A proclamação maçônica de Fé

Oração para aumentar a fé: renove a sua crença - WeMystic Brasil

Em 1722, James Anderson, um ministro presbiteriano e maçom foi contratado pela nova grande loja de reescrever a sua constituição. Ele fez um movimento dramático e corajoso, a fim de perseguir a ideia de uma fraternidade universal. As duas primeiras obrigações em sua nova constituição foram pontos de partida radicalmente inovadores de conceitos previamente existentes e que permitiriam à Fraternidade alcançar homens de todas as fés. Sua primeira Obrigação, lidando com Deus e da religião causaria mais comentário e má interpretação do que qualquer outra nos últimos 285 anos, onde se lê:

“Um Maçom é obrigado em sua ação, a obedecer à lei moral, e se ele compreende corretamente a Arte, nunca será um ateu estúpido nem um libertino sem religião. Mas, embora em tempos antigos os maçons fossem obrigado em cada País a ter a Religião daquele país ou nação, qualquer que fosse ela, ainda assim pensa-se ser agora mais conveniente obrigá-los a ter apenas aquela religião na qual todos os homens concordam, deixando suas opiniões particulares para si ; isto é, serem homens bons e verdadeiros, ou Homens de Honra e Honestidade, quaisquer que sejam as Denominações ou Obediências que os possa distinguir; dessa forma a Maçonaria se torna o centro da União, e os meios de conciliar a verdadeira amizade entre pessoas que de outra forma permaneceriam perpetuamente separados.” [1]

Anderson começa reafirmando a obrigação de um Maçom de cumprir a lei moral. Para cada religião daqueles dias isso incorpora o conceito de não fazer aos outros aquilo que não se faria a si mesmo. Um Maçom que entende a arte da Maçonaria nunca poderia duvidar da existência da divindade ou ser um libertino moralmente desenfreado, deixando de lado a moral, a ética e a existência de um poder superior operando o universo. Tendo aberto totalmente a porta, ele rejeita o argumento de que em um país cristão, um maçom tinha que ser cristão e afirma que uma vez afirmada a existência de um Ser Supremo e concordando-se em cumprir a lei moral, suas crenças religiosas são de foro íntimo.

Não está na natureza dos homens aceitar nem mesmo as melhores leis, sem tentar mudá-las para sua própria vantagem. Um pouco mais de 30 anos se passariam até que uma nova Grande Loja escrevesse uma outra Constituição, desta vez por um autor católico, Laurence Dermott que tentou devolver a Maçonaria ao reino do cristianismo.

“Um maçom é obrigado pelo seu Mandato a observar a lei moral como um verdadeiro NOACHITA; e se ele compreende corretamente a Arte, nunca será um ateu estúpido nem um libertino irreligioso, nem agirá contra a Consciência.

Em tempos antigos, os maçons cristãos eram acusados ​​em agir em conformidade com os usos cristãos de cada país em que eles viajavam ou trabalhavam; sendo encontrados em todas as Nações, inclusive de diversas religiões.

Eles eram geralmente obrigados a aderir àquela religião na qual todos os homens concordam (deixando a cada irmão a sua própria opinião particular); isto é, para ser homens bons e verdadeiros, Homens de honra e honestidade, não importando os nomes, religiões ou convicções pelos quais eles possam ser distinguidos, pois todos eles concordam em três grandes artigos de Noé, suficientes para preservar o Cimento da Loja. Assim, a Maçonaria é o Centro de sua União, e os Meios felizes de conciliar Pessoas que, caso contrário teriam permanecido em um perpétua Distância.” [2]

Esta Constituição exige que os maçons devem crer firmemente, não só verdadeiramente adorar o Deus eterno da Igreja Católica, mas também nos registros sagrados, que os dignitários e os pais da Igreja cumpriram e publicaram para o uso de todos os homens de bem. E em relação aos ateus, os não-cristãos não precisavam solicitar o ingresso. Sessenta e seis anos depois, o pêndulo balançaria de volta. A Constituição Maçônica da Grande Loja Unida da Inglaterra, formada em 1813 pela fusão de Modernos e Antigos abriu a porta para homens de todos os credos e introduziu o conceito de Deus como o Grande Arquiteto do Universo.

“Um Maçom é obrigado em sua ação, a obedecer à lei moral, e se ele compreende corretamente a Arte, nunca será um ateu estúpido nem um libertino sem religião. Ele, entre todos os homens, deve entender melhor que Deus não vê como o homem vê, pois o homem olha para a aparência externa, mas Deus olha para o coração. Um maçom é, portanto, particularmente obrigado a nunca agir contra os ditames de sua consciência. Deixe que a religião de um homem ou modo de adoração seja qual for, ele não é excluído da ordem, desde que ele acredite no glorioso arquiteto do céu e da terra, e pratique os sagrados deveres de moralidade. Maçons se unem aos virtuosos de toda religião no firme e agradável vínculo de amor fraterno; eles são ensinados a ver os erros da humanidade com compaixão, e esforçar-se, pela pureza de sua própria conduta para demonstrar a excelência superior da fé que eles possam professar. Assim, a maçonaria está no centro de união entre os homens bons e verdadeiros, e os meios felizes de conciliar amizade entre aqueles que de outra forma, manter-se-iam em distância perpétua.” [3]

O conceito de Deus em relação à filosofia maçônica continuaria pelos próximos 200 anos, conforme ilustrado no seguinte diálogo entre Albert Pike e Henry Leeson.

Em 1861, Henry B. Leeson do Supremo Conselho da Inglaterra escreve:

“Foi um privilégio coletar e preservar os disjecta membra do Rito Antigo espalhados neste e em outros países, os quais atestam a antiga base cristã da Ordem.” [4]

No entanto, o sistema de 33 graus do Rito Escocês de graus traça as suas raízes somente até a Grande Constituição de 1785, supostamente sob a autoridade de Frederico II. Portanto, qualquer referência a uma antiga base cristã precisaria referir-se à Maçonaria em geral e não ao Rito Escocês, em particular.

Em resposta a esta carta, o Soberano Grande Comendador da REAA SJ, Albert Pike, escreve:

“Eu não concordo com o Ilmo. Irmão Leeson, que a base antiga da Ordem era cristã. Se assim fosse, a Maçonaria prussiana teria estado certa ao excluir judeus da admissão às suas Lojas. Se assim fosse, seria uma fraude afirmar que a Maçonaria é universal. Nesse caso, como poderiam existir Lojas de hebreus e muçulmanos? E em relação ao Rito Antigo e Aceito, se ele tivesse uma base cristã, como é que a maioria daqueles que tiveram sua posse neste país de 1763 a 1800 eram hebreus?” [5]

Dez anos depois, o irmão Lindsay Mackersy 33°, o Delegado Escocês ao Congresso de Lausanne de 1875 iria protagonizar a maior jogada de desorientação da História Maçônica ao usar o conceito maçônico de crença em um Ser Supremo para anular e cancelar de forma cuidadosamente orquestrada os planos dos Supremos Conselhos Inglês e Francês, enquanto ao mesmo tempo, dava início a uma troca de tiros que ainda grassa nos dias atuais. John Mandelburg escreve:

“Embora Pike desejasse ver o REAA como tão “Universal” quanto o Craft, ele sempre sustentou rigidamente o que era proclamado por todos os corpos maçônicos regulares desde tempos imemoriais, uma profissão de fé por cada candidato no Grande Arquiteto do Universo como um Ser pessoal, cuja vontade revelada está contida em qualquer Volume da Lei Sagrada reverenciado pelo Iniciado. Que o Conselho Supremo Inglês foi ainda mais longe na exigência dos irmãos sob sua jurisdição de uma crença explícita na fé trinitária cristã, reforçada, ao invés de removida dessa posição. Nem Pike, nem, na verdade, qualquer membro dos três Supremos Conselhos britânicos, poderia conceber uma Maçonaria regular, que não fosse baseada em uma crença em uma divindade pessoal. [6]

No entanto, os persas acreditavam na existência de um Deus invisível. Eles acreditavam que há uma guerra contínua entre as forças do bem (forças da luz) e as forças do mal (forças das trevas). As forças do bem ganharão se as pessoas fizerem boas ações, tiverem bons pensamentos e falar bem. Deus era representado em seus templos através do fogo. Pike devia ter uma crença semelhante, porque ele cita o seu catecismo em sua palestra sobre o grau 28:

“Nós acreditamos em um só Deus, e não acreditamos em qualquer um além D’Ele; que criou os céus, a terra, os anjos. . . Nosso Deus não tem nem rosto, nem forma, nem cor, nem formato, nem lugar fixo. Não há outro como ele, nem pode a nossa mente compreendê-Lo.” [7]

Por que então Pike contradiz-se após o Congresso de Lausanne de 1875?

Autor: Jack Buta

Tradução: José Filardo

Fonte: REVISTA BIBLIOT3CA

Extrato do Artigo “A CONSPIRAÇÃO DE DEUS”
Publicado em: Review of Freemasonry Pietre-Stones

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O processo iniciático maçônico

ARLS Pier Campadello: Processo iniciático: Alegoria da Caverna

Os maçons não discutem Religião em Loja. No entanto, na Maçonaria Regular, apenas são admitidos maçons homens livres e de bons costumes, sendo um desses, obrigatoriamente, a crença num Criador.

Para a Maçonaria e para os maçons, é absolutamente indiferente que nome cada um dá à Divindade em que crê: Deus, Jeovah, Alá (aliás, consabidamente, três nomes para a mesma Entidade), Brahma ou Tao. O que importa é a real existência da crença, porquanto só a partir dela e com ela se pode percorrer o caminho esotérico que leva ao aperfeiçoamento espiritual individual, segundo o método maçónico de confrontação, percepção e estudo dos símbolos e utilização da sua compreensão como bases ou patamares sucessivos para a compreensão de realidades e conceitos sucessivamente mais complexos, na busca da Luz, ou seja, a compreensão do Divino e, assim, do significado da Vida e da Morte física, do nosso papel no Mundo e na Criação, da nossa relação com o Criador.

O processo iniciático maçónico aglutina, assim, a Crença e a Razão, o Conhecimento Empírico e a Experimentação, a Observação e a Especulação, e é um processo sempre individualmente realizado, pelos caminhos e pela forma de cada um, segundo as suas capacidades, necessidades e disponibilidade, mas também sempre com o auxílio, a força, a cumplicidade, a disponibilidade do grupo em que se insere, a Loja.

Trata-se, assim, de um processo simultaneamente baseado na Crença e na Razão, no individual e no coletivo, que conduz ao aperfeiçoamento espiritual e, por via dele, ao aperfeiçoamento moral e social.

Pela sua natureza e pela complexidade dos conceitos a intuir, muitas vezes mais do que compreender, é um processo demorado e, sobretudo, em que não é realmente possível queimar etapas. Cada passo é essencial para pisar terreno que permita o passo seguinte. Pretender saltar ou efetuar acrobacias, ainda que vistosas, só tem como resultado a queda no abismo do Erro, conducente ao vale da Ignorância.

Em Maçonaria nada se diz, nada se ensina, tudo se sugere, tudo se simboliza, assim tudo se aprende, cada um segundo a sua real necessidade e através das suas capacidades. E assim cada um segue o seu caminho, este intuindo isto, aquele algo de diverso, como peregrinos que vão fazendo cada um o seu caminho, embora todos desejando chegar ao mesmo santuário. O grupo, a Loja, fornece a cada um a escolha dos meios de transporte, aponta a direção, ajuda a organizar a jornada, mas é exclusivamente a cada um que cabe escolher o seu caminho – se é que porventura não será o Caminho que se abre a cada um…

Cada um estará no seu estágio de aperfeiçoamento e seguirá no seu ritmo. Simbolicamente (cá está, em Maçonaria o símbolo é – quase – tudo!), cada um se situa em graus de evolução diferentes, uns ainda Aprendizes, outros Companheiros, outros já Mestres. Os Aprendizes ainda dependem, quase totalmente, do apoio e suporte da Loja, pois ainda estão a procurar reconhecer o mapa, a procurar descobrir a direção, a aprender a ler os sinais indicadores e a reconhecer os enganos. Os Companheiros já sabem para onde querem ir, que direção seguir, mas dependem do auxílio dos mais experientes para decidir quais os percursos que mais lhes convêm e como os percorrer. Os Mestres, esses, já conseguem saber, por si, como e quando e por onde devem prosseguir sua caminhada, já conseguirão corrigir erro na determinação da via e têm capacidade para retomar sua orientação. Mas sempre verão com satisfação o auxílio de seus Irmãos na busca que realizam, ao mesmo tempo que cumprem seu dever de auxiliar e orientar todos os seus Irmãos, qualquer que seja o seu Grau ou Qualidade.

Não nos enganemos, porém: o grau “administrativo” que cada Loja atribui a cada um de seus Obreiros é apenas simbólico, ilustrativo.

Por se ser Mestre de uma Loja, não se quer dizer que se seja realmente Mestre no Caminho Iniciático Maçônico. E alguns Aprendizes ou Companheiros de Loja sinto que percorrem bem mais seguramente seu caminho do que alguns Mestres como tal definidos na Loja…

Grande erro seria confundir o Grau que ao maçom é “administrativamente” atribuído em Loja (afinal dependendo do decurso do tempo, temperado com alguma assiduidade e a execução de alguns trabalhos não demasiadamente exigentes…) com o grau de evolução que realmente esse maçom apresenta: afinal seria cometer o erro mais básico que o mais jovem Aprendiz pode cometer (e que, naturalmente, é normal e expectável que cometa), o de confundir o Símbolo com a Realidade que esse símbolo simultaneamente oculta e revela!

Resumindo: ser maçom não é só reunir em Loja, usar avental e luvas brancas, ter preocupações sociais e tratar os demais como e por Irmãos; é, claro, também tudo isso, mas é muito mais do que isso, é percorrer o tal caminho, buscar, pelo seu modo e a seu jeito, a sua Luz, assim, a pouco e pouco, se reconciliando com a Vida e, sobretudo, com a inevitabilidade da Morte física. Não será exatamente, como escreveu Camões, se ir “das leis da Morte libertando”, mas talvez esse percurso permita, em paz conosco e com tudo o que nos rodeia, libertarmo-nos do medo da dita.

A cada um que foi iniciado maçom foi reconhecido por uma Loja maçónica a capacidade, a virtualidade, a potencialidade, para seguir esta via iniciática, através do método maçónico.

Se o fará ou não, é com cada um. Se o quiser fazer, quando o fará, ainda é com cada qual. Uma Loja maçónica é, antes do mais, um espaço de liberdade (“um Maçom livre, numa Loja livre” é um inalienável princípio básico na Maçonaria) e apenas disponibiliza o seu auxílio, nada impõe, a ninguém critica.

Mas, pelo menos, vai sempre lembrando, para que cada um possa ouvir quando quiser ouvir, entender quando puder entender, aceitar quando lhe apetecer aceitar, que (sempre!) o Caminho faz-se caminhando.

Autor: Rui Bandeira

Fonte: A Partir da Pedra

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De Deus ao Grande Arquiteto do Universo

Pierre Dupont, Portrait de Pierre François, huile sur toile, 76 x ...

Na abertura dos trabalhos na Grande Loja da França se fala “Á Glória do Grande Arquiteto do Universo”, e essa mesma invocação é repetida ao término dos trabalhos. Ao ouvir isso, os Irmãos consideram essa expressão como um fato original e raramente questionam a sua origem e significado profundo. Mas é necessário conhecer nossa História para saber de onde viemos. O presente artigo nos permitirá saber como chegamos a essa noção de Grande Arquiteto que é, pelo Rito Escocês Antigo e Aceito, a pedra angular do caminho iniciático. Vou tentar explicar como a Maçonaria iniciática passou de Deus ao Grande Arquiteto do Universo.

Desde o nascimento do Cristianismo até o fim do Idade Média, Deus está em toda parte e em tudo, e ai de quem contestasse este postulado. Na Maçonaria, até o século XVIII, os trabalhos se desenrolavam e seus juramentos eram realizados sobre a Bíblia, “na presença de Deus e de São João”. A invocação de Deus era vital na época porque, desde a Idade Média, a onipotência da Igreja Apostólica Romana governava não apenas a consciência, mas também todas as instituições, desde corporações menores até a realeza. Ela condenava à morte aqueles que não pensavam dessa forma. Desde o início da Maçonaria, a crença é, portanto, obrigatoriamente em Deus, Grande Geômetra (de acordo com a expressão de Pitágoras) que mede o universo com sua bússola, como mostrado por muitas iconografias do século XIV, e ainda permanece hoje na Maçonaria Anglo-Saxônica.

Em toda religião, a Palavra Divina tem uma virtude criativa. Assim, em Gênesis, seres e coisas adquirem sua existência no momento em que Deus as cria e dá nome a elas. Essa noção criacionista da Palavra ainda se encontra nas sociedades tradicionais, sendo uma condescendência primitiva, onde o recém-nascido só entra no estado de criatura após vários dias ou várias semanas, a partir do momento em que recebe um nome, resultado de um ato de fala. Dar um nome para um ser ou uma coisa é equivalente a um ato divino e fornece uma forma de poder para quem nomeia sobre aquele que é nomeado.

Então, dando um nome à divindade, o homem de alguma forma, garante poder sobre ela e a reduz para a dimensão humana. Os homens, com a cumplicidade de alguns religiosos, apreenderam a noção de Deus para dar-lhe não apenas um forma humana (isso é chamado de antropomorfismo), mas também sentimentos que o representam como um parente (um exemplo é o Deus Pai), um patriarca que pede para ser adorado, que se eleva a Juiz Supremo (veja o último julgamento) e que pune aqueles que pecam contra ele (ver Inferno e Purgatório). Deus é assim concebido à imagem do homem e é apenas um reflexo de sua personalidade. Aqueles que permanecem escravos de concepções imperfeitas e estreitas sobre o que é a Divindade, são suscetíveis a gerar fanatismo, fundamentalismo e perseguições, que são a negação da liberdade de consciência, como vemos com muita frequência em nossa sociedade atual.

Pela Maçonaria dos Antigos, à qual nós pertencemos, desde que a ideia permaneça única e homogênea nas Lojas e não difere da ideia de Deus do mundo profano, isto é, da Igreja Católica Romana, a ideia de um Deus Geômetra se tornou o início do renascimento do Grande Arquiteto do Universo (a primeira menção se deve a Philibert Delorme por volta de 1565, que o retirou de Platão), que não apresentou problemas aos irmãos: o Grande Arquiteto era Deus. Mas com o início do Iluminismo, se passa a  defender a ideia da religião natural e gradualmente abandonará a noção de espiritualidade, uma ideia que será adotada pela Maçonaria dos Modernos, como evidenciado pela primeira versão das Constituições de Anderson de 1723, cuja versão de 1738 e as versões a seguir, contém a crença em um Deus obrigatório. Enquanto isso, os Antigos (Escoceses, Irlandeses e Católicos do norte da Inglaterra) mantêm a crença em Deus, mas não a impondo como um dogma, ao contrário dos ingleses.

A questão de Deus na Maçonaria continuará na segunda metade do século XIX, mas o uso da palavra “Deus” se torna polêmico por certos Supremos Conselhos e certas Grandes Lojas. Existem várias razões para isso:

  • Campanhas anti-maçônicas em países católicos depois que o Papa perdeu muito de seu poder quanto ao Estado em 1870;
  • O renascimento de doutrinas ultramodernas favoráveis à Santa Sé;
  • A radicalização da doutrina católica (infalibilidade pontifical, proclamação da afirmação “fora da Igreja não há Salvação” que vai contra a liberdade de consciência);
  • E especialmente a atitude ultraconservadora da Igreja Católica que se manifesta contra a modernidade, liberdades individuais e coletivas, direitos humanos, democracia, sufrágio universal, ciência, filosofia.

Este fato foi debatido no Concílio dos Supremos Conselhos, reunidos em Lausanne de 6 a 22 de setembro 1875 para atualizar as Grandes Constituições de 1786, que regiam o Rito Escocês Antigo e Aceito, sobre a definição de Grande Arquiteto do Universo.

Para satisfazer todas as crenças e admitir todos os pontos de vista, os representantes dos doze Supremos Conselho presentes (dos vinte e três na época) usaram três expressões diferentes para definir o Grande Arquiteto do Universo, a saber:

  • No preâmbulo “a Maçonaria é uma instituição de fraternidade universal cuja origem volta ao berço da sociedade humana; ela tem como doutrina o reconhecimento de uma força superior que ela proclama existir sob o nome de Grande Arquiteto do Universo”;
  • Na Declaração de Princípios “A Maçonaria proclama, como proclama desde a sua origem, a existência de um princípio criador sob o nome Grande Arquiteto do Universo”;
  • Manifesto “Para elevar o homem à seus próprios olhos, para torná-lo digno de sua missão na Terra, a Maçonaria postula o princípio que o Criador Supremo deu ao homem também a liberdade mais preciosa, herança da humanidade inteira, que nenhum poder tem o direito de extinguir ou amortizar e que é a fonte dos sentimentos de honra e dignidade”. [1]

Três interpretações de Deus para satisfazer todos os maçons: Força superior endereçada aos agnósticos; Criador Supremo endereçado aos teístas; Princípio Criador para os deístas. Mas esse desejo de atender todas as sensibilidades religiosas é interpretado como uma recusa em se pronunciar e levará a rejeições dos teístas acusando os deístas de suavidade e, os agnósticos de ateísmo.

O Supremo Conselho da França e, depois dele, a Grande Loja da França, manterá a invocação de Grande Arquiteto do Universo definida, fora de todo o significado religioso, como Princípio Criador, abrindo o caminho para a Maçonaria não mais teísta, mas deísta, enraizada na tradição dos Antigos, respeitosos da liberdade de consciência e do direito de todos de exercê-lo em sua abordagem enquanto os Anglo-Saxões mantêm o reconhecimento de Deus e de sua mensagem revelada, assim como da imortalidade da alma, que o Grande Oriente da França suprime qualquer referência a Deus e o Grande Arquiteto e que a Bélgica, defendendo a imortalidade da alma, usa a expressão “Princípio Superior” que constitui uma aberração, porque implica que há um ou mais Princípios inferiores.

Durante o século XX, entre ciência e fé, a ideia de Deus está se tornando cada vez mais heterogênea com a perda de marcos metafísicos e a lógica do cientificismo. A noção de Deus está dividida entre dúvida e desconfiança da ciência e o surgimento de seitas que se tornam novas religiões, como a Cientologia ou Nascidos de Novo Cristãos (Born again Christians). Para nós, Maçons do Rito Escocês Antigo e Aceito, o Grande Arquiteto do Universo está a salvo destas discussões porque representa um símbolo, e um símbolo é interpretável por cada um de acordo com a abertura de sua consciência.

Para o Rito Escocês Antigo e Aceito, o Grande Arquiteto do Universo é o Princípio Criador. Etimologicamente, “princípio”, deriva do latim de principium, derivado de princeps, “que ocupa o primeiro lugar”. Significa “começo, origem dos tempos, causa original, fonte de todas as coisas”, então o adjetivo “criador” é supérfluo porque já está implícito no termo “princípio”. Pessoalmente, já anunciei várias vezes (e minha definição foi repetida no Journal de la Grande Loge de France), defendo a noção de princípio com P maiúsculo sem qualquer outro qualificador. Para mim este termo reconcilia todas as interpretações tomando uma dimensão transcendente aceitável por todos que procuram de boa-fé, sejam crentes ou incrédulo, mantendo uma religião venerando um Deus ou uma religião sem um Deus (como o budismo Ortodoxo).

Cristo em pé sobre o globo, cercado pelos quatro elementos (Lyon, Mathieu Huss, 1482)

Assim como Deus, o Princípio está sob o domínio do incognoscível, mas, diferentemente da religião, você não pode dar um nome sem cair em uma forma de profanação. É inefável que, sem nomear, a qualificação de Grande Arquiteto do Universo permite aos descendentes dos construtores que concebam uma entidade acessível à razão humana sem dar a ela poderes sobrenaturais que provavelmente favorecem a superstição. Se transpusermos essa qualificação de plano espiritual para o plano material, encontramos no Grande Arquiteto as noções da arquitetura de base, a saber: Ordem, Plano, Geometria, Harmonia, todas as noções que o homem pode integrar facilmente em seu sistema de pensamento.

Este princípio transcendente repousa não apenas na Palavra criativa, mas também na Luz (é necessário sabermos que a origem indo-europeia da palavra “Deus” denota a ideia de brilho). Esta trindade esotérica Princípio / Palavra / Luz, que não vai contra a interpretação religiosa da Trindade, baseada no tríptico Pai / Filho / Espírito Santo.

Nesse sentido, qual é a atitude da Igreja em relação a Maçonaria? Enquanto o Grande Arquiteto era Deus, nunca houve o menor problema. Mas a partir do momento em que os dois símbolos não coincidem mais a partir do século XVIII, as relações estragam e a atitude da Igreja se torna mais radical. Como os regimes totalitários político ou militares que a condenaram e ainda hoje a condenam, a Igreja Apostólica Católica Romana não foi deixada para trás em sua perseguição à Maçonaria. Para constar, mencionarei apenas os textos mais importantes publicados desde o nascimento da Maçonaria, na França e nos países subservientes a Roma:

  • A bula In eminenti apostolanus specula de 28 de abril 1738 do papa Clemente XII condenando os Francos-Maçons “que se reúnem na escuridão do segredo porque odeiam a luz”;
  • A bula Providas romanorum de Bento XIV de 16 de março de 1751, que confirma a penalidade de proibição e de excomunhão de 1738;
  • A carta apostólica Quo graviora de Leão XII de 13 de março de 1826, recordando a condenação da sociedade dos Franco-Maçons;
  • A cíclica Humanum genus de Leão XII de 20 de abril de 1884, confirmando a condenação da Franco-Maçonaria;
  • Mais perto de nós, a carta do Presidente da Congregação da Doutrina da Fé de 26 de novembro 1983, reafirmando a incompatibilidade entre a Igreja e Maçonaria; [2]
  • Deste último decorre a demissão em maio de 2013 do Pároco de Megève, infligido pelo bispo de Annecy o pedido do Vaticano de pertencer ao Grande Oriente da França, alegando que pertencer a Maçonaria e o serviço da Igreja Católica são incompatíveis.

Pessoalmente, considero que a condenação da Maçonaria pelo Vaticano aplica-se a Maçonaria sectária e anticlerical, mas nunca se referiu ao Rito Escocês Antigo e Aceito, porque nunca se opôs abertamente à religião, pelo contrário. Basta lembrar dessa passagem do manifesto do Concílio de Lausanne para se convencer disso:

“Para os homens para quem a religião é o consolo supremo, a Maçonaria [3] diz: cultive sua religião sem impedimentos, siga as inspirações de sua consciência; Maçonaria não é uma religião, ela não tem um culto …”.

Mais recentemente, outras Igrejas também tem se declarado hostis à Maçonaria, como a Igreja Anglicana cerca de vinte anos atrás, e as Seitas sectárias americanas como a Cientologia e os Nascidos de Novo Cristãos (Born again Christians), mas por diferentes razões: de fato, a Maçonaria Anglo-Saxônica, que é um quintal das Igrejas estabelecidas, é considerado um concorrente por Canterbury, uma vez que o número de fiéis caiu acentuadamente na prática do culto na Grã-Bretanha; por causa do importante lugar que ocupa nos Estados Unidos, representa um déficit para seitas de todos os tipos que passaram do declínio da espiritualidade para o benefício da religiosidade.

Após essa digressão no mundo da religião, vamos voltar ao nosso assunto.

O Princípio preexiste necessariamente a Palavra e para a Luz que são energias, isto é, forças. Até o espírito mais rebelde da metafísica é obrigado a observar que:

  • Por trás do princípio, existe a fonte, há energia,
  • Por trás da energia existe a lei, ou seja, um conjunto de regras,
  • Por trás da lei está o plano que permite o cimento de todas as coisas,
  • E que o plano apresenta o Arquiteto que o concebe.

E isso está em perfeita concordância com o conceito de Grande Arquiteto do Universo, ao mesmo tempo um símbolo menos redutivo e menos violador da consciência do que a interpretação de um Deus revelado, uma abordagem metafísica acessível a razão humana. Além disso, um símbolo é por definição interpretável e evolutivo de acordo com o conhecimento de cada um, seja cultural, religioso ou espiritual. Este símbolo tem, por outro lado, a vantagem de reconciliar religiões dogmáticas e religiões que não reconhecem a ideia de um Deus criador, tantos os crentes quanto os não crentes. Finalmente, este símbolo difere da ideia de Deus, pois ele representa um conceito, e nesse sentido ele não pode julgar nem Punir, muito menos ser adorado.

Assim, por reposicionamentos sucessivos na história da Maçonaria iniciática, o Grande Arquiteto do Universo foi gradualmente se destacando do conceito de Deus. O espaço assim criado entre Deus, proposto como o detentor da Verdade revelada, e o Grande Arquiteto do Universo, símbolo do Princípio, surgiu como um espaço de liberdade para as pressões por uma espiritualidade livre de todos os dogmas. Para o homem livre, elaborar sua própria ideia da Divindade se torna um dos desafios do século XXI.

No mesmo sentido dessa evolução do conceito da divindade, o lema dos Conselhos Supremos do Mundo, Deus meumque Juice (ou seja, o certo, para o Maçom Escocês, interpretar Deus de acordo com sua cultura e o grau de abertura do seu espírito), que combina harmoniosamente fé e razão e especifica o relacionamento reconhecido pelo Rito entre o Divino e o Homem, este último não sendo imposto, em sua qualidade de Maçom, de nenhuma outra maneira além da escolhida por sua consciência como um homem livre. E nessa afirmação do Grande Arquiteto do Universo, o Sistema Escocês respeita a liberdade de todos de pensarem ou não sobre a divindade. Após o Concílio de Lausanne, o Soberano Grande Comendador Crémieux declarou:

“Não damos forma ao Grande Arquiteto do Universo, deixamos cada indivíduo pensar o que quiser.”

Porque Deus é algo pessoal que não se compartilha. O Maçom Escocês não está esperando por uma resposta revelada, muito menos uma definição mundial. Aí reside a dificuldade da abordagem iniciática, mas descobrir toda a sua grandeza e procurar por seus mistérios nos permite alcançar harmonia e equilíbrio que garante a nossa plenitude como homens.

Atualmente, alguns cientistas de alto escalão têm uma visão da divindade muito próxima da nossa. Assim, o astrofísico Trinh Xuan Thuan, em Caos e Harmonia, publicado pela Fayard Editions, escreve:

“O universo é definido com extrema precisão. São necessários pouco mais de dez números (na verdade quinze números chamados “constantes físicas”) para descrevê-lo: o da força gravitacional, a velocidade da luz, aquela que dita o tamanho dos átomos, sua massa, a carga de elétrons, etc. No entanto, seria suficiente que um desses números fosse diferente para que o universo inteiro e, portanto, nós, não existíssemos. Uma relojoaria muito delicada porque, com mudanças de algumas casas decimais, nada acontece e o universo é estéril. O Big Bang tinha que ter alguma densidade. Estrelas produzem carbono. A Terra está a certa distância do sol. A atmosfera tinha uma boa composição. Tudo isso foi necessário para a vida aparecer. Milhares de outras combinações foram possíveis. Os físicos recriam [essa atmosfera] em laboratório, mas nenhum cria à vida. Essa competição de circunstâncias é extraordinária demais para que o acaso seja o único responsável.”

O autor usa a metáfora da relojoaria, como a definição de Voltaire de Grand Horloger (“É impossível para mim conceber ver um relógio sem relojoeiro”), mas especialmente detectamos a presença de um espírito acima de tudo, imaginação ou elucubração, como Nativos americanos que usam a frase “Great Manitou” (Grande Espírito) para designar Deus.

Em conclusão, o Franco-Maçom Escocês descobre que pertence a um conjunto universal unido governado pelo Princípio, símbolo da transcendência, sem o direcionamento a um Yahvé, um Deus, um Alá ou um Buda ou qualquer outro ídolo, conceitos que limitam aos preceitos de uma Igreja, com exclusão de todas as outras crenças. Através da iniciação, a fé se manifesta no nível de uma experiência interior independente de dogmas que restringem a liberdade de consciência.

Embora se recuse a lidar com questões da vida cotidiana (no nível religioso, político ou social) sem ignorá-la, o caminho escocês é um caminho exclusivamente iniciático em sua dimensão espiritual, que torna o maior grupo de Maçons do mundo.

Tradução: Rodrigo de Oliveira Menezes

Texto recebido por e-mail, sem o nome do autor, em Francês. Traduzido e publicado.

Fonte: Ritos & Rituais

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Notas

[1] – Independente da interpretação do autor, vale a ressalva que a Proclamação de Princípios do Concílio de Lausanne foi o ponto principal de embate entre os Supremos Conselhos, fazendo com que muitas das determinações acolhidas pelos seus representantes não fosse aceita ou seguida por Escócia, Estados Unidos e demais países alinhados. Existe um artigo muito bem escrito no próprio site que narra todo esse desenrolar podendo ser acessado pelo link: https://ritoserituais.com.br/2018/09/19/o-concilio-dos-supremos-conselhos-do-rito-escoces-antigo-e-aceito-parte-1/

[2] – A íntegra desse texto já foi publicada no site através do link: http://ritoserituais.com.br/2019/06/25/macom-pode-comungar/

[3] – Naturalmente, esta é a Maçonaria do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Deísmo e Teísmo

sixtina

Tenho encontrado em alguns trabalhos maçônicos o uso dos termos “Deísmo e Teísmo”. Estes termos ainda são para alguns Irmãos pouco conhecido. Como também de difícil entendimento. Para que possamos Ter um melhor conhecimento e entendimento sobre estes dois termos, realizei um trabalho de pesquisa que aqui apresento.

Deísmo

Em seu Grande Dicionário de Maçonaria e Simbologia, Nicola Aslan nos explica:

“Deísmo – Tem esse termo dois usos comuns. Para alguns, Deus não tem uma relação imediata com o mundo, razão pela qual é inútil pedir-lhe ação através de súplicas. Essa concepção não possui qualquer valor filosófico, e aqui consta apenas como ilustração. Outra concepção afirma a existência de Deus, autor da natureza, não, porém, proveniente, sem atributos morais, e que não é merecedor de um culto especial, nem se manifestou ao homem pela revelação.”

O que Alec Mellor, em seu Dicionário da Franco-­Maçonaria e dos Franco­-Maçons, nos apresenta sobre o tema Deísmo:

“Num primeiro sentido, esse termo designa a crença em Deus, mas num segundo, totalmente diferente, um sistema metafísico próprio, nascido na Inglaterra no século XVII, ilustrado por Shaftesbury, Toland, Chubb e, sobretudo, Bolingbroke, o qual opunha a ‘religião natural’ à religião revelada e mais especialmente ao cristianismo.”

O Ilustre Irmão Roberto Malfatti, em seu trabalho intitulado A Maçonaria é Teísta ou Deísta, diz:

“O deísmo é um sistema filosófico-­religiosa ou espécie de religião natural. Não nega a existência de Deus; entretanto Deus só pode ser alcançado por argumentos puramente racionais. A intervenção de Deus no mundo também é desnecessária, negando, por conseguinte, a sua Providencia. Por isto, também lhe repugna o milagre, bem como toda a intervenção sobrenatural.”

Teísmo

Nicola Aslan nos explica:

“Teísmo – Doutrina filosófica que afirma a existência de um Deus pessoal, o qual, depois de criar o mundo, exerce sobre ele constante ação providencial.”

O Ilustre Irmão Roberto Malfatti nos diz:

“O teísmo é a crença em Deus e na imortalidade da alma. É uma doutrina filosófico-­religiosa que afirma a existência de um Deus pessoal que age pela sua providencia no mundo. Historicamente, remonta aos gregos. Em seu conceito, são determinantes a existência e a causalidade divinas. É a base fundamental das grandes religiões monoteístas.”

Frederico Guilherme Costa, em sua obra Manual do Rito Moderno – Grau de Aprendiz:

“Os ritos teístas, ditos irracionalistas não escapam do racionalismo, pois utilizam a razão, o discurso lógico, para demonstrar a racionalidade ou o ‘absurdo’ (sic) do nosso adogmatismo.”

Dizem ainda os autores das obras aqui citadas sobre o tema pesquisado:

Nicola Aslan:

“A diferença fundamental existente entre deísmo e o teísmo é que, para o primeiro, Deus ou confunde-­se com a natureza, como na panteísmo, com o qual se identifica, ou exclui­-se e separa-­se dela como no dualismo diacrítico, sem interferência de qualquer espécie junto a esta ou enfim, è um ser neutro, como o it is da Teosofia, enquanto no teísmo Deus é pessoa.”

Alec Mellor:

“A Franco-­Maçonaria regular é não somente deísta, mas teísta, o que significa que o Deus que ela reconhece, invoca e para o qual reza na Loja é o Deus criador ou, caso se prefira, um Deus pessoal e não uma entidade vaga, tal como concebem os sistemas metafísicos como o imanentismo ou o panteísmo. Nenhum equivoco poderia subsistir a esse respeito..”

Roberto Malfatti:

“A Grande Loja Unida da Inglaterra rompeu com o Grande Oriente da França, por Ter ele eliminado de seus Rituais a expressão Grande Arquiteto do Universo (G∴A∴D∴U∴), sendo, portanto deísta, dando assim liberdade sem paralelo para qualquer influencia religiosa.”

Frederico Guilherme Costa:

“O Rito Moderno nasceu para respeitar o Homem em seus valores essenciais, seja ele um teísta, um deísta, ou um atento espectador. Tinha e tem como meta o aperfeiçoamento da humanidade, cultiva a Fraternidade através da Liberdade e da Igualdade.”

Comentários

A meu ver, os praticantes do R∴E∴A∴A∴ são considerados teístas. Já os modernistas, praticantes do Rito Moderno, são considerados deístas. No meu caso em particular em virtude do meio em que fui criado, o cristianismo, me considero teísta. Mas não posso deixar de expressar minha admiração pelo Rito Moderno. Anos atrás, eu e alguns Obreiros, entre eles os Irmãos: Aparecido, Jeová, Peres, Luciano, Antônio Fernandes e Deusmar, resolvemos juntos, fundar uma nova Loja. O Irmão Aparecido ficou encarregado de pesquisar e nos apresentar o rito que esta nova Loja adotaria. O rito escolhido pelo nosso Irmão foi o Moderno. Lembro como se fosse hoje, repudiei veemente e num primeiro momento fui radicalmente contra. Como poderíamos trabalhar com um rito que tinha abolido a fórmula, a invocação, ao Grande Arquiteto do Universo? Como poderíamos trabalhar com um rito que aboliu o Livro da Lei, ou seja, a Bíblia? Até então considerávamos o Livro da Lei, somente a Bíblia. Sabe aquele ditado profano: desta água eu não beberei? O que aconteceu comigo e com os Irmãos que também não concordavam com a ideia, bebemos aquela água.

De posse da literatura maçônica modernista, encontrada, começamos a estudar e como resultado passamos a Ter um maior entendimento e compreensão sobre este rito chamado Moderno. Nos períodos de estudos e pesquisas que realizamos durante os anos de 2003 e 2004, culminarão com a fundação da Loja do Rito Moderno em 21/03/2004, até então era a única oficina do rito atuando dentro dos princípios e regras estabelecidas pela maçonaria universal no nosso estado de Mato Grosso do Sul. Já tínhamos inclusive o entendimento que o Livro da Lei não era só a Bíblia. O Rito Moderno adota como Livro da Lei a Constituição de Anderson de 1723.

Quanto ao nome da Loja, várias sugestões surgiram, entre elas “Obreiros da Luz”, e por unanimidade de votos, este foi o nome escolhido. Vejam só meus Irmãos, colocamos um nome teísta em uma Loja do Rito Moderno. Por falta de conhecimento? Acredito que não. É que realmente nós somos teístas. Na Augusta e Respeitável Loja Simbólica Obreiros da Luz n° 18, no período de sua fundação até fevereiro de 2006, mês e ano que nos desligamos da Loja e da Potência, nós iniciamos, elevamos e exaltamos vários Irmãos. Vale ressaltar que houve em todos nós, sem dúvida alguma, um grande amadurecimento, não só maçônico como também profano, com o estudo e a prática do Rito Moderno. A sua simplicidade, a maneira de receber o postulante à iniciação maçônica, e, entre outras particularidades, me fizeram admirar este Rito chamado Moderno ou Francês.

Se o objetivo deste rito é o nosso aperfeiçoamento, tenho certeza que conosco o objetivo foi alcançado. Para ser ter uma melhor compreensão de minha admiração por este rito, transcrevo o que disse o Soberano Grande Comendador Mário Behring, fundador das Grandes Lojas Brasileiras, no Boletim do Grande Oriente do Brasil do ano de 1902, pagina 826, sobre a doutrina deste rito:

“O progresso atual não permite que a Maçonaria cerre as portas de seus Templos ao Descrente, e o Rito Moderno, que é a expressão mais adiantada da Maçonaria de hoje, fez dar a instituição um passo gigantesco, abrigando no seu seio a profanos, Que Outros Ritos Repelem.”

Como disse o Irmão Frederico Guilherme Costa:

“O Rito Moderno nasceu para respeitar o Homem em seus valores essenciais, seja ele um teísta, um deísta, ou um atento espectador”.

Por isso meus Irmãos leitores, não cometam o mesmo erro que cometi, antes de repudiar este rito procurem conhecê-lo. Para isso recomendo aos Irmãos que procuram o seu aperfeiçoamento, que conheçam um pouco do Rito Moderno, e sugiro a leitura das seguintes obras literárias:

  • Rito Moderno A Verdade Revelada – Frederico G. Costa & José Castellani – Editora Maçônica A Trolha Ltda.;
  • Manual do Rito Moderno – Grau de Aprendiz. – Frederico G. Costa & José Castellani;
  • A Maçonaria Moderna – José Castellani – A Gazeta Maçônica;
  • Fundamentos do Rito Moderno – Trabalho elaborado por J.Francisco Simas – Centenária Loja 14 de Julho de São Paulo do Rito Moderno;
  • Rito Moderno – Liberdade Absoluta de Consciência – José Carlos de Araújo Almeida Filho Trabalho elaborado para a Loja de Pesquisas Maçônicas Quatuor Coronati do Brasil n.° 2671;
  • Instruções ao Aprendiz do Rito Moderno – Elaboração e pesquisa: Alexandre Magno Camargo – Revisão e sugestões: Antônio Onías Neto – A\R\L\S\ Philantropia e Liberdade n.º 3557 – Rito Moderno;
  • Manual de Dinâmica Ritualística para as Lojas do Rito Moderno – Grande Oriente do Brasil – Grande Secretário­ Geral de Orientação Ritualística: Álvaro Gomes dos Santos Grande Secretário Geral de Orientação Ritualística Adjunto para o Rito Moderno: Antonio Onías Neto.

Lembrando que o Rito Moderno trabalha pela Liberdade Absoluta de Consciência, tendo abolido a invocação, a expressão, a formula “À Gloria do Grande Arquiteto do Universo”, mas não a crença no Grande Arquiteto do Universo.

A formula usada pelos modernistas é “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, sendo que estas palavras fazem parte da Aclamação do Rito Moderno.

Autor: Antônio Carlos Rios

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Bibliografia

Rito Moderno. A Verdade Revelada. Frederico G. Costa & José Castellani. Editora Maçônica A Trolha Ltda. 2° Edição. 1997.

MELLOR, Alec. Dicionário da Franco­-Maçonaria e dos Franco­Maçons. Tradução Sociedade das Ciências Antigas. Martins Fontes Editora Ltda. 1.989.

Manual do Rito Moderno – Grau de Aprendiz. Frederico G. Costa & José Castellani. A Gazeta Maçônica.1991.

ASLAN, Nicola. Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia.