O tempo não existe

Físico fala sobre a física quântica e diz que o tempo não existe

“O tempo não existe. E eu tenho 15 minutos para convencê-los disso”

Assim começa uma palestra TEDx feita em 2012 pelo físico italiano Carlo Rovelli, que não costuma aparecer na imprensa internacional.

Uma das vezes em que ele ganhou destaque foi na revista britânica New Statesmannuma reportagem assinada por George Eaton intitulada “O físico rockstar Carlo Rovelli explica porque o tempo é uma ilusão”, em tradução livre.

“A determinação de Rovelli em tornar a física quântica acessível e suas prodigiosas vendas de livros o levaram a ser chamado de ‘o novo Stephen Hawking'”, destaca o artigo.

Em 2020, no evento “The Nature of Time” (A Natureza do Tempo), organizado pela revista New Scientist, o físico teórico pegou uma corda e a esticou de uma ponta a outra do palco. E pendurou uma caneta no meio da corda para marcar o presente.

Rovelli disse: “É aqui que estamos.”

Ele então ergueu o braço direito e apontou para a direita: “Esse é o futuro.” Na sequência, apontou para a esquerda: “E esse é o passado.”

“Esse é o tempo do nosso dia a dia: uma longa fila, uma sequência de momentos que podemos ordenar, que tem uma direção preferida, que podemos medir com relógios”, disse. “E todos nós concordamos com os intervalos de tempo entre dois momentos diferentes ao longo do caminho, ao longo desta linha.”

Depois acrescentou: “Quase tudo o que eu disse está errado. Em termos factuais, isso está incorreto. É como se eu dissesse que a Terra é plana”.

“O tempo não funciona assim, ele o faz de uma maneira diferente”, emendou.

E esclareceu: “Essas não são ideias especulativas que aparecem em sonhos estranhos de físicos. São fatos que medimos em laboratório, com instrumentos, e que podem ser verificados”.

Pura rebelião

Nascido em Verona, na Itália, em 1956, Rovelli confessa que sua adolescência foi “pura rebelião”. O mundo em que ele vivia era diferente do que considerava “justo e belo” e, em meio a essa decepção, a ciência veio ao seu encontro.

No mundo acadêmico, o jovem pesquisador descobriu “um espaço de liberdade ilimitada”, que ele relembra em um de seus livros.

“No momento em que meu sonho de construir um novo mundo colidiu com a realidade, me apaixonei pela ciência, que contém um número infinito de novos mundos”, descreve.

“Enquanto eu escrevia um livro com meus amigos sobre a revolução estudantil (um livro que a polícia não gostou e me custou uma surra na delegacia de Verona: ‘Diga-nos os nomes de seus amigos comunistas!), mergulhei cada vez mais no estudo do espaço e do tempo, tentando entender os cenários que haviam sido propostos até então.”

Gravidade quântica

Rovelli decidiu dedicar sua vida ao desafio de conciliar duas teorias: a mecânica quântica (que descreve o mundo microscópico) e a relatividade geral de Albert Einstein.

“Para chegar a uma nova teoria, devemos construir um esquema mental que não tenha a ver com nossa concepção usual de espaço e tempo”, diz. “Você tem que pensar em um mundo em que o tempo não é mais uma variável contínua, mas uma outra coisa.”

Ao buscar possíveis soluções para o problema da gravidade quântica, Rovelli foi um dos fundadores da teoria da gravidade quântica em loop, também conhecida como teoria do loop, que apresenta uma estrutura fina e granular do espaço.

Essa teoria tem aplicações em diferentes campos – por exemplo, o estudo do Big Bang ou as formas de abordar e entender os buracos negros.

O físico italiano tem uma carreira brilhante, que inclui inúmeros prêmios e livros. Uma dessas publicações, “Sete Breves Lições de Física” (Editora Objetiva), foi traduzida para 41 idiomas e vendeu mais de 1 milhão de cópias.

Ele também foi professor na Itália, nos Estados Unidos, no Reino Unido e atualmente é pesquisador do Centro de Física Teórica de Marselha, na França.

Rovelli respondeu por escrito a algumas perguntas da BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC. Confira a seguir os principais trechos da entrevista.

BBC Mundo – O que é o tempo? Ele realmente existe?

Carlo Rovelli – Sim, claro que o tempo existe. Do contrário, o que é que sempre nos falta? Mas a ideia comum que temos sobre o que é o tempo e como ele funciona não serve para entendermos átomos e galáxias. Nossa concepção usual de tempo funciona apenas em nossa escala e quando vamos medir as coisas com muita precisão.

Se quisermos aprender mais sobre o universo, temos que mudar a nossa visão do tempo. Porque o que costumamos chamar de “tempo”, sem pensar muito sobre o que isso significa, é realmente um emaranhado de fenômenos diferentes. O tempo pode parecer simples, mas é realmente complexo: ele é feito de muitas camadas, algumas das quais são relevantes apenas para certos fenômenos, e não para outros.

BBC Mundo – O que o senhor descobriu quando se perguntou: por que só podemos conhecer o passado e não o futuro?

Rovelli – A razão de termos informações sobre o passado e não sobre o futuro é estatística. Tem a ver com o fato de não vermos os detalhes das coisas. Não vemos, por exemplo, as moléculas individuais que compõem o ar da sala em que estamos. Mas, no mundo microscópico, não há essa distinção entre o passado e o futuro.

BBC Mundo – O senhor falou sobre a elasticidade do tempo e sobre um dia em que “vivenciamos coisas diretamente, como encontrar nossos filhos mais velhos que nós mesmos no caminho de volta para casa”. Como isso pode acontecer?

Rovelli – A pergunta correta é a oposta: por que quando nos separamos e nos encontramos novamente, o seu e o meu relógio medem o mesmo intervalo de tempo?

Não há razão para que devam medir esse mesmo tempo. A experiência nos diz isso apenas porque nossas medições não são precisas o suficiente. Se fossem, veríamos que o tempo corre em velocidades diferentes para pessoas diferentes, dependendo de onde estão e como se movem. Portanto, eu poderia me separar de meus filhos e reencontrá-los em um tempo que significa apenas um ano para mim, mas 50 anos para eles. Nesse cenário, eu ainda sou jovem e eles envelheceram. Isso certamente é possível. O motivo pelo qual normalmente não vivenciamos esse tipo de experiência é apenas que nossa vida na Terra se move numa velocidade lenta entre nós e, nesse caso, as diferenças de tempo são pequenas.

BBC Mundo – Algum dia poderemos viajar ao passado?

Rovelli – Considero extremamente improvável. Viajar para o futuro, por outro lado, é o que fazemos todos os dias.

BBC Mundo – O que o senhor quer dizer com isso?

Rovelli – Viajar ao passado é difícil. Mas viajar para o futuro é muito fácil. Faça o que fizer, você está viajando sempre para o futuro: o amanhã é o futuro do hoje.

BBC Mundo – Sabemos que o senhor gosta muito de gatos e prefere não se referir ao gato de Schrödinger[1] e a discussão se ele está vivo ou morto (ou dormindo). O senhor poderia explicar por que, segundo esse famoso experimento, o animal pode estar vivo e morto ao mesmo tempo?

Rovelli – Acho que o gato não está realmente acordado e dormindo ao mesmo tempo. Considero que, com respeito a si mesmo, o gato está definitivamente acordado ou dormindo. Mas quando se trata de mim e de você, pode não haver nem um estado, nem outro. Porque eu acho que as propriedades das coisas (incluindo os átomos e os gatos) são relativas a outras coisas e só se tornam reais nas interações com elas. Se não houver interações, não há propriedades.

BBC Mundo – Como o senhor explicou, a discussão entre os físicos da mecânica quântica não é apenas sobre o gato estar vivo e morto ao mesmo tempo, mas também sobre o experimento com dois eventos, A e B, nos quais A vem antes de B, mas também B vem antes de A. Como isso pode ser possível?

Rovelli – Quando dizemos que um evento A é anterior a um evento B, o que queremos dizer é que pode haver um sinal indo de A para B. Por exemplo, sua pergunta é anterior à minha resposta, porque me chega antes que eu possa respondê-la.

No entanto, às vezes pode acontecer que seja realmente impossível enviar um sinal de A para B, mas também impossível enviar um sinal de B para A. Então, nenhum é anterior ao outro.

A razão de não estarmos acostumados com isso é porque a luz viaja muito rápido, então tendemos a pensar que podemos ver tudo “instantaneamente”. Mas a verdade é que não podemos. Portanto, sempre existem eventos que não são ordenados de acordo com esse tempo.

BBC Mundo – O que o senhor quer dizer quando afirma que existem muitas versões diferentes da realidade, embora todas pareçam iguais em grande escala?

Rovelli – As propriedades de todas as coisas são relativas a outras coisas. As propriedades do mundo em relação a você não são necessariamente as mesmas em relação a mim. Normalmente, não vemos essas diferenças nas propriedades físicas porque os efeitos quânticos são muito pequenos. Mas, em princípio, podemos ver mundos ligeiramente diferentes.

BBC Mundo – O senhor disse que temos que reorganizar a forma como pensamos a realidade. Como podemos fazer isso? O que estamos perdendo se não tentarmos seguir por esse caminho?

Rovelli – Podemos continuar vivendo nossas vidas ignorando a física quântica, mas se estamos curiosos sobre como a realidade funciona, temos que encarar que as coisas são realmente estranhas.

BBC Mundo – A metáfora que o senhor faz sobre a mecânica quântica e sua interseção com a filosofia, como se essas duas áreas do conhecimento fossem um casal se reunindo, se separando, depois voltando e se separando novamente, é fascinante. A mecânica quântica e a filosofia precisam uma da outra?

Rovelli – Creio que sim. No passado, a física fundamental também avançou graças à inspiração da filosofia.

Todos os grandes cientistas do passado eram leitores ávidos de filosofia. Não há razão para que as coisas sejam diferentes hoje.

Na minha opinião, o inverso também é verdadeiro: os filósofos que ignoram o que aprendemos sobre o mundo com a ciência acabam sendo superficiais.

BBC Mundo – Para o senhor, o livro “A Ordem do Tempo” é muito especial porque “finge ser sobre física, mas secretamente é o meu livro sobre o significado e a finitude da vida”. Qual é o sentido da vida para Carlo Rovelli?

Rovelli – O sentido da vida para Carlo Rovelli é o que penso ser o sentido da vida para todos nós: a rica combinação de necessidades, desejos, aspirações, ambições, ideais, paixões, amor e entusiasmo, que surgem em várias medidas e em diferentes versões naturalmente de dentro de nós. A vida é uma explosão de significado.

Alguns projetaram o significado da vida fora de si mesmos e ficam desapontados ao perceber que havia algo ilusório em esperar que o significado viesse de fora.

Uma das minhas respostas favoritas a essa pergunta foi atribuída a um antigo sioux [etnia indígena norte-americana]: o propósito da vida é abordar com uma canção qualquer coisa que encontrarmos pela frente.

BBC Mundo – O senhor assinalou que na ciência muitos erros são cometidos quando fingimos estarmos certos, quando na verdade muitas vezes não temos essa certeza toda. O novo coronavírus trouxe muitas incertezas para nossas vidas. Como o senhor lidou com isso?

Rovelli – Eu tenho me esforçado não apenas para minimizar o risco para mim e para as pessoas que amo, mas também para minimizar meu próprio papel na disseminação da infecção.

Mas sabendo bem que o risco foi e continua a ser real e que milhões de pessoas morreram e ainda estão morrendo, tenho em mente que isso ainda pode acontecer comigo e meus entes queridos.

Essa constatação não deve ser motivo para pânico, mas também não gosto de esconder a cabeça na areia.

BBC Mundo – Que reflexões o senhor fez nestes tempos desafiadores para milhões de pessoas ao redor do mundo?

Rovelli – O que fico pensando é simples: não seria o momento de a humanidade trabalhar em conjunto, em vez de continuarmos a ficar uns contra os outros? O Ocidente está construindo novos inimigos: China, Irã, Rússia…

Não podemos viver de forma respeitosa e colaborativa, sem a necessidade de subjugar uns aos outros, de prevalecer sobre os outros, de vencer, em vez de cooperar para o bem comum?

A humanidade está enfrentando uma pandemia, milhões de mortes, desastres ambientais e ainda não conseguimos aprender a nos vermos como membros de uma única família, que é o que realmente somos.

A mecânica quântica é a descoberta de que a realidade é tecida por relacionamentos, mas permanecemos cegos para o fato de que prosperamos em relação aos outros, não uns contra os outros. Posso ser ingênuo, mas é isso o que penso todos os dias quando vejo o noticiário.

BBC Mundo – O senhor disse que gostou de ler “O Amor em Tempos do Cólera”, de Gabriel García Márquez, porque “nestes tempos sombrios, é bom ler sobre o amor verdadeiro”. Você pode nos contar mais sobre o que gostou no livro?

Rovelli – É um livro cheio de graça e luz. Retrata as muitas formas de amar e partilhar, com um olhar que sorri diante de toda essa complexidade.

Uma forma de amor é a lealdade da personagem Fermina Daza ao marido. Outra é a intimidade e a amizade de Florentino Ariza com dezenas e dezenas de mulheres. Mas esse amor absoluto entre ele [Ariza] e ela [Daza] é uma bela forma de amor, que foi venerado e valorizado por décadas, até que conseguiu florescer de forma maravilhosa quando os dois já estavam mais velhos.

Reportagem de Margarita Rodríguez

Fonte: BBC News Mundo

Notas do Blog

[1] – O que é o Gato de Schrödinger? Leia mais em: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-e-o-gato-de-schrodinger/

[2] – O futuro já aconteceu e o tempo é uma ilusão. Leia mais em: https://opontodentrocirculo.com/2015/12/10/o-futuro-ja-aconteceu-e-o-tempo-e-uma-ilusao/

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Zygmunt Bauman, o pensamento do sociólogo da “modernidade líquida”

Modernidade Líquida para política e religião - Expresso IlustradoExpresso  Ilustrado

Pontos-chave

  • A modernidade imediata é “líquida” e “veloz”, mais dinâmica que a modernidade “sólida” que suplantou. A passagem de uma a outra acarretou profundas mudanças em todos os aspectos da vida humana. A modernidade líquida seria “um mundo repleto de sinais confusos, propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível”.
  • Na sociedade contemporânea, emergem o individualismo, a fluidez e a efemeridade das relações.

“Vivemos em tempos líquidos. Nada foi feito para durar.”

Essa é uma das frases mais famosas do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, falecido em janeiro de 2017, aos 91 anos. Ele deixou uma obra volumosa, com mais de 50 livros, e é considerado um dos pensadores mais importantes e populares do fim do século 20.

Bauman é um dos expoentes da chamada “sociologia humanística” e dedicou a vida a estudar a condição humana. Ele é visto por muitos como um teórico perspicaz e por outros como um ingênuo pessimista. Suas ideias refletem sobre a era contemporânea em temas como a sociedade de consumo, ética e valores humanos, as relações afetivas, a globalização e o papel da política.

Nascido na Polônia em 1925, Bauman serviu como militar durante a Segunda Guerra Mundial, foi militante do Partido Comunista polonês e professor da Universidade de Varsóvia. Filho de judeus, ele foi expulso da Polônia em 1968 por causa do crescente antissemitismo do Leste Europeu. Emigrou para Israel e se instalou na Inglaterra, onde desenvolveu a maior parte de sua carreira. Desde 1971 atuava como professor emérito de sociologia da Universidade de Leeds.

A modernidade sólida e a modernidade líquida

O tempo em que vivemos é chamado por muitos pensadores como “pós-modernidade”. O termo foi popularizado em 1979 pelo pensador francês Jean-François Lyotard (1924-1998). Para Lyotard, esse é o período em que todas as grandes narrativas (visões de mundo) entram em crise e os indivíduos estão livres para criar tudo novo.

Bauman não utiliza o termo pós-modernidade. Ele cunhou o conceito de “modernidade líquida” para definir o tempo presente. Escolheu a metáfora do “líquido” ou da fluidez como o principal aspecto do estado dessas mudanças. Um líquido sofre constante mudança e não conserva sua forma por muito tempo.

As formas de vida contemporânea, segundo o sociólogo polonês, se assemelham pela vulnerabilidade e fluidez, incapazes de manter a mesma identidade por muito tempo, o que reforça um estado temporário e frágil das relações sociais e dos laços humanos. Essas mudanças de perspectivas aconteceram em um ritmo intenso e vertiginoso a partir da segunda metade do século XX. Com as tecnologias, o tempo se sobrepõe ao espaço. Podemos nos movimentar sem sair do lugar. O tempo líquido permite o instantâneo e o temporário.

Em seu primeiro livro, “Mal-estar da pós-modernidade”, Bauman parodia Sigmund Freud (1856-1939), autor de “O mal-estar da civilização”. A tese freudiana é de que na idade moderna os seres humanos trocaram liberdade por segurança. O excesso de ordem, repressão e a regulação do prazer gerou um mal-estar, um sentimento de culpa.

Para Bauman,

“a modernidade sólida tinha um aspecto medonho: o espectro das botas dos soldados esmagando as faces humanas”.

Pela estabilidade do Estado, da família, do emprego ou de outras instituições, aceitava-se um determinado grau de autoritarismo. Segundo o sociólogo, a marca da pós-modernidade é a própria vontade de liberdade individual, princípio que se opõe diretamente à segurança projetada em torno de uma vida estável.

Bauman entende que na modernidade sólida os conceitos, ideias e estruturas sociais eram mais rígidos e inflexíveis. O mundo tinha mais certezas. A passagem de uma modernidade a outra acarretou mudanças em todos os aspectos da vida humana. A modernidade líquida seria

“um mundo repleto de sinais confusos, propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível”.

Bauman entende que a nossa sociedade teve uma maior emancipação em relação às gerações anteriores. A sensação de liberdade individual foi atingida e todos podem se considerar mais livres para agir conforme seus desejos. Mas essa liberdade não garante necessariamente um estado de satisfação. Ela também exige uma responsabilidade por esses atos e joga aos indivíduos a responsabilidade pelos seus problemas.

Na sociedade contemporânea emergem o individualismo, a fluidez e a efemeridade das relações. Se a busca da felicidade se torna estritamente individual, criamos uma ansiedade para tê-la, pois acreditamos que ela só depende de nós mesmos. Para Bauman, somos impulsionados pelo desejo, um querer constante que busca novas formas de realizações, experiências e valores. O prazer é algo desejado e como ele é uma sensação passageira, requer um estímulo contínuo.

À medida que o futuro se torna incerto, o sentimento coletivo dominante é que se deve viver o momento presente e exclusivamente para si. Dessa instabilidade e ausência de perspectiva também nasce uma angústia. A incerteza diante do futuro pode explicar o aumento do uso de antidepressivos e a intensa busca por entretenimento como formas de afastar essa sensação.

Em muitos casos, essa angústia resulta na paralisia da ação, na incapacidade de agir. Ao lidar com uma insegurança, muitas vezes o indivíduo se recusa a assumir responsabilidades ou assume o discurso do “eu não gosto de tomar decisões”. Somos livres, mas não conseguimos transformar o mundo – temos um sentimento de impotência. Em outros casos, essa frustração pode gerar um ódio intenso a tudo e a todos. Em entrevista ao jornal argentino Clarín, Bauman declarou:

“Escolhi chamar de ‘modernidade líquida’ a crescente convicção de que a mudança é a única coisa permanente e a incerteza a única certeza.”

Bauman entende a crise como sendo um tempo em que o velho já se foi, mas o novo não tem forma ainda. Em entrevista ao jornal italiano Il Messaggero, o sociólogo sinaliza que buscamos um estado de maior solidez.

“Ainda estamos em uma sociedade líquida, mas em que nascem sonhos de uma sociedade menos líquida.”

A sociedade do consumo

Bauman observa que o século 20 sofreu uma passagem da sociedade de produção para a sociedade de consumo. Isso não significa que não exista uma produção, mas que o sentido do ato de consumir ganhou outro patamar.

Se as grandes ideologias, alicerces e instituições se tornaram instáveis, o consumo se tornou um elemento central na formação da identidade. Muito além da satisfação de necessidades, consumir passa a ter um peso primordial na construção das personalidades. O ter se torna mais importante que o “ser”.

Temos inúmeras possibilidades de escolha e consumimos produtos que identifiquem um determinado estilo de vida e comportamento. Ao transformar tudo em mercadoria, nossa identidade também se constitui a partir da satisfação do prazer pelo consumo. Marcas e grifes se tornam um símbolo de quem somos. Sua compra também significa um status social, o desejo de um reconhecimento perante os outros.

Satisfazer por completo os consumidores, na realidade, significaria não ter mais nada para vender. Consumir também significa descartar. Temos acesso a tudo o que queremos e ao mesmo tempo as coisas se tornam rapidamente obsoletas.

“O problema não é consumir; é o desejo insaciável de continuar consumindo”, diz Bauman.

Tanto que o descarte do lixo é um grande problema na sociedade.

Bauman escreve:

“Rockefeller pode ter desejado construir suas fábricas, estradas de ferro e torres de petróleo altas e volumosas e ser dono delas por um longo tempo […], Bill Gates, no entanto, não sente remorsos quando abandona posses de que se orgulhava ontem; é a velocidade atordoante da circulação, da reciclagem, do envelhecimento, do entulho e da substituição que traz o lucro hoje – não a durabilidade e a confiabilidade do produto.”

As pessoas também precisam se reinventar para que não se tornem obsoletas. Elas precisam ter identidades fluidas. Segundo Bauman,

“na sociedade de consumidores, ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro virar mercadoria, e ninguém pode manter segura sua subjetividade sem reanimar, ressuscitar e recarregar de maneira perpétua as capacidades esperadas e exigidas de uma mercadoria vendável.”

As relações líquidas

Na modernidade líquida, os vínculos humanos têm a chance de serem rompidos a qualquer momento, causando uma disposição ao isolamento social, onde um grande número de pessoas escolhe vivenciar uma rotina solitária. Isso também enfraquece a solidariedade e estimula a insensibilidade em relação ao sofrimento do outro.

Esse tipo de isolamento parece ser uma contradição da globalização, que aproxima as pessoas com a tecnologia e novas formas de comunicação. Mas se tudo ocorre com intensa velocidade, isso também se reflete nas relações pessoais. As relações se tornam mais flexíveis, gerando níveis de insegurança maiores. Ao mesmo tempo em que buscam o afeto, as pessoas têm medo de desenvolver relacionamentos mais profundos que as imobilizem em um mundo em permanente movimento.

Bauman reflete sobre as relações humanas e acredita que os laços de uma sociedade agora se dão em rede, não mais em comunidade. Dessa forma, os relacionamentos passam a ser chamados de conexões, que podem ser feitas, desfeitas e refeitas – os indivíduos estão sempre aptos a se conectarem e desconectarem conforme vontade, o que faz com que tenhamos dificuldade de manter laços a longo prazo.

O sociólogo acredita que as redes sociais significam uma nova forma de estabelecer contatos e formar vínculos. Mas que elas não proporcionam um diálogo real, pois é muito fácil se fechar em círculos de pessoas pensam igual a você e evitar controvérsias.

Para Bauman, a rede é mantida viva por duas atividades: conectar e desconectar. O contato no meio virtual pode ser desfeito ao primeiro sinal de descontentamento, o que denota uma das características da sociedade líquida.

“O atrativo da ‘amizade Facebook’ é que é fácil conectar, mas a grande atração é a facilidade de desconectar”, diz Bauman.

Política, segurança e economia

Na modernidade líquida, existe uma maior separação do poder e a política. O Estado perde força, os serviços públicos se deterioram e muitas funções que eram do Estado são deixadas para a iniciativa privada e se tornam responsabilidade dos indivíduos. É o caso do fim do modelo do Estado de Bem-Estar Social na Europa.

Bauman identifica uma crise da democracia e o colapso da confiança na política.

“As pessoas já não acreditam no sistema democrático porque ele não cumpre suas promessas”, diz o sociólogo.

Para ele, a vitória eleitoral de candidatos como Donald Trump nos EUA é um sintoma de que a retórica populista e autoritária ganha espaço como solução para preencher esses vazios.

No campo econômico, Bauman cita a fluidez dos mercados e o comportamento do consumo a crédito, que evita o retardamento da satisfação.

“Vivemos a crédito: nenhuma geração passada foi tão endividada quanto a nossa – individual e coletivamente (a tarefa dos orçamentos públicos era o equilíbrio entre receita e despesa; hoje em dia, os “bons orçamentos” são os que mantêm o excesso de despesas em relação a receitas no nível do ano anterior)”.

Para ele, as desigualdades sociais aumentaram. Ao mesmo tempo em que se aumentam as incertezas, os indivíduos devem lutar para se inserir numa sociedade cada vez mais desigual econômica e socialmente. Os empregos estão mais instáveis e a maioria das pessoas não pode planejar seu futuro muito tempo adiante.

Para o sociólogo, não existe mais o conceito tradicional de proletariado. Emerge o “precariado”, termo que Bauman usou para se referir a pessoas cada vez mais escolarizadas, mas com empregos precários e instáveis. Agora a luta não é de classes, mas de cada pessoa com a sociedade.

No mundo líquido, a sensação de segurança também é fluida.

“O medo é o demônio mais sinistro do nosso tempo”, alerta Bauman.

O medo do terrorismo e da violência que pode vir de qualquer parte do globo (inclusive virtualmente, como os hackers e haters das redes) cria uma vigilância constante, à qual aceitamos nos submeter para ter mais segurança.

Escreve Bauman no livro “Confiança e Medo na Cidade”:

“Essa obsessão deriva do desejo, consciente ou não, de recortar para nós mesmos um lugarzinho suficientemente confortável, acolhedor, seguro, num mundo que se mostra selvagem, imprevisível, ameaçador.”

No mundo off-line, a arquitetura das cidades está sendo cada vez mais projetada para promover o afastamento: muros, condomínios fechados e sistemas de vigilância estão em alta.

No livro “Estranhos à Nossa Porta”, Bauman escreve:

“a ignorância quanto a como proceder, como enfrentar uma situação que não produzimos nem controlamos é uma importante causa de ansiedade e medo”.

Ele relaciona a situação de desemprego dos europeus ao aumento do ódio contra os imigrantes. Ao mesmo tempo, manter esse medo aceso seria uma estratégia de poder para determinados grupos, como políticos de discursos nacionalistas e xenófobos.

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

Para saber mais

O mal-estar da pós-modernidade, Zygmunt Bauman. Ed. Zahar, 1998.
Modernidade Líquida, Zygmunt Bauman. Ed. Zahar, 2001.
A condição pós-moderna, Jean-François Lyotard. Ed. José Olympio, 2002.
Amor Líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos, Zygmunt Bauman. Ed. Zahar, 2004.
Confiança e Medo na Cidade, Zygmunt Bauman. Ed. Zahar, 2009.
Estranhos à Nossa Porta, Zygmunt Bauman. Ed. Zahar, 2017.

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Da série “Retratos da sociedade brasileira”

Os acontecimentos dos últimos dias deram mais uma prova de como caminha nossa sociedade e o seu nível de discernimento e de senso crítico. Entendo que essas imagens representam muito bem o estágio atual de uma parcela muito significativa da população brasileira.

Que tempo é este

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Este é um tempo de carinhos privados e indiferença pública. Amigos que a vida uniu, separam-se ou fingem a separação que de fato não há. Camuflam sentimentos por exigência dos grupos aos quais passaram a pertencer. Este é um tempo em que o elogio ao amigo só pode ser feito pelo inbox do Face, por mensagem direta do Twitter ou por um texto rabiscado às pressas no bilhete que se perderá. Carinhos sussurrados e furtivos. Clandestinos. Publicamente as relações precisam ser negadas ou sonegadas.

Não há mais terra do meio, como se o mundo fosse formado apenas de pontas. Muitas pontas, pontiagudas. Pior para quem gosta do território interno, onde se sabe que há muitas verdades espalhadas ao redor e que o mundo é mistura de luz e sombra, dias e noites, verso e reverso. E o melhor são os versos.

Eles, os versos, contam de outros tempos sem mãos dadas. Hoje há punhos cerrados. Eles ferem sem ver os que o afeto deveria preservar, porque toda esta dor passará, toda esta angústia cessará, e cada um terá que reunir, ao fim das batalhas, os tesouros perdidos. E então será tarde demais.

Hoje é um tempo em que o brinde pela vida pode ser visto como ofensa, em que o amigo avisa que, por estar triste, não pode desejar alegrias a ninguém, mesmo que seja justo o motivo da celebração. Como se o mundo fosse música de uma única nota repetida e não a sequência harmoniosa de sons. Como se a vida fosse ponto fixo e não a sucessão de inebriantes fractais.

Chegaram flores e eu queria palavras, recebi uma mensagem vaga e esperava um abraço, enviaram o silêncio e eu preferia música. Desencontros. Tem sido assim este tempo. Vi o olhar desviante e lembrei-me dos olhos nos olhos de uma época mais calma e com fronteiras mais nítidas. Soube de rancores que não entendi. Aquela turma já não se encontra para rir do nada, como sempre fazia desde o início. Hoje, crispados, os amigos escolheram a distância.

Ouvi os elogios públicos feitos por uma amiga aos seus novos amigos e entendi, nas omissões, que ela escolhera o gueto, onde se sente protegida de contraditas. Naveguei pelos mares virtuais e vi que as pessoas estão se afastando, como barcos à deriva, e acreditam que o real é o imediato e não a imensidão toda do tempo. Assim, com desentendidos vamos construindo muros que talvez não sejamos capazes de derrubar.

Autora: Miriam Leitão

Fonte: Blog do Matheus Leitão

Uma Triste Realidade

Animação divertida faz crítica ao nosso vício em tecnologiaCena do vídeo Life Smartphone – China Central Academy of Fine Arts

A tecnologia excessiva pode causar problemas de saúde, como dores de cabeça severas ou níveis elevados de estresse. Também acontece que alguns se tornam totalmente dependentes de seus smartphones, deixando as pessoas ou situações importantes de lado.

De acordo com o psiquiatra colombiano, Alejandro Ortiz, o vício do telefone existe. “No momento em que o usuário depende do dispositivo para interagir com pessoas, mas ao mesmo tempo, começa a isolar-se de seu ambiente, significa que ele já tem um vício para o dispositivo. O viciado dá preferência e privilégio ao contato virtual mais do que o contato pessoal “, explica ele.

Um estudo realizado na Universidade de Maryland, mostrou que a maioria dos estudantes quando não estavam com seu smarthphone, experimentou uma síndrome de abstinência semelhante à observada em viciados em drogas e álcool, apresentando sintomas como ansiedade e preocupação.

Texto original em: altonivel.com

Ver vídeo original em: Moby & The Void Pacific Choir – Are You Lost In The World Like Me (Official Video)

Carnaval – Revelando Algumas Verdades

Na próxima terça-feira, dia 9, comemora-se o Carnaval de 2016, uma das maiores festas nacionais. Em verdade a festa inicia amanhã, sábado, e termina na próxima quarta-feira, conhecida por ‘quarta-feira de cinzas’: o primeiro dia da Quaresma[1] no calendário cristão ocidental.

Em verdade, verdade, a festa popular já começou em muitos lugares deste nosso imenso território continental… Isso, no entanto, não impede algumas reflexões a respeito da festa.

O Carnaval é uma festa genuinamente brasileira?

Decididamente NÃO!

O carnaval é uma festa que se originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C.. Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Posteriormente, os gregos e romanos inseriram bebidas e práticas sexuais na festa, tornando-a intolerável aos olhos da Igreja. Com o passar do tempo, o carnaval passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica, o que ocorreu de fato em 590 d.C.. Até então, o carnaval era uma festa condenada pela Igreja por suas realizações em canto e dança, que aos olhos cristãos eram atos pecaminosos.

A partir da adoção do carnaval por parte da Igreja, a festa passou a ser comemorada através de cultos oficiais, o que bania os “atos pecaminosos”. Tal modificação foi fortemente espantosa aos olhos do povo, já que fugia das reais origens da festa, como o festejo pela alegria e pelas conquistas.

Em 1545, durante o Concílio de Trento, o carnaval voltou a ser uma festa popular. Em aproximadamente 1723, o carnaval chegou ao Brasil sob influência europeia. Ocorria através de desfiles de pessoas fantasiadas e mascaradas. Somente no século XIX que os blocos carnavalescos surgiram com carros decorados e pessoas fantasiadas de forma semelhante à de hoje[2].

A festa espalhou-se pelo mundo e adaptando-se a outras culturas[3].

Para complementar, segue material extraído da revista maçônica ARTE REAL, Ano 3, no. 24, janeiro/2009. Matéria assinada pelo Ir∴ Francisco Feitosa, com o título A HISTÓRIA DO CARNAVAL:

Você conhece a origem do carnaval? Não? Pois bem! A Revista Arte Real, comprometida com a cultura dentro das mais variadas vertentes, pesquisou e, baseando-se nos textos dos historiadores Renato Roschel, Hiram Araújo e Claudia M. de Assis Rocha Lima, produziu uma breve matéria, a fim de elucidar nossos leitores sobre a festa mais popular do mundo.

Dizem que, há dez mil anos antes de Cristo, homens, mulheres e crianças se reuniam no verão com os rostos mascarados e os corpos pintados, para espantar os demônios da má colheita. As origens do carnaval têm sido buscadas nas mais antigas celebrações da humanidade, tais como as Festas Egípcias, que homenageavam a deusa Ísis e o Touro Apis. Os gregos festejavam, com grandiosidade, nas Festas Lupercais e Saturnais, a celebração da volta da primavera, que simbolizava o Renascer da Natureza. Mas, num ponto, todos concordavam: as grandes festas, como o carnaval, estão associadas a fenômenos astronômicos e a ciclos naturais. O carnaval se caracteriza por festas, divertimentos públicos, bailes de máscaras e manifestações folclóricas.

Em Roma, em Glória ao deus Saturno, comemoravam-se as Saturnais. Esses festejos eram de tamanha importância, que tribunais e escolas fechavam as portas durante o evento, escravos eram alforriados, as pessoas saíam às ruas para dançar. A euforia era geral. Na abertura dessas festas ao deus Saturno, carros, buscando semelhança a navios, saíam na “avenida”, com homens e mulheres nus. Estes eram chamados os carrum navalis. Muitos dizem que daí saiu a expressão carnevale, originando carnaval.

A história do carnaval começa no princípio da nossa civilização ariana, na origem dos rituais, nas celebrações da fertilidade e da colheita nas primeiras lavouras, às margens do Nilo. Os primeiros agricultores exerciam a capacidade humana, que, já, nas cavernas, distinguia-se em volta da fogueira, da dança, da música, da celebração…

Foram na intenção da Deusa Ísis, no Egito Antigo, as primeiras celebrações carnavalescas. Com a evolução da sociedade grega, evoluíram os rituais, acrescidos da bebida e do sexo, nos cultos ao Deus Dionísio, com as celebrações dionisíacas. Na Roma Antiga, bacanais saturnais e lupercais festejavam os Deuses Baco, Saturno e Pã. A Sociedade Clássica acrescenta, ainda, uma função política de distinção social às celebrações, tolerando o espírito satírico: a crítica aos governos e governantes nos festejos.

A civilização judaico-cristã, fundamentada na abstinência, na culpa, no pecado, no castigo, na penitência e na redenção, renega e condena o carnaval, e, muito embora seus principais representantes fossem contrários à sua realização, no séc. XV, o Papa Paulo II contribuiu para a sua evolução, imprimindo uma mudança estética, ao introduzir o baile de máscaras, permitindo que, em frente ao seu palácio, na Via Lata, se realizasse o carnaval romano. Como a Igreja proibira as manifestações sexuais no festejo, novas manifestações adquiriram forma: corridas, desfiles, fantasias, deboche e morbidez. Estava reduzido o carnaval à celebração ordeira, de caráter artístico, com bailes e desfiles alegóricos.

Depois do Egito, o primeiro, do segundo, em Grécia e Roma Antigas, e do terceiro, no Renascimento Europeu, particularmente, em Veneza, o carnaval encontra, no Rio de Janeiro, o seu quarto centro de excelência, resgatando o espírito de Baco e Dionísio, isso, na tese de Hiram Araújo, estudioso do carnaval e do samba, ao contar uma história, que, segundo ele, completa seu sexto milênio e que acompanha a própria história da humanidade, a história do carnaval, considerando os seus Centros de Excelência, dividida em quatro períodos: o Originário (4.000 anos a.C. ao século VII a.C.); o Pagão (do século VII a.C. ao século VI d.C.); o Cristão (do século VI d.C. ao século XVIII d.C.); o Contemporâneo (do século XVIII d.C. ao século XX).

Esses Centros de Excelência são responsáveis pela criação e irradiação dos modelos da festa. Cada Centro de Excelência do carnaval age como verdadeira usina de forças centrípetas, absorvendo as culturas dos povos, e de forças centrífugas, irradiando os modelos de carnaval para o mundo. Os padrões de carnaval irradiados sofrem adaptações nas cidades em que os carnavais ocorrem.

O carnaval foi chamado de Entrudo, palavra, que vem do latim introitus e que designa as solenidades litúrgicas da Quaresma, por influência dos portugueses da Ilha da Madeira, Açores e Cabo Verde, que trouxeram a brincadeira de loucas correrias, mela-mela de farinha, água com limão, no ano de 1723, surgindo, depois, as batalhas de confetes e serpentinas.

Bem, queridos leitores, depois de tomar conhecimento da origem, história e seu significado, os simpatizantes da festa mais popular do mundo poderão, de forma consciente, saber o que, de fato, estão comemorando!

O Carnaval é uma festa popular?

Claro que NÃO!

Em nosso entender um grande negócio, e dos grandes! Uma festividade dos ricos! Que o digam os camarotes VIPs, as festas privadas, os caríssimos abadás (os passaportes da alegria)! E quem não tem dinheiro para isso? Ou para comprar àquela roupinha colorida? Não tem o direito de participar da festa?

NÃO!

Não tem o direito de ser feliz?

NÃO!

O carnaval não é uma festa democrática… Não é uma festa para os pobres, para os desgraçados! Já o foi! Atualmente a participação dos menos privilegiados é trabalhar! Na maioria dos casos na condição 0800! Tudo para prover a alegria aos mais abastados e/ou espertos, em particular nos barracões das escolas de samba – não esqueçamos que, além disso, muitas dessas escolas de samba servem de trampolim para a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e do jogo do bicho.

Enquanto ricos vão a badalados camarotes, muitos pobres compram caras fantasias para ficar pulando na avenida, proporcionando o espetáculo para eles. Enquanto o povo trabalha para organizar a festa, quem lucra são os poderosos e quase sempre mafiosos organizadores do Carnaval.

Milhões de reais são pagos a artistas locais e de fora para garantir o circo a uma população miserável que não tem sequer o pão na mesa e muita falta do saber por não saber que está sendo, mais uma vez, manipulada, usada, endividada… E por cima, inocentemente ainda bate palmas! Rindo e alegrando-se da própria desgraça! Não é oportuno citar a máxima AD CAPTANDUM VULGUS, PANEM ET CIRCENSES[4] (Para seduzir o povo, pão e circo) do imperador romano Vespasiano.

Dizem que os pequenos comerciantes conseguem vender suas latinhas de cerveja, refrigerantes, tônicos além de também seus churrasquinhos… Isso é verdade… Coitados! Se eles dependessem apenas do carnaval para vender seus produtos passariam o resto de suas vidas à míngua!

Carnaval, fiquem espertos, só dá lucro para donos de cervejarias, para proprietários de trios elétricos e uns poucos artistas (normalmente baianos)… Os inúmeros Reis Momo[5] também se beneficiam… No mais é só prejuízo! Alguém já parou para calcular quanto o Estado gasta para socorrer vítimas de acidentes causados por foliões embriagados? Quantos milhões são pagos por indenizações por mortes ou invalidez decorrentes desses acidentes? Quanto o Poder Público desembolsa com os procedimentos de curetagem que muitas jovens se submetem depois de um carnaval sem proteção que gerou uma gravidez indesejada? Isso sem falar na quantidade de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) que são transmitidas durante a festa onde tudo é permitido?

NÃO! Não! O Carnaval não gira a economia! Pelo contrário! Tampouco traz lucros à sociedade como um todo! Afinal de contas é uma festa para o País onde praticamente todos (grifo proposital) ficam seriamente comprometidos contribuindo direta ou indiretamente.

O pior é a hipocrisia. Esses mesmos hipócritas que passam 360 dias ao ano condenando abertamente o que eles mesmo fazem nos 5 dias no carnaval! Dias em que tudo é perdoado, nada é reprimido, onde inexistem tabus; esses mesmos tabus condenados antes ou depois da festa por essa mesma sociedade formada por pessoas supostamente evoluídas e mentalmente mais abertas. Isso, entendemos, é hipocrisia!

E quanto à música? A boa música é calada a força por hits do momento que não ousamos nem mencionar para não profanar este blog!

Mais indignados ficamos quando vemos a quantidade de ambulâncias disponibilizadas em um desfile de carnaval… Apenas para atender aos bêbados de plantão e valentões que se metem em brigas e quebra-quebras. Fica a pergunta: onde estão essas mesmas ambulâncias quando uma mãe precisa socorrer um filho doente? Quando um trabalhador está enfartando ou quando um doente do interior precisa deslocar-se aos grandes centros para submeter-se a um exame? Quer dizer, então, que os hospitais nesses dias ‘festivos’ ficam sem ambulâncias?! Pelo visto… SIM!

Ficamos revoltados em ver que a força policial está em peso nas festas (dos bacanas, dos ricos, e de muitos que se consideram como tal nesses dias) para garantir a ordem durante a festividade enquanto no dia a dia falta segurança para o cidadão de bem exercitar o simples direito de ir e vir. Isso, entendemos, é falta de respeito!

O pior de tudo é o Rio de Janeiro, com umas três cidades destruídas pelas chuvas e os ‘caras’ gastando milhões em blocos e carros alegóricos, rasgando dinheiro que bem poderia ser aplicando com quem realmente precisa de ajuda[6].

Mais lamentável é que esse mesmo povo que passa o ano todo dentro dos barracões das escolas de samba não faria o mesmo esforço em um mutirão para arrumar seus barracos, sua rua, sua comunidade! Têm o que merecem ou será que merecem o que têm? Ou, ainda, será a conjunção dos dois?

Eles também não cobram com o mesmo afinco soluções de seus governantes para os seus verdadeiros problemas do dia a dia.

Imaginem todo esse povo indo as ruas por um aumento digno no salário mínimo, movimento tentando reduzir à metade a quantidade dos cargos políticos já estava bom… Reduzir apenas à metade do salário da cloaca política era bom início! Imaginem esse ‘mundão’ de pessoas exigindo o fim da corrupção que tanto assola nosso País… No entanto… Não é que de repente nos lembramos do imperador romano Vespasiano!

Ainda pior mesmo são os números, a estatísticas: 189 mortos, 2.152 feridos, 3.563 ocorrências! Líbia? Não, estradas brasileiras no Carnaval 2011. Por que, para que, qual é a graça? Quem paga isso? NÓS!

Confessamos que nossa intenção não é polemizar e muito menos lançar críticas vazias ao carnaval… Contanto que nem citamos o atentado ao pudor, os incentivos ao turismo sexual (devidamente camuflado pelas autoridades constituídas), atentado à imoralidade, abuso de mulheres (algumas até fazendo por onde), perturbação de sossego, pedofilia… Uma festa que, em essência, celebra o politeísmo grego. Uma festa que tudo pode e/ou uma festa onde todos ‘phodem’? Uma apologia à luxuria!

Conclusão

Foi uma mera opinião; uma tentativa de incitar no folião ou não, no leitor, reflexões sobre essa festa que paralisa o País por, pelo menos, cinco dias.

O Carnaval é o ópio do povo! Serve para que a população se embriague, desviando o seu olhar da realidade em sua volta! Aliás como costuma suceder com eventos similares, tal qual os esportes, em particular o futebol.

Afinal de contas não podemos esperar muito de pessoas que apenas vivem de futebol, de carnaval e de televisão, quanto mais exigir algo delas.

É por todas essas e outras mais razões que somos contra o Carnaval, contra a forma como a festa é conduzida, muitas vezes comprometendo a imagem do Brasil às vistas do mundo. E, por favor, não nos venham com essa de que se trata de uma festa cultural! Não o é! A menos que divirjamos do que entendemos por cultura; é, em essência, uma festa vulgar, isso sim! Tampouco venham com aquela de que ‘se não gosta… mude de País’… Providencie, então, para todos nós um visto permanente para a ‘velha’ Europa, Suécia por exemplo, ou Dinamarca, Alemanha…

A verdade é que não nos incomodamos com a festa, podemos até a taxar de ligeiramente ‘bacaninha’ (abusando de poder mentir de vez em quando); o que nos indigna é ver os tontos pulando, ao lado de muitas ‘abundâncias’, enquanto estão sendo literalmente roubados…

Afinal de contas o respaldo dos leitores e a credibilidade deste blog nos fortalecem e renovam nossas esperanças em crônicas sérias capazes de tentar uma mudança ou pelo pensar em uma tentativa de mudança.

“O carnaval, o futebol e as festas são para os governantes a honra e a perpetuação no poder. Para o povo: engodos da servidão e instrumentos da tirania cujo preço é a supressão do direito a uma vida digna e, portanto, a falta da cidadania.” (Antonio Gomes Lacerda)

Autor: Aquilino R. Leal – M.’.I.’.
Loja Stanislas de Guaita, 165 – REAA – GLMERJo

Nota do Blog:

O irmão Aquilino é colaborador do semanário FOLHA MAÇÔNICA, do mensário espanhol RETALES DE MASONERÍA, e produtor do programa MÚSICA E MEMÓRIA, UMA VIAGEM AO PASSADO, apresentado todas as quartas-feiras das 17 às 18 horas na Rádio Naphtali (http://www.naphtaliwebradio.com). É também colaborador do blog O Ponto Dentro do Círculo, com seus artigos sendo publicados às sextas-feiras.

NOTAS

[1] – Quaresma é a designação do período de quarenta dias que antecedem a principal celebração do cristianismo: a Páscoa, a ressurreição de Jesus Cristo. A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos, imediatamente anterior ao Domingo de Páscoa.

[2]Fonte: Brasil Escola (janeiro/2014).

[3] – A origem do carnaval é também objeto de controvérsia, mas tem sido frequentemente atribuída à sobrevivência e evolução do culto de Ísis, das bacanais (festas em louvor a Baco, regadas a bastante vinho e orgia), lupercais (festival pastoril romano) e saturnais romanas (celebrações em honra ao deus Saturno, com muito permissividade e libertinagem), das festas em homenagem a Dionísio, na Grécia, e até mesmo das festas dos inocentes e dos doidos, na Idade Média. Por sucessivos processos de deformação e abrandamento, essas festas teriam dado origem aos carnavais dos tempos modernos, como os que se realizam em Nice, Paris, Roma, Veneza, Nápoles, Florença, Munique e Colônia. Independentemente de sua origem, é certo que o carnaval já existia na antiguidade clássica e até mesmo na pré-clássica, com danças ruidosas, máscaras e a licenciosidade que se conservam até a época contemporânea.

A Igreja Católica, se não adotou o carnaval, teve para com ele alguma benevolência. Tertuliano, são Cipriano, são Clemente de Alexandria e o papa Inocêncio II foram grandes inimigos do carnaval mas, no século XV, o papa Paulo II foi muito mais tolerante e chegou a autorizar o uso da Via Lata, diante de seu palácio, como palco do carnaval romano, com corridas de cavalos, carros alegóricos, batalhas de confetes, corrida de corcundas, lançamento de ovos e outros folguedos populares. Fonte acessada em Janeiro de 2014: http://www.msevangelico.com.br/estudo.php?ID=78 com notas entre parêntesis, a cargo de Aquilino R. Leal.

[4]A referida frase consta na carta escrita pelo imperador romano Vespasiano, em seu leito de morte, ao filho Tito:

2 de junho de 79 d.C.

“Tito, meu filho, estou morrendo. Logo eu serei pó e tu, imperador. Espero que os deuses te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades e os inimigos, acalmando os vulcões e os jornalistas. De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: não pare a construção do Colosseum. Em menos de um ano ele ficará pronto, dando-te muitas alegrias e infinita memória. Alguns senadores o criticarão, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas. Não dê ouvidos a esses poucos. Pensa: onde o povo prefere pousar seu clunis: numa privada, num banco de escola ou num estádio?

Num estádio, é claro.

Será uma imensa propaganda para ti. Ele ficará no coração de Roma por omnia saecula saeculorum, e sempre que o olharem dirão: ‘Estás vendo este colosso? Foi Vespasiano quem o começou e Tito quem o inaugurou’.

Outra vantagem do Colosseum: ao erguê-lo, teremos repassado dinheiro público aos nossos amigos construtores, que tanto nos ajudam nos momentos de precisão. ’Moralistas e loucos dirão, que mais certo seria reformar as velhas arenas. Mas todos sabem que é melhor usar roupas novas que remendadas. Vel caeco appareat (Até um cego vê isso).

Portanto, deves construir esse estádio em Roma.

Enfim, meu filho, desejo-te sorte e deixo-te uma frase: Ad captandum vulgus, panem et circenses (Para seduzir o povo, pão e circo).

Esperarei por ti ao lado de Júpiter”.

Fonte: Brasil Wiki (janeiro/2016).

[5]Deus da mitologia grega que representa a zombaria e o sarcasmo; o carnaval brasileiro debocha dos princípios morais de maneira escandalosa. Apoiada pela televisão sem nenhuma ou pouca censura, a ‘festa da globeleza’ alimenta a tara sexual e faz o governo distribuir gratuitamente camisinhas aos foliões com o dinheiro dos contribuintes fiéis às suas esposas. Nos Estados Unidos, onde a liberdade de imprensa é constitucional, e quase cada cidadão sabe na ponta da língua a emenda número um, que define a liberdade de expressão, há formas e conteúdos de programas e comerciais que são regulados pelo FCC (equivalente ao nosso Ministério das Comunicações). Isso está baseado em teorias de comunicação comprovadas por pesquisa, no que diz respeito ao impacto dos meios de comunicação de massa, particularmente da TV. Fonte acessada em janeiro de 2014: http://www.msevangelico.com.br/estudo.php?ID=78.

[6]Lembro que escrevi essas linhas em Março de 2011 (linhas revistas em Janeiro de 2015), poucos meses depois das aludidas catástrofes, ou seja, o estrago feito pela chuva intensa que afetou a Região Serrana do Rio de Janeiro ocorrida na noite do dia 11/01 e madrugada de 12/01/2011, envolvendo os municípios São José do Vale do Rio Preto, Sumidouro, Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis onde o número de mortes e desaparecidos passou dos 1.000 e milhares e milhares foram desalojados e desabrigados pela catástrofe climática. [Nota: Aquilino R. Leal]).

Quando quiser entender o presente, pergunte-se: E o passado?

Resultado de imagem para Quando quiser entender o presente, pergunte-se: E o passado?

Se você quer entender o presente, conheça o passado. As respostas sempre estão na história.

Quer entender melhor a Guerra Civil Síria? Este vídeo é um resumo muito bem realizado da história da região assolada pelo conflito.

Quem ainda está confuso em relação à extrema importância estratégica daquela área terá mais elementos para compreender o seu valor geopolítico-econômico. O que o petróleo e o gás natural têm a ver com essa história toda? Aqui, vocês verão os vários impérios que já lutaram para conquistar a região. Na atual disputa, verão quais são os grupos que compõem aquilo que a grande imprensa ocidental chama genericamente de “a oposição”. Quem compõe o governo de Al-Assad? Quais países estrangeiros apoiam um lado e quais são os que apoiam o outro? O que mudou após o atentado terrorista contra o World Trade Center? O que significou a Doutrina Bush para a Síria? A Primavera Árabe foi tratada com responsabilidade pelo governo sírio? Como essa primavera contribuiu para a ocorrência dos acontecimentos futuros? Este vídeo fornecerá vários elementos que lhes ajudarão a responder essas e outras questões.

O que é o wahabismo, a raiz ideológica do Estado Islâmico

AP

Era de manhã em Karbala, cidade a cerca de 100 quilômetros ao sul de Bagdá, e o mercado local estava cheio quando todos ouviram gritos.

Um grupo de homens vestidos de preto, levando espadas e bandeiras negras, invadiu o mercado matando crianças, mulheres, idosos e adultos.

Eles, então, avançaram pelas ruas até tomar o controle de toda a cidade. Alguns afirmam que, apenas neste dia, cerca de 4 mil pessoas morreram.

Os homens vestidos de preto que organizaram esta matança não eram do grupo autodenominado Estado Islâmico.

O massacre ocorreu há mais de 200 anos e o grupo era comandando por um dos primeiros governantes da Arábia Saudita, que acabava de formar um novo movimento religioso: o wahabismo.

O wahabismo, uma forma rígida e conservadora do islamismo e é, nos dias de hoje, a religião oficial da Arábia Saudita. E alguns afirmam que é o “pai ideológico” do Estado Islâmico.

Acordo no deserto

“O wahabismo sempre foi descrito popularmente como a mãe de todos os movimentos fundamentalistas”, disse à BBC o professor Bernard Haykel, especialista em teologia e lei islâmica.

“Mas, para encontrar a inspiração ideológica destes movimentos é preciso voltar ao salafismo jihadista”.

APO Estado Islâmico baseou sua ideologia nos ensinamentos de um clérigo do século 18

Haykel explica que esta é uma corrente ideológica “muito antiga no Islã, extremamente literal na forma como aborda o texto da revelação e tende a condenar outros muçulmanos que não compartilham desta ideologia”.

O salafismo remonta ao século 19 e uma das figuras mais influentes foi um homem chamado Muhammad ibn Abd al Wahhab, um pregador nascido em um lugar remoto da Península Árabe em 1703, diz ele.

“Ele acreditava que os muçulmanos tinham se distanciado da verdadeira mensagem do Islã”, disse Haykel.

“Ficou horrorizado com o que via em Meca, o lugar sagrado para os muçulmanos, com os nobres vestidos de forma extravagante, fumando haxixe e escutando música.”

Al Wahhab era um fundamentalista que queria “purificar” o Islã, voltando aos princípios básicos da fé. E, gradualmente, suas ideias foram se espalhando.

Mas nem todos estavam de acordo e ele acabou expulso do vilarejo onde morava.

Ele encontrou abrigo junto ao homem que governava uma pequena cidade vizinha, Muhammad Ibn Saud, com quem fechou um acordo em 1744.

Com este acordo, foram firmadas as bases para a formação de toda a região: Ibn Saud se comprometeu a apoiar Al Wahhab política e militarmente e, em troca, Al Wahhab daria a Ibn Saud legitimidade religiosa.

“Al Wahhab acreditava que a jihad estava justificada contra os descrentes, incluindo os muçulmanos que não seguiam sua versão da fé”, afirmou o estudioso.

Juntos, eles tomaram o controle de muitas cidades na região. Muhammad ibn Saud reinava e Muhammad ibn Abd al Wahhab pregava e colocava em prática o que acreditava ser a prática correta do Islã.

“Tinham listas de todos os membros da comunidade e assim garantiam que todos eles iam à mesquita cinco vezes ao dia para orar. Era uma imposição da fé que aplicavam quase como justiceiros, uma versão intolerante da fé que no Islã tradicional não existe”, disse Haykel.

A aliança entre Al Wahhab e Ibn Saud continuou capturando territórios. No final do século 18 controlava quase toda a Península Árabe.

Desta forma foi estabelecida a união entre a Arábia Saudita e o wahabismo.

Globalizado

Getty   A aliança de Al Wahhab e Ibn Saud estabeleceu a união entre o whabismo e a Arábia Saudita

A especialista explicou à BBC que em 1932 os wahabistas descendentes de Muhammad ibn Saud conseguiram um ímpeto renovado com um novo acordo e, com isso, conseguiram poder suficiente para fundar o país que hoje é conhecido como Arábia Saudita.

“Com o acordo, foi dado aos wahabistas controle total da vida social e cultural do reino, o que significava que teriam o controle da educação e do sistema judiciário”, disse Rasheed.

“A família al Saud tinha controle total das relações internacionais e do gerenciamento da economia. Em troca, os clérigos wahabistas deviam pregar aos cidadãos sauditas que obedecessem seus dirigentes. E isto mantinha os al Saud satisfeitos pois garantia a conformidade no nível doméstico.”

Sempre que o governo queria fazer alguma mudança no país, grande ou pequena – como introduzir a televisão no reino ou permitir a educação das mulheres – devia negociar com os clérigos.

AFP     Os primeiros wahabistas do século 18 também se vestiam de preto e carregavam bandeiras negras

“Nos anos 1960 e 1970 começaram a surgir muitas ideias revolucionárias no mundo árabe e, para se proteger, os dirigentes sauditas pensaram que os wahabistas eram um bom antídoto, pois ofereciam uma narrativa alternativa sobre como obedecer aos dirigentes sem interferir na política.”

Os dirigentes sauditas investiram milhões de dólares em campanhas educativas, construíram milhares de mesquitas, imprimiram milhões de exemplares do Corão para distribuir de graça, estabeleceram a Universidade de Al Madinah que ensina religião a estudantes do mundo todo para que eles voltem a seus países e espalhem este conhecimento.”

Tudo isto para promover o wahabismo no mundo transformando-o em uma ideologia global.

Alguns afirmam que, ao exportar o wahabismo, a Arábia Saudita ajudou voluntariamente a conseguir recrutas para o Estado Islâmico.

“O que vimos foi a propagação de uma linguagem revolucionária que inspirou alguns indivíduos a cometer atrocidades no nome do Islã”, afirmou Madawi al Rasheed.

GettyMilhares de jovens sauditas lutaram no Afeganistão, um deles foi Osama bin Laden

“Quando o Afeganistão foi invadido pela União Soviética, o wahabismo foi utilizado pelo regime saudita para inspirar os jovens a lutar a jihad no Afeganistão contra os infiéis soviéticos.”

Foi dito que os sauditas pagaram para enviar milhares de jovens para lutar no Afeganistão, entre eles, Osama bin Laden.

Despertar Islâmico

Madawi al Rasheed afirma que é um erro acreditar que o wahabismo como a única influência do Estado Islâmico.

“Se beneficiou com a chegada da Irmandade Muçulmana, que foi exilada de lugares como o Egito, Síria e Iraque nas décadas de 1950 e 1960. A Arábia Saudita os recebeu. Muitos deles se transformaram em professores de religião”.

“Esta fusão da religião do wahabismo com as capacidades de organização de outros movimentos islamistas levou à criação de uma nova tendência que foi chamada de ‘o despertar islâmico'”, afirmou.

Esta tendência mudou o tom de muitos clérigos em todo o mundo, segundo Aimen Dean, que foi membro da Al Qaeda no Afeganistão e depois de transformou em um espião para os serviços de inteligência britânicos.

“Isto aconteceu por causa da globalização. Porque muitos clérigos tinham problemas com o que viam como a expansão da cultura americana, com seus filmes de Hollywood e sua televisão por satélite”, disse à BBC.

“E os clérigos responderam a isto com o método do medo. Propagando o ‘temor a Deus’ na mente dos jovens muçulmanos para evitar que os valores ocidentais entrassem em suas casas”.

Dean afirma que este “temor a Deus” produziu uma geração de pessoas culpadas que acham que precisam se redimir e acabaram “vulneráveis a grupos como o EI ou a Al Qaeda” que ofereciam algo novo: absolvição total.

“Porque no Islã a recompensa que recebe em troca do martírio é a absolvição total”.

Aimen Dean se juntou á Al Qaeda e depois se transformou em espião britânico 

Dean afirma que esta culpa comum a muitos muçulmanos não os transforma em extremistas, é apenas a primeira etapa de um longo caminho.

“É preciso perder todo o sentido de identidade, além da fé, e depois se identificar com os mártires do Corão que foram perseguidos.”

“Aí é que se entra neste território sombrio que é a ideologia do EI, onde reza, onde jejua e onde não vacila nem um segundo para matar alguém. (…) Assim é como se forma uma jihadista preconceituoso e psicopata”, disse.

Fonte: BBC

Somos um país de alienados? De loucos? Ou ambos?

Dia meu aniversário, um domingo de céu azul anil, saio eu, ‘Pafúncio’, com ‘D. Marocas’, dois filhos (lowtons), a nora e o ‘Pouca Sombra’ (o netinho) para almoçar em um restaurante à beira da estrada. Exatamente na BR-267, aqui em Minas… No calor da festa e no calor do dia, mesmo sendo inverno – junho é o mês do meu aniversário – levantam um brinde e fazem-me encher, pela segunda vez no almoço, meu copo com a deliciosa Heineken.

Tudo documentado com minha Sony Full HD… Alegria e somente alegria que momentos depois se torna pesadelo. Sou parado numa blitz… Me multam, em verdade roubam, em R$ 1.960,00 (2013), tenho a carteira aprendida enquanto berro: FORAM APENAS DOIS COPOS DE CERVEJA! HOJE É MEU ANIVERSÁRIO! 67 ANOS NO LOMBO E TOTALMENTE CONSCIENTE! Me ameaçam prender o carro e se não fosse feliz intervenção do meu filho mais velho estaria preso!

Meses depois, outubro, aniversário da ‘patroa’… Temente com novo roubo, limito-me a um refrigerante e a um par de bombons Ferrero tirados da caixa dada pela nora… Me engasgo com eles, vou à farmácia mais próxima e tomo àquele xarope que promete tirar a tosse em cinco segundos… Na volta sou parado numa blitz… Me multam, em verdade roubam, em R$ 1.960,00 (2013), tenho a carteira aprendida enquanto entre uma crise de tosse e outra berro: FORAM APENAS DOIS BOMBONS E UM PAR DE COLHERES DESTE MALDITO XAROPE! Arbitrariamente ameaçam prender o carro e mesmo com a intervenção do meu filho maior fui preso e minha cara estampada na TV por um desses famigerados programas policiais televisivos que inundam os finais das tardes de sangue e violência.

Chega novembro, mês do aniversário de Ricardo, filho mais velho e também lowton… Nos reunimos no mesmo restaurante para celebrar o acontecimento. Precavido abstenho-me de qualquer bebida, bombons, xaropes etc. Quase na hora de voltar, vou ao banheiro (toalete masculina seria mais oportuno!) e delicio-me com um tremendo baseado; meio doidão não dispenso a pedra de crack e meio cambaleante cheiro farinha (cocaína)…

Todos percebem o meu estado DOIDÃO, mas meus 67 anos calam a boca de todos.

Dirigindo apenas de cueca samba canção branca, tento voltar para casa. Sou parado numa blitz, passo pelo famigerado teste do bafômetro pese meu sacrifício de me manter em pé e com as ‘coisas’ no interior da famigerada cueca samba-canção. Documentos em dia, carro em dia e o conselho:

“Doutor, está muito frio, melhor é o senhor vestir-se. Tenha uma boa viagem.”

Como resposta coloquei o meu dedo médio esquerdo em riste fazendo o característico e bem conhecido sinal… Arranquei como um louco e mais que contente comentei com meus botões mesmo quase pelado: “Desta vez vocês não me pegaram seus f…s da p…a’.!

Minha alegria no entanto não durou muito, poucos metros adiante o ‘efeito DOIDÃO’ se acentuou sobremaneira! Acabei atropelando um ciclista que calmamente circulava pela ciclovia; nunca mais irá pedalar com tanta esperteza a menos que coloque uma perna mecânica! Fui parar na delegacia entrando pela porta dianteira e saindo pela mesma momentos depois… Ainda que parcialmente nú.

Até hoje ainda aguardo o julgamento…

Com o carro danificado pelo forte impacto com o ‘desatento’ ciclista, faço sinal para um taxi e ainda meio peladão, mas totalmente DOIDÃO, acabo entrando em casa; naquele exato momento percebo que a casa está sendo assaltada; atiro contra o suposto meliante um paralelepípedo atingindo-o mortalmente na cabeça, imediatamente após sinto uma mão feminina em meu ombro, entendo o gesto como o afago feminino de uma fora da lei e lá mesmo, ao lado do corpo do companheiro morto a estupro… Devia estar gostando já que seus gritos chamaram a atenção de vizinhos e, pela segunda vez naquele dia visitei, o delegado dando-me um pito por agora estar totalmente nu:

Seu ‘delega’, como eu podia ‘papar’ àquela bandida gostosona estando eu vestido?

Ele me alerta que ela não é bandida e tampouco seu companheiro, em verdade marido, morto e, muito menos, a casa que eu tinha invadido era a minha!

Pois bem, mais um outro processo cujo em julgamento aguardo em liberdade e enquanto isso vou escrevendo minhas crônicas na certeza que se for condenado o meu advogado reverterá a pena para umas cestas básicas ou, quando muito, para o regime semiaberto. Ainda bem que nesse dia não ingeri álcool senão estaria preso, incomunicável, cercado por inúmeros repórteres sob o comando do ‘dá pena’ e, sobretudo, fu#$#* e mal pago!

E tivessem me encontrado em meu poder um trinca-ferro não anilhado aí é que eu estaria irremediavelmente condenado… A minha melhor opção seria a de aniquilar o agente policial… A pena é muito mais branda! O processo correria em liberdade! E poderia me defender com algumas inverdades irrefutáveis! Afinal de contas, morto não se defende! Não fala! Não é verdade?

Estou amaldiçoando meus 67 anos! Se eu tivesse menos de 18 anos de idade eu poderia comer os bombons, ingerir xaropes, me embriagar, matar, assaltar, estuprar, roubar, dirigir sem carteira de habilitação, fazer o que eu quisesse que não tinha ‘pobrema’ algum. “Sou di menor” diria e ao chegar a maior idade… Ficha limpa, tudo zerado! E a custo zero! A vara da Juventude e da Infância estaria lá protegendo-me com sua vara!

Mas claro que ainda tenho uma chance… Vou candidatar-me para um alto cargo no governo, ou ser empossado como deputado, eleito como presidente, ministro, senador etc. e aí posso larapiar milhões e milhões do povo, do erário… Se me pegarem devo passar uns 10 anos num resort na Bahia em companhia da amante e de inúmeras gostosonas… É certo que não sei para que tanta ‘muiê’ mas com todo esse ‘dinheirão’ é possível comprar muito ‘azulzinho’!

CONCLUSÃO

Se você tomar uma taça de vinho no almoço e sair dirigindo poderá ser qualificado como um criminoso perigosíssimo e péssimo motorista mesmo sem ter infringido alguma norma de trânsito. Ao passo que quem bebeu guaraná no almoço e desrespeitar o semáforo vermelho, causando colisão da qual resultem mortos, este receberá tratamento tal que não será preso, não sofrerá restrição do direito de dirigir, responderá ao processo em liberdade e, se condenado por homicídio culposo, terá de fornecer cestas básicas para o MST!

Brasil, o país da corrupção, da impunidade, das injustiças, da incoerência… Uma salva de palmas para a classe política como um todo e duas salvas de palmas para este povo capacho que aceita tudo calado, não se revolta e ainda vota nesses incompetentes; uma tríade de salva de palmas para esse povinho que participa de uma passeata a favor da liberação da marijuana ou da comunidade gay mas que dorme em seus leitos macios quando a passeata é contra a corrupção, contra a impunidade… Salva de palmas para esse mesmo povinho que se alegra pelo construção/reforma de estádios monumentais e deixa morrer seus filhos por falta de verbas para os hospitais…

E nós como maçons que estamos fazendo? O que a Maçonaria está fazendo nesse sentido? Distribuindo folders e colocando uns poucos outdoors em algumas avenidas movimentadas para se promover, apenas para declarar-se não morta ainda que perto do último suspiro? Tristemente dizemos: “Homines sunt ejusdem farinae

“A primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la.” (Eduardo Galeano).

“O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheias de certezas.” (Bukowski).

Autor: Aquilino R. Leal – M.’.I.’.
Loja Stanislas de Guaita, 165 – REAA – GLMERJ

Nota do Blog:

O irmão Aquilino é colaborador do semanário FOLHA MAÇÔNICA, do mensário espanhol RETALES DE MASONERÍA, e produtor do programa MÚSICA E MEMÓRIA, UMA VIAGEM AO PASSADO, apresentado todas as quartas-feiras das 17 às 18 horas na Rádio Naphtali (http://www.naphtaliwebradio.com). É também colaborador do blog O Ponto Dentro do Círculo, com seus artigos sendo publicados toda sexta-feira.

O futuro já aconteceu e o tempo é uma ilusão

“A diferença entre passado, presente e futuro é apenas uma persistente ilusão…”, Albert Einstein

Existe um lugar em que o tempo passa diferente de pessoa para pessoa. Nesse lugar, nenhum relógio marca a mesma hora e passado, presente e futuro estão essencialmente congelados, e também aconteceram ao mesmo tempo. Também tudo o que aconteceu desde a origem do universo até o seu fim existe ao mesmo tempo.

Nesse lugar, o que para você é o futuro já é uma memória distante para outra pessoa. Para você, seu filho nem sequer nasceu, mas para seu vizinho ele já tem 20 anos. Em outras palavras, você pode nem ter decidido se quer ter filhos ou não, mas você não tem escolha. Deve ser chato morar em um lugar como esse, afinal de contas, você não parece ter liberdade de escolha, é tudo uma ilusão.

Mas que lugar é esse?

Esse lugar é justamente o nosso universo. Parece ficção, mas tudo isso foi descoberto pelo cientista mais célebre de todos os tempos, Albert Einstein, em 1905.

Desde que nascemos, temos a ideia de que o tempo passa no mesmo ritmo para todas as pessoas, e que todos no planeta viajam juntos rumo ao futuro. Não parece ser uma ilusão, certo?

Hora de complicar as coisas. De acordo com Einstein, o tempo é uma espécie de lugar, uma dimensão onde andamos até a morte. Enquanto você lê esse texto, o tempo passa, certo? Na verdade, não. É você quem está viajando por um lugar chamado tempo através de um meio de transporte que não pode ver, mas é bem rápido, tão rápido quanto a luz.

Esse meio de transporte invisível viaja a 1,08 bilhão de km/h, a velocidade da luz.

Como você deve saber, de acordo com a relatividade de Einstein, tempo e espaço são uma coisa só, chamada espaço-tempo, onde nada pode viajar mais rápido do que a luz.

E a essa altura, você já deve ter notado um grande problema. Se você está andando na velocidade da luz enquanto lê esse texto, se você se levantar e ir ao banheiro a 4 km/h, você terá ultrapassado a velocidade da luz?

É claro que não. O que acontece é que essa velocidade é descontada. Em outras palavras, “emprestada” pelos motores que empurram o tempo. Eles emprestam um pouco de sua velocidade para tudo o que se move. Isso tem um preço, claro: o tempo passa mais devagar para você.

Sei que provavelmente está tudo muito confuso. Vou tentar exemplificar:

Você está parado nesse instante, atravessando o tempo a 1,08 bilhão de km/h, mas então decide dar uma volta em sua Ferrari novinha a 180 km/h. O que acontece? Você pega emprestado do “banco do tempo” 180 km/h, e ele desconta de seu relógio, isto é, o tempo para você passa mais devagar em relação a todas as outras pessoas que estão paradas no momento. Um momento que durava 60 segundos agora passa a durar 59,9999999999953 segundos. O carro acelera, mas freia seu relógio – apenas o SEU. Depois de uma hora viajando no carro a essa velocidade, você viaja 0,0000000576 milésimo de segundo para o futuro.

Pouca coisa, certo? Sim, as velocidades que experimentamos no dia-a-dia são extremamente insignificantes para ter um efeito notável na passagem no tempo. 1,08 bilhão parece ser muito mais do que o suficiente…

Mas o banco do tempo pode falir?

Sim, e é aí que tudo fica ainda mais interessante. Se uma nave futurista viajar a 1 bilhão de km/h, o banco do tempo estará em apuros. Aí vai mais um exemplo:

Suponha que sua Ferrari possa atingir a mesma velocidade da suposta nave. Na rodovia que você viaja, há uma pessoa no bar. Então, um ladrão aparece do nada e aponta uma pistola na cabeça do indivíduo. Você passa pela rodovia à 1 bilhão de km/h. Seu relógio marca 14:30h, e quando você passa em frente ao bar você não vê a pessoa sendo ameaçada de morte. Por que? Porque o tempo passou mais devagar para você do que para as pessoas no bar. Seu relógio marca 14:30h, mas o relógio do bar marca 14:45h. Você viajou para o futuro. E vê ou uma pessoa morta ou a polícia prendendo o sujeito no bar. Você vê algo que para as pessoas que estavam no bar ainda não está decidido.

Temos então um paradoxo. Tanto você como o homem ameaçado vivem o que os dois chamam de agora. Mas para ele é futuro algo que você já tem na memória, algo que para você já é passado.

Por incrível que pareça, as coisas ainda podem ficar mais complicadas. Segundo Einstein, grandes distâncias também podem distorcer a ideia de que exista um agora para todos. Em outras palavras, para um alienígena vivendo em outra galáxia, o momento em que você está em frente ao celular ou computador lendo esse artigo é um passado distante.

“A concepção dele sobre o que existe neste momento no Universo pode incluir coisas que parecem completamente abertas para nós, como o vencedor das eleições presidenciais dos EUA de 2100. Os candidatos ainda nem nasceram, mas na ideia dele sobre o que acontece exatamente agora já vai estar o primeiro presidente americano do século 22”, escreveu o físico Brian Greene, da Universidade Columbia, nos EUA, em seu livro The Fabric of the Cosmos (O Tecido do Cosmos).

Então o futuro já aconteceu…

Se você pensar um pouco, temos aqui uma conclusão extraordinária. Toda a história do universo já está escrita e, obviamente, não temos o que chamamos poder de escolha. Seu dia de amanhã já está definido no tecido da realidade do universo.

Universos paralelos

Existe, no entanto, uma teoria de que sim, temos poder de escolha mesmo em um universo determinado. São os mundos paralelos, e são ainda mais bizarros do que tudo o que foi apresentado até aqui.

A Teoria dos Muitos Mundos, criada pelo físico norte-americano Hugh Everett em 1957, sugere que a cada possível ação que fazemos, o universo se divide em realidades paralelas, onde cada possível ação é executada. Por exemplo, você está em uma festa, e encontra alguém que não tem coragem de puxar conversa. Em algum universo paralelo, uma cópia sua chegou até essa pessoa, e levou um fora. Em outro, a cantada deu certo. E em outro, vocês se casaram e tiveram filhos. Assim funcionaria com cada possível resultado de uma ação, infinitos universos gerados com infinitas possibilidades.

Temos, nesse cenário, um futuro aberto para qualquer coisa, o oposto do que a relatividade de Einstein aceita. Em teoria, é bonito, mas testar isso na prática é um desafio imenso (diferentemente da relatividade de Einstein, que já foi testada na prática com observações cósmicas e em laboratórios).

E você, leitor, fica do lado de Einstein e de sua relatividade, ou aposta em realidades alternativas paralelas? Tenha toda a liberdade de escolha para decidir. Ou não…

Autor: Lucas Rabello

Fonte: Mistérios do Mundo

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