O exemplo do burro

Um dia, o burro de um camponês caiu num poço. Não chegou a ferir-se, mas não podia sair dali por conta própria. Por isso, o animal zurrou durante horas, enquanto o camponês pensava em como o poderia ajudar. Finalmente, o camponês tomou uma decisão cruel: concluiu que o burro já estava muito velho e que o poço já estava seco e, de qualquer forma, precisava de ser tapado. Portanto, não valia a pena esforçar-se para tirar o burro de dentro do poço. Pelo contrário, chamou os vizinhos para o ajudarem a enterrar o burro vivo, aterrando, ao mesmo tempo, o poço. Cada um deles pegou numa pá e começou a deitar terra dentro do poço. O asno não tardou a aperceber-se do que lhe estavam a fazer e zurrou desesperadamente.

Porém, para surpresa de todos, o burro acalmou-se , depois de ter levado em cima com algumas pazadas de terra. O camponês olhou para o fundo do poço e surpreendeu-se com o que viu. A cada pazada de terra que caía no seu lombo, o burro sacudia a terra e logo dava um passo sobre essa mesma terra, que caía ao chão. Assim, em pouco tempo, todos viram como o burro conseguiu chegar até à boca do poço, passar por cima da borda e sair dali a trote.

A vida atira-nos muita terra. Todos os tipos de terra. Principalmente se já estivermos dentro de um poço. O segredo para sair do buraco é sacudir a terra com que se leva e dar um passo em cima dela. ada um dos problemas que se nos deparam e que é superado é um degrau que nos conduz para cima. Podemos sair dos mais profundos fossos, se não nos dermos por vencidos: usemos a terra que nos atiram para seguir adiante!

Desta pequena história podemos retirar cinco lições que nos ajudarão a ser felizes:

1.ª – Devemos libertar-nos do ódio e do desespero, que só pioram a nossa situação.

2.ª – Devemos libertar a nossa mente de preocupações exageradas, que só prejudicam o nosso raciocínio.

3.ª – Devemos simplificar a nossa vida, buscando soluções simples para o que só aparentemente é complicado.

4.ª – Devemos dar mais e esperar menos, pois assim não nos desiludiremos.

5.ª – Devemos amar mais e… aceitar a terra que nos atiram, pois ela pode ser uma solução, não um problema!

Rui Bandeira fez essa adaptação a partir de texto de autor desconhecido.

Fonte: Blog A Partir Pedra

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Disciplina

Reprogramação Mental - DISCIPLINA - YouTube

Não é no medo que assenta a disciplina: é no sentimento do dever. (Rui Barbosa)

Disciplina é a mãe do êxito. (Ésquilo)

A disciplina é a doutrina e instrução de uma pessoa, especialmente no campo da moral. O conceito também é usado para fazer referência à arte, à faculdade ou à ciência, bem como ao próprio instrumento de castigo (o chicote ou a régua, caídos entretanto em desuso e abolidos). No âmbito militar e eclesiástico, a disciplina é a observância (cumprimento/respeito) das leis e nos ordenamentos da profissão.

A disciplina tem fixação no conjunto de regras e normas que são estabelecidas por determinado grupo, embora possa se referir ao implemento de responsabilidades específicas de cada pessoa.

Exemplificando quanto grupo social: vamos descobrir um conjunto de normas e regras de conduta, que variam de acordo com os seus preceitos.

Deste modo, com enfoco na sociedade: a disciplina ainda representa a boa conduta do indivíduo, ou seja, a característica da pessoa que cumpre as ordens existentes na coletividade.

Indo além, anotamos o significado de disciplina no trabalho ou em atmosfera religiosa, por exemplo, são diferentes, visto que para cada parte as regras e comportamentos costumam variar, de acordo com aquilo que consigam ser considerada de maior importância.

Segundo o Pequeno Dicionário Enciclopédico Koogan Larousse:

Disciplina s.f. O conjunto dos regulamentos destinados a manter a boa ordem em qualquer assembleia ou corporação; a boa ordem resultante da observância desses regulamentos: a disciplina militar. / Submissão ou respeito a um regulamento. / Cada uma das matérias ensinadas nas escolas: é professor de duas disciplinas.

A disciplina é uma palavra que tem a mesma etimologia da palavra “discípulo”, que significa aquele que segue.

Segundo o Dicionário “online” Priberam de Português:

Discípulo – s. m. Pessoa que recebe instrução (em relação a quem lhe dá); aquele que aprende (aluno, Secretário) ou aquele que segue as doutrinas de outrem.

Em filosofia significa o conjunto de conhecimentos metódicos ou regra de conduta a disciplina dos costumes e é aplicada às organizações e as pessoas.

Decorrido sobre o tema do “título” registro a indisciplina como o oposto, quando há a falta de ordem, regra, comportamento ou de respeito pelos regulamentos.

NA MAÇONARIA

A disciplina constitui em uma rígida e irrestrita observância às normas, às Constituições, aos Landmarks, aos Regulamentos, às Obediências e às autoridades.

Sem disciplina nenhuma organização ou entidade domina seus interesses. Porque a indisciplina gera um grave mal, a exemplo da anarquia a qual combatemos, por produzir o caos. A indisciplina anda em voga no meio político: “quanto pior melhor” porque atende a seus méritos.

Originando de que a disciplina é irmã gêmea da liberdade, quando a usamos como direito, ou seja, o direito agindo para que a manifestação de liberdade seja garantia de todos. Essa afirmativa produz efeito quando se consegue respeitar os direitos alheios; que é diferente da liberdade pessoal, conseguida pela deferência espontânea das normas previamente estabelecidas e da obediência às autoridades constituídas.

O cidadão que pretende viver em sociedade, leva para seu convívio um dos deveres essenciais. A disciplina; sinalizada por juramentos, estudos, posturas, segurança nas determinações e ações; sob pena de, não o fazendo, gerar no grupo: dissabores, desentendimentos, egoísmo, divisões e não conseguir transmitir a paz nem a harmonia, tornando-se assim, um cidadão que não inspira segurança a seus companheiros.

Tomemos para nossas vidas, um exemplo de autodisciplina, a do artista. Sua arte se expressa pelo rígido método de disciplina, que espontaneamente impõe a si próprio, dentre outros; o de dormir, de meditar, de buscar inspiração e no tratar com a natureza, completado pelos instrumentos que utiliza: o pincel, a caneta, as chuteiras e os dedos. Pois, sem este cuidado disciplinar ele nunca passará de um artista mediano, de um péssimo sonhador.

Na sociedade em geral, quando aceitamos o convite para ser iniciado na Ordem Maçônica imaginamos uma gama de normas próprias a que seremos submetidos a cumprir; e quando aceitos, prometemos cumprir, através de juramentos, e preceitos outros que formarão o caráter e a moral do cidadão/irmão.

Portanto, sem a disciplina maçônica, a busca da perfeição correrá por trilhos difíceis de se alcançar. É fato que necessitamos de orientações escritas, bem como: dos conceitos orais ministrados pelo corpo de instrutores das Lojas Maçônicas.

NA PANDEMIA

Historiamos que saímos das reuniões presenciais para as virtuais. Consequências que deixaram um gigantesco grupo de irmãos inconformados com a proibição; não podendo se reunirem nos Templos Maçônicos.

Contanto, a maçonaria praticada nos dias atuais “no campo virtual”, tem alcançado um desenvolvimento importante quando o produto final: é a busca do “conhecimento”.

Evento que, os protocolos decorridos dos Órgãos (Governamentais, Estaduais e Municipais) determinaram normas e deveres, com um leque de procedimentos sanitários a serem cumpridos pelos corpos Administrativos das Potências Maçônicas.

Anotamos aqui importantes dificuldades no cumprimento da execução deste protocolo, que traz à tona o dever de cumprir as normas elencadas, mantendo uma correta disciplina.

Alterações foram necessárias. Aditamos uma quantidade de irmãos de nossos relacionamentos, que conseguem através dos sistemas eletrônicos “Lives Maçônicas” palestras/estudos da maçonaria no país e exterior.

Enfim, afirmo que este “novo sistema” vinculará a maçonaria brasileira a buscar novos modelos de administrar e de desenvolver a cultura maçônica.

Assim sendo, ficam assinalados que: os irmãos atuais (minoria) estabeleceram regras de atração pelo conhecimento -, com foco nas palestras, estudos e seminários (virtuais); realizados pelas Potências e Lojas Maçônicas no Brasil e países outros.

Contente pelo o desenvolvimento da maçonaria (atualmente) -, porém apreensivo sobre os demais irmãos, que não concordaram com a evolução existente “sem volta” -, para muitos deles, a maçonaria se pratica nos Templos Maçônicos.

Apresento pretextos a vistas: construímos uma lacuna para o desenvolvimento da desmotivação, que geram, às vezes, na consciência dos irmãos a vontade latente de deixar a Ordem.

Comento que são poucas as Lojas Maçônicas que estão se reunindo, ficam no anonimato “alimentando as esperanças de logo voltarem as reuniões presenciais” – logo, não desempenham “estes” os sólidos compromissos, morais, éticos e disciplinares. Descontinuando os ensinamentos que norteiam a nossa Instituição.

CONCLUSÃO

O trabalho particulariza com clareza que ser disciplinado é fundamental em diferentes aspectos da vida dos indivíduos que vivem ao redor do mundo, pois sem essa “disciplina” os indivíduos não seriam capazes de colocar seus projetos em práticas, lutar para cumprir desafios e buscar novos limites em todas as áreas da vida. Finalizando evidencio que sem disciplina no incremento da obediência as leis e regras, o diálogo da coletividade seria muito mais complexo sobre os tratados organizacionais de interação entre os indivíduos.

Autor: José Amâncio de Lima

Amâncio é Mestre Instalado da ARLS Estrela de Davi II – 242 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Academia Mineira Maçônica de Letras, delegado da 1ª Inspetoria Litúrgica do REAA de Minas Gerais e, para nossa alegria, também um colaborador do blog.

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Os bons costumes na Maçonaria

Ao pensarmos em Maçonaria, o que vem a nossa mente, quase de imediato, é a figura do maçom. Essa imagem é projetada em nossa sociedade atual, pela postura dos nossos antecessores, que consolidaram seu caráter, hábitos e costumes irrepreensíveis junto as mais diversas questões políticas e sociais das quais fizeram parte.

Nesse sentido, nosso objetivo é o de reforçar o quanto os bons costumes que são indissociáveis da Maçonaria, pois, através deles, o maçom consolida-se como paradigma da sociedade a que pertence.

Assim, é importante destacar que entendemos costume como o hábito ou a prática reiterada associada à moralidade, geralmente observada pela sociedade, ou seja, procedimentos ou comportamentos que são prescritos do ponto de vista moral. São atitudes ou valores sociais consagrados pela tradição.

“Costume é a regra aceita como obrigatória pela tradição ou consequência do povo, sem que o poder público a tenha estabelecido.”

Vale a pena lembrar que, a retidão, a honestidade, a lealdade, o respeito, a tolerância e a justiça são imprescindíveis ao Maçom, uma vez que é visto como paradigma da sociedade, significando que ele é possuidor de bons costumes e reputação ilibada.

Na Maçonaria, os bons costumes são entendidos como valores morais indispensáveis ao maçom, os quais representam o somatório de suas ações e comportamentos do passado e do presente.

Nessa esteira, a Maçonaria pode ser entendida como um centro de união fraternal, onde a retidão, a responsabilidade, a honestidade, a bondade, a tolerância, a justiça, a busca pela verdade e pelo aperfeiçoamento devem ser permanentes. Além disso, defende e propaga o respeito e a prática da ética e da moral.

Os bons costumes referem-se, portanto, como foi dito acima, tanto ao passado quanto ao presente, isto é, correspondem ao somatório dos dois. Quando a conduta, o comportamento, a postura e as atitudes positivas são reconhecidas pelos que estão mais próximos ou pela sociedade em geral, podemos dizer que se trata de alguém de bons costumes e, consequentemente, de reputação ilibada.

Dessa forma, podemos dizer que o objeto principal deste trabalho é despertar no Maçom o interesse pelo verdadeiro significado daquilo que nós chamamos de “Bons Costumes”. Entretanto, há aqueles que acreditam que “os bons costumes” se referem tão somente ao estado atual de uma pessoa, o que não corresponde à verdade, esse entendimento é equivocado, uma vez que, os “bons costumes” podem ser compreendidos como a prática reiterada de boas ações, abrangendo passado e presente.

A Maçonaria é uma sociedade que, acertadamente, só admite em seu quadro, homens retos, de bons costumes e possuidores de comportamento ético, moral e humanístico compatíveis com sua finalidade, isto é, que vise alcançar o ápice do aperfeiçoamento humano, razão pela qual, para ingressar nos seus quadros exige-se o preenchimento de requisitos que contemplem a retidão do seu pretendente.

Há que ser ressaltado que, a Constituição do Grande Oriente do Brasil, logo no seu artigo 1º corrobora o objetivo deste trabalho, dando balizamento para várias situações. Diz o dispositivo legal que, a Maçonaria é uma instituição essencialmente Iniciática, filosófica, filantrópica, progressista e evolucionista, proclamando a prevalência do espírito sobre a matéria. Além disso, estabelece que seus fins supremos são a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, pugnando pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade. Assim, acreditamos que, a possibilidade de alcançarmos o aperfeiçoamento humano deve ser precedido pelos bons costumes.

Desta forma, a Maçonaria, através da observância dos seus princípios e valores, acima enumerados, aliado à prática da beneficência e do cumprimento inflexível dos deveres e responsabilidades, quer nos parecer que, por si só, poderia justificar a repulsa que os maçons devem sentir em face da corrupção, ao mesmo tempo em que defende e propaga o respeito e a prática da ética, da moral e dos bons costumes.

Por outro lado, quer nos parecer ainda que, a Maçonaria deseja, em primeiro lugar, proporcionar o encontro do Homem Maçom consigo mesmo, transformando-o no seu próprio paradigma. Assim sendo, faz-se necessário que, o Maçom esteja sempre atento ao aprendizado e à prática correta dos princípios maçônicos, ao mesmo tempo em que procura evitar que um Irmão desavisado seja levado a praticar o que chamamos de “Heresia Maçônica”, desviando-se do verdadeiro objetivo da Ordem, que é a busca pela evolução maçônica.

O Maçom ao ser iniciado ingressa num “sistema”, no qual se exige que seus membros devem, necessariamente, percorrer o que podemos chamar de “Via Mística”, com vista a conduzi-lo a um determinado lugar, geralmente, oculto para os não iniciados, mas podendo ser visível ao verdadeiro Maçom.

Esse entendimento, nos leva a acreditar que a Maçonaria é um sistema de conhecimento extremamente importante e eficiente, uma vez que tem como meta principal o aperfeiçoamento do homem no Mundo Espiritual, mas ao mesmo tempo não abandona e nem ignora o Mundo Material. A justificativa talvez seja que a saúde material se faz necessária, sobretudo quando da prática da filantropia ou beneficência, uma das ações básicas da Ordem.

Como já foi dito anteriormente, a filantropia é, também, dentre tantas, uma das finalidades da Maçonaria. Sua terminologia pode ser traduzida como a “Mão da Maçonaria” estendida aos necessitados, Irmãos ou não, mas “dando com a mão direita sem que a esquerda saiba”. Todavia, modernamente, a solidariedade deve, a nosso ver e com razão, sobrepor-se à filantropia, uma vez que esta, simplesmente, “dá o peixe”, ao passo que aquela, “ensina a pescá-lo”, ou seja, em uma delas a fome é saciada por um dia, já na outra, a fome pode ser afastada não por um dia apenas, mas para sempre.

Vale a pena lembrar que, o progresso que a Maçonaria admite como essencial, pode ser definido como melhoramento da humanidade, calcado no aperfeiçoamento ético, moral, intelectual e social dos seus membros. Além do mais, ela tem como alguns de seus símbolos o Cinzel e o Malho que, juntos, servem de instrumentos para desbastar a Pedra Bruta que somos e, ao mesmo tempo, construir nosso Edifício Moral ou Espiritual. Esta é a verdadeira evolução humana, mesmo porque o Maçom deve, necessariamente, buscar a perfeição humana, até tornar-se um Mestre de fato, não se deixando confundir com um profano de avental.

É bem possível que, para muitas pessoas, ser livre significa não ter limites. Contudo, para o Maçom, a liberdade deve consistir numa via de mão dupla, ou seja, a liberdade exigirá sempre uma correlata responsabilidade. Isto porque a liberdade não exclui a disciplina, nem pode sobrepor-se à liberdade de outrem.

Assim sendo, “ser livre e de bons costumes”, tem um significado extremamente importante para a Maçonaria, uma vez que se presume que todo homem que preencha tais requisitos estaria, a princípio, em condições de ser iniciado na Arte Real e poderia, até mesmo, transformar-se em um bom Maçom, observador atento das tradições da Ordem. Entretanto, para melhor compreender a frase acima, se faz necessário entender que ela seja interpretada à luz da ética e da moral.

A terminologia “Livre” expressa o momento presente e diz respeito ao cidadão em pleno gozo de seus direitos civis, os quais guardam limites ao direito alheio. Já a expressão “Bons Costumes”, refere-se não só ao presente, mas também ao passado, por tratar-se de um somatório de condutas, alcançando até os dias de hoje, ou seja, comportamentos e atitudes positivas reconhecidas pelos que estão próximos e pela sociedade em geral.

Nesse sentido, anda bem a nossa Ordem ao exigir que, para se iniciar em seus mistérios, há que ser levado em conta o presente e o passado do candidato, de tal maneira que, seja visto e analisado como um todo indivisível. Só assim, será ele considerado apto ou não, isto é, livre e de bons costumes para receber permissão de ingresso na Ordem.

Na verdade, homens de bons costumes são aqueles que têm valor social reconhecido ou consagrado, que se orientam pelas coisas justas, pela ética, pela moral, pela honestidade, pelas ideias mais elevadas, pela disciplina e pelo respeito. Eles não participam de grupos que sejam desprovidos de moral ou honestidade, além do mais, devem desfrutar de boa reputação e ter conduta irrepreensível em todos os seus aspectos.

Portanto, podemos dizer que, o homem livre é aquele isento de preconceitos, de maledicências, ou seja, deve, necessariamente, ter a consciência livre e que não tome o mal pelo bem. Além disso, deve ser desprovido de quaisquer vícios. Isso nos permite inferir que, a corrupção e a ausência de bons costumes afastam toda e qualquer evolução ou progresso moral do Maçom, enquanto que a observância à ética, à moral e aos bons costumes o aproxima da sua evolução e progresso, especialmente, no campo espiritual.

Finalmente, concluímos convidando a todos os maçons, principalmente os do Grande Oriente do Brasil no Estado do Rio de Janeiro, a buscarem atitudes compatíveis com os bons costumes, sobretudo, que sejam comprometidos com a moral, a ética e a evolução maçônica, pois, só assim conseguiremos ascender ao patamar de Mestre Maçom de fato.

Autor: Aildo Virgínio Carolino

Fonte: GOB-RJ

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Virtudes maçônicas: Tolerância

NOVO MOVIMENTO DEMOCRÁTICO : Popper, o paradoxo da tolerância, o ovo da  serpente e o ovo de galinha

A tolerância sendo uma virtude é, portanto, um valor. Valores, como é sabido, não podem ser definidos, entretanto, podem ser descritos e analisados de acordo com comportamento dos integrantes de uma sociedade.

A ideia de tolerância somente pode ser analisada, com certa precisão, se estiver interada socialmente, pois está indissoluvelmente atrelada ao agir das pessoas nesta mesma sociedade.

Para abordar esse tema tão subjetivo por se tratar de uma virtude e também, sendo um dos valores da nossa Ordem, deixo duas perguntas para a nossa reflexão: “Julgar que há coisas intoleráveis é dar provas de intolerância?” Ou, de outra forma: “Ser tolerante é tolerar tudo?” Em ambos os casos a resposta, evidentemente é não, pelo menos se queremos que a tolerância seja uma virtude.

Partindo da afirmação que Filosofar é pensar sem provas, somente espero não ter indo longe demais nas minhas divagações filosóficas.

No opúsculo O que é Maçonaria, temos a seguinte frase:

“A Maçonaria é eminentemente tolerante e exige dos seus membros a mais ampla tolerância. Respeita as opiniões políticas e crenças religiosas de todos os homens, reconhecendo que todas as religiões e ideais políticos são igualmente respeitáveis e rechaça toda pretensão de outorgar situações de privilégio a qualquer uma delas em particular”.

A definição acima aborda a tolerância maçônica no seu aspecto religioso e político que, sendo um valor é muito mais abrangente, discutível e contestável do que os apresentados.

Quem tolera a violação, a tortura, o assassinato deveria ser considerado virtuoso? Quem admite o ilícito com tolerância tem um comportamento louvável? Mas se a resposta não pode ser negativa, a argumentação não deixa de levantar um certo número de problemas, que são definições e limitações. Nem tão pouco podemos deixar de considerar às questões sobre o sentido da vida, a existência do Grande Arquiteto do Universo e o valor dos nossos valores.

Tolerar é aceitar aquilo que se poderia condenar, é deixar fazer o que se poderia impedir ou combater? É, portanto, renunciar a uma parte do nosso poder, desejo e força! Mas só há virtude na medida em que a chamamos para nós e que ultrapassamos os nossos interesses e a nossa impaciência. A tolerância vale apenas contra si e a favor de outrem. Não existe tolerância quando nada temos a perder e menos ainda quando temos tudo a ganhar, suportando e nada fazendo. Tolerar o sofrimento dos outros, a injustiça de que não somos vítimas, o horror que nos poupa não é tolerância, mas sim egoísmo e indiferença. Tolerar Hitler é tornar-se cúmplice dele, pelo menos por omissão, por abandono e esta tolerância já é colaboração. Antes o ódio, a fúria, a violência, do que esta passividade diante do horror e a aceitação vergonhosa do pior.

É o que Karl Popper denomina como “o paradoxo da tolerância”:

“Se formos de uma tolerância absoluta, mesmo com os intolerantes e não defendermos a sociedade tolerante contra os seus assaltos, os tolerantes serão aniquilados e com eles a tolerância.”

Uma virtude não pode ocultar-se atrás de posturas condenáveis e contestáveis: aquele que só com os justos é justo, só com os generosos é generoso, só com os misericordiosos é misericordioso, não é nem justo, nem generoso e nem misericordioso. Tão pouco é tolerante aquele que o é apenas com os tolerantes. Se a tolerância é uma virtude, como creio e de um modo geral, ela vale, portanto por si mesma, inclusive para os que não a praticam. É verdade que os intolerantes não poderiam queixar-se, se fôssemos intolerantes com eles. O justo deve ser guiado “pelos princípios da justiça e não pelo fato de o injusto poder queixar-se”. Assim como o tolerante, pelos princípios da tolerância.

O que deve determinar a tolerabilidade deste ou daquele indivíduo, grupo ou comportamento, não é a tolerância de que dão provas, mas o perigo efetivo que implicam: uma ação intolerante, um grupo intolerante, etc., devem ser interditos se, e só se, ameaçam efetivamente a liberdade ou, em geral, as condições de possibilidade da tolerância.

Numa República forte e estável, uma manifestação contra a democracia, contra a tolerância ou contra a liberdade não basta para a pôr em perigo: não há, portanto, motivos para a proibir e faltar com tolerância. Mas se as instituições se encontram fragilizadas, se uma guerra civil ameaça, se grupos pretendem tomar o poder, a mesma manifestação pode tornar-se um perigo: pode então vir a ser necessário proibi-la ou impedi-la, mesmo à força e seria uma falta de prudência recusar-se a considerar esta possibilidade.

Estando diante de mais um paradoxo sobre a tolerância, para entende-la entramos por um caminho não muito claro e como não poderia deixar de ser exato, Karl Popper acrescenta:

“Não quero com isto dizer que seja sempre necessário impedir a expressão de teorias intolerantes. Enquanto for possível contrariá-las à força de argumentos lógicos e contê-las com a ajuda da opinião pública, seria um erro proibi-las. Mas é necessário reivindicar o direito de fazê-lo, mesmo à força, caso se torne necessário, porque pode muito bem acontecer que os defensores destas teorias se recusem a qualquer discussão lógica e respondam aos argumentos pela violência. Haveria então de considerar que, ao fazê-lo, eles se colocam fora da lei e que a incitação à intolerância é tão criminosa como, por exemplo, a incitação ao assassínio. Democracia não é fraqueza. Tolerância não é passividade.”

Moral e politicamente condenáveis, a tolerância universal não seria, nem virtuosa e nem viável. Ou por outras palavras: existe, de fato, coisas intoleráveis, mesmo para o tolerante! Moralmente condenado é o sofrimento de outrem, a injustiça, a opressão, quando poderiam ser impedidos ou combatidos por um mal menor. Politicamente é tudo o que ameaça efetivamente a liberdade, a paz ou a sobrevivência de uma sociedade.

Como vimos, o problema da tolerância só se põe em questões de opinião. Ora, o que vem a ser uma opinião senão uma crença incerta. O católico bem pode estar subjetivamente certo da verdade do catolicismo. Mas, se for intelectualmente honesto (se amar mais a verdade do que a certeza), deverá reconhecer que é incapaz de convencer um protestante, ateu ou muçulmano, mesmo cultos, inteligentes e de boa-fé. Por mais convencido que possa estar de ter razão, cada qual deve, pois, admitir que não pode prová-lo, permanecendo assim no mesmo plano que os seus adversários, tão convencidos como ele e igualmente incapazes de convencê-lo. A tolerância, como virtude, fundamenta-se na nossa fraqueza teórica, ou seja, na incapacidade de atingir o absoluto. “Devemos tolerar-nos mutuamente, porque somos todos fracos, inconsequentes, sujeitos à variação e ao erro. Humildade e misericórdia andam juntas e levam à tolerância”.

Um outro ponto a ser considerado prende-se mais com a conduta política do que com a moral, mais com os limites do Estado do que com os do conhecimento. Ainda que tivesse acesso ao absoluto, o soberano seria incapaz de impô-lo a quem quer que fosse, porque não se pode forçar um indivíduo a pensar de maneira diferente daquela como pensa, nem a acreditar que é verdadeiro o que lhe parece falso. Pode impedir-se um indivíduo de exprimir aquilo em que acredita, mas não de pensar.

Para quem reconhece que valor e verdade constituem duas ordens diferentes, existe, pelo contrário, nesta disjunção uma razão suplementar para ser tolerante: ainda que tivéssemos acesso a uma verdade absoluta, isso não obrigaria a todos a respeitar os mesmos valores, ou a viverem da mesma maneira. A verdade impõe-se a todos, mas não impõe coisa alguma. A verdade é a mesma para todos, mas não o desejo e a vontade. Esta convergência dos desejos, das vontades e da aproximação das civilizações, não resulta de um conhecimento: é um fato da história e do desejo dessas civilizações.

Podemos perguntar, finalmente, se a palavra tolerância é, de fato, a que convém. Tolerar as opiniões dos outros não é considerá-las como inferiores ou faltosas? Temos então um outro paradoxo da tolerância, que parece invalidar tudo que vimos anteriormente. Se as liberdades de crença, de opinião, de expressão e de culto são liberdades de direito, então não precisam ser toleradas, mas simplesmente respeitadas, protegidas e celebradas.

A palavra tolerância implica muitas vezes, na nossa língua, na ideia de polidez, de piedade ou ainda de indiferença. Em rigor, não se pode tolerar senão o que se tem o direito de impedir, de condenar e de proibir. Mas acontece que este direito que não possuímos nos inspira no sentimento de possuí-lo.

Não temos razão de pensar o que pensamos? E, se temos razão, os outros não estariam errados? E como poderia a verdade aceitar – senão, de fato, por tolerância – a existência ou a continuação do erro? Por isso damos o nome de tolerância àquilo que, se fôssemos mais lúcidos, mais generosos, mais justos, deveria chamar-se de respeito, simpatia ou de amor. Se, contudo, a palavra tolerância se impôs, foi certamente porque nos sentimos muito pouco capazes de amar ou de respeitar quando se tratam dos nossos adversários.

Enquanto não desponta o belo dia em que a tolerância se tornará amável”, conclui Jankélévitch, “diremos que a tolerância, a prosaica tolerância é o que de melhor podemos fazer! A tolerância é, pois uma solução sofrível; até que os homens possam amar, ou simplesmente conhecer-se e compreender-se, podemos dar-nos por felizes por começarem a suportar-se.”

A tolerância, portanto, é um momento provisório. Que este provisório está para durar, é bem claro e, se cessasse, seria de temer que lhe sucedesse a barbárie e não o amor! É apenas um começo, mas já é algum. Sem contar que é por vezes necessário tolerar o que não queremos nem respeitar e nem amar. Existem, como vimos, coisas intoleráveis que temos de combater. Mas também coisas toleráveis que são, no entanto, desprezíveis e detestáveis. A tolerância diz tudo isto, ou pelo menos autoriza.

Assim como a simplicidade é a virtude dos sábios e a sabedoria a dos santos, a tolerância é sabedoria e virtude para aqueles – todos nós – que não são nem uma nem outra coisa.

Autor: Roberto Donato

Fonte: Além do Último Grau

Referências bibliográficas

Opúsculo – O que é a Maçonaria

A Tolerância e a Ordem Normativa – Ir.’. Luciano Ferreira Leite

Sponville, André – Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. Lisboa: Ed. Presença, 1995

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Luz, Paz e Bem

Frases do pequeno príncipe

Vivemos tempos de crise. A essência cede lugar à aparência. Tudo parece repelir a convivência pacífica de opostos. A simples manifestação de uma opinião – sobre qualquer assunto – enseja ataques gratuitos, especialmente no Tribunal das Redes Sociais. Intolerância geral. “Enquanto os homens exercem seus podres poderes” (Caetano Veloso), a felicidade parece estar cada vez mais distante.

Mas esta época pode ser muito boa, se soubermos o que fazer com ela.

“Somos feitos para a felicidade, para a interação, para a bondade, enfim para facilitarmos a existência uns dos outros” (Ana Jácomo).

“Gente simples, fazendo pequenas coisas, em lugares não muito importantes, consegue mudanças extraordinárias (Provérbio africano)”.

Esta não é uma situação passageira. Há uma mudança de eixo na nossa forma de viver. O grande desafio é encontrar a melhor maneira. E é neste cenário que novamente se apresenta singular oportunidade de a Maçonaria reafirmar sua missão.

O filósofo Epicuro observou que os grandes navegadores devem sua boa reputação às tempestades. Paz não é a ausência de conflito, mas a constante e corajosa luta contra a injustiça.

“A coragem é um meio termo entre o medo e a confiança” (Aristóteles).

“A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” (Guimarães Rosa).

Por outro lado, é sabedoria deixar de lutar por algo que não proporciona paz. A própria Maçonaria precisa superar suas dificuldades e conflitos. Precisa se manter no caminho reto, que historicamente trilhou. Ser a Sublime Instituição que prometemos aos neófitos. Ficar imune ou em contraste com os desencontros do mundo profano.

Para tanto, cada obreiro deve honrar, contínua e permanentemente, o seu juramento da Iniciação. Um ensinamento indígena diz que quando não se cumpre a promessa, os fios da ação ficam soltos ao nosso lado, enrolam-se nos pés e impedem a livre caminhada. Por isso, os nativos têm o costume de “colocar as palavras para andar”, ou seja, agir de acordo com o que se fala, o que conduz ao caminho da beleza, em que há harmonia e prosperidade naturais.

Todos nós, eternos aprendizes, juramos cultivar a paz, a concórdia e o respeito, além de defender a liberdade de consciência, comprometidos com a indagação responsável, a informação segura, a meditação serena, a ação benfazeja. A começar na própria Loja, nosso comportamento social deve ser reflexo lógico do que se faz no particular, mais do que somente imagem para consumo externo. Coincidência entre discurso e prática. Em suma, coerência!

Assim, em equilíbrio e harmonizados, estaremos aptos a contribuir na construção social, cujo pressuposto básico é a vida humana em grupos, que, sem dividir, impor ou segregar, devem ter um mínimo de homogeneidade para poder evoluir, renovar e construir. A vida em sociedade precisa de palavras bonitas e menos cara feia. Mais respeito e pouco julgamento. Mãos dadas, menos individualidade. Discernimento para quando se negue a verdade e se idolatre a mentira. Menos regulamentos e melhores relacionamentos.

A propósito de harmonia, a Constituição de Anderson já determinava que os artesãos deveriam se abster de toda prática profana prejudicial à caridade fraterna ou às boas relações. Dirigir-se sempre uns aos outros pelo tratamento de Irmão, agindo com cortesia, dentro e fora de Loja. Evitar comitês particulares, conversações paralelas, linguagem imprópria, falas inconvenientes, ou comportamento jocoso, porque a Loja somente se envolve com o que é sério e solene. Facultava o regozijo, com alegria, mas evitando todo excesso gravoso, sob a pena de frustrar louváveis esforços. Recomendava abrandar temperamentos, evitar pendências cotidianas e querelas sobre temas polêmicos, porque somos de todas as origens, e temos o direito de livre pensar, mas fundamentalmente há obrigação de respeitar o outro.

Todos nós, Maçons, somos iguais em direitos e deveres gradativamente conquistados e cumpridos. Somos credores de respeito e lealdade, mas também devemos fidalguia e amabilidade.

Nesta linha de ideias, haveremos de ter muito cuidado com as disputas e as divergências, com o julgamento descuidado e a condenação precipitada das palavras, do silêncio, da presença e da ausência; do que se pensa, do que se faz e do que não é feito.

Estar imunes à Santa Inquisição dos Passos Perdidos, tão comum no mundo profano, em que muitos, para tirar atenção de si próprios, medem supostas falhas alheias com uma régua que eles mesmos inventaram. Distinguir entre obsequiosos, altercadores, e aduladores, pois a simulação da bondade é a mais perigosa das maldades. Respeitadas as possibilidades e a capacidade de cada obreiro, observar os que se omitem, reclamam muito, mas pouco ou nada fazem; e quem acha que tudo pode ou faz; ou quem se faz de modesto; além dos que se apropriam de feitos alheios. Resistir e neutralizar eventuais máculas contra a reputação de quaisquer Irmãos; em especial os ausentes.

Por outro lado, as sinceras manifestações dos Irmãos, em Loja, devem ser respeitadas, pelo que realmente significam, e não por interesses ou ideias contrárias. Importante assumir o que se diz, mas não se sentir responsável pelo que o outro entende.

A Arte Real também engloba saber ouvir ou falar, com lealdade. O tom do que é dito depende do jeito de ouvir, e vice-versa. Não se há de melindrar com ideias e pensamentos lançados em abstrato, para aprendizado de todos. E se algum confrade for prejudicado de qualquer modo, a fraternidade deve prover ou viabilizar sua defesa, e restabelecer a verdade e a justiça.

As decisões coletivas e legítimas sempre devem ser acatadas. Diálogo e respeito são imperativos, especialmente aos que pensam diferentemente, não havendo por que impor opiniões e condenar as contrárias. Conforme José Saramago,

“O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro.”

É básico e lapidar que somente deve portar avental o Irmão em perfeita harmonia com os demais obreiros. Empatia é saber enxergar a alma alheia. É compreender que nem sempre o fácil para um também será para outro. Não ferir a ninguém, viver honestamente e dar a cada um o que é seu, antes de ser uma regra moral e a pedra angular da Justiça, é um imperativo de sobrevivência, corolário da Ética, para além das religiões, mitos e filosofias.

Tal como foi fatal para Sócrates, é um perigo julgar tudo e todos, impor e condenar precipitadamente, sem se importar com as consequências. Antes disto, caberia perguntar: – “e se fosse comigo?” Às vezes, silenciosamente, as pessoas se afastam para refletir. Outras vezes, porque já refletiram.

“O sábio não diz tudo o que pensa, mas pensa tudo o que diz” (Aristóteles).

O homem é escravo do que fala e dono do que cala.

“O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito” (Fernando Pessoa).

Então, que nossas palavras sejam para abençoar, bendizer, somar e unir; que a diferença de ideias aproxime e faça crescer; e que quando nos reunirmos, a primeira pergunta seja: “-Vamos falar bem de quem?” A música de Frejat ensina:

“Eu te desejo não parar tão cedo, pois toda idade tem prazer e medo. E com os que erram feio e bastante, que você consiga ser tolerante”.

Por isso, embora sejam importantes os tratados de amizade e a intervisitação intensa, antes, há que ter harmonia com os Irmãos mais próximos. O momento é de esquecimento, de perdão, de desapego aos conceitos, atitudes e preconceitos que segregam, dividem e afastam. Para reconciliar, é preciso resiliência, mente flexível, otimismo, capacidade de se recuperar de situações de crise e aprender com ela. Não há razão de dividir para governar, e a unificação de potências, o bom relacionamento, ideal do projeto impessoal de entendimento, é um objetivo final, que passará pela pacificação geral e pelo ecumenismo.

Assim, a Ordem manterá suas tradições, atuará na vanguarda da evolução, e continuará sendo o Luzeiro da Humanidade. A liberdade é o mais precioso dos direitos. Ser livre não é só questão de leis (Platão). Somente é livre aquele que reconhece a ordem divina dentro de si, o verdadeiro nível pelo qual o homem pode se governar. É preciso manter vivos e aprimorar os atributos que fizeram com que o Mestre apoiador tivesse despertado o seu olhar para nos convidar à iniciação.

A nós, seres imperfeitos, cabe unicamente fazer o bem, não para ganhar o céu, mas para tornar suportável a vida na Terra.

São nossas atitudes e não nossas crenças que nos fazem melhores. Há leis universais implacáveis: a do retorno, a da verdade, e a do mérito. Os princípios estão acima e antes das pessoas.

Estudar e melhorar a si mesmo é a arte mais difícil, é missão árdua, e requer dominar instintos, aprimorar virtudes. Compete a cada um de nós decidir pela sincera reforma íntima, em busca do estado de ataraxia, quietude absoluta da alma, o ideal do sábio (epicurismo). Tirando os bens materiais, o dinheiro, a aparência, o estudo, os títulos e cargos, as realizações, o que resta é o que a gente é. Então, o que nós somos, em essência?!

Que nos sirva de estímulo saber que a melhor coisa a se fazer por alguém é ser sua inspiração, pelo exemplo. Com a energia positiva do sincero e fraternal abraço habitualmente trocado entre os Irmãos, que haja saúde, força, sabedoria, beleza e união de todos, para que a Maçonaria se consolide em uma central de energia psíquica e moral, na qual a sociedade encontre os seus líderes quando deles necessite.

E, se nos perguntarem: – Quantos sois vós? Responderemos: – Somos um só!

Autor: Alceu André Hübbe Pacheco

Alceu é Mestre Instalado da ARLS Pedro Cunha, Nº11, jurisdicionada à Grande Loja de Santa Catarina.

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Fraternidade

Grandes Mestres da humanidade, como Buda, Platão e Cristo, pregaram a fraternidade de todos os homens. 
 
Sêneca dizia que “A natureza fez de nós uma família” e Marco Aurélio que “O universo é como uma cidade“.
 
Ama o teu próximo como a ti mesmo”, é a grande lição deixada por Jesus, o Cristo.
 
Muitos séculos se passaram e o homem ainda não conseguiu entender os preceitos dessa lei divina, e continua a transgredir o que não é de sua autoria, e sim, uma expressão real de uma particularidade cósmica.
 
O resultado dessa transgressão, ao longo do tempo, vem desencadeando graves problemas sociais. As drogas, a violência, a impunidade, o poder, a fome, o descaso com a saúde, a precariedade da educação e do conhecimento, são frutos do egoísmo dominante que se opõe à fraternidade.
 
Onde não se cultua a fraternidade, impera a desigualdade e a escravidão.
 
Depreende-se, pois, que teoricamente, a Fraternidade é um conceito de filosofia em consonância com a Igualdade e a Liberdade.
 
Na Declaração Universal dos Direitos Humanos, o primeiro artigo afirma que “todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e de consciência e devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade
 
Fraternidade – do latim fraternitate – significa “irmandade” ou “conjunto de irmãos”. Exprime simplesmente o sentimento de afeição recíproca entre irmãos. 
 
Victor Hugo asseverava que “Liberté, c’est um droit; Égalité, c’est un fait; Fraternité, c’est un devoir“.(Liberdade é um direito; Igualdade é um fato; Fraternidade é um dever).
 
Nenhuma instituição humana oferece oportunidade para a prática da fraternidade como a Maçonaria. No entanto é preciso que o maçom tenha consciência do papel que deve desempenhar, quer na sua Loja, no seio de sua família, no seu trabalho ou onde se encontrar, agindo como verdadeiro artífice na consolidação da fraternidade.
 
Fundamentada no Amor Fraternal e preocupada com o bem-estar da Humanidade, a Maçonaria prepara o homem para participar, efetivamente, na construção de uma Sociedade mais justa e equilibrada.
 
A Maçonaria ensina que o mais sublime dos deveres do maçom consiste na prática da solidariedade ou fraternidade maçônica, traduzida no socorro aos Irmãos em suas aflições e necessidades; no encaminhamento dos Irmãos na senda da Virtude, desviando-os da prática do Mal; no estímulo a praticarem o Bem, dando exemplos de Amor, Tolerância, Caridade, Justiça e respeito à liberdade individual, reconhecendo no Irmão e em todos os seres humanos, como seu semelhante”. 
 
Optar pela renúncia à prática da Solidariedade e da Fraternidade é uma atitude que revela o quanto o iniciado ainda se encontra distante de ser um homem de bem e, por conseguinte, um verdadeiro maçom.
 
A verdadeira fraternidade é um reflexo do caráter e da personalidade do ser humano. Conectemos o nosso cérebro às ondas mais elevadas do conhecimento superior e teremos como consequência ações cada vez mais voltadas para o bem geral.
 
Assim, renovemos a esperança com Amor a Deus, à Pátria, à Família e ao próximo; com Tolerância, Virtude e Sabedoria; com a constante e livre investigação da Verdade; com o progresso do Conhecimento Humano, das Ciências e das Artes, sob a tríade – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – dentro dos princípios da Razão e da Justiça, para que o mundo alcance a Felicidade Geral e a Paz Universal.
 

Autor: José Airton de Carvalho

Zé Airton é Mestre Instalado, membro da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, presidente da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, membro da Loja de Pesquisas Quatuor Coronati Pedro Campos de Miranda, e um grande incentivador do blog.

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Caritas est

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Introdução

“A caridade é a principal virtude social e a característica distintiva dos maçons.” William Preston (1742 – 1818)

Há um momento em que o candidato a fazer parte de nossos Augustos Mistérios é questionado sobre o que é a virtude para, logo após ouvida sua resposta, ser-lhe dito que “a virtude é uma disposição da alma que nos induz à prática do Bem”.

Nas instruções ministradas em Loja após a iniciação são abordadas as sete virtudes, quatro cardeais e três teologais, e sua prática comentada, incentivada, exaltada. Mas, afora aquela ocasião citada acima, são poucas as oportunidades em vimos o significado do que é virtude ser explanado.

Immanuel Kant (1724-1804) disse que a virtude não é aquilo que nos torna mais felizes, mas sim algo que nos torna dignos de ser felizes. Também afirmou que não existe virtude se suas ações são realizadas apenas porque estão na lei. Para Santo Tomás de Aquino (1225-1274) virtudes humanas são hábitos. E aqui encontramos a palavra-chave para compreendermos o que é virtude: hábitos.

Se o que fazemos o fazemos não porque a lei manda, mas porque temos o hábito de fazê-lo, sendo este uma verdadeira inclinação que nos induz para o Bem, então praticamos a virtude.

As sete virtudes e suas relações

Uma vez que a Temperança consiste em controlar os apetites do corpo; a Prudência é capacidade de ponderar sobre os meios para se atingir um fim; a Fortaleza é uma vitória sobre o medo, constituindo-se na capacidade de enfrentar os perigos, os males e a morte; e a Justiça significa retribuir a alguém aquilo que lhe foi tirado, o professor Rodrigo Peñalosa, em aula em que aborda o significado das sete virtudes, coloca as virtudes cardeais como próprias das relações humanas. Segundo o professor isso se dá porque:

  • Não há Temperança para com Deus, pois Ele não é um apetite sensitivo; ​
  • ​Não se admite ao homem ser prudente com Deus, pois Deus não é um meio; ​
  • ​Não há necessidade da Fortaleza para com Deus, uma vez que Ele não é um mal; ​
  • ​Não se exerce a Justiça para com Deus, pois Deus não erra e nem carece de justiça. ​

Por outro lado, de acordo com Peñalosa, as Virtudes Teologais dizem respeito às relações do Homem com a Divindade, uma vez que:

  • Fé é a certeza íntima da existência do Criador, para além da razão. Todo homem traz em si o sentimento inato de que há uma Causa Primeira​; ​
  • Se temos a fé em Deus e reconhecemos a imortalidade da alma, é racional que esperemos a felicidade futura. A Esperança é, portanto, uma emoção relativa ao homem e a Deus. É inata justamente porque sem fé não pode haver esperança; ​

Já a Caridade é a bondade suprema para consigo mesmo, para com os outros e para com o Ser Infinito.

A maior das virtudes

Tomás de Aquino definiu a caridade como “mais excelente que a fé e a esperança e, por conseguinte, que todas as outras virtudes”.

William Shaw (c. 1550-1602), em seus estatutos de 1598, determinava que os maçons devem “viver juntos caridosamente como convém a irmãos e companheiros jurados do Ofício”.

Na sua obra Esclarecimentos sobre maçonaria (1772), William Preston escreve que a caridade “além de incluir um grau supremo de amor ao grande Criador e Governante do universo é um afeto ilimitado pelos seres de sua criação, de todos os tipos e de toda denominação”. (grifo nosso).

Apesar de discursos inflamados e de cobranças a nossos aprendizes e companheiros, é notório como tal virtude tem faltado em diversos segmentos da sociedade, inclusive entre “entre irmãos e companheiros jurados de Ofício”.

Talvez tal fato ocorra por não sabermos lidar com o pensamento contrário, com as alteridades, com as escolhas, com o outro. Muitos são os que se acham os donos da razão, modelos a serem seguidos, como se apenas o seu modo de ver seja o correto, o que lhe dá então um suposto direito de atacar o próximo, alguns se valendo do anonimato das redes sociais, se esquecendo que “a verdade ainda está lá fora”.

Palavras distintas, amores diferentes

Na Antiguidade Clássica, os gregos empregavam palavras distintas para os diversos tipos de amor. Por exemplo:

  • Éros (ἔρος) representava a ideia de paixão sexual e desejo. Era visto como uma forma perigosa, ardente e irracional de amor que poderia dominar e possuir você. Envolvia uma perda de controle que assustava os Gregos. (INDIVIDUAL)​;
  • Storgí (στοργή) se referia ao mais benéfico dos afetos. Acontece especialmente com a família e entre seus membros, normalmente afeição (carinho) de pais aos filhos. (NÚCLEO FAMILIAR);
  • Filía (Φιλία) abrangia a amizade camarada profunda que se desenvolvia entre irmãos em armas que haviam lutado lado a lado no campo de batalha. Tinha a ver com demonstrar lealdade aos seus amigos, sacrificando-se por eles. (SOCIEDADE)​;
  • Por fim, agápi (ἀγάπη) era relacionada a ágape ou amor abnegado. É a transcendência total. O amor incondicional. É a bondade amorosa universal. Esse amor satisfaz porque é compartilhado e tem resposta entre todos aqueles que se reúnem para formar uma fraternidade de homens, mulheres e crianças. Agápi foi traduzida para o latim como caritas, que é a origem de nossa palavra “caridade”​.

O Amor

Agora que sabemos o conceito da palavra agápi, podemos desfrutar da riqueza do seu significado no que para nós foi apresentado como “amor” em alguns textos, como por exemplo  na 1ª Epístola de Paulo aos Coríntios, 13: 1-13:

1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. 2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. 3 E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.​ 4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece, 5 não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; 6 não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; 7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8 O amor nunca falha; mas, havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; 9 porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos.​ 10 Mas, quando vier o que é perfeito, então, o que o é em parte será aniquilado. 11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. 12 Porque, agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido. ​13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.​ (grifo nosso).

Conclusão

Entendemos assim que caridade é diferente de filantropia. Caridade não é benemerência. Caridade é amor; amor incondicional e puro. Caridade é o respeito ao direito do outro ter uma opinião diferente e mesmo assim eu saber respeitá-lo.

Me valho das palavras do professor Rodrigo Peñalosa quando ele diz que “muitos são os que se vangloriam da filantropia que fazem, mas se esquecem da Caridade que está lá no alto”. Sendo a virtude, segundo Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), a disposição adquirida voluntária, em relação a nós, na medida, definida pela razão em conformidade com a conduta de um homem ponderado, é hora de mudarmos esse comportamento e praticarmos a caridade em sua essência.

Autor: Luiz Marcelo Viegas
ARLS Pioneiros de Ibirité, 273 – GLMMG

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Referência

Este texto é baseado na aula 5 do professor Rodrigo Peñalosa na disciplina A Filosofia Maçônica: Valores, Virtudes e Verdades do curso de pós-graduação Maçonologia: História e Filosofia ofertada pela Uninter.

Outras referências

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco​

PRESTON, William. Esclarecimentos sobre maçonaria​

Bíblia Sagrada​

Ritual de Aprendiz – REAA – GLMMG​

As Virtudes Teologais: Fé, Esperança e Caridade. Disponível em: http://brasilfranciscano.blogspot.com/2014/08/as-virtudes-teologais-fe-esperanca-e.html​  Acesso em 12  de out. 18.

Virtude. Disponível em: https://sites.google.com/site/filosofiapopular/virtude-filosofia​ Acesso em 11  de out. 18.

SCHERER, Berta Rieg. A concepção de virtude em Kant. Disponível em: http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/Poiesis/article/view/642/600​ Acesso em 10  de out. 18.

Erevoktonos blogspot. Disponível em: http://erevoktonos.blogspot.com/ssearch?q=Φιλανθρωπία​ Acesso em 12  de out. 18.

A suprema excelência do amor. Disponível em: https://www.biblegateway.com/passage/?search=1+Cor%C3%ADntios+13&version=ARC​ Acesso em 12  de out. 18.

Você já experimentou as seis variedades de amor? Disponível em: https://www.melhorconsciencia.com.br/2014/01/voce-ja-experimentou-as-seis-variedades-de-amor/​  Acesso em 10  de out. 18.

O amor em seus quatros aspectos: Eros, Filos, Storgé e Ágape. Disponível em: http://vstorge.blogspot.com/p/blog-page_24.html​ Acesso em 11  de out. 18.

As coisas não mudam

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As coisas não mudam. Nós mudamos. (David Thoreau)

Talvez o mundo mude amanhã. Mas isso não é provável. As mudanças no mundo são lentas, apesar de toda a corrida que alguns de nós enfrentamos todos os dias.

Ainda assim, seu mundo pode mudar de modo impressionante nas próximas 24 horas. Na verdade, pode mudar na próxima hora. Porque tudo o que você está vendo, sentindo e tudo ao que você está reagindo, o faz porque existe um mundo real e um mundo “filtrado”.

A forma como vemos o mundo é chamada de “paradigma”, palavra grega que foi “reapresentada” ao mundo científico por Thomas Kuhn em seu livro “A Estrutura das Revoluções Científicas”, que mostrou que todas as grandes revoluções aconteceram devido a mudanças na forma de ver o mundo, na ruptura com o modo como estávamos olhando para o universo. A ciência não mudou depois de Kuhn, nós mudamos.

Essa é a parte curiosa. Todos nós filtramos o universo de acordo com nossas próprias expectativas, crenças e princípios de vida. Por isso, uma mesma cena pode comover uma pessoa e não causar absolutamente nada em outra, cada uma delas teve uma diferente reação àquilo que viu com um filtro mental diferente.

Stephen R. Covey, conta uma história que viveu no metrô de Nova York. Veja o que quero dizer:

“Eu me recordo de uma mudança de paradigma que me aconteceu em uma manhã de domingo, no metrô de Nova York. As pessoas estavam calmamente sentadas, lendo jornais, divagando, descansando com os olhos semicerrados. Era uma cena calma, tranqüila”.

Subitamente um homem entrou no vagão do metrô com os filhos. As crianças faziam algazarra e se comportavam mal, de modo que o clima mudou instantaneamente.

O homem sentou-se a meu lado e fechou os olhos, aparentemente ignorando a situação. As crianças corriam de um lado para o outro, atiravam coisas e chegavam até a puxar os jornais dos passageiros, incomodando a todos. Mesmo assim o homem a meu lado não fazia nada.

Ficou impossível evitar a irritação. Eu não conseguia acreditar que ele pudesse ser tão insensível a ponto de deixar que seus filhos incomodassem os outros daquele jeito sem tomar uma atitude. Dava para perceber facilmente que as demais pessoas estavam irritadas também. A certa altura, enquanto ainda conseguia manter a calma e o controle, virei para ele e disse:

– Senhor, seus filhos estão perturbando muitas pessoas. Será que não poderia dar um jeito neles?

O homem olhou para mim, como se estivesse tomando consciência da situação naquele exato momento, e disse calmamente:

– Sim, creio que o senhor tem razão. Acho que deveria fazer alguma coisa. Acabamos de sair do hospital, onde a mãe deles morreu há uma hora. Eu não sei o que pensar, e parece que eles também não conseguem lidar com isso.

Podem imaginar o que senti naquele momento? Meu paradigma mudou. De repente, eu vi as coisas de um modo diferente, e como eu estava vendo as coisas de outro modo, eu pensava, sentia e agia de um jeito diferente. Minha irritação desapareceu. Não precisava mais controlar minha atitude ou meu comportamento, meu coração ficou inundado com o sofrimento daquele homem. Os sentimentos de compaixão e solidariedade fluíram livremente.”

O mundo não mudou, não é? Mas você mudou, ao ler o texto. Mudou de paradigma, e isso causou uma diferente reação em seu corpo. Você e eu nunca vemos a realidade total. Vemos apenas uma parcela dela, que selecionamos, em grande parte inconscientemente.

A única prisão real que você tem está em cima dos seus ombros. E só você tem a chave mestra. Como afirmava Henry David Thoreau: “as coisas não mudam; nós mudamos”.

Autor: Aldo Novak

Fonte: Blog do Bianchi

Nota do Blog

Em 2019 O Ponto Dentro do Círculo completou 4 anos de existência, com um total de 883 posts e mais de 1 milhão de visualizações. Hoje o blog é uma referência nacional para quem se interessa em estudar temas relacionados à maçonaria. Isso só é possível graças aos milhares de leitores que acompanham diariamente nossas postagens.

Por tudo isso, quero transmitir meus sinceros agradecimentos a todos os que nos incentivam e apoiam, seja através das mensagens, do compartilhamento de conhecimento e das doações para manterem o blog ativo.

Que em 2020 possamos manter nossas mentes abertas; que sejamos capazes de mudar e aceitar as mudanças; que possamos respeitar as diferenças e os pensamentos diversos; que saibamos amar o próximo entendendo o verdadeiro sentido da palavra caridade; que “vencer nossas paixões e submeter nossas vontades” não sejam apenas palavras ditas ao vento, mas verdadeiras atitudes de quem realmente quer fortalecer os laços que nos unem como seres humanos.

Fraternalmente,

Luiz Marcelo Viegas

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A Paciência

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Derivada do latim patientia, pode ser traduzida como qualidade de quem espera com calma e serenidade o que está por vir; perseverança em realizar um trabalho; constância.

Virtude valiosa e difícil de se alcançar, principalmente nos dias atuais, deve ser especialmente cultivada pelo Maçom que almeja o progresso pessoal.

Desbastar a Pedra Bruta leva tempo. Marretadas diárias à perfeição, à forma ideal.

Alcançar os saberes que nossa irmandade oferece exige pequenos passos diários e constantes. Essa peculiaridade pode frustrar o irmão mais desavisado, e deixá-lo insatisfeito em sua coluna. A ansiedade pelo conhecimento sem a preocupação em entender a verdadeira essência da maçonaria é certamente uma das causas de abandono em nossas cadeiras.

E se estamos falando de paciência, façamos um contra-ponto: de onde vem tanta impaciência?

Alguns pensadores afirmam que em épocas anteriores e não tão longínquas, a vida corria sem urgências, sem pressão do tempo. A única preocupação de um trabalhador rural era plantar e colher para o seu sustento, criar seus animais para deles retirar seu alimento. O avanço tecnológico e a produção do conhecimento, cada vez mais velozes e difíceis de se acompanharem, fizeram o homem comum explodir em inquietações, responsabilidades, excitações e aflições antes inexistentes.

Nos tornamos ávidos por informação e consequentemente ansiosos e impacientes. Hoje temos o mundo na palma de nossas mãos – literalmente – nas telas dos celulares. Se numa conversa informal alguém pergunta se vai chover, alguém rapidamente saca o aparelho e consulta a previsão do tempo. Esqueceu o nome daquela atriz daquele filme que você gostou? Consulta a tela. Enviou uma mensagem e após 10 segundos de espera ainda não foi respondida? Algo de errado aconteceu.

Nos tornamos seres impacientes…Queremos tudo pra ontem. Conhecimento não se cristaliza nesse ambiente. O saber fica superficial.

Temos que nos conscientizar que para crescer, precisamos de uma base sólida e cada tijolo deve ser assentado com calma, aprumado e nivelado.

Chico Xavier em sua obra Caminho, Verdade e Vida diz: “Se Deus, Senhor absoluto da eternidade, espera com paciência, por que motivo nós outros, seres imperfeitos do trabalho relativo, não podemos esperar?”.

Acalma tua alma, constrói o seu saber e edifica o seu ser.

Autor: Flávio Pacheco Paes
ARLS Ação e Silencio, Nº43 – Oriente de Araxá/MG

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