Cooperação maçônica como instrumento de progresso

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No primeiro grau, ainda na Iniciação, o Orador se dirige ao candidato à Maçonaria, quando expõe a ele os deveres. Dentre estes deveres – o segundo, não menor tampouco maior em importância que o primeiro, estabelece a seguinte obrigação:

“O segundo dos vossos deveres, o que faz com que a Maçonaria seja o mais puro dos ideais, sobre ser a mais nobre e a mais respeitável das instituições humanas é o de vencer paixões ignóbeis que desonram o homem e o tornam desgraçado, cabendo-vos a prática constante das virtudes, socorrer os irmãos em suas aflições e necessidades, encaminhá-los na senda da virtude, desviá-los da prática do mal e estimulá-los a fazer o bem”.

O texto nos exalta e nos encoraja a agirmos orientados por uma cultura de valorização e criação de um corpo sólido de fraternidade maçônica.

Em tempos de dificuldades sociais é que se exige maior envolvimento e co-responsabilidade para a solidificação da fraternidade maçônica. A irmandade se revela mais visível quando da proteção dos irmãos que se encontram em dificuldades. Espera-se do maçom a constante conduta cooperativa na solução, prevenção e mesmo na predição dos problemas que qualquer irmão possa vir a ser exposto.

Socorrer não significa intervir quando o dano é latente ou patente, mais que isto, ao maçom cabe intervir em todos os momentos de forma a facilitar o progresso moral, cultural, social, educacional, familiar, econômico e emocional de todos os irmãos indistintamente.

O socorro previsto entre nossos deveres precisa estar ampliado em seu entendimento, esperar e deixar que um irmão esteja em infortúnio para somente assim mover-se para ajudá-lo, afasta o conceito de fraternidade que exige a constante preocupação de uns irmãos para com todos os outros.

Atualmente, nosso país está vivendo turbulências que perpassam crises das mais diversas origens, sejam elas morais, civis, políticas, culturais, de princípios e valores e, mais perceptível aos lares, de natureza econômica. Grandes movimentos para atentar resgatar as instituições em nosso país, para reorientá-lo em bases mais éticas, para refundá-lo em conceitos, princípios e valores de forma a tornar o Estado, este Povo e esta Nação direcionados e vocacionados ao progresso da humanidade são esperados em nossos tempos. Tudo se espera de agentes e instituições estatais e políticas, resta a nós maçons nos perguntarmos: “Estamos prontos para cobrar e provocar estas mudanças? Podemos e temos autoridade moral a exigir da sociedade que se refunde em princípios destinados ao progresso? Enquanto homens dignos temos honrado nosso livre juramento de lealdade, virtude e fidelidade – fundamentadas na vedação à incompatibilidade com os deveres civis, morais ou religiosos?

Respondamos os questionamentos a partir de uma análise, de como estamos conduzindo nossas rotinas quando do relacionamento entre irmãos, afinal quando dávamos os primeiros passos na Iniciação o Venerável Mestre informou-nos:

“A Maçonaria é livre e exige de todo candidato à participação de seus mistérios, uma inclinação inteiramente livre; baseia-se nos mais puros princípios de lealdade e virtude; possui grandes e inestimáveis privilégios e, para assegurar estes privilégios a homens dignos acreditamos que somente a eles, votos de fidelidade são exigidos: mas deixe-me assegurar-te, porém, que nele nada há de incompatível com teus deveres civis, morais ou religiosos; estás, portanto, resolvido a prestar um solene juramento, baseado nos princípios que acabo de expor…”

Observados os textos acima pensemos em como estamos nos relacionando entre irmãos. Somos uma família formada pelas mais distintas matizes, profissões, ideologias políticas, origens sociais e religiosas mas a lealdade, a virtude, a fidelidade que temos caracterizadas em nossa família maçônica não permite flexibilizações. Podemos ter diversidade de pensamento, inclusive é desejável que assim o seja, haja vista sermos homens livres e ser o mais nobre grau de liberdade o de pensamento que não pode ser aprisionado, mas sermos meio ou um pouco fiéis; sermos meio ou um pouco leais; sermos meio ou um pouco irmãos, não cabe em nossa Ordem.

Neste sentido é preciso que façamo-nos vetores de progresso social, que nos direcionemos à formação de uma sociedade mais equilibrada e justa e que comecemos a partir de nossa família maçônica, o exercício da fidelidade e da lealdade aos homens dignos que formam este corpo sólido presente na Maçonaria.

Inicialmente, precisamos provocar o início da mudança por intermédio de ações concretas de cooperação entre maçons de forma a antecipar, prevenir ou mesmo diminuir e minimizar problemas, notadamente os de natureza econômica que impactam seriamente a vida das famílias dos irmãos, o que equivale, por extensão da fraternidade maçônica, a todos os irmãos que desejam uma vida equilibrada a todos os fraternos.

Neste momento de desequilíbrio sócio-econômico, em que muitos de nossos irmãos encontram-se em situações de dificuldade precisamos nos mover, para ajudá-los a ultrapassar estes obstáculos. É hora de irmãos abrirem as portas para outros irmãos serem reinseridos no mercado de trabalho, é hora de irmãos atentarem-se para as atividades profissionais de cada irmão de forma a prestigiá-lo no exercício da dignidade de seus trabalhos. É hora de nos informarmos sobre as atividades profissionais que eles exercem, sejam elas técnicas, comerciais, empresariais, de serviços, educacionais ou qualquer outra que exerça de forma a buscar, em pé de igualdade de competição, fazer prevalecer o irmão maçom. Este exercício fortalece e faz prevalecer a lealdade entre irmãos e se torna alavanca para soerguimento das famílias, das cunhadas, de nossos sobrinhos e, como não dizer, da Maçonaria como um todo.

Nossa responsabilidade cooperativa e nossos deveres perante nossos Irmãos e suas respectivas famílias exigem que façamos uma verdadeira rede de networking, isto incluindo principalmente as cunhadas e sobrinhos. Para tornar mais proativas e inclinadas ao progresso da família maçônica, precisamos nos mover no sentido de indicar irmãos em suas devidas áreas comerciais? Os profanos em geral dizem que Maçom ajuda Maçom, estamos praticando isto? Nas mesmas condições comerciais a preferência deve ser para um irmão, isto está acontecendo? Devemos recorrer aos nossos regulamentos, rituais e, sobretudo à nossa consciência para resgatarmos o nosso papel, sem dizer a nossa obrigação.

Pensamos que agora é o momento de fato de estreitarmos os laços que nos unem como verdadeiros irmãos. Formação de uma equipe, por exemplo: deveríamos já na Iniciação montar um banco de dados onde teríamos todos os irmãos cadastrados já em suas funções, bem como cunhadas e sobrinhos, deste modo forma-se uma equipe cooperativa Maçônica. É uma dinâmica Maçônica com grande possibilidade de um vínculo profissional de sustentação para a nossa família.

Vários grupos sociais preocupam-se e fazem prevalecer as atividades profissionais dos seus iguais. Muitos negócios e muitas atividades profissionais são desenvolvidos entre e dessa maneira prosperam. Devemos incentivar nossos irmãos, esposas, cunhadas e sobrinhos para apresentarem seus negócios, suas atividades profissionais, suas habilidades técnicas e enfim estabelecermos uma grande rede de cooperação e trabalho visando o crescimento e progresso da nossa família maçônica.

A regra do nosso segredo será indicar a nossa família maçônica e sempre que necessário, dar algum testemunho a respeito, como referência e precedência de contato. Outro item importante que devemos levar em consideração é que, pela diversidade dos irmãos de nossa Ordem, temos vários especialistas em áreas diversificadas, que podem com sua experiência auxiliar e servir como orientadores dos nossos filhos e sobrinhos. Advogados, engenheiros, militares, contadores, médicos, técnicos diversos, todos podem transmitir seu conhecimento e apoiar nossos filhos e sobrinhos em sua caminhada na vida educacional e profissional.

Meus irmãos, a nossa proposta é muito mais um convite do que qualquer dever ou obrigação. Precisamos defender os interesses comerciais, profissionais, culturais e morais das famílias Maçônicas, socorrendo os irmãos em suas necessidades e em tudo o que puder, sendo necessário e justo. A função primordial do irmão maçom é servir a seu semelhante. Somos uma escola de líderes e como tal devemos apontar caminhos e alternativas, ainda mais nessa situação extrema pela qual passa nosso país, em prol de todos nós, maçons e familiares, em perfeita moral e dentro da legalidade.

Assim poderemos ter um meio que possibilite auxiliar nossos Irmãos, cunhadas e sobrinhos, com resultados reais, objetivos e positivos para todos.

Devemos exortar essa proposta em nossas Lojas de maneira que aos poucos possamos criar e ampliar essa rede de contatos e auxílio mútuo, fortificando nossas relações e engrandecendo a Maçonaria.

Autores: Genício Bezerra Neves e Olavo Antônio de Figueiredo Filho (ARLS Fraternidade e Justiça, 32); Eli de Souza (ARLS Guido Marlière, 66).

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Balaústre de um Aprendiz – Ser Maçom dói

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Ao sexto dia do mês de fevereiro de 2020 da era vulgar, a exatamente 22 horas e 23 minutos, sentado ao norte da mesa numa sala de estar, para não perder o costume, depois de um dia entediado de serviço, tomo coragem para “cutucar” a ferida e traduzir a dor nestas linhas que passo a decifrar.

Quão bom seria se pudéssemos fazer e viver aquilo que projetamos para com nós mesmos; poder tomar nossas próprias decisões; realizar nossas vontades; tomar liberdade de todas minhas escolhas… Dizem que se a vida fosse fácil não teriase graça.

Você pode ter as melhores instruções do mundo e seguir uma vida tranquila, mas você só conhecerá a sua força e a sua sabedoria quando fores submetido a dor, ao sofrimento.

A dor é uma mestra cruel. Ela cega, revolta, magoa, fere no mais íntimo de teu espírito, mas se conseguires vencer a sua escuridão, resplandecerá em nós a luz de uma pessoa vitoriosa.

Mas, será que estou fazendo por onde merecer vencer essa dor? Será que estou mesmo me desbastando o tanto que deveria? Será que estou me dedicando às minhas obrigações e responsabilidades para ao menos dizer que estou sendo um bom Maçom? Ou melhor, um bom Aprendiz Maçom?

Neste momento, aprofundo os meus sentimentos e tento expressar nestes parágrafos tudo aquilo que se passa na cabeça de um Aprendiz Maçom que, depois que se foi feita a Luz, não imaginava que a árdua caminhada ainda estava por acontecer. “O profano encontrou a luz, mas não encontrou a si mesmo”… um paradigma a ser resolvido. É aqui , neste ponto alto, que descubro uma grande verdade: “ser Maçom dói!”

E como dói meus Irmãos.

Ser Maçom dói quando nos deparamos com atos desleais, gente prejudicando gente, atos imundos e, mais triste ainda, ver pessoas se achando superiores a tudo e a todos.

Ser Maçom dói quando escutamos por ai barbaridades e palavras sem fundamento sobre quem somos e o que fazemos.

Ser Maçom dói quando você está na escuridão, na solidão, à distância e sem aquele “Bom dia!”, “Como você está?, “Tudo Justo?”. Você se sente o Irmão mais incapaz do universo. Mas, espere aí! Eu tenho feito isso? Você tem dado a devida atenção ao seu Irmão… Veja! Me peguei em mais uma falha.

Ser Maçom dói quando lhe falta recursos para fortalecer o tronco da solidariedade, mesmo sabendo que quando tiver saberei como contribuir.

Ser Maçom dói quando vemos um Irmão partir, seja de volta ao mundo profano ou, mais triste ainda, para o Oriente Eterno.

Ser Maçom dói quando, por motivos profissionais, mesmo que tentando correr contra o relógio para não perder o “privilégio” de estar entre valorosos Irmãos, não conseguir se fazer presente. A justificativa não tem justificativa. O ato de lá estar é complemento para curar todas as dores do mundo exterior.

Crescer como Maçom dói. O crescimento dói, não é verdade?

Quem aqui nunca sofreu um dia? Noites em claro; vida complicada na cidade grande; distância das pessoas que ama; humilhação; uma enfermidade; problemas pessoais ; familiares; crise financeira; perdeu um carro; uma empresa; sabe lá o que se foi, mas tenho certeza que te doeu.

Sim, a dor existe no mundo quando afirmo que ser Maçom dói. O que posso fazer com essa dor? Antes de mais nada, vejamos uma preposição negativa: Não é possível negá-la, é possível suportá-la e seguir adiante. Negar o sentimento de dor seria inútil. Então, através deste meu “balaústre” se assim posso chamar, procurei compreender minhas dores e melhor me preparar para lidar com elas.

Dói, mas a dor é necessária meus Irmãos. O processo de crescimento que existe dentro de cada um de nós é algo invisível, mas sensível. Eu estou me desbastando todos os dias, deixando para traz estilhaços de minha pedra bruta, como se fossem gotas de sangue derramadas e a ferida cicatrizada. Mas uma coisa foi válida e está sendo válida: estou crescendo na dor.

“Ser maçom doí!”, não vou esquecer disso nunca em toda minha vida, e quero convidar meus Irmãos para refletirem sobre as dores que passaram para terem chegado até onde estão.

O sábio não rejeita a dor, ele a recebe de braços abertos, mas sempre atento, precavido e preparado. Aquilo que não me mata, me torna mais forte…

Em vez de carregar minha dor como fardo, será que posso utilizá-la como ferramenta? Sim, por isso me foi dado um maço e um cinzel, a minha superação será um momento grandioso.

Ser Maçom dói. Crescer doí. Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer com os toques suaves na alma.

Autor: Tiago Mateus dos Santos Vieira
ARLS Deus, Pátria e Família, 154 – GLMMG – Oriente de Corinto

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Referências

Razão Inadequada – Revista Digital

Recantodasletras.com.br/ ( O maço e o cinzelSimbolos Maçônicos)

Pensador.com (O que não me mata, me torna mais forte. Friedrich Nietzsche)

Revista Crescer Globo – artigo (o que é a dor do crescimento)

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A falsa citação de Voltaire

O Ponto Dentro do Círculo

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Investigação afirma que a mais famosa das frases atribuídas ao filósofo francês jamais foi escrita ou proferida pelo autor de Cândido, ou o Otimismo

O pensamento filosófico – rico que é – já cunhou uma série de expressões que, bem empregadas ou não, tornaram-se largamente conhecidas. É o caso, para ficar em um só exemplo, da famosa máxima de Maquiavel: “os fins justificam os meios” (a qual figura no capítulo XVIII de sua magnum opus O Príncipe). Nesta linha, no entanto, aparecem frases que, ainda tomadas como emblemáticas, não podem ser verdadeiramente creditadas aos supostos autores. É possível que existam diversas situações não esclarecidas em que isso ocorre – o que, diga-se de passagem, macula o estudo de Filosofia mais do que os próprios supostos autores. Mas há um caso ícone, o de François-Marie Arouet, mais conhecido pelo cognome Voltaire (1694-1778).

Apesar de ser frequentemente citada, inclusive em livros…

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Vem aí a parceria entre o blog O Ponto Dentro do Círculo e o site Apoia.se.

O blog tem, como razão de existir, o desejo de ajudar a iluminar nossos caminhos, afastando as trevas que insistem em nos cercar. Portanto, temos como missão publicar textos de qualidade que possam contribuir com os estudos sobre os diversos assuntos que são de interesse daqueles que fazem parte da Sublime Ordem ou que por ela tem estima. Esse trabalho envolve, necessariamente, custos financeiros relacionados com provedor de internet, plataforma para hospedagem da página, computador, energia elétrica, além do tempo destinado à pesquisa e leitura de textos relativos aos temas que interessam aos nossos leitores.

Você, caro leitor, poderá nos auxiliar nessa empreitada e ainda concorrer a prêmios todos os meses! A sua colaboração ajudará a manter esse que é um mais conceituados blogs maçônicos do Brasil.

Em breve lançaremos a campanha!

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O futuro já aconteceu e o tempo é uma ilusão

O Ponto Dentro do Círculo

“A diferença entre passado, presente e futuro é apenas uma persistente ilusão…”, Albert Einstein

Existe um lugar em que o tempo passa diferente de pessoa para pessoa. Nesse lugar, nenhum relógio marca a mesma hora e passado, presente e futuro estão essencialmente congelados, e também aconteceram ao mesmo tempo. Também tudo o que aconteceu desde a origem do universo até o seu fim existe ao mesmo tempo.

Nesse lugar, o que para você é o futuro já é uma memória distante para outra pessoa. Para você, seu filho nem sequer nasceu, mas para seu vizinho ele já tem 20 anos. Em outras palavras, você pode nem ter decidido se quer ter filhos ou não, mas você não tem escolha. Deve ser chato morar em um lugar como esse, afinal de contas, você não parece ter liberdade de escolha, é tudo uma ilusão.

Mas que lugar é esse?

Esse lugar é justamente…

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O caminho, o erro e a lição

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Há alguns anos, fazia uma viagem por automóvel entre Dubrovnik, na Croácia, e Mostar, na Bósnia-Herzegovina. Receoso do alcance das redes móveis de dados, naquela região, tinha-me preparado, baixando para o meu telemóvel uma aplicação de GPS que funciona com mapas pré-instalados e que, assim, dispensava a necessidade de recurso a redes de dados móveis.

Cruzada a fronteira entre a Croácia e a Bósnia-Herzegovina, o GPS deu indicação para abandonar a estrada principal e tomar uma estrada secundária. Estou habituado a confiar nas indicações do GPS, que muitas vezes nos apontam insuspeitos caminhos mais curtos ou mais rápidos. Assim, não hesitei e abandonei a estrada principal e enveredei pela secundária.

Alguns quilômetros adiante, a estrada cruzou uma aldeia, com ar de semi-abandonada. Gente, muito pouca – e só idosos. Mas o que mais chamava a atenção era a visão de muitos edifícios semidestruídos. Não por algum abalo de terra, mas evidenciando marcas de terem sido atingidos por projéteis de artilharia. A guerra nos Balcãs terminara há já mais de vinte anos, em 1995. Mas aquela meio deserta povoação ainda exibia abundantes e expressivas cicatrizes do que então sofrera com o conflito.

Um pouco mais à frente dessa povoação, a estrada encontrava-se visivelmente deteriorada, esburacada e invadida por vegetação. Mas – pior! – de ambos os lados da vereda (já não era uma estrada…), viam-se, a intervalos regulares, uns “simpáticos” sinais ostentando o conhecido símbolo da caveira entre duas tíbias, acompanhado do aviso de “cuidado – minas”. Foi a altura de reanalisar a decisão de seguir o caminho indicado pelo GPS! Ter-me-ia enganado a colocar o destino? Haveria alguma outra Mostar que não aquela a que me pretendia dirigir? Reintroduzi o destino no GPS, assegurei-me de que só havia uma Mostar no mapa da aplicação. O GPS continuou, imperturbável (como as máquinas são…), a indicar que o melhor percurso era prosseguir em frente. Refleti um pouco. Os locais onde haveria ainda minas estavam devidamente assinalados e situavam-se fora da estrada. Desde que me mantivesse nesta, não deveria haver problema. O caminho estava visivelmente deteriorado, mas, afinal eu já verificara que atravessava uma zona que sofrera uma guerra e ainda não estava recuperada dos estragos. E, afinal, já por várias vezes o GPS me indicara caminhos com troços em mau estado, mas que depois voltavam a ser boas ou razoáveis estradas. Decidi prosseguir.

Porém, trezentos ou quatrocentos metros adiante, subitamente… deixou de haver estrada. Um matagal obstruía completamente o caminho. Sai do carro e fui ver mais de perto. Logo atrás do matagal, e encoberto por este, vi um novo aviso de “cuidado – minas”. Só que agora não estava do lado da estrada. Daí para a frente, a estrada, a vereda, já não era mais do que… um campo de minas!

Claro que fiz inversão de marcha, refiz de volta toda a estrada secundária e, ignorando o GPS, retomei a estrada principal! Uns quilômetros mais à frente, no alto de uma elevação, parei para apreciar a paisagem e tirar umas fotos. Foi então que vi um letreiro, em madeira, virado para o território de onde vinha, escrito em língua local, mas percebendo-se bem que o seu significado era qualquer coisa como: “Está a entrar na Republika Srpska”. Tinha atravessado o território dos independistas sérvios da Bósnia, uma das zonas de maior ferocidade da guerra civil decorrente do desmantelamento da antiga Iugoslávia! A tal estrada secundária que acabou obstruída por um campo de minas atravessava o cerne dessa zona de guerra. Os sérvios da Bósnia foram vencidos nesse conflito e, vinte anos depois, a zona estava abandonada, ou quase, e sem preocupação da sua recuperação – e limpeza de minas! – por parte dos vencedores. Ai dos vencidos…

Mais tarde, procurei apurar o que causara aquela informação errada da aplicação de GPS. Tinha baixado dois mapas diferentes da aplicação: o da Croácia e o da Bósnia-Herzegovina. Como é habitual, cada um dos mapas não se limita às fronteiras do respetivo país e tem ainda alguns quilômetros do território do país vizinho. Só que o mapa da Croácia, na parte do outro lado da fronteira, estava desatualizado mais de vinte anos e indicava ainda os percursos de antes da guerra!. Como só quando terminasse o alcance do mapa da Croácia é que a aplicação passaria a utilizar o (atualizado) mapa da Bósnia-Herzegovina, eu, vindo de Dubrovnik, fui, logo a seguir à fronteira direcionado para uma estrada que, antes da guerra, era o caminho mais curto e mais rápido, mas que já não o era e, em rigor, já não conduzia a nada mais do que a um campo de minas. No sentido inverso (de Mostar para Dubrovnik) não teria recebido essa falsa indicação, pois o mapa deste último país estava atualizado e indicar-me-ia a atual, segura e bem conservada estrada principal…

Este episódio simboliza as opções que temos de tomar na vida. Temos constantemente de escolher o caminho a seguir. Fazemo-lo em função das informações de que dispomos. Mas nem sempre acertamos. Porque, por mais ponderada que seja a nossa decisão, a informação em que se baseou não estava correta. Quando tal sucede, ainda que não desistamos à primeira dificuldade e perseveremos na nossa convicção, deveremos estar sempre atentos e não cair na obstinação. Quando os dados que formos recolhendo contrariarem inequivocamente os que fundamentaram a decisão, é tempo de arrepiar caminho!

Quando se verifica que se errou, não vale a pena chorar sobre leite derramado. Inverte-se a direção, toma-se outro caminho, e pronto.

Também é escusado – e contraproducente – recriminarmo-nos pelo erro cometido. Ao longo da nossa vida, tomamos centenas de milhar ou milhões de decisões. Não podem ser todas certas, todos temos o nosso quinhão de decisões que se revelam erradas.

Mas o que vale a pena, sempre que concluímos que tomamos uma decisão errada é analisarmos o que causou o nosso erro, o que nos levou à decisão que seria melhor não termos tomado. Só assim conseguimos evitar repetir sucessivamente o mesmo erro ou erros de idêntica natureza. Só assim nos aperfeiçoamos no nosso processo de tomadas de decisão. Por vezes, verificaremos que o erro é de nossa responsabilidade, que não atentamos devidamente nos dados da situação, que erramos no processo lógico de apreciação da mesma. Nalgumas ocasiões, porém, concluiremos que o erro não decorreu de culpa nossa, que resultou de circunstâncias que razoavelmente não poderíamos prever. Nesse caso, deveremos conformar-nos e entender que, por muito cuidadosos que sejamos, não conseguimos prever nem antever tudo. Devemos assim, aceitar humildemente as nossas limitações e aprender que é aconselhável, no nosso processo de tomada de decisão, dar um desconto para a imprevisibilidade, para a nossa incapacidade de tudo prever – aquilo a que um engenheiro meu conhecido dizia que incorporava no cálculo da capacidade das estruturas suportarem forças e tensões e a que chamava “coeficiente de cagaço”…

Somos humanos e, logo, imperfeitos. Aspiramos à perfeição, devemos esforçar-nos por nos aproximar dela o mais possível, mas sabemos que, por mais que nos aproximemos, nunca a alcançaremos.

Constantemente temos de escolher caminhos. Façamos sempre as nossas escolhas com ponderação de todos os elementos disponíveis, para errarmos menos vezes. Mas aceitemos que nos será sempre impossível acertar sempre. Porque, por muito cuidado que tenhamos, há sempre a possibilidade de algo nos escapar, de algo não conseguirmos prever. Por isso, embora nunca devamos desistir à primeira dificuldade, embora devamos persistir perante os obstáculos, nunca devemos ser obstinados, para que possamos reconhecer quando erramos a tempo de arrepiar caminho, remediar o erro e tomar nova direção.

A vida vive-se de muitos caminhos. Às vezes mais rápidos e diretos. De outras mais sinuosos e difíceis. De vez em quando conduzindo a becos sem saída ou levando-nos a desvios indesejados. Nunca nos esqueçamos que embora costumemos dizer que “para a frente é que é o caminho”, também temos de saber rodear obstáculos e, quando necessário, dar meia-volta e procurar outra solução. Mas – sempre! – procurando aprender algo com o que fazemos, sempre buscando tirar algo de bom do que de mau fazemos ou nos sucede. Afinal de contas, ao ter eu decidido seguir por aquela estrada secundária que me acabou por obrigar a voltar para trás, se é certo que perdi algum tempo na minha viagem, também pude viver um pouco de algo que felizmente nunca vivi e que espero nunca viver: estar numa zona que foi de guerra e verificar, ao vivo e a cores, com estes dois que a terra há de comer, a destruição que ela traz. Essa noção não a teria adquirido se não tivesse percorrido aquele caminho…

Autor: Rui Bandeira

Fonte: Blog A Partir da Pedra

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O augusto quadro, em particular

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“Mea culpa, mea maxima culpa” (Confiteor).

A maçonaria precisa se reinventar, começando por nossas Lojas. 300 anos de sucesso não é garantia de outro período de igual grandeza pela frente. Criticar o Grão-Mestrado, a Ordem em geral e não o augusto quadro, em particular, é muito cômodo. Do que adianta preocuparmo-nos com a distante floresta e deixarmos a árvore à frente de nossa casa secar-se.

Basta observarmos com mais cuidado. O irmão chega cumprimenta a todos os presentes e muitos mal se dão ao trabalho de retribuir o carinho, respondendo friamente e às vezes sem tirar a atenção do celular, o espírito obsessor do mundo moderno.

Outros fazem um meio termo, cumprimentam um, mas já se dirigindo ao irmão que está ao lado, sem pelo menos uma troca de olhar. Outros, sentados permanecem, apenas estendem a mão automaticamente, mantendo-se distraídos em supostos afazeres. Corpo presente e pensamento alhures. Empatia zero. Algo que destoa do que deveria ser uma fraternidade.

Há aqueles que chegam discretamente, ancoram-se em um irmão ou no seu canto e, ao final, saem sem trocar nenhuma palavra com os demais. Desaparecem, como num passe de mágica. Pelo menos apõem o ne varietur na folha de presença, o que já é um grande feito. Já mereceriam uma medalha ou diploma de reconhecimento. O direito de ser de cada um deve ser respeitado. O destino é feito de escolhas.

Por essas e outras, nos cansamos com frequência. Não apenas de irmos às nossas Lojas, mas de procurar uma justificativa para ali estarmos. Mais parece uma fadiga de inspiração. O grupo de WhatsApp da Loja costuma ser mais estimulante, mas nem todos participam e tem a turma do entra e sai quanto sente desconforto com os temas postados, classificados pela intelectualidade raivosa como: fascistas, comunistas, conservadores ou progressistas, primos, piadistas, sem graças juramentados etc.. Haja paciência!

Os legalistas defendem que o principal é o rigor com a ritualística dos trabalhos. Isso para não falar que em muitas oportunidades as sessões resvalam para um ritualismo vazio. Ok, ok, mas precisamos nos sentir bem no recinto, perceber que valeu a pena deslocar de nossas residências para estar ali presente, concluir ao término que saímos encantados ou com a sensação de que estamos melhores do que quando entramos.

Na maioria das Lojas não há espaço nas sessões para os Aprendizes e Companheiros se manifestarem naturalmente e tirarem suas dúvidas, aprender com as respostas e exemplos dos Mestres, que gozam do benefício vitalício da Plenitude Maçônica. (ver artigo https://opontodentrodocirculo.wordpress.com/2018/12/13/plenitude-maconica/).

Na realidade, encontramos com certa constância pessoas mal humoradas, que se fecham em copas, apáticas, cansadas ou cansativas, que servem apenas de antimodelo. Onde está o acolhimento? Onde está o debate sobre os valores maçônicos? A Ordem do Dia é rica e instigante? O quarto de horas de estudos é sempre preenchido com trabalhos ou instruções?

Olhamos para o Oriente e não vemos senão mais escuridão e nenhuma inspiração. Onde está a provocação sadia de iniciar um debate, com a palavra circulando quantas vezes forem o necessário para discussão de temas tão palpitantes da atualidade? O mundo se acabando lá fora e apenas o som do malhete repercutindo dentro das Oficinas? Será o receio de enfrentar opiniões divergentes tão saudáveis para formação de espírito crítico? Receio de que o ódio das redes sociais contaminem nossas Oficinas? E a tolerância? Só vale para os “outros”?

Enfim, como toda regra tem exceção e para nossa esperança, há aqueles que persistem na Ordem e respeitam o legado dos irmãos que nos antecederam e protegem esses valores e veem nesses exemplos nefastos um caminho a ser evitado, um desafio a ser vencido. São os abnegados, visionários, que veem a urgente necessidade de uma Coluna do Norte repleta de bons obreiros, que mostram aos iniciantes o caminho a ser trilhado, dando a sensação de que vale a penas investir na Maçonaria, de garimpar o seu tesouro oculto (ver artigo em: https://opontodentrocirculo.com/2019/08/22/o-tesouro-oculto-da-maconaria/).

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da Academia Mineira Maçônica de Letras, e para nossa alegria, também um colaborador do blog.

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Mito e Filosofia

O Ponto Dentro do Círculo

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Lições preliminares sobre as origens e as diferenças conceituais entre mito e pensamento filosófico tendo como base a cultura ocidental

Antes de buscarmos os conceitos e a diferença conceitual entre o mito e o pensamento filosófico, devemos afirmar como ponto de partida que somos descendentes da cultura ocidental, e como tal devemos estabelecer que o mito e a filosofia em questão são frutos das origens gregas, nosso escopo voltar-se-á, portanto, para estes. Cabe o esclarecimento, visto que os povos mais antigos do mundo, oriundos da cultura oriental, já buscavam explicações para a origem de tudo, valendo-se, não somente, de suas crenças e fantasias, mas, também, de especulações racionais. Dito isso, o que nos interessa é, portanto, – como filhos do ocidente – situar a diferença conceitual entre mito e filosofia dentro do contexto da Grécia antiga.

O Mito

É inevitável, ao falar da Grécia, vir à lembrança o termo “Mito”…

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El Numero Tres

O Ponto Dentro do Círculo

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La palabra TRES, deriva de la Lengua Latina “TRINUM” o “TIU­BIUM”, y es el primer número IMPAR, puesto que se, compone por la reunión de TRES UNIDADES; o de otro modo, del UNO y el DOS; que vienen siendo la UNIDAD y el primer Número PAR.

Históricamente sabemos que entre los antiguos pobladores, el TRES era el más Sagrado de los NUMEROS; aun cuando es una figura Aritmé­tica, a la que se le han atribuido algunas virtudes MISTICAS, al asegurar que es la base de los Signos de la PERFECION, y por eso vemos que en la Filosofía de PLATON se. le consideraba, como la Imagen del SER SU­PREMO en sus TRES personalidades: la Material, la ESPIRITUAL, y a Intelectual que es lo que tácitamente, determina a la UNIDAD HOMBRE, por cuya razón, tal vez ARISTOTELES llegó al convencimiento de que el TRES contiene en sí; al PRINCIPIO, al…

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Caritas est

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Introdução

“A caridade é a principal virtude social e a característica distintiva dos maçons.” William Preston (1742 – 1818)

Há um momento em que o candidato a fazer parte de nossos Augustos Mistérios é questionado sobre o que é a virtude para, logo após ouvida sua resposta, ser-lhe dito que “a virtude é uma disposição da alma que nos induz à prática do Bem”.

Nas instruções ministradas em Loja após a iniciação são abordadas as sete virtudes, quatro cardeais e três teologais, e sua prática comentada, incentivada, exaltada. Mas, afora aquela ocasião citada acima, são poucas as oportunidades em vimos o significado do que é virtude ser explanado.

Immanuel Kant (1724-1804) disse que a virtude não é aquilo que nos torna mais felizes, mas sim algo que nos torna dignos de ser felizes. Também afirmou que não existe virtude se suas ações são realizadas apenas porque estão na lei. Para Santo Tomás de Aquino (1225-1274) virtudes humanas são hábitos. E aqui encontramos a palavra-chave para compreendermos o que é virtude: hábitos.

Se o que fazemos o fazemos não porque a lei manda, mas porque temos o hábito de fazê-lo, sendo este uma verdadeira inclinação que nos induz para o Bem, então praticamos a virtude.

As sete virtudes e suas relações

Uma vez que a Temperança consiste em controlar os apetites do corpo; a Prudência é capacidade de ponderar sobre os meios para se atingir um fim; a Fortaleza é uma vitória sobre o medo, constituindo-se na capacidade de enfrentar os perigos, os males e a morte; e a Justiça significa retribuir a alguém aquilo que lhe foi tirado, o professor Rodrigo Peñalosa, em aula em que aborda o significado das sete virtudes, coloca as virtudes cardeais como próprias das relações humanas. Segundo o professor isso se dá porque:

  • Não há Temperança para com Deus, pois Ele não é um apetite sensitivo; ​
  • ​Não se admite ao homem ser prudente com Deus, pois Deus não é um meio; ​
  • ​Não há necessidade da Fortaleza para com Deus, uma vez que Ele não é um mal; ​
  • ​Não se exerce a Justiça para com Deus, pois Deus não erra e nem carece de justiça. ​

Por outro lado, de acordo com Peñalosa, as Virtudes Teologais dizem respeito às relações do Homem com a Divindade, uma vez que:

  • Fé é a certeza íntima da existência do Criador, para além da razão. Todo homem traz em si o sentimento inato de que há uma Causa Primeira​; ​
  • Se temos a fé em Deus e reconhecemos a imortalidade da alma, é racional que esperemos a felicidade futura. A Esperança é, portanto, uma emoção relativa ao homem e a Deus. É inata justamente porque sem fé não pode haver esperança; ​

Já a Caridade é a bondade suprema para consigo mesmo, para com os outros e para com o Ser Infinito.

A maior das virtudes

Tomás de Aquino definiu a caridade como “mais excelente que a fé e a esperança e, por conseguinte, que todas as outras virtudes”.

William Shaw (c. 1550-1602), em seus estatutos de 1598, determinava que os maçons devem “viver juntos caridosamente como convém a irmãos e companheiros jurados do Ofício”.

Na sua obra Esclarecimentos sobre maçonaria (1772), William Preston escreve que a caridade “além de incluir um grau supremo de amor ao grande Criador e Governante do universo é um afeto ilimitado pelos seres de sua criação, de todos os tipos e de toda denominação”. (grifo nosso).

Apesar de discursos inflamados e de cobranças a nossos aprendizes e companheiros, é notório como tal virtude tem faltado em diversos segmentos da sociedade, inclusive entre “entre irmãos e companheiros jurados de Ofício”.

Talvez tal fato ocorra por não sabermos lidar com o pensamento contrário, com as alteridades, com as escolhas, com o outro. Muitos são os que se acham os donos da razão, modelos a serem seguidos, como se apenas o seu modo de ver seja o correto, o que lhe dá então um suposto direito de atacar o próximo, alguns se valendo do anonimato das redes sociais, se esquecendo que “a verdade ainda está lá fora”.

Palavras distintas, amores diferentes

Na Antiguidade Clássica, os gregos empregavam palavras distintas para os diversos tipos de amor. Por exemplo:

  • Éros (ἔρος) representava a ideia de paixão sexual e desejo. Era visto como uma forma perigosa, ardente e irracional de amor que poderia dominar e possuir você. Envolvia uma perda de controle que assustava os Gregos. (INDIVIDUAL)​;
  • Storgí (στοργή) se referia ao mais benéfico dos afetos. Acontece especialmente com a família e entre seus membros, normalmente afeição (carinho) de pais aos filhos. (NÚCLEO FAMILIAR);
  • Filía (Φιλία) abrangia a amizade camarada profunda que se desenvolvia entre irmãos em armas que haviam lutado lado a lado no campo de batalha. Tinha a ver com demonstrar lealdade aos seus amigos, sacrificando-se por eles. (SOCIEDADE)​;
  • Por fim, agápi (ἀγάπη) era relacionada a ágape ou amor abnegado. É a transcendência total. O amor incondicional. É a bondade amorosa universal. Esse amor satisfaz porque é compartilhado e tem resposta entre todos aqueles que se reúnem para formar uma fraternidade de homens, mulheres e crianças. Agápi foi traduzida para o latim como caritas, que é a origem de nossa palavra “caridade”​.

O Amor

Agora que sabemos o conceito da palavra agápi, podemos desfrutar da riqueza do seu significado no que para nós foi apresentado como “amor” em alguns textos, como por exemplo  na 1ª Epístola de Paulo aos Coríntios, 13: 1-13:

1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. 2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. 3 E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.​ 4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece, 5 não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; 6 não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; 7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8 O amor nunca falha; mas, havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; 9 porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos.​ 10 Mas, quando vier o que é perfeito, então, o que o é em parte será aniquilado. 11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. 12 Porque, agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido. ​13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.​ (grifo nosso).

Conclusão

Entendemos assim que caridade é diferente de filantropia. Caridade não é benemerência. Caridade é amor; amor incondicional e puro. Caridade é o respeito ao direito do outro ter uma opinião diferente e mesmo assim eu saber respeitá-lo.

Me valho das palavras do professor Rodrigo Peñalosa quando ele diz que “muitos são os que se vangloriam da filantropia que fazem, mas se esquecem da Caridade que está lá no alto”. Sendo a virtude, segundo Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), a disposição adquirida voluntária, em relação a nós, na medida, definida pela razão em conformidade com a conduta de um homem ponderado, é hora de mudarmos esse comportamento e praticarmos a caridade em sua essência.

Autor: Luiz Marcelo Viegas
ARLS Pioneiros de Ibirité, 273 – GLMMG

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Referência

Este texto é baseado na aula 5 do professor Rodrigo Peñalosa na disciplina A Filosofia Maçônica: Valores, Virtudes e Verdades do curso de pós-graduação Maçonologia: História e Filosofia ofertada pela Uninter.

Outras referências

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco​

PRESTON, William. Esclarecimentos sobre maçonaria​

Bíblia Sagrada​

Ritual de Aprendiz – REAA – GLMMG​

As Virtudes Teologais: Fé, Esperança e Caridade. Disponível em: http://brasilfranciscano.blogspot.com/2014/08/as-virtudes-teologais-fe-esperanca-e.html​  Acesso em 12  de out. 18.

Virtude. Disponível em: https://sites.google.com/site/filosofiapopular/virtude-filosofia​ Acesso em 11  de out. 18.

SCHERER, Berta Rieg. A concepção de virtude em Kant. Disponível em: http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/Poiesis/article/view/642/600​ Acesso em 10  de out. 18.

Erevoktonos blogspot. Disponível em: http://erevoktonos.blogspot.com/ssearch?q=Φιλανθρωπία​ Acesso em 12  de out. 18.

A suprema excelência do amor. Disponível em: https://www.biblegateway.com/passage/?search=1+Cor%C3%ADntios+13&version=ARC​ Acesso em 12  de out. 18.

Você já experimentou as seis variedades de amor? Disponível em: https://www.melhorconsciencia.com.br/2014/01/voce-ja-experimentou-as-seis-variedades-de-amor/​  Acesso em 10  de out. 18.

O amor em seus quatros aspectos: Eros, Filos, Storgé e Ágape. Disponível em: http://vstorge.blogspot.com/p/blog-page_24.html​ Acesso em 11  de out. 18.

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