Degraus de acesso ao Oriente

O ALTAR DOS JURAMENTOS – Brasil Maçom

De pronto é preciso lembrar que o REAA originalmente no seu primeiro ritual (1804) não trazia Oriente elevado e nem balaustrada separando parte do recinto para o Oriente.

Essa separação e a elevação só viria surgir pelo aparecimento das chamadas Lojas Capitulares, sistema esse criado em 1816 pelo Grande Oriente da França, cuja característica principal seria a administração pelo Grande Oriente a partir do grau de Aprendiz até o 18º Grau conhecido por Príncipe Rosa Cruz. Isso então significava que essa Obediência francesa passava a ter sob a sua tutela os graus 1º até o 18º, ficando os demais, do 19º (Kadosh) até o 33º (Consistório) sob a autoridade do Supremo Conselho da França. 

Nesse sistema misto de simbolismo e altos graus, a Loja Capitular era dirigida por um Príncipe Rosa Cruz – em linhas gerais o Athersata era também o Venerável Mestre dos três primeiros graus.

Sobre o primeiro ritual do simbolismo do REAA ainda cabem mais alguns comentários.

Em outubro de 1804, era criado em Paris o Segundo Supremo Conselho do REAA, com a finalidade de difundir o Rito na Europa. É bom que se diga que o REAA fora em princípio concebido originalmente apenas com Altos Graus, isto é, do 4º ao 33º, já que nos EUA, onde se deu o seu nascimento em 1801 (baseado no Rito de Perfeição, ou Heredom), a prática dos três primeiros graus era suprida pelo empréstimo de rituais pertinentes às Lojas Azuis norte-americanas, que correspondem aos graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre praticados na Maçonaria dos EUA.

Com isso, quando o REAA chegou na Europa em 1804, o mesmo não possuía os três primeiros graus. 

Cabe destacar que o termo “simbolismo” ainda não era conhecido na França.

Assim, para suprir essa lacuna, o Segundo Supremo Conselho então fundou em Paris, em outubro de 1804, uma Loja Geral Escocesa para organizar e gerir um ritual na França para o simbolismo do REAA – até então inexistente.

Esse ritual, ainda com resquícios de costumes das Lojas Azuis norte-americanas, trazidos por maçons franceses que retornavam dos EUA para a França, acabou temperado pela prática dos autoproclamados “Antigos” da Grande Loja surgida em 1751 na Inglaterra para fazer oposição aos “Modernos” da Primeira Grande Loja londrina que fora fundada em 1717 (vide essa história). 

Boa parte desse primeiro ritual do REAA então seria influenciado pela exposure atribuída aos Antigos e conhecida pelo título de The Three Distinct Knocks (As Três Pancadas Distintas). Esse acontecimento mais tarde acabou dando um viés anglo-saxônico para o REAA, que é reconhecidamente um rito filho espiritual da França, portanto, latino.

Devido a essa influência é que o ritual de 1804 do REAA mencionava que o seu espaço de trabalho era tal qual a sala da Loja do Craft, isto é, na totalidade da sua extensão tudo ficava no mesmo nível. Não existia separação por balaustrada do Oriente para o Ocidente. 

Nesse mesmo ritual, o que hoje conhecemos como Colunas do Norte e Sul, ambas se estendiam do Oriente até o Ocidente. O Oriente, em linhas gerais, era onde ficavam o Venerável Mestre e as autoridades. Detalhe é que a parede oriental era edificada em semicírculo.

No que concerne ao Oriente elevado em relação ao Ocidente do Templo, este costume somente surgiu pelo advento das Lojas Capitulares, época em que foi, em 1820, construído um outro ritual que se adequasse às então normas capitulares. É dessa época que a terça parte da área de trabalho da Loja foi elevada e separada por uma balaustrada com uma passagem central. Foi desse modo que o Oriente, à moda do Capítulo, acabou separado e elevado do Ocidente nos Templos do REAA.

Com isso, nas Lojas Capitulares, o acesso para o Oriente era feito por quatro degraus. Na verdade, o Oriente elevado fora na época concebido para representar o Santuário do Grau Roza Cruz. Esse espaço, durante os trabalhos da Loja, era ocupado apenas por aqueles colados no Grau 18 ou acima dele.

Mais tarde, com o desaparecimento das Lojas Capitulares, já que o Supremo Conselho do REAA havia reivindicado justamente para si os graus a partir do 4º até o 18º, as modificações produzidas no ritual das Lojas Capitulares pelo Grande Oriente da França em 1820, modificações essas concernentes à divisão e elevação do Oriente, ao invés de serem extirpadas, ao contrário, ficaram incorporadas definitivamente no simbolismo do REAA. Isto é, extinguem-se as Lojas Capitulares, mas o Oriente das Lojas Simbólicas continua dividido e elevado.

A bem da verdade, não é de hoje que o REAA vem sofrendo com enxertos e adaptações com práticas que não lhe dizem respeito.

Com a evolução e o aprimoramento dos rituais do escocesismo a partir do século XIX na França, a performance topográfica do Oriente concernente aos quatro degraus de acesso acabaria se dividindo em um degrau de acesso para o Oriente e três para o sólio.

Contudo, sob o aspecto doutrinário, o simbolismo do REAA requeria a presença de sete degraus no seu Templo, o que seria então somado aos quatro primeiros de acesso ao Oriente e ao sólio, mais dois degraus para a cátedra do 1º Vigilante e um degrau para a do 2º Vigilante. 

Ao final, a soma desses desníveis totaliza o número de 7 degraus, cujo valor simbólico é incontestável no arcabouço doutrinário do REAA (o setenário do Mestre).

Quanto aos principais simbolismos desses degraus, esotericamente o número 7 alude ao shabat, ou o dia da criação (influência hebraica). De modo especulativo é a arte de criar um elemento humano que seja capaz de produzir templos à virtude universal (aprimoramento humano). Ainda, por influência anglo-saxônica, o número 7 também simboliza a presença na Loja das Sete Artes e Ciências Liberais estudadas desde a Idade Média. Divididas por Boécio em trivium e quadrivium, a primeira divisão ternária se relaciona com a Gramática, a Retórica e a Lógica (a arte de bem falar), enquanto a segunda divisão quaternária se pauta com a Aritmética, a Geometria, a Música e a Astronomia (a arte de conhecer os arcanos do Universo).

Entretanto, no que diz respeito à disposição correta dos degraus nos templos, sem dúvida ainda existem muitos deles que seguem rituais equivocados, ou seja, permanecem com o Oriente elevado, porém acessado por quatro degraus em vez de um apenas como descrito anteriormente. 

Infelizmente essa contradição, dos quatro degraus de acesso, acabou se generalizando porque ao longo dos tempos muitos Templos do escocesismo acabariam sendo construídos com número de degraus à moda capitular ou mesmo copiando outros Ritos. O problema é que corrigir essa disposição equivocada acaba sendo dispendiosa, resultando muitas vezes em reformas caras e economicamente inviáveis para as Lojas. Dado a isso é que muitos, mesmo errados, preferem permanecer como estão.

Ao concluir, reitero que a maneira mais apropriada para a distribuição dos sete degraus consagrados no simbolismo do REAA, desde a extinção das Lojas Capitulares (ainda no século XIX), é a de um degrau para o Oriente, três para o sólio, dois para o 1º Vigilante e um para o 2º Vigilante – total igual a sete.

Autor: Pedro Juk

Fonte: Blog do Pedro Juk

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O Quadro da Loja de Aprendiz no REAA – História e Simbolismo

Figura 1 – “Catéchisme des franc-maçons “ de Leonard Gabanon, 1744

Por Quadro, Painel, ou Tapete de Loja entende-se a representação gráfica colocada, na maior parte dos ritos maçónicos, no centro do Templo, sobre o pavimento de mosaico. Neste quadro alegórico encontram-se plasmados os símbolos associados ao grau a que se reportam os trabalhos em curso.

Este elemento de decoração do Templo simboliza a Loja, é um dos símbolos presentes na Loja e, constitui uma verdadeira “caixa de ferramentas” simbólicas de elevado valor pedagógico, no desenvolvimento do trabalho maçónico.

Muito embora existam evidências da sua utilização em Inglaterra, na tradição da Grande Loja dos Modernos, é na Maçonaria Continental oitocentista que se encontra a verdadeira génese do Quadro de Loja, na sua concepção atual. Assim:

  • Na mais antiga divulgação publicada em França, datada de 1737 e, denominada “Recepcion d’un frey-maçon”, documento este transcrito do relatório do tenente de polícia Herault, elaborado com base em informações recolhidas por Mle. Carton, corista da Opera de Paris, encontra-se a referência 

“em volta de um espaço delimitado sobre o pavimento, onde se desenhou a giz uma espécie de representação, sobre duas colunas do átrio do Templo de Salomão”.

  • Em 1744 o “Catéchisme des franc-maçons de Leonard Gabanon (pseudónimo de Louis Travenol) para além de incluir reproduções de um “Plano da Loja para a recepção de um Aprendiz-Companheiro” e, de um “Plano de Loja para a recepção de um Mestre” apresenta uma série de gravuras, que ilustram a realização das cerimónias de iniciação e, de exaltação, confirmando a descrição de Herault.
  • Em 1745 a exposição “L’Ordre des franc-maçons trahi et le secret des mopses révélé“, reproduz igualmente modelos de Quadros de Loja para os mesmos graus, precisando que 

“o que se denomina propriamente a Loja, quer isto dizer as figuras desenhadas sobre o pavimento nos dias de recepção deve ser desenhado a giz literalmente e não pintado sobre uma toalha que se guarda expressamente para estes dias em algumas Lojas”.

De toda esta informação e, em especial, das gravuras de Léonard Gabanon, ressalta que a importância do Quadro de Loja era, à época, marcante na realização das cerimónias maçónicas.

Verdadeiro polo estruturante da vida e, da circulação na Loja, o Painel constituía-se como imagem-arquétipo, simbolizando o estaleiro de construção do Templo de Salomão.

O Quadro transportava, pois, para um espaço e, um tempo, que religavam a Loja à existência da sua origem mítica e, permitia um suporte catequético para um trabalho didático, o qual fruto das reflexões e, contribuições interpretativas de sucessivas gerações de Irmãos, deu origem ao que hoje se designa de Simbólica Maçónica.

A posição central do Quadro favoreceu o desenvolvimento de uma deambulação circular, um posicionamento face-a-face alinhado com as colunas, uma estruturação na direção do Oriente e, uma distribuição espacial dos Oficiais suportada em critérios de ordem funcional e, simbólica.

Figura 2 – Quadro de Loja para a recepção de um Aprendiz-Companheiro “L’Ordre des franc-maçons trahi et le secret des mopses révélé“, 1745.

Das primeiras representações de Quadros de Loja publicadas ressalta, desde logo,  a forma retangular que assumem, em perfeita analogia com as características geométricas da maior parte das salas onde se realizavam as Sessões.

Outro aspecto fundamental consiste na orientação espacial denotada por estes painéis, materializada através da referenciação dos pontos cardeais convencionalmente atribuídos aos seus quatro lados, indicados na forma Iniciática (Ocidente – Oriente – Setentrião – Meio-Dia).

Os Quadros desta época são muito “operativos”, com grande ligação simbólica à construção.

Em geral, assentam sobre a representação de um pavimento de mosaico em dois níveis, ligados por um lanço de escadas composto por sete degraus, dotados de geometria semicircular. O nível superior encontra-se, correntemente, protegido por uma balaustrada.

Os degraus são ladeados pelas duas colunas evocativas das existentes à entrada do Templo de Salomão, dispostas segundo a disposição moderna (J à esquerda – B à direita), uma vez que durante todo o século XVIII a Maçonaria masculina praticada em França derivou, essencialmente, desta tradição.

Na maior parte dos exemplos, localizando-se o espaço mítico retratado no Templo em fase de construção, aparecem representadas as suas três portas e, as suas três janelas, localizadas no Ocidente, Oriente e, Meio-Dia.

Os símbolos ligados à construção apresentam-se com disposição espacial variável sendo corrente encontrarem-se representações de outros apetrechos, para além dos que correspondem às joias móveis (esquadro-nível-fio de prumo) e, dos inerentes ao Aprendiz (malhete e cinzel). Destes utensílios, hoje em desuso nos Quadros do 1º Grau, salientam-se o machado, a trolha e, a picareta. A corda, dotada frequentemente de um ou dois laços de Amor, aparece apenas como símbolo de utensilio ligado à construção, encimando o Quadro.

Durante todo o século XVIII as representações do Sol e da Lua aparecem, indistintamente, à esquerda ou à direita da parte superior do painel, configurando um triangulo com a estrela flamejante, que então representava o Mestre da Loja, símbolo este de outro símbolo, o Supremo Arquiteto do Universo.

Refira-se, ainda, que é frequente a marcação, nos cantos superiores do Quadro e, no seu canto inferior do lado do Meio-Dia, das posições nas quais deveriam ser dispostos os candelabros das “estrelas” que o circundavam, e que também simbolizavam o ternário “Sol – Lua – Mestre da Loja”, configurando um esquadro, com a respetiva base voltada para o Oriente.

No último terço do século XVIII os Quadros de Loja passaram a ser, generalizadamente, pintados sobre tecido, tendo as salas onde se realizavam as sessões vindo a assumir um caráter e, uma decoração específica para o efeito. Os símbolos empregues nos Painéis, a sua distribuição espacial e, o seu aspecto gráfico foram também denotando uma maior dispersão de critérios conceptuais, acentuando-se esta diversidade com o advento de distintos ritos.

O Quadro de Loja integrava a decoração do Templo no Rito Francês, de 1801, conforme se encontra definido no “Régulateur du Maçom”, ocupando a posição central da loja, circundado por três “estrelas” com a mesma disposição atrás descrita.

Segundo René Desaguliers, pode-se começar a falar de Ritos Escoceses quando aparecem rituais, relativos aos graus simbólicos, nos quais esta disposição das “estrelas” é invertida, passando a base do esquadro que configuram, a estar a Ocidente e, a sua interpretação simbólica a identificar-se com o ternário “Sabedoria –Força – Beleza”.

Não é, pois, de estranhar, que os primeiros Rituais de Loja de S. João do REAA, de 1804, tenham adotado esta disposição, evoluindo a simbologia considerada nos respetivos Painéis para os modelos constantes em vários Telhadores publicados na primeira metade do séc. XIX, dos quais os mais significativos são os apresentados no Tuilleur de Vuillaume, de 1820.

Figura 3 – Quadro de Loja de Aprendiz, “Tuilleur de Vuillaume”, 1820

Constata-se, da observação dos Quadros de Loja desta época, que a sua geometria convergiu para a forma de um retângulo pitagórico, cujos lados se relacionam dimensionalmente na proporção de três para quatro.

Por vontade de precisão técnica, decorrente do desenvolvimento do pensamento científico, os pontos cardeais iniciáticos, utilizados no século anterior, foram correntemente substituídos pelos pontos cardeais profanos (Norte-Sul-Este-Oeste).

A corda passou a simbolizar a Cadeia de União, circundando todo o painel, com exceção do Ocidente, no qual permanece aberta, para ilustrar que a Maçonaria se encontra sempre receptiva a receber novos obreiros. No princípio do século XIX o número de laços de Amor mais frequentemente encontrado é de sete, dado que sendo este o número simbólico da conclusão, a corda assim representada pretende transmitir que o objetivo final da Arte Real é a Cadeia de União.

A definição da localização espacial da Loja de Aprendiz, relativamente ao Templo de Salomão, tornou-se objeto de interpretações divergentes, que perduram passados dois séculos, tendo esta questão dado origem a que nos Quadros de Loja do inicio do século XIX tenha desaparecido o pavimento de mosaico, por ser entendido que o Aprendiz ainda se encontra à porta do Templo, sendo pois confrontado com esta, depois de ter subido uma escada com numero de degraus idêntico à da sua idade simbólica. Tal critério foi igualmente adotado na elaboração dos emblemas dos dois primeiros graus do REAA, ilustrados no livro de  J. T. Loth, publicado em 1875.

A porta, em alguns painéis fechada, noutros aberta, apresenta-se ladeada pelas duas colunas. Estas, nos Quadros de Loja do REAA, cujos graus simbólicos nasceram em 1804, encontram-se já dispostas segundo o posicionamento Antigo (J à esquerda – B à direita).

As colunas aparecem, em geral, encimadas por três romãs e, o frontão do Templo, que se sobrepõe à porta, normalmente é espiritualizado através da ostentação de um Delta Radiante.

Não encontramos mais, neste período, representações de portas a Oriente e, no Meio-Dia, mantendo-se a presença das três janelas, nas suas formas e disposições habituais.

Para além das joias móveis, imóveis, do malhete e, do cinzel, não subsistem outros símbolos no primeiro grau, sendo estes, em geral, representados desagrupados.

O Sol e a Lua aparecem na parte superior do Painel, estabilizando-se o primeiro à direita e, a segunda à esquerda.

Entre os simbolistas do princípio do século XX verificaram-se divergências de opiniões no que concerne à geometria a adotar para a pedra trabalhada, à inclusão do pavimento de mosaico e, ao número de laços de Amor a adotar na corda, perdurando muitas delas até à atualidade.

O padrão geral manteve-se, contudo, inalterado por cerca de século e meio, verificando-se já em meados do séc. XX a introdução de modificações significativas, decorrentes da evolução dos rituais, muitas delas devidas a uma tendência de britanização do Rito, nos seus graus simbólicos, que ocorreu a partir dos anos 50, na Grande Loja de França.

Esta evolução (ou involução, conforme as diferentes opiniões) deveu-se à vontade desta Obediência de ser reconhecida pela Grande Loja Unida de Inglaterra, o que motivou esta tentativa de tornar a prática ritualística dos graus simbólicos do REAA mais semelhante aos “workings” ingleses e, como tal, mais aceitável pelos Irmãos do outro lado do Canal da Mancha.

Figura 4 – Quadro de Loja de Aprendiz, Grande Loge de France, 1962

Neste exemplo extraído do ritual de referência da GLdF, de 1962 (Fig. 4) podemos constatar o desaparecimento da representação da Porta do Templo e, do seu frontão, verificando-se já uma tentativa de distribuição espacial dos símbolos analógica com o seu posicionamento na decoração da Loja.

Aparecem-nos, assim, o pavimento de mosaico na sua forma reduzida (atualmente a mais utilizada em França), o Altar dos Juramentos com as três Grandes Luzes da Maçonaria agrupadas na posição correspondente ao Grau de Aprendiz, as Pedras Bruta e Trabalhada colocadas na sua disposição habitual em Loja, as ferramentas do Aprendiz situadas do lado da sua coluna e, as Joias Móveis dispostas nos locais onde se situam os altares dos Oficiais respetivos (Esquadro/Venerável Mestre Nível/1º Vigilante-Perpendicular/2º Vigilante).

Como elementos característicos de uma influência Britânica notória destacam-se:

  • A Bíblia, que não existiu no REAA como Livro da Lei Sagrado, em França, entre 1829 e 1953;
  • A Régua de 24 Polegadas, como símbolo do Primeiro Grau;
  • Três pilares, de ordem arquitetónica Jónica, Dórica e, Coríntia, respetivamente, que simbolizam o ternário Sabedoria – Força – Beleza e, que se encontram dispostos nas posições de cada um dos Oficiais que o personificam (Venerável Mestre/Coluna Jónica/Sabedoria – 1º Vigilante/Coluna Dórica/Força – 2º Vigilante/Coluna Coríntia/Beleza).

Refira-se, ainda, que neste exemplo a corda só se encontra dotada de três laços de Amor, correspondentes à idade simbólica do Grau (três anos) e, saliente-se o fato de nos Painéis de loja só constarem duas cores, o negro e o branco, à semelhança das existentes no pavimento no qual assenta, de modo a serem evitadas controvérsias no que concerne à interpretação simbólica de outras cores, as quais suscitariam sempre opiniões divergentes.

No exemplo seguinte, correspondente ao modelo de referência introduzido na mesma Obediência francesa, em 1979, e que permanece em vigor, reflete-se alguma preocupação de retorno à simbólica tradicional do REAA, não deixando, contudo, de transportar tendências da versão atrás descrita.

Figura 5 – Quadro de Loja de Aprendiz, Grande Loge de France, 1979

Assinale-se um regresso aos pontos cardinais iniciáticos, à reintrodução do Pavimento de Mosaico, da Porta do Ocidente e, do Frontão do Templo segundo formas análogas às utilizadas no século anterior.

Um pouco ao encontro de ideias já defendidas por Oswald Wirth, no princípio do século XX, a corda, nesta versão, apresenta doze laços de Amor. Este número de nós permite que, ao longo da largura do Painel se encontrem evidenciados três intervalos entre laços e, ao longo do seu comprimento, estejam aparentes outros quatro, todos de igual extensão, ilustrando assim a natureza pitagórica do retângulo que o contém.

Para este número de laços de Amor, Oswald Wirth, tão ao seu gosto sincrético, encontrou uma interpretação simbólica, identificando-os com os signos do zodíaco.

Fruto da diversidade simbólica existente entre os diversos ritos maçónicos, em outros sistemas, os Painéis de Loja assumem aspetos substancialmente distintos dos considerados no REAA.

No Rito Francês Groussier, muito embora o Quadro de Loja não seja um elemento de decoração do Templo indispensável, ou sequer recomendado, o Ritual de Referência GOdF 6009 inclui um modelo tipo, a ser seguido pelas Oficinas, pelo menos no seu trabalho simbólico.

Este não difere substancialmente, relativamente ao REAA, nos símbolos considerados, apresentando apenas outra disposição para os mesmos e, omitindo o Livro da Lei Sagrada, bem como a Régua de 24 Polegadas.

Destaca-se, ainda, que este Painel não é orientado, uma vez que neste Rito não existe sacralização ritual do espaço iniciático, sendo apenas convencionado o tempo mítico no qual decorrem os trabalhos.

Figura 6 – Quadro de Loja de Aprendiz Rito Francês Groussier, Grande Orient de France, 2009

Em Inglaterra a utilização do Quadro de Loja só se fixou e, generalizou após o Ato de União de 1813, tendo os modelos ainda hoje utilizados nos Ritos Anglo-Saxónicos sido pintados por retratistas famosos, do princípio do séc. XIX, tais como John Harris (1791-1873) ou Josiah Bowring (1757-1832).

Nestes painéis, que se caracterizam por serem desenhados em perspectiva, abundam as cores utilizadas, constando a respetiva interpretação do Ritual de Iniciação de alguns “Workings”, como é o caso do Emulation.

Figura 7 – Quadro de Loja de Aprendiz, Emulation Ritual

Como elementos simbólicos específicos deste “Working”, presentes no Quadro de Loja do Primeiro Grau destacam-se os seguintes:

  • Os três Pilares, representados nas ordens de arquitetura atrás referidas simbolizam, para alem do ternário Sabedoria – Força – Beleza, também Salomão, Hiram Rei de Tiro e, Hiram Abiff;
  • A escada simboliza a visualizada por Jacob, no seu sonho, através da qual os Anjos se deslocavam entre a Terra e o Céu;
  • Os três símbolos presentes sobre esta escada representam as Virtudes Teologais: Fé, Esperança e, Caridade;
  • As quatro borlas, desenhadas nos cantos do Quadro simbolizam as Virtudes Cardinais: Justiça, Temperança, Prudência e, Coragem;
  • As sete Estrelas que rodeiam a Lua representam os sete Irmãos necessários para tornar uma Loja Justa e Perfeita;
  • A Estrela Flamejante simboliza a Glorificação do Centro, representando a Orla Denteada de triângulos negros e, brancos, tudo o que O circunda.

No Rito de Adoção, através do qual começaram a ser iniciadas  Mulheres, no século XVIII, o conteúdo simbólico baseia-se, essencialmente, em vários temas veterotestamentários.

Os Painéis do Primeiro Grau deste Rito são, pois, substancialmente diferentes dos ligados aos Ritos, à época, exclusivamente masculinos, mais centrados na construção do Templo de Salomão. Os relativos à Maçonaria de Adoção exibem, assim, imagens alusivas aos três grandes temas do Aprendiza Maçona, os quais são a escada de Jacob, a Arca de Noé e, a Torre de Babel.

Figura 8 – Quadro de Loja de Aprendiz, Rito de Adopção, Séc. XVIII

Por último assinale-se que os Quadros de Loja do Rito Escocês Retificado, por obedecerem a diretrizes constantes dos Rituais de Willermoz, de 1782, são os que refletem mais a prática do século XVIII.

Figura 9 – Quadro de Loja de Aprendiz, RER, Séc. XX

O Painel de Loja do RER apresenta de específico uma porta fechada, símbolo da Porta do Templo Interior à qual se acede por uma escada composta por séries de três, cinco e, sete degraus, separada por patamares. Tendo-se presente que o Catecismo do Primeiro Grau deste Rito descreve o Pavimento de Mosaico como “o que se encontra sobre o subterrâneo do Templo”, encontramos aqui uma temática presente nos graus crípticos de outros Ritos.

Esta Porta é ladeada pelas duas Colunas habituais, mas apenas a da esquerda exibe a letra J, dado que o Aprendiz ainda não conhece a da direita.

Para além destes aspetos o Painel apresenta três conjuntos de símbolos, compostos cada um deles por três símbolos dispostos em triângulo. Estes três ternários integram as Joias Móveis, as Joias Imóveis e, o conjunto Sol-Lua-Estrela Flamejante, contabilizando o número nove (3 x 3), presente no RER de várias formas, tais como o número de Oficiais, ou o número de Luzes da Ordem.

Um dos aspetos que não foi normalizado nos Rituais de 1782 foi o número de Laços de Amor da Corda, pelo que em muitos Painéis deste Rito se adoptam nove Nós.

Para além do Quadro de Loja, no RER existe, ainda, um Quadro do Grau, colocado em frente ao altar do Venerável.

O do Primeiro Grau, que foi herdado da Estrita Observância Templária, reflete bem a dupla natureza Cavaleiresca e Cristã deste Sistema.

A coluna quebrada pelo fuste, mas cujas fundações permanecem firmes (em consonância com a divisa “Adhuc Stat”), que na Estrita Observância simbolizava a Ordem do Templo, assume todavia, no RER, uma interpretação mais espiritualista, representando o Homem, que muito embora se encontre corrompido pela queda, conserva em si os meios que lhe permitirão a sua regeneração, permitindo-lhe a Maçonaria a sua descoberta, no interior de si mesmo.

Este Quadro é sempre desenhado em branco, sobre fundo negro, em analogia com o teor do Prologo do Evangelho de João, segundo o qual 

“A Luz brilha nas trevas, mas as trevas não a compreenderam”.

Figura 10 – Quadro do Grau de Aprendiz, RER, Séc. XX

Para além de conter os símbolos do grau, o Quadro de Loja é, por si só, um símbolo, que assume no REAA um papel indispensável.

Assim, no nosso Rito, o Painel, disposto no local onde se projeta o eixo vertical da Loja, que liga o Zénite ao Nadir, representa o terceiro termo que equilibra o binário plasmado no pavimento de mosaico, orientando o espaço iniciático no qual se desenvolvem os trabalhos e, sobrevalorizando o centro, no qual todo o Maçom se deve situar.

Ao repetir em si toda a decoração simbólica do Templo, o Painel de Loja reafirma que a unidade contém, na sua essência, o Todo, ilustrando o princípio hermético de que

“Tudo o que está em baixo é igual ao que está em cima”.

Este símbolo interage dinamicamente com o ritual, encontrando-se aberto, quando não estamos mais no mundo profano e, fechado, quando a Loja não está em

Trabalhos, configurando assim a via traçada que levará o Maçom de Ocidente para Oriente, no caminho do Conhecimento e da Luz.

Acentua-se, ainda, que se o Quadro simboliza a Loja e, a Loja simboliza o Mundo, tudo isto ilustra que a Maçonaria é Universal.

Como tal, prolonga-se de Ocidente a Oriente, do Setentrião ao Meio-Dia e, do Zénite ao Nadir, numa única Cadeia de União intemporal, que nos religa ao passado, se materializa no presente e, se projeta no futuro, numa demanda constante do Belo, do Bom e, do Verdadeiro.

Como “caixa de ferramentas” de suporte dos Aprendizes, mais antigos ou mais recentemente iniciados, o Tapete de Loja reveste-se de uma riqueza pedagógica excecional, permitindo um trabalho de reflexão simbólica extremamente profícuo, que possibilita a cada Irmão ir acrescentando o seu contributo às primeiras letras, que os Irmãos, por quem anteriormente circulou a palavra, lhe dão.

De tudo o atrás exposto, sobressaem as seguintes questões:

  • A evolução histórica da simbólica associada ao REAA corresponde a uma tendência de aprofundamento iniciático crescente ou, pelo contrário, seria mais interessante proceder-se a uma abordagem revivalista, remontando-se aos rituais e, às construções simbólicas do séc. XVIII ?
  • Qual a atualidade e, a evolução previsível do nosso Rito, neste início do séc. XXI ?

Quando falamos de conhecimento iniciático, não estamos perante uma realidade estática, como a do conhecimento escolástico, que apenas se renova ao ritmo do reconhecimento oficial das novas descobertas científicas.

O conhecimento iniciático revivifica-se permanentemente, na medida em que o mesmo só é adquirido quando às interpretações que recebemos, dos elos da cadeia que nos antecederam, acrescentamos o nosso contributo reflexivo pessoal, transmitindo aos elos seguintes o valor acrescentado da nossa opinião.

O Rito Escocês Antigo e Aceito é, congenitamente, sincrético e, consequentemente, abrangente, o que lhe permite englobar todo um vasto universo de pensamento e, de símbolos, que lhe tem permitido adaptar-se a praticamente todos os quadrantes geográficos e, todos os sentidos de prática maçónica.

É certo que nem sempre os sincretismos introduzidos têm contribuído para uma maior coerência do sistema, mas coerência será sempre a ultima coisa a exigir de um Rito cujos graus simbólicos foram desenvolvidos em França, em 1804, sobre uma base Antiga e, em que a maior parte dos seus altos graus foram gerados, no mesmo país, entre 1740 e 1760, por Maçons que não conheciam outra forma de prática maçónica que não a Moderna e, onde coexistem influencias filosóficas tão distintas e, por vezes antagónicas como, por exemplo, a hermética e, a iluminista.

Devemos, contudo, pensar que um regresso às origens, levado até às suas ultimas consequências, obliteraria todo o contributo de diversos simbolistas notáveis, tais como Oswald Wirth ou, Jules Boucher, que contribuíram, já no séc. XX, para que o REAA assumisse a riqueza simbólica presente, constituindo-se como verdadeiro viveiro e, veículo transmissor da Tradição Maçónica, nas suas dimensões material, intelectual e, espiritual.

No que concerne à atualidade deste sistema face às questões contemporâneas, convém realçar que a Maçonaria se fundamenta em símbolos e, mitos que, por remontarem a fontes tradicionais, transportam uma essência intemporal, associada à natureza humana, que lhes tem permitido servirem de suporte à busca da Verdade, em contextos muito diversificados, espacial e, temporalmente.

A Verdade não se alcança, é fruto do momento e, tem sido esta sua busca que tem permitido aos Maçons encontrar respostas, em termos de valores éticos, face aos novos paradigmas das sociedades, em constante mutação, constituindo-se assim a Nossa Augusta Ordem como verdadeiro fator de elevação da Humanidade, numa constante busca de valores civilizacionais mais justos e, mais solidários.

Na reflexão filosófica maçónica contam mais os raciocínios que se produzem do que a base que os sustenta. Ao comportar fontes tão abrangentes, o REAA possibilita uma escolha das ferramentas adequadas à situação concreta, permitindo que a interpretação dos seus símbolos, que pode sempre ser focalizada sobre diversos pontos de vista, tenha uma leitura analógica que transporte para as questões contemporâneas, permitindo ao Maçom Escocês do séc. XXI continuar a trabalhar, à semelhança dos seus antepassados, para o seu progresso pessoal e, da Humanidade.

Não julgo, pois, que visões radicalmente revivalistas sejam as mais indicadas face ao futuro, mas, também em matéria de prática ritualística, temos sempre de saber donde vimos e, onde estamos para, em consciência, podermos decidir para onde queremos ir.

Nesta linha de raciocínio, nada de coerente se poderá construir sem se entender a mensagem que os Irmãos que nos antecederam nos deixaram, pois só assim será garantida a continuidade da Cadeia Iniciática e, convenientemente, assegurada a Transmissão.

Autor: Joaquim G. Santos

Fonte: REVISTA BIBLIOT3CA

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Referências bibliográficas

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Dachez Roger e Pétillot Jean-Marc ”Le Rite Écossais Rectifié”, PUF, Paris, 2012;

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Gabanon Leonard ”Catechisme des Francs-Maçons”, Paris, 1744;

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Mondet Jean-Claude ”La Premiére Lettre: L’Apprenti au Rite Ecossais Ancien et Accepté ”, Editions du Rocher, Paris, 2005;

Nöel Pierre ”Les Grades Bleus du Rite Écossais Ancien et Accepté”, Éditions Télètes, Paris, 2003;

Ritual ”Régulateur du Maçom”, 1801;

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Rituais de Referência REAA GLdF, 1927, 1952, 1962, 1979, 1984, 1989, 1998, 2000, 2003, 2006, 2013;

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Rocchi Giorgio ”Importanza e significato del Quadro di Loggia”, 2013;

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Wirth Oswald ”La Franc-Maçonnerie rendue intelligible à ses adeptes”, Éditions Dervy, Paris, 2007.

De Deus ao Grande Arquiteto do Universo

Pierre Dupont, Portrait de Pierre François, huile sur toile, 76 x ...

Na abertura dos trabalhos na Grande Loja da França se fala “Á Glória do Grande Arquiteto do Universo”, e essa mesma invocação é repetida ao término dos trabalhos. Ao ouvir isso, os Irmãos consideram essa expressão como um fato original e raramente questionam a sua origem e significado profundo. Mas é necessário conhecer nossa História para saber de onde viemos. O presente artigo nos permitirá saber como chegamos a essa noção de Grande Arquiteto que é, pelo Rito Escocês Antigo e Aceito, a pedra angular do caminho iniciático. Vou tentar explicar como a Maçonaria iniciática passou de Deus ao Grande Arquiteto do Universo.

Desde o nascimento do Cristianismo até o fim do Idade Média, Deus está em toda parte e em tudo, e ai de quem contestasse este postulado. Na Maçonaria, até o século XVIII, os trabalhos se desenrolavam e seus juramentos eram realizados sobre a Bíblia, “na presença de Deus e de São João”. A invocação de Deus era vital na época porque, desde a Idade Média, a onipotência da Igreja Apostólica Romana governava não apenas a consciência, mas também todas as instituições, desde corporações menores até a realeza. Ela condenava à morte aqueles que não pensavam dessa forma. Desde o início da Maçonaria, a crença é, portanto, obrigatoriamente em Deus, Grande Geômetra (de acordo com a expressão de Pitágoras) que mede o universo com sua bússola, como mostrado por muitas iconografias do século XIV, e ainda permanece hoje na Maçonaria Anglo-Saxônica.

Em toda religião, a Palavra Divina tem uma virtude criativa. Assim, em Gênesis, seres e coisas adquirem sua existência no momento em que Deus as cria e dá nome a elas. Essa noção criacionista da Palavra ainda se encontra nas sociedades tradicionais, sendo uma condescendência primitiva, onde o recém-nascido só entra no estado de criatura após vários dias ou várias semanas, a partir do momento em que recebe um nome, resultado de um ato de fala. Dar um nome para um ser ou uma coisa é equivalente a um ato divino e fornece uma forma de poder para quem nomeia sobre aquele que é nomeado.

Então, dando um nome à divindade, o homem de alguma forma, garante poder sobre ela e a reduz para a dimensão humana. Os homens, com a cumplicidade de alguns religiosos, apreenderam a noção de Deus para dar-lhe não apenas um forma humana (isso é chamado de antropomorfismo), mas também sentimentos que o representam como um parente (um exemplo é o Deus Pai), um patriarca que pede para ser adorado, que se eleva a Juiz Supremo (veja o último julgamento) e que pune aqueles que pecam contra ele (ver Inferno e Purgatório). Deus é assim concebido à imagem do homem e é apenas um reflexo de sua personalidade. Aqueles que permanecem escravos de concepções imperfeitas e estreitas sobre o que é a Divindade, são suscetíveis a gerar fanatismo, fundamentalismo e perseguições, que são a negação da liberdade de consciência, como vemos com muita frequência em nossa sociedade atual.

Pela Maçonaria dos Antigos, à qual nós pertencemos, desde que a ideia permaneça única e homogênea nas Lojas e não difere da ideia de Deus do mundo profano, isto é, da Igreja Católica Romana, a ideia de um Deus Geômetra se tornou o início do renascimento do Grande Arquiteto do Universo (a primeira menção se deve a Philibert Delorme por volta de 1565, que o retirou de Platão), que não apresentou problemas aos irmãos: o Grande Arquiteto era Deus. Mas com o início do Iluminismo, se passa a  defender a ideia da religião natural e gradualmente abandonará a noção de espiritualidade, uma ideia que será adotada pela Maçonaria dos Modernos, como evidenciado pela primeira versão das Constituições de Anderson de 1723, cuja versão de 1738 e as versões a seguir, contém a crença em um Deus obrigatório. Enquanto isso, os Antigos (Escoceses, Irlandeses e Católicos do norte da Inglaterra) mantêm a crença em Deus, mas não a impondo como um dogma, ao contrário dos ingleses.

A questão de Deus na Maçonaria continuará na segunda metade do século XIX, mas o uso da palavra “Deus” se torna polêmico por certos Supremos Conselhos e certas Grandes Lojas. Existem várias razões para isso:

  • Campanhas anti-maçônicas em países católicos depois que o Papa perdeu muito de seu poder quanto ao Estado em 1870;
  • O renascimento de doutrinas ultramodernas favoráveis à Santa Sé;
  • A radicalização da doutrina católica (infalibilidade pontifical, proclamação da afirmação “fora da Igreja não há Salvação” que vai contra a liberdade de consciência);
  • E especialmente a atitude ultraconservadora da Igreja Católica que se manifesta contra a modernidade, liberdades individuais e coletivas, direitos humanos, democracia, sufrágio universal, ciência, filosofia.

Este fato foi debatido no Concílio dos Supremos Conselhos, reunidos em Lausanne de 6 a 22 de setembro 1875 para atualizar as Grandes Constituições de 1786, que regiam o Rito Escocês Antigo e Aceito, sobre a definição de Grande Arquiteto do Universo.

Para satisfazer todas as crenças e admitir todos os pontos de vista, os representantes dos doze Supremos Conselho presentes (dos vinte e três na época) usaram três expressões diferentes para definir o Grande Arquiteto do Universo, a saber:

  • No preâmbulo “a Maçonaria é uma instituição de fraternidade universal cuja origem volta ao berço da sociedade humana; ela tem como doutrina o reconhecimento de uma força superior que ela proclama existir sob o nome de Grande Arquiteto do Universo”;
  • Na Declaração de Princípios “A Maçonaria proclama, como proclama desde a sua origem, a existência de um princípio criador sob o nome Grande Arquiteto do Universo”;
  • Manifesto “Para elevar o homem à seus próprios olhos, para torná-lo digno de sua missão na Terra, a Maçonaria postula o princípio que o Criador Supremo deu ao homem também a liberdade mais preciosa, herança da humanidade inteira, que nenhum poder tem o direito de extinguir ou amortizar e que é a fonte dos sentimentos de honra e dignidade”. [1]

Três interpretações de Deus para satisfazer todos os maçons: Força superior endereçada aos agnósticos; Criador Supremo endereçado aos teístas; Princípio Criador para os deístas. Mas esse desejo de atender todas as sensibilidades religiosas é interpretado como uma recusa em se pronunciar e levará a rejeições dos teístas acusando os deístas de suavidade e, os agnósticos de ateísmo.

O Supremo Conselho da França e, depois dele, a Grande Loja da França, manterá a invocação de Grande Arquiteto do Universo definida, fora de todo o significado religioso, como Princípio Criador, abrindo o caminho para a Maçonaria não mais teísta, mas deísta, enraizada na tradição dos Antigos, respeitosos da liberdade de consciência e do direito de todos de exercê-lo em sua abordagem enquanto os Anglo-Saxões mantêm o reconhecimento de Deus e de sua mensagem revelada, assim como da imortalidade da alma, que o Grande Oriente da França suprime qualquer referência a Deus e o Grande Arquiteto e que a Bélgica, defendendo a imortalidade da alma, usa a expressão “Princípio Superior” que constitui uma aberração, porque implica que há um ou mais Princípios inferiores.

Durante o século XX, entre ciência e fé, a ideia de Deus está se tornando cada vez mais heterogênea com a perda de marcos metafísicos e a lógica do cientificismo. A noção de Deus está dividida entre dúvida e desconfiança da ciência e o surgimento de seitas que se tornam novas religiões, como a Cientologia ou Nascidos de Novo Cristãos (Born again Christians). Para nós, Maçons do Rito Escocês Antigo e Aceito, o Grande Arquiteto do Universo está a salvo destas discussões porque representa um símbolo, e um símbolo é interpretável por cada um de acordo com a abertura de sua consciência.

Para o Rito Escocês Antigo e Aceito, o Grande Arquiteto do Universo é o Princípio Criador. Etimologicamente, “princípio”, deriva do latim de principium, derivado de princeps, “que ocupa o primeiro lugar”. Significa “começo, origem dos tempos, causa original, fonte de todas as coisas”, então o adjetivo “criador” é supérfluo porque já está implícito no termo “princípio”. Pessoalmente, já anunciei várias vezes (e minha definição foi repetida no Journal de la Grande Loge de France), defendo a noção de princípio com P maiúsculo sem qualquer outro qualificador. Para mim este termo reconcilia todas as interpretações tomando uma dimensão transcendente aceitável por todos que procuram de boa-fé, sejam crentes ou incrédulo, mantendo uma religião venerando um Deus ou uma religião sem um Deus (como o budismo Ortodoxo).

Cristo em pé sobre o globo, cercado pelos quatro elementos (Lyon, Mathieu Huss, 1482)

Assim como Deus, o Princípio está sob o domínio do incognoscível, mas, diferentemente da religião, você não pode dar um nome sem cair em uma forma de profanação. É inefável que, sem nomear, a qualificação de Grande Arquiteto do Universo permite aos descendentes dos construtores que concebam uma entidade acessível à razão humana sem dar a ela poderes sobrenaturais que provavelmente favorecem a superstição. Se transpusermos essa qualificação de plano espiritual para o plano material, encontramos no Grande Arquiteto as noções da arquitetura de base, a saber: Ordem, Plano, Geometria, Harmonia, todas as noções que o homem pode integrar facilmente em seu sistema de pensamento.

Este princípio transcendente repousa não apenas na Palavra criativa, mas também na Luz (é necessário sabermos que a origem indo-europeia da palavra “Deus” denota a ideia de brilho). Esta trindade esotérica Princípio / Palavra / Luz, que não vai contra a interpretação religiosa da Trindade, baseada no tríptico Pai / Filho / Espírito Santo.

Nesse sentido, qual é a atitude da Igreja em relação a Maçonaria? Enquanto o Grande Arquiteto era Deus, nunca houve o menor problema. Mas a partir do momento em que os dois símbolos não coincidem mais a partir do século XVIII, as relações estragam e a atitude da Igreja se torna mais radical. Como os regimes totalitários político ou militares que a condenaram e ainda hoje a condenam, a Igreja Apostólica Católica Romana não foi deixada para trás em sua perseguição à Maçonaria. Para constar, mencionarei apenas os textos mais importantes publicados desde o nascimento da Maçonaria, na França e nos países subservientes a Roma:

  • A bula In eminenti apostolanus specula de 28 de abril 1738 do papa Clemente XII condenando os Francos-Maçons “que se reúnem na escuridão do segredo porque odeiam a luz”;
  • A bula Providas romanorum de Bento XIV de 16 de março de 1751, que confirma a penalidade de proibição e de excomunhão de 1738;
  • A carta apostólica Quo graviora de Leão XII de 13 de março de 1826, recordando a condenação da sociedade dos Franco-Maçons;
  • A cíclica Humanum genus de Leão XII de 20 de abril de 1884, confirmando a condenação da Franco-Maçonaria;
  • Mais perto de nós, a carta do Presidente da Congregação da Doutrina da Fé de 26 de novembro 1983, reafirmando a incompatibilidade entre a Igreja e Maçonaria; [2]
  • Deste último decorre a demissão em maio de 2013 do Pároco de Megève, infligido pelo bispo de Annecy o pedido do Vaticano de pertencer ao Grande Oriente da França, alegando que pertencer a Maçonaria e o serviço da Igreja Católica são incompatíveis.

Pessoalmente, considero que a condenação da Maçonaria pelo Vaticano aplica-se a Maçonaria sectária e anticlerical, mas nunca se referiu ao Rito Escocês Antigo e Aceito, porque nunca se opôs abertamente à religião, pelo contrário. Basta lembrar dessa passagem do manifesto do Concílio de Lausanne para se convencer disso:

“Para os homens para quem a religião é o consolo supremo, a Maçonaria [3] diz: cultive sua religião sem impedimentos, siga as inspirações de sua consciência; Maçonaria não é uma religião, ela não tem um culto …”.

Mais recentemente, outras Igrejas também tem se declarado hostis à Maçonaria, como a Igreja Anglicana cerca de vinte anos atrás, e as Seitas sectárias americanas como a Cientologia e os Nascidos de Novo Cristãos (Born again Christians), mas por diferentes razões: de fato, a Maçonaria Anglo-Saxônica, que é um quintal das Igrejas estabelecidas, é considerado um concorrente por Canterbury, uma vez que o número de fiéis caiu acentuadamente na prática do culto na Grã-Bretanha; por causa do importante lugar que ocupa nos Estados Unidos, representa um déficit para seitas de todos os tipos que passaram do declínio da espiritualidade para o benefício da religiosidade.

Após essa digressão no mundo da religião, vamos voltar ao nosso assunto.

O Princípio preexiste necessariamente a Palavra e para a Luz que são energias, isto é, forças. Até o espírito mais rebelde da metafísica é obrigado a observar que:

  • Por trás do princípio, existe a fonte, há energia,
  • Por trás da energia existe a lei, ou seja, um conjunto de regras,
  • Por trás da lei está o plano que permite o cimento de todas as coisas,
  • E que o plano apresenta o Arquiteto que o concebe.

E isso está em perfeita concordância com o conceito de Grande Arquiteto do Universo, ao mesmo tempo um símbolo menos redutivo e menos violador da consciência do que a interpretação de um Deus revelado, uma abordagem metafísica acessível a razão humana. Além disso, um símbolo é por definição interpretável e evolutivo de acordo com o conhecimento de cada um, seja cultural, religioso ou espiritual. Este símbolo tem, por outro lado, a vantagem de reconciliar religiões dogmáticas e religiões que não reconhecem a ideia de um Deus criador, tantos os crentes quanto os não crentes. Finalmente, este símbolo difere da ideia de Deus, pois ele representa um conceito, e nesse sentido ele não pode julgar nem Punir, muito menos ser adorado.

Assim, por reposicionamentos sucessivos na história da Maçonaria iniciática, o Grande Arquiteto do Universo foi gradualmente se destacando do conceito de Deus. O espaço assim criado entre Deus, proposto como o detentor da Verdade revelada, e o Grande Arquiteto do Universo, símbolo do Princípio, surgiu como um espaço de liberdade para as pressões por uma espiritualidade livre de todos os dogmas. Para o homem livre, elaborar sua própria ideia da Divindade se torna um dos desafios do século XXI.

No mesmo sentido dessa evolução do conceito da divindade, o lema dos Conselhos Supremos do Mundo, Deus meumque Juice (ou seja, o certo, para o Maçom Escocês, interpretar Deus de acordo com sua cultura e o grau de abertura do seu espírito), que combina harmoniosamente fé e razão e especifica o relacionamento reconhecido pelo Rito entre o Divino e o Homem, este último não sendo imposto, em sua qualidade de Maçom, de nenhuma outra maneira além da escolhida por sua consciência como um homem livre. E nessa afirmação do Grande Arquiteto do Universo, o Sistema Escocês respeita a liberdade de todos de pensarem ou não sobre a divindade. Após o Concílio de Lausanne, o Soberano Grande Comendador Crémieux declarou:

“Não damos forma ao Grande Arquiteto do Universo, deixamos cada indivíduo pensar o que quiser.”

Porque Deus é algo pessoal que não se compartilha. O Maçom Escocês não está esperando por uma resposta revelada, muito menos uma definição mundial. Aí reside a dificuldade da abordagem iniciática, mas descobrir toda a sua grandeza e procurar por seus mistérios nos permite alcançar harmonia e equilíbrio que garante a nossa plenitude como homens.

Atualmente, alguns cientistas de alto escalão têm uma visão da divindade muito próxima da nossa. Assim, o astrofísico Trinh Xuan Thuan, em Caos e Harmonia, publicado pela Fayard Editions, escreve:

“O universo é definido com extrema precisão. São necessários pouco mais de dez números (na verdade quinze números chamados “constantes físicas”) para descrevê-lo: o da força gravitacional, a velocidade da luz, aquela que dita o tamanho dos átomos, sua massa, a carga de elétrons, etc. No entanto, seria suficiente que um desses números fosse diferente para que o universo inteiro e, portanto, nós, não existíssemos. Uma relojoaria muito delicada porque, com mudanças de algumas casas decimais, nada acontece e o universo é estéril. O Big Bang tinha que ter alguma densidade. Estrelas produzem carbono. A Terra está a certa distância do sol. A atmosfera tinha uma boa composição. Tudo isso foi necessário para a vida aparecer. Milhares de outras combinações foram possíveis. Os físicos recriam [essa atmosfera] em laboratório, mas nenhum cria à vida. Essa competição de circunstâncias é extraordinária demais para que o acaso seja o único responsável.”

O autor usa a metáfora da relojoaria, como a definição de Voltaire de Grand Horloger (“É impossível para mim conceber ver um relógio sem relojoeiro”), mas especialmente detectamos a presença de um espírito acima de tudo, imaginação ou elucubração, como Nativos americanos que usam a frase “Great Manitou” (Grande Espírito) para designar Deus.

Em conclusão, o Franco-Maçom Escocês descobre que pertence a um conjunto universal unido governado pelo Princípio, símbolo da transcendência, sem o direcionamento a um Yahvé, um Deus, um Alá ou um Buda ou qualquer outro ídolo, conceitos que limitam aos preceitos de uma Igreja, com exclusão de todas as outras crenças. Através da iniciação, a fé se manifesta no nível de uma experiência interior independente de dogmas que restringem a liberdade de consciência.

Embora se recuse a lidar com questões da vida cotidiana (no nível religioso, político ou social) sem ignorá-la, o caminho escocês é um caminho exclusivamente iniciático em sua dimensão espiritual, que torna o maior grupo de Maçons do mundo.

Tradução: Rodrigo de Oliveira Menezes

Texto recebido por e-mail, sem o nome do autor, em Francês. Traduzido e publicado.

Fonte: Ritos & Rituais

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Notas

[1] – Independente da interpretação do autor, vale a ressalva que a Proclamação de Princípios do Concílio de Lausanne foi o ponto principal de embate entre os Supremos Conselhos, fazendo com que muitas das determinações acolhidas pelos seus representantes não fosse aceita ou seguida por Escócia, Estados Unidos e demais países alinhados. Existe um artigo muito bem escrito no próprio site que narra todo esse desenrolar podendo ser acessado pelo link: https://ritoserituais.com.br/2018/09/19/o-concilio-dos-supremos-conselhos-do-rito-escoces-antigo-e-aceito-parte-1/

[2] – A íntegra desse texto já foi publicada no site através do link: http://ritoserituais.com.br/2019/06/25/macom-pode-comungar/

[3] – Naturalmente, esta é a Maçonaria do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Os (“Altos”) Graus escoceses iniciais tiveram origem na França?

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Para que se tenha a chance de entender por que algo inesperado aconteceu em um local específico, em um horário específico, parece lógico investigar o que aconteceu ali antes e durante esse período em outras partes do mundo e, em seguida, tentar descobrir se pode haver existido algum tipo de relação entre eventos que a princípio não pareciam relacionados entre si. Um médico não faria um diagnóstico antes de investigar o passado de um paciente (anamnese) e um tribunal não passaria uma sentença antes de investigar o passado de qualquer pessoa acusada de um crime grave.

Embora essa abordagem pareça razoável, muitos historiadores maçônicos seguem outra. Começam com uma opinião preconcebida, consideram um fato do qual tiram conclusões e misturam o resultado com algumas frases selecionadas de seus antecessores que usaram o mesmo método, dificilmente mencionando o que quer que tenham tomado emprestado. Tendo preparado assim um coquetel próprio, eles escrevem, chamam de trabalho de pesquisa ou de livro novo e colocam sua assinatura.

Os (altos) graus escoceses foram originários da França? A maioria dos autores maçônicos responde a essa pergunta com um enfático sim, mas estou longe de ter certeza de que eles estão certos. A afirmação parece ter se originado assim: escritores antimaçônicos seguidos por historiadores românticos franceses atribuíram uma origem francesa aos altos graus. Sua afirmação foi repetida de um livro para o outro sem controle. Então, em 1877, o Grande Oriente francês foi excluído da comunidade maçônica por razões bem conhecidas. Em uma situação que opunha uma Maçonaria deviacionista, de língua francesa, a uma respeitadora dos Landmarks, de língua inglesa, mais um pecado não importava muito. Pelo contrário, desde que “a Maçonaria pura e antiga” foi definida como composta apenas por três graus, incluindo o Arco Real, não era inconveniente adotar a opinião de que desde o início – desde a primeira metade do século XVIII – a Maçonaria francesa se desviou da linha pura e antiga.

Por volta da mesma época, nasceu a escola autêntica de pesquisa inglesa. Não se poderia esperar que membros da Loja Quatuor Coronati admitissem uma teoria não comprovada. No entanto, eles fizeram isso desde o início em outros domínios da pesquisa maçônica fundamental, como o das origens da Maçonaria:

Os fundadores da Loja cunharam a frase “escola autêntica ou científica” de pesquisa maçônica, que depois de cem anos levanta a questão de saber se eles cumpriram aquilo a que se propunham. Em seu apetite voraz por procurar evidências, a resposta é sim. No tratamento dessas evidências, penso que a resposta só pode ser um sim muito moderado, particularmente no que tange ao seu trabalho sobre as origens da Maçonaria. Eles examinaram, acharam falta e rejeitaram muitas das teorias mais estranhas de nossa existência e trataram da mesma forma as evidências fornecidas por Anderson. No entanto, eles não examinaram a premissa básica de Anderson de que a Maçonaria se desenvolveu diretamente a partir da maçonaria operativa. Isso eles parecem ter aceitado sem questionar e, como Darwin, passaram muito tempo procurando elos perdidos entre a maçonaria operativa e as evidências que vinham trazendo à luz sobre a maçonaria não operativa. Nisso, eles estavam se comportando de maneira não científica, buscando evidências para provar sua teoria, em vez de buscar evidências e analisá-las para ver o que poderia ser deduzido delas. (John Hamill, AQC 99, 1986, p. 4)

Buscar evidências para provar uma teoria equivale a escolher fatos e resulta em isolar eventos de seu contexto, o que a escola autêntica fez[1] e continua fazendo.

A Maçonaria do século XVIII não era a organização centralizada nacionalmente em que viria a se tornar. Ela se desenvolveu e mudou através da influência de irmãos que viajavam de um país para o outro, de uma parte do mundo para outra, trazendo consigo costumes e inovações de onde vieram e comunicando-os onde quer que chegassem. As Grandes Lojas Nacionais – nenhum Conselho Supremo ou órgão semelhante existia na época – tiveram pouca influência real nas ações individuais de seus membros. As regras do jogo eram diferentes.

Analisar os desenvolvimentos históricos e os rituais maçônicos fora desse contexto internacional, abordando-os com nossas regras atuais em mente, é provavelmente uma das razões pelas quais os historiadores do século XVIII maçônico são confrontados – e confrontam seus leitores – com situações inexplicadas ​​e inexplicáveis; pois tal técnica não faz sentido.

Pior ainda. Por mais de cem anos, os graus simbólicos e os graus adicionais são estudados em livros separados – ou em capítulos distintos de livros maçônicos – como se pertencessem a universos separados do mundo, sem feedback mútuo[2]. Esse não foi o caso ao longo do século XVIII, por exemplo, na Irlanda. Os historiadores irlandeses enfatizam o fato de que as Licenças emitidas por sua Grande Loja

forneceram às Lojas da jurisdição irlandesa certos poderes pelos quais elas julgavam ter plena autoridade para trabalhar qualquer grau maçônico sob seu mandado – um poder que exerciam a partir do momento em que eram criadas. O único limite para a prática exigia a presença de algum irmão competente para realizar as cerimônias […]. Consequentemente, os irlandeses garantiam que as Lojas, domésticas e no exterior, conferissem qualquer grau que desejassem, com pleno conhecimento e aprovação da G.L.[3][…] É difícil perceber que todos os graus já foram dados sob a única sanção e autoridade de uma Licença Simbólica. Antes da formação do Grande Capítulo e do Supremo Grande Acampamento, nos anos 1830, nenhuma outra Licença era conhecida. E assim, em nossos antigos Livros de Atas, encontramos os Graus mais altos e outros Graus secundários há muito esquecidos, conferidos aos Irmãos geralmente à taxa modesta de 5/5d. irlandeses ou 5/– ingleses. Cada Loja tinha chancelas separadas para estes graus[4].

No entanto, dois passos, ambos dados na Inglaterra, levaram à atual separação entre os Graus Simbólicos e outros graus. Em primeiro lugar, a redação do Artigo II dos Artigos da União ratificada por ambas as Grandes Lojas inglesas em 1813

É declarado e pronunciado que a Maçonaria Antiga pura consiste em três graus, e não mais; a saber: os de Aprendiz, Companheiro e de Mestre Maçom, incluindo a Ordem Suprema do Santo Arco Real. […]“

Segundo, o quinto dos Princípios Básicos, aceito pela Grande Loja Unida da Inglaterra, em 4 de setembro de 1929. O primeiro documento pôs fim às consequências negativas de uma situação maçônica estritamente inglesa, a saber, a existência de duas Grandes Lojas rivais na Inglaterra e suas colônias nos sessenta anos anteriores. O último expressou a avaliação inglesa da situação maçônica europeia entre as duas guerras mundiais.[5]

Algumas observações sobre a morte de Hiram

Antes de considerar se os graus Escoceses se originaram na França, vamos dar uma olhada na velha questão dos graus originais e de seus temas, uma vez que o conteúdo de um grau costuma ser mais revelador do que o nome ou o número atribuído a ele.

Historiadores da Maçonaria de língua inglesa admitem uma falta de manuscritos ou evidências impressas mostrando a evolução dos graus na Inglaterra entre 1730 (Maçonaria Dissecada) e 1760 (Três batidas distintas), uma falta pela qual Harry Carr cunhou a expressão ‘a lacuna de trinta anos’. Eles enfrentam a seguinte situação desconfortável:

  • uma primeira série de ‘catecismos’ e exposições emitidos entre 1723 e 1730, considerados incompletos porque “ não contém […] referência a uma oração ou a uma cobrança feita a irmãos recém-admitidos” (Knoop , Jones e Hamer , Catecismos Maçônicos Antigos , 1947, 2ª ed. [1963], p. 21 – Mesma ideia em Carr, AQC 94, 1981, p. 117);
  • o ‘intervalo de trinta anos’, de 1730 a 1760, durante o qual “um certo desenvolvimento [ocorreu]”, é um discreto eufemismo de John Hamill (The Craft , 1986, p. 65);
  • uma segunda série de exposições em inglês, começando com o Three Distinct Knocks (1760) e Jachin e Boaz (1762).[6]

No entanto, analisando, em 1980, as duas primeiras exposições em inglês da segunda série, Harry Carr fez uma pergunta que parece um pouco estranha em vista do exposto: “Por que ele [o autor de Jachin e Boaz usou a seção narrativa de abertura contendo práticas que eram estranhos para aos procedimentos ingleses?[7]. Em outras palavras: Carr admite a falta de elementos que permitam acompanhar a evolução do ritual inglês depois de 1730, mas não hesita em declarar certas práticas rituais de 1762 como procedimentos estranhos ao inglês[8].Bastante ilógico, não é?[9]

O porquê dos graus Escoceses ou os primeiros ‘altos’ graus terem sido inventados e trabalhados pode muito bem estar relacionado a duas perguntas:

– Quando a lenda envolvida em nosso atual terceiro grau se tornou parte da Maçonaria Simbólica?

– Qual foi a evolução da lenda em diferentes partes do mundo?

Uma evidência bem conhecida é que o assassinato do arquiteto fez sua primeira aparição impressa na Maçonaria Dissecada de Prichard, publicada em Londres, em outubro de 1730. Outra é que três graus distintos – ignoramos sua substância temática – foram trabalhados em Londres em maio de 1725:

Charles Cotton foi “feito maçom” em 22 de dezembro de 1724; algum tempo depois “Uma Loja foi realizada com Mestres suficientes para esse fim “a fim de passar Charles Cotton, Esc Mr. Papillon Ball and Mr. Thomas Marshall Companheiros.”; em 12 de maio de 1725, “Irmão Charles Cotton Esc | Irmão Papillon Ball foram regularmente passados a Mestres”).[10] 

Uma pista adicional foi aparentemente até agora ignorada. Está incluída em Um Diálogo Entre Simão e Felipe.

a) Um diálogo entre Simão e Felipe 

Por volta de 1943, a transcrição de um documento sem data – o manuscrito original foi considerado perdido – intitulado A Dialogue Between Simon, A Town Mason, & Philip, A Traveling Mason, foi trazida à atenção de Douglas Knoop, que a publicou na primeira edição (1943) de Catecismos Maçônicos Antigos (EMC). Naquele momento, Knoop, Jones e Hamer atribuíram a data de c.1740 ao documento. Depois que o Diálogo foi submetido e discutido na Quatuor Coronati Lodge, em 7 de janeiro de 1944, Knoop mudou de ideia e admitiu que poderia ter sido escrito já em c.1725. Felizmente, em 1945, um conjunto de fotografias que reproduzem o manuscrito original foi descoberto na Grand Lodge Library, em Londres (AQC 57, 1946, p. 21). A segunda edição (1963) da EMC, no entanto, não menciona nem a mudança sugerida de datação (pelo contrário, seu prefácio repete o c.1740) nem algumas diferenças entre a transcrição e o documento original, que incluiu dois esboços essenciais com as seguintes legendas:  “Esta é a forma das antigas Lojas” e “Esta Loja é a nova Loja sob o Regulamento Desaguliers”.[11]

Diálogo inclui as seguintes palavras:

E o Aprendiz Junior pega você pela mão e bate três vezes na porta. O Mestre pergunta: quem está lá. E o Aprendiz responde: Aquele que deseja ser feito maçom. A resposta do Mestre: Traga-o.

Nota: A razão para esses três golpes não é conhecida pelos Aprendizes, mas pelo Mestre, que é de HIRAM, o Grão-Mestre no TEMPLO DE SALOMÃO. Sendo assassinado por seus três Aprendizes e despachado pelo terceiro golpe que o último Aprendiz deu nele e isso porque ele não desvendaria os segredos para eles.[12]

Dizer que Hiram foi assassinado por seus três Aprendizes dá, eu acho, uma pista interessante para uma tentativa de datar o Diálogo, bem como para avaliar o estágio de desenvolvimento do sistema de graus no momento em que foi colocado no papel. Sugere as seguintes possibilidades:

  • Um ‘sistema’ composto apenas por dois graus: o grau de ‘Aprendiz’ seguido de um grau que incluía o assassinato de Hiram. Nesse caso, a datação pode ser anterior ao ano ( 1725) sugerido por Knoop numa segunda avaliação;
  • Um sistema de três graus no qual a lenda do nosso terceiro grau atual pertencia ao segundo grau, sendo o tema do terceiro desconhecido, mas possivelmente incluindo elementos conhecidos posteriormente como integrantes do Arco Real. Essa possibilidade foi exposta por Philip Crossle, um excelente estudioso irlandês, catorze anos antes da redescoberta do Diálogo.

b) Rito irlandês de Philip Crossle

Em 1927, Philip Crossle descreveu aquilo que o conteúdo temático do sistema nativo de três graus poderia ter incluído desde o início na Irlanda.

Primeiro Período. […]

Possivelmente a mesma prática, descrita por Pennell (1730):

  1. Aprendiz ou Irmão
  2. Companheiro
  3. Parte do Mestrado (M.M.), não restrito ao Presidente.

[…]

Segundo período.

Na medida em que se deu a conversão para o Arquismo Real, cuja data exata é impossível de ser definida, os três graus acima foram mantidos; mas os nomes foram mudados. […]

  1. Aprendiz Iniciante e Companheiro de Ofício (um grau), mais frequentemente chamado de ”Iniciante e Oficiando”.
  2. Mestre Maçom.
  3. Arco Real.

Aqui temos um sistema de apenas três graus. O número 1, o “aprendiz” de Pennell, ficou conhecido por um nome composto. Seu “Companheiro de Ofício”, tendo perdido seu significado anterior, deixou de representar um grau específico. O nome, apenas, foi unido ao primeiro grau, apenas para preservá-lo da extinção. O número 2, o “Companheiro de Ofício” de Pennell, foi rebatizado de “Mestre Maçom”. É importante manter isso em mente. O número 3, a “parte do Mestre” (M.M.) de Pennell, foi rebatizada de “Arco Real”. […] O significado do grau que nós, na Irlanda, chamamos agora de “Mestre Instalado” deve ter sido apenas uma parte da parte do Mestre de Pennell e parece ter sido fundido nas cerimônias conhecidas pelo nome geral de “Arco Real” do Segundo Período[13].[…] O Segundo Período nos apresenta as palavras “Arco Real”. Na minha opinião, nossa concepção do grau que leva esse nome não foi uma invenção – era a “parte do Mestre” (M.M.) de Pennell, revestida de um novo nome[14].

c) Algumas ideias de Robert J. Meekren[15]

J. Meekren seguiu uma trilha mais conservadora. Entretanto, sua experiência com vários rituais em diferentes partes do mundo permitiu que ele estudasse o ritual de M.M. com a abordagem comparativa recomendada por Douglas Knoop (The Genesis of Freemasonry, p.16). As citações, a seguir, de artigos que Meekren escreveu e de comentários que ele fez sobre trabalhos de outros estudiosos abrem perspectivas interessantes.

Aliás, há um grande mistério que é, ou parece ser, insolúvel por pura falta de evidência ou mesmo sugestão a respeito; e foi quando, e como, o motivo Elu foi incluído no terceiro grau tal como este é tratado nos países de língua inglesa. Não há nenhum vestígio disso em qualquer forma do grau de M.M. na Europa Continental. Isso deve ter ocorrido antes de 1760 e (como parece) depois de 1730. (AQC 68, 1956, p. 109)

Não há nada em Prichard ou em Le Secret sobre procurar a Palavra no túmulo de H.A.B.; por outro lado, é dito em Prichard que a Palavra foi perdida, e também é dito que “agora é encontrada”. Nas versões atuais na França – e que quase certamente refletem as formas então favorecidas nos círculos da Grande Loja na Inglaterra – a Palavra não está perdida. Aqueles que foram enviados para procurar o H.A.B. sabiam qual ela era, mas concordaram em alterá-la pelas razões apresentadas. A única forma da lenda hirâmica na qual se diz que a Palavra é procurada é a do rito de York na América, que descende do ritual dos “Antigos”. Neste, os pesquisadores são cobrados a “observar se palavra-chave do Mestre ou uma chave para ela deveria ser encontrada no corpo ou sobre ele”. Isso me parece o resquício de uma tradição ainda mais antiga, como indicaria o relato de Prichard, porque nada é feito dela, nem é mencionada de novo. Eu acho que a versão francesa pode muito bem ter sido uma das coisas que os “Antigos” objetaram no ritual dos autodenominados “Modernos”. (AQC 72, 1960, p. 50)

No Rito de York, que é quase universal nos Estados Unidos e que é o ritual dos “Antigos” um pouco elaborado, a ideia bastante fantástica de que aqueles Companheiros que descobriram o corpo do Mestre desaparecido tornaram-se automaticamente Mestres Maçons através de sua exclamação diante do túmulo é completamente evitada. A essência da história é que os dois reis e Hiram Abif formaram a primeira Loja de Mestres, e os Artesãos haviam prometido que, quando o Templo estivesse concluído, eles (ou seja, todos os que fossem julgados fiéis e, suponho, competentes) receberiam os segredos do Mestre como recompensa. Como os três concordaram ou se obrigaram a não comunicar esses segredos que haviam adotado, exceto quando os três estivessem presentes, o combinado era que, quando um deles estivesse ausente, isso não poderia ser feito. A mesma situação aparece no manuscrito Graham com os dois irmãos do rei Alboyne. Assim, embora os dois reis soubessem quais eram os segredos originais, eles não poderiam comunicá-los e, portanto, ficariam perdidos para aqueles que esperavam recebê-los. Consequentemente, o rei Salomão, que comparece ao túmulo quando o corpo de Hiram é levantado, anuncia que, embora os sinais e palavras adotados primitivamente pelos três Mestres originais (chamados Grandes Mestres) estejam efetivamente perdidos, ele os substituirá por outros, para que os dignos artesãos recebam o status de Mestres, embora não com a palavra pretendida originalmente. A palavra é especialmente enfatizada, embora os sinais também sejam mencionados.

Obviamente, o efeito da versão inglesa é praticamente o mesmo. Mas na França a história é radicalmente diferente. Não havia um acordo como o relatado nas versões inglesa e americana da história e, evidentemente havia mais de três Mestres, pois os descobridores do corpo, em muitos casos, são considerados Mestres, nove deles em uma versão que, temendo que os três assassinos possam ter obtido a palavra (evidentemente considerada apenas uma senha), concordam em alterá-la e, ao relatar isso, aquela que deveria ter sido a palavra original é abertamente contada ao candidato. Houve substituição, mas não houve perda – foi o Mestre que se perdeu. E enquanto nos modernos rituais franceses e outros europeus essa ideia evoluiu um pouco, ela permaneceu essencialmente a mesma desde o início, pois ela aparece, como ressalta que o irmão Ward, nos primeiros documentos franceses. (AQC 75, 1962, p. 172)

Para permitir que os leitores percebam as implicações das observações de R. J. Meekren, alguns textos relevantes são transcritos nos Apêndices 2 – 4 deste artigo. Eles incluem:

  • Partes do testemunho de John Coustos (vide anexo 3) feitas perante a Inquisição Portuguesa, em Lisboa, em março de 1743, sob a ameaça de tortura[16]. Em 1982, o padre José A. Ferrer Benimeli, s.j., transcreveu e emitiu a ata original da Inquisição e outros documentos referentes à prisão de Coustos[17]. Uma frase, “Ele disse ainda que ele, o prisioneiro, aprendeu todo o assunto acima exposto no Reino da Inglaterra”, é do maior interesse em relação a um elemento ritual mencionado por Coustos: “quando ocorreu a destruição do famoso templo de Salomão, foi encontrada, embaixo da primeira pedra, uma tábua de bronze sobre a qual estava gravada a seguinte palavra, Jeová, que significa Deus”.
  • Trechos de duas exposições francesas, Catechisme des Franc-Masons (1744) (vide anexo 4) e L’Ordre des Francs-Maçons Trahi et le Secret of Mopses Revelé (1745), onde aparecem em palavras quase idênticas.
  • Trechos paralelos da Parte do Mestre incluídos em Três Batidas Distintas (1760) (vide anexo 5) e em Jachin e Boaz (1762). Em ambos, os três assassinos são condenados e executados.

d) Comentários do Dr. Pott

Em um notável artigo traduzido do holandês que apareceu em Le Symbolisme (maio-junho de 1964, nº 365), o Dr. P. H. Pott resumiu as consequências do mito da morte de Hiram e sua possível influência nos temas dos graus Escoceses.

A Maçonaria ‘Azul’ dos graus simbólicos tem sua origem em determinados elementos relacionados à construção do Templo do rei Salomão. Nos graus de Apr. e Comp., eles são apresentados sob um aspecto extremamente indiferenciado, isto é, como um resumo geral preocupado com a construção de um templo, considerado de um ponto de vista simbólico. No grau de M. M., no entanto, tais elementos tornam-se mais precisamente delineados através do mito. O ponto não é mais, abstratamente, aquele da construção em geral, mas diz respeito a um evento trágico que ocorre dentro da aparência simbólica de um edifício considerado como um todo.

[…]

Indo além, pode-se dizer que o evento que ocorre no grau do M.M. acarreta consequências específicas que permanecem incompletas:

a) o assassinato de H.A. perturba a ordem das coisas: implica pôr fim a uma situação anormal e, consequentemente, prender e punir os culpados por seu crime, ou seja, exercer uma vingança justificada sobre eles;

b) a morte de H.A. resulta em uma interrupção dos trabalhos. Consequentemente, torna-se necessário encontrar um novo arquiteto, o mais competente possível, capaz de prosseguir com as obras e concluir o edifício da melhor maneira possível;

c) por causa do assassinato de H.A., a Palavra-Mestre se perdeu e todos os esforços devem ser feitos para recuperá-la.

A partir do momento em que alguém se sente instigado a dar uma sequência aos graus do Ofício, pode encontrar uma oportunidade numa das consequências mencionadas acima. E foi isso que de fato aconteceu.

Primeira evidência do Écossais, ‘Escocês’ ou dos ‘Altos Graus’

Vamos agora considerar as evidências sobre as primeiras aparições do Écossais, “escocês” ou “altos” graus em diferentes partes da Europa.

1 – A Loja irlandesa de Lisboa – agosto de 1738

Philip Crossle, cujas ideias sobre o Rito Irlandês foram mencionadas acima, ficaria interessado em ler uma declaração feita perante a Inquisição, em Lisboa, em 1º de agosto de 1738, por Hugo O’Kelly, então Mestre de uma Loja local, que, por volta de 1733, começou a trabalhar, e era então composta principalmente por Irmãos irlandeses. Provavelmente é a Loja N ° 135, licenciada em 17 de abril de 1735 pela primeira Grande Loja da Inglaterra, e que foi fundada por um matemático escocês chamado George Gordon[18].

A primeira bula papal contra os maçons, In Eminenti, foi lançada em 28 de abril de 1738, promulgada em Portugal em junho, e seu texto foi afixado nas portas das igrejas em Lisboa logo depois. Chamado como testemunha, O’Kelly declarou

que, assim que soube que o Santo Padre […] proibira tais reuniões, escreveu imediatamente a todos os membros de sua Loja [e] deu ordens para que não houvesse mais reuniões desse tipo […]”.

No decurso de seu testemunho – ao contrário de Coustos, cinco anos depois, ele não foi ameaçado de tortura e fez seu depoimento por vontade própria – Hugo O’Kelly disse que tornou-se Maçom na Irlanda, antes de chegar a Portugal, por volta de 1734-1735. Ele descreveu os sinais feitos “com a mão direita”, que pertenciam às três classes de maçons, e acrescentou:

e há mais duas classes que eles chamam de Excelentes Maçons, e de Grande Maçom, que estão acima de todas as outras e superiores às que ele, a testemunha, exercitou”.[19]

2 – Inglaterra

Durante os últimos cem anos, a autêntica escola inglesa descobriu muitos fatos que não se encaixavam na teoria do nascimento francês dos graus Ecossais, mas seus membros estavam tão convencidos de sua verdade que nem parecem ter considerado “uma reavaliação dolorosa” da evidência. Nenhuma tentativa foi feita para investigar se esses fatos faziam parte de uma situação geral na Inglaterra. Nada aparentemente sobreviveu em termos de ritual ou conteúdo dos graus mencionados a seguir.

a) Listas antigas de Lojas, 1733 e 1734

Na lista de manuscritos de Rawlinson do ano de 1733, a Loja n°115 se reuniu na Devil Tavern, Temple Bar, Londres, e foi descrita como “uma Loja de Maçons Escoceses”. Na lista gravada de Pine, de 1734, a mesma Loja aparecia como uma “Scott’s Masons Lodge”. Em junho de 1888, depois de ter mencionado as duas listas e citado Gould (“Os graus escoceses parecem ter surgido, por volta de 1740, em todas as partes da França”), John Lane fez uma pergunta sensata:  

Agora, se os graus “escoceses”, ou Lojas “escocesas” se originaram primeiro na França, e não até 1740, duas questões surgem naturalmente. (1) Onde nossos irmãos ingleses obtiveram a denominação distinta de um “Scotch” ou “Scott’s Masons Lodge”? e, (2) o que constituía sua peculiaridade em 1733? Respostas satisfatórias a essas perguntas seriam muito aceitáveis, mas não posso fornecê-las.[20]

b) A Loja existente em Bear, Bath, 1735

“Em 28 de outubro de 1735 A Loja se reuniu Extraordinária quando o nosso Valoroso Irmão Dr. Kinneir foi admitido e tornado Maçom. […] Na mesma data Loja de Mestres reuniu-se Extraordinária e nossos seguintes Valorosos Irms foram tornados e admitidos Mestres Maçons Escoceses (Scots Mastr Masons). [ dez nomes]. Presente. Hugh Kennedy S.M., David Threipland S.S.W.[21], David Dappe S.J.W. ”

Edward Armitage transcreveu o texto acima do Livro de Atas da Loja e comentou:

Desses três, só Hugh Kennedy pertencia à Loja da qual ele era Mestre quando as atas começaram a ser lavradas, em dezembro de 1732, e quando a Loja foi constituída como Loja regular, em 18 de maio de 1733, saindo em 27 de dezembro de 1733. Encontrei o nome de David Threipland como membro da Loja em Bear and Harrow, na Butcher Row, em 1730. Dos que receberam grau, os quatro últimos não eram membros da Loja; Dr. Toy era D.M. do País de Gales enquanto Wm. Nisbett, Esc., e Henry Balfour, Esc. tiveram o grau de Mestre conferido a eles naquele dia, aparentemente, para permitir que eles passassem para o Grau de Mestre Escocês. Na reunião seguinte da Loja, em 17 de novembro de 1735, Hugh Kennedy, John Morris, B. Ford e David Threipland têm as letras S.M. após seus nomes.[22]

c) Old Lodge Nº.1, Londres, 1740

“17 de junho de 1740. | Os seguintes membros desta Loja | Esta noite foram feitos Mestres Maçons Escoceses pelo Irm. Humphry’s do Mourning Bush Aldersgte. | [seguem nove nomes]”

Harry Rylands transcreveu o texto acima do Livro de Atas C da Old Lodge nº 1, que em 1717 se reuniu no Goose and Gridiron em Londres, e escreveu:

Na ata acima, a palavra “Mestre” é escrita sobre a palavra “Maçons”; evidentemente, ele pretendia inicialmente escrever que os membros foram feitos “Maçons Escoceses” e fizeram a correção para “Mestres Maçons Escoceses”. Vale notar que apenas dois dos presentes na reunião de auditoria não foram nomeados maçons escoceses: Richard Wotton e Richard Reddall, e, a menos que se possa supor que eles já possuíam o grau e ajudaram Humphreys, deve-se concluir que os membros da Loja foram, como afirmam as Atas, “feitos Mestres Maçons Escoceses pelo Irm. Humphry’s” sozinho. Também pela forma do registro e pelo fato de que vários, se não todos, daqueles cujos nomes foram fornecidos já eram Mestres Maçons, o grau de Mestre Escocês deve ter sido algo diferente do grau que já haviam recebido na Maçonaria Inglesa. Sou inclinado a pensar que o grau dado na Loja por Humphreys não era o grau estrangeiro de mesmo nome, mas o mesmo que era dado nas Lojas de Scott’s [Master] Masons’ [17] de 1733-34.[23]

d) Lodge at the Rummer, Bristol, 1740

18 de julho de 1740: “Orden’do & acordado Que Irm. Tomson & Irm. Watts [1º Vig e 2º Vig p.t. ] e qualquer outro membro desta L. que já seja Mestre Maçom pode se tornar Mestre Escocês…”. 15 de agosto de 1740: “Ordenado – Irm. Byndloss seja na próxima noite pass’do f.c. e que os Mestres Maçons sejam feitos Mestres Escoceses e esta L. para se encontrar às 5 horas para esse fim”. 07 novembro de 1740: “segundo a ordem de [sic] 18 jul 1740 Ir. Watts & Ir. Noble & Ir. Ramsay e Horwood & Morgan foram elevados a Mestres Escoceses e, ao mesmo tempo, Ir. Wickham e Ir. Pirkins foram elevados a Mestres”.[24]

e) O H-d-m Escocês, ou Antiga e Honorável Ordem de K-n-g (1743 [ 1741?] – 1750)

Em 26 de novembro de 1743, o seguinte anúncio apareceu em um jornal de Londres:

Os Irmãos do H —— d—— m Escocês, ou Antiga e Honorável Ordem de K—— n—— g, desejam encontrar o Grão-Mestre da referida Ordem, e o resto de seus Grandes Oficiais, no sinal do Cisne na Great Portland-street, perto de Oxford-Market, na próxima quarta-feira, exatamente às três horas da tarde, para celebrar o Dia. Por ordem do Grão-Mestre, E.W., Grand Sec.[25]

Duas semanas depois, em 11 de dezembro de 1743, um Capítulo da Ordem foi formado na Golden Horseshoe, Cannon Street, em Southwark, um bairro de Londres. Foi o quinto capítulo pertencente à Ordem, mas o primeiro mostra quando foi formado, uma vez que os quatro anteriores que afirmavam ser de Tempo Imemorial. Outros anúncios relacionados à Ordem apareceram em 1 de agosto de 1750 (reunião da Grande Loja e Grande Capítulo, assinada “Por Comando do P.G.M., N.B.L.T.Y.  Grande Secretário”) e em 17 de novembro de 1753 (reunião do Grande Capítulo da Ordem H.R.D.M., assinado como acima).

Em 1750, um certo William Mitchell, de Haia, recebeu vários documentos da Ordem em Londres, entre os quais uma patente nomeando-o

Grão-Mestre Provincial da Ordem do H.R.D.M. em todas as Sete Províncias Unidas”. No corpo da patente, é feita referência ao “o Justo Honável e Justo Venável Príncipe e Supremo Governante e Governador do Grande S.N.H.D.R.M. e Grão-Mestre do H.R.D.M. de K.L.W.N.N.G.”. A patente foi entregue a Mitchell pelo “SIR ROBERT R.L.F. Cavaleiro da Ordem do R.Y.C.S., Guarda da Torre do R.F.S.M.N.T., Presedente dos Juízes e Conselheiro do Grande S.N.H.D.R.M. e Grão-Mestre Provincial do H.R.D.M. de K.L.W.N.N.G. no S.B.” e datado assim: “Dado sob minha mão e o | Selo do meu Escritório em Londres | neste vigésimo segundo dia de julho | A.D. 1750, A.M.H. 5753 e em | o Nono Ano do meu Provincial | Grão Mestrado”.[26]

De acordo com as últimas palavras, a Ordem deve ter existido em Londres pelo menos desde 1741. Pode ter existido mais cedo caso Sir Robert R.L.Fnão tenha sido seu primeiro Grão-Mestre Provincial de Londres.

3 – Prússia – novembro de 1742

A sexta edição (1903) da história da Grande Loja-Mãe Nacional dos Três Globos, em Berlim, inclui o seguinte:

Em 30 de novembro, dia de Sto. André, 1742, os irmãos Fabris, Roman, Fromery, Finster, Perard e Robleau, membros da Loja aux trois Globes, foram autorizados por ela a estabelecer uma Loja Escocesa sob o nome de l’Union “para deixar seus irmãos mais novos aspirarem à mais elevada ou assim chamada Maçonaria Escocesa”. Essa Loja Escocesa, composta por membros da Loja de São João, existia além dela, sem exercer nenhum tipo de autoridade sobre ela nem interferir de alguma forma com sua administração, e possuía seu próprio caixa.[27]

Jacopo ou Jacobus Fabris era ser eleito Mestre da Loja Três Globos de Berlim, em 30 de Outubro de 1744. Pintor, nascido por volta de 1689, em Veneza, e falecido em 1771 em Copenhague (Dinamarca), ele foi tornado Maçom na Union Lodge, Londres[28]. Philipp Friedrich Steinheil, fundador e primeiro Mestre da Union Lodge de Frankfurt am Main, em 1742, havia sido membro da mesma Loja em Londres junto com Fabris[29]. Nenhum dos nomes existe nas primeiras listas de membros, incluídas nos dois primeiros livros de atas da primeira grande Loja da Inglaterra, transcritos em Quatuor Coronatorum Antigrapha, vol. X (1913).

Quando Eric Ward mencionou a Berlin Union Lodge antes da Quatuor Coronati Lodge, em 1962, ele comentou:

o fato de as Lojas ‘escocesas’ (scots) terem sido montadas em 1742 em Berlim, em 1744 em Hamburgo e em 1747 em Leipzig, todas de origem francesa [?], parece provável [!] que o conhecimento do grau em sua forma primitiva em Londres e Bath em 1735 fosse, similarmente, derivado da França”.[30]

Para apoiar a origem francesa reivindicada para essas Lojas, Ward referiu-se em uma nota de rodapé a uma tradução, para o inglês, de Findel, originalmente escrita em 1866! Findel citou Lachmann, que afirmava que “o grau escocês de Ramsay chegou cedo na Alemanha, provavelmente através de Graf Schmettow”[31]. Lachmann acreditava na existência do mítico grau escocês de Ramsay e ignorava que dois maçons distintos se chamavam Schmettow. Não há evidências de que o barão Gottfried-Heinrich (1710-1762), tornado maçom na Três Globos, em 13 de setembro de 1740, alguma vez tenha tido algo a ver com os graus escoceses de Berlim. Seu primo, Graf Woldemar (Dresden, 1719 – Copenhague, 1785), fundou a primeira Loja Escocesa (Scotch Lodge) em Hamburgo, em 1744. Após 1746, sua carreira militar e maçônica transcorreu na Dinamarca[32].

4 – França – dezembro de 1743

Até onde sei, a primeira referência documental aos graus Écossais na França está incluída em um conjunto de regulamentos gerais adotados pela Grande Loja, reunida em Paris, em 11 de dezembro de 1743, no dia em que o conde de Clermont foi eleito Grão-Mestre, dois dias após a morte de seu antecessor, o duque de Antin. Seu vigésimo e último artigo diz:

Como parece que recentemente (depuis peu) alguns irmãos se anunciam como Scots Masters (maîtres Ecossais), reclamando prerrogativas em Lojas particulares e afirmando privilégios dos quais nenhum vestígio pode ser encontrado nos antigos arquivos e usos das Lojas espalhadas pelo globo, a Grande Loja, a fim de consolidar a unidade e a harmonia que deve reinar entre os maçons, decretou que esses Mestres Escoceses, a menos que sejam Oficiais da Grande Loja ou de uma Loja particular, não deverão ser tratados com mais consideração pelos irmãos do que os demais aprendizes e companheiros, e não devem exibir quaisquer sinais de distinção.[33]

A data de 11 de dezembro, 1743 em conjunto com as palavras depuis peu (recentemente) deveria ser mantida em mente ao se afirmar que os ‘altos’ graus se originaram na França.

Gould, membro do comitê designado pela Grande Loja Unida da Inglaterra, em 5 de dezembro de 1877, para considerar a recente ação do Grande Oriente da França, viu no artigo acima um sinal das “primeiras inovações no ritual” na França (History of Freemasonry, vol. III, 1886, p. 141). Eric Ward, embora familiarizado com a maioria das evidências inglesas acima citadas, chamou em seu socorro um trabalho escrito em 1797, por John Robison, um dos primeiros autores antimaçônicos, para justificar a opinião que expressou em seu artigo de 1962, assim:

A riqueza de referências a Mestres Escoceses (Scots Masters) na literatura do continente, em comparação com a escassez na Inglaterra (e a total ausência na Escócia), leva inevitavelmente [sic] à visão de que isso era de origem francesa. John Robison continua […] dizendo: “Aconteceu que a Maçonaria simples, importada da Inglaterra, foi totalmente alterada em todos os países da Europa, seja pela impressionante ascensão de irmãos franceses… ou pela importação de doutrinas e cerimônias das Lojas parisienses. Até a Inglaterra, local de nascimento da Maçonaria, experimentou as inovações francesas; e todas as repetidas injunções, advertências e repreensões das antigas Lojas não podem impedir que pessoas de diferentes partes do Reino aceitem as novidades francesas… (Provas de uma conspiração, p. 9).[34]

3 – Conclusão

Depois de colocar minhas informações à disposição do leitor, cabe agora a ele decidir se os graus Écossais (antes “altos”) se originaram na França ou em outro lugar… por exemplo, na Irlanda ou na Inglaterra.

Se ainda houver dúvidas em sua mente, devo lembrá-lo de uma observação feita por Henry Sadler, historiador inglês cujo bom senso e senso de humor eu admiro muito: Isso pode ser verdade ou não, você deve aceitar pelo que vale; de minha parte, direi digo francamente a você que não engulo tudo o que leio nas Enciclopédias, maçônicas ou não” (AQC 23, 1910, p. 327), palavras que, presumivelmente, também podem ser aplicadas a muitos livros maçônicos.

Autor: Alain Bernheim
Tradução: S.K.Jerez

Fonte: BIBLIOT3CA

Publicado originalmente em: Pietre-Stones Review of Freemasonry

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Notas

[1] – “A escola autêntica […] estava inclinada a considerar isoladamente os desenvolvimentos maçônicos em cada país“ (Douglas Knoop e GP Jones The Genesis of Freemasonry , 1947, p. 16).

[2] – A ideia parece inicialmente ser apoiada pela circular aprovada pelo Conselho Supremo dos Estados Unidos em Charleston, em 4 de dezembro de 1802 (Walgren Nr. 15, Heredom vol. 3, p. 69). Incluía um relatório escrito por três membros do Conselho, Frederick Dalcho , Isaac Auld e Emanuel De La Motta, que afirmavam: “Embora muitos dos graus sublimes sejam, de fato, uma continuação dos graus azuis, ainda não há interferência entre os dois corpos“. Quando a Circular foi reimpressa, alguns meses depois, em Charleston (Oration, 21 de março de 1803, por Frederick Dalcho, na sublime Grande Loja da Carolina do Sul, Charleston. Charleston [1803]. Walgren Nr. 22, ibid., P. 72), o parágrafo que inclui as palavras acima tornou-se uma nota de rodapé esclarecedora (Apêndice, p. 64) que Emanuel De La Motta achou importante o suficiente para reproduzir em sua ‘Réplica’, publicada em Nova York, em 5 de setembro de 1814, em nome de seu Supremo Conselho: “Embora os Sublimes Maçons, neste país, não tenham iniciado ninguém nos graus Azuis, ainda assim seus conselhos possuem o direito irrevogável de conceder mandados para esse fim. É comum no continente europeu e pode ser o caso aqui, caso as circunstâncias tornem necessário o exercício desse poder. A legalidade desse direito deriva da mais alta autoridade maçônica do mundo e pode ser demonstrada para a perfeita satisfação de todos os órgãos maçônicos, judiciais ou legislativos. […] “ A ‘Réplica’ de La Motta ou resposta à Réplica de Cerneau (Walgren Nr. 36, ibid. , P. 80-81) é reproduzida na íntegra em alguns livros relativamente escassos: Joseph M’Cosh , Documents on Sublime Free-Masonry in the United States of America, Charleston 1823 (Walgren Nr. 55, ibid., P. 90), citação acima, p. 62; Robert B. Folger, The Ancient and Accepted Scottish Rite, in Thirty-three degrees, […] Nova York 1862, citação acima no Apêndice, p. 155; [Charles S. Lobingier ], The Supreme Council, 33 ° , Louisville, Ky., 1931, citação acima, p. 112.

[3] – William Jenkinson , Two Hundred Years of Masonry in the City of Armagh’, The Lodge of Research, No CC, Ireland. Transactions for the Year 1925 (impresso em 1933) , p. 107 Jenkinson tornou-se membro da Quatuor Coronati Lodge em 1934. Morreu em 1956.

[4] – Jenkinson , ‘In the Days of our Forefathers: Old Customs of the Irish Craft’, The Lodge of Research, No CC, Ireland. Transactions for the Years 1939-46 (impresso em 1948), pp. 35-36.

[5] – O momento em que os Princípios Básicos foram adotados foi infeliz. Isso resultou em apoiar dois anos mais tarde as Grandes Lojas Alemãs, que tentaram lidar com Hitler e, eventualmente, expressaram sua concordância com ele, e se recusaram a reconhecer a nova Grande Loja Simbólica da Alemanha, fundada em 1930, que se opôs a Hitler desde o início.

[6] – A autenticidade do ritual impresso em Jachin e Boaz foi estabelecida sem dúvida por Paul Tunbridge em seu artigo sobre Emanuel Zimmermann (AQC 79, 1966).

[7] – Três batidas distintas e Jachin e Boaz , com uma introdução e comentários de Harry Carr , The Masonic Book Club, vol. 12, 1981, p. [181].

[8] – Ver Henri Amblaine [= Alain Bernheim ] , ‘Masonic Catechisms and Exposures’, AQC 106, 1993, pp. 150-151.

[9] – Ser ilógico é descrito como uma característica britânica comum por Knoop e Jones: “Para o bem ou o mal, a maçonaria de Londres e Westminster na época de Walpole mostrou as quesão consideradas como características britânicas comuns. Primeiro, pode-se notar uma relutância ou incapacidade de seguir um argumento até o fim, e uma disposição a se satisfazer com uma posição um tanto ilógica“(AQC 56 , 1943 , p. 48).

[10] – Atas da Philo Musicæ e Architecturæ Societas Apollini , citadas por Gould, AQC 16, 1903, pp. 113-114.

[11] – Fac-símiles de ambos os esboços são reproduzidos em AQC 57, 1946, entre as pp. 10 e 11.

[12] – AQC 57, 1946, p. 9. Texto corrigido por JH Lepper após as fotografias do manuscrito original (ibid., Nota de rodapé 1, p. 7).

[13] – Philip Crossle , ‘The Irish Rite’, Dirigido à The Manchester Association for Masonic Research, 31 de março de 1927. Reproduzido em The Lodge of Research, No CC, Irlanda. Transactions for the Year 1923 (impresso em 1929), pp. 155-275. Citação atual: pp. 160-161.

[14] – Crossle, ibid., p. 193. Richard E. Parkinson, no segundo volume de The History of the Grand Lodge of Free and Accepted Masons of Ireland (1957) , observou, p. 321: “A massa de evidências que ele [Philip Crossle ] apresentou é sólida, mas deve-se admitir que sua teoria, por mais atraente que seja, ainda não obteve o apoio de estudiosos maçônicos fora da Irlanda“.

[15] – Robert James Meekren (Londres, 1876 – 1963) passou a maior parte de sua vida no Canadá. Foi editor do The Builder de 1925 a 1930 (de acordo com Wallace McLeod, citado por Art deHoyos ) e tornou-se membro da Quatuor Coronati Lodge em 1949.

[16] – Coustos nasceu em 1702 ou 1703, em Berna (Suíça), e seus pais foram para a Inglaterra. Seu nome é listado em 1730 como membro da reunião da Loja no Rainbow Coffee House, em Londres. Então ele pertenceu a uma nova Loja em Londres, licenciada em 17 de agosto de 1732 sob o nº 98, que se reunia reunida na Prince Eugene’s Coffee House, e que iria tomar o nome de Union French Lodge, em 1739. Ele se mudou para a França por volta de 1736 e era o Mestre de uma Loja em Paris, cujas atas existentes vão de 18 de dezembro de 1736 a 17 de julho de 1737. Coustos deixou a França por Portugal em 1741 e fundou uma Loja em Lisboa. Foi preso pela Inquisição em 14 de março de 1743 e permaneceu na prisão por quinze meses, durante os quais foi interrogado várias vezes e torturado três vezes. Os registros dos interrogatórios, traduzidos para o inglês, foram publicados na AQC 66 (1956) e 81 (1968). Eles fornecem informações altamente interessantes sobre a prática ritual maçônica. Wallace McLeod dedicou dois artigos a Coustos e suas Lojas (AQC 92 e 95, 1979 e 1982) e escreveu a Introdução da reimpressão de Os Sofrimentos de John Coustos, anunciada para venda em Londres, em 31 de janeiro de 1746 (vol. 10 do The Masonic Book Club, Bloomington, 1979).

[17] – José A. Ferrer Benimeli , Masoneria , Iglesia e Illustracion , Madri 1982, vol. II., Pp. 440-468, apêndices n ° 45 A – 45 X.

[18] – Ver atas da Premier Grand Lodge, de 17 de abril de 1735, Quatuor Coronatorum Antigrapha, vol. X (1913), p. 254.

[19] – Vatcher , ‘A Lodge of Irishmen at Lisbon, 1738’, AQC 84, 1971, p. 88. Atas originais da Declaración de Hugo O’Kelly, Ferrer Benimeli , op. cit., vol. I, apêndice N ° 40 C, pp. 304-305: “[…] e há mais duas a que chamao mas apenas Chamao Massones Excelentes e e há mais duas a que chamao Massones excelentes, e Masson grande, que he sobretodos, e mais superioir a qual elle testemunha exercitava”.

[20] – John Lane, AQC 1, 1886-1888, pp. 167 e 173. Também ver John Lane, A Handy Book…, 1889, pp. 24-25, e W. J. Hughan , The Engraved List of Regular Lodges from A.D. 1734 , 1889, p. 26.

[21] – W. R. S.  Bathurst (AQC 75, 1962, p. 168) sugere que David Threipland era o 2º Baronete do Castelo de Fingask , perto de Dundee, que ingressou na Earl of Mar em 1715 e morreu em 1746, ou um dos os filhos dele.

[22] – Edward Armitage, AQC 32, 1919, pp. 40-41. Em 8 de janeiro de 1746, dois irmãos “hoje foram feitos Mestres Escoceses“. Cinco “foram feitos maçons escoceses“ em 27 de novembro de 1754. Em 17 de fevereiro de 1756, dois irmãos “foram devidamente elevados a Mestres Maçons Escoceses. Ao mesmo tempo, Thomas Miller, o Desenhador da the Bear Inn, e John Morris, o Telhador, ambos Servos desta Loja, foram, para a conveniência dos negócios desta Loja, também elevados a Mestres Maçons Escoceses“. Em 14 de abril de 1758, “a Loja achou extra’ para elevar [nove nomes] Maçons Escoceses“ (Atas da Loja, citado por Eric Ward, AQC 75, 1962, pp. 132-133).

[23] – Records of the Lodge Original, No. 1. Now the Lodge of Antiquity, No. 2. Editado por W. Harry Rylands , impresso em particular em 1911, pp. 105-106.

[24] – A Loja foi autorizada sob o nº 137, 12 de novembro de 1735. Seu primeiro livro de Atas foi comprado de particulares em 1924 (Cecil Powell, AQC 49, 1939, p. 160). Acima extratos desse livro de atas, citado por Eric Ward, AQC 75, 1962, pp. 131-132.

[25] – F. W. Levander , ‘The Collectanea of the Rev. Daniel Lysons , FRS, FSA ‘, AQC 29, 1916, p. 26. Ver R. S. Lindsay (editado por A. J. B. Milborne ), The Royal Order of Scotland , 1972, p. 26.

[26] – Citações da patente de Mitchell, de Lindsay, op. cit., pp. 40-41. Lindsay declarou: “a Ordem é especulativa e, um estágio além da Maçonaria Simbólica, […] a Ordem foi fundada entre 1725 e 1741 como um protesto contra a eliminação de elementos cristãos dos três graus de Maçonaria Simbólica. (Op. Cit., P. 25-26).

[27] – “Am 30. November, dem St. Andreastage , 1742, stifteten die Brr. Fabris , Roman, Fromery , Finster , Perard e Robleau der Loge aux trois Globes mit deren Genehmigung “ fur das Emporstreben ihrer jungeren Brr. zur höhere oder sogenannten schottischen Maurerei “ eine Schottische Lodge unter dem Namen de União , welche Dann neben der Johannisloge und aus Mitgliedern derselben Fortbestand , ohne irgend eine Hoheit uber diese auszuuben , sich auch em Deren Verwaltung nicht einmischte , vielmehr ihre eigene Kasse hatte “. Geschichte der Grossen National- Mutterloge in den Preussichen Staaten genannt zu den drei Weltkugeln , 6a ed., Berlim 1903, pp. 14-15.

[28] – K. L. Bugge , Det Danske Frimureries Historie indtil Aar 1765 , vol. 1, Kj¢benhavn 1910, p. 47.

[29] – Georg Kloss , Annalen der Loge zur Einigkeit , 1842, p. 9. Alain Bernheim, Les Débuts de la Franc-Maçonnerie à Genève et en Suisse,  1994, pp. 67-68.

[30] – Eric Ward, AQC 75, 1962, p. 160.

[31] – Dr. Heinrich Lachmann , Geschichte und Gebräuche der maurerischen Hochgrade und Hochgrad-Systeme , Braunschweig 1866, p. 4.

[32] – Matthias G., Graf von Schmettow , Schmettau und Schmettow , Geschichte eines Geschlechts aus Schlesien [ Schmettau e Schmettow, Story of a family from Silesia], Buderich bei Dusseldorf, 1961. Bugge , op. cit., p. 47. Bernheim , op. cit., p. 67.

[33] – O 200 artigo  foi conhecido por Daruty (Recherches sur le Rite Ecossais Ancien Accepté, 1879, p. 97) e por Gould (History of Freemasonry, vol. III, pp. 141-2). Ambos o retraduziram de uma tradução alemã reproduzida em Findel (3d German ed., 1870, p. 285), originalmente publicada em ‘Zeitschrift fur Freimaurerei‘ (Altenburg, 1836). Após a Segunda Guerra Mundial, o texto original do Regulamento Geral de 1743 foi considerado perdido pelos historiadores maçônicos franceses. Redescobri-o Library of the Grand East of the Netherlands, anunciando a descoberta em 1969, no Annales Historiques de la Révolution Française, e publicando-a em 1974 (Travaux de Villard de Honnecourt , Volume X).

[34] – Ver nota 30.

Cargos em Loja no REAA

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Venerável Mestre

A joia do VM é o Esquadro. Sen­do o Esquadro o símbolo da Reti­dão, como joia distintiva do cargo de Venerável, indica que ele deve ser o Ma­çom mais reto e mais justo da Loja que preside, como líder de seus Irmãos, competindo-lhe dirigir a Loja, com equilíbrio serenidade e senso de justiça. Sua função, ainda como administrador, é nomear membros da administração e comissões, fazendo parte de todas elas, no intuito de fiscalizar o trabalho das mesmas. Além destas funções, ele inicia e confere Graus, procede à apuração de qualquer eleição ou escrutínio, decide questões de ordem, despacha o expediente com a Secretária da Loja, assina o balaústre, distribui sindicâncias, encerra o Livro de Presença, autoriza despesas ordinárias, apresenta relatórios de sua Administração, organiza e controla as discussões dos assuntos em pauta,

Pelo Venerável se conhece a Loja, sendo ele o resultado da vontade dos Irmãos do quadro, ele é responsável pela harmonia, pela participação ou desunião, ou pelo fracasso ou pelo retumbante sucesso da Oficina. A coluneta que está no altar do VM é a Jônica, que simboliza a sabedoria, daí a estátua de Minerva dos romanos ou Palas Atenas do gregos

Vigilantes

Os Vigilantes são os auxiliares diretos do Venerável Mestre não só para minis­trar instruções aos Aprendizes e Compa­nheiros, como ajudar a administrar a Loja.

1º VIGILANTE: além de substituir o V. Mestre em seus impedimentos e faltas, dirige a sua Coluna de obreiros, transmitindo as ordens do Venerável aos obreiros e ao 2º Vigilante. Também pede ao Venerável a palavra para os obreiros de sua Coluna, dando-lhes as instruções e solicita aumento de salário para os Aprendizes.

O Nível é a joia do cargo. E o símbolo da Igualdade, representando a igualdade social, base do Direito Natural. Cabe-lhe a direção da Coluna do Norte. A Coluna que está em seu altar é a Dórica, que simboliza a Força, daí a estátua de Hercules, estar próximo a ele.

2º VIGILANTE: substitui o Venerável durante o impedimento concomitante deste e do 1ºVigilante. Dirige os obreiros de sua Coluna, a do Sul, solicitando a palavra para eles, dando-lhes as instruções e solicitando aumento de salário para os Companheiros.

A Joia do Cargo é um Prumo ou Per­pendicular. É o emblema da busca pela Verdade. Aliado ao Esquadro, ele permite a correta e perfeita construção do Tem­plo. Em  seu  altar está a Coluna Coríntia. É a Coluna da Beleza. Daí a estátua da Vênus Romana ou Afrodite Grega, estar próxima a ele.

Orador

A joia do Orador é um Livro Aberto, que simboliza que o mesmo nada escon­derá nada duvidoso deverá deixar, além de indicar que o mesmo é o Guardião da Lei. Ele é a consciência da Loja, devendo conhecer e interpretar todas as Leis Maçônicas que regem a Obediência, como Constituição, Regulamentos, Landmarks, Usos e Costumes, etc.

O Orador impede que o Vene­rável Mestre caia em erros ou equívo­cos, ou se exceda no exercício de suas funções. É a ele ainda que, havendo alguma infração suficientemente grave para justificar punição, cabe instruir o respectivo processo, sendo ele o Ministério Público da Ordem.

Esclareça-se que o Venerável Mestre não está obrigado a decidir de acordo  com as conclusões do Orador, podendo ele discordar deste e decidir de forma contrária. Ele senta-se no Oriente à direita do V.Mestre.

Secretário

O Secretário representa a me­mória e o arquivo da Loja, sendo sua joia duas penas cruzadas indicando que ele assegura a tradição da Ordem e da Oficina, com o registro de todos os fatos passados bem como os do presente.

O Secretário, sentando-se no Oriente a esquerda do V. Mestre, pede a palavra diretamente ao Venerável. Ele é o responsável pela história da Loja e da Maçonaria.

Os historia­dores do futuro e da própria Loja, se houver, basear-se-ão no que ele registrar. Se ele deixar de registrar, ou registrar mal os fatos ocorridos, a Histó­ria, nesse caso, não será completa.

Tesoureiro

As duas chaves cruzadas, usadas como joia do Tesoureiro da Loja significa que ele é o depositário dos metais da Loja e seu administrador. Tendo assento na coluna do Norte. A importância deste cargo consiste no zelo pela arrecadação dos recursos devidos pelos Irmãos à Loja e pelo pagamento das obrigações a qual cada Loja está sujeita pelos Regulamentos da Obediência, a fim de que as obrigações maçônicas e profanas sejam cumpridas.

Chanceler

A joia do Irmão Chanceler é um Tim­bre ou Chancela, simbolizando que o Chanceler é o Guarda Selos da Loja, res­ponsável por todos os documentos da Loja e pela guarda dessa documentação. Além disso, tem a função de manter o livro de registro de presença dos obreiros da Loja e dos visitantes, sendo responsável ainda por guardar os Livros Negro e Amarelo.

Mestre de Cerimônias

Tem como joia a Régua que re­presenta o aperfeiçoamento moral. A régua também simboliza o método, a retidão, sendo aquele que conhece todos os caminhos escabrosos e assim, pode guiar todos os Amados Irmãos na circulação em Loja.

Deve ser conhecedor da ritualística, sendo o encarregado de todo Cerimonial da Loja, zelando para que os trabalhos sejam conduzidos de acordo com o Ritual, devendo conhecer os sinais, toques e palavras dos graus, tendo todo o domínio do cerimonial maçônico.

O Mestre de Cerimónias só aprende o seu ofício de uma maneira: executando-o e corrigindo os erros e hesitações que lhe detectarem ou que ele próprio detectar. O Mestre de Cerimónias faz a função, mas também se faz na função.

Tem assento na Coluna do Norte, junto a balaustrada, na frente do Tesoureiro.

Além de ser o responsável pela ritualística, tem as seguintes atribuições: distribuir com antecedência as insígnias e aventais aos Oficiais da Loja; ver se todos estão devidamente paramentados; preencher os cargos vagos; organizar as fileiras do irmãos, nos seus respectivos graus fazer um exortação antes da entrada dos irmãos no Templo, para acalmar suas mentes e corações; acompanhar os Mestres Instalados e o V. Mestre até o Trono; declarar que a Loja está composta no Grau, acompanhar o Ex-Venerável ou Orador, na abertura e encerramento do Livro da Lei; organizar todas as comissões  formadas por autoridades, e na entrada do pavilhão nacional etc.

Ele ainda é responsável pela circulação da bolsa de proposta e informações, sendo o único que pode circular em Loja independente de autorização do Venerável Mestre, sendo ele o mensageiro do mesmo ou de outros irmãos.

Hospitaleiro

A joia do cargo do Irmão Hospita­leiro é uma pequena sacola, simbolizando o peregrino da vida, o pedinte, sendo responsável pela circulação da bolsa de beneficência, também outrora conhecido como Tronco de Beneficência, Tronco da Viúva ou Tronco da Solidariedade, devido a antigamente os óbolos serem recolhidos em um pedaço de tronco de árvore, isto segundo alguns historiadores da Maçonaria.

Sua função precípua, em nome da Caridade e Fraternidade, é coletar os donativos dos irmãos, para socorrer os necessitados. Ele cuida de toda a parte assistencial da Loja, propondo auxílios, visitando os irmãos enfermos e necessitados. Se o infortúnio da morte bate à porta de um Irmão da Loja, fato inevitável, é ele o responsável de comunicar o fato a todos, e providenciar a documentação necessária para o sepultamento, devendo ainda, após o luto, procurar a família do falecido, para requerer a restituição de seus documentais, insígnias e aventais.

Fazer girar o Tronco é muito fácil, Mas sua missão principal, se dá fora da Loja, devendo o Irmão que estiver no cargo, ter muita dedicação e desprendimento.

Diáconos

Diácono, do grego diákonos, significa “servente”, aquele que serve a mesa. Assim, eram chamados os cristãos escolhidos pelos apóstolos para servirem aos pobres da Igreja de Jerusalém Existem em Loja, dois Diáconos, o Primeiro e o Segundo. O Primeiro Diácono senta-se próximo e a direita do Venerável para pô-lo em comunicação com o Primeiro Vigilante. O Segundo Diácono se coloca próximo e a direita do Primeiro Vigilante para transmitir suas ordens ao Segundo Vigilante e aos demais membros da oficina. A joia do Primeiro Diácono é uma pomba inscrita em um triângulo, e o Segundo Diácono uma pomba em voo livre. A pomba antigamente, levava e trazia mensagens, daí o simbologia.

Entre as funções do Primeiro Diácono, se destaca a incumbência de abrir e fechar o Painel da Loja. Recebe ainda a P.S. do Venerável Mestre entregando-a ao Primeiro Vigilante, enquanto o Segundo Diácono, que se coloca à direita do Primeiro Vigilante, recebe deste a P.S. e entrega-a ao Segundo Vigilante. Ele ainda, transmite e executa às ordens do Primeiro Vigilante, e cuida para que os Maçons sentados no Ocidente se conservem nas colunas com respeito, disciplina e ordem. Cuidam os Diáconos ainda, de formarem o pálio, no sentido de proteção, quando da abertura e fechamento do L. L.

Expertos

A joia do Irmão Experto entre nós, é um Punhal, que significa o castigo que merecem os perjuros. Em­bora o Punhal seja considerado símbolo da Traição, para a Maçonaria é o símbolo da fortaleza e da guarda. Na iniciação, é ele quem guia os profanos, sendo também o substituto dos irmãos que ocupem cargo, e que não compareceram à sessão, com exceção do V. Mestre, que é substituído pelo  Primeiro Vigilante. Esse cargo, sempre é confiado a um irmão experiente que conhece a ritualística e a dinâmica do trabalho nas iniciações. Auxilia também o Cobridor no telhamento de visitantes.  Existem dois expertos, o primeiro que se senta à frente do Ir. Segundo Diácono e o segundo Experto que se senta à frente do Guarda do Templo.

Guarda do Templo

A joia do Guarda do Templo são duas Espadas Cruzadas. Simbolicamente as espadas cruzadas nos ensina a nos pormos em defesa con­tra os maus pensamentos e a ordenarmos moralmente as nossas ações. Fica a direita de quem entra, sendo que a porta do Templo lhe é confiada, devendo sempre mantê-la fechada, sendo ele o único que pode tocá-la. Cabe somente a ele abrir ou fechar a porta.

A prova da grande importância deste cargo se verifica na Maçonaria Inglesa, pois lá, as Lojas somente elegem o Venerável, o Tesoureiro e o Cobridor.

Cobridor Externo

Sua joia é o Alfange, para ceifar as forças negativas, não deixando que elas entrem em Loja. Ele também zela pelos trabalhos da Loja, devendo guarnecer o lado externo da mesma, ou seja, se posiciona a frente da Porta do Templo, em seu lado esquerdo de quem entra, para garantir que os trabalhos não seja perturbados por nenhum profano, não possuindo assim, nenhum assento em Loja. Esse cargo existe apenas de forma simbólica, quase não sendo usado nas Lojas. Caso exista algum irmão que ocupe esse cargo, ele entrará em Loja, após a garantia de que a Loja está segura.

Porta-bandeira

A joia do cargo é uma Bandeira, sendo que ele conduz, nas Sessões designadas, o Pavilhão Nacional, de acordo com o protocolo das Obediências. Ele se coloca no Ocidente, a frente do cadeira ocupada pelo Ir. Porta Espada, que está à frente do  Orador.

Porta-espada

Sua joia, é uma Espada. Senta-se no Oriente a frente do Orador. O uso da espada constitui uma prática consagrada pelo costume representando o poder e a força.

O Porta-Espada é quem simbolicamente zela pelo instrumento. Ele é responsável quando devido ao protocolo, distribuir as espadas aos Mestres, para formar a abóboda de aço, quando da entrada no Tempo de autoridades, ou visitantes ilustres.

Existe a Espada Flamejante, que somente pode ser tocada pelo V. Mestre, ou por um Mestre Instalado, que é usada somente nas iniciações.

Porta-estandarte

A joia do Cargo é uma miniatura de um Estandarte. Se senta no Oriente a frente do Arquiteto, que por sua vez, fica à frente do Secretário. Ele é responsável pelo descolamento e exposição do Estandarte da Loja, no momento previsto no Ritual.

Arquiteto

A joia do cargo do Arquiteto é uma Trolha, que este um dos grandes Símbolos da Maçonaria, pois antigamente, os Maçons Operativos, a utilizavam para manipular a argamassa da Fraternidade. Ele se senta à frente do Secretário. Parece ser um cargo sem importância, mas na realidade é tão ou quanto os outros. Sua função consiste em ornamentar a Loja, colocando cada coisa em seu devido lugar, acender as velas do Altar e dos demais cargos onde houver. Seu trabalho é realizado antes do início das as Sessões.

Mestre de Harmonia

A Lira é sua joia. Ela é parecida com uma harpa, sendo considerado um dos instrumentos musicais mais antigos que se tem notícia.

Todos nós sabemos, que os efeitos da música em nossas sessões, prepara o ambiente, tornando-o mais harmônico, vibrante e mais solene. A Música, faz com que a energia vibratória e a boa egrégora, reine nas sessões. Isso ele faz através de belas peças musicais. Sabemos que a música tem um poder maravilhoso; afeta os sentidos e conduz rapidamente à harmonização.  Assim, se justifica o seu uso em determinadas ocasiões das sessões. Seu lugar em loja, situa-se a sudoeste do Primeiro Vigilante.

Mestre de Banquetes

A joia do cargo é a Cornucópia que sempre simbolizou a fartura, a abundân­cia.  Cabe   ao Mestre de Banquete promover os ágapes fraternais, bem como as Lojas de Mesa solsticiais ou banquetes ritualísticos, providenciando tudo o que for necessário. Senta-se na última cadeira da coluna do Norte, ao lado do Mestre de Cerimônias. Suas atribuições estão previstas ainda nos arts. 40 de nosso Regulamento Interno.

Bibliotecário

Cultura maçônica não é passatempo, não é exibicionismo. É uma obrigação de todo Maçom que se preze. É muito comum verificarmos que livros, revistas, jornais, boletins, e outras peças que possam trazer mais cultura e conhecimento maçônico estejam jogadas literalmente as traças em uma Loja, ou estejam sobre a guarda pessoal do Venerável Mestre, ou mesmo do Secretário. Isso não pode ser tolerado. Mesmo que hoje em dia, se consiga matérias e informações pela internet, não pode ser admitido que uma Loja não possua seu próprio acervo, exclusivo aos Irmãos.

É muito comum, os irmãos só apresentarem trabalhos quando ainda estão no grau de Aprendiz e Companheiro, apenas para cumprir seus interstícios. Quando chegam a Mestre julgam que tem conhecimento bastante para desprezar os estudos.

Desta forma, o Irmão Bibliotecário é o responsável pela Biblioteca da Loja. Sua joia é um livro aberto com uma pena sobreposta. Tem assento na primeira cadeira para os mestres na coluna do sul ao lado do Hospitaleiro.

Historiador da Loja

Cargo não previsto em nosso Rito, mas sim no art. 39 de nosso Regulamento Interno, da ARLS Rui Barbosa. Ele é responsável pelo registro de fatos importantes da Loja, como eventos realizados, obras filantrópicas, encontros maçônicos, simpósios, entre outras atividades, além de incentivar a criação de um informativo exclusivo da Loja. Deve também presidir a comissão de Ritualista, Estudos e Bibliotecas.

Autor: Dermivaldo Colinetti
ARLS Rui Barbosa, Nº 46 – GLMMG – Oriente de São Lourenço

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Bibliografia

Cargos em Loja – Assis Carvalho

Liturgia e Ritualística – José Castellani

Ritual do Primeiro Grau – Aprendiz

Pesquisa em sites da Internet

O círculo, o ponto e as paralelas tangenciais

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1 – Introdução

Na profusão da edição de rituais e instruções maçônicas no Brasil, muitas questões têm se apresentado que ainda clamam por uma solução ou explicação satisfatória nesse particular, sobretudo pela inserção de instruções que não pertencem a esse ou aquele Rito e sua correspondente doutrina iniciática, levando-se em conta à vertente na qual pertença o costume maçônico.

É o caso, por exemplo, de uma questão que envolve, dentro da simbologia maçônica, o conjunto composto pelo Círculo, pelo Ponto e pelas Paralelas Tangenciais e ainda no contexto acrescido do Livro da Lei e da Escada de Jacó. Indiscriminadamente esse conjunto alegórico, em não raras vezes, tem habitado as instruções para o Aprendiz emanadas em alguns rituais brasileiros do Rito Escocês Antigo e Aceito como o exemplo do que segue:

“Em Loja Maçônica Regular, Justa e perfeita, existe um ponto dentro de um circulo, que o verdadeiro Maçom não pode transpor. Este círculo é limitado, ao Norte e ao Sul, por duas linhas paralelas, uma representando Moisés e outra o rei Salomão. Na parte superior deste círculo, fica o Livro da Lei Sagrada, que suporta a Escada de Jacó, cujo cimo toca o céu. Caminhando dentro deste círculo sem nunca o transpor, limitar-nos-emos às duas linhas paralelas e ao Livro da Lei Sagrada, e, enquanto assim procedermos, não poderemos errar”.

O conteúdo acima foi motivo de consulta perpetrada por um Respeitável Irmão da COMAB, no que assim se manifestava naquela oportunidade: “Este texto tem gerado inúmeras discussões em Loja sem jamais chegarmos a uma interpretação adequada ou mesmo o seu significado filosófico”.

2 – Comentários

2.1 – Vertente inglesa da Maçonaria

Embora o Círculo entre as Paralelas Tangenciais seja um conjunto simbólico eminentemente genérico na Maçonaria universal, a sua composição com o Altar, com a Escada de Jacó e com o Livro da Lei Sagrada, além da menção aos personagens bíblicos de Moisés e de Salomão, é um conjunto alegórico pertencente à Tábua de Delinear[1] inglesa do Primeiro Grau, portanto não são componentes do Painel do Grau de Aprendiz do Rito Escocês Antigo e Aceito, rito esse de vertente francesa, a despeito de que em se tratando do conteúdo simbólico de ambos (da Tábua e do Painel), aparecem significativas diferenças.

Devido à existência dessas distinções litúrgicas e ritualísticas entre os dois principais sistemas doutrinários maçônicos (embora o escopo seja único – o de reconstruir e aprimorar o Homem) – surgem então às anfibologias e as incompreensões sobre esse conteúdo, sobretudo quando pertinente às instruções e catecismos maçônicos se equivocadamente generalizados.

Na concepção inglesa (teísta), por exemplo, esse conjunto no momento em que é composto pelas paralelas tangenciais, pelo círculo e pelo ponto, dentre outros, representa também a Lei (do patriarca Moisés) e a Sabedoria (do rei Salomão).

À bem da verdade, esse conjunto simbólico é fruto haurido da Moderna Maçonaria e sacramentado através das Lições Prestonianas (William Preston[2]), além de outras interpretações relacionadas à mencionada alegoria, efetivamente a partir do primeiro quartel do Século XIX, inclusive quanto à alusão aos personagens bíblicos do Antigo Testamento, Moisés e Salomão, já que os nomes dessas personalidades se dariam em substituição aos tradicionais santos patronais João, o Batista e João, o Evangelista devido à decisão da Grande Loja em transformar a Maçonaria em uma instituição não sectária na Inglaterra, nesse particular sob o ponto de vista religioso[3].

Naquela oportunidade então é que seria recomendado, na medida do possível, que as novas Tábuas de Delinear não contivessem símbolos associados ao Cristianismo. Nesse sentido, por exemplo, é que o título Bíblia seria designado simplesmente como o “Volume das Sagradas Escrituras”. Essa aparente descristianização dos catecismos maçônicos seria um dos motivos principais que levaria às escaramuças entre os Antigos e os Modernos relativos às duas Grandes Lojas rivais à época na Inglaterra.

Obviamente que ao longo desses acontecimentos, longe da unanimidade, muitos símbolos cristãos ainda assim permaneceriam como integrantes desse corolário alegórico particular à Maçonaria Inglesa. É o caso da Cruz que identifica a Fé como virtude teologal, colocada no primeiro lance da Escada de Jacó em direção ao céu, sobejamente conhecida na composição do “Tracing Board” (Tábua de Delinear) do primeiro Grau do Craft inglês nos Trabalhos de Emulação (equivocadamente chamado no Brasil como Rito de York).

Nesse conjugado alegórico o Círculo entre as Paralelas Tangenciais é exposto na Tábua de Delinear aparecendo como uma espécie de base, alicerce ou arrimo que dá apoio ao Volume da Lei Sagrada que, por sua vez, é o sustentáculo da Escada de Jacó.

Dentre outras exegeses pertinentes para esse conjunto alegórico, a mais comum encontrada é a que se destaca a seguir:

O Círculo entre as paralelas expressa os limites impostos pela Sabedoria daquele que cumpre a Lei. Essa é a base (Altar) onde descansa o código de moral e ética (Volume das Sagradas Escrituras), cujo caminho avulta a ascensão do Obreiro ao aperfeiçoamento. É o que sugere a Escada em cujo topo aparece uma Estrela de Sete Pontas (sete – a Fé, Esperança e Caridade somadas à Justiça, Prudência, Temperança e Coragem). O interior do Círculo representa o espaço limitado pelos ditames da obediência à Lei exarada no Volume da Lei Sagrada. Em linhas gerais denota que aquele que segue os ditames da Lei, não pode errar.

Para ilustrar essa interpretação, também fica aqui transcrito um trecho do livro Master Key de autoria de John Browne datado de 1802 com perguntas e respostas pertencentes à Primeira Preleção com base Prestoniana que serve de apoio para justificar de onde fora retirado o conteúdo textual mencionado no ritual da COMAB citado na introdução desse arrazoado e que é o motivo principal desses apontamentos. Esse mesmo texto também pode ser encontrado no livro Simbolismo na Maçonaria, de Colin Dyer, publicado no Brasil pela Madras Editora, São Paulo, 2006.

Perg: Qual é o primeiro ponto da Maçonaria?

Resp: O joelho esquerdo despido e dobrado.

Perg: No que incide esse primeiro ponto?

Resp: Na posição ajoelhada me foi ensinado a amar o meu Criador. Sobre o meu joelho esquerdo nu e dobrado eu fui iniciado na Maçonaria.

Perg: Existe algum ponto principal?

Resp: Sim, o de podermos fazer um ao outro feliz e ainda transmitir aquela felicidade para outro.

Perg: Existe algum ponto central?

Resp: Sim, um ponto no interior do círculo, do qual o Mestre e os Irmãos não podem materialmente errar.

Eis aí então a origem dessas citações nas instruções maçônicas, lembrando sempre que elas realmente se adequam aos catecismos da vertente inglesa da Maçonaria.

Ilustrando ainda mais, segue a sequência do texto mencionado nesse catecismo conforme a mesma obra citada:

 – Explicai esse ponto no interior do Círculo.

R. Nas Lojas regulares de Francomaçons existe um ponto no interior de um círculo, ao redor do qual o Mestre e os Irmãos não podem materialmente errar. O círculo é limitado ao Norte e ao Sul por duas linhas perpendiculares paralelas: a no Norte representa São João Batista, e a do Sul simboliza São João Evangelista. Nos pontos de cima destas linhas e no perímetro do circulo, está colocada a Bíblia Sagrada, sobre a qual se apoia a Escada de Jacó, que alcança as nuvens do céu. Aí também estão contidos as Ordens e os Preceitos de um Ser que é Infalível, Onipotente e Onisciente, de tal forma que, enquanto estivermos no seu interior e obedientes a Ele, como foram João Batista e João Evangelista, seremos levados a Ele e não nos decepcionaremos nem O frustraremos. Portanto, ao nos mantermos assim circunscritos será impossível a que venhamos errar materialmente”.

Como se pode notar, o texto tem a intenção de explicar a instrução onde o termo “circunscrito” representa o limite imposto pelo Círculo, cujo “ponto central” é a origem donde o Maçom por primeiro dobrou o joelho esquerdo apoiando-o no chão e se sujeitando no ato à “obrigação” (também conhecida na vertente latina como juramento) de cumprir os deveres impostos e à promessa perpetrada – o Livro da Lei é o Código de Moral e Ética; o Círculo é o limite; o Ponto é a origem e a Escada o caminho para o aperfeiçoamento[4]. Assim, isso significa que se bem observada a Arte e ressalvados os limites da Lei, o Maçom não pode errar.

Ainda em relação ao texto acima mencionado, há que se notar também que à época ainda era citado na Inglaterra a Bíblia Sagrada, assim como os nomes dos santos patronais cristãos, muito embora já no primeiro quartel do Século XIX não tardariam esses títulos a serem substituídos – a Bíblia seria denominada como o Volume da Lei Sagrada, e cada santo padroeiro passariam a ser um dos personagens bíblicos do Antigo Testamento – Moisés e Salomão.

2.2 – REAA – Vertente francesa da Maçonaria

Dadas essas considerações, entra finalmente na questão o Rito Escocês Antigo e Aceito que, embora até possua em muitas das suas características influências históricas anglo-saxônicas (o título Antigo, por exemplo), sobretudo porque o seu simbolismo sofrera influência direta das Lojas Azuis norte-americanas que praticam o Craft oriundo da Grande Loja dos Antigos da Inglaterra, vale a pena lembrar que mesmo assim o Rito Escocês é historicamente originário da vertente francesa da Maçonaria.

Sob essa óptica, o arcabouço doutrinário francês de Maçonaria, principalmente aquele relativo ao simbolismo do Rito Escocês Antigo e Aceito, nele envolve o aperfeiçoamento humano que é simbolicamente representado pela alegoria da ressurreição e morte da Natureza, bem como a sua constante renovação (cultos solares da Antiguidade).

Assim, o simbolismo do Rito Escocês aborda e encena a evolução da Natureza. Nesse particular teatro iniciático aparecem representados na sua liturgia e ritualística os solstícios e os equinócios, os ciclos Naturais ou as estações do ano, as Colunas Zodiacais, as Colunas Solsticiais B e J (marcam a passagem dos trópicos de Câncer e Capricórnio), assim como as Colunas do Norte e do Sul que são separadas no Templo pelo eixo imaginário do Equador.

Nesse particular, o REAA por ser um Rito de origem francesa, não usa o título distintivo de Tábua de Delinear, entretanto faz uso no seu lugar do nome de Painel da Loja que fica situado e exposto originalmente em Loja aberta no centro do Ocidente. Entretanto, se faz mister observar que no conteúdo simbólico desse Painel da Loja do REAA não existe a figura da Escada de Jacó e nem aparece o Círculo com o Ponto ao centro entre as Paralelas Tangenciais, daí não combinar qualquer instrução que porventura possa fazer menção a esses símbolos relacionados ao franco maçônico básico do escocesismo – essa conduta doutrinária, se por acaso mencionada, além de equivocada não faria mesmo qualquer sentido.

Devido a não observação correta desses particulares – já que nem tudo o que reluz é ouro – é que, em busca do significado simbólico, ainda existem referimentos como:

“Este texto tem gerado inúmeras discussões em Lojas sem jamais chegarmos a uma interpretação adequada ou mesmo o seu significado filosófico.”

Desse modo, infelizmente, é verdadeiro comentar que alguns autores e ritualistas brasileiros, talvez por mera falta de atenção, ainda insistem inadvertidamente em misturar procedimentos de vertentes maçônicas distintas nas suas instruções.

Assim, se explica que a falta de sentido dessa inferência é que faz com que jamais se chegue a uma interpretação adequada ou mesmo o seu significado filosófico (é a queixa de muitos).

Essas ilações ainda são o sustentáculo para a propagação, através de certos autores imaginosos, de verdadeiras pérolas do faz-de-conta, geralmente suportadas por palavras bonitas que em superficial análise acabam por não fazer sentido algum – palavras mais palavras e palavras… vazias ao vento.

Não obstante a toda essa aleivosia histórica e ritualística, ainda existe outra classe – a daqueles que “acham bonito”, ou que simplesmente “copiam” rituais anacrônicos imaginando-os como fontes primárias e fidedignas. É o caso, por exemplo, do enxerto da Tábua de Delinear, que é da doutrina inglesa, no Rito Escocês que possui sabidamente preceito francês.

Daí, como se o Sol pudesse ser tapado com a peneira e na tentativa de se justificar toda essa aberração se utilizando a lei do menor esforço, identificou-se o intruso objeto como o tal do “Painel Alegórico”, o que só fez aumentar ainda mais a cinca, oferecendo absurdamente para o escocesismo simbólico a existência equivocada de “dois painéis” – um legítimo (o da Loja) e o outro como produto de enxerto oriundo de outra vertente maçônica (o tal justificado como Alegórico).

Ora, isso evidentemente não existe e é produto de mera enxertia imposto por “achistas”, já que o Rito Escocês genuinamente possui apenas o Painel da Loja no centro do Ocidente e não mais outro painel que, ainda por cima, seja denominado de “alegórico” (sic).

Para que não pairem dúvidas, evidentemente o estudante de Maçonaria deve conhecer o Painel da Loja (sistema Francês) e a Tábua de Delinear (sistema Inglês). Em linhas gerais, no grau de Aprendiz, o primeiro é aquele que, dentre outros símbolos, destaca-se por apresentar um pórtico ladeado pelas Colunas B e J (vide ritual do GOB, edição 2009, por exemplo). Enquanto que a segunda (a Tábua) é aquela que destaca dentre outros símbolos, três Colunas, tendo ao centro uma Escada em direção ao firmamento em cujo topo se apresenta uma Estrela Heptagonal (vide ritual de Emulação).

Nesse sentido, quando misturados os conteúdos simbólicos, a mixórdia acaba por trazer consigo instruções inglesas para dentro da doutrina francesa de Maçonaria. Aliás, esse é um fator deveras importante que todo o estudante da Ordem precisa saber distinguir: existem duas vertentes principais de Maçonaria – uma inglesa e outra francesa. Embora o objetivo da Sublime Instituição seja um só, os métodos doutrinários se diferem conforme a respectiva vertente – tanto pela visão social, quanto pela visão cultural.

Retomando essa questão, embora nos três Graus simbólicos do Rito Escocês cada respectivo Painel da Loja não apresente literalmente o símbolo do Círculo entre as Paralelas Tangenciais, a doutrina por si só ao mencionar a alegoria da evolução da Natureza, de modo abstrato acaba, sem mostrar os símbolos, por se referir ao Sol (Círculo) e aos trópicos de Câncer ao Norte e Capricórnio ao Sul (limites solsticiais).

Explica-se: como as datas solsticiais de 24 de junho e 27 de dezembro aludem respectivamente aos solstícios de inverno e de verão no hemisfério Norte (origem do Rito) ainda, por extensão, coincidem por influência da Igreja com as datas comemorativas a João, o Batista (verão no Norte) e com João, o Evangelista (inverno no Norte).

Assim, essa alegoria maçônica no Rito envolve toda a evolução da Natureza associando-a as etapas da vida humana – Primavera, Verão, Outono e Inverno, ou o nascimento, a infância, a juventude, e a maturidade, tudo distribuído de modo iniciático nos Graus de Aprendiz (puerícia), Companheiro (puberdade) e Mestre (maturação).

Por assim ser, mesmo de modo oculto, o Círculo entre as Paralelas Tangenciais pode representar também o Sol entre os Trópicos indicando que, conforme os solstícios, o Astro Rei, sob o ponto de vista da Terra, estando mais ao Norte ou mais ao Sul nunca ultrapassará na sua eclíptica anual o limite indicado pelos os trópicos.

Sob essa óptica, não significa de maneira alguma que esses símbolos careçam estar literalmente expostos no Painel relativo ao arcabouço doutrinário francês.

Simbolicamente, no Templo o Sol também é o centro (onde existe a circulação) que fica entre as Colunas do Norte e do Sul, cujo limite deste deslocamento, seja ele austral ou boreal, está representado pela marcação da passagem abstrata (sem base material) dos trópicos de Câncer e Capricórnio. Daí as Colunas B e J, também conhecidas como “solsticiais”, serem os marcos toponímicos que marcam a passagem dos aludidos Trópicos no Templo – sob o ponto de vista da porta de entrada para o Oriente, ao centro está a linha imaginária do Equador, à esquerda, marcada pela Coluna B, está a linha imaginária correspondente ao Trópico de Câncer e à direita, balizada pela Coluna J, a correspondente ao Trópico de Capricórnio.

O Sol, ao tangenciar o limite de Câncer (solstício de verão no Norte), corresponde à data comemorativa ao santo padroeiro João – o Batista, enquanto que ao tangenciar o limite de Capricórnio (solstício de Inverno no Norte), corresponde à data comemorativa ao Santo padroeiro João, o Evangelista.

Essa alegoria sugere no Rito em questão que a consciência do Homem, limitando-se tal qual às Leis da Natureza, é inviolável, já que ele, o Homem, é também parte integrante dessa Ordem Natural perpetrada pela Criação (um conceito deísta).

No escocesismo, a Loja simbolicamente representa um segmento do globo terrestre situado sobre o Equador, cuja largura vai do Norte ao Sul ou vice-versa e o seu comprimento de Leste para o Oeste ou vice-versa. A sua altura vai da Terra (Pavimento Mosaico) ao Céu (Abóbada).

É sobre esse espaço (Oficina) que a Terra simbolicamente fica viúva do Sol uma vez por ano (inverno). À bem da verdade, é o processo da evolução da Natureza a partir do seu renascimento na Primavera até a sua morte no Inverno para novamente renascer na Primavera (Lenda de Hiran). Assim, comparativamente e de modo iniciático, tal como a Natureza que morre para renascer como a fênix revivida, também o Homem profano fenece para renascer iniciado na Luz – da câmara de Reflexão à Exaltação do Mestre (a senda iniciática).

3 – Considerações finais

Em linhas gerais essas são as interpretações que envolvem a alegoria composta pelo Círculo entre as Paralelas Tangenciais nos dois sistemas de Maçonaria abordados. Todavia, somente ficam passíveis de uma explicação racional se devidamente separadas conforme as suas tradições, usos e costumes nos diversos rincões terrenos onde se apresenta a Sublime Instituição – cada coisa no seu devido lugar ou haverá o caos no Canteiro.

É oportuno aqui mencionar uma contradição que não raras vezes aparece no escocesismo quando muitos Irmãos, de modo anacrônico, ainda insistem em comparar a evolução dos Graus com os “degraus da Escada de Jacó” que, diga-se de passagem, nem mesmo aparece como elemento simbólico na doutrina do Rito Escocês.

Pior ainda é querer definir o número de degraus que formam essa Escada quando nem mesmo na Bíblia, essência da doutrina moral como Livro da Lei, essa quantidade é mencionada.

É o caso, por exemplo, quando alguém congratulação menciona o ultrapassado jargão: “parabéns por teres conseguido alcançar mais um degrau da Escada de Jacó”.

Ora, sem apelar para o preciosismo, não existe nada mais contraditório do que comparar a ascensão aos Graus com os degraus de uma escada que nem mesmo é parte integrante da doutrina simbólica do escocesismo.

Diferente do Círculo e das Paralelas que, mesmo de modo abstrato, chegam a fazer sentido no corolário doutrinário do Rito Escocês, a Escada, nem mesmo em caráter contemplativo, é mencionada na alegoria dos Painéis do verdadeiro escocesismo.

Autor: Pedro Juk

Fonte: Blog do Pedro Juk

Notas

[1] – O Painel na Inglaterra denomina-se Tabual de Delinear ou de Traçar (Tracing Board). Já na França é denominado como Painel do Grau. O conteúdo simbólico entre ambos aparecem sensíveis diferenças. Alguns autores acreditam que o nome “Tábua de Delinear” se derive como uma corruptela do antigo “cavalete” (tressel) ou Prancha de Traçar (Tracel ou Tracing Board) geralmente usada nas Lojas no final do século XVIII que objetivava apresentar os hieróglifos maçônicos, cuja Prancha ou Tábua muitas vezes nas Lojas ficava disposta sobre um cavalete no centro.

[2] – Willian Preston (1.742 – 1.818) – Nascido em Edimburgo na Escócia, foi iniciado em Londres no ano de 1.763. De carreira maçônica fecunda e brilhante assumiu o veneralato da Loja Antiquity nº 1 (atualmente nº 2) considerada à época como “Loja dos Tempos Imemoriais”. À Preston e dado o título simbólico de ter sido ele o primeiro professor de Maçonaria, permanecendo ainda ligado aos seus Ilustrations of Freemansonry (Esclarecimentos sobre a Franco-Maçonaria), cuja primeira edição data de 1.772. Essa importante obra teve dezessete edições, das quais doze durante a vida do autor. Falecido em 1.818 foi sepultado na Catedral de São Paulo em Londres. Os Ilustrations of Freemansonry se constituem de uma coletânea de conferências eruditas e de alto valor literário para uso das Lojas. É devida ainda a William Preston a autoria das famosas Prestonian Lectures (Lições Prestonianas) que permanecem atuais e são base para conferência de notáveis sobre assuntos instrutivos de interesse maçônico. A coletânea das Lições Prestonianas é publicada pela Quatuor Coronati Lodge, 2.076 de Londres. As dissertações sobre o conteúdo das Tábuas de Delinear inglesas se baseiam nas mensagens Prestonianas. O termo “Prestoniano” deriva-se em homenagem a Preston.

[3] – Além da disposição contrária ao sectarismo religioso, a Grande Loja se posicionava também contrária ao sectarismo político. Essa é a origem da proibição de discussões que envolvam política e a religião nos Templos e em nome da Maçonaria presente até os dias atuais na imensa maioria das Constituições das Obediências Maçônicas.

[4] – A ascensão ou subida dos degraus dá a ideia de evolução e aperfeiçoamento.

Referências

DYER, Colin – Simbolismo na Maçonaria, Editora Madras, São Paulo.

CARVALHO, Francisco de Assis – Símbolos Maçônicos e Suas Origens, Volumes I e II, Editora Maçônica A Trolha, Londrina – Pr.

LOMAS, Robert – O Poder Secreto dos Símbolos Maçônicos, Editora Madras, São Paulo.

MELLOR, Alec – Dicionário da Franco Maçonaria e dos Franco Maçons, Editora Marins Fontes, São Paulo.

JUK, Pedro – Exegese Simbólica para o Aprendiz Maçom – Tomo I, Editora Maçônica A Trolha, Londrina, Paraná.

JUK, Pedro – Topografia e Simbolismo do Templo REAA, Ensaios, Diário JB NEWS, Florianópolis, Santa Catarina.

JUK, Pedro – São João e os Solstícios na Maçonaria, Ensaios, Diário JB NEWS, Florianópolis, Santa Catarina.

Corda de 81 nós

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A Corda no Rito Escocês Antigo e Aceito parte de um nó central (sobre o Delta) estendendo-se no alto das paredes com nós equidistantes a partir do nó central com quarenta para cada lado até a parede ocidental terminando por duas borlas que pendem ao lado da porta de entrada. Assim os “nós” em número de quarenta para cada lado ocupam todo o espaço, desse a parede oriental até a ocidental (menos por sobre a porta) Também não há necessidade alguma das borlas tocarem o chão.

A origem do simbolismo da Corda – despido do número de 81 nós – está nos canteiros de obra da Maçonaria Operativa quando o espaço da construção era delimitado por uma corda grossa (às vezes até uma corrente de ferro) presa por anéis de metal em estacas fincadas na terra. A proteção limítrofe circundava todo o canteiro até a sua entrada que era marcada por duas estacas maiores (postes – paliçadas) que delimitavam a entrada e saída do espaço. Geralmente junto à banda Norte do acesso por dentro do canteiro havia um pardieiro onde um zelador guardava as ferramentas ocupadas no trabalho. Havia também um na banda Sul que abrigava outro zelador responsável pela fiscalização dos trabalhos (wardens = zeladores; origem dos Vigilantes Especulativos).

Como na Maçonaria Moderna a Loja simboliza um canteiro de obras especulativo (Oficina), o Rito Escocês Antigo e Aceito revivendo esse costume haurido do passado inseriu no simbolismo dos seus Templos uma corda circundando todo o espaço em alusão àquela que demarcava o recinto de trabalho dos operários da pedra. Assim, devida essa origem, a corda deve circundar toda a Loja, salvo o espaço destinado para a sua entrada (porta).

As borlas (elementos decorativos das duas pontas da corda) recomendam a interpretação de que a Maçonaria é uma Instituição progressista e evolucionista que, respeitados os verdadeiros Landmarks da Ordem, acompanha a evolução da ciência e das artes. Assim, a interrupção da Corda que circunda o Canteiro, representa simbolicamente essa passagem do progresso – a Ordem Maçônica é dinâmica e progressista, portanto aberta às novas ideias que possam contribuir para a evolução racional da humanidade.

É oportuno porém, salientar que a menção à Justiça e à Prudência feita no Ritual está em incorreta, já que o simbolismo relativo a essas virtudes está presente nas borlas estilizadas que aparecem ilustradas nos quatro cantos do Painel do Grau – Justiça e Prudência no Oriente e Temperança e Coragem no Ocidente. Já as borlas que são partes integrantes da Corda não têm essa conotação, senão àquela relacionada a demarcar e simbolizar o acesso do desenvolvimento.

Quanto ao número de Oitenta e Um Nós, o mesmo foi inserido provavelmente no século XVIII por obra e graça do pensamento dos místicos que deram ao nó central – sobre o Delta – a qualificação numeral de “um” como elemento primário da Criação, enquanto que a alusão feita ao número “quarenta” (para cada lado) corresponde ao simbolismo penitencial e da expectativa. Exemplo: quarenta dias que durou o Dilúvio; quarenta dias passou Moisés no Sinai; quarenta dias durou o jejum de “Jesus”; etc.

Existe ainda aquele que nomeia o número oitenta e um como o quadrado de nove e este por sua vez como o quadrado de três – número perfeito e de alto valor místico para todas as civilizações. Três eram os filhos de Noé; três eram os varões que apareceram a Abraão; três eram os dias de jejum dos judeus desterrados; etc.

Entretanto a interpretação mais plausível tem sido aquela (esotérica) que sugere a união fraternal que deve existir entre os Maçons, muito parecida com a fábula do feixe de Esopo. Em linhas gerais a corda constituída por muitas fibras de sisal corresponde à união e a resistência, já que poucas fibras tendem a se romper, porém em grande número e unidas umas as outras dão à corda a resistência necessária. Representa assim a comunhão de ideias e de objetivos da Sublime Instituição.

Encerrando e ratificando, a Corda de Oitenta e Um Nós circunda as quatro paredes (parede oriental, paredes Norte e Sul e parede ocidental) do Templo, interrompendo-se apenas no Ocidente junto à projeção do prolongamento das laterais da porta de entrada. As borlas decorativas terminam à meia altura da porta.

Autor: Pedro Juk

Fonte: JB News – Informativo nr. 1547

Maçonaria – Vai de Escada ou de Elevador?

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A Maçonaria é um sistema de progresso moral, intelectual, filosófico e espiritual baseado em alegorias, símbolos e dramas transmitidos por meio de rituais. Os rituais compreendem graus que, quando sequenciais, compõem um Rito. Dessa forma, ao vencer cada grau, o maçom vai progredindo na senda maçônica. E por conta do progresso, essa trajetória é constantemente ilustrada como uma escada. Por conta de ser uma escada relacionada ao aperfeiçoamento do ser humano, não é raro os maçons a chamarem de “Escada de Jacó”.

Para ser considerado apto ao ingresso no grau seguinte, é comum a exigência de requisitos, como presença mínima nas reuniões, apresentação de um trabalho sobre os ensinamentos do grau em que se encontra e passagem por uma sabatina. Em outras palavras, Maçonaria é uma escola.

O Rito Escocês Antigo e Aceito – REAA, o mais conhecido dos maçons brasileiros, é composto por 33 graus. Do primeiro degrau até o topo dessa escada costuma-se demorar, no mínimo, 06 anos. Isso porque existem interstícios a serem respeitados que garantem esse tempo mínimo. Por esse motivo, muitos maçons gostam de chamar o Rito Escocês de “Faculdade de Maçonaria”.

E por que alguém frequenta uma Escola? Para aprender, claro! Mas em uma faculdade, existem geralmente dois tipos de estudantes: os que estão ali pela vocação, pela vontade de aprender, e os que só querem o diploma, o título. Aqueles com vocação e vontade são assíduos, participativos, esforçados, estudiosos e comprometidos. Já os outros são ausentes, relapsos, enrolados, “picaretas”.  Na Maçonaria isso não é diferente.

Porém, no universo acadêmico existe uma alternativa para aqueles interessados apenas no título e que possuem o desvio de caráter da desonestidade. Para esses vaidosos desonestos existe um “atalho” que é a compra de diploma, um crime ainda frequente no Brasil. É claro que não se compra o conhecimento, que só pode ser conquistado. Mas para esse tipo de indivíduo, o título já é o bastante para satisfazer seus interesses.

De uma forma geral, existem três formas de se comprar um diploma: por meio de uma instituição corrupta, por meio de um funcionário corrupto, e por meio de um fraudador. O primeiro caso é claramente o mais grave, pois o crime não é cometido por um indivíduo, mas por uma instituição. Uma faculdade que vende diplomas, além de criminosa, não somente coloca em risco a qualidade dos serviços prestados pelos beneficiados pela compra, como prejudica a honra de seus estudantes honestos.

Infelizmente, ainda existe esse tipo de faculdade no Brasil e, mais uma vez, na Maçonaria não é diferente. São vários os casos de maçons passando por todos os graus superiores de um rito em um único final de semana. Esse lamentável fenômeno é conhecido por muitos maçons como “Elevador de Jacó”. O termo significa que o sujeito, em vez de subir degrau por degrau, “pega um elevador e vai direto para a cobertura”.

Sendo a Maçonaria uma escola, sua finalidade é ensinar. E sendo o maçom um estudante, seu objetivo é aprender. Sempre que um Corpo Maçônico ou um maçom fugir disso, estará cometendo um crime. Não um crime legal, mas um crime moral. Um crime perante os maçons e instituições maçônicas honestas deste país.

O fenômeno ocorre no Brasil desde a chegada dos primeiros Ritos Maçônicos, há quase 200 anos atrás, e possui permissão estatutária. No início, tinha-se a desculpa da necessidade de se formar rapidamente uma base para a consolidação dos ritos. Mas atualmente, em pleno século XXI, essa demanda não mais existe. A “subida súbita” tem servido apenas para atender os caprichos de alguns poucos “profanos de avental”, e sido motivada por interesses políticos das instituições fornecedoras.

Os “usuários do elevador” nada sabem e, portanto, nada podem ensinar. Dessa forma, tal prática, assim como ocorre no mundo acadêmico, também é prejudicial ao desenvolvimento da Maçonaria. Mas cabe a cada um dos “estudantes exemplares” trabalharem para a mudança dessa realidade. Aí, quem sabe, essas “escolas de moral” possam ensinar também com o exemplo.

Autor: Kennyo Ismail

Fonte: Teoria da Conspiração

A Palavra Semestral

É norma contida no Ritual Escocês, de 1928, das Grandes Lojas Brasileiras, que a Palavra Semestral deve ser trocada com o Cobridor da Loja que se visita, como prova da regularidade recíproca entre o visitante e a visitada. Quando Aprendiz, indaguei: como é que se processa esse “trocar”? Responderam-me que eu deveria dar ao Cobridor da Loja visitada uma falsa palavra, isto é, inventada; caso ela fosse aceita ou recusada, haveria a prova da irregularidade ou regularidade da Loja. E, à guisa de pá-de-cal, me foi acrescentado: se a Loja for regular, o Cobridor não aceitará tal “troca” e voltará a pedir a Palavra — e aí sim! — darás a verdadeira, aquela recebida na Cadeia de União. Ponderei que a explicação não abrangia todas as possibilidades, inclusive a do Visitante ser colocado no olho-da-rua, por irregular ou por metido a engraçadinho… Ante o frio olhar do Mestre, calei-me…

O tempo passou. Visitei muitas Lojas. Nunca foi necessário trocar a Palavra Semestral com quem quer que fosse, embora a dúvida de como proceder continuasse latente no subconsciente. Até que um dia, ao longo das pesquisas e estudos, inesperadamente, nas últimas páginas da obra “A Simbólica Maçônica” — de Jules Boucher — lá estava a resposta concisa à invencionice que tentaram me impingir (e, sabe-se lá, a quantos outros…). Então, juntei o dito por Jules Boucher com outras leituras e, hoje, tantos anos passados, creio estar suficientemente informado para explicar, sem “magister dixit”, aos Aprendizes de agora, a verdade sobre tal assunto, vazada num texto simples, como eu gostaria de ter recebido em 1977/78. Buscando reunir as informações essenciais à compreensão do tema, situá-lo no tempo e resumir seus eventos desencadeantes, vejamos…

A Maçonaria Francesa do século XVIII — de onde, em grande parte, o nosso Rito provém —, foi pródiga em Graus, Ritos e Corpos: quase 400 Graus, mais de 50 Ritos e, englobando tudo isso, diversas Ordens e Obediências. Evidentemente, todas digladiando-se por precedências. No sentido de amplitude, no de entrecruzar caminhos, descaminhos e trilhas — “uma savana” — verbera Allec Mellor.

Assim, lá por 1770, existiam três grandes Obediências: duas Grandes Lojas, a da França e a Nacional de França, mais o Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente (Grande e Soberana Loja Escocesa de São João de Jerusalém), além de vários Grupos e Lojas esparsas. No início de 1773, buscando dar fim ao divisionismo, limitar o número de Graus e, segundo dizem, para impor suserania à Maçonaria Francesa, a maior parte da Grande Loja da França (e outras dissidências) reestruturou-se como “Ordem Real da Maçonaria em França”, gerando e dando à luz — em 24.05.1773 — ao Grande Oriente de França, Obediência que, em 28 de outubro daquele ano, empossa seu primeiro Grão Mestre, Felipe de Orleans, Duque de Charters[1].

Afora a estranha personalidade de tal Grão-Mestre[2], o que importa assinalar é o fato de que na data de sua posse nasceu a Palavra Semestral[3], criada para impedir a presença de Maçons não filiados às reuniões do GOF. Foi uma medida bem diferente daquela tomada em 1730 pela Grande Loja de Londres que, ao trocar a sequência das colunas de BJ para JB, buscava impedir o acesso de profanos nas Lojas, em decorrência das “inconfidências” de Prichard, quando publicou nossos “segredos” num jornal londrino.

Contrariamente, o GOF atingia os Maçons, tentando obrigá-los à filiação na nova Obediência, limitando o livre direito de visitação até então vigente.

Concluído o cenário e vistas às motivações que ensejaram o nascimento da Palavra Semestral, vejamos como ela foi planejada para ter eficácia, no sentido concebido por seus mentores, os quais, com inteligência, uniram dois usos tradicionais: um militar, o da Senha; e o outro obreiro, o da Cadeia de União[4]. Tais parâmetros foram conjugados e, até hoje, mantidos em vigor nas Obediências Escocesas da Europa, assim:

    • A PS não é UM só vocábulo, são DOIS, ambos com a mesma inicial; por exemplo: Luz/Lua, Sol/Saber ou Fé/Força… É Senha e Contrassenha ou melhor, tal como se diz na França: são as palavras semestrais;
    • Na Cadeia de União, uma palavra vai pela direita, a outra pela esquerda; e, pelo retorno aos ouvidos do Venerável, este diz do acerto da recepção: “Justas e Perfeitas”. Caso ocorra algum erro, o procedimento é repetido até poder ser dado como correto.

À luz do até aqui exposto, retornando à indagação inicial de como “trocar” a Palavra Semestral com o Cobridor, bastaria que o visitante desse a Senha (uma palavra) e recebesse a Contrassenha (a outra palavra) para que, inegavelmente, ficasse estabelecida a regularidade de ambos. Ou seja, a do visitante e a da Loja. Tudo simples, sem invencionices, de forma inteligente!

Aqui poderíamos dar por concluído este trabalho, mas nossos leitores talvez ficassem com duas indagações:

    • A implantação das Palavras Semestrais surtiu o efeito desejado?
    • Por que nós temos somente uma Palavra Semestral?

Respondendo-as, ressalvando a existência de divergências entre os historiadores, podemos dizer que:

Na França, como vimos, a implantação das Palavras fazia parte de um contexto obediencial e programático que, no sentido hegemônico, não alcançou seu fim, pois a animosidade dos Irmãos, Lojas e Obediências tidas por “irregulares” avolumou-se contra ao GOF — que, embora enobrecido com um príncipe de sangue na titularidade do Grão-Mestrado, não conseguiu unificar a Maçonaria Francesa, mas ficou com sua maior fatia.

No nosso caso, a existência de uma só Palavra Semestral, em vez de duas, podemos creditar somente ao desconhecimento do tema, tanto por tradutores quanto por autoridades litúrgicas, os quais — por certo — desconheciam a História da Franco Maçonaria de Findel, que à pág. 65, descrevendo uma iniciação de antanho, quase ao final diz:

Era libertado da venda de seus olhos, mostravam-lhe as três grandes luzes, colocavam-lhe um avental novo e davam-lhe o santo e a senha (o grifo é nosso), conduzindo-o ao lugar que lhe correspondia no recinto da Assembleia”.

Santo-e-senha, segundo os dicionaristas, são palavras de mútuo reconhecimento.

Aliás, fazendo-se um parêntese, os nossos Veneráveis Mestres. recebem a Palavra Semestral inserida num triângulo (?) e cifrada num código primário, para não dizer infantil, quando bem poderia ser criptografada no antigo alfabeto maçônico. Pelo menos assim, recordaríamos como decifrar certos sinais inseridos no Painel de Mestre, além de nos lembrar a ausência da Prancheta em Loja.

Concluindo, embora desagradando aqueles que buscam origens místicas e mágicas em tudo quando maçonicamente nos cerca, vimos que a Palavra Semestral nasceu de uma contingência nada esotérica. Aliás, daquele contexto, convém ressaltar, se originou a forma democrática de eleição dos Veneráveis Mestres[5] – (apanágio que o GOF até hoje ostenta e orgulhosamente relembra). No mais, acreditamos ter ficado evidente a forma equivocada de transmitir e trocar a Palavra Semestral, totalmente em desacordo com a tradição mais que bicentenária.

Por fim, com a Palavra Semestral distribuída pela CMSB, no primeiro semestre de 2001, apressadamente julgamos ter retornado ao tradicional molde de Senha — Contra Senha. Ledo engano, mas razão suficiente para reformatarmos este trabalho e continuarmos esperando que, um dia, a Palavra retorne à forma originária. Caso isso não aconteça — o que é bem provável — contentamo-nos em fazer a nossa parte: a de difundir mais uma informação sobre nossos Usos e Costumes, para proveito dos cultores das Tradições do R.E.A.A..

Autor: Adayr Paulo Modena

Bem∴ Aug∴ e Resp∴ Simb∴ Cidade de Porto Alegre N.º 47

Notas

[1] – Sendo seus oficiais: o Duque de Montmorency — Luxemburgo (Administrador-Geral); o Conde de Buzencois (Grande-Conservador (!?); o Príncipe de Rohan (Representante do GM); o Barão de Chevalerie (Grande Orador); o Príncipe de Pignatelly (Grande Experto).

[2] – Militante revolucionário que, sob o cognome de Felipe-Igualdade, votou na Convenção pela morte de seu primo e Ir.·., o rei Luiz XVI. Além disso, em quase vinte anos de mandato, poucas vezes presidiu os trabalhos do GOF; ao fim, renunciou e abjurou a Maçonaria. Foi expulso da Ordem e sua espada foi quebrada “em Loja”. Acabou seus dias guilhotinado como contrarrevolucionário.

[3] – Segundo o Dic. De Frau Ablines (elencado na bibliografia), a Palavra nasceu em 23.07.1777, sob a alegação de que “convencidos por uma larga experiência da insuficiência dos meios empregados para afastar os falsos Maçons, acreditamos que o melhor que se pode fazer é rogar ao Grão-Mestre que dê a cada seis meses uma palavra, que se comunicará aos Maçons regulares, por meio da qual se farão reconhecer nas Lojas que visitarem.”

[4] – Não era, e continua não sendo, um costume universal da Maçonaria, pois presumidamente nasceu na Compagnonnage, corporação obreira do continente europeu que não penetrou na Maçonaria de Ofício Insular (Ilhas Britânicas); consequentemente, a Maçonaria de origem Anglo-Saxã não pratica a Cadeia de União, dizendo-a fora dos cânones maçônicos.

[5] – Os Mestres de Loja, como eram chamados naquela época, tinham conseguido tornar-se donos de Lojas particulares, inamovíveis até 24.05.1773. Nesta data, criado o GOF, foi usado pela primeira vez a expressão “Venerável Mestre de Loja”; e declarado que, daí em diante, não se reconheceria o Mestre elevado àquela dignidade, senão pela livre escolha dos membros da Loja.

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Referências bibliográficas

A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática — Jean Palou.

A Simbólica Maçônica – Jules Boucher.

Dicionário da FM e dos F. Maçons — Ajec Mellor.

Dic. Enciclop. de la Masonería — Don Lorenzo Frau Abrines e Don Rosendo Arús Arferiu.

Gr. Dic. Enciclop. de Maçonaria e Simbologia — Nicola Aslan.

Jornal “Le Monde”, artigo publicado em 15.09.2000 — Alain Bauer, Grão-Mestre do GOF.

O R.E.A.A. — José Castellani. Programa Radiofônico — Domingo, 05.11.2000

Entrevista do Grão-Mestre do GOF, Alain Bauer. Revista “A Renascença” nº 22 — abril de 1998.

Deísmo

Deísmo é um sistema filosófico ou atitude dos que aceitam a existência de um Deus destituído de atributos morais e intelectuais e que poderá ou não haver influído na criação do Universo. O deísta crê em Deus, mas não aceita religião nem culto, rejeitando toda espécie de revelação divina e, pois, a autoridade de qualquer Igreja.

Em maçonaria os sistemas ritualísticos podem ser divididos em ritos deístas, teístas e adogmáticos. Determina essa diferenciação o texto do ritual relativo à qualidade de consciência da presença de Deus nos trabalhos maçônicos e a interpretação dos Princípios morais simbolizados na lenda da cerimônia e no ornamento da Loja. Exemplo de rito deísta, o Rito Schröder foi concebido desde sua origem com um conjunto de símbolos e cerimônias que guardam equidistância de religiões. Seus praticantes têm autonomia de opção pessoal a partir da crença em Deus. O Rito Schröder selecionou da ritualística inglesa dos chamados “modernos” algumas referências à construção do Templo de Jerusalém, por Salomão, sem, contudo, ultrapassar os limites das  analogias pontuais.

O sistema ritualístico inglês caracteriza, hoje, o conteúdo teísta. Em 1717, a ritualística da primeira Grande Loja foi deísta, quando abriu as portas das Lojas para variadas opções religiosas pessoais dos seus filiados, sem especificar uma a ser obedecida. Em 1815, após o surgimento da Grande Loja Unida da Inglaterra, a primitiva Constituição de Anderson foi alterada, tornando-se dogmática e impositiva, atendendo preferência dos representantes da segunda Grande Loja de Londres, auto-proclamados “antigos”.

O Rito Moderno representa o segmento ritualístico adogmático. Foi um rito teísta a partir da sua estruturação com sete graus e assim permaneceu durante 91 anos. Em 1877, decidiu em convenção, a supressão da afirmação dogmática da existência de Deus e da imortalidade da alma. Adotou o princípio do respeito absoluto à liberdade de consciência da fé.

O Rito Escocês Antigo e Aceito começou teísta, na afirmação documental de Albert Pike, em nome do Supremo Conselho jurisdição Sul dos Estados Unidos. No entanto, em 1875, Supremos Conselhos sediados em países católicos, reagindo às fortes ações antimaçônicas, planejaram levar à Convenção de Lausanne, prevista para 1878, a proposição de tornar as definições do Grande Arquiteto do Universo não exclusivamente teístas, abertas a outras aproximações da espiritualidade dentro do respeito da liberdade de consciência individual. A proposição foi aprovada e incluída na Declaração de Princípios do rito. Com essa decisão o REAA tornou-se deísta durante poucos dias. Em seguida ao encerramento da Convenção de Lausanne, o Supremo Conselho – Sul dos Estados Unidos contestou a Convenção e, apoiado pelos Supremos Conselhos da Escócia e da Grécia, recomendou aos Corpos irmãos do mundo a reformulação da Declaração de Princípios a respeito da consciência livre sobre a compreensão do Grande Arquiteto do Universo. Fixou o sentido teísta, impondo as crenças em um Deus pessoal e no dogma cristão da imortalidade da alma. A divisão no REAA persiste até o presente, alimentada pelo antagonismo dualista entre Supremos Conselhos teístas personalistas e deístas não personalistas.

Nota do blog:

Desconhecemos quem é o autor do texto.

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