Egrégora: um conceito totalmente estranho à tradição maçônica

egrégora do círculo – Círculo

Há algum tempo, foi introduzido em nossas lojas um termo que, na minha opinião, é completamente estranho para a Maçonaria. Ele está na fronteira com a superstição e é aplicado com naturalidade, como se o conceito tivesse uma tradição na ordem. Me refiro ao termo e ao conceito de egrégora.

Egrégora parece vir de doutrinas antigas, que os chamados gnósticos aplicavam ao espírito, podendo ser a personalidade de um grupo, de uma família, uma seita, e que neste caso, de uma loja, utilizado com relação a qualidade dos trabalhos, a firmeza de suas ações ou até mesmo a composição dos membros da loja.

Até aqui, não parece ser nada de especial, mas verificamos que o conceito foi retirado das sociedades teosóficas e espiritualistas, alegando que egrégora é uma espécie de entidade extrafísica que vive e se alimenta de nossos pensamentos e sua ação exerce efeito através de uma escala de espaços e dimensões. Mas isso não é esoterismo e sim ocultismo, o que não é a mesma coisa.

Na Maçonaria, pelo menos alguns autores afirmam que a egrégora em loja maçônica existe desde a fundação de 1717, assim como a magia, mistérios, entidades astrais, astrologia, tarot e até mesmo a hipótese de reencarnações com descendência do cavalheirismo e dos cruzados, tudo isso é considerado.

Procuramos sempre argumentar que a maçonaria é um sistema de análise livre de ideias, sem impor dogmas ou ideias pré-concebidas, utilizando os símbolos retirados do ofício da construção e nada mais. A predisposição para a tolerância e amor fraternal fará o resto: um centro de união que não requer anjos da guarda.

Esta idéia pode ser desenvolvida de qualquer maneira, menos que egrégora seja um conceito maçônico da antiguidade imemorial.

A verdade é que, em muitos sites de lojas e obediências respeitáveis, aparecem artigos e descrições das ações desta “entidade”.

Seguem alguns exemplos, que me provocam um certo calafrio, aqui copiado e colado:

“As egrégoras são energias inteligentes, mas não racionais. A egrégora vai ajudar aqueles que a alimentam e se defender daqueles que a atacam, mas não de uma forma racional. Ou seja: A egrégora não vai dizer: ‘Eu agora vou me vingar de Fulano’, mas se Fulano atrapalhar a egrégora da loja, a egrégora vai manter sua integridade. Seu funcionamento é automático, reagindo mais para a energia do sentimento e emoção do que o pensamento racional.”

Outro exemplo:

“Entendemos que egrégora, é a energia mental que suporta uma ideia ou um ideal específico. Poderíamos dizer que a egrégora é uma espécie de “energia mental cooperativa”, porque alimenta a contribuição mental de pessoas que trabalham na direção desse ideal, auxiliando energeticamente. É uma condensação de uma forma particular de pensamentos, desejos e sentimentos da humanidade. Assim, no plano astral, psíquico e em certos níveis do plano mental, temos uma série de egrégoras ou formas mentais que têm a ver com os estados da consciência humana. Qualquer ideia ou grupo humano organizado tem sua egrégora: uma bola de futebol ou beisebol, um partido político, uma religião ou uma marca de refrigerante e etc.”

E o exemplo final:

“Toda egrégora como entidade, se identifica com o seu criador, e sempre que for convocado (mesmo inconscientemente) vem para apoiar ou auxiliar quem a alimenta, seus alimentos são emoções, atenção e intenção, por isso é chamado de vigilante.”

Isto é, estes irmãos acreditam que estão sujeitos a supervisão de um ser imaterial, que inclusive age sobre a queima das velas na loja (quando se aplica), indicando uma sinergia coletiva ou não. Alguns evitam até mesmo discutir determinados assuntos, de modo a não quebrar a egrégora da loja. Afirmam sentir a egrégora da loja devido ao fato de estarem com as mãos suadas sem a utilização de luvas.

Mas como este conceito chegou à Maçonaria?

Ao que parece, a data aproximada de introdução foi na primeira metade do século XX, na França, de onde se espalhou ao redor do ano de 1935.

Antecedentes do ocultismo

A Sociedade Teosófica de Madame Blavatsky, influenciou muito a mente dos irmãos maçons, seduzidos por suas teorias de cunho oriental, relacionadas com o espiritismo, Co-Maçonaria Inglesa, Le Droit Humain Francesa, ritos de Memphis Mizraim, entre outros, com seus planos de existências astrais, mestres superiores, e os seus apreciadores como Walter Leslie Wilmshurst, Manly Palmer Hall, Henry Steel Olcott, e muitos outros.

Entretanto, ainda não estamos falando sobre egrégora, mas de anjos e seres ou formas de pensamento que aparecem em um simples golpe de malhete: sereias, gnomos, silfos e salamandras.

Repare este parágrafo de “A vida oculta na maçonaria” de C.W. Leadbeater:

“Na Maçonaria também invocamos a ajuda angelical, porém são eles que nos cercam no desenvolvimento e na inteligência, e cada anjo traz uma série de subalternos encarregados de executar suas ordens. ”

Fechando a introdução, transcrevo alguns parágrafos tirados de uma obra de um irmão da Grande Loja Nacional da França, seguidores dedicados do Inglês ortodoxo e nada suspeitos de simpatizar com egrégoras:

“Antes de tudo recordemos de algumas definições que desde já, mostram que esta noção de egrégora é mais do que misteriosa ….

Nos melhores dicionários da língua francesa esta palavra não aparece, nem mesmo no Larousse.

Alan Ray em sua obra, explica que a palavra egrégora é o resultado de uma sucessão de erros de interpretação e tradução de um texto em aramaico em suas versões gregas. Ela não existe nas versões bíblicas e se apoia apenas no Livro de Enoque para dar sustento a algo que é mais fábula e ignorância, do que a realidade.

Por mais engraçado que possa parecer na abordagem a estes serafins, não consigo encontrar a fonte do conceito de egrégora, mas talvez a origem seja “o sexo dos anjos”, como diz na linguagem popular ….”

Indo para a origem latina, encontramos relatos de uma alteração semântico-linguística para anexar um prefixo E para a raiz “grex-Gregoris” que dá sentido de tropa ou manada. Com isso, estamos longe de uma possível aproximação de qualquer noção maçônica possível.

É a partir da antiga raiz grega “egregoroi”, que significa “vigilantes” e que nada tem a ver com “egrégora”, que na verdade vem do verbo egregoren, “estar acordado”.

Ocultistas, mágicos, talvez cabalistas, os autores franceses do século 19, que influenciaram na formação da palavra egrégora, são pelo menos três:

  • Alexandre Saint-Yves d’Alveydre (1842-1909)
  • Eliphas Levi (ou Alfonse Louis Constant) (1810-1975)
  • Stanislas de Guaita (1861-1898)

Estes três autores foram os que inventaram o conceito ocultista de egrégora, um conceito que nunca esteve presente nos textos maçônicos anteriores ou, pior ainda, nem mesmo em seus próprios textos, mas em obras póstumas, como no caso de Eliphas Levi.

Vamos conhecer os três autores citados:

Saint-Yves d’-Alexandre Alveydre era uma espécie de visionário, o primeiro a evocar, embora não tenha nomeado, a noção de egrégora. Mas vai foi ele, especialmente em uma de suas obras, “Missão dos judeus”, que desenvolveu esta idéia no livro, inspirado pelo “poder e a origem sobre-humana dos judeus, pode criar espontaneamente um ser oculto coletivo, dotado de um poder terrível.”

Esta noção, curiosamente, recorda o Shekinah do Talmud e a cabala judaica, significando a presença especial de Deus em Seu povo, presença que às vezes é concebida como uma entidade independente, intermediária, mas com “emanação” do povo judeu. Poderia Saint-Yves ter se inspirado nisso? Pode ser.

Mas o verdadeiro instigador, formalizador do conceito ocultista da egrégora é o segundo personagem da nossa história, Eliphas Levi, cujo verdadeiro nome era Alphonse-Louis Constant, escritor, ocultista, mago e historiador.

Ele foi autor de numerosas obras que exerceram uma forte influência sobre os futuros autores.

Podemos citar como exemplo:

  • Dogma e Ritual da Alta Magia (Dogme et Rituel de la Haute Magie) – 1854
  • História da Magia (Histoire de la Magie) – 1859
  • A Chave dos Grandes Mistérios (La Clef des Grands Mystères) – 1859

Em uma obra póstuma, com o título de “O Livro dos Esplendores”, foi mencionado pela primeira vez a palavra egrégora. Sua inspiração vem de uma tradução em Inglês de um texto etíope do Livro de Enoque, do qual falaremos. Ali assimila os “anjos” com os “vigilantes” que não nomeados como eggregoras (com dois G´s).

Aqui estão alguns trechos do que ele escreveu:

“Mas o Livro de Enoque nos diz que há Eggregoras, ou seja, os gênios que nunca dormem ……o que em nossas obras temos chamado de larvas e vampiros, coágulos e projeções insalubres de luz astral, seriam na realidade, de acordo com o livro de Enoque, almas híbridas e formas monstruosas de exalações mórbidas da terra e lodo de serpente Python.”

No livro “O Grande Arcano (Le Grand Arcane) – 1868”, escreveu: 

“Estas forças colossais, por vezes, tomam uma figura e se apresentam sob a aparência de gigantes, esses são as Eggregoras do Livro de Enoque; criaturas terríveis para os quais não somos mais do que insetos microscópicos que infestam seus dentes e epiderme. As Eggrégoras nos esmagam impiedosamente porque ignoram a nossa existência, pois são grandes demais para nos ver … ”

E, no entanto, em outro ponto do mesmo livro, muda seu ponto de vista com um giro de 180º: 

“Essas eggregoras, se sua existência é admitida, seriam os agentes plásticos de Deus, as engrenagens vivas da máquina criadora, multiforme como Proteus mas sempre acorrentado a sua matéria elementar…”

“Os árabes, poetas conservadores de tradições primitivas do Oriente, ainda acreditam nesses gênios gigantescos. Há negros e brancos, os negros foram mal feitos e são chamados Afrites. Maomé manteve os gênios e fez seus anjos tão grandes que os ventos de suas asas varreram mundos inteiros no espaço. Não podemos considerar que a multidão de seres intermediários que nos escondem de Deus e fazê-los parecer inútil. Temos milhares de deuses que vencem e ainda não são capazes de alcançar a liberdade e a paz. É por isso que rejeitamos definitiva e absolutamente, a mitologia das Eggregoras.”

E dez linhas abaixo: 

“Toda a fantasmagoria gigantesca do mundo antigo não é nada mais que uma gargalhada colossal chamada Gargantua no livro de Rabelais.”.

Note que Levi, muitas vezes disse a seus amigos que ele era a “reencarnação de François Rabelais”, um escritor francês.

E finalmente na página 164, Eliphas Levi termina da seguinte forma a questão das “eggregoras”:

“As verdadeiras Eggregoras, acreditamos ser os vigilantes da noite, são as estrelas do céu com os olhos sempre cintilantes… pensamos que cada cidade tem o seu anjo da guarda ou gênio. Tudo é possível, mas duvidoso e pode servir as hipóteses da astrologia ou ficções épicas. ”

Eu trouxe estas citações para que vocês observem qual é a origem da noção de egrégora.

E, finalmente, outro autor, Stanislas de Guaita, que publicou “A chave da magia negra” (1897), suas reflexões mais completas e precisas sobre as egrégoras dos ocultistas.

Seguem os principais textos com numeração de página de acordo com a edição de 1897:

Página 279 – “Deve ser suficiente determinar aqui as combinações, por vezes, aleatórias, que dão à luz aos seres coletivos, mais ou menos efémero ou duradoura espécie de síntese viva, resultados de agrupamento de muitos indivíduos, sob as condições exigidas”.

Página 290 – “E assim, na ordem política ou social e religiosa, milhões de homens, hierarquicamente organizado, sob o nível de uma regra inflexível, ter conscientemente ou não, acreditado no trabalho dos seres invisíveis, virtuais, entidades coletivas, em uma palavra de domínio fastas ou nefastos de potência e duração igualmente incalculável. ”

Página 295. “A cadeia de magia é um meio seguro de criação de poder coletivo ao qual nada pode resistir. ”

E, finalmente, página 533: “devemos considerar a soberania que demonstram os seres coletivos, que temos chamado de eggregoras.”

É quase impossível identificar com certeza, nos conceitos apresentados pelos autores, relações com símbolos, ideais, e ferramentas, ou algo realmente maçônico ….

A questão é que egrégora não pertence a tradição maçônica e tivemos que esperar por um maçom famoso como Oswald Wirth, falando da maçonaria francesa, para iniciar a introdução do conceito ocultista e mágico de egrégora, por volta de 1935.

Em outras palavras, meus irmãos: Antes de um século, não há nada que relacione egrégora com as noções básicas da maçonaria.

Portanto, é Oswald Wirth quem vai conceituar para nós, esta noção de egrégora.

Oswald Wirth não só era um maçom, mas sim, um admirador ocultista e fervoroso de Stanilas de Guaita, conforme suas obras, onde ele expressa sua confiança em poderes paranormais.

Wirth afirma que Guaita fez perceber a existência do “espírito” chamado egrégora, formado em qualquer grupo humano, seja grande ou pequeno. Esta noção que o ocultista Wirth adota e escreve, é encontrado em todos os seus livros. Por exemplo, em “O Livro do Mestre” (reeditado em 1972):

“Temos que voltar ao Logos de Platão, o Grande Arquiteto ou Demiurgo, a luz que ilumina progressivamente o iniciado? Podemos abordar modestamente o que os maçons chamam de seu Mestre Hiram, mas como podemos representar essa entidade?

Longe de ser um personagem é uma personificação. Mas de que?. O pensamento iniciático, deste conjunto de idéias que sobrevivem, apesar de um cérebro e não ser capaz de vibrar sob a sua influência. Isso que é importante não morrer e subsistir como em um estado latente, até que um dia se apresente a oportunidade de manifestar-se…”

“… a virtude pentacular está na idéia, sentimentos de energia ou o estado da alma que evoca a imagem … mas o que dizer de um pentagrama invisível desenhado por uma vida inteira de esforço pelo serviço de um ideal superior? Não se trata aqui de infantilidade, mas de fortalecer o poder secreto dos iniciados…”.

“O verdadeiro iniciado tende a concentrar em si, as energias difusas de um ambiente vasto; e tem assim uma forma muito real, de poder ilimitado, proveniente dos deuses, no sentido iniciático da palavra. O Maçom que dedica toda a sua inteligência e todo o seu coração para a execução do plano do Supremo Arquiteto, pode cumprir com uma tarefa muito maior do que seus meios pessoais: não estará sozinho, porque com ele se solidarizam todas as energias que estimulam a mesma boa vontade. A Cadeia de União é eficaz para qualquer adepto sincero que tenha realizado o equilíbrio recebido na mesma medida que dá, se beneficiando da corrente que se estabelece e transmite.”

Podemos ver que Oswald Wirth falando de maçonaria, se apropriou da ideia feita por Guaita para torná-lo vivo em nosso universo maçônico.

Então, Oswald Wirth não foi o único responsável por introduzir a egrégora na maçonaria, mas a partir de Stanislas de Guita foi o primeiro elo na transmissão.

A introdução real da palavra e do conceito foi realizada por seu discípulo, Marius Lepage (1901-1972). Simbolista, ocultista e maçom, Marius Lepage foi para Oswald Wirth, mais ou menos o que ele foi para Stanislas de Guaita. Era seu amigo e discípulo fiel.

Então, no ano de 1935, aparece pela caneta de Marius Lepage, o primeiro artigo maçônico, onde a palavra egrégora é associada com o conceito ocultista. Se tratava de um novo estudo sobre a Cadeia de União, que sete anos antes, no mesmo jornal, Oswald Wirth já havia publicado uma versão inspirada em Guaita mas onde a egrégora da loja foi descrita, mas não nomeada.

Finalmente Jules H. Boucher (1902-1955) deu corpo ao conceito de egrégora utilizado atualmente:

“É chamado de egrégora, uma entidade, um ser coletivo que aparece em um conjunto. Cada conjunto de indivíduos formam uma egrégora. Há uma para cada religião e essa egrégora é poderoso pela força dos fiéis, acumulada durante séculos. O mesmo podemos dizer sobre a Maçonaria: Cada loja tem sua egrégora, cada obediência, a sua, e a reunião de todas essas egrégoras, formam A Grande Egrégora Maçônica”.

Como conclusão, minha opinião pessoal:

O objetivo desta pesquisa não é para censurar as investigações ou a crença que os irmãos podem ter, mas apenas tentar informar que no caso da egrégora, não faz parte da tradição maçônica e sim ocultista, e que por vezes acabamos deixando outras formas de Maçonaria, longe de nossas preocupações, como a liberdade e a dignidade humana, para assim aperfeiçoar nossa personalidade com as ferramentas que nos permitem perceber a diferença entre verdade e ilusão: razão e consciência.

Autor: Luciano Rodrigues

Fonte: O Prumo de Hiram

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Egrégora maçônica: uma visão crítica

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1. Introdução

A Maçonaria Moderna identifica-se, de forma geral, com um mote: “a busca da verdade”. Por sua vasta história e amplitude geográfica, produziu ritos diversos e linhas de estudo que podem ser equiparadas às múltiplas vertentes do conhecimento humano. Mas, por mais diversas que sejam suas formas de atuação, a Ordem Maçônica não pode olvidar-se quanto ao compromisso de seu objetivo principal: elucidar a mente e dissipar as trevas da ignorância.

No entanto, alguns temas suscitam maiores reflexões do que outros. O tema do presente trabalho – “A Egrégora Maçônica” – é um destes que se apresenta arenoso. Eivado de muitas ilações, sensações, até crenças, constrói ambiente enigmático para o pesquisador maçônico atento ao intento de atingir-se certo grau de assertividade. Diante desta circunstância, a ARLS Caminho de Luz, que adota o REAA, permitiu-se adicionar um subtítulo ao tema, qual seja, “Uma Visão Crítica”.

A visão crítica a que se refere aqui é aquela que busca identificar os reais fundamentos de qualquer premissa. Uma vez esmiuçado o conceito, reconstrói-se o mesmo com a responsabilidade de referenciar a pesquisa, a lógica e a razão, e não crendices efêmeras ou sensações pessoais.

Egrégora, para muitos Maçons, significa a reunião de forças mentais e espirituais dos irmãos congregados em Loja, na presença de uma entidade espiritual. Ou ainda, conforme o Rito, a ligação psíquica e espiritual à essência de todo Maçom que existe ou já existiu.

Assim, ouve-se em reuniões maçônicas do REAA explicações das mais variadas formas, se utilizando do misticismo, esoterismo, e de tantas outras quase ciências para tentar dar sentido para reunião dos irmãos em loja.

No entanto, baseando-se em um resgate histórico, nos fundamentos iluministas da Maçonaria Especulativa, bem como no berço de nascença do REAA, outro significado para “Egrégora” pode ser identificado.

A despeito das cargas esotéricas, a união de desígnios e o foco comum na execução ritualística apresentam-se, aparentemente, como fatores importantes a serem estudados na geração do chamado “espírito de corpo”, de pertencimento e aglutinação.

Em razão desta dualidade de conceitos, tão díspares, o tema foi desenvolvido buscando um resgate histórico do contexto da formação da maçonaria especulativa, e, nesta esteira, a identificação dos objetivos eleitos para serem a razão de atuar da maçonaria através do REAA. Em sequência, buscar-se-á verificar se é plausível a hipótese de que a maçonaria brasileira, impregnada pela forte presença da mística latina, deturpou premissas iluministas do REAA ao fazer inserir passagens ritualísticas e conceitos exógenos em sua doutrina. Com isso, pretende-se identificar racionalmente os motivos pelos quais os irmãos se reúnem com espírito mais associativo e profícuo em algumas sessões do que em outras.

2. Desenvolvimento

2.1. Brevíssimo resgate histórico

A Maçonaria foi levada para França pelos Stuarts e sua corte, quando estes foram exilados no Castelo de Saint Germain. Teria sido a primeira manifestação maçônica em território francês. Descende ainda, conforme o historiador G. Bord, do regimento criado por Carlos II, chamado Guardas Irlandeses (Procedimentos Ritualísticos 1º Grau, p.9).

Ainda na França, o gérmen do Rito Escocês Antigo e Aceito bebe do Iluminismo, que rompe com a lógica obscurantista e passa ao pensamento científico racional. Representava a vitória da ciência sobre a superstição que dominava o pensamento medieval.

Também, pudera. Na Idade Média, período que durou do Século X ao XV o homem viveu aprisionado em seu pequeno mundo, cheio de superstições e medos. Com pouquíssimas pessoas alfabetizadas de fora do clero, a Igreja atuava como fornecedora de justificativas religiosas para todos os momentos. As epidemias e catástrofes eram quase sempre atribuídas ao diabo e resolvidas com exorcismos, sinais da cruz e outros simbolismos.

Os reis respeitavam o poder da Igreja e essa, por sua vez, dependia deles para sua proteção e patrocínio. Tendo o controle do poder espiritual, e também político e financeiro, a Igreja Católica foi responsável por manter a ordem social da Idade Média.

Isto fica evidente, com base no fragmento de um texto da época:

“Deus quis que, entre os homens, uns fossem senhores e outros servos, de tal maneira que os senhores estejam obrigados a venerar e amar a Deus, e que os servos estejam obrigados a amar e venerar o seu senhor (…).”

O surgimento da Maçonaria Especulativa está intimamente ligado com vários acontecimentos ocorridos na Europa. No final do século XV, o Mercantilismo permitiu o surgimento das pequenas indústrias, e as expansões marítimas trouxeram mudanças na consciência popular. O ceticismo, que questionava a autoridade tradicional (nobreza e clero) desaguaria em conceitos mais claros e universais.

Princípios humanistas resgatam a filosofia da Grécia Antiga, tentando encontrar explicações racionais sem a utilização da religião e da superstição.

O século XVIII trouxe uma nova etapa ao Renascimento, o Iluminismo. Seus ideais espalharam-se por quase toda Europa, jogando luz sob as ideias obsoletas e supersticiosas da Idade Média, conhecida como a Noite dos Dez Séculos.

Os entraves para a evolução do homem precisavam ser retirados e com isso, a Razão deveria ser sua guia, substituindo a antiga crença religiosa e ganhando maior liberdade política, econômica e social.

Ao que consta, tanto o nascimento da Maçonaria Especulativa quanto o florescimento do REAA, advêm do homem ter relembrado sua especial condição: a racionalidade. Neste contexto, os grandes inimigos da maçonaria são eleitos e seus antídotos enfaticamente recomendados, chegando aos rituais franceses o juramento maçônico de se combater o despotismo, a ignorância, os preconceitos e o erros, além de se lutar perenemente contra o fanatismo e a superstição.

2.2. Os inimigos da maçonaria enfatizados no REAA

Identificado o contexto histórico francês do REAA, surge dúvida séria quanto à compatibilidade do conceito de Egrégora Maçônica em um rito que exige de seus membros o juramento de combater os grilhões da humanidade.

Assim, com o intuito de bem identificar os significados contidos nos substantivos que representam os inimigos da maçonaria, em especial para o REAA, é que se enxerga a necessidade do detalhamento dos seus conteúdos.

A maçonaria tem por objetivo o combate aos “grilhões” da humanidade, como o despotismo, o preconceito, a ignorância e o erro, dessa forma buscando glorificar a verdade e a justiça.

Entende-se por grilhões uma forma de restrição de liberdade, mas não somente ao sentido de liberdade como o de circular livremente, mas sim a liberdade de pensamento; liberdade essa que se alcança através da capacidade de discernir; e o discernimento, por sua vez, é alcançado pela razão.

O discernimento é necessário ao maçom, pois somente pode ser considerado livre aquele que não está aprisionado aos grilhões do preconceito, da ignorância, do erro e da superstição. A Razão unida à inteligência devem ser usadas pelo correto uso do Maço e do Cinzel. A Pedra Bruta deve ser transformada aplicando-se nela a Razão e a Inteligência para ser utilizada no Edifício Social como uma Pedra Cúbica, de forma justa e perfeita.

Entende-se por preconceito o juízo pré-concebido, que se manifesta numa atitude discriminatória, perante pessoas, crenças, sentimentos e tendências de comportamento. É uma ideia formada antecipadamente e que não tem fundamento sério.

ignorância é a condição da pessoa que não tem conhecimento da existência ou da funcionalidade de algo. O estado da pessoa desprovida de conhecimentos; sem cultura; condição de quem não tem estudo.

erro é definido como uma opinião, julgamento contrário à verdade. Falsa doutrina ou opinião falsa. Um engano ou equívoco.

superstição, outra masmorra da razão, pode ser definida como um desvio do sentimento religioso, fundado no temor ou na ignorância, e que empresta caráter sagrado a certas práticas destituídas de qualquer transcendência. Define-se, também, como uma crendice em que se confia em situações com relações de causalidade que não se podem mostrar de forma racional ou empírica. Ela geralmente está associada à suposição de que alguma força sobrenatural, que pode inclusive ser de origem religiosa, agiu para promover a suposta causalidade.

Superstições são, por definição, não fundamentadas em verificação de qualquer espécie. Elas podem estar baseadas em tradições populares, normalmente relacionadas com o pensamento mágico. O supersticioso acredita que certas ações (voluntárias ou não) podem influenciar de maneira transcendental a sua vida.

O elo causal entre a atitude do supersticioso e o efeito que se supõe ocorrer é, em muitos casos, difuso, muitas vezes não declarado e sempre impossível de ser verificado ou sem cunho científico.

Esta maneira de pensar contrária à razão, não só viola os princípios da ciência, mas aprisiona aquele que assim age. A maçonaria se levanta contra a superstição por já ter experimentado, nas brumas da história humana, a facilidade com que homens sem escrúpulos manipulam pessoas através de crendices, retirando-lhes a liberdade de ação e de pensamento.

2.3. A egrégora maçônica no REAA  e sua possível (e equivocada) origem

Algumas definições de egrégora maçônica que estão disponíveis em livros e repositórios levam o maçom a pensar em entidades terrenas e espirituais trabalhando juntas, com princípios místicos envolvidos, formando uma unidade ativada pela suposta energia do pensamento.

Para alguns autores, como Jorge Adoum e Nicola Aslam, a egrégora maçônica, se “bem feita”, com a reunião de fortes e idênticas vibrações, com pensamentos da mesma natureza, um ser verdadeiro ganharia vida e ficaria animado de uma força boa ou má, conforme o gênero dos pensamentos emitidos pelos participantes.

Orlando Soares da Costa, preceitua:

“O nosso corpo, tal como o planeta Terra, é um verdadeiro campo eletromagnético. As células do nosso corpo são basicamente compostos de sódio e potássio. Basta um pequeno conhecimento de física elementar para saber que nosso corpo físico é uma grande bateria. Cada célula do nosso corpo é ligada a três dos nossos sistemas: o Nervoso, o Circulatório e o Imunológico. Interessa-nos neste momento apenas o Nervoso. Este como sabemos, é formado por miríades de pequenos feixes capilares que se encontram em dois grandes eixos, os sistemas nervoso simpático e parassimpático, que se unem em um eixo central que é a medula, que conduz toda a carga energética ao conjunto cerebral em nossa caixa craniana, através do hipotálamo.”

Inclusive autores maçônicos que se autodenominam ligados ao REAA, identificam a presença do ente egrégora e atribuem-lhe uma posição central nas sessões ritualísticas. Um deles é Rizzardo da Camino. Em seu livro “O Aprendizado Maçônico”[1], ele nos traz:

“As Lojas mais “espiritualizadas”, emprestam à Cerimônia, atenção especial; há um fundo musical adequado; a luminosidade passa a ser mais amena com colorido adequado; todos de pé; o Oficiante ajoelha-se; ergue com ambas as mãos o Livro Sagrado e lhe faz a leitura. Esse momento é de expectativa. Os videntes notam a formação de um “SER ESPIRITUAL”, com semelhança ao ser humano, com características angélicas, envolto em nuvens diáfanas; cresse e cobre a todos os presentes, permanecendo em flutuação, tenuamente visível, sem perturbar pelo seu mistério. É “um corpo espiritual” que se forma; seus componentes são retirados da aura de cada um dos IIr.·. presentes. É a Egrégora. É o mistério que faz de cada um, um só ser; todos os Maçons passam a uma individualização única; é a harmonização dos pensamentos, dos ideais, dos propósitos; é a aura geral, o esplendor único. É a transformação do corpo físico em corpo místico; é a fusão de todos numa corrente divina. A Egrégora é um ser real, que permanece enquanto o Livro Sagrado permanecer aberto. E “ele” esse corpo divino e místico, esotérico e diáfano, faz parte da “cobertura celestial”. É a proteção real. Não há mais o porquê de um Ir.·. manter com outro qualquer dissonância, pois todos passaram a formar um só corpo, fundidos e imersos na Egrégora.”

A leitura das linhas acima, em contraste com as definições trazidas no tópico anterior sobre superstição, dá condição do pesquisador maçônico questionar a validade e existência desta entidade chamada egrégora. Afirmar pela existência e formação de um campo vibracional energético, sem qualquer lastro doutrinário ou simbólico oficialmente admitido pelos rituais, muito menos cientificamente válido, alcança, aparentemente, as raias da fantasia, encobrindo os reais motivos pelos quais os maçons, no REAA, se reúnem em sessão de Loja.

Diante de tal panorama, pergunta-se o real motivo dessa influência exacerbada do misticismo no pensamento maçônico latino. Por que razão a cultura maçônica brasileira aceita melhor os fatos explicados com base em argumentos metafísicos do que aqueles explicados com bases científicas?

Sem dúvida que a característica dos povos latinos de serem suscetíveis a influências do misticismo não lhe é exclusiva. A Humanidade de modo geral sempre esteve sujeita a influências de tudo aquilo que não se pode explicar. Desde as mais priscas eras, o pensamento do homem era levado por crenças místicas. Já na Grécia pré-socrática toda e qualquer explicação era dada com base em atos praticados por deuses ou semideuses de sua mitologia.

Mais tarde, com a ascensão do Império Romano, a cultura grega foi absorvida pelo povo romano e o misticismo foi mais arraigado ainda nas crenças da população.

Os latinos foram um antigo povo de origens indo-europeias estabelecido na Península Itálica, mais precisamente na costa do Mar Tirreno, na região hoje chamada de Lácio, local onde se encontra a cidade de Roma. Esse povo contribuiu de forma determinante na formação do povo romano, que absorveu sua língua e cultura. Por esta razão, muitas vezes o termo “latino” é empregado como sinônimo de “romano”.

Os latinos e depois os romanos antigos acreditavam serem descendentes de Marte, o Deus grego da guerra, relacionando a isso o caráter de ser um povo extremamente belicoso. Mesmo após a queda do Império Romano, com o domínio dos povos bárbaros, passou-se a evidenciar a crença monoteísta em um ser supremo.

Com o evoluir da História, os povos europeus passaram a sofrer pesada influência da Igreja Católica nas Idades Média e Moderna. Com o advento das grandes navegações, os colonizadores da América Latina, mais notadamente os espanhóis e portugueses, essa influência cruzou o oceano e desembarcou no novo continente, a América.

O indivíduo branco, que participou da formação da cultura brasileira fazia parte de vários grupos, que chegou ao país durante a época colonial. Além dos portugueses, vieram os espanhóis, de 1580 a 1640, durante a União Ibérica (período sob o qual Portugal ficou sob o domínio da Espanha). Entretanto, foi dos portugueses que recebemos a herança cultural fundamental, onde a história da imigração portuguesa no Brasil confunde-se com nossa própria história.

A mitologia portuguesa[2] é herdeira de um caldeirão de povos e culturas, com mitologias bastante diversas entre si, que deixaram um fértil legado imaginário. Engloba o conjunto de narrativas maravilhosas e lendas sobre personagens e suas façanhas, fenômenos naturais e objetos extraordinários ou regiões fantásticas, com características sobrenaturais, transmitidas de geração em geração, no decorrer dos séculos, tanto no campo literário como no da tradição oral. Todavia, um dos mais importantes legados portugueses foi a religião católica, crença de grande parte da população brasileira. O catolicismo, profundamente arraigado em Portugal, deixou no Brasil as tradições do calendário religioso, suas festas e procissões, tornando-se a religião oficial do Estado até a Constituição Republicana de 1891, que instituiu o Estado laico. Atualmente, o Brasil é considerado o maior país do mundo em número de católicos nominais. De acordo com o IBGE 73,8% da população brasileira declara-se católica.

Com isso, os povos latino-americanos obviamente acabaram formando uma cultura essencialmente misticista, em virtude de toda influência na sua formação social e política, não apenas de seus colonizadores mas também dos próprios povos que já habitavam o continente antes da invasão europeia. Portanto, seria pouquíssimo provável que tais povos se desvirtuassem dessa característica.

Como hipótese científica, admite-se que estas circunstâncias sociológicas pressionaram o contingente de maçons brasileiros a tal ponto que, por um conforto ideológico-religioso, preferiu-se optar em descaracterizar passagens ritualísticas e premissas doutrinárias do REAA, a buscar desenvolver-se aptidões de pesquisa metodológica científica geradoras da liberdade de espírito. Tal particularidade constitui, em conjectura, o fundamento da adição do conceito de egrégora maçônica dentro do REAA.

2.4. Egrégora maçônica vs. superstição e a autêntica espiritualidade

Há tempos o homem segue costumes, muitas vezes sem saber como surgiram e por que permanecem até hoje, quando tudo parece ter esclarecimento lógico e racional. Ocorre que infelizmente a sociedade é alimentada por dogmas culturais e mídia transbordada por uma pseudociência mística que mistura sua falácia com o jargão científico, mas rejeita o método científico como teste para suas teorias.

Uma pseudociência é um mito que reivindica status científico, mas não quer ser julgada como tal. Ironicamente, sua expansão só tende a aumentar, uma vez que nos oferecem aquela visão romântica da vida que queremos ver, e é muito fácil acreditar em algo quando estamos com sede de nos apegar a qualquer coisa. Todos os dias os nossos temas culturais, o nosso sistema educacional, nas revistas, nos jornais, na televisão, no rádio e mesmo nas escolas nos bombardeiam com elas.

Apesar de ser possível apontar características supersticiosas dentro de praticamente todas as religiões, é considerado um equívoco confundir as duas coisas. Religião não é magia. Enquanto uma prática supersticiosa, como um talismã ou uma simpatia, propõem melhorar nossa existência aqui e agora no mundo físico, a religião trata da vida espiritual. A superstição traz um benefício imediato, apenas por placebo, enquanto a religião busca a paz divina, envolvendo normas éticas e códigos de conduta.

Hipócrates de Cós é o pai da medicina. Ele é lembrado, principalmente, por causa do juramento hipocrático. Mas ele é celebrado sobretudo por seus esforços para arrancar a medicina do terreno da superstição e trazê-la à luz da ciência. Numa passagem peculiar, Hipócrates escreveu:

“Os homens acham a epilepsia divina, simplesmente porque não a compreendem. Mas se chamassem de divino tudo o que não compreendem, ora, as coisas divinas não teriam fim.”

A um Deus das Lacunas é atribuída a responsabilidade pelo que ainda não compreendemos. Como o conhecimento da medicina, tecnologia e demais disciplinas tem se desenvolvido progressivamente, cada vez mais aumenta o que compreendemos e diminui o que tinha de ser atribuído à intervenção divina ou magia.

Há milênios filósofos céticos cansados de respostas fáceis e despertados pela admiração e a curiosidade de descobrir o que há por trás dos mistérios que os cercam, instavam em atacar e desafiar tudo, a eles não escapando a crença nos deuses, que dominantemente é vislumbrado, de diversas formas, como factível de tal existência. Muitos, contudo, extinguem o politeísmo e a existência de um Deus antropomórfico (com formas humanas) conferindo a Este uma unidade: o Todo, o Uno, as leis que governam o universo, o Criador de um plano, A energia e matéria, o espirito de bondade e inteligência infinita, a Perfeição e as formas que denominamos de Natureza. O próprio gênio e físico Albert Einstein tinha sua concepção de que “Deus é a lei e o legislador do Universo“.

A busca pela verdade é campo da ciência e da racionalidade. O problema dessa busca é a capacidade de interpretação, pois na cultura popular prevalece uma espécie de Lei de Gresham, segundo a qual a ciência ruim expulsa a boa, nos tornando analfabetos da razão.

Há 2400 anos, Platão, no livro VII das Leis, deu a sua definição de analfabetismo científico:

“Aquele que não sabe contar um, dois, três, nem distinguir os números ímpares dos pares, ou que não sabe contar coisa alguma, nem a noite nem o dia, e que não tem noção da revolução do Sol e da Lua, nem das outras estrelas […]. Acho que todos os homens livres devem estudar esses ramos do conhecimento tanto quanto ensinam a uma criança no Egito[…] Com espanto, eu […] no final da vida, tenho tomado conhecimento de nossa ignorância sobre essas questões; acho que parecemos mais porcos do que homens, e tenho muita vergonha, não só de mim mesmo, mas de todos os gregos.”

Compete aos homens, por sua racionalidade, identificar e desmitificar todo conhecimento mal empregado, pela oportunidade de enxergarmos determinados costumes com o olhar crítico da ciência, onde a dúvida só pode ser sanada pelas lentes das evidências. O próprio ceticismo nos deu amparo para questionar o, até então, inexplicável e sermos livres de fato.

Nessa toada, livres e de bons costumes, os maçons tem o dever de se desvencilhar das amarras da falsa ciência. Os bons pedreiros, ao construírem seus edifícios e catedrais, carecem utilizar o conhecimento empírico e pragmático da engenharia, caso contrário suas obras tendem a ruir. Na vida espiritual (leia-se espirito como personalidade imaterial da consciência) os maçons têm os mesmos deveres, se desvencilhar das amarras da ignorância e do erro. Apesar disso vemos no meio maçônico alguns costumes que se assemelham às ditas superstições, dentre elas àquelas trazidas do meio profano e outras que se originaram dentro de Loja, vezes por má interpretação, outras por simples influência do meio cultural no transcorrer dos tempos. Nisso podemos citar o uso de amuletos ou termos empregados de forma duvidosa ou equivocada, tal como a concepção da egrégora maçônica por muitos.

3. Conclusão

Os motivos que levam os maçons do REAA a reunirem-se em Loja, não dependem de uma energia vibracional gerada entre os irmãos, os colocando em um uníssono ou sincronia, mas sim tal harmonia está em objetivos e ideais convergentes, a fim de poderem progredir nos trabalhos da maçonaria, em coerência com o Humanismo, que foi a base teórica e filosófica do movimento Iluminista.

Ao se reunirem, os maçons, obtém-se uma sinergia, resultado da somatória de todos os esforços voltados para os mesmos objetivos, mesmos fins, e que são muito claros para todos os praticantes do REAA: combater o despotismo, a ignorância, os preconceitos e os erros; glorificar a Verdade e a Justiça; promover o bem-estar da Pátria e da Humanidade; levantando Templos à virtude e cavando masmorras ao vício.

A maçonaria especulativa busca entender, por meio da razão, a Natureza e o papel do homem em seu meio, por isso luta por manter-se livre das superstições, temores e erros.

Por outro lado, não se pode deixar de reconhecer a importância da espiritualidade que outros ritos maçônicos no Brasil conservam em suas práticas, tendo por base a formação religiosa do povo brasileiro, influenciada fortemente pela Igreja Católica, pelas religiões africanas e indígenas. E tal fato não é nem bom ou ruim, mas uma realidade com as quais os maçons devem aprender a conviver, em conformidade com os princípios da tolerância e livre credo.

Com ou sem mística, o que é de fato fundamental é agregar forças construtivas para que os maçons consigam dar formas concretas aos fins supremos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Autores: David Simão, João Duleba, Murilo França, Claudio Ramos, Ricardo Igor e Elton Rocha
Orientação: Paulo Henrique Berehulka

Essa peça de arquitetura foi apresentada pelos Irmãos Aprendizes da Loja Caminho de Luz, Oriente de Curitiba que a elaboraram por ocasião da realização Encontro Regional de Aprendizes e Companheiros do Grande Oriente do Brasil – Paraná em maio de 2017.

Fonte: Blog do Pedro Juk

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Notas

[1] – CAMINO. Rizzardo da, O Aprendizado Maçônico. São Paulo: Livraria Maçônica Paulo Fuchs, Maio de 2001. P. 96-97.

[2] – In MITOLOGIA Portuguesa [online]. Disponível na internet via https://pt.wikipedia.org/wiki/Mitologia_portuguesa. Consulta em 05 de abril de 2017

Referências Bibliográficas

Hernandes, Paulo Antonio Outeiro. Curso de formação de aprendizes do Rito Escocês Antigo e Aceito. 1º edição-Londrina-Ed. Maçônica “A Trolha”, 2015.

Bauer, Alain. O Nascimento da Franco Maçonaria – tradução Fulvio Lubisco São Paulo-Ed. Madras, 2008.

Pike, Albert e Pessoa, Fernando. As Origens e os Ensinamentos da Maçonaria– tradução Fulvio Lubisco. São Paulo-Ed. Madras, 2015.

Cortella, Mario Sergio. Pensar nos faz bem- filosofia, religião, ciência e educação. 5º edição- Petrópolis- Ed. Vozes, 2015.

Procedimentos Ritualísticos, 1º Grau Rito Escocês Antigo e Aceito. 2016.

Ritual, 1º Grau-Aprendiz Maçom- Rito Escocês Antigo e Aceito. 2009.

Outras Referências

http://curiosidadesmisteriosantigos.blogspot.com.br/2015/06/latinos-saga-de-um-povo.html

http://www.infoescola.com/mitologia-grega/teogonia-de-hesiodo/

http://mestresdahistoria.blogspot.com.br/2011/02/catequizacao-dos-povos-indigenas.html#!/tcmbck

http://www.suapesquisa.com/astecas/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Miss%C3%B5es_jesu%C3%ADticas_na_Am%C3%A9rica

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mitologia_portuguesa

https://www.todamateria.com.br/cultura-brasileira/

http://www.ebah.com.br/content/ABAAAggYMAB/a-influencia-dos-povos-na-formacao-cultura-brasileira

http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar./index.php?option=com_content&view=article&id=308

Os conceitos apresentados, com adaptações, foram consultados nos seguintes sites: http://www.significados.com.brhttp://pt.wikipedia.org

Egrégora – Visão Esotérica (Uma Contribuição ao Tema)

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A palavra Egrégora traz em seu bojo uma peculiar representação plenamente compreendida e assimilada por diferentes linhas esotéricas e/ou espiritualistas, inclusive pela Maçonaria. Observa-se, no entanto, alguns Irmãos a questionar a origem desta nomina, refutando sua existência apenas por não a encontrarem nos dicionários de referência da língua portuguesa.

Motivados pela celeuma, optamos por pesquisa mais acurada trazendo para a prancha o resultado deste estudo.

A eminente professora de Português Maria Tereza de Queiroz Piacentini informa a origem do termo Egrégora com sendo a mesma de “gregário”:

“que faz parte da grei, ou seja, rebanho, congregação, sociedade, conjunto de pessoas. No plano da espiritualidade usa-se o nome Egrégora para designar um grupo vibracional, um campo de energia sutil em que se congregam forças, pensamentos ou vibrações com um determinado fim ou direcionamento espiritual”.

No Dicionário Maçônico Completo, informa-se que a palavra Egrégora deriva do grego egrogorien, com o significado de “vigiar”. Há ainda uma terceira interpretação, como sendo a origem da palavra etimologicamente semelhante a “egregius” ou “egrégio”, com o significado de “distinto”, “ilustre”.

No entendimento do autor, das informações pesquisadas sobre a origem da palavra, a de Piacentini é a correta. Por outro lado, observamos que nos grandes compêndios da língua, a palavra Egrégora não consta do Novo Aurélio – Século XXI, tampouco no dicionário Houaiss, fato este que, no nosso entender, em nada invalida sua existência ou mesmo sua representação.

Isto nos leva a hipótese da criação de um neologismo – Egrégora – para representar uma idiossincrasia maçônica. Neologismo quer dizer palavra ou expressão nova, ou antiga com sentido novo; nova doutrina, sobretudo em teologia. Idiossincrasia quer dizer “disposição do temperamento do indivíduo, que o faz reagir de maneira pessoal à ação dos agentes externos”. Em outras palavras, é uma peculiaridade da pessoa, uma maneira diferente de ser, um modo próprio de sentir, ver a vida, reagir às coisas. Assim como todos nós temos nossas idiossincrasias, também podem tê-las as instituições, os países etc.

Desta forma, o pensamento maçônico sobre a Egrégora, representando a unificação dos objetivos e pensamentos durante o exercício do seu ritual no Templo Maçônico, é apenas uma questão de semântica. A compreensão destes fatos nos permitiu validar a existência da palavra Egrégora, tão comum e tão pouco compreendida nos trabalhos maçônicos, independentemente de seu reconhecimento, ainda, pelos tradicionais dicionários da língua.

Alguns Irmãos são resistentes às explicações transcendentais sobre os trabalhos da Maçonaria, debitando a isto a tentativa de impingir à Ordem conceitos externos incompatíveis com os princípios maçônicos. Ainda que respeitemos as opiniões discordantes, dentro dos preceitos da legítima Fraternidade, reservamos o direito de discordar, no pleno exercício da Liberdade que apregoamos.

O Conhecimento é um só, ainda que venha travestido de diferentes roupagens… “O Homem apenas inicia sua escalada na montanha do Conhecimento e, enquanto não alcançar seu ápice, não poderá afirmar que possui a visão completa que ela o permite. Mas qual é o limite deste Conhecimento? Quem pode defini-lo?”

Toda contribuição que possa auxiliar um Irmão a alcançar sua elevação iniciática… Que o auxilie em sua reforma íntima, no trabalho de seu próprio V.I.T.R.I.O.L, é válida e bem-vinda…

“Aprendemos que a Ciência busca a Verdade e é livre, tal qual o pensamento filosófico; ela não privilegia e tão pouco é estática. A verdade conceitual de hoje pode não o ser amanhã, cabendo a nós estudá-la e desvendá-la até alcançarmos a sua origem; conceitos serão mutáveis até alcançarmos “a causa primária de todas as coisas”.

Os campos de estudos maçônicos são numerosos, incluindo diferentes propostas ocultistas, onde a realidade destes campos energéticos é demonstrada e ensinada, ainda que expressos por nomes diferentes.

Muitos Irmãos preocupados com a grande obra que cabe à Maçonaria, em sua representação material, influenciando política e materialmente a nossa sociedade, objetivos válidos indiscutivelmente, se esquecem, ou desconhecem, que a maior obra de nossa Ordem esta no seu trabalho sócio espiritual, que edifica no Conhecimento, transmutando o Homem em “Espírito Livre” ou “Livre Pensador”, no interior de seu próprio “Templo Íntimo”.

O Pensamento: para melhor compreendermos o significado do que se intitula como “Egrégora”, necessário se faz, inicialmente, a compreensão do pensamento humano como elemento “construtor” de formas.

O Homem ainda não se deu conta do que representa o Pensamento e qual é o seu poder, poder de criar, edificar, modificar ou destruir. Informam os sábios ocultistas, que a energia sempre segue o Pensamento. “Como pensa o homem, assim ele é” informam os tratados de diferentes linhas esotéricas ou espirituais. O Homem verdadeiro, o “Pensador”, está envolto em um corpo composto de inumeráveis combinações da matéria sutil dos planos que o cercam. Expandido de acordo com o seu grau evolutivo, ele pode apresentar-se, ou não, com a aparência de uma luz viva e intensa e, quanto mais desenvolvida a inteligência do Ser, num sentido puro e desinteressado, maior sua fulguração. Quando emite um pensamento, dá origem a uma série de vibrações que imediatamente atuam na matéria extracorpórea, projetando para o exterior uma porção vibrante de si mesmo, assumindo forma determinada condizente com as vibrações emitidas, revestindo-as com a “matéria espiritual” do plano em que se situa, ou de onde o poder vibratório de seu pensamento alcança.

Desta maneira, temos uma “Forma-Pensamento Mental” pura e simples, uma entidade vivente temporária, criada e corporificada pela ideia que lhe deu nascimento. O Corpo Mental e o Emocional estão diretamente relacionados, no Homem, ao que é chamada de “Formas-Pensamento”, uma consequência de seu ato de pensar.

Mas qual seria o interesse, no presente estudo, neste tipo de fenômeno espiritual?

Emitindo uma ideia, passamos a refletir as que se lhe assemelham, ideia essa que para logo se corporifica, com intensidade correspondente à nossa insistência em sustentá-la, mantendo-nos, assim, espontaneamente em comunicação com todos os que nos esposem o modo de sentir. Quando um determinado número de pessoas se reúne com um objetivo em comum, seus pensamentos, unificados pelo mesmo ideal, produzem, consequentemente, uma “Forma-Pensamento” maior e mais poderosa.

É o que ocorre em uma Loja Maçônica, em seus trabalhos regulares, onde dezenas de Irmãos se reúnem envoltos em um só pensamento e ideal.

O Templo Maçônico: temos que entender, também, o Templo Maçônico como um Centro de Magnetismo.

Qualquer lugar onde se haja repetidas vezes celebrado uma cerimônia, sobretudo se instituída com vistas a um ideal elevado, ele está sempre impregnado de uma vibração especial.

Todos os elementos utilizados na edificação de um edifício, madeira, ferro, pedra, etc, emitem suas irradiações próprias, mas, o aspecto que desejamos destacar é que todos estes elementos são capazes de absorver a influência humana, e depois retransmiti-la. Quanto maior o tempo de exposição destes elementos a uma mesma irradiação, maior seu potencial de retransmissão; quanto mais velho o local de uso para as reuniões de uma Loja, mais impregnadas estarão suas estruturas físicas da energia emitida pela “Forma-Pensamento” do ritual maçônico.

Ao adentrar a este “centro magnético”, envoltos em suas emanações, os seus frequentadores serão estimulados ao respeito e seriedade compatíveis com o momento do trabalho, como também permitirá mais rápido acesso à corrente vibratória dos planos transcendentais que regem a nossa Ordem.

Participam deste “centro magnético”, potencializando seu poder energético, a sua arquitetura, seus símbolos, suas pinturas, etc, cada qual cumprindo um objetivo bem definido na condução do pensamento humano aos planos mais elevados.

Desta forma, o Templo Maçônico não representa apenas um lugar de culto ao GADU, mas também um centro de magnetismo através do qual fluem forças espirituais, tanto a benefício de seus frequentadores como para áreas circunvizinhas, até onde sua vibração alcance.

A Egrégora é a soma destes elementos: a comunhão de pensamentos dirigidos a um ideal elevado, o Templo, sua arquitetura, seus símbolos e seus rituais, irão constituir o que conhecemos por “Egrégora”. Uma grande “Forma-Pensamento” que traz Luz ao escuro plano material em que vivemos. Beneficia e desenvolve seus adeptos, elevando-os e transformando-os na alquimia de sua magia oculta, assim como, silenciosamente, estimula os neófitos ao alcance de suas vibrações, a uma vida mais fraterna e condizente com os princípios universais do Bem e da Verdade.

Tão potente será, quanto maior for a seriedade e o respeito com que seus membros conduzam seus trabalhos, dentro de um legítimo sentimento de devoção e religiosidade… Para tal, é fundamental que tenham o Conhecimento Maçônico, tanto quanto a consciência da extensão de suas responsabilidades.

O Homem transformado no Bem e na Verdade modifica a sociedade em que vive, assim como Homens transformados no Bem e na Verdade unidos, geram uma belíssima e potente “Egrégora”, Perfeita e Justa.

Autor: Alfredo Roberto Neto

Texto encaminhado ao blog pelo próprio autor.

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Egrégoras: Um Falso Culto

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Circulam em Lojas Maçônicas dezenas de trabalhos sobre as chamadas “egrégoras”. Na internet, repleta de cultura e, também, com muito lixo, talvez, milhares de mensagens sobre egrégoras. Em meus tempos de Aprendiz e de Companheiro Maçom citei várias vezes as “egrégoras” em meus “Trabalhos de Arquitetura” aquela forma de energia maravilhosa de que todos falavam e enalteciam os seus efeitos sobrenaturais.

Chegando ao Mestrado Maçônico decidi não somente mencionar as egrégoras como uma Graça, uma dádiva do Grande Arquiteto, mais sim, também, de apresentar um trabalho completo aos meus Irmãos, fundamentado em pesquisas e opiniões coletadas em obras de escritores e pesquisadores maçônicos fidedignos. As fontes das pesquisas, se aqui relacionadas, preencheriam uma página inteira. Para minha grande surpresa, não encontrei absolutamente nada que explicasse as tais das egrégoras. Não satisfeito direcionei minhas investigações para Livros Sagrados: a Bíblia Sagrada em suas versões Presbiteriana, Pentencostal, Católica Pastoral; o Bhagavad-Gita e Alcorão em suas versões em português… Nada,… Nada, … Nada. Daquele dia em diante calei-me em respeito à crença de meus Irmãos devotos e defensores da existência das chamadas “egrégoras”.

Hoje, os absurdos que vejo aumentar a cada dia que passa, com Maçons em tentativas de transformar a Maçonaria em uma Instituição ocultista, enxertando na ritualística práticas supersticiosas, fazem-me, em defesa da Ordem e da razão, um crítico obstinado que não transige com superstições e não entrega seu destino, sua vontade e sua fé a inventados fantasmas; crenças em entidades que são rejeitadas, inclusive, pelas nossas tradicionais e respeitadas Instituições Cristãs.

Quando surgem discussões sobre as tais egrégoras, sempre me pergunto: vale a pena “entrar na briga” declarando textualmente que as chamadas egrégoras são uma invenção criada por fantasistas e que nada tem a ver com a Maçonaria? … Assim o digo.

Alguns defensores das egrégoras querem a sua presença em todas as Sociedades Místicas independentemente de seus dogmas, suas doutrinas e sua fé. E, diga-se de passagem, é claro, na Maçonaria. O vocábulo egrégora não consta em nenhum dicionário vernacular. Como qualquer palavra a imaginação de cada um pode pela morfologia construir sua etimologia a seu bel prazer, sem precisar provar nada – o papel, ou a net, aceita tudo. Por exemplo, podemos dizer que egrégora vem de Grego, de Igreja, de gregário, de egrégio, de egresso, de graal, de egolatria e por aí vai. Egrégora, além de não constar em nenhum dicionário idiomático, não consta também em nenhum Ritual de instituição mística séria, como a Cristã, a Judaica, a Islâmica, a Budista, a Hindu e outras não menos respeitáveis.

Podemos constatar que o conceito geral que fazem os defensores das chamadas egrégoras é de uma entidade engendrada e plasmada pela força da mente de seus devotos e que adquire individualidade, vontade própria e, boa ou má, interfere na vida e no destino das pessoas.

Avaliem, os respeitáveis Irmãos a questão: consta nos Rituais da Maçonaria, Simbólica ou Filosófica (Altos Graus), de qualquer Potência, de qualquer país ou idioma algo sobre as egrégoras? Alguma vez participastes de sessões maçônicas voltadas para práticas, técnicas e articulações místicas na intenção de desenvolver ou alimentar as chamadas egrégoras? Se isso não ocorreu, como podem ser devotos de algo que sequer sabem o que é? A conclusão salta aos olhos: pretendem, os defensores das egrégoras, que foi ALHEIO A SUA VONTADE. Como podem então, permitirem e crerem que a energia que emana de vossos corpos vá alimentar uma suposta entidade que não se sabe como atua, onde atua e quais os resultados de sua atuação? Queres crer em algo só porque te disseram que deves crer? Isso é o que se designa como Auto-engano – a crença em algo obviamente falso, que só se explica pela interferência de elementos superficiais ou subjetivos como o desejo, a paixão e o temor. O auto-engano é a mente do homem ludibriando a si mesma.

Muitos Maçons, Construtores Sociais que são e praticantes da Arte Real, já descobriram a verdade, mas, compreensivelmente se omitem, sabem que se manifestarem suas opiniões a desafeição com certeza se apresentará por aqueles, que embora bons Maçons, bons amigos e bons Irmãos, elegeram as chamadas egrégoras em dogma maçônico, esquecendo-se que em Maçonaria só existe uma invocação e esta e feita ao GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO QUE É DEUS. Invocar forças sobrenaturais em Loja Aberta é heresia maçônica.

Apesar de tudo, a fé de nossos Irmãos deve ser respeitada, assim promove a Maçonaria. Quem quiser crer e praticar as egrégoras, magias e “mancias” faça-o. A Maçonaria diz: “Cultiva a tua religião ininterruptamente, segue as inspirações de tua consciência; a Maçonaria não é uma religião, não professa um culto; quer a instrução leiga; sua doutrina se condensa toda nesta máxima – Ama o teu próximo” Todavia, devemos lembrar que o Templo maçônico não é local para invocações ou práticas estranhas a Maçonaria. Existem na doutrina maçônica elementos de algumas ciências ocultas, mas apenas como referências; como suporte indicativo para algum ensinamento moral ou social. Na Maçonaria estuda-se arte e ciência, e, dentre outras, fazem parte a Astrologia, a Numerologia e a Magia. Isto, porque “A Maçonaria não impõe nenhum limite à livre investigação da verdade”.

Todavia, devemos considerar que entre o estudo e a prática existem grandes distâncias doutrinárias. A Maçonaria não é uma escola ocultista, embora, muitos Maçons se esforcem para em tal transformá-la, pois, é mais fácil demonstrarem suas mestrias por conceitos sobrenaturais que não precisam ser explicados, a ter que estudar ler, pesquisar; fundamentar suas interpretações na verdade histórica, na razão, na racionalidade.

Não me queiram mal por pensar diferente. Não sigo uma linha religiosa rígida, mas sou religioso. Um dia ajoelhado em um Templo Maçônico alguém me perguntou “Senhor, nos extremos lances de vossa vida, em que depositais confiança? – respondi – EM DEUS”. E, não nas egrégoras.

Creio no Grande Arquiteto do Universo que é Deus; creio na sinergia vitalizadora que promove a fraternidade na Maçonaria e contempla nosso ser com a afetividade das virtudes maçônicas no abraço, no beijo e no sincero olhar amigo. Em fim, pelo meu lado religioso não permitirei que forças desconhecidas utilizem minha inteligência para supostamente criar entidades com vontade própria e com pretensos supremos poderes.

Os Ritos Maçônicos não são ocultistas e os Obreiros das Oficinas Maçônicas não são dependentes de forças ocultas, sejam elas originadas de respeitáveis instituições místicas ou das chamadas egrégoras sustentadas com a força motivadora da superstição. A egrégora é uma falsa entidade psíquica, um falso culto, um falso ídolo criado pela devoção errada do desconhecido, um falso censo de controle sobre nossos temores.

Muitas vezes confiamos em superstições para nos sentirmos mais seguros, isto, é contrário a razão e as idéias que devemos fazer de Deus. Não devemos entregar nossas vidas à supostas forças que desconhecemos, e as vãs promessas de felicidade e proteção, pois, isto é um desprezo à lógica e a razão, base do conhecimento natural ensinado em nossos Rituais. Como Maçons – Construtores Sociais – devemos ser investigadores da verdade e não nos entregarmos as superstições.

A manutenção da lenda do terceiro grau é um Landmark, justamente pelo maior ensinamento que prodigaliza: nunca procurarmos evoluir por métodos fáceis, sem o trabalho incessante e a prática da virtude.

Autor: Paulo Roberto Marinho
ARLS Vetúrio Gomes dos Santos Nº 132 – REAA GLMERJ – RJ

Fonte: Revista Universo Maçônico – Edição de 11 de junho de 2010

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