Silêncio Maçônico

“O exercício do silêncio é tão importante quanto a prática da palavra.” (Willian James)

Esta frase resume bem o ensinamento maçônico do “permanecer calado”, não como uma imposição de grau, mas, sim como uma virtude que alerta para a necessidade de preparo para o “Uso da Palavra”.

Temos alguns Ritos Maçônicos que determinam quais Obreiros podem ou não podem se manifestar durante as sessões e este ponto é inquestionável. Não há de se fazer comparações ou avaliações, se é preconizado pelo Rito que Aprendizes devem permanecer em silêncio, esta é a verdade para o Rito e deve ser seguida, se há Ritos que permitem a fala dos Aprendizes, tudo bem. Jamais devemos deixar de obedecer as normas e procedimentos ritualísticos.

O que não pode acontecer é confundir Silêncio com Sigilo ou Segredo. A todos os Maçons (independentes de Graus e Ritos) é obrigatório o Sigilo quanto ao conteúdo dos Rituais e a manutenção dos Segredos do Rito.

O silêncio é uma virtude aprendida na Maçonaria e que é usada não só nos trabalhos maçônicos, mas na vida profana. O Silêncio Maçônico é a discrição que conquista a confiança dos que nos rodeiam. Esta virtude nos remete ao VITRIOL para silenciosamente corrigirmos nossos defeitos e usar prudência e tolerância em relação aos defeitos dos outros.

Portanto, o propagado SILÊNCIO MAÇÔNICO nada mais é do que a profunda atenção que todos nós devemos ter antes de falar. Quem não conhece frases que comparam palavras com flechas? Após faladas ou lançadas, não há como interromper sua trajetória e ao encontrarem o alvo, o resultado é proporcional à intenção do “arqueiro”.

Há três curiosidades muito interessantes quanto ao Silêncio: Já houve ritos onde havia um Oficial responsável pela manutenção do silêncio durante os trabalhos, era o Mestre Silenciário; em outros ritos dão ao Aprendiz a alcunha de Silenciário e por fim na Roma antiga havia o culto à Deusa Lara ou Deusa do Silêncio.Os romanos prestavam exéquias a Ninfa do Lácio, que recusou-se a auxiliar Júpiter a capturar Juturna e contou a Juno as intenções de seu marido. Como castigo, Júpiter arrancou-lhe a língua.

O ícone maçônico que bem simboliza o Silêncio é a Trolha! Porque com ela recolhemos a fina massa que deve selar nossos lábios as imperfeições humanas.

Bom, se o tema desse artigo é o Silêncio Maçônico, acho que já falei demais. Boa semana a todos. A intenção deste pequeno artigo é despertar em você a vontade de saber um pouco mais sobre o assunto, fazer uma Prancha de Arquitetura e quando ela estiver pronta, levar para sua Loja enriquecendo nosso Quarto de Hora de Estudos.

Lembrem-se que todos nós, independente do Grau ou do Cargo, somos responsáveis pela qualidade das Sessões Maçônicas.

Autor: Sérgio Quirino Guimarães

O Início da Jornada

PREFÁCIO

Queridos irmãos,

Em vos iniciando em seus mistérios, a Franco-Maçonaria convida-vos a tornar-vos homens de elite, sábios ou pensadores elevados acima da massa dos seres que não pensam.

Não pensar é consentir em ser dominado, conduzido, dirigido e tratado, muitas vezes, como animal de carga.

É por suas faculdades intelectuais que o homem se distingue do bruto. – O pensamento torna-o livre: ele lhe dá o império do mundo. – Pensar é reinar!

Mas o pensador foi sempre uma exceção. Outrora, o homem tinha a possibilidade de entregar-se ao recolhimento, perdendo-se no sonho; em nossos dias, ele cai no excesso contrário. A luta pela vida absorve-o, a ponto de não lhe restar tempo algum para meditar com calma e cultivar a Arte Suprema do Pensamento.

Ora, esta Arte, – chamada a Grande Arte, a Arte Real ou a Arte por Excelência -, pertence à Franco-Maçonaria fazê-la reviver entre nós.

Oswald-Wirth

A CERIMÔNIA

Tenho ainda fresco na memória minha chegada ao Templo, acompanhado de meu Padrinho e das emoções que me envolviam por completo no dia da minha Iniciação.

A partir do instante em que a venda em mim foi colocada, outro mundo se abriu. Parece uma incongruência: como pode aquele que não mais vê enxergar para si um novo mundo?

Lembro-me da paz que tomou conta do meu ser ao ouvir a voz serena, daquele que se apresentou como meu guia, dizendo-me que nele poderia depositar toda minha confiança. Desse momento em diante os medos e os receios do mundo profano se foram, e iniciou-se uma busca pelo Conhecimento do meu próprio espírito maçom.

Mas ao ser despojado dos metais, lembrar-me de como vim ao mundo, ter ciência da minha ignorância, saber que nada sei, abriu-se então a porta ao espírito que desejava ser iniciado. Nem nu, nem vestido, caminhei para o início de uma nova vida. O nascimento de um novo homem em ideias e essência.

A prova da TERRA me levou às mais profundas reflexões sobre o meu “eu”. Encerrado naquela “caverna”, à luz de uma vela, escrevendo meu testamento, rodeado por símbolos ainda desconhecidos, meus pensamentos caminharam para minha família, esposa e filhos, e como eu estava só naquele momento.

Todas as outras VIAGENS realizadas são capítulos especiais de uma história especial, e acredito que cada irmão tem em si a sua lembrança, seus pensamentos, suas memórias e sentimentos daqueles momentos ímpares.

O fato de “se entregar” ao seu guia, e nele depositar toda sua confiança, sem se ter a mínima ideia de onde está, e pelo que irá passar, já é um ensinamento único, que nos faz crescer espiritualmente e como homens.

Quando “se fez a LUZ” nasci para um novo mundo, Meus olhos se encheram de lágrimas com a emoção que tomava conta do meu ser. Meu coração batia em ritmo frenético e a mente turbilhava em pensamentos. Olhava nos olhos de meus queridos novos irmãos e sentia no corpo a alegria por ser recebido por todos, e a alegria de todos em me receber.

 A JORNADA CONTINUA

Posso dizer a todos que tenho orgulho e prazer, inestimáveis, em fazer parte dessa Família. Passado já algum tempo da minha Iniciação, meu espírito está ainda em busca de constante aprimoramento e de conhecimento.

É sempre motivo de grande felicidade e de prazerosa emoção estar entre meus irmãos, e ter a oportunidade de receber seus ensinamentos.

“A ignorância é a mãe de todos os vícios, e seu princípio é: nada saber, saber mal o que saber e saber coisas além do que deve saber. Assim o ignorante não pode medir-se com o sábio, cujos princípios são a Tolerância, o Amor Fraternal e o Respeito a si mesmo.”

Autor: Luiz Marcelo Viegas
Membro da ARLS Pioneiros de Ibirité, Nº 273 – GLMMG
Mestre Maçom

Referências Bibliográficas:

Manual de Instruções Grau 1 REAA

O Livro do Aprendiz – Lepage, Marius

Somos pó e em pó nos tornaremos

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Faz parte de nosso comportamento humano o apego, quase irracional, aos bens materiais, principalmente àqueles que envidamos maiores esforços e para os quais sofremos um longo período de espera entre o desejo e a conquista.

Não é raro o mesmo comportamento nosso em relação às conquistas pessoais, seja no campo profissional, social e até mesmo financeiro; quando somos erigidos a qualquer condição que desnivela-nos para cima em relação a outros, por alguma distinção que nos coloque em patamares de “superioridade” tendemos ao mesmo apego que sempre nos norteou desde a infância, com relação às coisas materiais. Somos impulsionados, por forças quase imperceptíveis, a renegar pessoas e atitudes que outrora convivíamos e comungávamos na mais perfeita coerência e harmonia.

O quase “complexo” de ascensão que as efêmeras bajulações e as ilusórias vantagens nos oferecem ofuscam a nossa verdadeira personalidade levando-nos, de forma vertiginosa, à prática de atitudes incoerentes com aquilo que a nossa verdadeira força humana gostaria de ver realizado.

Quando Santo Agostinho inspirou-se para deixar-nos o célebre legado na sentença: “Eu prefiro os que me criticam porque me elevam aos que me elogiam, porque me corrompem”, certamente ele estava entrementes buscando explicação para este conflito existencial frente a nossa irracionalidade e incoerência como seres intitulados de humanos.

No tenso, atribulado e confuso dia de nossa iniciação na ordem, nas preparações exordiais levam-nos à sala de reflexões de nosso intra mundo, a qual de forma propositada e estratégica situa-se um nível abaixo do prédio onde a beleza e os adornos do luxo mundano nos serão apresentados horas após. Desvendados, atônitos e isolados, por mais que a ocasião e o tumulto da data festiva nos tenham excitado a mente e a vaidade por termos sido aceitos na grande ordem, naquele momento somos concitados interiormente pelas reais forças que deviam nos impulsionar invariavelmente; os símbolos e as descrições que não só nos alertam e nos advertem para a responsabilidade da missão que nos propusemos aceitar, mas também nos fazem despertar a consciência de nossa existência humana no contexto em que fomos inseridos na jornada da vida.

“Tu és pó e em pó te tornarás”; embora esta frase não seja recente e nem teve como signatário nenhum filósofo ou pensador carente de perdão Divina, nós a renegamos ou pelo menos não a abstraímos além de sua magnífica força expressiva. Esta frase milenar está grafada e é exposta na Sala de Reflexões, antes que façamos o nosso juramento de aceitação e ingresso na Ordem Maçônica, exatamente pela força que ela representa no ciclo nascimento vida e morte.

A expressão de que nós viemos do pó e a ele retornaremos não pode ser interpretada como desvalorização do ser humano, titular e ou detentor provisório daquela matéria, ao contrário, tal assertiva tem o condão de nos alertar para que não confundamos as glórias, as lisonjas, os cargos, as posições sociais e financeiras e nem as eventuais belezas que esta matéria esteja usufruindo ou exibindo, com a verdadeira missão que temos como verbos animadores desta personagem, no efêmero espetáculo de nossa representação no teatro da vida.

Quando foi instituída a prática de inumar os restos materiais daquele que teve a vida perecida, tal ato não foi em vão, pois devemos ter alerta sempre a consciência de que a morte terrena não representa o fim da vida e sim o renascimento, razão que inspirou, na integração do homem com a natureza, a inumação dos restos mortais como força simbólica de que a semente, originária da planta que secou e sucumbiu renascerá para nova vida.

Cabe-nos como maçons, rememorarmos sempre àquela advertência escrita e por nós vislumbrada nos momentos que antecederam nossa iniciação, para que tenhamos sempre alerta a nossa consciência de que nos policiemos diuturnamente em nossos atos e omissões e não nos deixemos nos embriagar com a vaidade das insígnias e distinções que a própria ordem nos oferece, nos desviando do propósito maior que é a nossa construção interior para que possamos verdadeiramente ser pedras uniformes na edificação do grande templo da humanidade.

Autor: Fernando Alves Viali
Loja Ciência e Trabalho, nº 30, oriente de Ituiutaba – MG

Fonte: GLMMG

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O Tronco dos Templários e a Maçonaria

Quando eu dava meus primeiros passos na Maçonaria, assisti a uma instrução na qual um Mestre, com mais de trinta e três anos e seiscentos costados de Ordem, ensinou o seguinte sobre o TRONCO DE SOLIDARIEDADE (ou de beneficência):

– Chama-se tronco porque os antigos Templários escondiam seus dinheiros em troncos de árvores!

Lembro-me bem ‒ foi possível ouvir, naquela ocasião, todos os Templários mortos novecentos anos atrás darem ruidosas voltas em suas sepulturas e chacoalharem armaduras contra suas espadas enferrujadas.

A boa-vontade daquele instrutor fora, sem dúvida alguma, subsidiada por uma forte dose de criatividade. Certamente ele tivera excelente educação de berço, mas faltou-lhe o conhecimento dos fatos ou a lembrança do que aprendera na escola formal. Não o censuro; pois, de qualquer forma, ele me pôs com a pulga atrás da orelha. Corri atrás da explicação correta (dizem que é péssimo hábito meu) e encontrei não o tesouro dos templários, mas o sentido da palavra “tronco”.

Tronco, em Maçonaria, apresenta duas interpretações, sendo a mais correta delas a que tem origem na língua francesa: tronc, aquela sacola (ou cofre) onde são depositadas as ofertas nas igrejas (Le tronc des pauvres, segundo o Robert Dictionnaire, pg. 1366). Tronc é também “le tronc d’un arbre” (o tronco de uma árvore); mas o bom senso nos faz optar pelo primeiro significado ‒ ESMOLA ‒ e não pelo temerário esconderijo de riquezas templárias, um tronco de pau podre no meio da floresta situada entre Bouy, Nuisement, Fresnoy e Beaulieu.

A segunda interpretação está no Dicionário Houaiss da língua portuguesa: tronco é a incumbência ou compromisso de alguém; um encargo, obrigação. Neste sentido, a esmola (o tronco dos órfãos e das viúvas) seria uma alusão ao compromisso de caridade para com aqueles que se tornam deserdados do sustento material. Esta é a derivação a que chamamos “sentido figurado”.

Tronco maçônico é também compromisso para com as causas sociais. Por exemplo: do meio ambiente depende o sustento material de uma nação.

Os textos maçônicos em português preservaram as duas modalidades: tronco de solidariedade e tronco de beneficência (ou bolsa de beneficência) que, se analisados, significam:

  • esmola de solidariedade ou esmola de beneficência (pleonásticos);
  • incumbência de solidariedade ou compromisso de beneficência, o que é mais condizente com o significado maçônico.

Citei este exemplo do tronco para:

  • tornar mais clara a necessidade de as instruções maçônicas serem aprimoradas e bem fundamentadas. O que for acrescentado no período de instrução ou quarto-de-hora de estudos tem que ser comprovado. É preferível apenas ler com correção o texto das instruções do que se aventurar em interpretações de improviso, no achismo e nos falsos cognatos (palavras normalmente derivadas de outras línguas, com grafia semelhante, mas que têm significados diferentes);
  • incentivar os maçons mais jovens a desenvolverem, paralelamente ao processo iniciático, estudos complementares que os auxiliem na compreensão dos Graus simbólicos. Como escola, a Maçonaria só pode ser útil à sociedade na medida em que os maçons ENTENDAM de Maçonaria.

Ninguém é obrigado a saber tudo ou ter vastos conhecimentos; no entanto, ninguém deveria, por isso mesmo, inventar sobre coisas que não sabe.

Da mesma forma, deve-se exigir a máxima cautela quanto às imaginativas e sonhadoras “relações” entre os textos da Maçonaria e outras disciplinas, sejam elas científicas, históricas, ou mesmo ocultistas (metafísicas e/ou exotéricas): cabala, hermetismo, magia, etc. e as derivações do judaísmo (Torá, Tanakh, Talmud, Sefer Yetzirah…) dos Vedas, do Mahabharata, do Zend Avesta e outros. Todo conhecimento é necessário, útil e complementa nossos estudos desde que precedido e fundamentado em estudo comprovado dessas áreas, para que não sejam induzidos em erro nossos Aprendizes e Companheiros.

“O conhecimento incompleto é mais perigoso do que a ignorância: pau é pau; toco é toco, tronco é tronco.”

Autor:  José Maurício Guimarães

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Pé Esquerdo & Maçonaria

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Ao contrário do que alguns podem pensar, esse é um costume muito antigo, de milênios, e não possui relação alguma com o azar.

As principais pinturas e esculturas de deuses e faraós egípcios mostram sempre o pé esquerdo à frente, enquanto as que ilustram pessoas comuns em situações do cotidiano mostram o pé direito. Trata-se de uma coincidência? Não. O passo com o pé esquerdo era considerado pelos egípcios como símbolo do “primeiro passo” para uma nova vida. Por isso, era com o pé esquerdo que o faraó dava seu primeiro passo após sua posse. Também por isso que as escadas eram feitas com degraus em número ímpar, de forma a ser possível iniciar e encerrar a subida com o pé esquerdo. Essa tradição foi herdada posteriormente pelos gregos, como também se pode ver estampada em sua arte.

Por que o esquerdo, e não o direito?

Os egípcios acreditavam que o lado esquerdo era o lado espiritual, enquanto que o lado direito era o lado material. Por esse motivo, as coisas tidas como sagradas eram feitas com o pé e mão esquerda.

Esse simbolismo do primeiro passo, um passo espiritual para uma nova vida, continuou sendo observado nas instituições tradicionais, principalmente em suas cerimônias de iniciação, incluindo a Maçonaria.

“Rompendo a Marcha”

O costume também foi incorporado pelos antigos exércitos, que davam o primeiro passo de suas marchas com o pé esquerdo como um sinal de sorte para a batalha. Com o tempo, o costume se tornou regra, mas perdeu sua simbologia. Daí então, as famosas “Lojas Militares”, responsáveis pelo surgimento das primeiras Lojas Maçônicas nas então “Colônias”, acostumados ao primeiro passo esquerdo não somente em Loja, mas também fora dela, incorporaram às suas Lojas a prática e o termo militar “romper a marcha com o pé esquerdo”.

Foi assim também que o maçom, que tinha “passos”, passou a ter “marchas”.

Autor: Kennyo Ismail

Fonte: No Esquadro

Por que os Aprendizes se sentam no Norte?

Com exceção do Rito Brasileiro, que inverteu as posições do R∴E∴A∴A∴, os Aprendizes se sentam na Coluna do Norte em todos os demais Ritos. Nos ritos de origem francesa (Escocês, Moderno e Adonhiramita), eles se sentam na última fila do Norte, enquanto que nos ritos de origem que podemos chamar de “anglo-saxônica” (Shroeder, York e rituais do Reino Unido como o de Emulação), eles se sentam na primeira fila do Norte.

Qual é o motivo para os Aprendizes se sentarem no Norte? Essa é uma pergunta muito comum em Loja e que costuma receber as mais variadas respostas, algumas totalmente sem nexo:

  • “Porque a pedra bruta está no lado ocidental do norte, e o Aprendiz é uma pedra bruta”.
  • “Porque o Aprendiz precisa ficar na Coluna da Força para ganhar força para o trabalho”.
  • “Porque o Aprendiz tem que ficar perto do Primeiro Vigilante, que o instrui”.
  • “Porque o Aprendiz tem que ficar de frente para o Segundo Vigilante, que é quem deve instruí-lo”.

Estas afirmações chamam a atenção para um outro ponto:

De onde tiraram que os Vigilantes são os responsáveis por instruir os Aprendizes e Companheiros? Existe alguma fala na Abertura e Encerramento dos trabalhos em que os Vigilantes assumem essa responsabilidade? As instruções obrigatórias desses graus, que constam nos Rituais, são feitas pelos Vigilantes?

Respostas: Não. Apenas em algumas das cerimônias inventadas de posse e nos Estatutos modernos das Obediências é que os Vigilantes “ganharam” essa responsabilidade. As instruções para Aprendizes e Companheiros não são presididas pelos Vigilantes. Elas são presididas pelo Venerável Mestre e apenas contam com a participação dos Vigilantes, assim como contam com outros Oficiais da Loja.

Você pode estar se perguntando agora: Então, por que diabos os Vigilantes são considerados responsáveis pela instrução de Aprendizes e Companheiros?

Simplesmente criou-se esse “hábito” por conta da equivocada interpretação de que os Vigilantes “governam” as colunas onde os Aprendizes e Companheiros estão sentados, então deveriam ser responsáveis por eles.

Os Vigilantes não são ritualisticamente os responsáveis pela formação dos Aprendizes e Companheiros, independente de ser o 1º Vigilante para os Aprendizes e o 2º Vigilante para os Companheiros, ou vice-versa. Na verdade, os Oficiais da Loja são responsáveis por instruir Aprendizes e Companheiros conforme as instruções do Ritual, e sob comando do Venerável Mestre. É dever ritualístico do Venerável Mestre, que é o Mestre da Loja, definir se eles estão preparados para subir mais um degrau. Isso não deveria ser responsabilidade dos Vigilantes, apesar de se terem criado esse costume e legislado em favor disso. As dúvidas que um Aprendiz ou Companheiro por ventura possa ter deveriam ser sanadas pelo seu padrinho, o Mestre Maçom responsável pelo seu ingresso na Loja. É para isso que servem padrinhos, para garantir a formação de seus afilhados!

Enfim, com base nessas observações, verifica-se que as respostas dadas sobre o Aprendiz no Norte que são relacionadas à instrução dos Vigilantes não correspondem com a verdade.

Quanto à reposta de que o Aprendiz fica na Coluna da Força para ganhar força para o trabalho, isso é uma ofensa para a inteligência de cada maçom. Substituiremos o maço e o cinzel por alteres, se assim for! O efeito será melhor para tal simbologia!

Já a afirmação de estar relacionado com a posição da pedra bruta em Loja também é ilógica. Afinal de contas, em alguns ritos a pedra bruta não fica na Coluna do Norte, enquanto que Aprendizes permanecem lá! Então, qual é o motivo?

É simples. A Loja possui 03 Luzes que a governam: Venerável Mestre, Primeiro Vigilante e Segundo Vigilante. Essas 03 Luzes ficam localizadas em 03 lados do templo: Oriente (VM), Ocidente (1º Vig) e Sul (2º Vig). Ora, o templo possui 04 lados, então um não possui Luz: o Norte! Por esse motivo, a Coluna do Norte é considerada o “lado escuro do templo”.

O Aprendiz até pouco tempo atrás era um candidato na escuridão, desejoso de receber a Luz. Seu lugar é no lado mais escuro do templo onde, simbolicamente, sua visão poderá se acostumar com a Luz que lhe é dada aos poucos. O Aprendiz está no hemisfério norte, enquanto o Sol está fazendo seu giro do Oriente para o Ocidente inclinado ao Sul, o que indica que o Aprendiz está no inverno do hemisfério norte, quando as noites são maiores que os dias, ou seja, a escuridão ainda prevalece sobre a luz do dia.

Isto está muito bem registrado nas instruções dos rituais mais antigos, mas se perdeu na evolução de muitos ritos e na constante “revisão” que quase todos sofrem constantemente.

Autor: Kennyo Ismail

Fonte: No Esquadro

Nota do Blog

Sobre este tema, o blog recomenda também a leitura do artigo O Simbolismo da Pedra Angular, que você pode acessar clicando AQUI

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Quem foi James Anderson?

Nada predispunha o Reverendo James Anderson (1679-1739) a se tornar o mais famoso entre os maçons modernos; especialmente não a publicação em 1732 de sua obra-prima: Genealogias reais, ou Tabelas genealógicas de imperadores, reis e príncipes, desde Adão até os dias atuais. Mas  o  acaso quis que ele fosse um dia escrever as “Constituições” de uma associação que, no entanto, tinha muito poucos membros.

Nascido em Aberdeen de um pai vidraceiro (e Maçom aceito na loja operativa local) James Anderson fez os estudos necessária para a ordenação na Igreja da Escócia; mas foi em uma velha paróquia huguenote, em Londres, que ele se tornou, na década de 1710, um pastor presbiteriano. Não está claro até hoje, se em 1717 ele foi um dos maçons aceitos que contribuíram para a formação da Grande Loja de Londres; temos, por vezes, sugerido que ele poderia ter sido iniciado na Escócia, antes de se mudar para Londres.

O caminho para a fama, no entanto, abriu-se para ele em setembro de 1721, quando, durante uma assembleia geral realizada na presença de oficiais e membros de dezesseis lojas “erros foram revelados nas antigas Constituições Góticas”, ele foi convidado a “realizar as correções necessárias em uma nova e melhor apresentação”. Três meses depois, quatorze irmãos “educados” foram nomeados para examinar o manuscrito do irmão Anderson.

Em 25 de marco de 1722, durante uma nova sessão da Grande Loja, a História, os Deveres, os Regulamentos e os Cantos de Mestre foram aprovados com algumas alterações  “ao que a [Grande] Loja pediu ao Grão-Mestre que mandasse imprimir”.

Assim, em 17 de janeiro de 1723, na taverna King’s Arms, dois eventos memoráveis aconteceram: a adesão de Philip, primeiro duque de Wharton ao grão-mestrado de Londres e a apresentação do novo Livro das Constituições.

Nesse dia especial, “A Maçonaria conhecendo a harmonia, a fama e o nome, muitos nobres e cavalheiros de alta linhagem pediram para serem admitidos na Fraternidade, assim como outros homens esclarecidos, comerciantes, membros do clero e trabalhadores, que encontraram na Loja um lugar de relaxamento agradável, longe do estudo, dos negócios e da política”, escreveu Anderson na segunda edição de sua obra, publicada em 1739, ou seja, no mesmo ano em que ocorreu sua morte.

Note-se que neste mesmo 17 de janeiro de 1723, James Anderson, que havia anteriormente ocupado as funções de Mestre de Loja foi nomeado para o ano em curso Grande Vigilante da Grande Loja de Londres.

Muitas vezes, nos é perguntado por que motivo ele tinha sido convidado, e não outro Irmão, a elaborar as novas Constituições da Ordem. David Stevenson, autor de um estudo sobre o homem, apresenta a ideia de que a escolha teria resultado de uma viagem de John Desaguiliers, um membro influente da Maçonaria londrina a Edimburgo e sua descoberta da Maçonaria Operativa escocesa. Anderson sendo de ascendência escocesa e nascido de pai maçom (além disso, antigo Secretário e Mestre de Loja) teria sido considerado mais qualificado do que qualquer outro para ser promovido a historiador e legislador.

A vida maçônica de James Anderson, no entanto, permanece obscura até hoje. Ignora-se quais atividades específicas ele pode implantar, quais lojas ele pode frequentar; registra-se que pertencia em 1723 à Loja do Chifre, e em 1735 da Loja Francesa, e sua presença em algumas assembleias de Grande Loja, mas isso é tudo…

De sua vida secular, conhecemos pouco fatos precisos. Anderson se casou com uma viúva rica de Londres, que lhe deu um filho e uma filha, mas viveu pobremente  devido ao maus negócios ocorridos na década de 1720. Ele fez, como  pastor, alguns sermões que lhe valeram duras críticas, e foi obrigado a mudar de paróquia em 1734, depois de desentendimentos com alguns paroquianos. Em 1731, ele recebeu também do Colégio Marischal, de Aberdeen, um diploma de doutor em teologia.

No ano seguinte, Anderson, cujas primeiras Constituições tinham sido esgotadas, propôs à Grande Loja de Londres, voltando da Inglaterra, uma nova edição, revista e ampliada. Se a primeira consistia de apenas 91 páginas, a segunda teve em sua publicação cerca de  231 – incluindo o nome do autor, acompanhado pelas iniciais D. D. para esclarecer suas credenciais acadêmicas…

Enquanto isso, Anderson tinha dedicado seus talentos literários à elaboração de sua obra sobre as genealogias reais, bem como outros textos como a Unidade na Trindade (1733), Defesa da Maçonaria (1738) – da qual nada há a dizer – Notícias do Eliseu (1739) e História da Casa de Yvery (1742).

James Anderson morreu no final de maio 1739. De acordo com o jormal The Daily Post, datada de 02 de junho:

Ontem à noite, foi enterrado em uma cova anormalmente profunda, o corpo do Dr. Anderson, pastor não conformista. […] Ele foi seguido por uma dúzia de maçons que cercaram a sepultura. […] Os irmãos, exibindo grande tristeza, levantaram as mãos, sinalizaram e golpearam três vezes os seus aventais em honra do falecido.

Assim viveu e morreu o autor do Livro das Constituições, o verdadeiro documento de fundação da Maçonaria especulativa moderna.

Autor: Guy Chassagnard
Tradução: José Filardo

Fonte: REVISTA BIBLIOT3CA

Maçonaria protesta contra a corrupção nas ruas de BH

Os maçons caminharam da sede da Grande Loja Maçônica, na Avenida Brasil, até a estátua de Tiradentes, na esquina com a Avenida Afonso Pena.

Maçons de todo o país foram às ruas neste sábado para lançar um projeto de lei, que pretendem apresentar como de iniciativa popular. Em Belo Horizonte, cerca de 600 maçons, vestidos de terno e gravatas pretas, caminharam da sede da loja maçônica, na Avenida Brasil, no bairro Santa Efigênia, até a estátua de Tiradentes na esquina com Avenida Afonso Pena. O grão-mestre da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, o médico Leonel Ricardo de Andrade, explica que o ato marcou o início da coleta de assinaturas para o projeto de lei e também foi um protesto contra a corrupção.


“Queremos que a corrupção seja considerada crime hediondo e que as penas possam ser revistas para que os recursos públicos desviados sejam ressarcidos”, explica o objetivo do projeto o grão-mestre. Para ser apresentado como lei no Congresso, o projeto precisa de 1,5 milhão de assinaturas que corresponde a 1% do eleitorado do país.


O autor é coronel aposentado da Polícia Militar, José Eduardo da Silva, maçom de Barbacena. Silva explica que para ser aceito como projeto de lei sua ideia tem ainda que conseguir adesão de pelo menos 0,3% do eleitorado de cinco estados, o que visa evitar a concentração de coletas em poucas localidades. “Quem mata alguém pode pegar de seis a 30 anos de prisão, enquanto a corrupção prevê pena de dois a seis anos. Um corrupto que tira dinheiro de um hospital é responsável pela morte de muitas pessoas”, entende Silva. Existem 27 lojas maçônicas no país e elas vão coordenar a coleta de assinaturas.


Durante a caminhada na Avenida Brasil os maçons carregavam cartazes com os dizeres “Fora corruptos. Salve o Brasil”, “O meu partido é meu país”, “Justiça e punição severa para para corruptos” e “Corrupção nunca mais”. Ao chegarem em frente a estátua de Tiradentes, os maçons cantaram o hino nacional e deixaram uma coroa de flores na base da estátua. De acordo com Leonel, Tiradentes representa o movimento libertários dos inconfidentes que rebelou contra a cobrança de impostos (o quinto do ouro), além de pertencer a maçonaria.

Equinócio de Outono

Para compreendermos melhor a importância do evento para a Maçonaria, o blog postou dois textos sobre o tema: 

Equinócio de Outono

Por: Ubaldo Santos

A palavra equinócio vem do latim, aequus (igual) e nox (noite), e significa “noites iguais”, ocasiões em que o dia e a noite duram o mesmo tempo, ou seja, durante os equinócios o dia e a noite tem igualmente 12 horas de duração.

Equinócio é um fenômeno astrológico definido como o instante em que o Sol em sua órbita aparente (como vista da terra), cruza o plano do equador celeste (a linha do equador terrestre projetada na esfera celeste) em sua marcha do sul para o norte e do norte para o sul. Mais precisamente é o ponto em que a eclíptica cruza o equador celeste. Caracteriza-se pela distribuição igual da luz solar nos dois hemisférios, pois é quando os raios solares incidem perpendicularmente sobre eles e diretamente sobre o equador. Isto ocorre duas vezes por ano. Numa dessas vezes, a órbita aparente do sol corta a linha do equador do sul para o norte. Os equinócios ocorrem nos meses de março e setembro quando definem mudanças de estação. Em março, o equinócio marca o inicio da primavera no hemisfério norte como na Europa, Estados Unidos e do outono no hemisfério sul como no Brasil, Argentina, Austrália, Nova Zelândia.

Mas por que celebramos os equinócios e os solstícios e quais suas relações com a maçonaria?

O homem primitivo distinguia a diferença entre duas épocas: uma de frio e outra de calor que eram atribuídas a ação do sol. Graças a isso surgiram os cultos solares, sendo o Sol proclamado fonte da vida, com influencia marcante sobre todas as religiões e crenças da época, pois o Sol na sua trajetória aparente determina a mudança das estações climáticas, nos equinócios e nos solstícios, quando a natureza passa por formidáveis transformações. Por este fato as religiões de então consideravam os dias de equinócios e solstícios como dias mágicos em virtude das transformações da natureza nestes dias.

E assim os antigos povos realizavam rituais a cada mudança de ciclo da natureza sempre com um grande significado esotérico e místico, pois acreditavam em bênçãos divinas que decorriam principalmente do Equinócio de Outono, quando depositavam as maiores esperanças na concretização dos mais puros desejos para o homem, as bênçãos do equilíbrio, da equidade e da justiça.

Nossos precursores, os membros das organizações de ofício, também realizavam essas celebrações, as quais chegaram à maçonaria operativa, e desde a instituição da maçonaria especulativa, os maçons continuaram a celebrar as festas equinociais e as solsticiais, reconhecendo o simbolismo e misticismo delas.

Diversas são as relações do equinócio de outono. Segundo a astrologia o ano realmente começa quando o sol, na sua trajetória anual, encontra-se no grau zero de Áries. É o equinócio de outono no Hemisfério Sul (Brasil), e de primavera no Hemisfério Norte, 21 de março.

No Cristianismo, todo o calendário baseia-se no equinócio. A Páscoa, por exemplo, ocorrerá no 1º domingo de lua cheia após o equinócio de outono (Brasil), nunca devendo ser antes do dia 22 de março e nunca após o dia 25 de abril.

A tradição diz que o Ano Maçônico no hemisfério sul inicia-se no equinócio de outono que hoje celebramos, mais precisamente no dia 21 de março, quando o Sol ingressando no primeiro signo do Zodíaco, Áries, inicia um novo ciclo e que a Abóboda Estelada do teto da Loja, representa o céu durante o equinócio da primavera no hemisfério norte no dia 21 de março.

Todos nós já ouvimos falar de Verdadeira Luz – VL- época em que começa a contar a era maçônica. Mas como definir a data da VL? Para tanto a maçonaria adotou o calendário do Rito Adonhiramita que se inicia no dia 21 de março, equinócio da primavera no hemisfério norte, juntando 4.000 anos aos da EV. Na elaboração das pranchas é costume constar a data da EV e ainda, se, se, desejar, a data da VL, que se obtém acrescentando 4.000 ao ano do calendário Gregoriano que desejamos. Por exemplo, hoje são 23 de março de 2013 da EV e 6013 da VL.

Muito ainda poder-se-ia dizer sobre este fenômeno astrológico que para nós maçons contem relevantes ensinamentos esotéricos. Aos irmãos que desejarem conhecer mais sobre as festas da maçonaria, existe vasta literatura escrita por respeitáveis maçonólogos. Esperamos, no entanto, que com estas poucas informações possamos perceber as inter-relações e influencia dos corpos celestes sobre a vida em geral e o comportamento dos homens em particular e, saibamos entender por que a GLEB, ou seja, a maçonaria celebra e comemora, anualmente, os equinócios e os solstícios.

E, por fim, que consigamos, todos nós, inspirados no significado e simbolismo do equinócio de outono, demonstrar por palavras e pelo exemplo, que a Maçonaria e os Maçons no mundo de hoje, estejam onde estiverem, sejam quais forem as condições ou situações, continuem sendo, como sempre foram, instrumentos de paz, de equilíbrio, de tolerância, de libertação e principalmente de transformação social.

Equinócio de Outono

Por: Sérgio Quirino Guimarães

Apenas duas vezes por ano o dia tem 12 horas de luz e a noite 12 horas de escuridão; daí o significado da palavra equinócio, do Latim, aequus (igual) e nox (noite). A medição se faz quando na alvorada a metade do disco solar está acima da linha do horizonte e no crepúsculo a metade do sol está abaixo.

Façamos um exercício de interpretação: se equinócio (aeguusnox) quer dizer noites iguais, também posso entender como “dias iguais”? Teremos o dia igual à noite ou a noite igual ao dia? Luz após Trevas ou Trevas após Luz? O Pavimento Mosaico é constituído de peças brancas intercaladas por peças pretas ou é constituído de peças pretas intercaladas por peças brancas? Ou será que é a diferença que valoriza a igualdade? Em quantos outros aspectos maçônicos podemos trabalhar com o simbolismo da igualdade diferenciada e complementativa? MUUUIIIIITTTTTTTOS !

Por isto compreender o que seja um equinócio é muito importante, mais ainda se estudarmos o simbolismo do Outono. Esta estação sucede o calor, a forte claridade e todos os sentimentos e emoções do Verão, mas antecede o frio, a penumbra e o silêncio do Inverno.

É a hora de se estabilizar, diminuir o ritmo, preparar-se para momentos difíceis; é fazer como as árvores, jogar no chão as “velhas folhas”, firmar bem as raízes, preparar seu interior para outros ciclos e deixar algo para o planeta (frutos). Há uma frase do Dalai Lama que podemos refletir sobre o ápice da vida (verão), sua decadência (inverno) e sua estabilidade (outono), vejamos: “Uma árvore em flor fica despida no outono. A beleza transforma-se em feiura, a juventude em velhice e o erro em virtude. Nada fica sempre igual e nada existe realmente.

Portanto, as aparências e o vazio existem simultaneamente”” Tanto o Equinócio quanto o Outono devem ser celebrados pelos Maçons e quem já passou dos 40 anos sabe que assim como na natureza sua vida passou e passará por “redução de chuvas” ($$$), “mudanças bruscas de tempo” (humor) e “nevoeiros” (decepções), mas apesar disso tudo jamais deixamos de frutificar. A palavra Outono vem do latim autumnus que pode ser usada no sentido de “crescer”.

Que tenhamos um dia igual à uma noite ou que usemos o conhecimento de nossas virtudes e vícios para crescer.

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Quem foi William Schaw?

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William Schaw (C. 1550-1602) foi Mestre de Obras de James VI da Escócia para a construção de castelos e palácios, e se reivindica ter sido uma figura importante no desenvolvimento da Maçonaria .
 
Biografia
 
William Schaw era o segundo filho de John Schaw de Broich, e neto de Sir James Schaw de  Sauchie . Broich agora é chamada Arngomery , um lugar em  Kippen , Stirlingshire. A família Schaw tinha ligações com a Corte Real, principalmente por ser guardiães da adega de vinho do Rei. A família Broich esteve envolvida em um escândalo em 1560, quando John Schaw foi acusado de assassinar o servo de outro latifundiário. O pai de William foi denunciado como um rebelde e seus bens confiscados quando ele e sua família não compareceram ao tribunal, mas a família logo foi absolvida. Nesta época, William pode ter sido um pagem na corte de  Maria de Guise , pois uma página com esse nome recebeu uma cobertura de pano preto de luto quando  Maria de Guise  morreu. William, o pagem, teria estado no  Castelo de Edimburgo  com corte do Regente durante o  cerco de Leith, enquanto o Mestre de Obras,  William MacDowall , estava fortalecendo as defesas do castelo. 
 
William aparece pela primeira vez por sua própria conta nos registros em 1580, quando foi listado por um informante inglês na corte real como o “guardião do relógio” entre seguidores de favorito do rei  Esmé Stewart, 1 º Duque de Lennox . Ele assinou a confissão negativa pela qual os cortesãos juravam lealdade à  Reforma. Em 11 de abril 1581, foi-lhe dado um presente valioso de direitos sobre as terras em Kippen pertencentes aos Grahams de Fintry. Em maio de 1583, William Schaw estava em Paris por ocasião da morte do exilado Esmé Stewart e dizia-se que ele trouxe o coração de Esmé de volta para a Escócia. 
 
Grão Mestre de Obras
 
Em 21 de dezembro 1583, James VI nomeou-o principal Mestre de Obras vitalício na Escócia, com a responsabilidade por todos os castelos e palácios reais. Schaw já tinha sido pago a primeira parcela do seu salário de £ 166-13-4 como “Grete Mr of wark in place of Sr Rbt Drummond”, em Novembro. A substituição do titular Robert Drummond de Carnock  por Schaw, conhecido como um  Católico, pode ter sido uma reação à  Ruthven Raid que tinha removido Lennox do poder.  Pelos termos de sua nomeação, Schaw pelo resto de sua vida deveria ser Grit maister of wark of all and sindrie his hienes palaceis, biggingis and reparationis, – and greit oversear, directour and commander of quhatsumevir police devysit or to be devysit for our soverane lordis behuif and plessur.’ em português: ‘Grão mestre de obras de todos e diversos palácios de sua alteza, construindo e reparando edifícios – e grande supervisor, diretor e comandante de quaisquer políticas concebida ou a ser concebida em nome de nosso Senhor e seu prazer.”
Em novembro de 1583, Schaw viajou em uma viagem diplomática à França com Lord Seton  e seu filho  Alexander Seton, um colega católico com um interesse em arquitetura. A família Seton permaneceu fieis partidários de Mary, Rainha da Escócia  que foi exilada na Inglaterra. Schaw voltou no inverno de 1584, e envolveu-se em trabalhos de construção para a família Seton. Em 1585 ele foi um dos três cortesãos que entretiveram os embaixadores dinamarqueses que visitavam a corte escocesa em Dunfermline  e  St. Andrews. Em 1588, Schaw estava entre um grupo de católicos intimados a comparecer diante do Presbitério de Edinburgh, e agentes ingleses o denunciaram como suspeito de ser  Jesuíta, e cultivar visões anti-inglesas durante os anos 1590. Em maio de 1596 um jornal inglês listando motivos para suspeitar de que o próprio James VI seria católico romano, incluiu a nomeação de católicos conhecidos para ofícios domésticos, citando Schaw como “Praefectum Architecturae,” seu amigo Alexander Seton como Presidente do Conselho, e Lord Hume como guarda costas do Rei. Nessa época ele tinha adquirido o baronato de Sauchie.
 
Servidor da Rainha Anne
 
Em 1589, ele estava entre os cortesãos que acompanharam James VI à Dinamarca para buscar sua nova rainha Anne da Dinamarca. Ele retornou no início de 1590, à frente do restante do grupo para se preparar para seu retorno subsequente. Ele se ocupou reformando o  Palácio de Holyrood  e o Palácio de Dunfermline que tinha sido designado para a rainha. Ele também foi o responsável pela elaborada cerimônia festejando sua chegada a Leith, e ele, posteriormente, tornou-se mestre de cerimônias da corte.
 
Em 1593, ele foi nomeado Camareiro da Senhoria de Dunfermline, que era um oficio doméstico da rainha Anne, onde trabalhou em estreita colaboração com Alexander Seton e  William Fowler. James VI construiu uma nova Capela Real  no castelo de Stirling em 1594, que não tem associação documentada com Schaw, mas provavelmente foi construída sob sua direção. O edifício italianizado foi usado para o batismo do filho de James. A Rainha deu-lhe um distintivo de chapéu em forma de uma salamandra dourada no Ano Novo de 1594-5. O emblema foi fornecido pelo joalheiro Thomas Foulis. Em março de 1598 foi encarregado de proporcionar ao irmão da rainha,  Ulrik, Duque de Holstein uma turnê pela Escócia com o filho de Esmé, Ludovic, Duque de Lennox , levando-o a Fife, Dundee,  Castelo de Stirling  e, em uma viagem até  Bass Rock
 
Em 8 de julho de 1601, James VI enviou William para consultar o Mestre John Gordon sobre a construção de um monumento ao resgate do rei da conspiração de Gowrie House  no ano anterior. James VI escreveu a Gordon que William iria “conferre with yow thairanent, that ye maye agree upon the forme, devyse, and superscrptionis”. 
 
Família e rivalidade
 
Sua sobrinha casou-se com Robert Mowbray, neto do  tesoureiro  Robert Barton, e depois de sua morte, ela se casou com  James Colville de East Wemyss  em 1601, o que causou uma briga de família entre Francis Mowbray, irmão de Robert, e Schaw e Colville. Mowbray, um antigo agente inglês, feriu Schaw com um florete em uma briga e foi posteriormente preso por conspirar contra o rei, e morreu após uma tentativa de fuga do Castelo de Edimburgo. Outra sobrinha, Elizabeth Schaw de Broich, casou-se com John Murray de  Lochmaben  que se tornou Conde de Annandale.
 
Schaw morreu em 1602. Ele foi sucedido como Mestre de Obras do Rei por David Cunninghame of Robertland. Seu túmulo na Abadia de Dunfermline foi construído à custa de seu amigo Alexander Seton e da Rainha Anne, e sobrevive com uma longa inscrição em latim recordando as habilidades e realizações intelectuais de Schaw. A inscrição no túmulo continua a ser a mais valiosa fonte de informações biográficas, e foi composta por Alexander Seton. Traduzida lê-se:
 
Esta estrutura de pedras humilde cobre um homem de excelente habilidade, probidade notável, integridade singular de vida, adornada com a maior das virtudes – William Schaw, Mestre de Obras do Rei, Presidente das cerimônias sagradas, e Camareiro da Rainha. Ele morreu em 18 de abril de 1602.
 
Entre os vivos ele habitou por cinquenta e dois anos; viajou na França e em muitos outros Reinos, para o aperfeiçoamento de sua mente; não lhe faltava nenhuma formação liberal; era muito hábil em arquitetura; foi cedo recomendado a grandes pessoas pelos dons singulares de sua mente; e não só era incansável e infatigável no trabalho e negócios, mas constantemente ativo e vigoroso, e foi mais caro a cada homem bom que o conheceu. Ele nasceu para fazer boas obras, e, assim, ganhar os corações dos homens; agora vive eternamente com Deus.
 
A Rainha Anne ordenou este monumento fosse erigido à memória deste mais excelente e mais reto homem, para que as suas virtudes, dignas de louvor eterno, não desaparecessem com a morte de seu corpo. ”
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