A Passagem

Como lidar com as mudanças? - Psicólogos Berrini

Chama-se Passagem [1] à Cerimônia pela qual o Aprendiz adquire o estatuto de Companheiro, conferindo-lhe o segundo grau da Arte Real.

Tal como a Iniciação, a Passagem é um rito… disso mesmo: de passagem. Tal como aquela, tem os três tempos de um rito de passagem: de onde vens, o que és, para onde vais.

Mas, ao contrário da Iniciação, a cerimônia de Passagem deixa quase sempre no novel Companheiro um travo de desapontamento, uma sensação de que o que ocorreu foi menos do que o que o esperava.

Efetivamente, a Cerimônia de Passagem é muito mais simples e sóbria do que a Iniciação. Se pensarmos bem, deve sê-lo! A Iniciação marca a entrada num novo mundo, marca a transição da vida profana para a vivência maçônica. A Passagem assinala apenas o dobrar de uma etapa. Uma marca que, tendo o valor de assinalar um progresso, uma melhoria, um crescimento, no entanto o maçom que dela beneficia já deverá começar a perceber que é só uma pequena parte do muito caminho que ainda tem para percorrer, se quiser efetivamente atingir a plenitude das suas capacidades.

E, para que o maçom que passa de Aprendiz a Companheiro não tenha dúvidas nem ilusões sobre o pouco que andou e o muito que lhe falta percorrer… vai começar por se desiludir com a espartana Cerimônia de Passagem!

Não é só por esta razão que a Cerimônia de Passagem é tão simples. Porque ela é propositadamente simples, curta e sem enfeites!

A Cerimônia de Passagem não marca apenas uma mudança de estatuto, de grau, de Aprendiz para Companheiro.

A Passagem assinala sobretudo um novo estilo e objetivo de trabalho. Não uma mudança, porque o maçom não deve deixar de efetuar o trabalho que aprendeu a fazer enquanto Aprendiz para passar a fazer o tipo de trabalho do Companheiro. Não isso. Um maçom deve ser Aprendiz toda a sua vida maçônica. A Passagem assinala que, para além do trabalho que o maçom faz enquanto Aprendiz, deve, a partir de então, passar a executar também um novo tipo de trabalho.

A Passagem não é uma promoção. É um entregar de novas responsabilidades, a acrescer às que já se cumprem.

A Passagem não se destina, portanto, a impressionar, a marcar. A Passagem, pelo contrário, destina-se a enfatizar que o trabalho do maçom é sóbrio e persistente e cada vez mais profundo e variado. A Passagem não é uma festa. É apenas a entrega de um certificado de aptidão. A Passagem não é uma entrada na Mansão do Conhecimento Maçônico, é apenas a abertura de mais uma porta e o acesso de mais uma sala, para que o maçom, que anteriormente trabalhava apenas na sala dos Aprendizes… passe agora a trabalhar também na oficina dos Companheiros.

A Passagem deixará no maçom um travo levemente amargo da desilusão. Mas é para isso que serve. Para que o maçom perca as últimas ilusões que, sobre a Maçonaria, ainda guarde do seu passado de profano e confirme que o seu caminho é de trabalho. Mais trabalho.

Eu senti essa desilusão na minha Passagem a Companheiro. Eu, que já assisti e participei em dezenas de Cerimônias de Passagem, já vi dezenas de trejeitos de desilusão nas faces e nos olhos dos meus Irmãos. A alguns a desilusão é tanta e tão pesada que, mansamente, discretamente, se vão ausentando e decidem abandonar o caminho que os demais continuam a percorrer. Não é grave! Nem todos os Aprendizes chegam a Companheiros. Nem todos os Companheiros ascendem a Mestres. E seguramente que nem todos os Mestres virão a exercer o ofício de Venerável Mestre. É assim a realidade! Para alguns, o peso do trabalho é superior ao que se sentem com capacidade de suportar e arreiam. Também na Maçonaria a seleção é natural… Cada um percorre o seu caminho ate onde pode. Mesmo os que decidem parar a meio, já percorreram, pelo menos, uma parte do caminho. Esse ganho já é deles e ninguém lhes tira.

Não é por sadismo ou por inconsciência que se sujeita o maçom à desilusão, que se arrisca a sua desistência. É porque é necessário que essa etapa seja vivida. O novo trabalho que se acrescenta parecerá, para muitos, inútil e desnecessário. Mas não é nem uma coisa, nem outra. Porque com ele o maçom vai aprender que, para ser Mestre de si próprio, tem de ser um Homem completo. E que tem de se completar. De crescer e desenvolver-se harmoniosa e equilibradamente em todos os campos. Não apenas num ou em alguns. Sobretudo, não apenas onde e como gosta…

Para começar, tem uma desilusão… Mas, se efetivamente aprendeu bem o que tinha de aprender na coluna dos Aprendizes, cedo, logo, superará essa desilusão; cedo, logo, se lembrará que, em Maçonaria o que parece normalmente é diferente do que é e o que é normalmente é mais do que parece; cedo, logo, esquecerá a desilusão e olhará, atentará, meditará no que, espartana, simplesmente, lhe foi mostrado. E agirá em conformidade. E com isso completar-se-á.

Demorei muitos anos a perceber isto. Andei muito tempo a dizer e a escrever que o grau de Companheiro estava mal acabado, que era desinteressante, que era uma perda de tempo, enfim, uma quantidade de disparates que os mais antigos fizeram o favor de estoicamente suportar, sem me tirarem a possibilidade de descobrir por mim próprio como eram tão desajustados!

O ciclo reproduz-se com cada maçom que persiste! Desilude-se, interroga-se, observa, trabalha, evolui e… um dia percebe que era assim mesmo que tinha de ser e de fazer. Quando, finalmente, estiver pronto para perceber.

A cada novo Companheiro eu dedico três desejos: que cumpra o ciclo que eu e muitos outros antes de mim cumpriram e ainda muitos mais cumprirão depois dele; que, um dia, perceba, como eu percebi; que não necessite de tanto tempo como eu necessitei!

Autor: Rui Bandeira

Fonte: Blog A Partir Pedra

Nota

[1] – Cerimônia de Elevação

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Maçonaria hoje: o antigo e o moderno

Desvendamos todos os segredos e tradições da maçonaria em Jaraguá do Sul

A maçonaria é uma instituição que tem bases antigas e, ao mesmo tempo, gera modernidade. Pode-se dizer que é um atanor onde o antigo e o moderno, se relacionam de uma maneira harmoniosa e natural, baseadas, essas relações, em leis universais que a mente estudiosa, observa, estuda e aprende a usar para a glória do Grande Arquiteto do Universo e para o bem da humanidade. Essas bases antigas, normalmente, se sustentam sobre os chamados bons costumes, assim como sobre as normas que, desde tempos remotos, permitem a convivência entre os seres humanos, sua evolução e desenvolvimento, dentro da maior harmonia, além das diferenças que existem entre todos, incluso, em relação com o ambiente que lhes rodeia.

É assim como, ao longo do tempo, seus membros, indistintamente de sua oficina, rito, idioma, cultura, educação acadêmica e idade, vão criando obras ao serviço dos seres humanos, indistintamente do tempo e o espaço. Obras em quase todas as atividades, desde as ciências até a filosofia. Não há uma atividade relacionada, como as chamadas ciências e artes liberais, que não há sido tocada pela mão, mente e coração de um maçom. Todos os desenvolvimentos, em todas as áreas, estão relacionados ou são produto dos aportes que esses maçons deram à humanidade, juntando o antigo com o moderno em cada uma dessas obras, da forma como a maçonaria ensina, como uma Arte Real, onde o justo e o perfeito se enlaçam, se fundem, se combinam, mostrando as maravilhas produzidas pela harmonia dos elementos que existem tanto acima como embaixo.

Conhecer e dominar isso é parte do trabalho maçônico universal que, nestes tempos, deveria ser parte fundamental em cada oficina. Esse processo de relacionamento entre o antigo e o moderno deve partir do conhecimento das bases fundamentais e da prática delas no dia a dia, em cada circunstância, em cada momento, em cada lugar. O maçom de hoje, com toda a modernidade a sua mão, tem que proceder a preservar essas bases, da mesma maneira que deve proceder a modernizar os resultados.

As antigas maneiras de corromper uma pessoa como a uma sociedade, que hoje destroem nossas repúblicas, podem ser reduzidas a quase zero aplicando princípios muito antigos. Não vamos a inventar a água, mas podemos criar as condições para preservar suas fontes. Não vamos a inventar a amizade, mas podemos manter as condições para que ela se mantenha na cultura da humanidade. Não vamos a inventar a honestidade, mas podemos aprofundar suas bases para que ela seja parte cotidiana na vida das pessoas. Não vamos a inventar a justiça, mas podemos fazer que ela seja a norma da sociedade humana. Não vamos a inventar a liberdade, mas podemos fortalecer a verdade para que ela exista em todos. Não vamos a inventar o princípio da igualdade, mas podemos fazer que esteja na mente e corações de todos para poder ser aplicado sempre. Não vamos a inventar o sistema do respeito, mas podemos educarmo-nos nele e assim viver por sempre. Não vamos a inventar a propriedade, mas podemos defender esse direito natural e fazer proprietários a todas as pessoas. Não vamos a inventar a segurança, mas podemos transmitir e dar a mesma uns aos outros e desfrutar de seus benefícios. Não podemos a inventar o antigo sistema filosófico e político chamado a república (a coisa pública), mas podemos modernizar as condições dela, construindo-a dia a dia da forma como foi criada, para servir aos cidadãos, dentro da antiga lei do amor e do cumprimento dos nossos deveres, esses que temos para com Deus, para com nossos semelhantes e para com nós mesmos. Para a maçonaria de hoje e sempre, o antigo e o moderno podem coexistir e conviver. Se alguma coisa deve ficar para trás, são aquelas que prejudicam a espécie humana e a sua natureza divina, que separam o criado de seu criador, que geram sofrimentos e miséria na humanidade e frustrações em vez de esperanças.

Autor: Henry Díaz M.

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Usos e Costumes em Lojas Maçônicas

Loja Maçônica Independência, 131

Este trabalho tem por objetivo analisar a prerrogativa da liberdade e colocação em prática de Usos e Costumes em Lojas Maçônicas. Justifica-se por ser algo pertinente a estas Lojas, bem como ao fato de que seu entendimento pode ter interpretações diversas. A adoção de alguns Costumes em Lojas pode ocasionar questionamentos diferentes, dependendo muitas vezes de observações pessoais e vantajosas para quem as pratica.

O questionamento destas práticas, em sua pretensão, coloca uma interpretação do conceito e definição em uma maior profundidade, sempre tendo por objetivo acrescentar, ajudar e evoluir cada vez mais em uma busca justa e perfeita. Por que se adotam práticas em Lojas que, em outras do mesmo Rito, estes costumes são abominados e não adotados?

Sabemos que na história, por circunstâncias diversas, Usos e Costumes tornam-se regras. Nas Lojas Maçônicas não foi diferente, pois com o passar dos tempos algumas coisas adotadas, e por serem usuais rotineiramente, tornaram-se regras oficiais. Além de que, com o passar dos anos, regras são alteradas devido à evolução dos tempos e adaptações aos momentos de vida dos segmentos envolvidos. Estas mudanças, quando necessárias, é que devem ser melhores analisadas. Esta análise deve ser feita, necessariamente, em caráter oficial para que não resida o grande descompasso na liberalidade de adoção de práticas que poderão se tornar regras. Urge decisões de instâncias oficiais, normatizando situações adotadas diferentemente por motivos circunstanciais.

Algumas interpretações devem se aproximar de um consenso, tendo em vista que o objetivo é único.

A liberdade para as mudanças necessárias de regras em Lojas Maçônicas, e isto está autorizado em Manuais com ressalvas, deve permear a análise profunda e histórica do Rito e adotar-se algumas regras particulares, acobertados pela liberalidade do Rito quanto aos seus Usos e Costumes estão descaracterizando-o. Mesmo que esteja bem claro que a atualidade de certas práticas não deve perder o contexto histórico do fato.

Apesar de ser uma premissa básica o entendimento do Rito, na sua primeira e decisiva finalidade, este entendimento fica em segundo plano quando se interpreta de forma errada o que está escrito. Está lá no Manual de Instruções do Rito Schöroder – Grau de Aprendiz Maçom: 

O termo Rito incute nas pessoas o hábito cerimonial. O termo Rito se aplica no sentido de regra, ordem, método, orientação, diretriz, uso e conotações, que impregnam a conduta humana de compromisso com um sentimento preconizado.

E como complemento decisivo encontra-se na Edição 2015 do livro Docência Maçônica: 

Em Maçonaria a aplicação de Usos e Costumes deve ter sempre a observância atenta de suas componentes, entre elas sua temporalidade, não devendo ser confundida, pois, com a tentativa de modificações a serem introduzidas nas regras e normas ritualísticas e administrativas devidamente regularizadas. Exige-se que essas práticas contenham sua habitualidade em grande lapso de tempo, ou seja, observe certa antiguidade.

Reforçar este entendimento apenas traz consigo os elementos que devem ser analisados, entendidos e praticados em Lojas. Quando da adoção de certas normas particulares de costumes em Lojas, algumas coisas devem ser levadas em considerações: regras, normas, tradições, culturas, evolução da vida física, temporalidade e outras. Devemos considerar aquilo que nos faz diferentes dos demais, isto é, a tradição, a temporalidade quanto ao seu estágio inicial para que não percamos com o passar dos tempos algumas características que nos fazem diferentes.

Adotar-se certas práticas dentro de uma Loja que são confortáveis ou menos trabalhosas, atitudes estas amparadas em liberalidade dos Usos e Costumes, é afastar-se do caminho da persistência que deve ter um Maçom quanto ao seu esforço físico na busca de uma evolução.

Adotar-se atitudes particulares e transferi-las para o âmbito de uma Loja, é descaracterizar aquele esforço que se deve ter, mesmo que seja penoso, na busca de uma evolução. Não se deve adotar alguns Usos e Costumes em uma Loja porque uma maioria de irmãos achou que deveria ser assim, pois, entender que uma maioria é soberana, é diferente de uma unanimidade. Adotar algumas coisas pela sua praticidade é incorrer no erro dos que buscam apenas coisas pensando em si próprios e não na busca do coletivo.

Usos e Costumes não devem ser desculpas para adoção de interesses de pequenos grupos. Adaptações devem ser seguidas com relação a sua temporalidade, contudo, de tal modo que nunca fujam daquelas normas preconizadas às suas características básicas.

A adoção de Usos e Costumes, com a retórica baseada em uma simples análise de evoluções apenas ligadas ao calendário de que o mundo evoluiu, passa necessariamente pela análise de suas características iniciais de que a finalidade da evolução do homem em todos os seus aspectos é única e adaptações corriqueiras não devem ser manipuladas apenas visando o conforto dos que as propugnam, pois senão incorre-se no erro de que a evolução dos tempos os transforma em iguais na sua caracterização.

Entender que qualquer evolução pode ser benéfica, necessariamente não quer dizer que se deve adotá-las, pois, decisões de pequenos grupos podem trazer erros em sua concepção. O processo de implantação de regras e normas, necessariamente, têm características próprias e objetivos bem definidos quanto a sua diferenciação. Tentar a aproximação do unânime, quanto à evolução do tempo, e aos seus circundantes que navegam no acaso sem responsabilidades algumas, pode os tornar comuns e descaracterizar aquele grupo de pessoas que buscam, incessantemente, a evolução.

Notam-se em algumas Lojas pequenos grupos tentando adotar práticas que descaracterizam a Maçonaria na sua essência básica, com a simples desculpa que o mundo evoluiu. Nestes casos específicos, numa análise mais profunda, verificam-se adoções de práticas particulares com relação aos rituais que são feitos, sem a preocupação da preservação de uma tradição.

É necessário um entendimento e praticidade mais profunda do que significa Usos e Costumes, mesmo que, para isto, tenha-se que adotar certas regras impositivas de fiscalização que podem ser adotadas até mesmo dentro dos referidos grupos.

Autor: Jorge Antonio Mendes

Fonte: Ritos & Rituais

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Maçonaria: problemas modernos ou antigos?

O Triunfo da Maçonaria especulativa: O capitalismo como criação de Lojas  Maçônicas radicais

Introdução

Choque de gerações, novos tempos, entre outros assuntos que envolvem mudanças na Maçonaria costumam gerar bastante polêmica.

No entanto, este artigo se propõe a demonstrar que nem tudo é o que parece e que, muitas vezes, aquilo que é interpretado como um problema da modernidade, na realidade, não tem nada de novo.

Antes da Era da Informação, a Maçonaria brasileira no geral, bem como uma grande quantidade de lojas em particular, viviam numa espécie de bolha de realidade, isoladas do restante do mundo e da história maçônica em uma série de coisas. Afinal, manuscritos, livros e até mesmo conversas com o resto do mundo ficavam restritos a uns poucos.

Mas a realidade atual é outra. E, através de dez exemplos reais, este artigo demonstrará que muitas vezes aquilo que é percebido como uma mudança ruim, na realidade, nada mais é do que um fenômeno antigo.

1) Ritual canibalizado?

Algumas semanas atrás, um amigo me ligava e dizia-se chateado com os desdobramentos do Rito Escocês Antigo e Aceito no Grande Oriente do Brasil. Segundo ele, o ritual havia sido canibalizado e havia uma insatisfação geral na loja com seu conteúdo. Cogitavam até trocar de Potência.

Pedi pra ver o ritual e pude constatar que diversos dos enxertos que foram feitos ao rito nas últimas décadas haviam sido removidos. De modo que aquele era um dos rituais mais próximos do ritual francês de 1829 em prática aqui no Brasil. Quando esclareci isso a meu amigo, ele demonstrou enorme surpresa.

Não importa se alguém é contra ou a favor da revisão dos rituais e eliminação dos enxertos. Fato é que, muitas vezes, os rituais revisados podem se basear numa prática mais antiga. Não se pode considerar que isso seja uma inovação!

2) Sem Entrada Ritualística

Numa crítica recente às sessões virtuais, presenciei alguns irmãos dizendo que não poderiam considerar aquilo como sessão porque não havia como ter entrada ritualística em uma sessão virtual.

Independente da posição que alguém tenha sobre sessões virtuais, ocorre que entrada ritualística não é prevista em diversos ritos ou trabalhos. Rituais do York, Emulação, entre outros, preveem que os trabalhos comecem com os irmãos já em loja.

Mesmo no Rito Escocês Antigo e Aceito, a entrada ritualística não consta nos primeiros rituais. O que não quer dizer que ela seja ruim. Apenas, não se define Maçonaria a partir desse fato.

3) Contra o Espírito da Coisa?

Outra crítica às reuniões virtuais diz que conceder graus de forma virtual quebraria o espírito da coisa, já que não teríamos ritualística e a passagem se resumiria a uma mera leitura.

A crítica a isso ser um processo sem graça e bem inferior à teatralidade e às cerimônias das sessões não deixa de ser bastante válida. O problema é que novamente isso é apontado como um problema moderno.

Se alguém atentar para os rituais originais de Charleston do REAA, produzidos no começo do século 19, verá que a ritualística era extremamente simples e os graus eram quase que essencialmente leitura.

A teatralização e maior elaboração das cerimônias foi algo que começou a ser desenvolvido meados do século 19 em diante.

4) Uso de Novas Tecnologias

Outro problema apontado como recente seria o uso de novas tecnologias.

Porém, uma gravura datando de cerca de 1900, no acervo do museu do Rito Escocês do Supremo do Norte dos EUA (NMJ) mostra um retroprojetor sendo usado em loja para ilustrar o conceito dos graus.

Em outras palavras, a Maçonaria já incorpora novas tecnologias a favor de suas sessões há mais de 120 anos!

5) A Maçonaria agora aceita mulheres?

Recentemente, a Grande Loja Unida da Inglaterra postou uma foto conjunta com a Maçonaria feminina.

A foto gerou vários comentários raivosos de maçons brasileiros mas, o que chamou a atenção foram alguns comentários reclamando da ‘modernidade’ no aceite de mulheres na Maçonaria, o que uns classificavam como traição, outros como comércio, uns tantos ainda como o presságio apocalíptico do fim da Maçonaria.

Ocorre, porém, que existem duas Grandes Lojas femininas na Inglaterra com quem a GLUI tem amizade: a Honourable Fraternity of Ancient Freemasons, que foi fundada em 1913, e a Order of Freemasonry for Women, que se tornou estritamente feminina na década de 1920.

Como se pode ver, a Maçonaria feminina na Inglaterra tem literalmente mais de um século. Além de décadas de amizade com a GLUI. Ou seja, não se trata de uma questão recente.

6) Estão desrespeitando os Landmarks?

Analogamente, não é incomum ver maçons alegando que algo vai contra os Landmarks quando veem coisas que lhes causam estranheza. E qual não é o espanto de muitos ao saber que os landmarks de Mackey, criados em 1858, nunca foram adotados como critério pela Inglaterra, que é quem mais dá as cartas em termos de regularidade maçônica no mundo e tem seus próprios Princípios de Regularidade, nem são adotados como padrão universal pelas Grandes Lojas norte-americanas.

Isso sem contar que, ao longo do século 19, vários compilados de landmarks foram propostos por autores diferentes. Nenhum deles foi adotado de forma universal.

Discussões, portanto, revolvendo em torno de coisas que destoam os landmarks de Mackey também não podem ser tratadas como inovações.

7) Revisionismo?

Não são poucos os que vociferam contra irmãos que se levantam para denunciar as ideias e alegações fantasiosas de autores como Rizzardo da Camino, Jorge Adoum, Jean-Marie Ragon, entre outros. Alegam que fazer tal coisa seria matar a alma da Maçonaria.

Mas, novamente, essa questão está longe de ser uma atitude revisionista moderna.

Muito pelo contrário, a própria loja Quatuor Coronati 2076, da Grande Loja Unida da Inglaterra, foi fundada exatamente porque os maçons ingleses já questionavam desde, pelo menos, meados século 19, as ideias fantasiosas propagadas por alguns sobre as origens e desenvolvimentos da Maçonaria.

E os registros históricos da Quatuor Coronati indicam que a loja questionava ideias lendárias propagadas por ninguém menos do que o próprio James Anderson, autor das famosas constituições que carregam seu nome.

Ou seja, a Maçonaria nunca teve um autor como sagrado ou acima de qualquer crítica, e sempre teve pessoas que criticaram a romantização de suas origens.

8) Maçons não estudam mais?

Igualmente é comum ver irmãos reclamando que nos tempos deles os estudos eram sérios e supostamente muito mais conhecedores de Maçonaria do que atualmente, como se os tempos atuais fossem piores.

No entanto, em 1875, Albert Mackey fez a seguinte reclamação:

“No entanto, nada é mais comum do que encontrar maçons que estão em trevas totais sobre tudo o que se relaciona com a Maçonaria. Eles são ignorantes de sua história – eles não sabem se é uma produção de cogumelos hoje, ou se remonta a idades remotas em sua origem. Eles não têm compreensão do significado esotérico de seus símbolos ou suas cerimônias, e dificilmente estão familiarizados com seus modos de reconhecimento. E, no entanto, nada é mais comum do que encontrar tais pseudo-sábios de posse de altos graus e às vezes honrados com assuntos elevados na ordem, presentes nas reuniões de lojas e capítulos, intermediando com o processo, tomando uma parte ativa em todas as discussões e teimosamente mantendo opiniões heterodoxas em oposição ao juízo de irmãos de maior conhecimento.” (Reading Masons and Masons Who Do Not Read)[1]

Ou seja, o problema de haver uma grande quantidade de maçons ignorantes, e pior, ostentando altos graus, cargos administrativos, etc. não é exatamente um problema novo.

9) Aventais

Outra discussão que recentemente presenciei dizia respeito ao Rito Escocês Antigo e Aceito nas Potências da COMAB. Alguns irmãos reclamavam que a COMAB teria “suprimido as rosetas” em prol do típico M. B. no avental de Mestre.

Outros ainda discutiam o padrão dos aventais de Mestre Instalado. Novamente, acusando alguns de quererem inovar.

Ocorre, porém, que um manual dos graus franceses publicado em 1820, em Paris, descreve o ritual de Mestre como tendo justamente o M. B. utilizado pela COMAB.

E, pra piorar, temos o fato de que Instalação é algo inexistente na origem do Rito Escocês Antigo e Aceito, tendo sido incorporada ao rito aqui no Brasil e em outros países. Ou seja, na origem, o REAA não tinha avental de Mestre Instalado, de modo que não importa o padrão, já que não há um padrão original a ser seguido.

10) Egrégora

Outra preocupação muito constante entre alguns irmãos é que determinadas posturas corporais ou pequenos desvios ritualísticos possam comprometer a egrégora da loja. Reclamam que as novas gerações não atentam para coisas que poderiam supostamente quebrá-la.

Sem entrar no mérito da questão de se egrégora existe ou não, fato é que até pouco tempo atrás não se ouvia falar tal termo em Maçonaria. E ele certamente não figura em nenhum ritual histórico da Maçonaria nos seus principais ritos e sistemas.

Ou seja, ironicamente, o conceito de egrégora é, em si, a inovação, não os desvios que poderiam supostamente comprometê-la!

Considerações finais

A lista poderia continuar, com dezenas de outros exemplos, mas os dez acima já são mais do que suficientes para ilustrar o ponto.

Como se pode perceber, uma parte considerável dos incômodos levantados por alguns irmãos com as supostas mudanças ou inovações dos tempos atuais ou das novas gerações estão muito longe de ser assim. Pelo contrário, às vezes representam até mesmo um resgate de práticas mais antigas.

É importante compreender que a postura do “porque sim” ou do “sempre fizemos desse jeito nesta loja”, para justificar ideias ou práticas, não sobrevivem à possibilidade de escrutínio que a Era da Informação nos trouxe, em que fontes podem ser checadas e informações outrora tidas como verdadeiras podem ser facilmente invalidadas.

A Maçonaria não corre, portanto, risco de extinção por esse processo. Nem é justo atribuir tais coisas, como alguns fazem, ao “danoso espírito inovador.”

Autor: Luis Felipe Moura

*Luis Felipe é M∴ M∴, membro da ARLS São Paulo de Piratininga 250 (GOP/COMAB). É bacharel em Letras (inglês), mestre em Teologia e em Psicanálise, atualmente trabalha como psicanalista e professor de Bíblia Hebraica.

Fonte: Ritos & Rituais

Nota do blog

[1] – Clique AQUI para ler o texto completo de Albert Mackey.

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Bibliografia

DYER, Colin. The history of the first 100 years of Quatuor Coronati Lodge No. 2076. Disponível em: https://www.quatuorcoronati.com/about-qc-lodge/centenary-booklet/. Acesso em: <08/09/2021>

JANTZ, Percy. The Landmarks of Freemasonry. Disponível em: http://freemasonry.bcy.ca/texts/landmarks.html. Acesso em: <08/09/2021>.

MACKEY, Albert. Reading Masons and Masons Who Do Not Read. The Master Mason, 1875.

SIMON, Jacques. REAA – Rituel des trois premiers degrés selon les anciens cahiers. Éditions de La Hutte, 2010.

RODRIGUES, Luciano R. Egrégora: um conceito totalmente estranho à tradição maçônica. Disponível em: Egrégora: um conceito totalmente estranho à tradição maçônica. Acesso em: <08/09/2021>

Magic Lanterns: Illuminating the Teachings of Freemasonry. Disponível em: https://scottishritenmj.org/blog/magic-lantern-freemasonry. Acesso em: <08/09/2021>

Manuel Maçonnique, ou Tuileur de tous Les Rites de Maçonnerie Pratiqués en France. Paris, 1820.

Ordo Ab Chao: The Original and Complete Rituals of the first Supreme Council, 33º – Vol. 1. Boston: Boemandres Press, 1995.

Women Freemasons. Disponível em: https://www.ugle.org.uk/becoming-a-freemason/women-freemasons. Acesso em: <08/09/2021>.

HFAF: Our history. Disponível em: https://hfaf.org/about-us/our-history. Acesso em: <08/09/2021>.

The Order of Women Freemasons: Our History. Disponível em: https://www.owf.org.uk/about-us/our-history/. Acesso em: <08/09/2021>.

Afinal, somos pedreiros ou cavaleiros andantes?

Dom Quixote - Resumo, Autor e Análise - Arena Marcas e Patentes

Sr. e Ir.,

Estou envergonhado que sua gentil carta tenha ficado tanto tempo sem resposta, mas espero que você me desculpe quando eu lhe asseguro que não foi devido a negligência ou desrespeito, mas a falta de oportunidade para me satisfazer em alguns pontos, relacionados com a variedade de Maçonaria, que você menciona sob o nome de Maçonaria Escocesa.

Eu estava determinado a consultar nossos Irmãos na Escócia, particularmente nosso Irmão, Lord Aberdour, que é filho e herdeiro do Conde de Morton, e um excelente maçom; como tal, ele ocupou a presidência na Escócia, e sua senhoria agora foi eleito Grão-Mestre na Inglaterra, com a renúncia do Marquês de Carnarvan.

Lord Aberdour e todos os maçons escoceses (ou melhor, cavalheiros escoceses que são maçons) com os quais conversei, e fiz questão de consultar muitos, não conhecem nada sobre as formas e títulos que você menciona, e que você chama justamente a fraude de Maçonaria. Entre alguns dos nossos irmãos de mais baixo extrato, eu encontrei, e muitas vezes ouvi falar de irregularidades; como eu as chamo justamente, porque se desviam tanto de nossas cerimônias usuais, e são tão cheias de inovações, que no processo do Tempo, os antigos Landmarks serão destruídos pelo fértil gênio de Irmãos que melhorarão ou alterarão, se apenas para dar espécie às suas habilidades, e consequência imaginária; de modo que, em poucos anos, será tão difícil entender a Maçonaria, quanto distinguir os pontos ou acentos da língua hebraica ou grega, agora quase obscurecidos pela indústria de críticos e comentaristas.

Três cavalheiros estrangeiros e maçons visitaram recentemente a loja à qual pertenço, e foram apresentados por mim à Grande Loja e à Grande Festa; ao discorrer com esses cavalheiros, eu descubro que em alguns lugares da Alemanha, Holanda e Suíça, existem Ordens de Maçons desconhecidas para nós, a saber, Cavaleiros da Espada, da Águia, da Terra Santa com uma longa série de et caeteras; certamente esses pontos de Maçonaria devem ser maravilhosos; estou certo de que são muito novos; além disso, estas dignas e distintas ordens, eu descubro, têm sinais, toques, etc., peculiares às suas respectivas Dignidades, e enfeitam-se com diferentes fitas coloridas.

Eu ficarei feliz com sua assistência e a ajuda dos Irmãos na Holanda, para resolver estes intrincados e confusos pontos, e gostaria de saber (especialmente dos Irmãos que se distinguem pela denominação de Maçons Escoceses) de onde receberam sua constituição, o Grão-Mestre da Escócia, que eu presumo que eles reconheçam o chefe de sua sociedade, não conhecendo inteiramente a Ordem deles: A Lord Aberdour e vários outros nobres escoceses e cavalheiros que são bons maçons, comuniquei sua carta, e também a informação que recebi desses Irmãos estrangeiros, um dos quais era um oficial no serviço holandês; mas, considerando as mais rigorosas pesquisas que pude fazer, só posso dizer que eles exercitaram sua genialidade com esforços para tornar a Maçonaria ininteligível e inútil.

Essas inovações são de anos muito antigos, e acredito que os Irmãos encontrarão dificuldade para produzir um Maçom familiarizado com tais formas há vinte ou até mesmo dez anos atrás. Meu próprio pai tem sido um maçom nestes últimos cinquenta anos e esteve em Lojas na Holanda, na França e na Inglaterra. Ele não conhece nenhuma dessas cerimônias: Elas são estranhas para o Grão-Mestre Payn, que sucedeu ao Sr. Christopher Wren, bem como também para um velho Irmão de noventa anos, com quem conversei ultimamente; este Irmão me assegura que ele foi iniciado maçom na sua juventude e frequentemente frequentou Lojas até se tornar incapaz por sua idade avançada, e ele nunca ouviu ou conheceu quaisquer outras cerimônias ou palavras, diferentes das que usamos em geral entre nós; tais formas foram entregues a ele, e aquelas ele reteve. Quanto aos Cavaleiros da Espada, Águia, etc., o conhecimento deles nunca alcançou seus ouvidos, até que eu o informasse. As únicas ordens que conhecemos são três, Mestres, Companheiros e Aprendizes, e nenhuma delas chegou à honra de cavalaria pela Maçonaria; e eu acredito que você mal pode imaginar que, em tempos antigos, a dignidade da Cavalaria florescesse entre os Maçons; cujas lojas até agora consistiram de maçons operativos e não maçons especulativos. Cavaleiros da Águia, Cavaleiros da Espada, eu li em romances, o próprio grande Dom Quixote foi feito Cavaleiro do Capacete de Bronze, quando ele venceu o barbeiro. Cavaleiros da Terra Santa, São João de Jerusalém, Templários, etc., existiram, e acredito que agora existem os Cavaleiros de Malta, mas o que é isso para a Maçonaria? Nunca ouvi dizer que essas Ordens ou Honras foram obtidas por habilidade em Maçonaria, ou que elas pertenceram à Fraternidade dos Maçons, embora eu não duvide que pertençam agora, e existem muitos maçons membros dignos de suas Ordens & Honras, mas imagino que eles não pensam que obtiveram tais títulos apenas na Maçonaria.

Benevolência universal, amor fraternal, amizade e Verdade, agir pelo esquadro e viver dentro do compasso, são ou deveriam ser, os princípios da Maçonaria, a Regra & Guia de nossas ações. Sejamos bons maçons, podemos olhar com desprezo para outras Honras ou Títulos, está em todo o tempo em nosso poder ser bons maçons, e eu acho que devemos nos contentar e não procurar os campos aéreos de romance para títulos adicionais. Usar nosso maior esforço, caro Irmão, para evitar que uma sociedade realmente valiosa degenere e se perca em obscuridade, visando títulos, aos quais a própria natureza de nossa sociedade não pode nos dar um direito.

A única distinção de Fitas ou Joias, que fazemos em nossas Lojas, você encontrará em nosso Livro de Constituições, a saber, Grandes Oficiais usam suas joias douradas, pendentes em fitas azuis, e seus aventais revestidos de azul; aqueles Irmãos que serviram no cargo de Mordomo em nossa Grande Festa (dentre os quais devem ser eleitos todos Grandes Oficiais, exceto o Grão-Mestre) usam suas Joias de Prata sobre fitas vermelhas, e revestem seus aventais com vermelho; todos os outros irmãos usam aventais brancos e seus pingentes de joias em fitas brancas, e não devem usar outras joias além do esquadro o nível e o prumo, o Compasso pertencendo apenas ao Grão-Mestre.

Se o Mestre da Loja está ausente, o Mestre Instalado (Past-Master), ou o Primeiro Vigilante da Loja, o substituem, assim como os Regulamentos privados dessa Loja determinem.

Nossos brindes em loja são, primeiro ao Rei e à Maçonaria, com 3 vezes 3. O segundo ao Grão-Mestre, com 3 vezes 3, ao G.M.A. e GG. VV. com 3; seguir bebemos ao Ex-G.M., Irmãos estrangeiros de Distinção por Nome, tais como o Imperador, Rei da Prússia, etc., depois disso, o Brinde Geral da Maçonaria.

O Marquês de Carnarvon renunciou à Presidência em favor de Lord Aberdour, que agora é o G.M., e nosso digno Ir. Revis, G. M. A., mas tenho permissão para assinar esta Carta como G.M.A., e se você nos favorecer com uma Linha, siga o mesmo método usado antes pelo secretário do Sr. Hopp, que transmitirá suas ordens a mim, e cuidarei para que elas sejam devidamente cumpridas.

O antigo e o presente G.M. desejam seus Respeitos a nossos Irmãos por favor, aceite também os Respeitos do Dr. Sr. e Ir.

Seu mais afetuoso Ir. e obediente humilde servo

T. Manningham, G.M.A.

Jermyn Street, 12 de Julho de 1757.

Carta do Grão-Mestre Adjunto da Grande Loja de Londres, Dr. Manningham ao Irmão Sauer em Haia, respondendo a uma consulta sobre a Maçonaria Escocesa, que era uma novidade no Continente.

Tradução: José Filardo

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O salário do maçom

O que é saldo de salário? - Salem Advogados Trabalhista

A Maçonaria Operativa, como estrutura de regulação do acesso e prática da atividade profissional de construtor em pedra, regulava igualmente as formas de pagamento e os montantes dos salários dos seus associados.

Também na Maçonaria Especulativa os maçons recebem o seu salário. Simplesmente, como tudo na Maçonaria Especulativa, o salário que o obreiro recebe é simbólico.

O obreiro trabalha em Loja. Em quê? No seu aperfeiçoamento, na busca dos conhecimentos, das lições, dos exemplos, das práticas que dele farão uma pessoa melhor. Nesse trabalho tem de identificar e interpretar símbolos, atribuindo-lhes o seu significado pessoal, similar ou não ao que os seus Irmãos, ou alguns dos seus Irmãos, ou um particular Irmão, lhes atribuem. O trabalho do obreiro em Loja insere-se e une-se ao trabalho que os demais obreiros efetuam, constituindo o conjunto um acervo de estudos, atividades, interpretações, princípios desenvolvidos, que tem mais virtualidades como um todo do que a mera soma dos contributos individuais.

Virtualidades para quem? Para os próprios obreiros. O trabalho maçónico é eminentemente individual, mas coletivamente efetuado. O seu resultado, inserido no conjunto dos esforços e nele amalgamado, está à disposição para apropriação de todos e de cada um. A forma como cada um beneficia é com cada qual. O mesmo obreiro, em cada momento, pode retirar do trabalho que ele e seus Irmãos efetuam lições ou consequências diferentes. Hoje poderá ser uma lição moral, amanhã uma simples lição de vida ou regra de conduta, depois uma ferramenta para uso no seu dia a dia profissional ou de relação social, por vezes apenas (e tanto é…) uma simples sensação de Paz, de Segurança, de Conforto, a mera (mas por tantos tão dificilmente obtida) noção do seu lugar na vida e do significado da sua existência.

Perante a sua Loja, o maçom apresenta para o trabalho a Pedra Bruta que é ele próprio, o seu Carácter, a sua Personalidade, as suas Características, as suas Virtudes, os seus Defeitos, as suas Capacidades, as suas Insuficiências, as suas Potencialidades e o que falta para as transformar em Realidades. Junto de seus Irmãos, trabalha essa Pedra Bruta. Retira-lhe as asperezas. Melhora a sua forma. Determina o local onde deve ser colocada. Dá-lhe cor e atavio. A pouco e pouco, essa Pedra Bruta será cada vez menos Bruta, ganhará forma mais delineada e adequada, tornar-se-á mais útil para a função que está destinada a exercer. A pouco e pouco, tornar-se-á uma Pedra Aparelhada, já com alguma utilidade e capacidade para se inserir no grande Templo da Criação, Parede da Humanidade. Mas ainda será, não já áspera, mas rugosa, não já suja, mas baça.

Será ainda necessário alisá-la e poli-la, de forma a que, a seu tempo, a Pedra Bruta que é o maçom possa vir a ser a muito mais útil e bela Pedra Polida. Mas, ainda então, de pouca utilidade e valia será se não for inserida no local adequado, pela forma asada, para exercer a função destinada. Há que conhecer ou definir os Planos, efetuar e ler o Desenho que nos guie para colocarmos a nossa Pedra, que foi Bruta e que procurámos tão Polida quanto o lográmos que fosse, no lugar correto, em que será útil e contribuirá para a sustentação, imponência e beleza do Templo em cuja construção se insere.

Cada maçom, à medida que vai trabalhando, vai aprendendo a trabalhar, à medida que melhora, vai aprendendo a melhorar, a medida que aprende, vai aprendendo a aprender. E cada vez mais vê melhor trabalho, mais melhoria, mais larga aprendizagem. À medida que evolui vai aumentando o benefício que retira do trabalho que efetua. Não patrimonial, mas pessoal, intrínseco.

Esse benefício é o salário do maçom, a justa remuneração do seu esforço. Não tem valor de mercado, nem cotação de troca, porque vale muito mais do que uma mercadoria ou um serviço. Tem o valor supremo da Pessoa Humana, que cresce, que se educa, que evolui, que se aprofunda, que se realiza, que se enobrece, que se dignifica. Esse valor vale mais que todo o ouro do Mundo, que todas as riquezas e mordomias de que usufruem os afortunados do planeta. Porque nada vale mais do que um Homem digno, de espinha direita, cabeça lúcida, espírito forte. Aos outros, por mais ricos que sejam, conquistou-os o mundo. Este conquista o mundo, ainda que seja pobre e sem poder. O seu mundo. O que interessa.

O salário do maçom é o que ele retira do bolo comum que resulta do seu trabalho, do seu esforço e dos seus Irmãos. Em conjunto e com o fermento da Fraternidade, esse bolo cresce muito mais do que se lhe pôs, ao ponto de todos poderem retirar mais um pouco do que cada um lá pôs e ainda sobra bolo.

Esse salário não se conta, não se mede, não se pesa, não se avalia. Só o próprio o sente e dele beneficia. Não tem valor facial algum. Tem todo o valor moral e espiritual.

E, porque à medida que o maçom trabalha, aprende, cresce, melhora, de cada vez vai conseguindo retirar um pouco mais, de cada vez vai conseguindo aumentar um pouco seu salário. Imperceptivelmente. Até que um dia os seus Irmãos dão por ela e… oficializam-lhe o aumento de salário! Chamam os maçons aumento de salário à passagem de grau. Mais não é do que o reconhecimento dos progressos feitos.

Autor: Rui Bandeira

Fonte: Blog A Partir Pedra

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Episódio 55 – Cinco motivos para NÃO ser maçom

(music: Slow Burn by Kevin MacLeod; link: https://incompetech.filmmusic.io/song/4372-slow-burn; license: https://filmmusic.io/standard-license)

Quem pensar que a entrada na Maçonaria é uma porta aberta para obter contatos e negócios e o propiciar de condições para “subir na vida”, pense outra vez, e pense melhor! Se for este o motivo que o faz desejar entrar na Maçonaria, poupe-se ao trabalho e às despesas. Dentro da Maçonaria fará os mesmos negócios que faria fora dela. O que todos lhe pedirão na Maçonaria é que dê algo de si em prol dos outros. Dos demais receberá o que efetivamente…

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Interstício

ARTE REAL - TRABALHOS MAÇÔNICOS: INTERSTÍCIO

Interstício quer dizer solução de continuidade, o intervalo entre duas superfícies da mesma ou diferente natureza.

A Maçonaria utiliza a expressão em termos de tempo. Interstício é o intervalo de tempo que deve decorrer entre dois fatos. Designadamente, interstício é o intervalo de tempo que deve decorrer entre a Iniciação do Aprendiz e a sua Passagem a Companheiro e também o tempo que se impõe entre essa Passagem e a Elevação do Companheiro a Mestre.

O interstício é uma regra que admite exceção: o Grão-Mestre pode dele dispensar um obreiro e passá-lo ou elevá-lo de grau sem o decurso do tempo regulamentar ou tradicionalmente observado. No limite, a Iniciação, Passagem e Elevação podem ocorrer no mesmo dia. Mas a dispensa de interstícios é rara – deve ser verdadeiramente excepcional – e só por razões muito fortes deve ocorrer.

Assim sucede genericamente na Maçonaria Europeia. Já a Maçonaria norte-americana é muito menos exigente neste aspecto, sendo corrente a prática de conferir os três graus da Maçonaria Azul num único dia. Esta é aliás, uma consequência e também uma causa das diferenças entre as práticas e as tradições maçônicas em ambas as latitudes. Mas impõe-se observar que algumas franjas da Maçonaria norte-americana, designadamente nas Lojas que se consideram de Observância Tradicional, se aproximam, neste como noutros aspectos, da prática europeia.

A razão de ser do interstício é intuitiva: há que dar tempo para o obreiro evoluir, para obter e trabalhar os ensinamentos, as noções, transmitidas no grau a que acede, antes de passar ao grau imediato. Em Maçonaria busca-se o aperfeiçoamento e este não é, nem instantâneo (instantâneo é o pudim…), nem automático. Depende de um propósito, de um esforço, de uma prática consciente e perseverante. É um processo. E, como processo que é, tem fases, tem uma evolução que se sucede ao longo de uma lógica e de um tempo. Por isso, em Maçonaria não se tem pressa. O tempo de maturação, o tempo de amadurecimento, a própria expectativa, são essenciais para um harmonioso desenvolvimento individual.

Os graus e qualidades maçônicos não constituem nada, apenas ilustram, representam, emulam a realidade do Ser e do Dever Ser. Não se tem mais qualidades por se ser maçom (embora se deva ter qualidades para o ser…). Há muito profano com mais valor e maior desenvolvimento espiritual e pessoal do que muitos maçons, ainda que de altos graus e qualidades. Para esses os maçons até criaram uma expressão: maçom sem avental. Mas procura-se ilustrar com a qualidade de maçom a tendência para a excelência, a busca do aperfeiçoamento. O Mestre maçom não é, por decreto ou natureza, necessariamente melhor ou mais perfeito do que o Companheiro ou o Aprendiz. Mas, com os graus, a maçonaria ilustra um Caminho, um Processo, para a melhoria de cada um. Há por aí muito Aprendiz que é mais Mestre de si próprio que muito Mestre de avental com borlas ou dourados. Mas o mero fato de ter de fazer a normal evolução de Aprendiz para Companheiro e de Companheiro para Mestre potencia o que já é bom, faz do bom melhor, do melhor, ótimo e do ótimo excelente.

Assim, em Maçonaria consideramos profícuo e valioso que o profano que pediu para ser maçom aguarde, espere, anseie, pela sua Iniciação. E que o Aprendiz tenha de o ser durante o tempo estipulado e tenha de demonstrar expressamente estar pronto para passar ao grau seguinte, por muito evidente que essa preparação seja aos olhos de todos; e o mesmo para o Companheiro passar a Mestre; e idem para o Mestre começar a ver serem-lhe confiados ofícios; e também para o Oficial progredir na tácita hierarquia de ofícios e um dia chegar a Venerável Mestre.

Tempo. Paciência. Evolução. De tudo isto é tributário o conceito de interstício, tal como é aplicado em Maçonaria.

O interstício pode ser diretamente fixado, regulamentar ou tradicionalmente, ou resultar indiretamente de outras estipulações. Por exemplo, na Loja Mestre Affonso Domingues consideramos que não é o mero decurso do tempo que habilita um obreiro a aceder ao grau seguinte. Mas reconhecemos que o decurso de um tempo razoável é necessário. Estipulamos, assim, no nosso Regulamento Interno, que o interstício para que um obreiro possa aceder ao grau seguinte seja constituído pela presença a um determinado número de sessões. Com isso, estipulamos que uma certa assiduidade é condição de acesso ao grau seguinte e, como a Loja reúne duas vezes por mês, onze meses por ano, indiretamente fixamos um período de tempo mínimo de permanência no grau. Os nossos Aprendizes, quando passam a Companheiros, merecem-no! E os nossos Companheiros, quando são elevados a Mestres estão em perfeitas condições de garantir a fluente prossecução dos objetivos da Loja, incluindo a formação dos Aprendizes e Companheiros. Nós não temos pressa…

Autor: Rui Bandeira

Fonte: Blog A Partir Pedra

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Resposta a um maçom desiludido…

Caro Irmão,

É triste perceber que você não entendeu do que se trata Maçonaria, mesmo tendo percorrido todo o caminho. Mas, posso entender que você alimentou expectativas irreais, resultantes da difusão desordenada de conceitos conflitantes e fantasistas do que seja a Ordem Maçônica.

Volte no tempo e estude (aqui mesmo no blog você encontrará tudo o que precisa) a história da Maçonaria com um olhar objetivo. Ela foi inventada por homens inteligentes com objetivos muito práticos. A simbologia que realmente tem sentido é básica e muito simples.

O que aconteceu depois de sua invenção em 1717, foi um festival de inclusões de conteúdos e objetivos que nada tinham a ver com o seu projeto inicial. E ela foi assim se transformando em um cipoal de opiniões travestidas em conceitos que somente contribuíram para a confusão e para o desencanto daqueles que procuram na Maçonaria algo que ela não se propõe a oferecer.

Maçons que também não entenderam do que se trata sempre dizem “você precisa fazer os graus filosóficos, onde se encontra a verdadeira maçonaria” .

Bullshit!

A verdadeira maçonaria se encontra na LOJA SIMBÓLICA. Em nenhum outro lugar. No simbolismo, nos três primeiro graus. Quem não entender o que é maçonaria até chegar ao grau de Mestre, nunca vai entender e vai ficar dando cabeçada até entender, ou até se desencantar, como parece ser o caso do irmão.

Maçonaria é apenas e tão somente o cultivo da fraternidade. O famoso MICTMR. É encontrar em uma cidade distante, alguém que te trata como irmão sem nunca ter te visto. É encontrar apoio para empreitadas sociais. É estar presente em sua comunidade para “dar aquela mãozinha” na Associação de Pais e Mestres,  na Associação de Vizinhos., nas obras sociais da paróquia ou da comunidade religiosa a que pertence. É socorrer um vizinho em dificuldade. É ir aos aniversários de irmãos da loja ou de seus familiares. É estar presente quando um irmão a ele recorre. É contribuir para organizações que trabalham pelos menos favorecidos,  Médicos sem Fronteiras ou uma ONG mais local.  É participar da política, candidatando-se a síndico do seu edifício, vereador em sua cidade, presidente do seu país!

A Loja “oferece” um ambiente onde o maçom que já entendeu o conceito acima possa dedicar-se a estudos que não têm lugar na sociedade atual. Ali, ele encontrará outros irmãos que se interessam por arcanos, hierofantes, atanores, obra em negro, e tantos assuntos fascinantes, mas também encontrará irmãos com menos apetite por tais assuntos, mas que são pessoas generosas, divertidas, afáveis.  Por outro lado, a estrutura  da comunidade maçônica também oferece uma outra organização de lojas de estudo de conteúdo moral, esotérico, hermético chamados “Altos Graus”, ou Graus Filosóficos. Se  o maçom quiser, pode frequentar essas lojas, mas não é obrigado. Os graus filosóficos acima dos três primeiros graus  têm a ver com maçonaria somente na medida que permitem o exercício da fraternidade, mas são graus de cavalaria.  Os graus de Maçonaria estão relacionados com a profissão de pedreiro, de construtor.

Se ele não quiser frequentar os altos graus, basta seguir sua emoção e desenvolver o conceito de fraternidade, estendendo-o a todas as pessoas que conhece. Será então o melhor maçom do mundo.

Mas, precisa ter cuidado com as informações equivocadas que recebe no meio. A Maçonaria que conhecemos e à qual pertencemos existe somente após 1717, com a fundação da Grande Loja de Londres. Ela não é a continuação da Maçonaria Operativa. Ela só aproveitou muita coisa dela.

Os maçons operativos eram pedreiros, quase sempre analfabetos, que não detinham nenhum “conhecimento esotérico da Grande Obra”. Só queriam preservar os conhecimentos de construção para garantir seu trabalho. Por isso o segredo. Mas eram homens simples, alegres e despreocupados que gostavam muito de beber cerveja nas tabernas onde se reuniam, de dar risadas, brincar.

Todo esse conteúdo esotérico, iniciático foi introduzido no século XIX por maçons que vinham da Rosacruz (essa sim, uma ordem iniciática, esotérica, etc. etc.) e outras ordens que cultivavam o hermetismo.

Nós, os maçons somos homens simples que buscam a fraternidade e o aperfeiçoamento de si e da sociedade através do exemplo ou através da influência que possamos exercer sobre ela.  Pense bem, passe uma borracha no seu passado e recomece do zero.

Seja um maçom feliz como eram os maçons operativos!

Fraternalmente,

José Filardo.

Fonte: Biblioteca Fernando Pessoa

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A interpretação e significado dos símbolos maçônicos

El Observatorio Cuyano

Hermann Rorschach foi um psiquiatra suíço que viveu entre 1884 e 1922, e que ficou conhecido pelo seu trabalho sobre o significado psicológico de interpretações dadas a manchas de tinta, tendo desenvolvido para isso uma técnica que tomou seu nome: o teste de Rorschach. Este teste baseia-se na chamada “hipótese projetiva”, de acordo com a qual a pessoa a ser testada, ao procurar organizar uma informação ambígua (ou seja, sem um significado claro, como as pranchas do teste de Rorschach), projeta aspectos da sua própria personalidade. O intérprete (ou seja, o psicólogo que aplica o teste) teria assim a possibilidade de reconstruir os aspectos da personalidade que teriam levado às respostas dadas. Dito de outro modo: confrontado com um objeto sem um significado previamente estabelecido, o sujeito atribui-lhe uma conotação, uma semântica, um sentido que decorre, essencialmente, de si mesmo, não tendo que ser – e frequentemente não sendo – uniformes e invariáveis os significados atribuídos de um sujeito para outro.

Algo de semelhante sucede na maçonaria com os símbolos. Há símbolos a que se atribui significados convencionados – como o esquadro que, servindo para traçar ângulos retos, evoca a retidão de caráter – o que não impede que lhes sejam atribuídos outros significados. Outros símbolos traduzem uma maior diversidade de sentidos – como o G que a maçonaria regular coloca entre o esquadro e o compasso. Símbolos mais obscuros, menos frequentes e de menor universalidade, são por vezes encontrados num contexto maçônico, mas poderão ser  apenas perceptíveis e utilizados num determinado contexto cultural, no âmbito de certo rito, ou confinados a um perímetro geográfico específico. Contrariamente ao teste de Rorschach, todavia, o recurso à simbologia pela maçonaria não tem o fim de constituir qualquer análise psicológica ou psiquiátrica por um terceiro, mas apenas de cada um por si mesmo.

A simbologia maçônica – que tem como tema dominante a maçonaria operativa medieval, a que hoje chamaríamos arquitetura ou engenharia civil – tem o triplo propósito de estabelecer uma estrutura e um  contexto cultural para os arquétipos universais que identificam a maçonaria, uma forma sintética de comunicação de conceitos, e uma cultura de heterogeneidade e tolerância. Cada símbolo maçónico – normalmente coisas tão banais como uma pedra ou uma colher de pedreiro – evoca um ou mais significados que, no seu conjunto, constituem uma matriz semântica que dota a Ordem de um contexto cultural que, por sua vez, enquadra e dá corpo aos conceitos e princípios que a maçonaria pretende transmitir, propagar e perpetuar. Fica assim estabelecida, em torno dos símbolos, uma linguagem que, de forma sintética, permite a rápida e eficaz evocação, relacionamento e comunicação de conceitos, bastando por vezes uma simples palavra para transmitir um conceito complexo no seu contexto adequado. Por fim, ao não fazer corresponder de forma imposta, rígida e imutável os símbolos aos conceitos, a simbologia maçônica permite que cada maçom atinja as sua próprias respostas às importantes questões filosóficas que a vida coloca.

Contudo – e isto é a minha interpretação pessoal, que vale o que vale – a maior virtude do recurso à simbologia e à alegoria consiste no distanciamento que estabelece entre os princípios e a sua aplicação. Este distanciamento possibilita que a interiorização dos conceitos decorra da sua aplicação a um sujeito abstrato (e, mesmo, claramente do foro do mítico e do imaginário), e que só uma vez absorvida a sua essência e apercebidas as consequências da sua incorporação no edifício ético e moral individual – o que pode levar mais ou menos tempo, ou nunca suceder de todo – cada um aplique então a si mesmo o significado pessoal e personalizado que atribuiu ao símbolo, interiorizando-o e consolidando-o da forma que entende ser a que mais se adequa à sua própria realidade e, por fim – porque, em maçonaria, nada se ensina mas tudo se aprende – tire partido da lição que deu a si mesmo.

Autor: Paulo M.

Fonte: A Partir Pedra

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