15º Sorteio Literário do blog

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A Passagem

Como lidar com as mudanças? - Psicólogos Berrini

Chama-se Passagem [1] à Cerimônia pela qual o Aprendiz adquire o estatuto de Companheiro, conferindo-lhe o segundo grau da Arte Real.

Tal como a Iniciação, a Passagem é um rito… disso mesmo: de passagem. Tal como aquela, tem os três tempos de um rito de passagem: de onde vens, o que és, para onde vais.

Mas, ao contrário da Iniciação, a cerimônia de Passagem deixa quase sempre no novel Companheiro um travo de desapontamento, uma sensação de que o que ocorreu foi menos do que o que o esperava.

Efetivamente, a Cerimônia de Passagem é muito mais simples e sóbria do que a Iniciação. Se pensarmos bem, deve sê-lo! A Iniciação marca a entrada num novo mundo, marca a transição da vida profana para a vivência maçônica. A Passagem assinala apenas o dobrar de uma etapa. Uma marca que, tendo o valor de assinalar um progresso, uma melhoria, um crescimento, no entanto o maçom que dela beneficia já deverá começar a perceber que é só uma pequena parte do muito caminho que ainda tem para percorrer, se quiser efetivamente atingir a plenitude das suas capacidades.

E, para que o maçom que passa de Aprendiz a Companheiro não tenha dúvidas nem ilusões sobre o pouco que andou e o muito que lhe falta percorrer… vai começar por se desiludir com a espartana Cerimônia de Passagem!

Não é só por esta razão que a Cerimônia de Passagem é tão simples. Porque ela é propositadamente simples, curta e sem enfeites!

A Cerimônia de Passagem não marca apenas uma mudança de estatuto, de grau, de Aprendiz para Companheiro.

A Passagem assinala sobretudo um novo estilo e objetivo de trabalho. Não uma mudança, porque o maçom não deve deixar de efetuar o trabalho que aprendeu a fazer enquanto Aprendiz para passar a fazer o tipo de trabalho do Companheiro. Não isso. Um maçom deve ser Aprendiz toda a sua vida maçônica. A Passagem assinala que, para além do trabalho que o maçom faz enquanto Aprendiz, deve, a partir de então, passar a executar também um novo tipo de trabalho.

A Passagem não é uma promoção. É um entregar de novas responsabilidades, a acrescer às que já se cumprem.

A Passagem não se destina, portanto, a impressionar, a marcar. A Passagem, pelo contrário, destina-se a enfatizar que o trabalho do maçom é sóbrio e persistente e cada vez mais profundo e variado. A Passagem não é uma festa. É apenas a entrega de um certificado de aptidão. A Passagem não é uma entrada na Mansão do Conhecimento Maçônico, é apenas a abertura de mais uma porta e o acesso de mais uma sala, para que o maçom, que anteriormente trabalhava apenas na sala dos Aprendizes… passe agora a trabalhar também na oficina dos Companheiros.

A Passagem deixará no maçom um travo levemente amargo da desilusão. Mas é para isso que serve. Para que o maçom perca as últimas ilusões que, sobre a Maçonaria, ainda guarde do seu passado de profano e confirme que o seu caminho é de trabalho. Mais trabalho.

Eu senti essa desilusão na minha Passagem a Companheiro. Eu, que já assisti e participei em dezenas de Cerimônias de Passagem, já vi dezenas de trejeitos de desilusão nas faces e nos olhos dos meus Irmãos. A alguns a desilusão é tanta e tão pesada que, mansamente, discretamente, se vão ausentando e decidem abandonar o caminho que os demais continuam a percorrer. Não é grave! Nem todos os Aprendizes chegam a Companheiros. Nem todos os Companheiros ascendem a Mestres. E seguramente que nem todos os Mestres virão a exercer o ofício de Venerável Mestre. É assim a realidade! Para alguns, o peso do trabalho é superior ao que se sentem com capacidade de suportar e arreiam. Também na Maçonaria a seleção é natural… Cada um percorre o seu caminho ate onde pode. Mesmo os que decidem parar a meio, já percorreram, pelo menos, uma parte do caminho. Esse ganho já é deles e ninguém lhes tira.

Não é por sadismo ou por inconsciência que se sujeita o maçom à desilusão, que se arrisca a sua desistência. É porque é necessário que essa etapa seja vivida. O novo trabalho que se acrescenta parecerá, para muitos, inútil e desnecessário. Mas não é nem uma coisa, nem outra. Porque com ele o maçom vai aprender que, para ser Mestre de si próprio, tem de ser um Homem completo. E que tem de se completar. De crescer e desenvolver-se harmoniosa e equilibradamente em todos os campos. Não apenas num ou em alguns. Sobretudo, não apenas onde e como gosta…

Para começar, tem uma desilusão… Mas, se efetivamente aprendeu bem o que tinha de aprender na coluna dos Aprendizes, cedo, logo, superará essa desilusão; cedo, logo, se lembrará que, em Maçonaria o que parece normalmente é diferente do que é e o que é normalmente é mais do que parece; cedo, logo, esquecerá a desilusão e olhará, atentará, meditará no que, espartana, simplesmente, lhe foi mostrado. E agirá em conformidade. E com isso completar-se-á.

Demorei muitos anos a perceber isto. Andei muito tempo a dizer e a escrever que o grau de Companheiro estava mal acabado, que era desinteressante, que era uma perda de tempo, enfim, uma quantidade de disparates que os mais antigos fizeram o favor de estoicamente suportar, sem me tirarem a possibilidade de descobrir por mim próprio como eram tão desajustados!

O ciclo reproduz-se com cada maçom que persiste! Desilude-se, interroga-se, observa, trabalha, evolui e… um dia percebe que era assim mesmo que tinha de ser e de fazer. Quando, finalmente, estiver pronto para perceber.

A cada novo Companheiro eu dedico três desejos: que cumpra o ciclo que eu e muitos outros antes de mim cumpriram e ainda muitos mais cumprirão depois dele; que, um dia, perceba, como eu percebi; que não necessite de tanto tempo como eu necessitei!

Autor: Rui Bandeira

Fonte: Blog A Partir Pedra

Nota

[1] – Cerimônia de Elevação

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O maçom Simón Bolívar: entre o mito e a verdade histórica – Parte III

Palomo é o companheiro de batalhas de Simón Bolívar - Cavalus

Maçonaria francesa, não americana

Aqui ainda temos que fazer mais reflexões. A primeira é que estamos tratando, não de uma sociedade patriótica americana no estilo dos Cavaleiros Racionais, mas de uma Maçonaria Francesa que logo terminaria, por um lado identificando-se como uma maçonaria bonapartista para o serviço e uso de Napoleão; e por outro está a origem e principal órgão da Maçonaria Escocesa da França. Maçonaria que não tem nada a ver com as lojas Lautaro Mirandistas ou San Martinianas, que da Maçonaria não tinha nada mais do que o uso da palavra Loja, porque nem em seus estatutos ou Constituições, nem em seus objetivos e recrutamento tinham a menor semelhança com a Maçonaria. Como é bem atestado, entre muitas outras coisas, pelo juramento de que os membros das “lojas” lautarinas tinham que tomar [61].

Por outro lado, a Maçonaria em que Bolívar entrou em  Paris  não tinha nada “americano” sobre isso. Apesar do que foi escrito por Vicente González Loscertales, que garante que Bolívar foi impregnado em Paris com ideias iluministas, as noções de independência, soberania popular, progresso e civilização, “o que o levou a se juntar à Maçonaria Americana em Paris, onde ele alcançou o grau de mestre”[62].

Se analisarmos a composição social dos 47 membros que compõem a loja de Santo Alexandre da Escócia no ano em que o nome de Bolívar aparece, encontramos o seguinte resultado: em primeiro lugar não há outros “americanos” além de Bolívar, que, no entanto, está registrado como um oficial espanhol. Todos os outros são franceses, exceto dois nobres venezianos e Manuel Campos, um nobre espanhol. Entre as profissões estão 10 militares, incluindo Bolívar, 6 advogados e homens de direito, 6 médicos e doutores da medicina (incluindo o regente da Faculdade de Medicina de Paris), 6 altos funcionários, 5 proprietários, 2 funcionários, empresários e músicos, respectivamente, e um de cada uma das seguintes profissões: rentista, pintor, acadêmico, marinheiro, senador…, bem como os três nobres mencionados [63]. Além   disso, é impressionante que na frente da juventude de Bolívar que   em 24 de julho de 1804 tinha completado vinte e um anos, há muitos aposentados ou ex-militares, ex-médicos, ex-advogados, ex-funcionários, ex-marinheiros, ex-magistrados. Assim, tendo em vista os componentes da loja e suas qualidades, parece que qualquer possível “conexão “americana está excluída.  Na loja de Bolívar destacam-se, entre outros, dois membros por suas obras e atividades posteriores, os dois graus 33: Conde Antoine Thory [64] e Auguste de Grasse Tilly [65].

Américo Carnicelli também disponibiliza um novo documento intitulado “Lista nominal dos Mazones [sic] de altos graus que são conhecidos em diversos órgãos no mês de abril de 1824”, feito pelo Grão-Comandante M. Ilt. José Cerneau [66]. Há um total de 84 supostos maçons em posse do 33º grau.  Nesta lista está Simón Bolívar na 58ª   colocação.  Outras listas seguem com notas 32 e 30. Trata-se de um documento sem papel timbrado ou selo oficial, que pertencia ao herói José Félix Blanco, e que hoje está em Caracas no Arquivo Geral da Nação [67].

Pessoalmente, penso que o valor histórico deste documento é bastante escasso, se não nulo, embora o tenha do ponto de vista do testemunho. Apresenta uma extraordinária semelhança com as numerosas listas de supostos maçons que existem entre os papéis reservados de Fernando VII do Arquivo do Palácio Real de Madrid, e que foram feitas pela polícia com base em presunções, denúncias, suspeitas, etc. Curiosamente, Seal-Coon em seu já citado e prestigiado trabalho intitulado Simón Bolívar Maçom descarta este documento que ele nem sequer menciona, apesar de usar Carnicelli como uma de suas principais fontes de informação.

Nelson Martínez vai mais longe em seu Simón Bolívar quando diz que, desde que deixou a Europa, trabalhou fora das decisões de “uma maçonaria cujo aparelho e mistério não parecem atraí-lo” [68]. Na verdade, Bolívar não aparece  mais em nenhuma outra pousada europeia ou americana. O próprio Carnicelli, que usa tanta documentação maçônica, embora nem sempre aponte as fontes, é incapaz de nos dizer uma única loja americana na qual Bolívar está listado como membro. E quando ele fornece a Lista de Maçons de 1809 a 1828 [69] ele não pode deixar de apontar para Simon Bolivar, Libertador, como um membro da loja St. Alexandre da Escócia em Paris, sendo o único que não aparece em Pousada americana.  Que é um reconhecimento indireto de sua não atividade maçônica na    terra que ele libertou ou se tornou independente. Em outras palavras, diante de um ou dois anos de militância maçônica em Paris, estamos enfrentando 25 ou 26 anos depois de afastamento maçônico, ou pelo menos de nenhuma notícia de participação direta.

Testemunho que coincide com o que o ajudante de campo de Simón Bolívar, Louis Perú de Lacroix escreve em seu Diario de Bucaramanga.  Lá ele diz que o Libertador confessou a ele: primeiro que ele tinha se tornado um maçom em Paris; depois disse que     abandonou a Maçonaria porque ele não encontrou nada de novo nela, apenas repetições insubstanciais [70].

Continua…

Autor: Jose Antonio Ferrer Benimeli

Fonte: REHMLAC

*Clique AQUI para ler a primeira e a segunda parte do artigo.

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Notas

[61] – La fórmula del juramento del segundo grado era la siguiente: “Nunca reconoceré por gobierno legítimo de mi patria sino a aquel que sea elegido por la libre y espontánea voluntad de los pueblos; y siendo el sistema republicano el más adaptable al gobierno de las Américas, propenderé por cuantos medios estén a mi alcance, a que los pueblos se decidan por él”. Mitre, Historia de Belgrano, vol. II, 213.

[62] – Vicente González Loscertales, “Bolívar: El hombre y el mito”, Historia 16 87 (julio 1983): 50.

[63] – No deja de ser curioso, pero así figuran en el Cuadro: de profesión, noble. Biblioteca Nacional de París. Gabinete de Manuscritos. Fondo F.M.2 100 bis. Dossier 3.

[64] – El historiador Antoine Thory es autor de Annales originis magni Galliarum O. ou Histoire de la fondation du Grand Orient de France et des révolutions qui l’ont précédée, accompagnée et suivie, jusqu’en mil sept cent quatre vingt dix neuf, époque de la réunion à ce corps de la Grande Loge de France, connue sous le nom de Grand Orient de Clermont ou de l’Arcade de la Pelleterie (París: Dufart, 1812) que posteriormente adoptó el título de Acta Latomorum ou Chronologie de l’Histoire de la Franche-maçonnerie française et étrangère (París: Dufart, 1815).

[65] – El conde Auguste de Grasse-Tilly, capitán de artillería, comisionado por el Supremo Consejo de Charleston, tras su estancia en las Antillas, desembarcó en Burdeos a comienzos de julio de 1804. Poco después está ya en París como propagandista y difusor del rito escocés antiguo y aceptado, fundador del Supremo Consejo del Grado 33 y miembro de la logia San Alejandro de Escocia. En 1806 lo encontramos en Italia, en 1809-1811 en España y en 1817 en Bélgica, según Carnicelli, Díaz y Pérez y Clavel. Carnicelli, La masonería, tomo I, 43; Nicolás Díaz y Pérez, La Franc-Masonería Española (Madrid: R. Fe, 1894), 211-213; F.T.B. Clavel, Histoire Pittoresque de la Franc-Maçonnerie et des Sociétés Secrètes anciennes et modernes (París: Pagnerre, 1843), 206 y 241.

[66] – De este mismo autor se conoce una obra titulada Senda de las luces masónicas (New York: Wingslang, 1821).

[67] – Archivo General de la Nación (Caracas). Papeles del prócer José Félix Blanco. tomo I, no. 298.

[68] – Nelson Martínez, Simón Bolívar, 16.

[69] – Carnicelli, La masonería, tomo II, 374-376.

[70] – Luis Perú de Lacroix, Diario de Bucaramanga (Caracas: Ed. de Nicolás E. Navarro, 1935), 77. Luis Perú de Lacroix, nacido en Francia el 14 de septiembre de 1780 en realidad se llamaba Luis Gabriel Juan de Lacroix Peroux, según Seal-Coon, y descendía de un linaje distinguido. Su biografía, según el mismo autor, se resume así: Sirvió de oficial en el ejército de Napoleón pero con la restauración de Luis XVIII tuvo que huir a las Antillas donde se unió al corsario francés Luis Aury en 1814. Este operaba bajo bandera mejicana y conquistó a los españoles la isla Old Providence. Establecido allí nombró a Lacroix comandante general, y Secretario de Estado de su “gobierno”. Por este tiempo Lacroix adoptó una forma españolizada de sus nombres y apellidos. Aury murió en agosto de 1821 y entonces Perú de Lacroix ofreció sus servicios a la nueva república de Gran Colombia y fue enviado a Cartagena; luego encontró a Simón Bolívar con quien trabó amistad y fue condecorado por él en Bucaramanga donde escribió su famoso Diario de Bucaramanga. Elevado a general en 1830 fue llamado por Manuela Sanz, la querida de Bolívar en noviembre del mismo año, para que acudiera a San Pedro Alejandrino, Santa Marta, pues Bolívar quería verle. Llegó pocos días antes del fallecimiento de El Libertador. El otoño siguiente Perú de Lacroix fue exiliado por el gobierno anti-bolivariano y se marchó de Bogotá para Jamaica. En 1833 estaba en Caracas y en julio de 1835 se puso a la cabeza del movimiento rebelde reformista. Fue derrotado y Perú de Lacroix abandonó Venezuela y su familia, refugiándose en Francia. En París, a la edad de 56 años se suicidó. Seal Coon, “La isla de Jamaica y su influencia masónica en la Región”, en Masonería española y América, coord. Ferrer Benimeli (Zaragoza: CEHME, 1993), tomo I, 219.

O ritual maçônico é uma inovação

CriminalCyprus

Quando o Venerável Mestre é perguntado, em sua instalação, se ele concorda que um homem ou qualquer corpo de homens, não podem fazer mudanças no corpo da Maçonaria, é importante compreender que isto se refere a preservação da estrutura organizacional da Ordem maçônica e não a seus rituais cerimoniais. Mais de um Grão-Mestre tentou aplicar esta advertência para o ritual maçônico em si. No entanto, uma breve análise do desenvolvimento dos rituais e suas muitas formas através do panorama das jurisdições maçônicas, vai mostrar rapidamente que esta pergunta veio das Old Charges e não tem nada a ver com os aspectos ritualísticos da nossa fraternidade. Nossos fundadores nunca tiveram a intenção de que os rituais cerimoniais permanecessem estáticos. A proibição de renovação não se aplica ao ritual maçônico, enquanto que esta é a única base sobre a qual toda a Luz da Maçonaria é transmitida e revelada.

Ainda que a Grande Loja Unida da Inglaterra insista que “a antiga e pura Maçonaria consiste em apenas três graus, incluindo o Santo Real Arco” o que é historicamente impreciso, as Grandes Lojas sempre tiveram o direito de decidir por si mesmos, como os seus rituais serão.

O único “antigo e puro” ritual maçônico no mundo é o ritual que existia em 1717, quando a primeira Grande Loja foi formada. Nós sabemos como foi aquele ritual porque ele foi amplamente publicado nos três primeiros manuscritos maçônicos, na forma de catecismos ainda existentes, em relação ao período de 1696-1715, os quais vieram da Escócia. O que é surpreendente sobre estas revelações é que elas encontraram o caminho para serem usados e adotados pelas lojas inglesas. Mais importante é que encontramos neles a maior parte do alicerce sobre o qual todos os rituais maçônicos foram erguidos mais tarde – a posição dos pés, a menção do “aprendiz” e “companheiro”, os cinco pontos do companheirismo, a menção do compasso, esquadro e Bíblia no mesmo contexto, o átrio do Templo do Rei Salomão, o sinal penal, existem muitas coisas para reconhecermos ali. É mais do que coincidência encontramos essas características em comum em todos estes catecismos antigos.

Um outro ponto é extraordinário em todos estes trabalhos: Graus não são mencionados. Quando a primeira Grande Loja no mundo foi criada, havia apenas a cerimônia de fazer um Maçom “Aceito” e a “Função do Mestre”. Na verdade, não temos nenhuma evidência de um sistema de três graus, ou de um terceiro grau, antes da famosa exposição de Samuel Pritchard intitulada de “A Maçonaria Dissecada”, publicado em 1730.

Isso faz com que o grau de Mestre Maçom na Maçonaria seja uma inovação!

Historiadores importantes concordam que o terceiro grau foi introduzido na Maçonaria em torno de 1725. Tornou-se popular ao longo das próximas duas décadas, principalmente porque os maçons adotaram a exposição de Pritchard como uma ajuda ao trabalho de memória. Sua obra não autorizada, se tornou o primeiro monitor maçônico e seria por décadas, o livro de rituais não oficial dos maçons. É também a primeira menção que temos da lenda de Hiram.

Ninguém sabe de onde essa história veio, mas supõe-se que Desaguiliers pode ter sido o autor, sendo Grão Mestre em 1719 e Vice-Grão Mestre em 1722 e 1726. Este foi o período em que o terceiro grau foi introduzido nas cerimônias da primeira Grande Loja. A lógica sugere que Desaguliers e seus irmãos maçons da Royal Society, poderiam ter sido os responsáveis. Certamente, nada poderia ter sido introduzida sem a sua aprovação. Na verdade, o Craft mudou drasticamente, enquanto Desaguliers estava em cena. A Grande Loja passou de um banquete anual para um órgão administrativo, com atas e orientação política para lojas, incluindo a estrutura de seus graus.

Se Desaguiliers e seus amigos de fato foram os autores do terceiro grau, voltaram a Maçonaria para um novo caminho. Em 1730, a cerimônia que conhecemos como Real Arco foi desenvolvida, a que reviveu uma história do grego antigo que data do ano 400. Em 1735, o Rito de Perfeição, consistindo de 14 graus, foi introduzido, estabelecendo uma cronologia bíblica para a estrutura do ritual maçônico. Tanto o Real Arco quanto o Rito de Perfeição, inovadores como eram, foram declarados pelos membros como “restabelecimento” da maçonaria antiga, porque eles automaticamente transmitiam uma face artificial da idade do grau ou da ordem. Depois de alguns anos, até os historiadores da Grande Loja estavam escrevendo que estes graus adicionados eram restaurações de um sistema mais antigo. Tornou-se moda acreditar que não havia nada mais inovador do que eles!

Claro que todos os novos graus/ordens foram adotados em uma única premissa – a que havia sido perdido no terceiro grau, tinha que ser encontrado. Por esta razão, todos eles apresentam uma semelhança surpreendente na estrutura e todos mostram que os sinais são provenientes da mesma fonte, com a mesma regularidade em sua forma. Mesmo com graus adicionais desenvolvidos, eles mantiveram uma estrutura “tradicional”.

Esta semelhança na estrutura é mais uma prova de que os nossos graus maçônicos, foram na verdade, criados em uma onda de moda. Todos eles insinuam que há grandes segredos para serem encontrados pelo maçom dedicado. E, de fato, existem.

Ao mesmo tempo que os graus e ordens foram crescendo aos trancos e barrancos, tanto no Rito de York quanto no Rito Escocês, ritualistas maçônicos nas lojas do Craft, continuaram a adicionar a linguagem dos três primeiros graus, acrescentando solidez à sua forma. Durante a segunda metade do século 18, um crescimento intelectual extraordinário foi adicionado ao velho conceito de “pura e antiga”, nos simples catecismos de 1717. Na verdade, o desenvolvimento e expansão do ritual, continuou a estar na moda como um dos meios de educar o Craft até a década de 1820.

Realmente foi criada uma escola de educação que prosperou por quase um século até as Grandes Lojas, principalmente as dos Estados Unidos, que determinaram que deveria haver apenas um ritual, aquele adotado por eles e todo o resto não importava. As Grandes Lojas dos EUA estabeleceram mais uma inovação na Maçonaria, que o ritual fosse imutável. Eles decidiram por si mesmos que a Maçonaria pura e antiga era a sua Maçonaria somente. O ritual maçônico se tornou uma coisa fixa e estagnada.

Esta inovação do século 19 pode ter marcado o início do declínio na Maçonaria. Foi durante essa época que as Grandes Lojas decidiram coletivamente, que não havia nada mais a ser aprendido no ritual maçônico. Nossas palavras foram congeladas no tempo.

Agora eu quero saber se é hora de criarmos mais uma inovação na Maçonaria, o de educar os maçons de que o uso ritual deve ser um processo dinâmico, assim como a aprendizagem é dinâmica. Claro, nós não precisamos adotar mais palavras. Mas leve em consideração como instrutivo seria se a diversidade de rituais fosse introduzida como uma ferramenta adicional para instrução, se rituais alternativos já adotados em outras jurisdições em todo o mundo, poderiam ser utilizados por vontade da loja e sancionada pela Grande Loja. Imagine como emocionante e revigorante seria se tivéssemos dez ou doze diferentes rituais disponíveis para nós em cada grande jurisdição!

Talvez seja hora de fazer a Maçonaria da moda outra vez, tanto através da variedade de sua forma de ritual e no desenvolvimento de sua forma intelectual, onde palestras, ensaios e diálogos são compartilhados regularmente em loja, todos focados em iluminar a mente. Talvez os jornais mais instrutivos e informativos, poderiam se tornar uma parte dos monitores impressos da Maçonaria, não deve ser memorizado, mas para ser sancionado e publicado para o benefício daqueles que querem ter acesso a mais conhecimento nas formas de maçonaria. Aqueles que sabem que mais luz na Maçonaria não é a propriedade da Grande Loja, mas sim, do indivíduo e seus irmãos em sua busca coletiva de uma vida, a busca por aquilo que foi perdido nas palavras e seus significados.

Em práticas como essas, nós não devemos, mais uma vez exercitar a “pura e antiga” Maçonaria? Poderia ser apenas mais uma inovação digna de nosso antigo Craft.

Autor: Robert G. Davis
Traduzido por: Luciano R. Rodrigues

Fonte: O Prumo de Hiram

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O que está em cima é como o que está embaixo. O que está dentro é como o que está fora.

Plenitude Maçônica

O Ponto Dentro do Círculo

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O Maçom prega a tolerância, pratica a caridade sem distinção de raças, crenças ou opiniões e luta contra a hipocrisia e fanatismos (sabedoria maçônica)

A Cerimônia Magna de Exaltação se realiza quando o obreiro, após o privilégio de ser acolhido na Ordem, cumprir com denodo os trabalhos como Aprendiz e Companheiro, e mostrar-se um líder, faz jus ao reconhecimento do Grau de Mestre Maçom, considerado a conquista do ápice do simbolismo da Maçonaria, como o coroamento de um período de estágio.

Com a exaltação, o Mestre adquire a tão esperada Plenitude Maçônica, que enseja um forte significado e não se traduz em pavonear-se ao exibir a boniteza do seu novo avental. Implica ser, a partir de então, protagonista, proativo e estar sintonizado com todos os movimentos da Maçonaria Universal, fazendo-se respeitado e reconhecido como Mestre, na Ordem e na Sociedade. Deve assumir a responsabilidade pelos trabalhos da sua Oficina, com…

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A Mulher, a Maçonaria e os Direitos Fundamentais – Parte II

O Ponto Dentro do Círculo

Os Direitos Fundamentais na Constituição de 1988

Os direitos fundamentais estão consagrados na Constituição Federal de 1988 no Título II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais, abrangendo no Capítulo I os direitos e deveres individuais e coletivos (art. 5º da CF); no Capítulo II os direitos sociais (art. 6º ao 11 da CF), no Capítulo III os direitos da nacionalidade (arts. 12 e 13 da CF); no Capítulo IV os direitos políticos (art. 14 ao 16 da CF); e no Capítulo V os partidos políticos (art. 17 da CF).

Todavia, necessário esclarecer, tratar-se o Título II de um rol meramente exemplificativo. Isso porque existem outros direitos fundamentais alocados em toda a Constituição. O Título VIII da Constituição Federal, atrelado à ordem social, por exemplo, não há sombra de dúvidas, trata de direitos fundamentais, pois nele estão previstas normas relativas ao direito ao trabalho e seguridade social (art. 193 ao 195 da CF); à saúde (art. 196 ao 200 da CF); à previdência social (arts. 201 e 202 da CF); à…

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A Mulher, a Maçonaria e os Direitos Fundamentais – Parte I

O Ponto Dentro do Círculo

Declaration of the Rights of Man and of the Citizen Painting by  Jean-Jacques-Francois Le Barbier

O presente trabalho analisa a relação da mulher com a maçonaria no horizonte da efetiva tutela dos direitos fundamentais, com ênfase nos direitos à igualdade, liberdade de crença e autonomia da vontade. Em última instância, procura-se demonstrar que a conclusão racional acerca da constitucionalidade da exclusão da mulher dos quadros da maçonaria perpassa a hermenêutica e argumentação jurídicas.

Introdução

A Maçonaria costuma estar envolta em muitos mistérios, sobretudo, quando se fala na impossibilidade de participação da mulher em seus quadros, pois as explicações costumam encontrar-se carreadas de argumentos místicos, filosóficos e religiosos. Contudo, sob o prisma Constitucional, dos direitos fundamentais e da teoria da eficácia horizontal dos direitos fundamentais, referido impedimento pode, pelo prisma de alguns, violar dados direitos.

A proposta deste trabalho é analisar esse fato frente à efetiva tutela dos direitos fundamentais, com especial a atenção ao direito à igualdade, à liberdade de crença e à autonomia da vontade, tendo como paradigma a teoria da eficácia horizontal dos direitos fundamentais.

Inicialmente, discorre-se sobre a Maçonaria, quando se…

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O maçom Simón Bolívar: entre o mito e a verdade histórica – Parte II

Geopedrados: Simón Bolívar nasceu há 238 anos

Bolivar, maçom. Sua iniciação

Deixando de lado as características políticas e não maçônicas das lojas Lautaro, Cavaleiros Racionais ou o que você quiser chamá-los, e ignorando até o fato não comprovado de que Bolívar tinha seus contatos com ditos cavaleiros racionais em Cádiz ou Londres, por curiosidade ou convicção. A verdade é que Bolívar, algo que não pode ser provado no caso de Miranda[42], pertencia à Maçonaria europeia pelo menos durante sua breve estada em Paris nos anos 1804-1806.

Ao dispensar as hipóteses de trabalho mais ou menos sugestivas, se nos atermos à documentação maçônica preservada, Simón Bolívar foi iniciado na Maçonaria, embora não se saiba onde. Já que o primeiro documento nos é apresentado no ato de receber o grau de Companheiro Maçom, ou seja, do segundo grau. Trata-se de um documento manuscrito do qual falam Carnicelli e Seal-Coon[43], de propriedade do historiador venezuelano Ramón Díaz Sánchez, que certificou sua origem e titularidade antes de depositá-lo no Conselho Supremo do Grau 33 da República da Venezuela.

O documento em questão diz o seguinte:

À Glória do Grande Arquiteto do Universo. No dia 11 do 11º mês do ano da Grande Luz 5805 [44] as obras do Companheiro foram abertas a Leste pela R. hº de la Tour d’Auvergne, a Oeste e a Sul sendo iluminadas pela RR. H H. Thory e Potu. Feita e sancionada a leitura da última última prancha traçada, o Venerável propôs elevar o patamar de Companheiro ao Hº Bolívar recentemente [45] iniciado, por causa de uma viagem que se aproxima que está em vésperas de empreender. Tendo sido a opinião dos irmãos unânime em sua admissão e escrutínio favorável, hº Bolívar foi introduzido no templo, e após as formalidades de rigor prestou a costumeira obrigação ao pé do trono, situado entre os dois Vigilantes, e foi proclamado cavaleiro Companheiro Maçom da R. Loja Madre Escocesa de Santo Alexandre da Escócia. Este trabalho foi coroado com uma tripla aclamação (hurra) [46] , e o hº tendo dado graças tomou lugar no topo da Coluna do Meio-dia.

Os trabalhos foram encerrados da maneira usual

Em seguida, vêm oito assinaturas, incluindo a de Simón Bolívar. Este é um excerto das atas da Loja Santo Alexandre da Escócia [47], localizada em Paris “no subterrâneo (porão) do boulevard Poissonnière” segundo Coen-Dumesnil e na rua Coq-Heron, segundo Jacques Simon [48]. Nesse excerto se diz que o Venerável se propõe a subir à categoria de Companheiro o Irmão Bolívar, recém-iniciado, por causa de uma viagem que está prestes a fazer. Acrescenta que, após as formalidades exigidas, Bolívar foi proclamado cavaleiro Companheiro Maçom, tomando lugar no topo da coluna do meio-dia. Estamos diante de um ato ou documento maçônico datado do 11º mês do ano da Grande Luz 5805, que equivale a janeiro de 1806 da Era Vulgar, se levarmos em conta que o calendário maçônico começa no mês de março[49].

Além disso, temos outro documento em versão dupla (manuscrita e impressa) em que Bolívar já aparece como Mestre, ou seja, um grau superior. No entanto, este novo documento é datado de 1804, um ano antes. É a “Tabela Geral dos Membros que compõem a Respeitável Loja Escocesa de Santo Alexandre da Escócia, a Leste de Paris” desde o ano da Grande Luz 5804, a Restauração 5564 e a Era Vulgar do ano 13. Em outras palavras , o ano de 1804 e 13 da Revolução.

Uma possível explicação para esse descompasso na datação de ambos os documentos pode ser devido ao fato de este último se referir não apenas a 1804, mas também a 1805, pois não especifica o dia nem o mês, que estão em branco. Este poderia ser um título ‘padrão’ em que os dados precisos, incluindo a correção do ano, não foram preenchidos, como às vezes é o caso com os formulários de hoje. Além disso, pode ser a tabela de 1804 à qual novos dados de 1805 foram adicionados, como também costumava ser o caso. Em todo caso, trata-se de outro documento autêntico, conservado na Biblioteca Nacional de Paris, na coleção maçônica do Gabinete de Manuscritos [FM 2 . 100 bis, Dossiê 3].

Nela aparecem dois nomes: Emmanuel Campos “nobre espanhol, Mestre Maçom” e Simón Bolívar “oficial espanhol, Mestre Maçom”. A título de curiosidade, deve-se acrescentar que esta é a única “lista” em que aparece o nome de Bolívar. A coluna correspondente não inclui as assinaturas regulamentares de nenhum dos dois, nem de Campos, nem de Bolívar. Isso significa que não compareceu à reunião realizada ou à reunião maçônica de final de ano (geralmente em 27 de dezembro, dia de São João) para registrar suas assinaturas no documento em questão; ou que esses dias estiveram ausentes de Paris. Pelo menos, no que diz respeito a Bolívar, sabemos que a urgência em receber o graus de Companheiro se deveu a uma viagem iminente que ele teve que fazer, e que de fato o fez, seja no ano de 1804 ou no ano de 1805 .

De fato, Bolívar, que tinha grande admiração por Napoleão como símbolo de liberdade e glória, experimentou grande decepção em consequência de sua auto coração como imperador na catedral de Paris em 2 de dezembro de 1804 [50]. O fato de Napoleão estar com a coroa imperial quebrou em Bolívar o mito que se forjava em torno de sua figura:

Eu o adorei como o herói da República, como a estrela brilhante da glória, o gênio da liberdade. No passado eu não sabia de nada igual a ele, nem o futuro prometia produzir algo semelhante. Ele se tornou imperador, e daquele dia em diante eu o considerei um tirano hipócrita, uma desgraça para a liberdade e um obstáculo para o progresso da civilização. [51]

Essa decepção foi agravada quando, alguns meses depois, em 15 de agosto de 1805, em Milão, Napoleão voltou a se coroar, desta vez como rei dos italianos. Bolívar também se encontrava na Itália, evocando as glórias da República Romana e, tendo como testemunha seu tutor Simon Rodriguez, fez no Monte Sacro em Roma seu famoso juramento:

“Juro pelo Deus de meus pais, juro por eles, juro pela minha honra e juro pelo meu país que não darei descanso ao meu braço, nem descanso à minha alma, até que tenha quebrado as correntes que nos oprimem pela vontade do poder espanhol.” [52]

Embora o documento que o atesta ainda não tenha sido localizado, o mais provável é que pouco depois de ter sido admitido ao posto de Companheiro tenha recebido, e pelo mesmo motivo, o de Mestre, pois com este grau – e não com o como um Companheiro – aparece na lista acima mencionada de membros da Loja Santo Alexandre da Escócia . Provavelmente, e como se fala de ter sido iniciado recentemente, Bolívar recebeu os três graus (Aprendiz, Companheiro e Mestre) com pouca diferença de tempo na mesma loja parisiense. Pois bem, se tivesse sido iniciado em outra loja, a cerimônia de recepção da grau de Companheiro – relatada no documento do historiador venezuelano Ramón Díaz Sánchez – teria que ser precedida do ato de filiação à loja em questão. Como não há alusão a ele, o correto é pensar que ele recebeu os três graus na loja parisiense de Santo Alexandre da Escócia com muito pouca diferença de tempo, possivelmente nos últimos meses ou semanas de 1805. Pérez Vila acredita que Bolívar, provavelmente, foi iniciado no início de dezembro, ou no final do mês anterior[53]. Miriam Blanco-Fombona, após examinar a documentação da Loja Santo Alexandre da Escócia na Biblioteca Nacional de Paris, acredita que Bolívar foi iniciado como Aprendiz em 27 de dezembro de 1805 [54].

Existe ainda um novo documento na Biblioteca Nacional de Paris intitulado “Quadro do hh. que compõem a R. Loja Mãe Escocesa da França, sob o título distintivo de Santo Alexandre da Escócia a Leste de Paris no ano da Grande Luz 5804 e 1805”, que vem a ser uma repetição da anterior, mas ordenado por graus maçônicos e no qual, a partir dos cavaleiros Rosa Cruz [55], são especificados os nomes de seis Mestres, entre eles Campos, um senhor espanhol e Bolívar, um oficial espanhol [56]. Eles são seguidos por um Companheiro, dois membros da Coluna da Harmonia, um membro honorário e três não residentes ao longo do ano.

Esta questão está ligada a outra dificuldade menor ou pequena anomalia das quadros em questão. E é que, de acordo com os Estatutos da Ordem Maçônica na França [57], publicado em 1806, era proibido receber o grau de Companheiro antes dos vinte e três anos e o de Mestre antes dos vinte e cinco anos. Por outro lado, a passagem de graus estava sujeita à assiduidade das lojas. Um Aprendiz não poderia ser recebido como Companheiro se não tivesse participado de pelo menos cinco sessões; o grau de Mestre só foi concedido ao Companheiro depois de justificada a sua participação em sete assembleias. Em suma, a presença nas reuniões maçônicas de um ano foi suficiente para alcançar a possibilidade de acessar o mais alto grau da Maçonaria Azul, ou seja, o de Mestre. No entanto, o militar – e este foi o caso de Bolívar – não só poderia ser iniciado antes dos 21 anos, como também os filhos dos maçons[58], assim como podiam, excepcionalmente, receberem mais de um diploma no mesmo dia quando sua partida era iminente. Ambas as circunstâncias ocorreram na pessoa de Simón Bolívar por ser militar e por ter que fazer uma viagem imediatamente. Na verdade, é sintomático que seu nome não apareça nos quadros dos membros da Loja de Santo Alexandre da Escócia antes de 1804 e 1805, nem nas posteriores[59]. No entanto, o nome de Emmanuel Campos aparece no quadro de 1806, um senhor espanhol de 24 anos, Mestre Maçom, que vivia na Rua Richelieu. Nesse caso, há a assinatura de Manuel Campos[60].

Continua…

Autor: Jose Antonio Ferrer Benimeli

Fonte: REHMLAC

*Clique AQUI para ler a primeira parte do artigo.

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Notas

[42] – Seal-Coon, “Maçonaria revolucionária hispano-americana. A alvenaria mítica de Francisco de Miranda ”, Ars Quatuor Coronatorum 94 (1981): 83-106. Seal-Coon, “The Mythical Freemasonry of Francisco de Miranda”, 107-126. Padrón Iglesias, “Maçonaria”, 13-20.

[43] – Carnicelli, Maçonaria , volume I, 121; Sean-Coon, “Simón Bolívar Freemason”, 231-248.

[44] – Na verdade, na terminologia maçônica, “o ano da Verdadeira Luz” é usado com mais frequência em vez de “Grande Luz”.

[45] – No original é usada a expressão nouvellement, que em espanhol tem duas traduções diferentes: de novo e recentemente . Seal-Coon em sua obra já citada Simón Bolívar maçom (233) usa a expressão recém-iniciado e sugere que ele pode ter sido iniciado em Cádiz. Mas além do fato de que devido ao contexto, a tradução correta é a de recentemente-também usado por Carnicelli- há outro erro em Seal-Coon: a alegada loja Caballeros Racionales de Cádiz ainda não havia sido fundada em Cádiz e também não pode ser entendida como uma loja maçônica, mas sim como uma sociedade patriótica; e sua adesão não implicava qualquer iniciação maçônica apropriada válida para a Maçonaria autêntica.

[46] – Na Maçonaria, a aclamação segue os tambores . Tambor é um rito que consiste em bater palmas um certo número de vezes, dependendo do grau em que este rito é praticado. Os veneráveis ​​e vigilantes costumam participar dos tambores batendo nos respectivos tacos em suas mesas. A aclamação é pronunciada pelos maçons em pé, a mão direita erguida e o braço estendido horizontalmente. Na Maçonaria francesa, existem duas aclamações tradicionais. O primeiro usa a fórmula vivat, vivat, sempre vivat-viva, viva, viva sempre-; a segunda, que ainda existe no rito escocês, é a tripla “houzzé” ou “houzza”. Esta última expressão é a utilizada no documento em questão. A origem desta palavra, “houzzé” ou “houzza”, ainda não está completamente esclarecida, apesar das obras de Lantoine. Segundo Delaunay ( Manuel maçonnique , Paris, 1821) e Vuillaume ( Manuel Maçonnique , Paris, 1820), significaria “Viva o rei”. Lantoine ( Le Rite Ecossais Ancien et Accepté , Paris, 1930) vê simplesmente uma distorção da velha exclamação inglesa “viva”. A bateria de alegria sempre foi feita em homenagem a um evento feliz para a loja ou um irmão, e era natural que os maçons escoceses usassem essa aclamação.

[47] – Carnicelli, Maçonaria , Volume I, 123-127. A reprodução fotográfica na página 129, e em Seal-Coon, Simón Bolívar , 233. Entre as assinaturas deste documento está a de Jeanne (Juana) de la Salle que liderou Iván Herrera Michel em sua obra La logia de Bolívar de Paris ( http://www.diariomasonico.com/historia/bolivar-y-la-francmasoneria) a um lamentável erro em acreditar que dita assinatura pertencia a um maçom e que portanto Bolívar recebeu o 2º e 3º graus na “prestigiosa loja mista St Alexandre da Escócia ”. No entanto, na foto da referida loja fica claro que Jeanne de la Salle é o sobrenome, e seu nome é Thomas, um ex-marinheiro que ocupou a posição de segundo diácono na loja.

[48] – Antoine Coen – Michel Dumesnil de Gramont, La Franc-Maçonnerie Écossaise (Paris: EE Figuière, 1934) 25-26. Jacques Simon, Histoire du Rite Écossais Ancien et Accepté en France. Tomo I: Des origines de la franc-maçonnerie à 1900 ( Paris: Dervy, 2019), 90.

[49] – A data maçônica usada, como o calendário maçônico não é uniforme, não é fácil especificar sua correspondência em nosso calendário gregoriano. A este respeito, Manuel Pérez Vila, “A experiência maçônica de Bolívar em Paris” em Visão diversa de Bolívar(Caracas: Ed. De Pequiven, 1984), 333-334, diz o seguinte: “Se o registro pertencesse a uma loja inglesa ou norte-americana de rito ortodoxo (o que não é o caso), não haveria dúvida: o 11º dia do O 11º mês do ano 5805 seria 11 de novembro de 1805, porque lá o ano maçônico começa na mesma época que o ano civil, em 1º de janeiro, e 4000 são adicionados ao ano para voltar ao que era então considerada a data da criação do mundo. Mas se o ato tivesse sido feito em uma loja francesa dependente do Grande Oriente da França, o 11º dia do 11º mês de 5805 corresponderia a 11 de janeiro de 1806, uma vez que essas lojas também acrescentaram 4.000 anos ao da era cristã, mas eles começaram o ano maçônico em março e não em janeiro. Mas como o ato relativo a Bolívar corresponde a uma loja escocesa de rito antigo e aceito, o assunto fica mais complicado, pois, além de somar 4.000 anos e iniciar o cálculo em março, os escoceses não necessariamente começam seu ano em 1º de março, mas seguem o calendário hebraico em que os meses são lunares, e não idênticos aos um ano para o outro, sendo necessário estabelecer uma tabela de equivalências. O máximo que se pode dizer é que o dia em que Bolívar foi promovido a companheiro na Loja Santo Alexandre da Escócia, em Paris, deve situar-se na primeira quinzena de janeiro de 1806”. Sobre sendo necessário estabelecer uma tabela de equivalências. O máximo que se pode dizer é que o dia em que Bolívar foi promovido a companheiro na Loja Santo Alexandre da Escócia, em Paris, deve situar-se na primeira quinzena de janeiro de 1806”. Sobre sendo necessário estabelecer uma tabela de equivalências. O máximo que se pode dizer é que o dia em que Bolívar foi promovido a companheiro na Loja Santo Alexandre da Escócia, em Paris, deve situar-se na primeira quinzena de janeiro de 1806”. Sobre Calendários maçônicos na Maçonaria , História Extra IV 16 (novembro de 1977): 134-136.

[50] – Bolívar estava em Paris quando Napoleão foi coroado imperador. Além disso, o embaixador espanhol convidou Bolívar a fazer parte de sua comitiva para presenciar a cerimônia na Catedral de Notre-Dame; mas não só ele recusou o convite, mas – de acordo com Villaurrutia – “ele se trancou em casa o dia todo.” Ramírez de Villaurrutia, A Rainha, 314.

[51] – Ramírez de Villaurrutia, La Reina , 313-314.

[52] – Nelson Martínez, Simón Bolívar, 18 anos.

[53] – Pérez Vila, A experiência , 334.

[54] – Miriam Blanco-Fombona de Hood, “Masonry and our Independence”, The American Repertory I (julho de 1979): 59-70.

[55] – Que são três: um Marechal do Império e dois Doutores em Medicina, os três oficiais do Grande Oriente da França.

[56] – Atualmente segundo tenente do Regimento da Milícia Voluntária Branca dos Valles de Aragua. Foi em junho de 1810 – seis anos depois – que Bolívar seria promovido a coronel das milícias. Porém, na filiação por ele cedida à polícia parisiense em abril de 1806, aparece como um “empresário domiciliado na Espanha”, embora na fornecida à pousada o faça como um “oficial espanhol”.

[57] – Statuts de l’Ordre Maçonnique en France (Paris, 1806), cap. XII, sec. VII, 205.

[58] – Observe aqui a influência de Napoleão Bonaparte na configuração do que acabaria sendo chamada de Maçonaria Bonapartista. Ferrer Benimeli, “A Maçonaria Bonapartista na Espanha”, in Formação Histórica da Maçonaria (Rio de Janeiro: Academia Brasileira Maçônica de Letras, 1983), tomo I, 102-165.

[59] – Como Demetrio Ramos coleta na biografia de Bolívar, alarmado com as tentativas de Miranda na Venezuela, ele decidiu retornar à sua terra natal. De Paris foi para Hamburgo, onde embarcou no final de 1806 em um navio neutro chegando a Charleston em 1º de janeiro de 1807. Ramos, Simón Bolívar , 38.

[60] – De Manuel Campos, que se apresenta como um ‘nobre’ ou ‘cavalheiro’ espanhol, pouco se sabe. Possivelmente foi iniciado por volta das mesmas datas de Bolívar, dada a ordem de inscrição na tabela lógica. Alguns anos antes localizei precisamente um Manuel Campos, capitão da Companhia Provisória dos Invalides estacionado na Alhambra e que recebeu o conde Aranda como prisioneiro em 29 de agosto de 1794 em consequência de sua demissão do cargo de Primeiro Ministro e o processo iniciado por Carlos IV a pedido de Godoy. Mas não é possível ser a mesma pessoa porque se Manuel Campos tinha 24 anos em 1806, deveria ter doze em 1794. Rafael Olaechea e Ferrer Benimeli, El Conde de Aranda. Mito e realidade de um político aragonês (Zaragoza: Ibercaja, 1998) 376.

Maçonaria hoje: o antigo e o moderno

Desvendamos todos os segredos e tradições da maçonaria em Jaraguá do Sul

A maçonaria é uma instituição que tem bases antigas e, ao mesmo tempo, gera modernidade. Pode-se dizer que é um atanor onde o antigo e o moderno, se relacionam de uma maneira harmoniosa e natural, baseadas, essas relações, em leis universais que a mente estudiosa, observa, estuda e aprende a usar para a glória do Grande Arquiteto do Universo e para o bem da humanidade. Essas bases antigas, normalmente, se sustentam sobre os chamados bons costumes, assim como sobre as normas que, desde tempos remotos, permitem a convivência entre os seres humanos, sua evolução e desenvolvimento, dentro da maior harmonia, além das diferenças que existem entre todos, incluso, em relação com o ambiente que lhes rodeia.

É assim como, ao longo do tempo, seus membros, indistintamente de sua oficina, rito, idioma, cultura, educação acadêmica e idade, vão criando obras ao serviço dos seres humanos, indistintamente do tempo e o espaço. Obras em quase todas as atividades, desde as ciências até a filosofia. Não há uma atividade relacionada, como as chamadas ciências e artes liberais, que não há sido tocada pela mão, mente e coração de um maçom. Todos os desenvolvimentos, em todas as áreas, estão relacionados ou são produto dos aportes que esses maçons deram à humanidade, juntando o antigo com o moderno em cada uma dessas obras, da forma como a maçonaria ensina, como uma Arte Real, onde o justo e o perfeito se enlaçam, se fundem, se combinam, mostrando as maravilhas produzidas pela harmonia dos elementos que existem tanto acima como embaixo.

Conhecer e dominar isso é parte do trabalho maçônico universal que, nestes tempos, deveria ser parte fundamental em cada oficina. Esse processo de relacionamento entre o antigo e o moderno deve partir do conhecimento das bases fundamentais e da prática delas no dia a dia, em cada circunstância, em cada momento, em cada lugar. O maçom de hoje, com toda a modernidade a sua mão, tem que proceder a preservar essas bases, da mesma maneira que deve proceder a modernizar os resultados.

As antigas maneiras de corromper uma pessoa como a uma sociedade, que hoje destroem nossas repúblicas, podem ser reduzidas a quase zero aplicando princípios muito antigos. Não vamos a inventar a água, mas podemos criar as condições para preservar suas fontes. Não vamos a inventar a amizade, mas podemos manter as condições para que ela se mantenha na cultura da humanidade. Não vamos a inventar a honestidade, mas podemos aprofundar suas bases para que ela seja parte cotidiana na vida das pessoas. Não vamos a inventar a justiça, mas podemos fazer que ela seja a norma da sociedade humana. Não vamos a inventar a liberdade, mas podemos fortalecer a verdade para que ela exista em todos. Não vamos a inventar o princípio da igualdade, mas podemos fazer que esteja na mente e corações de todos para poder ser aplicado sempre. Não vamos a inventar o sistema do respeito, mas podemos educarmo-nos nele e assim viver por sempre. Não vamos a inventar a propriedade, mas podemos defender esse direito natural e fazer proprietários a todas as pessoas. Não vamos a inventar a segurança, mas podemos transmitir e dar a mesma uns aos outros e desfrutar de seus benefícios. Não podemos a inventar o antigo sistema filosófico e político chamado a república (a coisa pública), mas podemos modernizar as condições dela, construindo-a dia a dia da forma como foi criada, para servir aos cidadãos, dentro da antiga lei do amor e do cumprimento dos nossos deveres, esses que temos para com Deus, para com nossos semelhantes e para com nós mesmos. Para a maçonaria de hoje e sempre, o antigo e o moderno podem coexistir e conviver. Se alguma coisa deve ficar para trás, são aquelas que prejudicam a espécie humana e a sua natureza divina, que separam o criado de seu criador, que geram sofrimentos e miséria na humanidade e frustrações em vez de esperanças.

Autor: Henry Díaz M.

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