Corda com nós, laços de amor, borlas com franjas e a orla dentada: decoração ou símbolo?

A corda de 81 nós - Freemason.pt

Em alguns painéis de graus simbólicos do Rito Escocês Antigo e Aceito, bem como no Rito Francês e Rito Moderno, há uma corda com nós que termina em borlas com franjas, que, às vezes, estão também localizadas nas paredes do interior da loja.

Esta corda com nós, em francês é chamada de “houppe dentelée” que, em uma tradução literal para o português, não é uma corda com nós, mas sim “borla dentada”.

Borla dentada??? Isso mesmo, não é corda, não é orla dentada, não é borla com franjas, é uma borla dentada?

Será que tal confusão surgiu de um erro de tradução de alguma antiga Divulgação?

Reproduzimos aqui uma obra do pesquisador belga, Jean Van Win, que, com base no simbolismo heráldico, apresenta uma explicação muito possível.

A leitura do trabalho abaixo, deve ser feita, levando-se em conta que seu escritor é um maçom europeu, que tem uma visão diferente, de nós brasileiros, sobre decoração interna da loja e seus símbolos, o que poderá ser notado em uma crítica feita neste texto.

Será também possível observar que, de um símbolo (corda com nós), acabaram surgindo outros (orla dentada e borla com franjas), que atualmente estão presentes na maioria das lojas brasileiras e fazem parte de instruções de graus simbólicos, mas nem sempre foi assim.


Desde que entrei na Ordem Maçônica, sempre me intriguei com um dos símbolos mais familiares: o “houppe dentelée” (a corda com nós).

Como todo Maçom, eu li as descrições imaginativas de Boucher, Plantagenet, Bayard, bem como Wirth, agora atualizado por Mainguy.

É assim, que uma primeira explicação de inspiração operativa, consistia em ver naquela corda, a “corda de nós” dos construtores de catedrais, instrumentos que permitiam que os Mestres de Obra, marcassem uma distância e utilizassem estas proporções sem recorrer a matemática ou geometria.

Na prática, tal utilização realmente permite fazer um ângulo reto com uma simples corda com nós.

Mas, se a intenção fosse reproduzir a ferramenta desses gênios analfabetos de mãos calosas, não seriam utilizados nós bem apertados, em vez dos suaves laços do amor e suas borlas com franjas?

Eu não fiquei convencido com essa interpretação.

Tampouco me convencem estas explicações vagas sobre “o símbolo do infinito” ou a do “número oito deitado” que alguns acreditam, como laços de amor. Muito menos a necessidade de traçar três laços de amor no grau de aprendiz, e nos outros graus de acordo com a idade do maçom naquele grau.

Há outra vertente que nega veemente essa necessidade e que dita que os laços devam ser doze, em homenagem ao zodíaco, que tem doze signos e até mesmo em memória aos doze apóstolos … uma iconografia abundante tão incoerente que a diversidade de teorias que pretendem explicar, mostra apenas a infinita capacidade imaginativa de nossos irmãos.

Finalmente, eu me pergunto qual seria o problema se o universo místico tão querido por muitos de nós, fosse abandonado e o símbolo fosse visualizado a partir de um ângulo puramente histórico e baseado em fatos.

De onde vem? O que este símbolo expressa?

Se trata de uma corda com uma série de nós, de dois a pelo menos doze, (no Brasil utilizamos até 81 nós) terminada em cada extremidade por uma borla.

Na Bélgica, uma borla é descrita como uma “franja”, como a que decora os chapéus da polícia e dos soldados antes da guerra de 1940, onde cada regimento utilizava sua cor.

Na Maçonaria, esta corda delimita os lados norte, leste e sul dos painéis das lojas francesas, pois os ingleses ignoram essa corda, que foi espalhada, a partir da França, pelos painéis utilizados em toda a Europa.

A borla (houppe no século 18) é então o fim da corda e não a corda na sua totalidade.

Ela foi considerada como um todo, mas a “borla” francesa, na sua origem era totalmente equivalente a “franja” belga!

Mas, porque na Maçonaria francesa essa borla é chamada de “dentada”?

Em um dicionário encontramos a seguinte definição:

“Dentada: Tecido ornamentado com desenhos, que normalmente apresenta uma borda irregular.”

O que não esclareceu nada.

O que tem a ver essas decorações dentadas em um painel de loja, mesmo que acompanhem uma borla?

Vamos mais longe.

“Dentada: que apresenta pontas e buracos. Vide lâmina dentada.”

O que tem a ver com nossos painéis, que são conhecidos por representar o Templo de Salomão, algo dentado com franjas, pontas e buracos?

Em francês, não tem um significado preciso e não tem a menor relação com a construção.

Então, onde surgiu a primeira aparição da expressão “houppe dentelée” (borla dentada) e qual poderia ter sido o seu significado original?

Provavelmente surgiu através do famoso Louis Travenol (chamado de Leonard Gabanon) que, em 1744, publicou pela primeira vez na França uma representação da loja, contida em uma divulgação intitulada “Le Catechism des Francs-Maçons”. Três outras divulgações a precederam: “La Réception d’un Fre maçon” em 1735, “La Reception Mysterieuse” de 1738 e “Le Secret des Francs-Maçons” em 1742.

Aqui reproduzimos o primeiro painel de loja onde aparece uma corda e a referência a uma borla dentada:

Como sempre, para investigar os mistérios das fontes francesas da Maçonaria, voltemos às primeiras práticas maçônicas inglesas que foram expandidas em Paris, a fim de encontrar, eventualmente, uma versão intacta de uma prática mal compreendida ou mal traduzida entre nós.

E este é o caso agora!

Em 1742, o abade Pérau publicou “Le Secret des Franc Maçons”, com base no texto em inglês de uma divulgação famosa e importante: “Maçonaria Dissecada”, publicada na Inglaterra em 1730 por Samuel Prichard.

Mas o conhecimento linguístico do bom abade era muito limitado e suas traduções, aproximativas.

Por exemplo, a partir de sua caneta, saiu isso:

  • Mosaic Pavement (Pavimento Mosaico) tornou-se “Palácio Mosaico”.
  • Blazing Star (Estrela Flamejante) passou a ser “Baldaquino cheio de estrelas”.
  • Intended Tarsel tornou-se “Borla Dentada”.

Tarsel é uma palavra que não existe em dicionários contemporâneos. O erro de Pérau vem, talvez, de uma leitura errônea e da confusão cometida com a palavra tassel, que significa borla e taselled é adornado com borlas.

Vamos ver o que o texto original (em inglês) de Prichard diz em 1730:

  • Q : Have you any furniture in your lodge ?
  • A : Yes.
  • Q : What is it ?
  • A : Mosaic pavement, Blazing Star and Indented Tarsel.
  • Q : What are they ?
  • A : Mosaic Pavement, the ground Floor of the Lodge; Blazing Star, the Center; Indented Tarsel, the Border round about it.

Assim, o pavimento em mosaico constituía o piso da loja; a estrela flamejante é o centro; o “Intended Tarsel” seria a borda “ao seu redor”.

Como se sabe, as bordas dos painéis das lojas inglesas sempre tiveram um friso composto por triângulos alternados em preto e branco ou em quadrados preto e branco dispostos diagonalmente, como se fossem dentes, ou seja, “dentados”.

Os painéis de lojas francesas da mesma época, que adotaram esse uso inglês, são extremamente raros.

Atualmente, pode-se observar uma sobrevivência inalterada no tapete das lojas francesas do Rito Escocês Retificado, que preservaram seus usos intactos desde 1778.

Os franceses, provavelmente desde Pérau, chamam indevidamente de “La Houppe dentellee” (a borla dentada) a representação de uma corda com muitos nós, terminada em duas “franjas” ou duas borlas com franjas!

Numerosas divulgações posteriores, gravuras e rituais, assumem a mesma expressão que, apesar da falta de lógica e sua absoluta incorreção, constituirá com o passar do tempo, um uso estabelecido, que já é batizado como “tradição”.

Este não é um caso isolado, podemos citar o ato de tirar as luvas brancas para formar a cadeia de união, o que é, na minha opinião, outro desvio ocultista sustentado por muitos racionalistas!

Por que os primeiros maçons franceses substituíram a “borda serrilhada” das pinturas inglesas por uma corda que foi batizada como “borla dentada” da maneira mais estranha?

Na França, em 1744, a “houppe dentelee” constituiu um ornamento presente nos painéis da loja, se comparado aos painéis ingleses contemporâneos. Os ingleses ignoram a borla atual como sempre fizeram.

Inquestionavelmente, se trata de um dos elementos originários e constitutivos do “estilo” francês, do “espírito” ou da “especificidade” da França, bem como do hábito de manter o porte da espada na loja, o chapéu ou a imitação da fita ou cordão azul da Ordem do Espírito Santo, usos comuns na boa sociedade que frequentava os salões.

No entanto, uma pista aparece com o famoso Luis Travenol, alias Leonard Gabanon, que na segunda de suas divulgações, publicou em 1747: “La Desolation des Entepreneurs Modernos du Templo de Jerusalem” (A expulsão de comerciantes modernos do Templo de Jerusalém), descrevendo o “houppe” como “uma espécie de Corda de Viúva que envolve todo o desenho”.

É surpreendente que Travenol seja o único autor francês da época que considerou esta explicação de uma característica heráldica.

Esta interessante descrição coincide cronologicamente com outra expressão que aparece nos rituais de 1745 em relação ao recente grau de Mestre Maçom (1725, Londres) e qualifica os Maçons como “Filhos da Viúva” por referência a Hiram, pois a Bíblia nos diz (1 Reis 7:14) que ele era “filho de uma mulher viúva, da tribo de Naftali, e fora seu pai um homem de Tiro”.

Este ornamento, que aparece em numerosas lápides, mas também acompanha certas armaduras civis ou eclesiásticas, encoraja-nos a entrar em um domínio cheio de simbolismo: a arte heráldica. E essa invasão nos dará, com grande simplicidade, a chave para esse pequeno problema.

Decoração que em heráldica denota uma Viúva

Em seu notável “Dictionaire Héraldique”, que apareceu em 1974, Georges de Crayencour descreve dois tipos de brasões que nos ilustraram:

O primeiro é o das viúvas e nos diz:

“As viúvas têm dois brasões: um de armas de seu marido e um seu; as duas coladas (muito próximas) e cercadas, a partir do século XVI, em uma corda entrelaçada ou com um cordão de seda trançado, em prata e areia… (prata e preto). A corda tem nós em intervalos em uma espécie de laços de amor… Se distingue pela presença de três nós apertados, postos um no centro e dois nos flancos …”.

Aqui está uma primeira explicação considerada da arte heráldica.

Existe uma segunda, proveniente da mesma fonte, mas ainda mais surpreendente, uma vez que se refere, não mais a arte heráldica para as viúvas, mas refere-se à igreja, como também de ambos os sexos.

A correspondência entre os laços de amor de príncipes e princesas da Igreja e os maçons, é muito sugestiva e ainda hoje pode ser visto nos frontões (fachada) de muitas abadias e palácios episcopais, sobre as lápides, inúmeras nas igrejas barrocas das Ilhas de Malta e Gozo, onde podem ser vistos em composições de mármore multicoloridos, assim como em diversos outros lugares.

Georges de Crayencour nos ensina que

“o chapéu com o escudo e seu cordão com nós (ou laços) e acabados com borlas dispostas em um triângulo que o cercam…. Sobre o significado dos nós e borlas, as opiniões são compartilhadas.”

Não precisamos dizer que isso foi compartilhado fraternalmente entre os nobres e os maçons!

Brasões de uma Viúva, de um Bispo e de um Abade

Atualmente, a maioria dos painéis de loja da Europa continental, deriva da maçonaria francesa, e têm uma “borla dentada”. Será que esse ornamento é apenas estético? Será que ele terá algum outro significado que foi perdido?

Será o resultado de um simples erro de tradução, muito bizarro, apesar da frequência de utilização na maçonaria francesa?

Essa bela borla veio da simples fantasia de um artista maçônico que queria “ser legal”?

Seria um caso único na iconografia maçônica, que faria uma referência de modo geral a algum significado oculto decifrado por poucos?

Uma lamentável prática, na minha opinião, é que certas oficinas localizam a corda na parte superior das paredes norte e sul da loja (que se tornou um templo!) sob o teto.

Isso é mais que lamentável se também estiver associado a um conjunto zodiacal, para mim totalmente incongruente e que é dito ser “operativo”. Isso mostra bem até que ponto uma “tradição” pode ser evolutiva … Essa composição simboliza – eles dizem – a união universal dos maçons!

Veja como uma pobre viúva poderia fazer uma prolífica descendência, graças à imaginação de seus “filhos”.

A confusão entre a fina borla dentada heráldica e a espessa corda de nós dos construtores está, com todas as evidências, em sua máxima expressão.

Essa corda com nós é outra coisa e podemos demonstrar a construção de um ângulo reto, graças a uma simples corda de doze nós, usando o quadrado da hipotenusa com 3, 4 e 5 nós, mas esse instrumento operativo nada, absolutamente nada, tem a ver com o debate sobre a borla!

Voltando ao assunto: disposta sobre o painel da loja, formando originalmente dois laços de amor, que se amaram ao ponto de terem sido convertidos para doze, o que poderia simbolizar os elegantes entrelaçados aos olhos meditativos de nossos irmãos contemporâneos?

Pode se ver muito mais do que um simples ornamento heráldico, que, por outro lado, nunca esteve na Maçonaria.

E nessa última hipótese, seria o único elemento que não teria nenhuma função estética, o que constituiria um caso incomparável entre os elementos constitutivos do painel da loja.

Mas então, tal interpretação seria inviável e, na minha opinião, deveria ser rejeitada.

A escolha deliberada deste cordão lembra ao Maçom que o painel da loja sintetiza, assim como um brasão, um conjunto de elementos simbólicos quanto ao grau praticado. No entanto, um elemento maior em relação ao grau de Mestre já está presente no painel do grau do Aprendiz.

Na verdade, tal antecipação é talvez o caso de passar de um grau inicial a outro, onde não será explicado o que se encontra no germe desse grau. Por exemplo, no século XVIII, o painel da loja do Rito Francês do grau de aprendiz já contém uma estrela flamejante, mas isso não é explicado.

E quanto à “corda da viúva”, ela lembra ao Mestre Maçom, que Hiram vive eternamente em todos nós, todos somos “filhos da Viúva”.

Isso foi imediatamente perceptível em uma sociedade de classe, como a do século 18, onde a heráldica é amplamente disseminada e familiar para todos e serve como meio de identificação; que a arte era comumente praticada de forma banal com os sentidos de identificação que todos conheciam.

Os símbolos são autofalantes, mesmo que sua linguagem pareça ter um duplo sentido que precisa de criptografia; o sentido, no entanto, se perde quando a sociedade evolui e sua composição sociológica se modifica, como ocorreu com a democratização e o estabelecimento do Império.

Os maçons dos séculos XIX, XX e XXI estão cada vez menos familiarizados com a arte heráldica, exceto talvez na Alemanha, Espanha, Áustria ou Suíça, onde permanece vivaz e popular. Não há município ou cidade nestes países que não exibam orgulhosamente os seus brasões.

A minha interpretação do “Cordão da Viúva”, me parece mais enriquecedora no plano simbólico do que as dissertações “esotéricas” sobre os temas de universalidade, do número oito deitado (sic!), do infinito, do zodíaco, dos pedreiros medievais “que conservaram os segredos que vieram das pirâmides” (sic), dos filhos de Isis, dos druidas e isso sem contar os templários, os rosa-cruzes e os alquimistas!

Esta conclusão, obviamente que não é a verdade. Se assim fosse, deixaríamos o marco de uma filosofia interpretativa para entrar na ciência do emblemático, da alegoria, do símbolo, do pensamento único.

Onde estaria o prazer da descoberta e, acima de tudo, o que é ainda mais emocionante, o prazer da investigação, ou essa verdadeira “caçada do sentido oculto”, tornando-se inevitável a dupla natureza do maçom?

“A cada uma de suas Verdades”, é dito em uma peça famosa. Aquela que Pôncio Pilatos responde do fundo de sua Judéia. “A Verdade, qual Verdade?”… antes de lavar as mãos, um gesto altamente simbólico!

Autor: Jean Van Win
Traduzido por: Luciano R. Rodrigues

Extraído de uma obra do Círculo de Estudios del Rito Francés Roëttiers de Montaleau

Fonte: O Prumo de Hiram

Screenshot_20200502-144642_2

Se você acha importante o trabalho que realizamos com O Ponto Dentro do Círculo, apoie nosso projeto e ajude a manter no ar esse que é um dos mais conceituados blogs maçônicos do Brasil. Você pode efetuar sua contribuição, de qualquer valor, através dos canais abaixo, escolhendo aquele que melhor lhe atender:

Efetuando seu cadastro no Apoia.se, através do link: https://apoia.se/opontodentrodocirculo

Transferência PIX – para efetuar a transação, utilize a chave: opontodentrodocirculo@gmail.com

Usos e Costumes em Lojas Maçônicas

Loja Maçônica Independência, 131

Este trabalho tem por objetivo analisar a prerrogativa da liberdade e colocação em prática de Usos e Costumes em Lojas Maçônicas. Justifica-se por ser algo pertinente a estas Lojas, bem como ao fato de que seu entendimento pode ter interpretações diversas. A adoção de alguns Costumes em Lojas pode ocasionar questionamentos diferentes, dependendo muitas vezes de observações pessoais e vantajosas para quem as pratica.

O questionamento destas práticas, em sua pretensão, coloca uma interpretação do conceito e definição em uma maior profundidade, sempre tendo por objetivo acrescentar, ajudar e evoluir cada vez mais em uma busca justa e perfeita. Por que se adotam práticas em Lojas que, em outras do mesmo Rito, estes costumes são abominados e não adotados?

Sabemos que na história, por circunstâncias diversas, Usos e Costumes tornam-se regras. Nas Lojas Maçônicas não foi diferente, pois com o passar dos tempos algumas coisas adotadas, e por serem usuais rotineiramente, tornaram-se regras oficiais. Além de que, com o passar dos anos, regras são alteradas devido à evolução dos tempos e adaptações aos momentos de vida dos segmentos envolvidos. Estas mudanças, quando necessárias, é que devem ser melhores analisadas. Esta análise deve ser feita, necessariamente, em caráter oficial para que não resida o grande descompasso na liberalidade de adoção de práticas que poderão se tornar regras. Urge decisões de instâncias oficiais, normatizando situações adotadas diferentemente por motivos circunstanciais.

Algumas interpretações devem se aproximar de um consenso, tendo em vista que o objetivo é único.

A liberdade para as mudanças necessárias de regras em Lojas Maçônicas, e isto está autorizado em Manuais com ressalvas, deve permear a análise profunda e histórica do Rito e adotar-se algumas regras particulares, acobertados pela liberalidade do Rito quanto aos seus Usos e Costumes estão descaracterizando-o. Mesmo que esteja bem claro que a atualidade de certas práticas não deve perder o contexto histórico do fato.

Apesar de ser uma premissa básica o entendimento do Rito, na sua primeira e decisiva finalidade, este entendimento fica em segundo plano quando se interpreta de forma errada o que está escrito. Está lá no Manual de Instruções do Rito Schöroder – Grau de Aprendiz Maçom: 

O termo Rito incute nas pessoas o hábito cerimonial. O termo Rito se aplica no sentido de regra, ordem, método, orientação, diretriz, uso e conotações, que impregnam a conduta humana de compromisso com um sentimento preconizado.

E como complemento decisivo encontra-se na Edição 2015 do livro Docência Maçônica: 

Em Maçonaria a aplicação de Usos e Costumes deve ter sempre a observância atenta de suas componentes, entre elas sua temporalidade, não devendo ser confundida, pois, com a tentativa de modificações a serem introduzidas nas regras e normas ritualísticas e administrativas devidamente regularizadas. Exige-se que essas práticas contenham sua habitualidade em grande lapso de tempo, ou seja, observe certa antiguidade.

Reforçar este entendimento apenas traz consigo os elementos que devem ser analisados, entendidos e praticados em Lojas. Quando da adoção de certas normas particulares de costumes em Lojas, algumas coisas devem ser levadas em considerações: regras, normas, tradições, culturas, evolução da vida física, temporalidade e outras. Devemos considerar aquilo que nos faz diferentes dos demais, isto é, a tradição, a temporalidade quanto ao seu estágio inicial para que não percamos com o passar dos tempos algumas características que nos fazem diferentes.

Adotar-se certas práticas dentro de uma Loja que são confortáveis ou menos trabalhosas, atitudes estas amparadas em liberalidade dos Usos e Costumes, é afastar-se do caminho da persistência que deve ter um Maçom quanto ao seu esforço físico na busca de uma evolução.

Adotar-se atitudes particulares e transferi-las para o âmbito de uma Loja, é descaracterizar aquele esforço que se deve ter, mesmo que seja penoso, na busca de uma evolução. Não se deve adotar alguns Usos e Costumes em uma Loja porque uma maioria de irmãos achou que deveria ser assim, pois, entender que uma maioria é soberana, é diferente de uma unanimidade. Adotar algumas coisas pela sua praticidade é incorrer no erro dos que buscam apenas coisas pensando em si próprios e não na busca do coletivo.

Usos e Costumes não devem ser desculpas para adoção de interesses de pequenos grupos. Adaptações devem ser seguidas com relação a sua temporalidade, contudo, de tal modo que nunca fujam daquelas normas preconizadas às suas características básicas.

A adoção de Usos e Costumes, com a retórica baseada em uma simples análise de evoluções apenas ligadas ao calendário de que o mundo evoluiu, passa necessariamente pela análise de suas características iniciais de que a finalidade da evolução do homem em todos os seus aspectos é única e adaptações corriqueiras não devem ser manipuladas apenas visando o conforto dos que as propugnam, pois senão incorre-se no erro de que a evolução dos tempos os transforma em iguais na sua caracterização.

Entender que qualquer evolução pode ser benéfica, necessariamente não quer dizer que se deve adotá-las, pois, decisões de pequenos grupos podem trazer erros em sua concepção. O processo de implantação de regras e normas, necessariamente, têm características próprias e objetivos bem definidos quanto a sua diferenciação. Tentar a aproximação do unânime, quanto à evolução do tempo, e aos seus circundantes que navegam no acaso sem responsabilidades algumas, pode os tornar comuns e descaracterizar aquele grupo de pessoas que buscam, incessantemente, a evolução.

Notam-se em algumas Lojas pequenos grupos tentando adotar práticas que descaracterizam a Maçonaria na sua essência básica, com a simples desculpa que o mundo evoluiu. Nestes casos específicos, numa análise mais profunda, verificam-se adoções de práticas particulares com relação aos rituais que são feitos, sem a preocupação da preservação de uma tradição.

É necessário um entendimento e praticidade mais profunda do que significa Usos e Costumes, mesmo que, para isto, tenha-se que adotar certas regras impositivas de fiscalização que podem ser adotadas até mesmo dentro dos referidos grupos.

Autor: Jorge Antonio Mendes

Fonte: Ritos & Rituais

Screenshot_20200502-144642_2

Se você acha importante o trabalho que realizamos com O Ponto Dentro do Círculo, apoie nosso projeto e ajude a manter no ar esse que é um dos mais conceituados blogs maçônicos do Brasil. Você pode efetuar sua contribuição, de qualquer valor, através dos canais abaixo, escolhendo aquele que melhor lhe atender:

Efetuando seu cadastro no Apoia.se, através do link: https://apoia.se/opontodentrodocirculo

Transferência PIX – para efetuar a transação, utilize a chave: opontodentrodocirculo@gmail.com

Diferenças Filosóficas Maçônicas no Século XXI

Empreendedorismo em Tecnologia (TI): 4 caminhos possíveis - Loocalizei

Como editor de uma revista maçônica nacional, recebo muitas cartas ao editor e artigos submetidos para publicação. No meu caso, a maioria deles é sobre Maçonaria, Templários ou Cristianismo. Daqueles sobre a Maçonaria, vários são de Irmãos expressando opiniões sobre a grande controvérsia sobre onde nossa liderança deveria estar nos conduzindo neste momento de crise em nossa Fraternidade.

Enquanto leio e tento entender todo esse diálogo, perguntas vêm à mente. Existe uma crise em nossa fraternidade? Se sim, quais são nossas opções? O que exatamente aqueles oferecendo sugestões querem que façamos? Existe acordo ou até mesmo definição da crise? Como chegamos a esse ponto? Quantas opiniões diferentes existem? Qual lado devo tomar? Como posso ajudar?

Vamos explorar essa situação, tentar determinar quais são os fatos, usar alguma lógica e ver se podemos tentar resolver isso para que possamos tomar algumas decisões inteligentes e conscientes e tomar medidas que beneficiem a Fraternidade. Acima de tudo, vamos ver se podemos alcançar ou restabelecer a harmonia entre a Arte. Existe uma situação ganhar-ganhar a se ter sobre tudo isso?

Agora você provavelmente está perguntando: “qual crise, a qual conflito ele está se referindo? Vamos olhar para a nossa história e ver se podemos definir a crise.

Precedente histórico para desacordo generalizado

A controvérsia não é estranha à nossa fraternidade. Eu lhe pediria que olhasse para trás por um momento, para uma disputa que surgiu há mais de duzentos anos, não muito tempo depois que o sistema da Grande Loja foi estabelecido. Um grupo de maçons percebeu que essa nova entidade chamada Grande Loja havia começado a modificar a fraternidade de maneiras com as quais eles não concordavam. A nova Grande Loja em Londres, a partir de sua perspectiva, estava tentando consolidar as visões e práticas de muitas de suas recém-denominadas Lojas “subordinadas” em uma fraternidade consistente. O grupo que se opunha às ações da Grande Loja se desligou e formou sua própria Grande Loja chamando a si mesmos de “Antigos”, porque eles defendiam voltar ao que eles acreditavam ser os antigos modos de fazer a Maçonaria. Isso, é claro, resultou em a Grande Loja original ser chamada de “Modernos”, embora fosse mais antiga que a Grande Loja dos Antigos. Essa controvérsia se estendeu até os primeiros anos do século XIX, quando suas diferenças foram resolvidas, e mais uma vez se uniram para formar a Grande Loja Unida da Inglaterra. Evidências desta controvérsia são encontradas em toda a Maçonaria Americana, já que algumas de suas Lojas carregam o título de “Maçons Livres e Aceitos”, enquanto outras são conhecidas como “Antigos Maçons Livres e Aceitos” ou até mesmo “Maçons Antigos”. A maioria dos irmãos nos Estados Unidos nem sequer entende de que se tratava o rebuliço, e até há indícios de que algumas lojas tomam uma posição firme contra um lado ou outro, sem perceber que receberam cartas constitutivas do mesmo lado a que estavam se opondo.

 Perspectiva histórica

  • A Grande Loja de Londres 1717-1813: Modernos
  • A Grande Loja Antiga da Inglaterra 1751-1813: “A Grande Loja da Inglaterra de acordo com as Antigas Instituições”
  • A Grande Loja dos Antigos: Antigos
  • A Grande Loja Unida da Inglaterra 1813 – Até hoje

A crise proliferando o desacordo atual

O dicionário nos informa que uma crise é “um estágio em uma sequência de eventos em que a tendência de todos os eventos futuros, especialmente para o melhor ou para o pior, é determinada; ponto de inflexão.” A crise atual pode ser rastreada até um único gráfico e a interpretação de seu significado.

Os neomodernos

Em 1959, o número de maçons nos Estados Unidos chegou ao auge e começou a declinar. Na história conhecida da Maçonaria, pelo menos desde que se vem contando os Maçons, o número de membros em nossa Fraternidade subiu e desceu, mas isso foi, de longe, o maior número de membros que já tivemos. Quando eu falo de Maçonaria, eu incluo a Loja Azul da Maçonaria Simbólica e todas as outras organizações que predicam sua participação na Loja ou estão de algum modo associadas a ela. Eu geralmente me refiro apenas à Maçonaria dentro dos Estados Unidos. A fraternidade havia estabelecido uma infraestrutura interna elaborada e extensa. Cada um dos nossos corpos tinha funcionários em níveis estadual e nacional e muitos em nível local. Além disso, a maioria dos corpos estabeleceu filantrópicas estaduais ou nacionais que empregavam literalmente milhares de pessoas. Tínhamos hospitais, lares de órfãos, comunidades de aposentados, fundações e instituições educacionais. Além das folhas de pagamento, havíamos herdado ou construído um grande número de edifícios. Tínhamos edifícios de Lojas, edifícios de Grande Lojas, Templos de Rito Escocês, Templos de Rito de York, Templos de Shrine, orfanatos, hospitais, museus, bibliotecas e escolas, sem mencionar o espaço de escritório necessário para administrar toda essa infraestrutura. Tudo isso era apoiado financeiramente pelos nossos membros através de taxas, contribuições, esforços de angariação de fundos, e às vezes retornos de investimentos que alguns de nossos predecessores mais sábios haviam feito com essa finalidade.

À medida que o número de membros começou a declinar, nossa liderança enfrentou um problema que nenhum de seus antecessores em sua memória havia enfrentado. Reduzir os custos de infraestrutura ou sobrecarregar os membros. Você percebe que eu não disse, “aumentar o fardo sobre seus membros” porque conforme os números subiam durante os cinquenta anos anteriores, as demandas financeiras sobre cada membro diminuía em termos de poder de compra real a ponto que era uma pequena fração do que uma vez foi. A inflação e o índice de preços ao consumidor continuaram a subir a cada ano e o custo das taxas permaneceu o mesmo ou até mesmo diminuiu em alguns casos. Esta situação foi exacerbada pela natureza de nossas propriedades imobiliárias. Durante a primeira metade do século XX, a Fraternidade tinha construído edifícios elaborados e impressionantes em todo o país, e esses edifícios geralmente não tinham sido bem  mantidos. Eles estavam, em alguns casos, literalmente caindo aos pedaços ao nosso redor e tinham significado histórico não apenas para a Fraternidade, mas também para as comunidades em que estavam localizados.

À medida que a pressão financeira aumentava, os primeiros a tentar resolver o assunto foram compreensivelmente o Rito Escocês da Jurisdição do Sul, o Shrine e, em menor grau, a Grande Loja da Pensilvânia. Por que “compreensivelmente?” Porque eram organizações muito grandes, administradas centralmente e, no caso do Shrine e do Rito Escocês, possuíam vastas propriedades imobiliárias. As decisões difíceis atingiram essas organizações primeiro. Justamente acreditando que a fonte do problema estava nas Lojas Azuis, porque todos os seus membros eram derivados da Loja, o Rito Escocês e o Shrine decidiram tentar envolver a liderança das Grandes Lojas na formulação de uma solução para o “problema”. Eles levaram o problema e o colocaram aos pés da Conferência dos Grão-Mestres da América do Norte. Isso resultou na formação de um “Comitê de Renovação Maçônica”. Esse comitê, percebendo que precisava de mais dados para tomar uma boa decisão, contratou consultores para coletar os dados, analisá-los e fazer recomendações. Deste esforço várias recomendações foram oferecidas. Algum reconhecimento foi feito de que nossos membros deveriam ser melhor educados sobre a fraternidade. Atividades de membros mais populares deviam ser adotadas. Nossos membros existentes deviam encarar o fato de que precisam se posicionar e, como indivíduos, compartilhar uma quantidade maior da responsabilidade financeira, aumentando taxas ou conduzindo mais arrecadações de fundos, mas de longe e acima de tudo, a mensagem mais clara dos consultores e do comitê era que precisávamos aumentar o número de membros ou pelo menos diminuir a perda de “sangramento” de membros a cada ano.

Foi sugerido que a Maçonaria tinha ficado para trás no tempo e não respondia às necessidades da geração atual. Foi anunciado que a perspectiva moderna não estava interessada em ritual e não tinha tempo para passar noite após noite em reuniões de loja por causa das demandas de trabalho e família de nossa sociedade moderna. Foi até dito que parecíamos desencorajar os homens a se tornarem maçons por devido à nossa política de não-convite, nossas exigências de que os iniciados memorizassem e recitassem páginas de palestras e os longos três a cinco meses necessários para completar o processo de iniciação. Assim, as recomendações incluíram propostas para reduzir ou eliminar a necessidade de qualquer memorização, reduzir o tempo e o esforço necessários para se tornar um maçom e até ter aulas de um dia em que um homem pudesse dar o seu dinheiro, participar de uma reunião de meio dia ou de um dia inteiro, observar o que estava acontecendo e, no final do dia ir para casa como um cartão bona fide de Mestre Mason. Além disso, havia recomendações sobre a visibilidade da Fraternidade. Afinal, precisaríamos anunciar para atrair bons maçons em potencial. Daí vieram as recomendações de que nossos edifícios fossem abertos ao público mais do que nunca, que nossas instituições beneficentes e seus benefícios fossem divulgados mais do que nunca e que nossas atividades de arrecadação de fundos para instituições de caridade aumentassem e envolvessem mais participação pública. Para atrair o tipo certo de homens, seria necessário que os conscientizássemos das coisas boas que fazemos.

Neomodernos:

  • Comitê de Renovação Maçônica da Conferência dos Grandes Mestres da América do Norte;
  • Shrine;
  • Rito Escocês Antigo e Aceito;
  • Grande Loja da Flórida;
  • Grande Loja da Pensilvânia.

Agora considerando a definição da palavra “crise” como um momento de mudança significativa, todos em todos os lados desta questão pareciam concordar que havia uma crise. Muitas das Grandes Lojas aceitaram as recomendações do comitê e começaram imediatamente a implementar as sugestões. Outros se rebelaram.

Aqueles que estavam a bordo com as recomendações do comitê começaram a ministrar aulas de um dia, permitir convites a candidatos, relaxar os padrões de memorização e adotar campanhas publicitárias. Eles frequentemente diziam que a família de organizações maçônicas doou mais de dois milhões de dólares por dia para caridade. Open houses e noites “traga um amigo” começaram a surgir em quase toda parte. Essa foi a gênese do grupo que constitui uma das facções do debate sobre aonde devemos nos dirigir no século XXI. Vou chamá-los de “neomodernos” em memória daquela facção dos maçons chamada de “Modernos” na divisão do século XVIII e início do século XIX que ocorreu em nossa Fraternidade.

Havia outros que viam as coisas de maneira diferente. Eles expandiram o gráfico para incluir mais anos e obtiveram a seguinte imagem da situação.

Essa visão expandida levou a duas interpretações diferentes. Uma interpretação é que esse fenômeno de aumento e queda de membros é natural e que há pouco que se possa fazer a respeito, exceto esperar. Existe claramente uma relação entre grandes guerras e o número de membros maçons, mas essa relação não é bem compreendida para se controlar os resultados. Aqueles que assumem essa posição acreditam que não temos controle real sobre a situação e que certamente não queremos destruir a Maçonaria engajando em uma reação radical e instintiva. Eu chamo a esses de “Status-Quos” e falarei mais sobre eles depois.

Outra interpretação dos dados é que esses Status-Quos de alguma forma causaram o problema, e que ele precisa ser resolvido de uma maneira completamente diferente daquela sugerida pelos neomodernos. Essas pessoas estavam de acordo com os neomodernos de que algo precisava ser feito, porque acreditavam que, à medida que os números aumentavam, o caráter, o intelecto e o foco da afiliação diminuíam. Embora os números tenham aumentado, toda a natureza e a finalidade da organização desapareceram. Vamos olhar para essas pessoas a seguir.

Os neoantigos

Mais ou menos na mesma época em que os neomodernos começaram a evoluir, ou talvez um pouco antes, uma Loja na Austrália estava lidando com o mesmo, ou pelo menos um problema similar de declínio de membros e interesse, e em resposta ao seu problema, propuseram um tipo totalmente diferente de solução. Eles decidiram que a razão pela qual o número de membros estava declinando era que seus próprios membros, e portanto o público, realmente não entendiam o que a Maçonaria realmente era, que como resultado, a Loja tinha sido transformada em algo completamente diferente do que pretendia ser, e que os membros e possíveis membros eram apáticos sobre essa “nova” organização chamada Maçonaria, não sobre a Maçonaria em si. Eles notaram que a ênfase havia mudado de companheirismo, estudo filosófico e desenvolvimento espiritual para donuts azedos, roupas casuais e discussões superficiais sobre tópicos mundanos, tal como a maneira como o telhado deveria ser reparado. Eles insistiram que se a Fraternidade retornasse ao que eles acreditavam que uma vez fora, os homens, tanto membros quanto não-membros, seriam atraídos, e o problema se resolveria por si mesmo. Eles insistiram que os homens eram atraídos por coisas que eles consideravam valiosas e que os membros da Loja deveriam ser retratados como sendo de imenso valor a fim de atrair homens que se beneficiariam do crescimento intelectual e espiritual que a Fraternidade oferece. Colocando sua teoria em prática, criaram uma Loja com uma estrutura de taxas de dez a cem vezes maior do que as que estavam pagando. Eles exigiram que os membros se vestissem formalmente e com algum grau de uniformidade. Colocaram ênfase nas discussões intelectuais da filosofia e história maçônicas e reduziram o número de reuniões, eliminando assim muitas oportunidade de se desfazer do custo de seguro do edifício ou de como o teto deveria ser consertado.

Neoantigos:

  • A Fundação de Restauração Maçônica;
  • Lojas de Observância Tradicional;
  • Lojas de Conceito Europeu;
  • Loja Epicureana No. 906 (Victoria, Austrália);
  • Loja Amalthea No. 914 (Victoria, Austrália);
  • Loja Washington-Alexandria Nº 22.

Por todos os Estados Unidos, havia muitos maçons que não estavam realmente felizes com o que estava acontecendo em suas Lojas. Quando finalmente conseguiam se tornar membros da Fraternidade, ficavam desiludidos. Quando viram o que os maçons realmente faziam em suas reuniões, ficaram muito desapontados. Eles tinham esperado cerimônias majestosas e impressionantes; discussões profundas de assuntos que os desafiariam mentalmente; e a oportunidade de aprender sobre grandes mistérios aos quais, de outra forma, não teriam tido acesso. Muitos desses jovens maçons eram DeMolays Sêniores. Eles tinham grande respeito pela Fraternidade antes de apresentarem petições e pelos homens que conheciam como Maçons, mas faltava alguma coisa. Em vez disso, viam Mestres conferindo graus vestidos com chinelos, bermudas e uma camiseta com buracos, anunciando cerveja. Eles eram ridicularizados se usassem uma gravata para ir à Loja, apesar de terem visto seus avós colocarem uma gravata antes de cada reunião da Loja. Eles viram cerimônias que poderiam ou deveriam ter sido mais impressionantes, lidas em um livro por um membro da loja que lia mal e não entendia algumas das palavras, muito menos o significado dos rituais. Eles viam homens assumindo obrigações solenes de fazer todo tipo de coisas elevadas e, em seguida, prontamente se comportando como se não tivessem feito aquilo. Quando eles perguntavam “por quê?” Sobre partes das cerimônias ou dos rituais, eles eram instruídos a memorizar corretamente as palavras, que ninguém sabia por que eles diziam o que faziam. Eles viam homens discutindo incessantemente se deveriam gastar pequenas quantias de dinheiro para consertar um banheiro na Loja, que esses mesmos homens não hesitariam um segundo em a ter reparado em suas casas. Eles olharam para os edifícios decadentes, mal conservados e às vezes apenas sujos, e se perguntaram: “Em que eu me meti? Não há algum lugar melhor onde eu quero gastar meu tempo?

Muitos desses homens se afastaram da Fraternidade, perdidos e desiludidos. Alguns, no entanto, tiraram um tempo para aprender o ritual, ler a literatura, pensar sobre o que a Maçonaria deveria ser e decidiram que isso precisava retornar à instituição que eles percebiam que uma vez ter sido. Eles viram o que o pequeno grupo na Austrália tinha feito. Eles aprenderam que esta Loja Australiana agora tinha uma lista de espera de homens querendo se tornar membros, e eles perceberam que essa era a Maçonaria que eles haviam negociado e, por Zeus, eles a teriam. Fora disso, cresceu um movimento relativamente novo nos Estados Unidos, de estabelecimento de Lojas de “Observância Tradicional”, ou “Lojas de Conceito Europeu”.

Essas lojas geralmente têm uma estrutura de taxas mais elevadas, vestem-se mais formalmente, se reúnem com menos frequência, são mais exigentes com seus membros e discutem assuntos mais esotéricos e filosóficos. Algumas também enfatizam a excelência na experiência iniciática transmitida por um ritual bem feito e impressionante. Embora existam diferenças sutis nesses tipos de Lojas, elas se enquadram no guarda-chuva que alguns chamam de “Restauração Maçônica” e, de fato, tem havido uma organização estabelecida para promover esses ideais. Eu chamarei essas pessoas de “neoantigos” em homenagem aos “Antigos” que rivalizaram com os “Modernos” duzentos anos atrás. Lembre-se de que ambos os grupos estão tentando mudar o status quo em resposta ao que acreditam ser uma situação de crise. Naturalmente, muitos dos membros que não olham olho no olho com essas pessoas estão horrorizados, se rebelaram e tentaram suprimir esse movimento. Esses Neoantigos são frequentemente vistos como “elitistas”, especialmente pelos Status-Quos.

Percepções e Posições

Na realidade, tanto os Neomodernos quanto os Neoantigos estão reagindo contra as práticas do Status-Quos. Eles apenas discordam sobre como o status quo deveria ser radicalmente alterado.

Vejamos as percepções de cada um desses grupos e como isso influencia as posições que eles assumem. Eu começo com os Status-Quos. Existem realmente dois subgrupos sob os Status-Quos, os “ativos” e os “inativos”. Embora os inativos não sejam atores importantes no drama que está se desdobrando, eles terão alguma influência e não podem ser ignorados. O inativo é membro da Fraternidade há quinze a cinquenta anos, mas paga suas taxas todos os anos, embora raramente compareça às reuniões. Ele contribui para as instituições de caridade da Fraternidade quando solicitado e pode até aparecer e ajudar nas atividades de levantamento de fundos. Ele tem orgulho do que os maçons fazem pela caridade e se orgulha de fazer parte dela. Ele acredita que os maçons são bons homens e se orgulha de estar associado a eles. Ele não está interessado em fazer rituais ou dar palestras de ensino, mas tem grande respeito por aqueles que fazem essas coisas bem. Ele acha que seu filho deveria se tornar um maçom e fica intensamente orgulhoso se o fizer. Ele não está ciente de que há uma crise e não entende que existe discordância entre os neomodernos e os neoantigos. Ele está muito feliz com o nível de seu envolvimento e não vê razão para mudar nada. Porque ele está acostumado com a atual estrutura de taxas em vigor durante toda a sua carreira maçônica e porque ele não está recebendo nada mais tangível para suas contribuições além de um cartão de papelão de 2x 3 polegadas e talvez um pin de 50 anos, ele é um tanto resistente a qualquer aumento nas taxas anuais. Ele não tem um voto na sessão da Grande Loja e não compareceria se tivesse. Mais importante, ele compreende cerca de oitenta por cento dos nossos membros atuais.

O outro segmento dos Status-Quos consiste nos “ativos”. À medida que eu os descrevo, lembre-se de que eles são apenas os Status-Quos ativos. Quase todos os Neomodernos e Neoantigos são ativos.

Esses Status-Quos são as pessoas que mantiveram nossa fraternidade viva nos últimos cinquenta anos. Eles respeitam, acima de todos os outros, aqueles que podem fazer o ritual de maneira precisa e impressionante, embora menos de dez por cento deles realmente faça isso. Eles são institucionalmente orientados e geralmente não perguntam por que fazemos as coisas que fazemos. Eles se orgulham de ser membros de uma fraternidade que incluiu tantos presidentes, heróis e outras celebridades. Eles têm uma visão firme da origem e da história da ordem e, embora possam discordar uns dos outros sobre essas coisas, eles não os consideram suficientemente importantes para discutir. O importante é que as contas sejam pagas, o prédio permaneça habitável, as instituições de caridade sejam financiadas e a associação pare de declinar. Eles acreditam que os inativos são a chave para a sobrevivência financeira da Loja e temem muito que elevar as taxas produzirá um êxodo em massa de inativos, arruinará a Loja e significará o fim da Maçonaria. Eles acreditam que o ofício maçônico é primariamente uma recompensa pela assistência fiel e pelo trabalho árduo, e sentem que o principal dever da liderança é servir à irmandade exaltando as virtudes da Maçonaria, principalmente para os irmãos. Eles veem o atual declínio em números como temporário e parte da natureza cíclica da Fraternidade. Eles certamente não querem se envolver em nada que possa ser chamado de “oculto” e provavelmente não conhecem a palavra esotérico. Eles não acreditam que o relaxamento de qualquer tipo de padrão beneficiará a Fraternidade, mas sim que, pela introdução de materiais ruins, isso irá destruí-la, transformando-a em algo completamente diferente do que pretendia ser. Eles veem os Neoantigos como “elitistas” que acreditam que são melhores do que qualquer outra pessoa e temem que o estudo da filosofia leve a fraternidade pelo caminho da heresia e ignoram a proibição da discussão da religião na Loja. Eles  veem os neomodernos tentando descartar o ritual e diminuir os padrões de caráter requeridos para o ingresso. Eles veem um desastre iminente, mas acreditam que ainda é possível convencer os inativos a se tornarem ativos e que os Neos de ambas as variedades irão embora ou simplesmente desistirão e se demitirão. Eles continuam a aconselhar novos iniciados dos males dos neoantigos e dos neomodernos, mas com sucesso decrescente. Ao mesmo tempo, lembre-se de que, na maior parte, esses são os homens que estão realmente mantendo a Fraternidade junta neste momento.

Percepções e Posições
Status-Quos
Baixas taxas– Ênfase em inadimplências
O ritual é rei– Educação maçônica sem ênfase
Vestimenta casual– O problema desaparecerá
Neomodernos
Aulas de um dia– Exigir mais votos para rejeitar
Menores requisitos de memorização– Mais caridade pública
Recrutamento– Focado em dinheiro
Vestimenta casual– Estrutura de taxas marginalmente mais altas
Neoantigos
– Estrutura de taxas muito mais elevada– Excelente ritual
– Vestimenta formal– Ênfase em “experiência iniciática”
– Ênfase em filosofia– Educação maçônica

Então, onde se colocam os neomodernos e por quê? Essas pessoas são homens de negócios. Eles entendem o valor da linha de resultados e são homens de ação. Se algo está quebrado, você conserta. Eles acreditam que as duas coisas que estão quebradas sobre a Maçonaria é que nós não temos membros suficientes para apoiar nossas instituições de caridade e infraestrutura, muito menos influenciar a sociedade fora de nossa organização e que não temos dinheiro suficiente para pagar nossas contas. Eles acreditam que a abordagem ativa dos Status-Quos às finanças de simplesmente cortar o orçamento a cada ano está minando os propósitos da fraternidade e acabará fracassando. Eles acreditam firmemente que aumentos substanciais de taxas para compensar a perda de números expulsarão a galinha dos ovos de outro dos Status-Quos inativos e significarão o fim da Fraternidade. Seu principal objetivo é preservar a existência da Maçonaria a todo custo. A única opção que resta, portanto, é aumentar o número de membros de volta ao nível necessário para sustentar nossas instituições de caridade e infraestrutura. Provavelmente será necessário sacrificar alguns dos nossos edifícios elaborados e grandiosos ao longo do caminho. Eles são homens práticos. Então, como aumentamos os números? Os neomodernos acreditam que existem muitos homens bons por aí que fariam bons maçons, pelo menos bons o suficiente para serem aceitáveis. Se conseguirmos que esses homens ingressem, para pagar as contas e um número suficiente deles se tornar ativos em atividades de loja que sejam atraentes para ainda mais homens, poderemos perpetuar a Fraternidade indefinidamente.

Eles acreditam que a Fraternidade sempre evoluiu e deve evoluir à medida que a sociedade em que vivemos continua a mudar. Eles concordam com os Status-Quos de que devemos continuar a relaxar os requisitos de vestimenta para que os homens se sintam confortáveis quando vierem à Loja. Eles acreditam que devemos incluir mais atividades familiares, porque o jovem de hoje é muito mais interessado em gastar a quantidade limitada de tempo de lazer que ele tem com sua jovem família do que em se relacionar com outros homens. Devido aos estilos de vida cada vez mais urbanos e suburbanos, nosso possível membro não tem mais tempo para passar noite após noite na Loja e incontáveis horas aprendendo palestras. Ele será atraído para a ordem em parte por causa de seus bons trabalhos, por isso devemos continuar no nível atual e anunciar cada vez mais nosso envolvimento para que os melhores homens sejam atraídos. Ele não concorda com os Neoantigos e Status-Quos que os homens atraídos e iniciados desta forma seriam inúteis ou mesmo prejudiciais porque afinal de contas, eles estariam pagando taxas e apoiando as instituições de caridade, e alguns até se interessariam pelo ritual e por perpetuar a fraternidade.

Além disso, se ficarmos sem ritualistas, agora temos a capacidade moderna de gravar a coisa toda e mostrá-la a centenas de cada vez. Afinal, o homem moderno agora aprende com vídeos, não livros, e certamente não de um indivíduo sentado sozinho, de boca a orelha; isso é muito ineficiente, e os jovens não são mais treinados para aprender assim. Eles não têm mais esse tipo de paciência. O ritual inteiro não está publicado em algum lugar na internet, então qual é o dano em gravá-lo? Esta é a posição daqueles que eu chamo de Neomodernos, e embora algumas dessas pessoas tenham tentado essa abordagem e determinado por resultados medidos que não tiveram sucesso, essas pessoas parecem estar suplantando os Status-Quos em posições de liderança em vários de nossas Grandes Lojas e alguns dos corpos adjuntos, notavelmente o Shrine. O Shrine já relaxou seus padrões para eliminar a exigência de pertencer a um dos ritos. Esta posição do Shrine é completamente compreensível. A organização tem apenas dois propósitos declarados, apoiar as instituições de caridade e a irmandade. Além disso, eles estão entre os mais atingidos pelo declínio dos números de membros e o custo de seus hospitais está aumentando.

E onde essa nova galera, os Neoantigos, se colocam sobre tudo isso? Em primeiro lugar, embora apreciem os Status-Quo por preservar a Fraternidade durante todos esses anos, eles sentem que fomos longe demais nos Estados Unidos com essa coisa “no nível”, estendendo-a aos profanos. Os bons maçons permitem que um “homem marginalmente bom” se torne um membro na expectativa confiante de que a exposição à Fraternidade polirá suas arestas. Este homem traz alguém que é marginalmente “menos bom” do que ele, com a esperança de que a Maçonaria o “torne melhor”. Eventualmente você tem uma situação em que estamos tendo julgamentos maçônicos para tentar nos livrar daqueles que estão prejudicando a reputação da Fraternidade e destruindo sua harmonia, homens que obviamente não têm o caráter para cumprir suas obrigações ou talvez o entendimento de saber o que eles são. Pior ainda, não estamos tendo esses julgamentos, mas sim tolerando esse tipo de comportamento. Nossos iniciados entram na Loja e ficam apropriadamente impressionados com nossas obrigações solenes, apenas para descobrir que, apesar de todos esses elevados e sonoros princípios, muitos de nossos membros estão se comportando abertamente como se nunca os tivessem ouvido. Somos, então, classificados como hipócritas pelo iniciado de qualidade e descartados como os remanescentes de algo que já foi, com certeza, uma grande instituição. Você vê, o jovem que peticiona em nossas Lojas hoje é bem diferente do que ele era dez anos atrás. Ele viu todos os filmes e pesquisou na internet procurando e encontrando informações sobre a fraternidade. Ele pode até ter lido alguns dos livros. Embora as informações que ele adquiriu possam ser verdadeiras ou falsas, ele tem uma opinião favorável sobre a fraternidade, porque solicitou afiliação mesmo que não conheça realmente um maçom. Ele tem grandes expectativas de ser recebido em uma instituição com uma história antiga e muitos mistérios a revelar que irão melhorar sua reputação e satisfazer sua curiosidade intelectual. Ele não espera que esse esforço seja fácil ou barato. Nada fácil e barato poderia ser tão valioso. Ele espera ter que estudar e trabalhar pelo que recebe, e espera que valha a pena. Ele espera que seus novos irmãos sejam como ele, apenas melhor informados. Ele quer fazer parte de uma irmandade mística que veio de eras passadas e que está engajada em grandes e importantes empreendimentos, importantes não apenas para ele, mas para a civilização como um todo.

Ele certamente não está esperando algum tipo de clube cívico superficial em que os homens finjam ser profundos e sábios e ainda assim não se comportem melhor do que qualquer outra pessoa que ele conheça. Os neoantigos querem encontrar e iniciar este homem. Eles acreditam que o respeito pela instituição exige que um irmão que esteja participando de uma reunião maçônica se vista com as melhores roupas que possua, se possível. Por outro lado, se as circunstâncias realmente ditarem que se trata de uma camisa branca e um macacão, ele é bem-vindo entre eles. Esses Irmãos acreditam na excelência no ritual, assim como os Status-Quos, mas eles insistem na parte de excelência e acreditam que o sujeito que a entrega deve saber o que significa e dize-lo quando disser. A ignorância do simbolismo, da história e da filosofia é tolerada, mas a apatia em relação a eles não é. Eles simplesmente preferem não gastar seu tempo comparecendo à Loja com aqueles que não estão interessados ​​nesses assuntos. A irmandade é importante para esses neoantigos, mas frequentemente em um ambiente mais formal e envolvendo uma maior qualidade de alimentos e arredores. Eles estão dispostos a pagar por essas coisas.

Ao contrário da opinião dos Status-Quos, eles não acreditam que sejam melhores que os outros irmãos, mas eles acreditam que deveriam poder formar Lojas para que possam se associar primariamente a irmãos de interesses similares. Esses neoantigos têm padrões de conduta muito altos para a consideração de futuros maçons. Eles acreditam que só porque um homem parece ser de bom caráter, ele necessariamente não tem “direito” a ser membro de sua Loja, e que se ele não se encaixa bem em suas opiniões e interesses, como um membro, ele pode atrapalhar harmonia da Loja. O número de membros nestas Lojas é normalmente limitado, porque os membros desejam cultivar um relacionamento muito próximo com todos os outros membros da Loja. Eles acreditam que isso seria difícil de fazer com um grande número de membros. Por outro lado, esses Irmãos acreditam que, se você não estiver suficientemente interessado em participar de todas as reuniões da Loja, pode ter sido motivado a ingressar por motivos com os quais eles não concordam. Não deve haver maçons inativos.

Embora eles concordem com os neomodernos que a mudança é necessária, eles diferem deles de várias maneiras significativas. Eles acreditam que a experiência iniciática, incluindo o ritual, é extremamente importante. Eles acreditam que os homens são atraídos por instituições como a nossa, não pelo baixo custo ou pela facilidade de se tornarem membros, mas que exatamente o oposto é verdadeiro. Quanto mais difícil é obter algo, mais valioso parece. Eles também acreditam que a instituição deve cumprir suas promessas, fornecendo associações de qualidade e informações intelectualmente estimulantes, para não mencionar boa comida. Esses irmãos estão dispostos a pagar por essa experiência, muitas vezes várias vezes o que pagam por taxas em outra Loja Status-Quo. A abordagem dos neomodernos parece para aos neoantigos estar pervertendo o que eles percebem como a missão da fraternidade e transformando-a em algo completamente diferente do que originalmente era, apenas para preservar o nome “Maçonaria”.

Este artigo não pretende tentar persuadi-lo a assumir um lado ou outro sobre o debate em curso, embora, seja claro que eu já decidi a minha posição. Ele pretende conscientizá-lo de que existe um diálogo contínuo em escala nacional e que muitas Grandes Lojas já estão realizando ações como resultado da influência de um lado ou de outro. Para saber mais sobre essa controvérsia, recomendo os seguintes sites. Eles descrevem com algum detalhe o que é proposto pelos neomodernos e também pelos neoantigos. Lembre-se de que esses termos são meus e não podem ser encontrados em nenhum lugar da web.

Autor: Sir Knight John L. Palmer
Traduzido por: José Filardo

Fonte: Bibliot3ca Fernando Pessoa

Screenshot_20200502-144642_2

Se você acha importante o trabalho que realizamos com O Ponto Dentro do Círculo, apoie nosso projeto e ajude a manter no ar esse que é um dos mais conceituados blogs maçônicos do Brasil. Você pode efetuar sua contribuição, de qualquer valor, através dos canais abaixo, escolhendo aquele que melhor lhe atender:

Efetuando seu cadastro no Apoia.se, através do link: https://apoia.se/opontodentrodocirculo

Transferência PIX – para efetuar a transação, utilize a chave: opontodentrodocirculo@gmail.com

Recursos para mais informações

Restauração Maçônica – (Neoantigos)

http://www.masonicrestoration.com/

http://traditionalobservance.com/

http://www.freemasons-freemasonry.com/masonic_education.html

Observando o ofício por Andrew Hammer

Renovação Maçônica – (Neomodernos)

http://www.masonicrenewal.org/

http://www.pagrandlodge.org/gmaster/renaissance.html

A Maçonaria e o abismo geracional: uma proposta de discussão

O abismo entre o dizer e o amar. - Psicóloga Danielle Vieira

Um espectro ronda a Maçonaria. O espectro do abismo geracional.

Mas o que é o abismo geracional? Grosso modo, seria a distância nas diferenças de opinião entre uma geração e outra no que tange às crenças, à atitude política e valores[1]. Na Maçonaria ela é perceptível – apesar da ausência de trabalhos, no Brasil, que aprofundem esta questão – nas diferenças de visão entre os maçons mais jovens e os maçons mais velhos.

Crises decorrentes de diferenças de visão de mundo não são exatamente de uma novidade. A maçonaria especulativa moderna, em seus mais de trezentos anos, já passou por outros conflitos ideológicos fortes, como, por exemplo, o conflito entre os Moderns e os Antients na maçonaria inglesa na segunda metade do século XVIII, entre os racionalistas e os místicos também no século XVIII, entre teístas e ateus no século XIX, entre revolucionários e conservadores em vários períodos históricos.

Haveria, então, uma diferença entre aquelas crises e a atual?

Os primeiros a chamar a atenção para essa questão (para variar) foram nossos irmãos do Norte. A Maçonaria norte americana se viu entre dois extremos do fim da Segunda Guerra Mundial à virada do Milênio. A greatest generation, que cresceu sob a depressão econômica e venceu os nazistas afluiu em massa para espaços de sociabilidade como a Maçonaria. Os seus filhos – os Baby Boomers – entretanto, não demonstraram nenhum interesse para tal, preferindo a via da contestação do que viam como “velhos valores”

Jay Kinney, em sua obra “O Mito Maçônico” (Record, 2010), destaca o que considera os obstáculos mais óbvios:

  • O declínio das famílias nucleares;
  • O desaparecimento gradual das esferas sociais separadas para homens e mulheres;
  • O aumento na exigência de horas de trabalho;
  • A perda da influência da religião organizada;
  • A informalização da sociedade;
  • A balcanização dos grupos de idade (pp. 327-328)

Colocando em bom português: hoje as pessoas têm menos tempo livre, menos referências intrafamiliares ou sociais e menos disposição para atividades formais, preferindo ficar em casa assistindo TV ou jogando Pokemon Go.

O desafio que existe nos EUA é, também, perceptível aqui.

A última década assistiu a um aumento considerável – falo sem conhecimento de estatísticas, partindo apenas da minha vivência – do ingresso de jovens na Maçonaria. Esta geração, nascida no fim dos anos 70 e no início dos anos 80 (Geração X) parece ser em boa medida formada por jovens que viveram na Ordem DeMolay nos anos 90 e 2000. Só que essa geração é uma de transição. Conviveu com as tecnologias analógicas e digitais. Com a Enciclopédia Barsa e com a Wikipedia. O desafio, agora, consiste em preparar a Maçonaria para a chegada de uma nova geração, aquela nascida nos anos 90 e 2000 (geração Y), já sob o signo da sociedade da informação.

Vejam como reside o problema. A Maçonaria pode ser percebida como um sistema de moralidade, velado por símbolos e ilustrado por alegorias. Porém, o debate que esta geração propõe ocorre em outros termos. Enquanto as lições da Maçonaria giram em torno de Virtudes Teologais (Fé, Esperança, Caridade) e Virtudes Cardeais (Temperança, Fortitude, Prudência e Justiça), da boca da geração Y saem palavras que denotam outra linguagem moral: homofobia, machismo, gordofobia, preconceito, consciência social, politicamente correto [e incorreto].

Enquanto aquelas estão cada vez mais escamoteadas do debate público (a não ser quando ligadas às novas), essas ocupam espaço, adquirem significado (ainda que camaleônico), possuem valor e força compulsória.

Quando este dois sistemas de linguagem se encontram, instaura-se um legítimo diálogo de surdos e o conflito é inevitável. Os primeiros campos de batalha serão, provavelmente, as Ordens Paramaçônicas Juvenis (Ordem DeMolay e Ordem das Filhas de Jó), justamente as fontes de renovação da vida maçônica da última década.

E este campo de batalha, o do debate público, é precisamente aquele para o qual a Maçonaria deixou de se preparar.

E o saldo pode ser bastante negativo, já que a Geração Y vem adquirindo uma expertise cada vez maior no linchamento virtual coletivo[2].

“Ora, mas quem se importa se esses meninos mimados xingam muito no Twitter?”. Bem, nós deveríamos, se pretendemos que a Maçonaria sobreviva a nós (senão podemos começar a encomendar um novo lema: “Après nous le déluge”).

É preciso romper, antes, com dois preconceitos.

O primeiro é o preconceito contra a juventude, de achar que a nova geração é sempre um lixo em comparação com um passado idealizado. Desde os tempos de Sócrates[3], a geração mais antiga é pessimista com a geração mais nova.

O segundo é o preconceito contra a velhice, de achar que a juventude é “a época da rebeldia, da independência e do amor à liberdade”, e que, portanto, devemos confiar o futuro ao discernimento dos jovens como observou, mordazmente, o filósofo Olavo de Carvalho[4].

É bem verdade o que escreveu o filósofo José Ortega Y Gasset:

“O fato da rebelião [das massas] apresenta um aspecto ótimo; já o dissemos: a rebelião das massas é a mesma coisa que o crescimento fabuloso que a vida humana experimentou no nosso tempo. Mas o reverso do mesmo fenômeno é tremendo: vista deste ângulo, a rebelião das massas é a mesma coisa que a desmoralização radical da humanidade”[5]

Não é, portanto, uma tarefa fácil. É o trabalho de construir pontes entre as gerações. Só que as pontes são sempre vias de mão dupla, de forma que, se as coisas boas passam de um lado para o outro, o lixo também pode passar, em ambos os sentidos.

As Ordens Paramaçônicas serão vitais nesta nova realidade. Nelas os Maçons poderão aprender a linguagem dos jovens, para poder melhor transmitir o seu legado para a construção de um futuro e a defesa dos valores perenes sustentados na Ordem.

Isso não acontecerá, todavia, enquanto os maçons permanecerem imersos num mundo paralelo, desconectado do mundo real e recheado de mistificações autocongratulatórias com o seu passado, ressentimento com o presente e pessimismo com o futuro.

P.S.: Sugerimos a leitura dos artigos “The Millennial Generation and Freemasonry” (aqui a Parte 1 e a Parte 2) e “Millennial masonry: How those in their twenties and thirties are changing the Craft

Autor: Edgard da Costa Freitas Neto

Fonte: York Blog

Screenshot_20200502-144642_2

Se você acha importante o trabalho que realizamos com O Ponto Dentro do Círculo, apoie nosso projeto e ajude a manter no ar esse que é um dos mais conceituados blogs maçônicos do Brasil. Você pode efetuar sua contribuição, de qualquer valor, através dos canais abaixo, escolhendo aquele que melhor lhe atender:

Efetuando seu cadastro no Apoia.se, através do link: https://apoia.se/opontodentrodocirculo

Transferência PIX – para efetuar a transação, utilize a chave: opontodentrodocirculo@gmail.com

Notas

[1] – https://en.wikipedia.org/wiki/Generation_gap

[2] – Cf. JONSON, Ron. Humilhado. Como a era da Internet mudou o julgamento público. São Paulo: Bestseller, 2015

[3] – http://blogs.oglobo.globo.com/luciana-froes/post/conflito-de-geracoes-496043.html

[4] – http://www.olavodecarvalho.org/textos/juvenil.htm

[5] – ORTEGA y GASSET, José. A Rebelião das Massas. Rio de Janeiro: Bibliex, 2006, p. 147

Episódio 56 – O filtro da Loja

(music: Slow Burn by Kevin MacLeod; link: https://incompetech.filmmusic.io/song/4372-slow-burn; license: https://filmmusic.io/standard-license)

O Venerável Mestre não é apenas um condutor de reuniões (se bem que de cada reunião deva nascer o encaminhamento para a solução dos problemas propostos. Se uma reunião for estéril e o seu resultado ineficaz, estarão comprometidas e desacreditadas as reuniões seguintes). Sem sombra de dúvidas, podemos afirmar que o Veneralato é uma…

Screenshot_20200502-144642_2

Se você acha importante o trabalho que realizamos com O Ponto Dentro do Círculo, apoie nosso projeto e ajude a manter no ar esse que é um dos mais conceituados blogs maçônicos do Brasil. Você pode efetuar sua contribuição, de qualquer valor, através dos canais abaixo, escolhendo aquele que melhor lhe atender:

Efetuando seu cadastro no Apoia.se, através do link: https://apoia.se/opontodentrodocirculo

Transferência PIX – para efetuar a transação, utilize a chave: opontodentrodocirculo@gmail.com

Interstício

ARTE REAL - TRABALHOS MAÇÔNICOS: INTERSTÍCIO

Interstício quer dizer solução de continuidade, o intervalo entre duas superfícies da mesma ou diferente natureza.

A Maçonaria utiliza a expressão em termos de tempo. Interstício é o intervalo de tempo que deve decorrer entre dois fatos. Designadamente, interstício é o intervalo de tempo que deve decorrer entre a Iniciação do Aprendiz e a sua Passagem a Companheiro e também o tempo que se impõe entre essa Passagem e a Elevação do Companheiro a Mestre.

O interstício é uma regra que admite exceção: o Grão-Mestre pode dele dispensar um obreiro e passá-lo ou elevá-lo de grau sem o decurso do tempo regulamentar ou tradicionalmente observado. No limite, a Iniciação, Passagem e Elevação podem ocorrer no mesmo dia. Mas a dispensa de interstícios é rara – deve ser verdadeiramente excepcional – e só por razões muito fortes deve ocorrer.

Assim sucede genericamente na Maçonaria Europeia. Já a Maçonaria norte-americana é muito menos exigente neste aspecto, sendo corrente a prática de conferir os três graus da Maçonaria Azul num único dia. Esta é aliás, uma consequência e também uma causa das diferenças entre as práticas e as tradições maçônicas em ambas as latitudes. Mas impõe-se observar que algumas franjas da Maçonaria norte-americana, designadamente nas Lojas que se consideram de Observância Tradicional, se aproximam, neste como noutros aspectos, da prática europeia.

A razão de ser do interstício é intuitiva: há que dar tempo para o obreiro evoluir, para obter e trabalhar os ensinamentos, as noções, transmitidas no grau a que acede, antes de passar ao grau imediato. Em Maçonaria busca-se o aperfeiçoamento e este não é, nem instantâneo (instantâneo é o pudim…), nem automático. Depende de um propósito, de um esforço, de uma prática consciente e perseverante. É um processo. E, como processo que é, tem fases, tem uma evolução que se sucede ao longo de uma lógica e de um tempo. Por isso, em Maçonaria não se tem pressa. O tempo de maturação, o tempo de amadurecimento, a própria expectativa, são essenciais para um harmonioso desenvolvimento individual.

Os graus e qualidades maçônicos não constituem nada, apenas ilustram, representam, emulam a realidade do Ser e do Dever Ser. Não se tem mais qualidades por se ser maçom (embora se deva ter qualidades para o ser…). Há muito profano com mais valor e maior desenvolvimento espiritual e pessoal do que muitos maçons, ainda que de altos graus e qualidades. Para esses os maçons até criaram uma expressão: maçom sem avental. Mas procura-se ilustrar com a qualidade de maçom a tendência para a excelência, a busca do aperfeiçoamento. O Mestre maçom não é, por decreto ou natureza, necessariamente melhor ou mais perfeito do que o Companheiro ou o Aprendiz. Mas, com os graus, a maçonaria ilustra um Caminho, um Processo, para a melhoria de cada um. Há por aí muito Aprendiz que é mais Mestre de si próprio que muito Mestre de avental com borlas ou dourados. Mas o mero fato de ter de fazer a normal evolução de Aprendiz para Companheiro e de Companheiro para Mestre potencia o que já é bom, faz do bom melhor, do melhor, ótimo e do ótimo excelente.

Assim, em Maçonaria consideramos profícuo e valioso que o profano que pediu para ser maçom aguarde, espere, anseie, pela sua Iniciação. E que o Aprendiz tenha de o ser durante o tempo estipulado e tenha de demonstrar expressamente estar pronto para passar ao grau seguinte, por muito evidente que essa preparação seja aos olhos de todos; e o mesmo para o Companheiro passar a Mestre; e idem para o Mestre começar a ver serem-lhe confiados ofícios; e também para o Oficial progredir na tácita hierarquia de ofícios e um dia chegar a Venerável Mestre.

Tempo. Paciência. Evolução. De tudo isto é tributário o conceito de interstício, tal como é aplicado em Maçonaria.

O interstício pode ser diretamente fixado, regulamentar ou tradicionalmente, ou resultar indiretamente de outras estipulações. Por exemplo, na Loja Mestre Affonso Domingues consideramos que não é o mero decurso do tempo que habilita um obreiro a aceder ao grau seguinte. Mas reconhecemos que o decurso de um tempo razoável é necessário. Estipulamos, assim, no nosso Regulamento Interno, que o interstício para que um obreiro possa aceder ao grau seguinte seja constituído pela presença a um determinado número de sessões. Com isso, estipulamos que uma certa assiduidade é condição de acesso ao grau seguinte e, como a Loja reúne duas vezes por mês, onze meses por ano, indiretamente fixamos um período de tempo mínimo de permanência no grau. Os nossos Aprendizes, quando passam a Companheiros, merecem-no! E os nossos Companheiros, quando são elevados a Mestres estão em perfeitas condições de garantir a fluente prossecução dos objetivos da Loja, incluindo a formação dos Aprendizes e Companheiros. Nós não temos pressa…

Autor: Rui Bandeira

Fonte: Blog A Partir Pedra

Apoie o blog O Ponto Dentro do Círculo! 

Contribuindo com R$ 3,00 você ajuda a manter nossa página e o podcast no ar. Utilize o QR Code abaixo para efetuar a transferência pelo PIX.

image.png

Se preferir, utilize a chave: opontodentrodocirculo@gmail.com

Resposta a um maçom desiludido…

Caro Irmão,

É triste perceber que você não entendeu do que se trata Maçonaria, mesmo tendo percorrido todo o caminho. Mas, posso entender que você alimentou expectativas irreais, resultantes da difusão desordenada de conceitos conflitantes e fantasistas do que seja a Ordem Maçônica.

Volte no tempo e estude (aqui mesmo no blog você encontrará tudo o que precisa) a história da Maçonaria com um olhar objetivo. Ela foi inventada por homens inteligentes com objetivos muito práticos. A simbologia que realmente tem sentido é básica e muito simples.

O que aconteceu depois de sua invenção em 1717, foi um festival de inclusões de conteúdos e objetivos que nada tinham a ver com o seu projeto inicial. E ela foi assim se transformando em um cipoal de opiniões travestidas em conceitos que somente contribuíram para a confusão e para o desencanto daqueles que procuram na Maçonaria algo que ela não se propõe a oferecer.

Maçons que também não entenderam do que se trata sempre dizem “você precisa fazer os graus filosóficos, onde se encontra a verdadeira maçonaria” .

Bullshit!

A verdadeira maçonaria se encontra na LOJA SIMBÓLICA. Em nenhum outro lugar. No simbolismo, nos três primeiro graus. Quem não entender o que é maçonaria até chegar ao grau de Mestre, nunca vai entender e vai ficar dando cabeçada até entender, ou até se desencantar, como parece ser o caso do irmão.

Maçonaria é apenas e tão somente o cultivo da fraternidade. O famoso MICTMR. É encontrar em uma cidade distante, alguém que te trata como irmão sem nunca ter te visto. É encontrar apoio para empreitadas sociais. É estar presente em sua comunidade para “dar aquela mãozinha” na Associação de Pais e Mestres,  na Associação de Vizinhos., nas obras sociais da paróquia ou da comunidade religiosa a que pertence. É socorrer um vizinho em dificuldade. É ir aos aniversários de irmãos da loja ou de seus familiares. É estar presente quando um irmão a ele recorre. É contribuir para organizações que trabalham pelos menos favorecidos,  Médicos sem Fronteiras ou uma ONG mais local.  É participar da política, candidatando-se a síndico do seu edifício, vereador em sua cidade, presidente do seu país!

A Loja “oferece” um ambiente onde o maçom que já entendeu o conceito acima possa dedicar-se a estudos que não têm lugar na sociedade atual. Ali, ele encontrará outros irmãos que se interessam por arcanos, hierofantes, atanores, obra em negro, e tantos assuntos fascinantes, mas também encontrará irmãos com menos apetite por tais assuntos, mas que são pessoas generosas, divertidas, afáveis.  Por outro lado, a estrutura  da comunidade maçônica também oferece uma outra organização de lojas de estudo de conteúdo moral, esotérico, hermético chamados “Altos Graus”, ou Graus Filosóficos. Se  o maçom quiser, pode frequentar essas lojas, mas não é obrigado. Os graus filosóficos acima dos três primeiros graus  têm a ver com maçonaria somente na medida que permitem o exercício da fraternidade, mas são graus de cavalaria.  Os graus de Maçonaria estão relacionados com a profissão de pedreiro, de construtor.

Se ele não quiser frequentar os altos graus, basta seguir sua emoção e desenvolver o conceito de fraternidade, estendendo-o a todas as pessoas que conhece. Será então o melhor maçom do mundo.

Mas, precisa ter cuidado com as informações equivocadas que recebe no meio. A Maçonaria que conhecemos e à qual pertencemos existe somente após 1717, com a fundação da Grande Loja de Londres. Ela não é a continuação da Maçonaria Operativa. Ela só aproveitou muita coisa dela.

Os maçons operativos eram pedreiros, quase sempre analfabetos, que não detinham nenhum “conhecimento esotérico da Grande Obra”. Só queriam preservar os conhecimentos de construção para garantir seu trabalho. Por isso o segredo. Mas eram homens simples, alegres e despreocupados que gostavam muito de beber cerveja nas tabernas onde se reuniam, de dar risadas, brincar.

Todo esse conteúdo esotérico, iniciático foi introduzido no século XIX por maçons que vinham da Rosacruz (essa sim, uma ordem iniciática, esotérica, etc. etc.) e outras ordens que cultivavam o hermetismo.

Nós, os maçons somos homens simples que buscam a fraternidade e o aperfeiçoamento de si e da sociedade através do exemplo ou através da influência que possamos exercer sobre ela.  Pense bem, passe uma borracha no seu passado e recomece do zero.

Seja um maçom feliz como eram os maçons operativos!

Fraternalmente,

José Filardo.

Fonte: Biblioteca Fernando Pessoa

Screenshot_20200502-144642_2

Se você acha importante o trabalho que realizamos com O Ponto Dentro do Círculo, apoie nosso projeto e ajude a manter no ar esse que é um dos mais conceituados blogs maçônicos do Brasil. Você pode efetuar sua contribuição, de qualquer valor, através dos canais abaixo, escolhendo aquele que melhor lhe atender:

Efetuando seu cadastro no Apoia.se, através do link: https://apoia.se/opontodentrodocirculo

Transferência PIX – para efetuar a transação, utilize a chave: opontodentrodocirculo@gmail.com

Definindo esoterismo de uma perspectiva maçônica

Onde comprar Akasha Esoterismo mais perto com entrega expressa! | munddi.com

Não é aquele que tem como única qualificação ter decorado o ritual de forma perfeita como um papagaio, mas sim aquele que, na medida em que o tempo, os meios e o talento permitirem, dedica o estudo ao esoterismo mais profundo da fraternidade.

Joseph E. Morcombe, Presidente, Biblioteca Maçônica da Grande Loja de Iowa, 1901 [1]

Esoterismo: a menção da palavra enche a mente de alguns com noções de verdades antigas e belas, e os inspira com curiosidade sobre o significado interno da Ordem. Para outros, o termo traz à mente palestras desagradáveis ​​e cansativas inundadas de interpretações insípidas, improváveis ​​e artificiais da Maçonaria. E para a maioria, é uma palavra que é simplesmente “quase” familiar, tendo algo a ver vagamente com misticismo e segredos maçônicos.

Embora a definição da palavra “esotérico” não esteja clara, parece que o interesse geral pelo esoterismo está crescendo. Irmãos que têm a sorte de pertencer a lojas em crescimento provavelmente falaram com candidatos recentes que prontamente expressaram interesse nas explicações esotéricas e filosóficas da Maçonaria. De repente, um elemento da vida maçônica que havia sido relegado à margem está retornando.

Claro, isso deixa os líderes maçônicos – pelo menos, aqueles que não desejam ignorar esse importante reavivamento de interesse – com o desafio de obter algum entendimento sobre, tanto para se relacionar de forma significativa com as motivações desses membros mais novos, como também quanto a incluir esses interesses na educação da Loja e nos esforços de formação maçônica, conforme apropriado. O objetivo aqui é dar uma definição ao termo, particularmente no que se refere à Maçonaria.

O que é esoterismo maçônico?

A palavra “esotérico” por si só significa simplesmente algo que é entendido apenas por um grupo interno selecionado ou escolhido. Coisas como conserto automotivo ou legislação tributária podem ser chamadas de esotéricas. Os Maçons usaram a palavra em um sentido diferente e mais tradicional. Acontece que o esoterismo não é nada novo. A própria palavra vem da palavra grega esôterikos, “coisa interior”, e é encontrada em muitos escritos antigos para se referir aos ensinamentos internos de um grupo filosófico ou espiritual.

Os maçons têm historicamente usado o termo de três maneiras, consistindo em:

  • Qualquer um dos elementos do ritual maçônico ou palestras que são considerados secretos (ou seja, assuntos reservados para os confins de uma loja fechada, ou material que não é “monitorial” (não está contido em um Monitor ou Ritual), como os maçons americanos podem dizer);
  • Qualquer um dos significados que parecem estar implícitos, mais por desígnio do que por acidente, dentro do simbolismo maçônico, ritual e trabalhos;
  • Qualquer um dos assuntos geralmente incluídos sob a rubrica de “Esoterismo Ocidental”, incluindo cabala, alquimia, hermetismo e outras atividades místicas que ganharam popularidade durante o período da Renascença.

Considerar cada um deles com um pouco mais de detalhe nos permitirá lançar uma luz valiosa sobre o tópico e nos dará alguma ideia sobre como explorar de forma responsável os assuntos esotéricos no futuro.

Questão Um: A Função Exclusiva Social
(O Esotérico como algo Privado)

. . . aquele hieróglifo brilhante, que ninguém, a não ser artesãos, jamais viram.

Burns [2]

No primeiro sentido, a palavra esotérico é usada de uma forma um tanto restrita para se referir aos elementos da obra maçônica que não são exibidos fora de uma loja fechada. Nesta definição, “esotérico” é uma condição, denotando circunstâncias privadas. É a localização pretendida de algo, ao invés de seu conteúdo, que o torna esotérico sob essa perspectiva. Obviamente, a implicação é clara de que as coisas reservadas à comunicação privada são consideradas dessa forma por causa de sua importância.

Por exemplo, um dos primeiros usos do termo esôterikos em referência à tradição espiritual está no ensaio Sobre a Vida Pitagórica de Jâmblico (On the Pythagorean Life de Jamblichus) (250-325 DC), onde é dito que os alunos da escola pitagórica primeiro tiveram que ouvir a seu Mestre por trás de um véu. Aqueles que passaram pelo período probatório foram chamados de esôterikoi e tiveram permissão para sentar-se dentro do véu e ver Pitágoras conforme ele os ensinava[3]. William Preston, o autor predominante das palestras usadas na Maçonaria americana, refere-se a esta parte do texto de Jâmblico diretamente quando ele observou em 1801 que o antigo Mestre “os dividiu em classes esotéricas e exotéricas: à primeira ele confiou as doutrinas mais sublimes e secretas, à última as mais simples e populares”[4]. Este é um dos primeiros usos maçônicos do termo esotérico, e informou como os escritores maçônicos posteriores iriam conceber a noção. Claro, é também um dos primeiros exemplos da palavra “exotérico”, que significa “aqueles de fora”.

Este significado simples de “esotérico” como relacionado à informação privilegiada para membros se tornou amplamente adotado por toda a fraternidade: é neste sentido fundamental de exclusão social que o termo é comumente usado em regulamentos de Grandes Lojas hoje.

Questão Dois: Textual-Interpretativo
(O ensino esotérico como implícito)

Aquele que corre não se importaria em dar atenção cuidadosa ao desenvolvimento da ideia; e quem para e pensa, faz melhor o esforço pessoal e, assim, obtêm todo o bem para passá-lo a outra pessoa, rejeitando a sugestão.

T. M. Stewart [5]

Um conceito mais complexo do esotérico está intimamente entrelaçado com a primeira questão e se estende naturalmente a partir dela. Aqui, o foco está em significados ocultos que podem estar disponíveis dentro da tradição.

Assim, o arranjo físico das classes exotéricas e esotéricas torna-se um símbolo da realidade da situação, que não tem nada a ver com a proximidade física (ou seja, “Estamos dentro ou fora do véu?”), mas sobre o insight e a compreensão (ou seja, “Nós ‘entendemos’ ou não?”). Ela pode ser descrita como uma questão interpretativo textual.

Por ter sido adotado nos próprios trabalhos de graduação, o ensino mais duradouro da Arte imbuída de significado textual esotérico que deve ser interpretado para ser compreendido é esta seção da primeira edição de William Preston das Ilustrações da Maçonaria, publicada em 1772:

O lapso de tempo, a mão impiedosa da ignorância e as devastações da guerra devastaram e destruíram muitos monumentos valiosos da antiguidade. Mesmo o templo do Rei Salomão, tão espaçoso e magnífico, e construído por tantos artistas famosos, ainda estava em ruínas e não escapou da devastação implacável da força bárbara. A Maçonaria, no entanto, ainda conseguiu sobreviver. O ouvido atento recebe o som da língua instruída, e seus sagrados mistérios estão alojados com segurança no repositório de seios fiéis. As ferramentas e implementos da arquitetura, símbolos os mais expressivos! imprima na memória verdades sábias e sérias e transmitidas intactas, através da sucessão de eras, os excelentes princípios desta instituição. [6]

Este famoso parágrafo, tão familiar a todos os Maçons de língua inglesa (com pequenas variações), deixa claro que as “verdades sérias e sábias” da Maçonaria foram capazes de sobreviver apesar das hostilidades enraizadas na ignorância e na barbárie. Enquanto as estruturas externas – os edifícios e monumentos criados pelos lendários Maçons antigos – foram destruídos, os ensinamentos internos sobreviveram porque eram comunicáveis ​​com segurança usando simbolismo expressivo anexado a ferramentas e implementos inócuos, combinado com uma tradição oral. Diz-se que esse método é tão eficaz que os ensinamentos da Maçonaria escaparam dos esforços implacáveis ​​de seus oponentes e foram transmitidos “intactos”. [7]

Esta passagem de nossa tradição ecoa de forma impressionante em uma das principais descobertas do filósofo político do século XX, Leo Strauss, que estudou extensivamente os modos esotéricos de expressão:

A perseguição … dá origem a uma técnica peculiar de escrita e, com isso, a um tipo peculiar de literatura, em que a verdade sobre todas as coisas cruciais é apresentada exclusivamente nas entrelinhas. Essa literatura é dirigida, não a todos os leitores, mas apenas a leitores confiáveis ​​e inteligentes … O fato que torna esta literatura possível pode ser expresso no axioma de que homens irrefletidos são leitores descuidados, e apenas homens pensantes são leitores cuidadosos. [8]

O fato de que o encapsulamento de Preston da teoria Maçônica da transmissão é formulado em termos lendários e cita a perseguição, no exemplo arquetípico, da destruição e profanação do templo de Jerusalém pelos babilônios, não subtrai de forma alguma a realidade que a Maçonaria aqui “confessa” que o uso do simbolismo é para proteger efetivamente os “princípios excelentes” de mãos implacáveis.

Mas Preston imaginou duas classes de “leitores” ou iniciados – alguns que “entenderiam” enquanto outros não? Isso parece claro na forma original de seu trabalho de Aprendiz Admitido:

  • P: Introduzido na Câmara Interna, o que você descobriu?
  • R: O Mestre e seus Irmãos, todos zelosamente empregados na investigação da ascensão, progresso e efeito do aprendizado hieroglífico [isto é, simbólico].
  • P: O que aconteceu?
  • R: Três observações criteriosas foram feitas.
  • P: A primeira observação?
  • R: Que era dever de cada Maçom fazer progresso diário na arte; como nenhum fim poderia ser mais nobre do que a busca da virtude e benevolência: nenhum motivo mais atraente do que a prática da honra e da justiça, ou qualquer instrução mais benéfica do que o delineamento preciso de símbolos que tendem a melhorar e embelezar a mente.
  • P: A segunda observação?
  • R: Esses objetos, que particularmente chamam a atenção, irão atrair mais imediatamente a atenção e imprimir na memória verdades solenes.
  • P: A terceira observação?
  • R: Que os maçons adotaram um modo de transmitir as instruções por alegorias e de preservar seus princípios e mistérios secretos e invioláveis; nunca permitindo que eles estivessem ao alcance de iniciados inexperientes, dos quais não poderiam ter sido recebidos com a devida veneração. [9]

Observe que o modo simbólico de instrução é descrito como sendo adotado especificamente para garantir que os significados internos sejam ocultados não de estranhos, como se poderia esperar, mas de novos iniciados inexperientes – isto é, pessoas inseridas no meio mas sem capacitação. Preston define a Maçonaria como “um sistema regular de moralidade concebido em uma linha de alegoria interessante, que prontamente revela suas belezas para o investigador cândido e questionador[10]. Que ele pretende traçar uma linha entre aqueles que percebem as mensagens esotéricas e aqueles que não o fazem, isso fica ainda mais claro em seu texto do Grau de Companheiro de Ofício, quando ele argumenta que “De acordo com o progresso que fazemos, limitamos ou estendemos nossas investigações; e, na proporção de nossos talentos, alcançamos um grau maior ou menor de perfeição[11].

E esta expressão esotérica não foi uma inovação de Preston. Uma canção maçônica de 1731 diz: “Nem forçadas e nem oferecidas como ouro/Pode os Maçons desvendar as suas verdades”, e uma nota de rodapé anexada a esta passagem explica que “verdades sublimes não são obtidas senão por um estudo correto, e um esforço para descobrir o verdadeiro sentido, que estando sempre velado, é sagrado e, portanto, sacrílico”[12]. Mesmo tão cedo – menos de quinze anos após a fundação da primeira Grande Loja – os segredos da Maçonaria são distintos dos modos de reconhecimento e particularidades do ritual e, em vez disso, são conceituados como assuntos “sublimes”, “sagrados” e “sacrílicos” que são “velados” e estão disponíveis apenas para aqueles que realizam o “devido estudo” (em oposição a um estudo falso) e, portanto, descobrir o “sentido real” (em oposição a um falso)[13].

A ideia de uma verdade profunda oculta nas palavras faladas ou escritas abertamente é antiga. Plutarco disse: “Uma das melhores palavras dos filósofos é que aqueles que não aprenderam a interpretar as palavras em seu sentido correto estão fadados a se dar mal, tanto em seus estudos quanto na prática”[14]. E séculos antes ainda, um famoso provérbio ensinou que “É a glória de Deus ocultar um assunto e a glória dos reis revelar o mesmo”[15]. Este capítulo de Provérbios tem sido frequentemente considerado como relacionado com a transmissão esotérica; mais famosa pelo filósofo medieval Maimônides[16]. E o que era verdade sobre a palavra escrita também foi dito sobre o simbolismo visual. Em referência à miríade de livros ilustrados cheios de gravuras emblemáticas que eram tão populares nos últimos anos do período renascentista, David Stevenson diz:

[Palavras] nunca poderiam capturar o significado completo da imagem, pois foi sustentado “que os emblemas contêm um tipo de conhecimento que não pode ser encontrado no discurso”. As imagens encapsularam ideias platônicas subjacentes e, se estudadas, transmitem uma sabedoria profunda que não poderia ser expressa em palavras. Mas os símbolos nunca poderiam ser totalmente compreendidos, pois eles mantêm “uma plenitude de significados que a meditação e o estudo nunca podem revelar mais do que parcialmente” … Paradoxalmente, o segredo e a obscuridade se tornam uma parte essencial da grande luta para desvendar segredos. A linguagem simples e literal é muito superficial, pobre e vulgar para transmitir grandes verdades. [17]

É fácil ver como o esoterismo deste segundo tipo, o tipo textual-interpretativo, incorpora uma compreensão mais rica do segredo maçônico ao reconhecer nossa habilidade de perceber o significado além do sentido literal de palavras, objetos e imagens. Profundamente ligado aos graus e aos próprios símbolos, este é o esoterismo maçônico em sua forma essencial e talvez a mais importante: o processo de interpretar o simbolismo explícito e a linguagem da Arte para compreender suas mensagens implícitas. É o tipo que Antoine Faivre – que já foi catedrático de estudos esotéricos da Sorbonne – tipificou como um “segredo aberto”, que está disponível por meio de “um esforço pessoal de elucidação progressiva em vários níveis sucessivos”[18]. A tradição nos ensina que a exploração desses níveis são parte do dever de todo maçom.

Questão Três: Sistemático-Tradicional
(Esoterismo como um “ismo” ou Corpo de Tradição)

Adão, nosso primeiro Pai, criado à Imagem de Deus, o grande Arquiteto do Universo, deve ter tido as Ciências Liberais, particularmente a Geometria, escritas em seu Coração; pois mesmo desde a queda, encontramos os princípios dela nos corações de sua descendência. . . .

Constituições de 1723 [19]

“Esoterismo” também é usado em um terceiro sentido: uma dimensão tradicional sistemática. Desta forma, o esoterismo pode funcionar como um termo guarda-chuva para se referir a qualquer número de disciplinas espirituais tradicionalmente secretas ou altamente exclusivas que existiram dentro ou ao lado de correntes filosóficas e religiosas mais populares. Isso inclui certas formas de misticismo cristão (como o rosacrucianismo e o martinismo), cabalismo e a tradição da Merkabah na tradição judaica, alquimia quando vista como uma prática transformadora, pitagorismo, hermetismo e neoplatonismo[20]. Muitos dos expositores clássicos da filosofia maçônica assumiram a posição de que a Maçonaria representa a herdeira linear dessas tradições ou uma tentativa de redescobri-las[21]. Por uma questão de clareza, irei me referir a esta terceira definição como Esoterismo (em letra maiúscula), pois é menos uma condição (no primeiro sentido) ou um estilo (no segundo sentido), mas um corpo de ideias bastante coerente.

O esoterismo ocidental começou a se aglutinar na Renascença por meio dos escritos de filósofos como Marsilio Ficino, Pico della Mirandola e Judah Leon Abravanel, que mais tarde seriam conhecidos como os Humanistas. Esses escritores perceberam uma profunda interconexão entre as filosofias judaica, helenística e cristã, e consideraram essa raiz comum como uma sabedoria primordial que eventualmente seria denominada filosofia perene (philosophia perennis), “a filosofia atemporal”. Mas as tradições que compunham esse esoterismo ocidental eram muito mais antigas do que a Renascença. A cabala judaica havia alcançado seu estágio clássico, na forma do Livro do Zohar, dois séculos antes de Pico introduzir a palavra “cabalista” na linguagem europeia[22]. Os elementos neoplatônicos eram ainda mais antigos e datavam do final da antiguidade[23].

Embora uma linhagem direta com a tradição antiga permaneça historicamente inverificável, o principal historiador maçônico David Stevenson documentou a existência de várias influências herméticas e cabalísticas entre os primeiros maçons, datando de pelo menos o final dos anos 1500, quando William Schaw

reorganizou os remanescentes da antiga organização maçônica na Escócia em um sistema de lojas secretas e… injetou nessas lojas influências herméticas. Outros aspectos do pensamento da Renascença… levaram à conclusão de que a Ordem Maçônica era muito superior a todas as outras, com um lugar central no avanço do conhecimento – e é claro que o conhecimento e a iluminação espiritual estavam inextricavelmente ligados. [24]

Esta interconexão de ciência e espírito sempre foi um carimbo da literatura maçônica. Do famoso Poema Regius de 1420 às Antigas Obrigações de 1600, da história lendária compilada por James Anderson em 1723 aos textos de palestras rituais que ecoariam os mesmos temas, a Maçonaria especulativa tradicionalmente vinculou o Ofício do Maçom à sabedoria primordial. Este tema sempre foi popular entre os escritores maçônicos. James Anderson, Laurence Dermott, William Hutchinson, William Preston, George Oliver, Albert Mackey, Albert Pike, J.S.M. Ward e W.L. Wilmshurst inseriram essa noção em suas estruturas filosóficas. Anderson colocou de forma curiosa com sua imagem das ciências liberais sendo “escritas” no coração de Adão e transmitidas e aprimoradas ao longo da história até serem herdadas pelos maçons de Londres[25]. Pike atualizou este conceito para o século XIX quando argumentou que:

A Maçonaria é a legítima sucessora [dos mistérios] – desde os primeiros tempos a custódia e depositária das grandes verdades filosóficas e religiosas, desconhecida para o mundo em geral, e transmitida de uma era a outra por uma corrente ininterrupta de tradição, incorporada em símbolos, emblemas e alegorias. [26]

Muitos estudiosos têm se contentado em rejeitar aqueles que repetem a história tradicional como crédulos ou acríticos, mas talvez eles não estejam entendendo. Há mais coisas envolvidas aqui do que uma lista de reivindicações históricas a serem aceitas ou rejeitadas; existe uma filosofia da história, uma visão de mundo enraizada em conceitos da filosofia perene. A atração por esses conceitos transcende noções simplistas de “Adão, o Maçom” e se dirige às teorias do Esoterismo Ocidental sobre a dignidade humana e a continuidade da sabedoria devido à sua localização inata no homem original. Através da lenda do Templo de Salomão, essa qualidade inata tornou-se conectada ao esforço externo, e a busca histórica da Ordem por melhorias na arquitetura foi sacralizada e investida de implicações filosóficas.

A popularidade do esoterismo ocidental entre alguns dos candidatos maçônicos de hoje não pode ser ignorada, nem deveria. A verdade literal desses mitos não vem ao caso. Em sua maioria, aqueles que estudam o esoterismo ocidental hoje não acreditam nas histórias lendárias, palavra por palavra. Em vez disso, eles tendem a se sentir profundamente atraídos pelos valores edificantes da filosofia perene – valores que nossos antepassados ​​maçônicos frequentemente compreendiam e promoviam. Este tipo de Esoterismo tem um apelo especial para muitos investigadores sérios em nosso mundo moderno porque oferece mais do que respostas superficiais e exige mais do que um compromisso superficial. Tem uma história venerável como parte de nossa cultura maçônica. Certamente, não é necessário aceitá-lo ou aderir a ele; mas talvez não devamos mais negar sua existência, nem o caracterizar como insignificante.

Esoterismo e o chamado da iniciação

Lá está a majestosa árvore diante de você, suas raízes antigas penetrando profundamente no solo do tempo, e suas folhas e galhos cobrindo com sua sombra poderosa todo o puro e bom de cada clima e país que virá abaixo deles. Você vai se reclinar ingloriamente sob aquela sombra ampla, ou se apoiar desamparadamente em seu tronco maciço e venerável, nem se esforçar para colher as frutas suculentas e vivificantes que pendem em cachos tentadores de seus ramos?

Freemasons ‘Monthly Magazine, 1863 [27]

À medida que o interesse aberto nas abordagens esotéricas da Maçonaria continua a aumentar, é reconfortante compreender que, longe de ser uma ameaça à fraternidade, esses interesses faziam parte – até certo grau, todos devem garantir – do próprio fundamento da Arte. Isso é verdade em todos os três sentidos da palavra, conforme a exploramos. A Maçonaria utiliza conteúdo esotérico porque alguns aspectos da Arte são privados.

A Maçonaria usa simbolismo e uma linguagem que só pode ser compreendida de forma gradual e variada. E pelo menos alguns maçons influentes estavam cientes, estudaram e adotaram certas teorias históricas do que hoje é chamado de Esoterismo Ocidental.

É verdade que – entre alguns círculos – uma abordagem esotérica tem um certo estigma a superar[28]. Mas não devemos entregar nossa herança filosófica por tão pouco. Nossos novos membros não estão reclamando que há filosofia demais na Maçonaria, ela é observada com mais frequência dizendo que se esperavam mais.

É hora de reabilitar esta palavra, “esotérico”? Pode não ser um passo tão difícil de dar. Afinal, a menos que acreditemos que cada pessoa compreende plena e completamente os graus no momento em que os experimenta pela primeira vez, já estamos na vizinhança geral de uma abordagem esotérica – porque estamos efetivamente dizendo: “Há mais aí, continue procurando.” Esse é um bom conselho para o Aprendiz mais jovem, o Mestre Instalado mais sábio e todos os demais. Estamos todos empenhados em um trabalho individual que deve ser executado em nossas próprias mentes, um processo profundamente pessoal de desenvolvimento gradual por meio de níveis progressivos de significado. Como William Preston descreveu nosso trabalho de forma tão poética:

O conhecimento deve ser obtido gradativamente, e não está em todos os lugares para ser encontrado. A sabedoria busca a sombra secreta, a cela solitária projetada para a contemplação; lá está ela entronizada, entregando seus oráculos sagrados: lá vamos buscá-la e perseguir a verdadeira bem-aventurança; pois embora a passagem seja difícil, quanto mais a buscamos, mais fácil se tornará. [29]

Novas perspectivas de compreensão maçônica são abertas quando abraçamos o fato de que o esoterismo é um elemento histórico da Arte, totalmente de acordo com o desígnio clássico da Ordem. Para muitos, um engajamento esotérico representa um dever maçônico vital. Eles acreditam que a Maçonaria hoje só tem a ganhar com uma abordagem esotérica revigorada que vê a rica tradição iniciática da Arte como o que mais seguramente foi projetada para ser: “um objeto de contemplação, que amplia a mente e expande todos os seus poderes; um tema inesgotável, sempre novo e sempre interessante”[30].

Era uma vez um homem que vivia nas montanhas e era um estranho à civilização – ele plantava trigo e comia os grãos crus. Então ele desceu para a cidade. Um bom pão foi servido a ele. “O que é isso?” ele perguntou. “Pão, para comer!” eles disseram. Ele comeu e ficou satisfeito. Ele perguntou: “De que é feito isso?” e eles lhe disseram que era trigo. Em seguida, foi servido um bolo fino amassado em óleo. Ele provou e perguntou: “E agora isso, do que isso é feito?” Mais uma vez, eles disseram: “Trigo”. Por fim, trouxeram-lhe um doce saboroso em azeite e mel, digno de um rei. Ele perguntou novamente e obteve a mesma resposta. “Bem”, ele então se gabou, “estou acima dessas coisas; Eu como apenas o trigo que é a base de todos eles.” Por causa de sua atitude ignorante, ele permaneceria para sempre um estranho a essas delícias, que se perderam nele. É assim com qualquer pessoa que aprende os princípios básicos e depois para – que não consegue se dar conta das delícias que derivam da consideração e aplicação mais profundas desses princípios.

Zohar 2: 176 A – B

Autor: Shawn Ever, M.A.
Tradução: Rodrigo Menezes

Fonte: Ritos & Rituais

Uma versão anterior deste artigo apareceu em O Jornal da Sociedade Maçônica (The Journal of the Masonic Society), 2 (2008): pp 16–21.

Screenshot_20200502-144642_2

Se você acha importante o trabalho que realizamos com O Ponto Dentro do Círculo, apoie nosso projeto e ajude a manter no ar esse que é um dos mais conceituados blogs maçônicos do Brasil. Você pode efetuar sua contribuição, de qualquer valor, através dos canais abaixo, escolhendo aquele que melhor lhe atender:

Efetuando seu cadastro no Apoia.se, através do link: https://apoia.se/opontodentrodocirculo

Transferência PIX – para efetuar a transação, utilize a chave: opontodentrodocirculo@gmail.com

Notas

[1] – Joseph E. Morcombe, “Relatório do Comitê da Biblioteca da Grande Loja de Iowa,” Anais da Grande Loja de Iowa 17 (1900–01): p. 146.

[2] – De Despedida aos Companheiros da Loja de Santo Jaime (“The Farewell to the Brethren of St. James’ Lodge ”) (1786).

[3] – Sobre a vida pitagórica 17.72. A palavra “esoterick” entrou na língua inglesa em 1701 por meio de um resumo desta passagem na história seminal da filosofia de Thomas Stanley: “Os auditores de Pitágoras (quero dizer que pertenciam à família) eram de dois tipos, Exoterick e Esoterick: os Exotericks eram aqueles que estavam sob liberdade condicional, que se bem desempenhassem, eram admitidos como Esotericks. Pois, daqueles que foram a Pitágoras, ele não admitiu todos, mas apenas aqueles de quem gostava: primeiro, por escolha; e a seguir, por testes. ” (372) Para um compêndio útil de ensinamentos pitagóricos, incluindo o texto de Jâmblico, consulte A Cadeia Dourada de Algis Uždavinys: Uma Antologia da Filosofia de Pitágoras e Platônica (The Golden Chain: An Anthology of Pythagorean and Platonic Philosophy) (Bloomington, Ind: Conhecimento do Mundo, 2004).

[4] – William Preston, Ilustrações da Maçonaria (Illustrations of Masonry). (Londres: Wilkie, 1801), p. 122.

[5] – Thomas Milton Stewart, Ensinamentos Simbólicos, ou Maçônicos e sua Mensagem (Symbolic Teaching, or Masonry and its Message) (Cincinnati: Stewart & Kidd, 1917), p. 100.

[6] – Preston, Ilustrações (edição de 1772), 13–4.

[7] – Cfr. Albert Pike, Moral e Dogma (Morals and Dogma) (Charleston, SC: Supremo Conselho da Jurisdição do Sul dos Estados Unidos, 1871), onde se afirma não apenas que o modo esotérico de ensino foi adotado “para evitar perseguição”, mas ainda porque os símbolos provaram ser tão duráveis, a Maçonaria “sorri com os esforços insignificantes… para esmagá-la por excomunhão e interdição”. (211) Os símbolos foram escolhidos “não para revelar, mas para ocultar” (106) e, portanto, “Aquele que deseja compreender … deve ler, estudar, refletir, digerir e discriminar.” (107) “Aquele que deseja se tornar um Maçom realizado não deve se contentar apenas em ouvir, ou mesmo entender, os textos; ele deve, auxiliado por eles, e eles tendo, por assim dizer, traçado o caminho para ele, estudar, interpretar e desenvolver esses símbolos para si mesmo.” (22-3)

[8] – Leo Strauss, Persecution and the Art of Writing (Nova York: The Free Press, 1952), 25.

[9] – William Preston conforme citado em Colin F.W. Dyer, William Preston and His Work (Shepperton, UK: Lewis Masonic, 1987), 189. Ênfase acrescentada. Essas palavras foram importadas o mais tardar em 1797 para a Maçonaria americana; cf. linguagem muito semelhante em Thomas Smith Webb, Monitor da Franco Maçonaria (Freemason’s Monitor) ou Ilustrações de Maçonaria (Albany: Spencer & Webb, 1797), 51.

[10] – Trabalho do Grau de de Aprendiz original de Preston, conforme citado em Dyer, William Preston, 207 (ênfase adicionada); cf. linguagem semelhante em Webb, Monitor da Franco Maçonaria, 57.

[11] – Citado em Dyer, William Preston, 212. Ênfase adicionada. Em vários pontos de suas palestras, Preston parece identificar o membro que tem consciência esotérica usando termos como “maçom contemplativo”, “artesão diligente”, “estudioso realizado”, “artista experiente” e “artesão diligente”.

[12] – Extraído de “The New Fairies,” em Uma Curiosa Coleção das Canções Mais Famosas em Honra à Maçonaria (Londres: Creake and Cole, 1731).

[13] – Essa ênfase na responsabilidade do indivíduo de aprender e perceber corretamente os ensinamentos secretos por meio de um processo de iluminação é comparada à Maçonaria Americana em 1734. Ver S. Eyer, Os Segredos Essenciais da Maçonaria: a Visão de uma Oração da Maçonaria Americana de 1734 (“’The Essential Secrets of Masonry’: Insight from an American Masonic Oration of 1734),” Em Explorando a Maçonaria da Grande Loja: Estudos em Honra ao Tricentenário do Estabelecimento da Grande Loja da Inglaterra (Washington, DC: Plumbstone, 2017), 152–215.

[14] – Plutarco, Moralia 379C.

[15] – Provérbios 25:2.

[16] – Veja especialmente seu Guia da Perplexidade 1:6B-7A e 2.65B-66B. Albert Pike, que estava familiarizado com o Guia, continuou particularmente apaixonado por este provérbio, usando-o (em latim) para concluir seu famoso Moral e Dogma.

[17] – David Stevenson, As Origens da Franco Maçonaria: O Século da Escócia, 1590-1710 (The Origins of Freemasonry: Scotland’s Century, 1590–1710) (Cambridge: Cambridge University Press, 1988), 80–1.

[18] – Antione Faivre, Acesso ao Esoterismo Ocidental (Access to Western Esotericism) (Albany: State University of New York Press, 1994), 5.

[19] – James Anderson, As Constituições dos Franco Maçons (Londres: William Hunter, 1723), 1.

[20] – Um resumo de propostas úteis para uma definição precisa de Esoterismo pode ser encontrado no artigo de Wouter J. Hanegraaff, Sobre a Construção das Tradições Esotéricas na Sociedade Ocidental e a Ciência da Religição (“On the Construction of ‘Esoteric Traditions’” em Western Esotericism and the Science of Religion”), editado por A. Faivre e W. Hanegraaff (Leuven: Peeters, 1998), 11–61; veja também a introdução do mesmo autor sobre esoterismo em O Dicionário de Gnose e Esoterismo Ocidental (The Dictionary of Gnosis and Western Esotericism) (Leiden: Brill, 2006).

[21] – Curiosamente, tanto Albert Mackey quanto Albert Pike adotaram a primeira visão em seus trabalhos anteriores, enquanto mais tarde chegavam a posições mais próximas do último; apesar disso, eles são frequentemente descartados como acríticos. O oposto é realmente verdadeiro, pois eles estavam dispostos a reexaminar suas crenças profundamente arraigadas e amplamente publicadas.

[22] – Veja a citação do Zohar após a conclusão deste artigo para um exemplo vívido do esoterismo judaico do século XIII. Para a invenção das palavras latinas cabalistæ e cabalici por Pico, consulte Iohannes Reuchlin, De Arte Cabalística (De Arte Cabalistica) (1516), 1Q.

[23] – Mesmo a noção de uma “filosofia atemporal” subjacente a todas as religiões do mundo pode ser encontrada já no primeiro século AEC, nos escritos de Filo de Alexandria, um judeu helenizado que vivia no Egito. Cf. Wilhelm Schmidt-Biggemann, Filosofia Perene: Esboços Históricos da Espiritualidade Ocidental no Pensamento Antigo, Medieval e Moderno (Philosophia Perennis: Historical Outlines of Wstern Spirituality in Ancient, Medieval and Early Modern Thought) (Dordrecht: Springer, 2004), xiv.

[24] – Stevenson, Origens, 102.

[25] – Ver Anderson, Constituições, 1-48.

[26] – Pike, Moral e Dogma, 210. Pike eventualmente rejeitou a historicidade de uma linhagem ininterrupta, embora a ideia permanecesse parte do lendário ensino dos graus do Rito Escocês que ele propagou.

[27] – Simbolismo e Maçonaria (“Symbolism and Freemasonry”), Freemasons ’Monthly Magazine 22 (1863): 242.

[28] – É frequentemente observado que alguns que se autodenominam “esoteristas” são conhecidos por interpretações superficiais e tendenciosas. Parte da dificuldade aqui pode estar no fato de que muitos abraçam o esoterismo da terceira questão enquanto negligenciam o esoterismo do segundo tipo – ou mesmo confundem os dois. De fato, alguns abordam o Esoterismo Ocidental estudando as conclusões e ensinamentos publicados dos esotéricos do passado, às vezes enquanto desconectados das raízes tradicionais que formam a base do Esoterismo Ocidental – às vezes até rejeitando-os completamente. Isso pode resultar em interpretações desajeitadas, aparentemente inválidas e muitas vezes anacrônicas. No entanto, tal abordagem não deve ser identificada com a “investigação sincera e laboriosa” ou “estudo correto” recomendado nas primeiras fontes maçônicas como citadas aqui.

[29] – Preston, Ilustrações (edição de 1772), 86-7. Preston derivou isso de uma passagem quase idêntica de um discurso proferido por Charles Leslie ao Vernon Kilwinning Lodge em Edimburgo, 15 de maio de 1741, cujo texto foi publicado em The Free Masons Pocket-Companion (Edimburgo, 1765), 162. Esta passagem forma a base da “admoestação amigável” ou obrigação de abertura encontrada em variações do ritual maçônico oficial; por exemplo, James Harper, Josiah Randall & Thomas F. Gordon (Eds.), The Ahiman Rezon (Filadélfia: Grande Loja da Pensilvânia, 1825), 188–89.

[30] – Obrigações do Grau de Aprendiz original de Preston, citado em Dyer, William Preston, 188.

Perspectivas para a maçonaria pós-pandemia

Sites Parceiros – Lives Maçônicas

“Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe.” (Popular)

Em 2020, navegamos por mares turbulentos e aprendemos, na prática, o que é uma virose se transformar em pandemia, com reflexos em todos os setores da atividade humana. O cotidiano não foi mais o mesmo. Sem os merecidos rituais de despedida, entes queridos se foram. Vimos empresas e empregos sendo extintos da noite para o dia. Relações pessoais interrompidas, famílias divididas, lazer suspenso, países e cidades em isolamento, em frenéticas rotinas de abre e fecha. Tudo acompanhado com perplexidade, inquietação, insegurança e medo.

O espaço físico doméstico foi fortemente impactado ao enfrentar novas formas de organização, de suprimento e de conciliação entre atividades domésticas, escolares e profissionais. Isso sem falar no noticiário ameaçador, autoridades em conflito e no ambiente cada dia mais tóxico das redes sociais, contaminando mentes com as infindáveis fake news. No mesmo sentido, arroubos retóricos semeando a desinformação, abalando relações afetivas, provocando confrontos ideológicos, gerando intolerância e cizânia. Fortes emoções, porém com algumas conquistas, aprendizado e desafios superados. Sobrevivemos ao quase fim do mundo, a um custo muito alto.

Agora, já em meados de 2021, quando parecia que a “normalidade” estava retornando aos poucos, com a boa notícia da vacina, veio o revertério, com o recrudescimento da pandemia da Covid-19, frente a um sensível declínio dos afetados nos meses anteriores e agora apontando o aumento do número de infecções e óbitos, com a insegurança voltando a tomar conta de todos nós, mesmo com um grande número de pessoas vacinadas. Novos ataques, inclusive de novas variantes do coronavírus e outras pestes, que passam a ser prospectadas no radar, ressuscitando o fantasma de antigas profecias de sinais apocalípticos. Realmente, tempos difíceis!

Em meio às turbulências ora vivenciadas com a pandemia da Covid-19, conjecturar sobre o futuro é sempre tendencioso, certamente podendo descambar para exageros, mas é inevitável não especular a respeito de possíveis cenários. Muitas indagações e poucas afirmações, até então. Teremos nossas vidas de volta como anteriormente? O que se pode afirmar é que teremos que mudar para garantir nossa sobrevivência e segurança. De todos, sem exceção.

Por outro lado, com os gigantes Google, Facebook, Zoom e assemelhados no comando, as tecnologias disruptivas irão de fato alterar as medidas de segurança e estabelecer maiores controles sociais em um cenário orweliano. A realidade será mesmo virtual? Crises demandam mudanças e adiantam o futuro. Fica a dúvida, é só isso mesmo, ou vem mais por aí?

O consenso é de que nada será como antes e enfrentaremos, com certeza, novos paradigmas de comportamento individual e coletivo. Estaremos mais conectados e ao mesmo tempo mais isolados? Esse cenário será o mesmo para as demais atividades, onde nossas residências assumirão definitivamente a condição de extensão de escritórios, salas de aula e outras rotinas, de forma híbrida, para equilibrar trabalho remoto e presencial? Em principio, imagina-se que toda atividade que possa ser realizada sem a presença física será incentivada. Aquelas ora realizadas em ambientes propícios a transmitir algum tipo de vírus serão revistas ou minimizadas. A preocupação com a saúde passará a ser prioridade.

O que parecia ser especulação para um futuro distante, a pandemia encurtou os caminhos. Várias áreas sentem os efeitos e novos hábitos estão sendo rapidamente incorporados. O sistema de ensino, que dava passos largos no ensino a distância (EAD), estuda meios híbridos com incorporação de tecnologia envolvendo instrumentos de conteúdo presencial e digital. No mundo empresarial, o trabalho remoto é uma realidade e começa a ser incentivado por uma série de razões práticas expostas pela pandemia. Todos os ramos de atividades hoje trabalham com cenários alternativos. O porvir será vivido por trás de uma tela, é o que parece, pelo menos no que podemos especular por ora. A Covid-19 é uma realidade e a ciência ainda não tem uma resposta definitiva para os inúmeros desdobramentos possíveis.

No meio maçônico, é fato que, logo após a confirmação da pandemia, a Grande Loja Maçônica de Minas Gerais divulgou a Circular Nº 076, em 16.03.2020, comunicando a suspenção das atividades maçônicas presenciais, bem como “uma série de iniciativas tanto de interesse exclusivo da relação entre suas Lojas e Irmãos, quanto, de alcance e interesse da sociedade”.

Nesse mesmo diapasão, as atividades ritualísticas na Maçonaria foram suspensas mundo afora, conforme fartamente publicado nos meios de comunicação das Potências Regulares (vide Blogs Forthright Space e York), tendo como consequência a adaptação apressada desde então verificada, com o incentivo às reuniões virtuais. E a maçonaria passou, assim, a experimentar novos tempos e novas formas de reunião à distância, ensejando uma troca de experiências e de compartilhamento da cultura maçônica numa abrangência até então jamais imaginada.

Do que vimos até agora, não restam dúvidas de que essa solução “provisória” veio para ficar e se ressente de uma regulamentação via revisão de protocolos ritualísticos, que certamente ganharão novos contornos e regras de comportamento. Não podemos cultivar falsas ilusões. Caso isso não seja a linha mestra de atuação, o colapso da estrutura de sustentação da Ordem poderá ser entrevisto em cenário mais pessimista, o que não pode deixar de ser avaliado. A adaptação a novos hábitos deverá fazer parte do plano de gestão de cada uma das nossas Lojas, consideradas as particularidades. E já se sabe que gestão é a solução.

No cenário ainda de muitas incertezas, as tendências para o pós-pandemia indicam que a tecnologia será um forte aliado na preservação das tradições e fortalecimento da união entre os obreiros, dado que o retorno “normal” das atividades como era o costume encontrará fortes obstáculos, pois nossa Ordem continuará muito afetada com a necessidade do distanciamento social imposto pelas autoridades de saúde e até agora acatado por nossas lideranças.

O retorno às atividades normais após a cessação das medidas restritivas de reuniões enseja preocupações antes não vislumbradas, considerando-se que nosso grupo caminha para ser, majoritariamente, de obreiros com mais de 60 anos, com as vulnerabilidades impostas pela vida. A pesquisa “Maçonaria no Século XXI”, formulada pelo irmão Kennyo Ismail (2018, p. 5-6), demonstra que 37% da amostra participante da pesquisa são de maçons com mais de 60 anos, na categoria de idosos pela legislação vigente, “e, em apenas 5 anos, a maioria dos respondentes, aproximadamente 51%, será idosa”. Sem sombra de dúvidas, a maçonaria brasileira está envelhecendo e as baixas por causas naturais são inevitáveis.

Considerando a possibilidade de reuniões híbridas, presenciais e/ou por videoconferência, as Potências regulares terão o desafio de implantar plataformas específicas para as reuniões virtuais, com vistas a integrar bancos de dados para garantia da segurança e regularidade dos participantes, tanto os do quadro quanto dos visitantes, inclusive com nova cartilha de etiqueta e revisão de protocolos.

Na nova “Ordem do Dia”, essas e outras dúvidas começam a demandar um posicionamento mais efetivo de nossas lideranças, mas as resistências ainda são significativas, mesmo diante das evidências dos fatos. O pressuposto do diálogo em busca de soluções implica aceitação de que alguma medida precisa ser adotada com foco, inovação, resiliência e adaptabilidade. Sem isso não há chance de superação das dificuldades. John Maynard Keynes (1883-1946), economista britânico cujas ideias mudaram fundamentalmente a teoria e prática da macroeconomia, perguntava: “Quando os fatos mudam, eu mudo de opinião. E o senhor, o que faz?”.

Ainda parece-nos que as reuniões presenciais na maçonaria, mesmo a partir do segundo semestre de 2021, estão seriamente ameaçadas. Os obreiros mais pessimistas apostam que um dos legados da pandemia do coronavírus será a adoção das videoconferências como solução perene para o impasse entre as restrições impostas pelas autoridades de saúde quanto às aglomerações que envolvam pessoas pertencentes aos grupos de risco.

O questionamento que nos provoca é por que o impacto na maçonaria seria diferente quando comparada às demais atividades? Afinal, estamos em guerra contra um inimigo invisível que não escolhe vítimas e é mutante. Gostemos ou não, a dura realidade está determinando uma nova forma de viver, que definitivamente não será mais a mesma. Os números mais recentes demonstram que o número de baixas por morte em nossas fileiras é expressivo. Também a evasão maçônica, que fazia parte de nossos embates, ganha novos contornos. Esse cenário precisa ser avaliado, notadamente quanto à recomposição dos quadros de obreiros. E, o mais importante, por ora, é reter talentos e engajar equipes.

Nesse sentido, o recrutamento deve ser orientado na busca de um perfil adequado aos princípios da Maçonaria e objetivos da Loja, que devem ser bem claros para os padrinhos que se empenharem nessa missão. E esses novos iniciados devem ser explorados em todo o seu potencial de conhecimentos e habilidades, cabendo às Lojas ter um diagnóstico dos anseios e inquietudes notadamente da geração mais nova, no caso a “Z”, que enseja os valores modernos caracterizados pelo empreendedorismo, gosto por desafios, vontade de mostrar resultados práticos e de se sentirem prestigiados (Novaes, 2016), e que precisam, portanto, se identificarem com a Ordem.

Voltando ao problema da moda, que tudo isso passará, não restam dúvidas. Mas, a que preço? Talvez em 2022 as coisas melhorem, mas e agora? A pergunta que não quer calar é: tudo será como dantes? Correremos o risco de novas ondas e necessidade de repetidos isolamentos? No nosso caso, continuaremos a reunirmo-nos em Templos apertados e sem circulação de ar natural, para evitar os olhares indiscretos e quebra dos quesitos de segurança? Irmãos mais novos em idade correm menos risco, mas podem se tornar vetores de contaminação em futuras recaídas da espécie. Muito receio entre maçons com idade provecta e seus respectivos familiares, que vêm externando mensagens de preocupação com o retorno das reuniões presenciais pós-pandemia.

O ganho até agora, em termos de compartilhamento da cultura maçônica promovido pelas reuniões virtuais, é de um valor incalculável, porém, segundo estimativas, conta com a participação de algo em torno de apenas 1% dos maçons ativos no Brasil. Mas o barulho que fazem está sendo ouvido em nossas Lojas e além-fronteiras. De concreto, a conquista representada pela fundação de duas Lojas Virtuais: ARLS Virtual Lux In Tenebris nº 47, em 25.09.2020, ligada à GLOMARON, e ARLS Luz e Conhecimento nº 103, em 05.11.2020, da GLEPA, com sucesso de participantes e de temas cativantes, com debates envolvendo irmãos de todo o Brasil e de vários que vivem no exterior, assim como de outras nacionalidades, de uma forma até então impensável.

De outra parte, se podemos falar em benefício das crises, foram inúmeras as oportunidades abertas pelos convites de Lojas que abriram suas reuniões virtuais à participação para todos os maçons regulares, com a ampliação dos contatos entre irmãos de vários Orientes, novas amizades e a realização de proveitosos e inesquecíveis ágapes culturais. A perspectiva de fundação de novas Lojas Virtuais é promissora e uma consistente alternativa a ser avaliada com muito carinho e sem prejulgamentos, dependendo exclusivamente do empenho das lideranças das nossas Potências.

Ocorre que não houve unanimidade nas participações em reuniões por videoconferência, por parte de expressivo número de irmãos, com fortes resistências, haja vista que muitos não estão familiarizados com os recursos ora proporcionados pelas redes sociais. Outros, por questões de ponto de vista, mantiveram-se distanciados, por não aceitarem de bom grado os avanços tecnológicos e mudanças de comportamentos. Dentre esses, identificam-se aqueles mesmos que não são assíduos em Loja ou desaparecem ou se isolam sem declarar os motivos.

Porém, nosso tempo merece ser mais bem aproveitado. A força da maçonaria está no aprendizado constante. Os conhecimentos e experiências precisam ser compartilhados e precisamos, portanto, refletir sobre a realidade desses irmãos que resistem em participar das reuniões em videoconferência. Evidente que não podemos abrir mão das Sessões Magnas e outras que demandam a presença física, pelo menos, com a participação daqueles obreiros não pertencentes a grupos de risco.

Desnecessário tecer maiores reflexões sobre a importância de participar, marcar presença, ou daquela expressão de quem não é visto não é lembrado, mesmo em reuniões virtuais. O que se sabe é que a inação desmobiliza o engajamento, afasta. Cabe, sobremaneira aos dirigentes de nossas Lojas, zelar por manter acesa a chama e não deixar ao relento a ovelha desgarrada ou que, no caso vertente, ainda não tenha sido seduzida pela malha tecnológica, carecendo apenas de uma ajuda dos universitários. E essa união, hoje, independe de presença física se levarmos em consideração as várias alternativas de materialização de ideias.

Mudanças regulamentares começam a ser reclamadas, em face do novo normal que se nos apresenta. Queiramos ou não, a “hora h” chegou. Precisamos vencer as resistências, abandonar a inércia e fazer deste momento a alavanca para a revisão de nossas Constituições, Regulamentos Gerais, Landmarks, Protocolos Ritualísticos e construir uma visão de futuro e não apenas pensar no ano em curso, num eventual pós-pandemia imediato e incerto. Neste momento, a única certeza é a dúvida se a Maçonaria terá efetivamente a resiliência para desdenhar os efeitos da atual crise, sem sequelas e/ou perdas em suas fileiras. Encontramo-nos perante um desafio de vida ou morte. Vamos pagar para ver ou correremos conscientemente o risco de sermos referenciados no futuro como os “coveiros” da Maçonaria?

Enfim, enquanto privados dos encontros presenciais, podemos incentivar e incrementar nossas videoconferências com discussões dessa temática, agora enriquecida com um número cada vez maior de visitantes de diferentes Lojas, Ritos, Orientes e Potências, sem falar que estamos, com isso, participando de mais reuniões dentro do conforto de nossos lares e com interação virtual calorosa, antes impensável. Para encerrar, quem ainda não leu em nossos grupos de WhatsApp irmãos perguntando: onde tem live maçônica hoje? Novos tempos, novos desafios!

O que fazemos para nós mesmos morre conosco. O que fazemos pelos outros e pelo mundo, permanece e é imortal.” (Albert Pike)

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da Loja Maçônica Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida e da Academia Mineira Maçônica de Letras.

Screenshot_20200502-144642_2

Se você acha importante o trabalho que realizamos com O Ponto Dentro do Círculo, apoie nosso projeto e ajude a manter no ar esse que é um dos mais conceituados blogs maçônicos do Brasil. Você pode efetuar sua contribuição, de qualquer valor, através dos canais abaixo, escolhendo aquele que melhor lhe atender:

Efetuando seu cadastro no Apoia.se, através do link: https://apoia.se/opontodentrodocirculo

Transferência PIX – para efetuar a transação, utilize a chave: opontodentrodocirculo@gmail.com

Referências

Forthright Space, em https://forthright.space/2020/03/13/freemasonry-covid-19-updates-march-13-2020/. Acesso em 09.01.2021;

ISMAIL, Kennyo. CMI – Maçonaria no Século XXI. 2018. Disponível em: https://www.noesquadro.com.br/wp-content/uploads/2018/04/RELATÓRIO-CMI.pdf.  Acesso em 10.01.2021;

NOVAES, Tiago et al. Geração Z: Uma Análise sobre o Relacionamento com o Trabalho. 2016. Disponível em: http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/mostraucsppga/xvimostrappga/paper/viewFile/4869/1569. Acesso em 08.01.2021;

Site da GLMMG: http://www.glmmg.org.br/novo/Covid-19;

York Blog, em https://york.blog.br/2020/03/16/maconaria-e-covid-19/. Acesso em 09.01.2021.

Disciplina

Reprogramação Mental - DISCIPLINA - YouTube

Não é no medo que assenta a disciplina: é no sentimento do dever. (Rui Barbosa)

Disciplina é a mãe do êxito. (Ésquilo)

A disciplina é a doutrina e instrução de uma pessoa, especialmente no campo da moral. O conceito também é usado para fazer referência à arte, à faculdade ou à ciência, bem como ao próprio instrumento de castigo (o chicote ou a régua, caídos entretanto em desuso e abolidos). No âmbito militar e eclesiástico, a disciplina é a observância (cumprimento/respeito) das leis e nos ordenamentos da profissão.

A disciplina tem fixação no conjunto de regras e normas que são estabelecidas por determinado grupo, embora possa se referir ao implemento de responsabilidades específicas de cada pessoa.

Exemplificando quanto grupo social: vamos descobrir um conjunto de normas e regras de conduta, que variam de acordo com os seus preceitos.

Deste modo, com enfoco na sociedade: a disciplina ainda representa a boa conduta do indivíduo, ou seja, a característica da pessoa que cumpre as ordens existentes na coletividade.

Indo além, anotamos o significado de disciplina no trabalho ou em atmosfera religiosa, por exemplo, são diferentes, visto que para cada parte as regras e comportamentos costumam variar, de acordo com aquilo que consigam ser considerada de maior importância.

Segundo o Pequeno Dicionário Enciclopédico Koogan Larousse:

Disciplina s.f. O conjunto dos regulamentos destinados a manter a boa ordem em qualquer assembleia ou corporação; a boa ordem resultante da observância desses regulamentos: a disciplina militar. / Submissão ou respeito a um regulamento. / Cada uma das matérias ensinadas nas escolas: é professor de duas disciplinas.

A disciplina é uma palavra que tem a mesma etimologia da palavra “discípulo”, que significa aquele que segue.

Segundo o Dicionário “online” Priberam de Português:

Discípulo – s. m. Pessoa que recebe instrução (em relação a quem lhe dá); aquele que aprende (aluno, Secretário) ou aquele que segue as doutrinas de outrem.

Em filosofia significa o conjunto de conhecimentos metódicos ou regra de conduta a disciplina dos costumes e é aplicada às organizações e as pessoas.

Decorrido sobre o tema do “título” registro a indisciplina como o oposto, quando há a falta de ordem, regra, comportamento ou de respeito pelos regulamentos.

NA MAÇONARIA

A disciplina constitui em uma rígida e irrestrita observância às normas, às Constituições, aos Landmarks, aos Regulamentos, às Obediências e às autoridades.

Sem disciplina nenhuma organização ou entidade domina seus interesses. Porque a indisciplina gera um grave mal, a exemplo da anarquia a qual combatemos, por produzir o caos. A indisciplina anda em voga no meio político: “quanto pior melhor” porque atende a seus méritos.

Originando de que a disciplina é irmã gêmea da liberdade, quando a usamos como direito, ou seja, o direito agindo para que a manifestação de liberdade seja garantia de todos. Essa afirmativa produz efeito quando se consegue respeitar os direitos alheios; que é diferente da liberdade pessoal, conseguida pela deferência espontânea das normas previamente estabelecidas e da obediência às autoridades constituídas.

O cidadão que pretende viver em sociedade, leva para seu convívio um dos deveres essenciais. A disciplina; sinalizada por juramentos, estudos, posturas, segurança nas determinações e ações; sob pena de, não o fazendo, gerar no grupo: dissabores, desentendimentos, egoísmo, divisões e não conseguir transmitir a paz nem a harmonia, tornando-se assim, um cidadão que não inspira segurança a seus companheiros.

Tomemos para nossas vidas, um exemplo de autodisciplina, a do artista. Sua arte se expressa pelo rígido método de disciplina, que espontaneamente impõe a si próprio, dentre outros; o de dormir, de meditar, de buscar inspiração e no tratar com a natureza, completado pelos instrumentos que utiliza: o pincel, a caneta, as chuteiras e os dedos. Pois, sem este cuidado disciplinar ele nunca passará de um artista mediano, de um péssimo sonhador.

Na sociedade em geral, quando aceitamos o convite para ser iniciado na Ordem Maçônica imaginamos uma gama de normas próprias a que seremos submetidos a cumprir; e quando aceitos, prometemos cumprir, através de juramentos, e preceitos outros que formarão o caráter e a moral do cidadão/irmão.

Portanto, sem a disciplina maçônica, a busca da perfeição correrá por trilhos difíceis de se alcançar. É fato que necessitamos de orientações escritas, bem como: dos conceitos orais ministrados pelo corpo de instrutores das Lojas Maçônicas.

NA PANDEMIA

Historiamos que saímos das reuniões presenciais para as virtuais. Consequências que deixaram um gigantesco grupo de irmãos inconformados com a proibição; não podendo se reunirem nos Templos Maçônicos.

Contanto, a maçonaria praticada nos dias atuais “no campo virtual”, tem alcançado um desenvolvimento importante quando o produto final: é a busca do “conhecimento”.

Evento que, os protocolos decorridos dos Órgãos (Governamentais, Estaduais e Municipais) determinaram normas e deveres, com um leque de procedimentos sanitários a serem cumpridos pelos corpos Administrativos das Potências Maçônicas.

Anotamos aqui importantes dificuldades no cumprimento da execução deste protocolo, que traz à tona o dever de cumprir as normas elencadas, mantendo uma correta disciplina.

Alterações foram necessárias. Aditamos uma quantidade de irmãos de nossos relacionamentos, que conseguem através dos sistemas eletrônicos “Lives Maçônicas” palestras/estudos da maçonaria no país e exterior.

Enfim, afirmo que este “novo sistema” vinculará a maçonaria brasileira a buscar novos modelos de administrar e de desenvolver a cultura maçônica.

Assim sendo, ficam assinalados que: os irmãos atuais (minoria) estabeleceram regras de atração pelo conhecimento -, com foco nas palestras, estudos e seminários (virtuais); realizados pelas Potências e Lojas Maçônicas no Brasil e países outros.

Contente pelo o desenvolvimento da maçonaria (atualmente) -, porém apreensivo sobre os demais irmãos, que não concordaram com a evolução existente “sem volta” -, para muitos deles, a maçonaria se pratica nos Templos Maçônicos.

Apresento pretextos a vistas: construímos uma lacuna para o desenvolvimento da desmotivação, que geram, às vezes, na consciência dos irmãos a vontade latente de deixar a Ordem.

Comento que são poucas as Lojas Maçônicas que estão se reunindo, ficam no anonimato “alimentando as esperanças de logo voltarem as reuniões presenciais” – logo, não desempenham “estes” os sólidos compromissos, morais, éticos e disciplinares. Descontinuando os ensinamentos que norteiam a nossa Instituição.

CONCLUSÃO

O trabalho particulariza com clareza que ser disciplinado é fundamental em diferentes aspectos da vida dos indivíduos que vivem ao redor do mundo, pois sem essa “disciplina” os indivíduos não seriam capazes de colocar seus projetos em práticas, lutar para cumprir desafios e buscar novos limites em todas as áreas da vida. Finalizando evidencio que sem disciplina no incremento da obediência as leis e regras, o diálogo da coletividade seria muito mais complexo sobre os tratados organizacionais de interação entre os indivíduos.

Autor: José Amâncio de Lima

Amâncio é Mestre Instalado da ARLS Estrela de Davi II – 242 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Academia Mineira Maçônica de Letras, delegado da 1ª Inspetoria Litúrgica do REAA de Minas Gerais e, para nossa alegria, também um colaborador do blog.

Screenshot_20200502-144642_2

Se você acha importante o trabalho que realizamos com O Ponto Dentro do Círculo, apoie nosso projeto e ajude a manter no ar esse que é um dos mais conceituados blogs maçônicos do Brasil. Você pode efetuar sua contribuição, de qualquer valor, através dos canais abaixo, escolhendo aquele que melhor lhe atender:

Efetuando seu cadastro no Apoia.se, através do link: https://apoia.se/opontodentrodocirculo

Transferência PIX – para efetuar a transação, utilize a chave: opontodentrodocirculo@gmail.com