, tendeu-se após os primeiros momentos, a criar um quadro de socialização, que veio em chamar Vidas nas telas, isto é o desenvolvimento de uma profilaxia da comunicação, «a realização do sonho da conexão sem contágio, como a Graça ou a Caridade na teologia cristã, o digital correu por nossas veias de fibra de vidro através da nova vida nas telas sem aparente pecado original.

Porém, por trás da tela que nos salvou, ansiamos pelo paraíso perdido do corpo que, diante da nova expressão sonora e visual da luz, pode sofrer para se adaptar. Após o feitiço inicial por sua expressão digital está enfrentando uma espécie de substituição sensorial, a de estar conectado e sem contato, juntos, mas sem o suor, os odores, ou os contatos, lembrando a corporalidade de um paraíso perdido[2].

É verdade que houve um primeiro grande impulso de natureza virtual, uma vez que nossas lojas foram fechadas pelas exigências sanitárias da Covid-19, e devido a essas circunstâncias, nos convertemos da noite para o dia em uma fraternidade virtual graças às plataformas digitais, pelas quais terminaram chamando de fraternidade zoom, como tantas outras ,

Mas é chegado o momento em que, depois desse grande esforço que paramos no meio do caminho, sinto que nos exaurimos, sem forças, sem ideias e quase sem recursos, a persistência da crise apesar da nossa resiliência nos afetou inexoravelmente, e quando nenhum projeto nasce de uma análise prospectiva, os esforços tendem a diminuir com o tempo. Eu mesmo sofri como muitos de vocês, e deixamos de ter lugar na agenda para participar de mais e mais eventos maçônicos ou paramaçônicos, todos eles de natureza virtual, e ficar abandonados como náufragos solitários.

Além do mais, como sempre sugiro, podemos tirar as dúvidas fazendo uma pesquisa no Google, colocando termos como: Maçonaria e pós-pandemia, e vocês verão qual é o resultado. Minha descoberta, dados os algoritmos de minhas pesquisas, é que parece que o mundo maçônico foi bloqueado no início de 2020.

É como se a Maçonaria tivesse desaparecido com a eclosão do vulcão pandêmico Covid-19, e, é claro, que podemos analisar as consequências de todo esse pandemônio, no qual não parece nos ter ajudado referências intelectuais da Maçonaria para usar, digamos, visto que os únicos textos que li sobre essa questão foram um livro dos Irmãos Alain Bauer e Roger Dachez que nos deram um relato detalhado sobre a Covid-19 com análises muito tangenciais sobre a Maçonaria, e que foi publicado apenas no início de 2020, e intitulado: Como viver em tempos de coronavírus: Um manual para compreender e resistir.

Também no domínio francófono, outro Irmão vinculado ao Grande Oriente de França (GOdF) e ao Rito

Francês, como o é Gerard Chomier, nos deixou outro pequeno texto, que poderia ser interessante neste momento dado o seu título: Covid 19, e depois? Embora eu ache que o autor se perde nas divagações filosóficas que faz, e seu livrinho seja mais uma aproximação do que qualquer outra coisa.

Diagnóstico  

Para termos alguma perspectiva e antevisão sobre o tema que nos preocupa, cuja ação faz falta no paralisado mundo europeu, devemos ir às áreas ibero-americanas nas quais tem havido um intenso estudo da Covid-19 e do seu impacto nas situações e as etapas criadas, em especial uma reflexão orientada sobre as repercussões econômicas e sociais, e especificamente e principalmente sobre a as percepções e os imaginário que ocorreram e se criaram em nossa sociedade pandêmica e pós-pandêmica.

Desta forma, temos um excelente trabalho monográfico publicado na revista. Imaginação ou Barbárie[3], intitulado: Coronavírus e novos esquemas de Sentido. A este trabalho de reflexão é necessário juntar outro texto do Centro de Pesquisa em Mediatizações do México: Conversas na pandemia[4].

Está claro que podemos fazer muitas análises e que as conclusões podem ser diversas e variadas, visto que esta pandemia afetou muitos setores e muitos níveis, e alguns deles nos afetaram de forma importante, conforme expõe uma tese de pesquisa sobre O significado intelectual da pandemia de Covid-19. Codificações sagradas e profanas, desenvolvido por Nelson Arteaga Botello e Luz Angela Cardona Acuña.  

As primeiras conclusões diante dessas análises sobre a Covid 19, pelo menos em um tom político, o imaginário é que os liberais tentaram diluir o Estado e, por sua vez, a esquerda buscou substituir o mercado pelo Estado, enquanto os conservadores tentaram regulá-lo por meio o Estado, ou seja, um desenvolvimento clássico e sem imaginação, que se viu na questão do desenvolvimento e implantação de vacinas.

Nessa altura e em paralelo, veio se consolidando um posicionamento cripto-normativo – onde as visões distópicas do mundo funcionaram como uma estrutura normativa – sobre o Mercado e o Estado – particularmente de inspiração foucaultiana[5] – ao passo que houve a privação de direitos e até mesmo o aniquilamento de identidades, o que expôs uma mercantilização da vida humana que a submete a rotinas de vigilância biopolítica e necropolítica, ou seja, à imposição de estritos mecanismos de gestão da vida e da morte[6].

Todos esses desenvolvimentos vêm indicar várias questões sobre o sagrado e o profano, que nesta pandemia nada mais foram do que o Mercado e o Estado, que alguns autores enquadram “em um conjunto de teodiceias, religiosas e seculares, em torno da pandemia do Covid-19. Proporcionando narrativas sobre o mal e o bem na sociedade, bem como seu destino[7].

Diante disso, temos que partir de uma forte premissa existencial: temos que viver, pois esta crise veio para ficar, mas com um axioma de que a pandemia nos deixou muito claro que temos que aceitar a finitude das coisas, digamos que a questão da pandemia é o símbolo do fim do otimismo no progressismo moderno[8], por isso é importante recuperar a importância dos limites, pois se reconhecermos nossa “reação” estaremos revelando a expressão mais genuína de nossa filosofia, a progressividade, que usamos tanto da tradição como um enraizamento dinâmico da força entendida como o vitríolo alquímico usado como metáfora no campo maçônico, isto é, Visita Interiora Terrae Retificando Invenies Ocultum Lapidem (Visite o interior da terra, e retificando você encontrará a pedra escondida que é o verdadeiro remédio), aqui o que nos interessa é que esse retificando, que nos servirá para abandonar uma solidariedade mecânica das elites e altas organizações, para a articulação de uma fraternidade orgânica de que procede essa força de que falei. Em outras palavras, da retificação de nossas posições e questionamentos, assim como fazemos em loja. E os obreiros estão satisfeitos…?

Antes de responder, temos que saber que a pandemia desencadeou três grandes narrativas nas quais nos envolvemos para dar sentido a essa situação. A primeira dessas considerações é que o capitalismo neoliberal é considerado sua causa principal, enquanto essa última propicia o estabelecimento de formas autoritárias de controle político e proteção do modelo neoliberal: o estado biopolítico, o necropolítico e os estados de exceção[9]

A segunda narrativa coincide na leitura de que o neoliberalismo está por trás da pandemia, mas discorda sobre seus efeitos; e, portanto, abre-se a possibilidade de uma mudança impulsionada pela efervescência de formas de organização e solidariedade coletiva diferentes do estabelecido.

A terceira narrativa ressalta que a globalização neoliberal está por trás da pandemia, mas que só o Estado é capaz de enfrentar duas grandes questões: sobre o risco, a distopia, o pessimismo e o medo; o outro, relacionado à oportunidade, a utopia, o otimismo, a esperança.

A compreensão atual e os desafios do futuro

Além das diferentes perspectivas e várias interpretações e perspectivas, temos que nos perguntar se estamos satisfeitos enquanto obreiros da fraternidade maçônica com esta situação de crise que há muito se configura, tanto no social quanto no maçônico, e cuja resposta deve ser difícil obter porque não deixamos de estar em um mundo em que, hoje, é difícil enfrentar questões tão complexas e transversais como aquelas em que vivemos, especialmente quando estamos atolados em nossa próprias dúvidas e contradições e em meio a um complexo magma midiático que tenta nos impor respostas plausíveis.

Será que podemos ficar satisfeitos com uma nova era em que não só se estimulam e persuadem certos comportamentos, com a intenção de levá-los a resultados lucrativos dentro do sistema liberal em que estamos envolvidos? Claro, com uma exceção, que é que agora nossos comportamentos e condutas são moldados sem que tenhamos consciência disso, e a pandemia, nesse sentido, há em a entendeu como um experimento social em grande escala, que não se pode negar que em muitos casos ele passou, de certa forma, por meio de um sistema cibernético complexo.

Foi-se a automação da informação para as pessoas, até o estágio atual, que é bem diferente, pois trata de automatizar as pessoas, digamos que nos tornamos “os objetos de uma operação de extração de matéria-prima tecnologicamente avançada da qual é cada vez mais difícil escapar[10], digamos que os clientes são as empresas que comercializam comportamentos em mercados organizados. Portanto, gostemos ou não, estamos acorrentados a este estágio da situação que se tornou evidente após a pandemia.

Diante do que resta responder à questão vital se nós mesmos enquanto Maçons, estamos satisfeitos com este modelo no qual nossas próprias organizações e nós mesmos enquanto membros delas colaboramos ativamente na implementação da chamada “entelamento” social, ou seja, criar uma status quo, onde tudo acontece atrás de uma tela: o celular, o tablet, o computador, enfim, a virtualidade na sua forma mais pura.

 A resposta é que não podemos estar satisfeitos e, portanto, é necessário um esforço e reflexão sobre esses modelos e comportamentos, e analisar o papel que temos desempenhado até agora, embora entenda que a resposta seja parcial, pois não temos referências anteriores porque as nossas referências até dois anos atrás eram outras e, portanto, é lógico que o que é inédito nos é difícil de identificar, razão pela qual «precisamos observar e analisar com novos olhos a profundidade dos fenômenos, e também encontrar novos nomes com os quais nomeá-los, se quisermos captar e compreender o que não tem precedentes como prelúdio essencial para qualquer forma eficaz de refutá-lo”[11].

À luz destas reflexiones poder-se-ia pensar que o que ocorreu durante toda esta pandemia, de 2019 a 2021, não foi um problema tecnológico, o que foi, y foi a peça chave de muitos debates, bem como a questão não só da intencionalidade mas também do emprego que produziu na gestão da pandemia para concretizar a velha utopia autoritária de conseguir maior controle social e político da sociedade.

Por isso é importante, enquanto maçons, que participemos do sabá de pensar e repensar a partir da dúvida com a devida tolerância sobre todas essas questões que nos aconteceram com a pandemia de Covid -19: o vírus, o confinamento, as medidas sanitárias, os cortes e limitação de direitos, a crise econômica, que revelou o autoritarismo político, o que nos obriga a refletir ainda mais sobre questões tão básicas quanto: Quem se beneficiou com esta pandemia? Embora já existam indicadores que apontam que os ricos se tornaram mais ricos e as classes médias mais pobres, e os pobres se tornaram diretamente o grande bolo do lumpen proletariat, e isso nas sociedades avançadas, razão pela qual vale a pena perguntar o que não está acontecendo em outras latitudes?

Acima de tudo, devemos repensar: para que nos está servindo esta pandemia? Em um mundo como este em que vivemos, que é pressionado pelo prevalecente “capitalismo do desastre, do quanto pior melhor, mais oportunidades, um sistema de caos onde a vigilância e o controle está sendo um fator estratégico, diante de uma supremacia financeira montada sobre o tecno-globalismo, com uma superestrutura tecno-digital e big data que facilitam o anonimato e a gestão de comportamentos e condutas sociais por meio da inteligência artificial e do transumanismo[12].

Diante dessas questões devemos refletir muito profundamente como sociabilidade maçônica, mas reaprendendo e projetando, ao mesmo tempo em que destacamos nossa mensagem de “uma Maçonaria da ser estar e não a partir de aparências, e é claro mais intelectual do que formal”[13].

Nesse mesmo sentido, Michel Maffesoli em seu livro O Tesouro escondido. Carta aberta aos maçons… nos deixou algumas propostas, assim como outros autores:

“Diante de narrativas utópicas esperançosas e otimistas que desenham futuros mais justos, mais próximos, mais humanos devemos pensar com calma e nos reprogramarmos. É preciso também pensar se é possível unir projetos, buscar equilíbrios, encontrar o caminho do meio, desejado e desejável. Não acreditar que estamos certos. Escutar a vida e como ela conspira para criar mais vida. Estar dependente do outro e da outra, que não são inimigos porque têm opinião contrária à nossa ou porque são fontes de contágio viral; eles são seres humanos, como você e eu; confusos, desolados, iludidos, vivos.”[14]

O que nos interessa aqui, pelo menos enquanto maçons e como nos indica Philippe Guglielmi[15] é redescobrir a maneira de «escutar para refletir internamente e projetar um futuro para a humanidade, fazendo do intenso debate um combate de ideias, onde a tolerância diante de diferentes teorias, abordagens, opiniões deve prevalecer num momento turbulento e crítico da história da humanidade como este”, fugindo dos mimetismos sociais catastróficos e das sociedades iluministas; devemos caminhar em direção a uma mudança no sistema e nos modos de vida da sociedade, pelo menos como os entendemos até agora; recuperando valores que sejam considerados coerentes e éticos, e sobretudo distantes do protecionismo e controle e o “entelamento” social, e por isso devemos abrir nossa fraternidade que não pode estar sujeita a um metro e meio de distancia, a beijar máscaras ou viver atrás de uma tela protetora por toda a vida.

Diz-se que a mudança de paradigma envolve ouvir todas as vozes, atender aos diferentes pontos de vista e às diferentes leituras sobre a pandemia, analisando profundamente a questão de como vivíamos. Isso nos obriga ao exercício de nos escutar e dialogar, obviamente sem excluir outras perspectivas, pois todos contribuem com algo em prol de um bem-estar social, mas deve ser necessariamente realizado com respeito e compreensão, a partir das diferenças e distintas bagagens culturais, políticas e sociais.

Ficam claros, então, os nossos desafios mais prementes diante de uma fraternidade maçônica convulsionada, perplexa e até certo ponto paralisada, que são três: 

  • Recuperar;
  • redescobrir; e,
  • Redefinir a nós mesmos.  

Devemos nos recuperar  dos modos e formas desencadeados pela pandemia. Não podemos continuar a nos esconder atrás do clássico “entelamento” virtual que cumpriu seu papel durante as proibições de nossos trabalhos maçônicos devido à questão pandêmica, e por isso não pode passar a fazer parte de nossa realidade ritual, saindo da opacidade.

Na medida do possível, que se busquem fórmulas para a recuperação de todos aqueles Irmãos e irmãs que, por uma razão ou outra, se afastaram do trabalhos em loja e na potência. Do contrário, acabaremos fechando nossas oficinas por falta de obreiros. É uma tarefa imprescindível que deve ser realizada tendo em vista a diminuição do número de membros, e os fatores que ocasionaram tal queda deverão ser analisados.

É preciso recuperar a lacuna deixada com tal sociabilidade, reflexão e ação; não devemos deixar nosso combate de lado, devemos continuar a impor novamente o nosso melhor para fazer como fiadores da democracia, pois como já comentei anteriormente, nosso papel na sociedade deixou de ter presença mediática especialmente a partir de 2020, e esse desafio é algo que não deve ser esquecido, é preciso recuperar o nosso papel e ação social, e principalmente em uma sociedade tão mediatizada como esta.

Portanto, é necessário reencontrar no ser e estar maçônico; nos espaços que conhecemos e que nos ajudam a compreender-nos e a compreender o nosso papel em loja e na sociedade; Assim, é necessário, mais do que nunca, fortalecer o estudo e a reflexão, abrindo novas pontes para o debate, interno e externo. Devemos dirigir esse esforço, sobretudo, trabalhando na externalização, envolvendo-nos ativamente nela.

E, claro, é importante nos redefinirmos. É a tarefa que nos cabe neste espaço borrado que nos deixou como estranhos na sociedade atual, o que exige de nós que, após esta pausa, redefinamos o nosso papel para sermos úteis à sociedade a partir dos valores que encarnamos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

E aqui eu vos deixo, porque não se trata de expor um amplo catálogo de iniciativas, mas sim que estas devem vir de um aprofundamento interno e em resposta às nossas inquietações e necessidades, tendo como marco a tolerância e o consenso, como sinal de respeito mútuo.

Autor: Victor Guerra
Traduzido por: José Filardo

Fonte: Bibliot3ca Fernando Pessoa

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Notas

[1] – Fernández Poncela, Anna María. Pensar juntos: intelectuais, perspectivas e prospectivas para a crise de 2020 Universidade Autônoma do México. 2021.

[2] – Cabrera, Daniel H; Martins Ricardo. Imaginário e estética diante da pandemia e da vida nas telas. Imaginação ou Barbárie no 21 julho de 2021.

[3] – Boletim de opinião da Rede Ibero-americana de Pesquisa em Imaginários e Representações (RIIR) No 21, julho 2020.

[4] – UNR Editora. Universidade Nacional de Rosário (Argentina). 1. Comunicação. 2. Redes sociais. I. Scolari, Carlos. II. Valdettaro, Sandra, comp. CDD 302.231. https://cim.unr.edu.ar/assets/archivos/pub_conversaciones-en-panmedia-delcim_20207263.pdf

[5] – Colima, Fernando. Foulcaultiana. Ed. A Revolução Delirante. 2019

[6] – O Coronavirus e seus impactos na sociedade atual e futura. Colégio de Sociólogos do Peru.

[7] – http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0187-01732020000200241

[8] – Maffesoli, Michel. A crise do Coronavírus ou o grande retorno do trágico. Cimatierra.org 26 de abril de 2020.

[9] – https://lavoragine.net/apocalipsis-biopolitica-y-estado-destituyente-la-precarizacion-en-tiempos-de-colera/

[10] – Zuboff, Shoshana. A era do capitalismo da vigilância. Edito Paidós. Estado e Sociedade. 2020. https://www.marcialpons.es/media/pdf/44333_La_era_del_capitalismo_de_la_vigilancia.pdf

[11] – Zuboff, Shoshana. A era do capitalismo da vigilânciaA luta por um futuro humano diante das novas fronteiras de poder (Estado e Sociedade) Ediciones Paidós.2020.

[12] VVAA. Sociedade digital e direito. 2018. https://www.ontsi.es/sites/ontsi/files/2019-06/SociedadDigitalyDerecho_0.pdf

[13] – Chomier, Gérard. Covid 19, e depois?  Editions Conform .2020.

[14] – Michel Maffesoli 2015, Viktor Frankl, 1983; Brigitte Champetier de Ribes, 2020.

[15] – Mui sábio e perfeito Grande Venerável do Grande Capítulo Geral do Rito Francês do Grande Oriente da França.

Em busca da Apple Tree: uma revisão dos primeiros anos da maçonaria inglesa (Parte III)

John Montagu, 2.º Duque de Montagu

Um acontecimento que constituiu uma tragédia para o estudo da história da Maçonaria foi a “noite da indignação”, que aconteceu na Loja Antiguidade em novembro de 1778, quando os simpatizantes de William Preston, em sua disputa com o Grande Loja, roubaram arquivos e móveis[80]. Na época deste incidente, a loja tinha em sua posse as atas completas entre 1721 e 1778, bem como três volumes com os arquivos dos tesoureiros e dos secretários. Os dois volumes, que continham as atas de 1721 a 1733 foram perdidos e outros volumes tiveram suas páginas rasgadas. A perda desses registros é desastrosa. No entanto, foi preservado um rascunho, marcado com “E”, contendo alguns das primeiras atas. Felizmente, este volume ainda está em sua encadernação original, e tem anexado a ele o cartão de Charles Stokes, “Livreiro em Red-Lyon, perto de Bride-Lane, na Fleet Street”. O cartão está datado de 1716, provavelmente a data em que foi gravado. Stokes era conhecido por comercializar o “famoso tabaco oftálmico, que é fumado suavemente e é agradável de cheirar”, que foi amplamente divulgado a partir de 1720, e a as folhas de tabaco são vistas no cartão[81]. Stokes, “uma pessoa engenhosa que colecionava medalhas, pinturas e outras curiosidades”, faleceu em 10 de junho de 1741[82]. A participação de Stokes na Loja Antiguidade está registrada no Volume “E” e, em 1719, ele foi tutor de geometria, álgebra e assuntos relacionados junto com Jonathan Sisson[83].

Graças à sobrevivência do livro e do cartão de Stokes, sabemos que o livro “E” em arquivo no Loja Antiguidade é anterior às ações de Preston e seus seguidores e que, provavelmente, foi encadernado em princípios década de 1720. Boa parte do livro não foi usada até anos depois de seu aquisição, uma vez que também contém atas de 1759 a 1767 entre as páginas 9v e 85, além da contabilidade da loja da página 148v ao final do volume. Ele também contém várias notas de, por exemplo, a entrega de uma placa para imprimir ingressos, em julho de 1751, ou na página 7v o reembolso das verbas pagas durante uma cerimônia trimestral em abril de 1756. Na página 124v há uma lista negócios inacabados de grandes oficiais, o que é muito interessante porque omite a inclusão de Anderson como o Primeiro Vigilante em 1723. No entanto, esta lista é muito tardia, pois está escrita pela mesma pessoa que escreveu a ata entre 11 de junho e 26 de agosto de 1766. O volume não escapou ileso da “noite da indignação”, uma vez que entre as páginas 125 a 133 existem alguns trechos, escritos em caligrafia do final do século XVIII, que supõe-se sejam do livro de atas de 1721 a 1733 que está perdido. Como o observa Wonnacott[84], eles foram escritos por uma mão que não pode ser anterior a 1765 e muitos traços têm uma semelhança marcante com as notas de rodapé do obras de William Preston, sugerindo que se trata de registros que foram elaborados e corrigidos sob sua direção.

Mas, no início do livro “E”, existem dois documentos que podem ser datados sem dúvida a partir do início dos anos 1720. Após a reprodução de um retrato do Duque de Montagu por John Faber, há uma ata na página 2 que descreve a nomeação do duque em junho de 1721; então, das páginas 4-5, há uma lista de membros da loja, datada de 18 de setembro de 1721. O início desta lista é redigida pela mesma pessoa que redigiu a ata da reunião de Montagu. Adições subsequentes à lista, que deixam um registro de alguns figuras ilustres da loja, como o primeiro conde de Waldegrave e Sir Charles Hotham, representante de de Beverly no Parlamento[85], são primeiro da mão original e depois de uma variedade de mãos que parecem ser, como no caso do artista Benjamin Cole, assinaturas dos próprios membros. As últimas entradas na lista referem-se às iniciações de 15 de março de 1725, o que significa que a lista não pode ser posterior a 1726. A maioria dos membros nomeados na primeira seção aparecem na lista de membros da Loja na taverna Goose and Gridiron. Outros nomes na lista de 1725 aparecem como membros da Loja na taverna Queen’s Arms, que é para onde se mudou a Loja da Goose and Gridiron[86]. Isso nos leva a pensar que a relação entre as duas lojas é mais complexa do que se acreditava anteriormente, provavelmente devido ao papel do Duque de Wharton como Grão-Mestre da Loja Queen’s Arms. No entanto, a lista da loja mostra os membros no início da década de 1720, e foi copiado no livro “E” nessa época. O nome do mestre William Esquire parece, à primeira vista, um erro de redação, porém, possivelmente, se trata de um William Esquire que batizou sua filha Ann em St. Botolph Aldgate em 1710[87]. Nesse caso, ele é o primeiro mestre da Loja da Antiguidade.

Visto que a lista de membros da Loja Antiguidade contida no livro “E” data do início dos anos 1720, pode-se presumir que o relato da nomeação do duque de Montagu, escrito pela mesma pessoa, foi elaborado não muito depois de 1721 e portanto, pode ser considerada uma fonte contemporânea. Esta ata amplia consideravelmente a lista de nobres e senhores ilustres que compareceram ao evento. Concorda com a menção de Stukeley sobre a presença de Lord Herbert e Sir Andrew Fountaine, bem como Lord Hinchingbrooke[88], que mais tarde visitaria Stukeley na Loja Fountain. Também nos diz que Lord Hillsborough, um amigo próximo do Duque de Wharton[89], esteve presente. A ata não diz explicitamente que Lord Stanhope esteve presente, mas a entrada “P. Stanhope” pode se referir a ele. O William Stanhope, que aparece, é possivelmente o irmão mais novo de Lord Stanhope. No texto um bom número de baronetes e cavaleiros também são mencionados, como Sir William Leman, terceiro Baronete, Sir George Oxenden, quinto Baronete, parlamentar do Partido whig por Sandwich[90]; Sir Robert Rich, quarto baronete, que na época era parlamentar por Dunwich e apoiador de Walpole[91], Sackville Tufton, mais tarde sétimo Conde de Thanet e Coronel John Cope, parlamentar por Queenborough e também apoiador de Walpole[92]. A ata também menciona Christopher Wren Jr., que mais tarde se tornaria mestre da loja Antiguidade, bem como membros das lojas Goose and Gridiron e Queen’s Arms, incluindo Richard Boult, Charles Hedges e William Western, membro da Royal Society.

O documento da Loja Antiguidade mostra-nos que, entre os presentes na iniciação de Montagu estavam representantes da mais alta classe da sociedade. O mais surpreendente é a notícia de que o duque de Wharton também compareceu. Isso não era inerentemente improvável, mas, uma reportagem na imprensa, publicada em 5 de agosto de 1721, afirmava que Wharton começou na Maçonaria na Loja na taverna Queen’s Arms apenas no final de julho do mesmo ano[93]. Isso nos leva a questionar a sequência exata dos eventos sobre a iniciação de Wharton, embora não desacredite o relato da Loja Antiguidade[94]. A reunião é descrita como “uma assembleia geral de um grande número de maçons”, a ata declara que o duque de Montagu foi eleito Grão-Mestre, e jurou sobre a bíblia, “observar e manter inviolável no futuro, todas as franquias e liberdades dos maçons da Inglaterra e todos arquivos da antiguidade sob a custódia da antiga loja de São Paulo em Londres”.

Embora esse ata fosse claramente destinada a reforçar as reivindicações da loja, estas estavam baseadas na posse dos arquivos das Old Charges. Neste contexto, quando Payne apresentou um documento muitos mais velho realmente complicou a coisa toda. Isso adicionou importância à segunda parte do juramento de Montagu: “Firmemente observar e nunca permitir qualquer interferência nos Landmarks das antigas lojas da Inglaterra, o que da mesma forma será feito por seus sucessores, que estarão obrigados por juramento a fazer o mesmo”.

Em reciprocidade, as antigas lojas concordaram em renunciar aos seus privilégios em favor deste novo órgão, que era a Grande Loja:

Neste dia, os maçons de Londres, em seu próprio nome e em nome do restante de seus irmãos da Inglaterra, concedem seus reservados e distintos direitos e poderes de reunir-se em capítulos, etc., presentes nas antigas lojas de Londres, em favor do que hoje foi publicamente reconhecido e notificado aos irmãos reunidos na Grande Loja.
Os senhores das antigas lojas aceitaram e confiaram em nome de suas lojas e tudo foi juramentado de forma pertinente

Assim, a descrição contemporânea mais completa e detalhada mostra-nos que a nomeação do Duque de Montagu e o ato de transferência dos privilégios das antigas lojas de Londres para o Grão-Mestre e a nova Grande Loja foi realizada, não na Loja da taverna Goose and Gridiron em 1717, mas na reunião no Stationers ‘Hall em 1721.

Este relato é convincente não apenas porque é mais contemporâneo do que o de Anderson, mas também porque está de acordo com o histórico de Stukeley e as evidências encontradas nos jornais. Aparentemente, foi George Payne, com a ajuda de Desaguliers e talvez do próprio Stukeley, que concebeu um esquema para levar a Maçonaria a um novo nível social e cultural nos meses anteriores, além conseguir levar para suas fileiras personagens ilustres como o duque de Montagu e talvez também o duque de Wharton. Payne foi, sem dúvida, quem orquestrou toda a operação, preparou o regulamento da nova organização e talvez tenha sido nomeado Grão-Mestre durante esse processo. Mas o significado das atas da Loja Antiguidade é muito claro: a Grande Loja não foi fundada na taverna Goose and Gridiron em 24 de junho de 1717, mas sim quatro anos depois, quando as lojas de Londres fizeram a transferência formal de seus privilégios para o nova organização, em 24 de junho de 1721 no Stationers ‘Hall. Portanto, a contagem de Anderson do que aconteceu entre 1717 e 1721 deveria ser desconsiderada.

Continua…

Autores: Andrew Prescot e Susan Mitchell Sommers
Traduzido por: Luiz Marcelo Viegas

Fonte: REHMLAC

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Notas

[80] – W. H. Rylands y C. Firebrace, Records of the Lodge Original, No. 1, now the Lodge of Antiquity, No. 2 (Londres: Harrison, 1911-26), vol. I, 1-14; Colin Dyer, William Preston and his Work (Shepperton: Lewis Masonic, 1987), 67

[81] -Por ejemplo, en el Applebee’s Weekly Journal del 6 de agosto de 1720. Véase Francis Doherty, A Study in Eighteenth-Century Advertising Methods: The Anodyne Necklace (Lampeter: Edwin Mellen Press, 1992), 349-50.

[82] – London Daily Post and General Advertiser, 11 de junio de 1741

[83] – Evening Post, 9-11 de julio de 1719. Jonathan Sisson fue un fabricante de instrumentos para astronomía, navegación e ingeniería, inventó el teodolito moderno (N. Del T.).

[84] – W. Wonnacott, ‘The Lodge at the Goose and Gridiron’, AQC 25 (1912), 168.

[85] – Sobre Waldegrave, véase Berman, Foundations, 148-150; sobre Hotham, véase E. Cruickshanks e I. McGrath, “Hotham, Sir Charles, 4th Bt”, en The History of Parliament: the House of Commons 1690-1715, eds. Eveline Cruickshanks, Stuart Handley y D. W. Hayton (Londres: History of Parliament Trust, 2002 [citado el 2 de agosto de 2016]): disponible en http://www.historyofparliamentonline.org/volume/1690- 1715/member/hotham-sir-charles-1663-1723

[86] –La logia en Queen’s Arms fue famosa posteriormente por el patronazgo del Dr. Johnson, de Boswell y de Garrick. En la década de 1720 también se le conocía como King’s Arms, pero por cuestiones de consistencia aquí usaremos el nombre más usual y conocido de Queen’s Arms.

[87] – “England Births and Christenings, 1538-1975”. Genealogical Society of Utah, Salt Lake City, FHL microfilm 370933.

[88] – Sobre Hinchingbroke, véase E. Cruickshanks y S. Handley, “Montagu, Edward Richard, Visct. Hinchingbrooke”, en The History of Parliament [citado el 5 de mayo de 2017]: disponible en http://www.historyofparliamentonline.org/volume/1690-1715/member/montagu-edward-richard-1692-1722; Berman, Foundations, 135.

[89] – Berman, Foundations, 143.

[90] – R. Sedgwick, “Oxenden, Sir George, 5th Bt”, en The History of Parliament [citado el 5 de mayo de 2017]: disponible en http://www.historyofparliamentonline.org/volume/1715-1754/member/oxenden-sirgeorge-1694-1775

[91] – S. Matthews, “Rich, Sir Robert, 4th Bt”, en The History of Parliament [citado el 5 de mayo de 2017]: disponible en http://www.historyofparliamentonline.org/volume/1715-1754/member/rich-sir-robert-1685-1768; Sommers, “Dunwich: the Acquisition and Maintenance of a Borough”, en Proceedings of the Suffolk Institute of Archaeology and History 38 (1995): 317-318; Berman, Foundations, 127-128.

[92] – A. Newman, “Cope, John”, en The History of Parliament [citado el 5 de mayo de 2017]: disponible en
http://www.historyofparliamentonline.org/volume/1715-1754/member/cope-john-1690-1760

[93] – Robbins, “Earliest Years”, 68.

[94] – Wonnacott, “Goose and Gridiron”, 171. Es probable que no haya habido rituales durante la cena del 24 de junio de 1721, por lo que tal vez ni Wharton ni nadie más haya sido iniciado en esa fecha

A morte (e a vida)

O Ponto Dentro do Círculo

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Em Maçonaria, os símbolos e rituais servem para colocar ao dispor do maçom os conhecimentos, os temas, os valores com significado e importância no ideário maçônico. O que cada maçom aprende ou não aprende, reflete ou não reflete, assimila ou não assimila em face desses símbolos ou rituais é com ele. Cada um é como é e livremente aproveita (ou não) da forma que melhor entende o que lhe é proporcionado.

Ao longo do seu percurso, o maçom é confrontado, simbólica e ritualmente, com a morte. Desse confronto, fará a reflexão que quiser ou for capaz, tirará a lição que conseguir tirar. Mas é importante que esse confronto exista.

A morte – sabemo-lo, embora mutos o procurem esquecer pelo máximo de tempo possível… – é inevitável. A todos chegará, a cada um na sua hora. Normalmente, quanto mais novos somos, mais afastamos esse tema do nosso pensamento. É uma desagradável…

Ver o post original 744 mais palavras

Premiados no 16º Sorteio Literário do blg

O Trono

Visão | Corrida à maçonaria: há cada vez mais adesões de norte a sul do País

Não importando o grau que a Loja Maçônica esteja reunida, teremos o Templo Maçônico sempre composto de três Tronos.

Relacionamos: o primeiro do Venerável Mestre, o segundo do Primeiro Vigilante e o terceiro do Segundo Vigilante.

Muitas das vezes estas informações nos geram confusões, até porque: declaro ter aprendido como sendo Altares.

Entretanto na busca elucidar tais duvidas fui a campo pesquisar sobre o tema, ora proposto e, encontrei desconexão ao chamarmos de Altares.

Os verdadeiros Altares são:

  • O “ARA”, onde é aberto o Livro Sagrado / da Lei.
  • “Dos Perfumes”, onde é oferecido incenso.

Eventos relatam que alguns irmãos os consideram sinônimos: “Altares & Tronos” o que dissinto.

Aprofundando os estudos e lendo as Sagradas Escrituras, encontramos enumeras referências aos Altares e aos Tronos, sendo que os primeiros, sempre se referem aos sacrifícios.

Sobre Altares encontramos os exemplos:

Gênesis (8 – 20): “Edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo o animal limpo, e de toda ave limpa, e ofereceu holocaustos sobre o altar”.

Apocalipse (11– 1): “E foi-me dada uma cana semelhante a uma vara; e chegou o anjo, e disse: Levanta-te, e mede o Templo de Deus, e o Altar, e os que nele adoram”.

Sobre Tronos encontramos os exemplos:

Gênesis (41–40): “O Faraó põe José Governador do Egito: Tu estarás sobre a minha casa, e por tua boca se governará todo o meu povo; somente no Trono serei maior que tu”.

Apocalipse (22 – 3): “Ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o Trono do Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão”.

Com foco nestas elucidações -, constituo mencionar que: nos Tronos (sentam) os que têm autoridades, enquanto que nos Altares (ninguém senta).

Portanto, trazendo estas visões para os nossos Templos atuais: estabeleço que o Trono não se resume em uma “poltrona”, mas sim! no conjunto que atêm o Venerável Mestre e os Vigilantes –, composto de poltronas e mesas, que em geral tem a forma triangular.

Salientamos que não existem disposição obrigatória quanto ao formato da mesa, ser triangular ou retangular.

Importante saber que o Trono apresenta outra particularidade: a de que deve repousar sobre um estrado com as seguintes propriedades.

  • Do Venerável Mestre, contém sete degraus
  • Do Primeiro Vigilante, contém dois degraus
  • Do Segundo Vigilante, contém um degrau

No entanto, às vezes não os vemos em nossos Templos Maçônicos com estas referências.

Extraordinário é entender que os Tronos se completam com os objetos existentes sobre a mesa. Esclarecemos que as mudanças dos objetos sobre a mesa seguem as orientações do grau em que Loja Maçônica esteja trabalhando.

No aspecto esotérico

O Trono significa o próprio homem posto em dignidade.

Quando um maçom é eleito para um cargo em Loja, às vezes refuta a iniciativa de seus pares não dando conta de que, a ocupação de um cargo, significa uma elevação espiritual de grande magnitude.

Todos Veneráveis Mestres e Vigilantes devem ter consciências de suas posições e têm as obrigações para consigo próprio de cumprirem com “Fidelidade”, as missões que lhes são proporcionadas, recebendo-as com alta distinção; aqueles que descuidarem, obviamente sofreram as consequências de suas indolências.

Dizem as Profecias: “O Trono de DEUS é o céu, e Jerusalém será seu Trono”.

O Venerável Mestre representa o Sol em seu nascimento (ressurgimento diário). O Sol não morre, simplesmente, se põe, para na manhã seguinte retornar com sua luz e calor.

Por isto, está o Venerável Mestre retornando com a sua luz e calor espirituais, a cada vez que abre os trabalhos de uma Loja Maçônica.

“O Sol é fonte de luz de vida. O espetáculo do nascer do Sol ofusca o brilho da natureza, pela beleza e esplendor dos seus raios”.

O Primeiro Vigilante representa o Sol na plenitude de sua trajetória; e o “Sol do Meio Dia”, da verticalidade e da intensidade calorífica é a sabedoria, a ciência e a virtude.

Portanto assegura-se que sobre a luz do Sol, pode-se trabalhar e que a vida continua provinda da primeira esperança da aurora e a segurança de continuidade.

“É o equilíbrio que está na balança / libra, a estabilização dos meios, o fiel de todo o trabalho”.

O Segundo Vigilante representa, ainda, o mesmo Sol, porém em seu descenso para o ocaso, quando a sua luminosidade vai se atenuando, silencioso e obedecendo a um cronograma pré-estabelecido pela natureza. É a amenização do Calor que não abrasa, mas que dá refrigério.

Assim a Loja Maçônica será comandada dos seus Tronos pelas três luzes ou os três sóis.

Conclusão

Conclamo aos irmãos que diante deste simples trabalho busquem horizontes na construção do conhecimento; também estimulá-los a intensos estudos ao tema do “Título”.

Autor: José Amâncio de Lima

Amâncio é Mestre Instalado da ARLS Estrela de Davi II – 242 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Academia Mineira Maçônica de Letras, Grande Inspetor Litúrgico das 1ª e 8ª regiões de Minas Gerais para o REAA e, para nossa alegria, também um colaborador do blog.

Bibliografia

CAMINO, Rizzardo da; Odéci Schilling da. Vade-mécum do Simbolismo Maçônico. 3 ed. Rio de Janeiro: Aurora, p.610.
ALMEIDA, João Ferreira de. A Bíblia de Promessas: velho testamento e novo testamento. 5 ed. São Paulo: Juerpe King’s Cross, 2006. [Traduzido]
Do Autor – documentos outros

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