Teseu e a Iniciação

Na Mitologia Grega, os heróis eram semideuses, filhos de um deus e uma mortal (ou de uma deusa e um mortal), encarregados de cumprir tarefas para a humanidade. Eram masculinos, com exceção de Atlanta, heroína grega, que participou da caçada ao Javali de Caridon. Esses seres possuíam certos poderes, que os tornavam mais que humanos, mas menos que deuses, ficando à mercê desses – e, eram mortais. Assim, era Teseu, o maior herói ateniense, filho de Egeu e Etra, vencedor do Minotauro no labirinto de Creta.

O rei Egeu, de Atenas, não conseguia ter um filho; resolveu consultar o Oráculo de Delfos, que lhe respondeu: “não solte a boca do odre de vinho” na volta a Atenas”. No caminho, Egeu parou em Trezeno, para pedir ao rei Piteu que desvendasse a resposta da pitonisa. Piteu, que compreendera logo o sentido da mensagem, embriagou-o e colocou Etra, sua filha, na cama de Egeu. E, assim, Teseu foi gerado, passando a viver com sua mãe.

Aos dezesseis anos, já se tendo tornado famoso por seus feitos, vai a Atenas, e não foi reconhecido por seu pai. Egeu era casado com Medeia, a feiticeira, que lhe dera um filho, Medo. Medeia compreendeu logo quem era o recém-chegado, e resolveu envenená-lo. Mas Teseu percebe a armadilha e, no jantar, puxou de sua espada. Egeu, imediatamente, reconheceu-o.

Quando os primos de Teseu, os “palântidas”, os cinquenta filhos de Palas, irmão de Egeu, que sonhavam com a sucessão, souberam do acontecimento no jantar, resolveram tentar, ainda, conquistar o poder, mas Teseu conseguiu vencê-los.

A grande tarefa de Teseu foi matar o Minotauro no labirinto de Creta: Minos encomendou a Dédalo a criação do labirinto de Cnossos, para aprisionar o Minotauro, fruto da infidelidade de Pasífae, esposa de Minos. Essa traição aconteceu por vingança de Posseidon, o rei dos mares, que dera um touro branco de presente a Minos, para sacrifício. Minos ficou com o touro para si, e Posseidon fez com que Pasífae sentisse desejo pelo touro. Dessa relação, nasceu o Minotauro, que se alimentava de jovens atenienses. Dédalo confiou o segredo de como sair do labirinto a Ariadne, filha de Minos, que o contou a seu amante, Teseu.

Quando, pela terceira vez, Atenas forneceria o tributo de jovens destinados ao alimento do Minotauro, Teseu decidiu fazer parte do grupo, para matar o monstro. Derrotou-o, seguindo o conselho de Ariadne: amarrar um fio na entrada do labirinto e levá-lo consigo, para depois poder achar o caminho de volta. O herói acaba com a obrigação do sacrifício de sete moças e sete rapazes.

O navio, que transportava de volta Teseu e as setes moças e sete rapazes, estava com velas negras. “Se eu for vitorioso, “disse Teseu a seu pai”, içarei as velas brancas”. Mas, com a alegria da vitória, esqueceu a promessa feita a seu pai e não trocou as velas. Quando Egeu percebeu o navio com as velas negras, persuadido de que seu filho tinha morrido, suicidou-se, jogando-se ao mar.

As antigas culturas, que conhecemos, tinham, sem exceção, uma coisa em comum: símbolos e rituais. A partir de símbolos, elas criavam rituais, não só para as principais fases de transição da vida (ritos de passagem), mas, também, para o dia-a-dia e suas exigências. Em nossa sociedade e cultura, os ritos de passagem foram perdidos (adolescência-maturidade, solteiro-casado, etc.), e o estudo gnóstico cumpre esse papel, ritualizando, simbólica e filosoficamente, a senda do iniciado. Essa estrutura simbólica e ritual do gnóstico identifica numerosas heranças inconscientes coletivas, procedentes de diversas e antigas tradições. Os arquétipos ou símbolos são uma linguagem metafórica. Os rituais são as cerimônias de transformação interior; estão carregados de alegorias que se impõe desvendar e assimilar. Os símbolos utilizados têm origens diversas, e a espada, o número sete e o labirinto são alguns deles.

O mito de Teseu é, claramente, a descrição de um ritual de passagem: do profano ao sagrado; do homem profano, ao buscador. Pode-se compreender esse mito como o caminho que faz o indivíduo, a partir do momento que decide ser buscador: é o caminho do iniciado.

A espada, que Teseu usada no banquete, é símbolo da energia solar, do falo, da Criação e do Logos. Representa a força, a energia masculina e a coragem. É, também, um símbolo de justiça, de divisão entre o bem e o mal, de decisão. Uma espada dentro da bainha significa temperança e prudência. Acessório muito usado nas cerimônias de iniciação, geralmente, como símbolo de poder e autoridade, como emblema dissipador das trevas da ignorância. Nas reuniões de banquetes ritualísticos, é o nome que se dá à faca.

O número sete é místico – as sete cores do arco-íris, as sete notas musicais, os sete estados de consciência do homem, os sete raios cósmicos, etc. O número da vida – a união do ternário (espírito) com o quaternário (matéria). Os sete espíritos ante o Trono de Deus. Os sete Sacerdotes da Lei Cósmica. Os Sete Senhores do Carma. Os sete ciclos da Terra (quatro ciclos lunares com duração de sete dias). A origem do calendário atual. A renovação celular do corpo humano (sete em sete anos). Os sete orifícios do rosto humano. A plenitude, a ordem perfeita. A medida reguladora da coesão universal: sete planetas, sete divindades, sete metais, sete cores, sete dias da semana, sete chakras, sete pecados capitais e sete virtudes que lhe são contrapostas. A lei da evolução. O número dos adeptos e dos grandes iniciados. Quando Teseu se coloca entre os jovens que seriam devorados pelo Minotauro, passa a fazer parte da magia do número sete.

No mito de Teseu, o ápice de sua história é a entrada no labirinto, que representa sua alma, seu interior – ele vai até seu âmago destruir o mal ainda escondido. Somente Teseu conseguiu a façanha de sair vivo do labirinto, com a ajuda de Ariadne, que sabia o segredo. Esotericamente, por seus caminhos tortuosos e desconhecidos, o labirinto é considerado um símbolo da iniciação e representa a descoberta do centro espiritual oculto, a dissipação das trevas para o renascimento na Luz, a superação dos obstáculos e o encontro com o caminho da verdade.

Teseu passou por todas as  fases de um ritual: separação, purificação, morte e renascimento. Teseu simboliza as transformações que acontecem com o aspirante ao conhecimento oculto. Ele vai crescendo, enfrentando vários inimigos, até deparar-se com o mais terrível deles: sua própria fraqueza, seu labirinto.

Ao buscador é ensinado que, ao sair de cada labirinto, o iniciado estará enriquecido, mais experiente e mais determinado, e que sempre haverá outros labirintos a serem conquistados, e não destruídos. O iniciado é um Teseu, que sempre se aventurará nos labirintos de suas escolhas.

Autora: Martha Follain

Fonte: Revista Arte Real

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O Mestre Instalado

Volveremos nossa atenção para a data de 12 de outubro de 1804, quando da fundação do segundo Supremo Conselho do Mundo, o da França, oriundo dos EUA, com a finalidade de difundir o Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA) na Europa. Denominado, inicialmente, como Rito para os Altos Graus, chegou sem ritual próprio para os três primeiros Graus. O conjunto desses Graus ainda não era denominado de Simbolismo, sendo conhecido na época por Lojas Azuis ou Blue Lodges.

Dez dias depois foi realizada uma Assembleia do Supremo Conselho, também em Paris, na qual foi fundada a Grande Loja Geral Escocesa, que teve como primeira missão a organização do ritual francês das Lojas Azuis do REAA, que se baseou no ritual da Grande Loja Inglesa dos Antigos (1751), sendo que o Grande Oriente da França (GOF) praticava o mesmo Rito Escocês da Grande Loja dos Modernos, que era na verdade o Rito Francês ou Moderno. Pouco tempo depois, formalizou-se um acordo entre o GOF e o Supremo Conselho para a prática do REAA.

O GOF, que tinha a decoração de seus Templos baseada no Rito Francês, começou a praticar o REAA sem fazer as devidas alterações, misturando aspectos desses ritos, fruto disso, hoje, o REAA é o mais enxertado do mundo, principalmente aqui no Brasil, com a ajuda do criador das Grandes Lojas, o Irmão Mário Bhering, que buscou agradar a Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI), a fim de conquistar sua simpatia e reconhecimento.

Em 1816, após momentos conturbados com o Supremo Conselho, o GOF assumiu a jurisdição de parte do Rito Escocês Antigo e Aceito, decidindo que ficaria com o poder sobre o conjunto dos Graus 1º ao 18º. Essa escolha baseou-se na intenção de dirigir o Rito Escocês Antigo e Aceito com a mesma abrangência simbólica, como já fazia com o Rito Moderno, ou seja, do Grau de Aprendiz ao de Rosa-Cruz. No Rito Moderno, o grau de Rosa-Cruz é o 7º, e no Escocês Antigo o 18º. Em 1820, o Grande Oriente reorganizou o REAA, voltando-o para o funcionamento sequencial do Grau de Aprendiz ao de Rosa-Cruz. A esse conjunto de Graus, sob a mesma direção, foi atribuída a denominação de Loja Capitular, presidida preferencialmente por um Cavaleiro Rosa-Cruz.

Surge uma nova concepção obediencial no Rito Escocês Antigo e Aceito na França: Lojas Simbólicas, Lojas de Perfeição, Capítulos, obedientes ao GOF; Conselhos Kadosh, Consistórios, Supremo Conselho, obedientes ao Supremo Conselho do Grau 33. Posteriormente, a maçonaria brasileira seguiria esse formato francês, permanecendo assim até o ano da criação das Grandes Lojas, por Bhering, em 1927, quando o Supremo Conselho conseguiu recuperar seu poder nos Graus 4º ao 33º.

Com o surgimento das Grandes Lojas no Brasil, essas tiveram a missão de organizar e coordenar a prática dos três primeiros graus, então já chamados de Simbólicos. As modificações produzidas pelo GOF em 1820 com o ritual que criou as Lojas Capitulares, não foram desfeitas, sendo incorporadas aos Graus Simbólicos do rito definitivamente.

Surge, com isso, uma modificação que perdura até os dias de hoje, e muitos não têm conhecimento: o piso do Oriente em desnível com o do Ocidente, próprio das Lojas Capitulares, conforme o ritual de 1820. Pode-se observar que, no ritual de 1804, o piso do Templo é todo plano, apenas o Trono do Venerável Mestre era mais elevado e não havia separação com balaustrada. O Oriente elevado foi criado para simbolizar o Santuário do Grau Rosa-Cruz. O Venerável Mestre, preferencialmente, deveria ter no mínimo, o Grau 18, assim como os que tinham assento no Oriente.

O Oriente elevado jamais fez parte da ritualística dos Graus Simbólicos e, portanto, não deveria ter permanecido na descrição do Templo após o desaparecimento das Lojas Capitulares, pois isso contribuiu para desinformar a respeito do Templo adequado para as Lojas Simbólicas.

Com o surgimento das Grandes Lojas Brasileiras, o Templo das Lojas, que se transferiram do Grande Oriente do Brasil (GOB) para as Grandes Lojas, antes ajustado para os Graus Capitulares, e alguns, ainda carregados em sua ornamentação de influências do Rito Francês (Moderno), não foi readaptado para o modelo original do Rito Escocês Antigo e Aceito anterior a 1820, ou seja, o piso plano em toda a extensão.

Após esse introito, passaremos a falar de mais um enxerto no REAA, tema principal desta matéria: a figura do Mestre Instalado. A cerimônia de Instalação do Mestre da Loja é até mais antiga do que o próprio grau de Mestre Maçom, já que, antigamente, quem dirigia a Loja era um eleito entre os Companheiros; não existia o Grau de Mestre Maçom. Posteriormente, surgiria tal grau. E, com a figura do Past Master (Mestre Instalado) pairava uma dúvida, pois o grau maior do Simbolismo sendo o de Mestre Maçom, não poderia aceitar a participação de aludida figura na Cerimônia de Instalação do Mestre da Loja, nem mesmo os que já tivessem ingressado no estudo dos Graus Superiores. Afinal, o Mestre Instalado é um Grau ou não?

A cerimônia de Instalação do Mestre da Loja remonta ao início do século XVIII, sendo introduzida em toda a Maçonaria, somente, a partir de 1810. Tal cerimônia é anterior à criação do Grau de Mestre Maçom em 1724, e somente efetivado em 1738. O título de Venerável Mestre teve origem nos meados do século XVII, com a transição da Maçonaria Operativa para Especulativa. Deriva da palavra inglesa “Worship”, significando “culto”, “adoração”, “reverência”. Como forma de tratamento, a palavra inglesa “Worshipful”, significa “adorado”, “reverente”, “venerável”. Portanto, “Worshipful Master” significa Venerável Mestre.

Na Alemanha, o Venerável Mestre recebe o nome de “Meister vom Stuhl”, ou seja, Mestre de Cátedra. A Cátedra é o significado mais importante do Veneralato. O Catedrático é mais um doutrinador, um ensinador, um sábio, que inaugura uma nova era de conhecimento, que dá nova visão do mundo e que a ninguém presta obediência doutrinária. Portanto, um Venerável Mestre não pode ser sagrado, e sim, consagrado por uma Comissão de três Mestres Instaladores, devidamente, nomeada pelo Grão-Mestre.

A palavra instalação é oriunda do latim medieval, “in” e “stallum”, cadeira. Chamamos de Instalação o ato que concede o direito de exercer privilégios de um ofício. Um aspecto importante e específico da Instalação Maçônica é o que dá direito de sagrar homens e objetos. A Instalação do Venerável se dá no Trono de Salomão, na Cadeira do mais Sábio dos Reis, conquistando o mesmo o poder de ungir Maçom, de fazer Maçom.

No Ritual Emulation, existe o chamado Santo Real Arco, criado por volta de 1751, baseado no retorno do povo judeu da Babilônia e em uma antiga lenda sobre a descoberta de um altar, de uma cripta e da Palavra Sagrada. Não chega a ser um Grau em si, embora essa não seja a interpretação de boa parte dos maçons ingleses, mas, sim, uma extensão do Grau de Mestre, tendo ritualística própria, e parte do ritual reservada, apenas, aos “Past Masters”.

Em meio à tentativa de união das Grandes Lojas Inglesas (Modernos e Antigos), isso chegou a ser um impasse. Em 1813, concretizou-se a união dessas Potências, sendo que a maçonaria inglesa considerou que, no Simbolismo, existem apenas os três Graus conhecidos, porém o Santo Arco Real, nesses, está inserido (vai entender!), embora exista um Supremo Grande Capítulo que o administra separadamente.

No Brasil, até 1928, nem no Rito Moderno nem no REAA, foi realizada qualquer Cerimônia de Instalação. Com o surgimento das Grandes Lojas, o REAA adotou essa prática, que, anos mais tarde, também, foi imitada pelo GOB. A pedido do Grão-Mestre Álvaro Palmeira, o insigne escritor Nicola Aslan, que em 1966 havia se desligado das Grandes Lojas e se filiado ao GOB, foi incumbido de escrever um Ritual de Instalação, adotado no ano seguinte.

O Templo com o piso do Oriente elevado, oriundo das Lojas Capitulares, passou a ser reservado aos Mestres Instalados, o que veio a fortalecer essa nova categoria, que possui segredos próprios e exclusivos.

Voltamos a perguntar: Mestre Instalado é um Grau? A resposta é não. Porém, sua superioridade hierárquica sobre o Mestre Maçom se caracteriza na Cerimônia de Instalação, no momento em que todos os Mestres Maçons não-instalados, mesmo os portadores dos Altos Graus, são obrigados a cobrirem o Templo.

Dada a sua experiência, adquirida por haver presidido uma Loja, compõe o Colégio de Mestres Instalados de sua Oficina, e aí, até justificando sua presença no Oriente, servindo como consultores, em auxílio ao Venerável Mestre.

A dignidade do Mestre Instalado é compatível, tão somente, com Ritos Anglo-Americanos, como o Craft e o York, que permitem, no Ritual, a supremacia hierárquica do Mestre Instalado sobre o Mestre Maçom não-instalado, embora, oficialmente, a Grande Loja Unida da Inglaterra não reconheça essa supremacia.

O termo Past Master tem sua origem na Maçonaria Inglesa e é próprio do Ritual Emulation, servindo para designar o Ex-Venerável Mestre. De forma errônea, algumas Grandes Lojas, como a Americana e a Brasileira o adotaram. Para os americanos, é válido pelo idioma inglês adotado e por praticarem o Craft no Simbolismo, mas, para nós brasileiros, usuários da língua portuguesa, esse termo nada tem a ver, principalmente, por não existir no REAA. Temos visto muitos Irmãos pronunciarem o termo “Past Venerável”, o que vem a ser pior ainda, já que não define qual idioma se pretende usar. O certo é tratar o Mestre Instalado, que recém encerrou seu Veneralato, de Ex-Venerável.

Há alguns anos, quando proferimos uma palestra no Rio de Janeiro sobre “Cabala e Maçonaria”, relacionamos a Árvore da Vida com os cargos em Loja e tivemos a oportunidade de fazer uma analogia da invisível e misteriosa Sephira Daat, cujo significado é “Conhecimento”, posicionada, ocultamente, na coluna central da Árvore da Vida, entre Kether (Coroa – a origem de Tudo) e Tiphereth (local do Eu Superior), com a figura do Mestre Instalado. Tal Sephira, somente, surge após a realização das 10 Sephiroth, interligadas através dos 22 caminhos da Sabedoria, relacionados aos 22 Arcanos Maiores do Tarô, que, somando-se às 10 Sephiroth, aludem ao número 32, os 32 Portais da Sabedoria. Em relação ao corpo humano, são os nossos 32 dentes, localizados na boca, de onde vem a força do Verbo, da Vibração, o Poder da Criação Espiritual. O surgimento da Sephira Daat soma o cabalístico número Mestre, o 33, tão nosso, porém oriundo de Antigas e Ocultas Tradições, do qual pouquíssimos Iniciados nos Verdadeiros Mistérios têm conhecimento, como a Ordem dos Traichu-Marutas. Mas esse já é outro assunto, que poderemos, até, tratar em outra oportunidade.

Autor: Francisco Feitosa

O Tronco de Solidariedade

Na época da construção do Templo, erguido por Salomão em Jerusalém, foi criada uma coluna em miniatura que girava por entre as bancadas, recebendo as contribuições. A mão era introduzida pelo alto capitel, que a ocultava, havendo uma fenda no cimo do fuste para a passagem da oferta; naquela época, os arquitetos a denominavam “Tronco”.

A função caritativa da Maçonaria se tornou tão destacada, que a Ordem passou a ser identificada como filantrópica. Ouvia-se falar que a imagem da Maçonaria era Fraternidade e Caridade. Assim, a antiga coleta, que se fazia entre os sacerdotes foi estendida aos associados, passando a ser destinada às obras piedosas da Corporação ou da Loja. Era costume, nas antigas “guildas”, recolher contribuições dos que podiam ofertá-las para socorrer os congregados, entre os quais se encontravam todos os tipos de homens: senhores, trabalhadores e serviçais. A proteção se estendia às viúvas, órfãos, inválidos e servia até para defesa judicial dos membros.

Essa tradição passou à Maçonaria. Toda árvore é sustentada pela robustez de seu tronco, em cujo interior sobe a seiva alimentadora. O tronco é mais forte na medida em que, pelo passar dos anos, são acrescidos os anéis ou camadas, isso faz com que seja aumentado seu diâmetro – seu volume. A função do Tronco de Solidariedade é crescer, sempre que exista necessidade de atender aqueles Irmãos mais necessitados ou seus familiares. O Tronco somente fortalece-se na medida em que aqueles que contribuem o fizerem com o intuito de ajudar. Ele nunca é suspenso. O que é suspenso é o giro para reiniciar nas próximas reuniões.

As administrações das Lojas devem ter em mente que o Tronco tem uma única finalidade, não fazendo parte do patrimônio das mesmas. A tradição é de socorro e assistência a Irmãos necessitados, suas viúvas e órfãos. Isso deve ser cumprido em primeiro lugar. Para isso, o Irmão Hospitaleiro deve, sempre, reservar uma parcela do mesmo para eventualidades e urgências. Propostas de Irmãos, para que a Loja destine o Tronco a instituições profanas, devem ser analisadas com muito critério e, se for atendida, não devemos, nunca, esquecer-se da reserva acima mencionada, destinando-se, para esse fim, uma menor parte do Tronco para as entidades assistenciais maçônicas e não-maçônicas.

As dádivas para o Tronco são sigilosas. Cada Irmão contribui com o que pode e, se desprovido, não dará nada, mas como todos, deve introduzir a mão fechada no recipiente e retirá-la aberta, pois ninguém pode servir-se das importâncias depositadas, cujo total é creditado à Hospitalaria. Um mau costume, felizmente abolido, foi o de apregoar dádivas de Lojas ou Irmãos ausentes. O giro do Tronco deve ser praticado em silêncio ou ao som de música suave, cujos temas sejam de amor e de amizade. (Os maçons Mozart e Franz Lizt compuseram peças com esses temas. Do primeiro: “Das Lob der Freudschat” e “Die Maurerfreude”; do segundo: “Sonho de Amor”).

Pelo acima exposto, fica claro que a Maçonaria não é apenas uma sociedade de beneficência, o que muitos profanos e aprendizes recém-ingressos na Ordem trazem em seus pensamentos. O principal é lembrar que o Tronco de Solidariedade, Beneficência, das Viúvas, etc, chamem-no como quiser, se destina a ajudar os Irmãos necessitados e, por conseguinte, seus familiares.

Autor: Júlio César Morganti

Quem foi Mário Behring?

Mário Behring foi o fundador do sistema de Grandes Lojas no Brasil.

Ao tentarmos dizer alguma coisa sobre a figura exponencial de MÁRIO BEHRING, fazemos com o maior respeito e admiração. Entendemos que nunca devemos negar os justos aplausos aos que, conscientes da verdade dos fatos e do direito, dispõem-se a colocar sobre os próprios ombros, o julgamento da história. Já temos aprendido, sobejamente, que errar é humano; permanecer no erro é obstinação.

Os adversários do nosso Ilustre Irmão MÁRIO BEHRING, costumam apontar-lhe erros e omissões com o fim precípuo de desmerecer o seu caráter ou ofuscar o brilho de suas idéias e o ímpeto de sua coragem.

Certamente, não é fácil lutar contra os “poderosos”, mas não é difícil, estamos convencidos, usar o bom senso para bem esclarecer os que na defesa dos próprios interesses ou de grupos, preferem perpetuar-se desfilando, propositadamente, nos caminhos perigosos da incerteza e da insegurança.

MÁRIO MARINHO DE CARVALHO BEHRING, mineiro de nascimento, nascido aos 27 dias do mês de janeiro do ano de 1876, isto é, a pouco mais de um século, no alvorecer de sua maioridade, isto é, aos 22 anos, transpôs o pórtico da Loja Maçônica “UNIÃO COSMOPOLITA”, lá mesmo em Minas Gerais, onde, mais tarde, sem muito se demorar, veio a empunhar o Primeiro Malhete de sua Oficina.

Ponderado em suas palavras, porém desassombrado em suas atitudes MÁRIO BEHRING, conforme a filosofia dos seus tempos, logo iniciou uma luta sem quartel em favor da liberdade de pensamento e contra os radicalismos de todas as espécies, principalmente, o religioso.

No início do século passado, ou seja, em 1901, transferiu-se para a cidade do Rio de Janeiro, então capital da República, onde pelo seu comprovado gosto pelos estudos sobre os assuntos Maçônicos, veio a ser nomeado Membro da Comissão de Redação do Boletim Oficial do Grande Oriente do Brasil, então única Potência Maçônicas existente no Brasil, originário da Loja “Comércio e Artes” que, subdividindo-se em três, isto é , da mesma “Comércio e Artes”, “União e Tranqüilidade” e “Esperança de Niterói”, fundou o GOB em 17 de Junho de 1822, conforme consta de seus registros.

É bem de ver que, tão logo MÁRIO BEHRING começou a comparar os resultados dos seus estudos sobre a ORDEM com as estruturas do GOB, passou a querer influenciar na reformulação dos procedimentos do mesmo, principalmente, quando renunciou a sua eleição, em 1903 para Membro efetivo do Gr:. Capítulo do Rito Francês ou Moderno, numa irrecusável demonstração aos menos avisados de que, embora combatesse, febrilmente, o sectarismo e intolerância religiosas, cultivava a sua crença no G.A.D.U. e na imortalidade da alma, postulados não aceitos pelo referido Rito, apesar de nele haver inicialmente orientado os seus primeiros passos.

Continuou MÁRIO BEHRING Membro da Comissão de Redação do Boletim Oficial desde 1902 até 1905, tendo sido eleito em 1906, Grande Secretário Adjunto, quando, mais uma vez, usando de seus conhecimentos, elaborou, em 1907, o projeto da Constituição do GOB que pela conotação liberalista emprestado aos seus dispositivos, tenderia, fatalmente, à regularidade, não somente de suas origens, mas, sobretudo, dos seus trabalhos, não fosse o desvirtuamento que lhe deu uma Comissão de 18 Membros encarregados de sua redação final, para proteger os interesses contrariados pelo trabalho de MÁRIO BEHRING.

Apesar de toda sua luta e influência, MÁRIO BEHRING não conseguiu ver vitoriosos os seus pontos de vista que, em última análise, era uma tomada de posição em consonância com o desenvolvimento da Maçonaria Universal.

Mais esclarecido na investigação da verdade e desejando prosseguir, sob os eflúvios do G.A.D.U., no seu empreendimento, MÁRIO BEHRING aceitou a sua eleição, em 1907 para Membro Efetivo do então Supremo Conselho do Grau 33 para os Estados Unidos do Brasil de onde poderia melhor combater os desmandos a que era submetida a nossa Ordem no Brasil, pelos excessos de poder e apaixonada vaidade dos que se aproveitavam da Ordem ao seu bel-prazer, ainda que esse comportamento pudesse redundar em prejuízo para os verdadeiros objetivos de nossa Instituição.

Sem dúvida, entre os que se opuseram às idéias de MÁRIO BEHRING encontravam-se homens que, apenas por erro de observação ou possível desconhecimento da universal regularidade então buscada, permaneceram na arraigada defesa das suas posições.

Todavia, pelo entusiasmo de suas palavras e pela seriedade de seus propósitos, MÁRIO BEHRING começava a encontrar apoio dos que viam nele um líder eficiente e capaz de tomar uma posição em favor da regularidade da nossa ORDEM no Brasil, ainda que isso lhe custasse, presumivelmente, muito suor e muitas lágrimas.

A interinidade do seu Grão-Mestrado de 10/08/20 a 19/11/20 e de 25/12/20 e 22/04/21, valeu-lhe a experiência da efetividade do seu mandato no período de 28/06/22 a 13/07/25 vez que, lutando em todas as frentes, por nossa regularidade, inclusive junta ao Congresso Internacional de Lausanne, em 1921, reconhecia, com maior força de argumentos, a necessidade de não confundir as administrações do Simbolismo com o Filosofismo.

Terminado o seu mandato de Grão-Mestre, MÁRIO BEHRING, passou o Malhete ao seu sucessor Venâncio Neiva, o qual, procurando coonestar o movimento encabeçado por MÁRIO BEHRING, elaborou um Tratado a ser firmado entre os Graus Simbólicos e os Graus Filosóficos. Infelizmente, por ter, se passado para o Oriente Eterno aquele irmão não pode firmá-lo, cabendo ao seu sucessor Fonseca Hermes, a responsabilidade de fazê-lo.

Dava-se ao Tratado a significação de vida não dependente, porém, harmônica entre as duas administrações.

Isso, entretanto, não vingou por muito tempo, eis que forças e interesses se levantaram a ponto de levar o Grão-Mestre Fonseca Hermes à renúncia, instalando-se em seu lugar Octavio Kelly, o qual, desrespeitando todo esforço anteriormente feito e a legislação Maçônica Internacional, passou a exercer, de modo hostil, os cargos de Grão-Mestre e Soberano Grande Comendador, mesmo não tendo sido eleito para este último cargo.

Com essa atitude o Grão-Mestre Octavio Kelly proclamando-se, também, Soberano Grande Comendador, rompeu o Tratado assinado em outubro de 1926 e deu lugar a que MÁRIO BEHRING, em 20/06/27, vendo-se espoliado na legitimidade e regularidade do seu cargo, e, sentindo a responsabilidade dos compromissos assumidos no exterior, uma vez que somente avocando o DEC, de 01/06/21, que dava ao Supremo Conselho do Brasil, personalidade jurídica distinta do GOB é que foi admitido no Congresso de Lausanne e confiando nos que haviam de defender, a qualquer custo, os postulados que ensejaram o reconhecimento da Maçonaria Brasileira entre seus Irmãos do Universo, retirou-se do Grande Oriente do Brasil e estimulou a fundação das Grandes Lojas Brasileiras.

MÁRIO BEHRING era um engenheiro e não um advogado como muitos pensam ter sido, pelo ardor de sua luta e pela firmeza dos seus argumentos diante dos mais renomados jurisconsultos seus opositores. O seu desmedido interesse pela leitura dos assuntos maçônicos e o desejo de projetar a nossa ORDEM no concerto Universal, impulsionaram-no a fundar as Grandes Lojas Brasileiras há 80 anos passados.

Sem embargo, podemos afirmar com SALVADOR MOSCOSO, em seu trabalho publicado na Revista “ASTRÉA” de dezembro de 1966; “o homem maçom que volver os OLHOS para a história e a experiência de Mário Behring, não escreveria um livro, mas faria um exame de consciência”.

Mário Behring, quis legar os vindouros, através de páginas expressivas na história Maçônica Brasileira, algo da própria respiração, fazendo dele documento animado de personalidade. Foi tão fiel o retrato de suas ações que o oferecem aos seus Irmãos como valioso presente, narração dos movimentos avulsos da sua sensibilidade nas várias emergências da vida.

Nunca se observou o cansaço, havendo, em todos os excertos, a corajosa decisão de quem se propôs inventariar como Maçom e por isso com serenidade, os passos das transatas caminhadas.

O futuro há de saborear, avidamente, a sua história porque nela se guarda o Maçom insigne que a escreveu. Nela ficará, fielmente o retrato, e para todo o sempre, Mário Behring com aquela emoção, educada e sutil, de quem sempre desprezou as falsas pompas.

Aí estão, em rápidas pinceladas sem retoques, alguns traços da marcante e exemplar personalidade do Paladino da Regularidade Maçônica Brasileira que, ao seu tempo, soube honrar os juramentos feitos e os compromissos assumidos perante o G.A.D.U., e a sua consciência. MÁRIO BEHRING soube respeitar a dignidade dos seus semelhantes, sem ostentação ou falsa modéstia.

Em 14 de Junho de 1933 quando viajou para o Oriente Eterno, deixou-nos, tal qual um vigoroso cometa, um rastro de intensa claridade a nos guiar pelos caminhos do equilíbrio, da moral e da razão.

Transcrito de Nós e a X Conferência da CMI.

Fonte: Site da GLP

O Supremo Conselho do REAA no Brasil

2/03/1829 – o Irmão Francisco Ge Acayaba de Montezuma, depois Visconde de Jequitinhonha, então no exílio, recebe do Supremo Conselho do Grau 33° do REAA da Bélgica, uma carta de autorização para instalar um Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil.

12/11/1832 – de volta ao Brasil o Irmão Montezuma instala o Supremo Conselho usando a autorização do Supremo Conselho da Bélgica.

Durante os anos seguintes, várias foram as cisões e aproximações em torno do Supremo Conselho.Uma das características dessa fase é um amálgama, entre o Supremo Conselho e o Grande Oriente do Brasil, de forma que o Grão-Mestre eleito passava a ser o Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Rito Escocês, mesmo que tal Grão-Mestre sequer fosse membro do Rito.

1925 – O Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, e portanto Soberano Grande Comendador do Rito Escocês, era o Irmão Mário Behring que, concluindo pela irregularidade de tal situação decidiu separar as duas jurisdições a exemplo do resto do mundo, os Graus Simbólicos com o Grande Oriente do Brasil e os Graus Superiores com o Supremo Conselho. Assim, não mais se candidatou ao cargo de Grão-Mestre permanecendo como Soberano Grande Comendador. Estava feita a tão desejada separação.

O Grão-Mestre eleito, Irmão Octavio Kelly, levado por alguns dissidentes achou por bem não mais reconhecer a separação decidindo assumir também o cargo de Soberano, para o qual não foi eleito, sendo prontamente rechaçado pelos Membros com direito a voto no Supremo Conselho. O que era uma separação amigável transformou-se em cisão.

1927 – Assim, ficou o Supremo Conselho sem ter base simbólica onde buscar os Mestres Maçons para ingresso no Grau 4, e o Grande Oriente do Brasil sem ter para onde mandar os Irmãos das Lojas Escocesas desejosos de continuar os seus estudos. Não tendo alternativa, o Supremo Conselho, que continuava a ser dirigido pelo Irmão Mário Behring, promoveu a criação das Grandes Lojas Brasileiras para delas poder continuar a retirar os Mestres para as suas Lojas de Perfeição (Grau 4 ao 14). Membros do Grande Oriente do Brasil, por sua vez, criaram, apoiado em alguns ex-membros do Supremo Conselho, um novo Supremo Conselho, que foi chamado de reconstituído.

1929 – Paris, França, é realizada a IV Conferência Mundial, onde comparecem os Supremos Conselhos Montezuma e o Supremo Conselho “reconstituído”. Naquela ocasião ficou, definitivamente, assentado que o único Supremo regular, reconhecido e única autoridade legal e legítima para o Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil é o que hoje se denomina “SUPREMO CONSELHO DO GRAU 33º DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO DA MAÇONARIA PARA A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, com sede em Jacarepaguá, Rio de Janeiro cujo Soberano Grande Comendador é o Irmão Luiz Fernando Rodrigues Torres, 33°, que, de 2000 a 2005, foi, também, o presidente da XVI Conferência Mundial de Supremos Conselhos.

Tal decisão tem por base o Art. 5°, das Grandes Constituições de 1786, que determina que só pode existir um Supremo Conselho em cada País, exceto nos Estados Unidos da América, onde foi previsto a existência de dois. Não se trata, entretanto, de cisão até porque um é filho do outro.

2000 – Rio de Janeiro, Brasil – Realizada a XVI Conferência Mundial dos Supremos Conselhos com a presença de quase todos os Supremos Regulares do Mundo. O Ir. Luiz Fernando Rodrigues Torres, 33°, Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República do Brasil passa a ser o Presidente da XVI Conferência Mundial, e em 2005 transferiu o cargo para o Ir. JACK BALL, 33º, Soberano Grande Comendador da Austrália.

Texto extraído do site do Supremo Conselho (http://www.sc33.com.br/)

Influências na Maçonaria

Sobre o tema “Influências na Maçonaria” gostaria que os Irmãos pensassem sobre a possibilidade de todos e tudo que compõem a criação do Grande Arquiteto do Universo de se transformarem e promoverem transformações. A vida é a grande ligação entre o Ser e o ambiente. O Ser influencia o ambiente, assim como o ambiente influencia o Ser. Ao usar a palavra ambiente, quero expressar não só a estrutura material que cerca o indivíduo como também suas relações pessoais para com a sociedade que está inserido.

Da transformação da Pedra Bruta para a Pedra Cúbica os instrumentos usados poderão até serem os mesmos em diferentes latitudes e longitudes, porém a técnica do lavrar está diretamente relacionada com a dinâmica histórica sociocultural da “Pedra”. Na verdade as transformações caminham sob o “fio da navalha”, é preciso muito cuidado em não confundir “transformações adaptativas” com “transgressões ideológicas”.

Por mais “profanador” que possa parecer, haverá sempre a necessidade de adequações INFLUENCIADAS PELO ESTUDO! Sejamos sinceros, temos o Rito Escocês “Yorquiano” e Rito de York Escocês. Muitas “coisas bonitas” foram inseridas nos trabalhos e quantas “coisas sérias” caíram em desuso. Permitam-me um pouco de divagação, compararei nossa Sublime Ordem a um “Ser Vivo” e como tal é regida por Leis Universais e uma delas é a Evolução. Peço aos Irmãos que compreendam que me guiarei por uma linha de raciocínio bem ilustrativa que poderá não ser operacional (operativa), mas com certeza será quimérica (especulativa).

Em 1809 o naturalista francês Jean-Baptiste Lamarck publicou o livro Filosofia Zoológica (Teoria de Lamarck), segundo o mesmo, o princípio evolutivo estaria baseado em apenas duas Leis:

  1. Lei do Uso ou Desuso. “O uso de determinadas partes do corpo do organismo faz com que estas se desenvolvam, e o desuso faz com que se atrofiem”.
  2. Lei da Transmissão dos Caracteres Adquiridos: ”Alterações provocadas em determinadas características do organismo, pelo uso e desuso, são transmitidas aos descendentes.” 

Deixando a Biologia de lado, em Maçonaria podemos dizer que a Teoria de Lamarck é a justificativa de várias atividades em Lojas devido aos famosos “Usos e Costumes” locais. Os cientistas atuais rejeitam a Teoria de Lamarck por causa de um simples detalhe: “Características adquiridas não são hereditárias” e o mesmo acontece em nosso labor.

Algumas Lojas fazem belíssimas aberturas dos trabalhos, com acendimento das velas, leitura de “Minutos de Sabedoria”, até “Amém” já ouvi, mas nada disso faz parte do DNA da Maçonaria, são características da Loja ou de uma Potência, quando muito de um Rito. Insisto: são características e não fundamentos.

Voltando às especulações baseadas nas Ciências Biológicas, em 1859 Charles Darwin (naturalista britânico) lançou a Teoria da Evolução das Espécies e é a que podemos comparar com a Realidade da Evolução da Maçonaria.

O Primeiro Postulado de Darwin dizia “que o mundo não é estático, mas evolui. As espécies estão mudando continuamente, algumas se originando e outras se ‘extinguindo’”. Os Irmãos concordam que a Maçonaria não é estática, mas evolui? Os Obreiros e Ritos estão mudando continuamente, alguns se originando e outros se extinguindo!

O Segundo Postulado diz que o processo de evolução é gradual e contínuo. Assim também cresce a Sublime Ordem.

O Terceiro Postulado ensina que uma comunidade descende de organismos semelhantes e que ao final teríamos sempre um ancestral comum. Será que eu poderia dizer que esta relação com um ancestral comum, é para os Maçons Atuais a Lenda dos Três Graus?

O Quarto Postulado é conhecido como Seleção Natural – “O ambiente viabiliza a manutenção ou supressão das espécies, conservando, maximizando ou minimizando a frequência de um gene, a ponto de suprimi-la.”

Reflitam bem quanto à Seleção Natural da Maçonaria, quantas décadas se passaram, quantos fatos históricos ocorreram, quantas mudanças políticas, quantas pressões religiosas, mas principalmente, quanto o Homem amadureceu e expandiu sua sensibilidade e intelecto? Os símbolos serão sempre os mesmos, o que mudará constantemente é a interpretação humana deles.

Tenham certeza meus Irmãos que, a nós Livres Pensadores, cabe seguir os passos de nossos antecessores: Captar as boas influências da Sociedade e influenciá-la com nossos valores.

Autor: Sérgio Quirino Guimarães
ARLS Presidente Roosevelt, Nº25 – GLMMG

Do Lado de Dentro ou do Lado de Fora?

Existem duas situações e várias variantes sobre o posicionamento das Colunas “J” e “B”, porém o mais importante é compreendermos que há dois Templos, um real e histórico outro lendário e místico. O que foi realmente construído com pedras é o TEMPLO DE JERUSALÉM, obra de Hiram Abiff, Hiram Rei de Tiro e do Rei Salomão que reinou entre 971 a.C. e 941 a.C. Nesta obra material, que foi erguida no Monte Moriah (Moriá), conforme descrito em Reis I, Capítulo 7, versículo 21 (“Depois levantou as colunas no pórtico do templo; levantando a coluna direita, pôs-lhe o nome de Jaquim; e levantando a coluna esquerda, pôs-lhe o nome de Boaz.”) as Colunas “J” e ”B” ficam do lado de fora do Templo.

Então os mais apressadinhos dirão que as Colunas devem ficar do lado de fora do ambiente onde funciona uma Loja Maçônica. Não é bem assim; eu pergunto ao Irmão se a estrutura física que abriga sua Loja Maçônica é uma cópia do Templo de Jerusalém? Sim ou não? Espero que tenha dito não, pois fica difícil imaginar o Templo de Jerusalém com bancos na posição que se encontram em nossos dias.

Há alguma descrição bíblica da Escada de Jacó no Templo de Jerusalém? Dentro da liturgia ou ritualística dos hebreus teria lugar para um Primeiro Vigilante? Tantos altares e Oficiais? Se ainda esta em duvida, observe que em alguns Templos Maçônicos encontramos bustos de deuses grego-romanos (Hércules, Minerva/Palas, Vênus/Afrodite), o olho de Hórus (cultura egípcia), e o busto de Marianne esta dentro de todos os Templos Maçônicos franceses.

E então chegamos à conclusão que tudo esta errado! Errado é pensar assim! Os Templos Maçônicos só começaram a ser construído no Século XVIII, a primeira inspiração dos nossos Irmãos foi o ambiente material onde desenrola nossa Lenda, logicamente com os elementos físicos e simbólicos que nos remeteriam as instruções e valores maçônicos. Mas não foi a única fonte de coleta de símbolos e instruções.

Nosso pavimento por exemplo, lembra muito uma das bandeiras dos Templários. Neste momento é que realmente foi construído o TEMPLO DE SALOMÃO, obra ficcional, ou seja, uma obra parcialmente baseadas em fatos reais, mas sempre com algum conteúdo imaginário. Nesta obra mítica é que esta inserida uma Loja Maçônica, nós trabalhamos no “Templo de Salomão” que não é uma obra de pedra, pois não somos mais Maçons Operativos, trabalhamos com valores, ao cavarmos masmorras ao vício, não sujamos nossas mãos de terra, pelo contrário, as luvas brancas devem continuar sem máculas.

Ao levantarmos templos a virtude não podemos suar, afinal este trabalho deve ser algo rotineiro e como Maçons Especulativos já estamos habituados. O verdadeiro Templo Maçônico é uma estrutura composta de muitos símbolos, anexados aos trabalhos conforme a ritualística, a cultura e as instruções do Rito. Portanto se em seu labor a visualização do símbolo lhe ajudará a compreender a instrução, este símbolo deve estar presente.

Resumo: O verdadeiro Templo de Salomão não é o Templo de Jerusalém, as Colunas “J” e “B” do Templo de Jerusalém ficavam do lado de fora. As Colunas “J” e “B” do Templo de Salomão ficam do lado de dentro. E então alguém perguntará: – Mas Irmão Quirino, em nossa Loja ou Potência sempre as Colunas estiveram do lado de fora! Tudo bem, deixe-as onde estão, mas por favor, por uma questão de coerência coloquem o “Mar de Bronze” também do lado de fora.

Autor: Sérgio Quirino Guimarães

Filosofia e Matemática

Indubitavelmente são duas áreas do conhecimento humano que causam o sentimento ambíguo de “vontade de conhecer” e “medo de não entender”. E qual sua relação com nosso labor? Filosofia e Matemática são, em verdade, conhecimentos que podem e devem ser aplicados em todos os momentos de nossa vida. Filosofar não é um exercício de oratória e matemática não é apenas aritmética. O mundo que nos cerca é a combinação perfeita da filosofia matemática.

“O principal objetivo de todas as investigações do mundo exterior deve ser descobrir a ordem racional e harmônica que tem sido imposta por Deus e que ele nos revelou na linguagem da matemática.” Johannes Kepler (1571 – 1630)

Vamos tentar?

Filosoficamente, FILOSOFIA é “amor à sabedoria”, mas é um estudo maior, fundamentado na existência (1) na necessidade do conhecimento (+), a procura da verdade (7 => 4 matéria e 3 espírito), encontrado (=) na mente e na linguagem (“a+b”) os valores morais e éticos (avental) => 1 + 7 = “a+b” ⌂.

Matematicamente, FILOSOFIA é a resultante da unidade (indivíduo), somado as suas experiências (vivências), resultando no indivíduo potencializado, (“melhorado” ou “com mais grau”). SOMAR É AGREGAR.

Filosoficamente, MATEMÁTICA “É o alfabeto que Deus usou para escrever o Universo” (Galileo Galilei).

Matematicamente, a MATEMÁTICA estuda quantidades, medidas, espaços, estruturas e variações. Um trabalho matemático consiste em usar padrões, formular conjecturas e, por meio de deduções rigorosas a partir de axiomas e definições, estabelecer novos resultados.

A resposta parece um tanto mais filosófica do que técnica e devemos, como Maçons Especulativos que somos, atentar para as palavras em destaque.

O interessante é que o trabalho maçônico consiste em usar ritos, formular especulações e estabelecer novos Templos à Virtude. No Conceito Puro, na Essência e Origem aprendemos que:

FILOSOFIA (philos e sophia) é:

  1. amizade, amor fraterno e respeito entre os iguais;
  2. sabedoria ou simplesmente saber.

FILÓSOFO é “aquele que ama e busca a sabedoria”.

MATEMÁTICA (máthema) é:

  1. Ciência;
  2. Conhecimento;
  3. Aprendizado.

MATEMÁTICO (mathematikós) é o “apreciador do conhecimento”.

SABEDORIA, é o dom que nos permite discernir qual o melhor caminho a seguir, a melhor atitude a adotar nos diferentes contextos que a vida nos apresenta.

CONHECIMENTO, é a relação que se estabelece entre o sujeito que conhece ou deseja conhecer e o objeto a ser conhecido ou que se dá a conhecer (relação do Maçom com a Pedra Bruta/Pedra Cúbica).

É preciso então compreender que o conhecimento matemático, agregado a uma base filosófica, resulta em sabedoria e aprendizado. Nos estudos de nossa Sublime Ordem esta relação é marcante nos Graus Simbólicos. É a força da Filosofia Maçônica que deve consolidar o novo Aprendiz na Coluna do Norte, compreendendo que cabe a ele como buscador da Sabedoria, a tarefa inquiridora, antidogmática, e levantar novas perguntas. As questões apresentadas pelos Aprendizes necessitam, de respostas sob diferentes perspectivas e introdução aos problemas sociais, éticos, morais e filosóficos, principalmente nas questões: Gnoseológicas, Cosmológicos, Existenciais, Antropológicas, Ontológicas, Metafísicas. Por sua vez é a beleza da matemática que exemplifica ao Companheiro a sua função de somar, de compartilhar, de agregar valor aos trabalhos da Coluna do Sul.

Lógico que neste trabalho que será acessado por Aprendizes, não há como ser mais explícito, mas observem que a bateria do Grau de Companheiro não é um número simples, é sim a resultante da somatória de dois números diferentes, como na equação: “C” + “B” = “E”.

Quanto ao Grau de Mestre, somente revisando constantemente o aprendizado e o companheirismo é que se torna o servidor maior da Oficina. Cabe ao Mestre saber ensinar o que conhece.

A Matemática e a Filosofia estão tão integradas aos labores maçônicos, que não há como progredir sem conhecer os fundamentos da Geometria e desenvolver o raciocínio matemático. Por sua vez, a filosofia maçônica é calçada na tríade da Justiça, da Beleza, e da Verdade que nada mais são o propósito maior da Filosofia. O legítimo Maçom, não é um simples apreciador, ele sabiamente ama e busca o conhecimento.i

Autor: Sérgio Quirino Guimarães
ARLS Presidente Roosevelt, Nº25 – GLMMG

Salmo 133

CONSAGRAÇÃO A DEUS

Davi

Na tradição hebraica, a figura de DAVI, rei de Israel, tem duplo significado; o de fundador do poder militar judaico e o de símbolo da aliança entre Deus e seu povo. A história de Davi é narrada na Bíblia, nos livros I e II de Samuel. Nascido em Belém, na Judeia, entrou como harpista na corte de Saul, primeiro rei de Israel. Na guerra contra os filisteus, o jovem Davi, armado com uma funda, matou Golias, o gigantesco campeão dos inimigos.

Essa vitória e outras que se seguiram despertaram o entusiasmo do povo e, enciumado, o rei Saul resolveu eliminá-lo, embora este tivesse se casado com sua filha Micol e fosse amigo de Jônatas. Davi então fugiu da corte, vivendo em seguida em vários lugares. Depois da morte de Saul e Jônatas, Davi regressou à Judeia e sua tribo o nomeou rei, ao mesmo tempo em que as tribos restantes elegiam Isbaal, o outro filho de Saul. Na guerra que se seguiu, Isbaal foi morto e Davi tornou-se rei de Israel, fixando a capital em Jerusalém e, para lá transferiu a Arca da Aliança, maior símbolo religioso dos israelitas.

Vários episódios dão á vida de Davi uma nota humana e realista, sobretudo seu adultério com Betseba, mulher de Urias, para cuja conquista final teve de liquidar, indiretamente, o marido, que era seu general e dessa ligação nasceu Salomão. Davi era também extraordinário poeta e músico, e a ele se atribui boa parte dos poemas que compõem o Livro dos Salmos. Na hora da morte, ungiu como rei seu segundo filho, Salomão. Seu corpo foi levado para Belém e ali sepultado. Na tradição posterior, Davi foi apresentado como garantia da união entre Deus e o povo.

O Salmo

“OH! COMO É BOM E AGRADÁVEL VIVEREM UNIDOS OS IRMÃOS!

É COMO O ÓLEO PRECIOSO SOBRE A CABEÇA, A QUAL DESCE PARA A BARBA, A BARBA DE AARÃO E DESCE PARA A GOLA DE SUAS VESTES.

É COMO O ORVALHO DO HERMON, QUE DESCE SOBRE OS MONTES DE SIÃO.

ALI ORDENA O SENHOR A SUA BENÇÃO E A VIDA PARA SEMPRE.”

Este salmo tem sido atribuído ao Rei David. Há quem afirme que é obra do período pós exílio; época que em forte clima emocional, é retomado o culto a JAVEH em plena Jerusalém. Importante é que o tempo não apagou nem alterou tão profunda mensagem, tendo sido transmitida com o tradicional zelo judaico através de gerações até chegar hoje, de forma familiar, a todo maçom.

O Salmo encanta por sua singeleza, por sua mensagem direta, profunda, e pelas objetivas analogias que encerra. Embora não nos seja familiar a imagem do óleo descendo da cabeça até a gola das vestes sacerdotais ou o cenário do orvalho que dos montes (como o portentoso Hermon), desceu até os vales. Para transmitir o que esta unidade fraternal em sua essência significa, a poesia traz á consciência de cada um o paralelismo com duas figuras bem familiares ao povo hebreu: A barba de Aarão e o Monte Hermon.

Aarão

Aarão é o primeiro nome lembrado toda vez que se falar em religião judaica. A citação do seu nome evoca um paradigma sacerdotal, a linhagem levita. É o irmão mais velho de Moisés e seu principal colaborador. A figura de Aarão possui, um peso próprio na tradição bíblica, devido ao seu caráter de patriarca e fundador da classe sacerdotal dos judeus. Aarão, membro destacado da tribo de Levi, viveu em torno do século XIV a.C. De acordo com a descrição do Êxodo, era filho de Amram e Jocabed e três anos mais velho que Moisés. Segundo a maioria dos biblicistas, se Moisés encarnava a visão profética, Aarão simbolizava a necessidade de um poderoso testamento sacerdotal.

Durante o êxodo do povo judeu, Aarão é o escolhido por Deus para transmitir ao faraó e ao povo a sabedoria por ele concedida a Moisés. Em Êxodo, 4: 16 – “Ele falará por ti ao povo; ele será a tua boca, e tu serás para ele um deus.”

Do mesmo modo, Aarão ajudou Moisés a tirar seu povo do Egito, atravessando o deserto. Enquanto Moisés se achava no monte Sinai, onde recebeu Os Dez Mandamentos, Aarão deixou de lado as recomendações do irmão e, ante as súplicas do povo, mandou construir a imagem do Bezerro de Ouro. Isso provocou a cólera divina e Aarão não teve permissão para entrar na Terra Prometida. Apesar disso, Deus o consagrou sumo sacerdote, fazendo com que de seu cajado brotassem flores. Foi o primeiro sacerdote dos hebreus, o escolhido pelo Senhor para o sacerdócio, introduzido no tabernáculo ainda no Egito.

Em Números 3: 5-10, temos a declaração explicita de Javeh:

“Disse o Senhor a Moisés: Faz chegar a tribo de Levi, e põe-na diante de Aarão, o sacerdote para que o sirvam, e cumpram seus deveres para com todo o povo, diante da tenda da congregação, para ministrar no tabernáculo. Terão cuidado de todos os utensílios da tenda da congregação, e, cumprirão o seu dever para com os filhos de Israel no ministrar no tabernáculo. Darás pois os levitas a Aarão e a seus filhos; dentre os filhos de Israel lhes são dados. Mas a Aarão e seus filhos ordenarás que se dediquem só ao seu sacerdócio, o estranho que se aproximar morrerá.”

Em Êxodo: 40: 13-15, encontramos o comando de Javeh a Moisés de forma definitiva:

“Vestirás a Aarão das vestes sagradas, e o ungirás e o consagrarás, para que me oficie como sacerdote…. e sua unção lhes será por sacerdócio perpétuo durante as suas gerações.”

Unção

É ato de ungir, sagrar alguém ou algo para uma função ou atividade elevada. Na liturgia hebraica, a unção era atribuição privativa dos sacerdotes e estes, até a época de Salomão, eram exclusivamente da tribo de Levi.

 Disse também o Senhor a Aarão:

“Na sua terra possessão nenhuma terás, e no meio deles nenhuma parte terás, eu sou a tua parte e a tua herança. Os Levitas administrarão o ministério da tenda da congregação, e eles levarão sobre si a sua iniquidade; pelas vossas gerações estatuto perpétuo será.”

Em Levítico: 8: 1-12, encontramos detalhes do ritual de sua “INSTALAÇÃO” como sumo sacerdote, celebrada por Moisés, conforme as instruções recebidas do Senhor. Na etapa final desse que foi um dos mais solenes cerimoniais de “instalação” descritos no Velho Testamento, o texto assinala :

“Então Moisés tomou o óleo da unção, e ungiu o tabernáculo, e tudo o que havia nele, e o consagrou; e dele espargiu o altar e todos os seus utensílios, como também a bacia e o seu suporte, para os consagrar. Depois derramou do óleo da unção sobre a cabeça de Aarão, ungiu-o para consagrá-lo.”

TABERNÁCULO, OU TENDA DA CONGREGAÇÃO, era o templo provisório, móvel, utilizado por todo o período anterior à construção do Templo de Salomão, o que ocorreu por volta do ano 968 a.C..

Por todo esse histórico, Aarão é personagem importante na história do povo judeu. Como sacerdote, tinha o privilégio de participar do oficio e cerimoniais no tabernáculo, apresentando diante de Deus as oferendas em nome do povo. Na qualidade ainda de sumo sacerdote tinha também a responsabilidade e suprema honra de ser o único a entrar uma vez por ano no local “santíssimo ” onde se encontrava a Arca da Aliança.

Sua consagração como sacerdote foi feita pelo próprio Moisés por meio do derramamento do óleo sobre sua cabeça. O óleo que desceu sobre a sua barba até alcançar as suas vestes, reveste-se de singular simbolismo no contexto. O corpo envolto no óleo, simbolizando a consagração sacerdotal, estaria capacitando Aarão a representar todo o povo diante do Senhor. Era como se o povo judeu fosse, unido, representado por um corpo – um corpo ungido – perante o Altíssimo. É a esse óleo que o Salmo da Fraternidade se refere como “precioso”. Sua composição, transmitida pelo Senhor a Moisés, reúne apenas cinco ingredientes, em porções bem definidas:

“Tu pois toma para ti das principais especiarias: da mais pura Mirra quinhentos siclos[1], de Canela aromática a metade, a saber, duzentos e cinquenta siclos; e, de Cálamo aromático, duzentos e cinquenta siclos; e de Cassia quinhentos siclos e de Azeite de Oliveiras um him.”

Cumpre ressaltar, a natureza santa desse óleo. O sentido do termo Santo é separado, sagrado, consagrado. Não é comum, profano ou vulgar, tanto que o próprio Deus adverte explicitamente em Êxodo 30: 31-33:

“Este me será o azeite da santa unção nas vossas gerações. Não se ungirá com ele a carne do homem, nem fareis outro semelhante conforme á sua composição: santo é, e será, Santo para vós. O homem que compuser tal perfume como este, ou que dele puser sobre um estranho, será extirpado dos seus povos.”

De acordo com o livro dos Números, Aarão morreu no monte Hor com 123 anos de idade. Outras fontes bíblicas, porém, afirmam que ele morreu em Moserá.

Monte Hermon

“É COMO O ORVALHO DO HERMON, QUE DESCE SOBRE OS MONTES DE SIÃO.

ALI ORDENA O SENHOR A SUA BENÇÃO, E A VIDA PARA SEMPRE.”

A outra figura lembrada pelo salmista nos transporta ao portentoso e belo monte Hermon, e o orvalho que do seu topo se precipita aos montes de Sião.

Reputado como local sagrado pelos habitantes originais de Canaã, o monte Hermon situa-se na região norte da Palestina hoje, na fronteira do Líbano com a Síria e, se eleva a 2.800 metros de altitude. O cume do Hermon está permanentemente coberto de neve. Aos seus pés tem origem o rio Jordão, responsável por tornar fértil toda a região conhecida como vale do Jordão, que se estende da cidade de Dã até a região de Edom, ao sul do Mar Morto.

A fertilidade, isto é, a própria vida da região, é dádiva do monte Hermon. Se não fora o orvalho de suas vertentes, não existiria o Jordão. A região vizinha é inóspita e sem chuvas. As águas cristalinas do Jordão asseguram a irrigação e com ela a vida ao longo do vale verdejante. É possível dai se entender o significado simbólico do “…orvalho do Hermon” e a paráfrase da conclusão:

“Ali ordena o Senhor a sua benção e a vida para sempre.”

Duas figuras, o óleo que desce da cabeça de Aarão e o orvalho do Hermon que também desce, eis as analogias feitas pelo poeta para comparar as benesses da vida em união. Tudo se passando como se ele tivesse dizendo que viver em união é como ter Aarão como sacerdote, em íntimo contato com o Criador, interpretando nossas dores e alegrias e oferecendo os sacrifícios. Ou então é como ter garantida a vida, que frui do Hermon até aos montes de Sião, assegurando a fertilidade da região de onde vem nosso sustento.

Com estas duas figuras entendemos o que o salmista nos traz. Viver em união, como irmãos, é a superação de todos os males. É sinônimo da máxima virtude humana. É quando os homens ascendem ao clímax da felicidade. É a realização do EU coletivo. Não o seremos “eus” mas “nós”. A felicidade da vida em união é comparada com dois planos: o espiritual, simbolizado pelo óleo sobre a cabeça ungindo Arão, que permite o homem alcançar o plano do EU superior. E material, representado alegoricamente pela água que descendo do Hermon assegura a vida pela perene fertilidade do solo. De um lado o espirito – o compasso – de outro o corpo – o esquadro, e no meio o homem plenamente harmonizado consigo mesmo, com os demais semelhantes, com a natureza (a terra) e com o Principio Criador. O óleo, o homem, o monte e a água formam os símbolos e alegorias, que nos levam a entender o significado da real união entre homens que se definem como irmãos.

O Salmo 133 consagra o puro e verdadeiro amor fraternal, essência para a construção dos novos tempos. Ele retrata os mistérios da felicidade interior dos que vivem em harmonia com seus irmãos, tal como preconiza nossa ordem. Feliz aqueles que compreendem o essencial deste poema, para alguns oculto, e, muito mais do que isto, conseguem viver esta experiência.

O objetivo primário da Maçonaria é unir os Irmãos de tal forma que possam parecer um só corpo, uma só vontade, um só espírito, formando um Templo coeso, compacto, de partes heterogêneas formando um todo. Os Maçons, portanto, quando unidos pela Cadeia de União, não estão absorvidos nem diluídos, mas ligados através da soma das forças físicas e mentais, existindo individualmente no todo.

“Segui a palavra de Davi, é a voz de Deus na Terra.”

Autor: Antônio José Rodrigues

Notas

[1] – Siclos: moeda dos hebreus, de prata pura que pesava seis gramas

Referências Bibliográficas

  1. Bíblia.
  2. Revista A Verdade nº 381.
  3. Enciclopédia Britânica ( Barsa).
  4. Dicionário Aurélio Eletrônico.
  5. Revista 0 Milênio.
  6. Ritual da Magia Divina – Os Salmos de Davi e suas Virtudes.

Apoio

  • Cleanto Pereira : ARLS Lealdade Paulistana
  • Jair Mendes Ferreira : ARLS Cidade de São Paulo nº 416

Breve Histórico do Rito Francês ou Moderno

Antes de entrarmos na história do Rito Moderno, convém fazer menção ao nome. Preliminarmente consta que o Rito se chamou Moderno em função dos ideais ou preceitos que norteavam os seus membros, adversários que eram com relação à inserção nas sessões, ou no rito, de menções religiosas. Os outros eram os Antigos que foram aqueles nossos irmãos que pretenderam continuar com os usos e costumes tradicionais, ou seja, a continuidade de evocar os sentimentos religiosos dentro da maçonaria.
 
Se olharmos convenientemente este fator, devemos concordar que a Maçonaria de então, nasceu sob o manto da religiosidade e daí esta se firmar dentro dos vários ritos praticados na época. O Rito Moderno, como assim começou a ser conhecido, foi inaugurado e praticado na França abolindo qualquer citação à religião. E isto repercutiu, e muito, dentro do seio da maçonaria imperante na época, que era visceralmente religiosa. Haja vista a disposição do templo, na época e ainda hoje, quanto à semelhança da distribuição interna de uma catedral ou  igreja e um templo. Há, entretanto, outros que consideram o templo maçônico uma imitação do Parlamento inglês. Seja de uma ou outra forma, nós o consideramos apenas um detalhe que em nada vai alterar o procedimento das sessões maçônicas.
 
Só, posteriormente, é que os franceses houveram por bem adotar o nome de RITO FRANCÊS OU MODERNO nome pelo qual foi conhecido e reconhecido tanto na Europa como no resto do mundo, especialmente na América do Sul e dentro dela, no Brasil.
 
A historiografia, que é a arte de escrever a história, é um tema portador de muitas datas e nomes e nem sempre há concordância entre os autores ou historiadores.
 
Assim também ocorre com o Rito Moderno. Há divergências de datas, especialmente da época de sua instituição como Rito ou de sua fundação. Não queremos discordar nem discutir estes fatos, pois, não encontramos em toda a bibliografia um autor sequer que nos conduzisse, com provas, ao dado mais aceitável.
 
Assim, procuraremos, neste breve relato, transmitir nossa opinião baseada em dados a fim de relatar, com a maior imparcialidade possível, o nosso propósito no dia de hoje.
 
O Rito Francês ou Moderno foi criado na França em 1761, constituído a 24 de dezembro de 1772 e proclamado pelo Grande Oriente da França a 9 de março de 1773 com os três graus simbólicos. Por sua vez, o Grande Oriente da França nasceu a 22 de outubro de 1772, sendo seu primeiro Grão-Mestre FELIPE D’ORLEANS-Duque de Chartres.
 
Não foi um período fácil para o Grão-Mestre. Este pretendia coibir a proliferação de Altos Graus e para tanto nomeou uma comissão que, após alguns anos de estudo, acabou renunciando propondo, entretanto, ao Grande Oriente da França a extinção de todos os graus filosóficos. O Grão-Mestre aceitou a proposta motivando grande descontentamento dos irmãos porque, naquele tempo, dava-se suma importância aos graus superiores. Só em 1782 reiniciou-se a revisão dos Rituais tanto simbólicos como dos Altos Graus .
 
O Rito Francês ou Moderno é composto de Rituais e Regulamentos elaborados nos anos 1780 e adotados oficialmente em 1785 para os três graus simbólicos (também conhecidos como graus azuis) e, entre 1784 e 1786, para os altos graus (também chamados de graus filosóficos). Os rituais citados são a base para a prática, hoje, do Rito Francês ou Moderno na Grande Loja Nacional Francesa nos três graus simbólicos e sob os auspícios do Grande Capítulo Francês os graus filosóficos.
 
A Grande Loja Nacional Francesa sustenta que o nosso Rito começou a se praticar em 1780. Informa, também, a prática do Rito desde, pelo menos, 1.760. Esta afirmação, continua a GLNF,  é confusa e não se baseia em qualquer dado histórico. Porém pode-se aceitar que naquele tempo havia uma prática maçônica francesa que continha procedimentos relativamente  homogêneos e que o Rito Francês de 1780 é profundamente baseado nessa prática anterior.
 
As datas acima referidas nem sempre coincidem entre autores. Assim, o Grande Colégio de Ritos, do Grande Oriente da França, informa a criação do Rito Francês ou Moderno em 1786 (Ligou, Bereaniak e Berlewi-p. 519).
 
Em 1785 aparece o primeiro ritual, visto que antes deste ano não se conhecem rituais oficiais na França, denominado “Le Régulateur de 1801” que estabelece:
 
“Se o Regulamento de 1801 não pode ser considerado como a fonte do Rito Francês, é, ao menos, o modelo único relacionado às tradições orais e manuscritas anteriores”.
 
Causa espécie dizer-se que o primeiro ritual aparece em 1785 e o Regulamento ser de 1801! Nem tanto. É que só foi impresso em 1801.
 
No início do século XIX proliferaram os ritos, a introdução da religião dentro deles e, portanto, a confusão reinante entre a maçonaria e a religião. Chegou-se a dizer que a religião mandava dentro da maçonaria. Não creio que tal fato possa ser verdadeiro mas, na falta de provas, vale apenas como conhecimento.
 
Dentro desta situação é que surge a ideia central de que a Maçonaria tem que se desvincular da religião.  E isto ocorre, como acima informado, em 1876.
 
Superada essa questão, embora não aceita por todos, o Rito Francês ou Moderno toma a dianteira em virtude de sua propalada condição de ser um Rito Maçônico que se coloca equidistante de todas as religiões e, assim, considera que esta questão é de foro íntimo de cada irmão, mas não o é do Rito Moderno que exclui de suas sessões qualquer menção ou referência à religião, qualquer que seja ela.
 
O fato de, hoje em dia, estar sobre a mesa do Venerável Mestre  a Bíblia e outros Livros religiosos, todos fechados, é a maior prova do respeito que do Rito Moderno tem para cada uma das religiões adotadas por seus membros. Este detalhe, embora imperceptível à vista de alguns ou muitos irmãos, é de suma importância, pois, o Rito Moderno respeita todas as religiões e por esta razão admite em seu seio membros de qualquer religião porque não interessa a religião do futuro irmão e sim o pensamento filosófico e a sua vontade de servir à sua nação, onde vive, para difundir e aumentar o real significado do objetivo do Rito Moderno, qual seja a de fazer imperar a liberdade colocando o social acima do particular ou individual pela difusão e prática desinteressada da  solidariedade na formação de construtores sociais.
 
Mas, voltemos ao nosso propósito inicial. Estávamos falando de entre 1770 e 1786. Pois bem, a partir dessa época da vida, o Rito Francês ou Moderno foi se reforçando e, conforme José Castellani, em 1779, ano da morte de Rousseau e Voltaire,  havia, na França, 554 lojas praticando o Rito Moderno ou Francês e o GOF mantinha correspondência com 1.200 lojas estrangeiras. Foi, pois, o auge de nosso Rito na França e na Europa.
 
De resto, pouco se tem sabido do Rito Moderno, seja na França ou no resto da Europa.
 
Teve um ressurgimento em Portugal, no século XIX, quando, inclusive, se  praticou o grau 8, pertencente à quinta ordem dos graus filosóficos, denominado Cavaleiro da Águia Branca e Preta.
 
O Grau 9, também pertencente à quinta ordem dos graus filosóficos, denominado Cavaleiro da Sapiência e do qual não temos registro escritural, foi implantado definitivamente em 1992, pelo Supremo Conselho do Rito Moderno, com sede internacional no Brasil.
 
Encontramos registros do Rito Moderno ou Francês, no século XX, exatamente em 1998 quando o Rito, através de seus dirigentes, sai do Grande Oriente da França e passa à Grande Loja Nacional Francesa, esta reconhecida pela Grande Loja Unida da Inglaterra.
 
Esta Grande Loja é considerada, desde 1929, como todos sabem, a Grande Loja Mãe da Maçonaria, no mundo, tendo editado certas imposições para reconhecer outras Obediências, sob o título de “Princípios Fundamentais para o Reconhecimento de Grandes Lojas”, incluindo aí qualquer GO. E, quem tem a sua regularização, seja Grande Oriente ou Grande Loja, deve cumprir os 8 princípios de regularidade. Entre estes encontramos que o 2º, o 3º e o 6º fazem referencia ora ao GADU ora ao Livro da Lei Sagrada. Quanto à expressão GADU, foi o Grande Oriente da Bélgica que suprimiu, de seus rituais, a invocação a partir de 1872 e nem por isso a GLUI se manifestou contra. Quanto ao Livro da Lei Sagrada, como assim o intitula a GLUI, ele será “sempre exposta nos trabalhos da Grande Loja e das Lojas de sua Jurisdição”. Em nenhum momento se pede que o Livro da Lei Sagrada seja aberto ou que fique num lugar pré-determinado. Apenas diz que será exposta. É conveniente que se esclareça que o Rito Moderno, pertencente ao Grande Oriente do Brasil, e este, por sua vez, ter o reconhecimento da GLUI, tem de cumprir a obrigação de expor (para usar a palavra dos Princípios Fundamentais) e cumpre. Fica encima da mesa do Venerável. E junto com ele podem estar também outros como a Torah, o Alcorão, etc.etc.
 
Entre todos os fatos históricos ocorridos nos séculos XVIII e XIX, há um de grande importância para a Maçonaria e, em especial, para o Rito Moderno. Trata-se da Reforma Institucional de 1877, que assim é narrada pelo nosso saudoso irmão José Castellani:
 
“Em 1872, depois de estudos iniciados em 1867, o Grande Oriente da Bélgica suprimia, de seus rituais, a invocação do G\A\D\U\, sem provocar qualquer reação por parte da G\L\da Inglaterra. Diante disso, de um golpe, a campanha pela revisão, na França, aumenta de intensidade. A cada ano, a Convenção é tomada por votos pela revisão, repelidos pelo Conselho da Ordem, até que, em 1876, um voto da loja “La Fraternité Progressive”, de Villefranche, solicitando a supressão das cláusulas dogmáticas, foi tomada à consideração, sendo regulamentarmente enviada às Lojas, para estudo e retornando à Convenção em 1877. Nessa ocasião, duzentas e dez lojas enviaram representantes e dois terços delas se manifestaram a favor da adoção do voto. O relator geral foi um pastor protestante, Desmons, que apresentou um estudo memorável, o qual, aprovado, resultou na supressão do segundo parágrafo do artigo 1º da Constituição de 1865, que dizia: “Ela tem por princípio a existência de Deus e a imortalidade da alma”.
 
Viénot, o Orador da Convenção, situou, muito bem, o que representou essa atitude:
 
“Essa redação, meus Irmãos, não é, portanto, nem uma reforma, nem uma revolução; ela é um chamamento e um retorno aos princípios primordiais da Francomaçonaria, porque a Francomaçonaria,  respeitando todos os dogmas e todas as consciências, não é, não quer ser e não pode ser uma instituição dogmática ou teológica”.
 
Essa resolução aboliu a invocação, mas não a fórmula do G\A\D\U\, como freqüentemente se afirma. Era a tolerância, elevada ao máximo, que motivava o Grande Oriente a rejeitar qualquer afirmação dogmática, na concretização do respeito à liberdade de consciência e ao livre arbítrio de todos os maçons. A síntese dos debates da Assembléia, que conduziram à resolução, mostra bem essa preocupação.
 
A Francomaçonaria não é deista, nem ateísta, nem sequer positivista. Instituição que afirma a prática à solidariedade humana, é estranha a todo dogma e a todo credo religioso. Tem por princípio único o respeito absoluto da liberdade de consciência. Nenhum homem inteligente e honesto poderá dizer, seriamente, que o Grande Oriente da França quis  banir de suas Lojas a crença em Deus e na imortalidade da alma, quando, ao contrário, em nome da liberdade absoluta de consciência, declara, solenemente, respeitar as convicções, as doutrinas e as crenças de seus membros”.
 
Tudo isto leva à conclusão de que toda a questão é eminentemente política, dadas as rivalidades não só entre as duas Potências (a GLUI e o GO da F) mas entre os dois países rivais na paz e confrontados no curso de longas e sangrentas guerras. Havia também motivos filosóficos e morais divergentes devido à escalada das aspirações democráticas na França e no G\O\F\ que inquietavam o conservadorismo inglês; filosóficos porque a tendência racionalista, que prevalecia no G\O\F\ opunha-se ao dogmatismo da G\L\U\I\.
 
É notório assinalar que, de outro lado, o Grande Oriente da França, cria já em 1921 uma organização internacional de nome “Association Maçonnique Internationale” –AMI- oriunda do Bureau d’Infomation Maçonnique criado em 1921, na Suíça, quando congrega 12 Obediências : GL de Nova York; GO da Bélgica; GL de Viena; GL da Bulgária; GL da Espanha; GO da França; GO da Itália; GO dos Países Baixos; GO de Portugal;GL da Suíça-Alpina e GO da Turquia. Com todas estas relações, ora políticas, ora filosóficas, o GOF conseguiu grande alcance social chegando a 38 Obediências em 1923.
 
Por ocasião de sua fundação emitiu a seguinte declaração, afirmando em seu trecho principal:
 
A Franco-Maçonaria, instituição tradicional, filantrópica e progressista (só mais tarde, no Brasil, se acrescentou evolucionista) baseada na aceitação do princípio de que todos os homens são Irmãos, tem por objetivo a procura da verdade, o estudo e a prática da Moral e da Solidariedade. Ela trabalha pela melhoria material e moral, assim como pelo aperfeiçoamento intelectual e social da humanidade. Ela tem por princípio a tolerância mútua, o respeito ao próximo e a si mesmo e a Liberdade de Consciência. Ela tem por dever estender a todos os membros da humanidade os laços fraternais que unem os Franco-Maçons sobre toda a face da Terra.
 
Desejamos assinalar o que escreve o saudoso ir.’. José Castellani no “Manual do Rito Moderno”:
 
O rito, embora criado sob moldes racionais, seguia a orientação dos demais, em matéria doutrinária e filosófica, baseada, entretanto, na primitiva Constituição de Anderson, com tinturas deístas, mas largamente tolerante, no que concerne à religião, como se pode ver na primeira de suas Antigas Leis Fundamentais (Old Charges): “O maçom está obrigado, por vocação, a praticar a moral; e, se bem compreender os seus deveres, jamais se converterá num estúpido ateu nem em irreligioso libertino. Apesar de, nos tempos antigos, os maçons estarem obrigados a praticar a religião que se observava nos países que habitavam, hoje crê-se mais conveniente não lhes impor outra religião senão aquela que todos os homens aceitam e dar-lhes completa liberdade  com referência às suas opiniões particulares. Essa religião consiste em serem homens bons e leais, ou seja, honrados e justos, seja qual for a diferença de nome ou de convicções“.
 
Deixemos, assim, o aspecto francês do Rito Moderno e passemos a nos debruçar o que aconteceu no Brasil.
 
Bastantes homens de cultura e poder econômico enviaram seus filhos a estudar na Europa. Aqueles que estiveram na França ou Portugal e se interessaram pela Maçonaria naqueles países, foram iniciados. E qual o Rito que estava em evidência? O Rito Moderno, ou Francês. Estes líderes, ao voltar ao Brasil traziam consigo aqueles princípios de liberdade, de república, de adogmatismo, além de outros conhecimentos adquiridos nas faculdades que cursaram em ambos os países.
 
Houve, no Brasil, certas lojas que trabalharam no Rito Adorinhamita, antes de 1922, mas eram lojas isoladas e que, pelos seus princípios, não tinham como objetivo transformar o Brasil num país independente. Daí que os irmãos brasileiros que frequentaram o RM na Europa encontram, na situação brasileira, uma enorme possibilidade de, aqui, colocar em prática o que haviam aprendido lá.
 
Segundo Adelino de Figueiredo Lima em “Nos Bastidores do Mistério”, ed. de 1953, nenhum outro Rito, senão o Rito Moderno esteve presente nas lutas pela independência do Brasil. Em conferência proferida no Primeiro Simpósio Brasileiro de Maçonaria Simbólica, patrocinado pela Loja José Bonifácio do Rio de Janeiro em 1961, ressalta que:
 
“Foi o Rito Moderno quem proclamou a igualdade das raças e destruiu pela base as discriminações religiosas”.
 
Renato de Alencar, em “Enciclopédia Histórica do Mundo Maçônico” página 213, afirma:
 
“Diga-se o que quiser, o Rito Moderno ou Francês, dado o espírito filosófico e de reforma progressiva que inspira sua doutrina, é o mais racional e adequado à nossa época”
 
Voltando à época do início dos trabalhos maçônicos no Brasil, e enfocando o Rito Moderno, podemos afirmar que desde 1815 já existia, no Brasil, uma loja maçônica do Rito Moderno. Era a Loja Comércio e Artes, primaz do Brasil, fundada em 15 de novembro de 1815 sob os auspícios do G\O\de Portugal da qual extraímos o seguinte texto:
 
GR.’.BEN.’.GR.’.BEN.’.AUG.’.RESP.’.LOJ.’.SIMB.’. COMÉRCIO E ARTES Nº. 001-PRIMAZ DO BRASIL, fundada em 15-11-1815-MARCO HISTÓRICO DA MAÇONARIA BRASILEIRA,
Fundada em 15 de novembro de 1815, sob os auspícios do GR.’.OR.’.de Portugal a Loj.’. COMÉRCIO E ARTES teve seus trabalhos interrompidos em virtude das perseguições desencadeadas por motivo das revoluções de 1817 em Portugal e Pernambuco tida como obra dos pedreiros livres que nessa ocasião, em um como outro reino, pagaram forte tributo de sangue. Reavivamos os seus trabalhos em 4 de novembro de 1921 tornou-se o centro do esforço patriótico em favor da emancipação política de nossa Pátria. CÉLULA MATER DA MAÇONARIA BRASILEIRA, de seu corpo se formaram por “sissiparidade” –desdobramento- as duas outras LLOJ.’. METROPOLITANAS – UNIÃO E TRANQÜILIDADE E ESPERANÇA DE NICTHEROY, em 21 de junho de 1822, para a continuação do GR.’.OR.’. do Brasil.
 
Há quem afirme que essa mesma loja iniciou seus trabalhos com o Rito Adorinhamita. Vejamos o que escreve nosso ir.’. José Francisco Simas:
 
Em 17 de junho de 1.822 a Loja Comércio e Artes da Idade do Ouro, União e Tranqüilidade e Esperança de Niterói formaram, o Grande Oriente Brasileiro, que adotou inicialmente o Rito Adorinhamita e, logo em seguida, passou para o Rito Moderno ou Francês e de pronto reconhecido pelo Grande Oriente da França e pelas Grandes Lojas da Inglaterra e dos Estados Unidos da América.  Seu primeiro Grão Mestre foi José Bonifácio (o Pitágoras). Em 2 de agosto de 1.822 D. Pedro de Alcântara, Príncipe Regente, foi iniciado na Loja Comércio e Artes, adotando o nome de Guatimozim. Em 5 de agosto foi exaltado e em 4 de outubro foi eleito Grão Mestre da Maçonaria brasileira com 23 anos de idade. Segue-se um período político e maçônico confuso, ficando adormecido o Grande Oriente Brasileiro até 1.831.
 
Em 7 de abril  de 1.831, D. Pedro I abdica do trono brasileiro em favor de D. Pedro, agora II, e embarca para Portugal. A Maçonaria reinicia suas atividades. Em 1.832, o Grande Oriente Brasileiro passou a ser denominado Grande Oriente Brasileiro do Passeio, por ter se instalado na Rua do Passeio, número 36. Em 1840, o Grande Oriente adquiriu, pela Cia. Glória do Lavradio, o prédio projetado para abrigar um teatro e cuja construção havia sido suspensa desde 1.832. Nesse prédio, na Rua do Lavradio, número 97, o Grande Oriente do Brasil, funcionou, até a mudança para Brasília. Hoje existe lá o Palácio Maçônico do Rio de Janeiro, onde funcionam 52 lojas e o Museu Maçônico.
 
O Rito Moderno ou Francês era o Rito Oficial do Grande Oriente do Brasil e continua sendo até a presente data.
 
No início da Maçonaria no Brasil, pelo Rito Moderno, foi utilizado um Ritual, português, impresso em Lisboa em cuja capa dizia: “Regulador do Rito Moderno-Grande Oriente Luzitano”. O segundo ritual, do Rito Moderno, impresso no Brasil, conforme Joaquim da Silva Pires, foi em 1837 na “Typographia Austral, Beco do Bragança, nº. 15-Rio de Janeiro” e trazia as seguintes inscrições:
 
”Regulador Maçônico do Rito Moderno para uso nas Officinas deste Rito-G\O\do Brasil-Primeiro Grao-Aprendiz-Anno da V\L\ 5837”.
 
Todavia, o primeiro ritual do Rito Moderno, genuinamente brasileiro, impresso, portanto, no Brasil, foi em 1833, na tipographia de “Seignot-Planchet”, rua do Ouvidor 96, Rio de Janeiro, segundo Joaquim da Silva Pires no Boletim Oficial do GOSP nº. 2335 de 06 de setembro de 1999, página 23.  Este ritual teria sido organizado pelo Padre da Capela Imperial, Ir\Januário da Cunha Barbosa, com base numa tradução do Ir\Hipólito José da Costa Furtado de um ritual francês.
 
Sabe-se que a primeira loja maçônica do RM no ESP foi a Loja Inteligência de Porto Feliz, do Rito Moderno, no ano de 1930, seguida pela Loja Amizade-A Pioneira, na Capital de São Paulo em 1932.
 
A título de curiosidade, o Ir\Adelino de Figueiredo Lima nos conta que na Loja Amizade, em 1832, havia “nada menos de trinta e um sacerdotes”.
 
Temos, portanto, que de 1822 a 1832, o rito dominante na Maçonaria Brasileira era o Moderno ou Francês, inicialmente praticado pelas três lojas existentes na época, consideradas as três pedras angulares em que se assentam os alicerces do Grande Oriente do Brasil.
 
Foi nelas, diz Adelino de Figueiredo Lima que “José Bonifácio, o Príncipe D. Pedro e Joaquim Gonçalves Ledo, deram início à gloriosa Epopéia da Independência Nacional”.
 
O Rito Moderno, como componente da Maçonaria Brasileira, participou dos seguintes movimentos:
 
-A Inconfidência Mineira – 1789, pela ação isolada de maçons.
-A Revolução Pernambucana de 1817. Idem acima.
-A Independência de 1822.
-A Confederação do Equador em 1824.
-O Movimento pela Maioridade do Imperador D.Pedro II.
-A Revolução Farroupilha -1835/1845.
-A Revolução Liberal de 1842.
-A Abolição da Escravatura em 1888.
– A República de 1889.
 
Sem ter a pretensão de ter esgotado a história do Rito Moderno no Brasil, gostaria de me referir aos tempos atuais.
 
Hoje, o Rito Moderno conta com 100 (cem) lojas espalhadas pelos Estados de RS, SC, PR, SP, MG, RJ, ES, BA, MS, MT, BRASÍLIA, RO, PE, MA, PA, PB.  E deveremos inaugurar algumas mais, dentro de pouco tempo.
 
O Supremo Conselho do Rito Moderno, reconhecido legalmente pelo Grande Oriente do Brasil através de Tratado de Reconhecimento, que trabalha no Grau 9-Cavaleiro da Sapiência, tem o âmbito de atuação Nacional e Internacional. Nos Estados há os Grandes Conselhos Estaduais, que funcionam com o grau 8-Cavaleiro da Águia Branca e Preta e dentro de cada um deles há os Sublimes Capítulos Regionais que trabalham nos graus 4 ao 7-Eleito, Escocês, Cavaleiro do Oriente e da Espada e Cavaleiro Rosa-Cruz.
 
O nosso ir.’. Antonio Onías Neto, assim se manifesta a respeito do mesmo assunto acima:
 
Na França, somente a partir de 07 de agosto de 1989 foram instituídos os Graus Filosóficos pelo Supremo Conselho do Rito Moderno  obtendo a Carta Patente e lhes dando poderes para a outorga dos Graus Filosóficos e reconhecidos pela Grand Loge Nationale Française a 09 de fevereiro de 1999. Dois anos depois, em 15 de fevereiro de 2001, iniciaram-se as tratativas para a criação dos respectivos Grandes Conselhos Estaduais e o Supremo Conselho do Rito Moderno para a França culminando a 08 de setembro de 2001 com Sessão presidida pelo Embaixador Plenipotenciário do Supremo Conselho do Rito Moderno, ir.’.Lúcio Ferreira Ramos, concedendo os graus 8 e 9 para Irmãos Franceses.
 
Autor: José Maria Bonachi Batalla
 
BIBLIOGRAFIA
 
– O RITO FRANCÊS OU MODERNO-A Maç. do Terceiro Milênio-SCRM-1994
-Liturgia e Ritualística do Grau de Aprendiz Maçom – José Castellani
-A maçonaria Moderna – José Castellani – Ed. A Gazeta Maçônica – 1987
-História do Grande Oriente do Brasil–José Castellani-Graf. e Edit. do GOB-1997
-O Rito Moderno-A Verdade Revelada- Fered. G. Costa-Ed. Mac. A Trolha-1990
-Dicionário de Maçonaria-Joaquim G. de Figueiredo-Ed. Pensamento-1990
-História do Rito Moderno-Henrique C.Camargo-Palestra no GOERJ-1984
-A Simbólica Maçônica-Jules Boucher-Ed.Pensamento-1993
-La Synbolique Maçonnique du troisièm millénaire-IrèneMainguy-Ed.Dervy-2001
-A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática-Jean Palou-Ed.Pensamento-1997
-L’Histoire du GOF-Henry-Félix Marcy-Paris-1956
-Maçonaria-História e Filosofia-Ambrosio Peters-Ac.Paranaense Letras Maç.-1999
-História e Doutr. da Franco-Maç.-Marius Lepage-Ed.Pensamento-1997
-Dictionaire Thématique Ilustré de la Franc-Maç.Jean Lhomme-Ed.EDL-1993
-A Maçonaria Moderna-José Castellani-Ed. A Gazeta Maçônica-1987
-Manual do Rito Moderno-Feed.G.Costa e Jos[é Castellani-Ed.Gaz.Maç.-1991
-Momento Historio do RM do Brasil-Lúcio Ramos-Ed.Saraiva-2002
-Textos cedidos pelo ir.’. Antônio Onías Neto
-Textos cedidos pelo ir.’. Laudimir Manoel Cardoso
-Textos cedidos pelo ir.’. José Francisco Simas
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