Maçonaria na modernidade tardia: mitos e imaginários (Parte II)

A Maçonaria que 95% dos maçons desconhecem!

As críticas à Maçonaria e o imaginário antimaçônico

Escolhemos uma consulta aos sites na internet para procurar perceber como a Maçonaria é vista por seus opositores e aprofundar um pouco a reflexão sobre o imaginário que a envolve.

A Igreja Católica é opositora da Maçonaria desde os tempos da Revolução Francesa, à medida que os maçons combatiam a falta de liberdade de pensamento que a Igreja era uma das principais responsáveis. As críticas da Igreja Católica já foram mais contundentes, mas hoje permanece a proibição aos católicos de pertencerem à Maçonaria, como aparece no site https://padrepauloricardo.org/episodios/um-catolico-pode-ser-macom:

Permanece, portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçônicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão. (Acesso em 15/07/2014).

A principal motivação para essa proibição, na continuidade da reflexão apresentada no site, é que a Maçonaria defende o relativismo religioso como regra fundamental para seus adeptos. Esse fato fere o princípio cristão de que somente Jesus Cristo pode levar à salvação, o que contraria qualquer tipo de relativismo. Assim, desde o século XIX quando diversos documentos papais condenaram a Maçonaria, permanece o veredicto católico sobre o erro de se participar dessa instituição[4].

Já outros sites são bastante agressivos contra a Maçonaria, como, por exemplo, o site http://intellectus-site.com/site2/artigos/maconaria-braco-direito-do-diabo.htm, que em tom violentamente contrário, procura mostrar que os símbolos e ideais maçônicos são contrários à Bíblia e ligados a Lúcifer ou Satanás. No texto do site encontramos:

Deus está entregando o Brasil nas mãos de saqueadores e de homens cujo coração não somente se encontra longe dele, mas cujos intentos nunca levam em consideração nem o amor ao próximo e nem a misericórdia. Porém, estamos falando de uma nação inteira, de um país com quase 200 milhões de pessoas, como se tem dado isto na prática?
As Origens da Maçonaria e de seu Pai, Lúcifer
Essa organização luciferiana, chamada de Maçonaria, diferentemente do que muitos supõem, não é um organismo isolado e singular no mundo. Antes, trata-se de um poderoso segmento do Império de Satanás. (Acesso em 15/07/2014).

Como pode ser entendido pelo texto citado, o autor do site associa a Maçonaria ao satanismo e também reputa a essa instituição o que ele entende como fracasso do Brasil em se tornar uma nação desenvolvida. O interessante deste site é que o autor parece conhecer bastante os ritos e símbolos da Maçonaria, pois se utiliza de imagens dos mesmos e textos maçônicos para exemplificar e contestar cada elemento pertencente à Maçonaria. Ao fim de sua argumentação, a conclusão é bastante contundente:

A Bíblia e a Maçonaria são opostas entre si e eternamente inconciliáveis!
A Maçonaria é uma organização iniciática, ocultista e completamente satânica!
A Maçonaria se infiltrou na política brasileira, e continua infiltrada, e nenhuma nação da Terra pode ser beneficiada por uma organização filha do Inferno! Muito pelo contrário!
O deus da Maçonaria não é o Deus da Bíblia! O deus da Maçonaria é o diabo!
Impossível ser Cristão e Maçom ao mesmo tempo! Mais cedo ou mais tarde, a escolha terá de ser feita, e significará o Céu ou o Inferno, respectivamente.
(http://intellectus-site.com/site2/artigos/maconaria-braco-direito-do-diabo.htm Acesso em 15/07/2014)

O interessante da contraposição desses dois sites em relação à Maçonaria é que a finalidade é a mesma – manter os cristãos afastados dessa instituição –, mas a forma assumida reflete dois modos contemporâneos do cristianismo de combater as demais crenças: a argumentação racional e assertiva com base em pressupostos teológicos, que é característica do catolicismo e demais igrejas protestantes históricas; e a demonização pura e simples, mesmo que acompanhada de certo conhecimento do tema, que é característica das igrejas evangélicas de cunho pentecostal e neopentecostal surgidas nos últimos 120 anos.

Esses dois exemplos que coletamos constituem uma pequena, mas significativa, amostra do que uma rápida consulta ao “Google” oferece: encontram-se 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil) sites que disseminam informações sobre a Maçonaria e também os que tratam tanto das acusações dos inimigos da Maçonaria como das defesas postadas pelos maçons e seus defensores. Ao consultar o conteúdo de muitos deles, encontramos sempre os mesmos argumentos contrários e as mesmas explicações, mostrando que o diálogo é impossível entre essas correntes de pensamento, e que, apesar da Maçonaria estar expondo publicamente a parte não secreta de seus rituais e doutrinas, não há um limite para o estímulo dos opositores ao imaginário que procura transformar a instituição numa força demoníaca e conspiradora contra a sociedade que se pensa cristã.

Considerações sobre os mitos e o imaginário que cercam a Maçonaria

A consulta aos livros que estudam a história da Maçonaria, aos artigos de divulgação em revistas científicas e de divulgação jornalística e aos sites que tratam dos temas ligados à Maçonaria, nos possibilitaram um entendimento sobre o poder que é atribuído à Maçonaria, o medo e as polêmicas que a instituição suscita socialmente, assim como os motivos para que ela seja condenada pelos defensores mais radicais do cristianismo.

O surgimento dessa instituição num momento histórico de grandes transformações no mundo ocidental, com a revolução produzida pelos ideais renascentistas e depois iluministas, o confronto das novas formas de pensamento com as tradicionais formas de poder que vigoravam desde o final da Antiguidade, mais precisamente o poder monárquico e o clerical, colocou a Maçonaria no centro de muitas polêmicas, principalmente por acolher entre seus adeptos muitos defensores dessas novas ideias.

Aliado a essa opção pela defesa da liberdade de pensamento e de investigação que marcou a Maçonaria desde o princípio, sua constituição sob a forma de sociedade iniciática, adepta do estudo das ciências ocultas cuja origem remonta a um passado mítico, produziu um efeito impressionante sobre o imaginário das sociedades ocidentais onde a instituição atuou decisivamente. A capacidade de manipular o poder, de influenciar decisões, de mudar os rumos dos acontecimentos, sempre foram capacidades atribuídas aos magos. Numa sociedade de maioria cristã e intolerante com outras formas de crença e de conhecimento religioso, o poder mágico atribuído aos maçons só poderia ter uma única origem, que não era, obviamente, ligado a Jesus Cristo.

Hoje os conhecimentos ditos ocultos estão disponíveis na internet sob a forma de artigos, documentários, guias práticos, etc., não constituindo mais nenhum mistério essas informações que – segundo o imaginário coletivo – podem ajudar uma pessoa a manipular situações e mentes. O fato da Maçonaria permanecer como alvo das críticas e oposições ferrenhas dos cristãos está mais ligado ao passado e ao imaginário social do que ao presente, pelo fato da instituição ter perdido – no último século – grande parte de seu estímulo para lutar por ideais que agora já são bastante comuns e públicos.

É sobre esse aspecto que trataremos na continuidade do texto.

A presença da Maçonaria na História e o discurso e práticas atuais

Já abordamos rapidamente alguns aspectos da participação da Maçonaria e dos maçons na Revolução Francesa e na Independência dos Estados Unidos. Nessas duas nações inspiradoras da maior parte dos ideais que hoje fundamentam a cultura ocidental, assim como na Grã-Bretanha, nação onde se originou a instituição maçônica, o papel da Maçonaria foi muito importante historicamente. Chatenet (2009), por exemplo, afirma que, entre George Washington e Bill Clinton, apenas dois presidentes americanos não pertenceram à Maçonaria: John Kennedy e George Bush.

Se olharmos para a história do Brasil, apesar da participação maçônica não ter sido tão preponderante como nos EUA, houve claras influências da Maçonaria no movimento republicano e abolicionista, assim como na direção que o Brasil tomou na Primeira República. (AZEVEDO, 1996; BARATA, 1999).

As ideias maçônicas estão presentes no Brasil desde o final do século XVIII (AZEVEDO, 1996, ACIOLY, 2004), havendo especulações sobre a presença dessas ideias na Inconfidência Mineira. Entretanto, há certo acordo entre os historiadores de que a primeira Loja foi fundada em 1801. Nas décadas seguintes, até 1860, aconteceu grande expansão das Lojas pelo Brasil, que se afiliaram às tradições maçônicas francesa, belga, portuguesa e inglesa (AZEVEDO, 1996, p. 182).

Apesar de ser impossível dissociar as atividades maçônicas das principais questões que motivaram transformações no Brasil durante o período imperial e no início da República, poucos estudiosos se aventuraram a um aprofundamento maior sobre a real participação da Maçonaria nos eventos políticos, econômicos, sociais e culturais.

Barata (1999) procurou mostrar a Maçonaria no Brasil – como também na sua origem europeia – como a principal divulgadora dos ideais do iluminismo e da ilustração, tendo seus membros se tornado alguns dos mais importantes defensores da abolição da escravidão, da necessidade de modernização para o país, tanto economicamente como na área da educação. O esforço para retirar da Igreja Católica o predomínio sobre o sistema educacional brasileiro aparece como um dos principais investimentos maçônicos, fato que aconteceu nos principais estados do Brasil, como também mostra o artigo de Colussi (2000) quando aborda a participação da Maçonaria no Rio Grande do Sul.

Vieira (1999) centra seu foco na participação da Maçonaria na Questão Religiosa (ocorrida entre 1872 e 1875), conflito que envolveu a Maçonaria, a Igreja Católica e o Regime Imperial, e que contribuiu significativamente para o aumento do descrédito do governo monárquico de conduzir o Brasil ao desenvolvimento, à medida que tinha dificuldade de lidar com o poder religioso e impor sua autoridade (ROMANO, 1979). Esse conflito acabou por beneficiar o movimento republicano e o movimento favorável à vinda de imigrantes para substituir a mão de obra escrava. Para Vieira (1999) a Questão Religiosa e a atuação da Maçonaria – mesmo que os protestantes também tivessem dificuldade de aceitar a instituição maçônica – contribuíram para que o Protestantismo tivesse maior liberdade de atuação no Brasil, país que tinha na época o catolicismo como religião oficial.

Morel e Souza (2008), numa abordagem fundamentada historicamente, mas com o viés do enfoque e da linguagem jornalística, esforçam-se por apresentar um panorama geral da Maçonaria, desde seu surgimento na Grã-Bretanha, explicando seus mitos e sua condição de organização iniciática, até sua chegada e desenvolvimento no Brasil. Procuram mostrar a participação dos maçons nos principais eventos da política brasileira no século XIX e contradizem a tese de Sérgio Buarque de Holanda de que a Maçonaria perdeu força no Brasil devido ao avanço do pensamento positivista. O aspecto diferenciado da obra de Morel e Souza (2008) é ter avançado até o período contemporâneo, quando há um silêncio entre historiadores sobre a Maçonaria, analisando a transformação da Maçonaria em função das transformações culturais acontecidas no Brasil e no mundo.

Azevedo (1996) procura fazer uma reflexão sobre esse silêncio que cercou os estudos sobre a Maçonaria a partir da década de 1940. A autora afirma que mesmo os historiadores da Escola dos Annales pouco se interessaram pelo tema desde a fundação da revista (AZEVEDO, 1996, p. 186). Outro fato que a autora destaca, é que no Congresso Internacional do Bicentenário da Revolução Francesa, realizado na Sorbonne em 1989, entre as mais de duzentas comunicações apresentadas nenhuma tratou da participação da Maçonaria (AZEVEDO, 1996, p. 188).

Algumas explicações têm sido apresentadas para justificar – segundo a autora – o silêncio a que os historiadores relegaram a Maçonaria. A primeira delas é “o impacto do mito da conspiração maçônico-judaica que perpassou o imaginário europeu desde o início da década de 1930” (AZEVEDO, 1996, p. 188), outro motivo seria a dificuldade de acesso às fontes maçônicas, sigilosas pela própria natureza da instituição, por fim, a opção por não pesquisar uma sociedade secreta que supostamente estuda ciências ocultas, tema pouco interessante para a abordagem mais racionalista contemporânea.

Na abordagem de Azevedo (1996), assim como em Morel e Souza (2008) e em reportagens das revistas História Viva e Superinteressante, aparece um aspecto que se mostra bastante relevante para a abordagem que procuramos dar sobre o tema: apesar dos elementos míticos e imaginários que cercam a Maçonaria ainda nos dias atuais, a instituição se tornou comum, isto é, deixou de ser uma vanguarda do pensamento político e cultural como foi nos tempos em que os ideais iluministas ainda necessitavam de um intenso esforço para se tornarem a base da sociedade ocidental.

Nos dias atuais a liberdade de pensamento é uma realidade no ocidente, a liberdade de iniciativa, a liberdade religiosa, a educação laica, a sociedade e os costumes secularizados já constituem o núcleo fundamental da cultura ocidental, tornando, nessa perspectiva, a Maçonaria uma instituição comum, com participação política e social naturalmente aceitas, mesmo que relativamente estigmatizada pelo fato de manter secretos seus rituais. Essa atual posição da Maçonaria na sociedade aparece, por exemplo, no texto de Gwercman (2005) que, citando trecho da entrevista de H. Paul Jeffers, autor de um livro sobre a Maçonaria, escreve: “Atualmente, a maçonaria mais parece uma tentativa por parte de homens bem intencionados, na maioria brancos e velhos, de entender o sentido da vida.” (GWERCMAN, 2005, p. 59).

Essa afirmação parece ser um exagero, mas as indicações dos sites e das reportagens mostram que, realmente, o que intriga e incomoda os não maçons é o mistério e o imaginário, particularmente as construções negativas que já citamos: satanismo, complôs, etc.

Nas reportagens de revistas que selecionamos para analisar como a Maçonaria aparece atualmente nas publicações, à medida que os livros sobre a Maçonaria que citamos são poucos e provavelmente lidos por um restrito número de pessoas, emergem alguns traços interessantes que devem ser destacados.

Nefontaine (2007), por exemplo, aponta que o segredo ou discrição – como dizem os maçons – é uma condição para manter um dos pontos centrais da organização: a liberdade de pensamento e de busca do conhecimento. Não falando sobre os rituais e sobre as experiências internas que acontecem nos templos, os maçons reservam esse local para a vivência de momentos únicos, voltados para a reflexão e para o debate sobre todos os temas que estão em voga na sociedade, na política, na economia, na ciência e na espiritualidade. Esse autor afirma:

Mas qual a eficácia de ocultar informações? Na França, as lojas maçônicas foram apresentadas como laboratórios de ideias em que novos temas podiam ser explorados com total liberdade, o que contrastava com as tendências naturalmente conservadoras e imobilistas da sociedade. Assim, o segredo permitiu a eclosão e a discussão livre de ideias novas e progressistas, que puderam concorrer para o estabelecimento de legislações sociais e éticas como o descanso remunerado, a liberação do aborto a partir de 1973, a contracepção e o planejamento familiar. (NEFONTAINE, 2007, p. 63)

Outro aspecto que aparece como relevante para a análise sobre a atuação da Maçonaria na atualidade refere-se à suposta proteção social que os maçons recebem da Organização. Gwercman (2005) propõe que a Maçonaria, apesar de não estar mais tão ativa na busca pela influência direta no poder político, permanece atuando nos bastidores para conseguir favores ou alcançar metas que podem ser voltadas tanto para benefícios sociais (hospitais, creches, casas de correção, etc.) como para beneficiar os próprios irmãos. Nesse sentido o autor lança algumas indagações:

Muitos maçons brasileiros adoram listar pessoas importantes que integram a ordem. São empresários, policiais de alta patente, políticos, juízes. Todos unidos pelo compromisso de ajuda mútua – irmão que é irmão nunca deixa o outro na mão. Atualmente, por exemplo, circula entre os maçons paulistas a história de um julgamento recente, parte de um escândalo nacional, que caminhava para a condenação do réu e mudou de rumo após telefonemas entre altos membros do tribunal. Advogados, juízes e o acusado eram iniciados na ordem. Casos assim são frequentemente ouvidos, ainda que na maioria das vezes em tom de boato. E preocupam muita gente. Por mais que os integrantes da maçonaria sejam gente da mais fina estirpe e dotados das melhores intenções, será que têm condições de abandonar os valores e pactos da fraternidade na hora de exercer cargos na sociedade pública? (GWERCMAN, 2005, p. 59)

Esse é um problema que, com certeza, não obterá resposta. Todas as pessoas que ocupam cargos públicos – sejam maçons ou não – podem cometer o mesmo tipo de ato de improbidade, beneficiando parentes, amigos, membros da mesma religião, etc. Não há nenhuma garantia de honestidade quando esses fatores estão em jogo, sendo os casos de honestidade a exceção à regra. Então, esse não é um problema dos maçons, mas – como já afirmamos – do imaginário social que leva grande parte das pessoas a enxergar a Maçonaria sob a ótica que a tem marcado desde o início de suas atividades.

Considerações Finais

A modernidade tardia ou pós modernidade[5] trouxe a necessidade das instituições tradicionais da sociedade ocidental se reinventarem. A não aceitação pura e simples das verdades religiosas ou científicas, por um lado, e a liberdade de investigação e busca por caminhos alternativos de conhecimento e realização pessoal, por outro, redefiniu ou vem redefinindo os papéis e a importância das instituições dentro da ordem social, assim como sua perspectiva de alcançar ou manter o sucesso de suas ideias, crenças, doutrinas e regras.

Ao abordar a Maçonaria como tema de reflexão, nos colocamos diante do fato de que há grande riqueza na história da instituição e também múltiplas interpretações existentes sobre a criação e o desenvolvimento da mesma, assim como sobre seus rituais e sua participação na história de muitas sociedades. Mas entendemos que hoje essa riqueza pode não ser suficiente para a continuidade de suas atividades no nível em que quase sempre se colocou.

No nosso entender, o mito de origem da Maçonaria ainda constitui uma forma de conferir autoridade e reverência aos rituais e conhecimentos que a instituição ensina internamente e defende socialmente. Colocar-se como herdeira da tradição dos grandes construtores da humanidade, conhecedores da arte de erguer monumentos extraordinários – como os egípcios – é se afirmar a partir de conhecimentos imemoriais, que não precisam ser verdadeiros, no sentido que é dado pelo Cristianismo e pela ciência, mas no sentido mítico, como modelos exemplares de conduta e comportamento. Nessa perspectiva, os mitos maçônicos são compreensíveis e conferem sentido à existência de uma instituição como a Maçonaria.

Entendemos também que o imaginário social, construído, como vimos, durante e após a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos, mostra que a instituição lutou por seus ideais como qualquer outra instituição e que o fato de ser uma Ordem iniciática e que mantém seus rituais em segredo, causou maior preocupação nos não adeptos do que o poder real que a instituição possuiu durante sua história. Seus membros fizeram política, procuraram influenciar os destinos das sociedades em que participavam – assim como os cristãos sempre fizeram – mas foram demonizados por não tornarem públicos os seus membros e seus ritos e doutrinas.

A curiosidade, e também o medo, em relação a tudo que é misterioso, emoção comum à maioria dos seres humanos, parece ser o fermento que impulsionou o imaginário antimaçônico, deixando sempre a dúvida sobre se existe mesmo todo o poder que é conferido a essa instituição. De qualquer modo, os maçons continuam mantendo esse imaginário intacto – e talvez se divertindo com ele – porque permanecem fiéis aos segredos da Ordem e continuam atuando sem que a sociedade saiba exatamente onde começa e onde termina sua influência.

Uma questão para ser investigada é se esses mitos e esse imaginário, nas condições do tempo atual, são adequados à manutenção da Maçonaria como uma instituição de peso na sociedade, como aparenta ter sido em outros momentos históricos. Nesse sentido, instituição maçônica não correria o risco – por ter perdido o sentido de sua antiga luta por valores universalistas nos campos político e religioso – de se tornar apenas uma instituição de sociabilidade, que agrega pessoas em torno da manutenção de um status que não representa mais a riqueza da construção histórica e imaginária que a fundamenta?

Autor: André Luiz Caes

Fonte: Revista Sapiência- Sociedade, Saberes e Práticas Educacionais

*Clique AQUI para ler a primeira parte doa artigo.

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Notas

[4] – Podemos citar a Carta Encíclica Humanum Genus, publicada pelo Papa Leão XIII em 20 de abril de 1884, a primeira a não apenas condenar a Maçonaria, mas a apresentar argumentos sobre o posicionamento da Igreja e não apenas acusações. Conferir: http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_18840420_humanum-genus.html Acesso em 15/07/2014.

[5] – Não entramos particularmente na discussão desses conceitos, que podem ser melhor compreendidos em diversas obras, das quais citamos: GIDDENS, Anthony. As consequências da modernidade. São Paulo: Unesp, 1991; BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar na pós-modernidade. Rio de Janeiro: Zahar, 1999.

Referências

ACIOLY, Augusto César. As luzes da Maçonaria sobre Pernambuco. Recife: UFPE,
ANPUH, Anais, Outubro/2004.

AZEVEDO, Célia M. Marinho de. Maçonaria: história e historiografia. São Paulo:
Revista USP (32), Dezembro/Fevereiro, 1996/1997.

BARATA, Alexandre Mansur. Luzes e Sombras. A ação da Maçonaria brasileira
(1870-1910). Campinas: UNICAMP, 1999.

BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar na pós-modernidade. Rio de Janeiro: Zahar, 1999.

BENHAMOU, Philippe. Uma fabulosa indústria de teorias. São Paulo: Ed. Duetto, Revista História Viva nº 71, Ano VI. p. 28 e 29.

BENHAMOU, Philippe. A lenda do complô maçônico. São Paulo: Ed. Duetto, 2009a. Revista História Viva nº 71, Ano VI. p. 30 a 33.

CAES, André Luiz. Da espiritualidade familiar ao espírito cívico: a família nas
estratégias de reestruturação da Igreja (1890-1934). Campinas/Unicamp: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, 1995. Dissertação de Mestrado.

CHATENET, Madeleine du. A irmandade faz a América. São Paulo: Ed. Duetto, 2009. Revista História Viva nº 71, Ano VI. p. 37 a 41.

COLUSSI, Eliane Lucia. A Maçonaria gaúcha e a defesa do ensino laico no período da República Velha. Pelotas: Universidade Federal/ASPHE/FAE, História da Educação, nº 7, abril 2000, p. 59 a 73.

CROATTO, José Severino. As linguagens da experiência religiosa: uma introdução à fenomenologia da religião. São Paulo: Paulinas, 2010.

DARNTON, Robert. Boemia literária e Revolução: o submundo das letras no Antigo Regime. São Paulo: Cia. das Letras, 1987.

ELIADE, Mircea. Mito e realidade. São Paulo: Perspectiva, 2007.

ELIADE, Mircea. Ocultismo, bruxaria e correntes culturais: ensaios em religiões comparadas. Belo Horizonte: Interlivros, 1979.

FRANCO JR, Hilário. As Cruzadas. 6ª Ed. São Paulo: Brasiliense, 1989.

GIDDENS, Anthony. As consequências da modernidade. São Paulo: Unesp, 1991.

GWERCMAN, Sérgio. A Ordem. São Paulo: Editora Abril, 2005. Revista
Superinteressante
nº 217, set/2005. p. 50 a 59.

LOPES, Reinaldo. Guerreiros de Cristo. São Paulo: Editora Abril, 2006. Revista
Superinteressante nº 223, fev/2006. p. 48 a 57.

MOREL, Marco e SOUZA, Françoise Jean de Oliveira. O poder da Maçonaria: a
história de uma sociedade secreta no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.

NEFONTAINE, Luc. Uma fortaleza inviolável. São Paulo: Ed. Duetto, 2007. Revista História Viva nº 47, Ano IV. p. 60 a 63.

PESAVENTO, Sandra Jatahy. História & História Cultural. Belo Horizonte:
Autêntica, 2003.

PINHEIRO, Paulo Sérgio. O Brasil republicano, Sociedade e Instituição (1889-1930) Coleção: História Geral da Civilização Brasileira. 5ª Ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997, vol.02.

ROMANO, Roberto. Brasil: Igreja contra Estado. São Paulo: Kairós, 1979.

VIEIRA, David Gueiros. O Protestantismo, a Maçonaria e a Questão Religiosa no
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Sites:
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http://intellectus-site.com/site2/artigos/maconaria-braco-direito-do-diabo.htm
http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_18840420_humanum-genus.html

Maçonaria na modernidade tardia: mitos e imaginários (Parte I)

Cordão Maçonaria traçado A maior Loja de Produtos Maçônicos e Paramaçônicos  do Brasil

A Maçonaria é uma das instituições mais polêmicas existentes na sociedade ocidental. Surgida num contexto de transformações no mundo medieval, como uma associação de artesãos pedreiros e construtores, seu posterior desenvolvimento levou à formação de uma organização iniciática, com rituais secretos e ideias inovadoras, baseadas nos ideais iluministas. Desde o seu surgimento, os maçons procuraram construir um mito sobre sua origem como herdeira de tradições muito antigas e poderosas da antiguidade e da própria Idade Média. Por outro lado, a sociedade ocidental, dominada por muito tempo pelos costumes e pelos ensinamentos cristãos, acabou por construir em torno da Maçonaria um imaginário bastante extraordinário, conferindo a essa Ordem o potencial para mudar a história e para corromper a sociedade através de práticas consideradas satânicas. Neste trabalho, analisamos os mitos maçônicos e o imaginário que envolve a Ordem, procurando refletir sobre a forma como a Maçonaria é vista na sociedade atual.

Introdução

A Maçonaria guarda dentro de si, como instituição, muitos segredos.

Pelo menos é isso que a Ordem deseja que todos pensem, é isso que os maçons transmitem para quem os indaga sobre o que acontece dentro do Templo e é isso que a maior parte das pessoas pensa sobre essa instituição que atrai tanta desconfiança.

O fato é que guardar segredo sobre o que acontece dentro de uma instituição que é pública – porque nunca ficou escondida – parece ser uma situação tão desconcertante para a maior parte das pessoas que faz com que a imaginação faça grandes voos. Pode-se dizer que esses segredos se tornaram a maior força da Maçonaria e também o maior foco das críticas que sempre são feitas à instituição.

Mesmo nesse momento histórico, no qual aparentemente a Maçonaria perdeu parte do interesse pelos seus mistérios, ainda é interessante perceber e refletir sobre seu significado no contexto da diversidade das manifestações religiosas ou espirituais que mobilizam o imaginário social. Para escrever este texto, procuramos olhar justamente para essa questão que envolve a Maçonaria e nosso esforço foi para compreender alguns aspectos dessa construção histórica de uma imagem de instituição poderosa, tanto para o bem como para o mal.

Com esse objetivo, analisamos os mitos e imaginários construídos pela própria Maçonaria sobre si mesma e, também, o imaginário que surgiu por meio dos opositores da Ordem, que procuraram denegrir sua imagem e envolvê-la com objetivos negativos.

Para abordar os mitos sobre a Maçonaria utilizamos as noções sobre o mito dadas por Eliade (2007) e Croatto (2010). Para este último autor, o mito é uma narrativa exemplar, na qual a realidade passa a ter sentido pelo fato de ter sido produzida pelos deuses ou entes sobrenaturais: “como instaurador de uma realidade, o acontecimento mítico lhe dá sentido, pois ela remonta-se, em última instância, à primordialidade transcendente, ideia reforçada pela atuação protagonista dos Deuses” (CROATTO, 2010, p. 218, grifo do autor). Assim, a Maçonaria, ao construir seu mito de origem, buscando no passado muito antigo o surgimento do saber de que é portadora, busca conferir uma qualidade de transcendência às suas ações e sua organização. Os mitos maçônicos fazem remontar o saber maçônico ao saber originário sobre as construções sagradas.

Já sobre o imaginário construído em torno da Maçonaria e sua atuação na sociedade, usamos as noções desenvolvidas por Pesavento (2005, p. 45) que afirma: “entende-se por imaginário um sistema de ideias e imagens de representações coletivas que os homens, em todas as épocas, construíram para si, dando sentido ao mundo”. No nosso entender, a partir das reflexões da autora, o imaginário confere sentido às experiências individuais e sociais, por ser uma construção que tem como um dos objetivos, mesmo partindo do campo da imaginação, integrar o que é difícil de compreender, o que é misterioso e amedrontador. É nessa perspectiva que se pode olhar o imaginário sobre a Maçonaria, instituição que supostamente promove complôs, que se utiliza de conhecimentos ocultos e satânicos para manter seu poder e influenciar o destino da sociedade.

Num segundo momento do texto, procuramos abordar a Maçonaria sob a ótica da história, na qual os mitos e imaginários são desmontados e fica a concepção de que essa instituição sempre se constituiu em ambiente para ideias e ideais inovadores, que seus membros se dedicaram à política com o intuito de defender essas ideias e ideais e que – com o decorrer do tempo e as transformações históricas – a instituição deixou de ter essa importância e passou para outro estágio de atuação, que envolve mais o aspecto social e espiritual do que propriamente o político.

É importante informar que utilizamos para construir nosso relato artigos de revistas de divulgação como Superinteressante e História Viva, além de sites que tratam da Maçonaria, pelo fato de que essas reportagens refletem a curiosidade e as indagações que a sociedade têm sobre a Ordem Maçônica e sobre seus segredos. Essas reportagens informativas e investigativas contribuíram para enriquecer a perspectiva que construímos durante o trabalho.

Entendemos, a partir do estudo, que a Maçonaria é um interessante exemplo de como os mitos e imaginários são fundamentais para a visão que temos do mundo e da sociedade.

Maçonaria: mitos e imaginários

Para tratar do tema “Maçonaria” é necessário analisar os diversos elementos que constituem o que podemos chamar de “mitos” e “imaginários” que foram construídos em torno dessa instituição. Esses mitos e imaginários foram construídos tanto pelos próprios maçons como pelos opositores da Maçonaria, em especial a Igreja Católica e as demais Igrejas cristãs. Esses mitos e imaginários permanecem vivos até os dias atuais, fato que indica a importância de se realizar uma análise mais detalhada sobre o tema.

Começaremos pelos mitos e imaginários construídos pela própria Maçonaria para depois tratarmos das construções efetivadas para tentar denegrir e demonizar essa instituição.

O primeiro aspecto a ser ressaltado sobre a Maçonaria é o seu impressionante investimento na criação de um “mito da origem”. Essa criação ocorreu desde o início das atividades maçônicas, momento que é reconhecido pelos historiadores como ocorrido durante o período medieval. Para Azevedo (1996), citando um historiador especialista na história da Maçonaria: “Segundo Paul Naudon, há entretanto um ponto de concordância entre seus estudiosos quanto à filiação direta da franco-maçonaria moderna (a maçonaria especulativa) à antiga maçonaria de ofício (a maçonaria operativa)”[1] (AZEVEDO, 1996, p. 180).

Assim, entre o surgimento das confrarias de pedreiros (a maçonaria operativa) durante a Idade Média, aproximadamente no século XIV – data dos mais antigos textos que citam essas confrarias (AZEVEDO, 1996, p. 180) e a fundação da primeira Loja maçônica (maçonaria especulativa) em 1717 (BENHAMOU, 2009, p. 28), ou seja, praticamente quatro séculos, aconteceu esse intenso movimento que produziu um passado mítico para a instituição.

Azevedo (1996) propõe que as antigas corporações de ofício, existentes desde a antiguidade e que ressurgiram no auge do período medieval, tiveram como características tanto o aspecto operativo como o especulativo.

Podemos considerar essa afirmação a partir da probabilidade de que havia entre os conhecedores dos ofícios, especialmente o das construções, tanto os indivíduos hábeis com as ferramentas quanto aqueles que se preocupavam com as medidas, as formas e os “segredos” contidos nos cálculos geométricos e matemáticos, isto é, uma ciência que não era acessível a todos os construtores e pedreiros. Portanto, é possível que, dentro desse conjunto de artesãos da construção, tenha havido não apenas a transmissão dos conhecimentos das técnicas, mas também a construção de um “mito de origem” a partir da busca pela origem da ciência das construções.

Sabemos por Eliade (2007) que os “mitos de origem” são fundamentais para o homem religioso e foram fundamentais para todas as culturas. Tanto os mitos da criação do universo, da Terra e da humanidade – as cosmogonias – como os mitos de surgimento das instituições humanas constituem uma das bases para a estruturação das culturas.

O mito é assim mostrado por esse autor:

A definição que a mim, pessoalmente, me parece a menos imperfeita, por ser a mais ampla, é a seguinte: o mito conta uma história sagrada; ele relata um acontecimento ocorrido no tempo primordial, o tempo fabuloso do “principio”. Em outros termos, o mito narra como, graças às façanhas dos Entes Sobrenaturais, uma realidade passou a existir, seja ela uma realidade total, o Cosmo, ou apenas um fragmento: uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento humano, uma instituição. É sempre, portanto, a narrativa de uma “criação”: ele relata de que modo algo foi produzido e começou a ser. (ELIADE, 2007, p. 11, grifo do autor)

Parece-nos que os antigos maçons, ao construírem o “mito de origem” da Maçonaria, buscaram permanecer dentro dessa estrutura do mito, conforme definida por Eliade. Mais do que isso, eles realizaram aquilo que era um procedimento comum na cultura anterior ao desenvolvimento da ciência moderna, isto é, procuraram pela origem de uma ciência da construção, recuando cada vez mais longe no tempo histórico em busca do evento “fundador” da franco-maçonaria ou freemasons, isto é, da confraria dos pedreiros livres.

Assim, podemos considerar a história da Maçonaria sob duas perspectivas.

Por um lado, do ponto de vista histórico, a franco-maçonaria teve origem numa corporação de ofício com características peculiares no mundo medieval, pois detinha uma liberdade de locomoção e deslocamento que não era comum a outras corporações.

Segundo Azevedo (1996), citando Naudon:

O único poder então existente capaz de conceder tais privilégios, ou seja, as franquias, era a Igreja. E foi sob a sua tutela que se desenvolveram essas confrarias laicas de artesãos privilegiados conhecidos na época como os francs-mestiers. Os textos mais antigos nos quais se faz menção a esses artesãos itinerantes, devotados às mais diversas atividades de construção, foram encontrados na Inglaterra ao tempo em que o francês era a língua oficial, e também a língua dos ofícios. Assim, além do termo francs-mestiers, consta em documento de 1376 o termo ffremason; em 1381, masonfree; em 1396, ffremaceons[2]. (AZEVEDO, 1996, p. 180)

Com essa liberdade de circulação por toda a Europa e com o aval da Igreja, os franco-maçons passaram a organizar sua confraria em termos mais filosóficos e especulativos com a passagem do tempo e o aprofundamento dos ideais renascentistas. A aceitação de membros não profissionais como “filósofos, hermetistas e alquimistas” (AZEVEDO, 1996, p. 180), produziu uma atração entre homens da nobreza e da intelectualidade, desejosos de dar livre vazão às suas reflexões sobre os diversos “mistérios” da natureza e da vida, conhecimentos que, naquele momento, eram controlados pelo poder eclesiástico.

É por esse caminho que a Maçonaria foi se consolidando até surgir oficialmente
na Escócia em 1717, quando se formalizou enquanto instituição, com templo, ritos, doutrinas e organização hierárquica. Portanto, podemos considerar que juntamente com a história da Maçonaria enquanto instituição há também um mito sobre o surgimento do saber sobre a construção, e que a Maçonaria – a confraria dos pedreiros – está ligada a esse saber.

É interessante que Benhamou (2009), em artigo na Revista História Viva nº 71, que se declara maçom e autor de diversos livros sobre a Maçonaria, faça questão de negar e até ridicularizar os mitos construídos em relação à origem da instituição.

Por outro lado, para nosso propósito neste trabalho e independentemente das reflexões de Benhamou (2009), é importante olhar para o elemento mítico que marca a instituição maçônica.

O mito de origem da Maçonaria que nos leva mais longe no tempo refere-se a uma possível filiação dos conhecimentos maçônicos aos construtores das pirâmides no Egito Antigo. Nessa civilização ocorreu a construção de alguns dos maiores monumentos arquitetônicos da humanidade, mostrando a existência, desde tempos muito antigos, de conhecimentos matemáticos, geométricos e arquitetônicos muito profundos, além é claro, do simbolismo intenso que essa civilização construiu sobre suas realizações.

Nesse sentido, Benhamou (2009), contrário a esse mito, propõe:

Seria sedutor imaginar uma maçonaria atravessando os séculos para preservar os segredos dos primeiros construtores de pirâmides. Eis uma ideia bonita, mas nada mais que inventiva. É verdade que papiros datando de 2000 a.C. antes de nossa era (sic) descrevem o que poderíamos chamar corporações, com objetivos definidos: caridade, condições de trabalho, salários, privilégios. As referências maçônicas ao Egito e a seus mistérios, porém, são recentes. Surgiram nos séculos XVIII e XIX, quando a franco-maçonaria se estruturava. Os ritos chamados egípcios, como o Rito de Mênfis-Misraim, se multiplicaram no século XIX. Atualmente, subsiste uma maçonaria egípcia que reivindica uma herança espiritual, mas é preciso refletir sobre o que os maçons do século XIX pensavam sobre o Egito. Para eles, tratava-se do berço dos ritos iniciáticos, o que resultou em uma visão extremamente deformada, que foi bastante explorada pelos escritores românticos […]. (BENHAMOU, 2009, p. 29).

Como podemos observar, houve dentro da Maçonaria, em passado mais remoto ou mais recente, a construção de um mito de origem que indica uma filiação a um conhecimento específico, o dos construtores, como também aos conhecimentos secretos guardados pelos iniciados das escolas de mistérios, que existiram também no antigo Egito.

A nosso ver, a preocupação de Benhamou (2009), conforme apresentada na citação, mostra uma característica da atual fase da Maçonaria, que está se tornando mais pública, abrindo algumas das portas onde se encerravam os mistérios que povoaram o imaginário dos não iniciados durante séculos. Não nos cabe aqui discutir se essa desmistificação da Maçonaria é positiva ou negativa, o fato que constatamos é que esses mitos ainda são muito importantes.

Outro mito de origem da Maçonaria propõe que os conhecimentos maçons surgiram durante a construção do Templo de Jerusalém pelo Rei Salomão. Neste mito, os segredos sobre a construção do Templo teriam sido guardados pelo engenheiro-chefe Hiram Abiff. Essa lenda é contada por Gwercman (2005) em artigo da revista Superinteressante:

A lenda mais famosa conta que a origem da maçonaria está na construção do grande templo de Salomão, em Jerusalém, narrada no Velho Testamento. Durante a obra, Hiram Abiff, o engenheiro-chefe, foi assassinado por 3 de seus pupilos. O motivo do crime é nebuloso, mas envolveria segredos de engenharia guardados por Hiram e uma disputa por promoções de cargo. O fato é que Hiram foi para o túmulo, mas não revelou o que sabia. Além de mártir, virou exemplo de bom comportamento maçônico. (GWERCMAN, 2005, p. 53)

Esse personagem Hiram Abiff, não existe no texto bíblico, entretanto, há na narrativa da construção do templo (I Reis, 7) a presença de um artesão com grande habilidade vindo de Tiro, cujo nome é Hiram, que foi responsável pelo acabamento do templo. Também não há a narrativa do assassinato de Hiram, mas é possível que seja este personagem a origem do mito maçônico sobre o homem que guardou os segredos da construção até a morte, atitude que é exigida dos maçons quando entram para a instituição.

Esse mito de origem da Maçonaria nos traz à reflexão o mais importante aspecto do imaginário que foi também construído em torno dessa instituição; como já dissemos, tanto pelos próprios maçons quanto por seus opositores. Esse aspecto é relativo aos segredos que a Maçonaria guarda para si. Mais à frente vamos falar sobre esse imaginário, por ora vamos ainda tratar dos mitos de origem.

Um terceiro mito que está relacionado ao surgimento e desenvolvimento da Maçonaria é o que liga os pedreiros-livres à Ordem dos Cavaleiros Templários. Essa Ordem surgiu durante as Cruzadas com o intuito de prestar socorro e proteção aos peregrinos que se dirigiam a Jerusalém, após a conquista dessa cidade em 1099 (FRANCO JR, 1989).

A própria Ordem dos Templários é envolta em mistérios. Seu rápido crescimento a partir da criação em 1119, tanto em número como em poder, assim como o rápido enriquecimento, foi motivo para o surgimento de inúmeras lendas. A falta de documentos históricos que facilitem a reconstituição das atividades dos templários nas primeiras décadas de sua existência favoreceu essas criações (LOPES, 2006, p. 51).

Em artigo publicado na revista Superinteressante, Lopes (2006), depois de citar as palavras do historiador Ellis L. Knox em entrevista, fala sobre os tipos de especulação que surgiram a partir da falta de informações:

[…] “os documentos sobre essa fase da história deles são escassos. De 1120 até 1140, tudo é especulativo” diz Ellis “Skip” Knox, da Universidade Estadual de Boise, EUA. Tanto é assim que os mais empolgados falam de uma escavação secreta no terreno do velho templo: Hugo e companhia teriam descoberto algum segredo dos primórdios da cristandade bem debaixo do seu quartel. Só alguns nobres de alto escalão teriam sido informados do “achado” e o acobertaram, em conluio com a ordem. O duro é saber que diabos era o tal segredo, porque cada teórico da conspiração tem seu artefato favorito. Alguns falam das relíquias sagradas do templo judaico; outros, do santo graal; há os que apostam na própria cabeça embalsamada de Jesus Cristo, provando que ele não tinha ressuscitado nem era divino. Os mais modestos sugerem que as ruínas do templo deram à ordem conhecimentos secretos sobre a natureza mística da arquitetura, como forma de criar espaços sagrados e de se comunicar com Deus. Essa sabedoria, depois, teria sido passada à maçonaria, que originalmente era uma confraria de mestres construtores.
(LOPES, 2006, p. 51 e 52)

Essa especulação sobre os segredos dos Templários tornou-se maior ainda com o fim drástico da ordem decretado pelo Papa Clemente V, a partir da perseguição movida pelo rei da França Filipe, o Belo. A morte na fogueira dos principais líderes (no ano 1314) e o mistério que envolveu o desaparecimento dos bens e da riqueza acumulada pela ordem foi fundamental para alimentar a ideia de continuidade da preservação dos segredos templários no interior da Maçonaria.

Para Benhamou (2009) essa suposta continuidade entre os Templários e a Maçonaria se deve ao fato da Ordem dos Templários ter construído muitas igrejas e outros prédios na Europa, dependendo para isso das confrarias de pedreiros. Esse autor afirma:

Assim, durante dois séculos, os Templários e as corporações de ofícios coabitaram. Por isso, é tão tentador imaginar que determinados membros da Ordem do Templo fugiram e encontraram refúgio, em especial na Escócia, junto de organizações fraternais de trabalhadores de pedra. (BENHAMOU, 2009, p. 29)

Para completar sua reflexão, Benhamou (2009) propõe que no processo de consolidação da maçonaria especulativa, a instituição se preocupou em alcançar maior prestígio social para atrair membros que possibilitassem à confraria deixar de ser uma simples organização de trabalhadores e passar a outra forma organizativa. Benhamou afirma:

Andrew Michael de Ramsay, grande orador da Ordem Maçônica da França, encontrou um recurso astucioso: fundou uma nova maçonaria, com base na simbologia das Cruzadas. Ele não se referia explicitamente à Ordem dos Cavaleiros do Templo, ainda condenada por Roma, mas a uma ordem construtora que teria surgido na Escócia. Por meio dessa lenda, construiu o chamado “rito escocês antigo e aceito”, no qual certos graus se referem aos Templários: Cavaleiro do Oriente, Príncipe de Jerusalém, Cavaleiro Rosacruz e Cavaleiro Kadosh. (BENHAMOU, 2009, p. 29).

Por esses argumentos, defendidos por historiadores e maçons e publicados tanto em artigos, como em livros ou em reportagens que misturam investigação histórica e curiosidades sobre mistérios que alimentam o imaginário social, podemos perceber como mito e história estão profundamente enraizados na presença da Maçonaria na sociedade ocidental, possibilitando inúmeras interpretações sobre sua participação nos eventos marcantes da história de diversos países.

O imaginário sobre a maçonaria

Para iniciar a reflexão sobre o imaginário que envolve a Maçonaria vamos abordar um aspecto importante desenvolvido na cultura ocidental durante os últimos séculos: a ideia da existência de uma ciência oculta, alheia às conquistas e conhecimentos da ciência racionalista.

Eliade (1979) em artigo intitulado “O oculto e o mundo moderno” faz uma reflexão sobre a grande valorização das chamadas “ciências ocultas” ou do “ocultismo” e do “esoterismo” durante os últimos séculos, com particular ênfase no século XIX em diante.

Para definir o que é esse “oculto”, esse autor utiliza o texto de Edward A. Tiryakian:

[…] por oculto, eu entendo práticas, técnicas e procedimentos intencionais que: a) fazem uso de poderes secretos ou desconhecidos da natureza ou do cosmos, poderes esses incomensuráveis ou irreconhecíveis pelos instrumentos das ciências modernas; e b) que buscam resultados empíricos, tais como o conhecimento da sucessão dos acontecimentos ou a alteração de seu curso norma… Para se ir mais longe, na medida em que a pessoa que pratica a atividade oculta é alguém que adquiriu conhecimento e habilidades necessárias a tais práticas e, na medida em que tais práticas e habilidades são aprendidas e transmitidas de maneira social (embora não abertas ao grande público), de modo organizado, ritualizado, podemos chamar essas práticas de ciências ou artes ocultas. (TIRYAKIAN apud ELIADE, 1979, p. 57)

A partir dessa definição, Eliade (1979) afirma que essas “crenças, teorias e técnicas chamadas ocultas e esotéricas” (p. 57) já existiam desde a mais alta antiguidade, nas civilizações do Antigo Egito e da Mesopotâmia, assim como nas civilizações grega e romana, e que elas permaneceram vivas durante todo o período medieval – apesar do controle que a Igreja Católica procurou exercer sobre a sociedade. Esses conhecimentos chegaram ao mundo moderno pelas atividades de muitos alquimistas, místicos e instituições com caráter iniciático.

Eliade (1979, p. 63) elenca muitas das influências exercidas pelas ciências ocultas durante o período renascentista e também a importância desse conhecimento para o próprio desenvolvimento da ciência moderna. Copérnico, Giordano Bruno e outros cientistas do período estiveram completamente ligados a essas ciências que tinham sua origem nas culturas antigas. A magia, a cabala, a bruxaria, a alquimia, a astrologia, as práticas xamânicas antigas, são muitas das expressões desse conhecimento que tiveram um valor fundamental para muitos sábios do Renascimento e continuaram sendo difundidas em círculos restritos até serem “redescobertas” pelos intelectuais livres-pensadores do século XIX e XX (ELIADE, 1979, p. 63).

Do ponto de vista deste trabalho, quando se fala em Maçonaria há uma referência natural à mais polêmica das sociedades secretas e iniciáticas do mundo ocidental, justamente porque esta parece guardar – e estimula todos a pensar dessa forma – os mais profundos segredos das ciências ocultas, normalmente definidas pelos inimigos como rituais e conhecimentos satânicos.

Benhamou (2009a) mostra que, desde a Revolução Francesa, foi difundida a crença de que a Maçonaria estaria à frente de um projeto cuja finalidade era modificar radicalmente as estruturas de poder que então existiam na sociedade ocidental. O autor afirma:

Não há dúvida de que a Revolução Francesa foi deflagrada em nome dos valores defendidos pelos maçons no fim do século XVIII. A luta contra o despotismo real e a defesa da liberdade eram temas recorrentes nas lojas francesas da época. Há, no entanto, quem acredite que o levante de 1789 teria sido a primeira etapa de um complô mundial orquestrado pelos maçons para destruir todas as religiões. Inúmeros historiadores já demonstraram quão absurda é essa teoria, mas até hoje ela sobrevive entre os amantes de teorias da conspiração. (BENHAMOU, 2009a, p. 30)

O autor propõe que havia realmente muitos maçons envolvidos no movimento revolucionário, mas que no andamento do processo os adeptos da Maçonaria, em sua maioria “burgueses, aristocratas, militares e, surpreendentemente, eclesiásticos” (BENHAMOU, 2009a, p. 31), foram considerados inimigos da revolução, tendo um de seus grãos mestres “o duque de Orléans, Philippe Egalité” (p. 31) sido guilhotinado em 1793.

O fato, para Benhamou (2009a), é que a publicação de pequenos livretos defendendo a ideia de um complô maçônico acabou por alimentar essa teoria conspiratória que permanece viva no imaginário ocidental até hoje. O autor cita três obras publicadas ainda no período revolucionário cujo impacto pode ter sido bastante grande.

Se pensarmos nessas publicações a partir da ótica apresentada por Darnton (1987) sobre o papel da “baixa” literatura durante o período pré-revolucionário e mesmo durante a Revolução, podemos ter uma noção de como os livretos foram recebidos pela sociedade da época. Segundo as fontes analisadas por Darnton (1987), o grande comércio de livros na França naquele período era constituído por escritos panfletários e populares, contendo informações não comprovadas sobre a vida de nobres e eclesiásticos, sobre a política real e a administração pública, escritos que disseminavam ideias completamente avessas aos textos filosóficos do Iluminismo. Vejamos como Darnton apresenta essa “baixa” literatura:

Tantas foram, e tão boas, as descrições do ápice da história intelectual do século XVIII, que talvez conviesse rumar noutra direção, tentando atingir a base do Iluminismo e mesmo penetrar seu submundo, lá onde ele possa ser examinado como ultimamente se tem feito com a Revolução – isto é, de baixo.
O ato de escavar, na história das ideias, exige novos métodos e novos materiais. Remexam-se arquivos, em vez de contemplar tratados filosóficos. Um exemplo da espécie de detritos que tal escavação pode trazer à luz é a seguinte carta, dirigida por um livreiro de Poitiers a seu fornecedor na Suíça:
Eis uma pequena lista de livros filosóficos que desejo. Favor mandar a fatura antecipadamente:
Vênus no claustro ou A freira em camisola
O cristianismo desvendado
Memórias da Marquesa de Pompadour
Investigação sobre a origem do despotismo oriental
O sistema da natureza
Thérese, a filósofa
Margot, a companheira dos exércitos

Eis, no jargão do comércio livreiro do século XVIII, uma noção do filosófico partilhada por homens cujo negócio era saber o que os franceses queriam ler. (DARNTON, 1987, p. 13 e 14, grifos do autor)

O autor sugere, em sua análise da literatura do período revolucionário na França, que foi muito grande a circulação e importante o papel desses panfletos, à medida que eles constituíam a maior parte dos textos que circulavam popularmente entre os franceses.

Nessa perspectiva, e voltando aos livretos citados por Benhamou (2009a) que falam do complô maçônico, podemos obter certo entendimento do por que essa lenda adquiriu tanta força. Os títulos desses livretos já mostram seus objetivos: “Retirando o véu para os curiosos ou o Segredo da Revolução revelado com a ajuda da franco-maçonaria” (Abade Lefranc, 1791), “Memórias a serviço da história do jacobinismo” (Abade Barruel, 1793) e “A tumba de Jacques Molay ou História secreta resumida dos iniciados antigos e modernos, Templários, franco-maçons, Illuminati” (Charles Louis Cadet de Gassicourt, 1796).

Os três livros tratam do complô maçônico sem apresentar provas concretas, apenas especulações. Dentre eles, Benhamou (2009a) cita:

Assim, foi de Londres que Barruel escreveu suas Memórias a serviço da história do jacobinismo. Um trecho desse livro resume bem a visão do abade: “Nessa Revolução Francesa tudo foi previsto, meditado, combinado, decidido, estabelecido – até os mais espantosos crimes: tudo foi resultado da mais profunda maldade, pois tudo foi preparado, dirigido por homens que tinham como único objetivo as conspirações há muito urdidas em sociedades secretas, e que espreitaram e souberam esperar pelo momento propício para o complô”. (BENHAMOU, 2009a, p. 30)

É importante dizer que essa tese mostrada por Benhamou foi amplamente defendida pelos católicos nos anos após o início da Revolução[3].

Mesmo que a perspectiva apresentada por Benhamou (2009a) procure desmontar a tese da conspiração, o fato é que a participação ativa da Maçonaria no processo de independência dos Estados Unidos, ocorrida em 1776, também ajudou a incentivar o imaginário sobre a influência subterrânea ou explícita dos maçons em movimentos políticos importantes. George Washington, o primeiro presidente norte-americano, aparece frequentemente em trajes maçônicos durante momentos significativos de seu governo, como a cerimônia de assentamento da pedra fundamental do “Capitólio”, em (CHATENET, 2009, p. 37).

Consultando outros textos que tratam da história da Maçonaria (BARATA, 1999 e 2000, MOREL, 2001, AZEVEDO, 1996, VIEIRA, 1999 e PINHEIRO, 1997) podemos constatar que os maçons sempre tiveram um importante papel também na política brasileira, sendo, entretanto, impossível afirmar que a Maçonaria como instituição estivesse à frente e comandando os diversos momentos históricos decisivos em que os maçons participaram.

É nesses limites sutis entre a ativa participação dos maçons e a supervalorização do poder da Maçonaria que o imaginário social é alimentado e desenvolvido.

O fato da Maçonaria, como sociedade iniciática, procurar manter – e conseguir, o que é mais impressionante – o segredo sobre suas atividades internas, faz com que o imaginário sobre ela enfoque tanto o cultivo das ciências ocultas como a prática do satanismo. Por isso, é importante ressaltar alguns pontos sobre a Maçonaria encontrados no texto de Nefontaine (2007):

Diferentemente do que pensa o senso comum, essa organização sempre teve sua existência formalmente conhecida e reconhecida e, logo que surgiu, declarou fidelidade ao poder estabelecido. Ao mesmo tempo, suas lojas imediatamente reivindicaram o direito de se constituir de forma livre e autônoma, o que gerou perseguições e transtornos com a polícia. Embora os locais de reuniões fossem perfeitamente conhecidos pelas forças da ordem, a alegação principal para tal repressão era justamente que os maçons se reuniam em segredo. Na realidade, o juramento de nada revelar do que é dito nesses encontros é o que inquieta e assusta. Diante das acusações e das perseguições, os maçons repetem que não são uma sociedade secreta, mas sim discreta; que seu segredo é inviolável apenas porque não pode ser comunicado; que a não revelação da filiação de outro é sinônimo de preservação da esfera privada para se protegerem de qualquer retaliação externa, em particular no meio profissional; que a prática do sigilo é preciosa em momentos de ressurgimento de totalitarismos, sempre prontos a persegui-los; por fim, que a ocultação é a garantia de liberdade total de expressão dentro dos limites do templo. (NEFONTAINE, 2007, p. 60)

É interessante essa perspectiva porque mostra o poder do imaginário: o fato de uma sociedade manter em segredo seus rituais e suas doutrinas internas, além de outros como a não divulgação do nome dos irmãos, faz com que os não participantes se incomodem, especialmente se o imaginário é movido pelo medo da conspiração ou medo religioso.

Como dissemos acima, o estudo das ciências ocultas atraiu muitas pessoas nos últimos séculos, mas atraiu também muito ódio e perseguições, como se o estudo do que é oculto pudesse, por si mesmo, se constituir numa ameaça à vida das sociedades. Esse medo só foi difundido com tanta eficácia porque esteve sempre envolto com as crenças religiosas cristãs e a partir da ideia de que o que está oculto é das trevas.

Continua…

Autor: André Luiz Caes

Fonte: Revista Sapiência- Sociedade, Saberes e Práticas Educacionais

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Notas

[1] – Conforme citado por Azevedo (1996): Paul Naudon, La Franc-Maçonnerie, Paris, Presses Universitaires de France, 1963, p. 9 -13.

[2] – Paul Naudon, La Franc-Maçonnerie, Paris, Presses Universitaires de France, 1963, p. 20 – 2.

[3] – Para um aprofundamento desse tema, conferir: CAES, André Luiz. Da espiritualidade familiar ao espírito cívico: a família nas estratégias de reestruturação da Igreja (1890-1934). Campinas/Unicamp: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, 1995. Dissertação de Mestrado. No primeiro capítulo desse trabalho, como introdução ao tema principal da Dissertação, o autor faz uma reflexão sobre a reação da Igreja Católica em relação à Revolução Francesa, abordando também a tese da conspiração.

Corda com nós, laços de amor, borlas com franjas e a orla dentada: decoração ou símbolo?

A corda de 81 nós - Freemason.pt

Em alguns painéis de graus simbólicos do Rito Escocês Antigo e Aceito, bem como no Rito Francês e Rito Moderno, há uma corda com nós que termina em borlas com franjas, que, às vezes, estão também localizadas nas paredes do interior da loja.

Esta corda com nós, em francês é chamada de “houppe dentelée” que, em uma tradução literal para o português, não é uma corda com nós, mas sim “borla dentada”.

Borla dentada??? Isso mesmo, não é corda, não é orla dentada, não é borla com franjas, é uma borla dentada?

Será que tal confusão surgiu de um erro de tradução de alguma antiga Divulgação?

Reproduzimos aqui uma obra do pesquisador belga, Jean Van Win, que, com base no simbolismo heráldico, apresenta uma explicação muito possível.

A leitura do trabalho abaixo, deve ser feita, levando-se em conta que seu escritor é um maçom europeu, que tem uma visão diferente, de nós brasileiros, sobre decoração interna da loja e seus símbolos, o que poderá ser notado em uma crítica feita neste texto.

Será também possível observar que, de um símbolo (corda com nós), acabaram surgindo outros (orla dentada e borla com franjas), que atualmente estão presentes na maioria das lojas brasileiras e fazem parte de instruções de graus simbólicos, mas nem sempre foi assim.


Desde que entrei na Ordem Maçônica, sempre me intriguei com um dos símbolos mais familiares: o “houppe dentelée” (a corda com nós).

Como todo Maçom, eu li as descrições imaginativas de Boucher, Plantagenet, Bayard, bem como Wirth, agora atualizado por Mainguy.

É assim, que uma primeira explicação de inspiração operativa, consistia em ver naquela corda, a “corda de nós” dos construtores de catedrais, instrumentos que permitiam que os Mestres de Obra, marcassem uma distância e utilizassem estas proporções sem recorrer a matemática ou geometria.

Na prática, tal utilização realmente permite fazer um ângulo reto com uma simples corda com nós.

Mas, se a intenção fosse reproduzir a ferramenta desses gênios analfabetos de mãos calosas, não seriam utilizados nós bem apertados, em vez dos suaves laços do amor e suas borlas com franjas?

Eu não fiquei convencido com essa interpretação.

Tampouco me convencem estas explicações vagas sobre “o símbolo do infinito” ou a do “número oito deitado” que alguns acreditam, como laços de amor. Muito menos a necessidade de traçar três laços de amor no grau de aprendiz, e nos outros graus de acordo com a idade do maçom naquele grau.

Há outra vertente que nega veemente essa necessidade e que dita que os laços devam ser doze, em homenagem ao zodíaco, que tem doze signos e até mesmo em memória aos doze apóstolos … uma iconografia abundante tão incoerente que a diversidade de teorias que pretendem explicar, mostra apenas a infinita capacidade imaginativa de nossos irmãos.

Finalmente, eu me pergunto qual seria o problema se o universo místico tão querido por muitos de nós, fosse abandonado e o símbolo fosse visualizado a partir de um ângulo puramente histórico e baseado em fatos.

De onde vem? O que este símbolo expressa?

Se trata de uma corda com uma série de nós, de dois a pelo menos doze, (no Brasil utilizamos até 81 nós) terminada em cada extremidade por uma borla.

Na Bélgica, uma borla é descrita como uma “franja”, como a que decora os chapéus da polícia e dos soldados antes da guerra de 1940, onde cada regimento utilizava sua cor.

Na Maçonaria, esta corda delimita os lados norte, leste e sul dos painéis das lojas francesas, pois os ingleses ignoram essa corda, que foi espalhada, a partir da França, pelos painéis utilizados em toda a Europa.

A borla (houppe no século 18) é então o fim da corda e não a corda na sua totalidade.

Ela foi considerada como um todo, mas a “borla” francesa, na sua origem era totalmente equivalente a “franja” belga!

Mas, porque na Maçonaria francesa essa borla é chamada de “dentada”?

Em um dicionário encontramos a seguinte definição:

“Dentada: Tecido ornamentado com desenhos, que normalmente apresenta uma borda irregular.”

O que não esclareceu nada.

O que tem a ver essas decorações dentadas em um painel de loja, mesmo que acompanhem uma borla?

Vamos mais longe.

“Dentada: que apresenta pontas e buracos. Vide lâmina dentada.”

O que tem a ver com nossos painéis, que são conhecidos por representar o Templo de Salomão, algo dentado com franjas, pontas e buracos?

Em francês, não tem um significado preciso e não tem a menor relação com a construção.

Então, onde surgiu a primeira aparição da expressão “houppe dentelée” (borla dentada) e qual poderia ter sido o seu significado original?

Provavelmente surgiu através do famoso Louis Travenol (chamado de Leonard Gabanon) que, em 1744, publicou pela primeira vez na França uma representação da loja, contida em uma divulgação intitulada “Le Catechism des Francs-Maçons”. Três outras divulgações a precederam: “La Réception d’un Fre maçon” em 1735, “La Reception Mysterieuse” de 1738 e “Le Secret des Francs-Maçons” em 1742.

Aqui reproduzimos o primeiro painel de loja onde aparece uma corda e a referência a uma borla dentada:

Como sempre, para investigar os mistérios das fontes francesas da Maçonaria, voltemos às primeiras práticas maçônicas inglesas que foram expandidas em Paris, a fim de encontrar, eventualmente, uma versão intacta de uma prática mal compreendida ou mal traduzida entre nós.

E este é o caso agora!

Em 1742, o abade Pérau publicou “Le Secret des Franc Maçons”, com base no texto em inglês de uma divulgação famosa e importante: “Maçonaria Dissecada”, publicada na Inglaterra em 1730 por Samuel Prichard.

Mas o conhecimento linguístico do bom abade era muito limitado e suas traduções, aproximativas.

Por exemplo, a partir de sua caneta, saiu isso:

  • Mosaic Pavement (Pavimento Mosaico) tornou-se “Palácio Mosaico”.
  • Blazing Star (Estrela Flamejante) passou a ser “Baldaquino cheio de estrelas”.
  • Intended Tarsel tornou-se “Borla Dentada”.

Tarsel é uma palavra que não existe em dicionários contemporâneos. O erro de Pérau vem, talvez, de uma leitura errônea e da confusão cometida com a palavra tassel, que significa borla e taselled é adornado com borlas.

Vamos ver o que o texto original (em inglês) de Prichard diz em 1730:

  • Q : Have you any furniture in your lodge ?
  • A : Yes.
  • Q : What is it ?
  • A : Mosaic pavement, Blazing Star and Indented Tarsel.
  • Q : What are they ?
  • A : Mosaic Pavement, the ground Floor of the Lodge; Blazing Star, the Center; Indented Tarsel, the Border round about it.

Assim, o pavimento em mosaico constituía o piso da loja; a estrela flamejante é o centro; o “Intended Tarsel” seria a borda “ao seu redor”.

Como se sabe, as bordas dos painéis das lojas inglesas sempre tiveram um friso composto por triângulos alternados em preto e branco ou em quadrados preto e branco dispostos diagonalmente, como se fossem dentes, ou seja, “dentados”.

Os painéis de lojas francesas da mesma época, que adotaram esse uso inglês, são extremamente raros.

Atualmente, pode-se observar uma sobrevivência inalterada no tapete das lojas francesas do Rito Escocês Retificado, que preservaram seus usos intactos desde 1778.

Os franceses, provavelmente desde Pérau, chamam indevidamente de “La Houppe dentellee” (a borla dentada) a representação de uma corda com muitos nós, terminada em duas “franjas” ou duas borlas com franjas!

Numerosas divulgações posteriores, gravuras e rituais, assumem a mesma expressão que, apesar da falta de lógica e sua absoluta incorreção, constituirá com o passar do tempo, um uso estabelecido, que já é batizado como “tradição”.

Este não é um caso isolado, podemos citar o ato de tirar as luvas brancas para formar a cadeia de união, o que é, na minha opinião, outro desvio ocultista sustentado por muitos racionalistas!

Por que os primeiros maçons franceses substituíram a “borda serrilhada” das pinturas inglesas por uma corda que foi batizada como “borla dentada” da maneira mais estranha?

Na França, em 1744, a “houppe dentelee” constituiu um ornamento presente nos painéis da loja, se comparado aos painéis ingleses contemporâneos. Os ingleses ignoram a borla atual como sempre fizeram.

Inquestionavelmente, se trata de um dos elementos originários e constitutivos do “estilo” francês, do “espírito” ou da “especificidade” da França, bem como do hábito de manter o porte da espada na loja, o chapéu ou a imitação da fita ou cordão azul da Ordem do Espírito Santo, usos comuns na boa sociedade que frequentava os salões.

No entanto, uma pista aparece com o famoso Luis Travenol, alias Leonard Gabanon, que na segunda de suas divulgações, publicou em 1747: “La Desolation des Entepreneurs Modernos du Templo de Jerusalem” (A expulsão de comerciantes modernos do Templo de Jerusalém), descrevendo o “houppe” como “uma espécie de Corda de Viúva que envolve todo o desenho”.

É surpreendente que Travenol seja o único autor francês da época que considerou esta explicação de uma característica heráldica.

Esta interessante descrição coincide cronologicamente com outra expressão que aparece nos rituais de 1745 em relação ao recente grau de Mestre Maçom (1725, Londres) e qualifica os Maçons como “Filhos da Viúva” por referência a Hiram, pois a Bíblia nos diz (1 Reis 7:14) que ele era “filho de uma mulher viúva, da tribo de Naftali, e fora seu pai um homem de Tiro”.

Este ornamento, que aparece em numerosas lápides, mas também acompanha certas armaduras civis ou eclesiásticas, encoraja-nos a entrar em um domínio cheio de simbolismo: a arte heráldica. E essa invasão nos dará, com grande simplicidade, a chave para esse pequeno problema.

Decoração que em heráldica denota uma Viúva

Em seu notável “Dictionaire Héraldique”, que apareceu em 1974, Georges de Crayencour descreve dois tipos de brasões que nos ilustraram:

O primeiro é o das viúvas e nos diz:

“As viúvas têm dois brasões: um de armas de seu marido e um seu; as duas coladas (muito próximas) e cercadas, a partir do século XVI, em uma corda entrelaçada ou com um cordão de seda trançado, em prata e areia… (prata e preto). A corda tem nós em intervalos em uma espécie de laços de amor… Se distingue pela presença de três nós apertados, postos um no centro e dois nos flancos …”.

Aqui está uma primeira explicação considerada da arte heráldica.

Existe uma segunda, proveniente da mesma fonte, mas ainda mais surpreendente, uma vez que se refere, não mais a arte heráldica para as viúvas, mas refere-se à igreja, como também de ambos os sexos.

A correspondência entre os laços de amor de príncipes e princesas da Igreja e os maçons, é muito sugestiva e ainda hoje pode ser visto nos frontões (fachada) de muitas abadias e palácios episcopais, sobre as lápides, inúmeras nas igrejas barrocas das Ilhas de Malta e Gozo, onde podem ser vistos em composições de mármore multicoloridos, assim como em diversos outros lugares.

Georges de Crayencour nos ensina que

“o chapéu com o escudo e seu cordão com nós (ou laços) e acabados com borlas dispostas em um triângulo que o cercam…. Sobre o significado dos nós e borlas, as opiniões são compartilhadas.”

Não precisamos dizer que isso foi compartilhado fraternalmente entre os nobres e os maçons!

Brasões de uma Viúva, de um Bispo e de um Abade

Atualmente, a maioria dos painéis de loja da Europa continental, deriva da maçonaria francesa, e têm uma “borla dentada”. Será que esse ornamento é apenas estético? Será que ele terá algum outro significado que foi perdido?

Será o resultado de um simples erro de tradução, muito bizarro, apesar da frequência de utilização na maçonaria francesa?

Essa bela borla veio da simples fantasia de um artista maçônico que queria “ser legal”?

Seria um caso único na iconografia maçônica, que faria uma referência de modo geral a algum significado oculto decifrado por poucos?

Uma lamentável prática, na minha opinião, é que certas oficinas localizam a corda na parte superior das paredes norte e sul da loja (que se tornou um templo!) sob o teto.

Isso é mais que lamentável se também estiver associado a um conjunto zodiacal, para mim totalmente incongruente e que é dito ser “operativo”. Isso mostra bem até que ponto uma “tradição” pode ser evolutiva … Essa composição simboliza – eles dizem – a união universal dos maçons!

Veja como uma pobre viúva poderia fazer uma prolífica descendência, graças à imaginação de seus “filhos”.

A confusão entre a fina borla dentada heráldica e a espessa corda de nós dos construtores está, com todas as evidências, em sua máxima expressão.

Essa corda com nós é outra coisa e podemos demonstrar a construção de um ângulo reto, graças a uma simples corda de doze nós, usando o quadrado da hipotenusa com 3, 4 e 5 nós, mas esse instrumento operativo nada, absolutamente nada, tem a ver com o debate sobre a borla!

Voltando ao assunto: disposta sobre o painel da loja, formando originalmente dois laços de amor, que se amaram ao ponto de terem sido convertidos para doze, o que poderia simbolizar os elegantes entrelaçados aos olhos meditativos de nossos irmãos contemporâneos?

Pode se ver muito mais do que um simples ornamento heráldico, que, por outro lado, nunca esteve na Maçonaria.

E nessa última hipótese, seria o único elemento que não teria nenhuma função estética, o que constituiria um caso incomparável entre os elementos constitutivos do painel da loja.

Mas então, tal interpretação seria inviável e, na minha opinião, deveria ser rejeitada.

A escolha deliberada deste cordão lembra ao Maçom que o painel da loja sintetiza, assim como um brasão, um conjunto de elementos simbólicos quanto ao grau praticado. No entanto, um elemento maior em relação ao grau de Mestre já está presente no painel do grau do Aprendiz.

Na verdade, tal antecipação é talvez o caso de passar de um grau inicial a outro, onde não será explicado o que se encontra no germe desse grau. Por exemplo, no século XVIII, o painel da loja do Rito Francês do grau de aprendiz já contém uma estrela flamejante, mas isso não é explicado.

E quanto à “corda da viúva”, ela lembra ao Mestre Maçom, que Hiram vive eternamente em todos nós, todos somos “filhos da Viúva”.

Isso foi imediatamente perceptível em uma sociedade de classe, como a do século 18, onde a heráldica é amplamente disseminada e familiar para todos e serve como meio de identificação; que a arte era comumente praticada de forma banal com os sentidos de identificação que todos conheciam.

Os símbolos são autofalantes, mesmo que sua linguagem pareça ter um duplo sentido que precisa de criptografia; o sentido, no entanto, se perde quando a sociedade evolui e sua composição sociológica se modifica, como ocorreu com a democratização e o estabelecimento do Império.

Os maçons dos séculos XIX, XX e XXI estão cada vez menos familiarizados com a arte heráldica, exceto talvez na Alemanha, Espanha, Áustria ou Suíça, onde permanece vivaz e popular. Não há município ou cidade nestes países que não exibam orgulhosamente os seus brasões.

A minha interpretação do “Cordão da Viúva”, me parece mais enriquecedora no plano simbólico do que as dissertações “esotéricas” sobre os temas de universalidade, do número oito deitado (sic!), do infinito, do zodíaco, dos pedreiros medievais “que conservaram os segredos que vieram das pirâmides” (sic), dos filhos de Isis, dos druidas e isso sem contar os templários, os rosa-cruzes e os alquimistas!

Esta conclusão, obviamente que não é a verdade. Se assim fosse, deixaríamos o marco de uma filosofia interpretativa para entrar na ciência do emblemático, da alegoria, do símbolo, do pensamento único.

Onde estaria o prazer da descoberta e, acima de tudo, o que é ainda mais emocionante, o prazer da investigação, ou essa verdadeira “caçada do sentido oculto”, tornando-se inevitável a dupla natureza do maçom?

“A cada uma de suas Verdades”, é dito em uma peça famosa. Aquela que Pôncio Pilatos responde do fundo de sua Judéia. “A Verdade, qual Verdade?”… antes de lavar as mãos, um gesto altamente simbólico!

Autor: Jean Van Win
Traduzido por: Luciano R. Rodrigues

Extraído de uma obra do Círculo de Estudios del Rito Francés Roëttiers de Montaleau

Fonte: O Prumo de Hiram

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A relação entre a Revolução Farroupilha e a maçonaria

A MAÇONARIA E A REVOLUÇÃO FARROUPILHA - PDF Download grátis

A Revolução Farroupilha é considerada um dos episódios mais importantes e simbólicos da história política e cultural do Rio Grande do Sul. Entre os aspectos que frequentemente justificam a sua grandeza está a vinculação com a construção da identidade regional. Os diversos episódios em torno da revolução sustentam as teses, com algumas variações, das diferenças de “ser gaúcho”. Porém, a temática “farroupilha” somente passou a ser foco de estudos mais aprofundados e sistemáticos nas primeiras décadas do século XX. As comemorações do “Centenário da Revolução”, em 1935, inauguraram a entrada da Guerra dos Farrapos no discurso historiográfico e na própria história do Rio Grande do Sul(1).

Os aspectos mais relevantes na descrição e na interpretação da revolução residem na centralidade do descontentamento de setores da elite socioeconômica sul-rio-grandense com a política centralista imperial. Nesse sentido, pretendo propor algumas reflexões que possam contribuir para o debate sobre o papel da revolução na história do Brasil meridional. A abordagem principal focaliza os farrapos e a provável influência da maçonaria no decorrer da guerra. Antecipo meu posicionamento a propósito da questão: tal influência não foi fundamental e nem decisiva. Contudo, frente à complexidade da realidade social do Rio Grande do Sul no contexto, a maçonaria esteve presente e, em alguma medida, contribuiu para os resultados daquele movimento político histórico. 

Considero relevante que não se perca de vista, ao analisar o quadro histórico do Rio Grande do Sul nas primeiras décadas do século XIX, as suas peculiaridades em comparação ao resto do Brasil. Na conjuntura em que eclodiram os movimentos de contestação ao colonialismo, a Província de São Pedro cumpriu, na minha opinião, um papel coadjuvante. Tal situação não poderia ser diferente, pois a tardia incorporação ao território brasileiro e sua localização de fronteira projetou, em muitos aspectos, uma condição periférica. Os protagonistas do movimento emancipacionista, com forte influência das ideias iluministas e liberais das correntes francesas, residiam ou atuavam próximos aos centros econômicos e políticos de maior envergadura. O processo que culminou com a independência do Brasil teve, evidentemente, a adesão, mesmo que tardia, também da elite política e intelectual sul-rio-grandense. O movimento maçônico, que crescera juntamente com a difusão dessas ideias, chegou ao Rio Grande do Sul três décadas depois que nas regiões centrais do Brasil.(2)

A maçonaria, a Revolução Farroupilha  e as narrativas historiográficas

A historiografia sul-rio-grandense dedicou pouco espaço ao estudo sobre a presença da ordem maçônica na história do Rio Grande do Sul. Sobre as narrativas historiográficas vinculadas ao tema, recorri a um trabalho já realizado anteriormente e específico sobre a maçonaria no Rio Grande do Sul. No referido trabalho, utiliza-se uma classificação das narrativas historiográficas a partir da análise de dois grupos de autores: a historiografia não acadêmica e a historiografia acadêmica. (3) 

Neste texto, darei ênfase apenas às questões envolvendo a maçonaria e a Revolução Farroupilha. A maçonaria frequentemente é mencionada por historiadores não acadêmicos, que quase sempre abordam a temática valorizando, de forma exagerada, a participação maçônica nos acontecimentos relativos à Revolução Farroupilha. É comum que se explique o espírito associativo, as academias e sociedades literárias como tendo sido o berço da maçonaria no Rio Grande do Sul. (4)

Na década de 1830, a elite intelectual gaúcha aderiu mais intensamente e quantitativamente ao pensamento iluminista e liberal, especialmente de origem francesa. Mesmo que alguns autores acreditem haver indícios da existência de atividades maçônicas na província antes da década de 1830, não há, até o momento, comprovação documental dessas atividades. Com base nessa constatação, é possível relacionar Revolução Farroupilha e movimento maçônico pois eles são, no mínimo, concomitantes e conectados no campo das ideias.

Em termos da abordagem encontrada entre historiadores não acadêmicos, destaca-se o trabalho de João Pinto da Silva. Ao tratar do ambiente intelectual do Rio Grande do Sul às vésperas da Revolução Farroupilha, o autor explica a difusão das sociedades e clubes literários e secretos como fundamentais na vida política e cultural da província. As dificuldades econômicas enfrentadas pelo Rio Grande do Sul em razão de sua condição periférica, e de economia voltada para o mercado interno, teriam estimulado a resistência às políticas do poder central. Tal situação coincidia com um ambiente cultural propício à difusão de associações de “lojas misteriosas”. Entre as sociedades secretas, a de maior destaque, na perspectiva da organização maçônica, foi o gabinete de leitura “O Continentino”, instalado na cidade de Porto Alegre. (5)

Na visão da maioria dos autores desse grupo historiográfico, o clima de radicalização política que opunha “caramurus” e “liberais nativistas” havia sido, em muito, intensificado pela ação dos maçons gaúchos. A maior parte dos liberais gaúchos assumira a opção farroupilha em razão dos privilégios centralizadores do Império brasileiro, que desenvolvia uma política econômica vinculada à provável influência da instituição no campo cultural, isto é, na difusão do ideário que mais tarde seria assumido discursivamente pelos líderes farroupilhas. (6)

Um episódio extremamente valorizado por historiadores desse grupo, e que confirmaria a relação entre maçonaria e farrapos é o da fuga de Bento Gonçalves do presídio na Bahia. Walter Spalding dedicou um capítulo de seu trabalho à descrição desse episódio e aos detalhes da articulação maçônica que teria permitido a libertação do líder Bento Gonçalves. (7) Bento Gonçalves foi aprisionado em 1836 e enviado, inicialmente, para o presídio Fortaleza da Lage, no Rio de Janeiro. Pouco tempo depois, foi transferido para o Forte de São Marcelo, na Bahia. 

Interessante em relação ao episódio da fuga do líder farroupilha é a menção que se fez da existência de uma trama maçônica com a finalidade de libertar Bento Gonçalves. Segundo alguns autores, a intervenção maçônica se efetivou a partir do momento em que Bento foi identificado como “irmão”. Com efeito, não se pode deixar de considerar o fato de que, efetivamente e de forma surpreendente, Bento Gonçalves retornou ao Rio Grande do Sul em setembro de 1837. Se tal complô se deveu à ação de maçons ou de liberais simpáticos aos farrapos é, ainda, uma questão em aberto.

Entre os historiadores não acadêmicos encontram-se, também, as obras publicadas por historiadores maçons. Essas narrativas são as que mais divulgaram a ideia de que a maçonaria foi fundamental para a eclosão e para o desenrolar da Guerra dos Farrapos. Deve-se considerar que, quantitativamente, o grupo não produziu um grande número de obras.

Entretanto, deve-se levar em conta que muitos intelectuais maçons integraram instituições culturais importantes, como, por exemplo, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul e, dessa forma, direta ou indiretamente, produziram e influenciaram a divulgação de interpretações que valorizaram a temática maçônica. Selecionei dois autores que considero fundamentais para a tentativa de construção de uma história da maçonaria gaúcha. Nos dois casos, a inclusão do tema “Revolução Farroupilha” aparece com destaque.

Morivalde Calvet Fagundes é autor de inúmeros trabalhos sobre a maçonaria gaúcha. Um de seus méritos refere-se ao cuidado de comprovar suas afirmações com evidências documentais. Frequentemente, o autor transcreve parte de documentos por ele localizados, o que sustentaria em muito suas explicações. Um exemplo é quando transcreve documentos do período farroupilha que confirmam a ocorrência de rituais de iniciação maçônica de Thomas Ferreira Valle, em 1839, na cidade de São Gabriel, e de David Canabarro, em 1841, na cidade de Alegrete. Evidentemente que, para o autor, o fato de vários líderes farrapos terem sido maçons confirmaria a influência da instituição naquele contexto. (8) 

O segundo historiador maçom escolhido para este trabalho foi Carlos Dienstbach, autor que publicou uma importante obra sobre a maçonaria gaúcha (9). Entre um grande universo de informações, dados e documentos apresentados pelo autor, destaca-se, também, a questão da influência da maçonaria no processo revolucionário. Entre os documentos que reforçam suas convicções, ele aponta, em especial, um documento que conferia a Bento Gonçalves a missão de regularizar e filiar lojas e maçons nos locais percorridos pelos revolucionários. Muitas lojas maçônicas teriam suas raízes nessa modalidade de instalação. (10)

Quanto ao segundo grupo historiográfico em análise, e que denominei de acadêmico, aparecem poucas obras disponíveis que abordem temáticas relacionadas à participação da maçonaria na história do Rio Grande do Sul. Entretanto, destaco dois trabalhos que tratam do tema deste artigo: o de Spencer Lewis Leitman e o de Moacyr Flores. O primeiro autor explicou a relação entre maçonaria e Revolução Farroupilha com inserções como a que segue: 

“Na fronteira, Bento Gonçalves organizou lojas maçônicas aprendendo rapidamente todos os meandros da organização, e usando o serviço postal maçônico como uma alternativa para sua correspondência secreta. Alguns anos depois, um de seus filhos afirmou que Sucre, o codinome maçônico de seu pai, era prova suficiente de sua intenção de estabelecer uma república antes do dia 20 de setembro de 1835”. (11)

Moacyr Flores tratou dessa questão em capítulo específico de sua obra sobre o modelo político e as ideias que influenciaram os farrapos (12). O autor discorda que a Revolução Farroupilha tenha sofrido influência maçônica. Contudo, debruçou-se sobre algumas questões episódicas e outras de cunho interno da maçonaria. No caso dessas abordagens, considero a obra de Flores exemplar de um modelo historiográfico tipicamente do seu tempo. O autor procurou argumentar seus pontos de vista informando conceitos, informações e explicações de cunho interno da ordem maçônica. (13)

 Será que a maçonaria foi importante para a Revolução?

Não há, por certo, como responder de forma conclusiva a essa questão. As fontes documentais e bibliográficas disponíveis não falam o suficiente para que se chegue a uma conclusão plausível. Levando em conta esse ponto de vista, suspeito que, no caso de ter que se chegar a uma resposta, a Revolução Farroupilha foi mais importante para a maçonaria do que o contrário. Para pontuar essa perspectiva, lembro que as primeiras lojas maçônicas já estavam sendo implantadas em território brasileiro desde pelo menos o ano de 1800.

Por outro lado, somente três décadas depois se tem notícia oficial da instalação de loja no Rio Grande do Sul, a loja Filantropia e Liberdade, fundada em 25 de dezembro de 1831, na cidade de Porto Alegre.

A estreita vinculação entre a primeira loja maçônica e o gabinete de leitura da “O Continentino”, caracteriza uma das primeiras formas de atuação da maçonaria no Rio Grande do Sul. Os integrantes de lojas maçônicas atuavam discretamente em razão do caráter sigiloso da própria instituição. Também buscavam se proteger da perseguição política ou religiosa que por ventura pudesse se desenvolver. (14)

Volto à questão das origens da maçonaria gaúcha salientando que os liberais gaúchos, que já haviam aderido à causa emancipacionista em 1822, ganharam a adesão de setores descontentes com a política centralista da monarquia recém instalada no Brasil. Aliado a isso, havia o descaso para com as necessidades, sobretudo econômicas e fiscais, das províncias periféricas. A abdicação do imperador, em 1831, assim como as primeiras medidas dos governos regenciais, suscitaram um aumento da frustração por parte da elite gaúcha em relação ao governo central, e foram os integrantes dessa vertente política, muitos deles participantes de sociedades secretas, os responsáveis pela organização do movimento revolucionário de 1835. Nesse ponto, podemos, de alguma forma, ligar maçonaria e Revolução Farroupilha, pois as oficinas maçônicas eram, no entanto, um espaço privilegiado de debate e de aglutinação dos liberais radicalizados.

As primeiras lojas foram, certamente, de iniciativa de um pequeno número de maçons, familiarizados com os “segredos” da ordem no centro do país, ou mesmo no exterior, e que criaram ou encontraram espaços de atuação nos clubes ou sociedades de cunho liberal. O exemplo mais expressivo e já mencionado anteriormente foi, sem dúvida, “O Continentino”, cuja ênfase, dada neste trabalho, se deve ao fato de ser o mais bem documentado; com isso, não descartamos que outras sociedades ou gabinetes de leitura tenham sido embriões maçônicos. 

No decurso dos confrontos da revolução não existiam condições regimentais mínimas para que as lojas maçônicas ou prosseguissem com suas atividades ordinárias e extraordinárias. O clima geral de instabilidade política e social tornava difícil a regularidade das cerimônias e a observância sobre a correção que deveria existir para a realização dos rituais e dos procedimentos administrativos previstos nas constituições e regulamentos. Assim, em condições excepcionais, a ordem maçônica buscou alternativas de funcionamento para que a sua incipiente situação não retrocedesse.

Nessa mesma perspectiva, cito duas situações de lojas maçônicas que se posicionaram como aliadas das tropas imperiais: a loja União Geral, situada na cidade de Rio Grande, e que fora fundada no ano de 1840, portanto, em meio à revolução. Foi numa cerimônia no templo maçônico pertencente a essa loja que se deu a iniciação do Marquês do Herval, Manuel Luís Osório. Para que se entenda o posicionamento de Osório é importante lembrar que, na primeira fase revolucionária, ele compunha as forças farroupilhas. Entretanto, suas divergências vieram à tona quando da Proclamação da República Rio-grandense, em 1838, quando então aderiu às tropas imperiais (15).

Outra situação similar ocorreu em São Leopoldo, na loja União e Fraternidade. Um dos maçons de destaque da loja, e que assumiu a posição política favorável às forças centralistas imperiais, foi o líder da comunidade alemã, João Daniel Hillebrand. Entre os aspectos biográficos que credenciam sua figura na história regional estão o fato de ter sido considerado um médico humanitário, presidente da Câmara dos Vereadores de São Leopoldo, fundador da Companhia de Voluntários Alemães e chefe geral da Colônia. Nos dois casos, fica evidenciado que a ordem maçônica não ficava imune aos confrontos e disputas políticas e ideológicas inerentes a cada realidade histórica.

Considerações finais

Esses e outros exemplos historiográficos me fazem acreditar que a Revolução Farroupilha contribuiu decisivamente para a expansão de um tipo de pensamento político que aproximou parcela da elite regional à causa maçônica. Em sentido contrário, essa mesma revolução impediu a expansão maior da maçonaria, pois foi um obstáculo para a consolidação das estruturas administrativas maçônicas. A maçonaria encontrava-se em fase de instalação na província quando eclodiu a revolução. Dessa maneira, dificilmente teria a força, o prestígio, o sentimento conspirativo e liberal necessário para influenciar ou interferir decisivamente num episódio da proporção da Guerra dos Farrapos. Que alguns líderes farrapos tenham sido iniciados na maçonaria no período anterior à eclosão da mesma, ou no transcorrer da guerra civil, não restam dúvidas. Contudo, esse argumento por si só não garantiria sustentação nas teses de que a maçonaria foi fundamental na organização ou desenlace da guerra.

Lembro, ainda, que o debate sobre a questão da identidade regional deve levar em conta que a sociedade gaúcha se encontrava dividida política e ideologicamente. De um lado, lutavam homens identificados com a causa farroupilha e, de outro, os segmentos que combatiam com as tropas imperiais. Assim, importante, nesse contexto, é assinalar a presença de maçons em ambos os lados do conflito. Reitero o meu posicionamento assumido no início deste artigo, qual seja, acreditar que a influência da maçonaria no desenrolar da Revolução Farroupilha não foi fundamental e nem decisiva. Entretanto, a instituição contribuiu, e isso não é pouco relevante, na difusão das ideias liberais no seio da elite política e cultural na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul.

Autora: Eliane Lucia Colussi 

Fonte: Estudos – Blog do Bianchi

* A professora Eliane possui graduação em Curso de História pela Universidade de Passo Fundo (1985), mestrado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1993) e doutorado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1998). Tem experiência na área de História, com ênfase em História, atuando principalmente nos seguintes temas: história, maçonaria, política, violência.

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Notas

(1) – A valorização da temática sobre a Revolução Farroupilha deve muito aos intelectuais do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, que, no caso das comemorações do Centenário Farroupilha, organizaram um importante congresso de estudos e, posteriormente, publicaram na forma de anais o debate ali ocorrido. Ver: Anais do I Congresso de História e Geografia Sul-Rio-Grandense. IHGRGS. Porto Alegre, 1936.

(2) – O presente artigo é inspirado em outro trabalho de minha autoria: COLUSSI, Eliane Lucia. A maçonaria gaúcha no século XIX. 3. ed. Passo Fundo: Ediupf, 2003. 

(3) – Idem.

(4) – Esta constatação confirmaria um fenômeno cultural e político ocorrido em esfera internacional nos séculos XVIII e XIX. O nascimento, divulgação e recepção do pensamento “burguês” ou iluminista e liberal encontrou nessas sociedades literárias um espaço de sociabilidade fundamental. 

(5) – SILVA, João Pinto da. A Província de S. Pedro (interpretação da história do Rio Grande). Porto Alegre: Globo, 1930, p. 121.

(6) – ANTUNES, Deoclécio Paranhos. Os partidos políticos no Rio Grande do Sul: gênese e desdobramento histórico desde a proclamação da independência à república. In: Anais do I Congresso de História e Geografia Sul-Rio-Grandense. IHGRGS. Porto Alegre: Globo, 1936. v. 2. p. 217.

(7) – SPALDING, Walter. Farrapo. Porto Alegre: Sulina, s/d, p. 134. 

(8) – FAGUNDES, Morivalde Calvet. Revelações da história da maçonaria gaúcha. Hoy es historia, Montevidéu, ano 4, n. 20, 1989. p. 42-43.

(9) – Trata-se da obra DIENSTBACH, Carlos. A maçonaria gaúcha: história da maçonaria e das lojas do Rio Grande do Sul. Londrina: A Trolha, 1993. (4. v.).

(10) – Idem, p.479.

(11) – LEITMAN, Spencer Lewis. Razões socioeconômicas da Guerra dos Farrapos: um capítulo da história do Brasil no século XIX. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979. p. 61.

(12) – FLORES, Moacyr. Modelo político dos farrapos: as ideias políticas da Revolução Farroupilha. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982. 

(13) – Idem, p. 40. 

(14) – Sobre esta questão ver o trabalho de MOREL, Marco. Sociabilidades entre luzes e sombras: apontamentos para o estudo histórico das maçonarias da primeira metade do século XIX. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, n. 28, p. 3-22, 2001.

(15) – DIENSTBACH, Carlos. Op. Cit., p. 518-519.

Referências bibliográficas

ANTUNES, Deoclécio Paranhos. Os partidos políticos no Rio Grande do Sul: gênese e desdobramento histórico desde a proclamação da independência à república. In: Anais do I Congresso de História e Geografia Sul-Rio-Grandense. IHGRGS. Porto Alegre: Globo, 1936. v. 2. p. 215-266.

COLUSSI, Eliane Lucia. A maçonaria gaúcha no século XIX. 3. ed. Passo Fundo: Editora da UPF, 2003.

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O maçom Simón Bolívar: entre o mito e a verdade histórica – Parte IV

Maçons Famosos - A∴R∴L∴S∴ 28 de Julho – 133

Proibição de sociedades secretas

Como resultado do fracasso da Convenção de Ocaña em junho de 1828, que confrontou os partidários do General Santander e os de Bolívar, e também do fracasso da conspiração contra Bolívar e sua tentativa de assassinato pela Sociedade Filológica, no final de setembro do mesmo ano [71] Bolívar e seus ministros consideraram conveniente prevenir futuras conspirações, portanto, evitaram encontros ilegais a pretexto de sociedades culturais. E com esse propósito emitiram o decreto de 8 de novembro de 1828, onde proíbem “associações ou fraternidades secretas” no território da República da Colômbia. Certamente, o decreto não menciona especificamente a Maçonaria, mas foi incluído tacitamente. A partir de 8 de novembro de 1828, a Maçonaria na Colômbia foi oficialmente dissolvida. A Maçonaria que, introduzida especialmente da Jamaica, a partir da década de 1820 adquiriu um notável desenvolvimento, com maior força no estabelecimento militar.

Desta proibição de Simón Bolívar, que junto com Francisco Miranda costuma ser colocado nas fileiras da Maçonaria, sendo este precisamente um de seus títulos de glória ou difamação (dependendo do ângulo de onde se olha) pouco se costuma dizer. No entanto, é curiosa a base ideológica que o próprio Bolívar faz no referido decreto de proibição posterior. Diz assim:

SIMON BOLIVAR

Presidente Libertador da República da Colômbia …

Tendo creditado a experiência tanto na Colômbia como em outras nações, que as sociedades secretas servem para preparar convulsões políticas, perturbando a tranquilidade pública e a ordem estabelecida; que ocultando todas suas operações com o véu do mistério, fazendo presumir fundamentalmente que não são boas nem úteis à sociedade, w por esse motivo levantam suspeitas e alarmes a todos aqueles que desconhecem os objetos de que se ocupam, tendo ouvido a opinião do Conselho de Ministros,

DECRETO:

Artigo 1. Na Colômbia são proibidas todas as associações ou fraternidades secretas, independentemente da denominação de cada uma.

Artigo 2. Os governadores das províncias, por si próprios e por intermédio dos chefes da Polícia dos Cantões, dissolverão e impedirão as reuniões das sociedades secretas, verificando cuidadosamente se há alguma nas respectivas províncias.

Artigo 3. Quem doar ou arrendar sua casa ou dependências a uma Sociedade Secreta terá de pagar uma multa de 200 pesos, e cada um dos que concordar, de 100 pesos pela primeira e segunda vez; para o terceiro e outros, a multa será o dobro; Quem não puder pagar a multa sofrerá dois meses de prisão pela primeira e segunda vez; e para o terceiro e outros, pena dupla.

Parágrafo 1.º As multas destinam-se a despesas policiais, a cargo dos governadores provinciais.

O Ministro Secretário de Estado do Gabinete do Interior é o responsável pela execução deste Decreto.

Dado em Bogotá em 8 de novembro de 1828.

O Ministro Secretário de Estado da Administração Interna, José Manuel Restrepo.

A respeito desse decreto sobre as sociedades secretas, há quem afirme que tal ordem foi dirigida especialmente contra a Maçonaria, em decorrência das divergências que surgiram entre Bolívar e Santander. No entanto, parece antes que este decreto pretendia acabar com certos grupos políticos que de outra forma mais ou menos velada conspiravam contra a estabilidade do governo. A Maçonaria que tinha partidários, tanto de Bolívar quanto de Santander, não podia ser excluída, embora Bolívar tivesse sido iniciado nela vinte e quatro anos antes.

O decreto de Bolívar pelo qual “todas as sociedades secretas ou fraternidades eram proibidas, independentemente da denominação de cada uma”, lembra outro decreto, um ano antes, datado e publicado em Granada, Espanha, no ano de 1827. Tem o seguinte título:

Édito do Ilustre Arcebispo de Granada em que é comunicado a todos os fiéis desta diocese e manda observar o Real Certificado de Sua Majestade e senhores do Conselho, pelo qual se manda guardar e cumprir a Bula, que é nele inserido, de nosso santíssimo Padre Leão XII, em que toda seita ou sociedade clandestina, qualquer que seja sua denominação, é proibida e novamente condenada [72] .

Decreto que coincide com a declaração quase textual ao definir o que se entende por empresas clandestinas. Como Bolívar faz com associações ou fraternidades secretas.

Seguindo o decreto de 8 de novembro de 1828 dado pelo maçom Simon Bolívar, todas as lojas maçônicas existentes em diferentes cidades da República foram fechadas [73]. Dessa forma, o Libertador de 1819 tornou-se o Libertador de 1828, segundo Antonio Caballero [74].

Conclusão

Acredito que não seja necessário recorrer a possíveis estudos psicossomáticos ou psicopatológicos de Bolívar [75] , e nem mesmo entrar no jogo da dificuldade dialética que a constante contradição bolivariana acarreta, para explicar que em algum momento de sua vida ele foi um Maçom. Talvez mais por curiosidade do que qualquer outra coisa, como diz Madariaga, seu detrator e ao mesmo tempo admirador [76] . E em outra, passou a considerar a Maçonaria ridícula, como parece que a declarou ao Peru de Lacroix em 1828, que a colecionou em seu Diario de Bucaramanga [77] , e que, pouco depois, a considerou não apenas ridícula, mas perniciosa, banindo pelo Decreto de 8 de novembro de 1828 [78] e praticamente encerrando sua existência na Grande Colômbia por vários anos.

Movemo-nos entre o homem e o mito, entre a lenda e a história. Mitos e lendas que não maculam a história nem o homem por isso, mas antes os enriquecem ensinando a aceitá-los com seus paradoxos e contradições, com sua multiplicidade de nuances, pois são [79]. Sem mais roupas do que aquelas de interesse que nos aproximam da realidade e verdade de um homem que neste caso tem o halo duplo com mais de cem anos, e que aos duzentos e trinta e sete anos de seu nascimento ainda está existindo olhado, talvez excessivamente, mitificado e manipulado em sua imagem em benefício de supostas ideologias bolivarianas distantes de sua realidade pessoal. Bolívar é um homem de quem, como se disse no Congresso Bolivariano de Caracas em 1983, é preciso sair de seu pedestal e levá-lo a passear pelos bairros extremos das cidades e por tantas nações latino-americanas para lembrar sua política. ou mensagem patriótica, maçônica ou simplesmente humana, confraternização, integração, independência de bairros desatualizados (externos e internos),

APÊNDICE I

Notas biográficas de Bolívar antes de sua iniciação maçônica

Os Bolívares têm origem em Marquina, um feudo da Biscaia (Espanha). Dos primeiros que há notícias confiáveis ​​são Simón Bolívar, o Ancião, que era secretário da Corte Real de Santo Domingo. Em 1587 já estava em Caracas com seu filho Simón Bolívar el Mozo ou el Americano, nascido em Santo Domingo. Foi o sacerdote fundador do Seminário Tridentino de Caracas. Em 1593 recebeu o encargo dos índios Quiriquire na cidade de San Mateo, a semente da propriedade da família Bolívar.

Ao longo dos séculos XVII e XVIII, os bolívares ocuparam altos cargos na administração colonial e nas milícias do rei da Espanha. Eles possuíam minas, extensas propriedades de terra e escravos negros para cultivar suas plantações. A família Bolívar alcançou grande prestígio social, fazia parte da chamada aristocracia Mantuan. Contribuíram para a construção do porto de La Guaira e para a defesa do território como oficiais da Coroa Espanhola.

Em 1783, quando Simón Bolívar tinha 3 anos, morreu seu pai, o coronel Juan Vicente Bolívar y Ponte. E em 1792, quando tinha apenas 9 anos, viu também morrer a sua mãe, Concepción Palacios y Blanco. Ambas as vítimas de tuberculose. A mesma doença que acabaria com Simón Bolívar em 1830 aos 47 anos de idade. Simón e seus outros três irmãos (Juan Vicente, Juana e María Antonia) foram deixados aos cuidados de seu avô materno, Feliciano Palacios. Simón, o mais indisciplinado, foi ensinado por Simón Rodríguez, um autodidata que marcou profundamente seu aluno, e Andrés Bello que lhe incutiu o interesse pela história e pela geografia. Aos 14 anos começou a receber treinamento militar no Regimento de Voluntários Brancos dos Vales do Aragua, onde alguns anos depois alcançou o posto de segundo tenente.

Primeira viagem a Espanha

Em janeiro de 1799, quando Simón Bolívar tinha 16 anos, embarcou para a Espanha no porto de La Guaira. Como Havana estava sitiada pelos ingleses, seu navio foi forçado a fazer escala em Veracruz. De lá foi para o mar e chegou a Santander no dia 30 de maio, de onde se mudou para Madrid. Ali o esperava seu tio Esteban Palacios em boa amizade com o secretário de Estado Francisco de Saavedra, ex-prefeito da Venezuela e amigo do pai de Simón Bolívar. Francisco de Saavedra, um ano antes, em 1798 havia substituído Godoy na primeira magistratura do Estado. Em 1800, o jovem Bolívar participava da vida social e política madrilena graças ao prestígio e aos amigos de seu tio Esteban Palacios, que também contava com a simpatia de Francisco de Saavedra.

Mas em 1801 Godoy recuperou o poder, Saavedra foi exilado e Esteban Palacios e sua comitiva presos. Simón Bolívar foi recebido na casa do Marquês de Ustáriz de Caracas, ex-ministro do Conselho Supremo da Guerra, ilustre e liberal promotor de reuniões sociais. Cuidou da formação de Bolívar, que conheceu María Teresa, filha de outro crioulo de Caracas, Bernardo Rodríguez del Toro, por quem se apaixonou tanto que a pediu em casamento. Isso levou Rodríguez del Toro a transferir sua filha para Bilbao, onde o próprio Bolívar logo chegou, perseguido pela polícia de Godoy. De Bilbao, Bolívar foi para a França, onde em Paris presenciou as celebrações pela paz de Amiens entre Napoleão e a Inglaterra, e onde buscou alguma imunidade ou segurança pessoal para retornar a Madrid.

Fê-lo pouco depois, e aos 19 anos, a 25 de maio de 1802, o casamento de Simón com María Teresa teve lugar em Madrid. De Madrid os noivos marcharam para La Coruña onde embarcaram para Caracas e a fazenda San Mateo onde se estabeleceram. Mas depois de cinco meses María Teresa morreu de febre amarela, Bolívar ficou viúvo aos 19 anos de idade.

Segunda viagem a Espanha

No final de outubro de 1803, ele iniciou sua segunda viagem à Espanha. Desta vez, desembarcou em Cádiz, onde estava seu tio Esteban Palacios, que havia recuperado a liberdade. A sua estada em Cádiz deve ter sido breve porque em fevereiro de 1804 já se encontrava em Madrid, de onde partiu com Fernando Rodríguez del Toro, primo de sua esposa, para Paris. Lá conheceu, entre outros americanos, Simón Rodríguez, seu tutor. Sabemos que Bolívar estabeleceu seu domicílio na rua Vivienne, no triângulo entre a Ópera, a Bolsa de Valores e a Biblioteca Nacional. Em Paris frequentou as reuniões de Madame Fany, conheceu Alexander von Humboldt e o naturalista Bonpland, com os americanos Montúfar, Rocafuerte, Tristan, entre outros. E em Paris ele começou na Maçonaria na Loja de Santo Alexandre da Escócia …

APÊNDICE II

Situação da Maçonaria Francesa quando Bolívar entrou

Os dois grandes ramos da Maçonaria universal, a inglesa e a escocesa, tiveram sua própria história na França. As primeiras lojas criadas na França no século 18 estavam de acordo com o modelo e influência ingleses até que em 1758 a Grande Loja da França se proclamou independente da Maçonaria de Londres, mas manteve a ortodoxia e os três graus clássicos de aprendiz, companheiro e mestre. Não foi até 1773 que o Grande Oriente da França foi criado.

Por sua vez, os escoceses constituíram a Grande e Soberana Loja de São João de Jerusalém, também conhecida como a dos Imperadores do Oriente e do Ocidente [80]. O Conselho desta Grande Loja enviou Etienne Morin para espalhar o sistema escocês nos Estados Unidos e nas Índias Ocidentais, onde as lojas inglesas predominavam.

Os americanos aceitaram o sistema escocês, denominado Rito da Perfeição, que alcançava apenas até o 25º grau, mas o aumentaram até o 33º grau e procederam à codificação do escocês dando origem ao antigo e aceito rito escocês. Em 1801, na cidade de Charleston, na Carolina do Sul, foi criado o primeiro Conselho Supremo do 33 [81] onde havia um francês, de nacionalidade americana, capitão de artilharia Alejandro Francisco Augusto, Conde de Grasse-Tilly, que em 1804 ele foi comissionado pelo Conselho Supremo como propagandista e difusor do antigo e aceito Rito Escocês. Após uma breve estada nas Índias Ocidentais, desembarcou em Bordeaux no início de julho de 1804. Pouco depois, o encontramos em Par t s como o fundador do Conselho Supremo do Grau 33[82] e um membro da loja de Santo Alexandre da Escócia que permaneceu fiel ao escocês em face do já poderoso Grande Oriente. Em pouco tempo e graças aos esforços de Grasse-Tilly, Santo Alexandre da Escócia tornou-se a Loja-Mãe Escocesa da França e a Grande Loja Geral Escocesa do antigo e aceito rito [83] com a intenção de ser o centro das diferentes obediências escocesas que até então haviam permanecido na França sem nenhuma relação entre si.

A constituição desta Grande Loja Geral Escocesa ocorreu em 22 de outubro de 1804 na sede da Loja Santo Alexandre da Escócia . Além da loja anfitriã, Santo Alexandre da Escócia , as lojas parisienses escocesas: La Parfaite Union, La Réunion des étrangers, Les Élèves de Minerve e Le Cercle oriental des Philadelphes . Nesse mesmo dia, Luís Bonaparte foi investido como Grão-Mestre da dita Grande Loja Geral Escocesa, e um mês depois, em 27 de novembro, seu irmão José Bonaparte tornou-se Grão-Mestre do Grande Oriente da França.

Dessa forma, a divisão da Maçonaria francesa que existia anteriormente foi patenteada e oficializada. Diante do Grande Oriente da França estava o Conselho Supremo do Grau 33. Porém, poucos dias depois, apenas três semanas[84], os responsáveis ​​pelos dois órgãos, José Bonaparte como Grão-Mestre do Grande Oriente da França e seu irmão Luis Bonaparte, Grão-Mestre da Grande Loja Geral Escocesa, eles chegaram a um acordo. Segundo o qual o Grande Oriente da França exerceria sua autoridade sobre os graus 1 a 18 e o Conselho Supremo de 19 a 33 [85]. Mas esse acordo provou ter vida curta, pois em 6 de setembro de 1805 os dignitários do Rito Escocês romperam com o Grande Oriente da França, e as duas instituições se separaram novamente [86].

Bolívar, que foi testemunha direta dessas divergências e já tinha outras preocupações políticas mais vitais e urgentes, não é de surpreender que esteja decepcionado com sua experiência maçônica parisiense.

Fim

Autor: Jose Antonio Ferrer Benimeli

Fonte: REHMLAC

*Clique AQUI para ler o artigo na íntegra.

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Notas

[71] – O guarda que guardava a residência do Presidente Libertador General Simón Bolívar foi surpreendido, que foi salvo de ser assassinado pela coragem de Dona Manuela Sáenz que o encorajou a se jogar na rua de uma varanda enquanto ela entretinha os conspiradores. Dona Manuela, chamada Libertadora do Libertador, era sua amante desde 15 de junho de 1822, dia em que se conheceram em Quito no baile que Dom Juan Larrea deu em homenagem a Bolívar, recém-chegado de Pasto. O idílio durou até a morte do Libertador, ocorrida em San Pedro Alejandrino, Santa Marta, em 17 de dezembro de 1830.

[72] – Ferrer Benimeli, Maçonaria Espanhola , volume I, 152-160 trata dos decretos semelhantes que Fernando VII deu na Espanha naqueles anos contra as sociedades secretas.

[73] – Segundo Carnicelli, La masonería , tomo II, 307 eram pelo menos trinta lojas: La Unión , Fraternidad Colombiana e Concordia Colombiana , de Caracas; Concordia e Valor y Constancia , de Valência; Por unanimidade, Bolívar e La Guaira , de La Guaira; La Amistad y Libertad , de Puerto Cabello; Os Irmãos Regeneradores , de Maracaibo; Protectora de las Virtudes , de Barcelona; Harmonia Perfeita , de Cumaná; The Prize-winning Virtue , de Carúpano; Amizade, de Barquisimeto; Unión Filantrópica , de Coro; Aurora , de San Felipe; San Juan de la Constancia , de Tocuyo; A Estrela do Leste da Colômbia no. 379 e La Concordia no. 792 , de Angostura; San Juan de la Margarita , da Isla Margarita; Fraternidade, As Três Virtudes Teológicas e Beneficência , de Cartagena; Fraternidade de Bogotana e corações sensíveis no. 20 , de Bogotá; Concordia de Boyacá , de Tunja; Hospitalidad del Magdalena , Honda; The Best Union , do Panamá; e lei natural, De Guayaquil.

[74] – Antonio Caballero, “A ação inútil”, História 16 VIII, n. 87 (julho de 1983): 65-69.

[75] – Diego Carbonell, Psicopatologia de Bolívar (Caracas: Universidade Central da Venezuela, 1965).

[76] – Salvador de Madariaga, Simón Bolívar (Londres: Hollis-Carter, 1952), tomo I, 222.

[77] – Carlos Restrepo, “Relatório sobre a Maçonaria e a Independência”, Boletim de História e Antiguidades 46 (Bogotá, 1959): 236.

[78] – Codificação Nacional , volume III, 437.

[79] – E não como gostaríamos que fossem.

[80] – Coen-Dumesnil, La Franc-Maçonnerie , 24.

[81] – Sua jurisdição se estendia ao sul dos Estados Unidos Em 1813, outro Supremo Conselho foi criado em Washington com jurisdição para o norte dos Estados Unidos.

[82] – Sua sede ficava “nas instalações da Rue Neuve-des-Petits-Champs, mais tarde conhecida como Galerie de Pompei. Cravo, Histoire Pittoresque, 241; Pérez Vila, The Masonic Experience , 329.

[83] – A constituição desta Grande Loja Geral Escocesa foi notificada a todas as lojas da França por uma circular datada de 1º de novembro daquele ano. Pérez Vila, The Masonic Experience , 328. Em 20 de outubro de 1804, dos dez membros do Conselho Supremo, seis pertenciam à loja de Bolívar [ Santo Alexandre da Escócia ]: Grasse Tilly, Thory, La Tour d’Auvergne, Bermond d’Alez d’Anduze, De Haupt e Bernardin Renier. Simon, Histoire du Rite Écossais , 88-89

[84] – Terceiro dia do décimo mês do ano 5804, de acordo com o calendário do sistema maçônico escocês.

[85] – Segundo Clavel, Histoire Pittoresque , 242, o acordo foi feito na residência do marechal Kellerman. Albert Lantoine, La Franc-Maçonnerie écossais en France (Paris, 1925).

[86] – Clavel, Histoire Pittoresque explica em detalhes essa crise que se tornou evidente em março de 1805. Jacques Simon, Histoire du Rite Écossais, 86-94. Em 3 de dezembro de 1804, De Grasse Tilly foi designado para a Itália como deputado do Príncipe Eugène de Beauharnais e deixou de ser Soberano Grande Comandante do Conselho Supremo do 33º Grau da França, sendo substituído pelo Príncipe Arqui-chanceler Cambacérès, nomeado em 8 de julho de 1806 e instalado em 13 de agosto. Pouco depois, em 4 de março de 1807, ele também foi nomeado Grão-Mestre do Rito de Filosofia da Escócia.

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A Passagem

Como lidar com as mudanças? - Psicólogos Berrini

Chama-se Passagem [1] à Cerimônia pela qual o Aprendiz adquire o estatuto de Companheiro, conferindo-lhe o segundo grau da Arte Real.

Tal como a Iniciação, a Passagem é um rito… disso mesmo: de passagem. Tal como aquela, tem os três tempos de um rito de passagem: de onde vens, o que és, para onde vais.

Mas, ao contrário da Iniciação, a cerimônia de Passagem deixa quase sempre no novel Companheiro um travo de desapontamento, uma sensação de que o que ocorreu foi menos do que o que o esperava.

Efetivamente, a Cerimônia de Passagem é muito mais simples e sóbria do que a Iniciação. Se pensarmos bem, deve sê-lo! A Iniciação marca a entrada num novo mundo, marca a transição da vida profana para a vivência maçônica. A Passagem assinala apenas o dobrar de uma etapa. Uma marca que, tendo o valor de assinalar um progresso, uma melhoria, um crescimento, no entanto o maçom que dela beneficia já deverá começar a perceber que é só uma pequena parte do muito caminho que ainda tem para percorrer, se quiser efetivamente atingir a plenitude das suas capacidades.

E, para que o maçom que passa de Aprendiz a Companheiro não tenha dúvidas nem ilusões sobre o pouco que andou e o muito que lhe falta percorrer… vai começar por se desiludir com a espartana Cerimônia de Passagem!

Não é só por esta razão que a Cerimônia de Passagem é tão simples. Porque ela é propositadamente simples, curta e sem enfeites!

A Cerimônia de Passagem não marca apenas uma mudança de estatuto, de grau, de Aprendiz para Companheiro.

A Passagem assinala sobretudo um novo estilo e objetivo de trabalho. Não uma mudança, porque o maçom não deve deixar de efetuar o trabalho que aprendeu a fazer enquanto Aprendiz para passar a fazer o tipo de trabalho do Companheiro. Não isso. Um maçom deve ser Aprendiz toda a sua vida maçônica. A Passagem assinala que, para além do trabalho que o maçom faz enquanto Aprendiz, deve, a partir de então, passar a executar também um novo tipo de trabalho.

A Passagem não é uma promoção. É um entregar de novas responsabilidades, a acrescer às que já se cumprem.

A Passagem não se destina, portanto, a impressionar, a marcar. A Passagem, pelo contrário, destina-se a enfatizar que o trabalho do maçom é sóbrio e persistente e cada vez mais profundo e variado. A Passagem não é uma festa. É apenas a entrega de um certificado de aptidão. A Passagem não é uma entrada na Mansão do Conhecimento Maçônico, é apenas a abertura de mais uma porta e o acesso de mais uma sala, para que o maçom, que anteriormente trabalhava apenas na sala dos Aprendizes… passe agora a trabalhar também na oficina dos Companheiros.

A Passagem deixará no maçom um travo levemente amargo da desilusão. Mas é para isso que serve. Para que o maçom perca as últimas ilusões que, sobre a Maçonaria, ainda guarde do seu passado de profano e confirme que o seu caminho é de trabalho. Mais trabalho.

Eu senti essa desilusão na minha Passagem a Companheiro. Eu, que já assisti e participei em dezenas de Cerimônias de Passagem, já vi dezenas de trejeitos de desilusão nas faces e nos olhos dos meus Irmãos. A alguns a desilusão é tanta e tão pesada que, mansamente, discretamente, se vão ausentando e decidem abandonar o caminho que os demais continuam a percorrer. Não é grave! Nem todos os Aprendizes chegam a Companheiros. Nem todos os Companheiros ascendem a Mestres. E seguramente que nem todos os Mestres virão a exercer o ofício de Venerável Mestre. É assim a realidade! Para alguns, o peso do trabalho é superior ao que se sentem com capacidade de suportar e arreiam. Também na Maçonaria a seleção é natural… Cada um percorre o seu caminho ate onde pode. Mesmo os que decidem parar a meio, já percorreram, pelo menos, uma parte do caminho. Esse ganho já é deles e ninguém lhes tira.

Não é por sadismo ou por inconsciência que se sujeita o maçom à desilusão, que se arrisca a sua desistência. É porque é necessário que essa etapa seja vivida. O novo trabalho que se acrescenta parecerá, para muitos, inútil e desnecessário. Mas não é nem uma coisa, nem outra. Porque com ele o maçom vai aprender que, para ser Mestre de si próprio, tem de ser um Homem completo. E que tem de se completar. De crescer e desenvolver-se harmoniosa e equilibradamente em todos os campos. Não apenas num ou em alguns. Sobretudo, não apenas onde e como gosta…

Para começar, tem uma desilusão… Mas, se efetivamente aprendeu bem o que tinha de aprender na coluna dos Aprendizes, cedo, logo, superará essa desilusão; cedo, logo, se lembrará que, em Maçonaria o que parece normalmente é diferente do que é e o que é normalmente é mais do que parece; cedo, logo, esquecerá a desilusão e olhará, atentará, meditará no que, espartana, simplesmente, lhe foi mostrado. E agirá em conformidade. E com isso completar-se-á.

Demorei muitos anos a perceber isto. Andei muito tempo a dizer e a escrever que o grau de Companheiro estava mal acabado, que era desinteressante, que era uma perda de tempo, enfim, uma quantidade de disparates que os mais antigos fizeram o favor de estoicamente suportar, sem me tirarem a possibilidade de descobrir por mim próprio como eram tão desajustados!

O ciclo reproduz-se com cada maçom que persiste! Desilude-se, interroga-se, observa, trabalha, evolui e… um dia percebe que era assim mesmo que tinha de ser e de fazer. Quando, finalmente, estiver pronto para perceber.

A cada novo Companheiro eu dedico três desejos: que cumpra o ciclo que eu e muitos outros antes de mim cumpriram e ainda muitos mais cumprirão depois dele; que, um dia, perceba, como eu percebi; que não necessite de tanto tempo como eu necessitei!

Autor: Rui Bandeira

Fonte: Blog A Partir Pedra

Nota

[1] – Cerimônia de Elevação

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O maçom Simón Bolívar: entre o mito e a verdade histórica – Parte III

Palomo é o companheiro de batalhas de Simón Bolívar - Cavalus

Maçonaria francesa, não americana

Aqui ainda temos que fazer mais reflexões. A primeira é que estamos tratando, não de uma sociedade patriótica americana no estilo dos Cavaleiros Racionais, mas de uma Maçonaria Francesa que logo terminaria, por um lado identificando-se como uma maçonaria bonapartista para o serviço e uso de Napoleão; e por outro está a origem e principal órgão da Maçonaria Escocesa da França. Maçonaria que não tem nada a ver com as lojas Lautaro Mirandistas ou San Martinianas, que da Maçonaria não tinha nada mais do que o uso da palavra Loja, porque nem em seus estatutos ou Constituições, nem em seus objetivos e recrutamento tinham a menor semelhança com a Maçonaria. Como é bem atestado, entre muitas outras coisas, pelo juramento de que os membros das “lojas” lautarinas tinham que tomar [61].

Por outro lado, a Maçonaria em que Bolívar entrou em  Paris  não tinha nada “americano” sobre isso. Apesar do que foi escrito por Vicente González Loscertales, que garante que Bolívar foi impregnado em Paris com ideias iluministas, as noções de independência, soberania popular, progresso e civilização, “o que o levou a se juntar à Maçonaria Americana em Paris, onde ele alcançou o grau de mestre”[62].

Se analisarmos a composição social dos 47 membros que compõem a loja de Santo Alexandre da Escócia no ano em que o nome de Bolívar aparece, encontramos o seguinte resultado: em primeiro lugar não há outros “americanos” além de Bolívar, que, no entanto, está registrado como um oficial espanhol. Todos os outros são franceses, exceto dois nobres venezianos e Manuel Campos, um nobre espanhol. Entre as profissões estão 10 militares, incluindo Bolívar, 6 advogados e homens de direito, 6 médicos e doutores da medicina (incluindo o regente da Faculdade de Medicina de Paris), 6 altos funcionários, 5 proprietários, 2 funcionários, empresários e músicos, respectivamente, e um de cada uma das seguintes profissões: rentista, pintor, acadêmico, marinheiro, senador…, bem como os três nobres mencionados [63]. Além   disso, é impressionante que na frente da juventude de Bolívar que   em 24 de julho de 1804 tinha completado vinte e um anos, há muitos aposentados ou ex-militares, ex-médicos, ex-advogados, ex-funcionários, ex-marinheiros, ex-magistrados. Assim, tendo em vista os componentes da loja e suas qualidades, parece que qualquer possível “conexão “americana está excluída.  Na loja de Bolívar destacam-se, entre outros, dois membros por suas obras e atividades posteriores, os dois graus 33: Conde Antoine Thory [64] e Auguste de Grasse Tilly [65].

Américo Carnicelli também disponibiliza um novo documento intitulado “Lista nominal dos Mazones [sic] de altos graus que são conhecidos em diversos órgãos no mês de abril de 1824”, feito pelo Grão-Comandante M. Ilt. José Cerneau [66]. Há um total de 84 supostos maçons em posse do 33º grau.  Nesta lista está Simón Bolívar na 58ª   colocação.  Outras listas seguem com notas 32 e 30. Trata-se de um documento sem papel timbrado ou selo oficial, que pertencia ao herói José Félix Blanco, e que hoje está em Caracas no Arquivo Geral da Nação [67].

Pessoalmente, penso que o valor histórico deste documento é bastante escasso, se não nulo, embora o tenha do ponto de vista do testemunho. Apresenta uma extraordinária semelhança com as numerosas listas de supostos maçons que existem entre os papéis reservados de Fernando VII do Arquivo do Palácio Real de Madrid, e que foram feitas pela polícia com base em presunções, denúncias, suspeitas, etc. Curiosamente, Seal-Coon em seu já citado e prestigiado trabalho intitulado Simón Bolívar Maçom descarta este documento que ele nem sequer menciona, apesar de usar Carnicelli como uma de suas principais fontes de informação.

Nelson Martínez vai mais longe em seu Simón Bolívar quando diz que, desde que deixou a Europa, trabalhou fora das decisões de “uma maçonaria cujo aparelho e mistério não parecem atraí-lo” [68]. Na verdade, Bolívar não aparece  mais em nenhuma outra pousada europeia ou americana. O próprio Carnicelli, que usa tanta documentação maçônica, embora nem sempre aponte as fontes, é incapaz de nos dizer uma única loja americana na qual Bolívar está listado como membro. E quando ele fornece a Lista de Maçons de 1809 a 1828 [69] ele não pode deixar de apontar para Simon Bolivar, Libertador, como um membro da loja St. Alexandre da Escócia em Paris, sendo o único que não aparece em Pousada americana.  Que é um reconhecimento indireto de sua não atividade maçônica na    terra que ele libertou ou se tornou independente. Em outras palavras, diante de um ou dois anos de militância maçônica em Paris, estamos enfrentando 25 ou 26 anos depois de afastamento maçônico, ou pelo menos de nenhuma notícia de participação direta.

Testemunho que coincide com o que o ajudante de campo de Simón Bolívar, Louis Perú de Lacroix escreve em seu Diario de Bucaramanga.  Lá ele diz que o Libertador confessou a ele: primeiro que ele tinha se tornado um maçom em Paris; depois disse que     abandonou a Maçonaria porque ele não encontrou nada de novo nela, apenas repetições insubstanciais [70].

Continua…

Autor: Jose Antonio Ferrer Benimeli

Fonte: REHMLAC

*Clique AQUI para ler a primeira e a segunda parte do artigo.

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Notas

[61] – La fórmula del juramento del segundo grado era la siguiente: “Nunca reconoceré por gobierno legítimo de mi patria sino a aquel que sea elegido por la libre y espontánea voluntad de los pueblos; y siendo el sistema republicano el más adaptable al gobierno de las Américas, propenderé por cuantos medios estén a mi alcance, a que los pueblos se decidan por él”. Mitre, Historia de Belgrano, vol. II, 213.

[62] – Vicente González Loscertales, “Bolívar: El hombre y el mito”, Historia 16 87 (julio 1983): 50.

[63] – No deja de ser curioso, pero así figuran en el Cuadro: de profesión, noble. Biblioteca Nacional de París. Gabinete de Manuscritos. Fondo F.M.2 100 bis. Dossier 3.

[64] – El historiador Antoine Thory es autor de Annales originis magni Galliarum O. ou Histoire de la fondation du Grand Orient de France et des révolutions qui l’ont précédée, accompagnée et suivie, jusqu’en mil sept cent quatre vingt dix neuf, époque de la réunion à ce corps de la Grande Loge de France, connue sous le nom de Grand Orient de Clermont ou de l’Arcade de la Pelleterie (París: Dufart, 1812) que posteriormente adoptó el título de Acta Latomorum ou Chronologie de l’Histoire de la Franche-maçonnerie française et étrangère (París: Dufart, 1815).

[65] – El conde Auguste de Grasse-Tilly, capitán de artillería, comisionado por el Supremo Consejo de Charleston, tras su estancia en las Antillas, desembarcó en Burdeos a comienzos de julio de 1804. Poco después está ya en París como propagandista y difusor del rito escocés antiguo y aceptado, fundador del Supremo Consejo del Grado 33 y miembro de la logia San Alejandro de Escocia. En 1806 lo encontramos en Italia, en 1809-1811 en España y en 1817 en Bélgica, según Carnicelli, Díaz y Pérez y Clavel. Carnicelli, La masonería, tomo I, 43; Nicolás Díaz y Pérez, La Franc-Masonería Española (Madrid: R. Fe, 1894), 211-213; F.T.B. Clavel, Histoire Pittoresque de la Franc-Maçonnerie et des Sociétés Secrètes anciennes et modernes (París: Pagnerre, 1843), 206 y 241.

[66] – De este mismo autor se conoce una obra titulada Senda de las luces masónicas (New York: Wingslang, 1821).

[67] – Archivo General de la Nación (Caracas). Papeles del prócer José Félix Blanco. tomo I, no. 298.

[68] – Nelson Martínez, Simón Bolívar, 16.

[69] – Carnicelli, La masonería, tomo II, 374-376.

[70] – Luis Perú de Lacroix, Diario de Bucaramanga (Caracas: Ed. de Nicolás E. Navarro, 1935), 77. Luis Perú de Lacroix, nacido en Francia el 14 de septiembre de 1780 en realidad se llamaba Luis Gabriel Juan de Lacroix Peroux, según Seal-Coon, y descendía de un linaje distinguido. Su biografía, según el mismo autor, se resume así: Sirvió de oficial en el ejército de Napoleón pero con la restauración de Luis XVIII tuvo que huir a las Antillas donde se unió al corsario francés Luis Aury en 1814. Este operaba bajo bandera mejicana y conquistó a los españoles la isla Old Providence. Establecido allí nombró a Lacroix comandante general, y Secretario de Estado de su “gobierno”. Por este tiempo Lacroix adoptó una forma españolizada de sus nombres y apellidos. Aury murió en agosto de 1821 y entonces Perú de Lacroix ofreció sus servicios a la nueva república de Gran Colombia y fue enviado a Cartagena; luego encontró a Simón Bolívar con quien trabó amistad y fue condecorado por él en Bucaramanga donde escribió su famoso Diario de Bucaramanga. Elevado a general en 1830 fue llamado por Manuela Sanz, la querida de Bolívar en noviembre del mismo año, para que acudiera a San Pedro Alejandrino, Santa Marta, pues Bolívar quería verle. Llegó pocos días antes del fallecimiento de El Libertador. El otoño siguiente Perú de Lacroix fue exiliado por el gobierno anti-bolivariano y se marchó de Bogotá para Jamaica. En 1833 estaba en Caracas y en julio de 1835 se puso a la cabeza del movimiento rebelde reformista. Fue derrotado y Perú de Lacroix abandonó Venezuela y su familia, refugiándose en Francia. En París, a la edad de 56 años se suicidó. Seal Coon, “La isla de Jamaica y su influencia masónica en la Región”, en Masonería española y América, coord. Ferrer Benimeli (Zaragoza: CEHME, 1993), tomo I, 219.

O ritual maçônico é uma inovação

CriminalCyprus

Quando o Venerável Mestre é perguntado, em sua instalação, se ele concorda que um homem ou qualquer corpo de homens, não podem fazer mudanças no corpo da Maçonaria, é importante compreender que isto se refere a preservação da estrutura organizacional da Ordem maçônica e não a seus rituais cerimoniais. Mais de um Grão-Mestre tentou aplicar esta advertência para o ritual maçônico em si. No entanto, uma breve análise do desenvolvimento dos rituais e suas muitas formas através do panorama das jurisdições maçônicas, vai mostrar rapidamente que esta pergunta veio das Old Charges e não tem nada a ver com os aspectos ritualísticos da nossa fraternidade. Nossos fundadores nunca tiveram a intenção de que os rituais cerimoniais permanecessem estáticos. A proibição de renovação não se aplica ao ritual maçônico, enquanto que esta é a única base sobre a qual toda a Luz da Maçonaria é transmitida e revelada.

Ainda que a Grande Loja Unida da Inglaterra insista que “a antiga e pura Maçonaria consiste em apenas três graus, incluindo o Santo Real Arco” o que é historicamente impreciso, as Grandes Lojas sempre tiveram o direito de decidir por si mesmos, como os seus rituais serão.

O único “antigo e puro” ritual maçônico no mundo é o ritual que existia em 1717, quando a primeira Grande Loja foi formada. Nós sabemos como foi aquele ritual porque ele foi amplamente publicado nos três primeiros manuscritos maçônicos, na forma de catecismos ainda existentes, em relação ao período de 1696-1715, os quais vieram da Escócia. O que é surpreendente sobre estas revelações é que elas encontraram o caminho para serem usados e adotados pelas lojas inglesas. Mais importante é que encontramos neles a maior parte do alicerce sobre o qual todos os rituais maçônicos foram erguidos mais tarde – a posição dos pés, a menção do “aprendiz” e “companheiro”, os cinco pontos do companheirismo, a menção do compasso, esquadro e Bíblia no mesmo contexto, o átrio do Templo do Rei Salomão, o sinal penal, existem muitas coisas para reconhecermos ali. É mais do que coincidência encontramos essas características em comum em todos estes catecismos antigos.

Um outro ponto é extraordinário em todos estes trabalhos: Graus não são mencionados. Quando a primeira Grande Loja no mundo foi criada, havia apenas a cerimônia de fazer um Maçom “Aceito” e a “Função do Mestre”. Na verdade, não temos nenhuma evidência de um sistema de três graus, ou de um terceiro grau, antes da famosa exposição de Samuel Pritchard intitulada de “A Maçonaria Dissecada”, publicado em 1730.

Isso faz com que o grau de Mestre Maçom na Maçonaria seja uma inovação!

Historiadores importantes concordam que o terceiro grau foi introduzido na Maçonaria em torno de 1725. Tornou-se popular ao longo das próximas duas décadas, principalmente porque os maçons adotaram a exposição de Pritchard como uma ajuda ao trabalho de memória. Sua obra não autorizada, se tornou o primeiro monitor maçônico e seria por décadas, o livro de rituais não oficial dos maçons. É também a primeira menção que temos da lenda de Hiram.

Ninguém sabe de onde essa história veio, mas supõe-se que Desaguiliers pode ter sido o autor, sendo Grão Mestre em 1719 e Vice-Grão Mestre em 1722 e 1726. Este foi o período em que o terceiro grau foi introduzido nas cerimônias da primeira Grande Loja. A lógica sugere que Desaguliers e seus irmãos maçons da Royal Society, poderiam ter sido os responsáveis. Certamente, nada poderia ter sido introduzida sem a sua aprovação. Na verdade, o Craft mudou drasticamente, enquanto Desaguliers estava em cena. A Grande Loja passou de um banquete anual para um órgão administrativo, com atas e orientação política para lojas, incluindo a estrutura de seus graus.

Se Desaguiliers e seus amigos de fato foram os autores do terceiro grau, voltaram a Maçonaria para um novo caminho. Em 1730, a cerimônia que conhecemos como Real Arco foi desenvolvida, a que reviveu uma história do grego antigo que data do ano 400. Em 1735, o Rito de Perfeição, consistindo de 14 graus, foi introduzido, estabelecendo uma cronologia bíblica para a estrutura do ritual maçônico. Tanto o Real Arco quanto o Rito de Perfeição, inovadores como eram, foram declarados pelos membros como “restabelecimento” da maçonaria antiga, porque eles automaticamente transmitiam uma face artificial da idade do grau ou da ordem. Depois de alguns anos, até os historiadores da Grande Loja estavam escrevendo que estes graus adicionados eram restaurações de um sistema mais antigo. Tornou-se moda acreditar que não havia nada mais inovador do que eles!

Claro que todos os novos graus/ordens foram adotados em uma única premissa – a que havia sido perdido no terceiro grau, tinha que ser encontrado. Por esta razão, todos eles apresentam uma semelhança surpreendente na estrutura e todos mostram que os sinais são provenientes da mesma fonte, com a mesma regularidade em sua forma. Mesmo com graus adicionais desenvolvidos, eles mantiveram uma estrutura “tradicional”.

Esta semelhança na estrutura é mais uma prova de que os nossos graus maçônicos, foram na verdade, criados em uma onda de moda. Todos eles insinuam que há grandes segredos para serem encontrados pelo maçom dedicado. E, de fato, existem.

Ao mesmo tempo que os graus e ordens foram crescendo aos trancos e barrancos, tanto no Rito de York quanto no Rito Escocês, ritualistas maçônicos nas lojas do Craft, continuaram a adicionar a linguagem dos três primeiros graus, acrescentando solidez à sua forma. Durante a segunda metade do século 18, um crescimento intelectual extraordinário foi adicionado ao velho conceito de “pura e antiga”, nos simples catecismos de 1717. Na verdade, o desenvolvimento e expansão do ritual, continuou a estar na moda como um dos meios de educar o Craft até a década de 1820.

Realmente foi criada uma escola de educação que prosperou por quase um século até as Grandes Lojas, principalmente as dos Estados Unidos, que determinaram que deveria haver apenas um ritual, aquele adotado por eles e todo o resto não importava. As Grandes Lojas dos EUA estabeleceram mais uma inovação na Maçonaria, que o ritual fosse imutável. Eles decidiram por si mesmos que a Maçonaria pura e antiga era a sua Maçonaria somente. O ritual maçônico se tornou uma coisa fixa e estagnada.

Esta inovação do século 19 pode ter marcado o início do declínio na Maçonaria. Foi durante essa época que as Grandes Lojas decidiram coletivamente, que não havia nada mais a ser aprendido no ritual maçônico. Nossas palavras foram congeladas no tempo.

Agora eu quero saber se é hora de criarmos mais uma inovação na Maçonaria, o de educar os maçons de que o uso ritual deve ser um processo dinâmico, assim como a aprendizagem é dinâmica. Claro, nós não precisamos adotar mais palavras. Mas leve em consideração como instrutivo seria se a diversidade de rituais fosse introduzida como uma ferramenta adicional para instrução, se rituais alternativos já adotados em outras jurisdições em todo o mundo, poderiam ser utilizados por vontade da loja e sancionada pela Grande Loja. Imagine como emocionante e revigorante seria se tivéssemos dez ou doze diferentes rituais disponíveis para nós em cada grande jurisdição!

Talvez seja hora de fazer a Maçonaria da moda outra vez, tanto através da variedade de sua forma de ritual e no desenvolvimento de sua forma intelectual, onde palestras, ensaios e diálogos são compartilhados regularmente em loja, todos focados em iluminar a mente. Talvez os jornais mais instrutivos e informativos, poderiam se tornar uma parte dos monitores impressos da Maçonaria, não deve ser memorizado, mas para ser sancionado e publicado para o benefício daqueles que querem ter acesso a mais conhecimento nas formas de maçonaria. Aqueles que sabem que mais luz na Maçonaria não é a propriedade da Grande Loja, mas sim, do indivíduo e seus irmãos em sua busca coletiva de uma vida, a busca por aquilo que foi perdido nas palavras e seus significados.

Em práticas como essas, nós não devemos, mais uma vez exercitar a “pura e antiga” Maçonaria? Poderia ser apenas mais uma inovação digna de nosso antigo Craft.

Autor: Robert G. Davis
Traduzido por: Luciano R. Rodrigues

Fonte: O Prumo de Hiram

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O maçom Simón Bolívar: entre o mito e a verdade histórica – Parte II

Geopedrados: Simón Bolívar nasceu há 238 anos

Bolivar, maçom. Sua iniciação

Deixando de lado as características políticas e não maçônicas das lojas Lautaro, Cavaleiros Racionais ou o que você quiser chamá-los, e ignorando até o fato não comprovado de que Bolívar tinha seus contatos com ditos cavaleiros racionais em Cádiz ou Londres, por curiosidade ou convicção. A verdade é que Bolívar, algo que não pode ser provado no caso de Miranda[42], pertencia à Maçonaria europeia pelo menos durante sua breve estada em Paris nos anos 1804-1806.

Ao dispensar as hipóteses de trabalho mais ou menos sugestivas, se nos atermos à documentação maçônica preservada, Simón Bolívar foi iniciado na Maçonaria, embora não se saiba onde. Já que o primeiro documento nos é apresentado no ato de receber o grau de Companheiro Maçom, ou seja, do segundo grau. Trata-se de um documento manuscrito do qual falam Carnicelli e Seal-Coon[43], de propriedade do historiador venezuelano Ramón Díaz Sánchez, que certificou sua origem e titularidade antes de depositá-lo no Conselho Supremo do Grau 33 da República da Venezuela.

O documento em questão diz o seguinte:

À Glória do Grande Arquiteto do Universo. No dia 11 do 11º mês do ano da Grande Luz 5805 [44] as obras do Companheiro foram abertas a Leste pela R. hº de la Tour d’Auvergne, a Oeste e a Sul sendo iluminadas pela RR. H H. Thory e Potu. Feita e sancionada a leitura da última última prancha traçada, o Venerável propôs elevar o patamar de Companheiro ao Hº Bolívar recentemente [45] iniciado, por causa de uma viagem que se aproxima que está em vésperas de empreender. Tendo sido a opinião dos irmãos unânime em sua admissão e escrutínio favorável, hº Bolívar foi introduzido no templo, e após as formalidades de rigor prestou a costumeira obrigação ao pé do trono, situado entre os dois Vigilantes, e foi proclamado cavaleiro Companheiro Maçom da R. Loja Madre Escocesa de Santo Alexandre da Escócia. Este trabalho foi coroado com uma tripla aclamação (hurra) [46] , e o hº tendo dado graças tomou lugar no topo da Coluna do Meio-dia.

Os trabalhos foram encerrados da maneira usual

Em seguida, vêm oito assinaturas, incluindo a de Simón Bolívar. Este é um excerto das atas da Loja Santo Alexandre da Escócia [47], localizada em Paris “no subterrâneo (porão) do boulevard Poissonnière” segundo Coen-Dumesnil e na rua Coq-Heron, segundo Jacques Simon [48]. Nesse excerto se diz que o Venerável se propõe a subir à categoria de Companheiro o Irmão Bolívar, recém-iniciado, por causa de uma viagem que está prestes a fazer. Acrescenta que, após as formalidades exigidas, Bolívar foi proclamado cavaleiro Companheiro Maçom, tomando lugar no topo da coluna do meio-dia. Estamos diante de um ato ou documento maçônico datado do 11º mês do ano da Grande Luz 5805, que equivale a janeiro de 1806 da Era Vulgar, se levarmos em conta que o calendário maçônico começa no mês de março[49].

Além disso, temos outro documento em versão dupla (manuscrita e impressa) em que Bolívar já aparece como Mestre, ou seja, um grau superior. No entanto, este novo documento é datado de 1804, um ano antes. É a “Tabela Geral dos Membros que compõem a Respeitável Loja Escocesa de Santo Alexandre da Escócia, a Leste de Paris” desde o ano da Grande Luz 5804, a Restauração 5564 e a Era Vulgar do ano 13. Em outras palavras , o ano de 1804 e 13 da Revolução.

Uma possível explicação para esse descompasso na datação de ambos os documentos pode ser devido ao fato de este último se referir não apenas a 1804, mas também a 1805, pois não especifica o dia nem o mês, que estão em branco. Este poderia ser um título ‘padrão’ em que os dados precisos, incluindo a correção do ano, não foram preenchidos, como às vezes é o caso com os formulários de hoje. Além disso, pode ser a tabela de 1804 à qual novos dados de 1805 foram adicionados, como também costumava ser o caso. Em todo caso, trata-se de outro documento autêntico, conservado na Biblioteca Nacional de Paris, na coleção maçônica do Gabinete de Manuscritos [FM 2 . 100 bis, Dossiê 3].

Nela aparecem dois nomes: Emmanuel Campos “nobre espanhol, Mestre Maçom” e Simón Bolívar “oficial espanhol, Mestre Maçom”. A título de curiosidade, deve-se acrescentar que esta é a única “lista” em que aparece o nome de Bolívar. A coluna correspondente não inclui as assinaturas regulamentares de nenhum dos dois, nem de Campos, nem de Bolívar. Isso significa que não compareceu à reunião realizada ou à reunião maçônica de final de ano (geralmente em 27 de dezembro, dia de São João) para registrar suas assinaturas no documento em questão; ou que esses dias estiveram ausentes de Paris. Pelo menos, no que diz respeito a Bolívar, sabemos que a urgência em receber o graus de Companheiro se deveu a uma viagem iminente que ele teve que fazer, e que de fato o fez, seja no ano de 1804 ou no ano de 1805 .

De fato, Bolívar, que tinha grande admiração por Napoleão como símbolo de liberdade e glória, experimentou grande decepção em consequência de sua auto coração como imperador na catedral de Paris em 2 de dezembro de 1804 [50]. O fato de Napoleão estar com a coroa imperial quebrou em Bolívar o mito que se forjava em torno de sua figura:

Eu o adorei como o herói da República, como a estrela brilhante da glória, o gênio da liberdade. No passado eu não sabia de nada igual a ele, nem o futuro prometia produzir algo semelhante. Ele se tornou imperador, e daquele dia em diante eu o considerei um tirano hipócrita, uma desgraça para a liberdade e um obstáculo para o progresso da civilização. [51]

Essa decepção foi agravada quando, alguns meses depois, em 15 de agosto de 1805, em Milão, Napoleão voltou a se coroar, desta vez como rei dos italianos. Bolívar também se encontrava na Itália, evocando as glórias da República Romana e, tendo como testemunha seu tutor Simon Rodriguez, fez no Monte Sacro em Roma seu famoso juramento:

“Juro pelo Deus de meus pais, juro por eles, juro pela minha honra e juro pelo meu país que não darei descanso ao meu braço, nem descanso à minha alma, até que tenha quebrado as correntes que nos oprimem pela vontade do poder espanhol.” [52]

Embora o documento que o atesta ainda não tenha sido localizado, o mais provável é que pouco depois de ter sido admitido ao posto de Companheiro tenha recebido, e pelo mesmo motivo, o de Mestre, pois com este grau – e não com o como um Companheiro – aparece na lista acima mencionada de membros da Loja Santo Alexandre da Escócia . Provavelmente, e como se fala de ter sido iniciado recentemente, Bolívar recebeu os três graus (Aprendiz, Companheiro e Mestre) com pouca diferença de tempo na mesma loja parisiense. Pois bem, se tivesse sido iniciado em outra loja, a cerimônia de recepção da grau de Companheiro – relatada no documento do historiador venezuelano Ramón Díaz Sánchez – teria que ser precedida do ato de filiação à loja em questão. Como não há alusão a ele, o correto é pensar que ele recebeu os três graus na loja parisiense de Santo Alexandre da Escócia com muito pouca diferença de tempo, possivelmente nos últimos meses ou semanas de 1805. Pérez Vila acredita que Bolívar, provavelmente, foi iniciado no início de dezembro, ou no final do mês anterior[53]. Miriam Blanco-Fombona, após examinar a documentação da Loja Santo Alexandre da Escócia na Biblioteca Nacional de Paris, acredita que Bolívar foi iniciado como Aprendiz em 27 de dezembro de 1805 [54].

Existe ainda um novo documento na Biblioteca Nacional de Paris intitulado “Quadro do hh. que compõem a R. Loja Mãe Escocesa da França, sob o título distintivo de Santo Alexandre da Escócia a Leste de Paris no ano da Grande Luz 5804 e 1805”, que vem a ser uma repetição da anterior, mas ordenado por graus maçônicos e no qual, a partir dos cavaleiros Rosa Cruz [55], são especificados os nomes de seis Mestres, entre eles Campos, um senhor espanhol e Bolívar, um oficial espanhol [56]. Eles são seguidos por um Companheiro, dois membros da Coluna da Harmonia, um membro honorário e três não residentes ao longo do ano.

Esta questão está ligada a outra dificuldade menor ou pequena anomalia das quadros em questão. E é que, de acordo com os Estatutos da Ordem Maçônica na França [57], publicado em 1806, era proibido receber o grau de Companheiro antes dos vinte e três anos e o de Mestre antes dos vinte e cinco anos. Por outro lado, a passagem de graus estava sujeita à assiduidade das lojas. Um Aprendiz não poderia ser recebido como Companheiro se não tivesse participado de pelo menos cinco sessões; o grau de Mestre só foi concedido ao Companheiro depois de justificada a sua participação em sete assembleias. Em suma, a presença nas reuniões maçônicas de um ano foi suficiente para alcançar a possibilidade de acessar o mais alto grau da Maçonaria Azul, ou seja, o de Mestre. No entanto, o militar – e este foi o caso de Bolívar – não só poderia ser iniciado antes dos 21 anos, como também os filhos dos maçons[58], assim como podiam, excepcionalmente, receberem mais de um diploma no mesmo dia quando sua partida era iminente. Ambas as circunstâncias ocorreram na pessoa de Simón Bolívar por ser militar e por ter que fazer uma viagem imediatamente. Na verdade, é sintomático que seu nome não apareça nos quadros dos membros da Loja de Santo Alexandre da Escócia antes de 1804 e 1805, nem nas posteriores[59]. No entanto, o nome de Emmanuel Campos aparece no quadro de 1806, um senhor espanhol de 24 anos, Mestre Maçom, que vivia na Rua Richelieu. Nesse caso, há a assinatura de Manuel Campos[60].

Continua…

Autor: Jose Antonio Ferrer Benimeli

Fonte: REHMLAC

*Clique AQUI para ler a primeira parte do artigo.

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Notas

[42] – Seal-Coon, “Maçonaria revolucionária hispano-americana. A alvenaria mítica de Francisco de Miranda ”, Ars Quatuor Coronatorum 94 (1981): 83-106. Seal-Coon, “The Mythical Freemasonry of Francisco de Miranda”, 107-126. Padrón Iglesias, “Maçonaria”, 13-20.

[43] – Carnicelli, Maçonaria , volume I, 121; Sean-Coon, “Simón Bolívar Freemason”, 231-248.

[44] – Na verdade, na terminologia maçônica, “o ano da Verdadeira Luz” é usado com mais frequência em vez de “Grande Luz”.

[45] – No original é usada a expressão nouvellement, que em espanhol tem duas traduções diferentes: de novo e recentemente . Seal-Coon em sua obra já citada Simón Bolívar maçom (233) usa a expressão recém-iniciado e sugere que ele pode ter sido iniciado em Cádiz. Mas além do fato de que devido ao contexto, a tradução correta é a de recentemente-também usado por Carnicelli- há outro erro em Seal-Coon: a alegada loja Caballeros Racionales de Cádiz ainda não havia sido fundada em Cádiz e também não pode ser entendida como uma loja maçônica, mas sim como uma sociedade patriótica; e sua adesão não implicava qualquer iniciação maçônica apropriada válida para a Maçonaria autêntica.

[46] – Na Maçonaria, a aclamação segue os tambores . Tambor é um rito que consiste em bater palmas um certo número de vezes, dependendo do grau em que este rito é praticado. Os veneráveis ​​e vigilantes costumam participar dos tambores batendo nos respectivos tacos em suas mesas. A aclamação é pronunciada pelos maçons em pé, a mão direita erguida e o braço estendido horizontalmente. Na Maçonaria francesa, existem duas aclamações tradicionais. O primeiro usa a fórmula vivat, vivat, sempre vivat-viva, viva, viva sempre-; a segunda, que ainda existe no rito escocês, é a tripla “houzzé” ou “houzza”. Esta última expressão é a utilizada no documento em questão. A origem desta palavra, “houzzé” ou “houzza”, ainda não está completamente esclarecida, apesar das obras de Lantoine. Segundo Delaunay ( Manuel maçonnique , Paris, 1821) e Vuillaume ( Manuel Maçonnique , Paris, 1820), significaria “Viva o rei”. Lantoine ( Le Rite Ecossais Ancien et Accepté , Paris, 1930) vê simplesmente uma distorção da velha exclamação inglesa “viva”. A bateria de alegria sempre foi feita em homenagem a um evento feliz para a loja ou um irmão, e era natural que os maçons escoceses usassem essa aclamação.

[47] – Carnicelli, Maçonaria , Volume I, 123-127. A reprodução fotográfica na página 129, e em Seal-Coon, Simón Bolívar , 233. Entre as assinaturas deste documento está a de Jeanne (Juana) de la Salle que liderou Iván Herrera Michel em sua obra La logia de Bolívar de Paris ( http://www.diariomasonico.com/historia/bolivar-y-la-francmasoneria) a um lamentável erro em acreditar que dita assinatura pertencia a um maçom e que portanto Bolívar recebeu o 2º e 3º graus na “prestigiosa loja mista St Alexandre da Escócia ”. No entanto, na foto da referida loja fica claro que Jeanne de la Salle é o sobrenome, e seu nome é Thomas, um ex-marinheiro que ocupou a posição de segundo diácono na loja.

[48] – Antoine Coen – Michel Dumesnil de Gramont, La Franc-Maçonnerie Écossaise (Paris: EE Figuière, 1934) 25-26. Jacques Simon, Histoire du Rite Écossais Ancien et Accepté en France. Tomo I: Des origines de la franc-maçonnerie à 1900 ( Paris: Dervy, 2019), 90.

[49] – A data maçônica usada, como o calendário maçônico não é uniforme, não é fácil especificar sua correspondência em nosso calendário gregoriano. A este respeito, Manuel Pérez Vila, “A experiência maçônica de Bolívar em Paris” em Visão diversa de Bolívar(Caracas: Ed. De Pequiven, 1984), 333-334, diz o seguinte: “Se o registro pertencesse a uma loja inglesa ou norte-americana de rito ortodoxo (o que não é o caso), não haveria dúvida: o 11º dia do O 11º mês do ano 5805 seria 11 de novembro de 1805, porque lá o ano maçônico começa na mesma época que o ano civil, em 1º de janeiro, e 4000 são adicionados ao ano para voltar ao que era então considerada a data da criação do mundo. Mas se o ato tivesse sido feito em uma loja francesa dependente do Grande Oriente da França, o 11º dia do 11º mês de 5805 corresponderia a 11 de janeiro de 1806, uma vez que essas lojas também acrescentaram 4.000 anos ao da era cristã, mas eles começaram o ano maçônico em março e não em janeiro. Mas como o ato relativo a Bolívar corresponde a uma loja escocesa de rito antigo e aceito, o assunto fica mais complicado, pois, além de somar 4.000 anos e iniciar o cálculo em março, os escoceses não necessariamente começam seu ano em 1º de março, mas seguem o calendário hebraico em que os meses são lunares, e não idênticos aos um ano para o outro, sendo necessário estabelecer uma tabela de equivalências. O máximo que se pode dizer é que o dia em que Bolívar foi promovido a companheiro na Loja Santo Alexandre da Escócia, em Paris, deve situar-se na primeira quinzena de janeiro de 1806”. Sobre sendo necessário estabelecer uma tabela de equivalências. O máximo que se pode dizer é que o dia em que Bolívar foi promovido a companheiro na Loja Santo Alexandre da Escócia, em Paris, deve situar-se na primeira quinzena de janeiro de 1806”. Sobre sendo necessário estabelecer uma tabela de equivalências. O máximo que se pode dizer é que o dia em que Bolívar foi promovido a companheiro na Loja Santo Alexandre da Escócia, em Paris, deve situar-se na primeira quinzena de janeiro de 1806”. Sobre Calendários maçônicos na Maçonaria , História Extra IV 16 (novembro de 1977): 134-136.

[50] – Bolívar estava em Paris quando Napoleão foi coroado imperador. Além disso, o embaixador espanhol convidou Bolívar a fazer parte de sua comitiva para presenciar a cerimônia na Catedral de Notre-Dame; mas não só ele recusou o convite, mas – de acordo com Villaurrutia – “ele se trancou em casa o dia todo.” Ramírez de Villaurrutia, A Rainha, 314.

[51] – Ramírez de Villaurrutia, La Reina , 313-314.

[52] – Nelson Martínez, Simón Bolívar, 18 anos.

[53] – Pérez Vila, A experiência , 334.

[54] – Miriam Blanco-Fombona de Hood, “Masonry and our Independence”, The American Repertory I (julho de 1979): 59-70.

[55] – Que são três: um Marechal do Império e dois Doutores em Medicina, os três oficiais do Grande Oriente da França.

[56] – Atualmente segundo tenente do Regimento da Milícia Voluntária Branca dos Valles de Aragua. Foi em junho de 1810 – seis anos depois – que Bolívar seria promovido a coronel das milícias. Porém, na filiação por ele cedida à polícia parisiense em abril de 1806, aparece como um “empresário domiciliado na Espanha”, embora na fornecida à pousada o faça como um “oficial espanhol”.

[57] – Statuts de l’Ordre Maçonnique en France (Paris, 1806), cap. XII, sec. VII, 205.

[58] – Observe aqui a influência de Napoleão Bonaparte na configuração do que acabaria sendo chamada de Maçonaria Bonapartista. Ferrer Benimeli, “A Maçonaria Bonapartista na Espanha”, in Formação Histórica da Maçonaria (Rio de Janeiro: Academia Brasileira Maçônica de Letras, 1983), tomo I, 102-165.

[59] – Como Demetrio Ramos coleta na biografia de Bolívar, alarmado com as tentativas de Miranda na Venezuela, ele decidiu retornar à sua terra natal. De Paris foi para Hamburgo, onde embarcou no final de 1806 em um navio neutro chegando a Charleston em 1º de janeiro de 1807. Ramos, Simón Bolívar , 38.

[60] – De Manuel Campos, que se apresenta como um ‘nobre’ ou ‘cavalheiro’ espanhol, pouco se sabe. Possivelmente foi iniciado por volta das mesmas datas de Bolívar, dada a ordem de inscrição na tabela lógica. Alguns anos antes localizei precisamente um Manuel Campos, capitão da Companhia Provisória dos Invalides estacionado na Alhambra e que recebeu o conde Aranda como prisioneiro em 29 de agosto de 1794 em consequência de sua demissão do cargo de Primeiro Ministro e o processo iniciado por Carlos IV a pedido de Godoy. Mas não é possível ser a mesma pessoa porque se Manuel Campos tinha 24 anos em 1806, deveria ter doze em 1794. Rafael Olaechea e Ferrer Benimeli, El Conde de Aranda. Mito e realidade de um político aragonês (Zaragoza: Ibercaja, 1998) 376.

Maçonaria hoje: o antigo e o moderno

Desvendamos todos os segredos e tradições da maçonaria em Jaraguá do Sul

A maçonaria é uma instituição que tem bases antigas e, ao mesmo tempo, gera modernidade. Pode-se dizer que é um atanor onde o antigo e o moderno, se relacionam de uma maneira harmoniosa e natural, baseadas, essas relações, em leis universais que a mente estudiosa, observa, estuda e aprende a usar para a glória do Grande Arquiteto do Universo e para o bem da humanidade. Essas bases antigas, normalmente, se sustentam sobre os chamados bons costumes, assim como sobre as normas que, desde tempos remotos, permitem a convivência entre os seres humanos, sua evolução e desenvolvimento, dentro da maior harmonia, além das diferenças que existem entre todos, incluso, em relação com o ambiente que lhes rodeia.

É assim como, ao longo do tempo, seus membros, indistintamente de sua oficina, rito, idioma, cultura, educação acadêmica e idade, vão criando obras ao serviço dos seres humanos, indistintamente do tempo e o espaço. Obras em quase todas as atividades, desde as ciências até a filosofia. Não há uma atividade relacionada, como as chamadas ciências e artes liberais, que não há sido tocada pela mão, mente e coração de um maçom. Todos os desenvolvimentos, em todas as áreas, estão relacionados ou são produto dos aportes que esses maçons deram à humanidade, juntando o antigo com o moderno em cada uma dessas obras, da forma como a maçonaria ensina, como uma Arte Real, onde o justo e o perfeito se enlaçam, se fundem, se combinam, mostrando as maravilhas produzidas pela harmonia dos elementos que existem tanto acima como embaixo.

Conhecer e dominar isso é parte do trabalho maçônico universal que, nestes tempos, deveria ser parte fundamental em cada oficina. Esse processo de relacionamento entre o antigo e o moderno deve partir do conhecimento das bases fundamentais e da prática delas no dia a dia, em cada circunstância, em cada momento, em cada lugar. O maçom de hoje, com toda a modernidade a sua mão, tem que proceder a preservar essas bases, da mesma maneira que deve proceder a modernizar os resultados.

As antigas maneiras de corromper uma pessoa como a uma sociedade, que hoje destroem nossas repúblicas, podem ser reduzidas a quase zero aplicando princípios muito antigos. Não vamos a inventar a água, mas podemos criar as condições para preservar suas fontes. Não vamos a inventar a amizade, mas podemos manter as condições para que ela se mantenha na cultura da humanidade. Não vamos a inventar a honestidade, mas podemos aprofundar suas bases para que ela seja parte cotidiana na vida das pessoas. Não vamos a inventar a justiça, mas podemos fazer que ela seja a norma da sociedade humana. Não vamos a inventar a liberdade, mas podemos fortalecer a verdade para que ela exista em todos. Não vamos a inventar o princípio da igualdade, mas podemos fazer que esteja na mente e corações de todos para poder ser aplicado sempre. Não vamos a inventar o sistema do respeito, mas podemos educarmo-nos nele e assim viver por sempre. Não vamos a inventar a propriedade, mas podemos defender esse direito natural e fazer proprietários a todas as pessoas. Não vamos a inventar a segurança, mas podemos transmitir e dar a mesma uns aos outros e desfrutar de seus benefícios. Não podemos a inventar o antigo sistema filosófico e político chamado a república (a coisa pública), mas podemos modernizar as condições dela, construindo-a dia a dia da forma como foi criada, para servir aos cidadãos, dentro da antiga lei do amor e do cumprimento dos nossos deveres, esses que temos para com Deus, para com nossos semelhantes e para com nós mesmos. Para a maçonaria de hoje e sempre, o antigo e o moderno podem coexistir e conviver. Se alguma coisa deve ficar para trás, são aquelas que prejudicam a espécie humana e a sua natureza divina, que separam o criado de seu criador, que geram sofrimentos e miséria na humanidade e frustrações em vez de esperanças.

Autor: Henry Díaz M.

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