Como o sistema escolar falhou com a Maçonaria

Comenius school

O sistema educacional público, nas últimas décadas, tornou-se utilitarista, ou seja, mais orientado para a praticidade e menos para as humanidades gerais, porque essas eram e ainda são consideradas, pelos “filósofos” utilitaristas, como não essenciais para o progresso humano no século XX ou século 21.

Da mesma forma, tornou-se um sistema escolar muito secular. Não se engane: embora apoiemos totalmente um sistema secular, isso também teve um efeito colateral inesperado: muitas obras de arte e obras-primas literárias de repente se tornaram ininteligíveis para a maioria dos alunos porque eles não entendem mais referências bíblicas.

O mesmo vale para a língua: por sermos (principalmente) um país de língua inglesa devemos conhecer mais sobre sua história – e essa afirmação não contraria o caráter multicultural da sociedade como um todo, pois mesmo nas mais diversas sociedades, há sempre a necessidade de uma “língua franca”.

Curiosamente, essa frase, língua franca significava em latim a língua falada pelos francos, uma tribo germânica que, ironicamente, deu o nome à França… utilizar como denominador comum e como instrumento geral de comunicação entre várias entidades, um pidgin da época medieval.

Pansophia

Como um país de língua inglesa… seria de esperar que alguém considerasse necessário aprender a história da língua, incluindo suas formas clássicas – desde o renascimento inglês, ou seja, da era elisabetana, com a KJV (King James Version): provavelmente como a tradução inglesa mais conhecida, querida e reverenciada do Livro Sagrado do Cristianismo e do Judaísmo; e ao mesmo tempo com textos de Shakespeare e seus contemporâneos, e mais tarde algum estudo do estilo e do adorno das obras literárias e das frases durante a era vitoriana. Esse era um idioma eloquente bem conhecido e aceito pelos homens e mulheres educados do período e se reflete na maioria de nossos rituais.

Ao que parece, e posso estar errado, essas coisas, como história da(s) arte(s), história dos antigos (antigos) estilos gregos ou ordens de arquitetura, incluindo suas adições romanas; e a redescoberta desses elementos arquitetônicos básicos, como colunas, durante a época do Renascimento – são uma arte perdida entre as gerações mais jovens.

E ao mesmo tempo há uma falta, uma total falta de conhecimento da mitologia grega antiga ou da mitologia romana antiga, que é meio que espelhando a mitologia grega.

Nas universidades medievais onde se ensinava o que mencionamos muito superficialmente na instrução do 2º grau – as sete artes liberais e ciências –, era considerado o básico da educação e formação para os jovens que passavam pela educação formal…

Através do grego e do latim antigos, com as regras gramaticais muito rígidas, eles também adquiriram uma maneira muito disciplinada de pensar, usando estruturas lógicas, e ao mesmo tempo uma maneira muito rica de se expressar através da língua usando gramática adequada; e recitando-a em voz alta, como a retórica exige, eles aprenderam a arte de falar em público.

Quo Modo Deum
Quo Modo Deum
(xilogravura de um livro sobre alquimia mostrando um “Olho no Céu” precursor do Olho da Providência. Título traduz como ‘Este é o caminho de Deus’.)

Todas essas coisas desapareceram da nossa educação contemporânea – assim como no mundo inteiro!

De volta à Loja e à Maçonaria. Aqui está o que acontece quando um jovem, muito simpático, e até mesmo ‘educado’ e conhecedor, bate na porta da loja: se ele é considerado digno, ou seja, um bom ajuste e um bom homem, com potencial para crescer em um bom maçom, então nós o aceitamos, nós o iniciamos, ele passa pelo ritual de ser iniciado… e essa cerimônia rica, cerimônia linguisticamente muito rica, adornada em um estilo muito vitoriano, com uma linguagem às vezes complicada, bate na cabeça dele como um martelo. Ninguém consegue na primeira noite.

Com suas inúmeras referências a histórias bíblicas, com inúmeras referências ocultas ou abertas a antigas escolas filosóficas, de Platão e da escola platônica, incluindo neoplatônicos, estoicos, e depois ideias da era renascentista, como Pico Dela Mirandola e muitas outras… não é fácil de digerir.

Há também nessa “mistura” os efeitos dos influentes pensadores de 1600, quando os fundamentos do nosso sistema atual evoluíram: do método científico de Sir Francis Bacon à alquimia e matemática newtoniana, de antiquários como Ashmole ao pai da pedagogia (Comenius , um irmão da Morávia), desde os fundadores da Royal Society (de fato a academia de ciências da Inglaterra) até os primeiros representantes do Iluminismo…

Na literatura contemporânea, frases (topos como diriam os gregos) como o Templo do Conhecimento, o Templo da Enciclopédia, o Templo da Sabedoria (Templum Sophiae) junto com sonhos utópicos sobre a sociedade perfeita, que deveria ser uma Nova Jerusalém … eram sujeitos onipresentes.

Vale a pena notar que (de acordo com um equívoco comum) acreditava-se que a antiga Jerusalém e o Templo do Rei Salomão – sim, aquele templo! – nele estava o repositório de toda a sabedoria e conhecimento humano (lembre-se, o epíteto ornans de Salomão era sábio ) … estava no ar, por assim dizer, para recriar, para reconstruir aquele Templo da Sabedoria, aquele Templo o conhecimento humano que abrange tudo.

nova Jerusalém
Nova Jerusalém

E esses homens muito educados, muito instruídos… os antepassados ​​da Maçonaria (e estou falando principalmente da Maçonaria Inglesa porque os Escoceses e os Irlandeses trouxeram uma tradição diferente para a mistura e isso poderia ser assunto de outra apresentação) então, todos essas ideias na Maçonaria Inglesa, juntamente com a herança cristã (católica) prática, embora um pouco mística, transmitida pelas guildas de pedreiros e lojas operativas, criaram uma mistura fenomenal, uma novidade fenomenal, uma fermentação fenomenal de ideias, filosofias e visões de mundo. E dentro dos muros (intra muros) em vez de matar uns aos outros – como acontecia fora dos muros – por causa de diferentes abordagens à divindade, aos princípios do cristianismo (na verdade, naquela época era apenas sobre diferentes facções do cristianismo, ninguém pensava em religiões e crenças fora da Europa) eles criaram esse microcosmos quase irreal da loja. A questão é: ainda temos?

Assim, os mencionados jovens chegam à Loja e descobrem todas essas coisas fascinantes (como as três colunas, símbolos de sabedoria, força e beleza e pertencentes a diferentes ordens de arquitetura “nobres” antigas), mas não têm a imagem mental dos três estilos gregos diferentes; têm dificuldade em compreender as referências bíblicas; e não entendem referências mitológicas; e não entendem as ferramentas literárias aplicadas na compilação dos textos…

3 colunas gregas
As três colunas gregas clássicas – cronologicamente na ordem errada. O dórico no meio foi o mais antigo…

Quando descobrem no ritual e na Loja todos aqueles tópicos de que nunca ouviram falar, desenvolvem esse equívoco de que TUDO foi inventado pelos maçons (incluindo as artes e ordens antigas) e não são capazes de contar a história do mito, a realidade da lenda , genealogia da semelhança… E, finalmente, eles são vítimas de autonomeados especialistas sem escrúpulos que os alimentam com mitos e lendas (em tons caros) em vez de educação e conhecimento reais.

Nós falhamos com eles duas vezes. Em primeiro lugar porque o sistema escolar não os preparou para compreender todas as referências em nossos textos ritualísticos. Em segundo lugar, falhamos com eles na Loja ao não fornecer mentores. Nós nos importamos apenas com eles memorizando as passagens obrigatórias: “se prepararem”. Nunca se trata de compreensão. Há poucos que poderiam ensiná-los, orientá-los, explicá-los… e nem toda Loja tem o número suficiente desses maçons.

Sem mentores, você nunca formará um novo maçom bem informado. Eles vão envelhecer tão desinformados quanto aqueles que os iniciaram estiveram por eras. E é assim que você ouve aquelas vozes entre os maçons perguntando: “Por que não modernizamos?” “Por que não facilitamos?” “Deveríamos emburrecer o ritual, o texto”…

Este é realmente o caminho que queremos seguir? Ou estamos condenados a tomá-lo?

Espero que não.

Autores: Istvan Horvath
Traduzido por: Luiz Marcelo Viegas

Fonte: The Other Mason

*Horvath é Mestre Maçom, Maçom do Arco Real, membro da Philaletes Society, do Quatuor Coronati Correspondence Circle e da Scottish Rite Research Society. 

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A importância da Sindicância bem feita

Seis conselhos para escrever bem – Gestão por Processos e Projetos

O trabalho se fundamenta no importante processo da escolha do candidato com o desígnio de ingressar na Ordem Maçônica.

A MAÇONARIA – Também chamada de Franco-maçonaria, por seus adeptos, auto classificada como uma “sociedade fechada ou secreta”, agrega em sua longa existência uma coleção de definições:

É um belo sistema de moralidade velado em alegorias e ilustrado por símbolos.

É um sistema regular de moralidade, concebido em uma tensão de interessantes alegorias, que desdobra suas belezas ao requerente sincero e trabalhador[1]

Em seu sentido mais amplo e abrangente, é um sistema de moralidade e ética social, é uma filosofia de vida, de caráter simples e fundamental, incorporando um humanitarismo amplo e, embora tratando a vida como uma experiência prática, subordina o material ao espiritual; é moral, mas não farisaica; exige sanidade em vez de santidade; é tolerante, mas não indiferente; busca a verdade, mas não define a verdade; incentiva seus adeptos a pensar, mas não diz a eles o que pensar […][2]

É, pois, um systema e uma escola, não só de moral como de Philosophia social e espiritual, reveladas por alegorias e ensinadas por symbolos, guiando seus adeptos à prática e ao aperfeiçoamento dos mais elevados deveres do homem-cidadão, patriota e soldado.[3]

Etc.

Segundo o Pequeno Dicionário Enciclopédico Koogan Larousse (RJ): sindicância (s. f. Inquérito, investigação). Sequenciando temos o sindicante (adj. Que faz sindicância; encarregado de sindicar, ou seja, o que coleta informações).

Sindicância ainda pode ser um conjunto de atos por meio dos quais são reunidas informações, inquirições, investigações, em cumprimento aos dispositivos legais.

Na maçonaria, a citada palavra impregna status essenciais à estrutura organizacional de uma Loja Maçônica. Proporciona a sindicância como privilégio de ser o caminho legal para que “alguém” venha ser um maçom.

Partindo dessa premissa, a tríade de irmãos indicados pelo Venerável Mestre deve ter bastante “experiências”, para sindicar um candidato – assumem uma grande e real, responsabilidade quando sindicante -, até por perceber “que pode ser ELE seu irmão”.

Nesta fase os irmãos devem investigar o candidato levando em conta as normas e instruções definidas pela Loja Maçônica e sua Potência. É prudente que no diálogo com o mesmo procurem avaliar predicados outros tais como: vivencia em grupo social, comportamento em família e outros mais.

Concluindo o ciclo da sindicância sempre devemos ter em mente de que “ELA” deve ser bem feita – pois contrariando esses raciocínios: da não excelência do pleito supra referendado – teremos sérios perigos para a célula Loja Maçônica e a maçonaria no geral.

INICIAÇÃO (evento) – de um candidato na execução em curso de sua evolução, principia a certeza de que está internalizando a emoção de um momento único – transluzindo para aos demais irmãos momentos de alegrias e satisfações.

Logo, centrado neste evento, o clima da reunião necessita de uma execução exemplar, atentando-se, contudo, para a não existência dos excessos.

Pondo fim, com a iniciação conclusa: colocamos na Ordem Maçônica um Aprendiz Maçom (novato) … cheio de perspectivas e ao mesmo tempo com insegurança do proceder.

Sobrepondo cabe-me alertar: que neste estágio o Aprendiz Maçom torna-se vulnerável, por ser considerado presa fácil aos chamados goteiras e irmãos irregulares que surgem do nada, sem que percebamos.

São fatos preocupantes que ameaçam a nossa maçonaria. Mesmo compreendendo que muitos não oferecem nenhum risco aos nossos mistérios, devemos ter uma atenção cuidadosa, pois correm sérios riscos de serem divulgados vulgarmente por alguém ou mesmo por sua família, que participava conosco das atividades maçônicas.

Como exemplo: podemos citar Cunhadas e Sobrinhos, a quem nunca foram dadas explicações, porque o seu “Marido / Pai”, foi excluído da Maçonaria e passaram a ter verdadeira aversão, que acaba sendo gratuita, pela maçonaria. Essa célere ameaça, acontece porque praticaram algo contra os princípios da Ordem Maçônica ou (contra aos seus próprios), ou porque apenas, certificaram-se de que aqui não é o ambiente que pensavam ser e foram desligados ou placetados.

Se foram excluídos por questões de ordem moral, ou de desrespeito às Leis da maçonaria e são inconformados com a decisão da Loja Maçônica, muito embora tenham o amplo direito, assegurado por lei, de defesa e não o fizeram,  trazem grandes imponderações para a Ordem Maçônica; se a exclusão aconteceu, apenas por fatos simples, como sendo de indolência a inadimplência, esses são inócuo.

Atualmente, há outros que realmente não são confiáveis no aspecto de informações, de divulgação dos nossos mistérios, da falta de respeito para conosco, para com nossas cunhadas, enfim, para com a família maçônica geralmente trata-se de ser imoral, de vida profissional e particular duvidosas. São relatos que não só preocupa, como deve ser vigiado, ainda mais quando estiver ingerindo bebidas alcoólicas.

O interessante: se é que podemos assim dizer, é que, muitas vezes, quem mais usufrui, quem mais tira proveito é esse a quem chamamos de “Mau Maçom” (termo que nem deveria existir entre nós), porque está sempre envolvido em problemas e sempre que recorre à maçonaria é prontamente atendido. Resolvido seu problema, retorna a vida de antes, sem ligar para a ajuda recebida.

Portanto, focado no relato acima delineado descrevo dois tópicos essenciais sobre sindicância.

1 – A conjuntura desagradável de anormalidade de diversos irmãos, que, por motivo ignorado, encontram-se ausentes dos quadros das Lojas Maçônicas.

Necessitamos afinal, estagnar e trabalhar as condições que causa aos irmãos ativos embaraço, quando não sabemos explicar, convicentemente, para os recém chegados os motivos que ocasionaram esses obreiros estarem irregulares, se de fato lhes instruímos que só existe …

“Um culto de amor ao próximo, uma constante prática de fraternidade, toda Loja deve ser um reino de harmonia, devemos ter confiança cega e absoluta no irmão, o modelo de um futuro mundo de paz, justiça e igualdade universal”.

Nesta complexidade: a luz do conhecimento, reporto a três perguntas que se faz necessário conhecer:

  • Saber dos irmãos irregulares: o que dizem da maçonaria, ou dos irmãos que as dirigem?
  • Como reportam suas opiniões em público, com relação a maçonaria?
  • Aferem serem injustiçados pela maçonaria ou por irmãos que a compõem.

São, pois, indagações que inquietam, que preocupam. Um comentário inconveniente e tendencioso de um Maçom, sobre a maçonaria em público, causa prejuízos irreparáveis e irremediáveis.

Então partimos para a grande pergunta:

Como atingir os princípios morais e os objetivos da maçonaria, se os integrantes não são suficientemente escolhidos para tal?

Logo, ficamos entre o dever de indicar e indicar bem, sob pena de vermos a Ordem Maçônica em decadência. É fato que em alguns casos, nem os nossos irmãos consanguíneos servem para ser nossos irmãos maçons! 

 2 – O ponto ideal para evitar o processo de irregularidades, germina da excelência da “sindicância” com rigor.

Questões simples, no entanto, partem da importância de sermos criteriosos e voluntários. Apropriando-se de minúcias corretamente, a curto prazo, teremos corrigido as desistências crescentes e / ou da admissão de candidatos que nada têm a ver com a Ordem Maçônica em seus princípios, ou que vieram, apenas, matar a curiosidade.

Embora, carecemos entender que para averiguar bem, não é necessário passar longo período com a sindicância em nossas mãos, recorrendo de tempo para vigiar o suposto candidato. O coerente é aproximarmo-nos, conversarmos com o mesmo em família, em seu trabalho, buscando informações dos seus superiores, com seus amigos, vizinhos e possíveis inimigos, SPC, cartórios de protestos de letras, etc.

Aliás, para tudo isto prover eficácia, é preciso que tenha o seu padrinho feito uma pré-sindicância detalhando os seus vícios, virtudes, defeitos, generosidade, atividades (sombrio e embriagado, caso tome bebidas alcoólicas), personalidade (se arrogante, nervoso e irascível), do seu apego com valores materiais, da sua coerência e hostilidade etc.

Aconselha-se que se faça um trabalho consciente, com responsabilidade, honestidade e, sobretudo com hombridade, deixando o julgamento para a Loja Maçônica.

Devemos sempre visualizar e fixar em nossas mentes de que estamos buscando um “cidadão”, que após ser iniciado (tornado maçom) será nosso irmão e de outros milhares espalhados pela superfície da Terra.

Conclusão

É importante que conheçamos atentamente os “candidatos” que ora propomos iniciar em nossa Ordem Maçônica. Precisamos que sejamos fortes e conscientes na decisão da escolha de um suposto profano, ainda mais, se um dentre esses for um parente ou amigo (próximo) e que em sua sã consciência de sindicante, reconheça que o escolhido, não satisfatoriamente, preencham os quesitos que a Ordem Maçônica nos determina.

Percebe-se que em determinados processos (propostas) de indicação de candidatos levedados as Lojas Maçônicas pelos “padrinhos” sofrem uma abissal incoerência -, quando o sindicante o procura para um diálogo, consegue captar o desconhecimento parcial do sindicado ao atinar que “ele”: nem sabe o porquê realmente deseja ser aceito na Ordem Maçônica. Carecemos de desenvolver um sistema melhorado para realização das sindicâncias na maçonaria. Então, delibero aqui afirmar que se sofismarmos aos parâmetros supra mencionados estaremos decidindo pelo lado emocional, deixando o fundamental. E, pondo certamente em risco a Maçonaria Universal, sujeitando-se ainda, a trazer para o seu meio uma “Ovelha Negra”.

Autor: José Amâncio de Lima

Amâncio é Mestre Instalado da ARLS Estrela de Davi II – 242 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Academia Mineira Maçônica de Letras, delegado da 1ª Inspetoria Litúrgica do REAA de Minas Gerais e, para nossa alegria, também um colaborador do blog.

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Notas


[1] PRESTON, William. Illustration of Masonry. New York: Masonic Publishing and Manufacturing Co., 1867. P.37

[2] Coil’s Masonic Encyclopedia (COIL, Henry Wilson; BROWN, William Moseley. New York: Ed. Macoy 1961 p. 159

[3] BEHRING, Mário. Ritual do Gráo de Aprendiz-Maçom. RJ: Typographia DELTA, 1928, p.9.

Referências

FORATO, Denílson [Arquivo de Palestra – Sindicância “Joio / Trigo”]

KENNYO, Ismail. Ordem sobre o caos. Editora no Esquadro. Brasília. 2020.páginas 300

HOUAIS, Antônio. Pequeno Dicionário Enciclopédico Koogan Larousse. RJ. Páginas 1635

Revistas Maçônicas “A TROLHA”. Materiais outros do Autor

Os símbolos na Maçonaria: o ensinar e o aprender

ARTE REAL - TRABALHOS MAÇÔNICOS: SIMBOLOGIA MAÇÔNICA

É conhecido que a maçonaria recorre extensivamente a símbolos como forma de transmissão do conhecimento. É evidente que esses símbolos terão algum significado. O que, todavia, é menos evidente, é que não há significados universalmente aceitos ou impostos para os símbolos maçônicos. O que um interpreta de um modo, outro pode interpretar de modo diverso. Assim sendo, de que serve a simbologia na maçonaria? A que aproveita essa “plasticidade” nos significados dos símbolos? E como é que se pode usar os símbolos como meios de comunicação do seu significado subjacente, se esse significado pode variar de pessoa para pessoa?

Para o entendermos, temos que recuar no tempo. Bem antes da maçonaria especulativa ter surgido – o que sucedeu, oficialmente, em 1717 – já os maçons operativos se socorriam de símbolos para se recordarem dos ensinamentos que os seus mestres lhes haviam transmitido. De fato, muitos dos trabalhadores da pedra não sabiam ler nem escrever, pelo que se socorriam de pictogramas e representações de objetos para o efeito. Os símbolos não eram propriamente secretos; o seu significado – as técnicas a que os mesmos se referiam – é que era apenas revelado a alguns. A maçonaria especulativa veio a adotar esse método de transmissão de conhecimento. Assim, hoje como outrora, os símbolos são auxiliares de memória, instrumentos de suporte ao conhecimento, verdadeiras mnemónicas- diríamos hoje: são cábulas – que nos permitem recordar, evocar e especular.

Mas se o seu significado pode ser individualizado, como é que o conhecimento passa sem se perder, sem se desvanecer, sem se espraiar numa mar de semânticas? De forma muito simples: para tudo há um início, e o método consiste, precisamente, em dar a cada um os pontos de partida, sem estabelecer qualquer ponto de chegada… Assim, a um Aprendiz é, desde logo, ensinado o significado comum de vários símbolos: o esquadro, o prumo, o nível, o mosaico bicolor do chão dos templos, a pedra bruta, a pedra polida, entre outros. É das poucas ocasiões que, em maçonaria, alguma coisa é verdadeiramente ensinada, e mesmo aí os significados gerais são dados com parcimônia de explicações e de forma sucinta e concisa. A cada um é dito, então, que deverá procurar interpretar cada símbolo de forma pessoal, podendo quer aplicar o significado original, quer levá-lo até onde o deseje. E é esse o trabalho do Aprendiz: estudar os símbolos, construir um significado em torno dos mesmos, e aplicá-lo a si mesmo.

E como se mantém um denominador comum? Quando um maçom se refere ao prumo, os demais sabem que se refere à retidão moral, à integridade, à verticalidade de caráter – aquilo que ouviu quando, ainda Aprendiz, lhe “apresentaram” os símbolos. Contudo, mais tarde cada um irá interiorizar a seu jeito o que estas palavras significam. O que será sinal de caráter para um poderá ser duvidoso para outro; a nenhum, porém, é imposto qualquer significado universal. E porquê? Porque, se a maçonaria se destina a tornar cada homem num homem melhor, deve fazê-lo dentro do absoluto respeito pela sua liberdade. Por isso se diz que em maçonaria tudo se aprende e nada se ensina, no sentido de que cada um deve procurar os seus próprios ensinamentos sem esperar que lhos facultem. Cada um deverá poder procurar, no mais íntimo de si, o que quer fazer dos princípios que lhe são transmitidos: se quer segui-los ou ignorá-los, quais aqueles a que vai dar maior preponderância, e até onde vai levar esse ânimo de se superar. E é por tudo isto que, sendo essa luta de cada homem consigo mesmo algo de mais único do que uma impressão digital, a liberdade individual de interpretação se impõe sobre qualquer eventual tentativa de normalização do significado dos símbolos.

Autor: Paulo M.

Fonte: A Partir Pedra

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Episódio 26 – Onde estão os Mestres?

A missão do Mestre, no exercício da sua plenitude, é transmitir aquilo que aprendeu, compartilhando informações e experiências, estimulando, questionando, provocando e, por vezes, confundindo o Aprendiz, mostrando-lhe vertentes ou caminhos que possam ser exploradas.

Que caminhos a Maçonaria pode tomar?

Qual caminho a seguir?! - Jotônio Vianna

Estamos no limiar de 2020, um ano atípico, mas que vai ficando, a cada dia, normal, ou seja, típico, ao contrário do que se poderia imaginar há um ano apenas.

Nesse período nos refugiamos nas “lives” que se tornaram uma tremenda escola de Maçonaria para alguns que nunca tinham recebido uma carga de informações e conhecimentos tão grande em tão pouco tempo. Anos de Loja sem aprender absolutamente nada, porque não tinha quem desse uma boa palestra e tivesse algo de bom para ensinar. Por outro lado, muitos já estão saturados de tanta “live” por aí. Por preguiça mesmo, ou excesso de oportunidades.

É fato que elas ajudam muito, mas precisamos observar bem os temas e palestrantes para ver se são adequadas, principalmente a Aprendizes e Companheiros, Essa é uma tarefa dos Vigilantes e do Venerável, verificar se será um tema útil aos mais novos de Loja, por exemplo, podendo mais confundir do que explicar. Quando Mestre, ok, tem o direito e dever de conhecer de tudo, mas aí, estará mais expert para decidir.

Na verdade, esses palestrantes, mestres preparados geralmente, estavam lá o tempo todo, nas colunas das Lojas, mas ninguém sabia extrair o seu conhecimento para o bem comum porque as Lojas teimam em fazer só o ritual, algum ameaço de prece, alguns discursos vazios e correm para o ágape (copo d’água tradicional em algumas regiões).

Assim matam duas coelhas com uma cajadada, substituem a missa da semana porque já viram a Bíblia no meio do templo e recebem o alvará da cunhada para tomar aquela geladinha com os “manos”. E esses são os que ficam, porque muitos saem depois de algum tempo de muito, praticamente nada. Há muitos bons irmãos nas Lojas calados, por força de uma rotina insensata de não se fazer nada além de cumprir o ritual e perde-se qualidade a cada dia de silêncio no Período de Estudos.

Temos alertado sobre essa dinâmica vazia, a falta de uma boa pauta das Lojas nos últimos anos, agora até se explica, em parte, por causa da pandemia, mas o problema é antigo. Volta-se a insistir nesse tema, sobre a Maçonaria do Século XXI, que temos abordado em algumas palestras dadas também, porque, necessariamente, as Lojas maçônicas de todo o mundo, creio, mais precisamente no Brasil, precisam encontrar seu rumo, um Norte, ou um Oriente, se preferirem, e tomar esse caminho de imediato, ou, estaremos empurrando a Instituição para o buraco da decadência, de uma vez. Fim de linha em pouco tempo.

Porque não adianta ter um nome de “Maçonaria” e ser apenas uma sociedade de velhos chatos ou dorminhocos que não fazem ela cumprir sua missão, que é de reformar os homens, dando-lhes, à luz da Razão, o simbolismo das virtudes e do combate incessante aos vícios morais, depois disso, como exemplares cidadãos, participarmos ativamente das questões sociais que a circulam, com seus membros atuando positivamente, dando exemplos daquelas virtudes, através de ações beneficentes, sociais, políticas, em sentido amplo, enfim, tudo aquilo que será herdado pelos nossos familiares e pela nossa comunidade.

Difícil enxergar isso como a missão precípua da Maçonaria? Não há que se falar em entidade filantrópica como se fosse uma fabrica de esmolas, porque nesse sentido, perdemos feio de qualquer igreja. Não há que se falar, embora seja primordial, em sociedade filosófica, porque ninguém quase estuda filosofia ou outras ciências sociais.

Mas deveríamos, e muito. Porque é com a filosofia e outras ciências sociais que aprendemos a conhecer e lidar com o ser humano que nos circunda, como vivermos, que linha de pensamento termos, nossas ansiedades e necessidades. Se somos construtores da sociedade, temos que conhecer a nossa matéria prima, o ser humano.

Como tomar novos rumos e atingir esses objetivos? Claro que cada Loja deve encontrar seu caminho, mas algumas sugestões, podem ser lançadas na mesa. De que adianta criticar, sem apresentar soluções ou propostas de soluções?

A ideia é formar, em cada Loja, um centro de união de pessoas bem intencionadas, que queiram, primeiramente, estudar o simbolismo maçônico, sem se preocupar tanto com a ritualística, porque essa se aprende rapidamente, basta ler e cumprir fielmente seu ritual, e como somos inteligentes, não precisamos mais que três sessões para decorar os movimentos.

Outra coisa, não se preocupar tanto com a crença religiosa do candidato, isso é besteira, qualquer um pode mentir sobre crenças e ninguém pode contestar, mas se preocupar muito com a “folha corrida” do candidato. Moral é fundamental e precisamos saber com quem estamos lidando. Um sujeito com moral elevada, será sempre um bom irmão.

Outras condições são fundamentais para o sucesso do maçom, como a situação intelectual, porque o maçom não pode ser ignorante, tem que ter um excelente nível de compreensão do simbolismo, tem que ler e entender o texto de rituais e livros. A condição econômica também é importante, ou seja, para se manter na ordem sem dar prejuízos a ninguém e ainda poder contribuir em eventuais auxílios a irmãos e profanos.

As Lojas precisam se transformar também em salas de aula, literalmente, usando sua Ordem do Dia de forma inteligente e útil, com 80% dela para palestras e debates, além da apresentação de trabalhos dos irmãos da Loja. Com esses debates que se aprende muito e troca-se conhecimento. O Período de Estudos não pode se resumir a 15 minutos, mas deve ter, pelo menos, uma hora. É o mínimo. Em todas as sessões um Mestre deve propor um tema, apresentar uma peça e dela gerar perguntas e respostas, ou um debate organizado, onde opiniões e experiências devam ser expostos.

Assim, a sessão começa a ficar mais interessante, embora muitos irão reclamar do tempo. Mas esses são os que, geralmente, nada produzem e ainda querem atrapalhar os outros, querem comer, beber ou ir para casa mais cedo. São pesos mortos na Loja. Devem ser marcados e afastados se não querem participar do empreendimento.

Por outro lado, cada Loja deve assumir um trabalho social organizado, se possível com participação de cunhadas e sobrinhos, não só para eles fazerem e a Loja patrocinar, mas sim, todos se envolverem, como um orfanato, asilo, escola profissional ou de artes (música, dança, etc.). Com esse trabalho social e a utilidade da sessão trazendo mais conhecimento, haverá um expurgo dos preguiçosos em pouco tempo, mas outros que clamam por atividades, se aproximarão, acordarão do marasmo em que vivem e serão obreiros proativos. É certo que essa Loja, mantendo esse caminho, vai fazer sucesso porque seus irmãos estarão congregados em objetivos comuns, não se sentirão inúteis, ao contrário, como participes de uma sociedade em constante evolução.

É preciso que passemos por transformações internas, todos nós, abrindo mão de opiniões e posições inflexíveis, mudarmos em sentido positivo, avançarmos nas nossas ideais, sermos evolucionistas, de fato. Acabar com preconceitos de toda a espécie, sem deixarmos de ser nós mesmos, sem abrir mão de nossa personalidade, mas tudo pode ser debatido e acordado sem radicalismo, aproximando cada vez mais as ideias de uns e outros.

Tolerância é o remédio, no sentido de aceitar a possibilidade do próximo poder pensar diferente, das pessoas terem conhecimento relativo de algum tema e podermos nos abastecer desse conhecimento uns com os outros até chegarmos a um ponto comum. Impossível isso? Impossível uma convivência pacífica havendo discordância de pontos de vista dentro de uma ordem calcada no amor fraternal, tendo como divisa Liberdade, Igualdade e Fraternidade?

Não pode ser, como tem sido, um antro de discórdias e radicalismos, brigas políticas, tal qual o mundo profano a quem pretendemos dar exemplo. Temos que receber a todos, homens de qualquer espécie, gênero ou raça, cor, crença, etc., até que se abram as portas para as mulheres, e esse dia vai chegar, sabemos, com aval de ingleses inclusive. Basta que seja um ser de boa vontade e se preocupe com a evolução e progresso humano. Queremos pessoas boas, de princípios e objetivos.

Nós não precisamos de rótulos e marcas, de estereótipos, precisamos de inteligências para podermos fazer algo de grande pela humanidade. Pouco importa quem seja a pessoa que esteja na coluna, o que importa é que ela some pensamentos e esforços físicos para essa construção social da qual tanto falamos.

Hoje somos pedreiros com uma imensa obra em atraso e prazo se esgotando para entregarmos. Não podemos abrir mão dos bons artífices, temos que dispensar os maus obreiros e contratar novos com bom históricos e formá-los grandes profissionais. Assim a obra chegará ao seu final com a beleza esperada e no prazo determinado.

Mãos à obra!

Autor: Marco Piva

Fonte: Revista BIBLIOT3CA

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O aprendizado dos valores maçônicos em Loja

Educação e Aprendizado Psicólogo Educação Infantil

Faça da disciplina um lema, da dedicação uma bandeira e da paixão pelo trabalho um exemplo (comercial Ayrton Senna).

Desde sua estruturação iniciada na primeira metade do século XVIII, a Maçonaria vem defendendo princípios e valores morais, posicionando-se politicamente e identificando-se com causas nobres, lutas sociais e movimentos cívicos, revolucionários e libertários, que a fizeram prosperar até nossos dias, sempre combatendo a intolerância, os preconceitos, a ignorância, os privilégios e defendendo ideias inovadoras.

Ao longo de sua trajetória, a Maçonaria procurou atuar no sentido de educar seus obreiros para serem pessoas de uma convivência saudável, com sólida formação de espírito de luta para a busca do aperfeiçoamento individual e social.

E, para manter a conduta moral exigida pela Ordem, o obreiro deve exercer o domínio das paixões, reconhecer e corrigir defeitos, cultuar a inteligência e por em prática os rigorosos ensinamentos colocados à sua disposição.

Esse aprendizado se inspira na Ética Maçônica que, mais do que um simples dever, fundamenta suas ações nos conceitos de liberdade, igualdade e de fraternidade, em busca da concretização dos valores e regras morais inscritos em seus rituais e regulamentos, orientando a conduta de seus obreiros com ênfase na solidariedade humana e na justiça, em toda a sua plenitude.

Nesse sentido, o trabalho da Maçonaria em Loja visa a aprimorar o caráter de seus membros e a promover reflexões sobre a espiritualidade e elevação do nível de consciência e convivência irrestrita e fraternal, de forma que seja aperfeiçoada a capacidade de raciocínio e que os obreiros possam agir no mundo profano como construtores sociais aptos a influenciar a opinião pública e provocar mudanças qualitativas nas atitudes das pessoas, despertando a lucidez e mostrando a realidade, fomentando a importância de bons exemplos.

Para cumprir esse desiderato, o aprendizado dos valores maçônicos em Loja é proporcionado a partir de reflexões sobre o conteúdo das Instruções, Rituais, Constituição, Regulamento Geral, que pressupõem o autodesenvolvimento como processo contínuo, envolvendo aspectos éticos, morais, espirituais, culturais e sociais, onde tudo é harmonizado pelo esforço individual do obreiro e pelos princípios norteadores da filosofia maçônica, de forma livre, que não dita regras nem o ritmo, tornando o maçom o mestre de si mesmo, onde o seu maior símbolo é o autoconhecimento.

Como resultado desses ensinamentos, vislumbra-se o impulsionamento da capacidade de pensar e a prática de virtudes e de ações concretas no mundo profano, de forma transformadora, forjando um cidadão consciente que procura fazer tudo de forma justa para promoção do bem e para tornar feliz a coletividade, como consequência do seu aperfeiçoamento pessoal e influência na sua esfera de relacionamentos, com o reconhecimento de todos os que o rodeiam. A convivência com esse maçom aprimorado torna-se uma experiência prazerosa e inspiradora com efeito multiplicador incomensurável.

Com o propósito de perenizar esse valor e colher frutos sempre saborosos, temos no cotidiano de nossas Lojas exemplos daquelas que são bem geridas, disciplinadas na ritualística, ricas nas atividades e que observam o cumprimento das regras e fundamentos da Ordem, sendo bem reputadas e objeto de visitas constantes de irmãos de outras Oficinas, que procuram se inspirar para melhorar o desempenho, praticando o tradicional método do benchmarking, comparando ações, avaliando a gestão e clima de convivência.

Naqueles casos de amor à primeira vista, muitos obreiros impedidos de chegar ao ótimo individual em suas Lojas de origem, aí incluídos iniciados recentes, e munidos de coragem e em busca de desafios, partem para o pedido de transferência, vislumbrando a possibilidade de aprimoramento pessoal. Talvez seja prematuro especular, mas no retorno de nossas atividades presenciais, após esse período de pandemia, muitas mudanças poderão ocorrer, em especial naquelas Lojas que resistiram e não organizaram reuniões virtuais, fragilizando o culto aos valores vinculados aos laços fraternais e de estudos.

Dentre as Lojas que não conseguem reter seus obreiros e sentem minguar sua força de trabalho, com o enfraquecimento de suas Colunas, o diagnóstico desagua frequentemente em deficiência no processo de gestão, quando não é dada a devida importância ao aperfeiçoamento dos obreiros, contribuindo para o desinteresse, o desencanto e a deserção de muitos irmãos, pela falta de oportunidade de treinamento, de discussões de temas relevantes e de um ritualismo vazio, um teatro repetitivo apenas para cumprir tabela. Uma Loja não consegue evoluir com o freio de mão puxado.

Ocorre que, elaborar uma análise da Maçonaria como um observador acima do bem e do mal, sem o espírito de pertencimento e de corresponsabilidade para com os destinos de nossas Lojas, independente de cargos, graus e qualidades, confortavelmente instalados em ambientes aconchegantes – em especial nesse retiro domiciliar cumprindo o distanciamento social recomendado pelas autoridades de saúde -, pode ensejar tarefa aparentemente simples. Por sua vez, apresentar críticas sobre a gestão da Loja e sugerir medidas de correção pode recair em mais do mesmo, dependendo da forma e do poder de argumentação do avaliador.

Porém, quando se pensa no que individualmente podemos fazer para contribuir para a eficácia de nossas Lojas, para a efetiva aplicação dos valores maçônicos, aí o bicho pega. É o velho dilema de enfrentar o questionamento de que conseguimos avaliar e dar bons conselhos para os outros, mas não o conseguimos para nós mesmos, causando certo desconforto. É o conhecido “Paradoxo de Salomão”, uma situação em que temos bons argumentos para resolver os problemas dos outros e dificuldades em solucionar os nossos pessoais.

Dar apenas uma opinião, de longe é o melhor. A alternativa de argumentar que a Loja está com um projeto em discussão (eterna) ou ainda está colhendo sugestões é a melhor das desculpas. Quantas já superaram essa fase e já estão agindo efetivamente? O mundo lá fora continuará aguardando nossas providências? Como ficam os valores que cultuamos e a nossa credibilidade, em especial junto aos novos iniciados “ainda” cheios de esperanças?

O que não falta em nossas Lojas são manifestações do tipo: “já falei várias vezes e já dei diversos conselhos, mas ninguém prestou atenção!”, ou então a conclusiva e desanimadora: “minhas palavras foram levadas pelo vento, doravante não falo mais nada”, e por aí vai. De forma inapropriada, ouve-se nos átrios de distantes Potências comentários do tipo “eu faria diferente…”, característico dos “engenheiros de obras feitas” ou a “fácil sabedoria ex-post”. Onde estaria esse sabichão da Ordem na hora de fazer o que seria o certo?

Em muitas oportunidades, a eventual sugestão ocorreu de forma atabalhoada, carregada de emoções, em situações em que o obreiro atravessa a ritualística e quebra a harmonia dos trabalhos com comentários paralelos, julgando-se senhor do certo e do errado. Outros apontam deslizes de forma abrupta, como se donos fossem, com ar professoral e recorrendo à condição de “fundadores”, usurpando função dos titulares responsáveis, quando não reclamam de uma determinada circunstância, falando fora de hora e invocando “questão de ordem”, funcionando, enfim, como um antimodelo. Que valor estaria faltando?

Em tempos reuniões em videoconferências e de redes sociais agitadas como uma tormenta de verão, grupos de WhatsApp se transformam em verdadeiras Oficinas de trabalho, com total descumprimento das recomendações de que determinados assuntos fiquem restritos a sessões ritualísticas e que existe uma “Bolsa de Propostas e Informações” continuamente preparada e ávida para receber pranchas bem fundamentadas, com contribuições de todos e de que existe uma forma protocolar de encaminhamento. Continua faltando algo!

Precisamos adotar uma postura diferenciada e acolher a Maçonaria, em especial a nossa Loja, como um patrimônio, um valor pessoal, um tesouro a ser administrado, conservado, aprimorado e desfrutado com muito carinho, não apenas delegando ao Venerável e aos Vigilantes a responsabilidade para tal.

Torna-se imprescindível colocarmo-nos no lugar deles e ver os problemas de nossas Lojas de uma perspectiva diferente, pois o legado dos irmãos que nos antecederam precisa ser honrado e somos os únicos que poderão dar continuidade à obra e deixar nossa marca para as gerações que irão nos suceder, em especial a Geração “Z”, ocupando ou não um “cargo” de destaque[1].

Afinal, somos uma família ou não? Estamos apenas em busca de proveito pessoal ou para posarmos de “pavões misteriosos”? Somos agora apenas figuras carimbadas em lives maçônicas, tipo políticos em campanha em busca de projeção “nacional”, participando simultaneamente de vários eventos, apenas para marcar presença? Estamos efetivamente sintonizados com os valores maçônicos e prestigiando as atividades de nossas Lojas-mãe? Para melhor compreender e aprofundar a reflexão é aconselhável substituir o pronome “nós” pelo “eu” e aí a situação se complica. O que “eu” preciso fazer?

Nesse contexto, fica claro que o problema se circunscreve à seara da disciplina em Loja ou mesmo nas atuais videoconferências maçônicas. Ah, disciplina! É isso! Nunca é demais relembrar que, em termos gerais, o termo disciplina é definido nos principais dicionários como um conjunto de regras ou ordens que regem a conduta de uma pessoa ou coletividade ou aquelas destinadas a manter a boa ordem em qualquer assembleia ou corporação. A boa ordem, portanto, é presumida na observância e submissão ou respeito a um determinado regulamento que, no nosso caso, é precedido de um juramento de honra, um valor a ser preservado. É novidade?

Aplicada ao nosso dia a dia, a disciplina enseja conduta pautada por padrões éticos independentes de normas e regulamentos, envolvendo respeito e limites a serem observados, sob pena de gerar conflitos e dissabores. Aprendemos, desde criança, que respeito é um valor inestimável e, para conseguir realizar um objetivo, precisamos seguir regras e procedimentos disciplinares.

Nesse sentido, se sobressai o zelo que devemos ter em nossas Lojas para não nos deixarmos levar pela vaidade e arroubos de poder ao incentivar ou promover alterações desfigurativas em nossos Rituais ao arrepio dos Protocolos vigentes, dando provas inequívocas de arrogância e de falta de disciplina. As reuniões maçônicas têm o condão de despertar a importância da disciplina, como fator de educação, para que possamos encarar os desafios da vida. Esse valor nos é ensinado e temos boas referências de normativos a orientar nossas ações.

A autodisciplina é uma habilidade que requer consciência crítica e capacidade de observação amparada por procedimentos e hábitos que nos impomos com alguma finalidade. Então, sabemos o que fazer. É uma questão de atitude. A avaliação que precisamos enfrentar é: sou um apático, um reclamão nervosinho ou apenas um irmão bacana, oportunista, bom de retórica e em busca de projeção pessoal? Como “eu” posso contribuir para a Loja que me acolheu com tanto carinho?

Tratando-se de perenidade das instituições, 300 anos não é pouco, mas pode não ser suficiente para garantir outro período semelhante. Excetuando-se o Brasil, no mundo a Maçonaria está encolhendo em número de obreiros, mas ainda desfruta de bons motivos e um extenso legado a comemorar e não se pode deixar de dar destaque aos irmãos que defendem os valores ensinados pela Ordem e fazem-na respeitada e reconhecida, e que são a maioria. Por tudo isso, pergunto aos meus botões: isso se aplica a mim ou não?

Enfim, nunca é demais repetir e enfatizar que

a missão do Mestre no exercício da sua plenitude é transmitir aquilo que aprendeu, compartilhar informações e experiências, dar o exemplo, respeitar a ritualística, honrar o compromisso de ser um facilitador para os estudos dos novos Aprendizes e Companheiros, para que os mesmos sejam melhores do que aqueles que os treinaram.

O Maçom de valor (de raiz) é presente, incentivador, colaborativo, partícipe e disciplinado[2].

A disciplina é a mãe do êxito (Ésquilo).

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da Loja Maçônica Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte. Membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida e da Academia Mineira Maçônica de Letras.

Notas

[1] – Ver artigo “Maçonaria e Geração ‘Z’ Pós-pandemia”. disponível em: https://opontodentrocirculo.com/2020/08/26/maconaria-e-geracao-z-pos-pandemia/.

[2] – Ver artigo “Plenitude Maçônica”, disponível em: https://opontodentrodocirculo.wordpress.com/2018/12/13/plenitude-maconica/.

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