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Tornar feliz a Humanidade!

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É sabido que a Maçonaria moderna não é uma organização com propósitos específicos de auxílios mútuos, de caridade ou de promoção de campanhas sociais, mas tem responsabilidades e deveres para com a Sociedade, tendo entre vários de seus princípios o do combate ao obscurantismo, aos preconceitos, aos erros e o trabalho incessante pela felicidade do gênero humano.

A reflexão que fazemos neste momento é sobre a força revigorante do serviço voluntário que concretamente pode dar oportunidade ao autêntico Maçom de praticar o bem e a se dedicar à felicidade de seus semelhantes mais próximos e menos favorecidos pela sorte. Nada que o impeça de dedicar-se também a causas de maior apelo e repercussão.

Têm-se notícias que hoje no Brasil milhões de pessoas estão envolvidas em atividades voluntárias e que não se omitem ao abrigo do argumento de que isso é tarefa atribuída a governos e autoridades por lei encarregadas de cuidar dos mais necessitados. Nesse aspecto, não podemos olvidar a preocupação com a qualidade dos políticos e dos governos que nos representam e sobre os quais somos os responsáveis pela escolha.

Estudos sobre o tema já comprovam que pessoas que ajudam o próximo têm uma melhor saúde e vivem mais. Mas não é só isso. O espírito do trabalho voluntário remete a uma mudança mais profunda, a uma modificação em termos de atitudes e comportamentos que podem redundar em incentivo e criação de políticas que visem a eliminação das disparidades e da exploração dos mais fracos, que sabidamente aflige os trabalhadores pauperizados e deserdados do desenvolvimento.

Essas distorções decorrem de um arranjo competitivo de ações geradas por instintos, vícios e paixões, onde o ser humano, no afã de consumir cada vez mais, de melhorar o próprio status e conquistar poderes, se vê envolvido de uma forma gananciosa e desmedida na satisfação dos seus próprios interesses ou de seu grupo de referência, levando a descalabros como corrupção, inversão de valores, guerras, destruições e construção de muros dividindo ricos e pobres, com a exclusão de muitos.

E, no convívio diuturno com essa realidade, aos poucos tornamo-nos indiferentes ao sofrimento alheio, embotando nossa sensibilidade e sem nenhum impacto passamos a banalizar a tragédia, a sina dos perseguidos e refugiados, das vítimas de violência sob todas as suas nuances, e a aceitar a corrupção até há bem pouco tempo vista como endêmica e natural, como se tudo fosse normal.  Normal a situação de famílias, de jovens e adultos sem perspectiva e perambulando em busca de emprego, crakolândias se expandindo, crianças e pedintes nos sinais de trânsito, mendigos se aglomerando nos escassos pontos de assistência solidária, em busca de alimentação e de um alento, sem nenhum acesso à cidadania, à moradia, à saúde, à educação, ao transporte, à cultura e à dignidade, enfim.

Muitos de nós contornamos o conflito interno gerado com tal situação mediante golpes de generosidade, como o ato de dar esmolas, assinar cheques para obras de caridade, fazer doações esporádicas, mais frequentes no período do Natal e em campanhas promovidas pelas redes sociais ou amigos importantes, ou dizendo-se associado a um determinado grupo ou a um reconhecido clube de serviço, quiçá de amplitude global, somente para enfeitar currículos ou dar uma satisfação, sem, no entanto, suar a camisa.

Precisamos reconhecer que muitas vezes somos solidários por compaixão ou como desculpa para manter nossa consciência tranquila. E muitos ainda encontram consolo pensando lá no silêncio do coração: “sorte que não somos como eles!” Mas a solução não se resume simplesmente em doar dinheiro, dizer-se participante de movimentos de ajuda e permanecer com os braços cruzados, pregando o que os outros deveriam fazer ou aguardar que alguém o faça, ficando “de boa na janela”, no conforto do lar, apenas apontando ideias mirabolantes e criticando aqueles que fazem acontecer.

Mas é no ato da partilha, da solidariedade constante (destacamos) e de uma cidadania consciente, que se traduz o verdadeiro servir por amor. Isso se materializa quando arregaçamos as mangas e colocamos a mão na massa, nas práticas efetivas do bem, quando realizamos a missão maior do ser humano nesta experiência material do espírito, não apenas por meios indiretos e por palavras impactantes ou com posturas triunfalistas, mas de forma existencial, pela maneira transformadora de ser, que pode ser promovida individualmente ou por intermédio de organizações ou iniciativas voltadas para o voluntariado e que efetivamente se importem com o que se passa no campo social, na comunidade e não funcionem apenas para criação e distribuição de cargos vistosos e que satisfaçam apenas e tão-somente à vaidade dos que se dizem líderes desses movimentos.

Vemos, com muita esperança, multiplicarem-se as redes de solidariedade entre amigos, colegas de trabalho, ordens religiosas, clubes de serviços ou fraternidades, gerando oportunidades aos excluídos e que contribuem para amenizar desigualdades e injustiças, inspirando a consciência de que é bom e gratificante empenhar-se pelo bem comum, com o resgate de valores como a generosidade e o amor ao próximo e não apenas esperar pela ação sempre lenta e por vezes seletiva e enviesada dos governantes de plantão.

É muito bom ser um membro atuante de uma equipe composta por pessoas abnegadas e voltadas para compartilhar um pouco do que temos com os menos protegidos, mesmo que seja na simplicidade da doação de algumas horas de dedicação por mês. Melhor ainda é convidar um amigo para nos apoiar nessa empreitada e ouvir, depois uma tarefa cansativa, porém prazerosa e restauradora da alma, a exclamação: “obrigado pela oportunidade de poder ajudar! Eu fui o maior beneficiado!”.

Assim agindo estaremos contribuindo pela paz tão almejada, que somente pode ser alcançada com persistente esforço em prol de uma vida digna para todos. No simples exercício do serviço desinteressado, o Maçom pode construir um legado e dar um pequenino passo para uma jornada que permita viabilizar o tão decantado e às vezes distante ideal de “tornar feliz a humanidade” e demonstrar o verdadeiro amor e gratidão ao Grande Arquiteto do Universo.

Você não pode ir muito longe enquanto não começar a fazer algo pelo próximo.” (Melvin Jones)

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da Academia Mineira Maçônica de Letras, e para nossa alegria, também um colaborador do blog.

Carta de Londrina

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Ao finalizar duas Sessões de Pesquisas e Estudos, realizadas pela Loja de Pesquisas Maçônicas “Brasil”, de Londrina, ocorridas, respectivamente, nos dias 14/03/02 e, continuadas, no dia 11/04/02, dada a importância dos debates sobre o tema CARIDADE MAÇÔNICA, proferido pelo Irmão Francisco de Assis Carvalho (Xico Trolha), solicitaram os presentes que fosse redigida uma Carta de Intenções, tendo os presentes solicitado que a mesma fosse publicada nas revistas e periódicos maçônicos de todo o País, onde fossem referidos os pontos básicos destas duas palestras, alertando Maçons e, especialmente, os Veneráveis e Hospitaleiros, sobre o uso correto do Tronco de Beneficência, bem como o teor da palestra, que foi específica em esclarecer o que vem a ser a Caridade Maçônica, enfocada pelo ilustre palestrante.

Em resumo, após a palestra e debates, os Irmãos presentes chegaram a algumas conclusões:

  • A Maçonaria atual está, em muitos aspectos, afastada dos seus valores antigos e tradicionais e, em especial, em certos usos e costumes, os quais foram, paulatinamente, sendo, através dos anos, totalmente distorcidos;
  • Sabe-se que a Maçonaria, desde que apareceu, conseguiu sobreviver, no mundo, sempre em condições adversas, sofrendo perseguições e que seus primeiros componentes se protegiam como Irmãos, quer física, quer financeiramente. Qualquer membro da confraria era defendido em todos os sentidos e, em caso de sua morte a família, viúva e filhos, eram assistidos, financeiramente, nos mesmos moldes das confrarias de pedreiros, das guildas e outras entidades afins. Em algumas destas organizações havia até auxílio funeral, além de outros atendimentos;
  • A Maçonaria não auxiliava profanos de forma alguma, somente os Maçons, seus verdadeiros confrades, seus Irmãos e suas famílias, através de caixas ou fundos arrecadados especialmente para este fim;
  • No início do século XX a Maçonaria brasileira, alguns anos após a Proclamação da República, já sem outras metas maiores naquele momento, começou a competir com a Igreja Católica, Espírita e, posteriormente, com as Igrejas Evangélicas, em matéria de caridade a profanos;
  • A maioria das Lojas, atualmente cerca de 95%, desenvolve uma forma amadorística de filantropia, onerando seus obreiros pagantes e eliminando, através das famosas Sessões de finanças, aqueles que estão em atraso, a maioria das vezes por dificuldades ocasionais. Temos perdido muitos Irmãos nestas circunstâncias. Se a Loja tivesse um Fundo de Reserva, estes Irmãos poderiam ser socorridos;
  • É uma situação até certo ponto cultural, um erro de avaliação, pois acabamos, no afã de ajudar o próximo, esquecendo de nós próprios;
  • É nossa intenção levantar este problema para que a Maçonaria Brasileira reflita, e que quem queira ser filantropo, ou que queira ajudar profanos, que o faça em seu nome. Deixe sua Loja de lado. Não faça caridade envolvendo a Loja, ou Irmãos.

A Loja é mais uma Escola, onde se aprende as grandes lições de vida que ela nos ensina e, dentre elas, justamente a caridade, a fraternidade, o amor e o auto-aprimoramento. Mas, como nossos recursos são poucos e a maioria dos Maçons brasileiros é de classe média baixa, não podemos fugir às nossas tradições de autoproteção. Temos que investir nisso. Temos que acordar e fazer uso da Carta de Londrina, como faziam os primeiros Maçons. Não são as ajudas mútuas que salvam situações. Toda Loja deve ter um fundo de auxílio.

Às vezes, um membro da família de um Irmão falecido (nosso Sobrinho, por exemplo) necessita estudar e não tem condições. Ficará o jovem entregue a sua própria sorte?

O tronco de beneficência não poderá, jamais, ser usado para reforma de templos, ou para orfanatos, ou creches profanas. É uma tradição que não está sendo respeitada. Estamos tentando este tipo de apelo para sensibilizar Irmãos e Lojas e até Potências para que reflitam sobre as exposições aqui feitas, no intuito de nos tornarmos fortes, criando fundos, com estatutos bem definidos, organizados de forma bastante transparente, com assistência jurídica bem orientada, registrados em cartório, etc., para que possamos atender a família enlutada de muitos Irmãos, com dignidade, amor e fraternidade que elas merecem.

Autor: Hercule Spoladore

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