A corda de 81 nós – Parte 3

A corda de 81 nós - Freemason.pt

4 – A corda de 81 nós

Quando adentramos o templo, percebemos uma corda que circunda suas paredes, com nós ao longo do seu traçado, terminando em borlas, próximo à entrada. Muito se fala sobre os seus significados e origens dentro da maçonaria. Visível também dentro do painel da loja evidenciando a sua importância dentro da sociedade.

O Manual de Aprendiz Maçom, Instrução Grau 1, REAA, p.34, leciona:

Pendentes da corda de 81 Nós nos cantos da loja ou representadas nos quatros cantos do Pavimento Mosaico, vemos quatro BORLAS, colocadas nos pontos extremos da mesma para lembrar as quatro virtudes cardeais: TEMPERANÇA, JUSTIÇA, CORAGEM E PRUDÊNCIA, que -diz nossa tradição – sempre foram praticadas por nossos antigos irmãos

A corda é composta por 6 componentes simbólicos tais como os nós, o elo entre todos os maçons, a abertura voltada para o pórtico, as duas pontas pendentes em cada lado da Porta, o número padronizado de 81 (3 x 3 x 3 x 3) nós obedecidos por toda a face da Terra, a localizado dono central sobre o Trono do Venerável. Mestre.

Segundo Tito Campos, em Instrucional Maçônico, Grau de Aprendiz, os nós representam os irmão maçons espalhados pela Terra, onde os elos são a essência que nos une no plano espiritual mostrando que todos somos um. Afirma ainda que a corda no pórtico se trata de uma abertura para expansão intelectual e social com a entrada de novos membros pela porta do templo. Contudo, para a maioria dos pesquisadores, essa abertura significa que a Ordem Maçônica é dinâmica e progressista, estando, portanto sempre aberta a novas ideias, que possam contribuir para a evolução do homem e para o progresso racional da Humanidade, pois não pode ser maçom aquele que rejeita novas ideias em beneficio de um conservadorismo rançoso, dogmático e altamente deletério.

O Nó no Oriente vem representar o absoluto polarizando o equilíbrio dinâmico da evolução universal.

Segundo FILHO (2012, p.222):

“…há uma corda em que se contam 81 nós, chamados “laços do amor”. É a Cadeia de União”, cujas pontas terminam em borlas próxima das colunas “B” e “J”. “Esta corda é formada por um aglomerado de fios frágeis que representam os Maçons de todo o Mundo, unidos, tal como os fios, que formam a corda, constituindo assim um conjunto inquebrantável na afirmação do aforismo que ensina “A União faz a Força”“.

Prudência ou moderação, muito embora existam Templos na França que apresentam cordas com 12 “nós” representando os signos do Zodíaco.

O Ir.’. Aprendiz Alex Prosdocimi, em seu trabalho sobre O PAINEL DA LOJA DE APRENDIZ MAÇON, 2017, p. 24, apresenta outra fonte com um complemento da explicação simbólica das borlas presente nas cordas e aberturas dos templos.

Na Bíblia Sagrada, especificamente no Livro Números (Nm 15: 37-41), Deus determina a Moisés, que o povo faça no canto de suas vestes borlas, franjas (adorno pendente de fios de lã) e presas com um cordão azul.

Tal ordem destinava a lembrar a este povo que a Deus pertencia, bem como lembra-los de seus mandamentos e praticá-los. Na época a tinta azul era cara, difícil de achar, pois era tirada de um molusco. Desta forma, o Criador Supremo demonstrou a todos o quão precioso era aquele povo.

Na época dessa passagem Bíblica, quem usava as borlas eram reis, era um sinal de nobreza. Deus usou um símbolo para que todos contemplassem que cada filho de Israel era seu próprio filho, o filho de todos os Reis.

Uma das possíveis origens da “corda de 81 nós”, ocorre quando em 23 de agosto de 1773, por ocasião da palavra semestral em cadeia da união na casa “Folie-Titon” em Paris, tomava posse Louis Phillipe Orleans, como Grão mestre da ordem Maçônica, na França, onde estavam presentes 81 irmãos em união fraterna e a decoração da abóboda celeste apresentava 81 estrelas.

Entretanto, conhecemos hoje, a herança da “corda” que era desenhada no chão com giz ou carvão, fazendo parte alegoricamente de um Painel representativo dos instrumentos utilizados pelos Pedreiros livres. Agora nas reuniões maçônicas, seguindo o ritual, é pedido ao Irmão Guarda do Templo que verifique se o Templo está “Coberto” em sua parte externa, das indiscrições profanas, somente iniciando os trabalhos após sua confirmação. Seguindo a isto a protetora Corda Maçônica saiu do chão e elevou-se aos tetos dos Templos, significando a elevação espiritual dos Irmãos, que deixaram de trabalhar no chão com o cimento e passaram a trabalhar no plano superior com o cimento místico que é a argamassa da Espiritualidade. Esta corda é que oferece-nos proteção através da irradiação de energias pela “Emanação Fluídica” que abriga e sustenta a “Egrégora” (corpo místico) formada durante os trabalhos em Templo através da concentração mental dos Irmãos, evitando que ondas de energia negativa desçam sobre os presentes na reunião. As borlas separadas na entrada do Templo funcionam como captores da energia pesada dos Irmãos que entram, devolvendo-Ihes esta energia sob forma leve e sutil quando de sua saída. A estrutura dos “nós” (melhor denominados “laços”) representa o símbolo do infinito -∞- e a da perpetuação da espécie, simbolizando na penetração macho/fêmea, determinando que a obra da renovação seja duradoura e infinita.

Este é um dos motivos pelos quais os laços são chamados “Laços de Amor”, por demonstrar a dinâmica Universal do Amor na continuidade da vida. Os átomos detêm toda a sabedoria do Mundo, porque ele gera e cria novas propostas para a evolução humana. A Corda de 81 laços representa a laçada como um “8” deitado, lembrando ao Maçom que é preciso tomar muito cuidado para não puxá-la transformando-a em nó o que significaria a interrupção e o estrangulamento da fraternidade que deve existir entre os Irmãos. Os 81 laços são apresentados nos Templos Escoceses do Brasil e Paraguai.

Não menos importante se faz necessário à análise consoante ao número 81, representado através dos laços equidistantes, senão vejamos: Esotericamente, a “Corda de oitenta e um laços” simboliza a união fraternal e espiritual, que deve existir, entre todos os Maçons do mundo; representa, também, a comunhão de ideias e objetivos da Maçonaria, que evidentemente, devem ser os mesmos, em qualquer parte do planeta.

Para que um símbolo se torne de fato um símbolo são necessárias várias interpretações, justificativas e significados. Nesse contexto, inicialmente abstrairemos o laço central que é a representação do G∴A∴D∴U∴ entre seu passado e o seu futuro, representa o número um, a unidade indivisível, o símbolo de Deus, principio e fundamento do Universo.

O número um, desta maneira, é considerado um número sagrado. Destarte passemos às laterais com 40 laços, e lembramos que este número marca a realização de um ciclo que leva a mudanças radicais. A Quaresma dura 40 dias. Ainda hoje temos o hábito medicinal de colocar pessoas ou locais sob “quarentena” como se nela estivesse a purificação dos males antes existentes. Jesus levou 40 dias em jejum e tentações. Os Hebreus vagaram 40 anos no deserto. Quarenta foram os dias que durou o dilúvio (Gênese, 7-4). Quarenta dias passou Moisés no monte Horeb, no Sinai (Êxodo, 34-28). Os 40 laços representam os 40 dias que Jesus usou para preparar-se para a morte terrestre e os 40 dias que ficou entre nós após a ressurreição, preparando-se para a Eternidade.

Ato contínuo, analisemos as justificativas simbólicas no próprio número 81 que segue os princípios místicos da Cabala, senão vejamos: o número 81 é o quadrado de 9, que, por sua vez, é o quadrado de 3, número Perfeito, bastante estudado em Escolas Esotéricas e de alto valor místico, para todas as antigas civilizações; Três eram os filhos de Noé; Três os varões que apareceram a Abraão; Três os dias de jejum dos judeus desterrados; Três as negações de Pedro; Três as virtudes teolegais (Fé; Esperança e Amor). Além disso, as tríades divinas sempre existiram, em todas as religiões: Shamash, Sin e lchtar, dos Sumérios – Osíris, Isis, Hórus, dos Egípcios – Brahma, Vishnu e Siva, dos Hindus – Yang, Ying e Tao, do Taoísmo – Pai; Filho e Espirito Santo, da Trindade Cristã. Também não poderíamos deixar de citar a tríplice argamassa das oficinas Liberdade, lgualdade e Fraternidade.

O maçom J. Fabrício Machado, em seu artigo “A corda de 81 nós”, apresenta outras possíveis explicações, na tentativa de elucidar os conceitos da Corda e os 81 nós:

“Dentro da numerologia, os comportamentos humanos têm valores numéricos, de acordo com as letras de seus nomes. As letras são divididas em três grupos de 9 letras, cada letra com 3 chaves, a saber: o valor numérico que lhe é próprio; o som numérico que lhe é próprio; e a figura que a caracteriza. Como temos nove variações comportamentais segundo a psicologia, teremos 81 variações de comportamento. Podemos então dizer em estudo livre, que esta corda mostra também os 81 comportamentos que uma pessoa pode ter em uma existência, sendo então a representação do individuo e suas mudanças humorais.

A Cosmogonia dos Druídas, resumidas nas Tríades dos Bardos antigos, eram em número de 81 (as Tríiades) e os três círculos fundamentais de que trata esta doutrina, tem como valor numérico o 9, o 27 e o 81, todos múltiplos de Ragon, em seu livro “A Maçonaria Hermética”, no rodapé da página 37, diz em uma nota, que segundo o Escocês Trinitário, o 81 é o número misterioso de adoração dos anjos. Assim, segundo Oswaldo Ortega, da Loja Guartimozim de São Paulo, à luz do Esoterismo, ele cita que os 81 laços que estão no teto, portanto, próximos do céu, tem ligação com os 81 anjos que visitam diariamente a Terra, com mostram as Clavículas de Salomão, e se baseiam nos 72 pontos existenciais (os 72 nomes de Deus), da Cabala Hebraica modificados. A cada 20 minutos, um anjo desce à Terra e dá sua mensagem aos homens. São 72 visitas no curso do dia, se levarmos em conta que a cada hora teremos 3 anjos, em 24 horas, teremos 72 anjos. Agora, somando 72 anjos aos nove planetas que nos influenciam diariamente chegamos ao número 81. Sabemos que estes anjos podem nos ajudar se os chamarmos pelos nomes no espaço de tempo que nos visitam. E eles estão representados no teto do
Templo, através dos 81 laços.

Ponto finalizando encontramos ainda outra denominação à “corda”, ou seja, “Borda Dentada'”, traduzida pela corda de nos (laços de amor) que rodeia o “Quadro de Aprendiz” (3 ou 7 laços), assim como o “Quadro de Companheiro (5 ou 9 laços) terminada com uma borla em cada extremidade e que per si mereceria um estudo próprio. Não obstante ao explicitado, a lição primordial que nos resta é que a corda é a imagem da união fraterna que liga, por uma cadeia indissolúvel, todos os Maçons, simbolizando o segredo que deve rodear nossos augustos mistérios, assim como representa a Cadeia de União permanente pela busca da proclamada Fraternidade, tão bem explicitada no Salmo 133.”

5 – Considerações finais

Quando do aprofundamento dos estudos dentro da Maçonaria, é perceptível o universo de informações e conceitos que compõem os temas presentes dentro da sua respectiva filosofia. Dentro da numerologia, da historia, da Cabala, dos mitos, das crenças e vivências os conceitos vão se fundindo e se transformando em explicações mais sólidas e presentes nos nossos cotidianos dentro da sociedade maçônica ou no mundo profano. Torna-se convicto que esses conceitos e as diversas fontes e interpretações não são uma particularidade apenas da “Corda de 81 nós”, sendo uma realidade que vem construindo a Maçonaria e seus preceitos ao longo da sua existência. Salvo que as fontes sejam sempre de referências segura e reconhecidas dentro das verdadeiras Maçonarias para que isso se torne uma realidade.

Do ponto de vista de aprendiz, na mais humilde e inicial jornada, entendo que o mais importante é o que se aprende, vive e transmite com atos e comportamentos ao mundo profano para a melhoria da sociedade e sua lapidação pessoal.

A corda de 81 nós, tendo ou não sua origem nos trabalhos feitos com demarcações no chão, nos anjos presentes, nos nomes diversos do G∴A∴D∴U∴, nas numerologias, nos misticismos e referências associativas bíblicas, não deixam sucumbir o principal ponto de sua interpretação que levo como verdade. A união dos irmãos em todas as partes do mundo, os laços de amor entre todos, estando sempre abertas a novas ideias, entradas dos irmãos e, por que não, a limpeza das energias quando adentramos o templo e os deixamos para continuidade das nossas jornadas e trabalhos no mundo profano.

Sendo tão pouco abordada nas referências bibliográficas disponíveis e, muitas vezes, despercebida entre os irmãos iniciados me sinto privilegiado em abordar um tema tão presente no nosso dia a dia e que se faz cada vez mais necessário a sua aplicabilidade no mundo profano: a união, igualdade e laços de amor.

Autor: Marcelo Marcus Martins Costa

Marcelo é Aprendiz Maçom na ARLS Jacques DeMolay, nº22, do oriente de Belo Horizonte e jurisdicionada à GLMMG.

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Referências

CAMPOS, Tito Alves. Instrucional Maçônico, Grau de Aprendiz. Londrina, PR. Editora Maçônica FILHO, Denizart Silveira de Oliveira. Da Iniciação Rumo a Elevação – Comentários às Instruções do Ritual do Aprendiz Maçom do rito Escocês Antigo e Aceito. Londrina, PR. Editora Maçônica “A TROLHA” Ltda., 4ª edição, 2012. OLSEN, Oddvar (org.). Templários, As sociedades secretas e o mistério do Santo Graal. Rio de Janeiro, RJ. Editora Best Seller Ltda.2011. COUTO, Sérgio Pereira. Sociedades Secretas. São Paulo, SP. Editora Universo dos Livros, 2009. O’CONNELL Mark, AIREY Raje. Almanaque ilustrado SÍMBOLOS. São Paulo, SP. Editora Escala. 1ª Edição, 2010. MANSON, Mark. A sutil arte de Ligar o foda-se. Rio de Janeiro, RJ. Editora Intrínseca, 2017. MM.’.AA.’.LL.’. & AA.’. – Aprendiz Maçom Instrução Grau 1 – REAA, Leitura exclusiva para Maçons 2012 E∴V∴ PROSDOCIMI, Alex A da Silva, O Painel da Loja de Aprendiz Maçom. 2017 MACHADO, J. Fabrício, em seu artigo “A corda de 81 nós”. A∴R∴L∴S∴ Aurora Lemense O SIMBOLISMO DA CORDA DE 81 NÓS. Santa Catarina, São Joaquim. 2019. Disponível em: https://www.fraternidadeserrana.com.br.Acesso em 20 de maio de 2019.

A corda de 81 nós – Parte 2

Infraestruturas e o gargalo financeiro: como cortar o nó górdio? | JOTA Info
Alexandre corta o nó górdio (Jean-Simon Berthélemy – 1767)

3 – A corda

Quando buscamos nos aprofundar no objeto corda, percebemos que ele é mais do que isso. Conforme registros existentes, as primeiras cordas de que se tem conhecimento remetem a mais de vinte mil anos. Feitas dos mais diversos materiais, peles, fibras, plantas, algodões, entre outros, podemos dizer que, apesar do seu baixo reconhecimento na história como instrumento de alta importância, diversas coisas não seriam possíveis sem ela e deve ser considerado isso até os dias de hoje.

Apesar de parecer um objeto rudimentar, a corda acompanha as civilizações até os dias atuais. Aplicada na construção de grandes monumentos, como as pirâmides e o Coliseu, usada como recurso para confecção das maiores obras de arte, como capela Sistina, ela também foi fundamental para explorações, fabricação de armas, armadilhas de animais e pessoas, domesticações de animais, entre diversas outros usos.

A exemplo, na Grécia antiga, os cabelo longos das mulheres eram usados para fazerem as cordas necessárias para utilização na defesa das cidades. Já no Egito, usavam as cordas com “nós” para delinearem os terrenos a serem edificados, sendo que os “nós” demarcavam os pontos específicos das construções, onde deveriam ser necessárias aplicações de travas, colunas, encaixes, representando, portanto os pontos de sustentação. Também foi utilizada, na Idade Média, como instrumentos para medir e demonstrar dimensões e proporções da cúpula que se desejava construir através da sombra sabiamente provocada por uma luz.

Sua origem mais remota parece estar nos antigos canteiros dos trabalhadores em cantaria, ou seja, no esquadrejamento da pedra informe medieval, que cercava o seu local de trabalho com estacas, nas quais eram presos anéis de ferro, que, por sua vez, ligavam-se uns aos outros, através de elos, havendo uma abertura apenas na entrada do local.

Com a evolução das tecnologias e o avançar da história, a corda também passou por diversas transformações. A exemplo na Idade Média (cerca de 1300) as cordas eram bastante aplicadas nas navegações. As cordas eram fabricadas em até 300 metros de comprimento ou mais e eram chamadas de entrançaduras, Esse sistema que permitia unir duas cordas ou mais, dobrando seu diâmetro. Além da sua aplicabilidade como recursos de trabalhos. a corda em diversos momentos foi utilizada como meio de castigos, penitências, símbolos de orações e marcos na história da humanidade. Além disso, a sua maneira de utilidade varia de acordo com a sua inserção, como laços, tranças, nós, entre outros.

Como exemplos podemos citar as cordas com nós que, ao logo dos anos, se transformaram em correntes, terços e outros meios de oração. Comum entre muitas religiões, a corrente ou cordas possuem nós. Para os mulçumanos, os 99 nós ou contas, simbolizam os 99 nomes de Alá e são conhecidos como misbaha[1] ou subha. Já os Hindus e budistas usavam as cordas e/ou correntes, conhecidas como mala, onde temos 108 nós que refletem os vários estágios de desenvolvimento do mundo. As cordas ou rosários católicos possuem, em média, 165 nós ou contas, divididas em 15 conjuntos de 10 pequenos nós e um grande representando as orações da Ave-maria e Pai Nosso.

Outra representação da corda é com o laço, nesse caso símbolo maçônico que liga alguém à vida. Em alguns ritos, é utilizado em cerimônias especiais.

Segundo FILHO (2012, p.184):

A corda ao redor da cintura é o estado da escravidão às paixões; lembra-nos também o cordão umbilical do feto no ventre materno, um ser sem individualidade. Simboliza tudo o que ainda prende o Profano ao mundo de que está saindo.

Tanto nas literaturas quanto nas mais diversas tradições sagradas, os nós também simbolizam o poder de prender e libertar. No antigo Egito, segundo Connell’ Marks

“… o nó de Ísis[2] (um tipo de Ank[3] com braços amarrados) era um emblema da vida e da imortalidade. Os nós podem ser utilizados para simbolizar o amor e o casamento. Um tema recorrente na arte Celta, seu simbolismo está ligado aos ouroboros5, o movimento e união contínuos dos seres humanos e das atividades cósmicas. Um nó entrelaçado e frouxo simboliza eternidade ou longevidade. Nós apertados simbolizam união, mas também bloqueio ou proteção.“

Outro exemplo marcante da corda e os nós se refere ao nó Górdio. Trata-se de uma lenda que envolve o rei da Frígia (Ásia Menor) e Alexandre, o Grande. Górdio, um camponês que foi coroado com o novo rei da Frígia (Ásia Menor), com o objetivo de não esquecer seu passado e agradecer sua coroação, amarrou sua carroça a uma coluna no templo de Zeus com um enorme nó. Ele, na prática, era impossível de ser desatado, ficando assim famoso.

Quinhentos anos se passaram sem ninguém conseguir realizar esse feito, até que, em 334 a.C., Alexandre, o Grande, ouviu essa lenda ao passar pela Frígia. Intrigado com a questão, foi até o templo de Zeus observar o feito de Górdio. Após muito analisar, desembainhou sua espada e cortou o nó. Lenda ou não, o fato é que Alexandre se tornou senhor de toda a Ásia Menor poucos anos depois.

Continua…

Autor: Marcelo Marcus Martins Costa

*Marcelo é Aprendiz Maçom na ARLS Jacques DeMolay, nº22, do oriente de Belo Horizonte e jurisdicionada à GLMMG.

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Notas

[1]Masbaha ou misbaha (em árabe: مسبحة ), também conhecido como subha ( سبحة ), tasbih ou tespih (تسبيح , [taṣbīḥ]) é um objeto similar a um rosário, de uso tradicional entre os fiéis da religião islâmica. Conhecido na Grécia como kombolói, chamado também de terço grego, terço árabe e terço islâmico, é usado para meditações, orações e pedidos de auxílio.

[2] – Isis é uma das deusas mais importantes da mitologia egípcia! Também chamada de Sait, Ist, Iset, Aset ou Ueset, ficou famosa pela sua postura como esposa e mãe, sendo vista como deusa da fertilidade e da maternidade. Filha de Geb (deus da terra) e Nut (deusa do céu), esposa de Osíris e mãe de Hórus.

[3] – Ankh (pronuncia-se “anrr” nas línguas semitas, como hebraico e árabe. A junção das consoantes k e h cria o som de dois r em um fonema a partir da garganta como uma expiração) conhecida também como cruz ansata, era na escrita hieroglífica egípcia o símbolo da vida. Conhecido também como símbolo da vida eterna. Os egípcios usavam-na para indicar a vida após a morte.

A corda de 81 nós – Parte 1

Desvendamos todos os segredos e tradições da maçonaria em Jaraguá do Sul

“…Eu vejo a vida da mesma forma. Todos nós recebemos cartas aleatórias no início do jogo, alguns cartas melhores. E, embora seja fácil nos fixar no que está na mão, e sentir que nos ferramos, o jogo está nas escolhas que fazemos com essas cartas, nos riscos que decidimos correr e nas consequências com as quais escolhemos viver. Quem, de maneira consistente, faz as melhores escolhas diante das situações que se apresentam acaba ganhando no pôquer, e na vida. Não necessariamente que tem as melhores cartas…” (Mark Manson)

1 – Introdução

Como proposta, esse trabalho busca abordar o tema: A corda de 81 Nós.

Símbolo que consta em diversos contextos dentro da loja como dentro do templo, painel mosaico e historias de antigas reuniões. Porém, apesar de inúmero trabalhos já apresentados pelos IIr∴, ainda percebe-se pouco material de referência, ou até mesmo similares descrições, desprezando às vezes os conceitos existentes por trás do objeto “corda”.

Contudo, antes de darmos seguimento ao descritivo e intrigante tema, que muitas vezes é despercebido por alguns IIr∴, sinto a necessidade de contextualizar um pouco os sentimentos que me levaram a maçonaria, quanto seu enigmático universo de abordagens e conceitos e a capacidade de elucidar as minhas perspectivas diante da escolha do tema. Isso posto, não posso desconsiderar que a escolha do tema também está diretamente ligada ao que entendo como parte do que, mesmo desconhecendo incialmente a abordagem, me levou a aceitar o convite.

A maçonaria entrou num contexto do meu cotidiano através de alguns IIr∴ que prezo como seres realmente diferenciados, seja pela postura na sociedade, pelo conteúdo cultural presente, como também pela busca da evolução quanto ser humano para apoiar com pensamentos e trabalhos o mundo Profano.

Para não se tornar apenas um curioso de avental, ideia ao qual partilhei no início da minha jornada, dentro dos abismos luminosos da Maçonaria, me vi diante de um desafio de aprendizado e busca do conhecimento a fim de entender melhor os propósitos da minha caminhada, tão qual me sinto cada vez mais inserido aos desígnios do G∴A∴D∴U∴.

Com foco em entender melhor esses propósitos não cabe nenhum aprendizado sem a compreensão do real conceito e objetivo do que é a Maçonaria. Sendo assim, se faz necessário conceituar o seu significado e introduzir alguns conceitos que, aos olhos do profano podem ser simplificados e minimizados em sua importância, mas que nos olhos dos iniciados abrem portas para crescimentos e evoluções espirituais inimagináveis até aquele momento.

Dessa forma esse trabalho terá como parte de sua introdução o conceito da maçonaria em sua íntegra, se desdobrando para os conceitos de simbologia, aplicabilidade dele no objeto corda e suas aplicações na história e por fim a corda de 81 nós.

1.2 – Maçonaria

Muitos perguntam o que é a maçonaria? Contudo, poucos entendem, dentro do mundo profano, seus principais objetivos. Dessa forma, para melhor esclarecer a maçonaria proponho entendermos o significado da palavra na sua integra e, posteriormente, fazer uma associação aos seus conceitos como instituição e as características de um maçom.

A palavra Maçonaria é de origem francesa e significa construção, tendo como versão em português a expressão do francês maçon. Por extensão tem seu significado como “associação de pedreiros”.

Como se pode ver a maçonaria está relacionada à construção, associação de pedreiros que remetem ao crescimento, desenvolvimento e construção da sua personalidade dentro da instituição. Sempre seus atos são encaminhados ao conceito das obras realizadas. Não apenas pelo conceito literal da palavra, mas pelo seu significado e desenvolvimento diante dor IIr∴ e da sociedade como um todo. a qual identificamos como o mundo profano.

Entendendo melhor a maçonaria, Denizart Filho (2012, p.23) define bem como:

A Maçonaria é uma instituição filantrópica, filosófica e progressista, tendo por objetivo o aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual da humanidade, por meio da investigação constante da verdade, do culto inflexível da moral e da prática desinteressada da solidariedade.

A Maçonaria é uma associação de homens sábios e virtuosos, que se consideram Irmãos entre si e cujo fim é viverem em perfeita igualdade, intimamente unidos por laços de recíproca estima, confiança e amizade, estimulando-se uns aos outros na prática das virtudes.

A Maçonaria é um sistema de Moral, velado por alegorias e ilustrado por Símbolos.

A Maçonaria é uma ordem de fraternidade Universal, sujeita às leis de cada país. Em cada Estado, como em cada Loja, ela é uma sociedade íntima de homens escolhidos, cuja doutrina tem por BASE o amor a Deus e o amor aos homens; por REGRA, a religião natural e a moral universal; por CAUSA, a verdade, a luz e a liberdade; por PRINCÍPIO, a Igualdade, a Fraternidade e beneficência; por ARMAS, a persuasão e o bom exemplo; por FRUTO, a virtude, a sociabilidade e o progresso; e por FINALIDADE, o aperfeiçoamento e a felicidade da humanidade que ela tende a reunir sob uma só bandeira. Seu centro e seu império estão onde está o gênero humano; não se trata de uma sociedade secreta, mas de uma sociedade que tem um segredo.

Em cima das apresentações do que é a maçonaria, dentro das definições apresentadas por Denizart Filho (2012, p.110-111), um maçom deve ter como principais características:

  • A Virtude: Hábito de praticar o bem, o que é justo; é a excelência moral; probidade; retidão; o conjunto de todas as qualidades morais;
  • Honra: O sentimento que leva o homem a merecer e manter a consideração pública; é à consideração ou homenagem à virtude, ao talento, às boas qualidades humanas;
  • Bondade: É a disposição natural de se fazer o bem; benevolência; brandura; indulgência; boa índole.

Dentro desse processo de construção do aperfeiçoamento moral além dos estudos e trabalhos a serem realizados, a Maçonaria se constitui por características específicas, “armas para buscar a verdade, valores do qual deve se lembrar sempre em sua evolução, rituais e símbolos”. Esse ultimo designa um papel fundamental em resgatar de forma lúdica os conceitos e valores que regem as origens e prerrogativas dessa sociedade.

2 – Símbolos

Todas as historias, sejam da constituição de uma sociedade, irmandade, grupos religiosos, tão quais as crenças de em todas as suas culturas e localidades são compostas e/ou representadas por símbolos. Essas apresentações trazem conceitos, mensagens ocultas, ou simples representações que remetem sempre a algo de maior grandeza para os integrantes ou seguidores daquela ordem proposta. Importante ressaltar que suas origens, ao contrário do que se entende das propostas comuns citadas tem suas origens em outros meios.

Para entendermos melhor, Mark O’Connel e Raje Airey (2010, p.06) apresentam a sua origem sendo:

A palavra “símbolo” é derivada do grego antigo Symballein, que significa agregar. Seu uso figurado originou-se no costume de quebras um bloco de argila para marcar o término de um contrato ou acordo: cada parte do acordo ficaria com um pedaço e, assim, quando juntassem os pedaços novamente, eles poderiam se encaixar como um quebra cabeça. Os pedaços, cada um identificando uma das pessoas envolvidas, eram conhecidos com Symbola.

Portando um símbolo não representa somente algo, mas também sugere “algo” que está faltando, uma parte invisível que é necessária para alcançar a conclusão ou a totalidade. Consciente ou inconscientemente, o símbolo carrega o sentido de unir as coisas para criar algo maior do que a soma das partes, como nuanças de significado que resultam em uma ideia complexa.

Os autores ainda complementam:

Os símbolos são o coração da identidade cultural, passando informações sobre todos os aspectos da vida. São retirados de todas as fontes – animadas e inanimadas – para inspiração e aparecem em todas as formas concebíveis, tais como figuras metáforas, sons e gestos, como personificações em mitos e lendas ou representados através de rituais e costumes.

Quando abordamos no âmbito da maçonaria ela destaca esse elemento conceituando simbolismo e símbolos. Não muito diferente dos conceitos já apresentados podemos dizer que o simbolismo se refere a um conjunto de símbolos. Esses remetem a fatos, crenças e formas de comunicação. Muito das suas origens e significados, acreditam terem surgidos nos templo egípcios e depois espalhados pelos demais povos.

Já os símbolos, pode se dizer que são representações emblemáticas de ideias ou princípios.

Segundo Denizart Filho (2012, p.65):

Em Maçonaria, todos os Símbolos são ligados à arte de construir, desde os objetos de construção, até ao exercício do ofício de do pedreiro; tais são: o Compasso, o Esquadro, a Régua, o Nível, o Prumo, a Trolha, aos quais hoje se empresta um sentido todo moral, espiritual e filosófico.

Dessa forma, levando em conta os objetivos e significados dos símbolos e, por consequência, o simbolismo na maçonaria, mediante os seus princípios é que abordaremos um dos símbolos mais presentes na historia da humanidade, a Corda. Objeto esse sempre presente nas mais diversas frentes e com as mais variadas aplicações e significados. Quando falamos sobre a maçonaria, esse objeto se destaca na Iniciação e na presença em Loja da corda de 81 nós.

Continua…

Autor: Marcelo Marcus Martins Costa

Marcelo é Aprendiz Maçom na ARLS Jacques DeMolay, nº22, do oriente de Belo Horizonte e jurisdicionada à GLMMG.

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