Os Stuarts & o Rito Escocês

James VI era rei da Escócia em 1601 quando, com 35 anos de idade, foi iniciado na maçonaria escocesa, na Loja  “Perth and Scone”. É o 1º imperador que se tem notícia da iniciação na Maçonaria. Dois anos após sua iniciação, ele assumiu também o trono da Inglaterra e Irlanda, passando a ser para esses “James I”, (por isso muitas vezes mencionado como James VI & I), e iniciando assim a era “stuartista”. A partir daí, todos os homens da família e nobres de sua corte tradicionalmente ingressavam na Maçonaria.

Em 1715, os Stuarts foram exilados na França, mais precisamente em Bar le Duc. Nesse mesmo ano, James Radclyffe, Conde e melhor amigo do pretendente ao trono, James III, “The Old Pretender”, acompanhado de seu irmão Charles Radclyffe, ambos fiéis declarados à causa Stuart, retornaram à Escócia para participarem de uma rebelião. A rebelião fracassou e ambos foram presos, sendo que o Conde James Radclyffe foi executado e Charles Radclyffe conseguiu fugir e retornar à França.

Dez anos depois, Charles Radclyffe, então secretário do Príncipe Charles Edward Stuart, conhecido como “The Young Pretender”, na França, e atendendo o desejo do príncipe e de sua corte, funda a 1ª Loja Maçônica “escocesa” em território francês. Através de sua liderança, as Lojas conhecidas como “escocesas” rapidamente se proliferam na França.

Vinte anos depois, em 1745, apoiando uma frustrada tentativa dos Stuarts de retomada do trono da Inglaterra, o Conde Charles Raclyffe é capturado e executado em Londres. Porém, sua iniciativa maçônica foi o embrião do que hoje conhecemos como Rito Escocês Antigo e Aceito.

Guarde esse nome: Charles Radclyffe, o verdadeiro precursor do que, em 1801, se tornaria o Rito Escocês Antigo e Aceito.

Autor: Kennyo Ismail

O que é Maçonaria?

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Nos últimos anos, com a intensificação da comunicação e compartilhamento de textos na internet, em revistas e programas de televisão, o interesse da comunidade pelos assuntos da Maçonaria aumentou. Frequentemente, pessoas não pertencentes à Ordem desejam saber mais sobre a mesma e leem alguns livros, pesquisam em sites especializados, assistem a reportagens do Discovery, National Geographic e History Channel, sem obterem uma resposta satisfatória sobre o que é a Maçonaria e qual a sua finalidade.

Isso me faz lembrar o “eterno dilema das definições” e aquele fato jocoso – repetido por mil articulistas (sem citarem a fonte) – sobre a pergunta feita ao professor de Filosofia, Jules Lachelier. A narrativa tem origem na introdução do Curso Moderno de Filosofia de Denis Huisman e André Vergez: por ocasião de sua aula inaugural em Toulouse, ao ser perguntado sobre “o que é a Filosofia“, Jules Lachelier, para estupefação dos seus alunos, respondeu com apenas duas palavras: “não sei“.

Huisman e Vergez contam que toda a cidade de Toulouse zombou do brilhante professor vindo de Paris, que nem sequer sabia o que era a disciplina que estava encarregado de ensinar. Entretanto, a resposta de Lachelier teve um sentido profundo, ou seja – a Filosofia não é matéria de conhecimento. Noutras disciplinas existe algo para ser ministrado de modo racional – seja numa sequência lógica de proposições e teoremas (como no caso da Matemática) ou no conjunto de fatos e fenômenos físicos e biológicos. Mas, a Filosofia requer do pensador uma maneira própria de ver e tentar explicar a realidade, isto é: uma orientação cognitiva (visão de mundo) que abranja seus valores existenciais e normativos, suas emoções e sua ética.

Caso semelhante se dá com a Maçonaria que também não obteve, até os dias de hoje, uma definição unânime por parte das inteligências mais privilegiadas da humanidade. Se alguém, não iniciado em nossos mistérios, perguntasse “o que é Maçonaria?“, nem os mais destacados iniciados de nossa Ordem assumiriam a responsabilidade de defini-la. Para a estupefação de nossos interlocutores, seríamos obrigados a responder apenas com aquelas palavras mágicas de Lachelier: “não sei“.

Só os detratores da Maçonaria têm definições preparadas, na ponta da língua,  como ferramenta ou arma de ocasião, do tipo “cento e quarenta e três respostas sobre tudo o que você sempre quis saber sobre maçonaria mas tinha vergonha de perguntar“. Nós maçons não pretendemos responder ao universo de perguntas sobre nossa Ordem porque somos eternos questionadores dos fatos sociais, filosóficos e culturais que interessam ao bem-estar da humanidade. Nossa Ordem é dinâmica e, apesar das leis centenárias que a regem, muda constantemente de acordo com a evolução do pensamento humano e seus anseios mais íntimos. Por isso um candidato à iniciação Maçônica nada pode saber sobre nossa Ordem. Apenas espera-se que ele venha a descobrir alguma coisa ao percorrer os graus aos quais tiver acesso durante sua vida na organização.

Os dicionários, as enciclopédias, os sites da internet, livros e programas de televisão, somente darão a entender, sem clareza, que Maçonaria é “uma sociedade cujo objetivo principal é desenvolver o relacionamento fraterno, a filantropia e outras particularidades de que somente os maçons têm conhecimento“. Por esta e muitas outras razões, pode-se dizer que a Maçonaria é apenas semelhante a uma escola no sentido comum da palavra.

O estudo da origem e evolução da palavra Maçonaria nos remete ao ofício de alvanel (aquele que trabalha com pedra – “mason” em inglês ou “maçon” em francês, cujo significado é pedreiro). Esta explicação, apesar de fornecer uma ideia do nosso simbolismo e da atividade de construtores à qual nos empenhamos, não define “o que é a Maçonaria“, mas fornece uma analogia entre alguns de nossos métodos especulativos com o ofício operativo de quem lavra a pedra irregular para assentá-la à regularidade de uma construção. A pedra é o homem; a construção é a sociedade.

O simbolismo é parte desse sistema que consiste na prática de lançar juntas (syn+bálein) duas coisas que, por analogia ou relação de semelhança, despertam a compreensão de outra realidade: “pedra-homem”; “edifício-sociedade”. Este aspecto da “técnica” maçônica – progredindo do senso comum para o senso crítico – distingue nossa atividade da especulação religiosa e do sectarismo político. A nenhum maçom, todavia, é imposto abandonar suas convicções religiosas nem abandonar o ideário político que tenha abraçado. Todavia, aprendemos a nos deslocar do senso comum (o conhecimento mediano compartilhado pela maioria das pessoas) para uma expansão possível da consciência que a iniciação nos propicia. Se durante esse processo abandonarmos alguma coisa, essas serão as noções facciosas, os preconceitos, os delírios fantasiosos e o raciocínio falacioso. Obrigamos-nos, mediante o senso crítico, a contestar todo movimento ou intenção que simule a veracidade.

Mas as religiões, as universidades e as demais ordens iniciáticas não fazem o mesmo? Sim, realmente o fazem. Contudo a Maçonaria não obriga nem avalia seus membros quanto ao nível de senso crítico alcançado; não impõe fórmulas dogmáticas nem induz seus participantes a acreditarem em coisas que não possam ser demonstradas ou comprovadas. Não incentiva delírios ou imaginações exacerbadas, deixando que cada um distinga, por si mesmo e a seu tempo, o falso do verdadeiro. Coroando tudo isso – e aqui reside sua marca histórica e fundamental – a Maçonaria se rege pelo amplo sistema participativo, libertário e democrático; em nossas fileiras prevalece  sempre o contraditório e a eleição universal de seus dirigentes.

Conclusão

A figura do Rei Salomão no simbolismo maçônico ilustra o senso crítico como estágio superior do poder e realeza. Diz a Bíblia que Deus apareceu a Salomão em sonhos, dizendo-lhe:

– Pede o que queres que eu te dê.

E Salomão respondeu:

 – Sou apenas um menino pequeno; não sei como sair, nem como entrar; dai, pois, ao vosso servo um coração entendido para julgar, para que prudentemente eu possa discernir entre bem e mal.

E disse Deus:

– Porquanto pediste discernimento e o que é justo, e não suplicaste para ti muitos dias de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, eis que faço segundo tuas palavras: dou-te um coração sábio e discernimento.

O diálogo entre a divindade e o rei – Arte Real – expressa a aspiração ao senso crítico e a conquista da “técnica” que o iniciado realiza dentro de si e sobre as ideias que recebe do mundo, produzindo ideias novas e superiores que a simples realidade não pode fornecer. Isto, apesar de não definir, é a Maçonaria.

Autor: José Maurício Guimarães

Texto adaptado pelo irmão José Maurício do artigo Em Direção ao Senso Crítico, também de sua autoria, publicado na Revista Triângulo, da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, e também nesse blog. Você pode conferi-lo clicando AQUI.

A Rebimboca da Parafuseta está com os Dias Contados

Meu amigo Silvério Sansão Veras, mecânico de profissão, assim define o problema:

– Achismo é a atitude de quem se julga o rei da cocada preta, mas nunca foi à Bahia.

Achei ótima a definição do Silvério – ele é autoridade, pode falar de cátedra: Silvério Sansão nunca “acha” que o pLobRema é na rebimboca da parafuseta: ele vai direto na mangueira da refrigeração. Melhor ainda é que os achismos estão com os dias contados.

Em todos as áreas do pensamento a informação está a substituir a opinião infundada. Em Maçonaria, mais ainda – pois um exército silencioso e pacífico de pesquisadores, pensadores e escritores vem trazendo a público uma REFLEXÃO séria sobre nossa Sublime Ordem. Recentemente assistimos na NatGeo ao documentário “O Poder Da Maçonaria” (título original “The Scottish Key“) que pode ser assistido, na íntegra e em 5 capítulos, no Youtube[1]:

Esse documentário mostra (e prova) três aspectos importantes da Maçonaria:

  1. A união do Iluminismo com o Misticismo na formação dos primeiros construtores e na redação dos Old Charges;
  2. A existência histórica de maçons escoceses que precederam aos ingleses;
  3. O papel da Royal Society no assentamento dos verdadeiros objetivos dos Maçons.

Além dos depoimentos de personalidades do mundo maçônico (John Hamill da United Grand Lodge of England, Robert Cooper da Grand Lodge of Scotland e Roger Dachez do Institut Maçonnique de France) o documentário apresenta a opinião de doutores universitários como David Stevenson da University of St.Andrews e Jessica Harland-Jacobs da University of Florida.

Bem, o documentário está dublado em português e foi apresentado na tv brasileira, várias vezes; o público não-maçônico assistiu; muitos maçons (certamente uma minoria) também assistiu e gravou.

O fato é que esse documentário esclarece muita coisa que, até o presente, constava só dos livros e do paciente estudo dos poucos maçons pesquisadores. Outro fato que põe o achismo com seus dias contados é o recente lançamento da monumental obra de Albert Pike, “Moral e Dogma” pela Editora YOD.

Albert Pike (1809-1891) dispensa apresentações. Ele foi a maior autoridade mundial sobre o Rito Escocês Antigo e Aceito. Suas obras abordam a correta estrutura e ritualística dos Graus Simbólicos (Aprendiz, Companheiro e Mestre) e na série “Moral e Dogma” um abordagem filosófica e reflexiva sobre o conteúdo dos Graus Superiores (do 4 ao 33). Além de Maçom, Pike foi Grande Comandante da Suprema Corte dos Estados Unidos e General do Exército Confederado.

Em suas obras estão associados o pensamento moral de um juiz às qualidades positivas de um grande líder militar. Além de traçar as linhas mestras que regem o Rito Escocês (objetivos e métodos da Maçonaria mais praticada entre nós), “Moral e Dogma” é o guia seguro para a instrução e formação ética das pessoas que escolhem esse Rito.

Esses dois documentos – o documentário da NatGeo e “Moral e Dogma” mostram que o verdadeiro Maçom trabalha em beneficio das gerações futuras e pelo avanço e aperfeiçoamento da instituição. Uma filiação à Ordem Maçônica não tem sentido se o iniciado não deixa algo que perdure além de sua própria época. Se assim não fosse, inútil seria nossa certeza na imortalidade da alma. Em termos sociais o homem só se torna imortal através da influência benéfica que deixa entre os seus quando caminha para o Oriente Eterno.

Creio que no último parágrafo falei além do que é possível falar e expressar. Se eu desmistificasse este significado ou trocasse em miúdos seu significado, estaria aviltando a Ordem Maçônica e fazendo concessões à profanação de um legado. Um ensinamento incompleto é pior do que o erro. Portanto, aconselho aos Irmãos da Ordem que estudem esse documentário e, na medida do possível, leiam a obra de Albert Pike. O público não-iniciado já está de posse desse conhecimento e não tardará o dia em que dialogarão conosco nas universidades, em nossos ambientes de trabalho e na intimidade dos nossos lares.

Tenho certeza de que uma REFLEXÃO profunda sobre os fatos e teses ali contidos, fará de cada pesquisador um obreiro da seara, apto a separar joio do trigo e armazenar em celeiros as bênçãos da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade para nossa pátria e a humanidade.

Autor: José Maurício Guimarães

Nota do Blog

[1] – O vídeo em português, na íntegra ou divido em 5 partes, indicado no artigo original do autor, não está mais disponível. O blog pesquisou e encontrou apenas a versão dublada em espanhol, que foi então disponibilizada aqui.

Encontrei o documentário em outro blog, dividido em quatro partes, narrado em francês com legendas em português. Para assisti-lo, clique AQUI.

O primeiro iniciado do mundo

As pessoas adstritas ao simbolismo ou pouco versadas na simbologia debocham e riem do Reverendo James Anderson (1680-1739) atribuindo a ele a frase:

“Adão foi o primeiro maçom, iniciado por Deus no paraíso.”

Se verificarmos o texto original de “The Constitution of The Fraternity of Accepted Free Masons” (Constituições de Anderson, 1723) veremos que Anderson escreveu o seguinte:

“Adão, nosso primeiro Antepassado (first Parent), criado a partir da Imagem de Deus, o Grande Arquiteto do Universo, deve ter tido as Ciências Liberais, especialmente a Geometria, escritas em seu Coração (written on his Heart) pois mesmo desde a Queda, encontramos os Princípios dela nos Corações de seus descendentes e que nos processo do tempo (in process of time), têm sido depuradas em um conveniente Método de Proposições, pela observação das Leis das Proporções…”

O estudo do simbolismo e a simbologia parecem ser a mesma coisa. Mas são diferentes, tanto pelo objetivo quanto pelo método. Os expertos (e espertos) em SIMBOLISMO restringem-se à expressão e à interpretação de símbolos.

Já a SIMBOLOGIA estuda esses mesmos símbolos pelo prisma aprofundado do humanismo.

James Anderson era  mestre em artes e doutor em teologia, quando redigiu a Constitution of Free Masons, Jean Théophile Desaguliers estava ao lado dele. Desaguliers era membro da Royal Society de Londres, assistente de Isaac Newton, professor de filosofia, inventor do planetário e terceiro Grão-Mestre da Grand Lodge of England, entre 1719 e 1720, e um dos pais da moderna maçonaria.

Os textos atribuídos a James Anderson foram compilados sob a supervisão de Desaguliers. Rir de Anderson é um apanágio daqueles que se julgam à altura de rir da simbologia, dos graus acadêmicos M.A. e D.D. que o Reverendo possuía, do prestígio da Royal Society e da fundação da moderna maçonaria.

Partamos do princípio de que as ordens iniciáticas têm por objetivo despertar o potencial interior do ser humano e auxiliá-lo na redescoberta de sua relação com o Cosmos. Consideremos que cada pessoa seja portadora dos arquétipos que promovem sua evolução – arquétipos e leis escritos em seu Coração.

Partamos do princípio de que as ordens iniciáticas têm por objetivo despertar o potencial interior do ser humano e auxiliá-lo na redescoberta de sua relação com o Cosmos. Consideremos que cada pessoa seja portadora dos arquétipos que promovem sua evolução – arquétipos e leis escritos em seu Coração.

  • um Mestre primordial (Deus ou Imagem [representação] de Deus);
  • uma transmissão de potencialidades básicas (iniciação);
  • um recipiendário (Adão ou, se preferirem, nosso primeiro pai – first parent);
  • uma escola (templum – paraíso) preparado para aquele remoto cerimonial.

Quem estuda SIMBOLOGIA reconhece na afirmação do Dr. James Anderson os quatro pontos necessários para a comunicação de um pensamento sob forma figurada – uma ciência livre (liberal science) em especial as justas e perfeitas proporções (Geometria) gravadas em seu íntimo (Coração).

O Adão a que Anderson se refere é o Adamah hebraico ou “criatura feita da mãe-Terra”. O Deus Iniciador é o (ainda) Desconhecido e Inefável. A comunicação alegórica (iniciação no paraíso) deve ser compreendida mediante vários aspectos:

  • No primeiro estágio da inteligência, o objeto comunicado passa pelas funções psíquicas da percepção e do julgamento: vejo isso; isso é bom ou é mal! – alegoria da árvore do conhecimento do bem e do mal;
  • No segundo estágio, mais evoluído, ocorre a decomposição do objeto através da razão – O que é isso? Como é isso?;
  • No terceiro, há uma transcendência, pela contemplação e pela iluminação, daquilo que foi comunicado – é o daqui para onde.

Se não conseguimos conceber o conhecimento primordial, a forma de transmissão havida a priori (tempo) e uma objetividade factual (espaço) é porque estamos formal e prematuramente iniciados. Se não temos a percepção, o julgamento e o raciocínio superior, não podemos contemplar em conformidade com os três estágios mencionados. O despertar daquele potencial interior torna-se impossível e o reencontro do homem com o transpessoal, uma utopia.

É verdade que convivemos com pessoas que, apesar de terem recebido a iniciação apenas formal, negam os princípios da transmissão primordial. Por causa disso o formalismo e o ritualismo tendem a suplantar o conteúdo filosófico nas Ordens e nas Lojas que as compõem.

Por outro lado, é justamente nessa relação entre o Mestre primordial (Deus) e o recipiendário inocente (Adão/Adam/Adamah) que reside a tradição judaica, os cânones da cabala e sua relação mais íntima com as iniciações (especialmente a maçônica).

Vou além: mesmos as religiões – monoteístas ou politeístas – partem de princípios idênticos ao Bereshit hebraico seguido do Adam Kadmon – homem arquetípico ou anthropos – elementos cuja verdadeira compreensão e realização determinam o nível de evolução alcançado pelo discípulo, pelo aprendiz e pelos que almejam a maestria. Religiosos ou não, mesmo os mais radicais, céticos e materialistas admitem um process of time – processo do tempo nas palavras de Anderson, que equivale aos enunciados da evolução.

Quando o Dr. James Anderson sugeriu que Adão fora o primeiro maçom, iniciado por Deus no paraíso, ele quis expressar a seguinte verdade: o homem traz dentro de si (written on his Heart) as ferramentas necessárias para construir uma relação harmoniosa com seus semelhantes (templo-outro), com o templo-planeta e o templo-universo.

Todo aquele que bate nos portais da Iniciação é um Adão (Adamah) que retoma um lugar entre nós, na oficina do cosmos, dispondo-se a utilizar os instrumentos de trabalho – “especialmente a Geometria”, diz Anderson referindo-se alegoricamente à Moral das justas e perfeitas proporções entre o homem e seu meio.

Autor: José Maurício Guimarães

José Maurício foi o primeiro Venerável Mestre da Loja de Pesquisas “Quatuor Coronati” Pedro Campos de Miranda – GLMMG. Também é membro da Academia Mineira Maçônica de Letras.

Entendendo os Termos: Maçons Antigos, Livres e Aceitos

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O termo “Maçons Antigos, Livres & Aceitos” que, utilizando a abreviação maçônica do REAA, fica “MM.AA.LL&AA” talvez seja, depois de “GADU”, o termo mais usado na Maçonaria. Apesar disso, parece que poucos são os maçons que sabem seu verdadeiro significado e o que se vê são muitos maçons experientes inventando significados mirabolantes e profundamente filosóficos para um termo que teve caráter político na história da Maçonaria.

O termo geralmente é utilizado após o nome da Obediência ou, muitas vezes, faz oficialmente parte do nome. Em inglês a sigla é AF&AM (Ancient, Free and Accepted Masons), cujo significado é o mesmo do termo em português: Maçons Antigos, Livres & Aceitos. Porém, os Irmãos também podem em muitas Obediências se depararem com termo diferente, sem o uso do “Antigo”, apenas: “Maçons Livres & Aceitos” ou “F&AM – Free and Accepted Masons”.

Afinal de contas, o que significa esse termo e qual o motivo da variação?

Em primeiro lugar, ao contrário do que muitos possam pensar, o termo nada tem com o Rito Escocês. Pelo contrário, foram os fundadores do Supremo Conselho do Rito Escocês em Charleston que, influenciados pelo termo, resolveram pegar emprestado o “Antigo” e o “Aceito”.

Na verdade, o termo e sua variável surgiram do nome oficial das duas Grandes Lojas inglesas rivais, historicamente conhecidas por “Antigos” e “Modernos”. O nome da 1ª Grande Loja (1717) era “Grande Loja dos Maçons Livres e Aceitos da Inglaterra”. Já sua rival (1751) foi fundada com o nome de “Grande Loja dos Maçons Livres e Aceitos da Inglaterra de acordo com as Antigas Constituições” e por isso costumava ser chamada de “Antiga Grande Loja da Inglaterra”. Dessa forma, a mais nova se proclamava “Antiga” e chamava a primeira, que era mais velha, de “Moderna”. A partir daí, nos 60 anos de rivalidade entre essas duas Grandes Lojas, os maçons da Grande Loja dos “Modernos” ou daquelas fundadas por essa usavam o termo “Maçons Livres e Aceitos”, enquanto que os da Grande Loja dos “Antigos” ou daquelas fundadas por essa eram tidos como “Maçons Antigos, Livres e Aceitos”. Nesse período, a Grande Loja da Irlanda (1725) e a Grande Loja da Escócia (1736) se aproximaram dos “Antigos” e de certa forma aderiram ao termo. As duas Grandes Lojas inglesas resolveram se unir em 1813, porém, os termos permaneceram nas Grandes Lojas constituídas por essas, que consequentemente passaram àquelas que constituíram depois.

O maior reflexo dessa “rivalidade” e o uso dos termos que a representam ocorreu nos EUA, que tiveram Grandes Lojas fundadas pelos Modernos, pelos Antigos, e pelas Grandes Lojas da Irlanda e da Escócia. Com isso, 26 Grandes Lojas Estaduais usam o termo COM “Antigos” e outras 25 Grandes Lojas usam SEM “Antigos”:

  • F&AM (Maçons Livres & Aceitos) = 25 GLs: Alabama, Alaska, Arizona, Arkansas, Califórnia, DC, Flórida, Geórgia, Havaí, Indiana, Kentucky, Louisiana, Michigan, Mississipi, Nevada, New Hampshire, New Jersey, New York, Ohio, Rhode Island, Tennesse, Utah, Vermont, Washington, Wisconsin.
  • AF&AM (Maçons Antigos, Livres & Aceitos) = 26 GLs: Colorado, Connecticut, Delaware, Idaho, Illinois, Iowa, Kansas, Maine, Maryland, Massachusetts, Minnesota, Missouri, Montana, Nebraska, Novo México, Carolina do Norte, Dakota do Norte, Oklahoma, Oregon, Carolina do Sul, Dakota do Sul, Texas, Virgínia, West Virgínia, Wyoming, Pensilvânia.

Apesar de a rivalidade ter acabado no início do século XIX, os termos permaneceram e podem ser vistos em várias outras partes do mundo. Alguns exemplos:

  • COM “Antigos”: Bolívia, Chile, Cuba, Costa Rica, Equador, Grécia, Guatemala, Honduras, Israel, Nicarágua, Panamá, Peru, África do Sul, Espanha, Venezuela.
  • SEM “Antigos”: Argentina, China, Finlândia, Japão, Filipinas, Porto Rico, Turquia.

Com o “Antigos” já desvendado, cabe aqui compreender a expressão “Livres & Aceitos”:

“Livres” se refere aos maçons que tinham direito de se retirarem de suas Guildas e viajarem para realizar trabalhos em outras localidades, enquanto que os “Aceitos” seriam os primeiros maçons especulativos que, apesar de não praticarem o Ofício, ingressaram na Fraternidade.

Hoje, usar ou não o “Antigos” não faz mais tanta diferença. O importante é que não esqueçamos que o “Livres & Aceitos” é um elo, um registro histórico da transição entre a Maçonaria Operativa e a Especulativa. Qualquer interpretação diferente é tentar jogar nossa história fora.

Autor: Kennyo Ismail

Fonte: No Esquadro

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Loja Quatuor Coronati

Esta Loja, registrada sob o nº 2076 na Grande Loja Unida da Inglaterra, tem o orgulho de manter o lugar de primeira Loja de Pesquisa Maçônica do mundo. Está localizada em Londres e seus membros são todos reconhecidos como sendo os mais notáveis conhecedores de assuntos sobre Maçonaria.Os tratados, os artigos da Loja, ou seja, os “Arts Quatuor Coronatorum” são totalmente aceitos como os mais competentes no assunto. Há um Circulo de Correspondentes no mundo todo. A Loja tem também prestado enorme serviço à Ordem através de publicações de cópias exatas de importantes manuscritos, os Old Charges, etc.

Os “quatuor coronati” (os quatro mártires coroados, apesar de que na verdade eram nove (09) na estória relatada) tem sido por longo tempo considerados como os Santos Patronos da Ordem Maçônica.

A breve estória sobre eles é a seguinte:

O Imperador Dioclesiano visitou as pedreiras de Pannonia onde haviam quatro profissionais altamente qualificados na “Arte de Esquadrejar Pedras”. Eles eram Cristãos e mantinham isso em segredo, fazendo todos seus trabalhos em Nome do Senhor. A eles foi unido um outro profissional, de igual comportamento, inspirado no exemplo dos outros quatro.

Esses trabalhadores recusaram os pedidos do Imperador de fazerem uma estátua do deus pagão Aesculapius. Foram martirizados sendo colocados em caixões de chumbo e jogados no rio.

Dioclesiano tinha um Templo erigido a esse deus pagão e ordenou a seus soldados de fazerem oferendas a esse deus. Quatro soldados também cristãos se recusaram e, consequentemente, foram martirizados por açoitamento até a morte.

Alguns anos mais tarde, uma Igreja foi erigida e dedicada aos “Quatro Mártires Coroados” (Four Crowned Martyrs), apesar de comemorarem o total de nove mártires.

A referência de estarem sendo “coroados” se presume estar ligado com o dito popular “a coroação do mártir” dando a entender as ricas gratificações para todos aqueles que morrem pela fé.

Nota do Blog:

Para saber mais sobre a Quatuor Coronati, 2076, você pode acessar o site da loja clicando AQUI

O Iluminismo Inglês e a Maçonaria

A pesquisa sobre a participação de profissionais não artesãos nos agrupamentos dos maçons, a partir do século XVII, revela que os aceitos constituíram núcleos diversificados de obreiros nas Lojas operativas. Algumas dessas deixaram de ser convencionais para se tornarem formadoras de opiniões. As Lojas frequentadas por intelectuais ganharam prestígio e marcaram a figura do livre pensador, um erudito que tinha salvo-conduto da realeza para divulgar suas ideias e melhorar os conhecimentos da elite. As reuniões maçônicas, a partir dessa época, proporcionaram nova visão do homem e do mundo e elevaram a complexidade dos conhecimentos à disposição da comunidade. Os interesses das monarquias, das religiões dominantes e das ciências criaram episódios relevantes, que colaboraram para a evolução organizacional e funcional da maçonaria. Foi o caso que se verificou na difusão do movimento filosófico e cientificista inglês, o iluminismo, a partir da Royal Society, que desempenhou papel fundamental na criação e na consolidação da primeira Grande Loja maçônica, em Londres. Despontou a liderança de John Theophilus Desaguliers, um francês que mudou-se pequeno com seus pais para a Inglaterra, onde anos mais tarde frequentou a Universidade de Oxford e se doutorou em Lei Canônica.

A ciência foi importante na vida de Desaguliers, principalmente a teoria das leis mecânicas de Newton, com quem estreitou laços de amizade. Foi eleito para a Royal Society em Londres e fez conferências em tavernas para divulgar a ciência newtoniana. Dedicou-se a interpretar princípios do Deísmo pois, para a sociedade de intelectuais londrinos, Deus era a Causa Primeira e Final do mundo, responsável pela Segunda razão da existência do Universo, a força de gravidade que ordena a relação dinâmica de todos os corpos celestes, interpretada e descrita por Isaac Newton.

Desaguliers estudou os conceitos filosóficos voltados para a importância do estudo da matéria e seus movimentos como elementos constitutivos do Universo. Acreditou que o Sábio e Todo-Poderoso Autor da Natureza iniciara Sua Obra divina pelo átomo e que dotara a matéria de movimento e de propriedades de atração e repulsão.

Como se constata, o sentimento materialista religioso esteve sempre muito presente na base das especulações científicas do iluminismo inglês, levado também para os alicerces conceituais que sustentaram a criação da Grande Loja de Londres e o novo modelo de Loja maçônica, apoiado na estrutura física do Parlamento e na pedagogia da Sociedade Real. Os princípios da arquitetura clássica igualmente tiveram forte receptividade entre os aristocratas britânicos no início do século dezoito. As características mais valorizadas foram a simetria, os arcos, as colunas dórica e jônica e os templos com domos.

Desaguliers integrou o partido político Whig, que surgiu depois da revolução de 1688, que pretendeu subordinar o poder da Coroa ao do Parlamento. As doutrinas que compuseram a ideologia da oligarquia Whig endossavam a ideia de soberania parlamentar com liberdades naturais, constituindo uma proposta de revolução política, que fez surgir no século seguinte o Partido Liberal inglês.

Desaguliers tornou-se Grão-Mestre eleito, dois anos depois da instalação da Grande Loja em 24 de junho de 1717, em Londres. Recrutou cientistas e outros pensadores para posições de liderança no projeto maçônico organizado, visando fazê-lo florescer em harmonia, reputação e número. Criou a figura do Deputado do Grão-Mestre, nomeado para representar o Grão-Mestre em situações de impedimento ou de coincidência temporal de eventos. Trabalhou estreitamente com o ministro presbiteriano James Anderson, membro da Royal Society, na redação de uma Constituição para a novel Grande Loja. Juntos, fizeram as primeiras analogias entre a antiga arquitetura e o moderno mundo da maçonaria intelectualista, sustentando que os princípios da antiga maçonaria possibilitaram a construção das pirâmides egípcias e o templo do Rei Salomão. Desaguliers e Anderson lançaram a ideia central que serviu de referência para a confecção da Tábua de Delinear do primeiro grau da maçonaria inglesa, onde estão desenhadas as colunas dos princípios dórico, jônico e coríntio, presentes nos desenhos simétricos dos antigos edifícios e que refletem a harmonia com a natureza. Nas Constituições da Grande Loja há especial menção aos direitos do Grão-Mestre, investido nas funções de Poder Executivo, concebido como um Primeiro Ministro da maçonaria.

O sistema de graus foi idealizado pelos líderes da Grande Loja para servir ao propósito de explicar as ideias da intelectualidade inglesa, a respeito do processo de aperfeiçoamento moral, cultural e filosófico do ser humano, em que a escada simboliza a ascensão individual e estimula a busca do conhecimento que qualifica a caminhada existencial.

A Grande Loja ajudou as Lojas locais a funcionarem como assembleias, elegendo os dirigentes da sua entidade maior e mantendo encontros permanentes para discutirem assuntos importantes para a comunidade, além de servirem como centros ritualísticos, conferindo os graus aos candidatos admitidos. As Lojas promoviam ações filantrópicas, contribuíam para o Fundo de Caridade da Grande Loja e prestavam assistência financeira aos maçons necessitados. Nessas condições, em que observa-se a presença da Grande Loja como uma coordenação centralizadora das principais iniciativas, houve a intensa promoção, entre 1719 e 1736, de atividades sociais e culturais nas Lojas e em toda a Londres, Lojas que funcionavam em cafés, tavernas e hospedarias, promovendo a sociabilidade, a expansão da cultura e a vida clubística.

Inegável é que o sistema ritualístico, com sua pedagogia maçônica diferenciada, provou ser um veículo efetivo para a explicação das ideias do século dezoito, dos conceitos newtonianos aos princípios éticos do Deísmo. O sistema ritualístico funcionou também como uma religião civil e foi reconhecido como uma importante fonte do anglofilismo. Os maçons ingleses entenderam que as leis da mecânica newtoniana revelavam muito sobre o ordenamento da natureza e que as doutrinas deitas, da mesma maneira, ajudavam a definir princípios apropriados para a conduta moral da sociedade.

A Maçonaria e a celebração dos solstícios e equinócios

Nossa Ordem, como detentora de milenares tradições de natureza espiritual tem como uma de suas práticas mais antigas e tradicionais a celebração dos Solstícios e Equinócios. Estas celebrações remontam a outras também antigas tradições esotéricas e iniciáticas que foram ensinadas aos humanos por seres de natureza superior.

Nos Solstícios e Equinócios toda a natureza, na forma de animais, vegetais e também minerais, celebra as mudanças de estação, o magnífico e necessário ciclo da vida. É uma verdadeira festa e os humanos mais antigos, orientados e sensíveis a este ambiente festivo, resolveram também participar dele.

A origem desta tradição se perde nas brumas de um passado longínquo. A celebração dos solstícios e equinócios pode ser encontrada junto a povos e culturas como os celtas e os egípcios e ainda outros povos. Se nos permitirmos pesquisar o assunto na Internet encontraremos que a celebração da passagem das estações é uma tradição pagã. É importante salientar que conforme o cristianismo de Saulo de Tarso, tudo o que não seja o seu próprio cristianismo é chamado de pagão. Só isso, nada mais. Ou seja, uma prática pagã não é necessariamente algo demoníaco, perverso ou contrário à ordem e ao desenvolvimento.

Mas, talvez o maçom se pergunte, o que temos nós maçons a ver com tradições ou celebrações pagãs comuns à bruxaria e ao esoterismo medieval? Bem, existe um importantíssimo elo entre o mundo maçônico e os cultos ancestrais: o Rei Salomão. Devemos lembrar que Salomão viveu na Mesopotâmia, o berço tanto da civilização quanto da cultura terrena e mais ainda dos principais conceitos relativos à espiritualidade universal.

Historicamente Salomão se uniu à riquíssima e poderosa Rainha de Sabá (conhecida pelos etíopes como Makeda e na tradição islâmica como Balkis) e juntos chegaram a ter um filho Menelik I, que foi o primeiro rei ou imperador da Etiópia. Os arqueólogos apontam evidências de que a Rainha de Sabá rendia culto às tradições primitivas da Mesopotâmia, principalmente à Sóthis (a estrela Sírius para os egípcios) e à deusa egípcia Sopdet (deificação de Sóthis – uma referência ao brilho de Sirius).

Na arte, Sopdet é descrita como uma mulher com uma estrela de cinco pontas sobre a cabeça. Sopdet é a consorte de Sah , a constelação de Órion, e o planeta Vênus era por vezes considerado seu filho. A figura humana notável de Orion foi eventualmente identificada como uma forma de Hórus , o deus do céu para os egípcios.

Na antiguidade as civilizações estavam totalmente alinhadas com os ciclos da vida representados pelas estações do ano e os solstícios e equinócios. A vida daquelas civilizações dependia 100% do movimento da Terra em torno do Sol, tanto no plano da agropecuária quanto social e principalmente espiritualmente. A Rainha de Sabá e seu povo perpetuando as mais antigas tradições mesopotâmicas certamente também celebrava os Solstícios e Equinócios.

Sob o antigo palácio de Menelik I, em Axum, em maio de 2008, o arqueólogo alemão Helmut Ziegert encontrou os restos da casa da Rainha de Sabá e junto a eles encontrou também evidências que indicam forte probabilidade de que por um longo tempo lá tenha ficado a tão procurada Arca da Aliança de Moisés, com os Dez Mandamentos. Fica então evidente a possível troca de práticas entre ela e Salomão em um verdadeiro ecumenismo espiritual e religioso, sem preconceitos, tabus ou dogmas limitantes. Fica também evidente que muito provavelmente a relação entre Salomão e a Rainha de Sabá não foi coisa passageira, trivial ou superficial como se pode supor. Para que um rei hebreu tirasse a Arca da Aliança de dentro do Tabernáculo e levasse para um templo ou palácio de outra cultura e religião, seria necessário haver uma razão muito importante.

Se nossa Maçonaria tem sua origem em Salomão, se Salomão se envolveu não somente com a Rainha de Sabá, mas também com sua religião e espiritualidade, fica claro e evidente a justificativa da presença até os dias atuais da celebração dos Solstícios e Equinócios em nossa liturgia. Se atentarmos para a nossa atual Celebração Litúrgica dos Solstícios, perceberemos evidentemente elementos tidos como pagãos, não tocados pelo cristianismo de Saulo de Tarso.

O exemplo disso são as libações aos Sete Planetas e à tudo aquilo que eles representam na Criação e na vida de todos nós. A própria comida também sempre esteve presente nas passagens das estações, pois a Deusa Natureza está em festa, assim como todos os demais seres que Nela habitam. A humanidade tem papel determinante nesta celebração. Nestas ocasiões festivas eram servidas comidas da época, abundantes pela colheita recente, bem como as bebidas tradicionais e muita música e dança.

A Deusa primitiva sempre foi sinônimo de alegria, paz, harmonia, saúde, descontração e prazer. Na chamada Idade das Trevas, de uma forma preconceituosa e despótica Ela foi amaldiçoada e retratada como bruxa demoníaca, conceito que a humanidade traz até os presentes dias. A antiga tradição original informa, Poderosos e Amados Irmãos, que na ocasião dos Solstícios e Equinócios a “distância” entre os mundos físico e espiritual é reduzida e assim está facilitada a transição ou o acesso entre elas. Ou seja, no exato momento em que nosso Logos Solar cruza a Eclíptica ou atinge seus pontos máximos e que marcam os Solstícios e Equinócios temos a oportunidade de tanto receber quanto enviar mensagens de natureza espiritual evolutiva.

É interessante observar que nossos rituais são abertos e fechados citando-se exatamente a movimentação solar. Além disso, as Colunas Zodiacais aludem aos Doze Signos Astrológicos por onde o Sol passa ao longo de seu ciclo anual. Nossa Ordem, meus Irmãos, é uma Ordem Solar. Nossa Ordem, que tradicionalmente atua na sociedade visando “tornar feliz a humanidade”, evidentemente não poderia deixar de se “alimentar” das mais elevadas energias e consciências espirituais que nos vêm dos planos superiores exatamente nos Solstícios e Equinócios. Mais ainda, se nosso mister é “tornar feliz”, é exatamente na Deusa Natureza que encontraremos nossa fonte para recarregar as forças. É na natureza, Poderosos Irmãos, que podemos encontrar Deus em sua forma Manifesta. É onde Ele está próximo e “tangível”.

Se abnegarmos a divindade da Natureza estaremos nos condenando à orfandade de Pai e de Mãe e somente a desesperança, a insegurança, a incerteza e a falta de rumo serão nossas realidades. Lembremo-nos do exemplo do Antigo Egito, onde seu deus maior, Osíris, era reconhecido e reverenciado, mas não estava presente.A regência espiritual do Antigo era da deusa Ísis a quem seus súditos recorriam. Da mesma forma, nosso G∴A∴D∴U∴ é inacessível para nós. Porém podemos encontra-Lo na Natureza, Sua manifestação e Obra Maior.

Lembremo-nos que muitos autores maçônicos estabelecem uma relação direta entre nossa Ordem, a Maçonaria, com a deusa egípcia Ísis, a viúva de Osíris. Abençoadas as Sagradas Oficinas que celebram nossos Banquetes Solsticiais Maçônicos e reverenciam as manifestações e origem das Sete Leis Universais.

Esse é o Solstício de Inverno, a noite mais longa do Ano. A partir desse dia, a luz do Sol passa a iluminar e aquecer cada vez mais a Terra, e a escuridão e o frio do inverno ameaçam ir embora. É quando a Deusa dá à luz seu novo filho, o Deus renovado e forte, ainda bebê, a “criança prometida”. Ou seja, é quando “nasce” anualmente o Cristo Solar.

O deus Mithra, da Pérsia, nasceu de uma virgem no Solstício de Inverno, teve 12 discípulos e praticou milagres, e após a sua morte foi enterrado, e 3 dias depois ressuscitou, também era referido como “A Verdade”, “A Luz”, entre muitos outros. Curiosamente, o dia sagrado de adoração a Mithra era a um Domingo. Outro mito solar se refere a Hórus: consta que Hórus nasceu no Solstício de Inverno da virgem Ísis-Méris. O seu nascimento foi acompanhado por uma estrela a Leste, que por sua vez, foi seguida por 3 Reis em busca do salvador recém-nascido.

Baco ou Dionísio da Grécia também nasce de uma virgem no Solstício de Inverno. Átis, deus da Frígia/Roma também nasceu de uma virgem no Solstício de Inverno, foi crucificado, morreu e foi enterrado, tendo ressuscitado no terceiro dia. Hércules nascido da virgem Alcmena, e seu nascimento é comemorado no Solstício de Inverno no Hemisfério Norte. Na mitologia hindu Krishna (um avatar, personificação ou encarnação de um deus, do Deus nasceu no Solstício de Inverno de uma virgem, Devaki (“Divina”) e uma estrela avisou a sua chegada.

Em 274 o Imperador Aureliano proclamou o dia 25 de dezembro (Solstício de Inverno no hemisfério norte), como “Dies Natalis Invicti Solis” (O Dia do Nascimento do Sol Inconquistável). O Sol passou a ser venerado. Buscava-se o seu calor que ficava no espaço muito acima do frio do inverno na Terra. O início do inverno passou a ser festejado como o dia do Deus Sol. A comemoração do Natal de Jesus surgiu de um decreto. O Papa Júlio I decretou em 350 que o nascimento de Jesus o Cristo deveria ser comemorado no dia 25 de Dezembro (Solstício de Inverno no hemisfério norte), substituindo a veneração ao Deus Sol pela adoração ao Salvador Jesus Cristo. O nascimento de Cristo passou a ser comemorado no Solstício do Inverno em substituição às festividades do Dia do Nascimento do Sol Inconquistável.

Segundo a tradição esta celebração solsticial chama-se Yule. Foi a primeira festa sazonal comemorada pelas tribos neolíticas do norte da Europa. É até hoje considerado o início da roda do ano por muitas tradições, inclusive a chinesa. Daí surge a simbologia do Natal. Certamente os Irmãos estranharão se falar de Natal em junho, mas a simbologia do Natal ou de Yule ocorre no Solstício de Inverno, que no hemisfério norte ocorrem em dezembro e aqui no hemisfério sul ocorrem agora em junho.

Conforme a Tradição, em Yule é tempo de reencontrarmos nossas esperanças, pedindo para que os Sete Deuses Mitológicos rejuvenesçam nossos corações e nos deem forças para nos libertarmos das coisas antigas e desgastadas. É uma excelente oportunidade “recarregarmos” nossas energias pessoais com os sete arquétipos divinos e perfeitos, aferindo nossa conduta e vivência.

Um feliz e alegre renascimento a todos!

Autor: Juarez de Fausto Prestupa
Membro da Loja Maçônica de Pesquisas Quatuor Coronati “Pedro Campos de Miranda

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A Viúva Ísis e a Maçonaria

Os maçons são conhecidos como “filhos da viúva” e muitos acreditam que esta denominação guarda relação com os mitos do Antigo Egito. Mas, talvez o que poucos saibam, é que as raízes desta expressão e relação são muito mais abrangentes do que se espera.Muitos maçons identificam a figura do mestre Hiram com Osíris, a Maçonaria e também as Lojas maçônicas com Ísis e os maçons com Hórus.

Em resumo, na mitologia do Antigo Egito era Osíris quem governava soberanamente as regiões produtivas. Ele não estava sozinho, tinha por companheira Ísis, Seth que governava as regiões improdutivas, que por sua vez tinha por companheira Neftis. Os quatro eram irmãos, assim como os quatro elementos (terra-ceticismo-Seth, água-criatividade-Ísis, ar-informação-Neftis e fogo-espiritualidade-Osíris).

Uma noite, Neftis muito magoada pelo modo rude com que Seth a tratava, chorando no escuro jardim de Osíris é confundida por ele com Ísis e acabam concebendo uma nova vida que será Anúbis. Anúbis é abandonado à morte, mas Ísis o busca, encontra e o cria como seu próprio filho.

No mito, Seth usando a vaidade (inconsciência relacionada à luz) de Osíris o encerra em uma arca (arcano) e a solta no rio Nilo (símbolo da vida sublunar, do mundo de Maya e dos reflexos, da Manifestação). Ísis então sai à procura do corpo de seu irmão e marido. Ela o encontra sob as raízes de uma enorme árvore (que nos remete à simbologia da Árvore da Vida) e o resgata.

Em uma caverna (símbolo do útero da Terra), com a ajuda da magia de Thot e da força de Neftis, Ísis traz novamente Osíris à vida e em um ato de amor o casal concebe uma nova vida que será Hórus.

Seth descobre e novamente coloca suas tropas para perseguir Osíris.

Ele é encontrado, seu corpo esquartejado em 15 pedaços (veja a simbologia do Arcano 15 do Tarot) que são espalhados pelo Egito (o “mundo” deles). Novamente Ísis sai à procura do amado, encontra 14 (2 x 7) de suas partes, exceto seu “falo criador” que teria sido devorado por um peixe (símbolo do sexo espiritualizado ou tantra ou alquimia).

Enquanto isso Hórus é criado entre escorpiões e cobras, escondido no pântano, para fugir da perseguição de Seth. Posteriormente Hórus irá vingar seu pai Osíris derrotando Seth a custa de perder um olho.

Destaca-se que Ísis no Antigo Egito simbolizava a Justiça (como Ma´at) e também a Abóbada Celeste (como Nuit) e seu filho podia ser considerado um “filho das estrelas” ou então um filho “divino”. Neste mito Ísis fica viúva não somente uma, mas duas vezes.

Apesar do mito egípcio ter de Osíris como ponto central, a figura heroica de toda a saga é Ísis, afinal Osíris logo no início é morto e a protagonista é Ísis, a viúva. Durante então toda a saga a regência do Egito é de Ísis, muitas vezes usurpada por Seth, isso é verdade. Mas, por direito, a Rainha regente do Egito deveria ser Ísis e o rei Hórus.

Herdamos uma cultura e civilização medieval na qual a figura feminina sequer era considerada com alma ou direitos civis (Idade Média). Muito diferentemente do passado quando cultuava o Feminino Universal como Ísis, Ishtar, Inanna ou Vênus. Na obra O Livro de Hiram, os maçons Christopher Knigth e Roberto Lomas explanam a relação entre a Maçonaria e o culto a Vênus na antiguidade. Pirâmides por todo o globo, inclusive as egípcias, foram construídas considerando a Geometria Sagrada (presença da Perfeição divina na Natureza) e a passagem do planeta Vênus pelo céu estrelado.

Dizem que no Antigo Egito quando ocorriam as iniciações, um dos primeiros e misteriosos ensinamentos, sussurrado pelo Irmão Iniciador nos ouvidos do neófito era que, assim como o João Batista maçônico, “Osíris é um deus morto!”. Osíris, símbolo do Sol, na verdade, assim como Jesus, rege o mundo dos mortos, o além, o mundo espiritual. Da mesma forma que Deus não tem “corpo” físico entre nós, assim como Ísis o fez, nós O podemos encontrar disperso no “interior” de sua Criação, a Natureza que O concebe, nutre e vivifica o tempo todo. Vênus é exatamente a regente e símbolo da própria Criação, da natureza que hoje tanto está violentada pela humanidade em nome do progresso e da prosperidade.

Sendo a Maçonaria identificada com a Viúva, esta Ordem verdadeiramente iniciática mais do que o título de “regente de um povo” tem a OBRIGAÇÃO e a RESPONSABILIDADE de agir visando tornar feliz a humanidade (como o fazia Osíris em seu mito), lutar contra a tirania (de Seth) em todos os lugares (principalmente dentro de seus próprios templos e relações).

A Ordem Maçônica deve honrar sua relação com Ísis e, principalmente, com Osíris, mantendo-se sempre pura e limpa, com foco na luz da Verdade, da Justiça, da Fraternidade, da Solidariedade e do altruísmo simbolizada por Osíris e todos os deuses solares do passado da humanidade.

Aos maçons cabe honrar sua condição de “Filhos da Viúva”, respeitando e vivendo os princípios solares, sustentando valorosamente e com muita dignidade a Viúva que é a Ordem Maçônica e, principalmente, vingando o “Pai” Osíris ao combater o ceticismo, a descrença, a falta de espiritualidade, a falta de amor e de solidariedade.

Os maçons devem honrar a simbologia com Hórus e sua condição de “regentes” lutando contra o que Seth simboliza, dentro de si mesmos, de suas próprias almas e vidas, sendo um verdadeiro exemplo vivo (à semelhança do “Pai” distante) a ser seguido. Os maçons devem merecer a condição de “regentes de um povo” conquistando pelos próprios méritos a chamada Coroa Sefirótica (ver conceito na Cabala Hebraica).

Quando isso conquistarem, compreenderão que a razão de suas existências é o serviço a este seu povo, que suas questões pessoais devem ficar em segundo plano e que o Sol irradia luz, vida e calor indistintamente, sem nada cobrar ou esperar em termos de honra, crédito ou mesmo louvor ou reconhecimento.

O  reconhecimento só ocorre na presença da luz, da consciência que nos proporciona a possibilidade de definir contornos, cores, detalhes, etc. Na escuridão da alma nada é distinguido ou reconhecido. Somente uma alma iluminada pode conhecer e reconhecer a verdade presente em tudo. O reconhecimento então só pode ocorrer entre almas iluminadas que se identificam entre si como iluminadas, francas, verdadeiras, justas, fraternas, amorosas, altruístas e divinas. A porta de entrada e condição inequívoca para esta condição de “reinado” é o respeito e o aprendizado com a Viúva, Ísis, Vênus, Ishtar, Inanna, ou com a Maçonaria Universal.

Lembremos que o sábio rei Salomão, um dos Três Mestres que outorgavam o mestrado maçônico, reverenciou a belíssima e virgem Rainha de Sabá. Este nome significa “portal” ou “ponte”). Ela era a grande sacerdotisa de Vênus, também conhecida como “Rainha das Estrelas” que venerava o Sol. Destaca-se que o historiador Flávio Josefo, identificou a nobre visitante de Salomão como sendo a “Rainha do Egito e da Etiópia”.

Em outra correlação, pode-se entender que a alma do maçom se identifica com Ísis que busca a luz da verdade de Osíris para tomar consciência de sua condição de filho das estrelas ou de sua origem e missão divina.

Autor: Juarez de Fausto Prestupa

Interação da Maçonaria com a Sociedade

Já se foi a época que a maçonaria sofria perseguições políticas e religiosas. Hoje o que encontramos é o preconceito de elementos da sociedade em relação à Sublime Ordem. A própria palavra preconceito já mostra a deficiência de quem o tem, ou seja: fazer juízo antes mesmo de tomar conhecimento da realidade: pré + conceito.

O grande problema é que o preconceito é baseado em crenças e não no conhecimento; o preconceito tem uma base irracional que só é extinto pela instrução e esclarecimento da realidade. Se há na sociedade um resquício de aversão à maçonaria, podem ter certeza que boa parte da culpa é dos maçons. Outrora nós promovemos uma segregação da Ordem junto à Sociedade, e esta levantou suspeitas de nossa idoneidade e propósitos. Como tornar feliz a Humanidade se não estivermos inseridos e interagindo com os outros segmentos da Sociedade?

Aperfeiçoar os costumes não é apenas obrigação de cunho pessoal, é preciso também descobrir na Sociedade focos de desvirtuamento (drogas, evasão escolar, violência, etc) e cumprirmos nosso papel de “Construtores Sociais”. Toda Loja tem a obrigação de promover atividades de interação com a sociedade em que ela está inserida. O apoio aos bons projetos governamentais, a parceria com outras sociedades e agremiações e a participação efetiva em campanhas fraternais promovidas por entidades de cunho religioso só nos aproxima da população e desmentem as bobagens que falam de nós.

Há também um aspecto de suma importância: cabe aos maçons deixarem de lado comportamentos falaciosos. É muito comum perguntarem a alguns maçons qualquer coisa sobre maçonaria e eles responderem: – Isto é segredo!. Eu não sei qual a dificuldade em responder ou dizer que não sabe!

O problema é que a maioria age assim para se manter envolto nas “brumas do mistério”. É o típico Irmão que não apresenta nenhum candidato, pois se apresentar um colega de trabalho e este for admitido perderá o status quo. Temos que ficar atentos, pois preconceitos podem levar a discriminações, e não desenvolvem o pensamento arcaico que isto não atinge um “Obreiro da Arte Real”. Normalmente os alvos das discriminações não serão os Irmãos, mas sim as cunhadas e sobrinhos. Não permitam o isolamento da Loja e dos maçons. Aproximem-se dos formadores de opinião, tragam esclarecimentos para os que ignoram nossa história e aspirações.

Autor: Sérgio Quirino Guimarães
ARLS Presidente Roosevelt, 25 – GLMMG

 

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