A Passagem

Como lidar com as mudanças? - Psicólogos Berrini

Chama-se Passagem [1] à Cerimônia pela qual o Aprendiz adquire o estatuto de Companheiro, conferindo-lhe o segundo grau da Arte Real.

Tal como a Iniciação, a Passagem é um rito… disso mesmo: de passagem. Tal como aquela, tem os três tempos de um rito de passagem: de onde vens, o que és, para onde vais.

Mas, ao contrário da Iniciação, a cerimônia de Passagem deixa quase sempre no novel Companheiro um travo de desapontamento, uma sensação de que o que ocorreu foi menos do que o que o esperava.

Efetivamente, a Cerimônia de Passagem é muito mais simples e sóbria do que a Iniciação. Se pensarmos bem, deve sê-lo! A Iniciação marca a entrada num novo mundo, marca a transição da vida profana para a vivência maçônica. A Passagem assinala apenas o dobrar de uma etapa. Uma marca que, tendo o valor de assinalar um progresso, uma melhoria, um crescimento, no entanto o maçom que dela beneficia já deverá começar a perceber que é só uma pequena parte do muito caminho que ainda tem para percorrer, se quiser efetivamente atingir a plenitude das suas capacidades.

E, para que o maçom que passa de Aprendiz a Companheiro não tenha dúvidas nem ilusões sobre o pouco que andou e o muito que lhe falta percorrer… vai começar por se desiludir com a espartana Cerimônia de Passagem!

Não é só por esta razão que a Cerimônia de Passagem é tão simples. Porque ela é propositadamente simples, curta e sem enfeites!

A Cerimônia de Passagem não marca apenas uma mudança de estatuto, de grau, de Aprendiz para Companheiro.

A Passagem assinala sobretudo um novo estilo e objetivo de trabalho. Não uma mudança, porque o maçom não deve deixar de efetuar o trabalho que aprendeu a fazer enquanto Aprendiz para passar a fazer o tipo de trabalho do Companheiro. Não isso. Um maçom deve ser Aprendiz toda a sua vida maçônica. A Passagem assinala que, para além do trabalho que o maçom faz enquanto Aprendiz, deve, a partir de então, passar a executar também um novo tipo de trabalho.

A Passagem não é uma promoção. É um entregar de novas responsabilidades, a acrescer às que já se cumprem.

A Passagem não se destina, portanto, a impressionar, a marcar. A Passagem, pelo contrário, destina-se a enfatizar que o trabalho do maçom é sóbrio e persistente e cada vez mais profundo e variado. A Passagem não é uma festa. É apenas a entrega de um certificado de aptidão. A Passagem não é uma entrada na Mansão do Conhecimento Maçônico, é apenas a abertura de mais uma porta e o acesso de mais uma sala, para que o maçom, que anteriormente trabalhava apenas na sala dos Aprendizes… passe agora a trabalhar também na oficina dos Companheiros.

A Passagem deixará no maçom um travo levemente amargo da desilusão. Mas é para isso que serve. Para que o maçom perca as últimas ilusões que, sobre a Maçonaria, ainda guarde do seu passado de profano e confirme que o seu caminho é de trabalho. Mais trabalho.

Eu senti essa desilusão na minha Passagem a Companheiro. Eu, que já assisti e participei em dezenas de Cerimônias de Passagem, já vi dezenas de trejeitos de desilusão nas faces e nos olhos dos meus Irmãos. A alguns a desilusão é tanta e tão pesada que, mansamente, discretamente, se vão ausentando e decidem abandonar o caminho que os demais continuam a percorrer. Não é grave! Nem todos os Aprendizes chegam a Companheiros. Nem todos os Companheiros ascendem a Mestres. E seguramente que nem todos os Mestres virão a exercer o ofício de Venerável Mestre. É assim a realidade! Para alguns, o peso do trabalho é superior ao que se sentem com capacidade de suportar e arreiam. Também na Maçonaria a seleção é natural… Cada um percorre o seu caminho ate onde pode. Mesmo os que decidem parar a meio, já percorreram, pelo menos, uma parte do caminho. Esse ganho já é deles e ninguém lhes tira.

Não é por sadismo ou por inconsciência que se sujeita o maçom à desilusão, que se arrisca a sua desistência. É porque é necessário que essa etapa seja vivida. O novo trabalho que se acrescenta parecerá, para muitos, inútil e desnecessário. Mas não é nem uma coisa, nem outra. Porque com ele o maçom vai aprender que, para ser Mestre de si próprio, tem de ser um Homem completo. E que tem de se completar. De crescer e desenvolver-se harmoniosa e equilibradamente em todos os campos. Não apenas num ou em alguns. Sobretudo, não apenas onde e como gosta…

Para começar, tem uma desilusão… Mas, se efetivamente aprendeu bem o que tinha de aprender na coluna dos Aprendizes, cedo, logo, superará essa desilusão; cedo, logo, se lembrará que, em Maçonaria o que parece normalmente é diferente do que é e o que é normalmente é mais do que parece; cedo, logo, esquecerá a desilusão e olhará, atentará, meditará no que, espartana, simplesmente, lhe foi mostrado. E agirá em conformidade. E com isso completar-se-á.

Demorei muitos anos a perceber isto. Andei muito tempo a dizer e a escrever que o grau de Companheiro estava mal acabado, que era desinteressante, que era uma perda de tempo, enfim, uma quantidade de disparates que os mais antigos fizeram o favor de estoicamente suportar, sem me tirarem a possibilidade de descobrir por mim próprio como eram tão desajustados!

O ciclo reproduz-se com cada maçom que persiste! Desilude-se, interroga-se, observa, trabalha, evolui e… um dia percebe que era assim mesmo que tinha de ser e de fazer. Quando, finalmente, estiver pronto para perceber.

A cada novo Companheiro eu dedico três desejos: que cumpra o ciclo que eu e muitos outros antes de mim cumpriram e ainda muitos mais cumprirão depois dele; que, um dia, perceba, como eu percebi; que não necessite de tanto tempo como eu necessitei!

Autor: Rui Bandeira

Fonte: Blog A Partir Pedra

Nota

[1] – Cerimônia de Elevação

Screenshot_20200502-144642_2

Se você acha importante o trabalho que realizamos com O Ponto Dentro do Círculo, apoie nosso projeto e ajude a manter no ar esse que é um dos mais conceituados blogs maçônicos do Brasil. Você pode efetuar sua contribuição, de qualquer valor, através dos canais abaixo, escolhendo aquele que melhor lhe atender:

Efetuando seu cadastro no Apoia.se, através do link: https://apoia.se/opontodentrodocirculo

Transferência PIX – para efetuar a transação, utilize a chave: opontodentrodocirculo@gmail.com

O ritual maçônico é uma inovação

CriminalCyprus

Quando o Venerável Mestre é perguntado, em sua instalação, se ele concorda que um homem ou qualquer corpo de homens, não podem fazer mudanças no corpo da Maçonaria, é importante compreender que isto se refere a preservação da estrutura organizacional da Ordem maçônica e não a seus rituais cerimoniais. Mais de um Grão-Mestre tentou aplicar esta advertência para o ritual maçônico em si. No entanto, uma breve análise do desenvolvimento dos rituais e suas muitas formas através do panorama das jurisdições maçônicas, vai mostrar rapidamente que esta pergunta veio das Old Charges e não tem nada a ver com os aspectos ritualísticos da nossa fraternidade. Nossos fundadores nunca tiveram a intenção de que os rituais cerimoniais permanecessem estáticos. A proibição de renovação não se aplica ao ritual maçônico, enquanto que esta é a única base sobre a qual toda a Luz da Maçonaria é transmitida e revelada.

Ainda que a Grande Loja Unida da Inglaterra insista que “a antiga e pura Maçonaria consiste em apenas três graus, incluindo o Santo Real Arco” o que é historicamente impreciso, as Grandes Lojas sempre tiveram o direito de decidir por si mesmos, como os seus rituais serão.

O único “antigo e puro” ritual maçônico no mundo é o ritual que existia em 1717, quando a primeira Grande Loja foi formada. Nós sabemos como foi aquele ritual porque ele foi amplamente publicado nos três primeiros manuscritos maçônicos, na forma de catecismos ainda existentes, em relação ao período de 1696-1715, os quais vieram da Escócia. O que é surpreendente sobre estas revelações é que elas encontraram o caminho para serem usados e adotados pelas lojas inglesas. Mais importante é que encontramos neles a maior parte do alicerce sobre o qual todos os rituais maçônicos foram erguidos mais tarde – a posição dos pés, a menção do “aprendiz” e “companheiro”, os cinco pontos do companheirismo, a menção do compasso, esquadro e Bíblia no mesmo contexto, o átrio do Templo do Rei Salomão, o sinal penal, existem muitas coisas para reconhecermos ali. É mais do que coincidência encontramos essas características em comum em todos estes catecismos antigos.

Um outro ponto é extraordinário em todos estes trabalhos: Graus não são mencionados. Quando a primeira Grande Loja no mundo foi criada, havia apenas a cerimônia de fazer um Maçom “Aceito” e a “Função do Mestre”. Na verdade, não temos nenhuma evidência de um sistema de três graus, ou de um terceiro grau, antes da famosa exposição de Samuel Pritchard intitulada de “A Maçonaria Dissecada”, publicado em 1730.

Isso faz com que o grau de Mestre Maçom na Maçonaria seja uma inovação!

Historiadores importantes concordam que o terceiro grau foi introduzido na Maçonaria em torno de 1725. Tornou-se popular ao longo das próximas duas décadas, principalmente porque os maçons adotaram a exposição de Pritchard como uma ajuda ao trabalho de memória. Sua obra não autorizada, se tornou o primeiro monitor maçônico e seria por décadas, o livro de rituais não oficial dos maçons. É também a primeira menção que temos da lenda de Hiram.

Ninguém sabe de onde essa história veio, mas supõe-se que Desaguiliers pode ter sido o autor, sendo Grão Mestre em 1719 e Vice-Grão Mestre em 1722 e 1726. Este foi o período em que o terceiro grau foi introduzido nas cerimônias da primeira Grande Loja. A lógica sugere que Desaguliers e seus irmãos maçons da Royal Society, poderiam ter sido os responsáveis. Certamente, nada poderia ter sido introduzida sem a sua aprovação. Na verdade, o Craft mudou drasticamente, enquanto Desaguliers estava em cena. A Grande Loja passou de um banquete anual para um órgão administrativo, com atas e orientação política para lojas, incluindo a estrutura de seus graus.

Se Desaguiliers e seus amigos de fato foram os autores do terceiro grau, voltaram a Maçonaria para um novo caminho. Em 1730, a cerimônia que conhecemos como Real Arco foi desenvolvida, a que reviveu uma história do grego antigo que data do ano 400. Em 1735, o Rito de Perfeição, consistindo de 14 graus, foi introduzido, estabelecendo uma cronologia bíblica para a estrutura do ritual maçônico. Tanto o Real Arco quanto o Rito de Perfeição, inovadores como eram, foram declarados pelos membros como “restabelecimento” da maçonaria antiga, porque eles automaticamente transmitiam uma face artificial da idade do grau ou da ordem. Depois de alguns anos, até os historiadores da Grande Loja estavam escrevendo que estes graus adicionados eram restaurações de um sistema mais antigo. Tornou-se moda acreditar que não havia nada mais inovador do que eles!

Claro que todos os novos graus/ordens foram adotados em uma única premissa – a que havia sido perdido no terceiro grau, tinha que ser encontrado. Por esta razão, todos eles apresentam uma semelhança surpreendente na estrutura e todos mostram que os sinais são provenientes da mesma fonte, com a mesma regularidade em sua forma. Mesmo com graus adicionais desenvolvidos, eles mantiveram uma estrutura “tradicional”.

Esta semelhança na estrutura é mais uma prova de que os nossos graus maçônicos, foram na verdade, criados em uma onda de moda. Todos eles insinuam que há grandes segredos para serem encontrados pelo maçom dedicado. E, de fato, existem.

Ao mesmo tempo que os graus e ordens foram crescendo aos trancos e barrancos, tanto no Rito de York quanto no Rito Escocês, ritualistas maçônicos nas lojas do Craft, continuaram a adicionar a linguagem dos três primeiros graus, acrescentando solidez à sua forma. Durante a segunda metade do século 18, um crescimento intelectual extraordinário foi adicionado ao velho conceito de “pura e antiga”, nos simples catecismos de 1717. Na verdade, o desenvolvimento e expansão do ritual, continuou a estar na moda como um dos meios de educar o Craft até a década de 1820.

Realmente foi criada uma escola de educação que prosperou por quase um século até as Grandes Lojas, principalmente as dos Estados Unidos, que determinaram que deveria haver apenas um ritual, aquele adotado por eles e todo o resto não importava. As Grandes Lojas dos EUA estabeleceram mais uma inovação na Maçonaria, que o ritual fosse imutável. Eles decidiram por si mesmos que a Maçonaria pura e antiga era a sua Maçonaria somente. O ritual maçônico se tornou uma coisa fixa e estagnada.

Esta inovação do século 19 pode ter marcado o início do declínio na Maçonaria. Foi durante essa época que as Grandes Lojas decidiram coletivamente, que não havia nada mais a ser aprendido no ritual maçônico. Nossas palavras foram congeladas no tempo.

Agora eu quero saber se é hora de criarmos mais uma inovação na Maçonaria, o de educar os maçons de que o uso ritual deve ser um processo dinâmico, assim como a aprendizagem é dinâmica. Claro, nós não precisamos adotar mais palavras. Mas leve em consideração como instrutivo seria se a diversidade de rituais fosse introduzida como uma ferramenta adicional para instrução, se rituais alternativos já adotados em outras jurisdições em todo o mundo, poderiam ser utilizados por vontade da loja e sancionada pela Grande Loja. Imagine como emocionante e revigorante seria se tivéssemos dez ou doze diferentes rituais disponíveis para nós em cada grande jurisdição!

Talvez seja hora de fazer a Maçonaria da moda outra vez, tanto através da variedade de sua forma de ritual e no desenvolvimento de sua forma intelectual, onde palestras, ensaios e diálogos são compartilhados regularmente em loja, todos focados em iluminar a mente. Talvez os jornais mais instrutivos e informativos, poderiam se tornar uma parte dos monitores impressos da Maçonaria, não deve ser memorizado, mas para ser sancionado e publicado para o benefício daqueles que querem ter acesso a mais conhecimento nas formas de maçonaria. Aqueles que sabem que mais luz na Maçonaria não é a propriedade da Grande Loja, mas sim, do indivíduo e seus irmãos em sua busca coletiva de uma vida, a busca por aquilo que foi perdido nas palavras e seus significados.

Em práticas como essas, nós não devemos, mais uma vez exercitar a “pura e antiga” Maçonaria? Poderia ser apenas mais uma inovação digna de nosso antigo Craft.

Autor: Robert G. Davis
Traduzido por: Luciano R. Rodrigues

Fonte: O Prumo de Hiram

Screenshot_20200502-144642_2

Se você acha importante o trabalho que realizamos com O Ponto Dentro do Círculo, apoie nosso projeto e ajude a manter no ar esse que é um dos mais conceituados blogs maçônicos do Brasil. Você pode efetuar sua contribuição, de qualquer valor, através dos canais abaixo, escolhendo aquele que melhor lhe atender:

Efetuando seu cadastro no Apoia.se, através do link: https://apoia.se/opontodentrodocirculo

Transferência PIX – para efetuar a transação, utilize a chave: opontodentrodocirculo@gmail.com

A importância do Ritual

The Ritual

Meus Irmãos, saúdo-vos fraternalmente, em todos os vossos graus e qualidades.

A suspensão dos trabalhos presenciais por virtude da pandemia em curso, revelou-nos a falta que o Ritual, a execução do Ritual, nos faz. É essa a natureza humana: muitas vezes só nos damos conta do que é importante quando o não temos. Mas não é sob esta perspectiva que escolhi expor a Importância do Ritual. Vou procurar incidir a nossa atenção sobre a razão por que o Ritual é importante, porque só tendo-se essa noção é que nos apercebemos completamente da importância do mesmo.

Começo por fazer uma afirmação que aparentemente não tem nada a ver com o tema e que é – como todas! – discutível, mas cujo mérito vos peço que julgueis apenas no final desta nossa conversa: a Maçonaria não se ensina, aprende-se!

Não quero com esta afirmação dizer que os mais experientes não devem partilhar com os mais novos o que aprenderam, o que sabem. Com esta frase, enfatizo que, em Maçonaria, o que é importante não é o que se transmite mas, antes, o que se apreende. Porque a experiência, a vivência, a personalidade do que transmite são diferentes das do que recebe. Assim, o que verdadeiramente interessa não é o que se ensina, se partilha, se transmite. O que importa é o que se aprende e, mais do que isso, o que se apreende, o que se interioriza. E aquelas e estas não são necessariamente – atrevo-me mesmo a dizer que raramente são – a mesma coisa. E, bem vistas as coisas, é inevitável que assim seja, pois, como já há pouco referi, o que transmite e o que recebe têm personalidades, vivências, capacidades, características diferentes. Assim, o que transmite tem necessariamente uma noção diversa do que aquele que recebe. Este, daquilo que é transmitido, receberá o que, na ocasião, estiver apto e pronto a receber, será tocado pelo que, no momento, o sensibilize. Em suma, o que ficará é o que ele aprende e apreende, não o que o que transmitiu julga que ensinou…

Não tenho, portanto, a pretensão de ensinar nada! Tenho apenas a esperança de que, da maçada a que agora vos submeto, cada um de vós retenha algo de útil.

Em meu entender, para uma correta abordagem da importância do ritual impõe-se que previamente distingamos entre Conhecimento e Sabedoria. O Conhecimento é tudo aquilo que aprendemos e estamos aptos a utilizar, quando necessitamos. A Sabedoria é algo mais profundo. Baseia-se, é um fato, nos conhecimentos que adquirimos. Mas reside na intuição, na capacidade adquirida de, relacionando tudo o que conhecemos, daí selecionar o que efetivamente importa, o que é adequado para um momento específico, uma situação concreta. Nem sempre aquele que tem mais conhecimentos é o que tem a sabedoria necessária para escolher a via justa, a palavra indicada, o gesto preciso, a atitude certa perante uma dada situação concreta. Numa muito grosseira aproximação, poderíamos dizer que a sabedoria resulta do conhecimento sublimado pela experiência. É através dos êxitos e fracassos na nossa escolha na utilização dos nossos conhecimentos que sublimamos o nosso Conhecimento em Sabedoria, que passamos do Conhecer ao Saber.

Memoriza-se e utiliza-se o que se conhece; desenvolve-se e internaliza-se o que se sabe.

O meio privilegiado para rápida aquisição de Conhecimento é o Estudo. Para se chegar à Sabedoria é preciso tempo e vivência. Mas há um meio para acelerar esse percurso, para induzir a Sabedoria: a utilização, execução e prática do Ritual. Se o Estudo é um meio de aquisição de Conhecimento, o Ritual é indutor de Sabedoria.

Com efeito, o Estudo estimula, faz funcionar, desenvolve a Inteligência Racional. Mas o Ritual, a sua prática, esse, estimula e desenvolve a Inteligência Emocional. E esta é bem mais profunda do que aquela, pois combina o conhecimento, o raciocínio, com a Intuição. O que estudamos pode não nos tocar e dar-nos apenas, pela memorização, a ferramenta necessária para agir. Mas só o que nos toca, nos emociona, efetivamente guardamos para saber como utilizar a ferramenta. A ferramenta é útil, mas saber utilizá-la pela melhor forma é indispensável…

Para entendermos porque e como o Ritual e o seu exercício estimulam a nossa Inteligência Emocional e, logo, induzem a obtenção de Sabedoria, devemos ter presente que, nos primórdios da Humanidade, quando ainda não tinha sido inventada a escrita – e muitas e muitas gerações de humanos viveram sem que houvesse escrita… -, a aquisição de conhecimentos e o acesso à Sabedoria processavam-se através da Tradição Oral. Era exclusivamente por essa via que os mais velhos e os mais experientes transmitiam o que sabiam aos mais novos e sem experiência.

Não havia então propriamente aulas, nem escolas. Os mais velhos e experientes diziam o que tinham aprendido, executavam perante os mais novos os gestos que era necessário fazer, repetiam, uma e outra vez, e faziam repetir muitas e muitas vezes, as palavras, os gestos, os atos de que dependiam, tantas vezes, a alimentação, a segurança e a sobrevivência, não só individuais como do grupo.

Ora, repetir uma e outra vez as mesmas palavras, para transmitir as mesmas noções, executar muitas e muitas vezes os gestos e as ações adequados para a obtenção dos resultados pretendidos mais não é do que… executar um ritual! Um Ritual é um conjunto de palavras, gestos e atos proferidas e executados sempre da forma similar.

Então, nos primórdios da Humanidade, aprendia-se e vinha-se a saber através da repetida execução de rituais. Era pelo que se via, pelo que se ouvia, pelo que se executava, pelo que exaustivamente se repetia, que se entranhava em cada um o que fazer e como fazer para obter alimento, para garantir segurança, para melhorar e curar maleitas, para adquirir o conforto possível.

Os rituais aprendidos e executados propiciavam, assim, a sabedoria necessária para sobreviver e viver o melhor possível.

O cérebro humano foi portanto, desde muito cedo, formatado em primeiro lugar para reagir aos estímulos visuais e auditivos.

Só mais tarde, muito mais tarde, o cérebro humano adquiriu a capacidade e habilidade de decifrar o código da escrita. A criação da escrita foi um avanço civilizacional imenso. Permitiu registar o que se tinha por importante, aquilo que anteriormente tinha de ser adquirido e mantido à custa de repetições. A escrita e a habilidade de a utilizar permitiram à Humanidade um meio mais fácil de registar e dar acesso ao Conhecimento. O cérebro humano naturalmente adquiriu, assim, também a capacidade de adquirir Conhecimento através da escrita, da leitura, do estudo.

Mas tenhamos presente que a camada mais profunda do nosso cérebro é, desde sempre, estimulada auditiva e visualmente e por execuções ritualizadas do que se pretende transmitir. A aquisição de Conhecimento através da escrita, da leitura, do estudo é uma habilidade mais recentemente adquirida, logo, mais superficial no nosso cérebro.

Não nos enganemos: o estudo, a aquisição de Conhecimento pelo estudo, dá trabalho. Esse trabalho é recompensado pelo desenvolvimento da nossa Inteligência Racional, pela habilidade de memorizar, de relacionar, de aplicar. Mas é apenas a Razão que é aplicada e fortalecida.

Para se desenvolver, para se utilizar a Inteligência Emocional, a que nos permite, quantas vezes sem sabermos como, intuitivamente, dizer a palavra certa, executar o gesto adequado, efetuar a ação necessária sem termos de longamente pesar os prós e os contras, sem necessitarmos de fazer exaustivas análises e cálculos, para isso temos de recorrer às camadas mais profundas do nosso cérebro – e essas desde o início dos tempos foram estimuladas pelo que se via e ouvia, pelo que se repetia uma e outra e muitas vezes, pelo que se ritualizava.

Por isso afirmo que o Ritual é o indutor de mais rápida passagem do Conhecimento à Sabedoria, acelerando o que só a Experiência, a Vida vivida, os erros cometidos e as vitórias alcançadas nos permitiria atingir, não fora ele.

Meus Irmãos: até agora tenho sempre falado de Ritual, sem adjetivar e, sobretudo, sem utilizar o adjetivo maçônico.

Porque o ritual, penso tê-lo demonstrado, existe desde sempre e desde sempre aumenta a capacidade humana de discernir, em suma, de saber. E não há “o “ ritual, há muitos rituais, respeitando a muitos momentos, ocasiões e atividades. Existem, bem o sabemos, rituais religiosos. Mas também de outra natureza, uns mais solenes e utilizados em ambiente de Poder ou de significado social, outros mais simples, íntimos até. Atrevo-me a dizer, por exemplo, que todos os casais com algum tempo de ligação criam os seus rituais próprios, indutores de segurança, conforto e manutenção da relação afetiva. 

Uma categoria de rituais que merece referência é o ritual que podemos denominar de grupal, o que marca, define e corporiza a integração de alguém num determinado grupo. Aí não está em causa a aquisição ou consolidação de conhecimentos ou o acesso a sabedoria, mas simplesmente o estabelecimento de uma união grupal, a que o neófito passa a aceder.

Todo o ritual é importante, precisamente porque correspondendo à mais antiga e natural forma de a Humanidade processar a aquisição de conhecimentos, ganhar e manter confiança, obter conforto e segurança. Não é assim porque queremos que seja, assim é porque a nossa evolução como espécie o determinou. Talvez algo grandiloquentemente, pode-se afirmar que a Civilização se alicerça em rituais. 

Mas os Rituais Maçônicos, esses, partilhando com os demais a mesma natureza de meios indutores de aquisição de Sabedoria, têm ainda uma valência própria, quiçá não exclusiva, mas seguramente que identitária.

Os rituais maçônicos têm uma tríade de caraterísticas, duas delas já referidas e uma terceira que podemos considerar própria. Os rituais maçônicos assumem a natureza de indutores de Sabedoria, são também, particularmente nos rituais de Iniciação e de Aumento de Salário, rituais grupais, mas também assumem a natureza de explanação e aprofundamento de Princípios e Valores.

Esta uma especificidade não negligenciável. Os vários rituais dos diferentes ritos maçônicos apresentam-nos e definem-nos Valores e Princípios a que os maçons devem corresponder. Não estão aqui em causa conhecimentos a interiorizar. Estão, diretamente, aspectos e referências morais a seguir, a cumprir, a divulgar.

Os rituais maçônicos, ao promoverem Princípios e Valores, apelam diretamente às caraterísticas básicas do cérebro humano. Os princípios e Valores expostos, facultados, não se destinam a ser meramente apreendidos pela Inteligência Racional, através do estudo e da aquisição de conhecimentos. Procura-se atingir a Inteligência emocional, o âmago da personalidade de cada um e aí efetuar as modificações inerentes a esses Princípios e Valores.

Busca-se a aceleração do processo. Em vez da mera aquisição pela Inteligência Racional e posterior enraizamento através da experiência, busca-se a inserção direta e eficaz na mente do maçom, atingindo o que o Ritual, desde os primórdios da Humanidade toca: a Inteligência Emocional, logo as profundezas do ser que cada um de nós é. Não se semeia, para que porventura nasça e cresça. Planta-se para que, no mais curto espaço de tempo, haja frutos. 

Os rituais maçônicos destinam-se assim, para além da integração de indivíduos em grupos, a propiciar a modificação de cada um, através da interiorização de Princípios e Valores morais, que devem nortear a conduta de cada um,

Expostos de forma ritualizada, muitas vezes repetida, encenada e praticada, tais Princípios e Valores entranham-se diretamente no âmago essencial de cada um, assim propiciando o seu aperfeiçoamento.

Este processo de aperfeiçoamento não é imediato. É demorado, é evolutivo, depende de patamares.

É por isso que é um erro pensar-se que, sabido o ritual, aprendido a executar o mesmo com perfeição, o nosso trabalho está terminado.

Posso garantir-vos, com base na minha experiência de mais de 30 anos de maçom, que não é assim que funciona.

Decorar o ritual, executá-lo na perfeição, são ainda tarefas do Intelecto, da Inteligência Racional. O que importa é senti-lo, vivenciá-lo, apreender aqui e ali algo de novo, algo que nos chama agora a atenção e em que não reparamos antes. Porque esse é o processo de entranhamento das noções transmitidas pelo ritual, esse é o processo de passagem do Conhecimento à Sabedoria.

Se há algo que verdadeiramente aprendi com os nossos rituais é que se está sempre a aprender algo de novo com os mesmos. Em mais de trinta anos de Maçonaria, já repeti, já executei, já vi serem repetidos, já vi serem executados, os nossos rituais centenas de vezes. Nunca me incomodei com a repetição. Nunca deixei de me concentrar na sua execução. E, trinta anos passados, ainda me sucede que subitamente encontro algo de novo, apesar de ser o mesmo ritual que pratico e a que assisto ao longo deste tempo.

Tal sucede por uma simples razão: encontro numa ocasião aquilo que então estou preparado para encontrar. As palavras, os gestos, os atos, são os mesmos desde o princípio. Mas antes eu não compreendera aquele particular significado, porque ainda não estava preparado para tal. Porque tive de seguir uma evolução, compreendendo aqui algo que mais tarde me permitiu perceber aquilo, que me modificou e levou a entrever aqueloutro pormenor, num processo evolutivo permanente.

É para isso que serve o nosso ritual. Porque o ritual maçônico não é um simples ritual igual a todos os outros que a Humanidade segue. O ritual maçônico é um meio de Construção e Aperfeiçoamento de Nós.

É esta a sua importância!

Autor: Rui Bandeira

Fonte : A Partir da Pedra

Screenshot_20200502-144642_2

Estimado leitor, contribuindo a partir de R$ 2,00 você ajuda a manter no ar esse que é um dos blogs maçônicos mais conceituados no Brasil e nossos podcasts O Ponto Dentro do Círculo e O Peregrino. Clique no link abaixo e apoie nosso projeto! Contamos com você!

https://apoia.se/opontodentrodocirculo

Protegido: A Iniciação Real e a Morte do Ego – Parte II (exclusivo para os apoiadores do blog no Apoia.se)

Este conteúdo está protegido por senha. Para vê-lo, digite sua senha abaixo:

Protegido: A Iniciação Real e a Morte do Ego – Parte I (exclusivo para apoiadores do blog no Apoia.se)

Este conteúdo está protegido por senha. Para vê-lo, digite sua senha abaixo:

Cargos em Loja no REAA

Resultado de imagem para cargos em loja maçonica

Venerável Mestre

A joia do VM é o Esquadro. Sen­do o Esquadro o símbolo da Reti­dão, como joia distintiva do cargo de Venerável, indica que ele deve ser o Ma­çom mais reto e mais justo da Loja que preside, como líder de seus Irmãos, competindo-lhe dirigir a Loja, com equilíbrio serenidade e senso de justiça. Sua função, ainda como administrador, é nomear membros da administração e comissões, fazendo parte de todas elas, no intuito de fiscalizar o trabalho das mesmas. Além destas funções, ele inicia e confere Graus, procede à apuração de qualquer eleição ou escrutínio, decide questões de ordem, despacha o expediente com a Secretária da Loja, assina o balaústre, distribui sindicâncias, encerra o Livro de Presença, autoriza despesas ordinárias, apresenta relatórios de sua Administração, organiza e controla as discussões dos assuntos em pauta,

Pelo Venerável se conhece a Loja, sendo ele o resultado da vontade dos Irmãos do quadro, ele é responsável pela harmonia, pela participação ou desunião, ou pelo fracasso ou pelo retumbante sucesso da Oficina. A coluneta que está no altar do VM é a Jônica, que simboliza a sabedoria, daí a estátua de Minerva dos romanos ou Palas Atenas do gregos

Vigilantes

Os Vigilantes são os auxiliares diretos do Venerável Mestre não só para minis­trar instruções aos Aprendizes e Compa­nheiros, como ajudar a administrar a Loja.

1º VIGILANTE: além de substituir o V. Mestre em seus impedimentos e faltas, dirige a sua Coluna de obreiros, transmitindo as ordens do Venerável aos obreiros e ao 2º Vigilante. Também pede ao Venerável a palavra para os obreiros de sua Coluna, dando-lhes as instruções e solicita aumento de salário para os Aprendizes.

O Nível é a joia do cargo. E o símbolo da Igualdade, representando a igualdade social, base do Direito Natural. Cabe-lhe a direção da Coluna do Norte. A Coluna que está em seu altar é a Dórica, que simboliza a Força, daí a estátua de Hercules, estar próximo a ele.

2º VIGILANTE: substitui o Venerável durante o impedimento concomitante deste e do 1ºVigilante. Dirige os obreiros de sua Coluna, a do Sul, solicitando a palavra para eles, dando-lhes as instruções e solicitando aumento de salário para os Companheiros.

A Joia do Cargo é um Prumo ou Per­pendicular. É o emblema da busca pela Verdade. Aliado ao Esquadro, ele permite a correta e perfeita construção do Tem­plo. Em  seu  altar está a Coluna Coríntia. É a Coluna da Beleza. Daí a estátua da Vênus Romana ou Afrodite Grega, estar próxima a ele.

Orador

A joia do Orador é um Livro Aberto, que simboliza que o mesmo nada escon­derá nada duvidoso deverá deixar, além de indicar que o mesmo é o Guardião da Lei. Ele é a consciência da Loja, devendo conhecer e interpretar todas as Leis Maçônicas que regem a Obediência, como Constituição, Regulamentos, Landmarks, Usos e Costumes, etc.

O Orador impede que o Vene­rável Mestre caia em erros ou equívo­cos, ou se exceda no exercício de suas funções. É a ele ainda que, havendo alguma infração suficientemente grave para justificar punição, cabe instruir o respectivo processo, sendo ele o Ministério Público da Ordem.

Esclareça-se que o Venerável Mestre não está obrigado a decidir de acordo  com as conclusões do Orador, podendo ele discordar deste e decidir de forma contrária. Ele senta-se no Oriente à direita do V.Mestre.

Secretário

O Secretário representa a me­mória e o arquivo da Loja, sendo sua joia duas penas cruzadas indicando que ele assegura a tradição da Ordem e da Oficina, com o registro de todos os fatos passados bem como os do presente.

O Secretário, sentando-se no Oriente a esquerda do V. Mestre, pede a palavra diretamente ao Venerável. Ele é o responsável pela história da Loja e da Maçonaria.

Os historia­dores do futuro e da própria Loja, se houver, basear-se-ão no que ele registrar. Se ele deixar de registrar, ou registrar mal os fatos ocorridos, a Histó­ria, nesse caso, não será completa.

Tesoureiro

As duas chaves cruzadas, usadas como joia do Tesoureiro da Loja significa que ele é o depositário dos metais da Loja e seu administrador. Tendo assento na coluna do Norte. A importância deste cargo consiste no zelo pela arrecadação dos recursos devidos pelos Irmãos à Loja e pelo pagamento das obrigações a qual cada Loja está sujeita pelos Regulamentos da Obediência, a fim de que as obrigações maçônicas e profanas sejam cumpridas.

Chanceler

A joia do Irmão Chanceler é um Tim­bre ou Chancela, simbolizando que o Chanceler é o Guarda Selos da Loja, res­ponsável por todos os documentos da Loja e pela guarda dessa documentação. Além disso, tem a função de manter o livro de registro de presença dos obreiros da Loja e dos visitantes, sendo responsável ainda por guardar os Livros Negro e Amarelo.

Mestre de Cerimônias

Tem como joia a Régua que re­presenta o aperfeiçoamento moral. A régua também simboliza o método, a retidão, sendo aquele que conhece todos os caminhos escabrosos e assim, pode guiar todos os Amados Irmãos na circulação em Loja.

Deve ser conhecedor da ritualística, sendo o encarregado de todo Cerimonial da Loja, zelando para que os trabalhos sejam conduzidos de acordo com o Ritual, devendo conhecer os sinais, toques e palavras dos graus, tendo todo o domínio do cerimonial maçônico.

O Mestre de Cerimónias só aprende o seu ofício de uma maneira: executando-o e corrigindo os erros e hesitações que lhe detectarem ou que ele próprio detectar. O Mestre de Cerimónias faz a função, mas também se faz na função.

Tem assento na Coluna do Norte, junto a balaustrada, na frente do Tesoureiro.

Além de ser o responsável pela ritualística, tem as seguintes atribuições: distribuir com antecedência as insígnias e aventais aos Oficiais da Loja; ver se todos estão devidamente paramentados; preencher os cargos vagos; organizar as fileiras do irmãos, nos seus respectivos graus fazer um exortação antes da entrada dos irmãos no Templo, para acalmar suas mentes e corações; acompanhar os Mestres Instalados e o V. Mestre até o Trono; declarar que a Loja está composta no Grau, acompanhar o Ex-Venerável ou Orador, na abertura e encerramento do Livro da Lei; organizar todas as comissões  formadas por autoridades, e na entrada do pavilhão nacional etc.

Ele ainda é responsável pela circulação da bolsa de proposta e informações, sendo o único que pode circular em Loja independente de autorização do Venerável Mestre, sendo ele o mensageiro do mesmo ou de outros irmãos.

Hospitaleiro

A joia do cargo do Irmão Hospita­leiro é uma pequena sacola, simbolizando o peregrino da vida, o pedinte, sendo responsável pela circulação da bolsa de beneficência, também outrora conhecido como Tronco de Beneficência, Tronco da Viúva ou Tronco da Solidariedade, devido a antigamente os óbolos serem recolhidos em um pedaço de tronco de árvore, isto segundo alguns historiadores da Maçonaria.

Sua função precípua, em nome da Caridade e Fraternidade, é coletar os donativos dos irmãos, para socorrer os necessitados. Ele cuida de toda a parte assistencial da Loja, propondo auxílios, visitando os irmãos enfermos e necessitados. Se o infortúnio da morte bate à porta de um Irmão da Loja, fato inevitável, é ele o responsável de comunicar o fato a todos, e providenciar a documentação necessária para o sepultamento, devendo ainda, após o luto, procurar a família do falecido, para requerer a restituição de seus documentais, insígnias e aventais.

Fazer girar o Tronco é muito fácil, Mas sua missão principal, se dá fora da Loja, devendo o Irmão que estiver no cargo, ter muita dedicação e desprendimento.

Diáconos

Diácono, do grego diákonos, significa “servente”, aquele que serve a mesa. Assim, eram chamados os cristãos escolhidos pelos apóstolos para servirem aos pobres da Igreja de Jerusalém Existem em Loja, dois Diáconos, o Primeiro e o Segundo. O Primeiro Diácono senta-se próximo e a direita do Venerável para pô-lo em comunicação com o Primeiro Vigilante. O Segundo Diácono se coloca próximo e a direita do Primeiro Vigilante para transmitir suas ordens ao Segundo Vigilante e aos demais membros da oficina. A joia do Primeiro Diácono é uma pomba inscrita em um triângulo, e o Segundo Diácono uma pomba em voo livre. A pomba antigamente, levava e trazia mensagens, daí o simbologia.

Entre as funções do Primeiro Diácono, se destaca a incumbência de abrir e fechar o Painel da Loja. Recebe ainda a P.S. do Venerável Mestre entregando-a ao Primeiro Vigilante, enquanto o Segundo Diácono, que se coloca à direita do Primeiro Vigilante, recebe deste a P.S. e entrega-a ao Segundo Vigilante. Ele ainda, transmite e executa às ordens do Primeiro Vigilante, e cuida para que os Maçons sentados no Ocidente se conservem nas colunas com respeito, disciplina e ordem. Cuidam os Diáconos ainda, de formarem o pálio, no sentido de proteção, quando da abertura e fechamento do L. L.

Expertos

A joia do Irmão Experto entre nós, é um Punhal, que significa o castigo que merecem os perjuros. Em­bora o Punhal seja considerado símbolo da Traição, para a Maçonaria é o símbolo da fortaleza e da guarda. Na iniciação, é ele quem guia os profanos, sendo também o substituto dos irmãos que ocupem cargo, e que não compareceram à sessão, com exceção do V. Mestre, que é substituído pelo  Primeiro Vigilante. Esse cargo, sempre é confiado a um irmão experiente que conhece a ritualística e a dinâmica do trabalho nas iniciações. Auxilia também o Cobridor no telhamento de visitantes.  Existem dois expertos, o primeiro que se senta à frente do Ir. Segundo Diácono e o segundo Experto que se senta à frente do Guarda do Templo.

Guarda do Templo

A joia do Guarda do Templo são duas Espadas Cruzadas. Simbolicamente as espadas cruzadas nos ensina a nos pormos em defesa con­tra os maus pensamentos e a ordenarmos moralmente as nossas ações. Fica a direita de quem entra, sendo que a porta do Templo lhe é confiada, devendo sempre mantê-la fechada, sendo ele o único que pode tocá-la. Cabe somente a ele abrir ou fechar a porta.

A prova da grande importância deste cargo se verifica na Maçonaria Inglesa, pois lá, as Lojas somente elegem o Venerável, o Tesoureiro e o Cobridor.

Cobridor Externo

Sua joia é o Alfange, para ceifar as forças negativas, não deixando que elas entrem em Loja. Ele também zela pelos trabalhos da Loja, devendo guarnecer o lado externo da mesma, ou seja, se posiciona a frente da Porta do Templo, em seu lado esquerdo de quem entra, para garantir que os trabalhos não seja perturbados por nenhum profano, não possuindo assim, nenhum assento em Loja. Esse cargo existe apenas de forma simbólica, quase não sendo usado nas Lojas. Caso exista algum irmão que ocupe esse cargo, ele entrará em Loja, após a garantia de que a Loja está segura.

Porta-bandeira

A joia do cargo é uma Bandeira, sendo que ele conduz, nas Sessões designadas, o Pavilhão Nacional, de acordo com o protocolo das Obediências. Ele se coloca no Ocidente, a frente do cadeira ocupada pelo Ir. Porta Espada, que está à frente do  Orador.

Porta-espada

Sua joia, é uma Espada. Senta-se no Oriente a frente do Orador. O uso da espada constitui uma prática consagrada pelo costume representando o poder e a força.

O Porta-Espada é quem simbolicamente zela pelo instrumento. Ele é responsável quando devido ao protocolo, distribuir as espadas aos Mestres, para formar a abóboda de aço, quando da entrada no Tempo de autoridades, ou visitantes ilustres.

Existe a Espada Flamejante, que somente pode ser tocada pelo V. Mestre, ou por um Mestre Instalado, que é usada somente nas iniciações.

Porta-estandarte

A joia do Cargo é uma miniatura de um Estandarte. Se senta no Oriente a frente do Arquiteto, que por sua vez, fica à frente do Secretário. Ele é responsável pelo descolamento e exposição do Estandarte da Loja, no momento previsto no Ritual.

Arquiteto

A joia do cargo do Arquiteto é uma Trolha, que este um dos grandes Símbolos da Maçonaria, pois antigamente, os Maçons Operativos, a utilizavam para manipular a argamassa da Fraternidade. Ele se senta à frente do Secretário. Parece ser um cargo sem importância, mas na realidade é tão ou quanto os outros. Sua função consiste em ornamentar a Loja, colocando cada coisa em seu devido lugar, acender as velas do Altar e dos demais cargos onde houver. Seu trabalho é realizado antes do início das as Sessões.

Mestre de Harmonia

A Lira é sua joia. Ela é parecida com uma harpa, sendo considerado um dos instrumentos musicais mais antigos que se tem notícia.

Todos nós sabemos, que os efeitos da música em nossas sessões, prepara o ambiente, tornando-o mais harmônico, vibrante e mais solene. A Música, faz com que a energia vibratória e a boa egrégora, reine nas sessões. Isso ele faz através de belas peças musicais. Sabemos que a música tem um poder maravilhoso; afeta os sentidos e conduz rapidamente à harmonização.  Assim, se justifica o seu uso em determinadas ocasiões das sessões. Seu lugar em loja, situa-se a sudoeste do Primeiro Vigilante.

Mestre de Banquetes

A joia do cargo é a Cornucópia que sempre simbolizou a fartura, a abundân­cia.  Cabe   ao Mestre de Banquete promover os ágapes fraternais, bem como as Lojas de Mesa solsticiais ou banquetes ritualísticos, providenciando tudo o que for necessário. Senta-se na última cadeira da coluna do Norte, ao lado do Mestre de Cerimônias. Suas atribuições estão previstas ainda nos arts. 40 de nosso Regulamento Interno.

Bibliotecário

Cultura maçônica não é passatempo, não é exibicionismo. É uma obrigação de todo Maçom que se preze. É muito comum verificarmos que livros, revistas, jornais, boletins, e outras peças que possam trazer mais cultura e conhecimento maçônico estejam jogadas literalmente as traças em uma Loja, ou estejam sobre a guarda pessoal do Venerável Mestre, ou mesmo do Secretário. Isso não pode ser tolerado. Mesmo que hoje em dia, se consiga matérias e informações pela internet, não pode ser admitido que uma Loja não possua seu próprio acervo, exclusivo aos Irmãos.

É muito comum, os irmãos só apresentarem trabalhos quando ainda estão no grau de Aprendiz e Companheiro, apenas para cumprir seus interstícios. Quando chegam a Mestre julgam que tem conhecimento bastante para desprezar os estudos.

Desta forma, o Irmão Bibliotecário é o responsável pela Biblioteca da Loja. Sua joia é um livro aberto com uma pena sobreposta. Tem assento na primeira cadeira para os mestres na coluna do sul ao lado do Hospitaleiro.

Historiador da Loja

Cargo não previsto em nosso Rito, mas sim no art. 39 de nosso Regulamento Interno, da ARLS Rui Barbosa. Ele é responsável pelo registro de fatos importantes da Loja, como eventos realizados, obras filantrópicas, encontros maçônicos, simpósios, entre outras atividades, além de incentivar a criação de um informativo exclusivo da Loja. Deve também presidir a comissão de Ritualista, Estudos e Bibliotecas.

Autor: Dermivaldo Colinetti
ARLS Rui Barbosa, Nº 46 – GLMMG – Oriente de São Lourenço

Doação para manutenção do blog

Está gostando do blog, caro leitor? Só foi possível fazermos essa postagem graças ao apoio de nossos colaboradores. Todo o conteúdo do blog é fornecido gratuitamente, e nos esforçamos para fazer um ambiente amigável para os públicos interessados. O objetivo é continuar no ar oferecendo conteúdo de qualidade que possa contribuir com seus estudos. E agora você pode nos auxiliar nessa empreitada! Faça uma doação e ajude a manter o blog funcionando. Para garantir sua segurança utilizamos a plataforma de pagamentos PayPal e você pode contribuir usando o cartão de crédito, para isto basta clicar logo abaixo na bandeira correspondente ao seu cartão. Se preferir, pode também fazer sua doação por transferência bancária em favor de Luiz Marcelo Viegas da Silva, CPF 633.643.366-87, Banco do Brasil, Ag: 2115-6 CC: 14770-2.

$10.00

Bibliografia

Cargos em Loja – Assis Carvalho

Liturgia e Ritualística – José Castellani

Ritual do Primeiro Grau – Aprendiz

Pesquisa em sites da Internet

O Rito de Iniciação: uma abordagem antropológica

Resultado de imagem para iniciação maçOnica

O presente trabalho busca estabelecer alguns conceitos antropológicos para se analisar, em seguida, o rito de iniciação maçônico no REAA como uma busca de apaziguamento da ânsia do sagrado que a humanidade vem procurando nos últimos tempos.

Um dos componentes fundamentais dos grupos e das sociedades humanas é o processo ritual. Os ritos e as cerimônias permeiam todo o grupamento social, desde as sociedades primitivas até as modernas sociedades pós-industriais. Os antropólogos contemporâneos afirmam que temos um comportamento ritual quando amamos e fuzilamos, quando nascemos e morremos, quando noivamos ou casamos, quando ordenamos e oramos. Os rituais revelam os valores mais profundos do comportamento humano e o estudo dos ritos tornou-se a chave para compreender-se a constituição essencial das sociedades humanas.

Se o processo ritual é tão remoto quanto a própria criação do Homem, o estudo sistemático e científico dos ritos advém com a formação da antropologia no século XIX.

Clique no link abaixo e digite a P∴S∴ de Apr∴ (primeira letra maiúscula) para ter acesso ao texto:

https://opontodentrocirculo.com/2017/05/03/o-rito-de-iniciacao-uma-abordagem-antropologica/

Doação para manutenção do blog

Está gostando do blog, caro leitor? Só foi possível fazermos essa postagem graças ao apoio de nossos colaboradores. Todo o conteúdo do blog é fornecido gratuitamente, e nos esforçamos para fazer um ambiente amigável para os públicos interessados. O objetivo é continuar no ar oferecendo conteúdo de qualidade que possa contribuir com seus estudos. E agora você pode nos auxiliar nessa empreitada! Faça uma doação e ajude a manter o blog funcionando. Para garantir sua segurança utilizamos a plataforma de pagamentos PayPal e você pode contribuir usando o cartão de crédito, para isto basta clicar logo abaixo na bandeira correspondente ao seu cartão. Se preferir, pode também fazer sua doação por transferência bancária em favor de Luiz Marcelo Viegas da Silva, CPF 633.643.366-87, Banco do Brasil, Ag: 2115-6 CC: 14770-2.

$10.00

A Iniciação Maçônica e a Jornada do Herói

Resultado de imagem para historia de la politica

Este estudo tem por objetivo analisar as influências arquetípicas e, consequentemente, mitológicas sobre a iniciação maçônica no Rito Escocês Antigo e Aceito, por intermédio da teoria conhecida por Jornada do Herói.

Muitos talvez possam julgar os rituais maçônicos como obsoletos, sem sentido ou mesmo inúteis. Serão apontadas as evidências de que os rituais maçônicos e a mitologia que os estruturam têm forte efeito sobre o inconsciente de seus praticantes (JUNG, 2005).

Clique no link abaixo e digite a P∴S∴ de Apr∴ (primeira letra maiúscula) para ter acesso ao texto:

https://opontodentrocirculo.com/a-iniciacao-maconica-e-a-jornada-do-heroi

 

Doação para manutenção do blog

Está gostando do blog, caro leitor? Só foi possível fazermos essa postagem graças ao apoio de nossos colaboradores. Todo o conteúdo do blog é fornecido gratuitamente, e nos esforçamos para fazer um ambiente amigável para os públicos interessados. O objetivo é continuar no ar oferecendo conteúdo de qualidade que possa contribuir com seus estudos. E agora você pode nos auxiliar nessa empreitada! Faça uma doação e ajude a manter o blog funcionando. Para garantir sua segurança utilizamos a plataforma de pagamentos PayPal e você pode contribuir usando o cartão de crédito, para isto basta clicar logo abaixo na bandeira correspondente ao seu cartão. Se preferir, pode também fazer sua doação por transferência bancária em favor de Luiz Marcelo Viegas da Silva, CPF 633.643.366-87, Banco do Brasil, Ag: 2115-6 CC: 14770-2.

$10.00

A fixação da ritualística no inconsciente do maçom

Resultado de imagem para inconsciente

Muitas vezes são imperceptíveis, mas as pessoas estão cercadas de Ritos. Eles, inclusive, contribuem para o bem-estar dos indivíduos. “Os ritos e rituais vêm da antiguidade com a mesma função: servem acima de tudo para facilitar o encontro com nós mesmos, para não nos desviarmos dos nossos objetivos e metas que traçamos com sinceridade; são uma ferramenta para nos lembrar quem somos, o que estamos fazendo e como estamos fazendo”, segundo España (2017).

Utilizados de forma equilibrada, os ritos ajudam o ser humano a ter mais autocontrole, a estar mais centrado nas ações que desempenham, impedindo-o de desconectar dele mesmo, e por isso, podem e devem ser criados e respeitados, como forma de trazer um ganho geral, melhorando sua motivação e consequentemente tudo ao seu redor.

Por exemplo, a estratégia utilizada para chegar ao trabalho diariamente pode ser considerada um hábito próprio que condiciona uma pessoa a sair sempre no mesmo horário, seguir pelos mesmos trajetos e alcançar o destino sem maiores problemas. Assim, desde o simples escovar dos dentes até a forma de encarar e resolver problemas complexos podem ser reflexo de um acúmulo de experiências próprias.

Entretanto, o que torna essas ações cotidianas em ritos são os significados que se dão a elas. Se escovar os dentes depois da alimentação ou antes de dormir traz uma sensação de bem-estar que supera simples fato de manter a higiene bucal, influenciando na sua concentração, pode-se estar diante de uma ritualística. Quando uma alteração no transcorrer dessas ações cotidianas, como a mudança no trajeto para o trabalho, influencia no desempenho de uma pessoa ou a fazer crer que gerou um descontrole na sua performance rotineira, e até chega a atrapalhar todas as demais atividades que serão desenvolvidas em seguida, pode-se constatar que houve a quebra de um rito. O grau de importância e significação que se atribui a determinados atos é que os tornam ritualísticos.

Além das experiências pessoais, destacam-se as cerimônias grupais, como as festas, tradições, funerais e outros comportamentos sociais, que desempenham importante papel na vida de um grupo. A ausência de uma solenidade nessas ocasiões pode ser encarada como um desrespeito e anulando a importância da passagem ou transição, reduzindo a ocorrência de um acontecimento que estabelece distinções muitas vezes entre estilos e modos de vida, o antes e o depois. Além disso, a ritualística assume uma “importância simbólica no processo de elaboração e assimilação de uma realidade subjetiva, mas com implicações de ordem prática, uma vez que envolve valores e posturas, na forma de se ver e se colocar no mundo.” (Diário de Antropóloga, 2009).

A identificação entre os membros de um grupo pode estar ligada à prática de ritos predeterminados, que são realizados muitas vezes sem entendimento de seus significados, como forma de aceitação pela coletividade e permanência nela. Todavia, é importante compreender os ritos sugeridos e alcançar seus significados, até como forma de solidificação da inserção coletiva. “Quando a integração não acontece a contento, o grupo se enfraquece, assim como o ritual. Antes que afete sua identidade como um grupo, a coesão entre os membros é impactada e seus laços sociais e afetivos não são reforçados. A experiência ritual favorece os laços sociais e a coesão do grupo” afirma Ritter (2015), que leciona ainda que:

É na necessidade humana de simbolização que os ritos encontram o caminho para existir, quer na repetição de rituais estabelecidos, quer pela atualização ou construção de novos. O simbólico é funcional na medida em que propicia a expressar e compreender uma experiência, ou conferir sentidos às vivências e à existência, ou ainda para olhar além de si mesmo e conviver na esfera coletiva. Mesmo que se valha de hábitos ou comportamentos repetitivos, com frequência e insistência nascem rituais que nos levam além do nosso comportamento e além de nossa individualidade, agregando sentidos e significados à nossa existência.

Os seres humanos atribuíram ao longo da história importâncias e significados a determinadas ações, e se sentem bem em repeti-las individual ou coletivamente, criando os mais diversos ritos para eventos grandes, formais, pequenos, públicos ou privados. Para Aristóteles “somos o que fazemos repetidamente. A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito”.

Conceitualmente, rito é um método utilizado para transmitir ensinamentos, funciona como uma lei, e segundo Ismail (2013) “é um conjunto de preceitos e obrigações gerais que produz efeitos sobre aqueles que estão sob seu alcance. Assim como uma lei, um Rito reflete princípios que o orientam, possui elementos históricos, além de buscar um objetivo específico”.

O ritual “é como uma instrução normativa, um manual de procedimentos que determina e regulamenta como essa lei deve ser praticada e observada” (ISMAIL, 2013), um livro que contém tudo referente ao rito, ou seja, um conjunto de regras, a ordem e a forma das cerimônias, religiosas ou não, com as palavras e orações, que orientam os praticantes do rito.

Já ritualística é a prática do rito segundo o ritual, isto é, a ritualística é o desdobrar do rito e precisa ser sempre fiel a ele e ao que está contido em determinado ritual. O rito em ação é a ritualística, com o exercício continuado dos mistérios observando os símbolos, princípios, preceitos e representações.

Analisando a questão sob o aspecto maçônico, destaca-se o ensinamento de Mackey (1869):

A Maçonaria é um sistema de moralidade desenvolvido e inculcado pela ciência do simbolismo. Este caráter peculiar de instituição simbólica e também a adoção deste método genuíno de instrução pelo simbolismo, emprestam à Maçonaria a incolumidade de sua identidade e é também a causa dela diferir de qualquer outra associação inventada pelo engenho humano. É o que lhe confere a forma atrativa que lhe tem assegurado sempre a fidelidade de seus discípulos e a sua própria perpetuidade.

Neste sentido, afirma Figueiredo (1998) que:

A Maçonaria é um sistema sacramental que, como todo sacramento, tem um aspecto externo visível, consistente em seu cerimonial, doutrinas e símbolos, e acessível somente ao maçom que haja aprendido a usar sua imaginação espiritual e seja capaz de apreciar a realidade velada pelo símbolo externo.

Além disso, como a Maçonaria é uma sociedade iniciática adotou uma linguagem simbólica e ritualística para registro de seus ensinamentos, através de ritos, anotados em rituais, para que somente os iniciados em seus mistérios possam praticá-los, o que pode ser constatado desde os primeiros registros como o Manuscrito Regius de 1390 (FILARDO, 2015).

Constata-se, portanto, a importância pessoal, social e iniciática, especialmente para a Maçonaria, dos ritos e ritualísticas, mas “o mundo moderno, entretanto, rejeita os rituais”, afirma Freitas Neto (2016), e complementa que: Vemos com grande frequência o desdém com que os mais jovens e os mais velhos tratam os rituais maçônicos como meras fórmulas vazias, lidos e repetidos automaticamente, sem força e vitalidade.

Destaca-se as observações de Mckay e Mckay (Apud FREITAS NETO, 2016):

A superficialidade estéril do mundo moderno tem seu fundamento em muitas questões, como o consumerismo irrefletido, a falta de desafios significativos e a perda de valores e normas compartilhados, ou mesmo de tabus compartilhados contra os quais se rebelar.

Nosso mundo moderno está quase vazio de rituais – ao menos no modo em que tradicionalmente pensamos neles. Aqueles que restam – como os que estão nos entornos dos feriados religiosos – perderam boa parte do seu poder transformativo e são hoje mais suportados do que propriamente apreciados, dos quais participamos mais por convenção do que por convicção. Ritual, hoje, é algo associado ao que é podre, vazio, sem sentido.

O fato de que toda cultura, em toda parte do mundo, em todas as eras, tem seus rituais é sugestivo de que o ritual é parte fundamental da condição humana. Os rituais já foram chamados, inclusive, da forma mais básica de tecnologia; são um mecanismo pelo qual coisas podem ser mudadas, problemas podem ser resolvidos, certas funções podem ser desenvolvidas e resultados tangíveis, atingidos. A necessidade é a mãe da invenção, e rituais surgiram da perspectiva límpida de que a vida é intrinsecamente difícil e que uma realidade “pura” pode, paradoxalmente, parecer irreal. Por eras os rituais foram os instrumentos pelos quais os homens puderam liberar e expressar emoções, construir sua identidade pessoal e a identidade da tribo, trazer ordem ao caos, orientar-se no tempo e no espaço, produzir transformações reais e construir camadas de significado e consistência para suas vidas. Quando os rituais são arrancados de nossa vida e esta necessidade humana não é satisfeita a apatia, inquietação, alienação, tédio, a perda das raízes e a anomia são o resultado.

Na atualidade, para muitas pessoas a prática de ritualísticas tornou-se ultrapassada, e em muitos casos é vista com preconceito e desdém. A observação dos ritos, inclusive maçônicos, é realizada de forma superficial, e a ritualística realizada de forma mecânica, sem qualquer preocupação com o significado e importância das mensagens e conceitos que os símbolos, palavras e gestos acumulados ao longo de séculos de atividade, decorrente de uma exagerada racionalidade e cientificidade, que terminou por destacar o lado consciente do homem moderno, o que termina por acarretar consequências desastrosas para o desenvolvimento do inconsciente humano.

Conforme Tavares (2018, informação verbal)[1] os ritos, mitos, símbolos são importantes no desenvolvimento da Psique, que segundo os psicanalistas está envolvida com o inconsciente, e responsável pelo crescimento e libertação do homem, ajudando-o a se encontrar interiormente. Deve-se considerar que a Simbologia é uma das ciências mais antigas do mundo, que possui seus sinais e efeitos sobre a humanidade. O homem e seus símbolos tem uma relação profunda que consistem em metáforas e na construção de compêndios de um conhecimento sensivelmente elevados, externados e expressados através de arquétipos.

Um arquétipo rege um símbolo (TAVARES, 2018). O grande imã que une os arquétipos aos símbolos e seus significados é o próprio homem, sendo necessário praticar sempre, para evoluir e continuar a crescer intimamente como indivíduo, gerando uma situação de satisfação interna, pois os símbolos e gestos funcionam como catalizadores das ações humanas como uma força psicológica, em um processo contínuo que leva o indivíduo a um avanço moral e ético, buscando estar bem e fazer o bem. O rito é uma forma de transmitir ensinamentos básicos e organizar as solenidades, especialmente maçônicas, através de um processo de troca de energia e renovação, sendo necessário tocar o símbolo e ser tocado por ele. No rito maçônico há três estágios, sendo no 1º grau do Simbolismo, o aprendizado, no 2º estágio, o desenvolvimento do caráter, e no grau de Mestre, encontra-se a plenitude, auxiliando o iniciado a lidar com a ambivalência entre o consciente e o inconsciente. A ritualística auxilia no desenvolvimento do caráter, auxilia “o outro” que existe dentro do indivíduo, já identificado como Psique, envolvido com o inconsciente e o instinto, e que ajuda o sujeito a lidar com seu consciente.

A racionalização do mundo atual, que reduz a importância da ritualística, termina por causar prejuízo ao inconsciente, e contribuindo para que o ego, ligado ao consciente, enfraqueça e adoeça. Para Jung (2017):  O homem moderno não entende quanto o seu “racionalismo” (que lhe destruiu a capacidade de reagir a ideias e símbolos numinosos) o deixou à mercê do “submundo” psíquico. Libertou-se das “superstições” (ou pelo menos pensa tê-lo feito), mas nesse processo perdeu seus valores espirituais em escala positivamente alarmante. Suas tradições morais e espirituais desintegraram-se e, por isso, paga agora um alto preço em termos de desorientação e dissociação universais.

Os antropólogos descreveram, muitas vezes, o que acontece a uma sociedade primitiva quando seus valores espirituais sofrem o impacto da civilização moderna. Sua gente perde o sentido da vida, sua organização social se desintegra e os próprios indivíduos entram em decadência moral. Encontramo-nos agora em condições idênticas. Mas na verdade não chegamos nunca a compreender a natureza do que perdemos, pois os nossos líderes espirituais, infelizmente, preocuparam-se mais em proteger suas instituições do que em entender o mistério que os símbolos representam. Na minha opinião, a fé não exclui a reflexão (a arma mais forte do homem); mas, infortunadamente, numerosas pessoas religiosas parecem ter tamanho medo da ciência (e, incidentalmente, da psicologia) que se conservam cegas a essas forças psíquicas numinosas que regem, desde sempre, os destinos do homem. Despojamos todas as coisas do seu ministério e da sua numinosidade; e nada mais é sagrado.

Em épocas remotas, quando conceitos instintivos ainda se avolumavam no espírito do homem, a sua consciência podia, certamente, integrá-los numa disposição psíquica coerente. Mas o homem “civilizado” já não consegue fazer isso. Sua “avançada” consciência privou-se dos meios de assimilar as contribuições complementares dos instintos e do inconsciente. E esses meios de assimilação e integração eram justamente os símbolos numinosos tidos como sagrados por um consenso geral.

À medida que aumenta o conhecimento científico, diminui o grau de humanização do nosso mundo. O homem sente-se isolado no cosmos porque, já não estando envolvido com a natureza, perdeu a sua “identificação emocional inconsciente” com os fenômenos naturais. E estes, por sua vez, perderam aos poucos as suas implicações simbólicas (…). Acabou-se o seu contato com a natureza, e com ele foi-se também a profunda energia emocional que esta conexão simbólica alimentava.

A racionalidade e a cientificidade não são prejudiciais ao desenvolvimento humano, mas não devem ser encarados de forma maniqueísta, anulando o lado mítico e simbólico da humanidade, até mesmo porque a acompanha desde sua fase embrionária, e ainda está presente nos dias atuais, apesar de mitigada sua importância. Os ritos tradicionais que alimentavam o inconsciente humano perderam espaço e deram lugar a novos que “não dão sustança ao espírito e não satisfazem”, como uma “cultura do confete” (MCKAY; MCKAY, apud FREITAS NETO, 2016).

Desta forma, a sociedade “moderna” está carente dos mecanismos que antes ajudavam a lidar com a morte e situações difíceis de perda e dificuldade, bem como auxiliavam no desenvolvimento individual e na descoberta interna e do mundo, por novos “rituais” que eliminam os problemas e somente apresentam o lado lúdico, “brilhante e colorida, que facilita o consumo passivo e rejeita o exame aprofundado das assunções” (MCKAY; MCKAY, apud FREITAS NETO, 2016). Destarte, não é difícil encontrar pessoas com complicações na vida pessoal e no enfrentamento dos problemas sociais e de relacionamento, em proporções maiores que em tempos mais remotos.

Na Maçonaria, os ritos ainda sobrevivem às mudanças da “atual civilização”, e sua prática constante reforça o lado inconsciente do Maçom, que deve ser trabalhado segundo seus preceitos filosóficos, auxiliando-o na convivência da Psique com a consciência, através da preservação dos conceitos éticos e morais gerais e iniciáticos, que devem reger sua vida como homem livre e de bons costumes, devendo encarar a simbologia de forma mais intensa.

Não cabe a este texto discutir as teses de como se chegou a este estágio social, mas fazer um alerta para o fato da racionalidade ampliar o consciente em detrimento do conhecimento íntimo, com reflexo estrutural da personalidade do profano ou iniciado, alterando seu amadurecimento e na forma de encarar a vida em comunidade, e para despertar sobre a importância do rito e da ritualística maçônica para o inconsciente do Maçom e conhecimento próprio.

Autor: Eduardo Albuquerque Rodrigues Diniz

Fonte: REVISTA BIBLIOT3CA

Nota

[1] – Palestra proferida pelo psicólogo Lázaro Tavares, com o tema: Psique e Rituais Maçônicos: efeitos e sinais, na SESSÃO CONJUNTA DAS LOJAS MAÇÔNICAS DO PALÁCIO DA ARTE REAL, em Teresina – PI, no dia 04 de outubro de 2018, conforme registrado em Ata da Sessão Conjunta da Aug e Resp Loj Simb Liberdade Teresinense, nº 1314.

Referências

CARR, Harry. O Ponto Dentro do Círculo. Seis Séculos de Ritual Maçônico – 1ª Parte, traduzido por FILARDO, José. Publicado em 2 de outubro de 2015. Disponível em: <https://opontodentrodocirculo.wordpress.com/2015/10/02/seis-seculos-de-ritual-maconico-1a-parte/&gt;. Acesso em 28.12.18.

Diário de Antropóloga – Diversidade Cultural. Cidadania. Cultura Popular. Semiótica e Interpretação. Rituais da Vida e Ritos do Cotidiano. Publicado em 3 de junho de 2009. Disponível em: <http://diariodeantropologa.blogspot.com/2009/06/rituais-da-vida-e-ritos-do-cotidiano.html&gt;. Acesso em 28.12.18.

ESPAÑA. Danilo. Ritos no dia a dia trazem motivação!. Publicado em 18 de novembro de 2017. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/blog/o-que-te-motiva/ritos-no-dia-a-dia-trazemmotivacao/&gt;. Acesso em 28.12.18.

ISMAIL, Kennyo. No Esquadro. O que é rito e o que é ritual. Publicado em 18 de fevereiro de 2013. Disponível em: <https://www.noesquadro.com.br/termos-e-expressoes/o-que-e-rito-e-o-que-eritual/&gt;. Acesso em 28.12.18.

JUNG, Carl G. O homem e seus símbolos, traduzido por PINHO, Maria Lúcia. 3ª Edição Especial. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil. 2016.

MACKEY, Albert Galatin. Encyclopedia of Freemasonry. New York: Clark and Maynard, 1869.

MCKAY, Brett; MCKAY, Kate. O poder do Ritual, parte 1 – A necessidade do homem por rituais e os ritos de masculinidade, traduzido por FREITAS NETO, Edgard Costa. Publicado em 21 de fevereiro de 2016. Disponível em: <http://york.blog.br/poder-ritual-parte-1-a-necessidade-do-homempor-rituais-e-os-ritos-de-masculinidade/&gt;. Acesso em 28.12.18.

Riter, Ettore. Ritos e Rituais da vida diária – PensarAção. Publicado em 12 de Fevereiro de 2015. Disponível em: <http://www.pensaracao.com.br/ritos-e-rituais-da-vida-diaria/&gt;. Acesso em 28.12.18.

Take my hand; follow me.

Imagem relacionada

When I was a young man, a long time ago,
The secrets of Masonry I wanted to know.
Of a Mason I asked what those secrets might be.
He replied,”First, we talk, then we will see.”

A petition he granted and ordered it filled
To be read at a meeting and a judgment be willed.
Then questions I answered about God and home;
Of habits and friends; a wife or alone.

In time I was summoned – a date to appear
Before an assembly of men gathered near.
I entered the building and looked up the stair;
Does pleasure or pain await me up there?

A hazing by paddle, taunting by joke?
My petition accepted or maybe revoked?
Introductions and handshakes welcomed me there
And lessons symbolic, an aid to prepare

For a journey in darkness, a predestined plight
To a Holy of Holies, the source of all light.
How well I remember what I heard someone say,
To enter God’s Kingdom there is but one way;

Be ye naked and blind, penniless and poor;
These you must suffer ‘fore entering that door.
The journey ahead is not yours to know,
But trust in your God wherever you go.

Then assurance from the darkness whispered tenderly,
“My Friend, be not afraid;
TAKE MY HAND;
FOLLOW ME.”

With nervous attention a path I then trod;
A pathway in darkness to the altar of God.
With cable-tow and hoodwink, on bare bended knee,
A covenant was made there between God and me.

Charges and promises were made there that night.
Dispelling the darkness and bringing me light.
Mid lightening and thunder and Brethren on row!
Cast off the darkness! And cast off the tow!

In the company of men, a man you must be,
Moral in character, the whole world to see.
Trust in your God, promise daily anew
To be honest and upright in all things you do.

Each man is a brother in charity to share
With those suffering hunger, pain or despair.
The widow and orphan and brother in pain
Depend on your mercy their welfare to gain.

The secrets of Brethren keep only in mind.
To the ladies of Brethren be noble and kind.
Go now, my brother, your journey’s begun
Your wages await you when your journey is done.

That journey I started, Oh, so long ago
And I’ve learned of those things I wanted to know.
I’ve learned of the secrets, not secret at all,
But hidden in knowledge within Masons’ hall.

Childhood yields to manhood, manhood yields to age,
Ignorance yields to knowledge, knowledge yields to sage.
I’ve lived all my life the best that I could,
Knowing full well how a good Mason should.

I know of those times when I slipped and then fell.
What’s right and what’s wrong were not easy to tell.
But a trust in my God and a true brother’s hand.
Helped raise me up and allowed me to stand.

I’ve strode down the old path, Masonically worn
By all Mason’s raised for the Masons unborn.
But this tired old body, once young and so bold,
Now suffers the afflictions of having grown old.

The almond tree’s flourished; the grinders are few.
The housekeepers tremble; desires fail too.
The locusts are a burden; fears are in the way.
The golden bowl is breaking, a little every day.

Mine eyes are again darkened, my sight again to fail;
I sense the Master’s presence mid my family’s silent wail.
I’ve laid aside my working tools, my day is nearly done.
For long I’ve played the game of life; the game’s no longer fun.

Life’s pathway ends before me. I see what’s meant for me;
An acacia plant is growing where a beehive used to be.
The Ethereal Lodge has summoned from beyond the wailing wall
And I vowed that I must answer when summoned by a call.

Again I stand bewildered at the bottom of the stair
In nervous apprehension of what awaits me there.
Once again, and now alone, I stand without the door.
With faltering hand, I slowly knock as once I did before.

I pray again to hear those words,
whispered tenderly,
“My son, be not afraid.
TAKE MY HAND;
FOLLOW ME.”

Autor: Sir Knight Alvin F. Bohne, P.M.