Maçonaria e Antimaçonaria: Uma análise da “História secreta do Brasil” de Gustavo Barroso – Parte VII

NOTAS SOBRE "OS PROTOCOLOS DOS SÁBIOS DE SIÃO" - Loryel Rocha ...

3.2 – A entrada em cena da Maçonaria

A Maçonaria surge na narrativa no capítulo dez, aproximadamente metade do livro, a partir da ligação entre judeus e maçons, introduzida pelo autor por meio da obra de Dario Vellozo, O Templo Maçônico. Segundo Barroso, foram os ocultistas Rosa-Cruzes que inseriram a cabala judaica na poderosa corporação dos Pedreiros Livres, que durante a Idade Média gozavam do monopólio da construção de edifícios públicos e das catedrais góticas. Iniciava-se ali uma nova fase na história da Maçonaria, que deixava de ser exclusivamente “operativa” para se tornar uma associação “moderna e filosófica”[281]. Deste modo, a cabala viveu sempre no mais profundo seio dos mistérios da Maçonaria, destinada a propagação de seus ensinamentos. Barroso afirmou, parafraseando Michelet, que a doutrina maçônica nada mais era do que o judaísmo cabalista, que daí por diante espalhou-se por toda a Europa.

Na Inglaterra, destinada a ser, no século XVIII, a mãe da maçonaria, a infiltração nos pedreiros-livres ocorreu em 1703. A maçonaria surgiu em França no reinado de Luiz XV, em 1737, com grande aceitação dos fidalgos fúteis e cortesãos. Relata um cronista coévo que mantinha “inviolável segredo” quanto ás suas “assembleias ocultas e perigosas para o Estado”. Vinha importada da Inglaterra e o cardeal de Fleury, primeiro ministro, mandou fecha-la manu militari. Imputavam-lhe, como se vê, o mesmo propósito dos Templários: destruir a Religião e o Trono, destruindo o Estado). Iniciava a preparação do terremoto social de 1793. Porque nenhuma revolução, confessa o maior dos técnicos revolucionários modernos, pode triunfar sem antes haver destruído os fundamentos do Estado.[282]

Tempos depois o marquês de Pombal inaugurou em Portugal a “era dos maçons”, que não passavam de cristãos novos. Conforme informou Barroso, as duas palavras eram sinônimos e, no campo, Pedreiro Livre significava judeu. Por seu turno, no Brasil, as lojas
maçônicas remontariam ao século XVIII.

Precederam de um quarto de século a translação da corte. Umas foram instaladas sob os auspícios do Grande Oriente português, algumas sob os do de França; outras, independentes deles. Todas do rito adonhiramita. Fundaram-se no Rio de Janeiro, na Bahia e em Pernambuco. Embora não tendo à mão o documento maçônico de que extraímos estes dados, o consciencioso historiador Joaquim Felício dos Santos declara não saber, ao certo, como se introduziu a maçonaria no nosso país; mas afirma, com razão, que, no meado do século XVIII, “já funcionava na Bahia o Grande Oriente”, começando seu “trabalho lento, oculto, persistente, para a nossa independência. Essa independência dos países sul-americanos, na opinião dum dos homens que melhor estudarem a questão nas suas causas e efeitos, não era propriamente um fim para a maçonaria, porem um meio de enfraquecer Espanha e Portugal, isto é, os dois maiores inimigos do judaísmo: latinidade e catolicidade.[283]

Para o autor o verdadeiro papel da Ordem maçônica era estudar, investigar e dar curso ás ordens recebidas pelo poder “Oculto de Israel”. Ao atrair adeptos e realizar a propaganda de seus ideais, a Maçonaria preparava o terreno para que os judeus pudessem agir sobre a grande massa do povo.

Para isso, o envenenam com ideias de aparência liberal e filantrópica, verdadeiras utopias na maior parte dos casos, todas, sem exceção, destruidores dos lineamentos da ordem social e geradoras de ódios. Com tais ideologias, o Governo Oculto de Israel pretende dominar o mundo. Os que servem à maçonaria ignoram que, atingido esse desideratum, eles, meros instrumentos e intermediários do judaísmo, desaparecerão na voragem. Assim, aconteceu na Rússia bolchevista, onde a maçonaria foi terminantemente proibida após o triunfo judaico, somente sendo permitida a abertura das lojas recentemente, em virtude da pressão de novas necessidades políticas.[284]

A Maçonaria seria o “agente preparatório” que, passando despercebido do comum dos mortais, dava prosseguimento à dominação judaica. Através do segredo maçônico, o “Poder Oculto Internacional” provocava em todos os organismos governamentais as divisões intestinais das quais resultaria a fraqueza do Estado e, consequentemente, a sua destruição.

A conspiração judaica contra o mundo inteiro é antiquíssima e permanente. Desde o cativeiro de Babilônia até o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, durante cinco centenários, os judeus viveram numa “conspiração contínua”. Contra os persas, contra os egípcios, contra os sírios, contra os romanos.[285]

Nas palavras de Barroso se temia mais os inimigos internos do que os externos, a começar pelos jovens brasileiros que iam estudar na Europa, sobretudo nas universidades de Montpellier e Paris, e ao regressarem vinham cheios de entusiasmo pela grandeza da terra brasileira comparada com a exiguidade européia e cheios de maior entusiasmo ainda pelo exemplo norte-americano e pela figura do maçom Benjamim Franklin.

Em França, começava a lavrar pelas forças ocultas, prenunciadora da Grande Revolução, a qual ia incendiando os nossos patrícios em contato com a juventude revolta das escolas francesas. Levados por essas idéias e entusiasmos, houve estudantes brasileiros em França que procuravam entabolar negociações para a nossa independência com potencias estrangeiras, como José Joaquim da Maia, Domingos Vidal Barbosa, José Mariano Leal e José Pereira Ribeiro. Maia, de nome certamente herdado dos forasteiros de 1709, escreveu, em 1786, a respeito de seus propósitos libertadores, a Thomas Jefferson, embaixador dos Estados Unidos, o qual lhe concedeu uma entrevista romântica nas arenas de Arles.[286]

Outro aspecto importante a ser ressaltado é a “gravidade” que as “conspirações maçônicas” ganharam na explicação da história do Brasil. Para isso Barroso vira de ponta cabeça os mitos maçônicos e os re-significa. Como já vimos, um exemplo foi a Inconfidência de Minas, de 1789, que na lógica da História secreta do Brasil, foi dirigida pela Maçonaria.

Com o fim visível e retumbante da libertação dos brasileiros das garras da metrópole, mas com o fim mudo e latente do esfacelamento do império colonial português, o mesmo fim da conquista flamenga, e do esfacelamento do novo império que, decerto, com o tempo, se constituiria na América latina.[287]

Segundo Barroso, avolumavam-se os boatos do levante por ocasião da derrama. Foi quando entrou na história, o coronel Joaquim Silvério dos Reis, um dos delatores da Conjuração. “O cognome dos Reis era comum entre os marranos portugueses”. Além disso, o autor acrescentou que todo o seu “procedimento foi judaico” em contraposição com o do “infeliz Tiradentes, que morreu cristãmente no cadafalso, levando a sua humilhação ao ponto de oscular o verdugo. O descendente de Judas recebeu os trinta dinheiros de traição”[288].

Na noite de 17 para 18 de maio, um vulto misterioso, teria percorrido as ruas escuras de Vila Rica, e “batendo á porta dos conjurados, os preveniu que tudo estava descoberto, decerto para que pusessem a bom recato e queimassem documentos comprometedores”. Na opinião de Barroso era o “poder oculto” que procurava salvar o segredo do movimento, “nunca se conseguiu saber que vulto foi esse, quem o mandou e de onde veio”. No dia 22, os conspiradores foram presos em Minas e só voltariam à cena no século XIX[289].

Os argumentos de Barroso apoiavam-se, sobretudo, numa literatura estrangeira que incitava as ditas “teorias conspirativas”. Os autores Léon de Poncins e Emmanuel Malynski a todo o momento são referenciados no livro. Mas foi talvez a proximidade que Barroso mantivera até 1938 com clássicos anti-semitas sua maior fonte de inspiração. O autor acreditava que por traz da história contada publicamente existia uma muito mais importante e, por isso mesmo, escondida do resto da sociedade.

Na perspectiva de Maria Luiza Tucci Carneiro, os conceitos e valores anti-semitas sustentados por Barroso foram alimentados através de seus freqüentes contatos com a Alemanha, o que lhe rendeu um conhecimento aprofundado da literatura nazi-fascista. Além disso, a autora salienta que, apesar da temática polêmica, suas obras foram reeditadas sucessivamente, o que nos permite afirmar que existia um público no Brasil e no exterior, consumidor e apreciador das suas idéias. Alguns de seus trabalhos foram publicados em outros países, como, Roosevelt é Judeu traduzido para o castelhano por Mario Buzatto na Argentina, em 1938, nos Cuadernos Antijudios. Para Carneiro, Barroso não estava completamente isolado em sua postura, pois intelectuais do Sigma, em vários momentos, pronunciaram conferências sobre o racismo alemão, não escondendo sua admiração pelo Reich e pelo Führer, pela nova Itália e por Mussolini[290].

A principal fonte de inspiração de Barroso foi o livro anti-semita intitulado Os Protocolos dos Sábios de Sião. Em sintonia com a análise de Tucci Carneiro, a historiadora Maria das Graças Ataíde de Almeida defende a necessidade da análise dos Protocolos para a compreensão do discurso fundador do anti-semitismo no Brasil. A autora chama a atenção para a instrumentalidade e adaptação do uso do mito dos Protocolos. Se para os historiadores a obra é fonte testemunhal do discurso anti-semita, para a comunidade judaica é um elemento de tensão. Segundo a autora, é aqui que está o perigo do mito, exatamente por conta de sua imortalidade, atualidade e capacidade de multiplicação adaptando-se às novas tecnologias[291].

Como sabemos, os Protocolos são reconhecidamente um dos maiores best-sellers do mundo. Vários pesquisadores já despenderam enormes esforços, a fim de esmiuçar o conteúdo deste polêmico clássico. Alguns estudiosos acreditam que na classificação mundial dos best-sellers, a obra apareça em segundo lugar, logo depois da Bíblia. Trata-se provavelmente de um exagero, mas o que é certo, é que novas edições dos Protocolos apareceram nos quatro cantos do mundo[292]. Conforme sugeriu o historiador italiano Carlo Ginzburg, o clássico foi inspirado num texto de 1864, intitulado Dialogue aux Enfers entre Maquiavel e Montesquieu, de autoria do jornalista francês Maurice Joly. Deste modo, os Protocolos seriam a fortuna póstuma do referido texto. A obra, publicada pela primeira vez na Rússia em 1903, teria como autor um membro da polícia secreta do Czar Nicolau II. O texto, apresentado em forma de ata, foi supostamente redigido num Congresso realizado em Basileia no ano de 1807, onde sábios maçons, judeus, bolcheviques, rosacruzes, enfim, todas as elites das sociedades secretas, estavam reunidas em torno de um único ideal, a destruição do cristianismo. Com a Revolução Bolchevique de 1917, ocorreu definitivamente a materialização deste mal. Para as forças reacionárias, esse episódio fora revelado pelos Protocolos, alguns anos antes[293].

Por volta de 1919, apareceu na Alemanha a primeira tradução do livro, vários comentários e notas foram anexados ao documento, dando ênfase especial à “Conspiração Sionista” que ameaçava as monarquias e as igrejas cristãs. Foi a partir desta versão, nitidamente direcionada, que os Protocolos chegaram à Inglaterra, Espanha, França, Portugal… espalhando-se incrivelmente pelo globo. Na análise de Ginzburg, esta foi a obra que melhor ilustrou a versão moderna do anti-semitismo, pois todas as indicações de cunho religioso e econômico, características da cultura judaica, são organizadas no texto, como mecanismos de atuação política[294].

Em 1936, o livro foi traduzido e comentado por Barroso. A obra lhe foi apresentada logo que ingressou na AIB em 1933. Até então o autor dizia-se um leigo no assunto e não tinha escrito nada com relação ao anti-semitismo.

Quando entrei para o Integralismo, era já um escritor mais ou menos conhecido, com algumas dezenas de obras publicadas. O meu publico poderia estar que eu nunca escrevera uma palavra contra os judeus. Sabia alguma coisa a respeito da questão, mas não o bastante para me imprimir uma atitude espiritual. Foi o Integralismo que me tornou anti-judaico. A primeira pessoa que comigo conversou profundamente sob o judaísmo foi o chefe nacional Plínio Salgado. A segunda, o companheiro Madeira de Freitas, que me emprestou para ler a edição francesa dos Protocolos dos Sábios de Sião, obra que eu não conhecia. Os estudos para a feitura do livro Brasil: Colônia de banqueiros desvendaram-se os últimos mistérios da organização secreta do judaísmo. Passei então, a dar-lhe combate, baseado na doutrina e palavra de Plínio.[295]

Os comentários acrescentados por Barroso ao longo dos 24 capítulos em que se constituem o livro, na perspectiva de Jefferson William Gohl, atribuem uma importância
maior a Maçonaria na ordem do complô. Ou seja, a apropriação dos originais dos Protocolos por Barroso e suas notas explicativas emprestou um segundo plano de leitura que conferiu à Maçonaria um poder até mais significativo que teria nos originais[296]. O livro obteve uma boa receptividade, prova disso é que ainda em 1936, mais uma edição foi lançada, e em 1937 a obra já estava em sua terceira edição. Igualmente ao que ocorreu na Rússia, quando o livro só ficou famoso após a Revolução de 1917, no Brasil os Protocolos também só atingiram respaldo depois da chamada “Intentona Comunista” de 1935.

O ideólogo integralista sabia perfeitamente como explorar esse mecanismo de efeito moral. Com argumentos retirados dos Protocolos incitava a juventude militante integralista.

Vede esses animais embriagados com aguardente, imbecilizados pelo álcool, a quem o direito de beber sem limites foi dado ao mesmo tempo que a liberdade. Não podemos permitir que os nossos se degradem a esse ponto… Os povos cristãos estão sendo embrutecidos pelas bebidas alcoólicas ; sua juventude está embrutecida pelos estudos clássicos e pela devassidão precoce a que a impelem nossos agentes, professores, criados, governantes de casas ricas, caixeiros, mulheres públicas nos lugares onde os cristãos se divertem (…) A violência deve ser um princípio ; a astúcia e a hipocrisia, uma regra para os governos que não queiram entregar sua coroa aos agentes de uma nova força. Esse mal é o único meio de chegar ao fim, o bem. Por isso não nos devemos deter diante da corrupção, da velhacada e da traição, todas as vezes que possam servir as nossas finalidades. Em política, é preciso saber tomar a propriedade de outrem sem hesitar, se por esse meio temos de alcançar o poder.[297]

Nos comentários acrescidos por Barroso, a Maçonaria além de controlar as agências de informações internacionais, manipulando e disseminando as notícias de acordo com as “necessidades do judaísmo”, estaria comandando também os vários levantes extremistas. As acusações eram no sentido de demonstrar que atualmente o Kahal, ou poder secreto judeu, trabalhava na articulação da Revolução comunista que se queria impor ao Brasil. Esta “ameaça” crescia à medida que se aproximavam as eleições de 1938, por isso desqualificar os oponentes rotulando-os como maçons e/ou comunistas foi uma tática muito bem empregada pelo Chefe das Milícias integralistas.

O líder comunista João Mangabeira tem toda a razão quando afirma no seu Manifesto que o Sr. Jose Américo de Almeida é espiritualmente da esquerda. O antigo ministro da Viação nega ser maçom e diz-se católico: mas quem conhece a sua obra de escritor realista e freudiano não pode acreditar nessa afirmação dos dentes para fora. O que ele mostra ser no que escreve é um espírito anti-religioso, anti-clerical, maçônico e imoralista, virtualmente demolidor, que nada respeita e que tem o prazer masochista das causas imorais… Vamos documentar o que estamos dizendo, serenamente, com os próprios escritos do candidato à presidência da Republica.[298]

Ainda era muito recente na memória de Barroso a influência da Maçonaria na política brasileira. Afinal, o intelectual sabia que o movimento de proclamação da República, em 1889, apesar de não contar com a completa adesão do GOB, teve a participação de vários maçons, sejam eles civis ou militares. Ilustrativo dessa forte presença da Maçonaria, no cenário político, foi o fato de que assim que o Governo Provisório assumiu o poder, o então presidente o marechal Deodoro da Fonseca organizou um ministério composto somente por maçons, foram eles: Quintino Bocaiúva (ministro dos Transportes), Aristides Lobo (ministro do Interior), Benjamin Constant (ministro da Guerra), Rui Barbosa (ministro da Fazenda), Campos Sales (ministro da Justiça), Eduardo Wandenkolk (ministro da Marinha) e Demetrio Ribeiro (ministro da Agricultura). Na opinião de Morel, é importante perceber que os membros desse primeiro ministério não foram escolhidos por pertencerem à Maçonaria, mas por serem eles, com exceção de Rui Barbosa, republicanos históricos, que compartilhavam da sociabilidade maçônica[299].

De modo que, segundo Morel, passado o 15 de novembro, a Maçonaria brasileira, até então dividida quanto à forma de governo a ser adotada, parecia não ter mais pudor em si auto proclamar como o “baluarte do republicanismo”. Tornou-se comum dentro das Lojas maçônicas vangloriar os feitos dos irmãos maçons, no sentido de instaurar o novo regime, entendida como uma “grande evolução social” que colocaria definitivamente o Brasil no rumo do progresso. Esse otimismo explica-se, em grande parte, pelo fato de que o modelo republicano concretizou um dos mais importantes projetos defendidos pela Maçonaria, ao longo do século XIX, qual seja a implantação do Estado laico e secular[300].

Barroso vivenciou esta “incomoda” presença de maçons nos quadros do governo brasileiro, que ao longo da Primeira República elegeu 8 dos 12 presidentes, sendo eles, Deodoro da Fonseca, Prudente de Morais, Campos Salles, Rodrigo Alves, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wenceslau Brás e Washington Luiz. Desses presidentes maçons, Deodoro da Fonseca e Nilo Peçanha chegaram ao cargo de Grão-mestre geral da Maçonaria. Além disso, o autor sabia que muitos maçons aproveitaram do prestigio políticos de seus irmãos na busca de favores especiais. A ajuda mútua entre os maçons foi um dos principais motivos que levou Barroso a condenar a Maçonaria.

Conforme demonstrou Colussi, no período republicano, quando da separação definitiva Estado/Igreja, a Maçonaria manteve o mesmo discurso anticlerical, desenvolvendo campanhas e iniciativas que concorriam com as promovidas pelos seus principais inimigos, especialmente os jesuítas. A filantropia e a educação se acentuaram como práticas prioritárias da Maçonaria no embate contra o fortalecimento eminente do catolicismo. Deste modo, as ações filantrópicas sistemáticas, a construção de casas de saúde e de asilos e orfanatos, as campanhas de caridade em períodos de epidemias e de secas ou enchentes, bem como alguma inserção no campo do ensino popular foram as estratégias mais importantes. Como seus porta-vozes eram, em sua maioria, ateus ou agnósticos, o que poderia chocar diversos grupos, a instituição valia-se da caridade como mediadora de sua ação; também não dirigia seus ataques à religião, nem mesmo à católica, mas à Igreja institucionalizada e hierarquizada, especificamente ao papado[301].

Não obstante, a primeira Constituição republicana, em 24 de janeiro de 1891, não foi declarada em nome de Deus, pois pela carta constitucional a liberdade de culto tornara-se uma realidade e a fé, questão de foro privado. Deste modo, somente os casamentos civis ficaram oficialmente reconhecidos, os cemitérios foram secularizados, assim como os registros de nascimento, casamento e óbito. A educação pública também foi laicizada e a religião eliminada do currículo escolar[302]. Depois de quatrocentos anos, a Igreja Católica viu sua influencia diminuir consideravelmente, esta situação foi muito bem explorada por Barroso que demonstrava através de seus textos que aquela situação foi cuidadosamente elaborada pela Maçonaria desde o final do século XVIII. Barroso se valia, basicamente das acusações inauguradas pelos Protocolos, para decifrar os segredos escondidos nos bastidores da história brasileira, deste modo, instigava seus leitores a “conhecer melhor os judeus”, aquela “raça maldita”, que segundo a Bíblia, teria condenado Jesus Cristo a morte.

Na perspectiva de Barroso o nexo de união entre judeus e maçons, naquilo que ele chamou de complô “judaico-cabalista-maçônico”, era o ódio comum pela religião católica. Na argumentação do teórico integralista, o plano judaico de dominação do mundo, só não tinha sido ainda estabelecido devido a “vigilância e energia” dos governos cristãos, que impediam que se realizasse este programa. Com estas revelações, Barroso acreditava ter encontrado o fio da meada podendo desvendar um dos primeiros grandes segredos da história, o fato de que no passado os judeus agiram escondidos nas antigas corporações dos Pedreiros Livres, mas, que atualmente, eles se concentravam, sobretudo nas agremiações judaicas-comunistas, criadas no Brasil desde a década de 1920. Para o autor, era “farinha do mesmo saco judaísmo e comunismo” que juntos lutavam contra a civilização cristã e a atual ordem social.

Depois de abandonarem os Inconfidentes á forca e ao degredo, prosseguiam infatigáveis no desenvolvimento de seus planos, mascarando-se com rótulos literários, como os comunistas e maçons de hoje ainda se escondem em bibliotecas populares, sociedades de cultura e centros estudantis ou comitês anti-guerreiros e anti-fascistas… Essa gente, se tivesse um pouco mais de imaginação, mudaria de tática…[303]

Continua…

Autor: Luiz Mário Ferreira Costa

Fonte: Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2009.

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Notas

[281] – Idem, p. 233.

[282] – Idem, p. 155.

[283] – Idem, p. 156.

[284] – Idem, p. 152.

[285] – Idem, p. 153.

[286] – Idem, p. 158.

[287] – Idem, p. 157.

[288] – Idem, p. 169.

[289] – Idem, p. 170.

[290] – CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. Sob a máscara do nacionalismo. Autoritarismo e anti-semitismo na Era Vargas. (1930-1945). On-line. Disponível em: http://www.tau.ac.il/eial/I_1/carneiro.htm. Acesso 10 de março de 2009.

[291] – ALMEIDA, Maria das Graças Ataíde de. Leituras Anti-semitas: Periodismo disfarçado de Catequese (1924 – 1940). In. CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. (org). O anti-semitismo nas Américas: Memória e História. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo-Fapesp, 2007.

[292] – GINZBURG, Carlo. O fio e os rastros: verdadeiro, falso, fictício. Trad. de Rosa Freire d´Aguiar e Eduardo Brandão. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. p. 201.

[293] – Idem, p. 201.

[294] – Idem, p. 202.

[295] – BARROSO, Gustavo. Reflexões de um Bode. Rio de Janeiro: Gráfica Educadora, 1937. p. 161- 162.

[296] – GOHL, Jefferson William. O real e o Imaginário: A Experiência da Maçonaria na Loja União III em Porto União da Vitória – 1936 a 1950. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Paraná, 2003. p. 60.

[297] – BARROSO, Gustavo. Os Protocolos dos Sábios de Sião. São Paulo: Editora Minerva. 1936.

[298] – BARROSO, Gustavo. Reflexões de um Bode. Rio de Janeiro: Gráfica Educadora, 1937. p. 2.

[299] – MOREL, Marco & SOUZA, Françoise Jean de Oliveira. O poder da Maçonaria: a história de uma sociedade secreta no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008. p. 180

[300] – Idem, p. 179.

[301] – Segundo Colussi, a filantropia maçônica possuía dois vetores: um, estava voltado para o mundo profano e outro, para os filiados da instituição. No primeiro caso, a filantropia externa servia de ligação entre os maçons e a sociedade, especialmente os menos favorecidos. Ver: COLUSSI, Eliane Lúcia. A Maçonaria Gaúcha no Século XIX. 2.ed. Passo Fundo: Editora UPF. 2000. p. 429

[302] – MOREL, Marco & SOUZA, Françoise Jean de Oliveira. (op. cit), p. 192.

[303] – BARROSO, Gustavo. História secreta do Brasil: do descobrimento á abdicação de D. Pedro I. (op. cit), p. 175

Maçonaria e Antimaçonaria: Uma análise da “História secreta do Brasil” de Gustavo Barroso – Parte VI

Historia Secreta do Brasil - Gustavo Barroso

3 – Os protocolos secretos da história do Brasil

Até hoje se têm escrito histórias políticas do Brasil. Empreendo, neste ensaio, a história da ação deletéria e dissolvente dessas forças ocultas. Até hoje se escreveu a história do que se via a olho nu, sem esforço. Esta será a história daquilo que somente se descobre com certos instrumentos de ótica e não pequeno esforço. É a primeira tentativa no gênero e, oxalá possa servir de ensinamento à gente moça, a quem pertence o futuro.[251]

Introdução

Para termos uma melhor compreensão sobre o desdobramento do processo de construção das narrativas antimaçônicas na primeira metade do século XX, é preciso atentar para dois fenômenos especiais que marcaram profundamente o contexto sócio-político daquela época. O primeiro fenômeno foi o crescimento do discurso anti-semita no Brasil na década de 1930. O segundo foi a concretização da “ameaça comunista”, confirmando a “profecia” de Karl Marx e colocando, definitivamente, alguns setores da sociedade em guarda contra o chamado “inimigo vermelho”.[252]

No decorrer deste capítulo, demonstraremos como o anti-semitismo e o anticomunismo contribuíram com recursos imagéticos no fomento de uma “nova” narrativa antimaçônica, inaugurando, deste modo, no cenário político brasileiro, aquilo que Gustavo Barroso chamou de “maçonismo anti-brasileiro”.[253]

Para darmos conta de nosso objetivo, trataremos de especificar os contextos de produção e circulação do livro História Secreta do Brasil e sua correlação com o best-seller anti-semita, Os Protocolos dos Sábios de Sião. Será analisado também o alcance da ideologia anti-semita. Sua forma tradicional e seus aspectos modernos serão destacados na medida em que percebemos que o ódio aos judeus se transformou num dos principais recursos das ações propagandísticas de Gustavo Barroso. Além disso, aprofundaremos o estudo acerca das diferentes apropriações do discurso anticomunista no Brasil, tendo como foco as manifestações de repúdio da Igreja Católica expressas fundamentalmente no discurso político-partidário de Barroso.

Assim sendo, o “novo formato” da narrativa antimaçônica brasileira, sobretudo, após a publicação do primeiro volume da História Secreta do Brasil receberá, nesta parte final da dissertação, um tratamento especial. Pois entendemos que as “revelações” guardadas na obra coincidiram, não por acaso, a um período especial da história nacional, marcado pela radicalização ideológica em detrimento das liberdades individuais. O fato é que o anticomunismo e o anti-semitismo tornaram-se forças decisivas nas lutas políticas do mundo contemporâneo. E no Brasil isso não foi diferente, haja vista, os episódios da chamada “Intentona Comunista” e do “Plano Cohen”.

3.1 – Segredos e Revelações da “História secreta do Brasil”

A História secreta do Brasil, de autoria de Gustavo Barroso, foi com certeza a obra que melhor sintetizou a narrativa, textual e imagética, contrária à Maçonaria. A obra pretendia ser um grandioso projeto de pesquisa englobando toda a história do Brasil, do descobrimento em 1500 até a década de 1930. Para esta empreitada, Barroso decidiu dividir o livro em quatro partes: A primeira, publicada pela Companhia Editora Nacional em 1936, abarcava Do descobrimento á abdicação de D. Pedro I. A segunda e a terceira partes, ambas editadas pela Civilização Brasileira S/A, representavam, respectivamente, os períodos Da abdicação de D. Pedro I à maioridade de D. Pedro II (1937) e Da maioridade de D. Pedro II à proclamação da República (1938). A quarta e última parte deveria englobar o período Da proclamação da República à Revolução de 1930. Entretanto, por questões não muito claras, este volume não chegou a ser publicado.

Apesar de não termos os números exatos da tiragem do livro, podemos supor que pelo menos o primeiro volume da História secreta do Brasil obteve uma boa receptividade dos leitores, sendo reeditado duas vezes em 1937 e outra em 1939, todas edições pela série Brasiliana da Biblioteca Pedagógica Brasileira da Editora Companhia Nacional. A Brasiliana era uma coleção que reunia ensaios sobre a formação histórica e social do Brasil, estudos de figuras nacionais e de problemas brasileiros (históricos, econômicos, geográficos, etnológicos, políticos…), além de reedições de obras raras e de obras estrangeiras. Deste modo, o objetivo da editora era a sistematização e coordenação de estudos e de pesquisas sobre temas nacionais, o que definia desde já o caráter cientifico esperado na publicação da História secreta do Brasil. Em nota, o editor deixa claro que Gustavo Barroso propunha uma sondagem profunda em busca de um saber científico, de uma verdade histórica ou de uma “história subterrânea dos acontecimentos”, como afirmava o próprio autor.

Terá o ilustre escritor encontrado o fio da meada? Terá o mergulhador conseguido trazer de suas sondagens, a perola da verdade histórica ou uma parcela da verdade? Nos dramas, representados por personagens conhecidos, nos largos cenários das agitações publicas, ou nos palcos dos teatros políticos, terá o seu olhar penetrado os bastidores? A todas essas perguntas que se reduzem, afinal, a uma só, responderão os seus leitores, que serão muitos e os seus críticos que serão bastante competentes para julgar da imparcialidade, segurança e penetração do historiador brasileiro.[254]

Mesmo colocando em questão alguns objetivos do escritor, a editora não deixa de reconhecer o grande esforço de pesquisa e a abundante documentação utilizada por Gustavo Barroso, trazendo luz sobre as “zonas de mistério de nossa história”. Um artigo publicado no jornal A Offensiva, na cidade do Rio de Janeiro, elucida de maneira apropriada aquilo que pretendia ser o principal atrativo da História secreta do Brasil. Segundo o jornal, o livro de Gustavo Barroso era uma obra de grande vulto e até então inédita no Brasil, pois representava um “compêndio de finalidades educativas” revelando aos leitores a “verdadeira história do Brasil”, dos primórdios da colonização até os dias atuais.

[A obra] Encerra o resultado de uma investigação meticulosa e profunda, a que se dedicou Gustavo Barroso na irriquieta atividade que vem exercendo no estudo do judaísmo, da maçonaria e sociedades secretas, cujos assuntos conhece sobejamente. É um trabalho de grande mérito, mostra a quem ler, como se prepararam os grandes acontecimentos da nossa Pátria, e quais os objetivos que êles, em verdade visaram.[255]

Um exemplo da difusão nacional da primeira parte da História secreta do Brasil pode ser observado no artigo publicado pelo jornal o Diário da Tarde, da cidade de Manaus. Segundo o jornal, Gustavo Barroso não precisaria de referências especiais, uma vez que esse intelectual possuía um nome consagrado, destacando-se entre os grandes “trabalhadores da imprensa no Brasil”.

É um dos mais interessantes conhecedores da história brasileira, tendo manifestado a sua curiosidade erudita em diversos ramos do conhecimento. O volume de agora é um pouco sectarista. Mas, por isso mesmo, fazendo-o a margem dos fatos históricos, deu a esses acontecimentos uma interpretação que na nossa literatura, não tem precursores.[256]

Mais uma vez o caráter científico do livro era exaltado, despontando como um grande resumo da história pátria, amparado por uma vasta documentação. Segundo o editorial, Gustavo Barroso com “inteligência e sentido critico”, de acordo com os princípios atuais da ciência histórica, realizou algo inteiramente novo, comparado à importância do trabalho de Manoel Bomfim.

Assim como o extraordinário Manoel Bomfim deu á historia a tradução nacionalista dos seus principais característicos, o sr. Gustavo Barroso aliou-se a essa versão uma outra, procurando a sua causa determinante em influencias até então despidas de elucidações completas. Trata-se, aliás, de um trabalho em serie, da qual este é o primeiro volume publicado. Êle viu nos fatores econômicos a origem de quase todas as transformações políticas e, nesses fatores, a determinação dos interesses ocultos. Começando pelo monopólio do pau de tinta, viu o caso do açúcar, do trafico de negro, a tragédia do ouro, o drama dos diamantes, a inconfidência mineira e as outras de igual natureza, que se fizeram sentir na época colonial e no primeiro império.[257]

É importante verificar que apesar do radicalismo ideológico de Barroso, seu prestígio intelectual permanecia em alta, fazendo com que editoras de tendências esquerdistas, como é o caso da Civilização Brasileira S/A, aceitassem publicar alguns de seus livros. Talvez essa atitude da editora estivesse atrelada a interesses comerciais apostando no potencial de vendagem dos livros de Barroso. De qualquer forma, em 1938, na publicação da terceira parte da História secreta do Brasil, a editora tentou demonstrar imparcialidade com a temática do livro, declarando enfaticamente que não era de sua alçada intervir nos pontos de vistas defendido pelo autor.

O que importa á Civilização Brasileira S/A, verificar no exame dos originais, é o valor intrínseco da obra, quanto á forma e ao fundo, é a responsabilidade e a probidade intelectual dos autores aceitos ou chamados a colaborar no progresso e no desenvolvimento da cultura brasileira, pelo debate amplo e livre de questões literárias, históricas e cientificas e dos grandes problemas nacionais. Foi este o critério que seguiu ao resolver tomar ao seu cargo a publicação deste 3 ° volume, que lhe apresentou o sr. Gustavo Barroso, da Academia Brasileira.[258]

Com esta nota a Civilização Brasileira pretendia livrar-se da responsabilidade de ter publicado um livro anti-semita, antimaçônico e anticomunista deixando o debate para os
chamados “especialistas no domínio dos estudos históricos”.

A questão esta aberta. O ilustre escritor chega a conclusões discutíveis. Que as discutam os competentes na matéria. É desse debate franco, por homens de responsabilidade, que resultará o esclarecimento dos pontos controvertidos de nossa historia.[259]

Como vimos no segundo capítulo, Barroso foi um intelectual ativo, pertencente à geração dos “explicadores”, ou seja aqueles intelectuais preocupados em apontar um “saída” para os dilemas do país[260]. Sua obra contém um conjunto de sugestões para a compreensão dos problemas políticos, econômicos e sociais. É, por um lado, uma interpretação do complexo jogo político e, por outro, a tentativa de construção da identidade nacional com base na “revolução integral”. Vimos também que o anti-semitismo foi abertamente inserido e defendido nos discursos de alguns dos principais integralistas como, Tenório D’Albuquerque, Madeira de Freitas, Ulysses Paranhos e, em especial, Gustavo Barroso. Entretanto, afirmar que o integralismo, como já apontando no segundo capítulo, foi um movimento amplamente anti-semita seria, no mínimo, reducionista mesmo que seja indiscutível a existência de uma forte corrente anti-semítica dentro do movimento influenciada por Barroso.[261]

Na conturbada década de 1930, ideologicamente marcada pela disputa entre fascismo e comunismo, o anti-semitismo se constitui num dos alicerces em que se sustentava a extrema direita na Europa e no Brasil. O judaísmo e a raça semita apareciam nos discursos como os inimigos a serem combatidos, assim como o capitalismo, o liberalismo e o comunismo mesmo porque, a lógica desse discurso político era associar o judaísmo a essas ideologias[262]. Os escritos de Barroso tentavam alardear o integralismo como o antibiótico eficaz para curar as infecções causadas pelos invasores externos, como o judaísmo. Conforme destacou Ribeiro, o integralismo foi um movimento muito amplo, que admitiu desde as classes sociais até os movimentos religiosos, mas evidentemente alguns ou muitos dos integralistas acabaram entrando na onda anti-semita e um dos grandes responsáveis por isso foi o historiador Gustavo Barroso, que apanhou esse veio crítico e desenvolveu uma série de trabalhos em cima deste tema.[263]

Quanto àquilo que se refere ao texto da primeira parte da História secreta do Brasil, pode-se dizer, que o estilo da escrita é norteado por uma linguagem rebuscada e uma noção de história típica dos historiadores do século XIX, em especial Varnhagen. Como foi visto no segundo capítulo, as referências ao historiador oitocentista são constantes na obra de Barroso, principalmente quando se trata da história da Maçonaria no período da Independência do Brasil. As lutas políticas entre Gonçalves Ledo e José Bonifácio, em várias ocasiões, foram analisadas por Barroso a partir de uma perspectiva historiográfica inaugurada pela obra História geral do Brasil.[264]

Além disso, Barroso desejava demonstrar, numa mesma obra, erudição, autoridade intelectual e militância partidária. Ciente deste desafio não se incomodava em afirmar que aquele era um livro dedicado aos assuntos mais “ocultos” da história, realizado graças a sua altíssima “sensibilidade de historiador”. Acreditava que a leitura dos símbolos era um dos principais requisitos para se atingir a verdade histórica[265]. Barroso praticava uma pesquisa semiótica buscando desvendar o significado das bandeiras. O intelectual acreditava que por traz da combinação de elementos enigmáticos, presentes, sobretudo nas flâmulas, escondiam-se verdades que somente os “iniciados” poderiam conhecer. Pois, embora existissem símbolos que são reconhecidos internacionalmente outros só poderiam ser compreendidos dentro de um grupo privilegiado e restrito, no caso os maçons.

A bandeira da Inconfidência Mineira, proposta por Tiradentes, representaria, por exemplo, o “Emblema da Divindade. Em sentido literal – chapéu.” Além disso, o mesmo triângulo poderia ser visto no capitel da coluna J. (Jakin) uma das colunas do Templo de Salomão, reproduzidas nos altares maçônicos.[266]

O triângulo maçônico é o triangulo dos Pentaculos cabalísticos, o Triângulo de Salomão dos ocultistas, o Infinito da altura ligado ás duas pontas do Oriente e do Ocidente, o triângulo visível da razão revelando o triângulo invisível, isto é, o ternário do Verbo, origem do dogma da Trindade para os magistas e cabalistas judaicos, o que justifica maçonicamente a explicação dada por Tiradentes.[267]

Do mesmo modo, o estandarte da “Revolução dos alfaiates” em 1798, guardava os objetivos “socialistas” daquele motim subversivo. A estrela central de ponta para baixo, segundo Barroso, representava a figura de Lúcifer, a imagem caricatural de Baphomet.[268]

A título de exemplo, Barroso resgatou também a figura demoníaca de Eliphas Levi conhecida como Baphomet, a cabra sabática portadora do mesmo pentagrama invertido na testa. A tradição popular que afirmava o culto do bode preto nas Lojas maçônicas seria, portanto, herança da adoração deste ídolo pelos maçons. A palavra cabalística Baphomet é o contrário de TEM-O-H-P-A-B e significaria: TEMPLI-OMNIUM HOMINUM PACI ABBAS, “O Pai do Templo – Paz Universal dos Homens”.[269]

Os símbolos para quem os saiba discernir ensinam mais do que muitas páginas de história, dizia Barroso, parafraseando o maçom Dario Veloso. Segundo o autor maçom, o símbolo era a afirmação discreta das “verdades profundas, maravilhosos segredos,” ensinamentos que só poderiam ser conhecidos pela “iniciação sistemática e progressiva”.[270]

Temos no decorrer desta historia secreta de interpretar constantemente muitos símbolos e alegorias do judaísmo-cabalista-maçónico. Somos por isso obrigados a documentar fartamente o assunto, afim de que não haja suspeita de que inventamos cousas do arco-da-velha.[271]

A narrativa histórica do livro começa no dia 26 de setembro de 1498, quando a frota portuguesa que partiu de Lisboa levava a bordo um “astuto e inescrupuloso judeu polaco”. Seus conhecimentos náuticos e sua experiência no comércio das “coisas das índias” seriam de grande utilidade. Foi batizado pelos portugueses e recebeu o nome de Gaspar da Gama, sendo, vulgarmente, conhecido por Gaspar das índias. Como descreveu Barroso:

Este judeu conversava muitas vezes com El Rei D. Manuel, que folgava de lhe ouvir falar sobre as coisas da Índia, e lhe fez muitas dádivas e mercês. A Vasco da Gama e outros almirantes portugueses, Gaspar das índias prestou inestimáveis serviços. Dois anos depois, vestida de luto, como era de praxe na época, quando as armadas iam em busca de terras desconhecidas, a corte manuelina assistia do eirado da torre de Belém a partida dos navios de Pedro Álvares Cabral. O judeu Gaspar embarcara na nau do capitão-mor como língua e conselheiro, hoje diríamos intérprete e técnico, em coisas e negócios das índias.[272]

Logo que aportou em terras brasileiras, o “esperto judeu” percebeu as possibilidades inesgotáveis de tirar vantagem daquele achado. Para o autor, o oportunismo e a inteligência nos negócios eram características centrais do povo de Israel.

Seus olhos vivos e espertos, olhos de rato fugido dos ghetos da Polônia, viram o nosso Brasil no primeiro dia de seu amanhecer. Ao lado de Pedro Alvares Cabral, “de quem não se apartava”, avistou o vulto azul do Monte Pascoal nos longes do horizonte, contemplou a terra virgem e dadivosa, a indiada nua e emplumada de cocares, assistiu a primeira missa celebrada por frei Henrique de Coimbra e ouviu a leitura da carta de Pero Vaz de Caminha.[273]

Barroso retomava em suas páginas o tradicional discurso religioso anti-semita, informando seus leitores sobre a falta de lealdade e o espírito de traição do judeu.

Por adulação e baixeza, afirmamos diante dos fatos. Batizado por Vasco da Gama, o israelita tomou, de acordo com o costume em má hora instituído por D. Manuel e que estragou, na judiaria, os grandes apelidos da nobreza lusa, o nome de família do seu padrinho; mas, quando a estrela do navegador se foi empanando ante a glória de Dom Francisco de Almeida, o poderoso Vice-Rei do Ultramar, o hebreu mesquinho abandonou o nome de Gama e adotou o de Almeida, sem mais tirte nem guarte…[274]

O primeiro assalto judaico ao Brasil teria ocorrido ainda no período colonial. O governo português influenciado por “conselheiros infiéis”, que o faziam enxergar somente as “maravilhas das índias”, deixou nas mãos dos cristãos novos (israelitas) o comando total do lucrativo “comércio do pau de tinta”. Foi quando, segundo Barroso, Fernando de Noronha e seus sócios arrendaram o Brasil.

O judeu Fernando de Noronha e seus sócios haviam arrendado o Brasil a D. Manuel, que continuava dentro do sortilégio, deslumbrado com as maravilhas da Ásia. Pelo contrato de arrendamento, os judeus deviam mandar todos os anos seis navios ao Brasil, para explorar ou descobrir trezentas léguas de costa para além dos pontos já conhecidos, fincando um forte no extremo em que tocassem. Esses navios poderiam levar qualquer produto para a metrópole sem pagar o menor imposto, tributo ou finta, no primeiro ano; pagando um sexto do valor, no segundo, e um quarto no terceiro. O prazo de arrendamento, como se vê, era de três anos. No dia 24 de janeiro de 1504, D. Manuel fez doação da ilha de S. João ã Fernando de Noronha, a qual foi confirmada por D. João III em 3 de março de 1522.[275]

No texto existe uma forte argumentação no sentido de demonstrar que muito antes de qualquer concessão de sesmarias, os judeus já desfrutavam de domínios e monopólios da, recém descoberta, colônia portuguesa.

Desta sorte, antes de dividindo o Brasil em capitanias hereditárias muito antes das primeiras concessões de sesmarias, origem dos primitivos latifúndios, a coroa portuguesa alienava uma parte do Brasil, dando-a de mão beijada a um judeu traficante do pau-de-tinta, que era a anilina daquele tempo. Terminou o prazo de arrendamento da costa brasileira em 1506. Fernando de Noronha agenciou, na corte, sua renovação ou prorrogação, obtendo-a por dez anos, em troca do pagamento anual de quatro mil ducados, o que deixa ver que os lucros auferidos no comércio da madeira de tinturaria, único no amanhecer da vida brasileira, não tinham sido de desprezar. Além da prorrogação, os judeus obtinham o monopólio do negócio, pois que o rei se obrigava a não permitir mais o “trato do pau-brasil com a Índia”. Era, com efeito, do Oriente que vinha o pau-de-tinta, berzi, ou verzino, segundo Muratori e Marco Polo. O descobrimento do nosso País, em verdade, graças às informações levadas pelo astuto judeu que Vasco da Gama açoitara e conduzira àpia batismal, tivera como resultado a formação, para empregar a linguagem moderna de um TRUST DAS ANILINAS. Naturalmente, que era o monopólio do comércio da madeira tintória, desde que o sapang de Java e Ceilão fora corrido dos mercados europeus, senão isso? Tanto assim que os navios do consórcio Fernando de Noronha carregavam por ano de nossas matas litorâneas a bagatela de “vinte mil quintais da preciosa madeira”.[276]

O escritor procurou enfatizar que, no Brasil, a presença do judeu estava há muito tempo arraigada. A “judiaria” aproveitara da “boa sociedade cristã” para instalar-se no território luso-brasileiro e, em troca, “apunhalava” pelas costas os portugueses, pois os semitas só amavam a Sinagoga e o Kahal, afirmava Barroso.

No palco: a armada de Cabral com as velas pendentes em que o sol empurrava as cruzes heráldicas; a cruz erguida na praia, diante da qual um frade diz a primeira missa; um padrão cravado no solo virgem da terra descoberta em forma de cruz, a cruz nos punhos das espadas linheiras que retiniam de encontro aos coxotes de aço fosco; a cruz nas bandeiras alçadas, os nomes de Vera Cruz e Santa Cruz impostos a toda a nova região americana: o idealismo cristão, o heroísmo cristão, o sentido cristão da vida, a propagação da Fé e a dilatação do Império que a gesta dos Lusíadas cantaria com o ritmo do rolar das ondas. Nos bastidores, manobrando os cenários e arranjando as vestiduras, o judeuzinho de Goa, o cristão-novo Fernando de Noronha, os Cristãos-novos e israelitas do seu consórcio comercial, inspirados pela sinagoga e pelo kahal, realizando o lucro à sombra do idealismo alheio; ganhando o ouro à custa do esforço e do sangue dos outros; apagando o nome da Cruz com o nome do pau-brasil, o que indignou a João de Barros; usando a epopéia da navegação e o poema do descobrimento para a fundação trivial de um monopólio de anilinas…[277]

Uma das características marcantes da História secreta do Brasil é o esforço para evidenciar, perante o “tribunal da história”, que o judaísmo, inescrupulosamente, utilizava-se de todos os meios para apoderar-se da riqueza e da pecúnia no Brasil. Para Barroso, o assalto às fortunas públicas e particulares foi levado a efeito, primeiro através do monopólio do pau-brasil, logo depois, pela especulação sobre o açúcar, seguido do tráfico negreiro, da pirataria, da conquista, das companhias de comércio e navegação, do açambarcamento de gêneros, do estanco de produtos e, finalmente, da expropriação forçada das minas, do contrato dos diamantes e do contrabando.

Possuindo os meios pecuniários, a força do ouro, o judaísmo atacará o segundo sector da força da sua luta, o Estado. Aí já se não apresentará tão a descoberto e se valerá das sociedades secretas, que organizará em compartimentos estanques e superpostos, tornando-as fontes de iniciação nas doutrinas cabalistas-talmúdicas, as quais teem o dom de transformar os cristãos em “traidores da própria pátria e da própria fé, em proveito do judeu cabalista, cuja ambição é conquistar pela astúcia e pela traição o domínio universal ”.[278]

Barroso explicou, com uma impressionante riqueza de detalhes, o surgimento da “maldade do povo judeu”, que infiltrado no seio da Igreja Católica nascente, provocaram várias divisões heréticas, “multiplicando-as num labirinto diabólico”. Segundo ele, toda a gnose dos primeiros séculos do cristianismo tem origem na cabala judaica. Além disso, afirmou que quase todos os grandes heresíarcas foram judeus.

As sociedades secretas gnósticas se espalharam pelo Ocidente e pelo Oriente, sobretudo as sociedades secretas maniquéas a que a bula Humanum genus de S. S. Leão XIII mui acertadamente compara a maçonaria. Catáros, patarinos, brabantinos e albigenses saem em plena idade média dessa fonte manaquéa e cobrem a França com uma rede invisível de sociedades secretas.[279]

Seja por necessidade ou por natureza, na opinião de Barroso, os judeus sempre procuraram, utilizaram e amaram o mistério e, desde o tempo dos romanos, possuem um governo oculto organizado, denominado de Kahal. Não obstante, demonstrou haver uma íntima ligação entre a Ordem dos Templários e o judaísmo.

O fim secreto dessa ordem de cavalaria, fundada na Palestina em 1118, era a reconstituição do templo de Salomão, em Jerusalém, de acordo com o modelo da profecia de Ezequiel; seu exemplo, os maçons guerreiros de Zorobabel; suas tradições, as judaicas do Talmud; sua regra, a cabala dos gnósticos; seu ideal, adquirir influencia pela riqueza, intrigar e se assenhorear do mundo. Tinha duas doutrinas: uma oculta, reservada aos mestres; outra pública, a católica-romana, enganando, dessa sorte, aos adversários que pretendia suplantar. Obedecia a esta palavra de ordem: enriquecer para comprar o mundo. Queria, assim, derrubar a autoridade do Papado e o poder da Realeza. Havia traído São Luiz nas Cruzadas e preparava vasta conspiração em toda a Europa, Filipe o Belo e Clemente V a dissolveram de surpresa. Os sectários de toda a espécie teem, desde muito tempo, acumulado mentiras sobre mentiras, tentando inocentar a Ordem do Templo, destruída pelo Papa e pelo Rei de França. Todavia, quanto mais se aprofunda a questão, mais aparece a culpabilidade dos Templários, que, em toda a cristandade, sofreram condenações infamantes, depois de longos e minuciosos processos, segundo as confissões pormenorizadas, idênticas todas elas nos países os mais diversos.[280]

Continua…

Autor: Luiz Mário Ferreira Costa

Fonte: Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2009.

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Notas

[251] – BARROSO, Gustavo. História secreta do Brasil: do descobrimento á abdicação de D. Pedro I. (op. cit), São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1937.p. 15.

[252] – ENGELS, Friedrich & MARX, Karl. O Manifesto do Partido Comunista. Trad. Marco Aurélio Nogueira e Leandro Konder. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2000. p. 65.

[253] – 3 BARROSO, Gustavo. História secreta do Brasil: do descobrimento á abdicação de D. Pedro I. (op. cit), p. 301

[254] – Idem, p. 1

[255] – Jornal A Offensiva, Rio de Janeiro 31 de Dezembro de 1936. s/n.

[256] – Jornal Diário da Tarde. Manaus 8 de Fevereiro de 1937 s/n.

[257] – Idem, s/n.

[258] – BARROSO, Gustavo. História secreta do Brasil: da Maioridade á República. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1938. p. 3.

[259] – Idem, p.4.

[260] – PANDOLFI, Dulce (org). Repensando o Estado Novo. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 1999.

[261] – RIBEIRO, Ivair Augusto. O Anti-semitismo no discurso integralista no Sertão de São Paulo: os discípulos de Barroso. In: CARNEIRO, Maria Luiza Tucci (org). O anti-semitismo nas Américas: Memória e História. São Paulo: EDUSP-Fapesp, 2007. p. 354

[262] – Idem, p.355.

[263] – Idem, p. 358 – 359..

[264] – BARROSO, Gustavo. História secreta do Brasil: do descobrimento á abdicação de D. Pedro I. (op. cit), p. 258

[265] – Idem, p. 186 – 187.

[266] – Idem, p. 164.

[267] – Idem, p. 165.

[268] – Idem, p. 186.

[269] – Idem, p. 184.

[270] – Idem, p. 187.

[271] – Idem, p. 187.

[272] – Idem, p. 21.

[273] – Idem, p. 21.

[274] – Idem, p. 22.

[275] – Idem, p. 25.

[276] – Idem, p. 26.

[277] – Idem, p. 27.

[278] – Idem, p. 151.

[279] – Idem, p. 153.

[280] – Idem, p. 154.

Os Protocolos dos Sábios de Sião

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Qual foi a pior situação que a Ordem enfrentou durante a sua existência?

Dá para se enumerar muitas, tais como perseguições de ordem religiosas, políticas, sociais, pessoais que até hoje ainda existem, calúnias, mentiras, difamações, enfim uma série de epítetos que as pessoas que não gostam de nós, nos impingem, nos combatem, e querem nos destruir.

Existem famosos livros escritos por antimaçons que se contam aos milhares que ainda circulam pelo mundo. Porem todos fantasiosos e falam muito do segredo dos maçons.

Entres os clássicos temos a primeira publicação que realmente tocou o público, ávido de conhecer o segredo dos maçons, que foi a Maçonaria Dissecada do maçom que abalou a Ordem, Samuel Prichard publicada em cinco edições num jornal de Londres em 1730. Nela Prichard revelou todos os chamados segredos da Maçonaria da época do primeiro ao terceiro grau. Este livro sofreu desde então, um considerável número de plágios. Hoje é considerado como uma fonte de estudos, porque quando Prichard escreveu para o jornal inglês a Maçonaria não tinha rituais ou catecismos impressos. Nada se escrevia. Tudo era decorado e passado de maçom para maçom. Ele querendo ou não, sua traição hoje é considerada como uma fonte primária de estudos modernos na Quatuor Coronati nº 2076 da Maçonaria como ela era praticada na época.

Tivemos também os livros de Leo Taxil que no final do século XIX jogou muita infâmia sobre a Ordem. No final a mentira era tanto fantasiosa que se perdeu por si e o autor foi desmoralizado e se retratou. Paul Rosen outro maçom que se desligou da Maçonaria escreveu um livro revelando quase tudo sobre a Ordem sendo o seu livro principal “Satan & Cia”. Só mentiras, fantasias e invenções.

Mas de qualquer forma a Ordem vai cumprindo sua missão. Está viva, apesar da extensa bibliografia antimaçônica e da perseguição que já sofreu até a presente data e que continua…

Mas talvez uma das piores situações que a Ordem enfrentou e ainda enfrenta com intervalos de tempo e em determinadas épocas da história moderna do mundo, foi seguramente as consequências de um livro vazio de conteúdo, mentiroso, por sinal repetitivo e além do mais uma grande fraude, mas que lançou uma ideia de uma conspiração mundial da Maçonaria contra a humanidade, nos associando ao semitismo. E isso foi muito bem usado e ainda é pelos antimaçons.

Trata-se do livro chamado vulgarmente de Os Protocolos dos Sábios de Sião.

Como começou esta história? Como se conceituou a teoria conspiratória?

O que diziam a respeito da Maçonaria? Diziam e propagavam muitas coisas como, por exemplo, que os maçons juntamente com outras sociedades conspiravam secretamente para criar uma sociedade mundial baseada nos ideais revolucionários como liberdade, igualdade e fraternidade, separando o estado da religião, que a Maçonaria teria uma frente judaica para dominar o mundo, ou seja, ela seria controlada pelos judeus Ainda diziam que a Maçonaria praticava missas negras, que sacrificavam crianças em seus cultos, que tinha parte como Demônio etc.

O Padre Augustinho Barruel (1741-1820), francês, escreveu livro com o título muito extenso: Memórias para servir a história do Jacobinismo e as provas de uma conspiração contra as religiões e todos os governos as Europa, que existe nas reuniões secretas dos maçons, dos Iluminados e das Sociedades de LeituraSintetizando: Memórias para servir a história do Jacobinismo.

Barruel é considerado o pai da antimaçonaria moderna. Ele difundiu a ideia falsa que a Revolução Francesa era filha da Maçonaria e assim lançou uma ideiaa qual foi tomada como dogma pelos antimaçons, ou seja, da famosa Teoria da Conspiração. Alguns maçons da época inocentes úteis se ufanaram desta situação chamando para si uma revolução que não somente não a prepararam e nem a fizeram. Ainda hoje em nossos templos alguns irmãos menos avisados e menos estudiosos, acreditam que a Maçonaria foi a mãe da Revolução Francesa. A história da Revolução Francesa é outra. Barruel e outros conseguiram envenenar o mundo com a ideia da conspiração maçônica. Seu livro espalhou-se pela Europa. Mas ele não estava só, tinha mais pessoas que defendiam os seus conceitos.

A Revolução Francesa é um processo de engenharia social, quando um grupo pretende destruir uma sociedade antiga na Primeira Realidade e criar uma sociedade nova tendo por base uma Segunda Realidade para substitui-la como foi o caso dos jacobinos, de Lenin, o caso da ONU e do atual governo brasileiro.” (Anatoli Oliynik).

Os maçons daquela época nada tiveram a ver com o processo histórico da Revolução Francesa.

Um contemporâneo de Barruel, Jonh Robinson (1739-1895), maçom escocês, físico e inventor, dedicou os últimos anos de sua vida à teoria conspiratória. Em 1797 publicou um livro de título extenso, praticamente igual ao de Barruel alegando um conchavo entre os Iluminatti e a Maçonaria. Robison e Barruel desenvolveram de forma independente um do outro, mas de ideia igual, dizendo que os Iluminatti haviam se infiltrado na Maçonaria e isso teria levado a acontecer a Revolução Francesa. Barruel publicou seu livro cerca de dez anos depois de terminada a Revolução.

Outro autor desta mesma época Johan August Starck (1741-1816) alemão, teólogo luterano, maçom com muitos anos de filiação, resolveu romper com a Ordem após revisar seus conceitos, se voltou frontalmente contra as organizações secretas como a Maçonaria, também defendendo a teoria conspiratória.

Em 1797 Leopold Alois Hoffmann, austríaco, maçom renegado, publicou um livro onde afirmava que a unidade europeia estava ameaçada por uma conspiração que teve origem entre os Iluministas e maçons que se agregavam em sociedades secretas e que se tratava de um plano previamente deliberado para destruir os fundamentos dos poderes legais das monarquias europeias e da Igreja Católica.

Enfim a teoria da conspiração já perdurava há algum tempo na mente de escritores que eram contra as chamadas sociedades secretas. Estes autores citados foram importantes para a divulgação de tal teoria.

A obra que serviu de plágio em 1901 para Sergei Aleksandrovick Nillus (1862-1929) escritor religioso russo e autodenominado de místico e agente da Polícia Secreta do Czar, a Okhrana, tido como autor plagiário de um livro escrito em 1864 quando Nillus tinha dois anos de idade, mais as teorias conspiratórias desenvolvidas até então, e o antissemitismo que existia há mais de dois mil anos, foram a base desta literatura mentirosa, desta verdadeira fraude à qual foram colocados os maçons como caronas, como passageiros convidados à força, praticamente sequestrados intelectualmente falando. E ressalte-se que a Maçonaria não é de origem judaica. Apenas tem influência judaica em seus rituais, mas uma influência só de nomes bíblicos adotados. Organização e finalidade completamente diferentes. As religiões ditas cristãs também caminham da mesma forma, baseadas na Bíblia, sem serem judaicas. A Maçonaria tem Irmãos de todos os credos, raças e cor e, por conseguinte, têm também no seu seio irmãos judeus independentes de suas crenças. Diz-se que o Conselho de Ministros da Rússia determinou uma investigação secreta a respeito da autoria dos “Os Protocolos dos Sábios de Sião” e foi averiguado que o livro foi escrito em 1897 em Paris por agentes russos resultado não divulgado para não comprometer o Chefe da Polícia Secreta russa.

É interessante mencionar que Sergei Nillus em 1903 já havia publicado uma obra O Grande no Pequeno. A vinda do Anticristo e Domínio do Satanás na Terra. Ele retocou a obra que já era plagiada, colocou mais um apêndice e nominou o livro de Os Protocolos dos Sábios de Sião.

Bem, Nillus escreveu cinicamente que em 1901 havia conseguido de uma pessoa conhecida, um manuscrito que foi posto à sua disposição, o qual com uma precisão e verdade extraordinárias denunciavam um complô judaico maçônico mundial que conduziria o mundo naquele momento corrompido a uma inevitável ruína.

Nillus em 1905 sustentou que os Protocolos foram lidos em sessões secretas durante um Congresso Sionista realizado na cidade de Basileia – Suíça em 1897 e que por iniciativa de Theodor Heril conheceram o plano que culminaria com a conquista do mundo pelos judeus e que um espião do Czar infiltrado no Congresso conseguiu uma cópia dos planos, que foi entregue a ele, Nillus. Afirma ainda que houve 24 sessões secretas onde foram elaborados os planos de destruição do mundo. Que mentira mais deslavada. Que imaginação tinha este Nillus!

Em realidade houve um Congresso Sionista em 1897, quando foram por eles avisados todos os países, autoridades, todos os jornais que este congresso nada mais era que para se examinar as possibilidades de um movimento sionista. Os judeus dispersos no mundo queriam ser um povo. Que não eram contra qualquer pais, que continuariam respeitando as leis do pais onde estivessem vivendo. Nada que ali discutiriam estariam contrariando as leis e princípios do pais.

No entanto Nillus mentiu ao dizer que foram realizadas sessões secretas, onde foram estabelecidos os planos de dominação do mundo.

Nillus reeditou o livro em 1911, 1912 e 1917 em russo. Em 1919 o livro foi traduzido para o alemão, Esta edição foi patrocinada pela nobreza alemã. Foi até editado livro de bolso. Em 1920 traduzida para o polonês e partir dai três edições em Nova York, Escandinávia, Itália, Japão e França. Em 1925 uma tradução árabe difundiu o teor do livro para todo o Oriente Médio. Em 1927 uma edição traduzida pelo monsenhor espanhol Jovin surgiu com o nome Os Perigos Judaicos Maçônicos. E assim este livro se disseminou pelo mundo. Desde então as edições tem sido numerosas sendo as últimas conhecidas na Espanha as de Barcelona de 1963 e 1975. Mas  sempre existe uma nova edição clandestina. No Brasil em 1935, quando o país já quase estava sob o jugo integralista, sob os moldes fascistas de Plinio Salgado, mas que foi em 1937 foi considerado como partido político contrário ao caudilho presidente Getúlio Vargas e este terminou com a farra integralista, que entre outras coisas seguiam as diretrizes de Hitler e Mussolini e Franco contra os maçons. Foi considerado como partido proibido e Plinio Salgado deportado para Portugal. Getúlio Vargas filho de maçom, apesar de ser outro déspota, prestou á Maçonaria Brasileira um imenso favor. Não que ele assim o quisesse, mas foram as circunstâncias do momento. A Maçonaria Brasileira ficou livre do Integralismo, que odiava judeus e maçons.

Em 1987 a embaixada do Irã no Brasil começou a disseminar o livro gratuitamente pelo país. O assunto foi imediata e diplomaticamente resolvido. O Itamaraty transmitiu aos iranianos a sua insatisfação. Citou o artigo 153 da Constituição de 1967, emendada em 1969 como propaganda racista. Cessou o despejo deste livro mentiroso em terras brasileiras pelos iranianos o que não significa que não existam muitos exemplares espalhados pelo país editados de forma clandestina.

Para se ter uma ideia de como evoluiu esta suposta corrente conspiratória, o jornal Times de Londres do dia 08/05/1920 publicou um artigo alarmista onde culpava judeus e maçons. O Morning Post publicou semelhante matéria, atacando judeus e maçons.

Henry Ford, maçom (que espécie de maçom???), dono de um império automobilístico fundou uma revista especial para publicar os Protocolos, conseguindo imediatamente mais de 30.000 assinaturas. Em 1922 a obra de Ford já estava na sua 21ª edição. Posteriormente os artigos publicados no Morning Post foram reunidos em um só volume e vendidos milhões de exemplares.

A fraude dos Protocolos foi conhecida oficialmente desde agosto de 1921 (dias 16 e 17 e 18) quando o Times de Londres publicou toda a epopeia do plágio, inserindo que os Protocolos não passavam de um “truque grosseiro executado por um plagiário negligente e cínico” O correspondente do Times em Constantinopla (hoje Istambul) havia encontrado numa livraria de livros velhos (sebinho) um livro abandonado por um antigo oficial da Okhrana – Polícia Secreta do Czar, um volume escrito em francês, sendo que as primeiras páginas estavam faltando. Ao lê-lo o jornalista percebeu que o livro continha uma série de coincidências, comparados a um outro livro escrito quase sessenta anos antes, e aí não foi difícil o jornalista descobrir de onde Nillus plagiou o seu famoso “Os Protocolos dos Sábios de Sião”.

Em 1864 um advogado parisiense de nome Maurice July escreveu um livro de ficção dirigida, publicado em Bruxelas: Os Diálogos no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu ou a Política de Maquiavel no século XIXTinha 337 páginas e mais uma advertência de 3 páginas.

O motivo desta publicação era uma violenta sátira contra a política de Napoleão III, o qual era um déspota, daqueles que finge muito bem como se o regime fosse liberal, mas no entanto, não era. O autor escreveu sua obra não mencionando sequer uma vez o nome de Napoleão. É Maquiavel quem fala por ele, e Montesquieu representa o homem honesto e ingênuo que fica perplexo e escandalizado com o que seu interlocutor fala de forma fria, cínica e hipócrita, uma das características de Maquiavel quando escreveu seu tempo o livro O Príncipe.

Evidentemente Nillus ou agentes da Polícia Secreta russa fizeram as devidas alterações incluindo os maçons ao lado dos judeus no suposto complô que dominaria o mundo segundo eles.

Apesar de ter sido posteriormente descoberta toda a fraude, esta ganhou vida própria como se fosse verdadeira porque o mundo acredita no que quer acreditar. Nem sempre na verdade. E ainda o mundo quer ser enganado, já dizia um provérbio latino. A história deste livro é um exemplo clássico do que se acaba de afirmar. Como dizia Goebles, Ministro da Propaganda de Hitler: “uma mentira mil vezes repetida acaba se transformando em verdade

Os judeus e maçons ainda sofreriam muito, mesmo após descoberta desta fraude, pois os apologistas dela, a tinham-na como verdadeira principalmente os antissemitas e antimaçons europeus, das décadas de 1930 e 1940, quando os chamados países fortes da Europa foram dominados por ditadores sanguinários, e que continuaram seguindo a cartilha da falsa conspiração, para executar seus planos macabros.

O primeiro déspota tirano a usar os ditames dos Protocolos foi Benito Mussolini na Itália tratando da mesma forma comunistas, judeus e maçons. Muitos maçons foram fuzilados. As lojas maçônicas foram invadidas, sequestradas. Símbolos, joias, rituais paramentos e móveis foram incendiados em praça pública.

Logo em seguida, outro ditador fascista Francisco Franco da Espanha, tomando o poder em 1936, com o apoio do clero católico espanhol, mandou executar mais de dez mil maçons, quando na Espanha havia cerca de cinquenta mil Irmãos dos quais milhares deles conseguiram refugiar-se. Ressalte-se que o Irmão Lázaro Cardenas, Presidente do México, recebeu e protegeu todos estes refugiados até que um dia eles pudessem voltar á sua pátria, quando lá houvesse liberdade.

Uma pesquisa realizada pelo Padre Jesuíta espanhol Benimeli, historiador e maçonólogo sério, aceito como tal pela Maçonaria mundial, realizada nos Arquivos de Salamanca menciona que:

“Da Loja “Helmantia” foram fuzilados 30 Irmãos e entre eles outro pastor protestante do Triângulo maçônico “Zurban”, de Logronõ foram fuzilados 15 maçons, do Triângulo “Libertador de Burgos” foram fuzilados 7 maçons, do Triângulo “Joaquim Costa” de Huesca foram fuzilados outros 7. Da Loja ‘Hijos de la Madre Viuda” de Ceuta foram mortos 17, da Loja “Trafalgar” de Algericas foram fuzilados 24. Da Loja “Réssurección” de la Línea foram assassinados 9 Irmãos, mas outros 7 foram condenados a trabalhos forçados e 17 se refugiaram em Gibraltar. De  La Corûna, todos os maçons foram fuzilados, inclusive o chefe de Segurança, Comandante do Exército Quesada e o capitão Irmão Tejero; Todos os Irmãos da Loja “Locus” foram fuzilados. Todos os Irmãos de Zamora e Cadiz de Granada num total de 54 foram fuzilados e entre eles o famoso oftalmologista Rafael Garcia Duarte, professor da Escola de Medicina. inclusive seu filho médico foi também executado. Igualmente foram fuzilados todos os maçons de várias Lojas de Sevilha, entre eles Dom Fermin Zayas, ilustre militar e membro do Supremo Conselho e seu filho. Em Valladolid foram fuzilados 30 Irmãos da Loja “Constancia”, entre eles o governador civil que era maçom e um viajante, um maçom chamado Hoya que havia chegado no dia 19 de junho à noite sem saber o que estava se passando. Tudo isso em 1936. Em outubro de 1937 foram fuzilados 80 maçons em Málaga. Muito mais se tem para falar sobre estes crimes hediondos”.

Essa é a história parcial da Espanha nesta época de terror. Os maçons sofreram muito.

A vitória do Nacional-Socialismo alemão com a ascensão total do Partido Nazista em 1938, Adolf Hitler se encarregou de eliminar do país, maçons e judeus, tendo os Protocolos como inspiração neste verdadeiro genocídio engendrado pelo grande psicopata, talvez um dos maiores da História.

Adolf Hitler em seu livro Mein Kempf, menciona os Os Protocolos dos Sábios de Sião para justificar medidas de exceção contra judeus e maçons. E isso custou a vida de milhares de maçons, que dirá a vida de milhões de judeus.

Ainda mais depois que descobriu que Lenin e Engels, comunistas, haviam sido iniciados na Maçonaria. Todos foram considerados inimigos iguais, representando para Alemanha nazista o mesmo perigo. Os templos maçônicos na Alemanha foram pilhados e confiscados todos os documentos. Exposições foram realizadas na Alemanha e França e demais países ocupados mostrando ao povo o “perigo maçônico” que esta Instituição representava para o mundo.

Enquanto isso maçons eram levados aos campos de concentração onde eram inicialmente fuzilados, depois com a construção das câmaras de gás letal eles eram levados diretamente para estes locais de extermínio juntamente com os judeus e terminavam em fornos crematórios.

Em 1944 numa edição oficial do Serviço do Exercito Nazista mencionava que a Maçonaria era uma união internacional com uma direção secreta, procurando oficialmente fins humanitários, e que fato tratava-se de uma organização secreta, através da qual o judaísmo internacional, influencia de forma decisiva a política mundial. Eis aí a influência direta dos Protocolos os quais já haviam sido provados desde 1921 que eram apócrifos, mas mesmo assim eram considerados como verdadeiros pelo regime nazista.

Quando após ocupação da França, o Ministro do Reich para os Territórios Ocupados, o ideólogo nazista, amigo íntimo de Hitler, Alfred Rosenberg em 28/11/1940 pronunciou um discurso na Câmara dos Deputados em Paris, onde historiou a Revolução Francesa afirmando que fora obra de maçons. Eis aí a mentira do Padre Barruel produzindo frutos negativos muitos anos após ter sido inventada. Rosenberg afirmou também que a 1ª Grande Guerra Mundial (1914-1918) deveu-se à Maçonaria mundial, que subsidiou ajuda financeira aos países inimigos dos alemães e austro-húngaros. Goering em 1942 elogiou a decisão de Rosenberg em criar em todos os países subjugados uma missão de pilhar todas as lojas e colocar em lugar seguro toda a documentação, a qual seria levada para Berlim. Rosenberg também teve uma atuação importante no plano da criação da Solução Final para o extermínio total dos judeus o que custou a vida de seis milhões deles.

Hitler autorizou Heydrich, chefe da SS a realizar a missão nos países ocupados, especialmente na França, Holanda, Bélgica e Luxemburgo. Este oficial nazista foi eficiente, por exemplo, na Holanda, saqueou e destruiu 77 lojas maçônicas, inclusive 15 clubes de Rotary. Até o Rotary entrou neste entrevero, que nada tinha a ver com isso.

Entre os maçons havia colaboradores nazistas que denunciaram seus Irmãos. Apenas para citar um deles um francês de nome Bernard Fay denunciava seus Irmãos à Gestapo, publicando mensalmente um periódico chamado “Documento Maçônico” onde publicava os endereços dos Irmãos para facilitar o trabalho da Gestapo. Infelizmente existiram maçons traidores, talvez  alguns, quem sabe, para salvar a própria vida ou a vida de seus familiares, ou por serem falsos maçons por índole, os quais ainda existem até a presente data pululando dentro de lojas maçônicas pelo mundo.

Está se dando uma noção superficial sobre as consequências do livro Os Protocolos dos Sábios de Sião em relação à Maçonaria. Porque uma quantidade maior maçons morreram, por causa das mentiras de Barruel e seus seguidores. A Maçonaria nunca participou de uma conspiração mundial para deter o poder temporal. Ela participou e participa de ideias que tornem o mundo melhor.

Infelizmente os antimaçons conseguiram através de um livro apócrifo, o pior deles “Os Protocolos dos Sábios de Sião” causar grandes males á Ordem no século XX e ainda existem resquícios, cicatrizes abertas. Muitos maçons morreram por causa deste livro. A Maçonaria continua de pé e não está livre de que outros livros malditos apareçam distorcendo a verdade e formando conceitos errôneos a respeito da Ordem.

A Ordem sobreviveu firme e forte e tem aumentado atualmente o número de adeptos. Continuam os antimaçons a nos atacar sem resultados práticos importantes.  Mas, parafraseando o sábio Irmão José Castellani, de saudosa memória, pode-se afirmar que o maior inimigo do Maçom é o próprio Maçom. Entendam como quiserem, mas reflitam profundamente sobre esta afirmação.

Autor: Hercule Spoladore

Referências 

BENIMELI, J.A.F. Pde – El Conturbenio Judeu- Masonico–Comunista, Espanha, 1982.

CARVALHO, Assis – O Avental Maçônico e Outros Estudos, Editora “A Trolha” Ltda. Londrina, 1989.

Os Protocolos dos Sábios do Sião, Edição Jupiter, São Paulo, sem data.

Trabalho: A Ação Integralista Brasileira e a Maçonaria, Hercule Spoladore.

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