Em busca da Apple Tree: uma revisão dos primeiros anos da maçonaria inglesa (Parte IV)

Rodama: a blog of 18th century & Revolutionary French trivia: The Dancer  and the Freemason......1737

As atas da Loja da Antiguidade indicam por que a Grande Loja insistiu em deixar claro que ele não estava em dívida com as outras Lojas de Londres como também em promover uma versão alternativa de suas origens. Mas, e o que Sayer, Lamball e outros disseram em relação à sua posse como Grandes Oficiais em 1717? De onde surgiram essas histórias? Sayer e os outros podem ter relatado esta história com a esperança de obter assistência de caridade da Grande Loja. Enquanto faziam circular suas histórias no início da década de 1730, forneceram um material valioso a William Reid e James Anderson, que foram instruídos a mostrar que a Grande Loja era herdeira das antigas tradições. Para entender melhor essa dinâmica, precisamos voltar para a loja que, supostamente, se reunia na taverna Apple Tree da Charles Street.

Em 1723, disse-se que a loja que se reunia na Apple Tree tinha sua base na taverna Queen’s Head, em Knave’s Acre. Este lugar também era conhecido como Little Pulteney Street e atualmente corresponde à parte oriental da Brewer Street, no bairro do Soho. Strype descreveu Knave’s Acre como “estreita e habitada principalmente por comerciantes de coisas velhas e garrafas de vidro”[95]. A rua tinha uma péssima reputação, havia reclamações constantes de desordem nas casas à noite “Onde se refugiam e se divertem suspeitos de serem ladrões, batedores de carteira e outras pessoas dissolutas e más, onde se afirma que há homicídios, etc.”[96]. Os tabloides divulgavam um “remédio para malária”, um pó que garantia curar a febre, e os clientes em potencial foram instruídos a “subir as escadas Joyner’s, na porta ao lado de Queen’s Head, na Little Pulteney Street, Knave’s Acre”[97]. Recentemente, reformas foram realizadas em algumas propriedades ao redor de Knave’s Acre[98], então não está claro há quanto tempo a Queen’s Head tinha se estabelecido lá. Embora a loja em Queen’s Head seja classificado em segundo lugar na primeira lista de lojas e membros, foi montada sob uma carta constitutiva concedida pela Grande Loja datada de 23 de fevereiro de 1723. Por que essa carta constitutiva foi concedida é um mistério. Anderson contou, em 1738, que alguns membros da Apple Tree tinham se mudado para Queen’s Head devido a uma disputa[99], porém, dada a incerteza em relação à loja da taverna Apple Tree, esta explicação é um pouco obscura. Não se pode mais ter dúvidas de que esta loja se reunia em um outro lugar e não na Queen’s Head.

Presume-se que esta loja era formada principalmente por maçons operativos e artesãos, contudo, não era bem assim. Seu Mestre em 1723 foi Abraham Rayner, um advogado[100], e outro membro da loja, Moses Jevans, era um destilador[101]. No entanto, esta loja não era particularmente rica nem respeitável. Abraham Rayner esteve preso em Newgate durante três anos por dívidas e foi acusado de tentar enganar outro preso[102]. As poucas informações sobre Sayer, que dizia ter sido Grão-Mestre, indicam que ele era um homem que vivia em circunstâncias terríveis. Morava no bairro pobre de St. Giles in the Fields, e dependia da caridade de seus companheiros maçons para não morrer de frio no inverno[103]. Sua primeira esposa, Elizabeth, foi violentamente atacada por um grupo de mulheres irlandesas em 1736 e morreu no ano seguinte[104]. Em 1739, Sayer casou-se novamente com Eliza May, uma viúva, em uma cerimônia simples e discreta sob as regras da The Fleet[105]. Apesar de tudo, uma esplêndida coorte de seus irmãos maçons compareceu em seu funeral, realizado em St. Paul de Covent Garden em 1742.

Conforme a Grande Loja cresceu, a gestão de seus fundos de caridade tornou-se um assunto de suma importância. Desaguliers advertiu, em 1729, que a Grande Loja “não deve admitir pessoas que ingressam na sociedade apenas como um meio de sustento”[107]. Esse assunto se tornou um tema recorrente. Na comunicação trimestral em 1735, a mesmo em que Anderson foi contratado para compilar uma lista de Grão-Mestres para suas novas Constituições, foi aprovada uma resolução que previa que, para evitar que as pessoas ingressassem na Maçonaria para se beneficiar do fundos de caridade, todos os pedidos de ajuda deviam incluir evidências de que o o candidato havia desfrutado de “circunstâncias boas ou pelo menos toleráveis” enquanto tinha sido maçom[108].

Se por um lado a loja Queen’s Head contribuía regularmente para o fundo de caridade da Grande Loja, por outro era dela também que vinha a maioria dos pedidos de ajuda. O caso de Henry Pritchard, um carpinteiro Drury Lane que foi membro do Queen’s Head e outras lojas de Londres é ilustrativo. Em maio de 1723, ele foi julgado por ter agredido um homem chamado Abraham Barret, cujo crânio foi fraturado, por ele ter insultado a Maçonaria de forma escandalosa, usando um bom número de palavrões. O júri considerou Pritchard culpado, mas como a agressão foi provocada, aplicou apenas uma multa de 20 xelins[109].

A Grande Loja não estava disposta a deixar um de seus membros que tinha saído em defesa da Maçonaria, desamparado, e realizou uma arrecadação para ajudá-lo que somou mais de 28 libras[110]. Apesar da ajuda tão generosa, cinco anos depois Pritchard se encontrou novamente em perigo e recebeu ajuda da loja Queen’s Head[111]. Em 1730, Pritchard voltou a solicitar assistência da Grande Loja, argumentando que ele era maçom desde 1700. Seu pedido foi indeferido, pois lhe foi oferecida uma vaga no asilo e ele rejeitou[112]. No ano seguinte, Pritchard solicitou novamente a ajuda da Grande Loja, argumentando sobre sua pobreza, cegueira e idade, afirmando que ele foi maçom por mais de 40 anos – desta vez ele disse que tinha começado em 1690. Seu pedido foi aprovado, sendo acordado que Desaguliers lhe daria cinco libras dos fundos de caridade e que ele mesmo cuidaria para que Pritchard os usasse com sabedoria.

Este caso demonstra como os fundos de caridade da Grande Loja eram muito atraentes para os membros que estavam envolvidos no trabalho físico e artesanal, e que a gestão discricionária do fundo levou os candidatos a enfatizar a sua filiação e antiguidade na Maçonaria. Outro membro da loja Queen’s Head que tentou lucrar com a caridade maçônica foi o próprio Sayer. Como vimos anteriormente, seu nome não aparecia na lista de Grão-Mestres nas Constituições de 1723. Em 1724 ele foi um dos primeiros a solicitar a ajuda da Grande Loja – embora naquela ocasião não tenha mencionado sua posição – e seu caso foi o estopim para o estabelecimento de um fundo de caridade[114]. Em abril de 1730, Sayer novamente solicitou a ajuda da loja, descrevendo seus infortúnios e extrema pobreza e, desta vez, utilizando o argumento de que havia sido Grão-Mestre de uma loja. As opiniões dentro da Grande Loja estavam divididas sobre como ajudar Sayer. Alguns estavam dispostos a oferecer-lhe £20, enquanto outros achavam esta quantia muito generosa e deveria ser oferecida apenas 10 libras. No final, decidiram-se por um meio termo e ele recebeu 15 libras, mas com o esclarecimento de que tal ajuda seria dada a ele “porque ele foi um Grão-Mestre”. Com isso queríamos deixar bem claro que só alguém com tamanha importância na organização poderia esperar ajuda dessa magnitude. Alguns meses depois, Sayer foi acusado pelo Mestre e pelos Vigilantes da loja Queen’s Head de realizar iniciações irregulares, afirmando que Sayer havia encontrado outra maneira de obter benefícios financeiros utilizando-se de sua antiga posição maçônica[115].

Sayer explorou seu status de ex-Grão-Mestre para seu próprio benefício, mas a loja da taverna Queen’s Head também tinha motivos para apoiar os argumentos de seu membros, como Sayer e Pritchard, de terem sido maçons desde antes da fundação da Grande Loja. Em 1729, a Grande Loja reorganizou a numeração de suas lojas filiados, ordenando-as de acordo com a data de sua constituição. Uma vez que a carta constitutiva da loja Queen’s Head era de 1723, ela recebeu então número 11. A loja apresentou uma reclamação, solicitando ser colocada mais acima na lista das lojas, que foi rejeitado categoricamente pelo Grão-Mestre Adjunto, Alexander Choke, visto que a Grande Loja tinha dúvidas sobre as afirmações da Queen’s Head e seus membros[116]. Pouco tempo depois, o comitê de caridade da Grande Loja foi reformado para incluir nele os Grão-Mestres das lojas mais antigas. A perda da antiguidade da Queen’s Head afetava sua participação no comitê de caridade, por isso seu grande interesse em reverter a decisão da Grande Loja.

Sayer, Lamball e companhia inventaram histórias sobre suas posições dentro maçonaria para conquistar prestígio social e para aumentar suas chances de receber assistência financeira da Grande Loja. Além disso, a loja que frequentaram tentou provar sua antiguidade por razões semelhantes. Anderson, por sua vez, recebeu o instrução para demonstrar a antiguidade da Grande Loja em face da crescente competição das novas Grandes Lojas de Dublin e Edimburgo e para auxiliar no planejamento político da organização londrina. O autor das Constituições fez uso das histórias de Sayer, Lamball e outros porque eram muito úteis para esse propósito. É necessária uma pesquisa mais aprofundada sobre o contexto e a fundação da Grande Loja, sendo impossível no presente trabalho cobrir o assunto em sua totalidade. Nossa intenção é enfatizar que a Grande Loja não foi fundada na taverna Goose and Gridiron após uma série de negociações na Apple Tree, em 1717. Nossa melhor interpretação, dadas as evidências reunidas, é que a Grande Loja foi fundada com a nomeação do Duque de Montagu como Grão-Mestre, em 1721. Isso coloca a visita de Desaguliers a Edimburgo em agosto de 1721, em um contexto completamente diferente. Mas isso é uma outra história.

Considerações Finais

Foi-nos sugerido que deveríamos encerrar esta investigação instando a Grande Loja a adiar suas celebrações do tricentenário até 2021. Mas isso não é nossa intenção. Preferimos que o referido aniversário seja o evento que desencadeie uma maior pesquisa sobre a história inicial da Grande Loja. Com sua narrativa da Apple Tree e da Goose and Gridiron, Anderson criou um mito excepcionalmente duradouro, que muitas outras organizações fraternas adotaram. Por exemplo, de acordo com membros do Druid Circle of the Universal Bond[117], John Toland fez um proclamação em Primrose Hill para chamar todos os druidas para se encontrarem na taverna Apple Tree de Covent Garden. Assim, de acordo com a tradição, em setembro de 1717 foi fundada esta ordem druídica – da qual o mencionado William Stukeley foi governante – no mesmo local onde a Grande Loja foi supostamente fundada[118]. Esses mitos fundadores são muito importantes para todas as organizações fraternas, e Anderson sabia disso. Como ele mesmo disse no prefácio de suas Royal Genealogies, é importante que “cada nação tenha sua própria fábula”.

Autores: Andrew Prescot e Susan Mitchell Sommers
Traduzido por: Luiz Marcelo Viegas

Fonte: REHMLAC

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Notas

[95] – Stow y Strype, Survey, vol. II, 84.

[96] – London Evening Post, 20-22 de julio de 1732.

[97] – Weekly Journal or British Gazeteer, 22 de febrero de 1729.

[98] – “Brewer Street and Great Pulteney Street Area”, en Survey of London: Volumes 31 and 32, St James Westminster, Part 2, ed. Sheppard (Londres: London County Council, 1963), 116-137; una mujer anciana fue encontrada muerta en el ático de una casa nueva, construida en Knave’s Acre, en 1722: Daily Journal, 10 de enero de 1722.

[99] – Book of Constitutions, (1738) 185.

[100] – Old Bailey Proceedings: Accounts of Criminal Trials, 10 de octubre de 1733, Harvard University Library, ref: t17331010-4.

[101] – Según su testameto, fechado el 15 de abril de 1735.

[102] – Old Bailey Proceedings Online, 7 de septiembre de 1722, ref. f17331010-1.

[103] – A. Calvert, “Antony Sayer”, AQC 14 (1901): 183.

[104] – Sesiones de la corte de justicia, 17 de enero de 1736; Registro de entierros, St. Margaret, Westminster, 12 de agosto de 1737.

[105] – King’s Arms Register. Fleet Market, 10 de junio de 1739, Londres, Inglaterra, Registro de matrimonios y bautismos clandestinos, 1667-1754. Estos matrimonios, considerados irregulares bajo la ley de matrimonios de 1753, se realizaban dentro o en las inmediaciones de la prisión The Fleet, de la que nos hemos ocupado anteriormente. (N. Del T.)

[106] – London Evening Post, 16-19 de enero de 1742.

[107] – QCA 10, 105.

[108] – QCA 10, 251.

[109] – Daily Post, 18 de mayo de 1723.

[110] – QCA 10, 54-55.

[111] – QCA 10, 115.

[112] – QCA 10, 134.

[113] – QCA 10, 208-209.

[114] – QCA 10, 59.

[115] – QCA 10, 131, 137-138.

[116] – QCA 10, 106.

[117] – Un breve, pero interesante relato que intenta hermanar los orígenes del Druid Circle con los de la Gran Logia, se encuentra en Society X, “1717: Druidry and the founding of modern Freemasonry” (12 de febrero de 2013 [25 de septiembre de 2017]): disponible en https://5ocietyx.wordpress.com/tag/druidcircle-of-the-universal-bond/ (N. del T.).

[118] – Ronald Hutton, Blood and Mistletoe: The History of the Druids in Britain (New Haven y Londres: Yale University Press, 2009), 125-129.

Em busca da Apple Tree: uma revisão dos primeiros anos da maçonaria inglesa (Parte III)

John Montagu, 2.º Duque de Montagu

Um acontecimento que constituiu uma tragédia para o estudo da história da Maçonaria foi a “noite da indignação”, que aconteceu na Loja Antiguidade em novembro de 1778, quando os simpatizantes de William Preston, em sua disputa com o Grande Loja, roubaram arquivos e móveis[80]. Na época deste incidente, a loja tinha em sua posse as atas completas entre 1721 e 1778, bem como três volumes com os arquivos dos tesoureiros e dos secretários. Os dois volumes, que continham as atas de 1721 a 1733 foram perdidos e outros volumes tiveram suas páginas rasgadas. A perda desses registros é desastrosa. No entanto, foi preservado um rascunho, marcado com “E”, contendo alguns das primeiras atas. Felizmente, este volume ainda está em sua encadernação original, e tem anexado a ele o cartão de Charles Stokes, “Livreiro em Red-Lyon, perto de Bride-Lane, na Fleet Street”. O cartão está datado de 1716, provavelmente a data em que foi gravado. Stokes era conhecido por comercializar o “famoso tabaco oftálmico, que é fumado suavemente e é agradável de cheirar”, que foi amplamente divulgado a partir de 1720, e a as folhas de tabaco são vistas no cartão[81]. Stokes, “uma pessoa engenhosa que colecionava medalhas, pinturas e outras curiosidades”, faleceu em 10 de junho de 1741[82]. A participação de Stokes na Loja Antiguidade está registrada no Volume “E” e, em 1719, ele foi tutor de geometria, álgebra e assuntos relacionados junto com Jonathan Sisson[83].

Graças à sobrevivência do livro e do cartão de Stokes, sabemos que o livro “E” em arquivo no Loja Antiguidade é anterior às ações de Preston e seus seguidores e que, provavelmente, foi encadernado em princípios década de 1720. Boa parte do livro não foi usada até anos depois de seu aquisição, uma vez que também contém atas de 1759 a 1767 entre as páginas 9v e 85, além da contabilidade da loja da página 148v ao final do volume. Ele também contém várias notas de, por exemplo, a entrega de uma placa para imprimir ingressos, em julho de 1751, ou na página 7v o reembolso das verbas pagas durante uma cerimônia trimestral em abril de 1756. Na página 124v há uma lista negócios inacabados de grandes oficiais, o que é muito interessante porque omite a inclusão de Anderson como o Primeiro Vigilante em 1723. No entanto, esta lista é muito tardia, pois está escrita pela mesma pessoa que escreveu a ata entre 11 de junho e 26 de agosto de 1766. O volume não escapou ileso da “noite da indignação”, uma vez que entre as páginas 125 a 133 existem alguns trechos, escritos em caligrafia do final do século XVIII, que supõe-se sejam do livro de atas de 1721 a 1733 que está perdido. Como o observa Wonnacott[84], eles foram escritos por uma mão que não pode ser anterior a 1765 e muitos traços têm uma semelhança marcante com as notas de rodapé do obras de William Preston, sugerindo que se trata de registros que foram elaborados e corrigidos sob sua direção.

Mas, no início do livro “E”, existem dois documentos que podem ser datados sem dúvida a partir do início dos anos 1720. Após a reprodução de um retrato do Duque de Montagu por John Faber, há uma ata na página 2 que descreve a nomeação do duque em junho de 1721; então, das páginas 4-5, há uma lista de membros da loja, datada de 18 de setembro de 1721. O início desta lista é redigida pela mesma pessoa que redigiu a ata da reunião de Montagu. Adições subsequentes à lista, que deixam um registro de alguns figuras ilustres da loja, como o primeiro conde de Waldegrave e Sir Charles Hotham, representante de de Beverly no Parlamento[85], são primeiro da mão original e depois de uma variedade de mãos que parecem ser, como no caso do artista Benjamin Cole, assinaturas dos próprios membros. As últimas entradas na lista referem-se às iniciações de 15 de março de 1725, o que significa que a lista não pode ser posterior a 1726. A maioria dos membros nomeados na primeira seção aparecem na lista de membros da Loja na taverna Goose and Gridiron. Outros nomes na lista de 1725 aparecem como membros da Loja na taverna Queen’s Arms, que é para onde se mudou a Loja da Goose and Gridiron[86]. Isso nos leva a pensar que a relação entre as duas lojas é mais complexa do que se acreditava anteriormente, provavelmente devido ao papel do Duque de Wharton como Grão-Mestre da Loja Queen’s Arms. No entanto, a lista da loja mostra os membros no início da década de 1720, e foi copiado no livro “E” nessa época. O nome do mestre William Esquire parece, à primeira vista, um erro de redação, porém, possivelmente, se trata de um William Esquire que batizou sua filha Ann em St. Botolph Aldgate em 1710[87]. Nesse caso, ele é o primeiro mestre da Loja da Antiguidade.

Visto que a lista de membros da Loja Antiguidade contida no livro “E” data do início dos anos 1720, pode-se presumir que o relato da nomeação do duque de Montagu, escrito pela mesma pessoa, foi elaborado não muito depois de 1721 e portanto, pode ser considerada uma fonte contemporânea. Esta ata amplia consideravelmente a lista de nobres e senhores ilustres que compareceram ao evento. Concorda com a menção de Stukeley sobre a presença de Lord Herbert e Sir Andrew Fountaine, bem como Lord Hinchingbrooke[88], que mais tarde visitaria Stukeley na Loja Fountain. Também nos diz que Lord Hillsborough, um amigo próximo do Duque de Wharton[89], esteve presente. A ata não diz explicitamente que Lord Stanhope esteve presente, mas a entrada “P. Stanhope” pode se referir a ele. O William Stanhope, que aparece, é possivelmente o irmão mais novo de Lord Stanhope. No texto um bom número de baronetes e cavaleiros também são mencionados, como Sir William Leman, terceiro Baronete, Sir George Oxenden, quinto Baronete, parlamentar do Partido whig por Sandwich[90]; Sir Robert Rich, quarto baronete, que na época era parlamentar por Dunwich e apoiador de Walpole[91], Sackville Tufton, mais tarde sétimo Conde de Thanet e Coronel John Cope, parlamentar por Queenborough e também apoiador de Walpole[92]. A ata também menciona Christopher Wren Jr., que mais tarde se tornaria mestre da loja Antiguidade, bem como membros das lojas Goose and Gridiron e Queen’s Arms, incluindo Richard Boult, Charles Hedges e William Western, membro da Royal Society.

O documento da Loja Antiguidade mostra-nos que, entre os presentes na iniciação de Montagu estavam representantes da mais alta classe da sociedade. O mais surpreendente é a notícia de que o duque de Wharton também compareceu. Isso não era inerentemente improvável, mas, uma reportagem na imprensa, publicada em 5 de agosto de 1721, afirmava que Wharton começou na Maçonaria na Loja na taverna Queen’s Arms apenas no final de julho do mesmo ano[93]. Isso nos leva a questionar a sequência exata dos eventos sobre a iniciação de Wharton, embora não desacredite o relato da Loja Antiguidade[94]. A reunião é descrita como “uma assembleia geral de um grande número de maçons”, a ata declara que o duque de Montagu foi eleito Grão-Mestre, e jurou sobre a bíblia, “observar e manter inviolável no futuro, todas as franquias e liberdades dos maçons da Inglaterra e todos arquivos da antiguidade sob a custódia da antiga loja de São Paulo em Londres”.

Embora esse ata fosse claramente destinada a reforçar as reivindicações da loja, estas estavam baseadas na posse dos arquivos das Old Charges. Neste contexto, quando Payne apresentou um documento muitos mais velho realmente complicou a coisa toda. Isso adicionou importância à segunda parte do juramento de Montagu: “Firmemente observar e nunca permitir qualquer interferência nos Landmarks das antigas lojas da Inglaterra, o que da mesma forma será feito por seus sucessores, que estarão obrigados por juramento a fazer o mesmo”.

Em reciprocidade, as antigas lojas concordaram em renunciar aos seus privilégios em favor deste novo órgão, que era a Grande Loja:

Neste dia, os maçons de Londres, em seu próprio nome e em nome do restante de seus irmãos da Inglaterra, concedem seus reservados e distintos direitos e poderes de reunir-se em capítulos, etc., presentes nas antigas lojas de Londres, em favor do que hoje foi publicamente reconhecido e notificado aos irmãos reunidos na Grande Loja.
Os senhores das antigas lojas aceitaram e confiaram em nome de suas lojas e tudo foi juramentado de forma pertinente

Assim, a descrição contemporânea mais completa e detalhada mostra-nos que a nomeação do Duque de Montagu e o ato de transferência dos privilégios das antigas lojas de Londres para o Grão-Mestre e a nova Grande Loja foi realizada, não na Loja da taverna Goose and Gridiron em 1717, mas na reunião no Stationers ‘Hall em 1721.

Este relato é convincente não apenas porque é mais contemporâneo do que o de Anderson, mas também porque está de acordo com o histórico de Stukeley e as evidências encontradas nos jornais. Aparentemente, foi George Payne, com a ajuda de Desaguliers e talvez do próprio Stukeley, que concebeu um esquema para levar a Maçonaria a um novo nível social e cultural nos meses anteriores, além conseguir levar para suas fileiras personagens ilustres como o duque de Montagu e talvez também o duque de Wharton. Payne foi, sem dúvida, quem orquestrou toda a operação, preparou o regulamento da nova organização e talvez tenha sido nomeado Grão-Mestre durante esse processo. Mas o significado das atas da Loja Antiguidade é muito claro: a Grande Loja não foi fundada na taverna Goose and Gridiron em 24 de junho de 1717, mas sim quatro anos depois, quando as lojas de Londres fizeram a transferência formal de seus privilégios para o nova organização, em 24 de junho de 1721 no Stationers ‘Hall. Portanto, a contagem de Anderson do que aconteceu entre 1717 e 1721 deveria ser desconsiderada.

Continua…

Autores: Andrew Prescot e Susan Mitchell Sommers
Traduzido por: Luiz Marcelo Viegas

Fonte: REHMLAC

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Notas

[80] – W. H. Rylands y C. Firebrace, Records of the Lodge Original, No. 1, now the Lodge of Antiquity, No. 2 (Londres: Harrison, 1911-26), vol. I, 1-14; Colin Dyer, William Preston and his Work (Shepperton: Lewis Masonic, 1987), 67

[81] -Por ejemplo, en el Applebee’s Weekly Journal del 6 de agosto de 1720. Véase Francis Doherty, A Study in Eighteenth-Century Advertising Methods: The Anodyne Necklace (Lampeter: Edwin Mellen Press, 1992), 349-50.

[82] – London Daily Post and General Advertiser, 11 de junio de 1741

[83] – Evening Post, 9-11 de julio de 1719. Jonathan Sisson fue un fabricante de instrumentos para astronomía, navegación e ingeniería, inventó el teodolito moderno (N. Del T.).

[84] – W. Wonnacott, ‘The Lodge at the Goose and Gridiron’, AQC 25 (1912), 168.

[85] – Sobre Waldegrave, véase Berman, Foundations, 148-150; sobre Hotham, véase E. Cruickshanks e I. McGrath, “Hotham, Sir Charles, 4th Bt”, en The History of Parliament: the House of Commons 1690-1715, eds. Eveline Cruickshanks, Stuart Handley y D. W. Hayton (Londres: History of Parliament Trust, 2002 [citado el 2 de agosto de 2016]): disponible en http://www.historyofparliamentonline.org/volume/1690- 1715/member/hotham-sir-charles-1663-1723

[86] –La logia en Queen’s Arms fue famosa posteriormente por el patronazgo del Dr. Johnson, de Boswell y de Garrick. En la década de 1720 también se le conocía como King’s Arms, pero por cuestiones de consistencia aquí usaremos el nombre más usual y conocido de Queen’s Arms.

[87] – “England Births and Christenings, 1538-1975”. Genealogical Society of Utah, Salt Lake City, FHL microfilm 370933.

[88] – Sobre Hinchingbroke, véase E. Cruickshanks y S. Handley, “Montagu, Edward Richard, Visct. Hinchingbrooke”, en The History of Parliament [citado el 5 de mayo de 2017]: disponible en http://www.historyofparliamentonline.org/volume/1690-1715/member/montagu-edward-richard-1692-1722; Berman, Foundations, 135.

[89] – Berman, Foundations, 143.

[90] – R. Sedgwick, “Oxenden, Sir George, 5th Bt”, en The History of Parliament [citado el 5 de mayo de 2017]: disponible en http://www.historyofparliamentonline.org/volume/1715-1754/member/oxenden-sirgeorge-1694-1775

[91] – S. Matthews, “Rich, Sir Robert, 4th Bt”, en The History of Parliament [citado el 5 de mayo de 2017]: disponible en http://www.historyofparliamentonline.org/volume/1715-1754/member/rich-sir-robert-1685-1768; Sommers, “Dunwich: the Acquisition and Maintenance of a Borough”, en Proceedings of the Suffolk Institute of Archaeology and History 38 (1995): 317-318; Berman, Foundations, 127-128.

[92] – A. Newman, “Cope, John”, en The History of Parliament [citado el 5 de mayo de 2017]: disponible en
http://www.historyofparliamentonline.org/volume/1715-1754/member/cope-john-1690-1760

[93] – Robbins, “Earliest Years”, 68.

[94] – Wonnacott, “Goose and Gridiron”, 171. Es probable que no haya habido rituales durante la cena del 24 de junio de 1721, por lo que tal vez ni Wharton ni nadie más haya sido iniciado en esa fecha

Em busca da Apple Tree: uma revisão dos primeiros anos da maçonaria inglesa (Parte II)

18th century history: What was life like in the 18th century? - Who Do You  Think You Are Magazine

Existem muitas contradições no relato feito por Anderson dos primeiros anos da Grande Loja. Por exemplo, ele afirma que o primeiro ato de Sayer como Grão-Mestre deveria reavivar as comunicações trimestrais, mas relata apenas os banquetes anuais que aconteciam na Goose e Gridiron. A primeira comunicação trimestral a que se refere Anderson foi realizada em 25 de março de 1721[50]. Conforme Begemann apontou, era muito difícil para uma reunião trimestral ser realizada em 25 de março, Dia da Anunciação no calendário cristão, quando as pessoas estavam ocupadas com pagamento de aluguéis e renovação de contratos[51], visto que, de acordo com os registros, é evidente que a Grande Loja evitou se reunir naquele dia[52]. Aparentemente, Anderson inventou esta comunicação trimestral para dar a certeza de que o duque de Montagu havia sido nomeado Grão-Mestre em todos os sentidos. Existe um problema semelhante com a comunicação trimestral de março de 1722, durante a qual, supostamente, um comitê da Grande Loja aprovou o texto das Constituições a serem publicadas em 1723. Há outros pontos onde Anderson claramente inventou detalhes para complementar sua narrativa. Seu relatório do aumento no número de lojas entre 1721 e 1722 (12 lojas em junho de 1721, 16 de setembro do mesmo ano e 20 de dezembro de 1721 e 24 de março de 1722) é suspeitamente regular em sua progressão aritmética, e não corresponde ao que sabemos de outras fontes[53].

O epítome das dificuldades narrativas de Anderson é a Apple Tree Tavern, que é o exemplo mais notório de seu problema com datas. A Apple Tree existia em 1738, e os arquivos de licença nos mostram que o dono desta taverna era James Douglas, que a comprou em 1729[54]. No entanto, apesar de se conhecer centenas de nomes de tabernas na Londres de 1716 (muitas delas com variantes do nome “Apple Tree”), não há referência à Apple Tree da Charles Street. Aparentemente, este nome foi dado por Douglas quando ele tomou posse da propriedade em 1729. Como W. J. Williams aponta, os livros de registro mostram que a Apple Tree ficava no lado leste da Charles Street, na esquina da York Street. Este local atualmente corresponde ao número 28 da Wellington Street, esquina com a Tavistock Street, e é ocupado por um restaurante da rede “Bella Italia”. Os proprietários anteriores deste estabelecimento foram Robert McClure – de 1713 a 1719 – e Thomas Taylor – entre 1719 e 1729[56]. As licenças, tanto de McClure quanto de Taylor, eram para trabalhar como estalajadeiros, mas não há evidências de que usaram o nome “Apple Tree“. Nossa discussão durante a última cátedra de Edward A. Sankey, na Universidade de Brock, era que em 1716 este lugar não era uma taberna, mas uma mercearia chamada The Golden Anchor, de propriedade de Simon Mayow[57]. Mas uma revisão posterior dos arquivos mostrou que a The Golden Anchor não estava no lugar que mais tarde foi ocupado pela Apple Tree, mas sim no lado sul da York Street. No entanto, a busca pela Apple Tree ilustra como a narrativa de Anderson é confusa devido a suas invenções e suas atualizações de nomes de pessoas e lugares, no que meias-verdades são intercaladas com fatos inventados de propósito. Apesar de que alguns nomes de taberna passaram de uma geração de proprietários para outra –você ainda pode tomar uma bebida hoje no The Coach and Horses, cujo nome data de 1736–, o nome Apple Tree parece ter sido exclusivo de James Douglas, uma vez que desapareceu após sua morte em 1753[58].

Anderson distorceu e inventou sua narrativa porque a Grande Loja pediu a ele. Na edição de 1723 das Constituições, Anderson tenta mostrar que a origem da Maçonaria pode ser rastreada desde o início dos tempos, mas é muito vaga em sua história sobre a sucessão de Grão-Mestres desde a Antiguidade. Em 31 de março 1735, a Grande Loja aprovou uma moção expressando “o desejo de que o Dr. James Anderson imprima os nomes (em seu novo livro de Constituições) de todos os Grão-Mestres que se possa encontrar desde o início dos tempos, bem como um lista com os nomes de todos os Grão-Mestres substitutos, dos Grandes Vigilantes e dos irmãos que serviram à ordem como Expertos”. Anderson recebeu essas instruções para que, no futuro, todos os oficiais da loja fossem selecionados a partir dessas listas. Esta medida foi pensada para marcar o exclusividade social do grupo e para evitar que qualquer funcionário se torne necessitado a ponto de solicitar assistência de caridade da loja, como aconteceu com Sayer e Joshua Timson, o sapateiro e ferreiro falido que era Vigilante ao mesmo tempo que Anderson[60]. Da mesma forma, a Grande Loja estava, sem dúvida, ciente dos planos que se elaboravam para se estabelecer uma Grande Loja na Escócia e, portanto, devia se apressar para estabelecer sua primazia.

Outra consideração que levou Anderson a enfatizar as continuidades na história da Grande Loja, foi a maneira pela qual esta organização se inclinou para a oposição “patriótica” ao governo de Walpole, oposição esta que se dava em torno do figura de Frederick Louis, o Príncipe de Gales[61]. Esta tendência foi impulsionada por Desaguliers, a quem o príncipe concedeu um espaço no Palácio de Kew para configurar seu equipamento de laboratório[62]. A dedicação e apresentação da edição de 1738 das Constituições ao Príncipe de Gales, foram sinais inequívocos de apoio em uma época em que o herdeiro do trono havia caído nas graças de seu pai e era visto pela oposição como a última esperança para restaurar a ordem que havia sido perdida devido à corrupção de Walpole[63]. Influenciado pelo livro Remarks on the History of England, escrito por Henry St John Bolingbroke em 1730, a oposição “patriótica” destacava a importância “do sentido de continuidade e orgulho que representam ser britânico”, bem como a consciência das tradicionais liberdade e independência britânicas[64]. A história da Maçonaria escrita por Anderson tinha como objetivo mostrar que a organização estava profundamente enraizada na tradição inglesa, porém revitalizada pela casa de Hannover.

Se não fosse pelo testemunho tardio e suspeito de Anderson e a lista de oficiais nos livros de atas, poderia se pensar que a Grande Loja foi fundada em 1721. Não existem referências contemporâneas à Grande Loja entre 1717 e 1721: nem um única nota publicada na imprensa, nem um único panfleto antimaçônico, nem uma menção em nenhum jornal privado, nem uma única peça satírica[65]. Parece que, na Inglaterra, a Maçonaria entrou abruptamente em cena em 1721. Duas outras fontes nos oferecem uma explicação bem simples: a Grande Loja foi fundada na verdade em 1721. Essas fontes são os escritos do médico, antiquário e filósofo natural William Stukeley e um livro nos arquivos da Lodge of Antiquity. Ambos são contemporâneos e mais confiáveis ​​do que as fontes consultadas na pesquisa de Anderson. A história de que Sayer, Lamball e outros tinham sido oficiais da loja antes de 1721 foi inventado por eles mesmos, com o intuito de obter dinheiro do fundo de caridade da Grande Loja. Se ela concordou com o pedido dos três, foi para reforçar seus direitos sobre as outras lojas e para demonstrar sua própria antiguidade.

Stukeley foi um dos fundadores da Sociedade de Antiquários e é lembrado por suas investigações arqueológicas em Avebury e em Stonehenge. Registrou em seu diário que, em 6 de janeiro de 1721, se iniciou “Maçom na taverna Salutation, da Tavistock Street, junto com o Sr. Collins e o Capitão Rowe, que fez a famosa máquina de mergulho”[66]. A Salutation era uma taberna bem conhecida na Bairro de Covent Garden, virando a esquina da Apple Tree, que se estabeleceu em 1709 e sobreviveu até 1881[67].

Não sabemos quem era o Sr. Collins, mas Jacob Rowe era um capitão do mar e empresário de Devon, que patenteou uma máquina de mergulho[68]. Porém, o mais surpreendente na história da iniciação de Stukeley, ele deixou registrado em seu diário[69]: “Fui a primeira pessoa que se iniciou na Maçonaria em Londres desde muitos anos. Tivemos muita dificuldade em encontrar membros suficientes para realizar a cerimônia. Imediatamente depois disso, houve um grande impulso e todos estavam loucos para serem membros”[70]. Por volta de 1750, enquanto preparava um resumo de sua vida, Stukeley novamente enfatizou a falta de Maçons em Londres em 1721: “Sua curiosidade o levou a ser iniciado nos mistérios dos maçons, imaginando que seriam uma continuação dos mistérios dos antigos, mas era difícil encontrá-los em número suficiente em Londres. Depois disso, eles se tornaram uma moda pública, que não só se espalhou pela Inglaterra e Irlanda, mas também por toda a Europa”[71].

É impossível amarrar o relato de Stukeley, sobre a falta de maçons para realizar sua iniciação, com a narrativa de Anderson, que afirma que o número de lojas cresceu rapidamente[72]. A Salutation Tavern, onde Stukeley foi iniciado, estava a alguns passos do ponto na Charles Street onde a Apple Tree mais tarde seria alojada. É surpreendente a dificuldade para encontrar maçons se é que, de fato, uma Loja se reuniu lá. Para Stukeley, o verdadeiro gatilho para o crescimento da Maçonaria foi a nomeação do Duque de Montagu como Grão-Mestre em Stationer’s Hall, em junho de 1721. Ao contrário de Anderson, Stukeley compareceu a este evento e o descreveu assim:

Os maçons jantaram no Stationer’s Hall, estavam presente o duque de Montagu, Lord Herbert, Lord Stanhope, Sir Andrew Fountaine e outros. O dr. Desaguliers fez um discurso. O Grão-Mestre Sr. Payne mostrou um antigo manuscrito das Constituições, que ele obteve no oeste da Inglaterra e que tem 500 anos. Ele leu para nós um novo grupo de artigos que deveriam ser observados. O duque de Montagu foi eleito Grão-Mestre para o ano seguinte, e o Dr. Beal como substituto.[73]

Embora o relato de Stukeley seja muito mais sucinto do que a elaborada história de Anderson, nos fornece detalhes importantes. Em primeiro lugar, ele nos revela que, além da presença de Lord Stanhope – o futuro quarto conde de Chesterfield – também havia Lord Herbert – 9º Conde de Pembroke – que era arquiteto e mecenas, grande promotor do Palladianismo, e o intelectual Sir Andrew Fountaine, responsável pelas coleções de Lord Herbert e outro eminente promotor do Arquitetura Palladiana[74]. Em segundo lugar, Stukeley relata que George Payne apresentou um manuscrito com as “Old Charges“. Nós sabemos que era o manuscrito Cooke[75] graças ao desenho de Stukeley e porque o dito manuscrito estava sob a tutela da Grande Loja em seus primeiros anos, durante os quais William Reid fez duas transcrições do documento[76]. A descoberta do manuscrito Cooke, que talvez fosse considerado um compêndio de “mistérios dos antigos”, fez com que Anderson ficasse encarregado de resgatar as tradições e salvá-las dos “graves erros encontrados na história e na cronologia” ocorridos devido à “ignorância de escribas nas idades escuras e iletradas, antes do renascimento da geometria e da arquitetura antiga”[77].

Stukeley afirma que George Payne era o Grão-Mestre quando o duque de Montagu foi eleito, mas é surpreendente que nem mesmo um homem de ciência, tão bem socialmente conectado, nem mesmo a loja da Salutation Tavern não soubessem nada sobre Payne seis meses antes. Payne fora nomeado Grão-Mestre já em 1721? De igual forma, as reportagens dos jornais nos dizem que entre duzentos e trezentos maçons participaram do banquete no Stationers’ Hall, o que é uma mudança radical em relação a janeiro do mesmo ano. Aparentemente, durante a primeira metade de 1721, a Maçonaria realmente tomou um “grande impulso” e Stukeley teve a ver com isso. Em dezembro de 1721, Stukeley estava envolvido na fundação de uma loja na Fountain Tavern em The Strand, da qual foram membros Dr. Beal, Grão-Mestre substituto da Grande Loja, e o próprio Stukeley foi eleitoGrão-Mestre[78]. Ele nos diz que, em 1722, esta loja recebeu inúmeras pessoas famosas, como o Duque de Queensberry, o Duque de Wharton, Lord Hinchingbrooke, Lord Dumbarton e Lord Dalkeith[79]. O prestígio social deste Loja também foi registrado nas reportagens sobre a Maçonaria na imprensa da época.

A impressão que Stukeley nos passa da repentina aparição em cena da Grande Loja, em 1721, é corroborada por outra fonte que, apesar de não ser muito conhecida, fornece um relato crucial para a história da criação da Grande Loja. Se trata de uma cópia contemporânea de uma ata descrevendo a reunião, em 24 de junho de 1721, que se encontra nos arquivos da Antiquity Lodge nº 2, a mesma loja que se reunia na cervejaria Goose and Gridiron. Estes arquivos não foram suficientemente estudados, e aproveitamos a oportunidade para agradecer ao Venerável Mestre, Secretário e membros da Antiquity Lodge nº 2 que têm nos permitido, com todas as facilidades possíveis, examinar este manuscrito e tirar fotos dele.

Continua…

Autores: Andrew Prescot e Susan Mitchell Sommers
Traduzido por: Luiz Marcelo Viegas

Fonte: REHMLAC

*Clique AQUI para ler a primeira parte do artigo.

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Notas

[51] – El día de la anunciación, “Lady Day” en inglés, fue hasta 1752 (cuando el gobierno británico adoptó el calendario gregoriano) el primer día del año. Los contratos de arrendamiento de la época tenían vigencia de un año, e iban del “Lady Day” de un año al del siguiente (N. del T.)

[52] – Begemann, Early History, 609.

[53] – Begemann, Early History, 610.

[54] – La primera referencia de la Apple Tree en los registros de licencias de Westminster data de 1729, cuando le fue otorgada a James Douglas: London Metropolitan Archives, WR/LV/1/19. En otra publicación se hace la primera mención de Douglas como licenciatario de la taberna Apple Tree en 1736, véase Westminster City Archives Research Group, One on Every Corner: the History of Some Westminster Pubs (Londres: Westminster City Archives, 2002), 64. Este fue el año en que Douglas tomó posesión de su propiedad según consta en los Westminster City Archives, St. Paul Covent Garden Rate Books.

[55] – W. J. Williams, “A Masonic Pilgrimage through London”, AQC 42 (1930): 105-106.

[56] – Al parecer, James Douglas era yerno de Taylor. Thomas Taylor bautizó a su hija Mary en St. Paul Covent Garden en 1708. James Douglas se casó con Mary Taylor (aunque no sabemos si en realidad era la hija de Thomas) en 1728, justo cuando Thomas Taylor cedió la propiedad del local en Charles Street. Douglas bautizó cuatro hijos en St. Paul Covent Garden entre 1729 y 1733. Thomas Taylor reaparece en los registros como licenciatario de una propiedad en la cercana Brydges Street, también en Covent Garden, en 1729: London Metropolitan Archives, WR/LV/1/19.

[57] – The Golden Anchor se menciona en espacios publicitarios en el Daily Courant, del 16 de enero de 1718, en el Original Weekly Journal, del 1 de marzo de 1718, y nuevamente en el Daily Courant, del 22 de noviembre de 1722.

[58] – La última referencia de la Apple Tree que quedó registrada fue en 1751: London Metropolitan Archives, WR/LV/1/24. A partir de este punto, el nombre de Douglas se reemplazó por el de John Lemman. Un James Douglas fue enterrado en St. James Piccadilly en 1753: “England, Middlesex, Westminster, Parish Registers, 1538-1912”. City of Westminster Archives Centre, Londres, FHL microfilm 1042313.

[59] – QCA 10, 251.

[60] – St. Clement Danes, Pauper Settlements, Vagrancy and Bastardy Examinations, 13 de noviembre de 1742, ref. WCCDEP358180037-38; QCA 10, 123, 130, 134.

[61] -Berman, Foundations, 174-175.

[62] -Carpenter, Desaguliers, 45-46.

[63] – La presentación del libro ante el príncipe se consignó en los anuncios publicitarios de la obra, por ejemplo, en el London Daily Post and General Advertiser del 3 de noviembre de 1739 y en el Country Journal or The Craftsman del 24 de noviembre de 1739.

[64] – Andrew Pink, “Robin Hood and her Merry Women: Modern Masons in an Early Eighteenth-century London Pleasure Garden”, Journal of Research into Freemasonry and Fraternalism 4 (2013): 203-206; Christine Garrard, The Patriot Opposition to Walpole: Politics, Poetry, and National Myth (Oxford: Clarendon Press, 1994).

[65] – Dada la falta de evidencia sobre la existencia de la Gran Logia en 1721, es importante ser cuidadosos en la datación de los documentos. Por ejemplo, el reporte de una reunión masónica en Pontefract, publicado en el Leeds Mercury y citado por Berman en su obra Foundations, está basada en la calendarización “Old Style” (véase la nota 59), por lo tanto, la fecha correcta debería ser el 16 de enero de G. D. Lumb, “Extracts from the Leeds Mercury 1721-1729”, Thoresby Society 22 (1915), 187-188. De igual forma, el English Short Title Catalogue data la obra teatral satírica Love’s Last Shift or Mason Disappointed como de 1720, pero en realidad fue anunciada en el Stamford Mercury del 6 de junio de 1723 como una obra nueva.

[66] – Bodleian Library, MS Eng. misc. c.533: f. 34v; W. C. Lukis, ed., The Family Memoirs of the Rev. William Stukeley, M. D. (Surtees Society, 1880), vol. I, 62; David Boyd Haycock, William Stukeley: Science, Religion and Archaeology in Eighteenth-Century England (Woodbridge: Boydell Press, 2002), Una inspección del manuscrito revela que fue redactado por Stukeley en la fecha de los eventos.

[67] – “Southampton Street and Tavistock Street Area: Tavistock Street”, en Survey of London: Volume 36, Covent Garden, 218-222. La taberna Salutation se convirtió en uno de los refugios favoritos del príncipe regente. W. Earle, Sheridan and his Times (Londres: J. F. Hope, 1859), vol. 1, 299-311. Esta taberna no tenía relación alguna con la masonería, a excepción de lo que relata Stukeley sobre su iniciación, y no debe confundirse con la cafetería que estaba sobre la misma calle y que era propiedad del masón Richard Leveridge, error cometido por J. Timbs en su libro Clubs and Club Life in London (Londres: John Graham Hotten, 1872), 434-435, y repetido por E. Beresford Chancellor en The Annals of Covent Garden and its Neighbourhood (Londres: Hutchinson, 1930) 154.

[68] – Peter Earle, Treasure Hunt: Shipwreck, Diving and the Quest for Treasure in an Age of Heroes (Londres: Methuen, 2007).

[69] – Este es un concepto muy de habla inglesa, que no tiene una traducción directa al español. Se trataba de un cuaderno en el que las personas copiaban fragmentos de obras que hallaban interesantes, apuntaban datos diversos o ideas que venían a su mente o que escuchaban de alguien más. No era precisamente un diario. Podría pensarse más en un “cajón de sastre” o en “cuadernos de todo”, como llamó a los suyos la escritora Carmen Martín (N. del T.).

[70] – Bodleian Library, MS Eng. misc. e.260: f. 88; Family Memoirs, vol. I, 122; Haycock, 175.

[71] – Family Memoirs, vol. I, 51.

[72] – Book of Constitutions, 1738, 111.

[73] – Bodleian Library, MS Eng. misc. c.533, f. 35; Family Memoirs, vol. I, p. 64; D. Knoop, G. P. Jones y D. Hamer, The Two Earliest Masonic Manuscripts (Manchester: Manchester University Press, 1938), 55. Otra referencia que hace Stukeley a la cena del 24 de junio de 1721, que había pasado desapercibida previamente, se encuentra en la Bodleian Library, MS Eng misc e. 121: f. 30: “[1721] Junio 24. Cena con el D. Montagu y etcétera en la fiesta de los Masones en Stationers Hall”.

[74] – Véase T. P. Connor, “Herbert, Henry, ninth earl of Pembroke and sixth earl of Montgomery (c.1689–1750)” y Andrew W. Moore, “Fountaine, Sir Andrew (1676–1753)”, en Oxford Dictionary, nos. índ. 101013033 y 101009994 Berman, Foundations, 105,125,135,179.

[75] – Manuscrito fechado hacia el 1450 que mezcla un elogio de la geometría con fragmentos del antiguo testamento para hacer un relato de los orígenes de la masonería operativa. Una transcripción en inglés moderno se puede consultar en http://freemasonry.bcy.ca/texts/cooke.html (N. del T.).

[76] – Knoop, Jones y Hamer, Masonic Manuscripts, 55-57; G. P. Speth, “The Stukeley-Payne-Cooke MS”, AQC 4 (1891), 69-70; Family Memoirs, vol. I, no. 18, 64. El dibujo de Stukeley se supone que está junto con sus demás papeles en la Bodleian Library, pero hasta ahora no ha sido localizado.

[77] – Book of Constitutions, 1723, 73.

[78] – Bodleian Library, MS Eng. misc. c.533, f. 36; Family Memoirs, I, 66.

[79] – Bodleian Library, MS Eng. misc. c.533, f. 36v.

Em busca da Apple Tree: uma revisão dos primeiros anos da maçonaria inglesa (Parte I)

Freemasons For Dummies: Freemasonry: It's About Food

A tradição que diz que em 24 de junho de 1717 quatro lojas maçônicas em Londres se reuniram na taverna Goose and Gridiron, perto da Catedral de St Paul, em Londres, estabeleceram a primeira Grande Loja e elegeram Anthony Sayer como seu primeiro Grão-Mestre é totalmente dependente de uma narrativa de James Anderson na segunda edição do Livro das Constituições em 1773. A narrativa de Anderson contém muitas contradições e inconsistências. Ao revisitar fontes como o relato de William Stukeley de sua iniciação em 1721 e um relato da eleição do Duque de Montagu como Grão-Mestre nos registros da Loja da Antiguidade, argumenta-se que a Grande Loja não foi criada em 1717, mas sim no jantar no Stationers’ Hall em Londres em 24 de junho de 1721, quando o Duque de Montagu foi eleito Grão-Mestre.

Introdução

Uma das vantagens de comemorar aniversários é que eles nos permitem reconsiderar e revisar os eventos comemorados. Assim, o 800º aniversário da Carta Magna em 2015 deu origem a novas descobertas sobre a origem do que foi adicionado ao documento original de 1215 e dos escribas que intervieram na sua elaboração; enquanto em 2016 o 400º aniversário de Shakespeare trouxe consigo o identificação de uma nova primeira edição e, graças à análise multiespectral, o rascunho do testamento do bardo de Avon foi datado. Esperamos que as celebrações do tricentenário da Grande Loja também deem um novo impulso às investigações do que Alfred Robbins chamou, em seu clássico artigo de 1909, de “os primeiros anos da maçonaria inglesa organizada”[1].

A pesquisa inovadora de Robbins sobre as primeiras referências à Grande Loja nos jornais da época nos mostra o quanto pode ser alcançado pela análise sistemática de fontes primárias. Infelizmente, poucos investigadores seguiram os passos de Robbins. O consenso geral ainda se baseia no que Albert Calvert expressou em seu livro publicado no bicentenário da Grande Loja, onde questionou se há evidências cada vez mais contundentes e autênticas sobre os primeiros anos desta organização maçônica do que aquelas fornecidas por James Anderson na edição de 1738 das Constituições[2]. Do nosso ponto de vista, pode-se fazer uma análise mais crítica das fontes que ainda existem sobre a história da Maçonaria na Inglaterra em 1723. Além disso, propomos que, após o estudo dessas fontes, se obtenha uma imagem totalmente diferente da fundação da Grande Loja do que a que Anderson escreveu. Esperamos que as celebrações do tricentenário, e o presente trabalho em particular, sirvam para reativar a investigação das fontes primárias nos primeiros anos da Grande Loja.

Mas vamos começar revisando o texto fundamental. A história da formação da Grande Loja em Londres foi contada pela primeira vez na edição de 1738 das Constituições de Anderson, ou seja, mais de 20 anos após os eventos que ela pretende registrar. Anderson relata a ascensão de George I ao trono inglês em 1714, bem como a rebelião liderada por Charles Stuart, o famoso Velho Pretendente. O autor das Constituições nos conta que, em 1716, uma vez que a rebelião foi sufocada, as poucas lojas que existiam em Londres se sentiram abandonadas pelo grande mestre Christopher Wren e decidiram “se encontrar e se estabelecer sob um Grão-Mestre, que seria o centro de união e harmonia” [3]. Anderson então lista as quatro lojas que se reuniram[4]. Primeiro, Goose and Gridiron Lodge[5], na área conhecida como St.Paul’s Churchyard. A sucessora desta loja é a Antiguidade nº 2. Em segundo lugar, a Crown Brewery Lodge, localizada em Parker’s Lane, perto de Drury Lane. Esta loja foi extinta por falta de membros logo após 1736. Terceiro, a Apple Tree Tavern Lodge, localizada na Charles Street na área de Covent Garden. A história desta loja é complicada, mas pode-se dizer que é a antecessora da loja Fortitude e da Antiga Cumberland nº 12. E, finalmente, a loja da taverna Rummer and Grapes em Channel Row, na área de Westminster. A sucessora dessa loja é a Royal Somerset House e Inverness nº 4.

Anderson relata que essas quatro lojas se reuniram na Apple Tree Tavern na Charles Street. Nessa reunião, “alguns irmãos mais velhos” também se encontraram, os quais, aparentemente, não eram membros de nenhuma das quatro lojas. A reunião foi presidida pelo mais velho dos Mestres Maçons. Anderson afirma que a assembleia “foi constituída como uma grande loja provisória na devida forma.” Como bem explicou Begemann há algum tempo[6], essa afirmação é puro jargão jurídico usado por Anderson para demonstrar a continuidade com os Grão-Mestres anteriores. No entanto, o resultado dessa reunião descrita por Anderson foi muito claro. As lojas reviveram as comunicações trimestrais da Grande Loja, concordaram em realizar uma reunião e banquete anuais e decidiram eleger um Grão-Mestre. De acordo com Anderson, em 24 de junho de 1717, um banquete de Maçons Livres e Aceitos foi realizado na Cervejaria Goose and Gridiron e que, antes do jantar, o mestre que havia presidido a reunião na Apple Tree Tavern propôs candidatos para o posto de Grão-Mestre. Uma votação foi realizada e Anthony Sayer foi eleito.

O relato de Anderson tem conotações topográficas muito importantes. Duas das pousadas estavam localizadas em Covent Garden, uma área que, com suas praças e mercados lotados, era a epítome do que o historiador Vic Gatrell descreveu como a “energia infinita e desordem rítmica” da vida urbana do século XVIII[7]. Este historiador sul-africano mostra-nos como a área de Covent Garden, com sua interessante mistura social de comerciantes, livreiros, artistas, atores, prostitutas e batedores de carteira, pode ser considerada o primeiro bairro artístico e boêmio. Uma das quatro lojas que Anderson lista se reunia na Tavern Crown em Parker’s Lane, uma rua estreita “mesquinha”[8] e perto das famosas “Hundreds of Drury”, uma das partes mais decadentes de Covent Garden[9]. É provavelmente a mesma Tavern Crown mencionada em um caso de 1722 aberto no Old Bailey, o tribunal criminal de Londres entre 1674 e 1913, no qual uma empregada do taberneiro foi acusado de roubar um capuz de seu patrono. Em sua defesa, a criada argumentou que qualquer pessoa poderia ter roubado a vestimenta, visto que a Tavern Crown era um local sem ordem, e afirmou que “o pior de que ela poderia ser culpada era ajudar seu patrão a conseguir prostitutas para os cavalheiros. “[10].

Charles Street, onde as negociações para formar uma Grande Loja deveriam ter ocorrido 300 anos atrás, ficava no coração de Covent Garden[11]. Em 1844, essa rua mudou de nome e hoje faz parte da Wellington Street, que é a continuação da Bow Street e a conecta com The Strandy e Waterloo Bridge. Para quem conhece Covent Garden, é a parte da Wellington Street ao norte da Tavistock Street, onde fica a entrada do antigo Flower Market e do London Film Museum. Charles Street foi um reflexo da importância de Covent Garden como um bairro de artistas. Os pintores Thomas Gibson e Isaac Collivoe Sr. viveram lá, e as pinturas de Collivoe foram vendidas após sua morte, em 1726, em uma casa de leilões e sala de concertos, na própria Charles Street, que era chamada de “The Vendu”[12]. O artista Claude du Bosc tinha uma loja nesta rua, na qual vendeu uma tradução de Ceremonies and Religious Customs of the Various Nations of the Known World, uma obra-chave escrita por Bernard Picart e Jean Frédéric Bernard, que continha uma ilustração de uma loja maçônica[13]. O dramaturgo e poeta laureado Collley Cibber e o ator Barton Booth também moravam lá. Mas Charles Street também foi um reflexo da extraordinária mistura social de Covent Garden. Abrigava a entrada secreta de Hummums, um banho turco famoso por ser um centro de prostituição, e o bordel administrado pela “Mãe” Hayward, que, após sua morte em 1743, recebeu um valor de 10.000 libras[14]. Em uma esquina da Charles Street, a viúva Hillmann oferecia o seu remédio “Prevenção venérea”, que garantia que “infalivelmente conquiste e destrua todas as partículas do veneno venéreo”[15].

A vida urbana agitada, enérgica, às vezes aterrorizante e muitas vezes imoral que se desenrolou na Inglaterra durante o século XVIII poderia ser desfrutada plenamente na Charles Street, o pano de fundo para o encontro que Robert F. Gould descreveria como “o momento mais importante da história da Maçonaria ”[16]. Mas esse encontro aconteceu na Charles Street? A Apple Tree Tavern existia? As respostas a essas perguntas são menos certas do que se poderia supor pela repetição do argumento de Anderson por mais de 300 anos. O relato da fundação da Grande Loja em 1716-1717 não foi divulgado publicamente em nenhum lugar antes da edição de 1738 das Constituições. Na edição de 1723 desta obra, não são mencionados de forma alguma os acontecimentos de 1717. Ao referir-se ao reinado de George I, as Constituições de 1723 apenas mencionam a colocação da primeira pedra de St. Martin-in-the-Fields, em setembro de 1722, e afirma-se que os maçons livres e aceitos floresceram sob a direção de seu Grão-Mestre, o duque de Montagu. A única referência feita a qualquer Grão-Mestre antes de Montagu é uma breve menção a George Payne, que ocupou o cargo durante os regulamentos de 1720[18]. De Anthony Sayer se diz que era um Vigilante da Loja nº 3, segundo a lista de lojas da versão de 1723 das Constituições, mas em nenhum momento se menciona que foi um Grão-Mestre[19].

Não é apenas a história da fundação da Grande Loja que está ausente das Constituições de 1723. Não há menção dos numerosos livros e artigos publicados sobre o assunto da Maçonaria entre 1723 e 1738, como William’s Pocket Companion for Free-Masons, de William Smith ou Maçonaria Dissecada de Samuel Pritchard. A primeira referência à Grande Loja foi feita no Post Boy de 24 a 27 de junho de 1721, onde uma nota foi publicada sobre o banquete em que o Duque de Montagu foi nomeado Grão-Mestre[20]. O documento mais antigo que sobreviveu, emitido pela Grande Loja, é um convite para o grande banquete de 1722, contendo uma gravura de John Sturt, o mesmo gravador que ilustrou a Cyclopedia de Ephraim Chambers[21]. O primeiro livro de atas da Grande Loja começa em 24 de junho de 1723. A história da Apple Tree, da Goose and Gridiron e das outras lojas é baseada inteiramente no relato de Anderson em suas Constituições de 1738. A hipótese é, como John Hamill explicou recentemente que “quando Anderson escreveu suas histórias, muitos dos que compareceram ou que conheciam aqueles que estavam presentes na taverna Goose and Gridiron em junho de 1717 ainda estavam vivos” e que eles o teriam retificado se necessário[22]. No entanto, essa suposição é um tanto arriscada.

Em fevereiro de 1735, Anderson apresentou duas queixas à Grande Loja: uma porque a primeira edição das Constituições estava esgotada e outra porque William Smith plagiou material de seu livro para compor o Free Mason’s Pocket Companion. Segundo Anderson, as Constituições eram “sua propriedade exclusiva”. Mas na verdade não eram. O formato e o texto lidos na página de título da obra deixam claro que os editores e detentores dos direitos autorais foram John Senex e John Hooke[24]. Anderson, que na época estava trabalhando com Hooke na tradução de Conversations in the Realms of the House of the Dead de David Fassmann, recebeu seu pagamento de Hooke e Senex na forma de “pagamento por página” (“copy money”) e não para todo o volume das Constituições[25]. Assim, não importa o quanto Anderson tenha reivindicado à Grande Loja, a edição de 1723 não era sua propriedade.

Duas figuras-chave na edição de 1738 das Constituições foram os editores Richard Chandler e Caesar Ward. Chandler fora aprendiz de Hooke e, após a morte de Hooke em 1730, adquiriu sua empresa e muitos dos direitos autorais que ela possuía[26]. Em 1734, Chandler fez parceria com seu cunhado, Caesar Ward, e eles procuraram expandir seus negócios para York[27]. As negociações de ambas as editoras para a compra do York Courant, em janeiro de 1739, foram provavelmente o motivo pelo qual a publicação da nova edição das Constituições foi atrasada, já que Anderson relatou que a obra estava pronta para impressão em janeiro de 1738, mas foi anunciada para venda já em janeiro de 1739. Por causa de sua amizade com Francis Drake, Ward esperava que as Constituições vendessem bem entre os maçons de Yorkshire. A importância de Chandler e Ward na produção das Constituições de 1738 é evidente no posterior destino da obra. Após o suicídio de Chandler em 1744 e a falência de Warden em 1746, as cópias restantes das Constituições de 1738 foram vendidas a um editor chamado Robinson, que aparentemente não era maçom. Robinson republicou o livro com sua própria página de título e sem referência à Grande Loja[28].

Como em 1723, era muito provável que Chandler e Ward pagassem a Anderson por página por seu trabalho nas Constituições de 1738. Os problemas financeiros de Anderson e o fato de ele ser um devedor sujeito às “regras de The Fleet”[29], eram um forte incentivo para sua produção literária. Ele e seus editores esperavam maximizar as vendas produzindo um volume mais completo e confiável do que seus concorrentes. Os anúncios da obra destacaram que “este novo livro tem quase o dobro de páginas do anterior, com muitas informações novas, especialmente sobre as transações da Grande Loja desde então”[30].

O trabalho de Anderson passou pelo escrutínio e correção de um grupo de grandes oficiais da Loja, mas não sabemos quem eles eram ou se eles tiveram algo a ver com os eventos de 1716-1717. George Payne e Jean-Théophile Desaguliers, duas figuras de suma importância nos primeiros anos da Grande Loja, ainda estavam em serviço como Grandes Oficiais por volta de 1738-1739. Mas muitos dos outros Grandes Oficiais haviam ingressado na Maçonaria muito depois de sua fundação. O fato de a Grande Loja ter ficado um tanto confusa com o que foi publicado na edição de 1723 das Constituições nos diz que a memória coletiva de seus primeiros anos não era muito boa.

Anderson começou a se envolver com a Grande Loja em 1721 e, portanto, não tinha conhecimento direto dos eventos anteriores. Mas, como bom historiador, assumiu a tarefa de coletar testemunhos orais e escritos, os quais tentou vincular. No final da edição de 1738 de seu livro, Anderson lista os irmãos que o apoiaram durante a sua preparação deste[31]. Em sua outra grande obra, Royal Genealogies, ele fornece uma lista semelhante. A lista de 1738 não era uma lista de membros, mas sim uma forma de divulgar suas conexões sociais e demonstrar sua autoridade no assunto. Assim, nesta lista encontramos os nomes do duque de Richmond, do conde de Inchiquin e do conde de Loudon. Outros listados, como os artistas John Pine e Louis-Phillippe Boitard ou o impressor Thomas Aris, são mencionados por sua intervenção na produção do volume. Alguns outros foram adicionados à lista à medida que contribuíam com informações sobre eventos específicos, como William Goston e o cientista Erasmus King, um amigo de Desaguliers, que atuou como Vigilantes durante a iniciação do Príncipe de Gales em 1737[32].

Muitos dos homens que Anderson menciona, como Martin Clare, William Graeme e Edward Hody, entraram na Maçonaria no final da década de 1720 e início da década de 1730[33]. É altamente improvável que Thomas Desaguliers, filho de Jean-Théophile, que tinha apenas 17 anos de idade e que começou a frequentar as lojas em 1738, tenha sido útil nas investigações de Anderson[34]. Dos maçons que Anderson menciona, que foram iniciados na Maçonaria no início da década de 1720, apenas um afirmou ter estado presente nos eventos de 1716-1717. Este é Jacob Lamball, um carpinteiro que foi nomeado o Primeiro Vigilante da Goose and Gridiron em 1717. Parece que Lamball foi a principal fonte de informações de Anderson para os eventos daquele ano. É surpreendente que Anderson não tenha mencionado Anthony Sayer em sua lista de agradecimentos, apesar de ainda estar vivo em 1738. Isso se explica pelo descrédito em que Sayer caiu devido às denúncias que foram movidas contra ele, em 1730, por iniciar maçons irregularmente, apesar de ter recebido ajuda financeira da Grande Loja. Se Anderson consultou Sayer, ele não estava disposto a ir a público.

Existem muitos elementos que desacreditam Lamball como testemunha dos eventos de 1716-1717. Apesar de ter sido nomeado Vigilante em 1717, não há evidências de sua atividade maçônica até março de 1735, quando serviu como o Primeiro Vigilante para substituir Sir Edward Mansell[35]. Isso aconteceu na primeira comunicação trimestral imediatamente após aquela em que Anderson propôs um novo esboço das Constituições. Suspeito, parece que o próprio Anderson foi o responsável pelo reaparecimento de Lamball na Grande Loja. Não se sabe como Lamball foi nomeado superintendente em 1735, pois há alguns problemas com sua história. Em 1717, Lamball era apenas um aprendiz de carpinteiro, pois começou seu contrato com John Manwell em março de 1714[36]. Lamball não se tornou um carpinteiro independente registrado na Carpenters ‘Company até 6 de junho de 1721[37]. Como aprendiz, o tempo de lazer e o descanso de Lamball eram estritamente controlados por seu mestre[38], por isso parece difícil que ele tenha sido capaz de se dedicar à organização da Grande Loja. Mas existem outras anomalias com Lamball. Quando se casou em 1725[39], declarou ter mais de 30 anos, o que significa que tinha cerca de 19 anos quando começou como aprendiz, idade superior à habitual de 14 anos. Em 1731, entretanto, Lamball era mais próspero e havia estabelecido sua própria carpintaria na Hyde Street, Bloomsbury, e estava alugando uma nova casa em Camberwell[40]. Ele continuou a frequentar a Loja até 1745. Em 1756, Lamball solicitou ajuda de caridade à Grande Loja devido à sua idade avançada e doença (ele tinha aparentemente 61 anos). Ele recebeu dez guinéus[41]. Ele morreu três anos depois e foi enterrado na Igreja de St George em Bloomsbury[42].

Anderson também se baseou em fontes escritas. O Grande Secretário John Revis deu-lhe acesso aos livros de atas da Grande Loja. No final do primeiro livro, há uma lista dos oficiais da Grande Loja, começando com Sayer como Grão-Mestre e continuando com Lamball e Joseph Elliot como Vigilantes. Essa lista foi alterada por Anderson, pois, após o nome do vigilante William Hawkins, nomeado em 1723, ele acrescentou: “quem enunciou e, em seguida, James Anderson AM foi eleito em seu lugar”[44]. Anderson também acrescentou as iniciais “A.M.F.R.S.” após o nome de Martin Clare, registrado em 1734. Independentemente de nossa opinião sobre as alterações feitas por Anderson no livro, isso confirma que a lista foi compilada independentemente de sua pesquisa e que ele a usou como fonte. Como o resto das atas, a lista de oficiais da Grande Loja foi escrita com a caligrafia de William Reid, que foi nomeado Grande Secretário em dezembro de 1727[45]. A fonte e a cor da tinta sugerem que Reid inseriu a lista no livro de atas depois de 1731, possivelmente em 1734. Assim, temos que esta lista, apesar de ser independente do trabalho de Anderson, também foi compilada muito depois da fundação da Grande Loja e provavelmente refletia o clima dentro dela na década de 1730.

Anderson fez o possível para reunir as histórias de pessoas como Lamball e os fragmentos de informações escritas, como os livros de atas mencionados anteriormente. Infelizmente, Anderson sucumbiu à tentação de atualizar e polir suas fontes. Ele acrescentou informações sobre Joseph Elliot, um dos Vigilantes da época de Sayer, afirmando que ele era um capitão. No entanto, não há informações a esse respeito nos arquivos militares. Anderson também acrescentou que John Cordwell, nomeado Vigilante da Grande Loja em 1718, era um “carpinteiro da prefeitura”. Cordwell era na verdade um membro do The City Carpenters Guild em 1738, quando se envolveu em uma batalha legal com o prefeito e o conselho devido a discrepâncias nos preços da madeira no contrato para a nova Mansion House[47], mas ele obteve esta posição em 1722 e não antes[48]. Da mesma forma, Richard Ware é mencionado na lista de oficiais como Vigilante da Grande Loja em 1720, e Anderson nos informa que ele era um matemático. Não há registros das contribuições de Ware para a matemática, mas sabe-se que foi um livreiro de sucesso e que muitas das obras que publicou tratavam da perspectiva e da arquitetura[49].

Continua…

Autores: Andrew Prescot e Susan Mitchell Sommers
Traduzido por: Luiz Marcelo Viegas

Fonte: REHMLAC

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Notas

[1] – Alfred Robbins, “The Earliest Years of English Organized Freemasonry”, Ars Quatuor Cororonati –a partir de ahora AQC–22 (1909):67-89.

[2] – Albert F. Calvert, The Grand Lodge of England 1717-1917 (Londres: Herbert Jenkins, 1917), 1.

[3] – James Anderson, The New Book of Constitutions of the Antient and Honourable Fraternity of Free and Accepted Masons (Londres: Caesar Ward and Richard Chandler, 1738), 109-110.A pesar de que existen ediciones en español de esta obra, se ha optado por hacer traducciones propias de los fragmentos citados por los autores del presente trabajo, con el fin de respetar la fuente original consultada por ellos (N. del T.).

[4] – Robert Freke Gould, The Four Old Lodges, Founders of Modern Freemasonry, and their Descendants (Londres: Spencer’s Masonic Depot, 1879). Un resumen conciso de lo descubierto por Gould se encuentra en “Fortitude and Old Cumberland Lodge No. 12”,CollectedEssays and Papers relating to Freemasonry(Belfast y Londres: William Tait, Spencer & Co., 1913), 183-187.

[5] – Se respetarán los nombres en inglés de las logias, tabernas, cervecerías, calles y lugares de referencia para facilitar su ubicación en otras fuentes y medios(N. del T.).

[6] – Wilhelm Begemann, Early History and Beginnings of Freemasonry in England, trad.LionelVibert, manuscrito resguardado en la Library and Museum of Freemasonryde Londres, 575. Este manuscrito es una traducción de los dos volúmenes de Begemann, Vorgeschichte und Anfänge der Freimaurerei in England(Berlín: E. S. Mittler, 1909) que estaba siendo preparada para su publicación por la logia Quatuor Coronati, pero que nunca vio la luz debido a la negativa de publicar el trabajo de un investigador alemán durante la primera guerra mundial.

[7] – Vic Gatrell, The First Bohemians: Life and Art in London’s Golden Age (Londres: Allen Lane, 2013),4.

[8] – JohnStow y JohnStrype, ASurvey of the Cities of London and Westminster(Londres: A. Churchill, J. Knapton, 1720), vol. II, 76.

[9] – Gatrell, FirstBohemians, 29-44.

[10] – Old Bailey Proceedings Online, 7 de septiembre de 1722versión 7.2, ref.f17220907-1.

[11] -Sobre Charles Street, véase “’Bow Street and Russell Street Area: The former Charles Street”, enSurvey of London: Volume 36, Covent Garden, ed. F.H.W.Sheppard (Londres: London County Council, 1970), 195-196.

[12] -Daily Journal,19 de enero de 1727.

[13] -Timothy Clayton, “Du Bosc, Claude (b.1682,d.in or after1746)”,en Oxford Dictionary of National Biography(Oxford:Oxford University Press, 2004), no. índ. 101008118; Lynn Hunt, Margaret Jacob y Winjand Mijnhardt, The Book that Changed Europe: Picart and Bernard’sReligious Ceremonies of the World(Cambridge, MA: Harvard University Press, 2010).

[14] -Fergus Linnane, Madams: Bawds and Brothel Keepers of London(Stroud: Sutton Publishing, 2005), 37, 95.

[15] -London Journal, 7 de octubre de 1721.

[16] – Gould, Four Old Lodges, 45.

[17] – The Constitutions of Free Masons (Londres: William Hunter for John Senex and John Hooke, 1723), 44-48.

[18] – The Constitutions of Free Masons,58.

[19] – The Constitutions of Free Masons,74.

[20] – Robbins, “Earliest Years”, 68. El reporte publicado en el Post Boy se reimprimió en el Weekly Journal or British Gazetteer, el 1 de julio de 1721, en el Weekly Journal orSaturday’s Post, también del 1 de julio de 1721, y en el Ipswich Journal, del 24 de junio de 1721.

[21] – Oxford, Bodleian Library, MS. Rawlinson C. 136, f. 5. Dado que este grabado ha sobrevivido hasta nuestros días, parece extraño que Anderson mencione, en la edición de 1738, que se comisionó un nuevo grabado para los boletos del banquete anual de 1723. Book of Constitutions, 115.

[22] – John Hamill, “When History is Written”, Freemasonry Today,7 de junio de 2016.

[23] – Quatuor Coronatorum Antigrapha –a partir de ahora QCA–10 (1913):244-245.

[24] – Si la logia o Anderson hubieran sido los titulares de los derechos de autor de las Constitucionesde 1723, entonces la página de título habría dicho algo como “Impreso para el autor (o la Gran Logia) y vendido por John Senex y John Hooke”, como se ve, por ejemplo, en la obra de 1725 de William GarbottNew-River, la cual dice “impreso para el autor y vendido por J. Hooke en The Flower-de-Luce de St Dunstan”. Véase M. A. Shaaber, “The Meaning of the Imprint in Early Printed Books”, The Library25 (1944), 120-141. James Ravenindica que, a principios del siglo XVIII, “los derechos de reproducción de una obra generalmente eran comprados por el librero-editor o por un consorcio de libreros. La mayoría de los autores renunciaba a cualquier reclamo sobre la titularidad; los derechos se dividían en participaciones entre distintos grupos de libreros”. Véase James Raven, “The Book Trades”’,en Books and their Readers in Eighteenth Century England: New Essays, ed. IsabelRivers (Leicester: Leicester University Press, 2011), 15. Acerca de los “pagos por página”, véase Richard Sher, The Enlightenment and the Book: Scottish Authors and their Publishers in Eighteenth-Century Britain, Ireland and America(Chicago y Londres: University of Chicago Press, 2006), 215-216. Tobias Smollett recibiótres guineas por cada página de Complete History of England.

[25] -La traducción de la obra de Fassmann tiene una referencia a la elección de un gran maestro por parte de los masones. Véase Prescott, “The Publishers of the 1723 Book of Constitutions”, AQC 121(2008):160, donde se indica que dicha traducción se publicó en 1719. La fecha correcta de la publicación es 1723, lo cual se deriva de los anuncios aparecidos en la prensa (en algunos casos, el libro de Fassmann se publicitaba junto con las Constituciones). Véase British Journal, 16 de febrero de 1723; London Journal, 9 de marzo de 1723. El crédito de Anderson como traductor y autor de la referencia a la masonería se hizopúblico en la reimpresión de 1739 del libro de Fassmann, posterior a la muerte de Anderson, en la página de título. News from Elysium or Dialogues of the Dead(Londres: J. Cecil and F. Noble, 1739). Sobre Fassmann, véase C. Sammons, “David Fassmann’s Gespräche in dem Reiche der Toten”, Yale University Library Gazette 46 (1972):176-178; yJ. Rutledge, The Dialogue of the Dead in Eighteenth-Century Germany(Fráncfort y Berna: Herbert Lang, 1974).

[26] – Prescott, “Publishers of 1723 Book of Constitutions”, 161-162.

[27] – Sobre Ward, véase further C. Y. Ferdinand, “Ward, Caesar (bap. 1710, d.1759)”, en Oxford Dictionary, no. índ. 101064292;y W. G. Day, “Caesar Ward’s Business Correspondence”, Proceedings of the Leeds Philosophical and Literary Society, Literary and Historical Section19 (1982):1-8. El catálogo A catalogue of books printed for Caesar Ward and Richard Chandler, at the Ship between the Temple-Gates in Fleet-Street, and sold at their Shop at Scarborough, 1734, se encuentra en la British Library: RB 23.a.5967.

[28] – QCA12 (1960), 80-81. John Entick, en su prefacio a The Pocket Companion and History of Free-Masons(Londres: J. Scott, 1754), nos dice que la supervisión de Anderson de la producción de las Constitucionesde 1738, fue muy descuidada: “por el motivo que haya sido, ya sea por fuerza de su salud o por confiar en el manejo de extraños, esta obra se publicó en muy malas condiciones. Las regulaciones, que habían sido revisadas y corregidas por el gran maestro Payne, estaban interpoladas en ocasiones y, en otras, el sentido quedo totalmente obscuro y vago”.

[29] – The Fleetera una prisión londinense que albergaba, mayormente, a deudores. Muchos de los prisioneros en realidad no residían dentro de los muros del edificio, sino que vivían en los alrededores, pero tenían que sujetarse a las “reglas de The Fleet” (N. del T.).

[30] – Por ejemplo, véase London Daily Post and General Advertiser, 22 de enero de 1739; Country Journal and the Craftsman, 25 de enero de 1739; London Evening Post, 27-30 de enero de 1739.

[31] – Book of Constitutions(1738), 229.

[32] – Sobre Erasmus King, véase J. H. Appleby, “Erasmus King: Eighteenth-Century Experimental Philosopher”, Annals of Science47 (1990):375-392. No queda claro si se trata del mismo William Goston que tuvo problemas legales con John Ward respecto a un proyecto de minería en sus tierras. RicBerman, The Foundations of Modern Freemasonry: The Grand Architects Political Change and the Scientific Enlightenment(Brighton: Sussex Academic Press, 2012), 167.

[33] – A Graeme se le menciona por primera vez en las minutas de la Gran Logia cuando fue nombrado oficial en 1734: QCA10, 241; Lo mismo sucede en el caso de Hody: QCA10, 254; sobre Martin Clare, véase Prescott, “Clare, Martin”,en Charles Porset y Cécile Revauger, Le monde maçonnique des Lumières: Europe-Amériques & Colonies, Dictionnaire prosopographique(París: Editions Champions, 2013), vol.1, 808-818.

[34] – Audrey T. Carpenter, John Theophilus Desaguliers: A Natural Philosopher, Engineer and Freemason in Newtonian England(Londres y Nueva York: Continuum, 2011), 241.

[35] – QCA10, 247.

[36] – “Jacob Lamball Son of Nicholas Lamball late of Sellborne in ye.Co [..] of Hants Yeom bound to John Manuel Citizen & Carpenter”, Carpenters’ Company, Minute Book of Courts and Committees, marzo 1713/1714, ref. GLCCMC251120116.

[37] – Archivo de la Carpenters’ Company,ref. GLCCMC251040025.

[38] – JoanLane, Apprenticeship in England 1600-1914(Londres: UCL Press, 1996), 95-116.

[39] – Lamball, declarado como miembro de la parroquia de St.Giles in the Fields, mayor de 30 años y soltero, se casó con Sarah Brown, mayor de 21 años,de la parroquia de St.Paul, Covent Garden, con licencia, el 23 de junio de 1725 en la iglesia de St.Benet’s, Paul’s Wharf, en Londres. Genealogical Society of Utah, Salt Lake City, FHL microfilms 547508, 574439, 845242.

[40] – Daily Advertiser, 5 de marzo de1731.

[41] – QCA12, 96-97.

[42] – London Metropolitan Archives, P82/GEO1/056: St George, Bloomsbury, registro de entierros, febrero de 1731 a marzo de 1761.

[43] – Agradecemos a Diane Clements y a Susan Snell por permitirnos consultar el libro original en la Library and Museum of Freemasonry.

[44] – QCA 10, xxiii-xxiv, 196. Songhurst sugiere que Anderson también borró la frase “quien substituyó a Mr.Hawkins” en la minuta en la que aparece como primer vigilante, del 24 de junio de 1723. Esto supone que Anderson nunca fue electo vigilante, pero que actuó como tal a partir del 28 de agosto de 1730.

[45] – QCA 10, XXV.

[46] – “City Carpenter” se refiere a aquellos miembros del gremio de carpinteros que obtenían puestos públicos en “the City”, el centro administrativo y financiero que, incluso en la actualidad, es independiente de Londres(N. del T.).

[47] – Gentleman’s Magazine9 (1739):214, 361-362; S. Perks, The History of the Mansion House (Cambridge: University Press, 1922), 178-87; Sally Jeffery,The Mansion House (Chichester: Phillimore, 1993), 78.

[48] – Evening Post, 16 de diciembre de 1721; Post Boy, 2 de enero de 1722. Un tal “señor Cordwell” aparece como miembro de la logia que se reunía en la taberna Queen’s Arms en 1725: QCA10, 32. No queda claro si esta referencia es acerca del Cordwell de esta historia o de su padre, que también fue carpintero pero que murió en 1728.

[49] – Richard Ware padre, fallecido en 1756, de acuerdo con The London Book Trades of the Later 18th Century, (Exeter: Exeter Working Papers in Book History) 10;A catalogue of books, printed for, and sold by Richard Ware, at the Bible and Sun on Ludgate-Hill, removed from Amen-Corner(Londres: ¿1755?).

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