A integração do Aprendiz (II)

SIMBOLISMO NA MAÇONARIA – Templo Maçônico

O primeiro nível de integração de que a Loja deve, de imediato, cuidar é o da integração social, porque, como é fácil de entender, condiciona todos os demais. Sem uma bem conseguida integração social no grupo, dificilmente se gera empatia, se criam e fortalecem afinidades, se geram amizades, enfim, se dá uma verdadeira integração do novo elemento no grupo.

A este nível, o processo de integração começa logo no ágape que se segue à sessão em que ocorreu a Cerimônia de Iniciação. Ao novel Aprendiz é destinado um lugar ao lado do Venerável Mestre. Como este tem assento na zona central da mesa dos ágapes, o novo Aprendiz está rodeado de vários elementos mais antigos da Loja. Procura-se que mais perto dele tomem assento Mestres experientes, se possível incluindo o 1º Vigilante. A conversa flui descontraidamente entre todos. Não há melhor ocasião para conviver do que à volta de uma mesa, consumindo uma refeição… Nesse ambiente descontraído, o novo Aprendiz começará a conhecer os demais elementos da Loja. Comenta o que quiser comentar, pergunta o que precisar de perguntar, brinca-se e fala-se a sério, enfim, convive-se. O importante é que o novo Aprendiz se comece a sentir “mais um” daquele grupo. E assim se prossegue.

Outro aspecto importante da integração social do novo Aprendiz é a integração de sua família nos eventos em que as famílias dos maçons se reúnem, na medida em que isso seja possível. É muito mais fácil para o novo maçom prosseguir com a sua vida maçônica se tiver o apoio de sua família do que se tiver a oposição desta… Participar nas reuniões e outras iniciativas da Loja e da Grande Loja consome tempo – tempo que se subtrai ao convívio familiar. É importante que, de alguma forma, as famílias dos maçons sejam compensadas das ausências destes com algumas oportunidades de agradável convívio social, seja em jantares brancos – isto é, abertos às famílias -, seja em visitas ou viagens organizadas, seja no âmbito de qualquer realização da Loja. É importante que a integração do novo maçom envolva também a sua família. Até porque é um princípio básico da maçonaria que o cumprimento dos deveres familiares seja prioritário.

O objetivo final da integração social do novo maçom é que ele sinta a sua Loja, os seus Irmãos, como um espaço onde ele e a sua família podem estar seguros e confiantes, sem competições, sem atropelos, em fraternidade. Para uma bem sucedida integração social do novo Maçom é importante o papel do seu padrinho, mas indispensável o contributo de toda a Loja.

A outro nível, a Loja deve providenciar pela formação do Aprendiz. Deve apresentar-lhe os símbolos e providenciar-lhe as noções básicas para que ele os interprete, mas sempre tendo o cuidado de evitar dogmatismos. Mais uma vez, o objetivo não é ensinar, é que o Aprendiz aprenda. Neste aspecto é, consequentemente, muito importante que não se diga que X simboliza A. Aquilo que X simboliza deve ser apreendido, entendido, refletido, encontrado, por cada um. X pode simbolizar A para mim, mas também pode simbolizar B para o meu interlocutor, ou C para outro qualquer maçom. Na formação do Aprendiz, proporcionam-se lhe ferramentas, método – não dogmatismos. O objetivo é que o Maçom reflita em si e no Mundo, no Material e no Espiritual, na Vida e na Morte, enfim, que procure encontrar o seu lugar na Vida, o significado da sua existência. É um trabalho nunca acabado. É um trabalho que se impõe que o Aprendiz maçom comece. Neste percurso de reflexão utilizando a simbologia, deve-se auxiliar o maçom que nos pede auxílio ou opinião, nunca se deve impor conceitos. Porque o conceito de meu Irmão é tão válido quanto o meu, na medida em que é aquele em que ele se sente confortável, como eu me sinto confortável com o meu. Cooperação e não competição. Aprendizagem, não ensino. Tolerância, não dogmatismo. Valorização da diferença. Discussão sã e amigável dos respectivos pontos de vista, não para impor a nossa maneira de ver ao Outro, mas para nos esclarecermos mutuamente sobre o que ambos pensamos e para aprofundarmos o nosso conhecimento sobre os conceitos em causa. Reflexão, reflexão e ainda reflexão. Estes são posicionamentos básicos que devem ser transmitidos ao Aprendiz. E com a sua apreensão e utilização por ele, todos estamos no mesmo comprimento de onda, todos estamos em sintonia, todo estamos integrados na mesma busca – mas, na realidade, cada um tem a sua busca particular, que não interfere nem se sobrepõe às dos demais…

Finalmente, o terceiro nível de integração do novo Aprendiz é a integração no Ritual. Propiciar que o novo maçom entenda que o ritual não é apenas uma repetição mecânica de palavras e atos, mas uma fonte, um guia, uma constante lembrança de conceitos, de normas morais, de chaves para interpretação de símbolos, é fundamental. O Ritual e o Catecismo de cada grau são ferramentas indispensáveis, fontes inexauríveis de alimento para o intelecto e o espírito, tesouros inesgotáveis de conhecimento especulativo que o Aprendiz tem à sua disposição. Estando a dar os seus primeiros passos na maçonaria, ainda só sabendo soletrar, terá a seu lado para o guiar, para o aconselhar, para o esclarecer (mas nunca para algo lhe impor) um experiente Oficial da Loja, o 1º Vigilante, que tem a seu cargo, além do mais, a missão específica de acompanhar, orientar, supervisionar, os Aprendizes. E o Aprendiz tem também – sempre! – à sua disposição qualquer outro Mestre da Loja para lhe proporcionar a ajuda de que careça, o auxílio que solicite, o esclarecimento que peça.

Uma integração bem sucedida a estes três níveis será meio caminho andado para que o novo maçom sinta confirmadas as expectativas que tinha quando buscou juntar-se à Maçonaria. É dever da Loja proporcionar-lhe essa integração. É do interesse da Loja fazê-lo. É da essência da Maçonaria prossegui-lo.

Autor: Rui Bandeira

Fonte: A Partir da Pedra

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Liberdade e desigualdade no Brasil – Uma reflexão maçônica durante a pandemia

Como os super-ricos aprofundam a desigualdade social no mundo ...

“Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança” (Benjamin Franklin)

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, fruto do Iluminismo e aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte da França revolucionária em 1789, resume no primeiro artigo que “os homens nascem e são livres e iguais em direito”. A crítica que se faz é que a liberdade e igualdade ali referenciadas eram restritas às pessoas do sexo masculino, cidadãos possuidores de interesses, ficando de fora os pobres, os empregados, os escravos e as mulheres.

Em dezembro de 1948 foi promulgada “A Declaração Universal dos Direitos Humanos”, que delineia os direitos humanos básicos, adotada pela Organização das Nações Unidas, como uma norma comum a ser alcançada por todos os povos e nações. O que poucos sabem é que a influência da maçonaria é que permitiu a sua codificação.

Desde a primeira Declaração permanece em moda a discussão sobre o que é ser livre e ser igual. As sociedades que souberam trabalhar melhor e equilibrar esses conceitos são consideradas as mais prósperas.

O Brasil carrega uma dívida decorrente da Lei Áurea de 1888 que libertou juridicamente os escravos, mas não lhes proporcionou as condições de liberdade de consciência e de ter uma vida verdadeiramente livre, com o exercício da cidadania plena, que permita às pessoas exercerem todas as suas potencialidades legítimas. Na Constituição de 1891 foi negado o direito de voto aos analfabetos. Daí a se concluir que a chave da liberdade se dá com a melhoria da qualidade da educação, que emancipa, forma pensamento crítico, proporciona esperanças e é a mais efetiva via de acesso ao desenvolvimento de uma nação. É a educação que prepara o ser humano para o exercício consciente da cidadania.

Promulgada em 1988, um ano antes da queda do muro de Berlim, quando ainda imperava a crença de que o socialismo seria a solução para superar a pobreza e a desigualdade, e com um viés estatizante e quase anticapitalista, a atual Constituição Federal ampliou direitos ao permitir o acesso dos mais pobres aos serviços públicos. O Capítulo II, artigos 6º e 7º, definem com muita clareza os Direitos Sociais, com o destaque do art. 6º:

“São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência ao desamparado.”

Representam conquistas do povo, mas é preciso vigilância, pois aquilo que se conquista pode também se perder ou nem chegar a ser implantado.

Políticas como o Bolsa Família, as cotas sociais nas universidades, o salário mínimo, as ações do SUS e fundos constitucionais (Fundef/Fundeb), produziram seus resultados. O Fundeb corre o risco de ser extinto em 2021, caso não seja prorrogado. Essa rede de assistência social criada ao longo dos anos pós-Constituição é que permite ao Estado amenizar o sofrimento das classes menos favorecidas. Mas, poucos são os assistidos e a qualidade deixa a desejar, em especial quanto ao ensino nas escolas públicas e as dificuldades de marcação de consultas, exames e atendimentos hospitalares. Isso para não falar nos problemas ligados a segurança, transporte público, habitação, violência e acesso à cultura.

No campo dos direitos civis, ações como o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Código de Defesa do Consumidor e o Estatuto do Idoso se constituíram em grandes conquistas. Quanto aos direitos políticos, os avanços se deram a partir da permissão do voto do analfabeto e maiores de 16 anos, atendimento a demandas da população indígena, dos movimentos negro, feminista, LGBT e demais grupos minoritários.

Mas, privilégios em determinadas áreas ainda são mantidos. Esses direitos não deveriam ser bandeiras de grupos de pressão ou de partidos políticos, mas uma missão do Estado brasileiro. O País continua desigual porque o orçamento público sempre destina recursos aos grupos mais influentes, à elite burocrática e a quem efetivamente não precisa. Pequena parcela chega aos mais vulneráveis, como o Bolsa Família e a renda mínima aos maiores de 65 anos (Benefício de Prestação Continuada criado pela Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS – de 1993). A solução passaria por uma reforma profunda do Estado.

As grandes dimensões territoriais do Brasil representam um fator dificultador, com desigualdades regionais, de renda e de elevado nível de violência. Essas desigualdades sociais e a injustiça persistem e são dolorosas. Mesmo entre os mais pobres existe diferença entre graus de pobreza. Como agravante, destacam-se o saneamento escasso e falta de urbanização em comunidades carentes, a precariedade da rede de proteção social, as diferenças entre os sistemas público e privado de saúde, com estimados 40% dos trabalhadores na informalidade, além de milhões de desempregados e pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza.

O surgimento do coronavírus, que atinge com sua força destrutiva indistintamente ricos e pobres, evidenciou o fosso social brasileiro, demonstrando que a desigualdade deixa claros seus efeitos em catástrofes naturais ou em pandemias, ensejando a urgente necessidade de socorro à população mais vulnerável e de um novo pacto social, com políticas públicas e econômicas mais progressistas. Especialistas afirmam que essa crise é a maior enfrentada pelo mundo desde o desastre econômico gerado pela Grande Depressão dos anos 30 e pós Segunda Guerra Mundial, sabendo-se ainda muito pouco de seus efeitos na sociedade e no corpo humano, em particular. A corrida armamentista da biologia está no seu auge.

As autoridades brasileiras durante a crise deixaram claro que são competentes para lidar com os incluídos, aqueles que pagam impostos e são, portanto, visíveis, mas extremamente ineficaz quando tem de lidar com os excluídos, aqueles não integrantes da sociedade de consumo, em especial os que não têm endereço fixo, os “desbancarizados” (sem conta em banco), sem telefone celular e acesso à internet, não detentores de um CPF ou com os mesmos bloqueados. O governo não sabe onde estão e quem são eles. Como falar em isolamento social em comunidades com famílias amontoadas em becos, muitas sem água encanada em casa, em uma convivência confusa entre as pessoas? São, portanto, invisíveis e muitos vivem ou sobrevivem em condições desumanas.

A classe carente e esquecida sempre esteve presente na cena diária, como os moradores de rua, os catadores de lixo, os mendigos, os vendedores e acrobatas de cruzamentos, dentre outros. Acrescentem-se os que vivem na informalidade e de biscates, sem garantias trabalhistas, os autônomos, os trabalhadores sem registro, que não têm poupança e precisam de rendimentos diários para sustentar suas famílias e dos poucos assistidos do programa Bolsa Família. E, por derradeiro, ainda sofrem com o menosprezo de autoridades de relevo em face das perdas com mortes de entes queridos vitimas da pandemia.

Assim como foi desafiadora a libertação dos escravos no século XIX, assim o é a superação da miséria nos tempos atuais. Os devastadores impactos da crise planetária da Covid-19 lançaram luzes nesse campo, e o Brasil se viu diante de um número gigantesco de desassistidos à míngua de uma renda mínima que garanta a sobrevivência, tendo o governo que adotar um auxílio emergencial para superar o grave momento vivido, que inicialmente tem a previsão de 3 meses, mas podendo ser vislumbrada a possibilidade de tornar-se perene. E sabe-se que esses recursos voltam imediatamente para a economia sob a forma de consumo. É sangue direto na veia.

O tamanho e a complexidade do País dificultam a escolha de um caminho ideológico para solução das desigualdades, ainda historicamente restrito ao grupo de centro-esquerda. Aqueles posicionados na centro-direita apostam na competição e enfatizam os valores da concorrência como condição para a promoção do desenvolvimento, para que o setor privado gere prosperidade, mas adota ações sociais focadas para o combate da pobreza e desigualdade, quando as contas públicas o permitem.

Um tema recorrente entre esses grupos é o combate à corrupção (sempre atribuída ao outro lado) como agenda prioritária, tema esse bastante explorado pelos meios de comunicação de massa, que acaba ocultando a questão da desigualdade. Ambas as correntes chegam aos extremos do espectro, com discursos bem polarizados e desviam o foco do essencial. O que se espera é que não haja retrocessos em função dessa polarização, com perda do que foi até aqui conquistado, e que as lideranças políticas do país sirvam a todos indistintamente, e não apenas ao seu grupo de iguais.

O dilema é ainda maior quando se fala em igualdade em um cenário de milhões de empregos a serem extintos pelo uso da inteligência artificial. Não se pode olvidar a nova tendência do “home office”, que se tornou alternativa viável durante a pandemia do coronavírus, acelerando mudanças de comportamento, vislumbrando-se um caminho sem volta, pois as empresas reduzem custos e os profissionais conciliam tempo e outros afazeres, além dos ganhos dos grandes centros em termos de movimentação de pessoas e veículos e melhoria do clima, com o destaque para as operações “on-line” que afetam a formatação das lojas físicas.

Mesmo não nos deixando influenciar pelo sentimento de angústia quanto ao futuro, difícil não pensar em um mundo mais desigual decorrente desta crise sanitária, com as implicações negativas em todas as áreas, como a econômica, política e, sobretudo, a social. Já se especula que essa pandemia possa ter as mesmas consequências para o Liberalismo do que representou a queda do “Muro de Berlim” para o Comunismo. Chegou a hora da verdade: é pagar para ver? Como ensina a sabedoria popular, o imprevisível é realmente muito difícil de prever.

O cenário da evolução tecnológica e o pós-crise ensejam novas preocupações na medida em que grande parte da força de trabalho desatualizada enfrenta concorrência das máquinas inteligentes com o aumento das condições de desigualdade. Mais uma vez, a solução está na educação e em políticas que protejam os direitos dos trabalhadores e apoio às empresas que geram empregos.

Entretanto, no momento, a única certeza é a de que as consequências da atual crise terão reflexos em políticas protecionistas e nas cadeias produtivas globais e serão absorvidas exclusivamente pelas empresas do setor privado, com quebras já no horizonte e o desemprego. O Brasil como um todo certamente sairá mais pobre, com déficit e dívida pública agravada e coesão social comprometida. Segundo os economistas, a solução passa pelo crescimento do Produto Interno Bruto, que dará suporte aos gastos públicos e à geração de empregos.

No contexto pré-crise, parte significativa do contingente de desempregados já não estava preparada para ocupar espaço na economia do futuro, por falta de mão de obra qualificada e carência de profissionais, inclusive para enfrentar os dias atuais. Muito tempo foi perdido com lorotas e populismo. E a sociedade assiste a tudo apenas dizendo-se esperançosa e confiante. Em quê ou em quem? Então, a solução passa por um alinhamento de todas as instituições agindo em uma só direção, com as diferenças colocadas de lado em nome do bem comum. Difícil de acreditar quando já se fala em sucessão no governo e grupos políticos reiniciam os tradicionais conchavos.

Mais difícil ainda reconhecer a ideologia social de que somos todos iguais e de que não existem seres piores ou melhores. Nosso País precisa desenvolver políticas públicas visando ao fortalecimento das instituições democráticas e superação da desigualdade e da violência. Por ser um dos mais injustos do mundo, o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. E justiça pressupõe dar a cada um o mínimo que lhe cabe, evitando privilégios e exclusões sociais. Sem justiça não há paz.

Por sua vez, a liberdade é motor do empreendedorismo e de transformações tecnológicas, que decorrem de projetos e sonhos. A área da Economia demanda um Estado bem organizado e uma sociedade consciente e mobilizada. Compete ao Estado criar as condições que viabilizem o desenvolvimento sustentado, em especial nos setores de saúde, educação, meio ambiente e ciência e tecnologia.

Segundo o artigo de Karen Franklin (CESCON, Paulo; Nodari, César. Filosofia, ética e educação: por uma cultura da paz. São Paulo: Paulinas, 2011),

“Toda sociedade democrática necessita de cidadãos comprometidos com o respeito aos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Contudo, a conquista desse comprometimento não é natural e espontânea, ela precisa ser forjada no interior dos sujeitos e da sociedade, enfim, ela necessita ser educada.”

Mas, há uma corrente que vê isso como uma ameaça, dado que a formação de massa crítica e a consciência cidadã incomodam alguns dirigentes políticos que perdem espaço de dominação.

A discussão sobre a liberdade evoca um dilema repisado por vários analistas:

“devemos aceitar uma ditadura, com restrição às liberdades individuais, em troca de um contrato social de melhoria coletiva do padrão de vida?”

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teve uma fala citada na Revista VEJA (Edição 2682, ano 52 – nº 16, de 15.04.2020, p. 26), prevendo a ascensão dos países orientais, menos presos às ideias de liberdade, após a pandemia da Covid-19:

“O povo não quer nem saber o que é liberdade e individualismo. Quer saber se tem emprego, tem comida, tem transporte, tem saúde. E, se eles derem isso, vão nos dar um banho.”

Esse posicionamento conflita com o pensamento contido na abertura desta prancha e merece reflexão.

No mesmo diapasão sente-se que a liberdade de expressão não é mais um valor cultuado ao se constatar que não se pode mais pensar de forma diferente sem sofrer a condenação de tribunais virtuais e ver ameaçadas as relações sociais e até mesmo o sagrado convívio no lar. Tempos muito estranhos!

Ainda sobre o direito à privacidade, uma nova ferramenta gerada pela revolução tecnológica passou a ser motivo de questionamentos, como ficou evidenciado na pandemia do coronavírus, com a possibilidade de rastreamento de pessoas doentes por intermédio dos telefones celulares. Essa estratégia poderia ser utilizada também por governos autoritários para controlar seus habitantes. O que precisa ser definido é como aplicar essas ferramentas sem desrespeitar as liberdades individuais.

A geração atual ainda não tinha passado pela experiência de confinamento social, com restrições de liberdades. Ainda não é possível avaliar as consequências de como as pessoas se portarão com a continuidade da quarentena e das perdas percebidas em cada situação, em especial na saúde mental, e notadamente quando iniciarem-se o relaxamento por setores da economia e houver um sentimento de tratamento desigual. Certamente teremos uma referência no tempo deste segundo decênio como o real marco do início do século XXI, antes da Covid e depois da Covid (a.c e d.c – com todo o respeito, com o “c” minúsculo).

No que tange à igualdade é imprescindível que criemos consciência de que dependemos um do outro para vivermos, não havendo espaço para o egoísmo que submete as pessoas ao nosso redor em situação de fragilidade. E, como cidadãos, devemos manter o respeito ao coletivo, dando tratamento igual e digno a todos, o que se constrói por meio do espírito de solidariedade e da garantia de uma sobrevivência com a instituição de uma modalidade de seguro social que garanta renda mínima para todos, nos moldes já mundialmente defendidos desde a crise econômica global de 2008, como a proposta de uma Renda Básica Universal (RBU), de forma que não haja famílias desassistidas. Isso é apenas o começo.

Enfim, a Maçonaria brasileira não pode apenas divulgar manifestos de repúdio e deixar de agir, ficando à margem dessas discussões, notadamente por sua histórica característica progressista, o que a colocou sempre envolvida nos grandes temas de interesse da sociedade em geral, sem partidarismos e apegos a personalidades da hora e a ideologias que não a sua missão de tornar feliz a humanidade. Repúdio sem ação é mera insatisfação!

Com as luzes do G∴A∴D∴U∴, que essa pandemia nos ajude a desconectar do egoísmo e do ódio e a focar em ações mais construtivas.

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da Academia Mineira Maçônica de Letras, e para nossa alegria, também um colaborador do blog.

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10 Razões para ser um maçom

Selo Maçonaria - Otavio Silveira | Maçonaria, Simbolo maçonaria ...

1. Maçonaria é um lugar para passar tempo com bons homens que vão fazer você querer se tornar um homem melhor;

2. Maçonaria é um lugar onde a virtude moral é ensinada e respeitada como a pedra angular da vida;

3. Maçonaria é um lugar onde o crescimento espiritual de cada membro pode atingir o seu potencial máximo;

4. Maçonaria é um lugar para se tornar melhor preparado para auxiliar sua família, a sua igreja e sua comunidade;

5. Maçonaria é um lugar onde você pode fazer parte de uma grande fraternidade que acredita no Amor Fraternal, Auxílio e Verdade;

6. Maçonaria é um lugar onde você pode apoiar os outros e dar-lhes incentivo, bem como ser incentivado;

7. Maçonaria é um lugar onde pessoas excepcionais de diversos setores da sociedade que te cumprimentarão e irão lhe chamar de “Irmão”;

8. Maçonaria é um lugar para conhecer líderes da sua comunidade e participar ativamente nas ações realizadas no seu município;

9. Maçonaria é um lugar onde encontrará oportunidade ilimitada de adquirir experiência em liderança, auto-desenvolvimento e crescimento pessoal;

10. Maçonaria é um lugar onde você pode ter a certeza de que todos os homens são amigos verdadeiros e fraternos.

Autor: Robert L. D. Cooper
Tradução: Luiz Marcelo Viegas

Fonte: página oficial do autor no Facebook

Robert Cooper é escritor, historiador, maçom, curador do Scottish Masonic Museum and Library, na Grande Loja da Escócia.

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TFA e pós-pandemia

Covid-19: Homens com barba estão menos protegidos pelas máscaras?

“Cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça” (popular)

Em meio às turbulências ora vivenciadas com a pandemia da COVID-19, conjecturar sobre o futuro é sempre tendencioso, certamente podendo descambar para exageros, mas é inevitável não especular a respeito de possíveis cenários. Estamos com tempo para isso.

Limitando-nos à seara maçônica, muito afetada com a necessidade do distanciamento social imposto pelas autoridades de saúde e acatado por nossas lideranças, o retorno às atividades normais após a cessação das medidas restritivas de reuniões enseja preocupações antes não vislumbradas no radar. Afinal, nosso grupo é composto majoritariamente de obreiros com mais de 60 anos, com as vulnerabilidades impostas pela vida.

Que tudo isso passará, não restam dúvidas. Mas, a que preço? A pergunta que não quer calar é: tudo será como dantes? Correremos o risco de novas ondas e necessidade de repetidos isolamentos? No nosso caso, continuaremos a reunirmo-nos em Templos apertados e sem circulação de ar natural, para evitar os olhares indiscretos e quebra dos quesitos de segurança?  Muito receio entre maçons com idade provecta e seus familiares.

Fazendo do limão uma limonada, sabe-se que várias Lojas contornaram as restrições de reuniões lançando mão de encontros virtuais, as festejadas vídeoconferências, que viabilizaram a continuidade, mesmo que mitigada, dos trabalhos administrativos, com apresentação de trabalhos e discussões de temas de interesse, mantendo firmes os imprescindíveis laços de fraternidade.

Ocorre que não houve unanimidade nas participações, haja vista que muitos irmãos não são familiarizados com os recursos ora proporcionados pelas redes sociais. Outros, por questões de ponto de vista, mantiveram-se distanciados, por não aceitarem de bom grado os avanços tecnológicos e mudanças de comportamentos. Porém, nosso tempo merece ser mais bem aproveitado, o aprendizado não pode parar e os conhecimentos e experiências precisam ser compartilhados.

Não é segredo que nós os maçons nutrimos muita afeição pelos nossos pares e tratamo-nos com muito respeito e carinho, o que é um grande tesouro a ser preservado. Dada às novas circunstâncias, alguns cuidados deverão seguramente ser aplicados e, quem sabe, mais um recurso será adicionado ao vestuário tradicional, como a máscara, e o uso obrigatório das luvas, antes colocadas em segundo plano, considerando-se que a ritualística e os procedimentos de reconhecimento exigem proximidade física, em especial nos tradicionais abraços fraternos que caracterizam os verdadeiros encontros de irmãos.

Quanto às sessões presenciais, algumas medidas poderão ser adotadas, quanto ao afastamento físico, sabendo-se que os irmãos mais novos em idade correm menos risco, mas podem se tornar vetores de contaminação em futuras recaídas da espécie. Uma possibilidade a ser avaliada é a de alterações de agendas, no sentido de incluir as reuniões virtuais no cotidiano das Lojas, com as devidas precauções, mantendo as sessões magnas para os fins a que se destinam e as ritualísticas normais para escrutínios e avaliação de obreiros em processos de aumento de salários, dentre outros.

Enfim, como livres pensadores não podemos deixar de avaliar cenários, e mudanças regulamentares serão reclamadas, em face do novo normal que se nos apresenta. Enquanto privados dos encontros presenciais, podemos incentivar e incrementar nossas vídeoconferências com discussões dessa temática, agora enriquecida com um número cada vez maior de visitantes de diferentes Lojas, Ritos, Orientes e Potências, sem falar que nesse contexto estamos participando de mais reuniões dentro do conforto de nossos lares e com interação ainda maior em número de participantes, antes impensável. Para encerrar, quem ainda não leu em nossos grupos de WhatsApp irmãos perguntando onde tem reunião hoje? Novos tempos, novos desafios!

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da Academia Mineira Maçônica de Letras, e para nossa alegria, também um colaborador do blog.

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Cooperação maçônica como instrumento de progresso

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No primeiro grau, ainda na Iniciação, o Orador se dirige ao candidato à Maçonaria, quando expõe a ele os deveres. Dentre estes deveres – o segundo, não menor tampouco maior em importância que o primeiro, estabelece a seguinte obrigação:

“O segundo dos vossos deveres, o que faz com que a Maçonaria seja o mais puro dos ideais, sobre ser a mais nobre e a mais respeitável das instituições humanas é o de vencer paixões ignóbeis que desonram o homem e o tornam desgraçado, cabendo-vos a prática constante das virtudes, socorrer os irmãos em suas aflições e necessidades, encaminhá-los na senda da virtude, desviá-los da prática do mal e estimulá-los a fazer o bem”.

O texto nos exalta e nos encoraja a agirmos orientados por uma cultura de valorização e criação de um corpo sólido de fraternidade maçônica.

Em tempos de dificuldades sociais é que se exige maior envolvimento e co-responsabilidade para a solidificação da fraternidade maçônica. A irmandade se revela mais visível quando da proteção dos irmãos que se encontram em dificuldades. Espera-se do maçom a constante conduta cooperativa na solução, prevenção e mesmo na predição dos problemas que qualquer irmão possa vir a ser exposto.

Socorrer não significa intervir quando o dano é latente ou patente, mais que isto, ao maçom cabe intervir em todos os momentos de forma a facilitar o progresso moral, cultural, social, educacional, familiar, econômico e emocional de todos os irmãos indistintamente.

O socorro previsto entre nossos deveres precisa estar ampliado em seu entendimento, esperar e deixar que um irmão esteja em infortúnio para somente assim mover-se para ajudá-lo, afasta o conceito de fraternidade que exige a constante preocupação de uns irmãos para com todos os outros.

Atualmente, nosso país está vivendo turbulências que perpassam crises das mais diversas origens, sejam elas morais, civis, políticas, culturais, de princípios e valores e, mais perceptível aos lares, de natureza econômica. Grandes movimentos para atentar resgatar as instituições em nosso país, para reorientá-lo em bases mais éticas, para refundá-lo em conceitos, princípios e valores de forma a tornar o Estado, este Povo e esta Nação direcionados e vocacionados ao progresso da humanidade são esperados em nossos tempos. Tudo se espera de agentes e instituições estatais e políticas, resta a nós maçons nos perguntarmos: “Estamos prontos para cobrar e provocar estas mudanças? Podemos e temos autoridade moral a exigir da sociedade que se refunde em princípios destinados ao progresso? Enquanto homens dignos temos honrado nosso livre juramento de lealdade, virtude e fidelidade – fundamentadas na vedação à incompatibilidade com os deveres civis, morais ou religiosos?

Respondamos os questionamentos a partir de uma análise, de como estamos conduzindo nossas rotinas quando do relacionamento entre irmãos, afinal quando dávamos os primeiros passos na Iniciação o Venerável Mestre informou-nos:

“A Maçonaria é livre e exige de todo candidato à participação de seus mistérios, uma inclinação inteiramente livre; baseia-se nos mais puros princípios de lealdade e virtude; possui grandes e inestimáveis privilégios e, para assegurar estes privilégios a homens dignos acreditamos que somente a eles, votos de fidelidade são exigidos: mas deixe-me assegurar-te, porém, que nele nada há de incompatível com teus deveres civis, morais ou religiosos; estás, portanto, resolvido a prestar um solene juramento, baseado nos princípios que acabo de expor…”

Observados os textos acima pensemos em como estamos nos relacionando entre irmãos. Somos uma família formada pelas mais distintas matizes, profissões, ideologias políticas, origens sociais e religiosas mas a lealdade, a virtude, a fidelidade que temos caracterizadas em nossa família maçônica não permite flexibilizações. Podemos ter diversidade de pensamento, inclusive é desejável que assim o seja, haja vista sermos homens livres e ser o mais nobre grau de liberdade o de pensamento que não pode ser aprisionado, mas sermos meio ou um pouco fiéis; sermos meio ou um pouco leais; sermos meio ou um pouco irmãos, não cabe em nossa Ordem.

Neste sentido é preciso que façamo-nos vetores de progresso social, que nos direcionemos à formação de uma sociedade mais equilibrada e justa e que comecemos a partir de nossa família maçônica, o exercício da fidelidade e da lealdade aos homens dignos que formam este corpo sólido presente na Maçonaria.

Inicialmente, precisamos provocar o início da mudança por intermédio de ações concretas de cooperação entre maçons de forma a antecipar, prevenir ou mesmo diminuir e minimizar problemas, notadamente os de natureza econômica que impactam seriamente a vida das famílias dos irmãos, o que equivale, por extensão da fraternidade maçônica, a todos os irmãos que desejam uma vida equilibrada a todos os fraternos.

Neste momento de desequilíbrio sócio-econômico, em que muitos de nossos irmãos encontram-se em situações de dificuldade precisamos nos mover, para ajudá-los a ultrapassar estes obstáculos. É hora de irmãos abrirem as portas para outros irmãos serem reinseridos no mercado de trabalho, é hora de irmãos atentarem-se para as atividades profissionais de cada irmão de forma a prestigiá-lo no exercício da dignidade de seus trabalhos. É hora de nos informarmos sobre as atividades profissionais que eles exercem, sejam elas técnicas, comerciais, empresariais, de serviços, educacionais ou qualquer outra que exerça de forma a buscar, em pé de igualdade de competição, fazer prevalecer o irmão maçom. Este exercício fortalece e faz prevalecer a lealdade entre irmãos e se torna alavanca para soerguimento das famílias, das cunhadas, de nossos sobrinhos e, como não dizer, da Maçonaria como um todo.

Nossa responsabilidade cooperativa e nossos deveres perante nossos Irmãos e suas respectivas famílias exigem que façamos uma verdadeira rede de networking, isto incluindo principalmente as cunhadas e sobrinhos. Para tornar mais proativas e inclinadas ao progresso da família maçônica, precisamos nos mover no sentido de indicar irmãos em suas devidas áreas comerciais? Os profanos em geral dizem que Maçom ajuda Maçom, estamos praticando isto? Nas mesmas condições comerciais a preferência deve ser para um irmão, isto está acontecendo? Devemos recorrer aos nossos regulamentos, rituais e, sobretudo à nossa consciência para resgatarmos o nosso papel, sem dizer a nossa obrigação.

Pensamos que agora é o momento de fato de estreitarmos os laços que nos unem como verdadeiros irmãos. Formação de uma equipe, por exemplo: deveríamos já na Iniciação montar um banco de dados onde teríamos todos os irmãos cadastrados já em suas funções, bem como cunhadas e sobrinhos, deste modo forma-se uma equipe cooperativa Maçônica. É uma dinâmica Maçônica com grande possibilidade de um vínculo profissional de sustentação para a nossa família.

Vários grupos sociais preocupam-se e fazem prevalecer as atividades profissionais dos seus iguais. Muitos negócios e muitas atividades profissionais são desenvolvidos entre e dessa maneira prosperam. Devemos incentivar nossos irmãos, esposas, cunhadas e sobrinhos para apresentarem seus negócios, suas atividades profissionais, suas habilidades técnicas e enfim estabelecermos uma grande rede de cooperação e trabalho visando o crescimento e progresso da nossa família maçônica.

A regra do nosso segredo será indicar a nossa família maçônica e sempre que necessário, dar algum testemunho a respeito, como referência e precedência de contato. Outro item importante que devemos levar em consideração é que, pela diversidade dos irmãos de nossa Ordem, temos vários especialistas em áreas diversificadas, que podem com sua experiência auxiliar e servir como orientadores dos nossos filhos e sobrinhos. Advogados, engenheiros, militares, contadores, médicos, técnicos diversos, todos podem transmitir seu conhecimento e apoiar nossos filhos e sobrinhos em sua caminhada na vida educacional e profissional.

Meus irmãos, a nossa proposta é muito mais um convite do que qualquer dever ou obrigação. Precisamos defender os interesses comerciais, profissionais, culturais e morais das famílias Maçônicas, socorrendo os irmãos em suas necessidades e em tudo o que puder, sendo necessário e justo. A função primordial do irmão maçom é servir a seu semelhante. Somos uma escola de líderes e como tal devemos apontar caminhos e alternativas, ainda mais nessa situação extrema pela qual passa nosso país, em prol de todos nós, maçons e familiares, em perfeita moral e dentro da legalidade.

Assim poderemos ter um meio que possibilite auxiliar nossos Irmãos, cunhadas e sobrinhos, com resultados reais, objetivos e positivos para todos.

Devemos exortar essa proposta em nossas Lojas de maneira que aos poucos possamos criar e ampliar essa rede de contatos e auxílio mútuo, fortificando nossas relações e engrandecendo a Maçonaria.

Autores: Genício Bezerra Neves e Olavo Antônio de Figueiredo Filho (ARLS Fraternidade e Justiça, 32); Eli de Souza (ARLS Guido Marlière, 66).

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O augusto quadro, em particular

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“Mea culpa, mea maxima culpa” (Confiteor).

A maçonaria precisa se reinventar, começando por nossas Lojas. 300 anos de sucesso não é garantia de outro período de igual grandeza pela frente. Criticar o Grão-Mestrado, a Ordem em geral e não o augusto quadro, em particular, é muito cômodo. Do que adianta preocuparmo-nos com a distante floresta e deixarmos a árvore à frente de nossa casa secar-se.

Basta observarmos com mais cuidado. O irmão chega cumprimenta a todos os presentes e muitos mal se dão ao trabalho de retribuir o carinho, respondendo friamente e às vezes sem tirar a atenção do celular, o espírito obsessor do mundo moderno.

Outros fazem um meio termo, cumprimentam um, mas já se dirigindo ao irmão que está ao lado, sem pelo menos uma troca de olhar. Outros, sentados permanecem, apenas estendem a mão automaticamente, mantendo-se distraídos em supostos afazeres. Corpo presente e pensamento alhures. Empatia zero. Algo que destoa do que deveria ser uma fraternidade.

Há aqueles que chegam discretamente, ancoram-se em um irmão ou no seu canto e, ao final, saem sem trocar nenhuma palavra com os demais. Desaparecem, como num passe de mágica. Pelo menos apõem o ne varietur na folha de presença, o que já é um grande feito. Já mereceriam uma medalha ou diploma de reconhecimento. O direito de ser de cada um deve ser respeitado. O destino é feito de escolhas.

Por essas e outras, nos cansamos com frequência. Não apenas de irmos às nossas Lojas, mas de procurar uma justificativa para ali estarmos. Mais parece uma fadiga de inspiração. O grupo de WhatsApp da Loja costuma ser mais estimulante, mas nem todos participam e tem a turma do entra e sai quanto sente desconforto com os temas postados, classificados pela intelectualidade raivosa como: fascistas, comunistas, conservadores ou progressistas, primos, piadistas, sem graças juramentados etc.. Haja paciência!

Os legalistas defendem que o principal é o rigor com a ritualística dos trabalhos. Isso para não falar que em muitas oportunidades as sessões resvalam para um ritualismo vazio. Ok, ok, mas precisamos nos sentir bem no recinto, perceber que valeu a pena deslocar de nossas residências para estar ali presente, concluir ao término que saímos encantados ou com a sensação de que estamos melhores do que quando entramos.

Na maioria das Lojas não há espaço nas sessões para os Aprendizes e Companheiros se manifestarem naturalmente e tirarem suas dúvidas, aprender com as respostas e exemplos dos Mestres, que gozam do benefício vitalício da Plenitude Maçônica. (ver artigo https://opontodentrodocirculo.wordpress.com/2018/12/13/plenitude-maconica/).

Na realidade, encontramos com certa constância pessoas mal humoradas, que se fecham em copas, apáticas, cansadas ou cansativas, que servem apenas de antimodelo. Onde está o acolhimento? Onde está o debate sobre os valores maçônicos? A Ordem do Dia é rica e instigante? O quarto de horas de estudos é sempre preenchido com trabalhos ou instruções?

Olhamos para o Oriente e não vemos senão mais escuridão e nenhuma inspiração. Onde está a provocação sadia de iniciar um debate, com a palavra circulando quantas vezes forem o necessário para discussão de temas tão palpitantes da atualidade? O mundo se acabando lá fora e apenas o som do malhete repercutindo dentro das Oficinas? Será o receio de enfrentar opiniões divergentes tão saudáveis para formação de espírito crítico? Receio de que o ódio das redes sociais contaminem nossas Oficinas? E a tolerância? Só vale para os “outros”?

Enfim, como toda regra tem exceção e para nossa esperança, há aqueles que persistem na Ordem e respeitam o legado dos irmãos que nos antecederam e protegem esses valores e veem nesses exemplos nefastos um caminho a ser evitado, um desafio a ser vencido. São os abnegados, visionários, que veem a urgente necessidade de uma Coluna do Norte repleta de bons obreiros, que mostram aos iniciantes o caminho a ser trilhado, dando a sensação de que vale a penas investir na Maçonaria, de garimpar o seu tesouro oculto (ver artigo em: https://opontodentrocirculo.com/2019/08/22/o-tesouro-oculto-da-maconaria/).

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da Academia Mineira Maçônica de Letras, e para nossa alegria, também um colaborador do blog.

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Esposa de Maçom

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Se ela não consentir, nada feito. E essa condição é comprovada pelos sindicantes, normalmente acompanhados pelas respectivas esposas, que fazem a visita de aproximação e reconhecimento com o possível candidato e família, para dar testemunho e eventuais esclarecimentos sobre um tema que, a princípio, se mostra envolto em singularidades e questionamentos, mas que inspira acolhimento e compromisso com estudos, reflexões e crescimento pessoal.

Na cerimônia de iniciação, ela já é reverenciada, pois um par de luvas brancas lhe é assinalado, e torna-se “cunhada”. Se solteiro, para a mulher que o novel maçom e agora irmão mais estimar.

No início, o compromisso de participação nas reuniões é de uma vez por semana. Mas, a ânsia em assimilar a ritualística e dominar o simbolismo leva à realização de visitas e mais visitas às Lojas coirmãs, presença em palestras, ciclos de estudos da Escola Maçônica, quando houver, às vezes em velocidade de Fórmula 1.  A Maçonaria reitera constantemente que a prioridade é a família.

Naturalmente, algumas reclamações exsurgem, em especial no que concerne às reuniões, que têm um horário rigoroso para começar e não para terminar, às vezes excedendo aquelas duas horas inicialmente previstas. Tudo elucidado quando tais sessões se referem às cerimônias magnas de recepção de novos candidatos ou mudanças de graus. Difícil mesmo é aclarar as “rápidas” confraternizações após os trabalhos quando as cunhadas ocasionalmente não participam.

A atmosfera costuma ficar mais sensível quando o abnegado e estudioso maçom resolve participar de tudo, com entusiasmo de iniciante, o que não é recomendável, e protestos do tipo “colocar esses interesses em primeiro plano” ou “a maçonaria é uma forte concorrente” rondam as conversações familiares, gerando inclusive pequenas tensões. Evidentemente que o interesse em galgar os Graus Superiores da Ordem não se enquadra nessas redundâncias, sendo altamente recomendável, cabendo neste caso as devidas argumentações filosóficas junto à esposa.

Na hipótese de esse irmão tornar-se um voluntário para os trabalhos nos vários níveis da Potência a que está vinculado e/ou se habilitar como instrutor para os ciclos de estudos da Escola Maçônica, incluindo esporádicas viagens tipo bate/volta em fins de semana, o “bicho pega”. Há casos de irmãos cujas consortes recomendaram que os mesmos levassem o leito para a Loja. Um equívoco, porém compreensível de “nossa” parte. Como se sabe, em serviços voluntários, a messe é grande e os operários são poucos.

Um conhecido e devotado irmão confessou que adotou como derradeiro recurso mostrar à esposa tão-somente uma frase do Ritual onde se questiona a que horas é permitido deixar o trabalho, cuja resposta taxativa é: “à meia-noite”. Segundo ele, a cunhada entendeu seu desalento, elogiou sua criatividade e deu o esperado apoio.

Outro, enfrentando queixas sobre a necessidade de atender às várias convocações, regozijou-se de ter feito um pacto de liberação das segundas às quintas-feiras à noite, quando efetivamente necessário, reservando todos os demais dias da semana para a esposa. O comprovante dessas visitas é sempre colocado na Bolsa de Informações do lar, para que não restem dúvidas sobre as atitudes de um cidadão reconhecidamente livre e de bons costumes. Ainda segundo esse exultante irmão, sua cara metade se declara agora a mulher mais feliz do mundo e está até dando “joinha” nas suas postagens no Facebook.

Em outra situação surpreendente, um irmão decano e rabugento assumido se vangloria alegando que sua dedicada e compreensível patroa o incentiva a ir todos os dias à maçonaria, argumentando que isso é bom para ele. E ele também afirma que ela se declara a dona mais feliz do planeta. A mesma situação sob duas perspectivas. Tem mais: este abençoado irmão é considerado Troféu Hors Concours em sua Loja na competição anual de “Irmão Peregrino”. Imbatível!

Com o tempo e a convivência entre os irmãos, as cunhadas assimilam a cultura e alguns excessos são relegados, pois o mistério se dilui e os laços de fraternidade se solidificam, preservado o que deve ser preservado, com os bons frutos da família maçônica sendo saboreados por todos.

Nessa interação, esposas de maçons, sobrinhos e sobrinhas, se unem e consolidam as colunas da filantropia e outras atividades educativas e de valorização da família junto à sociedade por intermédio das entidades paramaçônicas e fraternidades femininas.

Nos encontros familiares e festas, as cunhadas de uma forma ou de outra acabam tocando nesse assunto. Sempre aparece uma concunhada plena de sabedoria e de bons argumentos para consolar aquelas inicialmente mais apoquentadas. As trocas de informações e experiências tornam-se salutares, pois o consenso entre elas é o de que os cunhados são hoje pessoas muito melhores do que antes de se filiarem à Ordem. E que assim o Grande Arquiteto do Universo conserve!

A Maçonaria, nos seus fundamentos, almeja que, com o tempo, o crescimento intelectual e o refinamento moral e de liderança dos obreiros tenham efeitos benéficos junto às famílias e do seu entorno, pois esse é o locus onde os maçons cumprem seus deveres e a missão de construtores sociais.

Com esse entendimento, a integração e os vínculos familiares se fortalecem, passando a compreensão e o estímulo ao trabalho do obreiro a fazer parte de um contexto de aprimoramento e evolução, onde a Humanidade se torna um campo de realizações e por consequência mais feliz nas suas relações.

ObriGADU, querida, pelo apoio e carinho!” (Obreiro feliz)

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da Academia Mineira Maçônica de Letras, e para nossa alegria, também um colaborador do blog.

Uma Breve História das Refeições Festivas

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Irmãos, este ensaio é subintitulado ” … e, portanto, beber tragos e comer petiscos“. Trata sobre as origens dos costumes observados em nossas refeições festivas. Na sua preparação, consultei várias fontes às quais sou muito .agradecido. Em particular, eu gostaria de mencionar os trabalhos dos Veneráveis Irmãos Bemard Jones, Harry Carr, John Hamill e Washizu Yoshio, inclusive, as atas (transactions) publicadas pela Loja de Pesquisas Quatuor Coronati (Quatuor Coronati Lodge of Research). No entanto, quaisquer erros, omissões ou suposições erradas são de minha própria responsabilidade.

Uma refeição, no contexto de uma “refeição festiva”, é uma mesa bem familiar, com alimentos. Os primeiros relatos sobre refeições festivas maçônicas foram feitos por maçons operativos no século XIV, especialmente, para celebrar festas religiosas, embora podem ter sido marcadas para os encontros puramente maçônicos, referidos nas Antigas Obrigações (Old Charges). Nesses dias especiais, maçons operativos se reuniam em edifícios em construção ou, em abrigos temporários, chamados lojas e festejavam com carne assada, regada com cervejas temperadas.

O manuscrito Regius do século XIV prevê como os maçons devem se comportar nessas primeiras refeições festivas. Eles deveriam ir para a mesa com as mãos limpas, não poderiam falar com boca cheia e deveriam se abster de utilizar o guardanapo para assoar o nariz. Todos, não obstante, bons conselhos!

No final do século XVII e início do XVIII, primórdios da maçonaria especulativa, seus membros realizavam reuniões em tabernas e estalagens, ou, às vezes, em casas de café, onde encontravam disponíveis, prontamente, tragos e petiscos. As lojas que realizavam suas reuniões nessas tabernas, recebiam, logo, denominações das tabernas, após a primeira reunião, a exemplo da Globe Lodge nº 23, por se reunir na Taberna Globo. A primeira Grande Loja se reuniu em uma taberna chamada O Ganso e a Grelha (The Goose and the Gridiron), perto da Catedral de São Paulo (St. Paul’s Cathedral)possivelmente, atraídos pelos encantos aclamados da garçonete Hannah.

A pequenez das salas, em muitos desses estabelecimentos, restringiam a quantidade de membros da loja maçônica, tal que, mais tarde, no século XVIII, os hotéis tomaram-se cada vez mais utilizados, pois, poderiam fornecer salas maiores, bem como, melhores instalações.

Os antigos maçons especulativos reuniam-se mais frequentemente do que fazemos hoje e, para eles, as refeições festivas não eram eventos separados da reunião maçônica em si. Algumas lojas chegaram mesmo a iniciar “irmãos servidores” apenas, para serem garçons ou músicos. Durante as reuniões, os irmãos comiam petiscos, bebiam tragos e fumavam; por isso, os aventais eram freqüentemente manchados ou danificados e a loja providenciava sua regular substituição.

Eles também cantavam, bebiam e brindavam, muitas vezes, acompanhados de muito barulho do Fogo Maçônico e das batidas dos pés. Quando realizavam as Three Distinct Knocks (Três Batidas Distintas), registradas em 1760, as pessoas sentadas abaixo de uma sala de reuniões, tinham, por vezes, medo de que o edifício seria sacudido sobre eles.

O Segundo Vigilante, chamando os Irmãos do trabalho para o descanso, para os tragos e os petiscos e, desta forma, tiveram um papel vital na consolidação da fraternidade. Não era e, não é, permitido discussões sobre política e sobre religião durante qualquer período da sessão, criando-se, assim, um espírito de tolerância que diferencia a Maçonaria da maioria das outras fraternidades. Quando a sessão estava concluída e, a loja maçônica, ritualisticamente fechada, muitas vezes, os Irmãos ficavam para a ceia (o ágape), continuando uma feliz diversão.

Os rituais de trabalho do grau eram muito menores do que os nossos de hoje. Em substituição, para a maioria das reuniões, os Irmãos sentavam ao redor de uma mesa, à luz de velas, ouvindo palestras e participando das preleções, com perguntas e respostas, para testar os conhecimentos maçônicos dos Irmãos.

As palestras foram não somente temas maçônicos, mas, abrangiam muitos temas eruditos e científicos. A Old Kings Arms Lodge realizou uma série de palestras, na década de 1730, incluindo a do Irmão Graeme sobre a fermentação de bebidas intoxicantes. A ata registra que os Irmãos ficaram “muito satisfeitos” com esta palestra especial e pediram ao Irmão Graeme para falar novamente, sobre o mesmo assunto, e foram atendidos.

Bebidas fortes eram comuns naqueles dias e arquivos de lojas relatam a compra de vinho, cerveja e bebidas destiladas, bem como açúcar, limão e noz moscada para fazer ponche. Contudo, em algumas lojas, o profano recém-iniciado devia pagar por toda a alimentação e bebida na noite da Iniciação.

Alguns maçons diziam que os laços de amizade somente seriam estreitados quando “molhados” e uma canção popular maçônica de 1778 era:

"Let every man take a glass in hand, 
Drain bumpers to our Master Grand, 
As long as he can sit or stand."

Traduzindo:

"Que todo homem pegue um copo na mão,
Sorva um copo cheio para o nosso Grão Mestre,
Enquanto ele pode sentar ou repousar."

Embora os maçons foram, provavelmente, um dos mais bem comportados elementos da sociedade, eles não têm regras rígidas para administrar a conduta e os limites da bebida em suas reuniões. Ainda hoje, as Antigas Obrigações e Regulamentos ensinam ao Mestre da Loja eleito, a se precaver contra a intemperança e os excessos em sua loja.

Típica dos primórdios, foram as regras dos Estatutos de 1760 da Lodge of Antiquity que determinava que qualquer Irmão que discutisse religião ou política, apostas, maldições, que estivesse “embriagado” ou que vaiasse um orador, seria multado.

Em 1736, uma loja reunida na Taberna Rummer Bristol multou seu Mestre da Loja em um shilling, por estar embriagado; até mesmo os visitantes poderiam ser multados. Em 1783, a Albion Lodge nº 9 multou um visitante em um shilling por blasfêmia, quando, então, ele desafiou o Mestre para um duelo. A loja foi fechada e o resultado não foi registrado.

Tal regimento interno e as multas nem sempre foram suficientes para controlar o excesso. A Mariners’ Lodge n° 576, fundada em 1799, tinha uma mesa lateral carregada de vinho e bebidas destiladas, em sua sala de reuniões e, por 6 pence, os membros poderiam tomar as bebidas que desejassem. Era uma loja muito alegre e logo entrou em dificuldades financeiras. Em 1822, essa loja foi extinta (abateu colunas), com algumas contas de tragos e petiscos em atraso por vários de seus membros. Porém, essa loja nos deixou um registro fascinante de sua história; mais um enquadramento punitivo maçônico singular que, além do simbolismo usual, também informava a boa cerveja que estava disponível na (taberna) Rose & Crown.

A maioria das lojas do século XVIII organizavam jantares formais para celebrar as instalações de Venerável Mestre. Em 1753, na festa anual do Old Dundee Lodge nº 18, ficou registrado que 33 irmãos jantaram duas quartas partes de cordeiro com molho de carne, 12 galinhas, 23 libras (aproximadamente 10 Kg) de presunto e 2 pudins de ameixa; tudo regado por uma variedade de bebidas alcoólicas. Depois destes jantares, havia relações amigáveis com esposas, por vezes, convidadas para se apresentarem no templo da loja, ou nas salas adjacentes. Mais tarde, no século 19, tornaram-se muito populares os jantares especiais e reuniões dançantes com as Senhoras. Atualmente, nossas festas femininas são desenvolvidas a exemplo de tais eventos.

Nos primórdios, senhoras menos respeitáveis podiam, às vezes, ter sido convidadas a participar de reuniões. Em 1757, o Irmão Storey da Grenadiers Lodge nº 66 foi multado em 2 pence (1/120 de uma libra) por introduzir uma mulher em loja aberta; seu Segundo Vigilante também foi multado em 2 pence, por beijá-la.

Após a unificação das duas Grandes Lojas, no início do século XIX, as reuniões maçônicas começaram a mudar significativamente. Os rituais aumentaram e tornaram-se mais extensos; as sessões tornaram-se muito mais formais e, em consequência, havia menores oportunidades para o convívio nos templos. As mesas comunais, no interior dos templos, começaram a ser substituídas por pedestais e, eventualmente, alimentos, bebidas e tabaco foram banidos dos templos, embora, em algumas lojas provinciais, os antigos costumes desapareceram mais lentamente.

Em torno deste tempo, teve início a abertura de Masonic Halls (edifícios com um conjunto de templos) em muitas cidades e metrópoles, para acomodar o crescente número de lojas e Irmãos. Contudo, bares e hotéis foram, muitas vezes, utilizados para o jantar e, tornou-se hábito realizar, após cada sessão, refeições festivas formais.

Às vezes, os aventais maçônicos ainda eram usados nessas refeições festivas, fora do templo; mas, esta prática logo acabou em desuso, apesar de perdurar em algumas lojas como o Mount Moriah Lodge nº 34, onde ainda fazem suas refeições festivas em trajes de gala e todos os oficiais da loja usam seus colares e jóias.

Os hábitos, no jantar, e o bater palmas ao Mestre e loving cups (um copo grande com duas alças, que os convivas passam de mão em mão para todos beberem), muitas vezes, sendo copiados dos costumes de jantar do Craft Guilds and Livery Companies, começaram a aparecer por volta dessa época (início do século XIX).

Embora, os jantares festivos fossem cada vez mais formais no século XIX, eles ainda eram eventos animados. Em 1806, a Premier Grand Lodge pediu para os Mestres de Banquetes (stewards) garantirem as despesas, no preço do jantar, dos copos e vidros quebrados, inclusive, despesas com um carpinteiro para reparos. Em 1815, para controlar a superabundância e opulência, eles proibiram a água gaseificada (soda) e nozes em seus jantares festivos; o que os Irmãos estavam fazendo com isso não foi registrado!

Nos jantares festivos, música e canto sempre foram populares. Em 1737, várias lojas contribuíram para o custo de 3 orquestras distintas, para tocar no desfile anual do Grand Festival Feast.

Foram publicados muitos livros de canções maçônicas e, algumas canções foram incluídas nos primeiros livros das Constituições; somente uma dessas antigas canções ainda é, normalmente, cantada hoje; é a Canção do Aprendiz Iniciado (Entered Apprendice’s Song). A letra desta música foi publicada, pela primeira vez, no início de 1700, e foi, provavelmente, escrita por Matthew Birkhead, um ator comediante do Drury Lane Theatre, que era maçom.

Estas canções eram, frequentemente, para tomar vinho e fazer brindes entre seus versos; mas, a primeira referência formal para brindes maçônicos está no Livro das Constituições de Anderson, de 1738. Este relato refere-se ao Grão-Mestre, revivendo, em 1719, os brindes antigos e peculiares dos maçons; mas, Anderson não pormenorizou a maneira como se brindava. No entanto, sabemos, a partir de revelações anteriores, que o Fogo Maçônico foi feito nestes brindes.

O costume Fogo, como brinde, não é um costume exclusivamente maçônico; acredita-se que deriva de uma antiga tradição em acontecimentos militares ou públicas, de canhões ou mosquetes, que atiraram para marcar um brinde. Shakespeare se referiu a esta prática em Hamlet.

Sabemos de exemplos de Fogo Maçônico com disparos reais. A Vermon Lodge em Dublin (atual Irlanda) realizou, em 1741, uma celebração ao ar livre, onde cada brinde foi marcado por um disparo real de um mosquete. Na Festa Anual Maçônica, realizada perto de Sunderland, em 1775, foi relatado que os brindes foram “bebidos com o disparo de um canhão”. Esperemos que não hajam brindes e disparos numa magnitude maior!

O uso real de canhões e mosquetes foi fora do comum, mas se tomou uma prática para os comensais, para marcar um brinde, bater as taças na mesa, imitando o disparo de fogo. Contudo, alguns autores sugerem que o entusiasmo de bater as taças sobre a mesa surgiu primeiro e a semelhança com mosquete ou fogo de canhão só foi observado posteriormente.

Os primeiros relatos escritos sobre o Fogo Maçônico são franceses, mas isso não significa, necessariamente, que tenha se originado na França. A primeira descrição detalhada foi dada em francês, numa revelação em francês, de 1737, Réception d’un Frey-Maçon, que usou informações obtidas por Madernoiselle Carton, da Ópera Francesa, em retribuição a seus favores.

O vinho é chamado pólvora e as taças são denominadas armas; ao beber uma saúde de um Iniciado, os Irmãos colocam-se em pé. O Mestre diz, então, que se “carregue” as armas (as taças). Em seguida, comanda: “coloquem suas mãos em suas armas”. A taça é erguida em direção aos lábios, em 3 movimentos e, então, se bebe. A taça vazia, era, então, movida em direção ao lado esquerdo do peito; depois, ao lado direito do peito e, em seguida, estendida para a frente, por três vezes, voltando em 3 movimentos. Antes de retomar a estes 3 movimentos, a taça era batida com muito ruido sobre a mesa.

Depois, os Irmãos batiam palmas e gritavam “Vivat” por 3 vezes.

Mais tarde, expandiu-se a analogia ao fogo de artilharia; as garrafas chamadas de “barris” (de pólvora) e as taças de “canhão” ou peças de artilharia. As instruções para um brinde são: “Carregar os canhões – Apontar Armas – Fazer Pontaria – Fogo – Grande Fogo!”. Nos dias atuais, os Vigilantes relatam que suas colunas estão “totalmente carregadas” em conformidade com esta antiga instrução.

Na Inglaterra, as atas de 1734 da Old King s Arms Lodge nº 28 registram a saúde do Mestre Eleito, que é brindado por “três vezes três”; as primeiras descrições detalhadas do Fogo Maçônico, em inglês, não aparecem até as revelações na década de 1760. São descritos desta forma:

Primeiro, os diáconos certificam-se de que as taças estejam totalmente carregadas. O Mestre da Loja, então, levanta sua taça e propõe um brinde, com três vezes três, no grau de aprendiz. Os Irmãos repetem o brinde e bebem. Depois de imitar o Mestre, eles seguram as suas taças vazias à frente, antes de retirá-Ia, cruzando, 3 vezes a garganta e colocando de volta na mesa em 3 movimentos. Um barulho de detonação reproduz o último movimento. Depois, antes de sentar, os Irmãos levantam suas mãos ao peito e batem palmas nove vezes em 3 grupos de 3, batendo os pés em uníssono e terminando com um final “Huzza”.

Durante a descarga de fuzilaria, as taças são, muitas vezes, quebradas, e os Irmãos podem ser multados. Quando isso aconteceu, em 1767, a Old Lodge em Wakefield, multou dois Irmãos, em um shilling cada, pelas taças “explodidas num Fogo”. Foram confeccionados, então, taças ou cálices especiais, com fundo reforçado, para reduzir quebras; com o tempo, a maioria das lojas desistiu de fazer estes sinais com as taças. Alterando o tipo de Fogo, que hoje conhecemos, podemos, agora, estudá-lo em detalhes.

Tem sido sugeridas várias origens para os 3 gestos simbólicos que iniciam o Fogo e que representam o sinal da Cruz, o martelo de Thor, ou mesmo, uma trolha para espalhar o cimento. No entanto, as evidências indicam claramente que eles são, de fato, os vestígios dos sinais de aprendiz, em alusão às primeiras representações de descarga de fuzilaria, que explica porque os jantares festivos deveriam ser telhados (cobertos).

Os símbolos degenerados, nestas circunstâncias, apenas indicam gestos, embora a Emulation Lodge of Improvement ainda usa o sinal regular de Aprendiz, transmitido ao iniciado, durante sua preleção de primeiro grau, quando brindam um Fogo. As primeiras informações, para brindar em cada grau de diferentes rituais, têm semelhanças com os sinais de diferentes graus e saudações que conhecemos hoje. A Lodge of Loyalty; nas Bermudas, continua a fornecer um Fogo semelhante à saudação de Companheiro.

Avançar na sequência de disparos de artilharia é uma contagem “1 – 2”. Esta é uma reminiscência dos dois movimentos anteriormente feitos, antes de bater uma taça sobre a mesa, mas que, agora, anuncia um estrondo extra, adicionado aos 9 originais. Por vezes, o Mestre da Loja golpeia com seu malhete, para aumentar o barulho da detonação.

O Fogo Maçônico é, normalmente, concluído por 9 estrondos, dados em 3 grupos de 3. As saudações dadas por estrondos são audíveis, batendo com os pés ou golpeando o avental, o que é, frequentemente, mencionado nas antigas atas. O número, neste caso, pode derivar da bateria do Aprendiz, ou seja, um símbolo dos 9 sinais para um verdadeiro maçom, reportado em alguns registros antigos maçônicos.

Não há nenhuma evidência para sugerir que o Fogo Maçônico seja, de alguma maneira, ligado à salva de 21 tiros da marinha. As ações mais utilizadas do Fogo totalizam 21 tiros; entretanto, cada um é, claramente, de uma causa isolada.

O Fogo Maçônico não é universal na maçonaria e sempre variou muito na forma e no desenvolvimento. Algumas lojas ainda usam taças para tiro e outras pequenas pedras para anunciar o Fogo. Alguns dão “Fogo Incessante”, onde cada Irmão bate a taça na mesa, em sequência, ou uma variação chamada “Fogo em Cadência”, onde as taças são batidas na mesa, num movimento circular.

Em outra variação, a Lodge of Regularity n° 91 propõe “Fogo Secretário”, onde mensagens secretas dos Irmãos circulam ao redor da mesa, antes de bater com suas taças de fuzilaria sobre a mesa. A Fitzroy Lodge nº 569 propõe o “Fogo Regimental”, onde os procedimentos são feitos de modo a representar o balanço de um fuso ou cone, num crescente, até que, simbolicamente, uma granada seja armada e detonada.

O Fogo silencioso, por vezes, usado para brindes para os Irmãos Ausentes e para o Guarda Externo, pode derivar do Fogo tranquilo (Fogo pacífico ou discreto). Uma vez usado para honrar os Irmãos que partiram, embora o Fogo do Guarda Externo pode ser omitido, por orientação superior, ele não possa estar do lado de fora da loja para evitar bisbilhoteiros.

Mas, vamos deixar o Fogo Maçônico e voltar para o desenvolvimento dos jantares festivos como um todo.

No final do século XIX, os jantares festivos atingiram o seu apogeu como um evento esmerado de banquete; trajavam vestimentos formais (smoking) e serviam até 10 pratos com iguarias, muitos vinhos e longos brindes, acompanhados por música e canto, frequentemente, com artistas profissionais.

Estes usos e costumes perduraram até o início do século XX e ainda podem ser encontrados hoje, em nossos jantares festivos. Mas, mudanças sociais e tendências modernas, juntamente com o aumento de custos, progressivamente, levam a uma menor formalidade, com menus mais restritos e menos brindes.

Contudo, os jantares festivos no século XX poderiam ser, ainda, acontecimentos extraordinários. Em 1925, possivelmente, o maior jantar festivo maçônico, jamais realizado antes, aconteceu no Olympia de Londres para arrecadar fundos para o novo Freemason’s Hall, em Londres. Mais de 7.000 Irmãos estavam sentados em mesas com 3 milhas (4,8 km) de comprimento e servidos por 1.360 garçonetes.

Mas curiosamente, em 1946, um jornal maçônico anunciou a “serragem de uma mulher ao meio” como um entretenimento de um jantar festivo. Espero que este tenha sido um honrado mágico ilusionista, ao invés de uma encenação de uma das nossas penalidades tradicionais!

Se eu pudesse terminar este ensaio, meus Irmãos, com um brinde, no jantar festivo tradicional, eu o faria para os “nossos antepassados maçônicos, que nos deixaram um legado tão rico de companheirismo, boas maneiras e…

Bom fogo!!!”

Autor: Clive Moere
Tradução: Walter Celso de Lima

Às Mães

– às Mães que apesar das canseiras, dores e trabalhos, sorriem e riem, felizes, com os filhos amados ao peito, ao colo ou em seu redor; e às que choram, doridas e inconsoláveis, a sua perda física, ou os vêem “perder-se” nos perigos inúmeros da sociedade violenta e desumana em que vivemos;

 – às Mães ainda meninas, e às menos jovens, que contra ventos e marés, ultrapassando dificuldades de toda a ordem, têm a valentia de assumir uma gravidez – talvez inoportuna e indesejada – por saberem que a Vida é sempre um Bem Maior e um Dom que não se discute e, muito menos, quando se trata de um filho seu, pequeno ser frágil e indefeso que lhe foi confiado;

 – às Mães que souberam sacrificar uma talvez brilhante carreira profissional, para darem prioridade à maternidade e à educação dos seus filhos e às que, quantas vezes precisamente por amor aos filhos, souberam ser firmes e educadoras, dizendo um “não” oportuno e salvador a muitos dos caprichos dos seus filhos adolescentes;

 – às Mães precocemente envelhecidas, gastas e doentes, tantas vezes esquecidas de si mesmas e que hoje se sentem mais tristes e magoadas, talvez por não terem um filho que se lembre delas, de as abraçar e beijar…;

 – às Mães solitárias, paradas no tempo, não visitadas, não desejadas, e hoje abandonadas num qualquer quarto, num qualquer lar, na cidade ou no campo, e que talvez não tenham hoje, nem uma pessoa amiga que lhes leia ao menos uma carta dum filho…;

 – também às Mães que não tendo dado à luz fisicamente, são Mães pelo coração e pelo espírito, pela generosidade e abnegação, para tantos que por mil razões não tiveram outra Mãe… e finalmente, também às Mães queridíssimas que já partiram deste mundo e que por certo repousam já num céu merecido e conquistado a pulso e sacrifício…

A todas elas, nossas humildes lembranças neste mês que é apenas simbólico, já que o Dia das Mães, é todo aquele em que acordamos, olhamos para a luz e dizemos: “outra vez, outro dia”, porque a cada amanhecer é um renascimento que devemos à Mãe. Por tudo isso, um obrigado seria pouco, portanto, criaram um mês inteiro para que chamássemos de Mês das Mães e um dia para fazermos as reflexões sobre a grandiosidade delas.

A todas as Mães, a todas sem exceção, um Abraço e um Beijo cheios de simpatia e de ternura! E Parabéns, mesmo que ninguém mais vos felicite! E Obrigado, mesmo que ninguém mais vos agradeça! Obrigado por você ser minha mãe. E que o Grande Arquiteto do Universo te ilumine, proteja e guarde.

Texto da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (Lisboa)

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