A Passagem

Como lidar com as mudanças? - Psicólogos Berrini

Chama-se Passagem [1] à Cerimônia pela qual o Aprendiz adquire o estatuto de Companheiro, conferindo-lhe o segundo grau da Arte Real.

Tal como a Iniciação, a Passagem é um rito… disso mesmo: de passagem. Tal como aquela, tem os três tempos de um rito de passagem: de onde vens, o que és, para onde vais.

Mas, ao contrário da Iniciação, a cerimônia de Passagem deixa quase sempre no novel Companheiro um travo de desapontamento, uma sensação de que o que ocorreu foi menos do que o que o esperava.

Efetivamente, a Cerimônia de Passagem é muito mais simples e sóbria do que a Iniciação. Se pensarmos bem, deve sê-lo! A Iniciação marca a entrada num novo mundo, marca a transição da vida profana para a vivência maçônica. A Passagem assinala apenas o dobrar de uma etapa. Uma marca que, tendo o valor de assinalar um progresso, uma melhoria, um crescimento, no entanto o maçom que dela beneficia já deverá começar a perceber que é só uma pequena parte do muito caminho que ainda tem para percorrer, se quiser efetivamente atingir a plenitude das suas capacidades.

E, para que o maçom que passa de Aprendiz a Companheiro não tenha dúvidas nem ilusões sobre o pouco que andou e o muito que lhe falta percorrer… vai começar por se desiludir com a espartana Cerimônia de Passagem!

Não é só por esta razão que a Cerimônia de Passagem é tão simples. Porque ela é propositadamente simples, curta e sem enfeites!

A Cerimônia de Passagem não marca apenas uma mudança de estatuto, de grau, de Aprendiz para Companheiro.

A Passagem assinala sobretudo um novo estilo e objetivo de trabalho. Não uma mudança, porque o maçom não deve deixar de efetuar o trabalho que aprendeu a fazer enquanto Aprendiz para passar a fazer o tipo de trabalho do Companheiro. Não isso. Um maçom deve ser Aprendiz toda a sua vida maçônica. A Passagem assinala que, para além do trabalho que o maçom faz enquanto Aprendiz, deve, a partir de então, passar a executar também um novo tipo de trabalho.

A Passagem não é uma promoção. É um entregar de novas responsabilidades, a acrescer às que já se cumprem.

A Passagem não se destina, portanto, a impressionar, a marcar. A Passagem, pelo contrário, destina-se a enfatizar que o trabalho do maçom é sóbrio e persistente e cada vez mais profundo e variado. A Passagem não é uma festa. É apenas a entrega de um certificado de aptidão. A Passagem não é uma entrada na Mansão do Conhecimento Maçônico, é apenas a abertura de mais uma porta e o acesso de mais uma sala, para que o maçom, que anteriormente trabalhava apenas na sala dos Aprendizes… passe agora a trabalhar também na oficina dos Companheiros.

A Passagem deixará no maçom um travo levemente amargo da desilusão. Mas é para isso que serve. Para que o maçom perca as últimas ilusões que, sobre a Maçonaria, ainda guarde do seu passado de profano e confirme que o seu caminho é de trabalho. Mais trabalho.

Eu senti essa desilusão na minha Passagem a Companheiro. Eu, que já assisti e participei em dezenas de Cerimônias de Passagem, já vi dezenas de trejeitos de desilusão nas faces e nos olhos dos meus Irmãos. A alguns a desilusão é tanta e tão pesada que, mansamente, discretamente, se vão ausentando e decidem abandonar o caminho que os demais continuam a percorrer. Não é grave! Nem todos os Aprendizes chegam a Companheiros. Nem todos os Companheiros ascendem a Mestres. E seguramente que nem todos os Mestres virão a exercer o ofício de Venerável Mestre. É assim a realidade! Para alguns, o peso do trabalho é superior ao que se sentem com capacidade de suportar e arreiam. Também na Maçonaria a seleção é natural… Cada um percorre o seu caminho ate onde pode. Mesmo os que decidem parar a meio, já percorreram, pelo menos, uma parte do caminho. Esse ganho já é deles e ninguém lhes tira.

Não é por sadismo ou por inconsciência que se sujeita o maçom à desilusão, que se arrisca a sua desistência. É porque é necessário que essa etapa seja vivida. O novo trabalho que se acrescenta parecerá, para muitos, inútil e desnecessário. Mas não é nem uma coisa, nem outra. Porque com ele o maçom vai aprender que, para ser Mestre de si próprio, tem de ser um Homem completo. E que tem de se completar. De crescer e desenvolver-se harmoniosa e equilibradamente em todos os campos. Não apenas num ou em alguns. Sobretudo, não apenas onde e como gosta…

Para começar, tem uma desilusão… Mas, se efetivamente aprendeu bem o que tinha de aprender na coluna dos Aprendizes, cedo, logo, superará essa desilusão; cedo, logo, se lembrará que, em Maçonaria o que parece normalmente é diferente do que é e o que é normalmente é mais do que parece; cedo, logo, esquecerá a desilusão e olhará, atentará, meditará no que, espartana, simplesmente, lhe foi mostrado. E agirá em conformidade. E com isso completar-se-á.

Demorei muitos anos a perceber isto. Andei muito tempo a dizer e a escrever que o grau de Companheiro estava mal acabado, que era desinteressante, que era uma perda de tempo, enfim, uma quantidade de disparates que os mais antigos fizeram o favor de estoicamente suportar, sem me tirarem a possibilidade de descobrir por mim próprio como eram tão desajustados!

O ciclo reproduz-se com cada maçom que persiste! Desilude-se, interroga-se, observa, trabalha, evolui e… um dia percebe que era assim mesmo que tinha de ser e de fazer. Quando, finalmente, estiver pronto para perceber.

A cada novo Companheiro eu dedico três desejos: que cumpra o ciclo que eu e muitos outros antes de mim cumpriram e ainda muitos mais cumprirão depois dele; que, um dia, perceba, como eu percebi; que não necessite de tanto tempo como eu necessitei!

Autor: Rui Bandeira

Fonte: Blog A Partir Pedra

Nota

[1] – Cerimônia de Elevação

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A Prancha do Aprendiz

A Pedra Bruta, o Maço e o Cinzel. :: Loja "Alferes Tiradentes"

Para o Aprendiz que se entrosou no grupo e que vem fazendo o seu trabalho, com assiduidade e diligência, chega sempre um momento em que um Mestre – por regra o Vigilante de sua coluna, mas pode ser qualquer Mestre -, no meio de uma descontraída conversa, a propósito ou aparentemente a despropósito, lança, como quem não quer a coisa, a pergunta: 

– Então, já escolheste o tema da tua Prancha?

Este é o primeiro sinal que é dado ao Aprendiz que os Mestres da Loja entendem que o seu trabalho está a ser frutífero e que se aproxima a hora de novo avanço. O tempo da integração e da adaptação decorreu e está próximo de terminar, o tempo de progredir está-se a aproximar. Não quer isto dizer que a progressão, o avanço esteja já aí ao virar da esquina. Não é incomum que, entre o momento em que o Aprendiz é incentivado a começar a elaboração da sua prancha e aquele em que deixará de ser Aprendiz, medeiem uns bons seis meses, ou mesmo mais. É que, entre o primeiro incentivo ao Aprendiz à elaboração por este de uma prancha e a conclusão por este da dita, vai seguramente decorrer algum tempo. E depois há que agendar a sua apresentação em Loja. E, decorrida esta, haverá que aguardar pela ocasião propícia para a Passagem do Aprendiz à fase seguinte do seu percurso maçônico. E já neste espaço deixei consignado (por várias vezes) que pressa e maçonaria não ligam bem…

A elaboração pelo Aprendiz de uma Prancha é essencial para possibilitar o seu avanço de grau. A Prancha do Aprendiz é como que o relatório do seu trabalho, o registo da sua mudança, a exposição da sua evolução, patenteados perante a Loja. Não é um exame – o Aprendiz não tem que provar a sua proficiência em Simbolismo, Aperfeiçoamento e Artes e Ofícios Correlativos… Aliás, tudo o que o Aprendiz tem de provar, tem de o fazer a si próprio, apenas e tão só, e a mais ninguém. Se ele quiser lograr alguém, só ele será enganado, mais ninguém…

A Prancha do Aprendiz é, antes do mais e para além de tudo o mais, apenas mais um trabalho que este deverá executar. Com a diferença que este se destina, não apenas ao interior de si próprio, mas também a ser apresentado, escrutinado, apreciado em Loja.

O essencial interesse da Prancha de Aprendiz é a sua feitura. Mais uma vez, o que interessa é o percurso, não a meta. Também aqui o essencial é o trabalho que o Aprendiz realiza e não propriamente o seu resultado final. Há Pranchas de Aprendiz belas e vulgares. Enciclopédicas e triviais. Extensas e breves. Profundas e superficiais. Enfeitadas e toscas. Literatas e simples. Imaginativas e insossas. Há de tudo. Não importa. O que importa é o investimento pessoal que o Aprendiz fez na sua elaboração e, com ele, o que aprendeu, o que sistematizou, a aresta que limou.

Apresentada que esteja a prancha, ela deve sempre ser objeto de apreciação e comentário dos Mestres presentes. Normalmente, todos os Mestres, ou quase, se pronunciam. E todos os que o fazem, qualquer que seja o nível da prancha, do mais esplendoroso e credor de admiração, ao mais simples, nos seus comentários lobrigam algo de positivo, algo de bom, e algo de negativo, algo susceptível de melhoria. Pode o trabalho ser objeto dos mais entusiásticos encômios – mas não deixará de ver apontado um, insignificante que seja, aspecto em que se declara que podia ser ainda melhor. Pode o trabalho sofrer as mais ferozes críticas – mas não deixará de se realçar, por minúsculo que seja, o aspecto merecedor de uma referência elogiosa. Porque todo o trabalho dedicadamente feito merece encómios e nenhum trabalho humano é perfeito. Porque foi feito e apresentado por um dos nossos. E os nossos têm de nós sempre o elogio misturado com a censura, para que nunca sucumbam à tentação de subir às alturas que causaram a queda de Ícaro; e os nossos merecem de nós sempre a crítica lúcida, verdadeira e leal, mas sempre temperada com o incentivo do nosso reconhecimento do que de bom é feito e da sua capacidade de fazer melhor.

Normalmente, as três últimas intervenções são, respectivamente, do 2.º Vigilante, do 1.º Vigilante e do Venerável Mestre – que sintetiza tudo o que foi dito, anunciando que oportunamente se procederá ao aumento de salário (isto é, à passagem de grau) do autor da prancha.

Assim se declara o reconhecimento da Loja da evolução que o Aprendiz teve desde que foi iniciado.

Autor: Rui Bandeira

Fonte: A Partir Pedra

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Os símbolos na Maçonaria: o ensinar e o aprender

ARTE REAL - TRABALHOS MAÇÔNICOS: SIMBOLOGIA MAÇÔNICA

É conhecido que a maçonaria recorre extensivamente a símbolos como forma de transmissão do conhecimento. É evidente que esses símbolos terão algum significado. O que, todavia, é menos evidente, é que não há significados universalmente aceitos ou impostos para os símbolos maçônicos. O que um interpreta de um modo, outro pode interpretar de modo diverso. Assim sendo, de que serve a simbologia na maçonaria? A que aproveita essa “plasticidade” nos significados dos símbolos? E como é que se pode usar os símbolos como meios de comunicação do seu significado subjacente, se esse significado pode variar de pessoa para pessoa?

Para o entendermos, temos que recuar no tempo. Bem antes da maçonaria especulativa ter surgido – o que sucedeu, oficialmente, em 1717 – já os maçons operativos se socorriam de símbolos para se recordarem dos ensinamentos que os seus mestres lhes haviam transmitido. De fato, muitos dos trabalhadores da pedra não sabiam ler nem escrever, pelo que se socorriam de pictogramas e representações de objetos para o efeito. Os símbolos não eram propriamente secretos; o seu significado – as técnicas a que os mesmos se referiam – é que era apenas revelado a alguns. A maçonaria especulativa veio a adotar esse método de transmissão de conhecimento. Assim, hoje como outrora, os símbolos são auxiliares de memória, instrumentos de suporte ao conhecimento, verdadeiras mnemónicas- diríamos hoje: são cábulas – que nos permitem recordar, evocar e especular.

Mas se o seu significado pode ser individualizado, como é que o conhecimento passa sem se perder, sem se desvanecer, sem se espraiar numa mar de semânticas? De forma muito simples: para tudo há um início, e o método consiste, precisamente, em dar a cada um os pontos de partida, sem estabelecer qualquer ponto de chegada… Assim, a um Aprendiz é, desde logo, ensinado o significado comum de vários símbolos: o esquadro, o prumo, o nível, o mosaico bicolor do chão dos templos, a pedra bruta, a pedra polida, entre outros. É das poucas ocasiões que, em maçonaria, alguma coisa é verdadeiramente ensinada, e mesmo aí os significados gerais são dados com parcimônia de explicações e de forma sucinta e concisa. A cada um é dito, então, que deverá procurar interpretar cada símbolo de forma pessoal, podendo quer aplicar o significado original, quer levá-lo até onde o deseje. E é esse o trabalho do Aprendiz: estudar os símbolos, construir um significado em torno dos mesmos, e aplicá-lo a si mesmo.

E como se mantém um denominador comum? Quando um maçom se refere ao prumo, os demais sabem que se refere à retidão moral, à integridade, à verticalidade de caráter – aquilo que ouviu quando, ainda Aprendiz, lhe “apresentaram” os símbolos. Contudo, mais tarde cada um irá interiorizar a seu jeito o que estas palavras significam. O que será sinal de caráter para um poderá ser duvidoso para outro; a nenhum, porém, é imposto qualquer significado universal. E porquê? Porque, se a maçonaria se destina a tornar cada homem num homem melhor, deve fazê-lo dentro do absoluto respeito pela sua liberdade. Por isso se diz que em maçonaria tudo se aprende e nada se ensina, no sentido de que cada um deve procurar os seus próprios ensinamentos sem esperar que lhos facultem. Cada um deverá poder procurar, no mais íntimo de si, o que quer fazer dos princípios que lhe são transmitidos: se quer segui-los ou ignorá-los, quais aqueles a que vai dar maior preponderância, e até onde vai levar esse ânimo de se superar. E é por tudo isto que, sendo essa luta de cada homem consigo mesmo algo de mais único do que uma impressão digital, a liberdade individual de interpretação se impõe sobre qualquer eventual tentativa de normalização do significado dos símbolos.

Autor: Paulo M.

Fonte: A Partir Pedra

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Episódio 51 – O ideal de aperfeiçoamento e a senda

Caminhar e esforçar-se para a Luz, buscar a Verdade e estabelecer em seu domínio o Reinado da Virtude, libertar-­se progressivamente de todas as sombras que escurecem e impedem a manifestação desta Luz Interior que deve brilhar sempre, mais clara e firmemente esclarecendo e destruindo toda treva, é, em síntese, a nobre tarefa de todo verdadeiro maçom. (music: Slow Burn by Kevin MacLeod; link: https://incompetech.filmmusic.io/song/4372-slow-burn; license: https://filmmusic.io/standard-license)
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A integração do Aprendiz (III)

Aprendiz Maçom – Brasil Maçom

Se é dever e do interesse da Loja providenciar pela correta e bem sucedida integração do novo Maçom, o processo, no entanto, é bidirecional: também o novo Maçom deve providenciar pela sua correta e bem sucedida integração na Loja e na Maçonaria.

Essencial, desde logo, é a sua assiduidade. A Integração do novo Maçom é, em larga medida, efetuada com recurso a fatores emocionais. A Cerimônia de Iniciação terá marcado o novo Maçom. Mas essa marca, se não for protegida, desenvolvida, acarinhada, desaparecerá com o tempo, com o desvanecer da memória, com o diluir das sensações experimentadas. Todo o processo de integração na Loja é, não só racional, como afetivo. A sua interrupção, o distanciamento dele, o desinteresse na sua prossecução, ferem-no de morte. A maior parte dos abandonos de Aprendizes – isto é, de falhanços no processo de integração de Aprendizes – decorre da sua deficiente assiduidade. Os laços, não só emocionais e afetivos, mas também desta natureza, que deviam ter sido criados, ficaram irremediavelmente comprometidos. A integração do novo Maçom é como a colocação de uma planta no jardim: se não for regada com a devida assiduidade, se não for cuidada, não pegará, definhará e secará. Mas, se receber os cuidados adequados, as suas raízes firmar-se-ão, crescerá e desenvolver-se-á e, a seu tempo, florirá e frutificará.

Não quero com isto dizer que a quebra de assiduidade irremediavelmente conduza ao desinteresse do novo Maçom. Já assisti a situações em que Aprendizes, logo a seguir a terem sido iniciados, se ausentaram, designadamente por razões profissionais, para longínquas partes do globo e só regressaram passado um ou dois, ou mesmo, mais anos e que, apesar disso, reiniciaram sua vida maçônica, tão precocemente interrompida, e completaram, com êxito, o seu processo de integração. Também conheço exemplos de plantas que, sem terem recebido os devidos cuidados após a sua transplantação, apesar disso resistiram, não secaram e, vindo mais tarde a beneficiar das condições que nunca lhes deveriam ter faltado, arribaram, recuperaram e cresceram. Mas, quer num caso, quer no outro, o esforço de recuperação do que quase se perdeu foi muito maior, mais fundas foram as preocupações, mais intensos foram os cuidados necessários.

Uma das mais básicas leis da Natureza é aquela que costumamos designar por “lei do menor esforço”: o máximo de eficácia resulta da melhor relação entre o resultado obtido e o esforço despendido. Também aqui se deve procurar maximizar essa relação. E essa maximização depende grandemente da assiduidade do novo maçon.

O segundo aspecto que deve merecer o cuidado do novel maçom respeita à gestão das suas expectativas. A Maçonaria não é uma varinha mágica que transforma um sapo num belo príncipe através do toque da Iniciação… E também não é, nem uma corte de extasiados súditos determinados a apreciar as excelsas qualidades do novo elemento que, triunfador na sua vida profana, irá expandir sua glória entre os maçons, nem uma soberba estrutura de prestação de cuidados individuais que, num abrir e fechar de olhos, cuidará de suas deficiências, reparará seus complexos e o doutorará em Êxito Pessoal, Social, Profissional, Esotérico e Valências Correlativas… A Maçonaria é um meio, um caldo de cultura, um ambiente, um método. O seu aproveitamento cabe ao maçom, ao seu esforço, à sua capacidade, ao seu interesse.

Finalmente, o terceiro aspecto importante na integração do novo maçom, na perspectiva deste, é a Paciência. O maçom deve cultivar muitas virtudes – todas as Virtudes! Mas uma das primeiras a que deve dedicar seus esforços é a virtude da paciência. Na Maçonaria não há micro-ondas que aqueçam instantaneamente, ou quase, o coração dos seus elementos; a Maçonaria não é um aviário que faça crescer em poucas semanas a ave do conhecimento, para consumo massificado – desse crescimento acelerado só resultaria um insípido pseudoconhecimento, de reduzido ou nulo valor nutritivo para o espírito do maçom. Na Maçonaria, dá-se atenção à eficácia, mas reconhece-se o imenso valor do tempo. Há que dar tempo para que se assimile um conceito, para que ele seja perfeitamente integrado no maçom, em termos racionais e emocionais, para que, só então, se avance para o passo seguinte. Os princípios e o método maçônicos vêm dos tempos do trabalho artesanal, do paciente burilar da pedra até que esta atinja a forma desejada, não se dão bem com prontos-a-vestir, prontos-a-comer e muito menos com prontos-a-conhecer…

Paciência, pois! O trabalho metódico, calmo, firme, seguro, persistente, dará seus frutos! Poderá não dar os frutos que, à partida, se pensava que desse, mas alguns frutos dará. E dará quando, tempo após tempo, for tempo de os dar! A nossa vida “moderna” habituou-nos a obter tudo já, agora e imediatamente, a querer tudo para ontem, para o podermos largar hoje e avançar amanhã para novos objetivos. A Maçonaria não é assim, a Maçonaria poderá ser hoje por alguns considerada anacrônica, mas dá valor ao Tempo, à Sequência, à Evolução, à Consistência.

E, afinal de contas, o que mais admiramos? O moderno, brilhante e construído em poucos meses edifício, ou a vetusta e arcaica catedral que demorou décadas a ser finalizada?

Assiduidade, expectativas equilibradas e paciência são as ferramentas que, utilizadas adequada e diligentemente pelo novo maçom, lhe conferirão a devida integração na Maçonaria. E, quando o novo maçom der por isso… já será maçom antigo e recordará com ternura o tempo em que era um inexperiente Aprendiz buscando encontrar na Maçonaria o seu lugar, sem estar ainda ciente que esse lugar é onde ele quiser, para onde ele for, onde ele estiver!

Autor: Rui Bandeira

Fonte: A Partir da Pedra

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A integração do Aprendiz (II)

SIMBOLISMO NA MAÇONARIA – Templo Maçônico

O primeiro nível de integração de que a Loja deve, de imediato, cuidar é o da integração social, porque, como é fácil de entender, condiciona todos os demais. Sem uma bem conseguida integração social no grupo, dificilmente se gera empatia, se criam e fortalecem afinidades, se geram amizades, enfim, se dá uma verdadeira integração do novo elemento no grupo.

A este nível, o processo de integração começa logo no ágape que se segue à sessão em que ocorreu a Cerimônia de Iniciação. Ao novel Aprendiz é destinado um lugar ao lado do Venerável Mestre. Como este tem assento na zona central da mesa dos ágapes, o novo Aprendiz está rodeado de vários elementos mais antigos da Loja. Procura-se que mais perto dele tomem assento Mestres experientes, se possível incluindo o 1º Vigilante. A conversa flui descontraidamente entre todos. Não há melhor ocasião para conviver do que à volta de uma mesa, consumindo uma refeição… Nesse ambiente descontraído, o novo Aprendiz começará a conhecer os demais elementos da Loja. Comenta o que quiser comentar, pergunta o que precisar de perguntar, brinca-se e fala-se a sério, enfim, convive-se. O importante é que o novo Aprendiz se comece a sentir “mais um” daquele grupo. E assim se prossegue.

Outro aspecto importante da integração social do novo Aprendiz é a integração de sua família nos eventos em que as famílias dos maçons se reúnem, na medida em que isso seja possível. É muito mais fácil para o novo maçom prosseguir com a sua vida maçônica se tiver o apoio de sua família do que se tiver a oposição desta… Participar nas reuniões e outras iniciativas da Loja e da Grande Loja consome tempo – tempo que se subtrai ao convívio familiar. É importante que, de alguma forma, as famílias dos maçons sejam compensadas das ausências destes com algumas oportunidades de agradável convívio social, seja em jantares brancos – isto é, abertos às famílias -, seja em visitas ou viagens organizadas, seja no âmbito de qualquer realização da Loja. É importante que a integração do novo maçom envolva também a sua família. Até porque é um princípio básico da maçonaria que o cumprimento dos deveres familiares seja prioritário.

O objetivo final da integração social do novo maçom é que ele sinta a sua Loja, os seus Irmãos, como um espaço onde ele e a sua família podem estar seguros e confiantes, sem competições, sem atropelos, em fraternidade. Para uma bem sucedida integração social do novo Maçom é importante o papel do seu padrinho, mas indispensável o contributo de toda a Loja.

A outro nível, a Loja deve providenciar pela formação do Aprendiz. Deve apresentar-lhe os símbolos e providenciar-lhe as noções básicas para que ele os interprete, mas sempre tendo o cuidado de evitar dogmatismos. Mais uma vez, o objetivo não é ensinar, é que o Aprendiz aprenda. Neste aspecto é, consequentemente, muito importante que não se diga que X simboliza A. Aquilo que X simboliza deve ser apreendido, entendido, refletido, encontrado, por cada um. X pode simbolizar A para mim, mas também pode simbolizar B para o meu interlocutor, ou C para outro qualquer maçom. Na formação do Aprendiz, proporcionam-se lhe ferramentas, método – não dogmatismos. O objetivo é que o Maçom reflita em si e no Mundo, no Material e no Espiritual, na Vida e na Morte, enfim, que procure encontrar o seu lugar na Vida, o significado da sua existência. É um trabalho nunca acabado. É um trabalho que se impõe que o Aprendiz maçom comece. Neste percurso de reflexão utilizando a simbologia, deve-se auxiliar o maçom que nos pede auxílio ou opinião, nunca se deve impor conceitos. Porque o conceito de meu Irmão é tão válido quanto o meu, na medida em que é aquele em que ele se sente confortável, como eu me sinto confortável com o meu. Cooperação e não competição. Aprendizagem, não ensino. Tolerância, não dogmatismo. Valorização da diferença. Discussão sã e amigável dos respectivos pontos de vista, não para impor a nossa maneira de ver ao Outro, mas para nos esclarecermos mutuamente sobre o que ambos pensamos e para aprofundarmos o nosso conhecimento sobre os conceitos em causa. Reflexão, reflexão e ainda reflexão. Estes são posicionamentos básicos que devem ser transmitidos ao Aprendiz. E com a sua apreensão e utilização por ele, todos estamos no mesmo comprimento de onda, todos estamos em sintonia, todo estamos integrados na mesma busca – mas, na realidade, cada um tem a sua busca particular, que não interfere nem se sobrepõe às dos demais…

Finalmente, o terceiro nível de integração do novo Aprendiz é a integração no Ritual. Propiciar que o novo maçom entenda que o ritual não é apenas uma repetição mecânica de palavras e atos, mas uma fonte, um guia, uma constante lembrança de conceitos, de normas morais, de chaves para interpretação de símbolos, é fundamental. O Ritual e o Catecismo de cada grau são ferramentas indispensáveis, fontes inexauríveis de alimento para o intelecto e o espírito, tesouros inesgotáveis de conhecimento especulativo que o Aprendiz tem à sua disposição. Estando a dar os seus primeiros passos na maçonaria, ainda só sabendo soletrar, terá a seu lado para o guiar, para o aconselhar, para o esclarecer (mas nunca para algo lhe impor) um experiente Oficial da Loja, o 1º Vigilante, que tem a seu cargo, além do mais, a missão específica de acompanhar, orientar, supervisionar, os Aprendizes. E o Aprendiz tem também – sempre! – à sua disposição qualquer outro Mestre da Loja para lhe proporcionar a ajuda de que careça, o auxílio que solicite, o esclarecimento que peça.

Uma integração bem sucedida a estes três níveis será meio caminho andado para que o novo maçom sinta confirmadas as expectativas que tinha quando buscou juntar-se à Maçonaria. É dever da Loja proporcionar-lhe essa integração. É do interesse da Loja fazê-lo. É da essência da Maçonaria prossegui-lo.

Autor: Rui Bandeira

Fonte: A Partir da Pedra

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A integração do Aprendiz (I)

O Aprendiz – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

Terminada a Cerimônia de Iniciação, começa de imediato o importante capítulo da integração do novo Aprendiz. Em bom rigor, essa integração tem já início no decorrer da própria Cerimônia de Iniciação. Mas disso, quase de certeza, não tem o novo Aprendiz consciência. Porventura, de tal se aperceberá (muito) mais tarde, quando, já completamente integrado, rememorar sua vida maçónica.

A Maçonaria organiza-se essencialmente em Lojas, grupos de maçons com ampla autonomia – mas estrita convergência de princípios -, que cooperam no aperfeiçoamento individual de cada um. A integração de um novel Aprendiz na Maçonaria corresponde, assim, à integração na Loja que o acolhe, no grupo de que passa a ser mais um participante.

Essa integração ocorre mediante um processo com dois sentidos: depende do esforço e da atuação da Loja perante o novo Aprendiz, mas também só é bem sucedida através da conduta e do posicionamento deste em relação à Loja.

Ao integrar um novo elemento, desconhecedor de muitas das idiossincrasias da realidade a que se juntou, a Loja, enquanto grupo, e cada um dos seus obreiros, individualmente, devem ter presente que essa transição é um processo de delicado equilíbrio: o novo elemento tem a categoria de Aprendiz, em sinal de que muito tem de aprender, no confronto e com o apoio dos mais antigos, mas deve ser, só pode ser, é, tratado num plano de estrita Igualdade com os demais membros da Loja; o novo Irmão é recebido com toda a afabilidade e familiaridade, mas deve ser, só pode ser, é, tratado com pleno e integral respeito da sua personalidade, da sua privacidade; o novo Aprendiz passa a dispor de um método de formação, de uma panóplia de conhecimentos, de um conjunto de ensinamentos e valores que lhe são relembrados, mas deve ser, só pode ser, é, respeitado na sua individualidade, nas suas escolhas, no seu pensamento, tudo se lhe facultando, nada se lhe impondo.

A integração de um novo elemento numa Loja não ocorre através do ensino àquele do que esta é; processa-se através da aprendizagem por ele dessa realidade. A Maçonaria não se ensina – aprende-se! Em Maçonaria, nada se impõe, tudo, desde que conforme aos seus princípios essenciais, se aceita. Em Maçonaria, não há interpretações ou pensamentos certos ou errados, e muito menos únicos. Em Maçonaria o pensamento individual, a crença de cada um, são integralmente respeitados e a diversidade é encarada como uma riqueza para o conjunto. A integração de um novo maçom na Loja, consequentemente, é um processo que deve ser, só pode ser, é, efetuado no pleno respeito da individualidade, da personalidade, das características, do novo elemento. Individualidade, personalidade e características que, juntando-se às que já existem no grupo, o enriquecem, o fortalecem, o diversificam, enfim, o melhoram.

Os maçons gostam de dizer que a Maçonaria pega em homens bons e fá-los melhores. Mas a inversa também é verdadeira: a integração bem feita, no respeito da individualidade do novo elemento, no grupo, na Loja, faz com que esse homem bom torne a Maçonaria melhor! Qualquer dessas melhorias ocorre naturalmente: não é a Loja que melhora o novo maçom – é este que se aperfeiçoa, no confronto com seus pares, com os princípios morais com que mais assiduamente se depara; a Loja, por seu turno, enriquece-se, melhora, cresce, qualifica-se, em função das melhorias, dos aperfeiçoamentos, de todos os seus elementos, recentes e mais antigos, quaisquer que sejam os seus graus e qualidades. Gera-se assim um círculo virtuoso em que o indivíduo beneficia do grupo para se aperfeiçoar e aperfeiçoa o grupo em virtude da sua própria melhoria.

A integração de um novo Aprendiz não é, assim, um mero processo de enquadramento. É uma verdadeira essencialidade da Loja. A integração do novo Aprendiz é o fermento que faz crescer a valia do grupo, é o cimento que liga a Loja, é o mastique que confere flexibilidade ao conjunto.

Uma Loja demasiado tempo sem Aprendizes é uma Loja estéril, um grupo sem perspectivas de futuro risonho. Será porventura constituída por muito Sabedores Mestres, por Fortes temperamentos, mas faltar-lhe-á a Beleza do acompanhamento dos esforços de quem ainda só sabe soletrar a Maçonaria, o estímulo dos seus progressos, a lembrança de que o esforço de aprendizagem, de aperfeiçoamento, não acaba com a ascensão à Mestria, não cessa com a experiência, não acaba com a antiguidade.

A integração bem feita de um novo Aprendiz não é, pois, apenas importante para este: é intrinsecamente uma necessidade vital da Loja. É por isso que nenhuma Loja maçónica se pode dar ao luxo de não providenciar pela correta integração dos seus Aprendizes, não pode cometer o desperdício de os abandonar à sua sorte e aos acasos do seu desacompanhamento. E, se porventura, se der a esse luxo, se cometer esse desperdício, virá a pagar bem caro esse desmazelo!

Uma Loja maçônica não vive só para os seus Aprendizes, mas vive também, e muito, para eles. Porque o esforço de acompanhamento destes cimenta a unidade do grupo; porque a formação destes melhora a do grupo; no fundo, porque não são só os Aprendizes que aprendem com a sua Loja – esta também aprende, e muito, com aqueles.

Autor: Rui Bandeira

Fonte: A Partir da Pedra

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O trabalho do Aprendiz

Símbolos maçônicos – Wikipédia, a enciclopédia livre

O Aprendiz, após a sua Iniciação, não tem apenas de se integrar na Loja. Essa integração, se bem que necessária, é apenas instrumental da sua atividade maçônica.

O Aprendiz, logo na sua Iniciação e imediatamente após a mesma, é confrontado com uma panóplia de símbolos variada, complexa e de grande quantidade. Uma das vertentes importantes do método maçônico é o estudo e conhecimento dos símbolos, o esforço da compreensão e apreensão do seu significado.

Aprender a lidar com a linguagem simbólica, a determinar os significados representados pelos inúmeros símbolos com que a Maçonaria trabalha é, sem dúvida, uma vertente importante dos esforços que são pedidos ao Aprendiz. É uma vertente tão mais importante quanto ninguém deve “ensinar” o significado de qualquer símbolo ao Aprendiz. Quando muito, cada um pode informá-lo do significado que ele dá a um determinado símbolo. Mas nunca poderá legitimamente dizer ao Aprendiz que esse é o significado correto, que esse é o significado que o Aprendiz deve adotar. O Aprendiz pode adotar o significado que o seu interlocutor lhe transmitiu ser a sua interpretação, mas apenas se concordar com ele. Se atribuir acriticamente a um símbolo um significado apenas porque alguém lhe disse entendê-lo assim, está a agir preguiçosamente, não está a trilhar bem o seu caminho.

Não quer isto dizer que o Aprendiz não deva, não possa, atribuir a determinado símbolo o mesmo específico significado que outro ou outros lhe atribuem. Aliás, diversos símbolos são generalizadamente vistos da mesma maneira pela generalidade dos maçons. Mas cada um deve meditar sobre o símbolo, procurar entender o que significa, por ele próprio. Pode – não há mal nenhum nisso! – ouvir a opinião de outros, aperceber-se que significado ou significados outros lhe dão. Ao fazê-lo, está a beneficiar do trabalho anteriormente realizado por seus Irmãos e é também para isso que serve a Maçonaria, é também essa a riqueza do método maçônico. Mas deve, é imperioso que o faça, analisar, refletir sobre o que lhe é dito, verificar se concorda ou discorda, em quê, em que medida e porquê. e então extrair ele próprio a sua conclusão e adotá-la como a que entende correta. Pode ser igual à dos seus Irmãos; pode ser semelhante, mas levemente diferente; ou pode ser muito ou completamente diferente. Não importa! Ninguém lhe dirá, ninguém lhe pode legitimamente dizer, que está errado. É a sua interpretação, a que resultou do seu trabalho, da sua análise, é a interpretação correta para ele. E tanto basta! E se porventura mais tarde, com nova análise, com os mesmos ou outros ou mais elementos, vier a modificar a sua interpretação, tudo bem também! Isso corresponde a evolução do seu pensamento, que ninguém tem o direito ou legitimidade para contestar!

Ainda que beneficiando da sinergia do grupo, da ajuda do grupo, das contribuições do grupo, o trabalho do maçom é sempre individual e solitário! E também, inegavelmente, difícil. É todo um novo alfabeto que, mais do que aprender, o Aprendiz maçom está a criar e a aprender a criar!

Não é, ainda, porém, esse o principal trabalho do Aprendiz maçom. É um trabalho importante, é sobre ele que deverá, a seu tempo, mostrar a sua evolução, mas ainda assim é apenas um trabalho instrumental.

O verdadeiro trabalho do Aprendiz é, afinal, o de se aperfeiçoar a ele próprio. Incessantemente. Incansavelmente. Interminavelmente. Ou melhor, só terminando no exato momento em que deixa esta dimensão do Universo e passa ao Oriente Eterno. O verdadeiro trabalho do Aprendiz é trabalhar a sua pedra bruta e dar-lhe, pacientemente, diligentemente, a regular forma cúbica que harmoniosamente se integre na grande construção universal projetada pelo Grande Arquiteto do Universo!

A pedra bruta a aparelhar é ele próprio, as asperezas a retirar são as suas muitas imperfeições, os seus defeitos, os seus deméritos, a forma a trabalhar e a tornar regular e harmoniosa é o seu caráter.

Este trabalho nunca está concluído. Por mais lisa que esteja a sua pedra, por mais regular e harmoniosa que esteja a sua forma, nunca está perfeita, pode e deve sempre aprimorá-la, alisá-la ainda um pouco mais, dar-lhe ainda melhor proporção.

Este trabalho é o verdadeiro, o importante, o essencial trabalho do Aprendiz maçom e é-o para toda a sua vida. É, portanto, também o trabalho do Companheiro e do Mestre maçom. Por isso o Mestre maçom que seja realmente digno dessa qualidade só se pode considerar, ainda e sempre, um Aprendiz e continuar, prosseguir, com perseverança, o sempiterno trabalho de se aperfeiçoar, de trabalhar a pedra bruta, que por muito cúbica que esteja, deverá sempre ver como bruta em relação ao que deve estar, ao que ele pode que esteja, ao que deve aspirar que seja, esperando que, chegada a hora, algum préstimo tenha.

O verdadeiro trabalho do Aprendiz é, tão só, o trabalho de ontem, de hoje e de sempre, do maçom, qualquer que seja o seu grau e qualidade: melhorar, melhorar e, depois disso, melhorar ainda! Tudo o resto é apenas instrumental!

Autor: Rui Bandeira

Fonte: A Partir da Pedra

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A corda de 81 nós – Parte 3

A corda de 81 nós - Freemason.pt

4 – A corda de 81 nós

Quando adentramos o templo, percebemos uma corda que circunda suas paredes, com nós ao longo do seu traçado, terminando em borlas, próximo à entrada. Muito se fala sobre os seus significados e origens dentro da maçonaria. Visível também dentro do painel da loja evidenciando a sua importância dentro da sociedade.

O Manual de Aprendiz Maçom, Instrução Grau 1, REAA, p.34, leciona:

Pendentes da corda de 81 Nós nos cantos da loja ou representadas nos quatros cantos do Pavimento Mosaico, vemos quatro BORLAS, colocadas nos pontos extremos da mesma para lembrar as quatro virtudes cardeais: TEMPERANÇA, JUSTIÇA, CORAGEM E PRUDÊNCIA, que -diz nossa tradição – sempre foram praticadas por nossos antigos irmãos

A corda é composta por 6 componentes simbólicos tais como os nós, o elo entre todos os maçons, a abertura voltada para o pórtico, as duas pontas pendentes em cada lado da Porta, o número padronizado de 81 (3 x 3 x 3 x 3) nós obedecidos por toda a face da Terra, a localizado dono central sobre o Trono do Venerável. Mestre.

Segundo Tito Campos, em Instrucional Maçônico, Grau de Aprendiz, os nós representam os irmão maçons espalhados pela Terra, onde os elos são a essência que nos une no plano espiritual mostrando que todos somos um. Afirma ainda que a corda no pórtico se trata de uma abertura para expansão intelectual e social com a entrada de novos membros pela porta do templo. Contudo, para a maioria dos pesquisadores, essa abertura significa que a Ordem Maçônica é dinâmica e progressista, estando, portanto sempre aberta a novas ideias, que possam contribuir para a evolução do homem e para o progresso racional da Humanidade, pois não pode ser maçom aquele que rejeita novas ideias em beneficio de um conservadorismo rançoso, dogmático e altamente deletério.

O Nó no Oriente vem representar o absoluto polarizando o equilíbrio dinâmico da evolução universal.

Segundo FILHO (2012, p.222):

“…há uma corda em que se contam 81 nós, chamados “laços do amor”. É a Cadeia de União”, cujas pontas terminam em borlas próxima das colunas “B” e “J”. “Esta corda é formada por um aglomerado de fios frágeis que representam os Maçons de todo o Mundo, unidos, tal como os fios, que formam a corda, constituindo assim um conjunto inquebrantável na afirmação do aforismo que ensina “A União faz a Força”“.

Prudência ou moderação, muito embora existam Templos na França que apresentam cordas com 12 “nós” representando os signos do Zodíaco.

O Ir.’. Aprendiz Alex Prosdocimi, em seu trabalho sobre O PAINEL DA LOJA DE APRENDIZ MAÇON, 2017, p. 24, apresenta outra fonte com um complemento da explicação simbólica das borlas presente nas cordas e aberturas dos templos.

Na Bíblia Sagrada, especificamente no Livro Números (Nm 15: 37-41), Deus determina a Moisés, que o povo faça no canto de suas vestes borlas, franjas (adorno pendente de fios de lã) e presas com um cordão azul.

Tal ordem destinava a lembrar a este povo que a Deus pertencia, bem como lembra-los de seus mandamentos e praticá-los. Na época a tinta azul era cara, difícil de achar, pois era tirada de um molusco. Desta forma, o Criador Supremo demonstrou a todos o quão precioso era aquele povo.

Na época dessa passagem Bíblica, quem usava as borlas eram reis, era um sinal de nobreza. Deus usou um símbolo para que todos contemplassem que cada filho de Israel era seu próprio filho, o filho de todos os Reis.

Uma das possíveis origens da “corda de 81 nós”, ocorre quando em 23 de agosto de 1773, por ocasião da palavra semestral em cadeia da união na casa “Folie-Titon” em Paris, tomava posse Louis Phillipe Orleans, como Grão mestre da ordem Maçônica, na França, onde estavam presentes 81 irmãos em união fraterna e a decoração da abóboda celeste apresentava 81 estrelas.

Entretanto, conhecemos hoje, a herança da “corda” que era desenhada no chão com giz ou carvão, fazendo parte alegoricamente de um Painel representativo dos instrumentos utilizados pelos Pedreiros livres. Agora nas reuniões maçônicas, seguindo o ritual, é pedido ao Irmão Guarda do Templo que verifique se o Templo está “Coberto” em sua parte externa, das indiscrições profanas, somente iniciando os trabalhos após sua confirmação. Seguindo a isto a protetora Corda Maçônica saiu do chão e elevou-se aos tetos dos Templos, significando a elevação espiritual dos Irmãos, que deixaram de trabalhar no chão com o cimento e passaram a trabalhar no plano superior com o cimento místico que é a argamassa da Espiritualidade. Esta corda é que oferece-nos proteção através da irradiação de energias pela “Emanação Fluídica” que abriga e sustenta a “Egrégora” (corpo místico) formada durante os trabalhos em Templo através da concentração mental dos Irmãos, evitando que ondas de energia negativa desçam sobre os presentes na reunião. As borlas separadas na entrada do Templo funcionam como captores da energia pesada dos Irmãos que entram, devolvendo-Ihes esta energia sob forma leve e sutil quando de sua saída. A estrutura dos “nós” (melhor denominados “laços”) representa o símbolo do infinito -∞- e a da perpetuação da espécie, simbolizando na penetração macho/fêmea, determinando que a obra da renovação seja duradoura e infinita.

Este é um dos motivos pelos quais os laços são chamados “Laços de Amor”, por demonstrar a dinâmica Universal do Amor na continuidade da vida. Os átomos detêm toda a sabedoria do Mundo, porque ele gera e cria novas propostas para a evolução humana. A Corda de 81 laços representa a laçada como um “8” deitado, lembrando ao Maçom que é preciso tomar muito cuidado para não puxá-la transformando-a em nó o que significaria a interrupção e o estrangulamento da fraternidade que deve existir entre os Irmãos. Os 81 laços são apresentados nos Templos Escoceses do Brasil e Paraguai.

Não menos importante se faz necessário à análise consoante ao número 81, representado através dos laços equidistantes, senão vejamos: Esotericamente, a “Corda de oitenta e um laços” simboliza a união fraternal e espiritual, que deve existir, entre todos os Maçons do mundo; representa, também, a comunhão de ideias e objetivos da Maçonaria, que evidentemente, devem ser os mesmos, em qualquer parte do planeta.

Para que um símbolo se torne de fato um símbolo são necessárias várias interpretações, justificativas e significados. Nesse contexto, inicialmente abstrairemos o laço central que é a representação do G∴A∴D∴U∴ entre seu passado e o seu futuro, representa o número um, a unidade indivisível, o símbolo de Deus, principio e fundamento do Universo.

O número um, desta maneira, é considerado um número sagrado. Destarte passemos às laterais com 40 laços, e lembramos que este número marca a realização de um ciclo que leva a mudanças radicais. A Quaresma dura 40 dias. Ainda hoje temos o hábito medicinal de colocar pessoas ou locais sob “quarentena” como se nela estivesse a purificação dos males antes existentes. Jesus levou 40 dias em jejum e tentações. Os Hebreus vagaram 40 anos no deserto. Quarenta foram os dias que durou o dilúvio (Gênese, 7-4). Quarenta dias passou Moisés no monte Horeb, no Sinai (Êxodo, 34-28). Os 40 laços representam os 40 dias que Jesus usou para preparar-se para a morte terrestre e os 40 dias que ficou entre nós após a ressurreição, preparando-se para a Eternidade.

Ato contínuo, analisemos as justificativas simbólicas no próprio número 81 que segue os princípios místicos da Cabala, senão vejamos: o número 81 é o quadrado de 9, que, por sua vez, é o quadrado de 3, número Perfeito, bastante estudado em Escolas Esotéricas e de alto valor místico, para todas as antigas civilizações; Três eram os filhos de Noé; Três os varões que apareceram a Abraão; Três os dias de jejum dos judeus desterrados; Três as negações de Pedro; Três as virtudes teolegais (Fé; Esperança e Amor). Além disso, as tríades divinas sempre existiram, em todas as religiões: Shamash, Sin e lchtar, dos Sumérios – Osíris, Isis, Hórus, dos Egípcios – Brahma, Vishnu e Siva, dos Hindus – Yang, Ying e Tao, do Taoísmo – Pai; Filho e Espirito Santo, da Trindade Cristã. Também não poderíamos deixar de citar a tríplice argamassa das oficinas Liberdade, lgualdade e Fraternidade.

O maçom J. Fabrício Machado, em seu artigo “A corda de 81 nós”, apresenta outras possíveis explicações, na tentativa de elucidar os conceitos da Corda e os 81 nós:

“Dentro da numerologia, os comportamentos humanos têm valores numéricos, de acordo com as letras de seus nomes. As letras são divididas em três grupos de 9 letras, cada letra com 3 chaves, a saber: o valor numérico que lhe é próprio; o som numérico que lhe é próprio; e a figura que a caracteriza. Como temos nove variações comportamentais segundo a psicologia, teremos 81 variações de comportamento. Podemos então dizer em estudo livre, que esta corda mostra também os 81 comportamentos que uma pessoa pode ter em uma existência, sendo então a representação do individuo e suas mudanças humorais.

A Cosmogonia dos Druídas, resumidas nas Tríades dos Bardos antigos, eram em número de 81 (as Tríiades) e os três círculos fundamentais de que trata esta doutrina, tem como valor numérico o 9, o 27 e o 81, todos múltiplos de Ragon, em seu livro “A Maçonaria Hermética”, no rodapé da página 37, diz em uma nota, que segundo o Escocês Trinitário, o 81 é o número misterioso de adoração dos anjos. Assim, segundo Oswaldo Ortega, da Loja Guartimozim de São Paulo, à luz do Esoterismo, ele cita que os 81 laços que estão no teto, portanto, próximos do céu, tem ligação com os 81 anjos que visitam diariamente a Terra, com mostram as Clavículas de Salomão, e se baseiam nos 72 pontos existenciais (os 72 nomes de Deus), da Cabala Hebraica modificados. A cada 20 minutos, um anjo desce à Terra e dá sua mensagem aos homens. São 72 visitas no curso do dia, se levarmos em conta que a cada hora teremos 3 anjos, em 24 horas, teremos 72 anjos. Agora, somando 72 anjos aos nove planetas que nos influenciam diariamente chegamos ao número 81. Sabemos que estes anjos podem nos ajudar se os chamarmos pelos nomes no espaço de tempo que nos visitam. E eles estão representados no teto do
Templo, através dos 81 laços.

Ponto finalizando encontramos ainda outra denominação à “corda”, ou seja, “Borda Dentada'”, traduzida pela corda de nos (laços de amor) que rodeia o “Quadro de Aprendiz” (3 ou 7 laços), assim como o “Quadro de Companheiro (5 ou 9 laços) terminada com uma borla em cada extremidade e que per si mereceria um estudo próprio. Não obstante ao explicitado, a lição primordial que nos resta é que a corda é a imagem da união fraterna que liga, por uma cadeia indissolúvel, todos os Maçons, simbolizando o segredo que deve rodear nossos augustos mistérios, assim como representa a Cadeia de União permanente pela busca da proclamada Fraternidade, tão bem explicitada no Salmo 133.”

5 – Considerações finais

Quando do aprofundamento dos estudos dentro da Maçonaria, é perceptível o universo de informações e conceitos que compõem os temas presentes dentro da sua respectiva filosofia. Dentro da numerologia, da historia, da Cabala, dos mitos, das crenças e vivências os conceitos vão se fundindo e se transformando em explicações mais sólidas e presentes nos nossos cotidianos dentro da sociedade maçônica ou no mundo profano. Torna-se convicto que esses conceitos e as diversas fontes e interpretações não são uma particularidade apenas da “Corda de 81 nós”, sendo uma realidade que vem construindo a Maçonaria e seus preceitos ao longo da sua existência. Salvo que as fontes sejam sempre de referências segura e reconhecidas dentro das verdadeiras Maçonarias para que isso se torne uma realidade.

Do ponto de vista de aprendiz, na mais humilde e inicial jornada, entendo que o mais importante é o que se aprende, vive e transmite com atos e comportamentos ao mundo profano para a melhoria da sociedade e sua lapidação pessoal.

A corda de 81 nós, tendo ou não sua origem nos trabalhos feitos com demarcações no chão, nos anjos presentes, nos nomes diversos do G∴A∴D∴U∴, nas numerologias, nos misticismos e referências associativas bíblicas, não deixam sucumbir o principal ponto de sua interpretação que levo como verdade. A união dos irmãos em todas as partes do mundo, os laços de amor entre todos, estando sempre abertas a novas ideias, entradas dos irmãos e, por que não, a limpeza das energias quando adentramos o templo e os deixamos para continuidade das nossas jornadas e trabalhos no mundo profano.

Sendo tão pouco abordada nas referências bibliográficas disponíveis e, muitas vezes, despercebida entre os irmãos iniciados me sinto privilegiado em abordar um tema tão presente no nosso dia a dia e que se faz cada vez mais necessário a sua aplicabilidade no mundo profano: a união, igualdade e laços de amor.

Autor: Marcelo Marcus Martins Costa

Marcelo é Aprendiz Maçom na ARLS Jacques DeMolay, nº22, do oriente de Belo Horizonte e jurisdicionada à GLMMG.

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Referências

CAMPOS, Tito Alves. Instrucional Maçônico, Grau de Aprendiz. Londrina, PR. Editora Maçônica FILHO, Denizart Silveira de Oliveira. Da Iniciação Rumo a Elevação – Comentários às Instruções do Ritual do Aprendiz Maçom do rito Escocês Antigo e Aceito. Londrina, PR. Editora Maçônica “A TROLHA” Ltda., 4ª edição, 2012. OLSEN, Oddvar (org.). Templários, As sociedades secretas e o mistério do Santo Graal. Rio de Janeiro, RJ. Editora Best Seller Ltda.2011. COUTO, Sérgio Pereira. Sociedades Secretas. São Paulo, SP. Editora Universo dos Livros, 2009. O’CONNELL Mark, AIREY Raje. Almanaque ilustrado SÍMBOLOS. São Paulo, SP. Editora Escala. 1ª Edição, 2010. MANSON, Mark. A sutil arte de Ligar o foda-se. Rio de Janeiro, RJ. Editora Intrínseca, 2017. MM.’.AA.’.LL.’. & AA.’. – Aprendiz Maçom Instrução Grau 1 – REAA, Leitura exclusiva para Maçons 2012 E∴V∴ PROSDOCIMI, Alex A da Silva, O Painel da Loja de Aprendiz Maçom. 2017 MACHADO, J. Fabrício, em seu artigo “A corda de 81 nós”. A∴R∴L∴S∴ Aurora Lemense O SIMBOLISMO DA CORDA DE 81 NÓS. Santa Catarina, São Joaquim. 2019. Disponível em: https://www.fraternidadeserrana.com.br.Acesso em 20 de maio de 2019.

A corda de 81 nós – Parte 1

Desvendamos todos os segredos e tradições da maçonaria em Jaraguá do Sul

“…Eu vejo a vida da mesma forma. Todos nós recebemos cartas aleatórias no início do jogo, alguns cartas melhores. E, embora seja fácil nos fixar no que está na mão, e sentir que nos ferramos, o jogo está nas escolhas que fazemos com essas cartas, nos riscos que decidimos correr e nas consequências com as quais escolhemos viver. Quem, de maneira consistente, faz as melhores escolhas diante das situações que se apresentam acaba ganhando no pôquer, e na vida. Não necessariamente que tem as melhores cartas…” (Mark Manson)

1 – Introdução

Como proposta, esse trabalho busca abordar o tema: A corda de 81 Nós.

Símbolo que consta em diversos contextos dentro da loja como dentro do templo, painel mosaico e historias de antigas reuniões. Porém, apesar de inúmero trabalhos já apresentados pelos IIr∴, ainda percebe-se pouco material de referência, ou até mesmo similares descrições, desprezando às vezes os conceitos existentes por trás do objeto “corda”.

Contudo, antes de darmos seguimento ao descritivo e intrigante tema, que muitas vezes é despercebido por alguns IIr∴, sinto a necessidade de contextualizar um pouco os sentimentos que me levaram a maçonaria, quanto seu enigmático universo de abordagens e conceitos e a capacidade de elucidar as minhas perspectivas diante da escolha do tema. Isso posto, não posso desconsiderar que a escolha do tema também está diretamente ligada ao que entendo como parte do que, mesmo desconhecendo incialmente a abordagem, me levou a aceitar o convite.

A maçonaria entrou num contexto do meu cotidiano através de alguns IIr∴ que prezo como seres realmente diferenciados, seja pela postura na sociedade, pelo conteúdo cultural presente, como também pela busca da evolução quanto ser humano para apoiar com pensamentos e trabalhos o mundo Profano.

Para não se tornar apenas um curioso de avental, ideia ao qual partilhei no início da minha jornada, dentro dos abismos luminosos da Maçonaria, me vi diante de um desafio de aprendizado e busca do conhecimento a fim de entender melhor os propósitos da minha caminhada, tão qual me sinto cada vez mais inserido aos desígnios do G∴A∴D∴U∴.

Com foco em entender melhor esses propósitos não cabe nenhum aprendizado sem a compreensão do real conceito e objetivo do que é a Maçonaria. Sendo assim, se faz necessário conceituar o seu significado e introduzir alguns conceitos que, aos olhos do profano podem ser simplificados e minimizados em sua importância, mas que nos olhos dos iniciados abrem portas para crescimentos e evoluções espirituais inimagináveis até aquele momento.

Dessa forma esse trabalho terá como parte de sua introdução o conceito da maçonaria em sua íntegra, se desdobrando para os conceitos de simbologia, aplicabilidade dele no objeto corda e suas aplicações na história e por fim a corda de 81 nós.

1.2 – Maçonaria

Muitos perguntam o que é a maçonaria? Contudo, poucos entendem, dentro do mundo profano, seus principais objetivos. Dessa forma, para melhor esclarecer a maçonaria proponho entendermos o significado da palavra na sua integra e, posteriormente, fazer uma associação aos seus conceitos como instituição e as características de um maçom.

A palavra Maçonaria é de origem francesa e significa construção, tendo como versão em português a expressão do francês maçon. Por extensão tem seu significado como “associação de pedreiros”.

Como se pode ver a maçonaria está relacionada à construção, associação de pedreiros que remetem ao crescimento, desenvolvimento e construção da sua personalidade dentro da instituição. Sempre seus atos são encaminhados ao conceito das obras realizadas. Não apenas pelo conceito literal da palavra, mas pelo seu significado e desenvolvimento diante dor IIr∴ e da sociedade como um todo. a qual identificamos como o mundo profano.

Entendendo melhor a maçonaria, Denizart Filho (2012, p.23) define bem como:

A Maçonaria é uma instituição filantrópica, filosófica e progressista, tendo por objetivo o aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual da humanidade, por meio da investigação constante da verdade, do culto inflexível da moral e da prática desinteressada da solidariedade.

A Maçonaria é uma associação de homens sábios e virtuosos, que se consideram Irmãos entre si e cujo fim é viverem em perfeita igualdade, intimamente unidos por laços de recíproca estima, confiança e amizade, estimulando-se uns aos outros na prática das virtudes.

A Maçonaria é um sistema de Moral, velado por alegorias e ilustrado por Símbolos.

A Maçonaria é uma ordem de fraternidade Universal, sujeita às leis de cada país. Em cada Estado, como em cada Loja, ela é uma sociedade íntima de homens escolhidos, cuja doutrina tem por BASE o amor a Deus e o amor aos homens; por REGRA, a religião natural e a moral universal; por CAUSA, a verdade, a luz e a liberdade; por PRINCÍPIO, a Igualdade, a Fraternidade e beneficência; por ARMAS, a persuasão e o bom exemplo; por FRUTO, a virtude, a sociabilidade e o progresso; e por FINALIDADE, o aperfeiçoamento e a felicidade da humanidade que ela tende a reunir sob uma só bandeira. Seu centro e seu império estão onde está o gênero humano; não se trata de uma sociedade secreta, mas de uma sociedade que tem um segredo.

Em cima das apresentações do que é a maçonaria, dentro das definições apresentadas por Denizart Filho (2012, p.110-111), um maçom deve ter como principais características:

  • A Virtude: Hábito de praticar o bem, o que é justo; é a excelência moral; probidade; retidão; o conjunto de todas as qualidades morais;
  • Honra: O sentimento que leva o homem a merecer e manter a consideração pública; é à consideração ou homenagem à virtude, ao talento, às boas qualidades humanas;
  • Bondade: É a disposição natural de se fazer o bem; benevolência; brandura; indulgência; boa índole.

Dentro desse processo de construção do aperfeiçoamento moral além dos estudos e trabalhos a serem realizados, a Maçonaria se constitui por características específicas, “armas para buscar a verdade, valores do qual deve se lembrar sempre em sua evolução, rituais e símbolos”. Esse ultimo designa um papel fundamental em resgatar de forma lúdica os conceitos e valores que regem as origens e prerrogativas dessa sociedade.

2 – Símbolos

Todas as historias, sejam da constituição de uma sociedade, irmandade, grupos religiosos, tão quais as crenças de em todas as suas culturas e localidades são compostas e/ou representadas por símbolos. Essas apresentações trazem conceitos, mensagens ocultas, ou simples representações que remetem sempre a algo de maior grandeza para os integrantes ou seguidores daquela ordem proposta. Importante ressaltar que suas origens, ao contrário do que se entende das propostas comuns citadas tem suas origens em outros meios.

Para entendermos melhor, Mark O’Connel e Raje Airey (2010, p.06) apresentam a sua origem sendo:

A palavra “símbolo” é derivada do grego antigo Symballein, que significa agregar. Seu uso figurado originou-se no costume de quebras um bloco de argila para marcar o término de um contrato ou acordo: cada parte do acordo ficaria com um pedaço e, assim, quando juntassem os pedaços novamente, eles poderiam se encaixar como um quebra cabeça. Os pedaços, cada um identificando uma das pessoas envolvidas, eram conhecidos com Symbola.

Portando um símbolo não representa somente algo, mas também sugere “algo” que está faltando, uma parte invisível que é necessária para alcançar a conclusão ou a totalidade. Consciente ou inconscientemente, o símbolo carrega o sentido de unir as coisas para criar algo maior do que a soma das partes, como nuanças de significado que resultam em uma ideia complexa.

Os autores ainda complementam:

Os símbolos são o coração da identidade cultural, passando informações sobre todos os aspectos da vida. São retirados de todas as fontes – animadas e inanimadas – para inspiração e aparecem em todas as formas concebíveis, tais como figuras metáforas, sons e gestos, como personificações em mitos e lendas ou representados através de rituais e costumes.

Quando abordamos no âmbito da maçonaria ela destaca esse elemento conceituando simbolismo e símbolos. Não muito diferente dos conceitos já apresentados podemos dizer que o simbolismo se refere a um conjunto de símbolos. Esses remetem a fatos, crenças e formas de comunicação. Muito das suas origens e significados, acreditam terem surgidos nos templo egípcios e depois espalhados pelos demais povos.

Já os símbolos, pode se dizer que são representações emblemáticas de ideias ou princípios.

Segundo Denizart Filho (2012, p.65):

Em Maçonaria, todos os Símbolos são ligados à arte de construir, desde os objetos de construção, até ao exercício do ofício de do pedreiro; tais são: o Compasso, o Esquadro, a Régua, o Nível, o Prumo, a Trolha, aos quais hoje se empresta um sentido todo moral, espiritual e filosófico.

Dessa forma, levando em conta os objetivos e significados dos símbolos e, por consequência, o simbolismo na maçonaria, mediante os seus princípios é que abordaremos um dos símbolos mais presentes na historia da humanidade, a Corda. Objeto esse sempre presente nas mais diversas frentes e com as mais variadas aplicações e significados. Quando falamos sobre a maçonaria, esse objeto se destaca na Iniciação e na presença em Loja da corda de 81 nós.

Continua…

Autor: Marcelo Marcus Martins Costa

Marcelo é Aprendiz Maçom na ARLS Jacques DeMolay, nº22, do oriente de Belo Horizonte e jurisdicionada à GLMMG.

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