Os Grandes Ensinamentos da Maçonaria – Capítulo V

Nos encontramos sobre o Nível

Não é sempre que um dos temas do pensamento especulativo torna-se a questão de calorosas discussões, mas isso é o que aconteceu em nossa história nacional entre 185o e 1861 com a doutrina da igualdade. Toda a discussão, não é preciso dizer, foi trazida à tona pela questão da escravidão. Oradores anti-escravidão não se cansavam de lembrar a seus amigos do sul que os pais da nação, na sua Declaração de Independência, tinham proclamado abertamente “que todos os homens são criados iguais”: sendo essa a verdade, eles argumentaram em seguida que os negros têm os mesmos direitos e deveres que qualquer outro cidadão. Os defensores pró-escravidão retorquiram dizendo que os pais do país, muitos deles, tinham sido donos de escravos, e que o que eles realmente queriam dizer era: “todos os homens são criados iguais, exceto os negros.” Aquele que estuda completamente os debates mais importantes sobre o assunto – e será muito recompensado por isso – vai aprender como é extremamente difícil criar alguma definição de igualdade que imediatamente irá fazer justiça, alterando a maneira de como as coisas são para como elas deveriam ser. A igualdade é uma aspiração (na Maçonaria como em outros lugares), uma esperança, um sonho, um ideal, difícil de se exprimir apenas em palavras, algo que não se consegue apenas com a força do pensamento, de modo que se deve continuar tratando do assunto depois de tudo que foi pensado sobre ele se você ainda não é capaz de conceber a igualdade.

É tão difícil chegar a uma concepção clara de igualdade a partir da história da Maçonaria, como é a partir da história desta nação. A velha Maçonaria Operativa não teve qualquer igualdade, exceto em um sentido muito especial. Sua corporação era uma parte indefesa de uma ordem social aristocrática.

Ela mesmo era um lugar em que a própria associação era determinada pelos regulamentos mais rigorosos estabelecidos “de cima para baixo”. As próprias corporações foram classificadas por relevância, e os membros de cada associação rapidamente também criaram uma hierarquia similar. Não há nenhuma evidência de que, antes de 1717, qualquer forma de Maçonaria explicitamente ensinava e aplicava a doutrina da igualdade. Posteriormente a 1717 a doutrina veio à tona, e em alguns países quase esteve em primeiro lugar entre os ensinamentos maçônicos. Mas, mesmo assim, houve muitas exceções. Na Maçonaria dos países latinos não havia igualdade, por razões óbvias, tendo sido então este um tema muito mais enfatizado.  Mesmo na Inglaterra, a casa da democracia, ela nunca teve uma aplicação muito rigorosa. Quando o conde de Carnarvon empossou o Rei Eduardo VII como Grão-Mestre, ele teve o cuidado de lembrar àquele potentado que a Maçonaria Inglesa nunca tinha sido subversiva ao sistema monárquico na Inglaterra como tinha sido em outros países.

É na França e na América que encontramos a doutrina maçônica da igualdade mais em evidência, e mais influente. O papel desempenhado pela Maçonaria durante a Revolução Francesa é, e talvez seja para sempre, um mistério. Mas não há provas sólidas que indiquem que a Maçonaria tinha poder suficiente para convencer as massas francesas de que essas tinham direitos próprios. Atualmente liberdade e democracia são amplamente entendidos na França no sentido igualitário. “Liberdade, Fraternidade, Igualdade” é um slogan que ainda não perdeu seu poder de encanto.

Mas é em nossa própria terra que a igualdade tem desempenhado o seu importante papel na história maçônica. Pode ter sido a própria Maçonaria (embora isso seja alvo de acaloradas discussões) quem escreveu na Declaração as palavras: “todos os homens são iguais”. É certo que a Maçonaria tinha muito a ver com a estirpe de igualitarismo que consta na Constituição. É certo que a Ordem estava na vanguarda na defesa dos direitos igualitários dos negros. E é certo que, nos dias atuais, igualdade e Maçonaria são quase sinônimos para muitas pessoas.

Eu tenho minha própria teoria sobre o que significa a Igualdade para os maçons, e eu vou expô-la, mas isso não é nada mais que minha própria opinião, e não uma manifestação de uma formulação geralmente realizada da doutrina. Eu desejo que tal interpretação geral possa ser feita, porque é isto que o pensamento maçônico exige. Até que possamos elaborar tal interpretação por completo o assunto sempre permanecerá nebuloso como parece ser agora (se assim se pode pensar a partir de livros maçônicos, discursos e artigos), e não são muitos os maçons que irão entender o que queremos expressar quando dizemos que todos os maçons “encontram-se sobre o nível”.

É mais fácil aproximar-se de uma pessoa por um processo de eliminação. Pela igualdade, não podemos dizer que todos os homens são iguais em sua características naturais.

Há homens grandes e homens pequenos, e todos nós sabemos que, em muitos casos, um homem grande “nasceu assim”, e que um homem pequeno  não pode se tornar grande mesmo por muito esforço. Porque é assim é um mistério, e parece ser (embora sem dúvida não seja) uma injustiça fundamental na própria estrutura do universo. Isso me veio à mente recentemente durante a leitura do terceiro volume de “A História dos Estados Unidos”, de James Ford Rhodes, em que ele descreve através de várias páginas a comparação entre Lincoln e McClellan. McClellan foi rancoroso, vaidoso e mal-educado; ele era um bom organizador, mas não tinha a coragem que, naturalmente, pertence a um general. Ele tratou o presidente com grosseria, e escreveu a sua esposa (de McClellan) palavras carregadas de tanto orgulho que a fizeram acreditar que o destino da União dependia dele sozinho. Lincoln era uma grande encarnação do poder humano, e podia ser magnânimo, brando, e por essa mesma razão paciente. Com esse contraste entre eles, não podiam então se ajudar, mas acredito  que as diferenças que os mantinham separados eram originárias apenas da “natureza” de cada um, e que no momento do nascimento Lincoln teve mais da natureza humana  do que McClellan. Uma desigualdade como essa, aquela que vai. até as raízes do ser, é aquela que é difícil de conciliar com o nosso senso de justiça imparcial da natureza. Mas o fato é que nesse caso, e em qualquer outro, por dois homens não possuírem os mesmos talentos, deixamos os teóricos abstratos falar o que que quiserem.

Nós não podemos dizer que os homens são iguais em natureza: também não podemos dizer que eles são iguais, ou podem ser iguais, na oportunidade. Isso pode eventualmente acontecer em pequenos círculos onde todos os membros vivem nas mesmas condições, como no caso de uma família, ou um bairro, mas não é o que ocorre quando olhamos de uma maneira mais ampla. O Bosquímanos australianos, para tomar um exemplo extremo, podem nunca ter as oportunidades para a educação, para a riqueza, para o prazer, a fama, etc., e por outro lado o jovem americano médio pode vir a desfrutar de tudo isso.  Os homens devem ter oportunidades iguais, mas eles não as tem. Eles nunca podem tê-las porque a própria Terra é muito diversificada, e em cada lugar são diferentes as “armas” oferecidas àqueles que ali nascem de modo que possam estar aptos a aproveitar o que a vida ali lhes oferece.

Os homens não nascem iguais em habilidades. Por isso não é necessário dizer muito porque esse tipo de desigualdade nos confronta em todos os lugares. Ela costumava ser a moda entre os teóricos para ensinar que, se todos os homens pudessem receber a mesma educação e terem as mesmas chances de riqueza, e viverem sob as leis de igualdade, e serem libertados de restrições não naturais, todos viriam a ter a mesma taxa de sucesso. Horace Mann acreditava firmemente que, se todos os meninos e meninas desta nação pudessem entrar na faculdade todos eles viriam a ser estudiosos, proficientes em grego, latim e artes. Mas aqueles que tiveram alguma experiência com meninos e meninas na faculdade sabem que nada é mais certo e invariável do que as diferenças de habilidade. Um aluno, não importa o quanto ele tente, pode não dominar as disciplinas; outro parece compreendê-las por natureza.

Por fim – não há necessidade de continuar com mais exemplos – não pode haver algo como igualdade social, se por esse termo entendermos uma uniformidade social. As classes sociais existem, e sempre existirão, porque as necessidades sociais e instintos são diferentes. Se uma classe social (eu uso a palavra em seu sentido mais amplo) é baseada em castas, ou privilégio aristocrático, ou qualquer outro tipo de privilégio especial, então é um mal. Mas há muitas classes sociais que são baseadas não no princípio da superioridade de um grupo de pessoas para com outro, mas sobre o fato da diferença entre os homens. Vou usar um exemplo simples. Em uma pequena cidade um grupo de cinquenta pessoas se organiza em um clube literário, e nas atividades do clube reúnem-se socialmente, se familiarizam uns com os outros, e todos compartilham do prazer comum da arte literária. Suponhamos, para clarear o exemplo, que a admissão a este clube se baseie puramente no desejo de compartilhar o estudo da literatura. É claro que haverá um grande número de pessoas na comunidade que nunca irá desejar a adesão, porque em cada comunidade há muitos que, por sua natureza, não se importam em nada com literatura. Esse exemplo, como eu disse acima, é de caráter trivial, por si só, mas pode servir para nos lembrar de como há muitas variações sociais, classes, panelinhas, clubes, etc., e existem em todos os lugares, onde não pairam qualquer discussão sobre superioridade, mas há diferenças de interesses, gostos e objetivos entre as pessoas. Enquanto existirem tais diferenças (que provavelmente irão existir enquanto existir a raça humana) nunca chegará o momento em que tais agrupamentos sociais irão desaparecer, e por conseguinte, nunca chegará o momento em que todos os homens irão desfrutar das mesmas vantagens sociais. Trabalhar para a criação de um Estado social, tal como os comunistas já fizeram (Owen, Fourier, Saint-Simon, etc.) é esforçar-se para o impossível. Tal comunismo social não é a igualdade em nenhum sentido possível.

O que, então, é a igualdade? Em vez de tentar qualquer definição exaustiva, vou fazer uma generalização a respeito dela, e então confiar a uma série de exemplos que espero possam defini-la. A afirmação é a seguinte: todo homem está habilitado a ter direitos iguais aos direitos desfrutados por outro homem,  para os desempenhos normais e sem impedimentos de sua natureza.

Sir Isaac Newton tinha um grande intelecto, um dos maiores que já apareceu na Terra, e nisso todos os historiadores concordam. Meu intelecto não pode, de forma alguma, ser comparado ao dele. No entanto, eu reivindico o direito de usar meu intelecto, tal como ele é, do mesmo jeito que ele usava o dele; e ele, se estivesse vivo, teria qualquer direito, apenas por causa de sua própria superioridade, para me negar as prerrogativas de usar meu intelecto. Para ele a fazê-lo, e para mim a submeter-me a tal humilhação seria um crime contra a natureza. O direito de utilizar a mente é, para todos os homens em todos os lugares, sempre o mesmo direito, qualquer que sejam as desigualdades de capacidade mental. Sempre que esse direito é dificultado, ou controlado no interesse de alguma panelinha ou classe, como já aconteceu muitas vezes, a sociedade sofre, os indivíduos sofrem, e um erro é cometido que merece uma punição exemplar.

A mesma coisa vale para as habilidades práticas.  William Morris tinha um gênio extraordinariamente versátil. Ele poderia tecer tapeçaria, esculpir madeira, pintar quadros, escrever poesia, fazer discursos, modelo em argila, publicar livros, e uma mais uma infinidade de coisas, e fazer tudo com rara habilidade. Há poucos de nós que poderiam reivindicar tal capacidade, mas, mesmo assim, temos o mesmo direito de usar nossos “poderes”, tal como eles são, assim como Morris usava os seus. Por isso é fundamental e muito importante dizer que Morris não era melhor que o mais desajeitado aprendiz que trabalhava em suas oficinas.

Cada um de nós é social por natureza, e quase cada um de nós aprecia o raro privilégio de amizade. Mas alguns homens tem o talento para fazer amizades. Theodore Watts-Dunton, ele mesmo relativamente um desconhecido, era o centro de um círculo de amigos em  que quase todos se tornaram famosos em algum momento. Nosso próprio Charles Eliot Norton, um dos espíritos mais raros já habitaram esta terra, contava entre seus amigos íntimos homens como Ruskin, Carlyle, Emerson, Lowell, George William Curtis, Charles Darwin, Leslie Stephen, e ninguém sabe quantas mais personalidades de destaque. Você e eu podemos contar os nossos amigos nos dedos de uma mão, e por mais humildes que eles possam ser, por mais simples que tenham sido suas realizações, cada um de nós tem o direito de ter amigos, o mesmo direito que beneficia os Watts-Dunton e Eliot Norton. Tal afirmação pode parecer extremamente banal, mas há lugares no mundo agora, e houve muitos lugares no passado,  onde a vida social foi tão rigidamente restrita que o costume e a ordem aristocrática a tornaram impossível para todos, mas uns poucos conseguiram colocar em prática, sem obstáculos, o cultivo da amizade, algo tão caro nas relações humanas.

O direito de igualdade humana foi frequentemente violado, ao que parece, na religião, o campo em que os homens deveriam desfrutar da maior medida dele. Quantas narrativas de usurpações, tirania e aristocracia tem sido a história das religiões no mundo! Só de pensar no assunto exemplos vêm à mente em números incontroláveis. Durante um grande período de sua história o povo egípcio foi totalmente humilhado sob os pés de uma hierarquia sacerdotal que doutrinou as massas com seus próprios instintos de culto, e fizeram uso desse instinto para obter vantagens para sua própria classe. Depois de Buda ter revelado aos olhos de seu povo a sacralidade de cada alma ante as realidades inefáveis e eternas do universo, os brâmanes vieram com suas castas e seus mecanismos de opressão e as pessoas perderam mais uma vez todos os usos de suas próprias faculdades religiosas. Jesus veio fazer com que cada homem conhecesse a si mesmo como filho de Deus, unido ao grande círculo de irmãos, mas depois o tempo passou, e os clérigos perderam o caminho, sendo necessária uma revolução luterana para restaurar aos cristãos “A liberdade de um homem cristão”. A velha senhora do outro lado da rua, que lê a Bíblia de manhã e à noite, que quando acorda e quando vai dormir faz uma oração, e que vive em sua maneira humilde e ignorante uma vida religiosa, pode estar a mundos de distância das faculdades religiosas de um Jesus, Buda ou Lutero; mas ela tem tanto direito quanto eles a ter seus pequenos pensamentos religiosos e conduzir sua vida de pequenas devoções.

A partir disso, será visto que a igualdade não é uma teoria utópica que os homens sonharam como sendo desejável neste mundo cruel. Longe disso! A igualdade é uma necessidade da nossa natureza, sem a qual vivemos mutilados, vivemos vidas infelizes. É uma necessidade, quando bem compreendida, como alimentos, roupas e abrigo. O que aflige os homens é que a igualdade que a natureza ordena é um crime contra a essência humana. Ele faz algo que deve, necessariamente, ser seguido por consequências trágicas, como é o caso da violação de qualquer outra condição, tornadas necessárias pela própria Natureza. É por isso que a doutrina não é um mero brinquedo para eruditos, mas um problema premente para cada homem, no entanto ele pode estar ocupado e não se dar conta disso.

“Mas”, algum leitor pode aqui legitimamente interpor, “isto é tudo muito bom, e ninguém vai negar que a igualdade é um direito, mas de que forma podemos tratá-la como algo real? Qualquer um precisa apenas olhar em volta para ver que a igualdade simples e básica que você descreveu não está sendo desfrutada pelas massas!”

“É verdade,” Eu deveria responder: “mas você se limitou a afirmar o fato complementar (complementares, isto é, com o que tenho dito até agora) que a igualdade é uma tarefa bem como um direito, e é precisamente porque a igualdade é um direito que é para todos nós uma tarefa.” Com isso quero dizer que, se temos claro em nossa mente que todo homem tem todo o direito de uma medida razoável de igualdade, então é uma tarefa para todos nós, na medida em que somos bons maçons e cidadãos, para assim ver um dia que todo homem pode desfrutá-la. Ver todo homem conquistar a igualdade é uma das grandes missões em que a Maçonaria está envolvida.

Vamos considerar um momento igualdade perante a lei. Houve um tempo na Inglaterra, quando só os ricos tinham acesso à proteção da “lei” em tudo, e quando o sacerdócio tinha seus próprios tribunais, onde padres faziam as leis para padres. Homens pobres foram presos; condenados sem julgamento; e muitas vezes executados sem provas. Tudo dependia do capricho do conde, ou do barão, ou bispo, ou rei, ou um outro qualquer. Mas aos poucos foi desenvolvido na Inglaterra uma verdadeira igualdade perante a lei, como pode ser comprovado através das seguintes importantes marcas da evolução da liberdade do povo inglês:

  • Carta Magna
  • A petição de Direitos, 1628
  • Habeas Corpus, 1679

Em nossos dias de colônia esses ganhos obtidos pelo povo da Inglaterra, naturalmente, foram apreciados pelos primeiros colonizadores, e eles, finalmente, depois de escrever a Declaração de Independência, incorporaram a igualdade perante a lei de base na Constituição, e nas primeiras sete ou oito emendas à mesma.

Mas, como seria de esperar, a igualdade perante a lei ainda não é um fato percebido por todos.  O advogado de uma grande corporação me disse que seus empregadores eram tão poderosos e que através de sua riqueza ele seria capaz de manter qualquer caso indefinidamente nos tribunais, e, assim, se desgastam qualquer adversário. “Atrasos da lei”, são muitas vezes uma calamidade triste para um homem pobre. Na minha própria comunidade, onde tinha minha antiga casa, eu sabia de dois homens cujas experiências opostas ilustram esse fato lamentável. Um deles era o presidente de uma grande corporação que em um tribunal federal foi considerado culpado em dez acusações graves, mas sendo um presidente de empresa, e muito rico, e muito importante, ele não pagou um centavo de multa e não passou um dia na prisão. Quando ele voltou para sua cidade natal, foi recebido na estação ferroviária por uma banda e uma longa procissão. O outro homem sobre quem eu sabia que tinha roubado uma bobina de fio de cobre de uma colheitadeira na mesma cidade e pegou dois anos na penitenciária pelo crime! O leitor sabe de casos semelhantes, eu não tenho nenhuma dúvida, e assim acontece em todo o mundo. Mas isso é só para dizer que qualquer direito que a humanidade ganha é sempre imperfeitamente realizado, e devemos sempre procurar ganhar mais e mais,  e todo direito adquirido deve ser cuidadosamente protegido, porque se relaxarmos a vigilância, e isso é uma tendência da sociedade, andaremos para trás. Igualdade perante a lei como agora temos neste país não é encontrada em nenhum outro lugar no mundo, salvo na Inglaterra, França e algumas outras nações. Na grande parte do mundo é uma coisa desconhecida. Se a igualdade ainda não é algo perfeito, o desafio de se chegar lá é nosso; e é em algum sentido, uma prova de que a doutrina da igualdade é uma coisa impossível.

O que é  dito sobre a igualdade perante a lei vale para o que é dito sobre igualdade de direitos e senso de justiça. E nós, maçons temos a obrigação particular de nos dedicarmos à tarefa de tornar a igualdade em todos os lugares uma realidade. A igualdade é um de nossos princípios fundamentais.  A Fraternidade não nos permite esquecer disso; o ritual grava-a no candidato em todos os sentidos;  a loja é de tal modo organizada para que todos “se encontrem sobre o nível”. O candidato é preparado para sentir que sem a ajuda de seus companheiros ele é um desprotegido, nu, cego, destituído das coisas, sem esperança; o membro da Ordem é preparado para saber que cada Maçom tem direitos iguais a todos os outros Maçons, paga os mesmos encargos, entra nas mesmas condições, tem suas funções nos mesmos termos que os outros, e compartilha em igualdade com todos os outros os encargos e obrigações da Ordem.

Continua…

Autor: H. L. Haywood
Tradução: Luiz Marcelo Viegas
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Os Grandes Ensinamentos da Maçonaria – Capítulo IV

Bússola - Cartografia - InfoEscola

A teoria maçônica sobre uma vida correta

Não há como o homem evitar as forças da natureza, seja para o bem ou para o mal. Você pode levantar a vela de seu barco, mas isso não afeta o vento. Quando singrar o solo com seu arado, não ouvirá os gritos de dor da terra. O homem pode enviar suas mensagens sem fio através do espaço, mas isso não muda a estrutura da atmosfera. Um homem não tem muita escolha nas suas relações com a natureza. Se ele despenca de um telhado ele imediatamente cai na terra, qualquer que seja sua opinião sobre a  gravidade. O sol brilha, a noite escurece, as estações se sucedem, a chuva cai, o oceano se move através de suas marés, mas o desejo do homem não tem nada a ver com tudo isto. Já o relacionamento do homem com seus pares é muito diferente. Ele pode feri-los ou ajudá-los, abençoá-los ou amaldiçoá-los. Suas ações podem mudar o destino do outro: o que ele faz pode ser uma questão de vida ou morte. E tudo o que ele faz para e com os seus semelhantes é em grande parte uma escolha sua, pois ele pode optar por agir ou não agir, pensar ou não pensar, falar ou não falar, ele pode escolher qual atitude tomar quando sabe que seus pensamentos, palavras ou ações irão influenciá-los muito, de uma forma ou de outra. Essa regra também vale para o relacionamento do homem com si mesmo: sua personalidade é fruto de seus pensamentos e atos, para o bem ou para o mal, e pensamentos e atos que são de sua própria escolha, ele é o responsável, são eles uma parte do seu modo de ser. Todas as maneiras em que o homem se afeta, ou que homens afetam uns aos outros, abrangem a essência da moral, da qual a ética é a ciência.

A Maçonaria tem sua própria interpretação dos princípios da moralidade. Ela tem seus próprios ideais da conduta humana. Por suas próprias razões enfatiza certos deveres, e incentiva certos ideais. A fim de auxiliar os homens a agirem de uma determinada maneira ela reforça sobre eles certas influências e se esforça para neutralizar outras que possam se opor a seus propósitos. Ela sabe como o homem deve ser, como a sociedade de uma forma geral deve ser, e se dedica totalmente a esse objetivo. A Ética Maçônica é filosoficamente estudada desse ponto de vista particular, à luz dos princípios e ideais maçônicos, e em nome de propósitos maçônicos. É o estudo de como a ética auxilia a Maçonaria e de como a  Maçonaria auxilia a ética. Tal estudo está fortemente presente em toda literatura que trata da Arte Real, em sua filosofia, em seus ensinamentos, em seu ritual e suas tradições, porque a Maçonaria é acima de todas as outras coisas uma instituição moralista, que se esforça para tornar real na terra um ideal definido de conduta, tanto pessoal como pública. É lamentável que nenhum estudioso maçônico moderno ainda tentou fazer um estudo cuidadoso da história e da literatura maçônicas, a fim de construir um Sistema de Ética Maçônica, da mesma forma que inúmeros outros estudiosos construíram sistemas de ética cristã, ou ética chinesa , ou judia, etc.

A maioria dos homens sabe tão pouco de ciência moral como sabe de qualquer outra ciência, e suas concepções de “certo” e “errado” são, portanto, muitas vezes sem valor, como suas concepções de astronomia ou física. Da tradição, da igreja, ou por ouvir dizer, sem nunca submeter a uma análise criteriosa o que lhes foi passado, aceitaram se submeter a um rígido código de moral. Este código é composto, em sua maior parte, de duas diferentes listas de ações: uma do que é permitido; a outra do que é proibido. Sempre que surge a pergunta, se eu agir assim será bom ou ruim? eles tratam da questão através de suas “listas” e mandam agir em conformidade a elas. Um homem diz a si mesmo: Será que faço uma aposta na Mega-sena da Virada? Devo enviar dinheiro para os Missionários que estão no Congo? Devo contar esta mentira para o meu próximo? Será que devo começar a fumar? Se apostas estiverem na lista de coisas erradas, então jogar na Mega-sena será pecado. Se doações para os Missionários que estão no Congo estiverem na lista de coisas certas, então não tem problema algum. E assim vai.

Este procedimento funciona de forma satisfatória até que o homem entre em conflito com um código totalmente diferente. Veja este exemplo: Um francês, que seja supostamente um cristão também, verifica que beber vinho é permitido em código moral. Um metodista americano, por outro lado, constata que o vinho está entre as coisas mais violentamente proibidos por seu código. Quem está com a razão? O francês pode apelar para o que diz o Novo Testamento: assim o Metodista pode beber o vinho. O francês pode dizer, a minha igreja há muito tempo decidiu esta questão; o Metodista pode responder, a minha também decidiu a questão. Se o francês argumenta que beber vinho é tradição entre seus pares, o Metodista pode retrucar, usando a tradição entre os seus para uma conclusão oposta. Está claro que esta simples “lista” ou um sistema de código de moral é algo que perde valor já que é usado pelo o homem de acordo com a sua conveniência.

Isso não é nada mais que a milenar busca pela conquista do trono de autoridade no que concerne à moral. Quando um homem estiver em dúvida, sem saber se determinada ação é certa ou errada, a quem ele deve apresentar seu problema em busca de uma solução moral? Na opinião do escritor, não pode haver apenas uma resposta. A experiência humana, individual e de costumes, é a autoridade final na moral. Se um homem faz algo que fere o seu próprio corpo; ou desnecessariamente destrói algo de valor humano; ou fere outro de alguma forma; ou deliberadamente se faz infeliz ou torna outras pessoas infelizes, este homem está errado.

Errado é tudo o que fere a vida humana, ou destrói a felicidade humana; correto é aquilo que ajuda a vida humana, e tende a manter ou aumentar a felicidade humana.

Só há uma maneira de aprender o que é que fere ou ajuda, e é pela experiência que se aprende, e sempre que alguém não tiver certeza sobre o que a experiência tem a dizer, ele então é obrigado a fazer uma experiência moral. e sempre que não se tem certeza que a experiência tem que dizer que ele é obrigado a fazer uma análise moral. Atos não são intrinsecamente certos ou errados, mas de acordo com os seus efeitos são prejudiciais ou úteis. O propósito de se viver corretamente não quer dizer apenas se submeter a algum código, ou simplesmente prestar obediência a alguma autoridade, mas sim permitir que um homem viva de forma rica, saudável, feliz. Um homem sábio pode, portanto, às vezes, fazer algo que não seja aprovado por outros, mas o homem que faz algo que sua própria experiência mostra ser prejudicial é um tolo.

Isso não significa que um homem pode confiar, com segurança, apenas em sua própria experiência: muito pelo contrário, às vezes a experiência de um homem é tão exígua que dela não se pode tirar nenhum valor. Outros têm vivido mais tempo ou mais rica do que ele, ou com mais sabedoria, e ele pode escutar seus conselhos. Nesse caso ele deve escutar os conselhos daqueles mais velhos que já acumularam anos de experiências. Outros, em virtude de algum treinamento especial, podem compreender melhor os efeitos de um determinada ação, e, consequentemente, têm o direito de fazer suas escolhas, como um médico tem o direito de prescrever os remédios que considera mais eficazes. Também não pode um homem ousar colocar sua experiência pessoal contra a experiência de uma nação, ou de um povo, sendo um exemplo a época da escravidão, quando os senhores de terra achavam que aquele sistema era muito bom para eles mesmos e para seus escravos, ao passo que a experiência dos Estados Unidos, a nação, provou ser a escravidão uma maldição para todos. Mas, se o indivíduo pode confiar em sua própria experiência, ou deve submeter-se a experiência maior e mais sábia do seu povo, é a vivência humana que, em última análise, aprova ou condena qualquer conduta.

Certas ações são sempre, e em qualquer lugar, realizadas para ferir e causar danos. Enganar deliberadamente o outro infelizmente acontece tanto na China quanto na América, era assim no passado, e ainda o é nos dias de hoje; assim como os maus hábitos da gula e da intemperança que destroem a saúde, como também a extravagância, a preguiça, a crueldade, etc. Não se pode conceber qualquer condição social em que os homens não iriam encontrar essas coisas para provocar infelicidade. Essas decisões, frutos da experiência humana, tornam-se cristalizadas em princípios que  ninguém questiona, e estes princípios, tomados em conjunto, formam um sistema de moralidade.  Mas, mesmo assim, todos esses princípios são estabelecidos na experiência humana e nas decisões dela originadas. Caso a natureza do homem sofra alguma mudança misteriosa, e a gula torne a vida dos homens mais alegre, fortificante e rica, ela então se tornaria algo bom e não mais ruim.

A grande maioria dos problemas morais, no entanto, não têm sido, e nunca podem ser, estabelecidos definitivamente; sempre a pessoa, na medida em que as coisas acontecem, deve decidir por si mesmo o caminho a seguir.  Fumar é prejudicial? Alguns médicos dizem que é, e há outros que são eles próprios fumantes; alguns homens parecem poder fumar e continuarem livres de qualquer tipo de problema de saúde, apenas desfrutando do prazer que isso lhes traz; os outros já têm dores de cabeça e noites de insônia depois de alguns charutos: em todo caso, o indivíduo deve decidir por si mesmo, e, contanto que a questão continue a ser uma questão estritamente de experiência pessoal, ele não tem o direito de decidir por outro. A submissão a um tradicional código de posturas não é suficiente para definir um homem como sendo alguém de princípios e caráter;  o homem forte, do ponto de vista moral, é aquele que, quando decide pela experiência, permanece em sua decisão, embora essa escolha possa se opor a muitos interesses egoístas e interferir em muitos desejos secretos.

O teste da experiência é igualmente válido quando aplicado às questões mais religiosas e idealistas da conduta humana: auto sacrifícios, heroísmos, martírios, estes, como os assuntos mais banais da vida cotidiana, são aprovados ou condenados de acordo com o que fazem a favor ou contra vida humana. As milhares de pessoas que foram embora para as Cruzadas se consideravam com poderes conferidos diretamente por Deus, mas hoje em dia um julgamento mais sensato, embora admire o elemento de heroísmo nos Cruzados, condena a iniciativa como um todo como tendo sido uma inútil, e dispendiosa, amostra de fanatismo. Isso é para exemplificar que os ideais, aspirações, heroísmos, auto sacrifícios, e todos os outros atos semelhantes e objetivos não são, em si mais “justos” do que os outros tipos de comportamentos mais comuns, e que eles devem ser julgados “certos” ou “errados” apenas em função das condições em que são feitas e as consequências que deles resultam.

Esta análise sobre a conduta moral é de grande importância para nós em nossos períodos de descanso e reflexão, já que na maioria das vezes um homem não pode parar para “filosofar” sobre isso, muitas vezes ele não pode mesmo parar para pesar as probabilidades, e ponderar as causas, enquanto cumpre as tarefas do seu dia, pois geralmente as decisões devem ser tomadas na hora, e muitas vezes elas são tomadas de forma inconsciente, como um ato instintivo. A única coisa que determina um homem em todas essas decisões é a sua “natureza” moral, e essa natureza é um sistema de hábitos, reações, julgamentos, emoções, etc, que já está fixo no homem, que foi construído a partir de toda a sua experiência passada. Um bom homem é aquele que tem o passado tão vívido em sua memória que ele habitualmente age apenas de modo a proporcionar felicidade para si e para os outros (a palavra “feliz” aqui é usada em seu sentido mais amplo possível). Ele pode ter feito antes, e também fazer agora, algo que ele sabe que é errado, mas sua “natureza”, o viés constante da sua vontade, é para realizar coisas boas visando o bem-estar das pessoas. Um homem mau é aquele cuja natureza é tal que ele instintivamente faz coisas que machucam os outros ou a si mesmo, embora ele possa muitas vezes ser capaz de atos de ternura, auto sacrifícios, ou alguma atitude nobre momentânea.

Um homem age conforme sua natureza. Tal fato é reconhecido na descrição da conversa que Jesus teve com Nicodemos a quem o Mestre disse que ele deveria em primeiro lugar “nascer novamente”.  Esta frase passou para a teologia como a doutrina da “regeneração”, ou “novo nascimento”, e é uma doutrina saudável, pois muitos homens são tão arraigado à maldade que toda a sua natureza deve ser mudada radicalmente antes que eles possam ser confiáveis para viver em harmonia e felicidade com os seus companheiros.

Esta doutrina do “novo nascimento” parece estar no cerne do grande drama maçônico de Hiram Abif. Os intérpretes maçônicos têm divergido muito entre si quanto ao significado dessa parábola viva, mas quase todos têm em comum a crença de que, de alguma forma significa que, para ser um justo e verdadeiro irmão um homem deve “nascer de novo”, de modo que sua natureza seja alterada para agir em uníssono com um mundo novo. Como isso pode sr feito? É um dos pontos onde os princípios morais se fundem na religião, para quase todas as religiões têm-se adotado a necessidade da criação de uma nova natureza no homem, e todas elas procuram fazê-lo, conclamando o poder divino para auxiliar o indivíduo. A Maçonaria está em harmonia com a religião, pois ela também recorre a oração, para a busca da vontade de Deus. Ela também faz uso dos poderes de fraternidade, de raciocínio, de ritual, e de tudo que a Ordem nos proporciona. Toda a cerimônia é em si uma tentativa de criar uma nova natureza no candidato, e é também, por outro ponto de vista, um símbolo das influências do mundo que têm poderes regenerativos; essas influências, é claro, são inúmeras, e muitas delas não têm ligação direta com a religião, como, por exemplo, o carinho por um dos pais, a educação, o infortúnio, etc., qualquer um dos quais pode, em determinadas circunstâncias, provocar uma mudança profunda na natureza moral de qualquer indivíduo.

O que foi dito da vida moral do indivíduo pode-se dizer, em algum grau ou outro, da sociedade em geral. Como é julgada uma grande instituição social? Pela experiência social; por sua influência na vida da comunidade. Se alguma instituição, no entanto há muito estabelecida, por mais que seja considerada, começa a causar infelicidade entre os homens, a discórdia, a agitação, a pobreza, ou então que, essa instituição, embora esteja funcionando de acordo com as leis do país, torne-se perversa, aí então todos os homens de bem tornar-se-ão seus inimigos. Seja qual for a força social estabelecida contra o bem-estar de homens e mulheres, esta força é perversa, embora use o próprio nome da moralidade; seja qual for a força social que contribua para o bem-estar da sociedade, esta força é boa, mesmo que seja nova como a manhã. Se uma instituição é antiga, ou religiosa, ou de acordo com as leis, tal fato deve ser considerado, mas com cuidado, pois apenas isso não deixa claro quais são as influências dessa instituição, quais são suas atividades entre os homens. Por esta razão é que existe uma moralidade social. É o estudo das forças sociais, à luz dos seus resultados e efeitos na comunidade; é a avaliação moral das instituições sociais. É a proteção das forças que trabalham para o bem comum, e o combate àquelas que atentam contra a vida.

Sempre, a moralidade é para o bem dos homens e mulheres; ela existe para que possamos viver nossas vidas em plenitude. Cada homem vive em uma comunidade onde age e desempenha um papel, onde ele é influenciado por outras pessoas e por si mesmo, e onde ele influencia os outros. Sua própria natureza é um feixe de energias e influências do qual a felicidade depende. Para adaptarem-se uns aos outros, para assim aprenderem a governar a si mesmos, e assim ajustarem a vida para as forças da natureza, a fim de que a vida pode ser plena, rica, feliz, esse é o objetivo dos princípios morais. Esse também é o objetivo da Maçonaria, para o qual existe essa grande instituição, a fim de que os homens possam viver felizes juntos e, a fim de que a vida humana, individual ou social, possa sempre produzir as mais altas e nobres atitudes.

Continua…

Autor: H. L. Haywood
Tradução: Luiz Marcelo Viegas
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Os Grandes Ensinamentos da Maçonaria – Capítulo III

O significado da Iniciação e do segredo

Geralmente o Aprendiz deixa a loja maçônica após sua iniciação com a sensação de que que tudo que ele viu e ouviu foi muito interessante e impressionante, mas também muito estranho: é algo tão completamente diferente das outras experiências de sua vida que tudo parece irreal, uma parte de uma cerimônia singular, como se alguém a tivesse planejado bem elaborada, porém apenas algo formal do ápice do processo de introdução à Maçonaria. Não é de se admirar que muitos que vão embora com tais impressões nunca mais têm interesse nas cerimônias de iniciação. O que o Aprendiz precisa entender após a cerimônia é aquilo que é o objeto principal do estudo do presente capítulo: a iniciação, juntamente a todos princípios mais importantes da nossa Ordem, não é uma coisa estranha, arbitrariamente inventada por alguém, com fins apenas ornamentais e cerimoniais, mas sim algo normal, natural e inevitável, – tão natural quanto o vento soprando ou a neve caindo. A cerimônia de iniciação é algo que existe desde o início do mundo, e é portanto algo inerente ao ser humano como qualquer outra coisa que fazemos, embora talvez não tão comum.

Em vez de tratar o assunto de forma superficial é bom começar por observar justamente o que acontece com o candidato durante o processo de sua iniciação na Maçonaria. Antes de qualquer coisa, ele assina um formulário, em que cita certos fatos importantes sobre si mesmo; então, ele participa do “trabalho” por algumas noites; ele se compromete solenemente a fazer certas coisas e a não fazer outras; ele faz o juramento de guardar segredo que protege as cerimônias e também o que não pode ser dito ou feito fora da loja; depois disso ele se compromete a colaborar financeiramente de acordo com as normas da Loja; ele inicia uma relação com um grande grupo de pessoas que foram igualmente iniciadas e que também fizeram o juramento; ele se dispõe a  viver sob um conjunto de preceitos bem definidos e muito nobres. Pode-se acrescentar outros itens à lista, mas isso é suficiente para recordarmos como é todo o processo de iniciação; e é perfeitamente claro que, com exceção de algumas palavras e ações durante as cerimônias, não há nada no processo que possa provocar em alguém a sensação de que tudo nelas seja estranho ou formal em excesso; é tudo tão real e tão natural como a concretização de um negócio em um dia qualquer. Isso é algo que vale a pena lembrar, porque muitos que têm abordado o tema da iniciação de uma forma puramente superficial e teórica são muito hábeis em criar histórias incríveis sobre o tema, nos colocando em dificuldades, fazendo acreditar que a iniciação na Maçonaria é algo totalmente esotérico e oculto, o que não condiz com a verdade.

Eu disse que durante a cerimônia de iniciação pode acontecer de algumas coisas que são feitas parecerem estranhas a qualquer homem que dela participa pela primeira vez. Mas mesmo estes elementos em nossos “mistérios” não estão lá para satisfazer qualquer finalidade fantástica ou irreal: eles estão lá porque nós os herdamos do passado, e é porque eles ainda têm para nós significados valiosos que continuamos a mantê-los. Se existe alguma coisa no ritual que parece fantástico ou sem sentido para alguém, ele só precisa estudar a história do mesmo para poder compreender o porquê da sua existência.

A única coisa lamentável é que muitos candidatos passam por todo o processo de iniciação sem serem influenciados minimamente por ele. Por que isso? Muitas vezes é por culpa do próprio candidato. Antes de entrar para a Ordem ele deve aprender algo sobre uma instituição como a Maçonaria; pelo menos um pouco de sua história, e, tanto quanto possível sobre suas atividades atuais.  E então, depois de ter passado pela cerimônia de iniciação, deve dedicar o tempo suficiente para descobrir o que tudo isso significa. Uma pessoa para ficar impressionada com algo deve fazer a sua parte: não pode deixar que nada fora do que ali está acontecendo o distraia, desviando seus pensamentos, sentimentos e ações.  Além disso, a iniciação maçônica é uma bem, que traz consigo muitos privilégios valiosos e, portanto, vale a pena “um esforço” para compreendê-la.

Em todos os outros casos, a iniciação sem o efeito esperado é fruto da falta de cuidado da loja. Um ritual não pode ser seguido satisfatoriamente de uma maneira mecânica, como se tudo o que se tinha que fazer era girar a manivela de um moinho. Também não pode ser visto como algo que dispense o pensamento e o uso da inteligência. Nenhuma loja tem o direito de empurrar um homem pelos três graus e depois expulsá-lo sem primeiro se esforçar para instruí-lo no significado dos símbolos e alegorias, sem tentar fazer com que ele compreenda qual o seu objetivo como Construtor Social. Todo o processo deve ser uma das experiências mais importantes da vida do candidato, algo que nunca esquecerá, que irá mudá-lo em seu íntimo, se isso não acontecer então não houve uma iniciação, mas sim uma imitação da verdadeira cerimônia.

Vamos pensar no que ocorre dentro de um homem quando a iniciação alcança seu objetivo. A própria palavra sugere um “novo nascimento”. A experiência, sempre que ocorre realmente, é profunda. É como a crise da adolescência, quando um rapaz se encontra passando por uma mudança misteriosa que joga todo o seu ser em tumulto; ele fica temperamental; a barba faz a sua aparição; ocorrem as mudanças de voz; sua fisionomia sofre mudanças; desenvolvem os seus músculos; seus interesses mudam; ele começa a ter mais interesse no sexo oposto; ele não é mais um menino, mas um homem jovem. Ou é como a mudança moral e espiritual que atinge um homem que passa pela experiência religiosa conhecida como “conversão” ou “regeneração”; ele encontra-se com um novo conjunto de interesses; ele se comporta de forma diferente com sua família e seus companheiros; ele cria novos hábitos, como a oração e comparecimento à igreja; ele tem uma nova sensação a respeito de Deus; novas crenças sobre as grandes questões que concernem ao homem; ele se chama um “novo” homem. Ele foi iniciado na vida religiosa, que é para ele um novo mundo de experiência, e ele não voltará a ser o que era, ainda que todos esses novos interesses desapareçam.

A Iniciação maçônica destina-se a ser tão profunda e capaz de mudanças radicais como a as experiências citadas acima.  Como seu resultado o candidato deve se tornar um novo homem: ele deve ter uma nova gama de pensamentos; um novo sentimento sobre a humanidade; uma nova ideia sobre Deus; uma nova confiança na imortalidade; uma nova paixão para a fraternidade; uma nova generosidade e caridade. Todo o propósito do ritual, dos símbolos, de tudo o que é feito e dito, é solenemente para provocar essa transformação no homem. Se a iniciação não esse objetivos, ela foi um fracasso; se os os objetivos foram alcançados, isso por si só deve sempre silenciar para sempre aqueles que a viam apenas como uma pequena parte de uma cerimônia elaborada e cara.

O segredo é uma característica tão proeminente da Maçonaria, que muitas vezes na literatura encontramos a última palavra usada como sinônimo da primeira, como quando lemos que em um círculo de amigos estes estavam tão íntimos que havia uma “espécie de maçonaria” entre eles. Para alguns, isso é muito ofensivo, uma vez que seria indigno serem comparados a uma Ordem que esconde seu funcionamento atrás de um véu sombrio: ou então pensam que o que deve ser tão eficazmente escondido deve conter alguma mancha, ou ter influências anti-sociais. “Se é bom e nobre”, assim dizem, “por que esconder a sua luz debaixo do abajur?. Se suas ações ocultas são condenáveis, em seguida, todo seu segredo é uma hipocrisia elaborada! Ou pode ser que todo o seu segredo é meramente uma brincadeira de criança criada para atrair a curiosidade dos traficantes. Em qualquer caso, as nossas melhores instituições públicas, a igreja, escola, hospitais públicos, bibliotecas e até mesmo os nossos governos, não têm necessidade de tal véu.” A falácia subjacente dessa oposição acorre porque os opositores não sabem que o segredo maçônico é um tipo peculiar de segredo criado e preservado exclusivamente para as necessidades de uma instituição desse tipo.

De qualquer forma, não há nada condenável ou estranho sobre segredo; é uma necessidade humana encontrada em toda parte, e muitas vezes onde não está, aparentemente, em uso, será encontrado em um exame semelhante ou mesmo superior ao utilizado para desmascarar aqueles que mentem sobre os caminhos de nossa Fraternidade.  Nada é mais zelosamente guardado que o lar. Os administradores de uma empresa mantêm suas deliberações para si mesmos. A amizade é baseada na confiança mútua o que significa muito sigilo. Os governos são públicos na função, mas eles ainda são obrigados a realizar muitas das suas atividades nos bastidores. Na verdade, o que seria a vida sem este tipo de ocultação honrosa?! como é que alguém aguentar viver no mundo com toda a sua vida exposta, como os produtos em uma vitrine?!

A Maçonaria compartilha desse tipo mais comum de segredo, mas há segredos e segredos, e uma variedade deles é sobre o que nós nunca imaginamos: refiro-me ao que é ainda desconhecido para nós, não porque isso seja proibido, mas porque nós ainda não estamos preparados ou capacitados para compreendê-los. A música é uma terra desconhecida para quem não sabe uma nota sequer, e não pode reconhecer uma melodia. A literatura é um grande desconhecida para os analfabetos. Química, física, geologia, astronomia, ou alguma das ciências, assim como na “maçonaria” é onde os segredos existem! pois eles são revelados apenas aos iniciados. Eles não estão escondidos de nós por um capricho; eles estão escondidos porque usamos a venda da ignorância. Grande parte do nosso segredo maçônico é deste caráter. Na verdade é surpreendentemente pouco o que existe na Maçonaria e que não pode ser acessível ao público geral, mas há uma grande quantidade que permanece desconhecida até mesmo para os seus iniciados, já que muitos são os que não fazem nenhum esforço para estudá-los.

Além disso, o segredo maçônico existe para determinadas finalidades definidas. A própria Fraternidade existe para manter fixo no homem um certo conjunto de influências, e, a fim de trazer certas mudanças no mundo, etc .; a sua confidencialidade é um meio para esse fim, e ajuda a fazer tal objetivo possível. Se uma Loja for totalmente aberta ao público em geral como um comércio da esquina tudo o que é realizado especificamente pela Maçonaria iria desaparecer e o propósito para o qual a Ordem existe seria derrotado.

A experiência e a reflexão nos ensinaram isso. A Ordem continua existindo por tantos séculos porque sempre foi uma sociedade secreta. Outras fraternidades modernas também têm estabelecido segredos igualmente necessários. Assim também foi com fraternidades em épocas anteriores. Os Mistérios cobriam a si mesmos da forma mais elaborada. Os Collegia realizavam suas reuniões à porta fechada. A igreja cristã, em pelo menos um período de sua história, muitas vezes fez o mesmo; e assim fizeram as inúmeras guildas da Europa medieval.

Existe uma psicologia do segredo, cuja abordagem é recomendada, embora haja pouco espaço disponível para tratarmos do assunto como ele merece. O que nós valorizamos, nós instintivamente protegemos. Cortinas são fechadas antes fazermos as coisas mais íntimas. Mesmo para a religião, muitas pessoas a tratam de uma forma em sua casa e de outra em público, e muitos são os preferem serem vistos como infiéis do que serem pegos rezando. Em todos estes, e em dezenas de casos similares, o segredo é usado como uma tela a proteger os sentimentos mais sensíveis. Em muitos outros casos, igualmente familiares, o segredo é usado para despertar o desejo de explorar, a curiosidade de saber; estimula um homem para fazer busca por aquilo que lhe é apresentado como um mistério. Pode-se ver o segredo maçônico afetando as mentes dos irmãos na Loja em ambas as formas: algumas são felizes de estar lá, porque eles podem dar vida aos pensamentos, aos ideais, e às suas aspirações, muitas vezes religiosas, entre irmãos de confiança, e alguns estão lá porque o véu lançado sobre os nossos mistérios tem atraído-os para tentar levantá-lo.

Ao meu ver o efeito mais nobre do segredo maçônico é encontrado na atmosfera de bondade que ele lança sobre todas as operações de ajuda fraternal e caridade. O irmão que se encontra com problemas é muitas vezes ajudado quase sem saber de onde veio o socorro; não há nenhuma divulgação da aflição pela qual passa; a coisa não é a se vangloriar; geralmente o objeto do auxílio nem sequer faz um pedido: amparado por uma mão suave que a ele se estende, sente-se apoiado de tal modo que o seu orgulho não precisa descer ao nível de agruras.

Se o segredo maçônico não fosse necessário para o que nos é desconhecido, ele ainda é plenamente justificado para cada irmão gentil e caridoso.

Mantendo tudo isto em mente, também é bom lembrar que, afinal de contas, os maçons, por vezes, não compreendem que o segredo do Craft, à parte seu uso quando se trata de suas ações de caridade, é quase que totalmente preocupado com o método da Ordem e não com matéria que nela se encontra. Se alguém considerar cuidadosamente o compromisso de segredo que assumiu ao fazer seu juramento, ele verá que não pode de maneira alguma revelar aos outros qualquer coisa sobre a cerimônia de iniciação, ou do que pode ser dito apenas em Loja; mas ele não é obrigado por juramento a manter segredo do que a Maçonaria realmente é! Os seus princípios, sua história, seu espírito, seus ideais, suas finalidades e programas, ele pode publicar para o mundo, e quanto mais ele publica-los melhor.

Continua…

Autor: H. L. Haywood
Tradução: Luiz Marcelo Viegas

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Os Grandes Ensinamentos da Maçonaria – Capítulo II

Porque a Maçonaria utiliza-se de um ritual e do simbolismo

A repetição é da essência do ritualismo; e como nada pode ser  mais fora de moda ou tolo do que a repetição descobrimos que muitas pessoas pensam no ritual como algo como sem sentido algum. Fazer os mesmos sinais várias vezes, dizer as mesmas palavras da mesma maneira, e muitas vezes nem mesmo saber o significado dessas ações e dessas palavras, não é um pouco infantil? Este assunto chegou ao lar de inúmeros maçons, especialmente maçons norte-americanos, pois nesse país temos tão valorizada a originalidade, a novidade, e a individualidade que todos nós temos uma tendência a desprezar e temer o cerimonial. Pode ser bom para nós refletirmos um pouco sobre ritual, o que ele é, o que ele faz por nós, e porque todos nós devemos, mesmo sendo individualistas, simples e inteligentemente mantê-lo como peça essencial para o perfeito funcionamento de uma loja maçônica.

O ser humano foi moldado por um universo que ama a repetição e o cerimonial; a inspiração para o ritualismo está em toda parte. Noites e dias eternamente sucedem uns aos outros; as quatro estações continuam com seus movimentos, vindo uma depois da outra, como as viagens do candidato em sua na Iniciação : as estrelas se movem em suas órbitas fixas, as marés sobem e descem, luas aumentam e diminuem, o crescimento é seguido pela decadência, o nascimento é sucedido pela morte, e até mesmo o cometa, uma vez que se considere o mais caprichoso de todos os principais objetos da criação, foi criado para retornar em cima de seu próprio caminho para sempre. Como o homem tornou-se gradualmente ciente dessas mudanças cíclicas e, quando ele descobriu como sua própria vida estava ligada a elas, ficou admirado, e aprendeu como acompanhá-las, a mover-se nos ritmos da dança, criou cerimoniais religiosos solenes, na esperança de descobrir os segredos do universo.

A partir de então, a nossa sociedade foi preenchida com os elementos dessas cerimônias. Quando a criança nasce, temos um batismo; e após alguns anos o crisma; ensina-se a ajoelhar-se ao fazer suas orações; é instruída sobre como comportar-se nas refeições: quando chega o dia casamento os amigos e parentes são convidados para uma cerimônia formal; e a morte é selada por um “serviço” que deve geralmente ser tão parecido com a cerimônia em uso universal quanto possível. Quando nos encontramos, ou partimos, nos cumprimentamos com um apertar das mãos; o cavalheiro levanta as pontas do chapéu para a senhora, e todos nós nos levantamos quando um convidado ou um estranho entra na sala. Nossos tribunais e as assembleias legislativas têm sua próprias cerimônias, aprendemos a manter o passo quando em marcha para a guerra, e a reunião pública mais informal insiste em alguma aparência de ordem. Todas essas coisas são da essência do ritual, e difícil seria dar uma justificativa puramente racional para eles. Há algo em nós que exige tudo isso.

Embora os psicólogos ainda não tenham explicado esta tendência há uma vantagem nisso em seu aspecto exterior que todos nós podemos ver: o ritual leva o homem a pairar fora de si mesmo, e lhe dá uma sensação de uma personalidade maior.

O garoto que toca em uma banda, o soldado que marcha com seu pelotão, o jovem treinando com sua equipe de atletismo, o adulto em um desfile – nestes, e em incontáveis casos semelhantes, o indivíduo esquece de si mesmo, e é levado pelas emoções que parecem maiores e melhores do que seus próprios, comuns e mesquinhos sentimentos individuais. A ampliação da consciência individual em uma consciência de grupo, adotando o jargão psicológico, é o segredo da prevalência de cerimônias ritualísticas. Se vamos aplicar este fato ao uso do ritual na loja maçônica seremos mais capazes de valorizar e compreender a sua prática.

Por ter um ritual como base de trabalho a loja está a salvo das caprichos individuais e da ditadura de algum Venerável Mestre. Suponha-se que em cada cerimônia de iniciação ou de elevação de grau seja obrigatório um discurso por parte de algum irmão, ou por um dos oficiais, e que esse discurso seja novo para cada ocasião. Por um tempo isso pode ser interessante, mas depois de um tempo os discursos iriam perder o seu interesse ou se tornariam estereotipados, simplesmente porque há poucas pessoas que possam fazer um discurso bem sucedido. O mesmo aconteceria a qualquer iniciação que force a dispensa de se seguir um ritual: a incapacidade individual, ou da comissão encarregada da cerimônia; ou o mau humor de alguém determinado a ter as coisas à sua própria maneira, com a total descaracterização da cerimônia em si, deixaria a todos com a sensação de desgosto. Muitas igrejas passam por essa situação atualmente, naqueles grupos religiosos que dependiam inteiramente do seu pregador e adotaram a exclusão do ritual religioso, a participação está caindo. O indivíduo logo se desgasta, mas um ritual rico e multifacetado, que evoluiu através de gerações de uso, repleto de luzes reluzentes, sombras e mistérios, nunca está à mercê dos caprichos ou falhas individuais.

Mas não se deve supor que um ritual, mesmo o nosso ritual maçônico, exclui a novidade, e as possibilidades do indivíduo acrescentar sua parte à riqueza de tudo isso, pois há sempre espaço para os membros da loja aprimorarem os trabalhos através da interpretação correta das instruções, pela sua capacidade de oratória, por meio de seus sinais, por seus trajes adequados, e cada loja tem a oportunidade de mostrar o seu comprometimento por meio de melhores equipamentos e mobiliário. Além disso, para aqueles que são capazes de fazer um discurso geralmente há muitas oportunidades. A repetição de nosso ritual não tem como finalidade destruir a individualidade mais do que a repetição constante de “Rip Van Winkle” (1) tem em destruir a personalidade cativante de Joseph Jefferson.

Também pode-se notar que um ritual é muito mais rico em significado e poder do que seria a produção de uma só pessoa;  sua sabedoria vem de muitas mentes, e de anos de prática; sua ciência foi aprimorada ao longo do tempo: há nele algo muito mais profundo do que qualquer trabalho de uma pessoa apenas.

É por meio do ritual que a Maçonaria mantém a sua própria identidade. Por que algumas de nossas igrejas protestantes se tornaram irreconhecíveis após a sua criação? Porque foi permitido que cada líder fizesse as coisas mais para atender a si mesmo e as suas vontades: uma sucessão de interpretações pessoais tem sobreposto a mensagem original. Aconteceria o mesmo conosco se não fosse o nosso ritual: ele mudou, mas levemente, e pouco a pouco, de modo que hoje, em uma cerimônia de Iniciação, o neófito vai dizer e fazer muitas coisas que outros neófitos disseram e fizeram várias centenas de anos atrás. Além disso, é uma coisa gratificante para o rapaz que está sendo iniciado sentir que o que ele está fazendo em uma loja nos Estados Unidos. algum outro jovem está fazendo em qualquer lugar do mundo, e que outros homens também irão fazer nos anos que estão por vir. E quando aquele jovem estiver presente, já na sua velhice, na cerimônia de iniciação de seu neto favorito, as lágrimas virão aos seus olhos ao relembrar o que ele viu e ouviu na noite de sua própria iniciação. Assim, é que é, por meio do ritual a Fraternidade conserva a sua identidade e se mantém sólida para seus membros em todo o mundo, sendo capaz de não sucumbir pelas ações do tempo.

Além disso, podemos dizer, embora haja pouco espaço para desenvolvermos um assunto tão rico, que a repetição eterna do mesmo ritual significa que cada palavra torna-se associada na mente de cada Maçom com experiências diversas. O componente presente na vida da loja é como uma rocha sólida sobre a qual surge o coral, ou como uma antiga mansão que reúne todas as memórias das gerações que ali viveram.

E esse elemento ritualístico, sendo algo que quase qualquer homem pode aprender, não exclui ninguém de participar das atividades da loja. Se cada reunião da loja significasse um novo discurso, ou um novo programa, ou alguma outra novidade, então apenas alguns homens talentosos poderiam estar presentes.  Por outro lado, seguindo o ritual todos os irmãos estarão presentes e unidos na bateria de alegria quando um candidato é trazido à luz.

Apesar de dizer anteriormente que não teríamos mais espaço para desenvolver nossos pensamentos sobre o assunto, acredito que o abordamos de maneira clara. Espero que seja o suficiente para lembrarmo-nos do grande tesouro que dispomos em nosso ritual, pois nele estão as riquezas extraídas de todas as partes do mundo e de todas as eras, e para compreendermos o grande segredo da vitalidade da Ordem, de sua imortal juventude, e – isto talvez não tenha ficado claro – de sua original e ímpar forma de desenvolvimento pessoal. Pois não pode haver liberdade para um homem onde não há também regras mais rígidas.

Se todas as estrelas decidissem inovar, e passassem a mover-se livremente como os pássaros no ar; se todas as coisas comuns a nós repentinamente desejassem serem diferentes do que realmente são e começassem rapidamente a transformar-se, teríamos uma grande balbúrdia no Universo, e nessa “liberdade” atrapalhada de se fazer o que se quer, desapareceriam a espontaneidade, a originalidade, e a liberdade individual, já que onde não existe ordem não pode haver liberdade.

Do simbolismo ainda mais pode ser dito do que do ritualismo, pois tem sido mais universal o seu uso e é capaz de uma aplicação muito mais ampla. Símbolos foram a primeira forma de comunicação do homem. Antes de letras e palavras foram inventadas imagens, criadas para transmitir os pensamentos, e diversos sinais foram criados para representar diversas coisas. Quase toda a linguagem primitiva é uma linguagem simbólica, pois “a voz do sinal”, como Robert Freke Gould descreveu-a, pode ser compreendida por crianças e selvagens. Mesmo hoje, após o uso de palavras ter sido aprimorado quase que infinitamente, símbolos permanecem em uso constante. O pedaço de seda preta na porta é o sinal de morte; um anel representa o compromisso entre um homem e uma mulher; o lírio significa Páscoa e imortalidade, e o emprego de botões, emblemas, brasões, bandeiras, e a lista continua, interminável. Se alguém pudesse registrar uma vida humana em cada detalhe de sua existência desde o nascimento até a morte, ele iria descobrir que essa vida é toda coberta com símbolos, como tenda dos índios norte-americanos.

Não há nada magistral ou simples no uso de um dispositivo tão universal, e não há qualquer dificuldade em descobrir por que é que os símbolos são tão naturais para todos nós.

Por um lado, um símbolo não se esgota tão rapidamente quanto as palavras. Há mistério e profundidade nele, uma infinidade de pequenas sugestões, um incentivo a novas abordagens de pensamento. Suponha, por exemplo, que usemos uma série de discursos para transmitir a um candidato a lição incutida pelo drama de Hiram Abiff! As meras ideias abstratas poderiam ser assim expressas, mas quanto elas perderiam do poder sobre a mente do homem! Da forma que é, nenhum homem pode presenciar a apresentação simbólica da tragédia, mesmo pela centésima vez, sem encontrar-se em um novo estado de espírito, ou com novos pensamentos. Há algo inesgotável no símbolo, de modo que ele ainda estará presente mesmo após o morte de muitas línguas. Ele continua nos dizendo: “Você adivinhou corretamente este significado, mas eu tenho mil outros significados que ainda não foram decifrados.”

Isso sugere mais uma das melhores utilizações de simbolismo. Nós não podemos aprender a mensagem de um símbolo com uma mente meramente passiva e receptiva, porque é do gênio do simbolismo se esconder, como bem o é se revelar. Quando uma coisa é transmitida a nós em palavras simples, ou em imagens simples, como se vê nos filmes, não há necessidade de se fazer um grande esforço para compreender tudo; mas quando um símbolo é colocado diante de nós, e nós temos uma razão para proteger a sua mensagem, nossas mentes devem agir, para que nenhum de seus significados permaneça desconhecido. Seu valor para nós é como o ouro escondido na montanha – o mineiro deve cavar encontrá-lo. Isto é uma virtude, porque muitos homens são amaldiçoados pela recusa em usar suas próprias habilidades. Eles passam por toda a sua vida repetindo pensamentos de outros homens, e essa é uma vida necessariamente sem prazer algum de fazer novas descobertas, que é uma das alegrias  para os que têm presença de espírito.

Todas as grandes coisas, amor, amizade, morte, imortalidade, religião, patriotismo, etc., falam-nos através de símbolos. A vibração da bandeira na frente de uma coluna de soldados nos motivará mais que qualquer discurso: a cruz irá sugerir mais sobre a morte do que qualquer sermão. Talvez isso seja porque o símbolo tenha vários caminhos através dos quais pode alcançar a mente; ele está presente nas características do quadro, dos atos, dos sons, das palavras, e das cerimônia, e por causa de sua ampla utilização e antiguidade encontram-se sobre ele combinações incalculáveis.

Um símbolo, a menos que seja um inventado por algum indivíduo de uma maneira puramente arbitrária, é geralmente entendido em toda parte; ele fala uma linguagem universal. Um círculo para nós significa “infinito”, porque ele não tem começo nem fim. Significa a mesma coisa na Índia e no Japão.E significava a mesma coisa para os homens que viveram antes do alvorecer da história. a Maçonaria nunca poderia ter-se tornado uma instituição mundial se não tivesse em seu ritual um conjunto de símbolos, se não tivesse aprendido há muito tempo a transmitir seus ensinamentos por meio de emblemas e símbolos. Se seus ensinamentos fossem estabelecidos apenas em palavras, essas teriam que ser colocadas em um livro, esse livro teria que ser traduzido em diversas línguas, o que nunca seria um processo satisfatório; falar através de símbolos, é falar a “língua do povo” em todos os lugares.

Além disso, o caráter simbólico do ensino da Maçonaria tende para que a tolerância de pensamento, que é uma das suas bandeiras. Não pode haver interpretação dogmática e oficial de um símbolo para obrigar o parecer favorável disposto por qualquer mente; a mensagem dos símbolos é, em virtude da sua própria natureza, fluida e livre, de modo que todo homem tem o direito de pensar por si mesmo. De professores e estudiosos maçônicos tem havido muitos – Oliver, Preston, Pike, Mackey, e outros igualmente tão honrosos para a nossa história, e estes deram-nos interpretações nobres da Maçonaria, mas nenhum Maçom é obrigado a aceitá-las. Em uma grande Ordem que ensina por meio da “voz dos sinais” nunca pode haver um papa.

O que nos lembra que o simbolismo em si não é uma coisa infalível, e possui toda a sabedoria. Assim como existem livros bons e ruins, e os homens de bem e do mal, por isso existem símbolos bons e maus, e cada um deve manter para com todo o simbolismo uma mente ágil e crítica. Devemos sempre separar o joio do trigo.

Depois de estudar a filosofia do simbolismo, tendo como guia o que foi dito anteriormente, vai ser bom para o estudante para investigar uma outra questão: Que regra iremos usar para interpretar os símbolos maçônicos? O que foi dito sobre o direito de cada membro interpretar os símbolos a sua maneira não quer dizer, naturalmente, que ele sempre tem o direito de interpretar um símbolo maçônico sem nenhuma reflexão, ou que ele jamais poderá descobrir uma verdadeira interpretação, sem levar em conta a devida consideração que outros já fizeram sobre o símbolo em si. Esse procedimento não seria o pensamento livre, mas uma ausência de pensamento. Eu mesmo acredito no princípio histórico da interpretação, e tenho encontrado na prática algumas vozes que compartilham desse pensamento. Quero com isto dizer que, se nos comprometemos a interpretar alguns símbolos, devemos primeiro tentar aprender o que esse símbolo sempre significou para a Fraternidade no passado. Se perguntarmos a nós mesmos, por exemplo, qual é o significado do esquadro e do compasso, devemos tentar descobrir quando esses símbolos entraram em uso na Fraternidade; porque entraram em uso; o que significaram então, e então nós devemos tentar aprender o que a Fraternidade tem entendido por estes símbolos durante os séculos seguintes. Isso vai nos salvar de uma interpretação baseada na ignorância, ou arbitrariedade, ou em nossas próprias manias, e também iria jogar uma nova luz sobre o que a Maçonaria como um todo significa para nós.

Continua…

Autor: H. L. Haywood
Tradução: Luiz Marcelo Viegas
NOTA:
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Os Grandes Ensinamentos da Maçonaria – Capítulo I

O que é isso tudo? 

Essa foi uma pergunta que eu me fiz muitas vezes durante minha iniciação. É uma pergunta que você, sem dúvida, também fez a si mesmo, e por ela todos somos moldados até o fim do Terceiro Grau. A linguagem do ritual, imponente e bonito como ele geralmente é, é para a maioria de nós um discurso “misterioso”; e as instruções e a ritualística são igualmente confusas para o neófito. Por isso é que fazemos a pergunta, “O que é isso tudo?”.

Depois de nos tornarmos familiarizados com o ritual e ter aprendido alguma coisa de seu significado, descobrimos que a própria Fraternidade, como um todo, e não apenas uma parte ou detalhe mais misterioso, é algo quase demasiado complexo para se entender. Com o passar do tempo o maçom fica tão acostumado com o ambiente da Loja que ele se esquece de sua primeira sensação de estranheza, mas mesmo assim ele ouve de tempos em tempos coisas sobre antiguidade, a universalidade e a profundidade da Maçonaria; ouve conversas sobre o seu lugar na história e no mundo, e isso o faz sentir que, apesar de toda sua familiaridade com a Loja, ele pouco sabe sobre a Fraternidade Maçônica na sua totalidade.

O que é a Maçonaria? O que é que está tentando fazer? Como veio a ser? Quais são os seus ensinamentos centrais e permanentes? É para responder a estas perguntas — e essas perguntas passam pela mente de quase todos os Maçons, porém ele pode ficar indiferente a elas — que a filosofia da Maçonaria existe. Para entender “O que é isso tudo”, no seu conjunto, e não em partes, devemos aprender sobre a filosofia de nossos mistérios.

O indivíduo que ingressa na Maçonaria torna-se herdeiro de uma rica tradição; a iniciação que lhe permite o acesso aos mistérios não é algo que o capacitará em um dia, e ele vai aprender pouco se nenhuma tentativa fizer de se aprofundar em seus ensinamentos. Ele deve aprender um pouco da história da Maçonaria; de suas realizações nas grandes nações; dos seus professores excelentes, e o que eles têm ensinado; de suas ideias, princípios, espírito.

A Iniciação por si só não confere esse conhecimento (e não poderia): o próprio iniciado deve se esforçar para compreender as riquezas inesgotáveis ​​da Ordem. Ele deve descobrir os propósitos maiores da Fraternidade a que pertence.

Não há uma interpretação pronta para o que é Maçonaria. O irmão recém-iniciado não encontra à sua espera um ritual leia-e-aprenda. Ele deve pensar o que é a Maçonaria por si mesmo. Mas pensar o que é Maçonaria por si mesmo não é tarefa fácil. Isso requer que o neófito a veja por suas próprias perspectivas; que se conheçam os principais contornos da sua história; que se saiba como ela realmente é, e o que está fazendo; e entender como ela foi entendida pelos seus próprios pelos seus membros em seus primórdios. Não é fácil de fazer isso sem orientação e ajuda, e é para dar esta orientação e ajuda que esta série foi escrita.

Há ainda outra razão para o estudo da filosofia, ou, como nós aqui preferimos dizer, os ensinamentos da Maçonaria. Nossa Fraternidade é uma organização mundial com Grandes Lojas praticamente em todas as nações. Para sustentar, gerenciar e promover tal sociedade custa ao mundo somas incalculáveis de dinheiro e esforço humano. Como pode a Maçonaria justificar sua existência? O que fazer para reembolsar o mundo com seus próprios recursos? De uma forma ou de outra, essas perguntas são feitas a quase todos os membros, e cada membro deve estar pronto para dar uma resposta verdadeira e adequada. Mas para dar tal resposta exige-se que ele tenha entendido os grandes princípios e estar familiarizado com os contornos das realizações do Craft, e isso novamente é um dos propósitos do nosso filosofar sobre a Maçonaria.

Como podemos chegar a uma filosofia da Maçonaria? Como podemos aprender a interpretação autêntica dos ensinamentos da Maçonaria? Qual é o método pelo qual aquele que não é nem um estudioso geral, nem um especialista maçônico pode ganhar alguma compreensão abrangente da Maçonaria como foi dito nos parágrafos anteriores? Em suma, como pode um homem “chegar a ela”?

Uma forma de “chegar a ela” é ler uma ou duas boas histórias maçônicas. Não há necessidade de entrar em detalhes ou ler sobre as várias questões colaterais de interesse meramente histórico; isso é para o estudante profissional. Essa leitura e apenas para obter a tendência geral da história e para capturar os eventos pendentes; para saber o que a Maçonaria tem realmente realizado no mundo e receber um insight sobre seus propósitos e princípios; para, como qualquer outra organização, ver revelado seu espírito através de suas ações. A partir de um conhecimento do que a Ordem tem sido e o que ela fez no passado pode-se facilmente compreender a sua própria natureza presente e princípios, e entender porque Maçonaria nunca teve necessidade de romper com o seu próprio passado! A Maçonaria de hoje não nega a Maçonaria de ontem. Seu caráter resulta claramente da sua própria história como uma montanha se destaca acima de uma névoa; e que sempre tem sido, pelo menos em um grande caminho – é agora, e sem dúvida sempre será.

Esta mesma história constrói-se incessantemente, sempre renovando e formando-se. Acontece no dia-a-dia, e o processo mantém-se aberto a todos, pois, afinal de contas, não há muito que se esconder sobre a vida rica e incansável da Fraternidade; na verdade, esta vida está constantemente revelando-se em todos os lugares. Grandes Lojas publicam seus Anais; homens que exercem as funções ativas de escritórios maçônicos fazem relatórios dos seus funcionamentos; estudiosos do Craft escreverem artigos e publicam livros; Oradores maçônicos entregar incontáveis ​​discursos; conferências maçônicas especiais, qualquer que seja a sua natureza, publicam os temas discutidos; a maioria dos eventos mais importantes está presente nos jornais diários; há dezenas e dezenas de jornais maçônicos, boletins e jornais, semanais, mensais e bimestrais, e há muitas bibliotecas, clubes de estudo e de sociedades científicas em todos os lugares se esforçando com zelo incansável para tornar claro aos membros e profanos “o que é tudo isso.” Assim, verifica-se que para aprender isso por si mesmo não é necessário que uma definição de Maçonaria ouvida por um irmão seja o fim da linha; ele pode (e deve) pesquisar sobre o tema, ouvir outros irmãos, e ler um pouco, e, assim, formar suas próprias conclusões. Para saber quais são esses ensinamentos não é necessário nenhum talento raro, nenhum  “conhecimento interno”, mas apenas um pouco de esforço, um pouco de tempo.

Para o neófito do mundo maçônico parece muito confuso, é tudo tão multifacetado, tão longínquo, tão misterioso; mas isso, afinal de contas, não precisa assustá-lo e impedi-lo de uma tentativa de entender esse mundo com uma visão abrangente, e perceber que toda a Maçonaria gira em torno de algumas grandes ideias. Compreender essas ideias por sua vez, é o que  torna mais familiar para um Maçom palavras tais como “Fraternidade”, “Igualdade”, “Tolerância”, etc., etc., de modo que o mais jovem Aprendiz não precisa ter nenhuma dificuldade no seu entendimento. Se ele chegar a elas, e se ele aprende a compreendê-las como maçons devem entendê-las, elas vão ajudá-lo muito para conquistar essa visão abrangente e inclusive do que chamamos de filosofia da Maçonaria.

Nada foi dito ainda dos grandes mestres da Maçonaria. No passado havia Anderson, Oliver, Preston, Hutchinson, etc .; depois vieram os filósofos da meia-idade, Pyke, Krause, Mackey, Drummond, Parvin, Gould, Speth, Crawley, e outros; e em nossos dias Waite, Pound, Newton, etc., etc. Nas obras desses homens as grandes e simples ideias da Maçonaria se tornaram luminosas e inteligíveis, de modo que podemos ler e compreender o que dizem.

Além disso, o maçom deve estudar as leituras e instruções incorporadas ao ritual de todos os ritos e graus, sendo estes instrumentos interpretativos uma parte do próprio Craft. Nenhum deles é infalível – mas mesmo quando se afastam do significado original de nossos símbolos são sempre valiosos em revelar as ideias e os ideais das pessoas de que se originaram e que deles fizeram uso.

Isto é para mostrar por que devemos nos esforçar para fazer da nossa própria mente uma filosofia da Maçonaria, e de quantas maneiras pode-se chegar a essa filosofia. Mas cuidado. O estudo da filosofia da Maçonaria não é o estudo da filosofia maçônica; o estudante maçônico como tal, pode vir a ter pouco interesse em Platão e Aristóteles, no neoplatonismo, misticismo, Escolástica, racionalismo, idealismo, pragmatismo, Naturalismo, etc. Na Maçonaria há sinais de cada um desses e de outros sistemas filosóficos principais, sem dúvida, mas não existe essa coisa de filosofia maçônica, da mesma forma que não existe religião maçônica. Falamos de uma filosofia da Maçonaria no mesmo sentido que falamos de uma filosofia de governo, ou da indústria, ou arte, ou ciência. Queremos dizer que se estuda a Maçonaria, da mesma forma ampla, esclarecida, inclusiva e crítica, da mesma forma em que um economista estuda a política de um governo ou um astrônomo estuda as estrelas.

Seria uma coisa abençoada se um maior número de nossos membros deixasse de lado os assuntos administrativos e, muitas vezes mesquinhos de sua própria Loja, a fim de olhar com mais frequência para esses princípios profundos e sábios que estão para nossa Fraternidade assim como as leis da natureza estão para o universo.

Continua…

Autor: H. L. Haywood
Tradução: Luiz Marcelo Viegas
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