O salário do maçom

O que é saldo de salário? - Salem Advogados Trabalhista

A Maçonaria Operativa, como estrutura de regulação do acesso e prática da atividade profissional de construtor em pedra, regulava igualmente as formas de pagamento e os montantes dos salários dos seus associados.

Também na Maçonaria Especulativa os maçons recebem o seu salário. Simplesmente, como tudo na Maçonaria Especulativa, o salário que o obreiro recebe é simbólico.

O obreiro trabalha em Loja. Em quê? No seu aperfeiçoamento, na busca dos conhecimentos, das lições, dos exemplos, das práticas que dele farão uma pessoa melhor. Nesse trabalho tem de identificar e interpretar símbolos, atribuindo-lhes o seu significado pessoal, similar ou não ao que os seus Irmãos, ou alguns dos seus Irmãos, ou um particular Irmão, lhes atribuem. O trabalho do obreiro em Loja insere-se e une-se ao trabalho que os demais obreiros efetuam, constituindo o conjunto um acervo de estudos, atividades, interpretações, princípios desenvolvidos, que tem mais virtualidades como um todo do que a mera soma dos contributos individuais.

Virtualidades para quem? Para os próprios obreiros. O trabalho maçónico é eminentemente individual, mas coletivamente efetuado. O seu resultado, inserido no conjunto dos esforços e nele amalgamado, está à disposição para apropriação de todos e de cada um. A forma como cada um beneficia é com cada qual. O mesmo obreiro, em cada momento, pode retirar do trabalho que ele e seus Irmãos efetuam lições ou consequências diferentes. Hoje poderá ser uma lição moral, amanhã uma simples lição de vida ou regra de conduta, depois uma ferramenta para uso no seu dia a dia profissional ou de relação social, por vezes apenas (e tanto é…) uma simples sensação de Paz, de Segurança, de Conforto, a mera (mas por tantos tão dificilmente obtida) noção do seu lugar na vida e do significado da sua existência.

Perante a sua Loja, o maçom apresenta para o trabalho a Pedra Bruta que é ele próprio, o seu Carácter, a sua Personalidade, as suas Características, as suas Virtudes, os seus Defeitos, as suas Capacidades, as suas Insuficiências, as suas Potencialidades e o que falta para as transformar em Realidades. Junto de seus Irmãos, trabalha essa Pedra Bruta. Retira-lhe as asperezas. Melhora a sua forma. Determina o local onde deve ser colocada. Dá-lhe cor e atavio. A pouco e pouco, essa Pedra Bruta será cada vez menos Bruta, ganhará forma mais delineada e adequada, tornar-se-á mais útil para a função que está destinada a exercer. A pouco e pouco, tornar-se-á uma Pedra Aparelhada, já com alguma utilidade e capacidade para se inserir no grande Templo da Criação, Parede da Humanidade. Mas ainda será, não já áspera, mas rugosa, não já suja, mas baça.

Será ainda necessário alisá-la e poli-la, de forma a que, a seu tempo, a Pedra Bruta que é o maçom possa vir a ser a muito mais útil e bela Pedra Polida. Mas, ainda então, de pouca utilidade e valia será se não for inserida no local adequado, pela forma asada, para exercer a função destinada. Há que conhecer ou definir os Planos, efetuar e ler o Desenho que nos guie para colocarmos a nossa Pedra, que foi Bruta e que procurámos tão Polida quanto o lográmos que fosse, no lugar correto, em que será útil e contribuirá para a sustentação, imponência e beleza do Templo em cuja construção se insere.

Cada maçom, à medida que vai trabalhando, vai aprendendo a trabalhar, à medida que melhora, vai aprendendo a melhorar, a medida que aprende, vai aprendendo a aprender. E cada vez mais vê melhor trabalho, mais melhoria, mais larga aprendizagem. À medida que evolui vai aumentando o benefício que retira do trabalho que efetua. Não patrimonial, mas pessoal, intrínseco.

Esse benefício é o salário do maçom, a justa remuneração do seu esforço. Não tem valor de mercado, nem cotação de troca, porque vale muito mais do que uma mercadoria ou um serviço. Tem o valor supremo da Pessoa Humana, que cresce, que se educa, que evolui, que se aprofunda, que se realiza, que se enobrece, que se dignifica. Esse valor vale mais que todo o ouro do Mundo, que todas as riquezas e mordomias de que usufruem os afortunados do planeta. Porque nada vale mais do que um Homem digno, de espinha direita, cabeça lúcida, espírito forte. Aos outros, por mais ricos que sejam, conquistou-os o mundo. Este conquista o mundo, ainda que seja pobre e sem poder. O seu mundo. O que interessa.

O salário do maçom é o que ele retira do bolo comum que resulta do seu trabalho, do seu esforço e dos seus Irmãos. Em conjunto e com o fermento da Fraternidade, esse bolo cresce muito mais do que se lhe pôs, ao ponto de todos poderem retirar mais um pouco do que cada um lá pôs e ainda sobra bolo.

Esse salário não se conta, não se mede, não se pesa, não se avalia. Só o próprio o sente e dele beneficia. Não tem valor facial algum. Tem todo o valor moral e espiritual.

E, porque à medida que o maçom trabalha, aprende, cresce, melhora, de cada vez vai conseguindo retirar um pouco mais, de cada vez vai conseguindo aumentar um pouco seu salário. Imperceptivelmente. Até que um dia os seus Irmãos dão por ela e… oficializam-lhe o aumento de salário! Chamam os maçons aumento de salário à passagem de grau. Mais não é do que o reconhecimento dos progressos feitos.

Autor: Rui Bandeira

Fonte: Blog A Partir Pedra

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Ser Aprendiz

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A vida de um neófito não é fácil… 

Nascer, abrir os olhos, enxergar pela primeira vez a intensa Luz, perpetrar os primeiros e mais difíceis passos rumo aos augustos mistérios que se descortinam a nossa frente e, por fim, tentar balbuciar as primeiras palavras. 

Como qualquer criança recém nascida, o Aprendiz é tomado por uma intensa curiosidade por tudo que está a sua volta, ao mundo novo que lhe apresenta, o significado dos símbolos, a linguagem, a postura, pois absolutamente todos os sabores são inovadores a seu insaciável apetite e paladar.

Sem qualquer embargo, de forma indelével, queremos sorver a taça em um único gole, toda de uma só vez… E nossos Mestres, com a paciência e misericórdia de atenciosos pais, procuram amorosamente nos ensinar a postura correta de nosso corpo para facilitar os primeiros trabalhos de desbastamento da pedra bruta, sem que nos desestimulemos frente ao cansaço que vez por outra começam a abater nosso corpo e nosso espírito. 

Qualquer que tenha sido o vosso propósito e o anseio de vosso coração ao ingressar na Augusta Instituição que fraternalmente vos acolheu como um de seus membros, é certo que não tereis entendido, a princípio, toda a importância espiritual deste passo e as possibilidades de progresso que com ele vos foram abertas. 

A Maçonaria é, pois, uma Instituição Hermética no tríplice e profundo sentido da palavra. O segredo maçônico é de tal natureza, que não pode nunca ser violado ou traído, por ser mística e individualmente realizado por aquele maçom que o busca para usá-lo construtivamente, com sinceridade e fervor, absoluta lealdade, firmeza e perseverança no estudo e na prática da Arte. A Maçonaria não se revela efetivamente senão a seus adeptos, aqueles que a ela se doam por inteiro, sem reservas mentais, para tornar-se verdadeiros maçons, isto é, Obreiros Iluminados da Inteligência Construtora do Universo, que deve manifestar-se em sua mente como verdadeira Luz que ilumina, desde um ponto de vista superior, todos os seus pensamentos, palavras e obras. 

Isto é conseguido por intermédio das provas que constituem os meios pelos quais torna-se manifesto o potencial espiritual que dorme em estado latente na vida rotineira, as provas simbólicas iniciais e as provas posteriores do desânimo e da decepção. Quem se deixar vencer por elas, assim como aquele que ingressar na Associação com um espírito superficial, deixará de conhecer aquilo que a Ordem encerra sob sua forma e seu ministério exterior, deixará de conhecer seu propósito real e a Força Espiritual oculta que interiormente anima a Ordem. 

Seu tesouro acha-se escondido profundamente na terra. Só escavando, ou seja, buscando-o por baixo da aparência, podemos encontrá-lo. Quem passa pela Instituição como se fosse uma sociedade qualquer ou um clube profano, não pode conhecê-la; somente permanecendo nela longamente, com fé inalterada, esforçando-nos em tornarmo-nos verdadeiros maçons e reconhecendo o privilégio inerente a esta qualidade, ela nos revelará o seu tesouro oculto. 

Assim como não existe uma criança que não deseje atingir prontamente a vida adulta, não há Aprendiz que não deseje tornar-se rapidamente um Mestre. Embora tanto uma como o outro não compreenda que se tornar um adulto assim como um Mestre, é na verdade assumir grandes responsabilidades, inclusive com outras crianças ou Aprendizes que se sucederem a ele. 

Pela ordem natural das coisas, não é possível se polir uma pedra bruta sem antes desbastá-la. 

Deste ponto de vista, e qualquer que seja o grau exterior que possamos conseguir, ou que já nos tenha sido conferido para compensar de alguma forma nossos anseios e desejos de progresso, dificilmente poderemos realmente superar o grau de Aprendiz. Na finalidade iniciática da Ordem, somos e continuaremos sendo aprendizes por um tempo muito maior que os simbólicos três anos de idade. Oxalá fossemos todos bons aprendizes e continuássemos sendo-o por toda nossa existência! Se todos os maçons se esforçassem primeiro em aprender, quantos males que tem sido lamentados e que ainda serão lamentados, não mais teriam razão de existir! 

Ser um Aprendiz ativo e inteligente que envida todos os esforços para progredir iluminadamente no caminho da Verdade e da Virtude, realizando e pondo em prática (fazendo-a carne de sua carne, sangue de seu sangue e vida de sua vida) a Doutrina Iniciática que se encontra escondida e é revelada no simbolismo deste grau, é sem dúvida muito melhor que ostentar o mais elevado grau maçônico, permanecendo na mais odiosa e destruidora ignorância dos princípios e fins sublimes de nossa Ordem. 

Não devemos ter, portanto, demasiada pressa na ascensão a graus superiores. O grau que nos foi outorgado, e pelo qual exteriormente somos reconhecidos, é sempre superior ao grau real que alcançamos e realizamos interiormente, e a permanência neste primeiro grau dificilmente poderá ser taxada de excessiva, por maiores que sejam nossos desejos de progresso e os esforços que façamos nesse sentido. Compreender efetivamente o significado dos símbolos e cerimônias que constituem a fórmula iniciática deste grau, procurando a sua prática todos os dias da vida, é muito melhor que sair prematuramente dele, ou desprezá-lo sem tê-lo compreendido. 

A condição e o estado de Aprendiz referem-se, de forma precisa, à nossa capacidade de apreender; somos aprendizes enquanto nos tornamos receptivos, abrindo-nos interiormente e colocando todo o esforço necessário para aproveitarmos construtivamente todas as experiências da vida e os ensinamentos que de algum modo recebemos. Nossa mente aberta, e a intensidade do desejo de progredir determina esta capacidade. 

Estas qualidades caracterizam o Aprendiz e o distinguem do profano, seja dentro ou fora da Ordem. No profano, prevalecem a inércia e a passividade, e, se existe um desejo de progresso, uma aspiração superior, encontram-se como que sepultados ou sufocados pela materialidade da vida, que converte os homens em escravos completos de seus vícios, de suas necessidades e de suas paixões. 

O que torna patente o estado de aprendiz, é exatamente o despertar do potencial latente que se encontra em cada ser e nele produz um veemente desejo de progredir, caminhar para frente, superando todos os obstáculos e limitações, tirando proveito de todas as experiências e ensinamentos que encontra em seus passos. Este estado de consciência é a primeira condição para que seja possível tornar-se maçom no sentido verdadeiro da palavra. 

Toda a vida é para o ser ativo, inteligente e zeloso, uma aprendizagem incessante; tudo o que encontramos em nosso caminho pode e deve ser um proveitoso material de construção para o edifício simbólico de nosso progresso, o Templo que assim erigimos, cada hora, cada dia e cada instante à G∴D∴G∴A∴D∴U∴ isto é, do Princípio Construtivo e Evolutivo em nós mesmos. Tudo é bom no fundo, tudo pode e deve ser utilizado construtivamente para o Bem, apesar de que possa ter-se apresentado sob a forma de uma experiência desagradável, de uma contrariedade imprevista, de uma dificuldade, de um obstáculo, de uma desgraça ou de uma inimizade. 

Eis aqui o programa que o Aprendiz deve esforçar-se em realizar na vida diária. Somente mediante este trabalho, inteligente, zeloso e perseverante, pode converter-se num verdadeiro obreiro da Inteligência Construtora e companheiro de todos os que estão animados por este mesmo programa, por esta mesma finalidade interior. 

O esforço individual é condição necessária para este progresso. O Aprendiz não deve contentar-se em receber passivamente as ideias, conceitos e teorias vindas do exterior, e simplesmente assimilá-las, mas trabalhar com estes materiais, e assim aprender a pensar por si mesmo, pois o que caracteriza a nossa Instituição é a mais perfeita compreensão e realização harmônica de dois princípios de Liberdade e Autoridade, que se encontram amiúde em tão franca oposição no mundo profano. Cada um deve aprender a progredir por meio de sua própria experiência e por seus próprios esforços, ainda que aproveitando segundo seu discernimento e experiência daqueles que procederam nesse mesmo caminho. 

A Autoridade dos Mestres é, simplesmente, Guia, Luz e Apoio para o Aprendiz, enquanto não aprender a caminhar por si mesmo, mas seu progresso será sempre proporcional a seus próprios esforços. Assim é que esta Autoridade – a única que é reconhecida pela Maçonaria – nunca será o resultado de uma imposição ou coação, mas o implícito reconhecimento interior de uma superioridade espiritual, ou melhor, dizendo, de um maior avanço na mesma senda que todos indistintamente percorremos. Aquela Autoridade natural que somente conseguimos conhecendo a Verdade e praticando a Virtude. 

O Aprendiz que realizar esta sublime Finalidade da Ordem reconhecerá que em suas possibilidades há muito mais do que fora previsto quando, inicialmente, pediu sua filiação e foi recebido como irmão. 

O impulso que o moveu desde então, foi sem dúvida, radicalmente mais profundo que as razões conscientes determinantes. Naquele momento, atuava nele uma Vontade mais elevada que a da sua personalidade comum, sua própria vontade individual, que é a Vontade do Divino em nós. Seja ele, pois, consciente desta Razão Oculta e profunda que motivou sua afiliação a uma Ordem Augusta e Sagrada por suas origens, por sua natureza e por suas finalidades. 

A todos nós, Aprendizes, Companheiros e Mestres, é dado o privilégio e a oportunidade de cooperar para o renascimento iniciático da Maçonaria, para o qual estão maduros os tempos e os homens. Façamo-lo com aquele entusiasmo e fervor que, tendo superado as provas simbólicas, não se deixa vencer pelas correntes contrárias do mundo profano, nem arrastar pelo ímpeto das paixões, nem desanimar pela frieza exterior, e que chegando a tal estado de firmeza, amadurecerá e dará ótimos frutos. 

Mas, antes de tudo, aprendamos. Aprendamos o que é a Ordem em sua essência, quais foram suas verdadeiras origens; o significado da Iniciação Simbólica pela qual fomos recebidos; a Filosofia Iniciática da qual provêm os elementos, o estudo dos primeiros Princípios e dos símbolos que os representam; a tríplice natureza e valor do Templo alegórico de nossos trabalhos e a sua qualidade; a palavra dada para uso e que constitui o Ministério Supremo e Central. Receberemos assim o salário merecido como resultado de nossos esforços e tornar-nos-emos obreiros aptos e perfeitamente capacitados para o trabalho que de nós será exigido.

Um T∴F∴A∴ a todos.

Autor: Marcello Senise 

Fonte: JBNews – Informativo nº 0096

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Ser Mestre Maçom é…

… mais do que uma chegada, uma nova partida; não um objetivo atingido mas um projeto sempre em execução. A Exaltação à Mestria possibilita que o Obreiro atento o entenda desde logo.

Simplesmente, enquanto até aí o maçom teve guias e apontadores de caminhos, quando a Loja concede a ele a sua “carta” de Mestre, este sente-se um pouco como aquele que, após as suas lições e o seu exame de condutor, recebe a sua carta de condução: está habilitado a conduzir (a conduzir-se…) mas… inevitavelmente que sente alguma ansiedade por estar por sua conta e risco, sem rede que ampare suas quedas em possíveis erros.

Assim, apesar de serem as mais visíveis manifestações da mudança de estado conferida pela Exaltação à Mestria, não são o seu direito à palavra e o seu direito ao voto que são importantes. Importante é a sua total capacidade de exercer o seu verdadeiro e pleno direito ao seu caminho. O direito a trilhar o seu caminho por si, só, se assim escolher ou assim tiver que ser, ou acompanhado por quem quiser que o acompanhe e que o queira acompanhar, se assim for de vontade dos interessados, pelo tempo que quiser, por onde quiser, como quiser, para o que quiser.

O direito ao seu caminho enquanto cidadão já o tinha desde que atingiu a idade adulta e como adulto foi pela lei do Estado considerado. O direito ao seu caminho enquanto maçom, ou seja, o caminho do aperfeiçoamento, da busca da excelência, da proximidade tão próxima quanto humanamente possível for, da Perfeição, a ser trilhado por si só, como quiser, quando quiser, pela forma que quiser, adquire-o o Maçom com a sua Exaltação à Mestria, após o tempo de preparação que necessário foi para que não seja em vão que esse direito lhe seja conferido, para que efetivamente o exerça. Porque é um direito que o Mestre Maçom deve exercer como um dever, com a diligência do cumprimento de uma obrigação.

Ser Mestre Maçom é, assim, essencialmente cumprir o dever de exercer o seu direito de escolher e percorrer o seu caminho para a excelência.

Para quem andou longo tempo a ser guiado, não é fácil ver-se, de um momento para o outro, responsável pelo seu caminho, sem ajuda, sem orientação, sem rede.

Responsável, porque livre, porque pronto, porque assim é o destino do homem que busca o brilho da Luz, da sua Luz. Mas, após uma pausa para ganhar orientação e pesar as suas escolhas, todos os Mestres Maçons seguem o seu caminho – porque para isso foram preparados, por isso são Maçons, com isso são verdadeiramente Mestres.

O caminho que cada Mestre Maçom decide escolher tem em conta a primacial pergunta que faz a si mesmo: Que fazer, como fazer, para ser melhor? A essa pergunta cada Mestre Maçom vai obtendo a sua resposta, pessoal, íntima, tão diferente das respostas de outros quanto diferente dos demais ele é. E é na execução da resposta que vai obtendo, no traçar do trabalho que essa resposta propõe, que o Mestre Maçom constrói, porque construtor é, o seu percurso. E a cada estação conquistada, novamente a mesma pergunta de sempre se lhe coloca: que fazer, como fazer agora para ser de novo melhor? E nova resposta e novo percurso e nova paragem, com nova e sempre a mesma pergunta, com outra resposta e outro percurso, incessantemente se apresentam.

Mas o Mestre Maçom não sabe apenas buscar a resposta à sua pergunta. Sabe também que, embora cada um trilhe o seu solitário caminho, os caminhos dos maçons têm muito de comum e sobretudo são postos por eles muito em comum.

O Mestre Maçom sabe assim que o que adquire, o que ganha, o que aprende, o que consegue, não é para ser avaramente fruído apenas por si, antes é para ser posto em comum com a Loja, pois também é do comum da Loja que recolhe contributos, ajudas, meios, ferramentas, para melhor e mais frutuosamente obter respostas às suas perguntas.

Ser Mestre Maçom é, assim, sempre, dar o seu contributo à Loja, seja no que a Loja lhe pede e ele está em condições de dar, seja no que ele próprio considera poder tomar a iniciativa de proporcionar à Loja. Porque ser Mestre Maçom é também saber que, quanto mais der, mais receberá, que a sua parte contribui para o todo mas também aumenta em função do aumento desse todo e que, afinal, não é vão o dito de que “dar é receber”.

Ser Mestre Maçom é portanto saber que o seu percurso pessoal será mais bem e mais facilmente percorrido se o for com a Loja, pela Loja, a bem da Loja. Porque o bem da Loja se traduz em acrescido ganho para o maçom, que assim consegue realizar o paradoxo de ser um individualista gregário, porque integra e contribui para um grupo que é gregário porque preza e impulsiona a individualidade dos que o compõem.

Ser Mestre Maçom é descobrir que a melhor forma de aprender é ensinar e assim escrupulosamente executar o egoísmo de ensinar os mais novos, os que ainda estão a trilhar caminhos que já trilhou, dando-lhes o valor das suas lições e assim ganhando o valor acrescido do que aprende ensinando – e sempre o homem atento aprende mais um pouco de cada vez que ensina.

Ser Mestre Maçom é comparecer e trabalhar na Loja, mas sobretudo trabalhar muito mais fora da Loja. Porque o que se faz em Loja não passa de “serviços mínimos” que apenas permitem a sobrevivência da Loja e o nível mínimo de subsistência do maçom. O trabalho em Loja é apenas um princípio, uma partícula, uma gota, uma pequena parte do trabalho que o Mestre Maçom deve executar em cada um dos momentos da sua existência.

Ser Mestre Maçom é portanto mais do que aguardar que algo lhe seja pedido, antes tomar a iniciativa de fazer algo – não para ser reconhecido pela Loja, mas essencialmente por si, que é o que verdadeiramente interessa.

Ser Mestre Maçom não é necessariamente fazer grandes coisas, excelsos trabalhos, admiráveis construções. Mais válido e produtivo é o Mestre Maçom que dedica apenas cinco minutos do seu dia a fazer algo muito simples em prol da sua Loja, da Maçonaria, afinal de si próprio, desde que o faça efetivamente todos os dias, do que aqueloutro que uma vez na vida faz algo estentório, notado, em grande estilo, mas sem continuidade. Porque a vida não se esgota num momento, nem numa hora, nem num dia. A vida dura toda a vida e é para ser vivida todos os dias de toda a vida.

Ser Mestre Maçom não é necessariamente ser brilhante, mas é imprescindivelmente ser persistente E o Mestre Maçom que persistentemente realize dia a dia, pouco a pouco, o seu trabalho, pode porventura passar despercebido, não receber méritos nem medalhas nem honrarias, mas tem seguramente o maior mérito, a maior honra, a melhor medalha, o maior reconhecimento a que deve aspirar: o de ele próprio reconhecer que fez sempre o seu trabalho, deu o seu melhor, persistiu na sua tarefa e, de cada vez que olhou para si próprio, viu-se um pouco, um poucochinho que seja, melhor do que se vira da vez anterior. E assim sabe que, pouco a pouco, no íntimo do seu íntimo, sem necessidade que outros o honrem por tal, ganhou um pouco mais de brilho, está um passo mais próximo do seu objetivo, continua frutuosamente percorrendo o seu caminho para o que sabe ser inatingível e, no entanto, persiste em procurar estar tão próximo de atingir quanto possível: a Perfeição!

Em suma, ser Mestre Maçom define-se com o auxílio de uma frase que li há algum tempo e que foi dita por alguém que creio até que nem sequer foi maçom, Manuel António Pina, jornalista, escritor, poeta, laureado com o Prémio Camões em 2011, falecido em 19 de outubro de 2012: o Mestre Maçom é aquele que aprendeu e que pratica que o mínimo que nos é exigível é o máximo que podemos fazer.

Autor: Rui Bandeira

Fonte: A Partir da Pedra

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Balaústre de um Aprendiz – Ser Maçom dói

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Ao sexto dia do mês de fevereiro de 2020 da era vulgar, a exatamente 22 horas e 23 minutos, sentado ao norte da mesa numa sala de estar, para não perder o costume, depois de um dia entediado de serviço, tomo coragem para “cutucar” a ferida e traduzir a dor nestas linhas que passo a decifrar.

Quão bom seria se pudéssemos fazer e viver aquilo que projetamos para com nós mesmos; poder tomar nossas próprias decisões; realizar nossas vontades; tomar liberdade de todas minhas escolhas… Dizem que se a vida fosse fácil não teriase graça.

Você pode ter as melhores instruções do mundo e seguir uma vida tranquila, mas você só conhecerá a sua força e a sua sabedoria quando fores submetido a dor, ao sofrimento.

A dor é uma mestra cruel. Ela cega, revolta, magoa, fere no mais íntimo de teu espírito, mas se conseguires vencer a sua escuridão, resplandecerá em nós a luz de uma pessoa vitoriosa.

Mas, será que estou fazendo por onde merecer vencer essa dor? Será que estou mesmo me desbastando o tanto que deveria? Será que estou me dedicando às minhas obrigações e responsabilidades para ao menos dizer que estou sendo um bom Maçom? Ou melhor, um bom Aprendiz Maçom?

Neste momento, aprofundo os meus sentimentos e tento expressar nestes parágrafos tudo aquilo que se passa na cabeça de um Aprendiz Maçom que, depois que se foi feita a Luz, não imaginava que a árdua caminhada ainda estava por acontecer. “O profano encontrou a luz, mas não encontrou a si mesmo”… um paradigma a ser resolvido. É aqui , neste ponto alto, que descubro uma grande verdade: “ser Maçom dói!”

E como dói meus Irmãos.

Ser Maçom dói quando nos deparamos com atos desleais, gente prejudicando gente, atos imundos e, mais triste ainda, ver pessoas se achando superiores a tudo e a todos.

Ser Maçom dói quando escutamos por ai barbaridades e palavras sem fundamento sobre quem somos e o que fazemos.

Ser Maçom dói quando você está na escuridão, na solidão, à distância e sem aquele “Bom dia!”, “Como você está?, “Tudo Justo?”. Você se sente o Irmão mais incapaz do universo. Mas, espere aí! Eu tenho feito isso? Você tem dado a devida atenção ao seu Irmão… Veja! Me peguei em mais uma falha.

Ser Maçom dói quando lhe falta recursos para fortalecer o tronco da solidariedade, mesmo sabendo que quando tiver saberei como contribuir.

Ser Maçom dói quando vemos um Irmão partir, seja de volta ao mundo profano ou, mais triste ainda, para o Oriente Eterno.

Ser Maçom dói quando, por motivos profissionais, mesmo que tentando correr contra o relógio para não perder o “privilégio” de estar entre valorosos Irmãos, não conseguir se fazer presente. A justificativa não tem justificativa. O ato de lá estar é complemento para curar todas as dores do mundo exterior.

Crescer como Maçom dói. O crescimento dói, não é verdade?

Quem aqui nunca sofreu um dia? Noites em claro; vida complicada na cidade grande; distância das pessoas que ama; humilhação; uma enfermidade; problemas pessoais ; familiares; crise financeira; perdeu um carro; uma empresa; sabe lá o que se foi, mas tenho certeza que te doeu.

Sim, a dor existe no mundo quando afirmo que ser Maçom dói. O que posso fazer com essa dor? Antes de mais nada, vejamos uma preposição negativa: Não é possível negá-la, é possível suportá-la e seguir adiante. Negar o sentimento de dor seria inútil. Então, através deste meu “balaústre” se assim posso chamar, procurei compreender minhas dores e melhor me preparar para lidar com elas.

Dói, mas a dor é necessária meus Irmãos. O processo de crescimento que existe dentro de cada um de nós é algo invisível, mas sensível. Eu estou me desbastando todos os dias, deixando para traz estilhaços de minha pedra bruta, como se fossem gotas de sangue derramadas e a ferida cicatrizada. Mas uma coisa foi válida e está sendo válida: estou crescendo na dor.

“Ser maçom doí!”, não vou esquecer disso nunca em toda minha vida, e quero convidar meus Irmãos para refletirem sobre as dores que passaram para terem chegado até onde estão.

O sábio não rejeita a dor, ele a recebe de braços abertos, mas sempre atento, precavido e preparado. Aquilo que não me mata, me torna mais forte…

Em vez de carregar minha dor como fardo, será que posso utilizá-la como ferramenta? Sim, por isso me foi dado um maço e um cinzel, a minha superação será um momento grandioso.

Ser Maçom dói. Crescer doí. Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer com os toques suaves na alma.

Autor: Tiago Mateus dos Santos Vieira
ARLS Deus, Pátria e Família, 154 – GLMMG – Oriente de Corinto

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Referências

Razão Inadequada – Revista Digital

Recantodasletras.com.br/ ( O maço e o cinzelSimbolos Maçônicos)

Pensador.com (O que não me mata, me torna mais forte. Friedrich Nietzsche)

Revista Crescer Globo – artigo (o que é a dor do crescimento)

Uma curta análise sobre a maçonaria do ponto de vista de um Companheiro maçom

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Ao ser iniciado em uma Loja Maçônica Regular, um aprendiz, naturalmente busca na simbologia dos ritos, rituais, regulamentos e Landmarks, elementos que possam lhe servir de base para sua caminhada. Não obstante, o aprendiz inicia sua trajetória na ordem completamente desnudo de conhecimento maçônico. As poucas informações que possui, são abstratas e por vezes, contraditórias, não dando ao mesmo, a real percepção do que está acontecendo em seu entorno e do que encontrará em sua caminhada na maçonaria. “Sui generis”, o processo de iniciação maçônica, independente do Rito ou Potência, possui protocolos que não permitem revelar ao pretenso candidato o que se passa na Ordem.

A ausência de conhecimento, a desorientação no tempo/espaço e o encantamento inicial por fazer parte da irmandade provocam no aprendiz, sobretudo, em suas primeiras reuniões, uma série de percepções que ouso denominar de “conflitos contraditórios”. Em suma, o aprendiz é tomado por um misto de euforia e receio. Euforia por desvendar os augustos mistérios da ordem e receio de agir como um tolo e ser reprochado por um irmão mestre.

Esse paradoxo de pensamento quase sempre tem como consequência direta a maximização de um comportamento introvertido por parte do aprendiz, principalmente, quando há no quadro da Loja, Irmãos Mestres que agem como verdadeiros bastiões da velha maçonaria, sempre ávidos a repreender, sem antes esclarecer. Esses irmãos, pouco ou quase nada oferecem em termos de conhecimento maçônico aos aprendizes/companheiros, porém, estão sempre dispostos a se levantarem tão somente para apontar falhas e erros cometidos por um aprendiz/companheiro, situação que nada contribui para o amadurecimento/crescimento destes na ordem, apenas causa constrangimento e quebra de harmonia.

O aprendiz, precisa ser acolhido, guiado e incentivado durante sua caminhada. Os primeiros meses na ordem são essenciais nesse processo de lapidação e conhecimento mútuo. A transformação da “pedra bruta em diamante”, deve ser entendida como um PROCESSO, e, portanto, deve ocorrer de forma lenta, gradual e contínua. Nesse contexto o padrinho deve de fato assumir a responsabilidade de conduzir seu afilhado pelas entranhas da maçonaria. E de forma honesta, respaldar a continuidade deste na ordem ou dissuadi-lo de sua caminhada se comprovar o equívoco de sua indicação. Refutar essa responsabilidade seria o mesmo que não assumir e/ou reafirmar seu compromisso com a ordem.

O grau de aprendiz maçom, constitui-se em um estágio probatório. Onde o candidato deve ser avaliado pela suas qualidades e defeitos durante determinado período, tendo como resultado final a promoção ou a dispensa. Essa analogia exemplifica bem o que deveria ocorrer no grau de aprendiz maçom. Durante esse estágio deve-se buscar conhecer principalmente a natureza e a essência do indivíduo, pois, se este apresentar uma natureza insolvente, provavelmente não está apto a fazer parte da irmandade. Não se pode transformar a pedra bruta em diamante sem antes conhecer sua natureza, basta lembrar que nem toda pedra após seu processo de lapidação reluzirá como um diamante.

É indubitável dizer que tal propósito deveria acorrer no processo de sindicância do candidato, mas percebe-se que algumas sindicâncias não são feitas com o rigor necessário. Ao passar pelo filtro da investigação o aspirante a aprendiz está apto a fazer parte da maçonaria. Em tese, iniciado, este passa a carregar o nome e o prestígio de seu padrinho na ordem. E por igual interesse o padrinho passa a tutelar seu afilhado junto a seus iguais, onde se compromete moralmente com toda a família maçônica de que o indicado e agora aprendiz reúne as condições mínimas para integrar a irmandade.

Não há necessidade de uma relação paternalista, o padrinho deve agir como mentor de seu afilhado, orientando-o quando necessário, e, sobretudo, cobrando-lhes retidão em suas ações, dentro e fora da maçonaria. É importante que nessa relação haja reciprocidade. Quando há sinergia o caminho torna-se menos laborioso.

Quanto ao tempo de interstício para elevação, cabe ressaltar a importância do cumprimento integral desse período, pois, é nesse momento que ocorre a verdadeira metamorfose. A passagem do profano para o maçom. Em outras palavras, é tempo de descobertas e frustrações. O senso comum aos poucos vai cedendo lugar ao conhecimento retilíneo da Arte Real. Os mitos vão perdendo espaço para a simbologia e o aprendiz gradualmente vai encontrando seu lugar dentro da ordem. Salvo as exceções o não cumprimento do interstício pode queimar etapas no processo de maturação do aprendiz maçom, trazendo possíveis consequência futuras e indesejáveis para a Ordem.

No universo de um aprendiz maçom, quase tudo é novidade, os erros e acertos destes, devem ser sempre precedidos de uma boa dose de paciência. Pré-julgamentos, críticas exacerbadas ou elogios fáceis devem ser evitados. Ressalta-se que o aprendiz está apenas iniciando seu estágio de evolução, portanto, não encontra-se ainda pronto para a ordem.

Sua caminha depende de vários fatores e elementos externos. Atrasos e retrocessos são comuns nessa trajetória, principalmente quando se convive com irmãos de “luzes adormecidas”, que se incomodam com o fulgor de um irmão recém-nascido. É o ego maçom tentando se sobrepor através tão somente da insígnia de Mestre, frente um Aprendiz desnudo de conhecimento, mas de brilho próprio.

Ao se discutir o interstício e consequentemente o aumento de salário, chegamos a um ponto chave na maçonaria e que pouco se problematiza sobre ele. A diferença entre está preparado e ser merecedor do aumento de salário.

Está preparado e ser merecedor são dois elementos que deveriam ser levados em consideração nos processos de elevação/exaltação. Entende-se que não seja uma tarefa simples a distinção entre as duas situações, pois, trata-se de uma linha tênue que necessita de coerência, sensibilidade e, sobretudo, senso de justiça de quem concederá o aumento de salário.

A diferença substancial entre estar preparado e ser merecedor do aumento de salário, deveria concentrar-se na capacidade intrínseca do indivíduo de sentir a maçonaria e estabelecer no campo metafísico uma relação de reciprocidade. Não há fórmulas prontas ou sistemas que possibilitem datar o momento exato dessa simbiose, pois, a mesma está erigida numa variante instável do tempo/espaço de cada indivíduo. Ou seja, o tempo/espaço/intensidade, são variáveis que depende de cada sujeito e de seu envolvimento com a Ordem.

Ao analisar a situação é possível concluir que muitos irmãos maçons nunca alcançaram de fato esse êxtase de interação e envolvimento mútuo com a ordem maçônica. Quando a maçonaria é capaz de tocar seu interior, fica evidente a “tesão do indivíduo pelo trato da coisa”. A interação e as relações ganham contornos prazerosos, onde, vivenciar a maçonaria deixa de ser demagogia e passa realmente a fazer parte do dia a dia do indivíduo. Do contrário as relações são frias, protocolares e de “status quo”.

É interessante ressalvar que estar preparado é tão importante quanto ser merecedor, pois, o conhecimento é o ponto de partida para o crescimento dentro da ordem. A crítica que faço refere-se ao fato de alguns aprendizes/companheiros não respeitarem o momento certo de seguir a caminhada, tão somente pelo bel prazer de trocar de avental e ascender no círculo de influência de sua Loja. Galgar graus pressupõe o direito de um dia se sentar no Trono de Salomão. Por isso falo da importância de ser merecedor antes mesmo de estar preparado. O tempo, não pode ser considerado a única escala de medida nos processos de elevação/exaltação. Fissuras nos interstícios causam erros grotescos de avaliação.

Ao discutir as relações de subserviência na maçonaria, deparamos com um anacronismo velado. Há uma interpretação equivocada por parte de alguns maçons sobre o tema. A subserviência de um maçom, independente do grau ou potência, deve ser a maçonaria universal e suas leis e não ao maçom de grau mais elevado. Do contrário, abre-se uma seara perigosa no convívio diário entre irmãos. A título de exemplo de interpretação equivocada da temática em tela, podemos citar inúmeras situações que geram desconforto e conflitos de interesses em uma Loja Regular. A principal delas refere-se ao servilismo a que o aprendiz/companheiro é submetido em alguns casos. Situação que dependendo do contexto pode evoluir para uma exploração do indivíduo no mundo profano.  Em sentido oposto, observa-se em alguns momentos uma bajulação do aprendiz/companheiro frente a um mestre maçom, com o pseudo objetivo de lograr algum êxito dentro da ordem ou ter uma melhor aceitação. Em ambos os casos uma subserviência desnecessária, incoerente e que fere os princípios libertários e de desenvolvimento filosófico e intelectual pregados pela Maçonaria Universal.

Em relação ao comportamento e condutas questionáveis de alguns Irmãos dentro da Ordem cabem-nos observar uma citação do irmão Kurt Max Hauser, publicada em um artigo na Revista O Prumo, nº 81, onde relata que

“…O pior inimigo da maçonaria é o que se encontra nas colunas de nossos Templos e que, por sua conduta para com a família ou na sociedade onde vive, provoca críticas justas sobre a Instituição a que não cansa de alardear que pertence. Isto pode ser certo também para as organizações e instituições sociais, pois, o gérmen que logrará nossa destruição é, desgraçadamente, produto de nossa própria generosidade. Não há de salvar-nos condescendências e tolerâncias criminosas. Todo organismo leva dentro de si o gérmen de sua própria destruição”.

Autor: Kleist Alan Tameirão

*Kleist é membro da ARLS Deus, Pátria e Família, nº154, situada no oriente de Corinto e jurisdicionada à GLMMG.

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Da Coluna do Sul, as impressões de um Companheiro Maçom

Le temple de Karnak à Louxor

Iniciado em março de 2017, estive na Coluna do Norte até fevereiro de 2019 quando para a Coluna do Sul fui elevado. Daqui posso observar minha antiga coluna, os meus Irmãos Aprendizes, que representam na Maçonaria as crianças do mundo profano. Uns mais ativos e atuantes, outros mais observadores; mas todos com potencial.

Ombreados comigo, meus gêmeos companheiros, somos na Maçonaria os adolescentes, e caminhamos para alcançarmos, no tempo do GADU, a maturidade maçônica. Como um adolescente do mundo profano, aqui na Coluna do Sul me deparo com muitas dúvidas e contradições. Não sou mais a criança da Coluna do Norte, e ainda não sou o adulto do Oriente.

Do alto da Coluna do Sul tenho uma visão melhor de toda a Loja, observo os Irmãos de uma maneira mais ampla, e de um ângulo diferente do que quando estava na Coluna do Norte. Assim posso ver que há, como nas famílias profanas, Irmãos diferentes uns dos outros. E sobre ter visão de ângulos diferentes ainda vou falar mais à frente.

Como um adolescente profano, um companheiro maçom é mais observador, é mais crítico e nesse processo de amadurecimento deve ser questionador, na acepção correta da palavra. Nessa miscelânea observo muito a mim mesmo. É importantíssimo praticar a autocrítica.

Que maçom eu sou? Como os outros Irmãos me enxergam? É importante ter um feedback, todo marinheiro sabe da importância de uma bússola para correção das velas e dos rumos durante a navegação até um porto seguro.

Tenho plena consciência de que em algum momento de minha caminhada na DFP, fui um pouco de cada tipo de maçom: tenho consciência que fui em determinados momentos o Irmão Cigarra, aquele que canta bonito, faz lindos discursos, faz muito barulho, mas trabalha muito pouco; eu fui o Irmão Clima de São Paulo, instável e inconstante na Loja; eu fui o Irmão Quiabo, escorreguei dos serviços em Loja e fora dela; fui o Irmão Canoa, só segui em frente com outro Irmão remando por mim; fui o Irmão Trailler, precisei ser puxado em alguns momentos; fui o Irmão Girafa, estive com o corpo aqui na Loja e a cabeça lá fora; fui o Irmão Bolo, só apareci nas festas; e fui o Irmão Saraiva: a tolerância foi Zero!

Mas, felizmente meus Irmãos, em outros momentos de minha caminhada na DPF fui um pouco também dos Irmãos Espelhos, os exemplos que temos aqui, e que com as bençãos do GADU são muitos. Irmãos Livres e de bons costumes, estudiosos, constantes no trabalho e nas visitas; e sempre presentes de forma muito positiva na Loja e por isso muito respeitados por todos. Esses Irmãos Exemplos é que mantém a nossa Loja pujante! E eu fui em alguns momentos um pouco desses Irmãos também!

Assim, nessa miscelânea é que me enxergo! E os Irmãos? Como se classificariam na caminhada de cada um? Cigarras, Clima de SP, Quiabos, Traillers, Girafas, Bolos de Festas, Seus Saraivas, Exemplos? Será que concordam que somos, ou que fomos em algum momento, um pouco de todos Irmãos que citei acima?

Penso que somos únicos meus Irmãos, e que devemos sim seguir os bons exemplos, os espelhos, mas não devemos ter como objetivo querer ser cópia de ninguém! De minha parte, pretendo ser Eu, com meus defeitos e minhas qualidades, meus erros e meus acertos, e assim ir construindo a minha própria história aqui, e sempre, como diz um querido Irmão de nossa Loja e com grande sabedoria e simplicidade: “devemos ao menos tentar, a cada dia. ser um Maçom e uma pessoa melhor.”

Adaptando o conceito de um poeta contemporâneo: prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter uma velha, preconceituosa e atrasada opinião formada sobre tudo e sobre todos. Ninguém nunca deve se achar melhor que ninguém, porque ninguém o é! Assim, tenham a certeza que sempre serei Autêntico e não me furtarei nessa caminhada, a externar meus pensamentos, opiniões e posicionamentos, sempre de acordo com nossas Leis, e de maneira respeitosa, com a opinião dos demais Irmãos.

A Nossa Ordem, a nossa Instituição, é justa e perfeita! Nós os Maçons é que não somos, e precisamos ter essa consciência, pois só assim conseguiremos fazer progressos, aqui dentro da Maçonaria e fora dela como construtores sociais que devemos ser no mundo profano.

Não estamos aqui para ser julgados ou para julgar as ideias e pensamentos dos outros Irmãos. Devemos ser livres e de bons costumes, respeitando a liberdade de expressão de todos os Irmãos, inclusive os que tenham opiniões e posicionamentos diferentes dos nossos. Concordar com quem pensa o mesmo que Nós é muito fácil, o desafio é a tolerância ao contraditório. A Empatia é isso, é o ato de se colocar no lugar do outro, e esse o endereço mais difícil do mundo, mas quem descobre essa fórmula se aproxima muito da maturidade.

Exemplo o número 6 e o número 9. Dependendo do ponto de vista ou do ângulo que ele é observado, o mesmo pode ser 9 ou pode ser 6, e das duas formas, quem o observa está certo!

Pré-conceitos, intolerância, censura e radicalização de pensamentos e ações precisam ser banidos, e não fomentados em nossa Ordem e em nossa sociedade. Devemos ser Exemplos, não apenas nas palavras e na oratória, mas nas ações do nosso dia a dia, dentro da Loja e fora dela, em todos as situações de nossa vida profana e maçônica.

De minha parte, volto a frisar, sempre respeitando a nossa Constituição, nossa legislação e nossos Rituais, sempre que achar necessário e oportuno vou me posicionar, pois serei sempre um pouco de cada tipo de Irmão que citei no inicio do trabalho, mas jamais serei um Irmão Gado, ou um Irmão Jarrinho de Mesa, ficar aqui apenas enfeitando e fazendo número na Loja.

Finalizo assim esse trabalho meus Irmãos, conclamando Todos Nós a fazermos uma auto-crítica, e buscarmos lapidar de verdade, e não apenas da boca pra fora, a nossa pedra bruta.

Eu disse Lapidar a Pedra Bruta meus Irmãos, e não atirá-la na cabeça dos Irmãos que pensam ou tem opiniões diferentes das nossas. Vamos tentar praticar a EMPATIA.

Direto do topo da coluna do sul, essas são as impressões de um Irmão Companheiro, com ainda muito a aprender, e muito orgulhoso por fazer parte da Augusta e Respeitável Loja Simbólica Deus, Pátria e Família nº 154 . Um TFA!

Autor: Cristiano de Lima Aguiar
ARLS Deus, Pátria e Família, nº 154 – Oriente de Corinto/MG

O Irmão carente e o “mala”

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“Um pouco de perfume sempre fica nas mãos de quem oferece flores.” (Provérbio Chinês)

A presente reflexão não tem caráter técnico-científico, não aborda carência de posses, de valores morais, financeiros, como a recorrente e insolucionável falta de dinheiro, bem assim não pretende criticar ou ofender suscetibilidades, baseando-se, apenas e tão somente, em observações e registro de comentários, às vezes bem ou mal humorados, envolvendo a variante afetiva e outras necessidades de ordem material, mesmo inusitada.

Quanto à primeira carência, restringimo-nos àquelas caracterizadas pelos imperativos demonstrados por muitos de nós, em nosso reduto e nas relações com irmãos de oficina, envolvendo uma busca constante por atenção, aprovação e tudo mais que envolva certa dependência que inspire segurança, reconhecimento, consolo e aceitação.

Alguns esboços de demonstração de carecimento são hilários, atualmente proporcionados pelas mídias sociais, notadamente nos nossos grupos de WhatsApp, onde irmãos, para chamar atenção sobre si, não se cansam de postar vídeos, mensagens quilométricas repetidas à exaustão, às vezes sem o cuidado de conferir a veracidade e os registros anteriores e…. toma lá de novo. Foi! E…. foi outra vez! Da mesma forma, em vários grupos. Com o mesmo ardor enviam também como mensagens privadas, sem a mínima autocrítica ou desconfiança de estarem sendo inoportunos ou exagerados. Sem os mínimos cuidados, após uma notícia triste de um irmão, colocam uma piadinha de mau gosto. Isso sem falar nos engraçadinhos que se maravilham em provocar as pessoas.

Aqueles mais inveterados ou deslumbrados pelas tecnologias, movidos quiçá por inspiração etílica, conforme especulações de entendidos, escrevem qualquer patetice, algumas de forma quase criptografada, colocam nas redes sociais ou em grupos específicos, e ficam aguardando e/ou cobrando os “joinhas” ou aprovação ou comentários, como se aquilo fosse marcar ponto de referência inédito na Ordem, tipo antes e depois da minha abalizada opinião de Mestre, do meu post genial, sem observar o respeito e cuidado com a norma escrita e a paciência e disponibilidade de tempo dos destinatários. Para alguns o aplicativo funciona como um big brother ou uma ouvidoria da vida. Importante saber que o WhatsApp disponibiliza o recurso do “Responder em particular”, que alivia o estresse sobre os demais. E por aí, vai. Mas divagamos.

Como a maçonaria é uma família, onde os obreiros tratam-se como irmãos e estão comprometidos em prestar apoio, não são raros os casos que requerem olhar mais afetuoso, ouvido mais paciente e ombro amigo, por uma série de motivos, sejam problemas de saúde, frente a constantes relatos de doenças e sofrimento envolvidos, perdas de entes queridos, conflitos familiares e nos relacionamentos com outros irmãos da Loja, e demandas de ordem geral, cujas experiências sempre trazem ensinos para nossas vidas.

Até aqui, fraternalmente, tudo está amparado pelos fundamentos da Ordem, que se apresenta como uma associação que pugna pela mútua assistência, pela igualdade, pelos laços de recíproca estima, amizade, confiança e prática das virtudes, cabendo a cada um dar um pouco de si, conforme as próprias limitações e boa vontade. Mas, o que chama sempre a atenção são os excessos de demandas, que normalmente recaem sobre aqueles mais receptivos e carinhosos no trato cotidiano, que poderia ser atenuada se prestássemos um pouco mais de atenção ao nosso redor e fôssemos mais condescendentes e prestativos.

E não se pode imaginar que essa realidade seja restrita àqueles mais abertos e que procuram ajuda. Há casos de irmãos mais travados, ausentes das trocas de mensagens, que se fecham em copas e, não fora certa sensibilidade para os sinais emitidos, consequências mais gravosas podem surpreender. Por isso, em momentos de maior vulnerabilidade, como nos afastamentos do convívio em Loja, a ajuda pode ser expressa com um simples telefonema, ou mesmo uma visita, levando o tradicional e tão festejado fraternal abraço, descartadas, neste contexto, os contatos apenas virtuais, muito mais fáceis, mas que não colhem resultados mais sensíveis e reveladores.

Testemunhamos, em várias oportunidades, irmãos que se levantam emocionados em Loja para agradecer o apoio recebido dos demais por ocasião de uma enfermidade, com relatos de surpresas de parentes e amigos que se manifestaram encantados pela forma como concretamente a fraternidade se expressou nos seus momentos de maiores dificuldades.

Há, ainda, os casos de carências emergenciais em que irmãos, os quais não conhecemos pessoalmente, se socorrem dos meios de intercâmbio de mensagens via e-mail, como o Grupo MMAALLAA (abreviatura de “Maçons Antigos Livres e Aceitos), moderado pelo valoroso e abnegado irmão José Airton Carvalho (GLMMG).

Referido Grupo conta com mais de 2.700 participantes de Minas Gerais e está integrado a mais de 70.000 maçons, espalhados pelo Brasil e América Latina, por intermédio de vários grupos maçônicos, e que não apenas se restringe à divulgação da cultura maçônica, como do Blog “O Ponto Dentro do Círculo”, coordenado pelo dinâmico irmão Luiz Marcelo Viegas, de repercussão internacional, mas presta serviços de utilidade pública, assistência social, orientação aos irmãos em trânsito pelo País e divulgação de oportunidade de empregos à família maçônica e a todo irmão que carecer de algum tipo de orientação.

Nos relatos de socorro concernentes ao MMAALLAA, por vezes incompreendido e criticado por quem ainda não careceu de auxilio, registram-se situações de apoios prestados em regiões mais longínquas, pelas Lojas da jurisdição, onde irmãos em viagens a trabalho ou com a família deparam-se com acidentes, demandas por atendimento médico ou direcionamento para uma emergência qualquer, até casos envolvendo o desaparecimento de um familiar, bastando apenas a transmissão de uma mensagem com o relato da situação, para que uma solução seja encaminhada. A restrição é que no Grupo não são permitidas discussões de assuntos jocosos, piadas de baixo calão, sincretismo, sectarismo ou proselitismos. Os desatentos recebem um cartão amarelo. Os reincidentes são discretamente banidos. Fácil de entender!

Para que esse instrumento não de desgaste, precisamos ficar atentos quando ao conteúdo e direcionamento das providências. A situação mais combatida por vários usuários, motivo de reclamações constantes, é no sentido de que, uma vez encontrada uma forma de solucionamento, os entendimentos se façam de forma privativa, sem entulhar as caixas de entrada dos e-mails com conversas que não mais interessam aos demais participantes do Grupo MMAALLAA, evitando-se, assim os indesejáveis pedidos de exclusão, tipo “me tire disso aí” ou “essas mensagens estão atrapalhando minha concentração no trabalho”, “não aguento mais”, dentre outras formas menos acolhedoras. Os mais antenados e incomodados, quando percebem que a condição é de “mala-sem-alça”, sabem que a forma de se excluir automaticamente é simples, dispensando-se chiliques ou tremeliques, e permanece fixada no final de todas as mensagens. Basta prestar atenção: ler.

Por isso, na convivência com os nossos irmãos, de forma extensiva aos nossos lares, é importante que reconheçamos, de uma forma ou de outra, que todos temos nossas insuficiências, eventuais demandas, incômodos, prioridades e motivos de discordâncias, mesmo que nos recusemos a aceitar essas possíveis “fraquezas”, aplicando-se o dever de vigilância permanente para a qualidade de nossas vidas afetivas no âmbito de nossas Lojas, para que não tomemos atitudes das quais possamos nos arrepender mais tarde. Da mesma forma, como família maçônica, não podemos deixar de refletir e inspirar-nos nos tão decantados sentimentos de amor fraternal, fundamentados sobre a virtude da solidariedade que tanto valorizamos.

“Somos todos carentes fingindo o contrário!” (anônimo!)

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da Academia Mineira Maçônica de Letras, e para nossa alegria, também um colaborador do blog.

Estamos satisfeitos?

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Dentre as atribuições do Primeiro Vigilante, consideramos a mais importante a de pagar os obreiros e despedi-los sob a certeza de que estão satisfeitos com o pagamento recebido. E desde os primeiros passos, ao obreiro é ensinado que para receber precisa trabalhar e, com dedicação e estudo, poderá inclusive solicitar um aumento de salário.

Sabemos que salário é a contraprestação recebida pelo trabalhador em razão do cumprimento de uma atividade ou desenvolvimento de um trabalho a ele determinado. A origem da palavra tem a ver com o “Sal”, que nos primórdios era utilizado para a preservação de alimentos, mas, como em uma oficina maçônica tudo é simbólico, esse salário não é diferente. Um exemplo disso é que muitas vezes, embora tenham recebido seus salários, muitos obreiros não desenvolveram efetivamente um trabalho, mas, ainda assim, foram pagos.

A maçonaria tem por objetivo primordial o aperfeiçoamento individual, e nos ensina a aplicar os conhecimentos adquiridos e fazermos a diferença através do exemplo, cortando na própria carne ou, diríamos maçonicamente, desbastando a pedra bruta. Também é de conhecimento geral que a Ordem nos orienta a evitar, de toda maneira possível, virarmos o maço e o cinzel em direção a um dos nossos irmãos. Antes, porém, devemos auxiliá-lo, como um bom Mestre que orienta seu discípulo, e não fazer o trabalho por ele.

Dessa forma, algumas perguntas sobre Salário surgem e merecem respostas, ou melhor, uma reflexão. Embora seja o primeiro vigilante o “pagador”, não há menção a quem determina quanto cada um receberá e há noticias apenas sobre o aumento, mas não temos como saber qual fator de reajuste deverá ser aplicado.

Já abordamos que o Salário é apenas simbólico, mas será que isso procede? Para que consigamos chegar a essa conclusão é preciso definir quem é o responsável por estabelecer esse salário, e a resposta é simples e curta: o próprio obreiro.

Certa feita ouvimos, durante os trabalhos, um irmão dizendo, dentre outras coisas “A maçonaria tem espaço para todo mundo”. É bem verdade que, naquele momento, ele se referia ao interesse por uma seara ou outra da Ordem, isto é, alguns se interessam e se aprofundam nos ensinamentos dos graus simbólicos, outros pelos graus superiores também chamados Filosóficos, a maioria pelo Rito Escocês Antigo e Aceito e, ainda, outros pelo Rito de York, mas naquele momento o ilustre irmão, com poucas palavras, abriu nossos olhos para uma nova perspectiva, levando-nos, então, a rever alguns conceitos.

Com frequência, temos ouvido de um valoroso, digno, respeitável e “sapientíssimo” irmão que a Maçonaria “tem muito pavão”, “que precisamos combater a vaidade”, “a vaidade está acabando com a Ordem”. Curiosamente, nosso guru e guia Salomão, filho de Davi, instruiu: “Tudo é vaidade” (Eclesiastes 1:2). Não é segredo que a vaidade é inerente ao ser humano, todos gostamos de ter o trabalho reconhecido e merecemos receber o crédito por ele, afinal, pensando bem, é o nosso devido Salário.

Sim, há entre nós aqueles que definiram como salário maçônico, quase que exclusivamente, o reconhecimento por cada e qualquer ato realizado. Por isso, fazem questão de ostentar na lapela toda honraria, botton ou insígnia que recebem, bem como exibi-las de todas as maneiras possíveis e isso, para contrariar os mais exigentes, não é pecado, delito maçônico e nem prejudica ou desonera o salário de qualquer outro obreiro.

Podemos listar como salários estabelecidos por nossos irmãos o valor em espécie, pois alguns dos irmãos passando por problemas financeiros, solicitam isenção à Loja, mas também não prestam serviço, se furtando inclusive da presença, de maneira que recebem salário sem trabalhar. Outros têm como salário a congregação dos irmãos, consideram que a simples reunião em Loja já é o suficiente. Ainda outros necessitam de um trabalho elaborado de aprofundamento em estudos maçônicos, ou de assuntos relevantes e atuais. Em algumas situações, aqueles passando por problemas emocionais recebem seu salário apenas por terem a oportunidade de se abrirem em Loja, sabedores de que nada será revelado e que seus segredos serão guardados. Inúmeros outros exemplos poderiam ser aqui citados, mas entendemos que nosso objetivo já foi cumprido com os acima elencados.

Definido quem estabelece o salário, queremos saber quem paga. De acordo com os regulamentos, o Primeiro Vigilante é o responsável, mas na prática o salário dos obreiros é pago não por uma pessoa especificamente, mas por toda a oficina e será pago devidamente se cada uma das Luzes, Dignidades e Oficiais cumprirem com sua obrigação. Cabem, portanto, ao Hospitaleiro, verificar as dificuldades dos obreiros; ao Chanceler, conferir a frequência e comunicar ausências; ao Tesoureiro, dar ciência da situação financeira do obreiro; aos Mestres, os ensinamentos; e, às Luzes, dar a atenção necessária aos obreiros, pois, afinal, foram eleitos e confiados para essa tarefa, ou seja, com a devida prestação do trabalho bem feito, pagamos-nos uns aos outros.

Uma das nossas tarefas em Loja é atentar para pagar a cada um de acordo com o que ele deseja receber como salário, seja um mimo, um elogio, um desabafo, um abraço caloroso, uma prancha ou apenas uma pergunta retórica que o deixe pensativo.

Antes que os irmãos mais conservadores nos atirem pedras, sob a alegação de que não devemos incentivar a “vaidade”, convém relembrar a parábola dos trabalhadores da vinha, narrada em Mateus 20:1-16, donde extraímos que o empregador, após combinar o valor a ser pago a cada um dos trabalhadores, efetua o pagamento individualmente, mas é criticado, pois tendo pago a cada um conforme acordado, alguns sentiram-se injustiçados argumentando terem recebido o mesmo que outros que labutaram por menos tempo, são, de pronto, repreendidos pelo empregador com as seguintes palavras: “Amigo, não te faço injustiça, não ajustaste comigo um denário? Toma o que é teu e vai-te…”. O lapidar da pedra bruta perpassa por valorizar o nosso salário individual e não em criticar o salário exigido pelo irmão.

O aumento de salário se faz necessário quando o obreiro já não está mais satisfeito com aquilo que recebe e deseja receber além do que vinha recebendo, mas não nos enganemos, o aumento de salário pode ocorrer em qualquer momento e não apenas com a efetiva mudança de grau. A necessidade pode ser momentânea e se limitar àquela reunião, motivo pelo qual devemos ser e nos manter “Vigilantes”.

Antes de nos dirigirmos ao Templo, busquemos estabelecer o salário que desejamos receber, mas sejamos sinceros e, ao final de cada reunião, quando perguntados: “E os obreiros, estão satisfeitos?”, reflitamos se recebemos o salário que desejávamos e se, principalmente, ajudamos a pagar ao irmão o salário que ele desejava receber. Assim, ao final, possamos responder corretamente e em uníssono: “Estamos satisfeitos!”.

Autor: Leonardo Avelino Medeiros

*Leonardo  é Mestre Instalado da Loja Águia das Alterosas Nº 197 – GLMMG.

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Plenitude Maçônica

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O Maçom prega a tolerância, pratica a caridade sem distinção de raças, crenças ou opiniões e luta contra a hipocrisia e fanatismos (sabedoria maçônica)

A Cerimônia Magna de Exaltação se realiza quando o obreiro, após o privilégio de ser acolhido na Ordem, cumprir com denodo os trabalhos como Aprendiz e Companheiro, e mostrar-se um líder, faz jus ao reconhecimento do Grau de Mestre Maçom, considerado a conquista do ápice do simbolismo da Maçonaria, como o coroamento de um período de estágio.

Com a exaltação, o Mestre adquire a tão esperada Plenitude Maçônica, que enseja um forte significado e não se traduz em pavonear-se ao exibir a boniteza do seu novo avental. Implica ser, a partir de então, protagonista, proativo e estar sintonizado com todos os movimentos da Maçonaria Universal, fazendo-se respeitado e reconhecido como Mestre, na Ordem e na Sociedade. Deve assumir a responsabilidade pelos trabalhos da sua Oficina, com o direito de ser votado, ocupar cargos e estar inclusive comprometido a ajudar nos trabalhos em qualquer outra Loja regular nos Graus Simbólicos, quando solicitado, sempre com foco no aprimoramento.

Ao refletir sobre o simbolismo da sua caminhada, o Mestre precisa reconhecer que no Grau de Aprendiz Maçom (germinação – o grão que brota: estuda, pratica e observa) desenvolveu-se no aspecto material, trabalhou na Pedra Bruta e venceu a luta contra inimigos como as paixões, hipocrisias, fanatismos, ambições, abraçou o ideal da liberdade, praticou o socrático “conhece-te a ti mesmo”, e está apto a discernir entre o vício e a virtude e entre o erro e a verdade.

Já como Companheiro Maçom (crescimento – a planta que floresce: analisa e compara) laborou a Pedra Cúbica, tendo como aspiração a igualdade e os sentimentos de fraternidade. Na esfera intelectual, reavaliou e ponderou os conhecimentos adquiridos, duvidando e questionando paradigmas e fazendo novas descobertas ao aprofundar os conceitos sobre as capacidades do pensamento, da consciência, da inteligência, da vontade e do livre-arbítrio. Com uma visão mais ampla, preparou seu dinamismo cerebral e desenvolveu competências para interpretar os elementos fundamentais do simbolismo. Reconheceu a relevância do Grau de Companheiro, que não consiste em trampolim para o Mestrado, mas um indispensável e aprofundado estágio entre o autoconhecimento do Aprendiz Maçom e o espiritual que será objeto de aprimoramento no Grau seguinte.

Agora os horizontes se ampliam. Sobrepondo-se a si mesmo, o campo de atuação do Mestre é o espiritual (produção – a planta que frutifica: aplica o que observou na primeira etapa e analisou na segunda), com a missão de reunir o que está disperso, através da síntese para a conclusão da obra de construção social, de modo a tornar a fraternidade humana mais forte, e difundir a Luz do conhecimento, progresso e ciência, sobre as trevas da ignorância, por meio da educação, decifrando as realidades, consagrando-se à firmeza de caráter e à Moral que não transige com o dever.

Ao transpor a metamorfose dos três degraus iniciáticos, representando o homem que se esculpiu e mostrou-se apto para ser o Mestre de si mesmo, vem o imperativo de aprofundar estudos e pesquisas, com o compromisso de retribuir o que conquistou e de ser um facilitador para os novos Aprendizes e Companheiros, para que os mesmos se superem e, quando esses discípulos estiverem prontos, se tornem também Mestres, em “buscadores da verdade”, realimentando o círculo virtuoso, com o ensino e os conceitos sempre se renovando.

Dentro do simbolismo e alegorias maçônicas, claros para os verdadeiramente iniciados, a Acácia – a Obra, como o Mestre, jamais apodrece, pois é o símbolo de uma vida indestrutível, representando a sobrevivência de energias que a morte não pode destruir face o reconhecimento pelos esforços feitos em prol do desenvolvimento da Ordem. A alegoria da lenda do Construtor do Templo é um constante alerta, quando a Virtude e a Sabedoria são postas em perigo pela ignorância, pelo fanatismo e pela ambição. Cabem aos verdadeiros Maçons compreender a finalidade da Maçonaria e não usá-la como meio para escalada social ou busca de algum proveito material.

Assim, conquistar o Mestrado Maçônico, conhecer as ferramentas, receber as primeiras noções do Grau, as responsabilidades que o mesmo comporta, não se caracteriza o fim de um processo, pois ainda falta o principal, a vivência, o trilhar do caminho, o que ocorre à medida em que se fizer novos progressos. Para isso deve compreender o simbolismo do traçar e delinear os trabalhos de construção na Prancheta da Loja. O que se espera de um Mestre, portanto, é que absorva e vivencie conscientemente os desafios do grau e continue a ser assíduo, estudioso, participativo, fraterno, se fazendo necessário e compartilhando seus saberes, empenhando-se para o fortalecimento da Loja e da Maçonaria Universal.

No Grau de Mestre, o Espírito prevalece sobre a Matéria, ou seja, esta opera como um instrumento físico compatível com o mundo e serve àquele para sua jornada evolutiva. Com a compreensão desse sutil mistério é que o verdadeiro trabalho começa, pois o legítimo Maçom, um filósofo na sua essência, está sempre em busca do seu crescimento espiritual, da sua regeneração, da sua vitória sobre a vaidade e os vícios, visando incansavelmente ao bem de seus semelhantes, em prol de uma sociedade mais justa. Apesar da conquista do mestrado, esse obreiro qualificado precisa ter consciência de que continua a ser Pedra Bruta e a lapidação interna não termina neste estágio material do espírito, o que se verifica, apenas e tão somente, com o derradeiro e solitário ato de passagem ao Oriente eterno.

O Mestre é o artífice da Pedra Filosofal, o alquimista do eu interior, cujo segredo é desenvolver o poder que eleva no homem a capacidade de se transformar e realizar. Portanto, compreender a dimensão do Mestre é praticar a tolerância, o perdão, a partilha, o entendimento e o equilíbrio entre os ensinamentos da razão e os sentimentos do coração. O Mestre é a referência, o alicerce, semelhante à Pedra Angular base das construções antigas, sobre a qual se apoia a sociedade justa e perfeita, devendo, portanto, saber ouvir, mediar, aconselhar, inspirar, agir de forma colaborativa e servir de exemplo a ser seguido, empenhando-se em ajudar os outros irmãos na caminhada, tornando-se cada vez mais útil e indispensável.

Ao decifrar o enigma da existência e da morte, a condição de exaltado representa um recomeço, um renascimento em plano mais elevado, um novo ciclo. Muito mais há pela frente, desta feita impondo-se o comprometido com a busca permanente da Verdade, agora que detém as chaves para abrir novos portais de conhecimento. Entretanto, é importante ter em mente que o verdadeiro trabalho maçônico é fora da Loja e se dá na interação com o mundo que o cerca. As reuniões em Loja se constituem em um meditar constante, que permitem revigorar o ânimo, além da salutar troca experiências e informações necessários à consolidação de um arcabouço moral e intelectual. O perigo é deixar que a plenitude maçônica alcançada com o Grau de Mestre leve à acomodação, à falsa sensação de infalibilidade e segurança, à indiferença e apatia em relação aos trabalhos da Loja.

Infelizmente, para alguns, a caminhada cessa ou é praticamente interrompida quando se chega ao Grau de Mestre. Quando isso acontece, pode-se dizer que o suposto Mestre foi mal exaltado e está investido de falsa plenitude. Isso pode ser constatado ainda com atitudes de desdém ou de arrogância. Estas invariavelmente reconhecidas naqueles que passam a se comportar como gurus, pretensos detentores de um saber transcendental, com ares de mistério e cheios de invencionices, achismos e mimimis.

A determinação, a perseverança, o “pegar pra fazer”, é o exemplo fundamental do Mestre, sendo motivo de repreensão a postura de se restringir a dar “ordens” ou “ideias” para os outros, como se dono da Loja o fora. Muitos, quando questionados por um Aprendiz ou Companheiro sobre alguma questão específica, respondem com ar triunfalista que ainda não chegou a hora do consulente saber, pois na realidade não sabem exatamente como responder. Não raramente dão interpretações distorcidas aos rituais e simbolismos, relutam em aceitar os próprios erros, à míngua de estudos, passando atestado de insofismável e total desconhecimento dos fundamentos da Ordem. Na realidade, são esses “Mestres” os verdadeiros responsáveis pelas críticas em geral e pela evasão de obreiros em muitas situações (outras considerações podem ser coletadas na Prancha “O Irmão Rabugento”: https://opontodentrodocirculo.wordpress.com/2018/11/01/o-irmao-rabugento/).

Por outro lado, a senda do autêntico Mestre não é um mar de rosas e os desafios são variados. Atropelos existem e, por vezes, os trabalhos não recebem o apoio e reconhecimento de alguns irmãos, em especial nas suas próprias Lojas ou Potências, mostrando-se sempre atual a reflexão do nosso Mestre Maior quando disse que “um profeta só é desprezado em sua terra e em sua própria casa “(Mt 13,57),  o popular “santo de casa não faz milagre”. Já ouvimos falar também sobre a valorização do “estrangeiro” em detrimento da prata da casa. Mas, é preciso acreditar, ter força de vontade, entusiasmo, vencer as próprias deficiências e limitações, e prosseguir lançando as sementes do bem, construindo o caminho no hoje e não deixando para um incerto amanhã. Nesse sentido, não podemos deixar de registrar os exemplos edificantes e inspiradores de Mestres com mais de meio século em franca atividade na Ordem e que se superam a cada dia.

O campo de crescimento na Maçonaria é vasto. Vislumbram-se ainda novos níveis além do Grau de Mestre, que no Rito Escocês Antigo e Aceito são 33, além de outros Ritos. Porém, as graduações superiores não são exigidas, apenas recomendadas, pois o 3º Grau confere a plenitude da qualidade de Maçom. Jules Boucher (2015) comenta: “Os altos graus não lhe trarão nada de novo, pois nada mais são do que desenvolvimento, ampliações do terceiro grau”. E aduz: “Poderíamos mesmo dizer que, em certos casos, eles podem representar uma diminuição, caso desenvolvam em quem os recebe – mas que não os possui – um sentimento de vaidade”.

Enfim, o mestrado maçônico não pode se reduzir à sua titularidade e à obtenção de diplomas e porte de insígnias, estando a grandeza da Plenitude Maçônica na ressignificação da existência, na construção de um legado, no despertar de uma vocação direcionada no sentido de tornar feliz a humanidade, cabendo ao Mestre manter-se firme no propósito de transformar-se em uma pessoa melhor e mais instruída a cada dia e ter a certeza de contar nessa caminhada sempre com os seus irmãos, que não se furtarão ao compromisso sagrado a que estão submetidos.

 “O Mestre está entre o Esquadro e o Compasso, isto é, entre a Terra e o Céu – no Meio, no Centro, ou seja, é o ‘homem verdadeiro’, é a conclusão dos pequenos Mistérios.” (René Guénon).

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Academia Mineira Maçônica de Letras e, para nossa alegria, um colaborador do blog.

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Referências bibliográficas

BOUCHER, Jules. A Simbólica Maçônica. São Paulo: Pensamento, 2015;

DA CAMINO, Rizardo. Simbolismo do Terceiro Grau – Mestre. Rio de Janeiro: Aurora, nd;

OLIVEIRA FILHO, Denizart Silveira de. Da Elevação rumo à Exaltação. Londrina: Ed. “A Trolha”, 2013;

OLIVEIRA FILHO, Denizart Silveira de. Da Exaltação rumo à Perfeição. Londrina: Ed. “A Trolha”, 2014;

Rituais dos Graus Simbólicos;

RODRIGUES, Raimundo. Cartilha do Mestre. Londrina: Ed. “A Trolha”, 2008.

O Abismo da Ignorância

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Os acontecimentos recentes em nosso país nos mostram que ainda estamos a anos-luz de termos capacidade de conviver com as diferenças.

Mas ainda há tempo de reverter essa situação que está quase insustentável! Afinal, se eu não acreditasse nisso não teria sentido algum fazer parte da nossa Sublime Ordem.

Não é de hoje que o cidadão, para defender o seu ponto de vista, algo em que acredita, seja esse algo um partido político, um time de futebol, uma emissora de tv, uma personalidade pública, etc, tem como ferramenta exclusiva de argumentação o ataque (verbal, físico, virtual ou psicológico) àquele que discorda de suas crenças, o que recentemente foi absurdamente intensificado. Muitas vezes, por não aceitar um pensamento divergente, cria apelidos para seus “oponentes” (coxinha, mortadela, bolsominion, maria, franga, bambi, etc). Mesmo que não tenha conhecimento das diretrizes defendidas por determinadas ideologias políticas e sociais, e sem conhecimento histórico, não demora em tachar seus “inimigos” de fascistas, comunistas, nazistas, socialistas, vendidos, bolivarianos, esquerdistas, direitistas, liberais, conservadores, e por aí vai…

Com sua mente deturpada pelo ódio e pela incompreensão, o desejo de ser detentor do que é certo lhe cega a razão, e até mesmo os que lhe são mais próximos passam a ser vítimas de sua bestialidade.

Não existe paz em um ambiente marcado pela odiosidade. Palavras, escritas ou faladas, são como flechas, e devem ser bem analisadas antes de serem lançadas. No mundo moderno o que você posta na internet não pode ser apagado pois o print é eterno.

Nesse universo de enganos, disfarces, quimeras e máscaras, somos todos induzidos ao erro e iludidos pelas aparências. Devemos, meus irmãos, ir em busca da Verdade para que sua luz possa iluminar nosso percurso, evitando assim que sejamos surpreendidos com uma queda sem fim no abismo da ignorância e da selvageria.

Estou constantemente em busca da Verdade. Procuro respostas às minhas perguntas. Encontrei algumas.

Morri algumas vezes, e renasci sempre melhor do que eu era. Compreendo minhas fraquezas, mas conheço também as virtudes que tenho e as uso para deixar meus vícios presos em uma masmorra.

Vigio minhas atitudes e tento ser um exemplo virtuoso para aqueles com quem convivo, respeitando as dissimilitudes, sem criar apelidos para me referir aos que não compartilham das minhas posições.

Será que um mundo onde cada um de nós possa respeitar o direito de pensar diferente do outro é uma utopia? Talvez. Mas se você continuar sentado no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar, o fim que nos aguarda será muito mais tenebroso do que as distopias já produzidas pelos estúdios de Hollywood.

Somos os responsáveis pela mudança do atual cenário. Nós devemos ser o exemplo de convivência, mesmo que meu irmão, meu amigo (no mundo real e no virtual), meu vizinho, não tenha posicionamento ideológico, partidário ou futebolístico idêntico ao meu. Devemos defender os valores filosóficos pregados por nossa instituição. Não basta apenas ser maçom! Devemos ser reconhecidos como tal por nossas atitudes!

Autor: Luiz Marcelo Viegas
ARLS Pioneiros de Ibirité, 273 – GLMMG

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