Maçonaria: problemas modernos ou antigos?

O Triunfo da Maçonaria especulativa: O capitalismo como criação de Lojas  Maçônicas radicais

Introdução

Choque de gerações, novos tempos, entre outros assuntos que envolvem mudanças na Maçonaria costumam gerar bastante polêmica.

No entanto, este artigo se propõe a demonstrar que nem tudo é o que parece e que, muitas vezes, aquilo que é interpretado como um problema da modernidade, na realidade, não tem nada de novo.

Antes da Era da Informação, a Maçonaria brasileira no geral, bem como uma grande quantidade de lojas em particular, viviam numa espécie de bolha de realidade, isoladas do restante do mundo e da história maçônica em uma série de coisas. Afinal, manuscritos, livros e até mesmo conversas com o resto do mundo ficavam restritos a uns poucos.

Mas a realidade atual é outra. E, através de dez exemplos reais, este artigo demonstrará que muitas vezes aquilo que é percebido como uma mudança ruim, na realidade, nada mais é do que um fenômeno antigo.

1) Ritual canibalizado?

Algumas semanas atrás, um amigo me ligava e dizia-se chateado com os desdobramentos do Rito Escocês Antigo e Aceito no Grande Oriente do Brasil. Segundo ele, o ritual havia sido canibalizado e havia uma insatisfação geral na loja com seu conteúdo. Cogitavam até trocar de Potência.

Pedi pra ver o ritual e pude constatar que diversos dos enxertos que foram feitos ao rito nas últimas décadas haviam sido removidos. De modo que aquele era um dos rituais mais próximos do ritual francês de 1829 em prática aqui no Brasil. Quando esclareci isso a meu amigo, ele demonstrou enorme surpresa.

Não importa se alguém é contra ou a favor da revisão dos rituais e eliminação dos enxertos. Fato é que, muitas vezes, os rituais revisados podem se basear numa prática mais antiga. Não se pode considerar que isso seja uma inovação!

2) Sem Entrada Ritualística

Numa crítica recente às sessões virtuais, presenciei alguns irmãos dizendo que não poderiam considerar aquilo como sessão porque não havia como ter entrada ritualística em uma sessão virtual.

Independente da posição que alguém tenha sobre sessões virtuais, ocorre que entrada ritualística não é prevista em diversos ritos ou trabalhos. Rituais do York, Emulação, entre outros, preveem que os trabalhos comecem com os irmãos já em loja.

Mesmo no Rito Escocês Antigo e Aceito, a entrada ritualística não consta nos primeiros rituais. O que não quer dizer que ela seja ruim. Apenas, não se define Maçonaria a partir desse fato.

3) Contra o Espírito da Coisa?

Outra crítica às reuniões virtuais diz que conceder graus de forma virtual quebraria o espírito da coisa, já que não teríamos ritualística e a passagem se resumiria a uma mera leitura.

A crítica a isso ser um processo sem graça e bem inferior à teatralidade e às cerimônias das sessões não deixa de ser bastante válida. O problema é que novamente isso é apontado como um problema moderno.

Se alguém atentar para os rituais originais de Charleston do REAA, produzidos no começo do século 19, verá que a ritualística era extremamente simples e os graus eram quase que essencialmente leitura.

A teatralização e maior elaboração das cerimônias foi algo que começou a ser desenvolvido meados do século 19 em diante.

4) Uso de Novas Tecnologias

Outro problema apontado como recente seria o uso de novas tecnologias.

Porém, uma gravura datando de cerca de 1900, no acervo do museu do Rito Escocês do Supremo do Norte dos EUA (NMJ) mostra um retroprojetor sendo usado em loja para ilustrar o conceito dos graus.

Em outras palavras, a Maçonaria já incorpora novas tecnologias a favor de suas sessões há mais de 120 anos!

5) A Maçonaria agora aceita mulheres?

Recentemente, a Grande Loja Unida da Inglaterra postou uma foto conjunta com a Maçonaria feminina.

A foto gerou vários comentários raivosos de maçons brasileiros mas, o que chamou a atenção foram alguns comentários reclamando da ‘modernidade’ no aceite de mulheres na Maçonaria, o que uns classificavam como traição, outros como comércio, uns tantos ainda como o presságio apocalíptico do fim da Maçonaria.

Ocorre, porém, que existem duas Grandes Lojas femininas na Inglaterra com quem a GLUI tem amizade: a Honourable Fraternity of Ancient Freemasons, que foi fundada em 1913, e a Order of Freemasonry for Women, que se tornou estritamente feminina na década de 1920.

Como se pode ver, a Maçonaria feminina na Inglaterra tem literalmente mais de um século. Além de décadas de amizade com a GLUI. Ou seja, não se trata de uma questão recente.

6) Estão desrespeitando os Landmarks?

Analogamente, não é incomum ver maçons alegando que algo vai contra os Landmarks quando veem coisas que lhes causam estranheza. E qual não é o espanto de muitos ao saber que os landmarks de Mackey, criados em 1858, nunca foram adotados como critério pela Inglaterra, que é quem mais dá as cartas em termos de regularidade maçônica no mundo e tem seus próprios Princípios de Regularidade, nem são adotados como padrão universal pelas Grandes Lojas norte-americanas.

Isso sem contar que, ao longo do século 19, vários compilados de landmarks foram propostos por autores diferentes. Nenhum deles foi adotado de forma universal.

Discussões, portanto, revolvendo em torno de coisas que destoam os landmarks de Mackey também não podem ser tratadas como inovações.

7) Revisionismo?

Não são poucos os que vociferam contra irmãos que se levantam para denunciar as ideias e alegações fantasiosas de autores como Rizzardo da Camino, Jorge Adoum, Jean-Marie Ragon, entre outros. Alegam que fazer tal coisa seria matar a alma da Maçonaria.

Mas, novamente, essa questão está longe de ser uma atitude revisionista moderna.

Muito pelo contrário, a própria loja Quatuor Coronati 2076, da Grande Loja Unida da Inglaterra, foi fundada exatamente porque os maçons ingleses já questionavam desde, pelo menos, meados século 19, as ideias fantasiosas propagadas por alguns sobre as origens e desenvolvimentos da Maçonaria.

E os registros históricos da Quatuor Coronati indicam que a loja questionava ideias lendárias propagadas por ninguém menos do que o próprio James Anderson, autor das famosas constituições que carregam seu nome.

Ou seja, a Maçonaria nunca teve um autor como sagrado ou acima de qualquer crítica, e sempre teve pessoas que criticaram a romantização de suas origens.

8) Maçons não estudam mais?

Igualmente é comum ver irmãos reclamando que nos tempos deles os estudos eram sérios e supostamente muito mais conhecedores de Maçonaria do que atualmente, como se os tempos atuais fossem piores.

No entanto, em 1875, Albert Mackey fez a seguinte reclamação:

“No entanto, nada é mais comum do que encontrar maçons que estão em trevas totais sobre tudo o que se relaciona com a Maçonaria. Eles são ignorantes de sua história – eles não sabem se é uma produção de cogumelos hoje, ou se remonta a idades remotas em sua origem. Eles não têm compreensão do significado esotérico de seus símbolos ou suas cerimônias, e dificilmente estão familiarizados com seus modos de reconhecimento. E, no entanto, nada é mais comum do que encontrar tais pseudo-sábios de posse de altos graus e às vezes honrados com assuntos elevados na ordem, presentes nas reuniões de lojas e capítulos, intermediando com o processo, tomando uma parte ativa em todas as discussões e teimosamente mantendo opiniões heterodoxas em oposição ao juízo de irmãos de maior conhecimento.” (Reading Masons and Masons Who Do Not Read)[1]

Ou seja, o problema de haver uma grande quantidade de maçons ignorantes, e pior, ostentando altos graus, cargos administrativos, etc. não é exatamente um problema novo.

9) Aventais

Outra discussão que recentemente presenciei dizia respeito ao Rito Escocês Antigo e Aceito nas Potências da COMAB. Alguns irmãos reclamavam que a COMAB teria “suprimido as rosetas” em prol do típico M. B. no avental de Mestre.

Outros ainda discutiam o padrão dos aventais de Mestre Instalado. Novamente, acusando alguns de quererem inovar.

Ocorre, porém, que um manual dos graus franceses publicado em 1820, em Paris, descreve o ritual de Mestre como tendo justamente o M. B. utilizado pela COMAB.

E, pra piorar, temos o fato de que Instalação é algo inexistente na origem do Rito Escocês Antigo e Aceito, tendo sido incorporada ao rito aqui no Brasil e em outros países. Ou seja, na origem, o REAA não tinha avental de Mestre Instalado, de modo que não importa o padrão, já que não há um padrão original a ser seguido.

10) Egrégora

Outra preocupação muito constante entre alguns irmãos é que determinadas posturas corporais ou pequenos desvios ritualísticos possam comprometer a egrégora da loja. Reclamam que as novas gerações não atentam para coisas que poderiam supostamente quebrá-la.

Sem entrar no mérito da questão de se egrégora existe ou não, fato é que até pouco tempo atrás não se ouvia falar tal termo em Maçonaria. E ele certamente não figura em nenhum ritual histórico da Maçonaria nos seus principais ritos e sistemas.

Ou seja, ironicamente, o conceito de egrégora é, em si, a inovação, não os desvios que poderiam supostamente comprometê-la!

Considerações finais

A lista poderia continuar, com dezenas de outros exemplos, mas os dez acima já são mais do que suficientes para ilustrar o ponto.

Como se pode perceber, uma parte considerável dos incômodos levantados por alguns irmãos com as supostas mudanças ou inovações dos tempos atuais ou das novas gerações estão muito longe de ser assim. Pelo contrário, às vezes representam até mesmo um resgate de práticas mais antigas.

É importante compreender que a postura do “porque sim” ou do “sempre fizemos desse jeito nesta loja”, para justificar ideias ou práticas, não sobrevivem à possibilidade de escrutínio que a Era da Informação nos trouxe, em que fontes podem ser checadas e informações outrora tidas como verdadeiras podem ser facilmente invalidadas.

A Maçonaria não corre, portanto, risco de extinção por esse processo. Nem é justo atribuir tais coisas, como alguns fazem, ao “danoso espírito inovador.”

Autor: Luis Felipe Moura

*Luis Felipe é M∴ M∴, membro da ARLS São Paulo de Piratininga 250 (GOP/COMAB). É bacharel em Letras (inglês), mestre em Teologia e em Psicanálise, atualmente trabalha como psicanalista e professor de Bíblia Hebraica.

Fonte: Ritos & Rituais

Nota do blog

[1] – Clique AQUI para ler o texto completo de Albert Mackey.

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Bibliografia

DYER, Colin. The history of the first 100 years of Quatuor Coronati Lodge No. 2076. Disponível em: https://www.quatuorcoronati.com/about-qc-lodge/centenary-booklet/. Acesso em: <08/09/2021>

JANTZ, Percy. The Landmarks of Freemasonry. Disponível em: http://freemasonry.bcy.ca/texts/landmarks.html. Acesso em: <08/09/2021>.

MACKEY, Albert. Reading Masons and Masons Who Do Not Read. The Master Mason, 1875.

SIMON, Jacques. REAA – Rituel des trois premiers degrés selon les anciens cahiers. Éditions de La Hutte, 2010.

RODRIGUES, Luciano R. Egrégora: um conceito totalmente estranho à tradição maçônica. Disponível em: Egrégora: um conceito totalmente estranho à tradição maçônica. Acesso em: <08/09/2021>

Magic Lanterns: Illuminating the Teachings of Freemasonry. Disponível em: https://scottishritenmj.org/blog/magic-lantern-freemasonry. Acesso em: <08/09/2021>

Manuel Maçonnique, ou Tuileur de tous Les Rites de Maçonnerie Pratiqués en France. Paris, 1820.

Ordo Ab Chao: The Original and Complete Rituals of the first Supreme Council, 33º – Vol. 1. Boston: Boemandres Press, 1995.

Women Freemasons. Disponível em: https://www.ugle.org.uk/becoming-a-freemason/women-freemasons. Acesso em: <08/09/2021>.

HFAF: Our history. Disponível em: https://hfaf.org/about-us/our-history. Acesso em: <08/09/2021>.

The Order of Women Freemasons: Our History. Disponível em: https://www.owf.org.uk/about-us/our-history/. Acesso em: <08/09/2021>.

O Irmão carente e o “mala”

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“Um pouco de perfume sempre fica nas mãos de quem oferece flores.” (Provérbio Chinês)

A presente reflexão não tem caráter técnico-científico, não aborda carência de posses, de valores morais, financeiros, como a recorrente e insolucionável falta de dinheiro, bem assim não pretende criticar ou ofender suscetibilidades, baseando-se, apenas e tão somente, em observações e registro de comentários, às vezes bem ou mal humorados, envolvendo a variante afetiva e outras necessidades de ordem material, mesmo inusitada.

Quanto à primeira carência, restringimo-nos àquelas caracterizadas pelos imperativos demonstrados por muitos de nós, em nosso reduto e nas relações com irmãos de oficina, envolvendo uma busca constante por atenção, aprovação e tudo mais que envolva certa dependência que inspire segurança, reconhecimento, consolo e aceitação.

Alguns esboços de demonstração de carecimento são hilários, atualmente proporcionados pelas mídias sociais, notadamente nos nossos grupos de WhatsApp, onde irmãos, para chamar atenção sobre si, não se cansam de postar vídeos, mensagens quilométricas repetidas à exaustão, às vezes sem o cuidado de conferir a veracidade e os registros anteriores e…. toma lá de novo. Foi! E…. foi outra vez! Da mesma forma, em vários grupos. Com o mesmo ardor enviam também como mensagens privadas, sem a mínima autocrítica ou desconfiança de estarem sendo inoportunos ou exagerados. Sem os mínimos cuidados, após uma notícia triste de um irmão, colocam uma piadinha de mau gosto. Isso sem falar nos engraçadinhos que se maravilham em provocar as pessoas.

Aqueles mais inveterados ou deslumbrados pelas tecnologias, movidos quiçá por inspiração etílica, conforme especulações de entendidos, escrevem qualquer patetice, algumas de forma quase criptografada, colocam nas redes sociais ou em grupos específicos, e ficam aguardando e/ou cobrando os “joinhas” ou aprovação ou comentários, como se aquilo fosse marcar ponto de referência inédito na Ordem, tipo antes e depois da minha abalizada opinião de Mestre, do meu post genial, sem observar o respeito e cuidado com a norma escrita e a paciência e disponibilidade de tempo dos destinatários. Para alguns o aplicativo funciona como um big brother ou uma ouvidoria da vida. Importante saber que o WhatsApp disponibiliza o recurso do “Responder em particular”, que alivia o estresse sobre os demais. E por aí, vai. Mas divagamos.

Como a maçonaria é uma família, onde os obreiros tratam-se como irmãos e estão comprometidos em prestar apoio, não são raros os casos que requerem olhar mais afetuoso, ouvido mais paciente e ombro amigo, por uma série de motivos, sejam problemas de saúde, frente a constantes relatos de doenças e sofrimento envolvidos, perdas de entes queridos, conflitos familiares e nos relacionamentos com outros irmãos da Loja, e demandas de ordem geral, cujas experiências sempre trazem ensinos para nossas vidas.

Até aqui, fraternalmente, tudo está amparado pelos fundamentos da Ordem, que se apresenta como uma associação que pugna pela mútua assistência, pela igualdade, pelos laços de recíproca estima, amizade, confiança e prática das virtudes, cabendo a cada um dar um pouco de si, conforme as próprias limitações e boa vontade. Mas, o que chama sempre a atenção são os excessos de demandas, que normalmente recaem sobre aqueles mais receptivos e carinhosos no trato cotidiano, que poderia ser atenuada se prestássemos um pouco mais de atenção ao nosso redor e fôssemos mais condescendentes e prestativos.

E não se pode imaginar que essa realidade seja restrita àqueles mais abertos e que procuram ajuda. Há casos de irmãos mais travados, ausentes das trocas de mensagens, que se fecham em copas e, não fora certa sensibilidade para os sinais emitidos, consequências mais gravosas podem surpreender. Por isso, em momentos de maior vulnerabilidade, como nos afastamentos do convívio em Loja, a ajuda pode ser expressa com um simples telefonema, ou mesmo uma visita, levando o tradicional e tão festejado fraternal abraço, descartadas, neste contexto, os contatos apenas virtuais, muito mais fáceis, mas que não colhem resultados mais sensíveis e reveladores.

Testemunhamos, em várias oportunidades, irmãos que se levantam emocionados em Loja para agradecer o apoio recebido dos demais por ocasião de uma enfermidade, com relatos de surpresas de parentes e amigos que se manifestaram encantados pela forma como concretamente a fraternidade se expressou nos seus momentos de maiores dificuldades.

Há, ainda, os casos de carências emergenciais em que irmãos, os quais não conhecemos pessoalmente, se socorrem dos meios de intercâmbio de mensagens via e-mail, como o Grupo MMAALLAA (abreviatura de “Maçons Antigos Livres e Aceitos), moderado pelo valoroso e abnegado irmão José Airton Carvalho (GLMMG).

Referido Grupo conta com mais de 2.700 participantes de Minas Gerais e está integrado a mais de 70.000 maçons, espalhados pelo Brasil e América Latina, por intermédio de vários grupos maçônicos, e que não apenas se restringe à divulgação da cultura maçônica, como do Blog “O Ponto Dentro do Círculo”, coordenado pelo dinâmico irmão Luiz Marcelo Viegas, de repercussão internacional, mas presta serviços de utilidade pública, assistência social, orientação aos irmãos em trânsito pelo País e divulgação de oportunidade de empregos à família maçônica e a todo irmão que carecer de algum tipo de orientação.

Nos relatos de socorro concernentes ao MMAALLAA, por vezes incompreendido e criticado por quem ainda não careceu de auxilio, registram-se situações de apoios prestados em regiões mais longínquas, pelas Lojas da jurisdição, onde irmãos em viagens a trabalho ou com a família deparam-se com acidentes, demandas por atendimento médico ou direcionamento para uma emergência qualquer, até casos envolvendo o desaparecimento de um familiar, bastando apenas a transmissão de uma mensagem com o relato da situação, para que uma solução seja encaminhada. A restrição é que no Grupo não são permitidas discussões de assuntos jocosos, piadas de baixo calão, sincretismo, sectarismo ou proselitismos. Os desatentos recebem um cartão amarelo. Os reincidentes são discretamente banidos. Fácil de entender!

Para que esse instrumento não de desgaste, precisamos ficar atentos quando ao conteúdo e direcionamento das providências. A situação mais combatida por vários usuários, motivo de reclamações constantes, é no sentido de que, uma vez encontrada uma forma de solucionamento, os entendimentos se façam de forma privativa, sem entulhar as caixas de entrada dos e-mails com conversas que não mais interessam aos demais participantes do Grupo MMAALLAA, evitando-se, assim os indesejáveis pedidos de exclusão, tipo “me tire disso aí” ou “essas mensagens estão atrapalhando minha concentração no trabalho”, “não aguento mais”, dentre outras formas menos acolhedoras. Os mais antenados e incomodados, quando percebem que a condição é de “mala-sem-alça”, sabem que a forma de se excluir automaticamente é simples, dispensando-se chiliques ou tremeliques, e permanece fixada no final de todas as mensagens. Basta prestar atenção: ler.

Por isso, na convivência com os nossos irmãos, de forma extensiva aos nossos lares, é importante que reconheçamos, de uma forma ou de outra, que todos temos nossas insuficiências, eventuais demandas, incômodos, prioridades e motivos de discordâncias, mesmo que nos recusemos a aceitar essas possíveis “fraquezas”, aplicando-se o dever de vigilância permanente para a qualidade de nossas vidas afetivas no âmbito de nossas Lojas, para que não tomemos atitudes das quais possamos nos arrepender mais tarde. Da mesma forma, como família maçônica, não podemos deixar de refletir e inspirar-nos nos tão decantados sentimentos de amor fraternal, fundamentados sobre a virtude da solidariedade que tanto valorizamos.

“Somos todos carentes fingindo o contrário!” (anônimo!)

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da Academia Mineira Maçônica de Letras, e para nossa alegria, também um colaborador do blog.

Apareço, logo existo: o mundo das aparências por Bauman, Nietzsche e Shakespeare

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O mundo contemporâneo é regido pelo estratagema da comunicação, provavelmente este seja o maior pilar erguido pela era da informação. Bauman, contextualizando Descartes, versa que para que haja existência – neste mundo tenebroso – é preciso, sobretudo, aparecer; propagandear-se, por assim dizer. Apareço, logo existo”. Quem não está presente nas Redes Sociais é como uma esponja, um sujeito paupérrimo, possivelmente um eremita. É preciso que se diga: o Facebook, muito mais do que refletir a nossa imagem, cria outro ser, indiferente ao que somos geralmente na vida tangível. A internet é um paraíso digital no qual podemos selecionar um mundo só nosso: somos mais bonitos, mais pacientes e mais inteligentes. Para fugir do inferno dantesco que é a realidade, basta uma espaçonave para o mundo digital. Quem topa a viagem?

Hamlet talvez seja o personagem que mais ojerizaria o mundo contemporâneo das aparências”, afinal, como asseverou o historiador Leandro Karnal, Hamlet é o anti-facebook.  O personagem de Shakespeare odeia o mundo dos seres falastrões, indivíduos que se regozijam com o personagem que eles mesmo criam e chamam de eu”; a prova disso era o seu desprezo ao personagem mais falso da peça: Polônio. Nietzsche, também um assíduo leitor de Shakespeare, chama atenção para o descaso que nós temos conosco mesmos, a recusa que temos em conhecer o nosso interior, de tal maneira que não suportamos mais ficar sozinhos e erigimos, dessa forma, um cárcere sobre nós mesmos.

O falso amor de si mesmo transforma a solidão em prisão. Friedrich Nietzsche

O filósofo Esloveno Slavoj Zizek entende que cada vez mais a modernidade alimenta o mundo das aparências, de tal maneira que hoje não basta irmos a casa da vizinha que odiamos e dizer bom dia, é preciso pairar uma aparência de jubilo e felicidade. Não basta sorrirmos para uma foto em um dia em que preferimos ter uma corda pra nos enforcarmos, é indubitavelmente importante que seja um sorriso sincero. A vida nos prepara para sermos atores em um mundo sem roteiro, em que tudo que sabemos é que precisamos comprar e sorrir. A frase trágica de Macbeth, personagem mais trágico de Shakespeare, traduz essa inconstância:

“A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre cômico que se empavona e agita por uma hora no palco, sem que seja, após, ouvido; é uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muita barulheira, que nada significa.”

Faríamos qualquer coisa para conseguir a aceitação dos outros? Um pacto com o demônio, um eu te amo” dissimulado, uma foto mostrando uma vida totalmente diversa da nossa? As perguntas são flechas certeiras que acertam o nosso peito. E se a psicanálise estiver certa e formos mesmo seres da falta”, então, porventura estamos perdidos? Não podemos viver sem ter que penhorar as nossas vidas à igreja, às drogas, à hipocrisia. Precisamos mesmo de um mecanismo de fuga, para que não lembremos de nossa limitação e da morte que nos persegue a cada dia? Cada um com a sua caverna escura e sombria.

Viver é ter de carregar nas costas os cadáveres de nosso passado: as inúmeras pessoas que já fomos e que hoje se perderam em uma memória cada vez mais escassa, aqueles amigos que foram e nunca mais voltaram, os que morreram biologicamente e os que morreram pra dar lugar a outro ser completamente diferente. Ficar sozinho é acender uma vela a cada um destes seres moribundos, que balbuciam em nossas costas, pedindo misericórdia e rezando para que tudo volte a ser como era antes. Não há mais volta, e nós dois sabemos disso, caro leitor.  Mesmo que você remarque encontros com os amigos de infância, ao encontrá-los, você perceberá que não são mais os mesmos que brincavam com seus brinquedos no Jardim de Infância. Os desenhos não têm a mesma graça de quando éramos crianças. Talvez isso revele o porquê de querermos ficar sempre em multidões, temos medo do que podemos encontrar dentro de nós, medo desses cadáveres do passado. E, assim, nos tornamos uma presa fácil a um mundo de fingimento.

Falar muito de si mesmo também pode ser uma forma de ocultar-se, a frase é do Filósofo Bigodudo (Nietzsche), e ela revela a mais profunda ideia de manipulação, pois, quando falamos de nós mesmos, também estamos selecionando o que falar, portanto, escondendo as margens diabólicas de nossas vidas para evitar qualquer possível apedrejamento físico ou mental. Desconfie de pessoas que passam muito tempo falando de suas próprias vidas e de suas virtudes, elas provavelmente fazem isso por medo de que descubram a faca que as suas mãos seguram por detrás de suas costas. E voltando à peça de Shakespeare, Macbech, uma frase proferida por um de seus personagens é bastante elucidativa para concatenar os pontos:

“Não existe arte que ensine a ler no rosto as feições da alma.”

A menos que tenhamos habilidades similares às do Professor Xavier, não poderemos entender o que se passa na cabeça das pessoas. O que os olhares e sorrisos escondem por dentro – às vezes lágrimas, às vezes ódio – qualquer disfarce que nos furta o entendimento do que há por dentro das cascas sorridentes. Eu sugiro uma visita ao Oráculo de Delfos e uma leitura da frase pleonástica esculpida em sua entrada: “Conhece-te a ti mesmo”, frase socrática que nos convida a embarcar em um mundo perigoso, todavia, necessário – o mundo que há dentro de nós. E só depois tentar entender o significado dos sorrisos vazios.

Fonte: Pensador Anônimo

Cronos e Kairos: Os Matizes do Tempo – Artigo 4

Saturn Devouring a Son – Peter Paul Rubens (1636)

O Kronos devora! A intrigante relação entre tempo e trabalho na modernidade

Vivemos em momentos, pelo menos nos centros urbanos, em que a corrida contra o tempo, na busca da realização dos afazeres cotidianos, tornou-se práxis na vida do homem moderno. A impressão que temos é que, o tempo é pouco para realização de tantas tarefas que nos cabe no dia a dia, mas, nem sempre foi assim. A relação que o homem moderno estabelece com o seu tempo e suas tarefas, atividades, trabalho, tem um histórico precedente, característico de inúmeras questões relacionadas a Modernidade, e hoje, ainda que este não perceba, a intrigante relação entre tempo e trabalho, continua sendo um desafio, que nos leva a considerar que o Kronos (tempo), de fato devora!

No panteão de divindades greco-romanas o Kronos era uma divindade grega, o Saturno dos romanos. Era senhor do universo, mas, com medo de um de seus filhos destroná-lo, assim que nasciam, os devorava. Nesse caso, o único filho a escapar foi Zeus. A mitologia acrescenta que Zeus não foi devorado por Kronos, pois sua mãe teria colocado no lugar dele uma pedra. Quando ele cresce, obriga seu pai a vomitar os seus irmãos, e então, prende todos eles. Conforme Martins, Aquinoll, Sabóiall e Pinheiro (2012, p. 220, 221), o “Kronos representa esse tempo que todos conhecemos, contado em 24 horas para um dia. O passado sucedido pelo presente, que será ultrapassado pelo futuro.” Consideramos que, assim como o Kronos devorava seus filhos, o tempo tem devorado o homem na Modernidade.

Ao longo da história, o homem tem se adaptado de forma diferente ao tempo e ao seu trabalho, e na Modernidade, essa relação se torna ainda mais curiosa.

Denomina-se Modernidade, o período que configura a modificação na cosmovisão do homem em relação ao mundo desde o século XV até os dias atuais. Essa compreensão diferencia-se de classificações histórico-antropológicas, pois estas, dividem a existência do homem “em períodos (Pré-história, Idade Antiga, Média, Moderna, Contemporânea) a partir de mudanças naturais (geológicas ou biológicas), sociais ou fatos políticos relevantes” (HANSEN, 2000, p. 51 e 52). A sociedade moderna nasceu com a ruptura da ordem de um mundo sagrado, dando lugar a separação, e a interdependência da ação racional instrumental do sujeito pessoal (TOURAINE, 1998, p. 228). Com os tempos modernos, o homem se tornou o centro do universo, e todo conhecimento passou a relacionar-se estritamente com a razão. Posteriormente, a ideia de progresso ocuparia um lugar intermediário, central, entre a racionalização e o desenvolvimento, relacionando a crença no progresso, ao amor pelo futuro (TOURAINE, 1998, p. 72). Coelho (2005, p.65), a partir da concepção de Augusto Comte, observa que a ideia de progresso, era uma concepção fundamental para o desenvolvimento, e o progresso era entendido, sobretudo, para além dos limites de melhoria de condições materiais, servindo como um promotor de excitação da intelectualidade no predomínio da razão. O agir do homem não seria mais definido por uma vontade divina, mas pelo próprio sujeito que passava a dar significado à sua existência, tornando-se responsável por seus próprios progressos e fracassos (CRUZ, 2011, p. 34).

A modernidade trouxe em sua configuração inúmeras mudanças para a vida do homem, e entre elas, a mudança relacionada ao tempo e trabalho, profundamente marcada a partir da revolução industrial. Antes disso, o tempo de produção de um trabalho, era determinado pelo próprio trabalhador, e sua recompensa estava vinculada a produção de um determinado serviço. O que estava em foco era a tarefa e não o tempo que ela consumia (MARTINS; AQUINOLL; SABÓIALL; PINHEIRO, 2012, p. 222).

Linhares e Siqueira (2014, p. 106 e 107), ao considerar a posição de Bauman (2001), Cugini (2008), e Basílio (2010), explicam que:

O conjunto de transformações que marcaram a história da humanidade, principalmente pós revolução industrial contribuiu para a fecundação de um novo mundo, um mundo líquido, caracterizado por contínuas transformações do mundo do trabalho, que à luz da metáfora baumaniana, revelou-se líquido, já que caracterizado pela incerteza, fluidez e demanda por agilidade, elementos que contribuíram para a precarização das condições laborais impostas aos trabalhadores.

Esse novo modelo de sociedade (industrial), gerou uma mobilização, que caracterizou a classe operária como um exército do trabalho, tornando-os, servidores do lucro (TOURAINE, 1998, p, 270). Com o mundo moderno veio também as profundas rupturas e transformações na ordem das coisas, e a promessa de um novo mundo, que seria admirável. A demanda por força de trabalho, e o tempo gastos com este, foram priorizados, de forma que a produção em larga escala passou a ser necessária. O tempo tornou-se impessoal, veloz e devorador. Os rastros de um tempo múltiplo, litúrgico e eterno expresso por catedrais e abadias medievais, foram apagados, e em seu lugar surgiram as chaminés das fabricas, o relógio, e o trabalho industrial e produtivo (CARVALHO, 1996, p. 128).

Touraine (1998, p.87), ao retratar a postura de Marx frente a industrialização, expõe que:

[Marx] observa um mundo industrial onde os homens são reduzidos a um estado de mercado, onde o salário tende a baixar ao nível da simples reprodução biológica da força de trabalho, onde o “ser genérico” do homem é destruído pela dominação do dinheiro, dos objetos e das ideologias individualistas. […] Ora, esta prática consiste antes de tudo nas relações sociais de produção.

A monetização da economia e o crescimento do mercado consumidor, que tornou-se o alicerce no surgimento do capitalismo, acabou adotando duras mudanças na produção e relações de trabalho (MARTINS; AQUINOLL; SABÓIALL; PINHEIRO, 2012, p. 224), submetendo trabalhadores em uma organização que violaram sua autonomia profissional. Fez do trabalhador, apenas instrumentos do lucro, ignorando totalmente suas questões fisiológicas, psicológicas e sociais (TOURAINE, 1998, p. 99). Como consequência, essa força de trabalho instaurada em um mercado competitivo e impessoal, ocasionou inúmeras mudanças na vida das pessoas (BERTAMONI, 2009, p. 22).

Linhares e Siqueira (2014, p. 107) referindo-se a concepção de Antunes (2011) sobre a liquidez da modernidade, retratam ainda outras adaptações e transformações que foram ocorrendo, concernentes ao trabalho. Essas mudanças englobam:

[…] redução do proletariado fabril, industrial e manual; desemprego estrutural; surgimento da sociedade de serviços (setor terciário) e da era da informatização do trabalho; enorme ampliação do assalariamento no setor de serviços; flexibilização da jornada e do local de trabalho; fim da estabilidade no emprego; maior demanda por profissionais mais qualificados (administradores, especialistas, técnicos, funcionários administrativos e de vendas); significativa heterogeneização do trabalho; crescente incorporação do contingente feminino no mundo operário; expansão do trabalho parcial, temporário, precário, subcontratado e terceirizado, além da complexificação da classe trabalhadora.

Essa Modernidade, que muda radicalmente as questões relacionadas ao trabalho, vai interferir diretamente na vida do homem, e nesse cenário, continuará alterando os seus costumes de vida, tradições e hábitos. A produção e consumo, bem como a circulação de mercadorias vão ocorrer sem pudor, e marcados pelo utilitarismo, o homem será desafiado a acompanhar as transformações atribuídas à ele (LINHARES e SIQUEIRA, 2014, p. 107).

Hansen (2000, p.54) expõe que, o homem moderno, tem sido atropelado por informações que chegam a todo momento e ao mesmo tempo, interferindo na maneira que este lida com o tempo. Vive apressado, com a impressão de que o tempo lhe foge diante das inúmeras exigências por metas e prazos a cumprir. Além disso, os seus espaços físicos foram reduzidos, e as pessoas, que apesar de estarem aparentemente próximas, passaram a interagir socialmente de forma superficial.

Touraine (1998, p. 216), aborda:

[nos] nossos dias, a imagem mais vivível da modernidade é a do vazio, de uma economia fluida, de um poder sem centro, sociedade muito mais de troca que de produção. Resumindo, a imagem da sociedade moderna é a de sociedade sem atores.

O homem, que antes era sujeito e ator do seu tempo, utilizando-o de forma participativa e compartilhada, passa a ser submisso a ele, realizando os seus afazeres de forma individual e impessoal, na tentativa de dar conta das muitas tarefas que lhes são atribuídas.

A solução para essa questão parece torna-se possível, mas, apenas por meio da reapropriação da consciência perdida, da fala, do desejo, e do resgate a autonomia, promovendo a capacidade de pensar e agir de forma crítica sobre a organização do seu próprio trabalho (LINHARES e SIQUEIRA, 2014, p. 110).

Por fim, entendemos que o tempo e o trabalho, radicalmente alterados com a modernidade, devem promover reflexões, na tentativa de não permitir que estes nos escravize ou devore, mas, contribua ao nosso favor.

Autora: Bernadete Alves de Medeiros Marcelino

Fonte: Revista Pandora Brasil

Referências bibliográficas

BERTAMONI, Hélia Fraga Gomes. Entre Cronos e Kaerós: a auto-percepção da idade na velhice. Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2009. Disponível em: . Acesso em: 13 Nov. 2015. COELHO, Ruy. Individuo e Sociedade na Teoria de A. Comte. São Paulo: Perspectiva: Cesa – Sociedade Científica de Estudos da Arte, 2005. CRUZ, Daniel Nery da. CARDOSO, João Santos. A discussão Filosófica da Modernidade e da Pós – Modernidade. Revista Eletrônica Print by, nº.13, p. 33-46, São João Del-Rei, 2011. Disponível em: . Acesso em: 16, Non. 2015. HANSEN, Gilvan Luiz. Espaço e Tempo na Universidade. Geographia. Ano. II nº. 3, p. 51-67, Londrina, 2000. Disponível em: . Acesso em: 16 Nov. 2015. LINHARES, Roziano Linhares; SIQUEIRA, Marcus Vinícius Soares. Um diálogo entre a psicodinâmica do trabalho e a sociologia clínica no universo da modernidade líquida. Revista Interinstitucional de Psicologia, v. 7 nº1, p. 106-118, jan – jun, 2014. Disponível em: . Acesso em: 16 Nov. 2015. MARTINS, José Clerton de Oliveira; AQUINOLL, Cássio Adriano Braz de; SABÓIALL, Iratan Bezerra de; PINHEIRO, Adriana de Alencar Gomes. De Kairós a Kronos: metamorfoses do trabalho na linha do tempo. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, vol. 15, nº. 2, p. 219-228, 2012. Disponível em: . Acesso em: 15 Nov. 2015. SABÓIA, Iratan Bezerra de. Cronos e Kairós: reflexões sobre temporalidade laboral e solvência social. Dissertação de Mestrado. Universidade do Ceará, 2007. Disponível em: . Acesso em: 16 Nov. 2015. TOURAINE, Alain. Crítica da Modernidade. Petropólis: Editora Vozes, 1998. SITE: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mitologia_grega