Discordou de mim? Se prepare para os xingamentos!

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Debater assuntos, tendo que lidar com opiniões contrárias virou estopim de revolta e palco de xingamentos desenfreados. Tempos de tolerância zero, palavrões e pontapés desgovernados.

Ao final de cada texto que a gente encontra hoje na internet, existe a coluna aberta para comentários, algo que poderia ser uma ótima oportunidade para debates e aprendizado mútuo. Por acaso já notaram que, na maioria esmagadora deles, o padrão é sempre o mesmo? O comentário que encabeça a lista é referente ao texto, geralmente muito pertinente. O comentário seguinte, refere-se ao comentário anterior, já num tom não muito amigável, meio que dizendo que o comentário anterior não tem nada a ver. Do terceiro em diante, parece que a terceira guerra mundial acabou de ser declarada. É um festival de incapacidades de lidar com opiniões contrárias sem ter que apelar para insultos de todos os tipos, tamanhos, cores e temperos. Entra no meio religião, origem, cor, orientação sexual, status social, peso, filiação partidária, sentimentos nada afáveis sobre a sogra, o cunhado… é uma coletânea de coisas sem pé nem cabeça que culmina numa sensação de que as pessoas não só estão com os nervos à flor da pele, mas também calibradas em tolerância zero. E é esta intolerância que é assustadora! Num instante uma discussão que poderia ser saudável e animada, vira campo de batalha, fogo cruzado, ódio disseminado! É como nas ruas da cidade, se duas pessoas estão vestindo camisas de clubes de futebol rivais, existe uma grande chance de atos violentos explodirem do nada.

Hoje em dia, ao que parece, grande parte das pessoas considera que a própria opinião tem que ser soberana em todas as situações e rodas de discussão, sem exceção. Se alguém discordar do gosto ou da linha de pensamento, pronto! Seja quem for que discordar: se mãe, irmã, namorado, melhor amiga da vida (BFF), já está na lista negra. Pode se preparar para ouvir “pérolas” e mais “pérolas”, palavras de baixo calão e, em seguida, indiferença implacável por dias, senão para sempre. Quão alarmante este tipo de comportamento se tornou! Como ele transparece egoísmo, imaturidade, falta de empatia, ignorância e nenhum senso de civilidade!

Todo mundo quer falar, se colocar, mas ouvir o outro nem pensar! Se for para ouvir, já é ouvir pensando em rebater toda e qualquer opinião. O importante é ter razão sempre e destronar a do outro à qualquer custo, mesmo que seja ofendendo ou dilacerando os laços de uma relação.

A verdade é que, ao invés de gritar, praguejar, dar socos e pontapés, a melhor estratégia é melhorar os argumentos e aprender a reconhecer que opiniões contrárias são apenas outros pontos-de-vista sobre o mesmo tema. Somos todos diferentes, vivemos em diferentes contextos, estamos expostos à experiências diversas, que nos afetam em diferentes formas.

Seria tudo tão mais fácil se usássemos mais o humor e menos o calor para reconhecer que nem sempre somos os donos da razão. Que outras pessoas também têm algo importante à dizer que pode servir, aliás e muito bem, como precioso aprendizado para nós.

Ao invés de tentar desqualificar e desmoralizar o outro, metralhando-o sem piedade com todas as ofensas possíveis e imaginárias, que tal treinar os olhos e a mente especialmente para observar as coisas num ângulo de 360 graus, de forma multidimensional, ao invés de só dentro de uma caixa ou só se valendo de um tipo de visão limitada chamada “tunnel vision”?

Vamos aproveitar a oportunidade de fazer parte destas discussões de um modo saudável, enriquecedor, eclético, divertido, inteligente, democrático, flexível, cordato. Paremos com os insultos em liquidação! Vamos sim celebrar a oportunidade que nos é dada de poder ver o mundo com óculos emprestados por outras pessoas. Nós não sabemos tudo e não somos perfeitos! O maior aprendizado de todos geralmente acontece nas trocas, na comunicação, na humildade de se colocar no lugar do outro e parar para pensar que além da nossa opinião, outras podem sim fazer todo o sentido e caminhar em paralelo. O mundo não vai acabar ou seremos menos respeitados ou queridos se abrirmos espaço para acomodar outras opiniões. Pode acabar sim se persistirmos nestas guerras intermináveis de “barracos cibernéticos” especialmente. Impor implacavelmente nossos pontos-de-vista pode até fazer bem para nosso ego momentaneamente, mas para nossas relações pode deflagrar um desastre de consequências emocionais muito dolorosas a longo prazo, por vezes irremediáveis!

Discordar é um direito, xingar é um defeito! Melhoremos nossos argumentos e destronemos nossos preconceitos. Vamos somar, não subtrair. Vamos nos completar, não nos dividir. Xingar só nos desqualifica, nos prova mentes estreitas e corações rancorosos. Ouvir o que o outro tem a dizer e respeitar sua opinião, mesmo que diferente da nossa, representa evolução e a verdadeira revolução na arte da comunicação!

Autora: Simone Bittencourt Shauy

Fonte: Obvious

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Luz, Paz e Bem

Frases do pequeno príncipe

Vivemos tempos de crise. A essência cede lugar à aparência. Tudo parece repelir a convivência pacífica de opostos. A simples manifestação de uma opinião – sobre qualquer assunto – enseja ataques gratuitos, especialmente no Tribunal das Redes Sociais. Intolerância geral. “Enquanto os homens exercem seus podres poderes” (Caetano Veloso), a felicidade parece estar cada vez mais distante.

Mas esta época pode ser muito boa, se soubermos o que fazer com ela.

“Somos feitos para a felicidade, para a interação, para a bondade, enfim para facilitarmos a existência uns dos outros” (Ana Jácomo).

“Gente simples, fazendo pequenas coisas, em lugares não muito importantes, consegue mudanças extraordinárias (Provérbio africano)”.

Esta não é uma situação passageira. Há uma mudança de eixo na nossa forma de viver. O grande desafio é encontrar a melhor maneira. E é neste cenário que novamente se apresenta singular oportunidade de a Maçonaria reafirmar sua missão.

O filósofo Epicuro observou que os grandes navegadores devem sua boa reputação às tempestades. Paz não é a ausência de conflito, mas a constante e corajosa luta contra a injustiça.

“A coragem é um meio termo entre o medo e a confiança” (Aristóteles).

“A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” (Guimarães Rosa).

Por outro lado, é sabedoria deixar de lutar por algo que não proporciona paz. A própria Maçonaria precisa superar suas dificuldades e conflitos. Precisa se manter no caminho reto, que historicamente trilhou. Ser a Sublime Instituição que prometemos aos neófitos. Ficar imune ou em contraste com os desencontros do mundo profano.

Para tanto, cada obreiro deve honrar, contínua e permanentemente, o seu juramento da Iniciação. Um ensinamento indígena diz que quando não se cumpre a promessa, os fios da ação ficam soltos ao nosso lado, enrolam-se nos pés e impedem a livre caminhada. Por isso, os nativos têm o costume de “colocar as palavras para andar”, ou seja, agir de acordo com o que se fala, o que conduz ao caminho da beleza, em que há harmonia e prosperidade naturais.

Todos nós, eternos aprendizes, juramos cultivar a paz, a concórdia e o respeito, além de defender a liberdade de consciência, comprometidos com a indagação responsável, a informação segura, a meditação serena, a ação benfazeja. A começar na própria Loja, nosso comportamento social deve ser reflexo lógico do que se faz no particular, mais do que somente imagem para consumo externo. Coincidência entre discurso e prática. Em suma, coerência!

Assim, em equilíbrio e harmonizados, estaremos aptos a contribuir na construção social, cujo pressuposto básico é a vida humana em grupos, que, sem dividir, impor ou segregar, devem ter um mínimo de homogeneidade para poder evoluir, renovar e construir. A vida em sociedade precisa de palavras bonitas e menos cara feia. Mais respeito e pouco julgamento. Mãos dadas, menos individualidade. Discernimento para quando se negue a verdade e se idolatre a mentira. Menos regulamentos e melhores relacionamentos.

A propósito de harmonia, a Constituição de Anderson já determinava que os artesãos deveriam se abster de toda prática profana prejudicial à caridade fraterna ou às boas relações. Dirigir-se sempre uns aos outros pelo tratamento de Irmão, agindo com cortesia, dentro e fora de Loja. Evitar comitês particulares, conversações paralelas, linguagem imprópria, falas inconvenientes, ou comportamento jocoso, porque a Loja somente se envolve com o que é sério e solene. Facultava o regozijo, com alegria, mas evitando todo excesso gravoso, sob a pena de frustrar louváveis esforços. Recomendava abrandar temperamentos, evitar pendências cotidianas e querelas sobre temas polêmicos, porque somos de todas as origens, e temos o direito de livre pensar, mas fundamentalmente há obrigação de respeitar o outro.

Todos nós, Maçons, somos iguais em direitos e deveres gradativamente conquistados e cumpridos. Somos credores de respeito e lealdade, mas também devemos fidalguia e amabilidade.

Nesta linha de ideias, haveremos de ter muito cuidado com as disputas e as divergências, com o julgamento descuidado e a condenação precipitada das palavras, do silêncio, da presença e da ausência; do que se pensa, do que se faz e do que não é feito.

Estar imunes à Santa Inquisição dos Passos Perdidos, tão comum no mundo profano, em que muitos, para tirar atenção de si próprios, medem supostas falhas alheias com uma régua que eles mesmos inventaram. Distinguir entre obsequiosos, altercadores, e aduladores, pois a simulação da bondade é a mais perigosa das maldades. Respeitadas as possibilidades e a capacidade de cada obreiro, observar os que se omitem, reclamam muito, mas pouco ou nada fazem; e quem acha que tudo pode ou faz; ou quem se faz de modesto; além dos que se apropriam de feitos alheios. Resistir e neutralizar eventuais máculas contra a reputação de quaisquer Irmãos; em especial os ausentes.

Por outro lado, as sinceras manifestações dos Irmãos, em Loja, devem ser respeitadas, pelo que realmente significam, e não por interesses ou ideias contrárias. Importante assumir o que se diz, mas não se sentir responsável pelo que o outro entende.

A Arte Real também engloba saber ouvir ou falar, com lealdade. O tom do que é dito depende do jeito de ouvir, e vice-versa. Não se há de melindrar com ideias e pensamentos lançados em abstrato, para aprendizado de todos. E se algum confrade for prejudicado de qualquer modo, a fraternidade deve prover ou viabilizar sua defesa, e restabelecer a verdade e a justiça.

As decisões coletivas e legítimas sempre devem ser acatadas. Diálogo e respeito são imperativos, especialmente aos que pensam diferentemente, não havendo por que impor opiniões e condenar as contrárias. Conforme José Saramago,

“O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro.”

É básico e lapidar que somente deve portar avental o Irmão em perfeita harmonia com os demais obreiros. Empatia é saber enxergar a alma alheia. É compreender que nem sempre o fácil para um também será para outro. Não ferir a ninguém, viver honestamente e dar a cada um o que é seu, antes de ser uma regra moral e a pedra angular da Justiça, é um imperativo de sobrevivência, corolário da Ética, para além das religiões, mitos e filosofias.

Tal como foi fatal para Sócrates, é um perigo julgar tudo e todos, impor e condenar precipitadamente, sem se importar com as consequências. Antes disto, caberia perguntar: – “e se fosse comigo?” Às vezes, silenciosamente, as pessoas se afastam para refletir. Outras vezes, porque já refletiram.

“O sábio não diz tudo o que pensa, mas pensa tudo o que diz” (Aristóteles).

O homem é escravo do que fala e dono do que cala.

“O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito” (Fernando Pessoa).

Então, que nossas palavras sejam para abençoar, bendizer, somar e unir; que a diferença de ideias aproxime e faça crescer; e que quando nos reunirmos, a primeira pergunta seja: “-Vamos falar bem de quem?” A música de Frejat ensina:

“Eu te desejo não parar tão cedo, pois toda idade tem prazer e medo. E com os que erram feio e bastante, que você consiga ser tolerante”.

Por isso, embora sejam importantes os tratados de amizade e a intervisitação intensa, antes, há que ter harmonia com os Irmãos mais próximos. O momento é de esquecimento, de perdão, de desapego aos conceitos, atitudes e preconceitos que segregam, dividem e afastam. Para reconciliar, é preciso resiliência, mente flexível, otimismo, capacidade de se recuperar de situações de crise e aprender com ela. Não há razão de dividir para governar, e a unificação de potências, o bom relacionamento, ideal do projeto impessoal de entendimento, é um objetivo final, que passará pela pacificação geral e pelo ecumenismo.

Assim, a Ordem manterá suas tradições, atuará na vanguarda da evolução, e continuará sendo o Luzeiro da Humanidade. A liberdade é o mais precioso dos direitos. Ser livre não é só questão de leis (Platão). Somente é livre aquele que reconhece a ordem divina dentro de si, o verdadeiro nível pelo qual o homem pode se governar. É preciso manter vivos e aprimorar os atributos que fizeram com que o Mestre apoiador tivesse despertado o seu olhar para nos convidar à iniciação.

A nós, seres imperfeitos, cabe unicamente fazer o bem, não para ganhar o céu, mas para tornar suportável a vida na Terra.

São nossas atitudes e não nossas crenças que nos fazem melhores. Há leis universais implacáveis: a do retorno, a da verdade, e a do mérito. Os princípios estão acima e antes das pessoas.

Estudar e melhorar a si mesmo é a arte mais difícil, é missão árdua, e requer dominar instintos, aprimorar virtudes. Compete a cada um de nós decidir pela sincera reforma íntima, em busca do estado de ataraxia, quietude absoluta da alma, o ideal do sábio (epicurismo). Tirando os bens materiais, o dinheiro, a aparência, o estudo, os títulos e cargos, as realizações, o que resta é o que a gente é. Então, o que nós somos, em essência?!

Que nos sirva de estímulo saber que a melhor coisa a se fazer por alguém é ser sua inspiração, pelo exemplo. Com a energia positiva do sincero e fraternal abraço habitualmente trocado entre os Irmãos, que haja saúde, força, sabedoria, beleza e união de todos, para que a Maçonaria se consolide em uma central de energia psíquica e moral, na qual a sociedade encontre os seus líderes quando deles necessite.

E, se nos perguntarem: – Quantos sois vós? Responderemos: – Somos um só!

Autor: Alceu André Hübbe Pacheco

Alceu é Mestre Instalado da ARLS Pedro Cunha, Nº11, jurisdicionada à Grande Loja de Santa Catarina.

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De Deus ao Grande Arquiteto do Universo

Pierre Dupont, Portrait de Pierre François, huile sur toile, 76 x ...

Na abertura dos trabalhos na Grande Loja da França se fala “Á Glória do Grande Arquiteto do Universo”, e essa mesma invocação é repetida ao término dos trabalhos. Ao ouvir isso, os Irmãos consideram essa expressão como um fato original e raramente questionam a sua origem e significado profundo. Mas é necessário conhecer nossa História para saber de onde viemos. O presente artigo nos permitirá saber como chegamos a essa noção de Grande Arquiteto que é, pelo Rito Escocês Antigo e Aceito, a pedra angular do caminho iniciático. Vou tentar explicar como a Maçonaria iniciática passou de Deus ao Grande Arquiteto do Universo.

Desde o nascimento do Cristianismo até o fim do Idade Média, Deus está em toda parte e em tudo, e ai de quem contestasse este postulado. Na Maçonaria, até o século XVIII, os trabalhos se desenrolavam e seus juramentos eram realizados sobre a Bíblia, “na presença de Deus e de São João”. A invocação de Deus era vital na época porque, desde a Idade Média, a onipotência da Igreja Apostólica Romana governava não apenas a consciência, mas também todas as instituições, desde corporações menores até a realeza. Ela condenava à morte aqueles que não pensavam dessa forma. Desde o início da Maçonaria, a crença é, portanto, obrigatoriamente em Deus, Grande Geômetra (de acordo com a expressão de Pitágoras) que mede o universo com sua bússola, como mostrado por muitas iconografias do século XIV, e ainda permanece hoje na Maçonaria Anglo-Saxônica.

Em toda religião, a Palavra Divina tem uma virtude criativa. Assim, em Gênesis, seres e coisas adquirem sua existência no momento em que Deus as cria e dá nome a elas. Essa noção criacionista da Palavra ainda se encontra nas sociedades tradicionais, sendo uma condescendência primitiva, onde o recém-nascido só entra no estado de criatura após vários dias ou várias semanas, a partir do momento em que recebe um nome, resultado de um ato de fala. Dar um nome para um ser ou uma coisa é equivalente a um ato divino e fornece uma forma de poder para quem nomeia sobre aquele que é nomeado.

Então, dando um nome à divindade, o homem de alguma forma, garante poder sobre ela e a reduz para a dimensão humana. Os homens, com a cumplicidade de alguns religiosos, apreenderam a noção de Deus para dar-lhe não apenas um forma humana (isso é chamado de antropomorfismo), mas também sentimentos que o representam como um parente (um exemplo é o Deus Pai), um patriarca que pede para ser adorado, que se eleva a Juiz Supremo (veja o último julgamento) e que pune aqueles que pecam contra ele (ver Inferno e Purgatório). Deus é assim concebido à imagem do homem e é apenas um reflexo de sua personalidade. Aqueles que permanecem escravos de concepções imperfeitas e estreitas sobre o que é a Divindade, são suscetíveis a gerar fanatismo, fundamentalismo e perseguições, que são a negação da liberdade de consciência, como vemos com muita frequência em nossa sociedade atual.

Pela Maçonaria dos Antigos, à qual nós pertencemos, desde que a ideia permaneça única e homogênea nas Lojas e não difere da ideia de Deus do mundo profano, isto é, da Igreja Católica Romana, a ideia de um Deus Geômetra se tornou o início do renascimento do Grande Arquiteto do Universo (a primeira menção se deve a Philibert Delorme por volta de 1565, que o retirou de Platão), que não apresentou problemas aos irmãos: o Grande Arquiteto era Deus. Mas com o início do Iluminismo, se passa a  defender a ideia da religião natural e gradualmente abandonará a noção de espiritualidade, uma ideia que será adotada pela Maçonaria dos Modernos, como evidenciado pela primeira versão das Constituições de Anderson de 1723, cuja versão de 1738 e as versões a seguir, contém a crença em um Deus obrigatório. Enquanto isso, os Antigos (Escoceses, Irlandeses e Católicos do norte da Inglaterra) mantêm a crença em Deus, mas não a impondo como um dogma, ao contrário dos ingleses.

A questão de Deus na Maçonaria continuará na segunda metade do século XIX, mas o uso da palavra “Deus” se torna polêmico por certos Supremos Conselhos e certas Grandes Lojas. Existem várias razões para isso:

  • Campanhas anti-maçônicas em países católicos depois que o Papa perdeu muito de seu poder quanto ao Estado em 1870;
  • O renascimento de doutrinas ultramodernas favoráveis à Santa Sé;
  • A radicalização da doutrina católica (infalibilidade pontifical, proclamação da afirmação “fora da Igreja não há Salvação” que vai contra a liberdade de consciência);
  • E especialmente a atitude ultraconservadora da Igreja Católica que se manifesta contra a modernidade, liberdades individuais e coletivas, direitos humanos, democracia, sufrágio universal, ciência, filosofia.

Este fato foi debatido no Concílio dos Supremos Conselhos, reunidos em Lausanne de 6 a 22 de setembro 1875 para atualizar as Grandes Constituições de 1786, que regiam o Rito Escocês Antigo e Aceito, sobre a definição de Grande Arquiteto do Universo.

Para satisfazer todas as crenças e admitir todos os pontos de vista, os representantes dos doze Supremos Conselho presentes (dos vinte e três na época) usaram três expressões diferentes para definir o Grande Arquiteto do Universo, a saber:

  • No preâmbulo “a Maçonaria é uma instituição de fraternidade universal cuja origem volta ao berço da sociedade humana; ela tem como doutrina o reconhecimento de uma força superior que ela proclama existir sob o nome de Grande Arquiteto do Universo”;
  • Na Declaração de Princípios “A Maçonaria proclama, como proclama desde a sua origem, a existência de um princípio criador sob o nome Grande Arquiteto do Universo”;
  • Manifesto “Para elevar o homem à seus próprios olhos, para torná-lo digno de sua missão na Terra, a Maçonaria postula o princípio que o Criador Supremo deu ao homem também a liberdade mais preciosa, herança da humanidade inteira, que nenhum poder tem o direito de extinguir ou amortizar e que é a fonte dos sentimentos de honra e dignidade”. [1]

Três interpretações de Deus para satisfazer todos os maçons: Força superior endereçada aos agnósticos; Criador Supremo endereçado aos teístas; Princípio Criador para os deístas. Mas esse desejo de atender todas as sensibilidades religiosas é interpretado como uma recusa em se pronunciar e levará a rejeições dos teístas acusando os deístas de suavidade e, os agnósticos de ateísmo.

O Supremo Conselho da França e, depois dele, a Grande Loja da França, manterá a invocação de Grande Arquiteto do Universo definida, fora de todo o significado religioso, como Princípio Criador, abrindo o caminho para a Maçonaria não mais teísta, mas deísta, enraizada na tradição dos Antigos, respeitosos da liberdade de consciência e do direito de todos de exercê-lo em sua abordagem enquanto os Anglo-Saxões mantêm o reconhecimento de Deus e de sua mensagem revelada, assim como da imortalidade da alma, que o Grande Oriente da França suprime qualquer referência a Deus e o Grande Arquiteto e que a Bélgica, defendendo a imortalidade da alma, usa a expressão “Princípio Superior” que constitui uma aberração, porque implica que há um ou mais Princípios inferiores.

Durante o século XX, entre ciência e fé, a ideia de Deus está se tornando cada vez mais heterogênea com a perda de marcos metafísicos e a lógica do cientificismo. A noção de Deus está dividida entre dúvida e desconfiança da ciência e o surgimento de seitas que se tornam novas religiões, como a Cientologia ou Nascidos de Novo Cristãos (Born again Christians). Para nós, Maçons do Rito Escocês Antigo e Aceito, o Grande Arquiteto do Universo está a salvo destas discussões porque representa um símbolo, e um símbolo é interpretável por cada um de acordo com a abertura de sua consciência.

Para o Rito Escocês Antigo e Aceito, o Grande Arquiteto do Universo é o Princípio Criador. Etimologicamente, “princípio”, deriva do latim de principium, derivado de princeps, “que ocupa o primeiro lugar”. Significa “começo, origem dos tempos, causa original, fonte de todas as coisas”, então o adjetivo “criador” é supérfluo porque já está implícito no termo “princípio”. Pessoalmente, já anunciei várias vezes (e minha definição foi repetida no Journal de la Grande Loge de France), defendo a noção de princípio com P maiúsculo sem qualquer outro qualificador. Para mim este termo reconcilia todas as interpretações tomando uma dimensão transcendente aceitável por todos que procuram de boa-fé, sejam crentes ou incrédulo, mantendo uma religião venerando um Deus ou uma religião sem um Deus (como o budismo Ortodoxo).

Cristo em pé sobre o globo, cercado pelos quatro elementos (Lyon, Mathieu Huss, 1482)

Assim como Deus, o Princípio está sob o domínio do incognoscível, mas, diferentemente da religião, você não pode dar um nome sem cair em uma forma de profanação. É inefável que, sem nomear, a qualificação de Grande Arquiteto do Universo permite aos descendentes dos construtores que concebam uma entidade acessível à razão humana sem dar a ela poderes sobrenaturais que provavelmente favorecem a superstição. Se transpusermos essa qualificação de plano espiritual para o plano material, encontramos no Grande Arquiteto as noções da arquitetura de base, a saber: Ordem, Plano, Geometria, Harmonia, todas as noções que o homem pode integrar facilmente em seu sistema de pensamento.

Este princípio transcendente repousa não apenas na Palavra criativa, mas também na Luz (é necessário sabermos que a origem indo-europeia da palavra “Deus” denota a ideia de brilho). Esta trindade esotérica Princípio / Palavra / Luz, que não vai contra a interpretação religiosa da Trindade, baseada no tríptico Pai / Filho / Espírito Santo.

Nesse sentido, qual é a atitude da Igreja em relação a Maçonaria? Enquanto o Grande Arquiteto era Deus, nunca houve o menor problema. Mas a partir do momento em que os dois símbolos não coincidem mais a partir do século XVIII, as relações estragam e a atitude da Igreja se torna mais radical. Como os regimes totalitários político ou militares que a condenaram e ainda hoje a condenam, a Igreja Apostólica Católica Romana não foi deixada para trás em sua perseguição à Maçonaria. Para constar, mencionarei apenas os textos mais importantes publicados desde o nascimento da Maçonaria, na França e nos países subservientes a Roma:

  • A bula In eminenti apostolanus specula de 28 de abril 1738 do papa Clemente XII condenando os Francos-Maçons “que se reúnem na escuridão do segredo porque odeiam a luz”;
  • A bula Providas romanorum de Bento XIV de 16 de março de 1751, que confirma a penalidade de proibição e de excomunhão de 1738;
  • A carta apostólica Quo graviora de Leão XII de 13 de março de 1826, recordando a condenação da sociedade dos Franco-Maçons;
  • A cíclica Humanum genus de Leão XII de 20 de abril de 1884, confirmando a condenação da Franco-Maçonaria;
  • Mais perto de nós, a carta do Presidente da Congregação da Doutrina da Fé de 26 de novembro 1983, reafirmando a incompatibilidade entre a Igreja e Maçonaria; [2]
  • Deste último decorre a demissão em maio de 2013 do Pároco de Megève, infligido pelo bispo de Annecy o pedido do Vaticano de pertencer ao Grande Oriente da França, alegando que pertencer a Maçonaria e o serviço da Igreja Católica são incompatíveis.

Pessoalmente, considero que a condenação da Maçonaria pelo Vaticano aplica-se a Maçonaria sectária e anticlerical, mas nunca se referiu ao Rito Escocês Antigo e Aceito, porque nunca se opôs abertamente à religião, pelo contrário. Basta lembrar dessa passagem do manifesto do Concílio de Lausanne para se convencer disso:

“Para os homens para quem a religião é o consolo supremo, a Maçonaria [3] diz: cultive sua religião sem impedimentos, siga as inspirações de sua consciência; Maçonaria não é uma religião, ela não tem um culto …”.

Mais recentemente, outras Igrejas também tem se declarado hostis à Maçonaria, como a Igreja Anglicana cerca de vinte anos atrás, e as Seitas sectárias americanas como a Cientologia e os Nascidos de Novo Cristãos (Born again Christians), mas por diferentes razões: de fato, a Maçonaria Anglo-Saxônica, que é um quintal das Igrejas estabelecidas, é considerado um concorrente por Canterbury, uma vez que o número de fiéis caiu acentuadamente na prática do culto na Grã-Bretanha; por causa do importante lugar que ocupa nos Estados Unidos, representa um déficit para seitas de todos os tipos que passaram do declínio da espiritualidade para o benefício da religiosidade.

Após essa digressão no mundo da religião, vamos voltar ao nosso assunto.

O Princípio preexiste necessariamente a Palavra e para a Luz que são energias, isto é, forças. Até o espírito mais rebelde da metafísica é obrigado a observar que:

  • Por trás do princípio, existe a fonte, há energia,
  • Por trás da energia existe a lei, ou seja, um conjunto de regras,
  • Por trás da lei está o plano que permite o cimento de todas as coisas,
  • E que o plano apresenta o Arquiteto que o concebe.

E isso está em perfeita concordância com o conceito de Grande Arquiteto do Universo, ao mesmo tempo um símbolo menos redutivo e menos violador da consciência do que a interpretação de um Deus revelado, uma abordagem metafísica acessível a razão humana. Além disso, um símbolo é por definição interpretável e evolutivo de acordo com o conhecimento de cada um, seja cultural, religioso ou espiritual. Este símbolo tem, por outro lado, a vantagem de reconciliar religiões dogmáticas e religiões que não reconhecem a ideia de um Deus criador, tantos os crentes quanto os não crentes. Finalmente, este símbolo difere da ideia de Deus, pois ele representa um conceito, e nesse sentido ele não pode julgar nem Punir, muito menos ser adorado.

Assim, por reposicionamentos sucessivos na história da Maçonaria iniciática, o Grande Arquiteto do Universo foi gradualmente se destacando do conceito de Deus. O espaço assim criado entre Deus, proposto como o detentor da Verdade revelada, e o Grande Arquiteto do Universo, símbolo do Princípio, surgiu como um espaço de liberdade para as pressões por uma espiritualidade livre de todos os dogmas. Para o homem livre, elaborar sua própria ideia da Divindade se torna um dos desafios do século XXI.

No mesmo sentido dessa evolução do conceito da divindade, o lema dos Conselhos Supremos do Mundo, Deus meumque Juice (ou seja, o certo, para o Maçom Escocês, interpretar Deus de acordo com sua cultura e o grau de abertura do seu espírito), que combina harmoniosamente fé e razão e especifica o relacionamento reconhecido pelo Rito entre o Divino e o Homem, este último não sendo imposto, em sua qualidade de Maçom, de nenhuma outra maneira além da escolhida por sua consciência como um homem livre. E nessa afirmação do Grande Arquiteto do Universo, o Sistema Escocês respeita a liberdade de todos de pensarem ou não sobre a divindade. Após o Concílio de Lausanne, o Soberano Grande Comendador Crémieux declarou:

“Não damos forma ao Grande Arquiteto do Universo, deixamos cada indivíduo pensar o que quiser.”

Porque Deus é algo pessoal que não se compartilha. O Maçom Escocês não está esperando por uma resposta revelada, muito menos uma definição mundial. Aí reside a dificuldade da abordagem iniciática, mas descobrir toda a sua grandeza e procurar por seus mistérios nos permite alcançar harmonia e equilíbrio que garante a nossa plenitude como homens.

Atualmente, alguns cientistas de alto escalão têm uma visão da divindade muito próxima da nossa. Assim, o astrofísico Trinh Xuan Thuan, em Caos e Harmonia, publicado pela Fayard Editions, escreve:

“O universo é definido com extrema precisão. São necessários pouco mais de dez números (na verdade quinze números chamados “constantes físicas”) para descrevê-lo: o da força gravitacional, a velocidade da luz, aquela que dita o tamanho dos átomos, sua massa, a carga de elétrons, etc. No entanto, seria suficiente que um desses números fosse diferente para que o universo inteiro e, portanto, nós, não existíssemos. Uma relojoaria muito delicada porque, com mudanças de algumas casas decimais, nada acontece e o universo é estéril. O Big Bang tinha que ter alguma densidade. Estrelas produzem carbono. A Terra está a certa distância do sol. A atmosfera tinha uma boa composição. Tudo isso foi necessário para a vida aparecer. Milhares de outras combinações foram possíveis. Os físicos recriam [essa atmosfera] em laboratório, mas nenhum cria à vida. Essa competição de circunstâncias é extraordinária demais para que o acaso seja o único responsável.”

O autor usa a metáfora da relojoaria, como a definição de Voltaire de Grand Horloger (“É impossível para mim conceber ver um relógio sem relojoeiro”), mas especialmente detectamos a presença de um espírito acima de tudo, imaginação ou elucubração, como Nativos americanos que usam a frase “Great Manitou” (Grande Espírito) para designar Deus.

Em conclusão, o Franco-Maçom Escocês descobre que pertence a um conjunto universal unido governado pelo Princípio, símbolo da transcendência, sem o direcionamento a um Yahvé, um Deus, um Alá ou um Buda ou qualquer outro ídolo, conceitos que limitam aos preceitos de uma Igreja, com exclusão de todas as outras crenças. Através da iniciação, a fé se manifesta no nível de uma experiência interior independente de dogmas que restringem a liberdade de consciência.

Embora se recuse a lidar com questões da vida cotidiana (no nível religioso, político ou social) sem ignorá-la, o caminho escocês é um caminho exclusivamente iniciático em sua dimensão espiritual, que torna o maior grupo de Maçons do mundo.

Tradução: Rodrigo de Oliveira Menezes

Texto recebido por e-mail, sem o nome do autor, em Francês. Traduzido e publicado.

Fonte: Ritos & Rituais

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Notas

[1] – Independente da interpretação do autor, vale a ressalva que a Proclamação de Princípios do Concílio de Lausanne foi o ponto principal de embate entre os Supremos Conselhos, fazendo com que muitas das determinações acolhidas pelos seus representantes não fosse aceita ou seguida por Escócia, Estados Unidos e demais países alinhados. Existe um artigo muito bem escrito no próprio site que narra todo esse desenrolar podendo ser acessado pelo link: https://ritoserituais.com.br/2018/09/19/o-concilio-dos-supremos-conselhos-do-rito-escoces-antigo-e-aceito-parte-1/

[2] – A íntegra desse texto já foi publicada no site através do link: http://ritoserituais.com.br/2019/06/25/macom-pode-comungar/

[3] – Naturalmente, esta é a Maçonaria do Rito Escocês Antigo e Aceito.

O Homem, o Maçom e a Maçonaria

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O Homem é um ser complexo, estranho e imperfeito. Às vezes se julga senhor do mundo e às vezes em depressão, ou quando algo em sua vida não está bem se sente muito pequeno inútil e destruído. Em seus momentos de fantasia, aspira ser Deus, sendo que jamais poderá vir a sê-lo.

Quer ser imortal, pois não admite a morte, mas nunca se lembra que se perpetua através de seus genes em seus descendentes.

É um ser gregário, aliás, condição vital para sobreviver. Desde os tempos das cavernas ele aprendeu a viver em grupo.

É curioso. Pergunta muito, muito embora não tenha respostas para causas maiores de sua existência. Isto lhe traz um conflito existencial muito grande. Quer conhecer a todo custo o que se passou com as civilizações anteriores e quer entrar em contato com seres inteligentes do Universo.

Explora o Cosmo como um todo e em particularidades, explora a própria Terra, em busca de suas raízes, suas origens, sem tê-las conseguido até a presente data.

Desconhece a razão da vida e da morte, e temeroso diante das forças telúricas e universais passou a respeitar venerar e até idolatrar o criador invisível de tudo. Ai reside o princípio religioso da maioria dos Homens, mais pelo temor da grandiosidade que o cerca, que pela sua inteligência, a qual é limitada.

É um ser vicissitudinário. Em sua mente existem milhões de fantasmas de idéias, de sonhos, de tal forma que ele muda sempre, para uma evolução maior ou menor, mas amanhã nunca será o mesmo de hoje. Nunca será o mesmo em todas as épocas de sua vida, embora mantenha suas características de personalidade.

Nos últimos séculos e especialmente no último, sofreu todas as influências possíveis e imagináveis quer pela evolução do próprio pensamento humano quer pelos verdadeiros saltos científicos dados pelas invenções e pelas tecnologias modernas. O meio intelectual e moral foi mergulhado e envolvido por estas descobertas. No último século o desenvolvimento científico da Humanidade foi maior que em toda a história da atual civilização e civilizações anteriores.

As descobertas científicas aconteceram e acontecem sem qualquer antevisão do futuro.

As suas conseqüências não previsíveis dão forma para a nossa atual civilização. Quer dizer, não há uma programação objetiva e direta direcionada a um ponto futuro para conduzir a Humanidade. A ciência empurra o homem. Às vezes ele não sabe aonde irá parar. Os cientistas não sabem para onde estão indo e nem aonde querem chegar. São guiados por suas descobertas, às vezes imprevistas e, grande parte por acaso. Cada um destes cientistas representa o seu próprio pensamento estabelece suas próprias diretrizes para si e para a sociedade.

Por analogia, o mesmo caso acontece com a Internet. Não sabemos o que irá acontecer. Teremos que “pagar” para ver.

O Homem estuda desesperadamente as leis da natureza, estas, deveriam só ter valor quando chegassem até ele diretamente, não filtradas pelo véu intelectual repleto de costumes incorretos e tendenciosos, chegando assim a sua mente sem preconceitos, consumismos, conformismos e distorções. Aí ocorrem os sofismas, especialmente dirigidos por interesses financeiros manipulados por grupos multinacionais.

O comportamento humano em função destes fatores muda verticalmente de tempos em tempos, ao sabor de uma mídia controlada por estes grupos, que explora as invenções da maneira que mais lucro lhes dá, dando uma direção equivocada à Humanidade em muitos setores. E esta praga ataca o Homem na política, na religião, no comércio e em todos os segmentos da vida, e ainda no que é mais complexo, no seu relacionamento.

O Homem é um ser emocional, agressivo, intuitivo e faz pouco uso da razão para resolver seus problemas. Age mais pela emoção.

Konrad Lorenz, prêmio Nobel de 1973, zoologista austríaco admite que a agressividade do Homem seja uma herança genética de seu passado animal e que o Homem não seria fruto do meio em que vive. As guerras para ele serão inevitáveis por maiores que sejam as conquistas sociais e científicas da Humanidade. Apesar de ter sido combatido pela maioria dos psicólogos do mundo inteiro, ele parece ter razão. As guerras continuam existindo e a forma de destruição do próprio Homem cada vez mais sofisticada. A invenção mais moderna de autodestruição chama-se terrorismo.

Os Homens para se organizarem criaram regras disciplinares e entre elas a Ética e a Moral, que tanto se escreve a respeito e há autores que as consideram a mesma coisa.

Anato Le France em seu livro “Os deuses têm sede”, cita que o que chamamos de Moral não passa “de um empreendimento desesperado de nossos semelhantes contra a ordem universal, que é a luta, a carnificina e jogo cego dos contrários”.

“A Moral varia na cronicidade das épocas, pois o que serviu para nossos pais, não serve para nossos filhos” (Mazie Ebner Eschenbach).

A Moral seria, pois, para entendermos melhor, o estudo dos costumes da época e a Ética, a ciência que regula as regras pertinentes.

Os Homens ditos civilizados costumam afirmar que a Ética é um princípio sem fim.

Mas o mesmo Homem que é um ser competitivo, agressivo, emocional e que seria capaz de destruir a si e ao mundo em determinadas situações, ele também é em outros momentos bom, caridoso, compreensivo, leal, capaz de gestos de desprendimento em favor de seus semelhantes.

Dentro desta dualidade se procura ainda que de forma muito superficial, traçar uma pálida silhueta do Homem, já que é impossível descrevê-lo profundamente como um todo.

Todo Maçom é um Homem, pelo menos no sentido genérico e, como tal não escapa as especificações boas ou más citadas na descrição deste perfil traçado.

A Maçonaria traz a esperança de mudar os Iniciados para melhor. Isto até chega acontecer verdadeiramente para poucos, e estes entenderão que a Ordem é antes de tudo uma tentativa de levar os adeptos ao seu autoconhecimento e ao estudo das causas maiores da vida e que também sua função no mundo atual será político-social. Entenderão que a Maçonaria é para eles uma forma de evolução ética, moral e espiritual.

Outro grupo de Maçons vive nesta ilusão, mas não vai de encontro a ela. É medíocre e conformado, aceita tudo, mas sabe muito bem a diferença. Apenas por uma questão de não duvidar, aceitar as coisas erradas passivamente, e por preguiça mental letárgica não luta e espera que as coisas aconteçam. Porem, a maior parte dos Maçons jamais entenderá o desiderato verdadeiro da Ordem. Jamais entenderá esta meta, mas acreditará equivocadamente de que a está conseguindo. 

A maioria dos Maçons não lê, não estudam, criticam os que querem produzir algo de bom, querem saber quem será o próximo venerável, e querem que a sessão termine logo, para “demolirem os materiais” e sorverem o precioso líquido que traz eflúvios etílicos, das “pólvoras amarela e vermelha”, nos “fundões” das lojas, onde excelentes Irmãos cozinheiros preparam iguarias divinas. Até nem podemos condená-los, já que são Homens e como tal não são perfeitos.

Os Maçons de um modo geral trazem para dentro das Lojas, todas as transformações e influências que existem no mundo profano, e sem se aperceberem tentam impor suas verdades como se fossem as verdades ditadas pela Ordem.

Está havendo um grande equívoco na Maçonaria atual, pois esta, tem em seus princípios valores antigos tradicionais aparentemente conservados através dos rituais, costumes escritos, constituições etc., que muitos Maçons têm a pretensão de está-los seguindo, sem que isto seja verdade.

O que acontece em realidade é que a maioria destes valores acaba sendo letras mortas, pois o Maçom na sua condição de Homem que recebe todas as influências citadas do mundo profano, especialmente no terreno das comunicações, informações e do moderno relacionamento humano, traz para o seio da Maçonaria, tudo o que ele está sofrendo e se envolvendo fora das lojas, tais como a competitividade desleal, o consumismo exagerado, a agressividade incontida, a ganância pelo poder, a vaidade auto-idólatras, enfim uma série de situações que ele mais cedo ou mais tarde, quando fizer uma análise de consciência, se o fizer, pois a maioria  nem isso faz, ele verá que não foi bem isso que ele pretendia da Ordem. Então vem a desilusão total, uma das causas de esvaziamento das nossas lojas.

Fala-se em tradição na Maçonaria, mas em realidade esta foi se distorcendo aos poucos, pois os tempos são outros e tudo muda, e as mudanças ocorrem sem se apercebê-las, pois muito embora aparentemente ligado ao passado, o Maçom vive o tumultuado mundo presente.

A Maçonaria a exemplo da nossa civilização atual foi, organizada sem o conhecimento da verdadeira natureza do Maçom. Embora feita só para Maçons não esteja ajustada ao real espaço que ela deveria ocupar.

O modernismo, como não podia deixar de ser também chegou à Ordem. Hoje, em muitas lojas não se usam mais as velas e sim lâmpadas elétricas. Os rituais foram acrescidos de práticas que não existiam na Maçonaria primitiva. Os templos se tornaram suntuosos, e, ricas colunas os adornam. Acabou-se a simplicidade de outrora. Apareceram cerimônias enxertadas, inventadas, rebuscadas. 

Constroem templos para todos os lados. Um templo às vezes fica ocioso por vários dias da semana, onde poderia ter uma loja funcionando a cada dia e os demais templos construídos com muito sacrifício de alguns, poderiam ser uma escola, um lar de velhinhos, ou qualquer outra modalidade de prestação de serviços enfim, uma obra que depois de construída seria doada a sociedade. 

As pendengas políticas entre os lideres da Ordem, chegam a tal rivalidade que com freqüência são levadas às barras dos tribunais na Justiça comum.

A ganância pelo poder é um fenômeno bastante freqüente na mente de alguns Maçons. Um simples cargo de venerável, às vezes é disputado de forma bastante ignóbil, não maçônica, pelos oponentes. Imaginem então, o que ocorre quando de trata de eleição para o cargo de Grão-Mestre.

Não se concebe e não se justifica que este poder temporal maçônico que em realidade não significa coisa alguma em matéria do Conhecimento que a Ordem pode proporcionar, cause tanta cobiça, tantas situações anti-maçônicas, as quais observamos com freqüência, sendo que a maioria dos Maçons fingem que não  as estão vendo.

Sábio foi um juiz profano que não acatou uma ação de um líder maçônico contra outro, alegando que os problemas de Maçons fossem resolvidos dentro da própria Maçonaria já que a Justiça tinha coisas mais importantes a tratar. A Maçonaria foi exposta nesta situação, ao ridículo.

Como é triste, como é doloroso, como doe no fundo da alma quando um Irmão torna-se falso, difama, conspira e tenta destruir outro. Às vezes seu próprio Padrinho é o atingido ou um Irmão que tanto lhe queria. E isto sempre ocorre não pela Dialética que é adotada pela Maçonaria que é a arte de poder se expressar e alguém contrariar ou contraditar uma opinião para se chegar a uma verdade, mas tão somente por inveja doentia ou vaidade.

Porem existe o reverso desta análise. Não podemos afirmar que o Maçom como o Homem em si seja totalmente mau. Ele é dual. Foi criado assim. Ele tem o seu lado mau, mas luta desesperadamente para ser bom, sendo que maioria das vezes não consegue. É a eterna luta do Homem. O ofendido altruísta costuma usar a qualidade cristã do perdão e ai volta a abraçar o Irmão que lhe ofendeu. E tudo acabam em fraternidade, às vezes sincera e às vezes falsa. “A mão que afaga é a mesma que apedreja”. (Augusto dos Anjos)

Não podemos negar que nos causa tanta alegria, quando ficamos conhecendo um Irmão que nos é identificado como tal, onde quer que se esteja. Especialmente longe da cidade onde moramos. E comum este Irmão abrir seu coração, sua residência sua loja. Isto é realmente lindo na Ordem. É uma satisfação muito grande e uma realidade inconteste.

Outra situação boa que costuma acontecer na Ordem é a hospitalidade fraterna com que somos recebidos em outras lojas não importando a Obediência. Esta situação acontece nas lojas-base, não havendo mais atualmente a discriminação que havia outrora determinada pelos líderes das ditas Obediências. Foi um avanço social dentro da própria Ordem muito importante. Já não existem mais “primos”, agora somos irmãos de verdade, salvo algumas raras exceções.

O dualismo no Maçom continuará, ele é genético, mas a Maçonaria espera que seus adeptos desenvolvam somente o lado bom. Sua doutrina é toda voltada para esse fim. Então, não culpemos a Ordem, por distorções ou digressões, estas são inerentes ao Maçom, ao Homem imperfeito.

Entretanto, a Ordem deveria mudar o esquema de suas sessões imediatamente. Gastamos ¾ de uma sessão com problemas administrativos.

Aí está o grande mal. É aí que reside a nossa grande falha. Se houvesse uma sessão administrativa mensal, onde uma diretoria capaz resolvesse todos os problemas rotineiros, e as demais sessões fossem abertas e fechadas ritualisticamente, mas sua seqüência fosse tão somente de trabalhos apresentados, debates, instruções, doutrinação, têm certeza de que mesmo aqueles Maçons que não leem, não estudam, aprenderiam muito e tomariam gosto pela leitura, pois seriam despertos de um sono que talvez a própria maneira atual de ser da Ordem seja responsável.

Ainda no quesito “Diretoria ou Comissão”, vivenciamos constantemente perda de um precioso tempo debatendo metodologias sobre eventos, campanhas, e outros assuntos pertinentes as atividades da Loja no mundo profano, ora, porque não constituir várias “Comissões ou Diretorias”, para que as mesmas tenham autonomias na organização, promoção e decisões sobre o assunto na qual a ou as mesmas está (ao) imbuída (as)? Assim, com certeza desafogaria a sobrecarga sobre a administração da Loja, a qual poderia focar mais seu tempo nos trabalhos ritualísticos com os IIr.:, delegando a eles independentemente de Grau a responsabilidade do mesmo pesquisar, elaborar e apresentar em loja trabalhos referentes assuntos maçônicos, de forma que, o mesmo estaria enriquecendo seu conhecimento, assim teríamos uma dinâmica mais atraente, desnecessária a participação constante de “Profanos” realizando palestras em loja, o que já é percebido o descontentamento da maioria.

Temos acreditar no Homem, no Maçom, mesmo ele não sendo um ser perfeito. Ele desde que devidamente preparado poderá ainda a vir a ser o esteio da Humanidade. Estamos no momento mal doutrinado.

Temos que nos rever e modernizar, o futuro já é hoje. Vivemos num mundo de informações. Estas não podem ser sonegadas ou deixar de serem assimiladas. Já estamos ficando para trás em muitos segmentos da sociedade. Não aguentaremos por muito tempo o modelo anacrônico que estamos seguindo se não nos atualizarmos. Isto qualquer Maçom poderá deduzir, se refletir um pouco sobre a Ordem.

Acreditamos que a Maçonaria redespertará, e que num futuro bem mais próximo do que imaginamos tudo mudará para melhor. Porque, apesar de todas as influências negativas ou não ela conservou sua essência iniciática. E este fator manterá sua unidade simbólica e espiritual perene.

Autor: Hércule Spoladore

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A Verdade é simples, mas nossa visão dela é complexa

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Após acompanhar muitas discussões e até mesmo participar de algumas delas me ocorreu publicar algumas ponderações pessoais acerca da Verdade.

Mas, porque a Verdade? É que as discussões mais acaloradas ocorrem justamente pela defesa ferrenha de alguma ideia ou posição tida como verdadeira por um irmão, ideia ou posição esta que se contrapõe a outra verdade professada ou defendida por outro (quando ambos bem intencionados e bem fundamentados em suas argumentações).

Também, porque somos Buscadores da Verdade por princípio maçônico, queiramos isso ou não.

Bem, penso que um dos caminhos mais seguros a seguir atualmente é o científico, por mais limitado e preconceituoso que se mostre (este é assunto para outro debate).

Na ciência não existem negativas, somente afirmativas. Uma pesquisa sempre vai afirmar algo, ela é positiva. Não existe forma de se negar que algo não exista, mas somente que algo exista. Por exemplo, não há atualmente ferramental teórico ou técnico para afirmar que não existe alma, espírito, pensamento, etc. O que se pode dizer é que o corpo físico é comprovável e uma certeza universal. Mas, mesmo as certezas por vezes preconizadas pela ciência algumas vezes mudam, ou seja, aquilo que parecia verdade deixa de ser para abrir espaço para um conceito mais amplo e completo que o anterior. Isso, porém, sem garantias de que seja a verdade definitiva e absoluta. Foi o caso do conceito do átomo (última partícula indivisível da matéria, conceito que desmoronou com a Física Quântica). O mesmo ocorreu com a ideia de célula, menor corpo vivo ante às bactérias e vírus.

Aliás, para os positivistas praticamente só as ciências ditas “duras” são consideradas como ciência mesmo: matemática, física, engenharia, etc. As ciências ditas “humanas” são, via de regra, muito subjetivas e têm seus objetos não claros e concretos, além de comprovações duvidosas (segundo este conceito). Um absurdo interessante é o fato de que a Metodologia Científica nasceu no seio da Filosofia (que por sua vez se originou dos estudos da Mitologia, Religiões, etc.). Pela análise rígida da Metodologia, a Filosofia não pode ser considerada uma Ciência. Pode? Doido, né?

Bem, mas vamos voltar ao nosso assunto, a Verdade. Reproduzo abaixo um breve resumo de parte de meu livro Astrologia na Maçonaria.

A Verdade é uma busca comum para todos, incluindo os filósofos, os religiosos e os cientistas. Há quem diga que é impossível ao ser humano chegar à verdade visto que é limitado (imperfeito) e que a verdade reflete a Perfeição. A verdade nasce do julgamento da mente a respeito das realidades e é justamente aí que pode residir o erro, o equívoco ou a limitação. A realidade é anterior e posterior à ciência. Extrair a verdade da realidade é obter a razão da vida. Temos alguns estados da mente em relação à verdade: ignorância, dúvida, opinião e certeza. Mas, podemos ter certeza da verdade?

Nada na Criação está fixo e definitivo. Todo o universo se encontra em expansão, segundo a Física, tanto no macro como no microcosmo. Nada está parado, nem mesmo o interior daquela pedra do calçamento, dentro dela existe movimento e portanto vida.

De acordo com a ciência temos alguns graus de certeza: absoluta, hipotética, metafísica, moral, científica, religiosa e vulgar.

Aqui já podemos perceber pontos de tensão em discussões de nossos grupos. Por exemplo, quanto ao “nascimento” da Maçonaria. Dependendo da linha de raciocínio seguido pelo maçom sua certeza pode ser metafísica ou científica. Uma abordagem não invalida a outra e também não detém a verdade absoluta. Em absoluto!

As evidências constituem as “comprovações” das verdades retiradas da realidade. Mas, de que vale uma evidência filosófica para um pesquisador que busca provas físicas, materiais?

Para encerrar este resumo, quero lembrar aos Irmãos que na Cabala judaica temos quatro “Mundos” da Criação ou formas de manifestação do GADU:

  • Mundo da Ação (o físico) – onde pedra, por exemplo, é pedra e ponto final. Em Maçonaria poderíamos dizer que seja o nível dos “profanos”;
  • Mundo da Formação (abstrato, eu associo com as emoções) – onde esta pedra é um conjunto de partículas em movimento e um centro que pode ser energético. Em Maçonaria poderíamos dizer que seja o nível do “Aprendiz”, aquele que vê a vida com outros olhos além das evidências materiais e considera outros fatores mais sutis da vida social;
  • Mundo da Criação (abstrato, eu associo com as idéias) – onde esta pedra pode ser considerada um ser vivo, complexo. Em Maçonaria poderíamos dizer que seja o nível do “Companheiro”;
  • Mundo da Emanação (divino, eu associo com o espírito) – onde esta pedra é conceituada apenas como pedra e ponto final, sem especulações ou conceituações, porque ela é tida em seu sentido mais amplo e profundo; conceituar ou especular é querer limitar o ilimitado, definir o indefinível. Por isso este nível é o nível do segredo, do silêncio e da reflexão. Este é o nível do verdadeiro Mestre.

Por isso, penso que devemos respeitar as opiniões alheias, tentar entender de qual ângulo o irmão está olhando a questão e a nossa própria visão. Caso contrário, muitas discussões podem não contribuir para a busca da verdade e se mostrarem perda sem sentido de tempo, energia e amizade.

Autor: Juarez de Fausto Prestupa

Fonte: Ciência Estelar

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A linha de fronteira de nossa conduta

Frequentemente participo de grupos em que se discutem normas e procedimentos maçônicos, em Loja e fora dela. Muitas vezes, as opiniões são divergentes e outras potências sãos mencionadas, como sendo tolerantes a isso ou àquilo. O texto que se segue, de autor americano, diz respeito à Maçonaria da Califórnia, tal como é vista pela Grande Loja da Califórnia. As semelhanças conceituais justificam estudar um texto onde tantas diferenças na “praxis” maçônica existem. Ao Maçom estudioso, dedico esta tradução, pois desejo que contribua para o enriquecimento de seu conhecimento da Arte Real.

Introdução

Eu gostaria que cada um de vocês retrocedesse comigo, em seus pensamentos, até a noite em que vocês entraram numa Loja Maçônica pela primeira vez, para serem iniciados. Provavelmente, cada um de nós tem diferentes eventos que se destacam, daquela noite memorável, mas eu posso me lembrar de quão profundamente impressionado eu estava de ser reconhecido como um Maçom justo e perfeito e, daí por diante, deveria caminhar e agir de acordo.

Bem, é verdade que eu havia assinado uma inscrição prometendo que, se fosse julgado merecedor, eu deveria me cingir a todos os antigos usos e costumes da fraternidade, e eu confirmei essa promessa ao Irmão Experto, antes de entrar na Loja, mas isso tinha sido como assinar um cheque em branco.

Agora, pela primeira vez me disseram que a Maçonaria esperava um padrão mais elevado de conduta de seus membros do que era esperado de outros homens. Mais tarde, na mesma noite, isso foi enfatizado ainda mais pela alegoria do ponto dentro do círculo. A linha de fronteira da sua conduta além da qual o Maçom jamais deveria permitir que suas paixões, seus preconceitos ou seus interesses o traíssem.

Tal como o cientista estuda a órbita do satélite girando ao redor da Terra, assim deveríamos estudar esse círculo que delimita a nossa conduta, de modo que saibamos do que ela é composta e até que ponto ela se estende.

A dificuldade que sempre ocorre num papel deste tipo é que os leitores são compostos em parte por aqueles oficiais e membros mais antigos que estão interessados em todas as coisas maçônicas e em apoiá-las; e em parte por aqueles que são novos na associação e estão ansiosos para aprender. Se nós, que preparamos o material, visamos ao primeiro grupo, e abandonamos os conceitos mais elementares do nosso assunto, nós cometemos uma injustiça para com os recém-admitidos na Maçonaria. Por este motivo, eu espero que vocês, do primeiro grupo, aos quais podemos nos referir como estudantes “graduados”, me perdoem se eu incluir pontos que possam parecer óbvios para vocês, mas que possam ainda não terem ocorrido para os “não graduados”.

Primeiro, consideremos a fibra da qual esse círculo que delimita a nossa conduta  é trançada. Onde são encontradas as restrições que nos governam?

Primeiramente, claro, devemos examinar o ritual. Aí encontramos as obrigações básicas que juramos solenemente obedecer. Além dessas obrigações, encontramos encargos e palestras cheias de lições projetadas para melhorar as nossas vidas e ações. Finalmente, chegamos ao entendimento de que deveríamos renunciar aos nossos próprios desejos em todas as coisas que digam respeito à Maçonaria e deveríamos nos adaptar e limitar a todas as regras e regulamentos da Fraternidade. Estas incluem a legislação e os decretos de nossa própria Loja, as Constituições e Atos da Grande Loja e, também, aqueles antigos Landmarks e Constituições da sociedade que nos foram repassados através dos tempos.

Tudo isso junto estabelece as fronteiras que governam a nossa conduta. Estes regulamentos podem ser subdivididos em diversas categorias:

  • aqueles que determinam a nossa conduta perante a Loja e seus oficiais;
  • os que comandam nossas tratativas com outros Maçons; e
  • aqueles que governam a nossa conduta no mundo externo.

I –  Conduta perante a loja e seus oficiais

Primeiro, vamos examinar as regras às quais um Maçom deve se sujeitar com respeito à sua Loja.

Uma das mais importantes é que ele deve respeitar as decisões do Venerável Mestre em todos os assuntos Maçônicos. Nos idos de 1879, surgiu um disputa em uma de nossas Lojas, quando um irmão se recusou a obedecer ao malhete do Venerável e, de fato, disse a ele: “Continuem batendo, vocês todos, por favor! Eu vou usar a palavra!” Ele sugeriu, ainda, que, se o Venerável não o quisesse ouvir, ele poderia virar a sua cadeira ao 1.º Vigilante e sair. O irmão querelante foi julgado e expulso e, ao pronunciar o veredicto, a Comissão de Queixa estabeleceu a lei como se segue:

Se as prerrogativas legais do Venerável Mestre não forem mantidas, todo o tecido da Maçonaria cai por terraA nossa é, essencialmente, uma instituição autocrática e nenhum dos regulamentos deve ser mantido com maior cuidado do que aquele que estabelece que o Venerável Mestre controla a sua Loja. Ele se reporta, apenas, à Grande Loja e, se algum irmão se julgar injustamente tratado, ele tem o remédio de apelar para aquela autoridade suprema.”

O mesmo raciocínio se aplica às convocações, tanto da Loja quanto do Venerável Mestre. O membro não tem o direito de questionar a sua legalidade ou de se recusar a obedecer, a menos que ele esteja fisicamente incapacitado de comparecer.

De igual importância são as regras que governam o segredo. Isto, naturalmente, se aplica ao ritual e inclui a proibição contra o uso de qualquer livro-código. O resultado de um escrutínio sobre um proposto nunca deve ser revelado, exceto pelo Secretário ao proposto. Isto se aplica, também, a qualquer registro de julgamento ou procedimento em que um irmão é advertido, suspenso ou expulso; ou a qualquer transação que, a critério do Venerável Mestre, deva ser mantida secreta. Nem deve nenhum membro revelar seu próprio voto em um escrutínio secreto, nem a razão para ele, exceto para o Venerável Mestre, com a finalidade de corrigir um erro ou uma injustiça. Todos os membros presentes devem tomar parte no escrutínio e não podem sair do Templo durante a votação. É antimaçônico usar bolas pretas por razões pessoais. Um irmão não pode tomar parte na adulteração de fatos de uma proposta nem pode esconder ou sonegar informações. É, também, uma ofensa, contrariar o avanço de um candidato sem motivo suficiente.

É ilegal adulterar os procedimentos de uma Loja. Em 1870, um irmão mandou uma mensagem para o Grão Mestre dizendo que a sua Loja estava em estado de rebelião contra a Grande Loja e fez outras afirmativas destinadas a trazer descrédito para a sua Loja. Depois de uma investigação, ficou provado que ele havia distorcido os fatos e, por isso, ele foi expulso.

Um Maçom não pode visitar uma Loja clandestina e, se ele tiver alguma dúvida quanto à sua regularidade, ele pode pedir para examinar a sua Carta. Ele não pode se responsabilizar por ninguém com quem ele não tenha estado em uma Loja regular, nem realizar qualquer exame particular. Ele não pode aparecer em público em vestes maçônicas, exceto para um funeral ou outra cerimônia reconhecida. Um membro não pode circular uma petição em Loja buscando ajuda financeira para qualquer assunto não maçônico, não importa quão meritória seja a causa. Foi feita uma exceção para as escolas públicas estaduais, mas somente se o solicitante  tenha sido designado para uma comissão com esse fim. Mesmo essa solicitação não deve ser feita em uma Loja coberta, mas pode ser feita antes ou pelo correio.

Um maçom não pode divulgar petições ou propaganda eleitoral de forma a influenciar os procedimentos em Grande Loja.

É antimaçônico não pagar as mensalidades. Um membro pode se retirar de uma Loja na qual ele esteja regular, mas ele não pode renunciar à Maçonaria. Isso é tudo quanto à conduta perante a Loja.

II – Conduta perante os irmãos

Nossas leis são igualmente específicas quanto à nossa atitude perante nosso irmãos. Nós não podemos usar linguagem grosseira para com um irmão ou atingi-lo por raiva. Nem devemos caluniá-lo ou, por qualquer modo, atingir seu bom nome.

A antiga Constituição diz: “Se um irmão vive extraviado ou calunia seu irmão de modo a envergonhar a ordem, ele não pode mais ser mantido entre os irmãos.”

Ele também não pode revelar os segredos de um irmão que como tal lhe foram revelados exceto quando estiver convicto de que sérios crimes estão implícitos.

Muitos casos vieram à apreciação da Grande Loja envolvendo negócios entre irmãos. A Grande Loja tem recomendado, repetidamente, que não arbitrará tais disputas ou casos em que dívidas não foram pagas, a menos que haja provas de fraude ou logro intencional.

Apesar de não estar expressamente declarado em nossas obrigações, o mesmo se aplica se a viúva ou esposa do Maçom for enganada.

A Grande Loja tem tentado se manter afastada das disputas políticas envolvendo os seus membros. Em 1874, um irmão se atreveu a pendurar a imagem de outro irmão que se lhe opunha na política. O ato foi praticado publicamente defronte à agência local dos Correios. O “pendurado” tentou aplicar sanções maçônicas no “pendurador” mas a Grande Loja dispensou o caso, aparentemente achando que tudo é justo em política.

III – Conduta perante o mundo profano

De longe, as regras mais importantes concernentes à nossa conduta são as que governam as nossas ações em relação ao mundo fora da Maçonaria. As faltas cometidas dentro das nossas Lojas e contra os nossos irmãos podem ser tratadas sem publicidade adversa, mas, quando nós nos esquecemos das regras estabelecidas para o nosso comportamento para com outros, nós enodoamos o bom nome de cada membro da Irmandade. Algumas regras são óbvias, tais como estupro, adultério, duelo, desfalque e outros sérios crimes como esses.

Esses delitos são todos maçônicos e servem de base para um julgamento maçônico mesmo que o praticante tenha sido inocentado no tribunal ou não tenha sido condenado por um Grande Júri.

A condenação e a prisão de um Maçom por qualquer delito pode sujeita-lo à expulsão. Irmãos foram expulsos por mandarem cartas obscenas pelo correio; por usarem linguagem reles e ofensiva; por alugarem uma casa sabendo que ela seria usada para prostituição; por frequentar tais lugares; pelo uso habitual de drogas; e por fazerem afirmações públicas ou particulares negando a existência de Deus.

Num caso, um ano, um irmão foi expulso por consciente e voluntariamente ter feito uma declaração de renda falsa, mesmo tendo se regularizado junto ao governo federal, pagando uma multa. Um Maçom pode ser expulso por se ter associado, quer no passado quer no presente, a qualquer grupo que advogue a derrubada do nosso governo pela força ou por qualquer outro meio ilegal.

A bebida alcoólica tem sido fonte de muitos problemas para a lei Maçônica, da mesma forma como o é para os tribunais cíveis e criminais. A embriagues habitual é, naturalmente, antimaçônica, pois ela viola nossos ensinamentos básicos sobre a virtude cardinal da temperança. Desde 1912, nós temos uma seção em nosso código proibindo a admissão de qualquer pessoa que esteja envolvida, seja como empregado seja como proprietário, em negócios de cassinos a menos que ele seja parte de um hotel ou restaurante sério. O desaparecimento dos velhos salões e o advento de bares, cervejarias e lojas de bebidas deram origem a muitas decisões sobre essa questão e esta lei foi repetida em 1966.

Não há nenhuma proibição na nossa Lei Maçônica da Califórnia contra a venda de bebidas em pacotes; entretanto, um caso interessante aconteceu em 1952. Um Maçom californiano mudou-se para Nebraska e montou um negócio de bebidas em pacotes a varejo. A Lei Maçônica do Nebraska proíbe o envolvimento na venda de bebidas de qualquer espécie, de modo que o irmão foi julgado numa Loja de Nebraska e expulso da Maçonaria, com a perda de todos os direitos e privilégios.

Surgiu, então, a questão de como ficaria ele na Califórnia, já que ele não havia violado nenhuma lei maçônica californiana específica. A decisão da Grande Loja – baseada no antigo Landmarks: “Todos os Maçons são subordinados às leis e regulamentos da jurisdição maçônica na qual reside” – foi a de que o irmão era culpado de conduta antimaçônica, e ele foi expulso na Califórnia também.

O jogo também tem a sua parte nos problemas. O vício do jogo sempre foi antimaçônico e nós encontramos, nas Antigas Obrigações, que: “Um Maçom não deve ser um jogador habitual de cartas, dados ou jogos de azar.” Em anos recentes, tornou-se um lugar comum ver organizações voltarem-se para formas indiretas de jogo, como bingos, loterias, sorteios, etc. como meio para amealhar fundos, de modo que é muito natural que alguns de nossos irmãos se tenham valido destes meios para levantar dinheiro para algum tipo de projeto meritório.

A Maçonaria, entretanto, tem-se mantido firme contra esta onda e nenhuma Loja ou Maçom pode promover ou tomar parte em tais atividades de apostas em benefício de qualquer organização de Maçons ou onde o pré-requisito para associação seja o de que a pessoa seja um Mestre Maçom.

No campo da conduta maçônica em face do público, o tema que levantou as maiores controvérsias e que, provavelmente, recebeu maior tempo de atenção em anos recentes é aquele campo coberto pelo termo amplo “Comercialismo”. Antes de ser admitido em Loja pela primeira vez, todos nós concordamos que não éramos influenciados por motivos mercenários e, por muitos anos, a nossa Constituição proibiu, especificamente, qualquer Loja ou Maçom, individualmente, de usar a Maçonaria para incentivar qualquer empreendimento comercial. A busca disso ficou restrita à proibição do uso do nome ou das insígnias maçônicos em propaganda de qualquer negócio particular.

Isso também se aplica aos candidatos políticos, que podem informar a sua afiliação maçônica, mas nunca foram autorizados a usar emblemas e símbolos maçônicos em suas campanhas. Muitos abusos foram tolerados e foram solicitados fundos e propaganda para o público em geral, com a implícita sugestão de que o dinheiro era para fins maçônicos. Em 1951, o Grão-Mestre Clausen reconheceu esse mal e as reclamações que começavam a chegar, e tomou medidas para corrigi-lo, nomeando uma comissão especial para publicações. Foram feitas várias tentativas de regular as várias publicações, mas o cumprimento era difícil, de modo que, em 1954, a Grande Loja adotou a legislação atual, que proíbe qualquer Loja ou membro de fazer em qualquer meio propaganda que sugira ser maçônica.

Durante a investigação deste problema, a comissão achou muitos casos fora do campo das publicações nos quais solicitavam-se fundos para o público a fim de apoiar atividades falsamente apresentadas como maçônicas aos doadores. Por causa disso, a comissão evoluiu para a atual comissão sobre Comercialismo. Eles encontraram muitos casos onde o dinheiro que era supostamente solicitado para caridade maçônica ia parar nas mãos dos realizadores, com apenas uma pequena parte sendo encaminhada para a causa meritória para a qual era pretendida.

Isto levou à legislação adotada em 1955, estabelecendo que qualquer Maçom que, sendo membro de qualquer corpo ligado à Maçonaria, tome parte em qualquer promoção ou empreendimento daquela organização, que seja não-ético, fraudulento, enganoso ou ilegal, é culpado de conduta antimaçônica. Alguns de nossos membros, já suspensos ou expulsos, compreenderam amargamente que a Grande Loja da Califórnia não mais tolerará ver o bom nome da Maçonaria vendido ao público em benefício de alguns poucos.

Conclusão

No pequeno espaço destinado a este artigo, eu tentei cobrir as principais regras que governam a nossa conduta e os passos dados pela Grande Loja para explicitar os princípios e as obrigações da Maçonaria. Um ponto tem que ficar claro: há uma tendência de alguns de encarar a Grande Loja como uma equipe obscura ou grupo misterioso que trabalha por trás do cenário para decidir os assuntos de Maçonaria. Nada pode estar mais longe da verdade. A Grande Loja são os Mestres, Vigilantes e representantes de cerca de 700 Lojas da Califórnia, que se reúnem anualmente em São Francisco. Todas as ações do Grão-Mestre e de suas comissões são trazida àquele grupo e são eles que decidem quais serão as políticas e leis da Maçonaria californiana.

As nossas Lojas têm ampla autoridade para fazer cumprir nossos regulamentos, pois essa autoridade se aplica a todos os seus próprios membros, onde quer que eles estejam; e, também, a todos os outros Maçons que vivam dentro da jurisdição da Loja.

Ao contrário da nossa lei civil, não há estatutos de limitações na lei maçônica. Entretanto, os julgamentos maçônicos são assuntos desagradáveis que consomem o tempo e os esforços de todos os envolvidos e são, frequentemente, uma carga financeira para as Lojas. Muitos deles poderiam ser evitados se nós dessemos os seguintes passos: primeiro, velar para que os nossos membros sejam educados maçonicamente, de modo a que eles saibam o que deles é esperado, como Maçons; segundo, quando encontramos um membro que se está esquecendo de suas lições, deveríamos lembrar de sussurrar um bom conselho ao seu ouvido, gentilmente admoestando-o sobre seus erros, e diligenciar, de modo amistoso, para produzir uma regeneração verdadeira e permanente. E, finalmente, deveríamos guardar nossos portais de forma que apenas sejam admitidos na nossa Fraternidade aqueles que forem receptivos aos nossos ensinamentos e que achem fácil conduzirem-se como Maçons.

Como encerramento, eu gostaria de enfatizar que, nesta discussão sobre a conduta maçônica, nós só olhamos um dos lados da moeda. Nós gastamos o tempo falando sobre o que está fora do círculo da nossa conduta. Poderíamos despender uma igual quantidade de tempo discutindo aquela parte da nossa conduta que fica dentro do círculo, onde se espera que nós desenvolvamos os dogmas do Amor Fraterno, Ajuda e Verdade. Deveríamos nos lembrar sempre que o bom nome da Maçonaria não é o resultado do que nós não fazemos, mas sim, das boas coisas que foram feitas nas práticas fora da Loja, aqueles grandes deveres morais que nela estão inculcados e, com reverência, do estudo e da obediência às leis que o Grande Arquiteto do Universo nos deu pela Sua Sagrada Palavra.

Autor: Kenneth L. Hemphill
Tradução: José A. P. de Sá

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