Decoração e simbologia egípcia nos templos maçônicos

Resultado de imagem para egito e maçonaria

Não resta dúvida que o costume de utilizar desmedidamente agregados simbólicos penitentes à cultura egípcia se tem feito presente na decoração de muitos templos maçônicos pelo mundo. Todavia isso se dá mais por efeito decorativo do que iniciático, pois a história autêntica já comprovou inúmeras vezes a inexistência na Ordem Maçônica nos tempos do Antigo Egito.

É bem verdade que houve inclusive personagens embusteiros que criaram ritos maçônicos exaltando uma suposta maçonaria egípcia (Memphis-Misraim), mas que mais tarde foram desmascarados por fraude – dentre outros a respeito, vide apontamentos sobre in Dictionnaire des Franc-Maçons et de la Franc-Maçonerrie, Alec Mellor, Belfond, Paris, 1971-1979.

Sob o aspecto da Maçonaria documental (autêntica), a Sublime Ordem comprovadamente possui aproximados 800 anos de história[1], sendo os seus ancestrais as guildas de construtores da Idade Média. Assim, a Instituição Maçônica não nasceu e nunca existiu nos tempos do Egito Antigo, portanto é preciso antes compreender que para construção do seu arcabouço doutrinário especulativo muitas lendas passariam a fazer parte nesse contexto. Contudo, reafirma-se que são lendas introduzidas com o desiderato de, como alegorias, aplicar lições de moral, ética e sociabilidade e não como elementos comprobatórios relacionados à existência verdadeira de fatos e acontecimentos ao ponto de aparecerem decorando paredes de templos maçônicos.

Assim compreendido, cita-se por exemplo a Lenda do 3º Grau como parte desse arcabouço lendário que fora retirado dos cultos solares da Antiguidade, cujo qual, por esse viés, possui palpável consonância com a lenda de Osíris, Ísis e Hórus, entretanto esse não é um fato histórico, mas lendário, assim não autoriza qualquer afirmativa no sentido de que lendas da antiguidade usadas pela Maçonaria sirvam para comprovar sua existência naqueles idos tempos – muito menos arrumar justificativas se construir templos maçônicos copiando arquitetura egípcia.

Lendas são lendas e não afiançam autenticidade aos fatos que constituem o mosaico da História. Infelizmente essa não é uma lição que tenha sido aprendida por muitos imaginosos autores que, em detrimento de citações lendárias associadas ao ufanismo maçônico, semeiam suposições que não têm qualquer compromisso com a verdade. James Anderson, por exemplo, carregou algumas páginas da Constituição de 1723 com essas elucubrações, geralmente retiradas do Old Charges que traziam forte apelo religioso, especialmente pela forte influência da Igreja sobre as corporações de ofício da Idade Média. Sob o aspecto prático, é compreensível que Anderson tenha inserido essas exposições lendárias já que a “nova ordem”, amparada pela Royal Society e que compunha a Moderna Maçonaria, surgida em 1717 em Londres, carecia de agregar novos adeptos e com isso chamar atenção com fatos tidos como “misteriosos segredos guardados pela Maçonaria”. Isso sem dúvida ajudou a Premier Grand Lodge reforçar suas Colunas, principalmente com membros atraídos pela curiosidade despertada, sobretudo quando publicados nos diários londrinos da época. Lawrence Dermott, por exemplo, para atrair adeptos para a sua Grande Loja, a dos Antigos (1751), criou o Real Arco afirmando que nele havia o encerramento e a explicação da Lenda do 3º Grau. Artifício inteligente que até hoje faz com que adeptos da Ordem acreditem na existência de um 4º grau maçônico advindo dos tempos imemoriais, fato que também não se sustenta, pois comprovadamente a Maçonaria de antanho trabalhava com apenas duas classes de trabalhadores, vindo a surgir o 3º Grau especulativo somente na Moderna Maçonaria surgida no final do primeiro quartel do século XVIII.

Outro aspecto nesse mesmo sentido (o da não existência de Maçonaria na antiguidade) é o que envolve a própria “arte de construir”.

Nesse sentido, não há como negar que a profissão de construtor é um ofício milenar, entretanto não como uma organização feito à Maçonaria.

A arte de construir, surgida principalmente pela necessidade de se proteger, fez com que o homem, ao deixar a vida sedentária das cavernas para viver em sociedade estratificada, começasse a edificar choupanas, vivendas e casebres para se abrigar das intempéries e se proteger dos perigos e agruras comuns ao ambiente que o envolvia.

Com isso davam-se os primeiros passos na arte e no ofício das construções, sendo, portanto, perfeitamente viável se afirmar que essa profissão é oriunda dos tempos imemoriais, entretanto isso não significa dizer que existiam guildas de construtores maçons naquela época, pois documentalmente se sabe que a Franco-Maçonaria somente viria florescer, sob a proteção da Igreja-Estado, no século XIII.

Como sociedade organizada de artesãos construtores, a Franco-Maçonaria, seguindo o curso da história e atendendo à necessidade surgida pela expansão dos domínios da Igreja, nascera em substituição, primeiro às Associações Monásticas e depois às Confrarias Leigas.

Longe e anterior a tudo isso está a civilização do Antigo Egito ocorrida no Antigo Oriente próximo ao norte da África há 3.100 a. C. Seu aparecimento no ideário maçônico, além daqueles motivados por lendas solares, provavelmente se reforçou por teorias de incautos e ufanistas que, usando da lei do menor esforço, não tardariam a imaginar as pirâmides sendo construídas por maçons, o que cientificamente é muito pouco provável, simplesmente porque não existe nenhuma prova ou indício que aponte para a existência da Maçonaria naquele período.

Saindo do Antigo Egito, mas seguindo esse mesmo viés, vem a construção do primeiro templo hebraico, o de Jerusalém, muito conhecido em Maçonaria como Templo de Salomão (o rei que reinou em Israel de 1010 a 970 a.C.).

Por ser a maior alegoria maçônica e ligado à lenda hirâmica, a construção desse Templo também não tardaria a despertar no fértil imaginário que foram os maçons os seus construtores, tudo obviamente em detrimento à Lenda do Terceiro Grau onde os personagens do Rei Salomão, Hiram – Rei de Tiro e Hiram Abif (Hiram meu Pai), de modo fictício, são descritos mitologicamente como maçons no sentido de estruturar a lenda introduzida em 1725 pelo aparecimento do grau de Mestre Maçom na Moderna Maçonaria.

Na realidade, a Lenda do Terceiro Grau é a adaptação de uma lenda Noaquita que envolve os personagens bíblicos de Noé e seus três filhos, Sem, Can e Jafé. Sem dúvida essa lenda, tal como a de Osíris, Ísis e Hórus, se estrutura nos cultos solares da Antiguidade, cujos quais serviram de base para a maioria das religiões que conhecemos.

Retomando a Lenda Hirâmica, ela, como qualquer outra lenda, não tem qualquer compromisso com a realidade histórica, portanto ela não afirma, mas apenas menciona figuradamente a Maçonaria na época da construção do primeiro templo hebraico – o de Jerusalém.

Infelizmente isso ainda não tem sido bem compreendido e faz com que muitos maçons não separem lenda – que é uma narrativa escrita ou oral no qual fatos históricos são deformados pela imaginação – de realidade histórica. Com isso, acabam muitos, até de modo infantil, disseminando inverdades tal como a de “achar”, por exemplo, que os templos maçônicos são edificados como cópias fiéis do lendário templo bíblico.

Embora alguns ritos maçônicos, por questões doutrinárias decorem seus templos estilizando mobiliários e partes do espaço de trabalho, relativizando-os às descrições imaginadas do lendário templo hebraico, por certo isso só pode ser tratado como característica de uma alegoria maçônica construída sob elementos figurados. Entenda-se que a sala da Loja, como uma oficina simbólica de trabalho, longe está de ser um modelo (arquétipo) do Templo de Jerusalém.

Não é cabível, portanto, que ainda existam maçons que não saibam discernir narrativas lendárias de fatos reais e continuem imaginando que foram os maçons os construtores do Templo de Jerusalém, ou mesmo os que construíram as Pirâmides do Egito.

Sem conclusões apressadas é mister mencionar que o primeiro templo maçônico somente viria surgir nos meados do século XVIII na Inglaterra após o advento do aparecimento da Moderna Maçonaria. Assim, sua disposição mobiliária copia a do Parlamento Britânico, principalmente no que diz respeito à acomodação do plenário e da great chair. No mais, por influência da Igreja sobre os ancestrais da Moderna Maçonaria, os templos maçônicos seguem o mesmo modelo de orientação das Igrejas, destacando que, por sua vez, essas últimas foram inspiradas no Tabernáculo hebraico, antepassado do Templo de Jerusalém.

Dado ao exposto, a Maçonaria deve ter seus templos decorados conforme o previsto no rito que a Loja pratica, não obstante existirem às vezes, em total desrespeito para com a originalidade e liturgia, muitos elementos decorativos que apenas possuem o desiderato de satisfazer o gosto e a imaginação de alguns.

Certo é que como exemplificado anteriormente, elementos decorativos tais como painéis pertinentes ao Antigo Egito, ou outros do gênero, não fazem nenhum sentido para o REAA, dentre outros, embora, como dito, eles equivocadamente muitas vezes apareçam no interior de alguns templos maçônicos.

Eu diria que essa decoração é mais apropriada para a AMORC (Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz) do que para a Maçonaria. Como elementos associativos eles até podem aparecer no contexto das lendas, mas muito longe de se materializarem como símbolos aplicados pela doutrina maçônica.

É daí meu Irmão talvez o seu insucesso na procura de explicações sobre a simbologia egípcia na decoração dos templos maçônicos.

Em termos de decoração egípcia nos templos simbólicos do REAA, por exemplo, podem existir elementos pontuais, como é o caso, por exemplo, da decoração original das Colunas B e J. Essas, de estilo babilônico, comumente aparecerem decoradas com folhas de lótus (universalidade) e de papiros (eterna busca pelo transcendental). Explicam-se as suas presenças porque as Colunas Gêmeas são pilares solsticiais, portanto se relacionam diretamente com os cultos solares da Antiguidade. Assim, as folhas de lótus e papiros (símbolos egípcios), de modo pontual, remontam ao significado de uma alegoria reservada aos iniciados, porém nunca para mencionar a existência da Maçonaria nos tempos do Antigo Egito.

Cada símbolo traz consigo a sua originalidade, a despeito de que em Maçonaria ele geralmente aparece para chamar atenção do iniciado para uma verdade inserida numa mensagem oculta (esotérica).

Desse modo, outros elementos simbólicos pertencente às diversas civilizações também fazem parte de corolário emblemático maçônico, contudo eles não possuem o desiderato de explicar a presença da Ordem em períodos da História.

Concluindo, a simbologia maçônica é ampla e abrange inúmeros aspectos culturais e sociológicos que foram retirados do misticismo de muitas civilizações. A Ordem Maçônica, eclética por natureza, para montar seu arcabouço doutrinário se utilizou desse artifício. Cabe assim ao maçom entender que a simples presença de símbolos de antigas civilizações no corolário simbólico adotado pela Maçonaria não representa que Ordem possui caráter de existência milenar. Reitero, documentalmente a Maçonaria possui aproximados 800 anos de história, o resto… Bem, o resto é lenda.

Autor: Pedro Juk

Fonte: Blog do Pedro Juk

Nota do Blog

[1] – O autor se refere à Maçonaria Operativa. A Maçonaria Moderna tem pouco mais de 300 anos, tendo como marco a criação da Grande Loja de Londres e Westminster em 1717.

Doação para manutenção do blog

Está gostando do blog, caro leitor? Só foi possível fazermos essa postagem graças ao apoio de nossos colaboradores. Todo o conteúdo do blog é fornecido gratuitamente, e nos esforçamos para fazer um ambiente amigável para os públicos interessados. O objetivo é continuar no ar oferecendo conteúdo de qualidade que possa contribuir com seus estudos. E agora você pode nos auxiliar nessa empreitada! Faça uma doação e ajude a manter o blog funcionando. Para garantir sua segurança utilizamos a plataforma de pagamentos PayPal e você pode contribuir usando o cartão de crédito, para isto basta clicar logo abaixo na bandeira correspondente ao seu cartão. Se preferir, pode também fazer sua doação por transferência bancária em favor de Luiz Marcelo Viegas da Silva, CPF 633.643.366-87, Banco do Brasil, Ag: 2115-6 CC: 14770-2.

$10.00

Onde começou a Maçonaria? Foi no Egito?

Resultado de imagem para MAÇONARIA EGITO

Especulações e assertivas a respeito do berço da Maçonaria.

Existem registros que existiram organizações de pedreiros desde tempos imemoriais, inclusive especulações que tenha existido uma no Jardim do Éden, mas associar isto com Maçonaria não passa de fantasia de escritores de ficção bem criativos.

Sem fatos e dados documentais não se valida a história do homem, mesmo que esta sempre sofra um pouco da influência do historiador, por mais técnico que seja.

Por conta de historiadores, técnicos sérios, chegaram até nossos dias informações e fatos, devidamente comprovados, que a ordem maçônica vem se desenvolvendo a partir de grupos profissionais que trabalhavam com a pedra, pedreiros, organizados em entidades semelhantes aos atuais sindicatos.

Estes grupos de trabalhadores da pedra constituíram sociedades fechadas e ligadas a construção de grandes obras em pedra lavrada que existiram na Europa, confrarias de ofícios, depois denominadas comunidades de ofício e por último, corporações de ofício.

Existe notícia deste tipo de organização profissional advindo da Inglaterra na Idade Média, onde era denominada “Gild“, traduzido para guilda.

Estas se transformaram depois em “company“, e posteriormente em “fraternity“.

Assim como nas atuais agremiações e agrupamentos de profissionais, aqueles compartilhavam os segredos da profissão, à semelhança de todo grupo profissional que tem segredos guardados mediante um linguajar próprio e até esotérico.

Para entrar numa agremiação profissional é necessário obter treinamento, estar devidamente regulamentado e registrado no órgão representativo da classe.

Aqueles profissionais da Idade Média, com o objetivo de manter o segredo dos métodos de trabalho exigiam segredo de todas as técnicas da construção e as velavam por promessas, juramentos, senhas, palavras de passe para acessar o canteiro de obras e outros artifícios.

A guilda foi consequência de antigos canteiros de obras administrados pela Igreja Católica Apostólica Romana, mediante a atuação de monges arquitetos na construção de igrejas e palácios.

Quando os profissionais desta área se afastaram da liderança dos monges, seus antigos mestres e arquitetos, surgiram as guildas.

Os monges, de sua parte, obtiveram o conhecimento da antiga civilização grega, as adaptaram e aplicaram na construção de sua época.

As guildas eram formadas de aprendizes e companheiros, submetidos a rígida disciplina, funcionando os monges como mestres de obra.

Desde o século quatorze existe na Inglaterra registro público de companhias de pedreiros ou maçons e maçons livres.

Inglaterra e França são berços da Maçonaria especulativa hodierna.

Seus criadores aproveitaram-se da estrutura de funcionamento disciplinada, ordeira e fechada das antigas guildas para estabelecer o ambiente próprio ao debate de temas profundos das ciências e da sociedade.

Foi no século das luzes que grandes pensadores reuniram-se para planejar a transição ao mundo moderno, sendo-lhes creditada a filosofia e a construção da modernidade.

Eram homens, em sua maioria radicais e corajosos, opunham-se a mesmice liderada por ignorantes e extremistas religiosos que vedavam e dificultavam o desenvolvimento das ciências e do livre comércio.

Estes grandes pensadores extirparam as raízes da cultura europeia, principalmente com relação ao que na época era considerado sagrado, mágico.

Aqueles cientistas e filósofos criaram a Maçonaria para obter um fórum de debate para suas ideias e as foram registrando numa grande obra literária, por isso ficaram conhecidos como os enciclopedistas. Seus escritos foram distribuídos pela Europa e Américas, muitos adquiriram assinatura para receber estas publicações as quais eram devoradas avidamente e influenciaram a sociedade, dando-lhe o contorno que hoje se vê.

Absolutismo, monarquia e hierarquia foram secularizadas, aflorou uma sociedade laica.

Com os debates protegidos da perseguição religiosa e velados por juramentos, seus registros cifrados em linguagem simbólica e outros métodos de criptografia, os fóruns de debate da sociedade foram se desenvolvendo até adquirir sua forma na Maçonaria especulativa de hoje.

O século das luzes, 1650-1750, foi o berço da Maçonaria, o resto é lenda, meras conjecturas ou considerações românticas. [grifo nosso]

O Egito possuía cabedal na construção da pedra, haja vista as grandes obras que chegaram até nossos dias, mas de forma alguma é origem da Maçonaria.

Outras civilizações antigas também apresentam resultados de suas técnicas do trabalho na pedra e tijolo e igualmente nada contribuíram para a formação das agremiações de pedreiros. Nada tem que as relacione com a Maçonaria, seja ela operativa ou especulativa.

A ordem maçônica é resultado da ansiedade de evolução que era tolhida em seu desenvolvimento pelos radicais religiosos e baseadas exclusivamente nas guildas da Idade Média.

Lojas especulativas foram se organizando desde 1600, na Escócia, e atingiram o auge no final daquele século.

No início do século dezoito a fase especulativa da Maçonaria aumentou, foram estabelecidas lojas em York, mas foi em Londres que o movimento explodiu, surgindo diversas lojas. Naquela ocasião, Anderson e Payne, apresentaram estudos sobre a primeira constituição que constitui o ponto de partida do direito maçônico moderno, em uso até hoje.

Existe evidência que são alicerce dos fundamentos filosóficos da Maçonaria especulativa:

  • Bíblia judaico-cristã;
  • Registros egípcios dos mortos; e
  • Rudimentos filosóficos creditados aos vetustos essênios.

O Rito Escocês Antigo e Aceito usa como principal referência os livros da bíblia judaico-cristã.

O principal movimento filosófico que fez surgir a Maçonaria ficou registrado na história como o Iluminismo, mas em sua existência a ordem maçônica, como entidade moral e evolutiva, vem se alimentando de todas as linhas de pensamento moralmente aceitáveis e que proporcionem o progresso, união e igualdade dos homens.

É a razão de existência do imenso número de ritos e obediências.

Não poderia ser diferente e vai continuar se fragmentando enquanto houver futuro para a espécie.

Felizmente é devido a esta diversificação que a Maçonaria cumpre com seu papel de desenvolver o homem, alicerçada em forte moralidade e voltada sempre para a evolução e melhoria humana quando combate absolutismo e obscurantismo.

Luz é o que se busca na Maçonaria, luz é o que se recebe quando se caminha na direção definida pela ordem. É a luz do conhecimento, da verdade.

Sapere aude!” – bradou Horácio, – Ouse saber! – diz a Maçonaria. – bradou Horácio, – Ouse saber! – diz a Maçonaria.

A iluminação já está latente dentro do maçom quando este é escolhido e retirado como pedra bruta da pedreira da sociedade.

A Maçonaria apenas revela o caminho para a luz, mostra caminhos.

O maçom é provocado em deixar de lado a indolência e passa a ser motivado em caminhar com o esforço de suas próprias pernas, discernimento, razão, emoção e espiritualidade.

Não existe varinha de condão ou mágica!

É muito suor, persistência e trabalho em si mesmo.

O primeiro exemplo é dado por ocasião da iniciação. É introdução para muitas experiências, lendas e exemplos do sistema maçônico de educação natural.

Apontam-se apenas direções e rompem-se os grilhões dos pensamentos e emoções, sempre alicerçadas em sólida espiritualidade.

O desenvolvimento é racional, mas o uso da razão está sempre acompanhado da crença que existe uma mente orientadora por detrás de toda a maravilhosa natureza de que cada ser vivente é parte.

A suprema liberdade aflora quando o maçom deduz que:

  • Todo aquele que se submete ao pensamento de outros, por preguiça de pensar, é escravo;
  • Um homem domina o outro através da força do pensamento, da capacidade de realização do pensamento;
  • Todo desenvolvimento humano surgiu primeiro na mente.

A caminhada é realizada individualmente pelas sendas da autoeducação natural, do “conhece-te a ti mesmo” socrático, pedra angular da filosofia da Maçonaria. Este conhecimento dos rumos para a iluminação é a responsável por mudar o homem, e este, por sua ação modificadora, influi na sociedade.

E assim, caminhando para o futuro, em direção a Luz, ao conhecimento apoiado em forte espiritualidade e vontade evolutiva, com amor, o maçom dá honra e glória ao Grande Arquiteto do Universo.

Autor: Charles Evaldo Boller

Fonte: Biblioteca Charles Evaldo Boller

Doação para manutenção do blog

Está gostando do blog, caro leitor? Só foi possível fazermos essa postagem graças ao apoio de nossos colaboradores. Todo o conteúdo do blog é fornecido gratuitamente, e nos esforçamos para fazer um ambiente amigável para os públicos interessados. O objetivo é continuar no ar oferecendo conteúdo de qualidade que possa contribuir com seus estudos. E agora você pode nos auxiliar nessa empreitada! Faça uma doação e ajude a manter o blog funcionando. Para garantir sua segurança utilizamos a plataforma de pagamentos PayPal e você pode contribuir usando o cartão de crédito, para isto basta clicar logo abaixo na bandeira correspondente ao seu cartão. Se preferir, pode também fazer sua doação por transferência bancária em favor de Luiz Marcelo Viegas da Silva, CPF 633.643.366-87, Banco do Brasil, Ag: 2115-6 CC: 14770-2.

$10.00

O Enigma da Esfinge

O enigma do caminho com sinais trocados | Afonso Borges - O Globo

Esfinge é uma imagem mitológica, criada no Egito Antigo, com corpo de leão e cabeça de ser humano (geralmente de um faraó).

Historiadores afirmam que esta figura pode ter sido importada da cultura grega. A palavra esfinge deriva do grego sphingo que significa estrangular.

Para os egípcios antigos a imagem de uma esfinge significava poder e sabedoria. Serviam, no imaginário egípcio, como protetoras das pirâmides e templos.

A mais conhecida de toda história é a Esfinge de Gizé, situada no planalto de Gizé (norte do Egito). Esta esfinge, construída no terceiro milênio a.C, foi construída em pedra calcária e tem as seguintes medidas: 20 metros de altura, 6 metros de largura e 57 metros de comprimento. A cabeça da esfinge representa o faraó Quéfren ou de seu irmão Djedefré.

Screenshot_20200502-144642_2

Se você acredita em nosso trabalho e acha importante o que realizamos, apoie nosso projeto e ajude a manter no ar esse que é um dos mais conceituados blogs maçônicos do Brasil. Você pode efetuar sua contribuição, de qualquer valor, através de um dos canais abaixo, escolhendo aquele que melhor lhe atender:

Transferência PIX – para efetuar a transação, utilize a chave: opontodentrodocirculo@gmail.com

Efetuando seu cadastro no Apoia.se, através do link: https://apoia.se/opontodentrodocirculo

O Julgamento de Osíris

O Julgamento de Osíris estava conectado com a ideia que os egípcios faziam da vida além túmulo. Essa vida transcorria-se numa região intermediária entre a terra e o céu, denominada Tuat.
 
O significado exato dessa palavra é desconhecido, mas geralmente ela é traduzida como “mundo do além”. Mais tarde, alguns estudiosos a associaram com a ideia de inferno, mas isso não é correto, já que o conceito de inferno integra sempre a ideia de um lugar onde as almas são castigadas sem esperança de remissão, o que não acontecia com a visão que os egípcios tinham da Tuat
 
E depois, o conceito de inferno apareceu bem mais tarde na história do pensamento religioso, a partir do desenvolvimento da cultura cristã. Na cultura egípcia essa noção era desconhecida. 
 
(….) 
 
Acreditava-se que todos os mortos eram levados para um salão, para ali serem julgados pelos deuses. “Os Senhores da Tuat”, era uma espécie de tribunal presidido pelo deus Osíris. Ali, um deus com cabeça de chacal, chamado Anúbis, pesava os corações dos defuntos numa balança, cujo contrapeso era uma pena de avestruz, símbolo da Maat. Se o peso encontrado fosse inferior ao peso da pena, o deus Thot, (ou Hermes segundo os gregos), anotava o nome do defunto entre aqueles que podiam subir na “Barca de Osíris”, também conhecida como a “barca de milhões de anos de Rá”, para atravessar a Tuat em direção ao território luminoso do Deus Rá (o Sol), onde seu espírito se uniria àquele deus, tornando-se também um astro
 
E o corpo do defunto, se todos seus atributos tivessem sido devidamente conservados, poderia continuar a viver eternamente nos Campos Elísios, na forma do seu ka. Eis aí o motivo do extraordinário desenvolvimento das técnicas de conservação de múmias entre os egípcios. Se o ib do morto,( coração, ou consciência), pesasse mais que a pena,(significando que o defunto não tinha praticado Maat em vida), ele era entregue á fera Ammit (ou Apépi ), que o devorava. 
 
(….) 
 
Essa representação é a base do ensinamento iniciático contido no mito de Osíris. O deus morto é como uma semente que se deposita no solo, e ali, na total ausência da luz, ela começa a regenerar-­se. Osíris é também como o Sol, que engolido pela serpente Apépi, atravessa as trevas da Tuat em busca da luz, semelhante à semente que, enterrada na escuridão da terra, rompe seu ventre e ressurge como planta nova para a luz do sol. 
 
Da mesma forma, o homem que morria podia ser regenerado na Tuat, se na sua vida terrena tivesse aprendido a praticar Maat. Daí o conteúdo iniciático dos Mistérios de Isis e Osíris. O iniciado aprendia, mediante a prática do ritual adequado, a regenerar-se em vida, renascendo simbolicamente no espírito.
 
Essa mesma ideia é desenvolvida na liturgia dos ritos maçônicos, por isso é que o conceito da Tuat tem muito interesse em qualquer estudo que se faça sobre a Maçonaria. 
 
É desse conceito que vem o simbolismo da morte iniciática e ressurreição do iniciado. Desde as mais remotas eras, os sacerdotes egípcios utilizavam a simbologia da morte e ressurreição do deus Osíris, como fórmulas para a transmissão de conhecimentos iniciáticos. Comparavam a vida do homem ao curso do Sol durante o dia e quando morria, ao tempo que corresponde à noite. Como o sol reaparecia todo dia, após vencer as trevas, também o homem poderia, repetindo certas fórmulas mágicas, renascer num novo corpo. 
 
Assim eles desenvolveram uma complexa escatologia, na qual as almas dos mortos que tivessem sido sepultados com todas as cerimônias prescritas pelos deuses, e conhecessem as palavras certas para pronunciar perante eles, poderiam acompanhar o Sol na sua barca, enquanto ele atravessava a parte da Tuat que eles deviam percorrer, enquanto estivessem mortos. 
 
(…) 
 
Todo o conteúdo mágico dos chamados Mistérios Egípcios visava a repetição simbólica desse processo de regeneração, pelo qual passava o deus em sua ressurreição, e que o iniciado devia repetir para poder ser, em vida, um adequado praticante de Maat, e após sua morte, ser julgado com benevolência pelos deuses. 
 
Dado o conteúdo profundamente esotérico dessa crença, não é de admirar que os organizadores do ritual da maçonaria (nos graus filosóficos) tenham se apropriado dela para passar aos iniciados a ideia de que o julgamento que realmente vale é o julgamento dos deuses. Não o julgamento faccioso dos inquisidores, nem o julgamento malicioso daqueles que nada sabem sobre o assunto que estão julgando. 
 
Resenha extraída do capítulo XXVIII do Livro ” O ILUMINISMO MAÇÔNICO”
Screenshot_20200502-144642_2

Só foi possível fazermos essa postagem graças à colaboração de nossos leitores no APOIA.SE. Todo o conteúdo do blog é disponibilizado gratuitamente, e nosso objetivo é continuar oferecendo material de qualidade que possa contribuir com seus estudos. E você também pode nos auxiliar nessa empreitada! Apoie nosso projeto e ajude a manter no ar esse que é um dos blogs maçônicos mais conceituados no Brasil. Para fazer sua colaboração é só clicar no link abaixo:

https://apoia.se/opontodentrodocirculo

A lenda de Ísis e Osíris

Resultado de imagem para A Lenda de Ísis e Osíris

Era crença dos antigos egípcios, que a sua civilização lhes tinha sido transmitida diretamente pelo Deus Thoth, que viera a terra justamente para essa missão civilizadora. Ele lhes deu os rudimentos da civilização, ensinando-lhes a agricultura, a metalurgia e a organização social. Ele a ensinou a Osíris, o primeiro rei a governar em todas as terras do Egito, e este a propagou entre todos os povos do reino mantendo a harmonia e a paz no Egito até o dia em que foi assassinado por seu invejoso irmão Seth.

O Mito de Osíris e o drama da ressurreição desse deus, morto e esquartejado por Seth, seu invejoso irmão, é o conteúdo dos chamados Mistérios Egípcios, ou Mistérios de Ísis e Osíris. Na origem esses Mistérios eram tradições religiosas muito antigas, nas quais se celebrava o poder de regeneração concedida por esses deuses aos seus afiliados na terra. O conteúdo desses rituais nunca foi descrito na literatura egípcia e só se tornou conhecido no Ocidente através da narrativa feita por Plutarco, escritor grego do século V a.C., que escreveu um longo trabalho explicando o verdadeiro significado desse mito.

Em síntese, esse mito diz que Osíris era filho do deus Seb com a deusa Nut. Tornou-se rei do Egito, tendo ensinado para aquele povo todos os rudimentos da civilização. Teria sido também o introdutor do culto à deusa Maat, como forma de conservar o equilíbrio e a ordem no país dos egípcios, repetindo, dessa forma, o reino do céu na terra.

Tendo organizado o povo no vale do Nilo, partiu em peregrinação por toda a terra, para fazer o mesmo com outros povos. Na Babilônica ficou conhecido como Enlil, na Pérsia como Mitra, na Índia como Shiva, o civilizador. Enquanto peregrinava pelo mundo ensinando os povos os segredos da agricultura, da metalurgia, das artes e demais disciplinas que fazem uma civilização,  sua irmã e esposa Ísis ficou governando o Egito em seu lugar. Quando voltou, após implantar a civilização pelo resto do mundo, foi assassinado por seu irmão Seth, que escondeu seu corpo dentro de uma arca e o atirou ás águas do Rio Nilo.

Quando Ísis soube do ocorrido, partiu à procura do corpo encontrando-o, afinal, nas praias da cidade de Biblos, preso aos galhos de um tamarineiro. Todavia, o rei de Biblos, (esta não é a cidade fenícia onde foi inventado o termo Bíblia, mas um povoado egípcio que ficava numa das bocas do Nilo), havia cortado a referida árvore, para com ela sustentar o teto do seu palácio. Ísis, entretanto, conseguiu recuperar a arca com o corpo do marido e retornou ao Egito. Quando Seth soube que ela havia recuperado o corpo de Osíris, ele o roubou e cortou-o em quatorze partes, as quais enterrou em diversos lugares do país.

Ísis, ao tomar conhecimento da nova maldade de seu invejoso cunhado, saiu novamente à procura dos restos mortais do marido, e onde encontrava uma parte, sepultava-a com as devidas cerimônias, erguendo no lugar da tumba um templo em homenagem a Rá, o deus da luz. Tendo reunido todas as partes do corpo do rei assassinado, dando a cada uma delas sepultura de acordo com os rituais, foi possível a ela promover a sua regeneração. Osíris recomposto tornou-se um deus e foi feito governador da terra dos mortos, a Tuat.

Recomposto em espírito, Osíris instruiu Hórus, seu filho, a continuar a sua obra, combatendo Seth, o princípio do mal. Hórus,  à frente de um exército de “filhos da luz”, deu combate a Seth e o venceu. Osíris, morto para a vida, ressuscitou espiritualmente por força das cerimônias que Ísis prodigalizou aos seus restos mortais. Daí passou a simbolizar o dia que vence a noite, a luz que supera as trevas; Ísis é a terra, a mãe em cujo útero se processa a regeneração da semente morta.

Os sacerdotes egípcios usavam esse mito para cultuar o poder regenerador da terra. Pois assim como a semente lançada ao solo contém a vida que renascerá das trevas, também o homem que morresse e fosse sepultado de acordo com os ritos instituídos pelos deuses renasciam na terra, no corpo do seu sucessor, e nos Campos Elísios como ka (espírito) revigorado, capaz de viver eternamente. E o seu espírito, iluminado pela luz de Rá, incorporava-se ao Princípio Criador de todos os seres (Rá, o Sol radiante), tornando-se também um deus, cuja face brilhava para sempre, na forma de um astro no céu. Dai a ideia de que cada estrela no céu é representativa de uma alma que foi admitida no céu.

Os egípcios viam o corpo humano como um conjunto de potencialidades que não se esgotavam na vida terrestre, mas que se completava na existência do além-túmulo. Assim, aquele que obtivesse sucesso em viver de acordo com os princípios da Maat (A Justiça), adquiria os méritos para se tornar, ele também um Osíris, revivendo num mundo ideal. Eis porque o corpo humano não podia desaparecer com a morte, pois da sua conservação dependia a preservação de algumas das potencialidades que o defunto necessitaria para viver feliz na outra vida. Daí o desenvolvimento de técnicas de embalsamamento e conservação das múmias que até hoje desafiam a ciência moderna.

Nesses dias anteriores aos tempos históricos, os deuses eram tidos como Mestres da construção universal e os homens os seus aprendizes. O que os primeiros faziam no céu refletia sobre a terra, e o que os homens faziam na terra repercutia no céu. Por isso a responsabilidade recíproca na construção e no equilíbrio do edifício cósmico se dividia por igual entre homens e deuses.

Um dia esse equilíbrio foi rompido, por isso a desordem, a desarmonia, a injustiça, o mal, enfim, entraram no universo e nele se mantém. E nele se manterá até que nós restabeleçamos esse fluxo, tornando-nos justos e perfeitos novamente.

Autor: João Anatalino

Fonte: Recanto das Letras

Screenshot_20200502-144642_2

Só foi possível fazermos essa postagem graças à colaboração de nossos leitores no APOIA.SE. Todo o conteúdo do blog é disponibilizado gratuitamente, e nosso objetivo é continuar oferecendo material de qualidade que possa contribuir com seus estudos. E você também pode nos auxiliar nessa empreitada! Apoie nosso projeto e ajude a manter no ar esse que é um dos blogs maçônicos mais conceituados no Brasil. Para fazer sua colaboração é só clicar no link abaixo:

https://apoia.se/opontodentrodocirculo

Pé Esquerdo & Maçonaria

8804c-pe2besquerdo

Ao contrário do que alguns podem pensar, esse é um costume muito antigo, de milênios, e não possui relação alguma com o azar.

As principais pinturas e esculturas de deuses e faraós egípcios mostram sempre o pé esquerdo à frente, enquanto as que ilustram pessoas comuns em situações do cotidiano mostram o pé direito. Trata-se de uma coincidência? Não. O passo com o pé esquerdo era considerado pelos egípcios como símbolo do “primeiro passo” para uma nova vida. Por isso, era com o pé esquerdo que o faraó dava seu primeiro passo após sua posse. Também por isso que as escadas eram feitas com degraus em número ímpar, de forma a ser possível iniciar e encerrar a subida com o pé esquerdo. Essa tradição foi herdada posteriormente pelos gregos, como também se pode ver estampada em sua arte.

Por que o esquerdo, e não o direito?

Os egípcios acreditavam que o lado esquerdo era o lado espiritual, enquanto que o lado direito era o lado material. Por esse motivo, as coisas tidas como sagradas eram feitas com o pé e mão esquerda.

Esse simbolismo do primeiro passo, um passo espiritual para uma nova vida, continuou sendo observado nas instituições tradicionais, principalmente em suas cerimônias de iniciação, incluindo a Maçonaria.

“Rompendo a Marcha”

O costume também foi incorporado pelos antigos exércitos, que davam o primeiro passo de suas marchas com o pé esquerdo como um sinal de sorte para a batalha. Com o tempo, o costume se tornou regra, mas perdeu sua simbologia. Daí então, as famosas “Lojas Militares”, responsáveis pelo surgimento das primeiras Lojas Maçônicas nas então “Colônias”, acostumados ao primeiro passo esquerdo não somente em Loja, mas também fora dela, incorporaram às suas Lojas a prática e o termo militar “romper a marcha com o pé esquerdo”.

Foi assim também que o maçom, que tinha “passos”, passou a ter “marchas”.

Autor: Kennyo Ismail

Fonte: No Esquadro