Como Estudar Maçonaria

Ao falarmos sobre Como Estudar Maçonaria, precisamos ter em mente o objetivo a ser alcançado e os problemas com os quais teremos que tratar. Sem dúvida, um grupo de professores universitários iria realizar tal estudo de uma forma sistemática, aprofundando na pesquisa, descobrindo pistas que ajude-os a esclarecer mais e mais o assunto.Mas temos em mente que a grande massa de maçons, mais particularmente, os jovens que acabaram de entrar na Ordem, estão ocupados com os assuntos da vida e não têm nem o tempo, e talvez, nem a formação para seguir em detalhes um currículo extenso e variado de estudo maçônico. Como aponta Prof. Pickard, tal curso tenderia para repelir em vez de atrair e ser mais desanimador do que inspirador.

Por essa razão, temos procurado aconselhar o estudo prático e não apenas o teórico, e acreditamos que os resultados dos esforços da Cincinnati Masonic School, revelam o ponto central do problema, e como lidar com ele. Lá encontramos um grupo de homens, maçons típicos, sob a liderança de um ou dois estudantes veteranos, que há anos vem fazendo um bom trabalho no estudo da Maçonaria. Depois de tentarem vários métodos, eles acharam que a melhor forma era escolher algum livro e dominá-lo por meio de uma série de perguntas dispostas de modo a apresentar a mensagem e o seu ensinamento. E em seguida passa-se para um estudo mais detalhado e aprofundado da filosofia ou dos períodos da história conforme o interesse e disposição de cada um.

Enquanto isso, a Grande Loja de Iowa vinha fazendo testes para definir qual o melhor método para incentivar maçons a estudar a Maçonaria, e o resultado de sua experiência foi o mesmo da Cincinnati Masonic School. Por esse motivo foi solicitado ao seu editor escrever um pequeno relato e estudo sobre a Maçonaria, chamado The Builders, que a Grande Loja adotou, não como uma declaração oficial e definitiva da história maçônica e de sua filosofia, mas para ser usado como uma espécie de livro-texto para mostrar o caminho para o estudante da Maçonaria. Cada linha do livro foi escrita com esse espírito e para essa finalidade, e seu arranjo foi determinado pelo desejo de provocar o interesse no estudo da Maçonaria e para direcioná-lo a caminhos fidedignos.Escrito tendo em vista esse fim específico, é o único livro já adotado por toda Grande Loja, e por esse motivo a Research Society também o adotou, sugerindo que ele seja usado como base ou guia no início do estudo da Maçonaria.

Cada estudante vai seguir o seu próprio método e plano, mas acredita-se que o Círculo de Estudos, formado dentro de uma Loja ou grupo de Lojas, é o núcleo em torno do qual o estudo da Maçonaria pode ser organizado e realizado para se obter os melhores resultados.O Círculo de Estudos pode, por meio da cooperação com a Sociedade de Pesquisas, pode fazer uso de qualquer ou de todos os métodos sugeridos no Simpósio, seguindo o esquema de estudo delineado pelo Prof. Pound com interesse e desenvolvimento fundamentados. O Irmão Parvin contou como a Grande Loja de Iowa mantém seus membros em contato com a literatura maçônica, por meio de bibliotecas itinerantes. Outros Grandes Lojas podem fazer a mesma coisa, e mesmo as Lojas, individualmente, podem começar a formação de suas bibliotecas, acrescentando-lhes livros como necessidade exige ou a oportunidade permitir. Da mesma forma, qualquer Loja ou Círculo de Estudos pode fazer uso do  Masonic Lecture Bureau[1], cujos encontros são interessantes e instrutivos, mais sugestivos do que exaustivos, e destinam-se a aprofundar o interesse e provocar a o questionamento, com intuito de fomentar a pesquisa. A Research Society tem em mente a criação de uma série de folhetos, tais como Prof. Shepardson sugeriu, e espera tê-los prontos no momento apropriado.

Quando muitos Círculos de Estudos estiverem organizados, e terem desenvolvido seus estudos, eles podem se reunir em grupos maiores ou escolas de instrução, quer no âmbito das suas Grandes Lojas ou em reuniões distritais, como Prof. Pickard sugere. Tal reunião seria ao mesmo tempo única e inspiradora. Um programa de trabalhos bem escritos, temas para discussão, questões para debate, reuniria um grande grupo de maçons entusiastas e promoveria o bom companheirismo, bem como difundiria o conhecimento. Tudo isso e muito mais está ao nosso alcance, mas devemos dar o primeiro passo, e isso é o que temos agora em mente. Afinal de contas, a melhor maneira de fazer uma coisa é fazê-lo. Neste Simpósio trouxemos o que há de melhor da sabedoria da nossa Ordem a serviço de nossos membros, resta agora você saber fazer bom uso.

No mais, pedimos àqueles que estudam a Maçonaria que “comecem no início”, dominem os fatos sobre ela, e trabalhem com calma em direção à suas maiores e mais profundas questões.Um jovem vai escrever um ensaio sobre a virtude, mas um filósofo terá um ponto de vista dele sobre alguma virtude. Da mesma forma, muitas vezes, um jovem maçom vai mergulhar de cabeça no misticismo da Geometria, e emaranhar-se em meio a linhas, ângulos e curvas que ele perde o seu caminho, e ele se transforma em apenas uma pessoa que tem um hobby particular, em vez de um estudante. Conduzir o estudo da Maçonaria como faria com o estudo de qualquer outra coisa, começando do início, as coisas vão clareando a medida que você progride, passo a passo de maneira brilhante, aumentando sua confiança, ampliando sua perspectiva, e levando-o pelo caminho do bem, da beleza e da sabedoria verdadeira.

Editorial do The Builder
Tradução: Luiz Marcelo Viegas

Fonte:
The Builder Magazine

Volume I, Número 6, junho-1915

Nota

[1] – Na Grande Loja Maçônica de Minas Gerais temos a Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida que promove os círculos de estudos das instruções dos 3 graus, com duas horas de duração para cada uma das instruções, para os irmãos das lojas de BH e região metropolitana. Além disso seus membros vão atá às lojas do interior do estado, também promovendo um grande círculo de estudos com os membros das lojas da região visitada.

O objetivo do estudo na Maçonaria

É correto dizer que o grande problema diante de nós é o da pedagogia da Maçonaria. Isso significa que o ensino dos fatos sobre um grande movimento histórico baseado na teoria de que a verdadeira felicidade do homem só pode ser alcançada pela união de todos em uma democracia alicerçada no espírito da fraternidade, onde cada um não seja apenas o guardião de seu irmão, mas também seu defensor, seu porto seguro, seu auxílio, seu incentivador, seu ombro amigo, seu inspirador e seu exemplo de amor ao próximo e a si mesmo. Tudo isso se ensina através do imaginário e das alegorias da Maçonaria, e de seu simbolismo místico. Não devemos nos perder na busca por algo sombrio, em teorias abstratas perdidas dentro de perspectivas obscuras, confusas, nebulosas e insignificantes; devemos sim, estarmos próximos e nos dedicarmos aos verdadeiros valores humanos. Princípios devem existir para estarem realmente inseridos nas vidas das pessoas, se não for assim não farão diferença alguma. Nosso estudo deve aliar teoria e prática, com o estudante realmente utilizando-se de seu aprendizado e compartilhando os valores adquiridos, senão nossos esforços serão em vão.

Também não podemos deixar de mostrar que são os pensamentos que importam, que são eles que controlam a conduta dos homens; que, se seus pensamentos não são bons, o seu comportamento também não pode ser. O que precisamos é fazer com que os pensamentos certos sejam claramente formulados, imbuídos de amor e, profundamente gravados no subconsciente, de modo a inevitavelmente se expressarem em nossos atos no dia-a-dia de nossas vidas. A meu ver, essa é a missão da Maçonaria: a construção desses grandes pensamentos na mente dos homens, transformando-os em atos cotidianos, com a certeza de que eles devem predominar, governar e prevalecer para que possamos viver juntos, em paz e harmonia, desfrutando da verdadeira felicidade.

Como fazer isso é a grande questão. Fazer com que os membros de nossa Ordem percebam que essas ideias não são abstrações vazias, mas reais, poderosas, vivas, atuais e sólidas – essa é a grande tarefa a se realizar. Precisamos compreender juntos os fatos sobre a Maçonaria: o que ela realizou no passado que a faz viver até os dia de hoje por seus próprios méritos? Como ela tem, durante sua existência, auxiliado o Homem? Feito isso, precisamos apresentar essas informações de tal forma que despertem a atenção e mantenham o interesse de nossos irmãos durante a instrução em Loja. A capacidade de fazer coisas interessantes, para atiçar uma busca por mais “luz”, é o segredo de todo ensino. Você não pode abrir a cabeça de um estudante e colocar o conhecimento ali dentro, mas você pode incentivá-lo a estudar e aprender por si mesmo, e essa será sua vitória. Já temos a vantagem do grande poder de atração de nossos “segredos” e “mistérios”. Temos de mostrar aos iniciados o quão pouco sabem, quantos mistérios fascinantes ainda precisam ser explorados, investigados, analisados e estudados para, enfim, poderem ser compreendidos.

Pergunte por que ele ainda permanece na Ordem. Ela o ajudou? Em caso afirmativo, como e de que maneira? Faça uma série de perguntas socráticas a ele; faça-o pensar! Se ela o auxiliou em algo, de alguma forma, sem dúvida, ela poderá fazer mais. Há mais lá, se ele souber procurar: “buscai e achareis.” Não é fácil ensinar os homens a observar o mundo ao seu redor, muito menos é ensinar-lhes a arte do discernimento espiritual. Mas é possível. Pode ser ensinado, pode ser desenvolvido, pode-se fazer essa habilidade florescer. Muito de nossa pedagogia moderna não é nada mais do que um árido, mecânico e vazio processo. Nossas crianças são instruídas a decorar, imitar, copiar, para seguir “o costume”, e não são nunca preparadas para pensar. Tal procedimento acaba por formar adultos incapazes de formular pensamentos simples, mas originais, não sendo capazes de fazer uma avaliação crítica do que ocorre ao seu redor; e muitos são os que em Loja praticam a ritualística de forma errada, porque os Mestres “mais antigos” lhe “ensinaram” que assim é “o uso e o costume” daquela oficina.

Devemos preparar nossos novos maçons, incentivando-os a se dedicarem aos estudos e à pesquisa sobre a Ordem. Devemos incentivá-los a trabalhar sua mente, a construir seu templo espiritual, mas também o intelectual. Devemos incentivá-los a serem originais. Devemos incentivá-los a pensar!

Autor: Hon. Louis Block, Past Grand Master, Iowa.
Tradução: Luiz Marcelo Viegas

Fonte: The Builder Magazine, Volume I, Número 4, abril-1915

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O Campo de Estudos da Maçonaria

O conhecimento maçônico me parece envolver cinco pontos:

  1. Ritual;
  2. História;
  3. Filosofia;
  4. Simbolismo;
  5. Jurisprudência.

Penso que não podemos insistir demais que apenas o conhecimento do Ritual é a base de todo o conhecimento maçônico. A primeira coisa que o estudante deve fazer é instruir-se sobre o trabalho dos três graus simbólicos. Ele estará então em condições de avaliar criticamente o que ele lê e fazer perguntas corretas.

Quanto à História, recomendo a leitura de The Concise History of Freemasonry[1]de Robert Freke Gould. Não conheço obra tão boa quanto essa. Quando terminar a leitura, será o momento ideal para, se tiver a oportunidade, pesquisar as fontes originais de nosso conhecimento sobre o tema.

Quanto à filosofia é completamente impossível indicar uma obra específica para iniciar os estudos. Minha sugestão seria a de ler uma das histórias comuns da filosofia, digamos, por exemplo, uma obra de Wilhelm Windelband, e então compreender os problemas da filosofia nos quais os filósofos maçons também estão engajados. Ai então, estará em condições de ler as Ilustrações de Preston, ler as obras do Dr. Oliver, e, finalmente, ler e entender a obra de Pike, Moral e Dogma.

Já quanto ao simbolismo, devo recomendar a leitura de Primitive Secret Societies[2]de Hutton Webster, especialmente as partes que lidam com ritos de iniciação primitivos e instrução simbólica primitiva; depois algum bom livro sobre a psicologia moderna, a partir do qual irá perceber os problemas psicológicos envolvidos, e então ocupar-se com os símbolos e sinas de Oliver e com o Moral e Dogma de Pike com um entendimento totalmente maçônico.

Quanto à jurisprudência maçônica, presumo que a primeira coisa que o aluno tem de fazer é perceber a distinção entre o que indefinido, a constituição não escrita da Maçonaria que chamamos de Landmarks – algo muito parecido com a Constituição Britânica – e que pode ser chamado de Common Law da Maçonaria, e a legislação moderna em nossas várias jurisdições – uma instituição muito parecida com a legislação dos vários Estados dos União. Com essa distinção clara em sua mente, pode então se dedicar ao estudo da jurisprudência de Mackey.

Quando nosso aluno completar esse ciclo de estudos ele não precisará de ninguém mais para lhe dizer o que deve fazer. Ele vai perceber a linha na qual está especialmente interessado, e será capaz de determinar por si mesmo o que ele deve fazer nessa linha de estudo. Mas mesmo assim alguns conselhos devem lhe ser passados no início. Ele poderá tornar-se um membro do círculo correspondência da Loja de Pesquisas Quatuor Coronati, e em troca receber o Ars Quatuor Coronatorum que irá mantê-lo em contato com o que de melhor se produz em pesquisa maçônica.

Autor: Prof. Roscoe Pound, Harvard University
Tradução: Luiz Marcelo Viegas

Fonte:
The Builder Magazine
Volume I, Número 4, abril-1915

Notas do Blog

[1] – Não encontrei essa obra traduzida em português, mas os interessados em desenv0lver seus estudos podem também se dedicar à leitura do O Oficio Do Maçom. O Guia Definitivo Para O Trabalho Maçônico, de Barb King e John K. Young, baseado nas pesquisas de Harry Carr, que foi secretário da Loja de Pesquisas Quatuor Coronati de Londres por muitos anos. Vale também a leitura da série de artigos de H.L. Haywod, intitulada Capítulos da História Maçônica, que você pode ver clicando AQUI.  (N.T.)

[2] – Também não encontrei essa obra traduzida para o português. Recomendo então a leitura de O Simbolismo na Maçonaria, de Colin Dyer.(N.T.)

Apresentamos o primeiro resultado do simpósio criado para responder à pergunta, frequentemente feita pelos aprendizes que acabaram de entrar em nossa Ordem: Como e onde devo começar o estudo da Maçonaria? Os colaboradores deste simpósio são estudantes maçônicos competentes – alguns deles professores de longa experiência, que compartilham conosco seus conhecimentos- e esperamos então que muitos possam aproveitar essa rara oportunidade. Várias edições de The Builder serão necessárias para publicar tudo que for produzido durante o simpósio, e nós iremos disponibilizar aqui todas elas, mostrando todas as suas sugestões em detalhes. Dos vários planos de estudo delineados, qualquer um deles pode ser adaptado às condições locais ou gosto individual e hábito, e os resultados obtidos dependerão, claro, da dedicação do aluno e da cooperação do grupo envolvido. Resumos de livros específicos serão disponibilizados sob a forma de perguntas, para provocar interesse e a pesquisa, e no encerramento The Builder fará um resumo de tudo – e, se o tempo permitir, esperamos poder apresentar um plano de estudos com referências e notas para orientar o aluno e poupá-lo do desperdício de tempo e energia. 

A Pedagogia da Maçonaria

Cada vez mais torna-se claro que o problema anterior a esta Sociedade de Pesquisas – e que esteve sempre presente na Ordem de uma maneira geral – é o problema da pedagogia da Maçonaria. Até agora, ninguém resolveu esse problema de forma satisfatória, embora muito tenha sido feito nesse sentido através de livros, panfletos, palestras orais e escritas, clubes de estudo, e vários outros métodos. Ainda assim, nós ainda não formulamos uma definitiva, sistemática, e prática forma de curso para estudos maçônicos afim de atender as demandas dos novos maçons que ingressam em nossas lojas, mesmo sabendo que eles virão nos perguntar: “Como e onde devemos começar os estudos sobre a Maçonaria?” Aliás, como a razão principal para a existência desta Sociedade é a resolução deste verdadeiro problema, por algum tempo essa tarefa será seu objetivo primordial, ainda mais porque é grande o número daqueles recém-admitidos como membros, e que nada conhecem sobre a Ordem e sua maravilhosa história e filosofia.

Por isso planejamos um simpósio sobre o tema “Como Estudar Maçonaria”, e pedimos a participação de alguns maçons ilustres – alguns deles membros de universidades, com larga experiência no ensino – que irão contribuir com este projeto, com o objetivo de agrupar as melhores ideias, experiências e processos existentes na Ordem para que possamos então superar este problema. Quando concluído e publicado na íntegra, uma vez que estará no The Builder – começando com a próxima edição – acredita-se que este simpósio será um dos documentos mais sugestivos e valiosos na literatura da Ordem. Enquanto isso, para que possamos tirar proveito da mais ampla experiência e da ideia mais frutífera, deixamos a porta aberta para todos os membros da Sociedade, recebendo contribuições para este simpósio de todos.

O que nós desejamos é que, uma vez de posse do resultado dessas experiências e conselhos, possamos formular e publicar um programa detalhado pelo qual um Aprendiz possa começar o estudo da Maçonaria, e desenvolvê-lo passo-a-passo de forma inteligente, com uma sólida base pedagógica maçônica, e assim vir a conhecer a história desta grande Ordem, seu desenvolvimento, seu simbolismo e sua doutrina. Tempo será necessário para elaborar este plano em todos os seus detalhes, mas ele não só deve ser feito, como pode ser feito, e este é o mais importante serviço, e o de mais longo alcance, que essa Sociedade pode prestar para a Ordem.

Tradução: Luiz Marcelo Viegas

Fonte:
The Builder Magazine
Volume I, Número 3, março-1915

Nota do Blog:

Não posso aqui deixar de me referir ao trabalho realizado pela Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, capitaneada por seu presidente José Airton, que, amplamente apoiada por toda GLMMG e particularmente pelo Grão-Mestre Geraldo Eustáquio Coelho de Freitas, e por todos os outros Grãos-Mestres que o antecederam, oferece a todos os membros das potências reconhecidas a oportunidade de estudar mais a fundo as instruções dos 3 graus do REAA, onde cada uma delas é debatida, esmiuçada, analisada em todo o seu contexto e além do que está presente no ritual, em encontros que duram ao menos duas horas (tempo para cada instrução – lembrando que dentro de loja são 15 minutos). Os membros da Escola também atendem as solicitações das lojas do interior de Minas, com seus membros indo até elas, auxiliando nossos irmãos no desenvolvimento do estudo maçônico.

Nas próximas semanas o blog irá publicar os resultados do simpósio promovido pela National Masonic Research Society.

The Builder Magazine – Um Prefácio (continuação)

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Sinceramente era muito otimismo, como convinha a um pioneiro e sua visão foi cumprida pelos acontecimentos alguns anos depois. Da mesma forma, nós que vivemos nesses tempos em que há mais facilidade para desenvolvermos nosso trabalho não podemos ser menos otimistas e corajosos, para que não sejamos vistos como indignos de continuar nossa história. Os homens que escreveram para a “Review” não estão mais entre nós, mas seu trabalho permanece. Basta abrir as suas páginas amarelas para ler os artigos de Pike sobre os Mistérios, e os ensaios de Mackey sobre Simbolismo – que mais tarde formaram os capítulos de seu livro na exposição do “Simbolismo da Maçonaria” – escrito em estilo que pode muito bem ser um modelo de clareza. Aqueles homens não falharam; eles eram semeadores que fizeram o seu trabalho e nos proporcionaram uma colheita que já dura anos. Lembrando sua convicção, seu sacrifício, sua alta devoção, vamos construir sobre suas fundações, ligando o passado com um futuro maior.

Nós herdamos o passado; nós criamos o futuro. Desde os dias da “Review” muito foi feito, especialmente pelas grandes lojas Pesquisa de Inglaterra, e acima de tudo pela Loja Quatuor Coronati de Londres, que por seus trabalhos realizados temos uma dívida incalculável. Com uma pesquisa criteriosa, esses grandes homens realizaram o trabalho necessário, verificando a autenticidade de documentos, buscando evidências, desenterrando tesouros, e aplicando na Maçonaria os métodos adequados de estudo histórico. Os processos volumosos desta longa investigação são familiares apenas ao diligente estudante que teve o tempo e o prazer de seguir com essas pesquisas – assim como no campo dos estudos bíblicos os resultados reais alcançados são publicados, em sua maior parte, em grandes volumes lidos por apenas algumas pessoas.

Aqui a National Research Society  pode prestar um serviço vital para a Ordem, não só por incentivar o prosseguimento da investigação iniciada, mas também, e não menos importante, oferecendo a todos uma interpretação dos resultados obtidos do estudo maçônico realizado. O que Renan chamou de “grande curiosidade” nunca deve ser esquecida, e esta Sociedade irá fazer tudo ao seu alcance para aumentar a área do conhecimento, trazendo fatos novos à luz onde quer que estejam. O campo é rico. O trabalho é fascinante. O que tem sido realizado apenas revela o quanto ainda resta a ser feito, ao mesmo tempo que nos mostra como fazê-lo. Ao mesmo tempo, o mais humilde membro de nossa Sublime Ordem, esteja ele trabalhando no escritório ou em uma loja, na forja ou na fazenda, tem o direito de conhecer bem o que foi pensado e os fatos descobertos pelos maiores estudiosos maçônicos. Portanto, esta Sociedade procura unir o trabalho do investigador com o do intérprete, e para isso, propõe:

  • A publicação de uma revista dedicada ao estudo e interpretação da história, filosofia, simbolismo e propósitos dos diversos ritos, ordens e graus da Maçonaria.
  • A publicação, de tempos em tempos, de livros, panfletos e palestras sobre temas maçônicos, bem como a guarda, preservação e indexação de todo o material de valor para estudantes maçônicos.
  • O arranjo e publicação de cursos maçônicos para as lojas, ou grupos de alunos; a promoção e supervisão, quando se desejar, de reuniões de estudo e discussão de temas maçônicos; e, finalmente, a fundação e manutenção de um serviço de palestras maçônicas.
  • A compilação de listas de nomes de estudantes maçônicos interessadas em diferentes linhas de estudo ou atividade maçônica, para o estímulo e orientação das relações maçônicas – e, pode-se acrescentar, a título contribuição a revistas maçônicas quando estas desejarem artigos especiais.
  • A pesquisa e divulgação de informações sobre as atividades maçônicas distintas, tais como planos e especificações para diferentes tipos de edifícios maçônicos; sistemas de financiamento de projetos maçônicos; os resultados práticos da caridade maçônica em suas diversas formas, entre outros.
  • A fundação e gestão dos fundos para o auxílio financeiro de estudantes maçônicos em campos especiais da investigação maçônica; sob a forma de uma bolsa de estudos, pode ser, em que um jovem – digamos, da Loja Acácia da Fraternidade – treinado para tais estudos em uma universidade, possa se dedicar à pesquisa sobre algum período ou problema na história maçônica, e, assim, prestar um serviço permanente para a Ordem. Através da criação dessa bolsa de estudos na National Research Society, um homem de posses, que há muito tempo tenha em mente fazer algo para Maçonaria, pode deixar um legado em vida que vai continuar fazendo o bem mesmo após sua passagem para o Oriente Eterno.

Tendo mostrado de que forma a Research Society procura servir a Maçonaria, não podemos deixar de apontar como a Ordem pode fazer para a Society ser eficaz no objetivo para o qual foi fundada. Antes de tudo, todo maçom que se torna membro da Society, acrescenta a ela portanto seu conhecimento e capacidade. Chegou o momento em que cada Grande Loja deve ter o seu Comité de Pesquisas Maçônicas – ou de Ensino Maçônico, se assim preferirem nomeá-lo -e as comissões, cooperando com a Sociedade de Pesquisas, podem ter acesso a todos os recursos de que ela dispõe. Além disso, os vários grupos de estudantes maçônicos, dos quais há muitos em diferentes partes do país, deveriam por todos os meios trabalhar com a Sociedade de Pesquisas, fazendo uso de sua revista não só para instrução e inspiração mútua, mas também para compartilhar o resultados de suas pesquisas com os membros de todas as lojas.

Tal é o espírito e ideal desta Sociedade de Pesquisas, e se realizar tudo isso de uma vez é difícil, ela é o melhor meio para alcançarmos nosso objetivo, trabalhando com toda a dedicação para torná-lo uma realidade. Evidentemente, temos aqui um programa prático que, se der certo, vai significar uma nova era na história da Maçonaria, abrindo grandes caminhos de oportunidade e iniciativas ilimitadas. Ela difere de outros empreendimentos, principalmente porque em que em vez de ficar confinada a uns poucos, visa mobilizar toda a Fraternidade, unindo esforços dispersos em prol da educação maçônica em um movimento magnífico para o avanço da Ordem que não tem outra finalidade que não a edificação do presente e do futuro da humanidade.

Finalmente, resta apenas mostrar-lhes como deve ser o espírito e a política do The Builder. Como o próprio nome indica, esta revista dedicada ao estudante maçônico – como a Sociedade que ela representa – é por sua própria genialidade construtiva, e em nenhum sentido iconoclasta, sendo o seu único objetivo de construir, nunca destruir. Qualquer pessoa pode destruir. Mesmo uma vaca pode atropelar um lírio que a terra quente, o sol, adubação, e a magia suave de ar de verão se uniram para fazê-lo crescer. Segundo o editor do The Builder,  a única maneira de derrubar erro e vencer irracionalidade é expondo a verdade. Contá-la simplesmente, vividamente, sem medo e sem descanso, na graça de Deus e no amor do homem. Outro caminho para a vitória não há, e nunca haverá.

Maçonaria é amizade, e se sua influência benigna triunfar sobre a terra, ela deve ter cordialidade para com todos os homens, não procurando destruir seus inimigos, mas conquistá-los através da luz  e da dignidade da verdade. Nada se obtém através da condenação ou da destruição. Tudo é arruinado pelo ódio. O amor é o grande construtor, e o trabalho será em vão se você construir baseado em qualquer outro princípio. Nossa tarefa é deixar entrar a luz, permitir toda a luz, deixar a luz em todo o caminho, com a certeza de que quando a luz da Verdade brilhar as trevas da ignorância desaparecerão –  e com elas, todas as coisas vis e viscosas que se escondem em sombras. Não existe nada como o poder da Verdade, e uma vez que o templo da Maçonaria é feito para ficar no sol, onde todos os homens podem ver sua beleza, ela vai inspirar todos aqueles que trabalham por ela.

Portanto, The Builder será positiva, mas não dogmática; mente aberta, mas nunca indiferente; atenciosa com todos, mas absolutamente inflexível em relação aos princípios da Maçonaria – procurando apenas verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade. Crítica ela deve ser, uma vez que a crítica, como Arnold definiu, é a apreciação, avaliação, “a cooperação na busca da verdade.” Aqueles que escrevem para essas páginas podem esperar ter suas teorias posta à prova da razão e os fatos apresentados debatidos em um fórum aberto, o que é, depois da verdade, o maior dos desejos. A discussão será franca, livre e completa; tudo o que o editor pede é que seja fraterna no espírito, cada um mantendo uma mente aberta e um coração bondoso para com todos os seus companheiros na grande missão.

Quanto ao resto, o editor pede perdão por ter tomado tanto tempo e espaço, mas pareceu apropriado expor em detalhes os projetos da Sociedade, a fé em que se baseia e o espírito em que ela funciona. A partir de agora, sua obrigação será muito parecida com o de um mediador, com o único desejo de encorajar um espírito de comunhão fraterna e hospitalidade intelectual, de genial, e alegre boa vontade que, desde o distante dia do velho Poema Regius, tem sido o gênio reinante onde quer que os maçons se encontrem.

Autor: Joseph Fort Newton
Tradução: Luiz Marcelo Viegas

Fonte:
The Builder Magazine
Volume I, Número I, janeiro -1915

Nota do Blog

Sempre às terças-feiras o blog disponibiliza um artigo publicado pela renomada The Builder Magazine entre os anos de 1915 e 1930. Com isso reforçamos nosso compromisso de sempre oferecer a nossos leitores as melhores fontes de estudo e pesquisa no que se refere a assuntos maçônicos.

The Builder Magazine – Um Prefácio

Sob o signo do Esquadro e do Compasso – símbolos tão expressivos quanto antigos, “The Builder” retoma seus trabalhos para o progresso da Maçonaria, sem rancor para com quem quer que seja, sem apoiar esse ou aquele partido, sem defender essa ou aquela igreja, mas com uma boa vontade sincera e saudável para todos os seus companheiros de trabalho na busca da verdade e ao serviço da humanidade. Obviamente, é adequado, nesta edição inicial, que uma declaração seja feita para a sociedade da qual esta revista é um porta-voz, o seu objetivo, o seu espírito, seus ideais, e quais são os projetos presentes em sua Prancha de Delinear.

Tão entusiasmada, tão notável na verdade tem sido a resposta de todo o país para a criação sugerida de uma Sociedade Maçônica Nacional de Pesquisa  (National Masonic Research Society), que já não há qualquer dúvida de que tal movimento é necessário e que ele é extremamente prolífico e de longo alcance para servir à Ordem. Certamente está enganado quem não vê essa Sociedade, que agora está organizada e funcionando, é algo importante para a vida e para o progresso da Maçonaria em todos os seus ritos e atividades, e se nos doamos a ela com sinceridade, o dia de sua fundação será visto como uma das datas mais significativas da história recente da Sublime Ordem.

Antes de qualquer coisa é necessário o esclarecimento de alguns pontos. Esse movimento não tem nenhum objetivo de engrandecimento pessoal, muito menos de lucro pecuniário. Em vez de tentar ganhar dinheiro com a Maçonaria, os fundadores desta sociedade estão investindo tempo, dinheiro e energia nela, sem qualquer outro objetivo que não seja descobrir a verdade e relatá-la. Eles não tem nenhum machado para ser amolado, nenhuma vaidade a ser velada, nem um capricho com seu ego. Se fosse possível, eles prefeririam permanecer anônimos, e serem conhecidos apenas por seus trabalhos – como os velhos construtores de catedrais, cujos trabalhos vivem, mas cujos nomes estão perdidos. O único objetivo deles é difundir a Luz Maçônica e o discernimento,  e assim estender o poder e a influência dessa grane ordem de homens sobre a terra.

Ou seja, eles se recusam a pensar na Maçonaria como um mero conjunto de clubes sociais e de beneficência, e consideram tal visão da nossa Ordem como uma lamentável apostasia da doutrina dos seus fundadores. Eles acreditam que a Maçonaria é uma forma da vida divina na terra, uma ordem de homens iniciados, juramentados e treinados para fazer justiça e difundir a razão. Eles vêem neles poderes e possibilidades latentes ainda não imaginadas, e não realizadas; uma grande fraternidade libertária e humanista, cuja missão é atenuar o pré-conceito, afim de aperfeiçoar o pensamento, a compreensão e o trabalho, e então auxiliar na construção de uma ordem social com uma fraternidade mais nobre, mais justa e mais misericordiosa. Daí a sua honrosa ambição do trabalho desse homens, não só esclarecendo o que a Maçonaria para o mundo em geral, mas, ampliando e aprofundando o interesse dos próprios maçons na doutrina, filosofia, história e objetivos práticos da fraternidade. Certamente tal trabalho pode muito bem atrair os homens que de bom grado servem seus companheiros, e fazem um pouco de bem antes de morrer.

Em vez de ser uma iniciativa privada, esse movimento tem a sanção oficial e bênção da Grande Loja de Iowa, e é de fato uma consequência do trabalho dessa Potência na preparação de seus jovens para serem maçons inteligentes e competentes. O que significa no mundo maçônico o aval de um plano desse tipo pela Grande Loja de Iowa, é algo evidente, como comprovam estas palavras de Sir Chetwode Crawley, cujos distintos serviços à cultura maçônica na Inglaterra todo estudante conhece:

“Deixe-me começar por expressar a minha profunda satisfação pela Grande Loja de Iowa dar o seu aval ao Masonic Research e pela nomeação de tão influente e capacitado comitê. A adoção de um plano desse tipo por qualquer Grande Loja teria certamente calorosa aprovação de todos os Irmãos preocupados com o bem-estar da Ordem, mas há uma peculiaridade na sua aprovação pela Grande Loja de Iowa. Por mais de uma geração, estamos acostumados a ver a Grande Loja de Iowa a frente da produção da literatura Maçônica.”

Essas palavras exprimem uma grande e sincera homenagem, mas são amplamente merecidas e plenamente justificadas. Setenta e cinco anos atrás, a Biblioteca da Grande Loja de Iowa – talvez o maior de seu tipo no mundo – foi fundada pelo já falecido Theodore Sutton Parvin, cuja longa e movimentada vida foi dedicada, com uma diligência só igualada pela sua grande capacidade, para a causa da luz maçônica e da aprendizado. Hoje essa nobre biblioteca permanece como seu legado e memorial, as suas portas abertas e os seus tesouros fabulosos acessíveis a todos os que buscam mais luz na Maçonaria. Tendo uma tradição tão esplêndida e assim sendo exemplos a todos, é natural que os maçons de Iowa façam de sua biblioteca o centro de entusiasmo e atividade para o aprendizado sobre a Nobre Arte, da qual maiores detalhes podem ser lidos nos procedimentos da sua Grande Loja. Mais recentemente, por força da necessidade, nova ênfase foi adicionada ao estudo de uma vertente da Maçonaria, e a razão não é difícil de se encontrar.

Houve um tempo, não muito distante, em que era necessário muita coragem para um homem ser um Maçom. Os sentimentos contra a Ordem eram intensos, muitas vezes fanáticos, e os ignorantes imaginavam que seus segredos inocentes eram mal-intencionado ou foram criados para esconder algum projeto obscuro. Como é diferente agora, quando a nossa Ordem é respeitada em todos os lugares, pela bondade de seu espírito e nobreza de seus princípios. Não é de se admirar então que os portões das lojas estejam repletos de jovens escolhidos, ansiosos por fazer parte dessa antiga corporação. Mas esses jovens devem saber o que é a Maçonaria, de onde veio, o que custou em sacrifício de homens corajosos, e o que ela está tentando fazer no mundo. Caso contrário, não poderão perceber em que tradição benigna estão, muito menos serão capazes de justificarem a sua escolha em fazer parte dessa corporação. Cada argumento a favor de qualquer tipo de educação tem a mesma força em favor da educação dos jovens maçons nas verdades da Maçonaria. Então, e só então eles estarão prontos para saber o que o ritual realmente significa, e compreender as mensagens escondidas em seus símbolos e alegorias.

Fazendo desta necessidade uma oportunidade, a Grande Loja de Iowa decide, por meio de seu Comitê no Masonic Research, elaborar um programa bem planejado de método prático, e testá-lo através de fatos e resultados. Por lógica natural, os frutos desse trabalho sugeriram um movimento nacional para o mesmo fim, que está agora tomando forma na criação dessa Sociedade de Pesquisas. Originária em Iowa, como resultado da experiência real, seus resultados não estão confinados a esse estado, na verdade atraem o interesse de todas as Grandes Lojas do país. e de estudantes maçônicos de todas os graus e ritos, oferecendo-lhes nesta revista um meio para a comunhão mais estreita e um fórum de discussão franca, livre e fraterna de todos os aspectos possíveis da Maçonaria.

Não há a necessidade de alguém apresentar mais argumentos para  provar que um movimento como este é maçônico; ele está de acordo com as tradições mais antigas da Ordem, nós voltamos para as “Old Charges“- documentos históricos da Maçonaria e uma parte de seu mais antigo ritual – nós aprendemos que as lojas na Maçonaria Operativa eram verdadeiras escolas onde os jovens aprendiam não só técnicas de construção, mas estudavam as Sete Artes e Ciências Liberais e também a história e o simbolismo da Ordem. Aprendizes eram selecionados tanto pela físico quanto pela sua capacidade de raciocínio, e se não demonstrassem aptidão para alcançar os objetivos intelectuais da Ordem, eram então autorizados a regressar às guildas para o trabalho prático de pedreiros. “A nenhum jovem, durante seu tempo como Aprendiz, era autorizado ficar acordado até altas horas, a não ser que estivesse estudando, o que deve ser considerado um motivo justo”, como está escrito em uma das Old Charges.

Para dizer a verdade, temos muito ainda a aprender com a Maçonaria Operativa, especialmente no que se refere à formação de jovens maçons. Para começar, eles contavam uma breve história da Maçonaria ao candidato no momento de sua iniciação, deixando-o completamente aturdido, como nós também costumamos fazer, uma vez que na verdade não se sabia nada de nossa grande e heroica história. Sem dúvida a história então contada – como vemos nas “Old Charges” – era fantástica e muito longe da realidade. No entanto era esse o hábito, o problema é que esse “costume” tem permanecido entre nós de tal forma que Gould chega a dizer, e ele tem toda a razão, que os maçons sabem menos sobre a história de sua ordem do que os homens de qualquer outra fraternidade. Recordando aquele velho e sagaz costume, a Grande Loja de Iowa escreveu uma breve interpretação da história da Maçonaria, e uma cópia é presenteada aos novos Aprendizes na noite de sua Iniciação.

A pesquisa maçônica, como agora conhecemos, pode-se quase dizer ter começado com Findel, embora bom trabalho tenha sido feito anteriormente ao seu nascimento. Ainda assim, o seu “History of Masonry” foi um dos primeiros livros do gênero. e ele muito fez para colocar a Ordem no caminho da aprendizagem autêntica. Outros o seguiram, tanto no exterior como em nosso país – Pike, Fort, Mackey, Drummond, Parvin, para citar apenas alguns entre nós –  e seus trabalhos, realizados com grande dificuldade, foram em certo ponto proféticos. Um exemplo pertinente foi a breve, mas brilhante, distribuição do American Review of Freemasonry, editado por Mackey. Tudo começou em 1858, durou dois anos, e acabou por falta de apoio adequado. Em sua despedida, Dr. Mackey disse:

“Foi um experimento, começou com uma ideia de determinar o quão longe uma revista maçônica de qualidade seria mantida pela sua capacidade em nosso país. Durante dois anos esse experimento funcionou, e o plano era que a edição trimestral fosse um progresso natural no meio maçônico. Sem dúvida, foi apoiada melhor do que qualquer tipo de trabalho teria sido vinte anos atrás, mas não tão bem como um similar será daqui a dez anos, no que se refere ao caráter literário as coisas estão melhorando. O editor sente alguma satisfação em acreditar que esse trabalho, durante sua breve existência, teve um importante papel para ajudar a acelerar essa melhoria.”

Continua…

Autor: Joseph Fort Newton
Tradução: Luiz Marcelo Viegas

Fonte:
The Builder Magazine
Volume I, Número I, janeiro -1915

Nota do Blog

Com essa primeira parte do Um Prefácio, o blog inicia uma série de postagens, sempre às terças-feiras, de artigos publicados pela renomada The Builder Magazine entre 1915 e 1930. Com isso reforçamos nosso compromisso de sempre oferecer a nossos leitores as melhores fontes de estudo e pesquisa no que se refere a assuntos maçônicos.