Virtudes e Vícios

The Choice of a Boy between Virtue and Vice – Paolo Veronese (1528–1588)

“Vencer minhas paixões
levantando Templos à Virtude e
cavando masmorras ao vício,
eis o que viemos aqui fazer”.

“Do Caos à Ordem; Da Obscuridade à Luz.”

Seria tarefa simples falar de virtude e vício em sentido literal, bastaria para isso dar o sentido filológico; mas falar de virtude e vício em sentido filosófico e maçônico já se torna uma tarefa nada fácil.

A Maçonaria não é uma religião, nem um partido, nem uma igreja; todavia ela põe no caminho, ela desperta. Não oferece a nós, membros, uma verdade definitiva, imutável, dogmática, fazendo representar o livre exercício da tolerância. Assim, aprendemos a nos interrogar, recolocarmo-nos em questão. Graças a esse fator de progresso descobrimos não só o caminho do conhecimento, mas também da ordem que deve reinar, tanto no domínio material como espiritual, facilitando assim, com que o homem desenvolva suas virtudes. E é por meio dos processos (rituais; contatos humanos, conhecimento, disciplina, etc.) que o homem adquire sua real personalidade.

A virtude é uma passagem da paixão para ação e meditação, uma externa e a outra interna, onde o homem se revela a si mesmo, ultrapassando seus próprios limites, seu eu. O ser interno, nossos sentimentos, atos e pensamentos. 

Capacidade ou potência própria do homem de desenvolver suas qualidades naturais. Entendo que virtude é uma característica de valoração positiva do indivíduo, uma disposição geral e constante da prática do bem, isto não quer dizer que um homem de virtudes seja altruísta ou filantropo, embora tenha uma tendência de o ser. Um homem de virtudes tem o hábito de cumprir as leis e obedecer aos costumes da sociedade em que vive; ser socialmente correto, honesto, justo, paciente, sincero, compreensivo, generoso, prudente, possuir coragem e perseverança.

Portanto, Maçonaria para mim é uma escola, pois permite-nos controlar nossas paixões, fazendo com que tenhamos o domínio do nosso “EU” e respeitemos o próximo.

Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Mas não basta falarmos, temos que experimentá-la. Os mais variados tipos de virtude têm que ser experimentados, vividos… compreendidos, pelo menos intelectualmente. Assim como Spinoza, “não creio haver utilidade em denunciar os vícios, o mal. Para que acusar? Isso é a moral dos tristes e uma triste moral.” A primeira e fundamental parte da virtude é a verdade, como dizia Montaigne, “A verdade condiciona todas as outras e não é condicionada, em seu princípio, por nenhuma.”.

A virtude não precisa ser generosa, suscetível de amor ou justa para ser verdadeira, nem para valer, nem para ser devida, ao passo que amor, generosidade ou justiça só são virtudes se antes de tudo forem verdadeiras. Aqui surge uma outra virtude, a boa-fé, que como fato é a conformidade dos atos e palavras com a vida interior, ou desta consigo mesma. É o respeito à verdade. Virtude sem boa-fé é má-fé não é virtude. A boa-fé como todas as virtudes é o contrário do narcisismo, do egoísmo cego, da submissão de si a si mesmo.

Não devemos confundir dever com virtude. O dever é uma coerção, a virtude, uma liberdade, ambas necessárias. O que fazemos por amor, não fazemos por coerção nem, portanto, por dever. Quando o amor e o desejo existem, para que o dever? Não amamos o que queremos, mas o que desejamos. O amor não se comanda e não poderia, em consequência, ser um dever.

Nietzsche dizia: “O que fazemos por amor sempre se consuma além do bem e do mal”.

A virtude não é um bem, mas é a força para ser e agir na prática do bem.

Autor: Wagner Veneziani Costa

Fonte: Teoria da Conspiração

Tornar feliz a Humanidade!

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É sabido que a Maçonaria moderna não é uma organização com propósitos específicos de auxílios mútuos, de caridade ou de promoção de campanhas sociais, mas tem responsabilidades e deveres para com a Sociedade, tendo entre vários de seus princípios o do combate ao obscurantismo, aos preconceitos, aos erros e o trabalho incessante pela felicidade do gênero humano.

A reflexão que fazemos neste momento é sobre a força revigorante do serviço voluntário que concretamente pode dar oportunidade ao autêntico Maçom de praticar o bem e a se dedicar à felicidade de seus semelhantes mais próximos e menos favorecidos pela sorte. Nada que o impeça de dedicar-se também a causas de maior apelo e repercussão.

Têm-se notícias que hoje no Brasil milhões de pessoas estão envolvidas em atividades voluntárias e que não se omitem ao abrigo do argumento de que isso é tarefa atribuída a governos e autoridades por lei encarregadas de cuidar dos mais necessitados. Nesse aspecto, não podemos olvidar a preocupação com a qualidade dos políticos e dos governos que nos representam e sobre os quais somos os responsáveis pela escolha.

Estudos sobre o tema já comprovam que pessoas que ajudam o próximo têm uma melhor saúde e vivem mais. Mas não é só isso. O espírito do trabalho voluntário remete a uma mudança mais profunda, a uma modificação em termos de atitudes e comportamentos que podem redundar em incentivo e criação de políticas que visem a eliminação das disparidades e da exploração dos mais fracos, que sabidamente aflige os trabalhadores pauperizados e deserdados do desenvolvimento.

Essas distorções decorrem de um arranjo competitivo de ações geradas por instintos, vícios e paixões, onde o ser humano, no afã de consumir cada vez mais, de melhorar o próprio status e conquistar poderes, se vê envolvido de uma forma gananciosa e desmedida na satisfação dos seus próprios interesses ou de seu grupo de referência, levando a descalabros como corrupção, inversão de valores, guerras, destruições e construção de muros dividindo ricos e pobres, com a exclusão de muitos.

E, no convívio diuturno com essa realidade, aos poucos tornamo-nos indiferentes ao sofrimento alheio, embotando nossa sensibilidade e sem nenhum impacto passamos a banalizar a tragédia, a sina dos perseguidos e refugiados, das vítimas de violência sob todas as suas nuances, e a aceitar a corrupção até há bem pouco tempo vista como endêmica e natural, como se tudo fosse normal.  Normal a situação de famílias, de jovens e adultos sem perspectiva e perambulando em busca de emprego, crakolândias se expandindo, crianças e pedintes nos sinais de trânsito, mendigos se aglomerando nos escassos pontos de assistência solidária, em busca de alimentação e de um alento, sem nenhum acesso à cidadania, à moradia, à saúde, à educação, ao transporte, à cultura e à dignidade, enfim.

Muitos de nós contornamos o conflito interno gerado com tal situação mediante golpes de generosidade, como o ato de dar esmolas, assinar cheques para obras de caridade, fazer doações esporádicas, mais frequentes no período do Natal e em campanhas promovidas pelas redes sociais ou amigos importantes, ou dizendo-se associado a um determinado grupo ou a um reconhecido clube de serviço, quiçá de amplitude global, somente para enfeitar currículos ou dar uma satisfação, sem, no entanto, suar a camisa.

Precisamos reconhecer que muitas vezes somos solidários por compaixão ou como desculpa para manter nossa consciência tranquila. E muitos ainda encontram consolo pensando lá no silêncio do coração: “sorte que não somos como eles!” Mas a solução não se resume simplesmente em doar dinheiro, dizer-se participante de movimentos de ajuda e permanecer com os braços cruzados, pregando o que os outros deveriam fazer ou aguardar que alguém o faça, ficando “de boa na janela”, no conforto do lar, apenas apontando ideias mirabolantes e criticando aqueles que fazem acontecer.

Mas é no ato da partilha, da solidariedade constante (destacamos) e de uma cidadania consciente, que se traduz o verdadeiro servir por amor. Isso se materializa quando arregaçamos as mangas e colocamos a mão na massa, nas práticas efetivas do bem, quando realizamos a missão maior do ser humano nesta experiência material do espírito, não apenas por meios indiretos e por palavras impactantes ou com posturas triunfalistas, mas de forma existencial, pela maneira transformadora de ser, que pode ser promovida individualmente ou por intermédio de organizações ou iniciativas voltadas para o voluntariado e que efetivamente se importem com o que se passa no campo social, na comunidade e não funcionem apenas para criação e distribuição de cargos vistosos e que satisfaçam apenas e tão-somente à vaidade dos que se dizem líderes desses movimentos.

Vemos, com muita esperança, multiplicarem-se as redes de solidariedade entre amigos, colegas de trabalho, ordens religiosas, clubes de serviços ou fraternidades, gerando oportunidades aos excluídos e que contribuem para amenizar desigualdades e injustiças, inspirando a consciência de que é bom e gratificante empenhar-se pelo bem comum, com o resgate de valores como a generosidade e o amor ao próximo e não apenas esperar pela ação sempre lenta e por vezes seletiva e enviesada dos governantes de plantão.

É muito bom ser um membro atuante de uma equipe composta por pessoas abnegadas e voltadas para compartilhar um pouco do que temos com os menos protegidos, mesmo que seja na simplicidade da doação de algumas horas de dedicação por mês. Melhor ainda é convidar um amigo para nos apoiar nessa empreitada e ouvir, depois uma tarefa cansativa, porém prazerosa e restauradora da alma, a exclamação: “obrigado pela oportunidade de poder ajudar! Eu fui o maior beneficiado!”.

Assim agindo estaremos contribuindo pela paz tão almejada, que somente pode ser alcançada com persistente esforço em prol de uma vida digna para todos. No simples exercício do serviço desinteressado, o Maçom pode construir um legado e dar um pequenino passo para uma jornada que permita viabilizar o tão decantado e às vezes distante ideal de “tornar feliz a humanidade” e demonstrar o verdadeiro amor e gratidão ao Grande Arquiteto do Universo.

Você não pode ir muito longe enquanto não começar a fazer algo pelo próximo.” (Melvin Jones)

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da Academia Mineira Maçônica de Letras, e para nossa alegria, também um colaborador do blog.

Virtude

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Na busca incessante do significado da Virtude me deparei com livros e artigos de dois filósofos, Aristóteles e Santo Agostinho, que me deram boa base para o desenvolvimento deste trabalho.

A Virtude, segundo o dicionário, é

“O que expressa boa conduta; em conformidade com o correto, aceitável ou esperado; segundo a religião, a moral, a ética etc.”

Segundo Santo Agostinho,

“A definição mais acertada e curta de Virtude é a que diz que ela é ordem do amor” (Agostinho, 1961, p. 330).

A Virtude, segundo Aristóteles, é “uma disposição de caráter relacionada com a escolha de ações e paixões, e consistente numa mediania, isto é, a mediania relativa a nós, que é determinada por um princípio racional próprio do homem dotado de sabedoria prática. E é um meio-termo entre dois vícios, um por excesso e outro por falta, a virtude encontra e escolhe o meio termo. E assim, no que toca à sua substância e à definição que lhe estabelece a essência, a virtude é uma mediania.”

A Virtude, segundo a maçonaria, “é a disposição da alma que nos induz à prática do bem.”

Mas, que relação podemos estabelecer entre os conceitos desses pensadores? O que realmente fazemos para nos aperfeiçoar intelectualmente através da prática da Virtude?

Aristóteles nos ensina que a Virtude se divide em moral e intelectual. A Virtude intelectual é gerada por natureza, nasce e cresce graças aos resultados do ensinamento e da educação, e a Virtude moral não é gerada em nós por natureza, é sim o resultado do hábito que nos torna capazes de praticar atos justos. Ele classifica a Virtude como o meio termo entre dois vícios, ou seja, a justa medida em que o excesso ou a deficiência culminam em vício de suas ações. Já Santo Agostinho, define a virtude como um hábito que faz o bem, ou, as ações do homem conforme a natureza que, voltadas ao bem, o conduz a um fim.

Tanto Santo Agostinho como Aristóteles entendem que a Virtude é gerada em nós por natureza, já está no interior do ser humano e se cria dentro do homem apenas o meio para o hábito de se praticá-la. Mas, para Santo Agostinho, a Virtude só pode existir no homem se este viver conforme o Amor (uma vida em Deus), através da graça concedida por Ele, e é esse Amor a maior virtude que o homem pode ter.

Nesses dois conceitos acredita-se que a finalidade da virtude é o “bem supremo”, que para Aristóteles é a felicidade da Humanidade e, para Santo Agostinho, é o Amor.

Acredito que eu possa ser um exemplo de como agir para se aperfeiçoar intelectualmente. Ainda profano, não sabia trabalhar a Pedra Bruta, por isso ao passar pela Câmara de Reflexão, observando os símbolos que ali estavam, fui levado a refletir e procurar respostas no meu “eu interior”. Nessa busca pelo aperfeiçoamento intelectual é necessário o aprimoramento de meus conhecimentos; na jornada para meu aprimoramento moral devo pautar meu comportamento pela prática da Virtude, e assim encontrar “a Pedra Filosofal”, no seu mais puro significado, dentro de mim. Para isso preciso trabalhar, e estar sempre na constante e incessante construção de templos à virtude, usando o maço e o cinzel para lapidar a Pedra Bruta, pois somente desbastando as asperezas da vida profana que deixei de lado quando renasci como Aprendiz, sendo justo e comedido, usando a medida justa da Régua de 24 polegadas para estar dividindo meu dia e praticando retamente minhas ações, na busca por uma vida virtuosa.

Mas, qual a Virtude que, no nosso dia a dia, no nosso convívio e relacionamento interpessoal, buscamos realmente e quais as Virtudes esperadas de um maçom?

No meu entendimento, não devemos praticar uma ou outra Virtude, mas sim todas possíveis a cada situação apresentada em nossa vida, para que tornemos o nosso meio um pouco melhor a cada dia, seja como maçom, como cidadão ou como pessoa comum. Nosso trabalho tem como objetivo melhorar o mundo, e a prática das Virtudes é o caminho para chegarmos lá.

Segue alguns exemplos de Virtudes que ao meu temos que praticar mais e mais:

  • A Justiça: Virtude que nos faz dar a cada um, o que lhe corresponde, que deve fazer-se de acordo com o direito e a razão. A Justiça é o apoio do mundo e a injustiça é a origem e manancial de todas as calamidades que o afligem.
  • A Prudência: Virtude que faz prevenir e evitar as faltas e perigos, a que nos faz atuar com sobriedade, discrição, moderação e previsão.
  • A Temperança: Virtude que modera os apetites e as paixões, e trabalhar com moderação, sobriedade e continência.
  • A Humildade: Virtude de assumir e reconhecer os erros próprios.
  • A Caridade: Virtude que atua como extrema sensibilidade aos sofrimentos alheiros. É o AMOR FRATERNAL, muitas fezes confundido com a filantropia.

Mesmo com pouco tempo em nossa Sublime Ordem, percebo que em muitos casos esses conceitos parecem não ser corretamente assimilados por todos, seja por desconhecimento de seus significados, ou por estar o irmão ainda em seu processo de lapidação.

Acredito eu que, após iniciados, nós maçons devemos buscar o crescimento intelectual e o aprimoramento moral, e isso exige tempo, estudo e dedicação, para que a cada dia nos tornemos melhores em todos os sentidos, e para que, um dia, nossas paixões e vícios sejam enterradas nas masmorras que nos propusemos a cavar.

O Maçom deve ser escolhido para ser Iniciado não por motivos profissionais, familiares ou de amizade, mas sim por ser o profano reconhecido Maçom em sua essência, encontrando nele as virtudes que tanto valorizamos.

“A Virtude é um hábito do bem, ao contrário do hábito para o mal ou o vício” Santo Tomás de Aquino

Autor: Davidson Dionizio de Oliveira
ARLS Pioneiros de Ibirité, 273 – GLMMG
Oriente de Ibirité, Minas Gerais

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Referências

ARISTOTELES. Ética a Nicômaco. Trad. de Torrieri Guimarães. São Paulo: Editora Martin Claret, 2001

https://www.maconaria.net/virtudes-e-vicios/

https://www.maconaria.net/sobre-as-virtudes-maconicas/

https://www.maconaria.net/v-i-t-r-i-o-l/

https://www.significados.com.br/virtude/

https://www.dicio.com.br/virtude/

https://blog.cancaonova.com/seminario/virtudes-e-vicios-em-santo-agostinho/

https://sentadonalua.wordpress.com/2012/07/12/a-etica-de-santo-agostinho-frente-a-etica-aristotelica/

http://iblanchier3.blogspot.com/2018/06/virtude-virtudes-e-bons-costumes.html

http://coral.ufsm.br/gpforma/2senafe/PDF/019e2.pdf

O trabalho maçônico e a espiritualidade

UCS ofere curso de Especialização em Espiritualidade no Trabalho: Orga

Uma Loja maçónica, que pode simbolizar o mundo, o universo em que vivemos, é uma plataforma que permite o crescimento do maçon, o seu desenvolvimento espiritual assim como a sua elevação ética e moral. Uma plataforma, que quando utilizada de forma correcta, de coração aberto e em verdade, permite ao indivíduo aperfeiçoar-se e crescer. Em suma, tornar-se um homem melhor e mais apto, livremente responsável, que, partilhando um desígnio com os Irmãos, se aperfeiçoa e aperfeiçoa o meio onde se insere, à sua dimensão.

O trabalho maçónico, para mim, claro está, tem como objectivo tornar o mundo melhor. Isto parece um objectivo vago e inalcançável, que tudo permite dizer e nada diz. Porém, é minha convicção que é mesmo isto que fazemos todos os dias.

Uma Loja maçónica tem por obrigação ser uma escol dos melhores de uma comunidade, mais capazes e mais aptos a fazer esse mesmo trabalho, o de potenciar o cumprimento dos homens, desbastando a pedra em bruto, aperfeiçoando-se e realizando-se na sua plenitude, contribuindo então para deixar o Mundo um sitio melhor do que era quando cá chegámos. Um primado da Razão e da Filosofia, da bondade Moral e Justeza das acções.

Com os pés no chão, com a certeza de que não resolveremos os problemas todos, nem mesmo muitos ou alguns, apenas aqueles que conseguirmos depois de a isso nos dispormos.

Esse trabalho faz-se mudando os homens, que através do crescimento espiritual e cultural, vão, a pouco e pouco, alterando a sua forma de interagir com a comunidade onde se inserem. Crescendo e aperfeiçoando-se, o maçon muda para melhor, estou em crer, mesmo que inconscientemente, o mundo que o rodeia. Do somatório puro e simples do aperfeiçoamento dos maçons, observamos uma transformação na sociedade, quer tenhamos ou não disso noção. Um processo que se apresenta como profundamente individual assume então a sua generosidade. O trabalho do maçon é aperfeiçoar-se em Loja. E como é que isso acontece? Esse é o trabalho da Loja, à luz dos códigos de elevação moral e espiritual, onde o Ritual assume um papel preponderante, tornar homens bons melhores, dispostos a preparar o futuro e construir o presente á luz dos ideais maçónicos. Para isso deve ter a Loja um critério rigoroso de escolha dos seus candidatos, sob pena de se transformar num clube de amigos que transferimos do mundo profano, desprovido de sentido.

Os candidatos devem ser convidados á luz das características dos seus talentos, para que possam ser uma mais valia para o trabalho que está na génese da Maçonaria e é a sua razão de existir. E porque talentos per si não valem nada, é aqui que os potenciamos e aprendemos que o que conta é o que com eles realizamos, á luz de um código de moralidade e de valores que escolhemos livremente e em consciência para nós.

Estes homens que descrevo têm de ser capazes de conceber o Divino; o Indizível; de sonhar; de terem visão; de terem a Força, a Sabedoria e o desprendimento de se entregar a projectos aparentemente impossíveis, utópicos e belos; têm de conceber a fraternidade leal fruto da partilha do Desígnio. Porque é disso que falamos, de uma escol de Cavaleiros, que foram Cavaleiros da Terra, depois Cavaleiros do Mar e hoje Cavaleiros do Mundo. Essa dimensão espiritual é a sua característica mais importante. Que passo a explicar como se me apresenta hoje.

Entendo que a espiritualidade é uma dimensão indissociável da condição humana, mais do que o bem exclusivo de Igrejas, Religiões ou Escolas de pensamento. Na prática, fala-se de Espiritualidade para a parte da vida psíquica, fruto da inteligência humana, que nos parece mais elevada: aquela que nos confronta com Deus ou com o absoluto, com o infinito ou com o todo, com o sentido da vida ou a falta dele, com o tempo ou com a eternidade, com a oração ou o mistério. Temos a felicidade de ter na nossa Ordem homens de religiões reveladas diferentes, de escolas de pensamento diferentes, sem opção por nenhuma das religiões reveladas, sem se reconhecerem em nenhuma escola de pensamento, homens de profundo esoterismo e outros que nem por isso.

Não temos porém nenhum despojado da assunção da sua espiritualidade. O respeito por essas opções é a nossa riqueza, a base para a geração da harmonia. Isto exige uma reflexão profunda do que é a tolerância maçónica, sempre à Luz de um ideal maior que todas as religiões e escolas de pensamento. Porque a Maçonaria está num patamar diferente. Não se preocupa com a forma como cada um vive a sua espiritualidade nem ambiciona ter voto nessa matéria. A preocupação da Maçonaria é o Individuo e depois o Mundo, onde vivem os homens hoje e os de amanhã, a sua preocupação última é a vida dos homens na Terra, e não oferecer salvação ou condicionar a sua existência à salvação eterna. Para isso existem outras sedes, cujo sucesso e eficácia jamais se poderão questionar ou até medir. A espiritualidade que aqui tratamos remete-se para a relação do homem com o divino em vida, aqui na Terra e como essa relação pode condicionar as suas acções com vista ao cumprimento de um ideal ou Desígnio.

E como os seus obreiros são homens plenos em todas as suas dimensões, a Maçonaria não se demite de aprofundar a relação dos homens com o divino, lutando para que isso os una e jamais os divida, porque a Maçonaria quer libertar os homens das grilhetas profanas e levar esses mesmos homens a realizar a sua dimensão espiritual em total liberdade e no pleno respeito pelas crenças alheias. O que nos une será o sentir o Universo, o Todo, que nos contem e nos transporta, uma presença universal…Será possível uma espiritualidade universal? É minha convicção profunda que sim, mais do que uma espiritualidade clerical e redutora ou do que uma laicidade desprovida de espiritualidade!

Uma espiritualidade universal… Será uma “espiritualidade da imanência, mais do que da transcendência, da meditação mais do que da oração, da unidade mais do que do encontro, da lealdade mais do que da fé, do amor mais do que da esperança, e que será igualmente motivadora de uma mística, ou seja, de uma experiência da eternidade, da plenitude, da simplicidade, da unidade, do silêncio…”.

É a essa espiritualidade universal que ouso chamar Espiritualidade Maçónica. Mas antes de a procurar definir, poderei por ventura afirmar que é apenas no trabalho maçónico que ela poderá ser verdadeiramente aprofundada. Não um conceito que se aprenda nos livros, tem de se sentir e de se viver, fruto de um percurso iniciático.

No entanto, a Maçonaria não revela nenhuma verdade superior nem dá respostas cabais às questões que atormentam a nossa dimensão espiritual. Pelo contrário, convida os Irmãos a procurarem saber quem são, conhecerem-se a si mesmos, com o intuito de se cumprirem, o que é profundamente diferente, colocando-os na via dessa procura e dessa realização, situando-se aqui o verdadeiro significado da iniciação, o primeiro passo de um caminho a percorrer e trabalho para fazer na construção do nosso templo interior.

Assim, a tolerância apresenta-se como uma das principais virtudes da Maçonaria e do maçon. Trata-se de uma atitude interior que repousa no respeito pela individualidade espiritual do candidato, pela liberdade de pensamento e pelo percurso intelectual e espiritual que cada maçon depois de iniciado escolhe para si. É neste pressuposto que assenta a minha afirmação de que a Espiritualidade Maçónica é uma Espiritualidade Livre: ao sugerir um caminho individual para a relação com o divino, constrói também um percurso libertador, é um processo livre. Para isso ser possível, precisa no seu seio de homens diferentes dos demais.

O nosso trabalho ao escolher esses homens, é com a convicção plena de que hoje se podem encontrar em qualquer proveniência, podem ter estado ao nosso lado toda a vida, serem os nossos amigos de infância, familiares ou colegas de profissão, como podem estar por detrás de um e-mail manhoso sem rosto.

Temos é de estar certos de que estão à altura do desafio, é de critério que vos falo, não de forma de ingresso nem de sede de relação. Porque é lógico que apenas podemos indicar homens que conhecemos minimamente e por isso têm de vir das nossas relações pessoais, todos temos porém pessoas de quem gostamos muito que sabemos não terem os requisitos mínimos para poderem ser iniciados, por mais que de disso gostássemos, fosse porque razão fosse. O critério é tudo.

É tudo porque a eles vão ser exigidos sacrifícios, de tempo para dedicar ao trabalho, para comparecer às sessões, para se despojarem de títulos e posições, para se disporem a aprender, a aceitar criticas quando para isso não estão preparados e cuja propriedade da origem questionam, a aguentar ouvir aquilo que não entendem sem julgar, a sentir que fazem parte de algo maior e viver com essa avassaladora responsabilidade sem ser esmagado, quando finalmente se torna clara a missão a que se propuseram.

Por mais capaz que qualquer um seja, tem um percurso a fazer, para poder identificar ferramentas, e então dedicar-se ao trabalho. Uma Loja maçónica é uma elite dentro de uma comunidade, coisa que facilmente assumimos sem complexos nem soberba.

Entre nós deverão estar os mais capazes nas suas áreas de intervenção, que podem ser profissionais ou não, têm apenas de ser úteis ao projecto, estar dispostos a aprender e a ensinar partilhando. Ser maçon é uma vivência, uma forma de estar na vida e perante a vida, onde a Honra, a Ética Moral, o sentido de missão, o espírito cavaleiresco das suas acções, fruto da Responsabilidade de se ser e sentir Diferente, assumem um aspecto fundamental.

Não somos com certeza homens plenos de virtudes, todos temos as nossas arestas para desbastar. E este é o local para o fazer, a Loja, depois de responder ao chamamento e livremente bater á porta do Templo, para servir o Desígnio. Com a orientação de todos os obreiros, tornar ferramentas capazes em ferramentas melhores. Porque somos ferramentas de trabalho, somos os que cumprem e efectivam o Desígnio, como outros o fizeram antes de nós.

Os desígnios dignos desse nome sempre tiveram um cunho marcadamente iniciático, porque não se prendem com objectivos de pedra, betão ou madeira, mas com a realização dos sonhos, sendo perpetuados no tempo indefinidos enquanto matéria, mas muito claros quando conceptualizados por homens que se dispuseram a um processo de transformação e crescimento como o nosso, essa ideia indizível transmite-se pela iniciação, pelos rituais, pela via iniciática. E para isso, a dimensão espiritual do homem têm de ser a sua consciência maior, aquilo que lhe rege as acções e circunscreve as paixões e os sonhos á luz das suas capacidades e talentos.

E nesse trabalho não há espaço para paternalismos com os menos capazes e aptos, para soberbas profanas ou para alimentar egos com comendas. Não se faz parte da Maçonaria, não se pertence à Maçonaria, é-se maçon. Da sua relação com a Loja e da sua condição de maçon só o individuo pode ser responsável, se não se sente capaz ou a tarefa assusta, mais vale arrepiar caminho. Sem jamais hipotecar a solidariedade inerente à fraternidade leal, todos temos momentos menos bons e felizes e para isso cá estamos todos e nessa altura dizemos presente.

Não estamos é aqui para tomar conta de ninguém, proporcionar benefícios ou oferecer a salvação. Estamos aqui para trabalhar. O nosso tempo é curto e o trabalho imenso. Para que nos cumpramos à luz do que aqui nos trouxe, temos de ser objectivos, sob pena de se esvaziar o sentido da Ordem Maçónica e o trabalho ficar por fazer, comprometendo o Desígnio.

Reconhecendo os méritos e as virtudes dos nossos Irmãos, não potenciando e exacerbando os seus defeitos, que desses não precisamos, usando o fole com cautela na forja para que a ferramenta que lá se aperfeiçoa não enfraqueça por falta de atenção ou derreta por excesso dela. Desbastando a pedra em bruto, com a lealdade que a critica exige, com a fraternidade que o sacrifício cultiva, com a generosidade a que partilhar o desígnio não é alheia, com o reconhecimento da força e inteligência para o fazer cumprir. Dessa partilha nasce a riqueza da Irmandade, do respeito pelo trabalho e pela forma como é executado. Não sendo santos nem isentos de virtude, temos todos consciência do Desígnio.

Assumamos o objectivo que aqui nos trouxe e não deixemos que nada perturbe a caminhada para a realização desse mesmo Desígnio, que não assume forma material, mas é apenas uma ideia que todos partilhamos… Uma ideia de Homem e de Mundo.

Autor: José Eduardo Sousa
R:.L:. Alengarbe, 24 – Grande Loja Legal de Portugal
Oriente de Albufeira, Portugal

Fonte: Maçonaria.Net

Carta de Londrina

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Ao finalizar duas Sessões de Pesquisas e Estudos, realizadas pela Loja de Pesquisas Maçônicas “Brasil”, de Londrina, ocorridas, respectivamente, nos dias 14/03/02 e, continuadas, no dia 11/04/02, dada a importância dos debates sobre o tema CARIDADE MAÇÔNICA, proferido pelo Irmão Francisco de Assis Carvalho (Xico Trolha), solicitaram os presentes que fosse redigida uma Carta de Intenções, tendo os presentes solicitado que a mesma fosse publicada nas revistas e periódicos maçônicos de todo o País, onde fossem referidos os pontos básicos destas duas palestras, alertando Maçons e, especialmente, os Veneráveis e Hospitaleiros, sobre o uso correto do Tronco de Beneficência, bem como o teor da palestra, que foi específica em esclarecer o que vem a ser a Caridade Maçônica, enfocada pelo ilustre palestrante.

Em resumo, após a palestra e debates, os Irmãos presentes chegaram a algumas conclusões:

  • A Maçonaria atual está, em muitos aspectos, afastada dos seus valores antigos e tradicionais e, em especial, em certos usos e costumes, os quais foram, paulatinamente, sendo, através dos anos, totalmente distorcidos;
  • Sabe-se que a Maçonaria, desde que apareceu, conseguiu sobreviver, no mundo, sempre em condições adversas, sofrendo perseguições e que seus primeiros componentes se protegiam como Irmãos, quer física, quer financeiramente. Qualquer membro da confraria era defendido em todos os sentidos e, em caso de sua morte a família, viúva e filhos, eram assistidos, financeiramente, nos mesmos moldes das confrarias de pedreiros, das guildas e outras entidades afins. Em algumas destas organizações havia até auxílio funeral, além de outros atendimentos;
  • A Maçonaria não auxiliava profanos de forma alguma, somente os Maçons, seus verdadeiros confrades, seus Irmãos e suas famílias, através de caixas ou fundos arrecadados especialmente para este fim;
  • No início do século XX a Maçonaria brasileira, alguns anos após a Proclamação da República, já sem outras metas maiores naquele momento, começou a competir com a Igreja Católica, Espírita e, posteriormente, com as Igrejas Evangélicas, em matéria de caridade a profanos;
  • A maioria das Lojas, atualmente cerca de 95%, desenvolve uma forma amadorística de filantropia, onerando seus obreiros pagantes e eliminando, através das famosas Sessões de finanças, aqueles que estão em atraso, a maioria das vezes por dificuldades ocasionais. Temos perdido muitos Irmãos nestas circunstâncias. Se a Loja tivesse um Fundo de Reserva, estes Irmãos poderiam ser socorridos;
  • É uma situação até certo ponto cultural, um erro de avaliação, pois acabamos, no afã de ajudar o próximo, esquecendo de nós próprios;
  • É nossa intenção levantar este problema para que a Maçonaria Brasileira reflita, e que quem queira ser filantropo, ou que queira ajudar profanos, que o faça em seu nome. Deixe sua Loja de lado. Não faça caridade envolvendo a Loja, ou Irmãos.

A Loja é mais uma Escola, onde se aprende as grandes lições de vida que ela nos ensina e, dentre elas, justamente a caridade, a fraternidade, o amor e o auto-aprimoramento. Mas, como nossos recursos são poucos e a maioria dos Maçons brasileiros é de classe média baixa, não podemos fugir às nossas tradições de autoproteção. Temos que investir nisso. Temos que acordar e fazer uso da Carta de Londrina, como faziam os primeiros Maçons. Não são as ajudas mútuas que salvam situações. Toda Loja deve ter um fundo de auxílio.

Às vezes, um membro da família de um Irmão falecido (nosso Sobrinho, por exemplo) necessita estudar e não tem condições. Ficará o jovem entregue a sua própria sorte?

O tronco de beneficência não poderá, jamais, ser usado para reforma de templos, ou para orfanatos, ou creches profanas. É uma tradição que não está sendo respeitada. Estamos tentando este tipo de apelo para sensibilizar Irmãos e Lojas e até Potências para que reflitam sobre as exposições aqui feitas, no intuito de nos tornarmos fortes, criando fundos, com estatutos bem definidos, organizados de forma bastante transparente, com assistência jurídica bem orientada, registrados em cartório, etc., para que possamos atender a família enlutada de muitos Irmãos, com dignidade, amor e fraternidade que elas merecem.

Autor: Hercule Spoladore

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A Temperança e o Protrepticus de Aristóteles

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O intuito desse breve trabalho é relacionar a virtude da temperança com o Protrepticus de Aristóteles, obra cujo conteúdo trata-se de uma exortação à filosofia, feita para um certo Themison, que ao que tudo indica, seria um rei numa cidade do Chipre. Logo no início do texto, Aristóteles mostrará ao rei por que a filosofia é a realização natural do homem e o maior dos bens, e durante os primeiros capítulos dá as razões por que ela deve ser procurada. Pretendo mostrar como a temperança, ou sophrosyne, é de suma importância para aquilo que Aristóteles tem em mente: mostrar a constituição do homem e da natureza para assim convencer ao rei as razões do filosofar. Vou me apoiar principalmente nos primeiros capítulos do Protrepticus, o Cármides de Platão e também me guiarei por autores que esclareçam o conceito de sophrosyne nos filósofos gregos.

Sophrosyne

A sophrosyne é o assunto do diálogo Cármides, de Platão, e ela geralmente é traduzida como temperança ou moderação[1]. A etimologia da palavra sophrosyne apresenta os seguintes elementos:

  • saos ou sos – são, salvo, em boa saúde;
  • phron/phren – coração, espírito;
  • syne, sufixo que indica qualidade.

No Cármides nenhuma definição precisa é dada, segundo o dicionário de termos filosóficos de F.E.Peters, mas o que Platão tem em mente ao falar de sophrosyne é o conceito pitagórico de harmonia e também as palavras de Heráclito no fragmento 112, onde ele diz que: “Sophrosyne é a maior das virtudes, e sabedoria é falar e agir na verdade, fazendo jus a natureza das coisas”. Nesse diálogo, Sócrates diz ser a moderação ou temperança, um grande bem e verdadeira fonte de felicidade. Podemos dizer que o conceito de sophrosyne é um modo de agir e de pensar, um modo de entender os limites, um modo de se relacionar com a natureza das coisas. O contrário da sophrosyne é a hybris, o excesso, a falta de medida.

Apesar de o conceito de sophrosyne apresentar concepções populares, práticas, religiosas, políticas dentre outras, vamos nos ater a dois aspectos principais. Na introdução da edição portuguesa do Cármides feita por Francisco de Oliveira, ao enumerar esses diferentes aspectos, ele diz acerca da sophrosyne encarada sob o aspecto do autoconhecimento: “ …este plano é primordial na estrutura do Cármides e no diálogo aporético, devendo situar-se no âmbito mais vasto da identificação de virtude e conhecimento e da unificação das virtudes”. Mais à frente faremos o paralelo disso com o Protrepticus. Há também o aspecto ético ou prático da sophrosyne, que é a prática do bem ou a prática da virtude, em oposição aos prazeres[2].

Aqui portanto, já podemos vislumbrar algo acerca dessa relação, já que o conselho que Aristóteles dá ao rei no primeiro capítulo do Protrepticus e suas justificações nos primeiros capítulos a respeito da hierarquia da natureza, com a razão no topo dessa hierarquia, mostrarão em que sentido o filósofo vai se relacionar ou vai se apoiar na sophrosyne para atingir a vida feliz. Sendo a razão aquela que deve imperar sobre todas as outras partes, tanto em Platão como em Aristóteles, o Protrepticus deixa claro qual a maneira do filósofo agir para atingir a vida feliz.

Necessário se ater por instantes as noções de Platão e Aristóteles das partes do homem. Em Platão, há uma divisão da alma em três partes, a racional, a irascível e a concupiscente; a alma bem ordenada, aquela alma que tem harmonia entre as partes, é a alma cuja parte racional domina as outras duas. Em Aristóteles, como veremos, isso se dá numa divisão tripartida também, há uma parte vegetativa, uma sensitiva e uma parte racional. Aquele que deseja iniciar na filosofia deverá por meio da temperança estabelecer o que é melhor para si e para os outros, segundo a ordem natural, esta portanto o levará da pratica rumo a sabedoria.

Por fim, devo dizer que a virtude da temperança ou da justiça em Aristóteles estão relacionadas com a ética. A parte sensitiva do homem, que estaria acima da parte vegetativa e abaixo da parte racional, é aquela que controla as paixões, por meio do intelecto ou dianóesis, ela busca encontrar a justa medida na prática dessas virtudes.

O Protrepticus

O primeiro capítulo do Protrepticus Aristóteles diz a Themison que aquele que tem muito dinheiro, está mais apto a filosofar, pois tem mais tempo para estudar. Porém, sem sabedoria, esse acúmulo de bens intelectuais só produziria loucura: “…a felicidade não consiste em adquirir muitas coisas, mas sim na maneira pela qual a alma é disposta.” Para o homem cuja alma está em desarmonia, está mal disposta, a riqueza, a força, a beleza não podem ser bens, essas pelo contrário, são nocivas frente a essa desarmonia. Aqui como no Cármides, há uma preocupação com a sanidade do espírito, o são de espírito pode esperar usufruir dos bens do mundo com a devida moderação e harmoniosamente, mas aqueles cuja alma é destemperada, só podem aguardar um fim trágico, já que a falta de temperança aliada a tais bens, só levariam tal homem a cometer a hybris, a loucura como aquela retratada na peça de Ésquilo, Os Persas, onde Xerxes age em oposição ao comportamento moderado.

Estabelecido portanto esse primeiro passo, que a alma desordenada não poderá usufruir de modo correto os bens, Aristóteles inicia uma explicação acerca da constituição das coisas, a ordem na qual o homem e consequentemente sua razão está inserida, e mostra de que maneira a filosofia é a realização natural dos homens. Vamos tentar acompanhar esses passos.

Aristóteles explica que entre as coisas, algumas são engendradas por um pensamento e por uma arte, enquanto outras são engendradas pela natureza. Algumas porém são engendradas pelo acaso, e nesse caso, não pode haver finalidade, e portanto não pode haver realização. Tudo que é engendrado segundo a arte e a natureza é engendrado segundo um objetivo, e esta é sua melhor realização. Na natureza, Aristóteles dá o exemplo da gênese das coisas:

“…não é verdade que algumas sementes, em qualquer terra caiam, germinam sem proteção, ao passo que outras precisam, além disso, da arte do cultivador? Quase do mesmo modo, alguns animais dão conta, por si mesmos, de toda a sua natureza, aio passo que o homem precisa de muitas artes para a sua preservação, tanto por ocasião da gênese primeira, quanto mais tarde, durante a nutrição.”

Toda a gênese se produz com vistas a um objetivo, esse objetivo pelo qual a coisa foi engendrada é o mesmo pela qual ela deveria ser engendrada. E a natureza engendra os seres para o melhor, não para eles destruírem ou prejudicar essa ordem. Podemos ver nitidamente que o que está em foco nessas passagens é que tudo aquilo que é engendrado por uma arte ou pela natureza é feito segundo uma finalidade, e essa finalidade é aquilo pelo qual o ser foi engendrado, é o seu bem maior. A realização natural é o que se realiza por último lugar na ordem da gênese, no homem, primeiro se realiza aquilo que se refere ao corpo, e por último a alma, que é a realização do melhor. Dando sequência a esse esquema, a última parte da alma, a melhor, é a parte racional. “E realmente, se a sabedoria é, em conformidade com a natureza, nossa realização, então, de todas as coisas, exercer a sabedoria será a melhor.”

Dentro do que foi dito acerca da realização do homem, ele é engendrado segundo a natureza, mas sua constituição de corpo e alma faz com que o corpo esteja subordinado ao fim maior que é a alma, pois ela vem depois desse na ordem natural, e na alma, realizar a virtude com vistas à sabedoria. Aqui fica claro aquela tripartição da alma, estando as virtudes subordinadas ao bem maior que é a aquisição da sabedoria.

O que está sendo dito ao rei no Protrepticus é que a natureza e a arte, que a imita, trabalha segundo uma ordem, essa ordem só pode funcionar bem segundo o fim para qual a coisa foi feita, se houver harmonia entre as partes que constituem o todo. Diz Platão na República, 430e: “ A temperança é uma espécie de ordenação, e ainda o domínio de certos prazeres e desejos…”. Essa ordenação é um alinhamento com a natureza das coisas, o meio mais propício de fazer bem as coisas, de se atingir o fim para o qual a coisa foi feita.

Na constituição do homem, portanto, seu fim último, o motivo para o qual ele foi engendrado é o uso da razão, mas a razão ordenada, a razão dentro de uma harmonia, pois essa razão sem a ordenação devida se transforma em loucura.

A temperança, sophrosyne, é o elemento inicial das lições ou exortações que Aristóteles está mostrando ao rei, através das virtudes como a justiça e a temperança, o rei poderá ser sábio. No primeiro capítulo ela se mostra do ponto de vista prático e ético, ao evitar a hybris, o homem pode esperar o bem para ele e para os outros, e na sequência do texto, ao mostrar como age a natureza e as artes, Aristóteles busca mostrar como essa mesma natureza se dá no homem, qual a maneira de atingir o fim último do homem, aqui ela se mostra não como virtude prática, mas sim como autoconhecimento. Esse autoconhecimento é a sabedoria[3], e essa é uma virtude intelectual, enquanto a sophrosyne é uma virtude prática. Há em Aristóteles uma divisão entre virtudes práticas e intelectuais. Mas nessa breve exposição, está além de minhas capacidades esgotar tal assunto. O fato é que uma virtude prática como a sophrosyne pode ser justificada no Protrepticus pela sua relação com a ordenação da natureza e do homem.

Dando sequência ao texto, Aristóteles dirá que: “ …somos capazes de aprender as ciências que tratam do que é justo e lucrativo…”, e que “…o anterior é sempre mais passível de conhecimento do que o posterior, e o que é melhor por natureza…”. Aqui há novas justificativas, a primeira da possibilidade de aprender as ciências do justo, ou seja, é possível o homem saber a respeito do lugar das coisas, da harmonia entre as coisas, e em segundo lugar, que o anterior tem sempre mais atributos de ser conhecido que o posterior, isso por causa da relação de causa e efeito, o posterior depende do anterior na ordem das coisas, é claro, mas o que Aristóteles quer deixar claro aqui é que será em vista à intelecção que todas as coisas deverão ser escolhidas pelo homem, pois todo o resto da hierarquia das coisas subsiste em função do melhor.

A sabedoria do filósofo será portanto a consciência dessa ordem nas coisas, a hierarquia da natureza dentro e fora dele. As leis por exemplo são um produto dessa razão e a consciência da lei a sabedoria dessa ordem, mas a atitude, o submeter-se a elas será a sophrosyne, a temperança é a prática, uma virtude prática, é se por em conformidade à ordem das coisas e o regular-se conforme a ordem natural do homem, fazendo com que a parte racional dirija as outras partes do homem. A sophrosyne, que aqui traduzo por temperança, ou moderação, é a ordenadora das virtudes, esse reconhecimento do lugar nas coisas, o entrar em harmonia com a ordem é também uma atitude de humildade, onde o homem sabe o seu lugar e não ousa se por acima daquilo que deve, a virtude da justiça também se assemelha à temperança, já que a justiça, segundo W.K.C. Guthrie é ocupar-se de seus próprios assuntos, cada um fazendo o que deve ser feito e segundo o modo como deve ser feito. Eis aqui portanto novamente a noção de ordem, de harmonia, ser temperante é estar não só consciente dessa ordem mas agir segundo essa ordem.

É interessante que alguns dizem ser a temperança a maior das virtudes, a que ordena todas as outras virtudes. O homem temperante é o homem são, aquele que sabe a ordem de importância das coisas.

Considerações finais

A temperança, virtude que mostra ao homem o seu lugar e o faz agir segundo aquilo que se deve fazer, ou nas palavras de Sócrates no Cármides, “…é saber o que se sabe e o que se não sabe.”, está presente no Protrepticus de Aristóteles nos conselhos que esse dá ao rei. Ao mostrar a hierarquia das coisas da natureza e do homem, Aristóteles estabelece uma harmonia oriunda da estrutura das coisas mesmas, segundo Hilary Armstrong “ A vida moral do homem deve formar um todo ordenado e dirigido a um fim púnico, da mesma forma que o universo forma um sistema ordenado dirigido a um fim único”, o filósofo deverá ser temperante para alinhar prática e pensamento, e assim não agir de forma errada, que poderá leva-lo a cometer coisas perniciosas para si e para os outros.

Autor: Fernando Gomez

Fonte: Revista Pandora

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Notas

[1] – Nas notas da edição portuguesa do Cármides, Francisco de Oliveira diz que: “Como se vê, irá ser difícil uma tradução exata para o termo: prudência, sensatez, sabedoria, moderação, temperança.

[2] – Esses aspectos são defendidos por Crítias ou por Cármides no diálogo, e o caráter aporético do Cármides força-nos a conceber nesses termos a temperança, para que ela possa relacionar-se com um fim estabelecido em Aristóteles.

[3] – Isso nos remete a fórmula conhece-te a ti mesmo. Esse preceito délfico é caro a Sócrates, por causa da identificação de conhecimento e virtude e pelas discussões acerca da possibilidade de se ensinar as virtudes, como no Ménon 87c-89ª, no Protágoras ou em Eutidemo 282c. A identificação de sophrosyne com a inscrição délfica feita por Crítias no Cármides, é a interpretação tradicional. Sobre isso as notas de rodapé de Francisco Oliveira na edição do Cármides de Universidade de Coimbra, também E. Martens.

Referências Bibliográficas

F. E. Peters, Greek Philosofical Terms. A history Lexicon, New York, University Press, 1967. Platão, Cármides, introdução, versão grego e notas de Francisco de Oliveira, Coimbra, Instituto Nacional de Investigação Científica, 1981. Aristóteles, Da Geração e Corrupção Seguido de Convite à Filosofia, São Paulo, Landy, 2001. Platão, República, tradução de M. H. Rocha Pereira, Lisboa, Calouste Gulbenkian, 1976. W. K. C. Guthrie, Los filósofos Griegos, México DF, Fondo de Cultura Econômica, 2008. A. H. Armstrong, Introducción a la Filosofia Antigua, Buenos Aires, Eudeba, 2007.

Ano Novo…Olhar Novo

Recebi esta mensagem do estimado irmão Mauro Dumont, e aqui a compartilho com os leitores do blog.

“O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história. O grande lance é viver cada momento como se a receita de felicidade fosse o AQUI e o AGORA.

Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais…, mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia? Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho?

Quero viver bem! Este ano que passou foi um ano cheio. Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal. As vezes a gente espera demais das pessoas. Normal. A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou. Normal.

O ano que vai entrar vai ser diferente. Muda o ano, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com o seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?

O que desejo para todos é sabedoria! E que todos saibamos transformar tudo em boa experiência! Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim… Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3. Ou mude-o de classe, transforme-o em colega. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.

O nosso desejo não se realizou? Beleza, não estava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento (me lembro sempre de um lance que eu adoro): CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE.

Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam bem diferentes.

Desejo para todo mundo esse olhar especial.

O ano que vai entrar pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro. O ano que vai entrar pode ser o bicho, o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular… ou… Pode ser puro orgulho! Depende de mim, de você! Pode ser. E que seja!!!

Feliz olhar novo!!! Que o ano que se inicia seja do tamanho que você fizer.

Que a virada do ano não seja somente uma data, mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos e que desejamos, afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade somente se fizermos jus e acreditarmos neles!”

Com essa mensagem de Carlos Drummond de Andrade, desejo a você

Feliz Olhar Novo!

Ética e Moral: dois conceitos de uma mesma realidade

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A confusão que acontece entre as palavras Moral e Ética existe há muitos séculos. A própria etimologia destes termos gera confusão, sendo que Ética vem do grego “ethos” que significa modo de ser, e Moral tem sua origem no latim, que vem de “mores”, significando costumes.

Esta confusão pode ser resolvida com o esclarecimento dos dois temas, sendo que Moral é um conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade, e estas normas são adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano. Durkheim explicava Moral como a “ciência dos costumes”, sendo algo anterior a própria sociedade. A Moral tem caráter obrigatório.

Já a palavra Ética, Motta (1984) define como um “conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, outrossim, o bem-estar social”, ou seja, Ética é a forma que o homem deve se comportar no seu meio social.

A Moral sempre existiu, pois todo ser humano possui a consciência Moral que o leva a distinguir o bem do mal no contexto em que vive. Surgindo realmente quando o homem passou a fazer parte de agrupamentos, isto é, surgiu nas sociedades primitivas, nas primeiras tribos. A Ética teria surgido com Sócrates, pois se exige maior grau de cultura. Ela investiga e explica as normas morais, pois leva o homem a agir não só por tradição, educação ou hábito, mas principalmente por convicção e inteligência. Vásquez (1998) aponta que a Ética é teórica e reflexiva, enquanto a Moral é eminentemente prática. Uma completa a outra, havendo um inter-relacionamento entre ambas, pois na ação humana, o conhecer e o agir são indissociáveis.

Em nome da amizade, deve-se guardar silêncio diante do ato de um traidor? Em situações como esta, os indivíduos se deparam com a necessidade de organizar o seu comportamento por normas que se julgam mais apropriadas ou mais dignas de ser cumpridas. Tais normas são aceitas como obrigatórias, e desta forma, as pessoas compreendem que têm o dever de agir desta ou daquela maneira. Porém o comportamento é o resultado de normas já estabelecidas, não sendo, então, uma decisão natural, pois todo comportamento sofrerá um julgamento. E a diferença prática entre Moral e Ética é que esta é o juiz das morais, assim Ética é uma espécie de legislação do comportamento Moral das pessoas. Mas a função fundamental é a mesma de toda teoria: explorar, esclarecer ou investigar uma determinada realidade.

A Moral, afinal, não é somente um ato individual, pois as pessoas são, por natureza, seres sociais, assim percebe-se que a Moral também é um empreendimento social. E esses atos morais, quando realizados por livre participação da pessoa, são aceitas, voluntariamente.

Pois assim determina Vasquez (1998) ao citar Moral como um “sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas, dotadas de um caráter histórico e social, sejam acatadas livres e conscientemente, por uma convicção íntima, e não de uma maneira mecânica, externa ou impessoal”.

Enfim, Ética e Moral são os maiores valores do homem livre. Ambos significam “respeitar e venerar a vida”. O homem, com seu livre arbítrio, vai formando seu meio ambiente ou o destruindo, ou ele apóia a natureza e suas criaturas ou ele subjuga tudo que pode dominar, e assim ele mesmo se torna no bem ou no mal deste planeta. Deste modo, Ética e a Moral se formam numa mesma realidade.

Autor: Ivan Melo

Fonte: Recanto das Letras

Nota do Blog

Segue link da entrevista de Mário Sérgio Cortella sobre o tema: O que é Ética e Moral – Mário Sérgio Cortella

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REFERÊNCIAS BIBLIGRÁFICAS

SILVA, José Cândido da; SUNG, Jung Mo. Conversando sobre ética e sociedade. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2000.

CAMARGO, Marculino. Fundamentos da ética geral e profissional. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1999.

VÁSQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. 18. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.

GUSMÃO, Paulo Dourado de. Introdução à Ciência do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 1972.

VENOSA, Sílvio de Salvo. Introdução ao Estudo do Direito. São Paulo: Atlas, 2004.

MOTTA, Nair de Souza. Ética e vida profissional. Rio de Janeiro: Âmbito Cultural, 1984.

Las Virtudes Masónicas

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La Masonería desde el primer grado de Aprendiz nos va revelando su filosofía, ese secreto que vamos entendiendo poco a poco. Los íntimos secretos de la Mas.·. son fundamentales para el desarrollo armónico de la humanidad.

En los grados simbólicos, los conocimientos se basan en símbolos, alegorias y parábolas, considerando que la capacidad de entendimientio es retardada o nula por fideismo, doctrina según la cual “la razón no es capaz por sí sola de alcanzar a comprender algunas verdades y aquel que logra entenderlas no las comparte por egocentrismo”.

La doctrina Mas… “El Secreto”, “La Verdad”, “El Sendero”, “La Palabra”, etc… se empieza a descubrir cuando se pregunta ¿Qué entendéis por masonería? El estudio de la Filosofia Moral para conocer y practicar las virtudes. Pero ¿cuáles son esas virtudes que debemos estudiar y practicar?.

La virtud tiene muchas acepciones: “Estado de una cosa que constituye su excelencia propia y la capacidad para realizar bien su función”. Hábitos de la voluntad ordenados por la “razón” o “Capacidad de una cosa para producir un determinado efecto”, “eficacia para curar o conservar la salud”. Disposición interna que nos incita a obrar “bien” “Hábito y disposición del alma para obrar en conformidad con la ley moral”. Pero en Mas.·. Virtud es “El esfuerzo que domina las pasiones”.

La Mas.·. no es una Escuela de Filosofía. De las diferentes ramas de la filosofía (amigo del conocimiento), la Mas.·: únicamente se avoca a la Filosofia Moral, o sea “El bien como obra que realizar”. Para realizar esta obra, debemos estudiar y practicar las virtudes.

Tampoco es una Escuela de Moral. No hay que confundir las virtudes con La Moral, Pues esta también tiene muchas acepciones “De las costumbres o formas de comportamiento” “el estudio de la adecuación de las conductas humanas “Adecuación de la conducta a pautas socialmente aceptadas” “Ciencia o doctrina de la conducta y de las acciones humanas en orden a su Bondad o malicia”, etc. Pero en ninguna obliga al individuo a “Hacer el bién”, pues el sólo hecho de no hacer el Mal, no es hacer el bien. No hay que confundir tampoco con las cualidades pues estas son solamente “cualquiera de los caracteres o circunstancias por las que se distingue una persona o cosa” que nada tienen que ver con el esfuerzo para dominar las pasiones. A continuación una aportación sobre el tema.

Las Virtudes

  • La Humildad (Orgullo) – Virtud de asumir y reconocer los errores propios;
  • La Diligencia (Pereza) – Virtud de actuar con rapidez, de obrar en forma concienzuda y minuciosa;
  • La Paciencia  (Ira) – Virtiud que nos enseña a sufrir y a soportar los ios infortunios;
  • La Larguesa (Avaricia) – Virtud que nos enseña a desprendernos de nuestros bienes en forma magnánima y generosa;
  • La Caridad (Envidia) – Virtrud que actúa como extrema sensibilidad a los sufrimientos ajenos;
  • La Templanza (Gula) – Virtud que modera los apetitos y las pasiones, es obrar con moderación, sobriedad y continencia.

También son Virtudes:

  • La Perseverancia – Una valiosa virtud que nos enseña que con una labor tesonera podremos alcanzar grandes emoresas;
  • La Lealtad – Una virtud necesaria para lograr la igualdad de las acciones;
  • La Sensatez – Virtud que nos obliga a la cordura y al buen juicio;
  • La Serenidad – Virtud que nos hace expresar nuestro pensamiento sin disfraz, realmente, sin fingir;
  • La Sencillez – Virtud que nos lleva a obrar con naturalidad, con afabilidad, sin artificios ni adornos superfluos;
  • La Franquesa – Virtud que nos coloca en la elegancia y bizarría. Es la libeal y abierta expresión de nuestros pensamientos y dadivoso de nuestros actos;
  • La Equidad – Virtud que nos anima a la ecuanimidad, a la imparcialidad y a la igualdad de ánimo y de acciones
  • La Moderacion – Virtud que nos mantiene en los extremos, con comedimiento y mesura;
  • La Fidelidad – La exactitud de cumplir con nuestros compromisos, constancia y seguridad en el cariño y en las relaciones con nuesatros semejantes;
  • La Misericordia – Virtud que inclina a compadecerse y a tener piedad, filia, cariño, lástima, respeto y compación a la humanidad doliente e ignorante y a las dificultades y miserias ajenas. A abrir el corazón a las necesidades, angustias y penurias de sus hermanos, los hombres;
  • La Rectitud – Virtud que nos hace vivir de conformidad con los prncipiois de la sana razón;
  • La Imparcialidad – Virtud que nos forja el carácter para juzgar excentos de prevencón, con igualdad;
  • La Clemencia – Virtud que nos modera el rigor de la justicia. La mas bella señal del Universo para conocer al hombre piadoso, benigno, completo y libre;
  • La Constancia – Virtud que nos lleva a continuar lo empezado, a mantenernos firmes en un propósito, a la persistencia, a la firmeza de ánimo;
  • La Beneficencia – Virtud de hcer el bien a otro, remediar las necesidades del prójimo.

También son las cuatro Virtudes Cardinales:

  • La Templanza – (que ya hablamos arriba);
  • La Prudencia – Virtud que hace prevenir y evitar las faltas y peligros, la que nos hace actuar con mesura, discreción, moderación y previsión;
  • La Fortaleza – Virtud con que vencemos las dificultades que obstaculizan el cumplimiento de un deber u obligación;
  • La Justicia – Virtud que nos hace dar a cada quién lo que le corresponde, lo que debe hacerse de acuerdo con el derecho y la razón, La Justicia es el apoyo del mundo y la injusticia es el orígen y manantial de todas las calamidades que le afligen. Es la Principal y más Importante Virtud de la Masonería.

Las Virtudes Teologales son tema aparte, en otro trabajo.

Como véis, conociendo, practicando y enseñando esta Verdad al mundo, con el ejemplo, seremos realmente libres y satisfechos porque conocemos esta disposición del espíritu para obrar de conformidad con la Luz de la Filosofia Moral, rama de la filosofía, doctrina que estudia la Masonería.

Autor: Eduardo Ramírez Garza

Fonte: Masoneria en Menorca

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Fraternidade, Fanatismo e Ignorância

A FRATERNIDADE

Abraão Lincoln, Presidente dos Estados Unidos da América do Norte no século passado, maçom e um dos mais proeminentes defensores da verdadeira fraternidade maçônica, numa ocasião em Loja, quando seus irmãos lhe pediram uma explicação do sentido da palavra fraternidade, Lincoln citou o seguinte exemplo: Ele mesmo, num inverno gélido da América do Norte, encontrava-se nas proximidades de um outeiro, coberto de neve, observando com curiosidade dois rapazotes que alegremente desceram o morro sobre um trenó. Após a chegada do veículo ao pé da colina, o rapaz maior pôs o pequeno nas costas e o carregou na garupa até o cume da elevação, puxando, ao mesmo tempo, ofegante, o seu pesado trenó em uma corda morro acima. Várias vezes já tinham descido e subido, quando, após outra descida Lincoln se aproximou do rapaz mais velho e lhe dirigiu a palavra: “Mas é uma pesada carga que tu sempre levas morro acima”. O interpelado, entretanto, respondeu sorridente: “Não senhor, esta carga não me pesa, pois este é meu irmão”. Para Lincoln fora sempre esta resposta a mais acertada definição da palavra fraternidade, a frase tão simples e ingênua: Esta carga não me pesa, pois este é meu irmão”. Amor fraternal requer um  espírito elevado.

Feliz toda Loja Maçônica onde reina este verdadeiro espírito de fraternidade. Este amor fraternal é o cimento místico que une os verdadeiros maçons dentro de uma loja. Combatemos em nossas Lojas o vício, a vaidade e o nosso egoísmo, que é o maior inimigo da fraternidade. O Lídimo Maçom, porém, age sempre dentro dos princípios da fraternidade. Condição primordial para tanto é que os irmãos de uma loja se conheçam bem e não só superficialmente, assim que cada um pode ter plena confiança no outro, pois pode chegar o momento em que o nosso espírito de fraternidade é posto a prova contra eventuais difamadores profanos e até mesmo, contra “Irmãos” que ao terem seus próprios interesses  pessoais contrariados se esquecem dos princípios maçônicos chegando a se negar receber o cumprimento fraternal de outro Irmão. O estreitamento dos laços de amizade e fraternidade devia ser a maior preocupação dos dirigentes de uma oficina. Para tanto não é preciso qualquer sacrifício. Quando por exemplo no dia do aniversário  ou numa outra ocasião festiva familiar de um Irmão, um telegrama, um cartão ou um simples telefonema para este Irmão, aprofundamos em nós mesmos o sentimento humanitário e no coração de nosso Irmão, produz um efeito salutar, pois este Irmão Maçom percebe, satisfeito que não é um mero número dentro de sua Loja, mas sim uma personalidade estimada por seus Irmãos.

Há muitas ideias poderosamente benéficas que não se realizaram por causa das condições egoístas em que vivemos.

Devemos difundir a ideia de que a verdadeira guerra santa é a que fazemos na vida conosco mesmos, quando lutamos pelo nosso melhoramento moral. Se alguém sentir-se incapaz para empreender a luta, ilumine seus pensamentos com uma só filosofia e penetre o verdadeiro conhecimento da lei da vida e tenha o máximo cuidado de interrogar a si mesmo com o rigor e a imparcialidade que convém. Ora, se há ponto em que mais imparciais precisamos ser, é precisamente no que aos nossos pensamentos diz respeito e o que ao nosso modo de julgar e de apreciar se refere.

Por mais bela e fecunda que seja uma semente, jamais nada  ela produzirá, se não conseguir irromper a luz. O embrião das boas ações, dos gestos generosos, das atitudes corretas, todos os têm, mas sucede que muitos o deixam morrer, outros os encaram com indiferença, como se a vida fosse um mero jogo de crianças, uma simples competição de interesses, ou uma cruel rivalidade de egoísmo e ambições.

Assim sendo, é bom lembrarmos o que é fraternidade: união ou convivência como irmão, amor ao próximo, fraternização, harmonia, paz, concórdia; bem como o que é Maçonaria: uma associação de homens sábios e virtuosos, que se consideram irmãos entre si, cujo fim é viver em perfeita igualdade, intimamente ligados por laços de reciproca Estima, Confiança e Amizade, estimulando-se uns aos outros, na prática das virtudes.

Considerando as definições acima, a Fraternidade Maçônica tem que ser pura, devendo se apresentar onde couber uma causa justa. O verdadeiro Maçom pratica o bem e leva sua solicitude aos infelizes, quaisquer que sejam eles, devendo desprezar o egoísmo e a imoralidade, dedicando-se aos seus semelhantes, pois o sentimento de Fraternidade para o Maçom deve ser um sentimento nato, e assim sendo, a Fraternidade Maçônica deve ser o ideal de todo e qualquer Maçom, tendo em vista que é o laço sagrado que une a todos os Maçons, independentemente de Lojas e Potências a que pertençam. Fizemos um juramento, e por ele somos unidos; somos uma família, e a família é a matriz do homem e o berço da sociedade. “Amai-vos mutuamente com afeição terna e fraternal. Adiantai-vos em honrar uns aos outros”. (Epístola aos Romanos, l2-10).

E quando falarmos de Fraternidade, recordemos sempre o caso que contou o Presidente Lincoln aos seus Irmãos Maçons e gravemos em nossa memória aquela frase que ficou célebre nas Lojas Americanas: ”Esta carga não me pesa, pois este é meu Irmão”.

O FANATISMO

Fanatismo: advém do latim “fanum”, templo, lugar sagrado. Em latim, “Fanaticus”, era o inspirado, o entusiasmado, o agitado por furor divino. Posteriormente tomou o sentido de exaltado, de delirante, de frenético, e, finalmente, o de supersticioso.

Os fanáticos eram os sacerdotes antigos do culto de Ísis, Cibele e Belona, etc., que eram tomados de delírio sagrado, e que se laceravam até fazer correr sangue. A palavra tomou, assim, um sentido de misticismo vulgar, que admitia poderes ocultos, que podem intervir graças ao uso de certos rituais.

O mesmo termo é usado para indicar a intolerância obstinada daquele que luta por uma posição, considerada por ele, evidentemente e verdadeira, estando disposto a empregar até a violência para a validade de suas opiniões e na tentativa de converter a outros que não aceitam suas ideias. Torna-se o termo, por extensão, o apontador de toda e qualquer crença, religiosa ou não, onde há demonstração obstinada por parte de quem a segue.

O fanático, em vez de fazer de sua fé um caminho de libertação, faz dela uma prisão para si mesmo e para os outros. Em vez de aprofundar as verdades da fé para iluminar com elas a vida, aceita a letra dessas verdades sem saborear o conteúdo das mesmas. O fanático não dialoga. Fala sozinho. Para ele, quem tem a mesma fé não precisa dizer nada. E quem não tem a mesma fé, não tem nada a dizer e merece o desprezo e a condenação, aqui e na eternidade.

O fanatismo é uma fé cega, inconsciente, irrefletida, em muitos casos, independente da própria vontade que o ser humano sente por uma doutrina ou um partido. A religião do fanático não se fundamenta no amor, mas no medo. Medo de errar, de pecar, de desviar-se do caminho. Ele fala demais para não escutar. Acredita que a melhor defesa da própria fé é o ataque a fé dos outros.

Como podemos ver meus Irmãos o fanatismo é a veneração exagerada de uma ideia, uma religião, etc. Devemos, pois, então ter muito cuidado com o nosso modo de agir não deixando-nos levar por um entusiasmo exagerado, para que, por conta de um exibicionismo ridículo ou por conta de uma conduta exacerbada sejamos levado a um comportamento incompatível, para com os princípios maçônicos.

A Maçonaria condena o Fanatismo com todas as suas forças. Em vários graus, as instruções giram em torno desta execrável paixão, considerada como um dos inimigos da Ordem Maçônica.

“Um passo mais além do entusiasmo, e se cai no fanatismo; outro passo mais e se chega a loucura”. Jean  B.F. Descuret)

A IGNORÂNCIA

1 – A Ignorância no mundo profano

Pejorativamente, chamam-se pessoas de IGNORANTES no afã de lhes desafiar os brios, tentando mostrar uma faceta grossa, obscura e de atraso evolutivo onde a IGNORÂNCIA  é encarada como a mãe de todos os vícios e seu principio o de nada saber ou  saber mal. Eis porque afirmarem o muito das vezes ser o IGNORANTE  um ser grosseiro, irascível e perigoso, perturbando e desarmonizando a sociedade, não permitindo que os homens conheçam seus direitos. Mesmo vivendo em um Estado LIBERAL eles tornam-se escravos por conta de sua ignorância. É comum em muitas regiões, às vezes nem tão longínquas deste nosso Brasil, ouvirmos falar de escravidão.

Como um “Coronel” nordestino, numa entrevista, a anos atrás, ao Fantástico, na qual  gabava-se que todos os trabalhadores de sua fazenda tinham boa moradia, mas admitia que escola e igreja ele não permitia, assim como nenhum tipo de cultivo junto a moradia dos colonos, e que tudo que estes necessitassem deveria ser adquirido no armazém da fazenda, o que resultava invariavelmente ao final do mês este colono ficar devendo ao Coronel. Isto na realidade representa dois tipos de escravidão: uma física e outra intelectual, e vejam bem, sem ter o ônus de adquirir o escravo como antigamente.

Isso não é um caso isolado. Na verdade o próprio Estado, que deveria zelar pelo desenvolvimento cultural do povo,  age em sentido contrário. A maioria das medidas sérias visando aprimorar a qualidade da educação são abandonadas, enquanto isso medidas populistas, eleitoreiras e inócuas são adotadas.

Nessa situação, com a maioria da população mantida no estado de semi-analfabetismo, aqueles que detém o poder podem usar o povo como “massa de manobra”, destarte imperando a impunidade.

Além do problema educacional, temos outro muito mais grave. O problema da corrupção. Pegue-se o exemplo da cidade de São Paulo, dilapidada a céu aberto. Porque  isso aconteceu? Aconteceu porque a população, mesmo a mais informada, virou as costas para a cidade; a maioria sequer sabe em quem votou para vereador. E os que sabem raramente acompanham sua atuação. Como consequência temos uma impunidade crônica, campo fértil para a atuação das máfias. A impunidade prospera de fato, quando a ignorância dos direitos sobressai e impera. E qual seria a solução? A solução não esta na policia, mas nas salas de aula. Assim como ensinam matemática e português, as escolas devem levar a sério, e não apenas em momentos especiais, mas diariamente, a disseminação das noções de direitos e deveres.

Isto só serve para demonstrar que apesar de Constituições Liberais, um povo ignorante acaba se tornando escravo. São inimigos do progresso, que, para dominarem, afugentam as luzes, intensificam as trevas e permanecem em constante combate contra a Verdade, o bem e a Perfeição.

2 – A ignorância no mundo maçônico

Na evolução da humanidade, as verdades da vida vão se aclarando de acordo com o ritmo que as inteligências captam o descortinar do conhecimento. Grandes filósofos, profetas e mesmo o Mestre que foi Cristo, não puderam trazer toda a luz dos seus conhecimentos porque havia de ser respeitada a IGNORÂNCIA da época e o nível intelectual que as sociedades se apresentavam.

Na filosofia maçônica também acontece esse respeito. O Aprendiz conhece tudo aquilo que uma ponta de véu levantado lhe permite entender, o mesmo acontecendo com o Mestre e os diferentes graus.

A IGNORÂNCIA não é de toda inoportuna. Às vezes ela tem utilidade. “QUEM MAIS SABE, MAIS SOFRE”, isso explica quando tal conhecimento está ligado às aflições, porém no patamar do equilíbrio, o saber é sempre bem visto, pois poderá despertar no homem o ensejo de servir como “professor” daqueles que estão ainda no estágio de IGNORÂNCIA.

A vida plena do homem nos leva a entender que somos IGNORANTES nos mais diversos graus. Quando o homem evolui e procura alcançar um estágio na vida, galgando assim um cume, logo poderá observar que de cima desse cume haverá uma nova planície a percorrer, que lhe proporcionará nova jornada de conhecimentos. A IGNORÂNCIA poderá ser reduzida, porém sempre existirá, pois ela faz parte das metas e objetivos do homem. O conhecimento total ao G∴A∴D∴U∴ pertence.

A IGNORÂNCIA é a grande alavanca que dá ao homem o estímulo para a luta do saber. Os graus da maçonaria são os maiores exemplos da disciplina, onde a verdade será descoberta de acordo com a condição interna de cada aprendiz.

Ser IGNORANTE não é pejorativo, é, antes de qualquer coisa, um estado evolutivo.

Perto de coisas maiores, todos somos IGNORANTES. Os discípulos ignoravam a grandeza de propósito que estava guardada na mente e no peito de JESUS. Com o aprendizado, eles lutaram e cresceram, dando um passo a mais no saber, deixando sua IGNORÂNCIA um pouco mais curta.

Nota do Blog

Infelizmente não foi possível identificar o autor deste artigo. Peço que, se algum de nossos leitores tiver essa informação, que nos repasse para podermos dar os devidos créditos.